Romero Jucá, o mais longevo dos líderes do governo (qualquer governo), é um político com uma plasticidade invejável. A despeito de qualquer condicionante política,...

Romero Jucá, o mais longevo dos líderes do governo (qualquer governo), é um político com uma plasticidade invejável. A despeito de qualquer condicionante política, ele conseguiu, ao longo do mandato dos três últimos presidentes da República, se equilibrar na condição de ministro-sem-pasta do Congresso. Não eram apenas a subordinação e a lealdade a explicar esse fenômeno de sobrevivência. Jucá sabe fazer, como pouco, o jogo dos interesses mesquinhos — não o do parlamento, o dos parlamentares.

Ele foi um dos pilares da baixa política, do pior fisiologismo e das engendrações mais obscuras do jogo do Poder. Foi o porta-voz de um grupo que detém uma enorme capacidade de articulação. Atuou como um Dartagnan no grupo de mosqueteiros formado pelos senadores José Sarney e Renan Calheiros, ao qual eventualmente se juntavam outros mercenários governistas de ocasião. Aí reside a explicação para a manutenção de seu espaço.

Jucá atuou desabusadamente para sepultar CPIs, defendeu aliados com a garra de um pitbull, atuou como advogado de teses com as quais não comunga. Foi denunciado dezenas de vezes, em todas as instâncias, e conseguiu resistir incólume. Também ajudou a esmagar adversários como o então senador Aloísio Mercadante.

Para Sarney e Renan, foi um articulador da maior importância. Sarney lhe deve, em grande parte, o sucesso da estratégia que salvou-lhe da degola na crise dos Atos Secretos. Renan foi salvo da cassação no affair Mônica Velloso. Os favores foram retribuídos com generosidade quando era Jucá quem estava na condição de alvo. E não foram poucas vezes.

Se, por um lado, Jucá atuava como um diligente office-boy de qualquer governo, por outro agia diligentemente como porta-voz do fisiologismo junto ao Palácio do Planalto. Conhecedor exímio dos limites entre interesses privados e possibilidades da máquina da administração, equilibrou-se no fio da navalha que separa a submissão total ao governo e a perigosa condição de líder das insurreições que muitas vezes levaram o Planalto à lona.

Desta vez, deu errado. Jucá atuou conforme sua cultura no episódio que culminou com a rejeição ao nome do Bernardo Figueiredo para a ANTT, usado por seu partido como forma de “enquadrar” a presidente. O recado que o partido mandou ao Planalto, coerente com a lógica do governo Lula, foi entendido — e punido — como uma afronta. Faria sentido à luz dos estatutos morais de Lula. Mas falhou sob Dilma. O que mudou, portanto, não foi o líder, foi o governo. Nesse sentido, a demissão do líder pode ter sido a maior obra da engenharia política de Dilma.

Ao bancar o blefe da nomeação para a ANTT, a presidente  explicita quais as regras que regerão, a partir de agora, as relações com sua base aliada. Não se deve esperar uma transformação mirabolante. Mas a jogada tira o governo da defensiva. Se der certo, talvez Dilma consiga entender o lógica de Jaques Wagner, segundo a qual governar com o PMDB é bom… Mas sem ele, não tem preço!

Comentários

  • mts

    14/03/2012 #1 Author

    A unica obra do PAC que funcionou.
    A transposicao do Juca.

    Esse governo eh riiiiiiiiiidiculo!!!

    […].
    Tchau pt, o esgoto sente saudades suas. Logo mais, voltara para onde nunca deveria ter saido.

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  • Airton

    13/03/2012 #2 Author

    O Jucá poderia abrir uma filial do blog do PHA em Brasilia , são semelhantes em tudo.

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