Em 1970 o País estava em convulsão. O regime era conduzido com mão de ferro pelo general Emílio Garrastazu Médici. Foi o mais severo...

Em 1970 o País estava em convulsão. O regime era conduzido com mão de ferro pelo general Emílio Garrastazu Médici. Foi o mais severo dos ditadores. Ele movimentou uma máquina repressiva sem precedentes na história da República. Seu governo será lembrado para sempre pelas crueldades contra quem ousasse divergir, criticar ou combate-lo. Prisões, assassinatos, desaparecimentos e tortura aconteciam diante de uma sociedade anestesiada pelo crescimento da economia e emudecida pela censura.

A imprensa brasileira se dividia em duas alas: a que apoiava descaradamente a ditadura, outra que decidiu se insurgir contra os horrores protagonizados pelos milicos e seus algozes civis. E não foram poucos. No DOPS da polícia Paulista, por exemplo, uma jovem militante de um grupo guerrilheiro chegou a ser torturada durante 22 longos dias consecutivos com todo tipo de instrumento que pudesse provocar dor extrema e sofrimento psicológico. Seu nome: Dilma Rousseff.

Entre os veículos que apoiavam explicitamente a ditadura militar e se calavam obsequiosamente sobre a tortura, a revista Veja foi talvez o mais assanhado e prestativo. Na edição de 1º de julho de 1970, Veja dedicou sua capa ao fenômeno que catapultava para o alto a popularidade do ditador. A revista se desdobrava em elogios aos generais. Havia a Copa do Mundo, a conquista do tricampeonato, e pouco importava o que se passava nos porões.

Reproduzo, abaixo, a seção “Carta ao Leitor” da edição de número 95 de Veja. Lê-la é quase como cumprir um dever cívico de reparação histórica.  É um documento público de valor inestimável, assim como outros textos da revista do mesmo período. Serve para demonstrar como jornalistas engajados se transformaram em áulicos da ditadura militar brasileira.

O mais chocante, no entanto, é perceber que esses áulicos, hoje, travestem-se de democratas aguerridos. Incumbem-se do papel de defensores do governo diante de uma conspiração atroz da “mídia golpista” contra o governante de plantão. E se colocam lado a lado com aquela que, em outros tempos, não mereceria outro rótulo que não o de terrorista nas páginas produzidas por suas penas sempre dóceis a qualquer regime, qualquer governo.

Ganha um doce aquele que adivinhar quem foi o autor do texto. Palpites podem ser enviados para a área de comentários do blog.

Comentários

  • Amores

    19/03/2012 #1 Author

    Manchetes do site do PHA..

    Tiragem da Veja é um grampo sem áudio
    Folha (*) não engole o sucesso do Conversa Afiada
    Dantas perde (de novo). Satiagraha vai ao STF
    Folha edita livro para se blindar. Cuidado, Valente !

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  • alvaro

    17/03/2012 #2 Author

    Mino Carta.

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  • JB

    17/03/2012 #3 Author

    Meu palpite para o nome do autor do texto da Revista Veja:
    Paulo Henrique Amorim

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  • Rezende

    17/03/2012 #4 Author

    Eu apostaria no ansioso blogueiro, que trabalhava na Veja nessa época ou em Mino Carta, que era diretor da revista. Acertei?

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  • Claudio

    17/03/2012 #5 Author

    Será o jornalista Mino Carta?

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  • Oliveira Netto

    17/03/2012 #6 Author

    Deve ser certa figura que exala sua sabedoria (?) pedante com sotaque italiano por restaurantes chiques em São Paulo, como o Massimo. Sempre bebendo os melhores e mais caros vinhos italianos, mas defendendo o socialismo, é lógico, não é, seu Mínimo?

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