Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the category “CPI do Cachoeira”

CPI e julgamento do mensalão travam arrecadação do PT

O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal e a CPI do Cachoeira travaram a arrecadação do PT para as eleições municipais de outubro, disse ontem o presidente do partido em São Paulo, Edinho Silva.

A dificuldade para obter doações foi debatida em reunião da cúpula do partido com o ex-presidente Lula.

Segundo Edinho, o ambiente criado pela investigação dos dois escândalos -ambos ligados a esquemas de financiamento ilegal de campanhas políticas- levou insegurança ao empresariado.

O petista negou ligação entre a seca financeira e a crise mundial. “Ao contrário, a economia do Brasil está indo muito bem. Existe uma situação, por conta deste ambiente político que o país vive, talvez uma certa insegurança do empresariado”, disse.

“Estamos com uma CPI em andamento e com um processo de julgamento [do mensalão] em andamento. Evidente que não é um ambiente de tranquilidade na política.”

O presidente estadual do partido ressalvou, no entanto, que a falta de contribuições “não tem paralisado” candidaturas petistas “em lugar nenhum”. “Vamos fazer campanha com aquilo que o partido conseguir arrecadar.”

O secretário de Finanças do PT, João Vaccari, também foi chamado para o encontro com Lula e confirmou as dificuldades de caixa. “A resposta das pessoas [doadores em potencial] é que elas estão pensando, avaliando”, disse.

O candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que o problema também afetaria os concorrentes.

“A informação que eu tenho é que tem havido atraso no cronograma [de arrecadação]“, disse. “É meio geral, não é só PT. Todos os partidos, de certa maneira, estão sinalizando que está havendo uma dificuldade.”

De acordo com prestação parcial de contas entregue à Justiça Eleitoral, Haddad gastou R$ 11,2 milhões no primeiro mês de campanha. A arrecadação foi de R$ 2,3 milhões.

O tesoureiro Chico Macena disse, na ocasião, que a diferença era normal e que o partido conseguirá quitar as dívidas até a eleição.

O presidente do PT, Rui Falcão, disse acreditar que o julgamento do mensalão não terá impacto nas doações.

(BERNARDO MELLO FRANCO)

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI e julgamento do mensalão travam arrecadação do PT – 21/08/2012.

Cachoeira está preocupado com ‘publicidade opressiva’, diz novo advogado

O novo advogado do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Nabor Bulhões, diz que seu cliente é alvo de “verdadeira campanha” e que está preocupado com a “ampla publicidade opressiva que se desenvolve no caso”.

Bulhões assumiu o caso após o advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, deixar a defesa do empresário.

Cachoeira foi preso em fevereiro, durante a Operação Monte Carlos, da Polícia Federal, que investigou a exploração de jogos ilegais em Goiás e no Distrito Federal. As investigações apontaram relação do grupo de Cachoeira com políticos e agentes públicos.

O advogado afirma que Cachoeira “tem uma atividade empresarial lícita” e que passa por um “pré-julgamente mistificador”.

“Todo e qualquer cidadão tem direito a um julgamento justo”, afirmou.

Segundo o advogado, mesmo que Cachoeira viesse a admitir em juízo que explora jogos ilegais, isso não configuraria crime. “Ainda que ele viesse admitir que explora jogos, isso seria contravenção e não crime”, afirmou.

Bulhões afirmou ter conversado duas vezes com o novo cliente. “Uma pessoa privada de liberdade já fica deprimido, mas ele está absolutamente confiante.”

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Cachoeira está preocupado com ‘publicidade opressiva’, diz novo advogado – 16/08/2012.

Grampos indicam que Cachoeira teria comandado um sequestro

Gravações inéditas divulgadas neste domingo pelo “Fantástico”, da Rede Globo, revelam um lado pouco conhecido do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em uma investigação anterior à Operação Montecarlo, grampos indicam que ele teria comandado um sequestro. Em abril de 2009, Cachoeira estava desconfiado de que alguém fraudava os caça-níqueis. Araponga de Cachoeira, Idalberto Araújo, o Dadá, foi checar se procedia o temor do chefe e deu o retorno:
— Falei (para o suspeito): “bicho, é o seguinte: todo material que tá aqui apreendido, nós vamos entregar para o Carlinhos”.
— Excelente! Faz isso aí, manda brasa aí, desbarata esses malandros — respondeu Cachoeira.
Segundo a PF, as conversas apontam que Elion Alves Moreira foi feito refém pelo grupo de Cachoeira, para que confessasse a fraude. Outra conversa entre Dadá e Cachoeira revela o plano:
-— O celular dele tá aqui com a gente, entendeu? Então ele tá sem comunicação com o time dele.
— Pega ele e leva ele pra outro canto. Até ele contar.
-— Tá bom, então.
Outro grampo mostra que Elion foi agredido durante o sequestro. Dadá conta que ele levou um “pescoção”:
-— Era melhor ele (Elion) ter baixado a bola e não ter levado o pescoção.
Cachoeira responde:
— Exatamente, malandro tem que arrumar a mão na orelha mesmo.
Ao “Fantástico”, o advogado de Elion disse que não houve sequestro. Ele afirmou que a suspeita da PF foi uma interpretação equivocada dos fatos. Dadá afirmou que não se pronunciaria sobre a reportagem.
— O Carlinhos Cachoeira é o chefe de uma organização criminosa de perfil mafioso. Uma pessoa extremamente ousada, inteligente, que não respeita as autoridades constituídas — afirma a procuradora da República Léa Batista de Oliveira.
As escutas telefônicas e vídeos aos quais o “Fantástico” teve acesso ajudam a entender a formação do império do jogo ilegal montando por Cachoeira. O gerente do contraventor Lenine Araújo de Souza, primo dele, também foi investigado na Operação Monte Carlo. Gravações mostram a conversa de Lenine com um homem, a quem cobrava um dos pagamentos pela manutenção de um ponto de jogatina. A polícia estima que o dono tenha que pagar 30% do faturamento do ponto à quadrilha. Gravações de 2009 mostram que o grupo atuava no ramo do jogo ilegal havia pelo menos 17 anos.

Beba na fonte: Grampos indicam que Cachoeira teria comandado um sequestro – Jornal O Globo.

Advogada, ex-mulher ficou sete horas com Cachoeira

Linda, loira e… advogada!

A ex-mulher de Carlinhos Cachoeira, que tentou se desvincular do bicheiro no depoimento à CPI, foi a advogada que mais tempo permaneceu com o contraventor no Presídio da Papuda, em Brasília, durante os dois primeiros meses da detenção. Andréa Aprígio de Souza não foi constituída como defensora jurídica em nenhum momento desde a deflagração da Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Mas, por ter registro da OAB, Andréa fez seis visitas a Cachoeira nas cotas de tempo destinadas aos advogados, em abril e maio, e permaneceu com ele por 7 horas e 15 minutos.
A ex-mulher do bicheiro pode ter permanecido mais tempo na Papuda do que a atual, Andressa Mendonça, investigada pela Polícia Federal por suposta participação no grupo criminoso. Na condição de “esposa”, Andressa também fez seis visitas a Cachoeira. Cada visita dura uma hora. Assim, a ex venceu a atual: 7 horas e 15 minutos da primeira contra 6 horas de visita da segunda.
As informações foram repassadas ao juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, que requereu os dados para comprovar que o bicheiro não teve o direito de defesa cerceado. As 37 visitas dos advogados totalizaram 27 horas e 43 minutos de permanência com o preso. Em junho, sob a alegação de ter sofrido ameaças de morte, o juiz deixou o caso.
O advogado Márcio Thomaz Bastos, que defendeu o contraventor até a semana passada, fez uma única visita na Papuda, que durou 25 minutos. Advogada do escritório, Dora Cavalcanti fez seis visitas no período, permanecendo no total 3 horas e 20 minutos.

Beba na fonte: Com carteira da OAB, ex-mulher fica sete horas com Cachoeira – O Globo.

Grupo de Cachoeira pagou escritório de Brindeiro, diz PF

FÁBIO FABRINI

Relatório da Polícia Federal mostra que o escritório de advocacia Morais, Castilho & Brindeiro, do ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, recebeu ao menos R$ 680 mil do grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira. O valor consta de planilhas que registram pagamentos apreendidos de Adriano Aprígio de Souza, cunhado de Cachoeira e apontado como seu “laranja” no mercado de jogos.

Os documentos foram recolhidos durante a Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro, na sede do laboratório Vitapan, que está em nome de Aprígio, mas, na prática, pertenceria a Cachoeira. Foram encontrados em meio a papéis sobre a aquisição de cotas da empresa argentina Electro Chance Gaming Suppliers por R$ 3,3 milhões.

As tabelas registram pagamentos mensais à “Brindeiro” em 2009 e 2010. Os repasses foram contabilizados com as referências “RC” (Roberto Coppola, sócio da Electro Chance que tinha negócios com Cachoeira); “EC” (as iniciais da empresa); e “CR”, de “Carlos Ramos”, o Cachoeira.

“Isso também nos remete à necessidade de esclarecer qual a origem dos recursos utilizados nos pagamentos das cotas adquiridas, pois, conforme demonstrado aqui, pelo menos um dos pagamentos a Brindeiro fora feito via esquema utilizado pela organização criminosa”, diz a PF.

A CPI sabia até agora de cinco repasses ao escritório, no total de R$ 161 mil, feitos por Geovani Pereira da Silva, contador de Cachoeira. Ao menos um veio da Alberto e Pantoja – empresa de fachada cujas contas eram operadas por Pereira e serviam, segundo a PF, para mascarar repasses da Delta Construções a políticos.

Em ofício enviado à comissão, a Morais, Castilho & Brindeiro não explicou quanto recebeu no total pelos serviços. Informou à CPI que fez consultoria para a empresa Ocean Development II, sediada nos EUA, sobre a legalidade da reativação de loterias em Goiás e Santa Catarina. O proprietário da empresa é Coppola e foi ele, segundo o ofício, quem tratou com os advogados.

Beba na fonte: Grupo de Cachoeira pagou escritório de Brindeiro, diz PF – politica – politica – Estadão.

A musa abusou

Dora Kramer

Como se viu pela chamada aos costumes dada pela Polícia Federal em Andressa Mendonça, a mulher de Carlos Augusto Ramos não é só a bonitinha apaixonada e choramingas a quem o marido faz declarações públicas de amor no lugar de prestar esclarecimentos à Justiça sobre as ilegalidades de seus negócios.

Na posse plena de credenciais para fazer jus à anexação da alcunha Cachoeira ao nome de batismo, Andressa Mendonça revela-se integrante da quadrilha alvo de processo na Justiça de Goiás e de investigação em comissão parlamentar de inquérito no Congresso Nacional da qual vinha sendo apontada como “musa”.

Perdeu a prerrogativa conferida pela idiotia construtora de simbologias simplistas, ao tentar chantagear o juiz federal Alderico da Rocha Santos ameaçando-o com a divulgação de um dossiê caso não tomasse decisões favoráveis ao principal acusado no processo em curso na 11.ª Vara da Justiça em Goiás e sob a responsabilidade do magistrado.

De inocente, a moça que tanto lamentou o envolvimento do marido com os políticos que o teriam tirado da zona de conforto de figura proeminente na sociedade de Goiás para a cadeia não tem nada.

A não ser presumivelmente a ilusão de que poderia levar o juiz na conversa mal ajambrada sobre a existência de um dossiê a ser publicado com acusações contra ele, sugerindo um conluio entre a revista Veja e as organizações Cachoeira de armações ilimitadas.

Um blefe tão óbvio quanto a impossibilidade de um veículo de comunicação que vive de credibilidade jogar esse ativo no lixo para servir deliberadamente como instrumento de chantagem e, consequentemente, de repasto à mesa dos detratores de plantão sempre ávidos de uma oportunidade.

A malfadada manobra da senhora Cachoeira, entre outros fatores, altera a situação dela em relação à CPI para qual foi convocada a dar depoimento no próximo dia 7.

Chamada inicialmente pela expectativa de que pudesse servir como mensageira de “recados” de Carlos Cachoeira, Andressa agora necessariamente será vista sob um prisma menos ingênuo.

Tratada até então como uma espécie de adorno a serviço da face “light” do escândalo, ela passa agora a figurar como agente ativa do esquema objeto da CPI e, nessa condição, precisará ser questionada com rigor aplicado a qualquer dos outros investigados.

Isso se não arrumar um pretexto para não ir ou até mesmo se a comissão resolver reavaliar a utilidade de uma convocação de depoente que pela faceta agora revelada provavelmente recorrerá ao direito de calar tornando-se, na prática, uma presença inútil.

Beba na fonte: A musa abusou – politica – versaoimpressa – Estadão.

Mulher de Cachoeira é detida sob suspeita de tentar corromper juiz

A mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, começou a ser investigada ontem por suspeita de tentar corromper o juiz responsável pela Operação Monte Carlo, que resultou na prisão do empresário, em fevereiro.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Andressa, que foi obrigada a prestar depoimento e a pagar fiança de R$ 100 mil. Também não poderá entrar em contato com nenhum investigado na operação -inclusive Cachoeira.

Segundo o juiz federal Alderico Rocha Santos, Andressa esteve em seu gabinete no último dia 26 para tentar obter a revogação da prisão e a absolvição do marido.

Na ocasião, conforme relato do magistrado à Procuradoria, ela afirmou ter um dossiê com “informações desfavoráveis” a ele que seria divulgado pelo “repórter Policarpo na revista ‘Veja’” caso Cachoeira não fosse liberado.

Redator-chefe da revista “Veja” em Brasília, Policarpo Júnior aparece conversando com Cachoeira em diálogos interceptados na operação, mas que, segundo a PF, denotam apenas relação entre repórter e fonte.

Em nota, a revista classificou a acusação como “absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos”. Disse ainda que toma providências para “processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Mulher de Cachoeira é detida sob suspeita de tentar corromper juiz – 31/07/2012.

Andressa Cachoeira: bonitinha, mas… extraordinária!

Andressa (Cachoeira) Mendonça é uma mulher bonita e instigante. Deslumbrou o País quando desfilou como aspirante ao posto de Musa da CPI estrelada pelo marido Carlinhos.

Até aqui, salvo uma declaração ou outra denotando sua incrível ingenuidade, vinha se comportando como uma exemplar mulher de preso. Levava quetinha para o marido, fazia companhia a ele, visitava-o amiúde. Chegou a ser cogitada para uma cadeira na Câmara Federal. Pelo que demonstrou, tem um imenso talento para a política.

O que não se sabia é que, além de bonitinha, ela também é… extraordária!

Extraordinária nas artes de pressionar e ameaçar juízes. Foi o que se soube na manhã desta segunda-feira agitada em Goiânia.

Andressa Cachoeira foi detida por ter ameaçado um juiz. A ameaça, feita verbalmente e por escrito, segundo o magistrado, tinha por objeto um dossiê que poderia comprometer o juiz, amigo e vizinho de fazenda de pessoas que o esquema pelo qual Andressa se movimenta considera gente suspeita.

No afã de obter um habas-corpus para o maridão presidiário, ela teria dito ao juiz que tudo terminaria para ele se o bicheiro seu esposo fosse solto.

Alderico Rocha, o juiz, se sentiu muito ofendido com a “oferta” da extraordinária Andressa Cachoeira. Decidiu comunicar ao Ministério Público, que também não achou graça nenhuma na oferta, e mandou fazer um baculejo no cafofo dourado em que a musa faz sua pousada.

Resultado: a brincadeira terminou com a imposição de uma fiança de R$ 100 mil que, se não for paga até depois de amanhã, pode reunir o casal Cachoeira no xilindró.

A ordem partiu de outro juiz — Mark Yshida –, que também mandou fazer a devassa na casa onde, às 7 horas da manhã desta segunda-feira, Andressa foi acordada pelo alarido de uma equipe da Polícia Federal. Yshida também determinou que a primeira-dama da jogatina fique bem longe das testemunhas e réus do processo, inclusive de seu maridão.

Agora as visitas vão secar. Cachoeira, que no SPA-Puda já perdeu 18 quilos, provavelmente vai sentir saudade de sua leal companheira. Terá que aguardar a eventualidade de outros depoimentos para fazer suas conhecidas declarações de amor.

Pior do que isso só há uma coisa pendente de acontecer. É Andressa perder definitivamente o posto de musa da CPI para Denise Rocha, a ex-assessora do deputado Ciro Nogueira que perdeu e emprego só porque vazaram um video em que ela desfila as virtudes de sua nudez, que não são poucas, diante da câmera de um amante indiscreto.

‘Musa’ da CPI’, Andressa Cachoeira já pensa em ser deputada

Na família Mendonça, de Goiatuba (GO), o patriarca Lair tem história na política e um plano para sua filha. Alçada à fama por ser mulher de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça discute com os familiares a possibilidade de seguir os passos do pai, vereador em Goiatuba há três mandatos consecutivos.

Despachante, com patrimônio declarado de R$ 2 milhões em 2008, é filiado ao PMDB. Em média, se elege com 2 mil votos. Nas eleições deste ano pensou em concorrer à prefeitura, plano abortado por sugestão da própria Andressa, que temia que o caso envolvendo o marido atrapalhasse a campanha do pai.

Condenado por improbidade administrativa, Lair queria garantir uma cadeira da Câmara Municipal para a filha.

Andressa, no entanto, sonha com voos mais altos: a Câmara dos Deputados. Fãs ela já tem. A mulher de Cachoeira é constantemente parada nas ruas ou nos tribunais para posar para fotos. Na volta do recesso, enfrentará o primeiro teste no Legislativo. Foi convocada para depor na CPI que investiga as relações políticas do marido. Ainda não se sabe se Andressa usará o direito constitucional de permanecer calada, como tem sido recorrente nessa CPI.

Beba na fonte: ‘Musa’ da CPI já pensa em ser deputada – politica – versaoimpressa – Estadão.

Demóstenes Torres desperta constrangimento no MP

O constrangimento e, ao mesmo tempo, o corporativismo marcaram os primeiros dias de trabalho de Demóstenes Torres no Ministério Público (MP) de Goiás, depois de uma ausência de 13 anos. O ex-senador, que reassumiu o cargo de procurador de Justiça após a cassação no Senado há 15 dias, dá expediente na sede do MP em Goiânia desde a última sexta-feira, 20. Ele aparece para trabalhar, mas por poucas horas no dia.
Demóstenes prefere as manhãs, quase não é visto à tarde e sobe ao terceiro andar — onde está seu gabinete — por um elevador lateral e pouco usado, com acesso direto à garagem. Nesta quinta-feira, o ex-senador deixou seu gabinete às 12 horas e só retornou, quatro horas e meia mais tarde, para uma reunião com uma pessoa que o aguardava, já há uma hora. Por mês, ele ganha R$ 24 mil.
O constrangimento é tanto que promotores relatam ser alvo de piadas de réus em audiências na Justiça, pelo fato de o MP acolher o senador cassado por colocar o mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mesmo assim, a cúpula da instituição — comandada pelo irmão de Demóstenes, Benedito Torres Neto, procurador-geral de Justiça — até agora vem blindando o ex-senador nos procedimentos abertos para investigar as relações do agora procurador de Justiça com Cachoeira.

Beba na fonte: No MP, Demóstenes Torres desperta constrangimento – O Globo.

Cachoeira usa depoimento para declarar amor à mulher

Alana Rizzo

No segundo dia de audiência do Caso Cachoeira, Carlos Augusto Ramos se recusou a responder as perguntas do juiz Alderico dos Santos. O contraventor disse que “gostaria de fazer um bom debate com o Ministério Público Federal”, mas que diante das falhas processuais foi orientado a permanecer em silêncio.

A sessão foi encerrada no final da tarde desta quarta-feira, 25. Santos concedeu prazo de três dias para que a defesa apresente os pedidos de diligência e mais 10 dias para as alegações finais. Ele não se manifestou sobre a manutenção da prisão de Cachoeira, que foi levado para o présídio da Papuda, em Brasília. A defesa vai entrar com um novo pedido de habeas corpus. A expectativa é que o julgamento dure 30 dias.

O MPF pediu condenações superiores a 20 anos de prisão.    Durante o seu depoimento, Cachoeira usou o tempo de defesa para fazer declarações de amor a Andressa Mendonça, que acompanhava o depoimento na primeira fileira. “Ela me deu a vida. Te amo.” Questionado sobre seu estado civil, ele disse que se casaria com Andressa assim que o MPF o liberasse. “Estou sofrendo demais porque virei um leproso jurídico”, disse, em referência às decisões judiciais.

Cachoeira foi o quarto réu da Operação Monte Carlo a depor nesta quarta-feira, 25. Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, apontado como araponga de Cachoeira, falou em seguida. Todos negaram as acusações. As audiências de instrução do processo dos oito réus da Monte Carlo foram encerradas na terça-feira, 24, na Justiça Federal de Goiás

Beba na fonte: Em julgamento, Cachoeira usa depoimento para declarar amor à mulher – politica – politica – Estadão.

Andressa Cachoeira: tô entendendo nada!…

Adressa Cachoeira, a linda primeira-dama da jogatina, sobre o marido Carlinhos Cachoeira em O Globo desta terça:

Que mal esse homem fez ao Estado, à União, às pessoas? Ele é uma pessoa maravilhosa que só ajuda as pessoas!”

Beba na fonte: Cachoeira vai questionar escutas da PF em depoimento à Justiça Federal – O Globo.

Notícias da CPI

Dora Kramer

No balanço que fez dos primeiros três meses de trabalho da CPI que apura a rede de ilegalidades envolvendo um operador de jogatina, políticos, governantes e obras públicas, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo, ficou no feijão com arroz.

Negou a inegável influência do embate partidário, apresentou informações irrelevantes – como a quantidade de sessões realizadas, de pessoas ouvidas e testemunhas caladas -, mas deixou de falar sobre o papel que a comissão teve na divulgação de fatos que, sem a repercussão própria do foro político, hoje seriam de conhecimento exclusivo da política e da Justiça e provavelmente não teriam gerado consequência alguma.

Não havendo CPI seriam grandes as chances de Demóstenes Torres ser ainda senador, de Carlos Cachoeira ter saído da cadeia por meio de habeas corpus e de a construtora Delta ter sido vendida a um frigorífico com participação do BNDES.

Foi só quando se começou a falar em quebra dos sigilos da Delta que a J&F, controladora do frigorífico JBS, desistiu de comprar a empreiteira e o banco oficial recuou do negócio.

A necessidade de Cachoeira continuar preso também se impôs diante das evidências sobre a capacidade dele de obstruir as investigações.

Quem ainda estaria prestando atenção ao caso se a única matéria-prima fossem os inquéritos da Polícia Federal? Quantos senadores não poderiam ter se valido do voto secreto no plenário para absolver Demóstenes se não estivesse aberta uma tribuna permanente de reverberação política?

Por essas e várias outras, entre as quais uma venda de imóvel cuja conta não fecha envolvendo um governador de Estado, não é certo reduzir a CPI a palco de testemunhas silentes e picuinhas entre PT e PSDB embora estejam presentes na composição do cenário.

Descontadas as manobras de percurso, houve consequências importantes. Desvendaram-se algumas das razões pelas quais uma empreiteira sai do zero e em dez anos torna-se a 6.ª no ranking nacional, revelou-se como partidos se movimentam no jogo de proteções e condenações, além de se contar a maneira pela qual um ex-presidente da República tenta manipular um instrumento de fiscalização do Congresso para ações de vingança.

A primeira fase não foi, portanto, improdutiva. Agora em agosto inicia-se a segunda etapa, os três meses finais em que as coisas podem se complicar, justamente porque a CPI tende a ficar em segundo plano na vista do público – o corretor de rumos mais eficiente -, dividindo as atenções com o julgamento do mensalão e as campanhas eleitorais.

O cruzamento de dados prossegue no recesso e a troca de informações entre o Congresso, a polícia e a Justiça também.

Há fios que começam a ser puxados, mas a dúvida é se as injunções partidárias permitirão que sejam desenroladas as meadas até o fim. Dois deles ainda em fase de investigação: a associação de parlamentares com Carlos Cachoeira em negócios no exterior e os detalhes de uma casa num condomínio de luxo em Angra dos Reis (RJ).

Se confirmadas as suspeitas em torno das quais se movimenta a polícia, ao menos um candidato a prefeito de capital e um governador tomarão conta da cena, levando a CPI a caminhos ainda não navegados.

Beba na fonte: Notícias da CPI – politica – versaoimpressa – Estadão.

Por Perillo, PSDB se equipara ao PT

As enroladas transações envolvendo um imóvel, pagamentos triangulares e malas de dinheiro expuseram as entranhas de um sistema de corrupção introjetado na máquina goiana. O protagonismo do governador Marconi Perillo parece agora indelével. Quanto mais tenta explicar a transação envolvendo a venda de sua casa, mais complicado fica entender o negócio sem enveredar por suspeitas mais do que bem fundamentadas de que ali houve corrupcão.

A CPI do Cachoeira pegou Perillo. É evidente demais que os tucanos não percebam que perderam a primeira batalha na guerra de morte congressual. O bicheiro nomeava gente no governo, mantinha em seu bolso boa parte dos oficiais da PM, tinha influência inequívoca na corte goiana.

E fazia negócios com o próprio governador — dissimulados por uma teia de fantasmas e laranjas voluntariosos.

Ao invés de assumir a derrota e entregar os anéis de Perillo, o PSDB adotou a mesma estratégia que os petistas usam para defender o indefensável: negar o óbvio. Assim como o PT nega o Mensalão (negaria o Holocausto por José Dirceu se fosso preciso), agora é o PSDB, acuado, que aparece na cena para tentar salvaguardar uma posição perdida no tabuleiro da política nacional.

Ao espernear, o PSDB confere a Lula uma vitória com sabor de goleada. Primeiro porque a CPI parece ter cumprido uma de suas tarefas: a de rifar Marconi Perillo, a quem o chefão petista não perdoa por ter dito publicamente que o ex-presidente sabia do Mensalão.

Segundo, por igualar no fosso moral as duas legendas.

Para sempre, vai ficar a possibilidade do bordão ensaiado “Vossa Excelência não moral para falar de nós”.

E não tem mesmo!

CPI do Cachoeira: vice defende indiciamento de Perillo

RICARDO BRITO

O vice-presidente da CPI do Cachoeira, o deputado petista Paulo Teixeira (SP), defendeu o indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, por envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Um relatório da Polícia Federal diz que Perillo firmou um “compromisso” com a Delta Construções, assim que assumiu o cargo, no ano passado. O acordo contava, diz a PF, com a intermediação de Cachoeira.

O acerto incluiria a liberação de créditos milionários da empreiteira com o governo goiano mediante suposto pagamento de propina a Perillo. O primeiro “compromisso”, segundo reportagem da revista Época desta semana, teria sido a compra da casa do governador de Goiás pelo contraventor. “Fechou o cerco. O relatório da Polícia Federal é a prova cabal de que a venda da casa foi para Cachoeira, foi pago com dinheiro da Delta e que houve uma vinculação entre os pagamentos de créditos para a empreiteira e a quitação das parcelas pela casa”, afirmou Teixeira.

Questionado sobre por quais crimes o governador de Goiás poderia ter o indiciamento sugerido pela comissão, Paulo Teixeira, que também foi líder do PT na Câmara, disse que não é possível saber agora. “Tem muitos tipos penais que ele será enquadrado”, afirmou. A CPI tem prazo para encerrar os trabalhos em novembro, caso não seja prorrogada. Suas conclusões serão remetidas para o Ministério Público, que poderá, ou não, acatá-las.

Beba na fonte: CPI do Cachoeira: vice defende indiciamento de Perillo – politica – politica – Estadão.

Como a Delta e Cacheira pagaram propina a Marconi Perillo

DIEGO ESCOSTEGUY, COM MURILO RAMOS E MARCELO ROCHA

capitulo 1 (Foto: reprodução)

 

No dia 27 de junho, o Núcleo de Inteligência da Polícia Federal remeteu à Procuradoria-Geral da República um relatório sigiloso, contendo todas as evidências de envolvimento do governador Marconi Perillo com o esquema da construtora Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Como governador de Estado, Perillo só pode ser investigado pelo procurador-geral da República – e processado no Superior Tribunal de Justiça. O relatório, a que ÉPOCA teve acesso com exclusividade, tem 73 páginas, 169 diálogos telefônicos e um tema: corrupção.

O documento está sob os cuidados da subprocuradora Lindora de Araújo, uma das investigadoras mais experientes do Ministério Público. Ela analisará que providências tomar e terá trabalho: são contundentes os indícios de que a Delta deu dinheiro a Perillo.

Alguns desses 169 diálogos já vieram a público; a vasta maioria ainda não. Encontram-se nesses trechos inéditos as provas que faltavam para confirmar a simbiose entre os interesses comerciais da Delta em Goiás e os interesses financeiros de Perillo. Explica-se, finalmente, o estranho episódio da venda da casa de Perillo para Cachoeira, que não foi bem entendido. Perillo nega até hoje que tenha vendido o imóvel a Cachoeira; diz apenas que vendeu a um amigo. O exame dos diálogos interceptados fez a Polícia Federal, baseada em fortes evidências, concluir que:

1) assim que assumiu o governo de Goiás, no ano passado, Perillo e a Delta fecharam, diz a PF, um “compromisso”, com a intermediação do bicheiro Carlinhos Cachoeira: para que a Delta recebesse em dia o que o governo de Goiás lhe devia, a construtora teria de pagar Perillo;

2) o primeiro acerto envolveu a casa onde Perillo morava. Ele queria vender o imóvel e receber uma “diferença” de R$ 500 mil. Houve regateio, mas Cachoei¬ra e a Delta toparam. Pagariam com cheques de laranjas, em três parcelas;

3) Perillo recebeu os cheques de Cachoeira. O dinheiro para os pagamentos – efetuados entre março e maio do ano passado – saía das contas da Delta, era lavado por empresas fantasmas de Cachoeira e, em seguida, repassado a Perillo. Ato contínuo, o governo de Goiás pagava as faturas devidas à Delta;

4) a Delta entregou a um assessor de Perillo a “diferença” de R$ 500 mil;

5) a direção nacional da Delta tinha conhecimento do acerto e autorizou os pagamentos.

Para compreender as negociações, é necessário conhecer dois personagens, que chegaram a ser presos pela PF. Um é o tucano Wladmir Garcez, amigo de Perillo e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia. Garcez atua como uma espécie de embaixador de Perillo junto à Delta e à turma de Cachoeira: faz pedidos, cobra valores, entrega recados. O segundo personagem é Cláudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste e parceiro de Cachoeira no ataque aos cofres públicos de Goiás. Na hierarquia da Delta, Abreu detinha a responsabilidade de obter contratos públicos para a construtora e – o mais difícil, custoso – assegurar que os governantes liberassem os pagamentos em dia. A corrupção neste caso, como em tantos outros, nasce na oportunidade que o Poder Público oferece: um detém a caneta que pode liberar o dinheiro; outro detém o dinheiro que pode mover a caneta. Na simbiose entre a Delta e o governo de Goiás, Garcez e Abreu eram os sujeitos que se dedicavam a fazer o dinheiro girar, multiplicar-se. Não há caixa de campanha ou questiúncula política nessa história. O objetivo era ganhar dinheiro.

A mensagem
Para a Justiça
O relatório da PF traz indícios de que a Delta transferiu dinheiro a Perillo, e eles devem ser investigados
Para o eleitor
A investigação pode dar um novo norte à CPI do Cachoeira

A PF começou a monitorar as atividades ilegais das duas turmas, de Perillo e da Delta, em 27 de fevereiro do ano passado. Naquele momento, Perillo cobrava o pagamento do “compromisso” da Delta. Num diálogo interceptado pela PF às 20h06, Cachoeira pede pressa a Abreu. Disse Cachoeira: “E aquele trem (dinheiro) do Marconi(governador), hein? Marconi já falou com o Wladmir (Garcez), viu”. Abreu chora miséria, como bom negociante. “Vou falar amanhã que não tem jeito”, diz Cachoeira. “Mas não é 2 milhões e meio, não. Ele (Marconi) quer só a diferença.” Cachoeira refere-se, aqui, à operação de venda da casa, o assunto mais urgente naquele momento. Abreu faz jogo duro: “Pois é, doutor, eu não tenho como. Do mesmo jeito que o Estado tá com o orçamento fechado, eu também tô”. O jogo é simples: uma parte quer que a outra aja antes. Perillo quer o dinheiro antes de liberar a fatura; Abreu, da Delta, quer a fatura paga antes de liberar o dinheiro para Perillo.

Capítulo 2 (Foto: reprodução)

As negociações prosseguem, emperradas em alguns momentos por desconfianças mútuas. Numa ligação na mesma noite, Cachoeira certifica Abreu de que Garcez, o interlocutor de Perillo, não está pressionando a Delta sem motivos. “Não é o Wladmir, não. É ele(Marconi) que tem esse trem na cabeça, da diferença e não sei o quê, viu?”, diz. No dia seguinte, preocupado com a demora da Delta em liberar o dinheiro, Cachoeira pede a Garcez que dê “um aperto” em Abreu, de modo a garantir o negócio. Garcez liga para Abreu e reforça que a Delta deve pagar logo o “compromisso” com Perillo. Garcez explicara a Perillo que a Delta não conseguiria quitar o acerto logo. Diz Garcez, no diálogo com Abreu: “Tive lá no Palácio, conversei com o governador lá. Falei… ‘Olha, o compromisso que ele (Abreu) tinha feito com o senhor faltava 1 milhão e meio. (…) Ele (Abreu) vai ver se cumpre aquele compromisso com o senhor”. Diante da pressão, Abreu diz que tem “outros compromissos” em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Pede tempo.

Nervoso com a lentidão de Abreu, Cachoeira resolve dar prosseguimento ao negócio com Perillo – e cobrar depois da Delta. A partir daí, o acerto realiza-se com rapidez. Ainda no dia 28, Garcez informa a Cachoeira que Perillo quer cheques nominais. Combinam a entrega de três cheques para o dia seguinte, às 14 horas: dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil, depositados no dia 1o de cada mês. Em seguida, no dia 1o de março, Cachoeira faz a operação: pede ao sobrinho que assine os cheques, avisa a Delta e manda entregar os cheques no Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Às 14h53, Garcez, que estava no Palácio, confirma a Cachoeira que os cheques foram entregues e avisa que levará a escritura do imóvel no dia seguinte. Doze minutos depois, Cachoei-ra já pede a contrapartida a Garcez: “O trem da Delta, aqueles 9 milhões que o Estado tem de pagar… Você levou para mostrar para ele (Perillo)?”. Garcez confirma: “Tá comigo aqui. Oito milhões, quinhentos e noventa e dois, zero quarenta e três”. Às 16h37, Garcez informa a Cachoeira que está no gabinete do governador, entregando os cheques. Em seguida, Garcez comunica a Abreu que os problemas da Delta acabaram. “(Perillo)falou que vai resolver: ‘Não, pode deixar que isso aqui eu resolvo’”. E resolveu: ainda no dia 1o de março, o governo de Goiás liberou R$ 3,2 milhões para a conta da Delta. No dia seguinte, o cheque de R$ 500 mil foi depositado na conta de Perillo.

No dia 3 de março, Cachoeira comemora com Abreu a “porta aberta” com Perillo. “Ele (Perillo)engoliu aqueles 500 mil… Ele (Perillo) responde em tudo, deu as contas para pagar”, afirma Cachoeira. Cachoeira pediu a seu sobrinho Leonardo Ramos, que costuma assessorá-lo, para que preparasse um contrato de compra e venda no nome de um laranja – e começou a chamar amigos para conhecer a linda casa que comprara de Perillo. No dia 25 de março, o governo de Goiás liberou mais um pagamento de R$ 3,2 milhões para a conta da Delta. Enquanto os pagamentos caíam nas contas da Delta, a Delta cobria, por meio de uma empresa laranja, os cheques dados por Cachoeira.

O segundo cheque de R$ 500 mil foi compensado no dia 4 de abril. Cachoeira, sempre zeloso, checava tudo com seu contador. No dia 29 de abril, antes da compensação do último cheque, no valor de R$ 400 mil, Abreu voltou a reclamar com Cachoeira que as faturas da Delta haviam sido retidas novamente. Abreu foi claríssimo na contrapartida necessária para pagar o último cheque: “Deixa eu te contar uma amarelada que eu dei aqui. Wladmir (Garcez) tá me rodeando aqui. Eu falei: ‘Wladmir, tá bom: que dia vai me pagar? Tá prometido até sexta que vem, tá? Então vamos fazer o seguinte: eu pago os 400. Se ele (Perillo) não me pagar até sexta (…) você me devolve os 400’. Aí ele amarelou aqui”. Os dois reclamaram da demora de Perillo. Cachoeira disse: “Agora tem de tolerar porque nós já pusemos o pé na jaca”. Eles reclamam, reclamam, reclamam… mas no fim pagam. No dia 2 de maio, Cachoeira ordenou a seu contador que contatasse o pessoal de Perillo e descontasse o último cheque. “Aquele lá (o cheque) não podia falhar de jeito nenhum, né?”, diz o contador. O cheque foi descontado. E o que aconteceu? O governo de Goiás liberou mais uma parcela de R$ 3,2 milhões para a conta da Delta.

Não demorou para Cachoeira perceber que morar na antiga casa do governador de Goiás lhe traria problemas. Num diálogo com sua mulher, Andressa Mendonça, em 17 de maio (leia na página ao lado), Cachoeira compartilhou seu temor por telefone: “Esse trem não vai dar certo (da casa). Vão acabar sabendo que é minha”. Cachoeira começou, então, a procurar um modo de se desfazer do imóvel, apesar dos protestos de Andressa, que já decorara a casa e adorava o lugar. As conversas interceptadas pela PF mostram em detalhes como Cachoeira repassou a casa para um terceiro, o empresário Walter Santiago, sem aparecer. Para isso, recorreu à ajuda de Garcez, que coordenou a transação. Garcez assegurou ao empresário que a casa era de Perillo. No dia 12 de julho, Walter Santiago, rodando num carro blindado, encontrou-se com Garcez e lhe entregou R$ 2,1 milhões em dinheiro vivo. Cachoeira orientou Garcez pelo telefone: “Manda trazer o dinheiro aqui no Excalibur (prédio onde mora Cachoeira), entendeu? Manda o professor(Walter Santiago) trazer no Excalibur, porque ele tá com carro blindado”.

CONFORTO A casa onde  moraram o  governador Marconi  Perillo e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.   Ela foi vendida  por R$ 2,1 milhões  em dinheiro vivo  (Foto: Fernando Gallo/AE)

Em seguida, Garcez informou a Cachoeira que Lúcio Fiúza, então assessor especial de Perillo, estava com eles no carro. Responde Cachoeira: “Então pega tudo e vem para casa. Dá só os quinhentos na viagem para o doutor Lúcio. (…) Já fala para o doutor Lúcio pegar os cem também (parte do assessor de Perillo). É dois e cem, viu (R$ 2,1 milhões, o dinheiro a ser entregue)? Pega os cem logo e já mata ele, ou então já fala a data que ele tem de entregar”. Não fica claro se os R$ 500 mil para Fiúza referem-se à parte de Perillo nessa segunda operação – ou se era um pagamento pendente por outra razão. Também nessa segunda operação, Cachoeira recebeu – e distribuiu a gente próxima a Perillo – mais dinheiro do que valia o imóvel.

Cachoeira confirma isso num diálogo com Andressa, ainda no dia 12. Andressa pergunta por quanto ele vendeu a casa. “Dois e cem”, diz Cachoeira. “Esse trem é do Marconi e não ia dar certo, não. Tem de passar logo esse trem para o nome dele (possivelmente o empresário Walter). Porque eu vou perder um trem de bilhões por causa de um negócio à toa.” Andressa não quer saber de negócios ou dinheiro. Quer saber da prataria da casa e das coisas bonitas e caras que comprou para decorá-la. “Você explicou para ele (empresário Walter) que roupa de cama, coisa pessoal, acessório de banheiro, nada disso vai, né?”, diz Andressa. Cachoeira se irrita: “Deixa a roupa de cama do jeito que tá lá. Não faça isso, não. Pega as pratarias que o Wladmir escondeu lá dentro”. “Eu não vou deixar roupa de cama de 400 fios para ele, não. Cê tá louco?”, diz Andressa. Cachoeira, então, confessa o preço real da casa e revela a existência da “diferença”. “Deixa do jeito que tá. Aquilo lá custou quanto? Afinal, eu comprei ela (a casa) por mil(R$ 1 milhão), vendi por mil e quinhentos (R$ 1,5 milhão). Tá bom, me ajudou a vender.” A conta é a seguinte, segundo a PF: o empresário Walter Santiago pagou R$ 2,1 milhões pela casa. Destes, R$ 100 mil foram para Fiúza, o assessor de Perillo, R$ 500 mil para Perillo, levados por Fiúza – e o restante, R$ 1,5 milhão, para Cachoeira.

Segundo Perillo, a Receita Federal atestou que seu patrimônio é compatível com seus rendimentos

O que Cachoeira fez depois de receber o R$ 1,5 milhão? Ligou para a Delta. Confirmou o recebimento do dinheiro e perguntou a Abreu se o contador da Delta já fora avisado. Abreu disse que estava ao lado de Carlos Pacheco, principal executivo da Delta, a quem Abreu chama de “chefe”. Abreu disse: “Eu falei com o chefe aqui, viu, amigo? Ele falou que era para você guardar esse dinheiro, era para você aplicar lá no entorno (entre Brasília e Goiás), no projeto. Que o projeto lá vai exigir uns 4 milhões e meio, mas eu falo com você pessoalmente”. A PF não descobriu que projeto seria esse. Mas a fala de Abreu deixa claro o que outros diálogos confirmam: a direção da Delta nacional não só sabia das operações de Cachoeira no Centro-Oeste, como coordenava algumas negociações. Até agora, a Delta insiste na versão segundo a qual Abreu agia sozinho.

E manteve sua linha de defesa, após ÉPOCA questionar a empresa sobre as novas evidências. Por meio de uma nota, a Delta afirma não ter conhecimento da apresentação de uma fatura da empresa ao governador Marconi Perillo, nem da visita de Wladmir Garcez ao Palácio de governo para resolver um assunto da empreiteira. A nota também afirma: “Empresas de construção civil que atuam no setor público, como a Delta, precisam zelar e velar pelo recebimento pontual e em dia dos compromissos assumidos a fim de não ocorrer solução de descontinuidade nas obras”. A empresa diz ainda que o ex-presidente Carlos Pacheco nunca teve relação comercial com Cachoeira e que a empresa tem prestado esclarecimentos necessários aos órgãos instituídos.

Perillo também preferiu não prestar esclarecimentos a ÉPOCA. Não respondeu às perguntas sobre eventuais conversas para discutir pagamentos da Delta e sobre a relação desses pagamentos com a venda da casa. Em nota, limitou-se a dizer que “prestou, por meses a fio, todos os esclarecimentos solicitados pela imprensa, pela sociedade e pela CPI”. Perillo criticou ainda o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira. Disse que o deputado quer transformar a CPI numa “comissão de investigação do governador Marconi Perillo”. Diz ainda a nota: “No exaustivo crivo a que foi submetido, nenhum fato se encontrou que possa desabonar sua biografia (de Marconi Perillo) de cidadão ou de homem público. Ao contrário, a Receita Federal, por exemplo, emitiu nota técnica na qual atesta que o patrimônio do governador é compatível com seus rendimentos. Portanto, o governador Marconi Perillo informa que, considerando já devidamente esclarecidos os assuntos de fato relevantes, não se pronunciará mais a respeito de questões atinentes a sua vida privada, reservando essa providência, como é natural, unicamente para os assuntos relacionados a suas atividades como governador do Estado”.

Perillo depôs na CPI do Cachoeira há um mês, quando começavam a se acumular evidências de que ele mantinha relações com a empreiteira Delta e com Cachoeira. Na ocasião, foi claro: “O senhor Carlos Cachoeira não teve a menor participação na venda da casa. (A venda da casa) foi feita de forma transparente ao atual empresário Walter Paulo. (…) Os valores (da venda da casa)foram de acordo com o mercado”. Até agora, desconfiava-se que as três afirmações não eram verdadeiras. Agora, com o relatório da PF, sabe-se que são falsas: Cachoeira participou da compra da casa, a operação aconteceu na sombra e o valor da venda foi superior ao de mercado.

Perillo também disse à CPI: “De forma desavisada ou maldosa, vejo, aqui ou acolá, afirmações de que o senhor Carlos Augusto, o Cachoeira, teria influência em meu governo”. Os diálogos interceptados pela PF e a cronologia do pagamento das faturas à Delta revelam que Cachoeira tinha, sim, influência. Outra frase de Perillo: “Falaram (nos diálogos até então divulgados) sobre seus planos (da turma de Cachoeira), mas nada se concretizou. Nada! Reafirmo: nada se concretizou”. Aqui, mais uma vez, as cobranças da Delta ao amigo de Perillo, os cheques compensados nas contas de Perillo e o consequente pagamento das faturas da Delta apontam o contrário. Por fim, Perillo bradou na CPI: “Não tem propina no meu Estado”. É uma afirmação ousada. Os delegados da Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, ao que parece, discordam.

Leia a íntegra no site de Época

Juristas veem com perplexidade retorno de Demóstenes ao MP

Ao reassumir o cargo de procurador do Ministério Público de Goiás, o ex-senador Demóstenes Torres causou perplexidade entre alguns juristas e representantes da sociedade. A coordenadora do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Jovita Rosa, lembrou que ele foi um importante articulador da aprovação da Lei da Ficha Limpa, motivo suficiente para constrangê-lo a assumir o papel de investigador, depois de perder o mandato pelo envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
— Ele foi um dos principais incentivadores na difícil tarefa de fazer a Ficha Limpa virar lei. Se ainda resta algum pingo de dignidade, Demóstenes deveria ser o primeiro a pedir licença da função de procurador — afirmou Jovita.
A coordenadora do MCCE considera que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) tem o dever de adotar medidas que impeçam o exercício da função pelo ex-senador. E lembrou que, no caso do ex-procurador geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, acusado de envolvimento no escândalo do mensalão do DEM, em 2009, o CNMP agiu para tentar impedi-lo de atuar no MP do DF.
— Agora, o CNMP deve agir e reagir a esse tipo de coisa. É inadmissível que alguém que enganou tanta gente, durante tanto tempo, agora exerça a função de investigador.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro, Wadih Damous, avaliou que o processo disciplinar contra Demóstenes no MP será mais técnico que no Senado.
— No Ministério Público haverá uma predominância de questões técnico-jurídicas, mas a situação do senhor Demóstenes é muito complicada lá, porque as imputações contra ele são muito graves. Talvez mais difícil, porque como é que alguém com acusações contra si tão graves como o ex-senador Demóstenes vai exercer exatamente essas funções de investigação, de abertura de inquérito, de persecução criminal? — questionou.

Beba na fonte: Juristas veem com perplexidade retorno de Demóstenes ao MP – O Globo.

Tribunal de Goiás afasta juiz ligado a grupo de Cachoeira

FREDERICO VASCONCELOS

O Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região, com sede em Goiás, afastou de suas funções na quinta-feira o desembargador Júlio César Cardoso de Brito, acusado de envolvimento com o empresário Carlinhos Cachoeira.

Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal e documentos encaminhados ao TRT pela 11ª Vara Federal Criminal de Goiás sugerem que Brito orientava advogados do grupo de Cachoeira a lidar com ações no tribunal em troca de vantagens financeiras.

Por unanimidade, os desembargadores do tribunal decidiram abrir processo disciplinar para investigar denúncias apresentadas pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Sindicato dos Servidores Federais em Goiás.

Na véspera, Brito pediu licença de suas funções no TRT, onde era vice-presidente e chefiava a corregedoria.

O processo se baseia em 77 ligações interceptadas pela polícia, em que o desembargador conversa com um dos braços direitos de Cachoeira, Gleyb Ferreira da Cruz, que Brito trata como “irmão”.

Nas conversas, o desembargador discute situação de empresas com ações trabalhistas no TRT de Goiás, entre elas o laboratório Vitapan, de Cachoeira, a distribuidora de medicamentos JC, de um irmão do empresário, e a Ideal Segurança.

Há suspeitas de que uma viagem do desembargador a Buenos Aires foi patrocinada por Gleyb. Numa das conversas gravadas, um operador de Cachoeira discute com Brito a encomenda de um computador que o empresário traria para ele de Miami (EUA).

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Tribunal de Goiás afasta juiz ligado a grupo de Cachoeira – 14/07/2012.

Demóstenes reassume cargo em Goiás

Cassado no Senado, Demóstenes Torres reassumiu ontem o cargo de procurador criminal no Ministério Público de Goiás, do qual estava licenciado desde 1999, início de sua carreira política.

O nome do agora ex-senador foi colocado na porta da 27ª Procuradoria de Justiça em Goiás.

Demóstenes dará expediente em uma sala no 3º andar do edifício-sede do Ministério Público e terá à sua disposição dois assessores diretos. Ontem, ele pediu um prazo de cinco dias úteis de folga para organizar sua volta.

Mas o reinício de sua carreira na Promotoria, que lhe pagará R$ 22 mil brutos mensais, já é contestada.

A Corregedoria do Ministério Público do Estado informou que abrirá um procedimento disciplinar para apurar “eventual falta funcional” por conta de seu relacionamento com o empresário Carlinhos Cachoeira -mesmo motivo que o levou à cassação anteontem.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Demóstenes reassume cargo em Goiás – 13/07/2012.

Deputados poupam 3 e pedem cassação de 1

No dia em que o Senado cassou Demóstenes Torres, a Corregedoria e o Conselho de Ética da Câmara inocentaram três deputados suspeitos de envolvimento com o empresário Carlinhos Cachoeira.

O único que teve a cassação recomendada pela Corregedoria foi o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).

As representações contra Sandes Júnior (PP-GO) e Rubens Otoni (PT-GO) foram arquivadas. No Conselho de Ética, foi rejeitado o pedido de investigação de Protógenes Queiroz (PC do B-SP).

A situação dos deputados Leréia, Júnior e Otoni será definida pela Mesa Diretora, que não tem data para decidir.

No caso de Leréia, se a Mesa mantiver sua tradição e acolher a representação, o tucano passa a responder a processo no Conselho de Ética.

Pesou contra ele a relação pessoal e os negócios dele com Cachoeira. À Folha Leréia afirmou ser amigo e conhecedor de atividades ilegais do empresário.

Ele foi gravado cobrando de um auxiliar de Cachoeira depósito de R$ 100 mil. Há indícios ainda de que Leréia atuou a favor dos interesses do empresário na Câmara.

A Folha apurou que Leréia pressionou o PSDB a não tomar nenhuma medida contra ele, argumentando que o governador Marconi Perillo (Goiás), também envolvido no caso, foi preservado.

Com relação aos deputados Sandes Júnior e Rubens Otoni, não houve provas consistentes, afirmou o corregedor Eduardo da Fonte (PP-PE).

Sandes Júnior é suspeito de ganhar indiretamente R$ 150 mil do grupo de Cachoeira, enquanto Otoni aparece em vídeo com o empresário negociando R$ 100 mil. Sandes justifica que o dinheiro vinha da rescisão de um contrato de uma rádio. Otoni disse que não recebeu a quantia.

O pedido de investigação sobre Protógenes era para analisar as relações dele com um suspeito de ser o “araponga” do grupo de Cachoeira.

Ainda há mais um caso relacionado às denúncias contra Cachoeira. Depois do recesso, em agosto, a Corregedoria ainda terá que analisar o caso do deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ), que é alvo de representação. A tendência, neste caso, é a abertura de processo contra ele, que assumiu ter recebido R$ 175 mil de Cachoeira.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Deputados poupam 3 e pedem cassação de 1 – 12/07/2012.

Começou bem: Suplente de Demóstenes vai ser convocado para depor à CPI

Suplente do ex-senador Demóstenes Torres, o empresário Wilder de Morais (DEM-GO) mal assumirá o mandato e já será convocado pela CPI do Cachoeira como testemunha para falar sobre a amizade e a ligação com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, revela a coluna Panorama Político do GLOBO desta quinta-feira. Empresário e contraventor foram amigos até que sua ex-mulher, Andressa Mendonça, trocou-o pelo bicheiro. Integrantes da comissão acreditam, diz a nota, que ele pode ser uma “testemunha-bomba”.

Um dos homens mais ricos de Goiás, Wilder chegará hoje ao Senado já tendo que dar explicações sobre a omissão de boa parte de sua fortuna pessoal na declaração de bens que apresentou em 2010 à Justiça Eleitoral, como foi divulgado na quarta-feira pelo GLOBO.

Wilder, que também é secretário de Infraestrutura de Goiás e está filiado ao DEM, estará no Senado logo cedo, para uma reunião em que espera acertar com o presidente do partido, o senador Agripino Maia (DEM-RN), detalhes de sua posse. Com sua chegada, o DEM volta a ter cinco senadores.
Conversas telefônicas usadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostram que Wilder está ganhando a cadeira no Senado graças à indicação de seu antigo padrinho e ex-amigo Carlinhos Cachoeira, o bicheiro que articulou para que ele fosse escolhido suplente de Demóstenes. Em sua declaração de patrimônio de 2010, Wilder disse ter apenas 15 das 24 empresas das quais é sócio. A fortuna declarada é de R$ 14,4 milhões.
— É bom que ele se explique sobre o fato de não declarar bens à Justiça Eleitoral, para não pairar nenhuma dúvida. O novo senador já tem assunto para seu primeiro discurso no Senado — cobrou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), um dos autores da representação que levou à cassação de Demóstenes. — Mas não acho que seja o caso de representação.

Beba na fonte: Suplente de Demóstenes vai ser convocado para depor à CPI – O Globo.

Demóstenes se foi. Mas ainda há 24 senadores que não veem mal no que ele fez.

Deu o previsto. Mas por um placar que preocupa pela licenciosidade de 24 senadores que, ou votaram contra a cassação (19), ou se abstiveram (5).

Quem são esses caras ? Ninguém jamais saberá. Até porque um sujeito que não vê motivos para condenar alguém tão sobejamente enrolado jamais teria a hombridade de declarar e sustentar publicamente seu voto.

Resta o consolo de saber que 56 senadores — 15 além do que o mínimo necessário — decidiram que Demóstenes não era mesmo digno de permanecer na Câmara Alta brasileira.

Esse placar, suficiente mas ainda assim raquiíico, dada a gravidade do que se comprovou, denota com assertividade que chegou mesmo a hora de acabar com o voto secreto. Vai longe o tempo em que essa prerrogativa tinha a justificativa de proteger parlamentares da pressão dos governos. Hoje, serve mesmo é para acobertar o corporativismo indecente que ainda assola o Congresso.

Com a decisão de hoje, somam dois os senadores afastados por quebra do decoro parlamentar. É um número pequeno, mas ainda assim infinitamente superior ao de condenações pelo Supremo Tribunal Federal, que até hoje não pôs na cadeia nenhum político.

O julgamento dos mensaleiros está aí. Com ele, a corte constitucional terá sua grande chance de sair do zero absoluto.

Humberto Costa reitera acusações de desvios de conduta e mentiras de Demóstenes

O senador Hmberto Costa, relator do processo contra Demóstenes Torres no Conselho de Ética, terminou agora há pouco sua peroração na tribuna do Senado. Acusou o réu de mentir para os colegas, receber vantagens econômicas de Carlinhos Cachoeira e de ter cometido desvios de conduta na função de Senador.

Agora é Pedro Taques, relator do proceso no plenário, quem discursa. Está à vontade: egresso do Ministério Público Federal, ganhou a vida acusando criminosos. Ele já lembrou que o parecer do Conselho de Ética foi aprovado por unanimidade. E agora discorre sobre a moral e a conduta ética como pressupostos do decoro parlamentar.

Julgamento vai se estender por mais uma hora

A pedido do senador Humberto, e com a concordância dos líderes dos partidos, os relatores do caso Demóstenes Torres no Conselho de Ética (o próprio Humberto Costa) e no plenário (Pedro Taques) terão mais 20 minutos cada um para expor seus argumentos.

O réu pediu o mesmo privilégio e foi atendido.

Por isso, é previsível que o julgamento tome uma hora a mais do que o previsto.

Neste momento, Humberto Costa apresenta seus argumentos da tribuna do Senado.

Começou o julgamento de Demóstenes. Assista ao vivo no Blog

Demóstenes Torres toma daqui a pouco o caminho aberto na história por Luiz Estêvão, o primeiro senador cassado República.

O Blog vai transmitir  a sessão de julgamento com imagens da TV Senado. Para assistir, clique sobre o video abaixo

Blog antecipa o discurso de despedida de Demóstenes

Blog antecipa o discurso de despedida de Demóstenes Torres

Senhoras e senhores, senadores e senadoras,

Transformei minha vida parlamentar numa aposta contra a corrupção. Não é possível extrair dos autos do processo nenhum prova de meu atrelamento com o jogo do bicho.

Eu não sou burro (03). Tentaram me transformar em vaca (25) de piranha, misturar-me aos porcos (18) da contravenção, mas não  conseguiram. 

Esse processo é produto do enpavonamento (19) dos meus inimigos históricos. São pérfidos como cobras (09) e ardilosos como tigres (22). Mas não conseguirão me dar esse abraço de urso (23) porque eu sou esperto como um gato (14). Sei reagir com a sabedoria de uma águia (02) e tenho a paciência e a memória dos elefantes (12).

Espero de vossas excelências que não ajam como cachorros (05) adestrados desse governismo ardiloso que pretende me transformar em cordeiro (07) de Deus.

Não, colegas, não esperem de mim que enfie a cabeça na terra como um avestruz (01). Não sou macaco (17) de circo para animar essa plateia que quer me ver pelas costas. Lutarei como um leão (16) para demonstrar minha inocência. Não duvidem: eu sou um touro (21)!

E, se afinal não conseguir, se for abatido como um coelho (10), não vou balir como uma cabra (06).

Vou dizer altivo desta tribuna:

- Vossas Excelências não passam de um bando de veados (24)!

Prefeito de Palmas corre risco de ser expulso do PT

Diante do vídeo que mostra o prefeito de Palmas (TO), o petista Raul Filho, negociando com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a cúpula do PT vai insistir que o prefeito nunca foi um quadro histórico do partido. A estratégia é tentar isolá-lo, deixando claro que seu envolvimento com o contraventor não faz o PT sangrar.

A tendência é que Raul Filho seja expulso da legenda depois da abertura de processo na Comissão de Ética do partido. Parte da direção do PT defende que esse processo seja concluído somente depois das eleições municipais de outubro.

Flagrado em conversa com Cachoeira em 2004, Raul Filho depõe hoje na CPI para explicar suas relações com o grupo. No depoimento, os petistas não pretendem blindar seu correligionário. Pelo contrário: a tática será frisar que Raul Filho é uma figura de menor importância dentro do partido. A ideia é não dar “munição” para a oposição atacar os petistas, que querem deixar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), permanentemente na berlinda sob a acusação de envolvimento com o esquema de Cachoeira.

No processo de “desconstrução da imagem” do prefeito de Palmas, integrantes da direção nacional do PT fazem questão de lembrar que Raul Filho já passou por legendas como a Arena, o PFL, o PSDB e o PPS, antes de desembarcar no partido, em 2003, com as bênçãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2004, Raul foi eleito prefeito de Palmas pela primeira vez.

Petistas rememoram ainda que, em abril do ano passado, Raul Filho e sua mulher, a deputada estadual Solange Duailibe, chegaram a ser expulsos do PT pelo Diretório Estadual do Tocantins, sob alegação de infidelidade partidária: ambos apoiaram a candidatura de João Ribeiro, do PR, ao Senado, contra o petista Paulo Mourão. Mas em junho, a direção nacional suspendeu a decisão, anulando a expulsão.

No depoimento previsto para esta terça-feira, 10, o PT não armou nenhum esquema para defender Raul Filho. A avaliação de parte dos petistas é que o prefeito “tem culpa no cartório”. “Vamos ouvir o que ele tem a falar”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP). “Ele tem que dar explicações. Mas todos os indicativos são de que ele não está envolvido com a organização criminosa”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

O prefeito de Palmas será o último a depor na CPI do Cachoeira, antes do recesso parlamentar, que começa na semana que vem. Das seis convocações aprovadas em reunião administrativa da CPI, na semana passada, Raul Filho foi o único a ter seu depoimento agendado.

A cúpula da comissão deixou para agosto os depoimentos mais polêmicos: Fernando Cavendish, dono da Delta; Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit); e Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ligado ao PSDB e ex-diretor da Dersa, empresa responsável pela manutenção das estradas paulistas.

Beba na fonte: Isolado no PT, prefeito de Palmas corre risco de ser expulso após depoimento – politica – versaoimpressa – Estadão.

Mentir no plenário não é quebra de decoro, diz senador

Com o risco de ser cassado amanhã, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) disse que mentir no plenário do Senado não é motivo para decretar a perda do mandato.

Como havia prometido na semana passada, ele tem feito discursos diários na tribuna da Casa em sua defesa.

Apesar de afirmar que não mentiu quando disse que só mantinha relações de amizade com o empresário Carlos Cachoeira, Demóstenes disse que a Constituição assegura liberdade para o congressista falar o que quiser da tribuna -mesmo que não seja algo verdadeiro.

“Se o parlamentar mentir, é um problema dele com sua consciência e sua audiência, não com o decoro. Aliás, nada do que o parlamentar diz da tribuna pode ser quebra de decoro”, afirmou.

Ao lembrar o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF), único cassado pelo Senado até hoje, Demóstenes afirmou que na época criou-se o “mito” de que mentir em plenário é quebra de decoro.

“A tribuna é inviolável, segundo a própria Constituição. E tentaram colocar isso porque não conseguiram provar nada contra mim.”

O argumento de que faltou com a verdade no plenário foi um dos utilizados pelo Conselho de Ética do Senado para pedir a cassação do seu mandato.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Mentir no plenário não é quebra de decoro, diz senador – 10/07/2012.

Bye-bye, Demóstenes

Demóstenes Torres deve ser cassado amanhã.

Já vai tarde.

A única coisa a lamentar é que tanto tempo tenha sido necessário para cumprir o formalismo processual. Tivéssemos uma constituição paraguaia e o dublê de lobista da contravenção e senador da República não teria durado duas horas.

Que os colegas piedosos consigam ser, ao menos no momento de declinar o voto, tão implacáveis como ele foi com seus opositores. Que o mandem logo para o Hades da política.

Demóstenes Torres vai para o lixo da história. O “Guardião”, sistema que interceptou sua pornografia com a contravenção, serviu para revelar ao País como um homem pode ser hipócrita e mentiroso. Como alguém pode ser manipulador e farsante. Como pode alguém enganar a todos com sua empáfia moralista e sua vida canhestra.

Bye-bye, Demóstenes.

Espero sinceramente vê-lo no ostracismo. E desejo a você o que de melhor você puder extrair do seu círculo íntimo, das duas amizades criminosas, das suas conspirações contra a moral e a ética.

Que você tenha o que merece: o limbo e a vergonha, se é que lhe sobra alguma.

Doações ligam governador de Tocantins a Cachoeira

BRENO COSTA

Quase metade do dinheiro recebido pelo comitê do PSDB de Tocantins na eleição de 2010 veio de empresários que, segundo a Polícia Federal, atuavam em parceria com Carlinhos Cachoeira.

O tucano Siqueira Campos venceu as eleições e é o atual governador. Foi dos cofres do comitê do partido que saíram 98% dos recursos de sua campanha.

De R$ 10,5 milhões de receita declarada à Justiça Eleitoral, R$ 4,3 milhões (41%) foram doados por citados na investigação da Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Os dados indicam que a influência de Cachoeira no Tocantins não se limitava ao petista Raul Filho, prefeito de Palmas, flagrado negociando o apoio do empresário.

Nas interceptações telefônicas feitas pela PF, Cachoeira diz a um auxiliar ter um encontro marcado com o governador. Siqueira Campos diz que só houve um encontro “fortuito”, sem dar detalhes.

O maior doador de todo o PSDB tocantinense foi o empresário Rossine Aires Guimarães, com R$ 3 milhões. Sua convocação pela CPI do Cachoeira já foi aprovada.

Dono de uma construtora, ele é, de acordo com a PF, o principal parceiro de negócios de Cachoeira, ao lado de Cláudio Abreu, ex-diretor regional da empreiteira Delta.

Duas empresas do suplente de senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), um dos políticos que mais conversa com Cachoeira nos grampos da PF, doaram R$ 480 mil.

Também apontado pela PF como sócio informal de Cachoeira, Marcelo Limírio Gonçalves doou R$ 300 mil.

Outros R$ 500 mil chegaram pela JM Terraplanagem, empresa suspeita pela PF de envolvimento com Cachoeira. O sigilo bancário e fiscal da JM foi quebrado pela CPI.

O Ministério Público vê indícios de favorecimento ao grupo de Cachoeira. Em ação de improbidade de 2011, a Promotoria diz que o governo Siqueira Campos dispensou uma licitação de forma irregular para contratar por R$ 14,7 milhões a Delta -à qual Cachoeira era ligado.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Doações ligam governador de Tocantins a Cachoeira – 07/07/2012.

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