Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the category “Direitos do consumidor”

TIM derruba sinal de propósito, diz Anatel

ESTELITA HASS CARAZZAI

Relatório da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acusa a TIM de interromper de propósito chamadas feitas no plano Infinity, no qual o usuário é cobrado por ligação, e não por tempo.

A agência monitorou todas as ligações no período, em todo o Brasil, e comparou as quedas das ligações de usuários Infinity e “não Infinity”.

A conclusão foi que a TIM “continua ‘derrubando’ de forma proposital as chamadas de usuários do plano Infinity”. O documento apontou índice de queda de ligações quatro vezes superior ao dos demais usuários no plano Infinity -que entrou em vigor em março de 2009 e atraiu milhares de clientes.

O relatório, feito entre março e maio, foi entregue ao Ministério Público do Paraná.

“Sob os pontos de vista técnico e lógico, não existe explicação para a assimetria da taxa de crescimento de desligamentos [quedas de ligações] entre duas modalidades de planos”, diz o relatório.

O documento ainda faz um cálculo de quanto os usuários gastaram com as quedas de ligações em um dia: no dia 8 de março deste ano, afirma o relatório, a operadora “derrubou” 8,1 milhões de ligações, o que gerou faturamento extra de R$ 4,3 milhões.

Durante as investigações, a TIM relatou ao Ministério Público que a instabilidade de sinal era “pontual” e “momentânea” (leia texto nesta página).

A operadora citou dados fornecidos à Anatel para mostrar que houve redução, e não aumento, das quedas de chamadas -as informações, no entanto, foram contestadas no relatório da agência.

A Anatel afirma que a TIM adulterou a base de cálculos e excluiu do universo de ligações milhares de usuários com problemas, para informar à agência reguladora que seus indicadores estavam dentro do exigido.

A agência afirma, por exemplo, que a operadora considerou completadas ligações que não conseguiram linha e cujos usuários, depois, receberam mensagem de texto informando que o celular discado já estava disponível.

NOVA PROIBIÇÃO

Com base nos dados, o Ministério Público do Paraná pede a proibição de vendas de novos chips pela TIM no Estado, o ressarcimento de consumidores do plano Infinity no Paraná por gastos indevidos e o pagamento, pela empresa, de indenização por dano moral coletivo.

A TIM já havia sido suspensa no Estado no final de julho, quando a Anatel proibiu as vendas de novos planos das operadoras com maior índice de reclamação em cada Estado. Além do Paraná, onde o índice era de 26,1 reclamações a cada 100 mil clientes, a operadora obteve o pior resultado em 18 unidades federativas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mercado – TIM derruba sinal de propósito, diz Anatel – 07/08/2012.

Primeira medida da ANATEL a favor do consumidor vale a partir de hoje

Desde sua remota criação, no distante ano de 1998, a ANATEL vem justificando a suspeita de que se transformou numa espécie de sindicato do vale-tudo das operadoras de telefonia. Elas pintaram e bordaram com a aquiescência da ANATEL. Desde que que foram privatizadas, estão no topo da lista dos piores prestadores de serviço dos Procons do País.

Não é preciso ir aos grotões para ver como a qualidade do sercviço é deficiente. Basta ir a qualquer ponto da Avenida Paulista, no coração de São Paulo, para se defrontar com a impossibilidade de fazer uma ligação por celular, enviar um SMS ou acessar a internet. Simplesmente não funciona.

Em função disso, as maiores operadoras de telefonia móvel brasileiras estão proibidas, a partir de hoje, de vender novos contratos. A sanção inédita foi recebida com espanto pelas empresas apenadas. Como se elas não sobessem o quanto pintam e bordam com quem lhes paga caríssimo para não conseguir fazer um telefonema.

O fato a anotar é que, pela primeira vez na história, a ANATEL tomou uma decisão em benefício dos consumidores. Uma tentativa anterior, adotada depois de muito vai-e-vem, jamais provocou qualquer efeito prático: a proibição da cobrança do ponto adicional pelas operadoras de TV a cabo.

Sinal dos tempos ? Estaria o cartório das telefônicas assumindo o papel que supostamente justificou sua criação ?

É cedo demais para o otimismo. No balaio de pendências da ANATEL ainda remanescem a assinatura básica, uma exorbitância cobrada do consumidor por nada, e uma explicação razoável para a verdadeira doação dos chamados bens reversíveis — patrimônio sem relação com os serviços prestado que incorporava o ativo das telefônicas e foi transferido do acervo das antigas estatais diretamente para o bolso dos novos concessionários privados.

E, não custa lembrar, só em países como o Brasil é que empresas podem cobrar integralmente por algo e entregar só dez por cento disso — quando entregam. Você paga dez laranjas e só leva uma para casa. É assim como a banda larga brasileira em qualquer de suas modalidades.

Por isso — e por uma extensa série de outras boas razões — não saia ainda por aí comemorando a reviravolta cidadã da ANATEL. A atuação da agência ao longo de sua história desautoriza qualquer tipo de celebração.

Mas que é bom saber que há instrumentos para coibir o estelionato da venda de serviços que não correspondem ao que é contratado, isso é.

Tomara que a ANATEL se anime com sua primeira medida cidadã. Se tomar gosto pelo papel de defensor dos direitos de quem sustenta estruturalmente o segmento — o assinante dos serviços de telefonia — pode ser que daqui a pouco tenhamos como falar ao telefone sempre que tentarmos efetuar uma chamada.

Justiça manda devolver valor de ponto extra

A Justiça do Rio condenou a Net Rio a devolver o valor cobrado pela mensalidade adicional por pontos extras desde março de 2010. A decisão, que vale só para o Estado do Rio, declarou nula a cláusula contratual que prevê a cobrança de ponto extra. Ela usa como base para a determinação da devolução do dinheiro resolução da Anatel de 2009 que proibiu esse tipo de fatura. A Net informou que vai recorrer.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mercado – Justiça manda devolver valor de ponto extra – 13/07/2012.

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