Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the category “Economia”

Mercado reduz projeção para o PIB em 2012 pela 4ª vez seguida

Eduardo Cucolo

O mercado financeiro reduziu pela quarta semana consecutiva a previsão de crescimento da economia brasileira, que caiu agora de 1,75% para 1,73%, de acordo com a pesquisa Focus divulgada há pouco pelo Banco Central. Há quatro semanas, estava em 1,90%. Para 2013, a aposta se manteve em 4%, abaixo dos 4,05% verificados há quatro semanas.

Analistas reduziram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012, de 35,27% para 35,25%. Para 2013, a projeção se manteve em 34%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 35,50% e 34,06% do PIB para cada um dos dois anos.

Inflação e juro

O mercado financeiro elevou pela sétima semana seguida a projeção de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012, que subiu de 5,15% para 5,19% somente na última semana. Há quatro semanas, a previsão estava em 4,98%. Para 2013, a projeção se manteve em 5,50% pela nona semana seguida.

A projeção de alta da inflação para os próximos 12 meses caiu de 5,66% para 5,64%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 5,55%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo subiu de 5,15% para 5,20%. Para 2013, a previsão dos cinco analistas ficou em 5,50%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 4,99% e 5,50% para cada ano, respectivamente.

Os economistas também mantiveram a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai reduzir a taxa Selic dos atuais 8,0% para 7,50% ao ano na próxima quarta-feira. Já a mediana das estimativas para o patamar da taxa Selic no fim de 2012 segue em 7,25%, o que significa um corte adicional de mais 0,25 ponto neste ano.

A projeção para a taxa básica de juros no fim de 2013 recuou pela segunda semana, desta vez, de 8,38% para 8,25%. Há quatro semanas, estava em 8,50%.

A pesquisa mostra ainda manutenção das expectativas para o juro médio em 8,47% neste ano e em 7,63% em 2013. Quatro pesquisas antes, analistas esperavam juro médio de 8,53% em 2012 e de 7,81% no ano que vem.

Beba na fonte: Mercado reduz projeção para o PIB em 2012 pela 4ª vez seguida – economia – brasil – Estadão.

Prévia da inflação oficial fica em 0,39% em agosto

Fernanda Nunes, da Agência Estado

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,39% em agosto, após subir 0,33% em julho. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação entre 0,30% e 0,45%, com mediana de 0,37%.

Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 acumula taxas de 3,32% no ano e de 5,37% em 12 meses até agosto.

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Brasil deve gerar até 1,5 mi de empregos em 2012, dizem especialistas

Gustavo Porto, da Agência Estado

A alta na demanda do setor de serviços, com reflexo no crescimento do consumo de bens industriais, deve fazer com que o País gere 1,5 milhão de empregos em 2012, na avaliação de especialistas que participaram nesta segunda-feira, 20, do seminário “Competitividade – o Calcanhar de Aquiles do Brasil”, realizado pela da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP). A expectativa é reforçada pelos dados de julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, que apontaram uma criação de 142,5 mil empregos no mês passado – acima das projeções mais otimistas.

Para o presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP, José Pastore, “a massa salarial vigorosa e os reajustes nos salários” tem impacto no setor de serviços e, consequentemente, provocam um reflexo na produção industrial. “Isso deve garantir um bom quadro no emprego até o final do ano”, disse. “Mas, no momento, o que nos preocupa é a redução na capacidade de investimento da indústria, que pode trazer problemas para 2013″, completou.

Para o ex-ministro do Trabalho e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Walter Barelli, ainda não é possível avaliar o nível de impacto na geração de emprego industrial das medidas pontuais de redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) nos setores automotivo e de linha branca, previstas para acabar no dia 31. “É certo que isso gerou consumo, mas para saber se as medidas puxaram as vendas de estoques ou geraram produção, isso só quando elas acabarem”, disse Barelli.

Segundo o ex-ministro, a curva de emprego cresce naturalmente no segundo semestre, “principalmente porque no primeiro semestre há um ingresso grande de recém-formados no mercado de trabalho e o aumento nas demissões após o final do ano”.

Já na avaliação de Clemente Ganz Lucio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), a criação de até 1,5 milhão de empregos em 2012 seria um resultado muito bom, diante do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 1,5% e 2%. “Mesmo com um crescimento menor, a indústria segura o emprego para atender a demanda”, disse.

Para o representante do Dieese, “não dá para imaginar, no entanto, que o crescimento de empregos na indústria será contínuo”. O desafio, na avaliação de Lucio, é crescer em produtividade, uma das respostas à falta de investimentos do setor apontado por Pastore. “Os ganhos de produtividade trazem aumentos nos salários, maior oferta, maior consumo e criam um círculo virtuoso”, concluiu.

Já segundo Mário Bernardini, membro do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a queda no ingresso da pessoas que entram no mercado de trabalho anualmente para a metade do nível do que era há dez anos é suficiente para não piorar o desemprego. “O Brasil, do ponto de vista do emprego, não precisa crescer mais que 2,5% ao ano”, disse.

Beba na fonte: Brasil deve gerar até 1,5 mi de empregos em 2012, dizem especialistas – economia – - Estadão.

Pessimista, mercado reduz novamente projeção de crescimento da economia

Fernando Nakagawa,
O pessimismo com a reação da economia brasileira aumentou e as previsões para o crescimento em 2012 pioraram novamente. De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central, a mediana das estimativas do mercado financeiro para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu de 1,85% para 1,81%, a segunda piora seguida. Há quatro semanas, estava em 1,90%. Para 2013, a aposta manteve-se em crescimento de 4%, abaixo dos 4,10% verificados há quatro semanas.

BC diz que crédito no País evolui de forma sustentável
Como acontece há vários meses, o setor industrial é o que apresenta o pior desempenho e lidera o movimento de desaceleração da economia brasileira. De acordo com o levantamento, a expectativa para o desempenho do segmento este ano piorou pela 11ª semana seguida: passou de uma contração da atividade de 0,69% para uma queda ainda maior, de 1%. Há um mês, analistas ainda esperavam algum crescimento da indústria, de 0,09% no ano.

Para 2013, economistas esperam recuperação da atividade industrial. Mesmo assim, a previsão de crescimento do setor para o próximo ano também sofreu com o pessimismo e a estimativa recuou de 4,40% para 4,30%. Um mês atrás, o número também estava em 4,30%.

Analistas reduziram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012, de 35,40% para 35,20%. Para 2013, a projeção seguiu em 34%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 35,50% e 34% do PIB para cada um dos dois anos.

Juro e inflação

O mercado financeiro elevou pela quinta semana consecutiva a projeção de inflação medida pelo IPCA em 2012. Nesta semana, a mediana das expectativas passou de 5,00% para 5,11%. Há quatro semanas, estava em 4,87%. Com esse movimento recente, a inflação projetada se afasta cada vez mais do centro da meta, de 4,5%. Para 2013, a aposta manteve-se em 5,50% pela sétima semana.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo também subiu e passou de 5,05% para 5,15%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 4,85%. Para 2013, a previsão dos cinco analistas manteve-se em 5,50% pela nona semana.

Analistas do mercado financeiro mantiveram a previsão de que o ciclo de corte dos juros básicos (Selic) terminará em outubro. A Pesquisa Focus mostra que a expectativa dos analistas é de que o Banco Central deve reduzir a taxa em mais duas ocasiões no atual ciclo: agosto e outubro, o que levaria a Selic para 7,25% no fim do ano. Há um mês, economistas trabalhavam com a hipótese de que a taxa terminaria em 7,50%, dos atuais 8%.

Para os analistas ouvidos pelo BC, no dia 29 de agosto – data da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – a taxa Selic deve ser cortada em 0,50 ponto porcentual, para 7,50%. Depois, em 10 de outubro, o BC deve optar por um novo corte, porém menor, de 0,25 ponto, o que levaria o juro brasileiro para 7,25%, novo piso histórico.

Para 2013, a previsão do juro no fim do ano seguiu em 8,50% pela quinta pesquisa seguida, o que revela expectativa de volta das altas de juro para conter o ritmo da inflação que volta a ganhar força.

Câmbio

O mercado financeiro manteve a previsão de que a moeda norte-americana deve terminar 2012 e 2013 no patamar dos R$ 2. De acordo com a pesquisa Focus, a mediana das projeções para o preço do dólar no fim deste e do próximo ano seguiu em exatos R$ 2,00. Há um mês, analistas previam dólar a R$ 1,95 no fim de 2012 e também no de 2013.

As estimativas para o curto prazo se mantiveram na casa dos R$ 2. Para o fim do mês, a previsão para o dólar seguiu em R$ 2,03. Para setembro, a expectativa cresceu um centavo, de R$ 2,01 para R$ 2,02. Há quatro semanas, a previsão para o dólar no fim dos dois meses estava em R$ 2,00.

Beba na fonte: Pessimista, mercado reduz novamente projeção de crescimento da economia – economia – - Estadão.

Agricultura: Agora, tudo tem de dar muito certo para ficar apenas ruim

MAURO ZAFALON

Daqui para a frente, tudo tem de dar muito certo para ficar apenas ruim. Isso mesmo! Se a produção global de grãos não tiver um clima perfeito a partir de agora, o que resultaria numa “safra cheia”, como dizem no setor, a oferta de alimentos será um caos.

Após uma quebra de safra nos EUA no ano passado, outra na América do Sul no começo deste ano e mais uma agora nos EUA, qualquer clima ruim na nova safra da América do Sul, que começará a ser semeada, provocará brutal redução nos estoques mundiais de alimentos.

Voltarão à tona as discussões sobre crise alimentar e eventuais políticas de segurança alimentar a serem adotadas por países dependentes da importação de grãos.

Os números são impressionantes. Apenas nesse período mencionado (nas safras do ano passado e deste), os EUA deixaram de colher 132 milhões de toneladas de milho. Algumas regiões da América do Sul, como o Sul do Brasil, também tiveram fortes perdas.

A redução na oferta de soja foi de 38 milhões de toneladas, quando comparadas as estimativas iniciais com a safra colhida nos Estados Undos e na América do Sul.

O relatório de oferta e demanda mundiais divulgado anteontem pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) aponta o cenário ruim do momento, registrando queda de 102 milhões de toneladas na produção de milho do país, comparando a meta inicial da safra com a produção efetiva que os norte-americanos terão.

O Usda tenta minimizar os efeitos da redução de safra provocada pela seca refazendo os números de consumo.

No caso do milho, por exemplo, a estimativa de consumo total dos EUA para a safra 2012/13 -o número inclui as exportações- é de apenas 285 milhões de toneladas. É um número irreal, uma vez que as exigências do mercado norte-americano já superam 320 milhões de toneladas por ano.

Só a produção de etanol consumiu 127 milhões de toneladas no ano passado. O Usda prevê uso menor de milho na produção desse combustível neste ano, mas essa queda tem um limite. O país tem um patamar de produção de etanol fixado por lei.

Para que os estoques mundiais sejam refeitos, o Usda aposta em safras maiores de milho e de soja no Brasil e na Argentina. Esses países ganhariam também fatia maior nas exportações mundiais.

Os dados da semana passada do governo norte-americano apontaram que o Brasil exportará o recorde de 14 milhões de toneladas de milho e 38 milhões de toneladas de soja.

Preços internacionais elevados e dólar mais favorável permitem essas exportações. O problema é a logística para a saída desses produtos.

A escassez de grãos força a alta nos preços. Isso é bom para toda a cadeia agrícola, que passa a ter margem maior na comercialização. Na outra ponta, no entanto, estão as indústrias processadoras de alimentos, que pagam mais pela matéria-prima e vão repassar os aumentos de custos para os consumidores.

Os dados de inflação divulgados na semana passada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) indicam que o consumidor paulistano está pagando 2% mais pelos óleos de soja e de milho nos últimos 30 dias.

Esse deve ser apenas o início dos reajustes, uma vez que a alta de preços no campo demora várias semanas para chegar ao varejo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mercado – Agora, tudo tem de dar muito certo para ficar apenas ruim – 12/08/2012.

BC autoriza saque de dólar em caixas eletrônicos

Com a proximidade de competições esportivas que serão sediadas no Brasil, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira o uso de terminais de autoatendimento para que tanto turistas estrangeiros quanto brasileiros realizem operações de câmbio manual. O valor máximo será de até três mil dólares. Hoje, com o uso de cartões internacionais, só é possível realizar saques em reais nas máquinas.
O secretário-executivo do Banco Central, Geraldo Magela Siqueira, disse que, com a mudança, as pessoas poderão trocar diretamente as cédulas. Siqueira observou que os clientes, inclusive os brasileiros, vão ter de, primeiro, inserir um cartão de uso internacional para se identificar. Só depois disso, poderão realizar o câmbio. Não há um limite para o número de operações a serem feitas, mas, se o Banco Central identificar excessos, o caso poderá ser investigado.
Esses equipamentos, no entanto, ainda não existem no Brasil e serão importados.

Beba na fonte: BC autoriza saque de dólar em caixas eletrônicos por brasileiros e estrangeiros – O Globo.

Mercado aposta em inflação maior e crescimento menor

Nesta semana, o mercado financeiro manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,90% em 2012. Para a inflação, porém, a projeção piorou. O mercado financeiro aumentou pela segunda semana consecutiva a estimativa para o IPCA em 2012. De acordo com a pesquisa Focus divulgada há pouco pelo Banco Central, a mediana das estimativas para a inflação oficial neste ano passou de 4,87% para 4,92%.

Há quatro semanas, estava em 4,95%. Para 2013, a projeção não sofreu alteração e manteve-se em 5,50% pela quarta semana seguida.

A estimativa para a inflação nos próximos 12 meses também subiu e avançou de 5,53% para 5,56%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 5,48%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo subiu de 4,85% para 5,04%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 5,02%. Para o ano seguinte, a estimativa manteve-se em 5,50% pela sexta semana seguida.

Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA em julho subiu pela quarta semana seguida e passou de 0,21% para 0,25%. Para agosto, a previsão subiu de 0,29% para 0,31%. Quatro semanas antes, o grupo esperava altas de 0,18% e de 0,29%, respectivamente para cada um dos meses.

Juro

Nada mudou nas estimativas do mercado financeiro para o comportamento do juro básico da economia, a taxa Selic. De acordo com o levantamento, o mercado manteve a previsão de que o ciclo de corte de juro terminará em agosto, com a taxa em 7,5% ao ano.

Para 2013, analistas esperam a volta do aumento do juro para conter a inflação. Pelas previsões coletadas pelo levantamento, a taxa Selic deve terminar o próximo ano em 8,5%, o que indica aumento de 1 ponto porcentual no decorrer de 2013, mesma estimativa observada na pesquisa da semana passada.

Beba na fonte: Mercado aposta em inflação maior em 2012 – economia – brasil – Estadão.

A economia e a “Síndrome do Deslocamento de Caderno”

Vocês certamente já ouviram falar no Mário Rosa. É um jornalista com larga vivência em redações que hoje ganha a vida como consultor em crises de imagem. Escreveu já três livros e tornou-se um requisitado especialista sempre que alguém muito importante atravessa períodos de turbulência perante a opinião pública.

Em seu primeiro livro, Mário Rosa descreve o que chama de “Síndrome do Deslocamento de Caderno”. Como já faz algum tempo que o li, pode ser que não consiga reproduzir exatamente suas assertivas. Mas a tal síndrome seria um dos indicadores de que algo vai mal em relação à imagem pública de quem, de uma hora para outra, passa a figurar no noticiário em editorias diferentes daquelas onde é citado normalmente.

É assim: se uma empresa costuma frequentar o caderno de negócios dos jornais, logo terá problemas se passar a figurar no de política ou, pior ainda, no noticiário policial. É mau-agouro.

Bem, dito isso, entro no assunto que queria abordar: a economia.

Já há algumas semanas a economia brasileira vem ocupando cada vez mais espaço nos cadernos de política.  Seria a tal “Síndrome do Deslocamento de Caderno” descrita por Mário Rosa ?

As notícias não são boas. Redução do PIB, frustração de expectativas, desemprego incipiente. A GM fechando uma unidade aqui, metalúrgicas que se transformam em importadoras de concorrentes chineses. A coisa não vai bem.

E por que não vai bem ? Não vai bem basicamente porque a Europa faliu e a China, seu principal fornecedor, não tem a quem exportar tudo o que produz. Não tendo a quem vender, não tem  por que comprar. É aí que a vaca da nossa felicidade vai caminhando para o brejo. Somos bons fornecedores de matéria-prima para a indústria chinesa.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concedeu uma longa entrevista para as Páginas Amarelas de Veja esta semana. Foi ao fulcro do problema. Ao longo da era petista, o governo focou no consumo, e não na produção. Agora, faltam-nos condições de competitividade para enfrentar a predatória concorrência global.

O ex-presidente não disse, talvez porque isso poderia parecer um elogio a seus contendores, mas o Brasil conseguiu aguentar o tranco da crise inaugurada em 2008 com o vigor de seu mercado interno. Agora, no entanto, ele não parece ser suficiente para fazer girar a roda virtuosa da economia. Os pátios das fábricas estão lotados. Endividada, a população não tem como comprar carros em número suficiente para assegurar a continuidade da produção nas linhas de montagem. O mesmo ocorre em outros segmentos da economia.

A nova classe média, que cravou conquistas importantes nos últimos anos, vê-se ameaçada de perder a TV de LED para o credor, o carro para a financeira e o emprego para a crise.  E, para quem já teve um dia, a perda de algo pode ser muito mais dolorida.

Com o deslocamento da economia para a editoria de política, resta apenas saber quanto tempo a população vai levar para perceber o efeito previsto por Mário Rosa.

Num ano eleitoral como este, pode ser que ele já esteja começando a se manifestar nos índices risíveis dos candidatos petistas que, a despeito do patrono Lula, não conseguem sair da vala dos nanicos.

É o caso de Fernando Haddad, a maior aposta — e também de maior risco — do ex-presidente Lula.

Metalúrgicos param produção na GM de São José dos Campos por 24 horas

Os metalúrgicos da montadora General Motors em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, estão de braços cruzados. A paralisação por 24 horas é um protesto contra a possibilidade de a empresa fechar um setor da operação, provocando demissões que podem chegar a 1.500 trabalhadores. Desde o início de junho, 356 funcionários já foram demitidos na unidade.

A empresa não soube informar quantos funcionários participam do manifesto. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, 4 mil funcionários do 1º turno estão parados.

A GM de São José dos Campos produz os modelos Corsa, Classic, Meriva e S10, além de motores e kits para exportação.

Beba na fonte: Metalúrgicos param produção na GM de São José dos Campos por 24 horas – economia – - Estadão.

Sem perspectivas de melhora na crise mundial, projeções de crescimento seguem ladeira abaixo

As perspectivas de crescimento para economia global este ano estão piorando, refletindo a crise do euro, a desaceleração das duas maiores economias do planeta, Estados Unidos e China, e o enfraquecimento dos países emergentes. Bancos, consultorias e instituições já estão refazendo seus cálculos para baixo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) previa crescimento de 3,5% da economia mundial, mas o número será revisado para algo mais próximo de 3%. Em relatório global divulgado recentemente, o Citi reduziu sua expectativa de 2,7% para 2,6%. E a consultoria Tendências, de São Paulo, espera um crescimento de 3,1% contra os 3,5% previstos anteriormente.
O vice-presidente executivo de tesouraria do banco WestLB, Ures Folchini, avalia que os sinais de desaceleração econômica, em diferentes partes do mundo, se intensificaram nas últimas semanas. Na sexta-feira, a China reportou um crescimento de 7,6% da economia no segundo trimestre, o menor número desde 2009. Os Estados Unidos, que vinham criando cerca de 200 mil novos empregos por mês, no início do ano, em junho criaram apenas 80 mil. Um sinal de que a engrenagem econômica está funcionando num ritmo abaixo do esperado.
E, no Brasil, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), elaborado pelo Banco Central, mostrou, na semana passada, que a atividade econômica recuou 0,02% em maio, apesar de vários incentivos fiscais do governo para a indústria, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros novos e alguns itens da linha branca. E apesar de todos os estímulos ao crédito, com reduções seguidas de juro ao consumidor, as vendas no varejo brasileiro surpreenderam em maio ao recuar 0,8% frente a abril. Foi a maior queda desde novembro de 2008. No primeiro trimestre, o crescimento do PIB brasileiro ficou em 0,2%, segundo o IBGE.

Beba na fonte: Sem perspectivas de melhora na crise mundial, projeções de crescimento seguem ladeira abaixo – O Globo.

Com economia em marcha lenta, Dilma diz que PIB não é tudo

Diante das evidências de que o crescimento econômico brasileiro neste ano não deve ficar muito acima de 2%, a presidente Dilma Rousseff procurou ontem minimizar a importância do PIB (Produto Interno Bruto), ressaltando que ele não é o indicador mais adequado para comparações internacionais.

“Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e para seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto. É a capacidade do país, do governo e da sociedade de proteger o que é o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes”, afirmou, na 9ª Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente.

No mês passado, o tom era outro. Numa cerimônia com atletas que vão participar dos Jogos Olímpicos de Londres, Dilma chegou a dizer que o PIB deste ano vai merecer uma medalha: “Você vai ver se não vai merecer [medalha]. Nós estamos no esquentamento”, disse.

O discurso de Dilma desdenhando o PIB veio em um momento em que economistas de dentro e de fora do governo têm revisado para baixo suas projeções de alta do indicador em 2012.

Em junho, o Banco Central reduziu de 3,5% para 2,5% sua estimativa. Nos bastidores, o próprio governo já trabalha com um crescimento de apenas 2% neste ano.

Divulgado ontem, o indicador de atividade econômica do Banco Central, considerado uma prévia do PIB, apontou uma queda de 0,02% em maio em relação a abril.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Com economia em marcha lenta, Dilma diz que PIB não é tudo – 13/07/2012.

Acusação de lavagem de dinheiro derruba ações do HSBC

Reuters

As ações da HSBC Holdings caíam nesta quinta-feira, após o Financial Times ter noticiado que o banco pode ser multado em 1 bilhão de dólares devido à investigação por autoridades nos Estados Unidos contra lavagem de dinheiro.

Às 9h32, a ação da instituição britânica caía 1,90 por cento, para 557,9 pence, abaixo da queda do índice de referência britânico FTSE.

O HSBC não quis comentar o potencial nível de multa, mas em seu relatório anual em fevereiro afirmou que quaisquer multas ou penalidades impostas podem ser “significantes”.

A comissão do Senado informou na quarta-feira que vai detalhar as descobertas de sua investigação em uma audiência em 17 de julho chamada “Vulnerabilidades a Lavagem de Dinheiro, Drogas e Financiamento a Terrorismo: o Caso HSBC”.

Uma multa de 1 bilhão de dólares, se aplicada, seria maior do que as penas aplicadas aos bancos ING Bank e Wachovia para ofensas relacionadas à movimentação de fundos ilícitos.

Beba na fonte: Ação do HSBC cai após matéria sobre multa de US$1 bi nos EUA – economia – geraleconomia – Estadão.

Poupança ganha da maioria dos fundos

LUIZ GUILHERME GERBELLI  e EDUARDO CUCOLO

Mesmo com a tributação alterada, a poupança deve seguir como um investimento mais vantajoso do que os fundos de renda fixa. O consenso entre os especialistas é que a aplicação deve bater pelo menos os fundos com taxa de administração superior a 1%, que é a maioria.

A poupança, com a nova queda da Selic, terá um rendimento de 5,6% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), que deve ser praticamente zero. “O cenário não muda. A maior probabilidade é de que os fundos que cobrarem 1% ou mais de taxa de administração deverão empatar ou perder com a poupança”, afirma o economista José Dutra Vieira Sobrinho.

Desde maio, quando a Selic caiu para 8,50% ao ano, a rentabilidade dos depósitos realizados na poupança passou a ter como referência 70% da Selic mais a TR. Os depósitos anteriores continuam com a regra antiga da poupança: 0,5% ao mês mais a TR.

No cálculo de Dutra, até uma aplicação num fundo de renda fixa com prazo superior a dois anos – ou seja, com 15% de incidência de Imposto de Renda -, mas com taxa de administração de 1% vai render menos do que na poupança. “Como a grande maioria dos fundos tem uma taxa de administração superior a 1%, praticamente todos os aplicadores em fundos vão perder”, afirma o economista. “Quem tem dinheiro na poupança antiga não deve mexer”, recomenda.

Dados do Banco Central mostram que os depósitos da nova caderneta renderam, em média, 0,4923% ao mês. Os depósitos antigos tiveram rendimento de 0,5095% ao mês. Em uma aplicação de R$ 1 mil, a diferença seria de R$ 0,17 no mês. Com a redução da taxa de juros ontem, a rentabilidade da nova poupança cairá para 0,4551% ao mês.

A principal vantagem da poupança é que ela não tem incidência de IR e taxa de administração. “A poupança vai ser o melhor investimento financeiro. É uma aplicação segura e sem risco”, diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Beba na fonte: Poupança ganha da maioria dos fundos – economia – versaoimpressa – Estadão.

Emprego industrial tem maior queda em 2 anos e meio

Com empresários menos confiantes, o emprego na indústria voltou a cair. Maio foi o oitavo mês consecutivo de queda e apresentou o pior desempenho mensal desde dezembro de 2009, de acordo com o IBGE.

Na comparação com abril, o recuo do total de empregados foi de 1,7%, nível de retração que não se via desde o auge da crise internacional de 2008-2009.

No acumulado do ano, a perda é de 1,1%. A indústria paulista, mais diversificada e com maior peso nas exportações, gerou o principal impacto no fechamento de vagas: perda de 3,2% no ano.

Outra constatação é que a tendência de piora do mercado de trabalho industrial está disseminada: ocorreu em 12 dos 18 ramos avaliados e 12 de 14 regiões pesquisadas.

André Macedo, técnico do IBGE, diz que há uma piora “gradual” e cada vez mais intensa em todos os indicadores de trabalho na indústria.

Para ele, o setor patina com a crise, que fecha mercados no exterior para produtos brasileiros e, ao mesmo tempo, permite uma “invasão” de importados que não encontram espaço em seus países de origem.

A indústria também sofre com o enfraquecimento do consumo doméstico, a inadimplência em alta e o menor otimismo de empresários, apesar da queda dos juros.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Emprego industrial tem maior queda em 2 anos e meio – 11/07/2012.

Contra crise, BCs da Europa e da China derrubam os juros

RODRIGO RUSSO

Em uma ação para estimular a economia, os bancos centrais da zona do euro e da China reduziram a taxa de juros. Com o mesmo objetivo, o Banco da Inglaterra (BC do Reino Unido) anunciou que vai aumentar a oferta de moeda no mercado.

O Banco Central Europeu (BCE) cortou sua taxa de juros de 1% para 0,75%, o menor índice desde a adoção do euro. A redução vinha sendo cobrada pelo mercado para mitigar os efeitos da crise na zona do euro.

Segundo o presidente do BCE, Mario Draghi, a decisão teve por base a confirmação da desaceleração econômica na região. No primeiro trimestre deste ano, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro ficou estagnado em relação ao fim de 2011. Teme-se uma contração econômica no segundo trimestre deste ano.

Para Draghi, o crescimento na região segue fraco e as pressões de inflação “devem continuar em linha com a estabilidade de preços no médio prazo”. O BCE não cortava os juros desde dezembro.

Mesmo durante a crise de 2008, após problemas com o banco Lehman Brothers, o BCE não reduziu a taxa abaixo de 1%, mas a gestão de Draghi tem feito esforços para estimular o crescimento.

Também ontem, o Banco da Inglaterra manteve em 0,5% sua taxa de juros, mas anunciou a ampliação de seu programa de compra de ativos em 50 bilhões de libras, chegando ao total de 375 bilhões de libras (US$ 585 bilhões). De acordo com o comitê de política monetária da instituição, a nova fase do programa, que começou após a crise de 2008, será adotada nos próximos meses.

O comunicado do Banco da Inglaterra explica que a decisão teve por base o cenário frágil do Reino Unido, em recessão no último semestre.

Apesar das medidas anunciadas ontem, as principais Bolsas da Europa fecharam o dia em baixa -apenas Londres teve pequena alta.

As medidas dos três bancos centrais -anunciadas no espaço de uma hora- levantaram a suspeita de uma ação coordenada, que seria fruto da avaliação de que a crise é mais grave do que se admite em declarações públicas. Draghi negou coordenação entre os BCs. Outro temor é o de que os instrumentos anticrise estejam se esgotando e que possam tornar-se inócuos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Contra crise, BCs da Europa e da China derrubam os juros – 06/07/2012.

Com queda no preço dos automóveis, inflação perde força em junho

Daniela Amorim

O índice oficial de inflação perdeu força em junho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês passado com alta de 0,08%, ante uma variação de 0,36% em maio. Foi o menor resultado desde agosto de 2010, quando o indicador ficou em 0,04%.

O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de uma taxa de 0,05% a 0,19%, e abaixo da mediana, de 0,12%.

A taxa acumulada em 12 meses manteve a trajetória de convergência para o centro da meta estipulada pelo governo, de 4,5%, ao sair de 4,99% em maio para 4,92% em junho. O resultado em 12 meses até o mês passado é o mais baixo desde setembro de 2010, quando ficou em 4,70%. Em junho de 2011, o IPCA havia ficado em 0,15%.

Transportes

A deflação no grupo Transportes foi a principal responsável pelo freio na inflação medida pelo IPCA em junho. O grupo saiu de um recuo de 0,58% em maio para uma queda de 1,18% em junho. O resultado foi um impacto de -0,24 ponto porcentual na taxa do IPCA do mês (0,08%).

O item automóveis novos ficou 5,48% mais barato em junho, graças à redução de IPI anunciada pelo governo a partir de 21 de maio. Esta queda resultou no maior impacto por item no IPCA de junho: -0,19 ponto porcentual.

O item automóveis usados também teve preço reduzido no mês passado, a reboque do barateamento dos novos. A queda foi de 4,12%, um impacto de -0,07 ponto porcentual.

Juntos, os automóveis novos e usados exerceram uma influência negativa de 0,26 ponto porcentual no IPCA de junho.

Também caíram os preços dos combustíveis, embora de forma menos acentuada (de -0,64% em maio para -0,51% em junho). O etanol recuou 1,24% no mês passado (-1,34% no mês anterior) e a gasolina caiu 0,41% (-0,52%). Ficaram mais baratos também os acessórios e peças para automóveis (de 0,06% para -0,48%), motocicletas (de 0,50% para -0,42%) e seguro voluntário (de 1,67% para -0,04%).

Beba na fonte: Com queda no preço dos automóveis, inflação perde força em junho – economia – brasil – Estadão.

Mantega diz que crise atual é tão grave quanto a de 2008

MARIANA CARNEIRO

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou ontem que a crise atual é tão grave quanto a de 2008 e que está provocando os mesmos efeitos deletérios sobre a economia.

Na avaliação de Mantega, a crise começou lentamente, mas está se agravando.

“Essa crise parece menos intensa do que a de 2008, mas não é”, disse. “Agora é uma crise que começa lentamente e vai se agravando e criando os mesmos efeitos deletérios daquele momento. Hoje já temos efeitos semelhantes aos de 2008.”

Os principais efeitos da crise, diz o ministro, recaem sobre a indústria. Mas, enfatizou Mantega, não só aqui e atinge também a China.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Mantega diz que crise atual é tão grave quanto a de 2008 – 05/07/2012.

Governo já fala em PIB de 2% e adia recuperação para 2013

VALDO CRUZ

O governo Dilma adiou mais uma vez a previsão de recuperação da economia brasileira e já trabalha com um crescimento neste ano de apenas 2%, menos do que a última projeção oficial do Banco Central, de 2,5%.

Na avaliação de assessores presidenciais, o tombo da indústria em maio mostra que a retomada da economia está demorando mais do que o previsto por conta de endividamento, comprometimento da renda familiar e baixa competitividade da indústria.

Segundo a Folha apurou, o governo espera agora que apenas em junho ou julho a economia comece a dar sinais mais significativos de aquecimento, o que antes era previsto pela equipe econômica para maio. Isso aponta para um crescimento de 2% nas avaliações técnicas. O mercado já trabalha com esse dado.

“Os números da indústria mostram que o crescimento está mais para 2% do que 2,5%”, disse à Folha um assessor presidencial que pediu para não ser identificado, já que publicamente o governo não quer jogar a toalha.

Questionada sobre os dados ruins da produção industrial -que recuou 4,3% em maio, na comparação com 2011-, a presidente Dilma disse: “Vamos virar esse jogo”. Antes, durante discurso de lançamento do Plano de Safra da Agricultura Familiar, afirmou que o governo continuará adotando uma política “extremamente agressiva” de compras governamentais para enfrentar a crise.

A ala mais otimista da equipe presidencial ainda nutre a esperança de o crescimento chegar a 2,5%.

Depois de abandonar a meta de crescimento acima de 4%, o governo chegou a acreditar que era possível crescer em 2012 na casa de 2,7%, mesma taxa do ano passado.

Assessores da presidente destacam, por outro lado, que o fraco desempenho da economia abre espaço para o Banco Central testar níveis mais baixos para a taxa de juros, hoje em 8,5% ao ano.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Governo já fala em PIB de 2% e adia recuperação para 2013 – 05/07/2012.

Indústria tem novo tombo mesmo após medidas do governo

Diante de um cenário externo ruim e de um esfriamento de demanda doméstica, as medidas adotadas pelo governo para reaquecer a indústria foram insuficientes para evitar que o quadro de contração do setor continuasse se agravando em maio.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial caiu 0,9% ante abril, terceira queda mensal seguida. A contração foi puxada principalmente pela fabricação menor de veículos e de alimentos, os dois segmentos com maior peso na indústria.

Na comparação com maio do ano passado, a produção industrial caiu 4,3%. Foi a maior queda desde setembro de 2009 e a nona retração anual consecutiva.

Com isso, produção acumulada nos primeiros cinco meses de 2012 foi 3,4% menor que a registrada do mesmo período do ano passado.

A retração da indústria, tanto em maio quanto no acumulado do ano, foi puxada por fortes quedas, de cerca de 10%, na produção de bens de capital (como máquinas e caminhões) e de bens de consumo duráveis (como carros e aparelhos celulares).

A queda da produção de bens de capital reflete a redução dos investimentos de empresários, que estão mais cautelosos por causa da demanda doméstica mais fraca e do cenário externo incerto.

Desde agosto, o Banco Central já reduziu a taxa de juros (Selic) de 12,5% para 8,5% ao ano, medida que torna mais baratos os financiamentos para investir.

“Mas isso não foi capaz de impulsionar ainda os investimentos exatamente porque o empresário não vê um crescimento forte de consumo à frente”, diz o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Indústria tem novo tombo mesmo após medidas do governo – 04/07/2012.

Tecnicamente, indústria brasileira está em recessão após 9 meses de queda

Com informações do site do IBGE

A produção industrial recuou 0,9% na passagem de abril para maio, na série livre de influências sazonais, terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, acumulando nesse período perda de 2,0%.

Frente a igual mês do ano anterior, o total da indústria apontou queda de 4,3% em maio de 2012, nono resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso desde setembro de 2009 (-7,6%). Assim, o setor industrial acumulou perda de 3,4% nos cinco primeiros meses de 2012. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos 12 meses, ao recuar 1,8% em maio de 2012, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em outubro de 2010 (11,8%) e assinalou a taxa negativa mais intensa desde fevereiro de 2010 (-2,6%).

Plano Safra tem redução de 18,5% no juro ao produtor

O governo anunciou ontem “o maior Plano Safra da história”, no qual dará R$ 115,25 bilhões de crédito agrícola para a safra 2012/2013, com redução média de 18,5% de taxa de juros ao produtor.

Segundo Dilma Rousseff, que delineou o plano ontem com o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura), o estímulo serve para mostrar que “a agricultura exerce papel essencial” no enfrentamento da crise internacional, gerando emprego e renda.

As medidas anunciadas ontem beneficiam a agricultura empresarial. O setor responde por 25% do PIB, e sua queda, devido à quebra na safra de soja, foi a maior responsável por brecar a economia no primeiro trimestre.

Embora o aumento total da verba ao crédito agrícola seja de 7,5% em relação ao Plano Safra de 2011, a parcela do dinheiro que terá juros controlados pelo governo (e subsidiados) cresceu quase 20% em relação a 2011. Os juros caíram para investimento, custeio e agricultura sustentável.

Limites de financiamento para custeio de produção foram ampliados de R$ 650 mil a R$ 800 mil por produtor.

“Queremos que o produtor rural concentre sua energia na terra, na colheita, e não na hipoteca”, explicou Dilma.

A presidente também disse que o governo estuda criar uma agência de assistência técnica e extensão rural, para “disseminar as melhores práticas” na agricultura.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mercado – Plano Safra tem redução de 18,5% no juro ao produtor – 29/06/2012.

Moody’s rebaixa nota de oito bancos brasileiros

A agência de classificação Moody’s rebaixou nesta quarta-feira a nota de crédito de longo prazo de oito instituições financeiras brasileiras em até três níveis. Em uma ação de revisão global de notas, os bancos Bradesco, Itaú Unibanco e o banco de investimentos do Banco Itaú BBA foram rebaixados em um grau acima do rating soberano1, caindo três posições (da nota A1 para o rating Baa1), mas continuam em perspectiva positiva.
Já as instituições Banco do Brasil (BB), Safra, Santander e HSBC Bank Brasil – Banco Múltiplo foram realocadas ao nível do rating de crédito soberano do Brasil, ou seja, o grau de investimento Baa2, refletindo a opinião da agência de que a capacidade de crédito dessas instituições, em última análise, não pode ser completamente desvinculada da força de crédito do governo.
Os bancos Santander e HSBC foram da nota A3 para Baa2, registrando uma queda de dois níveis, mas em perspectiva positiva. O BB, que era classificado em A2, caiu três classificações, e o Safra, de rating Baa1, foi rebaixado em apenas um nível, ficando também previsão positiva.
O caso mais grave foi o do Banco Votorantim, que foi rebaixado em um grau abaixo do nível do rating da dívida soberana brasileira, de Baa2 para Baa3. Segundo a agência, a reclassificação refletiu o mau desempenho financeiro da instituição, incluindo a fraca qualidade e rentabilidade dos ativos e as perspectivas negativas para a sua solidez financeira. Apesar da reclassificação, as previsões são estáveis para o banco.
A agência justificou a decisão de revisão das notas com o argumento principal de que as instituições brasileiras estariam suscetíveis a uma possível crise da dívida do governo, já que estão ligados diretamente a oscilações de títulos da dívida soberana brasileira.

Beba na fonte: Moody’s rebaixa nota de oito bancos brasileiros – O Globo.

Banco diz que Brasil vai crescer 1,5% neste ano e irrita governo

DENISE LUNA E MARIANA SCHREIBER

O banco Credit Suisse reduziu ontem sua projeção para o crescimento do Brasil em 2012 de 2% para 1,5%. A mudança irritou o governo.

Ao deixar seu hotel no Rio de Janeiro em direção à conferência Rio+20, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou a nova projeção: “É uma piada, vai ser muito mais que isso”, afirmou.

Também na Rio+20, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que essa é a visão de um banco europeu e que é preciso levar em consideração a “crise em que eles estão mergulhados”.

“Nós, brasileiros, somos um pouco mais otimistas. Estamos vendo dinamismo da nossa economia e acho que as medidas que o governo tomou estão destravando os investimentos para o segundo semestre. Nós vamos crescer mais do que isso”, afirmou, sem citar números.

O Credit Suisse não quis comentar as declarações do governo. O banco informou apenas que o relatório foi elaborado pelo brasileiro Nilson Teixeira, economista-chefe responsável pela divisão de mercados emergentes do Credit Suisse Brasil.

As projeções de crescimento para o Brasil em 2012 vêm recuando desde o ano passado, mas passaram a cair com mais força há um mês, diante dos sinais de que a economia segue muito fraca.

Consultorias brasileiras também apontam para um crescimento inferior a 2% neste ano. A Tendências vê uma expansão de 1,9%, enquanto a MB Associados está revendo sua projeção.

“Vamos revisar nossa projeção de 2%, provavelmente para um número próximo de 1,5%”, contou o economista-chefe da MB, Sérgio Vale.

Esses cortes se devem principalmente à queda dos investimentos, diz Vale. Segundo ele, os empresários estão temerosos em investir por causa da grande incerteza gerada pela crise na Europa.

“Até a crise se resolver, é difícil estimular a economia. O PIB de 2012 está praticamente perdido. Não dá para dizer que é piada”, afirmou.

Além da piora dos investimentos, o relatório do Credit Suisse aponta o fraco desempenho da indústria e a expansão menor do consumo interno e do setor de serviços como fatores que justificam o corte na projeção para o PIB.

Entra na conta também a retração do setor agropecuário, afetado por problemas climáticos no início do ano.

O governo já adotou várias medidas de estímulo desde agosto, como cortes de impostos e na taxa de juros.

Isso deve acelerar o crescimento econômico no segundo semestre do ano, observa o economista-chefe da corretora CGD, Mauro Schneider.

Apesar disso, ele também prevê um crescimento modesto no ano, de apenas 1,8%.

“Juros menores estimulam a economia, mas outros problemas limitam o crescimento, como tributos altos e infraestrutura ruim”, disse.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Banco diz que Brasil vai crescer 1,5% neste ano e irrita governo – 21/06/2012.

Brasil crescerá menos, afirma Banco Mundial

O Banco Mundial refez as estimativas de crescimento para o Brasil em 2012 e 2013. De acordo com a instituição, o país deverá crescer, no máximo, 2,9% neste ano. A previsão anterior era 3,4%.

Para 2013, o banco estima um incremento de 4,2%. Em janeiro, a projeção era de 4,4%. Os dados estão no relatório “Projeções para a Economia Global”, divulgado ontem.

No mesmo documento, o banco divulgou pela primeira vez previsões para 2014. Mesmo com a Copa do Mundo, projetou que a economia brasileira não crescerá mais que 3,9%.

Apesar das ressalvas, as previsões para o Brasil são mais melhores que as dos países ricos. O banco estima que os mercados da zona do euro tenham retração de 0,3% neste ano.

(VERENA FORNETTI)

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Brasil crescerá menos, afirma Banco Mundial – 13/06/2012.

Pessimismo aumenta e analistas estimam crescimento menor até 2013

Fernando Nakagawa e Patricia Lara, da Agência Estado
O corte de 0,50 ponto porcentual da Selic, que passou de 9% para 8,50% no dia 30 de maio após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) não deu confiança aos analistas sobre o ritmo da economia brasileira no próximo ano. Ao contrário, a pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, mostrou que os analistas revisaram em baixa também a previsão de crescimento da economia para 2013, que passou de 4,50% para 4,30%.

O prognóstico volta agora ao patamar previsto na pesquisa divulgada no dia 14 de maio, quando os analistas projetavam expansão de 4,30% para 2013. Na pesquisa subsequente, no dia 21 de maio, os analistas mostravam-se mais otimismo e elevaram o prognóstico para o ritmo da economia local de 4,30% para 4,50% em 2013.

Economia em 2012

O mercado financeiro reduziu pela quinta semana consecutiva a aposta de crescimento da economia brasileira em 2012 e já prevê que a expansão neste ano será menor que a observada em 2011. A previsão dos analistas para a expansão do PIB em 2012 recuou de 2,72% para 2,53%. A nova previsão, portanto, é de que a economia crescerá menos que os 2,7% do ano passado. Quatro semanas atrás, a projeção era maior, de crescimento de 3,20%.

Uma das principais causas do pessimismo com a economia é a indústria. Entre os analistas, a estimativa de crescimento do setor em 2012 caiu de 1,15% para 1%. Para 2013, economistas preveem recuperação. Ainda assim, a estimativa de avanço industrial piorou de 4,25% para 4,20%. Um mês antes, a pesquisa apontava cenário com crescimento industrial de 1,94% neste ano e de 3,95% no próximo ano.

Analistas mantiveram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012 em 35,85%. Para 2013, a projeção seguiu em 34,25%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 36% e 34,6% do PIB para cada um dos dois anos.

IPCA

O mercado financeiro reduziu mais uma vez a projeção de alta do IPCA em 2012. Nesta semana, a mediana das expectativas recuou de 5,15% para 5,03%. Há quatro semanas, a estimativa para a inflação oficial era de 5,22%. Para 2013, a projeção manteve-se em 5,60% pela terceira semana seguida. Há um mês, estava em 5,53%.

A projeção de alta da inflação para os próximos 12 meses, por sua vez, manteve-se em 5,50%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 5,53%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo caiu de 5,24% para 5,02%. Para 2013, a previsão dos cinco analistas recuou de 5,85% para 5,50%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 5,22% e 5,80% para cada ano, respectivamente.

Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA em junho de 2012 recuou de 0,25% para 0,23%, abaixo do 0,28% estimado há um mês. Para julho, a previsão seguiu em 0,20%, ante 0,23% de quatro semanas atrás.

Selic segue em 8%

Boa parte do mercado financeiro não alterou suas estimativas para o patamar do juro. Por enquanto, prevalece a aposta de que o juro básico da economia, a Selic, deve terminar o ano em 8%. Porém, o grupo dos analistas que mais acertam as estimativas no levantamento do BC, o chamado Top 5, já prevê taxa menor no fim do ano.

Entre todos os analistas, a mediana das estimativas para o patamar da taxa Selic no fim de 2012 seguiu em 8% ao ano pela quarta semana consecutiva. De acordo com esse prognóstico, a Selic cairia apenas mais uma vez, 0,50 ponto porcentual, na reunião de julho. Essa estimativa, porém, pode ser revisada diante de uma ata que deixa aberta a possibilidade de cortes adicionais. Além disso, o documento foi divulgado na sexta passada, entre um feriado e o fim de semana. No chamado Top 5, essa revisão de cenário pós ata parece ter começado. No grupo, a previsão para o juro no fim do ano no cenário de médio prazo caiu de 8% para 7,75%.

Beba na fonte: Pessimismo aumenta e analistas estimam crescimento menor até 2013 – economia – brasil – Estadão.

Inflação anual cai para 4,99% com a freada da economia

PEDRO SOARES

A forte freada da economia, a moderação do consumo e a crise externa estão ajudando a conter os aumentos de preços para o consumidor, o que abre caminho para o Banco Central promover novos cortes nos juros nos próximos meses.

O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 0,36% em maio. Ficou abaixo das previsões do mercado e foi inferior à taxa de abril (0,64%). A taxa acumulada nos 12 meses até maio atingiu 4,99%, a mais baixa desde setembro de 2010, segundo o IBGE.

Apontado pelos dados do PIB do primeiro trimestre (alta de apenas 0,2%), o menor ritmo de atividade da economia e o receio de ampliar gastos em tempos de inadimplência crescente rebateram nos preços dos serviços, até então vilões da inflação.

Com o consumo menos aquecido e uma folga menor no orçamento, comprometido para saldar dívidas, os preços dos serviços (de refeições fora de casa a empregados domésticos) subiram 0,21% em abril, menor nível desde outubro de 2009. Caíram os preços de serviços como passagens aéreas, pacotes de viagens, hotéis e outros.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Inflação anual cai para 4,99% com a freada da economia – 07/06/2012.

Retirada de investimento é a maior desde 2008

MARIANA SCHREIBER E MARIANA CARNEIRO

A piora da crise na Europa e o fraco desempenho da economia brasileira provocaram uma forte retirada de dólares do país em maio.

O saldo da conta financeira ficou negativo em US$ 6,3 bilhões no mês passado, pior resultado desde novembro de 2008, quando o mundo estava em pânico devido à quebra de bancos nos EUA.

A conta financeira contabiliza todos os dólares que entram e saem do país em transações não comerciais.

Já as trocas comerciais resultaram num saldo positivo de US$ 3,6 bilhões em maio, compensando parte do deficit financeiro. Ainda assim, o fluxo total de dólares ficou negativo em US$ 2,7 bilhões, maior deficit em dois anos.

Economistas explicam que é comum que investidores externos repatriem seu dinheiro em momentos de incerteza. Além disso, dizem, a redução do crescimento e a queda dos juros no Brasil diminuem a rentabilidade das aplicações, estimulando também a saída de recursos.

Para completar, acrescentam, alguns investimentos aqui estão mais caros devido a uma série de medidas adotadas pelo governo ao longo dos últimos anos para conter a valorização do real.

Mas, apesar da saída de dólares na conta financeira ter sido a maior em mais de três anos, economistas discordam sobre a gravidade do quadro.

Alfredo Barbutti, da corretora BCG Liquidez, diz que a conta financeira é muito volátil. Dada a forte instabilidade no exterior, ele não considera que houve uma saída expressiva de recursos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Retirada de investimento é a maior desde 2008 – 07/06/2012.

Inflação oficial desacelera em maio e fica em 0,36%

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,36% em maio, ante uma variação de 0,64% em abril, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou abaixo do piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de uma taxa de 0,37% a 0,47%, com mediana de 0,42%.

Até maio, o IPCA acumula altas de 2,24% no ano e de 4,99% nos últimos 12 meses. O índice mede a variação de preços para as famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.

Baixa renda

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,55% em maio, após ter registrado alta de 0,64% em abril. Com o resultado, o índice acumulou alta de 2,29% em 2012 e de 4,86% nos 12 meses encerrados em maio. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos.

Beba na fonte: Inflação oficial desacelera em maio e fica em 0,36% – economia – brasil – Estadão.

PIB do 1º trimestre de 2012 sobe 0,2% ante 4º trimestre de 2011

Daniela Amorim e Mariana Durão
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou aumento de 0,2% no primeiro trimestre de 2012 em relação ao quarto trimestre de 2011, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou no piso do intervalo das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, que esperavam alta de 0,20% a 0,80%, e abaixo da mediana projetada, de 0,50%.

Em valores correntes, o PIB do primeiro trimestre somou R$ 1,033 trilhão.

Os setores de agropecuária e investimentos apresentaram queda e influenciaram o crescimento tímido do PIB.

Na comparação do primeiro trimestre deste ano com o quarto trimestre de 2011, o PIB da agropecuária caiu 7,3% e os investimentos – representados pelo item Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – caíram 1,8%. A taxa de investimento (FBCF/PIB) no primeiro trimestre de 2012 foi de 18,7%.

O PIB da agropecuária teve a maior queda desde o terceiro trimestre de 2005, quando caiu 7,4% em comparação ao trimestre imediatamente anterior.

Os investimentos no primeiro trimestre de 2012 tiveram seu pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, quando a queda foi de 12,8% frente ao trimestre anterior.

Crescimento

O desempenho da indústria, serviços, consumo das famílias e do governo garantiu o crescimento do PIB no período.

Na indústria, o PIB subiu 1,7% no primeiro trimestre contra o quarto trimestre de 2011. Após três recuos consecutivos, o desempenho da indústria teve a maior alta na margem desde o primeiro trimestre de 2010, quando subiu 2,6%.

Já em serviços a alta foi de 0,6% no período. O consumo das famílias, segundo o IBGE, registrou alta de 1,0%. O consumo do governo, por sua vez, teve alta de 1,5% no primeiro trimestre de 2012 ante o quarto trimestre de 2011.

O consumo das famílias repetiu o resultado do quarto trimestre do ano passado (alta de 1%), o melhor desde o último trimestre de 2010. Naquele trimestre houve alta de 1,9%.

As exportações cresceram 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2011. Já as importações contabilizadas no PIB aumentaram 1,1% no primeiro trimestre na comparação com o quarto trimestre do ano passado. A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

Comparação com 1º trimestre de 2011

Na comparação do primeiro trimestre de 2012 com o mesmo período do ano passado, o PIB do País apresentou alta de 0,8% nos primeiros três meses deste ano, resultado que ficou dentro das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que variavam de 0,60% a 2,10%, com mediana de 1,30%.

Já o PIB da Agropecuária teve queda de 8,5% nos três primeiros meses deste ano na comparação com o primeiro trimestre de 2011, enquanto os investimentos (FBCF) recuaram 2,1% no primeiro trimestre deste ano.

O PIB da indústria mostrou alta de 0,1% na comparação entre o primeiro trimestre de 2012 e 2011. O segmento de serviços mostrou alta 1,6% e o consumo das famílias aumentou 2,5%. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o consumo do governo subiu 3,4%.

O IBGE informou ainda que, no primeiro trimestre de 2012, as vendas externas subiram 6,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2011. Em relação ao primeiro trimestre de 2011, as importações subiram 6,3% no primeiro trimestre deste ano.

Beba na fonte: PIB do 1º trimestre de 2012 sobe 0,2% ante 4º trimestre de 2011 – economia – brasil – Estadão.

Emprego e renda resistem ao agravamento da crise

Os trabalhadores brasileiros estão conseguindo conservar seus empregos e manter sua renda elevada, apesar do esfriamento da atividade econômica no país e do agravamento da crise externa.

A taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país atingiu 6% em abril, pouco abaixo da observada em março, informou ontem o IBGE.

Depois de seis meses seguidos de alta, o rendimento médio real dos trabalhadores, descontada a inflação, sofreu uma ligeira contração de 0,4% em abril, mas se encontra num nível 6,2% superior ao de abril do ano passado.

A força exibida pelo mercado de trabalho ajuda a entender por que a presidente Dilma Rousseff tem mantido elevados índices de popularidade apesar da forte desaceleração da atividade econômica nos últimos meses.

Além disso, a manutenção dos empregos e de elevados níveis de renda sugere que o mercado doméstico tem alguma força para sustentar o consumo e a recuperação da atividade econômica no segundo semestre.

MELHOR ABRIL

O início do ano normalmente é um período de aumento do desemprego, porque é quando são dispensados os trabalhadores contratados temporariamente para atender às encomendas do fim do ano anterior.

Esse movimento fez a taxa de desemprego subir no primeiro trimestre, mas agora chegou ao fim, segundo o gerente responsável pela pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo.

A taxa de desemprego registrada no mês passado foi a mais baixa observada no mês de abril desde 2002, de acordo com o IBGE.

O número de trabalhadores ocupados tem crescido em ritmo moderado desde meados do ano passado, nota o economista Fábio Ramos, da Quest Investimentos.

Isso indica que as empresas estão pensando duas vezes antes de fazer novas contratações, mas os números do IBGE sugerem também que empresas em dificuldades estão evitando fazer demissões.

“O empresário retém hoje o trabalhador porque teme gastar mais para recontratar e retreinar pessoal se as coisas melhorarem adiante”, explica o economista Fábio Silveira, da RC Consultores.

Alguns instituições como o Bradesco, no entanto, não descartam uma pequena alta da taxa de desemprego nos próximos meses, refletindo a fraca atividade da economia.

Sondagem da FGV com consumidores revelou aumento dos que dizem que está difícil encontrar emprego.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Emprego e renda resistem ao agravamento da crise – 25/05/2012.

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