Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the category “Internacional”

Vice-premier da Rússia xinga Madonna de ‘puta velha’ no Twitter

Após a musa do pop Madonna ter pedido a libertação das integrantes da banda Pussy Riot, em show em Moscou, o vice-premier da Rússia, Dmitry Rogozin, chamou a cantora de “puta velha” em um post em seu perfil no Twitter. Rogozin se irritou com o apoio da estrela às três jovens punks presas por terem feito um protesto contra Vladimir Putin em uma catedral ortodoxa russa. Minutos depois, ele acrescentou que ela devia “ou tirar a cruz, ou colocar calcinhas” para falar de moralismo.

“Com a idade, toda puta velha quer dar lições de moral. Principalmente em suas turnês internacionais”, disse o político, pelo perfil @Rogozin. “Que ela tire sua cruz, ou que ponha calcinhas.”

Em show na segunda-feira à noite no Estádio Olímpico de Moscou, Madonna pediu que a Justiça russa liberte as integrantes do Pussy Riot e tirou a blusa, mostrando seu sutiã preto e o nome da banda escrito nas costas. Ela usou ainda uma máscara cobrindo o rosto, semelhante à usada pelas integrantes do grupo punk.

- Eu sei que existem muitos lados para cada história, e eu não quero desrespeitar a Igreja ou o governo, mas acho que essas três meninas (Masha, Katya e Nadya) fizeram algo corajoso – disse Madonna. – Eu rezo pela liberdade delas.

Madonna também afirmou que acredita que as jovens já “pagaram o preço” do protesto, depois de passar cinco meses sob custódia desde a sua prisão. Se condenadas, Masha, Katya e Nadya podem passar três anos na prisão. Duas delas são mães de crianças pequenas.

Beba na fonte: Vice-premier da Rússia xinga Madonna no Twitter – O Globo.

Em carta a Dilma, HRW critica adesão da Venezuela ao Mercosul

A organização Human Rights Watch (HRW) enviou nesta sexta-feira, 3, uma carta para a presidente Dilma Rousseff e para o chanceler Antonio Patriota, em que critica a adesão recente da Venezuela ao Mercosul. Há duas semanas, a HRW publicou um extenso relatório sobre a situação de direitos humanos no país, classificando-a como “precária”.

No documento, assinado pelo diretor para as Américas da HRW, José Miguel Vivanco, a entidade afirma que “se os países-membros do Mercosul ignorarem o compromisso de proteger e promover os direitos básicos e as instituições democráticas, transmitirão a mensagem infeliz de que os compromissos internacionais no Protocolo de Assunção são promessas vãs”.

Segundo a entidade, sediada em Washington, a entrada da Venezuela no bloco é uma “oportunidade” para que o governo Dilma e os outros integrantes do Mercosul “enfrentem os graves problemas de direitos humanos na Venezuela atualmente”. A HRW destacou ainda a “responsabilidade” dos países de lidar com o tema.

Beba na fonte: Em carta a Dilma, ONG critica adesão da Venezuela ao Mercosul – internacional – geral – Estadão.

Chanceler paraguaio diz que entrada da Venezuela no Mercosul é ‘inaceitável’

Roberto Simon

“Inaceitável” foi a palavra que o chanceler paraguaio, José Félix Estigarribia, escolheu em entrevista exclusiva ao Estado para qualificar a entrada da Venezuela ontem no Mercosul, à revelia do Paraguai. Estigarribia afirma que seu ministério está tentando lutar contra setores importantes da sociedade paraguaia que querem bater a porta e sair do Mercosul.

Ao fim da entrevista, o diplomata de carreira desabafou. Disse que essa é a missão mais difícil à frente da chancelaria paraguaia desde os tempos de José Bérges, ministro durante a Guerra do Paraguai (1864-1870) – que acabou executado.

Leia a íntegra da entrevista em Chanceler paraguaio diz que entrada da Venezuela no Mercosul é ‘inaceitável’ – internacional – versaoimpressa – Estadão.

Chávez deve anunciar compra de 20 aviões da Embraer

Nesta segunda-feira, os chanceleres do Mercosul participaram de reunião em Brasília, em um encontro preparatório para a XLIII Cúpula Extraordinária dos Chefes de Estado do bloco, que será realizada amanhã. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a cúpula formalizará a entrada da Venezuela como membro pleno do bloco, e permitirá que o Brasil, que ocupa a presidência do bloco até dezembro de 2012, apresente suas prioridades. A expectativa é que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anuncie na reunião de amanhã a compra de 20 aeronaves E-190, da Embraer. Os aviões têm capacidade de 98 a 114 assentos.

Chávez chegou na Base Aérea de Brasília, na noite desta segunda-feira, por volta das19h30. Acompanhado de uma comitiva com cerca de 30 pessoas, entre assessores, segurança e jornalistas da imprensa oficial, o presidente disse que andar mais rápido é a forma de recuperar o tempo perdido no Mercosul.
— A forma de recuperar o tempo perdido é andar mais rápido. A entrada da Venezuela no Mercosul completa a equação.
Citando mais uma vez Simón Bolívar e a união dos países latino-americanos, Chávez ressaltou a importância da integração desses países.

Perguntado sobre seu estado de saúde, afirmou que está muito bem, e brincou: — Estou tão bem, que estou até de gravata nova.

Uma ambulância o acompanhou durante o trajeto até o Palácio da Alvorada, onde janta com a presidente Dilma Rousseff. Cristina Kirchner, da Argentina, e José Mujica, do Uruguai, chegam mais tarde. A reunião dos presidentes do bloco tem por objetivo saudar a entrada da Venezuela no bloco que, pelos prazos legais, entra efetivamente como membro no dia 13 de agosto.

De acordo com o Itamaraty, com o ingresso da Venezuela, o Mercosul contará com uma população de 270 milhões de habitantes (70% da população da América do Sul), um PIB a de US$ 3,3 trilhões (83,2% do PIB sul-americano) e um território de 12,7 milhões de km² (72% da área da América do Sul).

Beba na fonte: Mercosul: Chávez deve anunciar compra de 20 aviões da Embraer – O Globo.

Síria admite ter arma química

MARCELO NINIO

Num pronunciamento que elevou as preocupações de que a guerra civil na Síria escale para um novo patamar de violência, Damasco admitiu pela primeira vez possuir armas químicas e ameaçou usá-las caso sofra uma intervenção militar externa.

Pressionado pelo avanço das tropas rebeldes nas duas principais cidades do país, o regime ressaltou, porém, que não usará armas de destruição em massa contra civis.

“A Síria jamais usará qualquer arma química ou outras não convencionais contra seus civis e as usará só em caso de agressão externa”, disse o porta-voz da Chancelaria síria, Jihad Makdissi.

A ameaça foi feita em tom ambíguo, com ressalvas de que “tais armas, se elas existem”, estão armazenadas em lugar seguro, disse Makdissi.

Foi a primeira vez em que o regime mencionou seu arsenal de armas químicas, que especialistas suspeitam ser um dos maiores do mundo.

O temor de que o regime sírio recorra a armas não convencionais ronda a Síria desde o início da revolta contra o regime do ditador Bashar Assad, há 16 meses -a oposição já estima 19 mil mortos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Síria admite pela 1ª vez ter arma química – 24/07/2012.

Atirador é considerado um ‘fantasma’ online

A maioria das pessoas nascidas na geração 2.0 compartilha muito da vida na internet. Fotos de almoços com amigos, reclamações sobre o dia a dia, anseios e dúvidas existenciais enchem as redes sociais de perfis online. A história também tem mostrado que muitas vezes os atiradores solitários tendem a contar suas intenções na internet muito antes de cometer qualquer ato de violência. Mas James Holmes, jovem de 24 anos que abriu fogo em um cinema em Denver, no Colorado, e deixou 12 mortos, além de dezenas de feridos, parece ser uma exceção à regra.

A polícia diz que o suspeito não tem antecedentes criminais. Um relatório do FBI conta que ele veio de San Diego e que sua mãe ainda mora lá. Os vizinhos afirmam que ele era recluso e não cumprimentava as pessoas. Um professor elogia suas capacidades matemáticas e diz que ele era um aluno excepcionalmente esperto. Em comunicado divulgado hoje, a família do atirador disse ter sido pega de surpresa pela notícia do massacre. E só, é tudo que se sabe sobre ele. Nada de perfil no Facebook, no Twitter, no MySpace ou no Instagram. Ele é o que especialistas chamam de fantasma on line.

Lance Ulanoff, editor do site Mashable.com, conta que passou todo o dia procurando qualquer pista sobre o suspeito na internet. Sem achar nada, mudou a pesquisa do Google e das redes sociais para sites de entusiastas de armas com base no Colorado. Em um dos fóruns, ele usou o sistema de busca para cavar pesquisas com as palavras-chave: “Aurora”, “cinema” e “Batman”. Três horas depois, continuou sem achar nada relacionado ao incidente ou qualquer conversa aleatória sobre um plano para matar pessoas em um cinema.

- Para mim, é inconcebível que Holmes não tenha um perfil online. A resposta mais óbvia é que ele não vem usando seu nome real na rede – disse no site.

Beba na fonte: Atirador é considerado um ‘fantasma’ online – O Globo.

Americanos reconhecem a cachaça brasileira

Após longa campanha dos produtores brasileiros, o governo dos EUA iniciou o processo de reconhecimento da cachaça brasileira, antes vendida como “rum brasileiro”, informa o “New York Times”.

“Sempre houve piadas de que o rum deveria se chamar ‘cachaça caribenha’, e não o contrário”, afirmou ao jornal Steve Luttmann, fundador da marca Leblon.

“Acho que haverá um grande ‘boom’ da cachaça”, disse Martin Cate, dono de um bar em São Francisco, lembrando que o Brasil está na moda com a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Entre as dificuldades citadas para a inserção da cachaça na cultura etílica norte-americana está o fato de ela ainda ser associada exclusivamente à caipirinha.

“Ainda é sazonal”, afirmou Luttmann. “Assim como a margarita e o mojito, as vendas aumentam no verão.”

Segundo o jornal, isso vem sendo combatido por bares do país, que vêm inventando novas receitas, e pelos produtores, que estão fazendo chegar por lá cachaças envelhecidas e de melhor qualidade.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mercado – Americanos reconhecem a cachaça brasileira – 12/07/2012.

Uruguai pode engavetar a estatização da venda de maconha

O presidente do Uruguai, José Mujica, indicou ontem que pode congelar um projeto do governo para legalizar a venda de maconha e criar uma rede de comércio e distribuição estatais.

O motivo, disse ele, é a desaprovação da iniciativa por 60% dos uruguaios, segundo pesquisa de opinião do instituto Interconsult.

“Isso é uma batalha da nação inteira, que não tem nada a ver com colorados, brancos e frente-amplistas”, disse Mujica, citando as principais forças políticas do país.

O presidente utilizou uma metáfora do truco para afirmar que não seria a hora de apresentá-la, uma vez que não há apoio majoritário.

“Deve haver um debate aberto em toda a sociedade, livre de todo o preconceito, para tratar de solucionar o tema do narcotráfico”, seguiu, segundo a imprensa local.

O governo enviaria o plano sobre o tema ao Legislativo, onde tem maioria. Pela proposta, o Estado venderia a droga, em cigarros, a usuários registrados e haveria controle sobre a quantidade máxima de consumo.

O porte para uso pessoal e o consumo já são despenalizados no Uruguai.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Uruguai pode engavetar a legalização da maconha – 12/07/2012.

Respeito à diferença

Bizarro!

Espero sinceramente que a moda não pegue aqui no Brasil.

 

Contra crise, BCs da Europa e da China derrubam os juros

RODRIGO RUSSO

Em uma ação para estimular a economia, os bancos centrais da zona do euro e da China reduziram a taxa de juros. Com o mesmo objetivo, o Banco da Inglaterra (BC do Reino Unido) anunciou que vai aumentar a oferta de moeda no mercado.

O Banco Central Europeu (BCE) cortou sua taxa de juros de 1% para 0,75%, o menor índice desde a adoção do euro. A redução vinha sendo cobrada pelo mercado para mitigar os efeitos da crise na zona do euro.

Segundo o presidente do BCE, Mario Draghi, a decisão teve por base a confirmação da desaceleração econômica na região. No primeiro trimestre deste ano, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro ficou estagnado em relação ao fim de 2011. Teme-se uma contração econômica no segundo trimestre deste ano.

Para Draghi, o crescimento na região segue fraco e as pressões de inflação “devem continuar em linha com a estabilidade de preços no médio prazo”. O BCE não cortava os juros desde dezembro.

Mesmo durante a crise de 2008, após problemas com o banco Lehman Brothers, o BCE não reduziu a taxa abaixo de 1%, mas a gestão de Draghi tem feito esforços para estimular o crescimento.

Também ontem, o Banco da Inglaterra manteve em 0,5% sua taxa de juros, mas anunciou a ampliação de seu programa de compra de ativos em 50 bilhões de libras, chegando ao total de 375 bilhões de libras (US$ 585 bilhões). De acordo com o comitê de política monetária da instituição, a nova fase do programa, que começou após a crise de 2008, será adotada nos próximos meses.

O comunicado do Banco da Inglaterra explica que a decisão teve por base o cenário frágil do Reino Unido, em recessão no último semestre.

Apesar das medidas anunciadas ontem, as principais Bolsas da Europa fecharam o dia em baixa -apenas Londres teve pequena alta.

As medidas dos três bancos centrais -anunciadas no espaço de uma hora- levantaram a suspeita de uma ação coordenada, que seria fruto da avaliação de que a crise é mais grave do que se admite em declarações públicas. Draghi negou coordenação entre os BCs. Outro temor é o de que os instrumentos anticrise estejam se esgotando e que possam tornar-se inócuos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Contra crise, BCs da Europa e da China derrubam os juros – 06/07/2012.

Paraguai exibe “provas” de ação de Chávez

O novo governo paraguaio apresentou ontem vídeos que, segundo ele, comprovam que o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, se reuniu com o alto comando militar do Paraguai antes da deposição de Fernando Lugo da Presidência.

Além do ministro do governo Hugo Chávez, o embaixador equatoriano Julio Prado estaria no encontro.

“Tenho certeza de que serão entregues [cópias das gravações] aos órgãos responsáveis”, afirmou a ministra da Defesa do Paraguai, María Liz García, durante entrevista.

Ela e o presidente Federico Franco acusaram na semana passada os governos da Venezuela e do Equador de tentar promover levante dos militares paraguaios para que Lugo permanecesse no poder.

As imagens divulgadas ontem mostram que os comandantes das Forças Armadas paraguaias e o chanceler venezuelano estavam presentes no palácio do governo, em Assunção, no dia 22 de junho, momentos antes de o Congresso aprovar o impeachment, em processo que durou pouco mais de 30 horas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Paraguai exibe “provas” de ação de Chávez – 04/07/2012.

Militar israelense chuta criança palestina

 

Um vídeo registrado por um membro de uma ONG na cidade de Hebrón, na Cisjordânia, gera uma forte polêmica na imprensa de Israel e entre entidades de defesa dos direitos humanos. Nas imagens, feitas na semana passada, dois soldados israelenses agridem um menino palestino de nove anos, identificado como Abd a-Rahman Burqan. Ele corria pelas ruas da cidade quando foi segurado por um dos agentes que perguntou “O que faz aqui causando problemas?”. Logo depois, um segundo homem uniformizado chutou o jovem.
- Vivo na região. Escutei um menino gritar e vi um soldado dar um chute na barriga dele. Quando a polícia se foi, fui ao encontro dele. Ele estava tão assustado que havia urinado nas calças – contou Raed Abu Rimle, autor das filmagens e membro da ONG B´Tselem, ao diário israelense “Yedioth Ahronoth”. A organização é dedicada a documentar abusos contra a população palestina.
A cidade de Hebrón é ocupada por milhares de colonos judeus e patrulhada pelo Exército israelense constantemente. A B’Tselem e outras organizações de direitos humanos locais denunciam diariamente abusos cometidos por militares israelenses ou colonos judeus em territórios palestinos ocupados. A agressão ao menino chama a atenção por ter sido registrada em vídeo, e não pela gravidade do caso, segundo analistas.

Beba na fonte: ONG registra agressão de polícia israelense contra criança palestina – O Globo.

Democracia bolivariana: médica da Venezuela é presa por supostamente falar da doença de Chavez

Uma médica lotada no palácio presidencial da Venezuela foi detida por supostamente ter revelado “segredos políticos ou militares que concernem à segurança” do Estado entre 2010 e 2012, informou o Ministério Público local.

Ana María Abreu de San Miguel, 51, 12 anos de serviço na sede de governo, disse que a acusação é vazia e se declarou uma “presa política”.

A defesa de Abreu diz que nos autos não há menção sobre a saúde de Hugo Chávez, convalescente de um câncer do qual não revela detalhes. A médica não atende o presidente. A acusada é cunhada da ativista crítica do governo Chávez Rocío San Miguel.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Acusada de revelar segredos, médica da Presidência é presa – 03/07/2012.

Oposição uruguaia convoca chanceler a dar explicações

Os partidos uruguaios Nacional, Colorado e Independiente, de oposição, decidiram ontem convocar o ministro das Relações Exteriores, Luis Almagro, para dar explicações no Senado sobre a transformação da Venezuela em membro pleno do Mercosul.

Legisladores do Partido Colorado também anunciaram que não vão mais participar das reuniões do Parlamento do bloco se for proibida a entrada de políticos paraguaios.

Para a oposição, Almagro “mentiu” quando disse a legisladores uruguaios que a suspensão da participação do Paraguai nas reuniões do bloco não precipitaria a entrada da Venezuela no Mercosul.

Em entrevista à rádio El Espectador, Almagro confirmou o que chamou de intervenção “decisiva” da presidente brasileira, Dilma Rousseff, em reunião com seu colega uruguaio, José Mujica, para que se aceitasse a Venezuela como membro do Mercosul.

Segundo Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência brasileira para assuntos internacionais, a decisão de incluir a Venezuela no Mercosul foi proposta por Mujica e acatada pelos demais países.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Oposição uruguaia convoca chanceler a dar explicações – 03/07/2012.

Carta do EPP faz ameaça a fazendeiros e promete “pena de morte” para trabalhadores

 

Carta do EPP. Foto: La Nación

A carta (ou panfleto) manuscrita encontrada pela polícia paraguaia em que o EPP reivindica o assassinato de um trabalhador rural brasileiro contém várias ameaças e uma promessa de vingança contra as mortes de 11 camponeses em Curuguaty. O autor do documento assinala que o assassinato do camponês Osni Olveira ocorreu porque “em diversas ocasiões advertimos  que tratoristas surpreendidos derrubando matas serão condenados à pena máxima (de morte) pelos crimes que cometem”

No documento, o EPP promete “vingar a morte dos valentes camponeses que em uma demonstração de valor e heroísmo enfrentaram de forma desigual a força repressiva”.

Governo paraguaio culpa EPP por ataque com morte a fazenda de brasileiros

Tratores queimados na invasão. Foto: ABC Color

Um panfleto encontrado na Fazenda Terrado, situada no Departamento de Concepción, no Paraguai, levou o governo daquele país a afirmar que o ataque à fazenda foi promovido pelo Exército do Povo Paraguaio (EPP), organização criminosa implicada em uma série de crimes de sequestro e homicídios.

A propriedade rural pertence ao brasileiro Pedro Pinto. Um funcionário dele, o também brasileiro Osni Oliveira, foi assassinado pelos invasores. Três tratores foram incendiados e ficaram completamente inutilizados.

O ataque aconteceu na quarta-feira da semana passada. De acordo com um correspondente do jornal ABC Collor enviado à região, no panfleto o EPP se auto-atribui o atentado e protesta contra as mortes de 11 camponeses na batalha de Curuguaty, episódio que detonou o processo de impeachment de Lugo na semana passada.

PRI vence no México, diz órgão eleitoral

O candidato do PRI (Partido Revolucionário Institucional), Enrique Peña Nieto, venceu a eleição presidencial realizada ontem no México com mais de 37% dos votos, de acordo com contagem preliminar feita pela autoridade eleitoral.

O candidato do esquerdista PRD, Andrés Manuel López Obrador, obteve ao menos 30% dos votos, seguido da governista Josefina Vázquez (PAN), com ao menos 25%.

Se confirmada a vitória do PRI, voltará à Presidência o partido que governou o México por 71 anos (1929-2000) e foi chamado de “ditadura perfeita” pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa.

O descontentamento de parte da população com a perspectiva de que a sigla -uma espécie de versão mexicana do politburo soviético, com passado de fraudes eleitorais- voltasse ao poder ficou claro quando Peña Nieto votou em Atlacomulco, sua cidade natal. Dezenas de jovens contrários a sua candidatura vaiavam e gritavam.

Nascido no período pós-Revolução de 1910, o PRI tem inspiração no fascismo italiano e um discurso nacionalista e estatizante. Agora, vende-se como um partido renovado, que traz à sua frente um líder jovem e midiático.

Peña Nieto, 45, é advogado e foi governador do Estado do México. Com cara de galã, é casado com a atriz Angélica Rivera. Viúvo do primeiro casamento, tem cinco filhos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – PRI vence no México, diz órgão eleitoral – 02/07/2012.

Brazilians, go home!

21 de Setembro de 2009. Eu e uma porção de jornalistas brasileiros estávamos em Nova Iorque para cobrir a Assembléia Geral da ONU, que seria aberta no dia seguinte. No fim da tarde, um diplomata que coordenava a cobertura da imprensa brasileira pelo Itamaraty nos convocou para uma entrevista coletiva que o então chanceler Celso Amorim concederia em poucos minutos. “É uma informação importante”, avisou o assessor.

Antes de chegar à sala de imprensa montada na suíte de um hotel, pensávamos que a convocação se referia a algo envolvendo a polêmica posição do presidente Lula, que naquele momento se empenhava em defender o direito do Irã ao uso da energia nuclear. Lula havia se transformado numa espécie de embaixador informal de Ahmadinejad, posição que manteve até o último de seus dias no governo, e que terminou por ensejar um dos maiores micos que o Brasil já havia protagonizado ao longo de sua nobre história diplomática: a tentativa de acabar com a crise no Oriente Médio com uma conversa de pé-de-ouvido, um sanduíche de mortadela e uma caipirinha.

Ao chegar ao hotel, Celso Amorim comunicou que Manuel Zelaya, deposto dias antes da presidência de Honduras, acabara de entrar na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Havia sido acolhido de bom grado e permaneceria por ali o tempo que quisesse. Zelaya fora apeado do Poder porque tentou mudar a constituição para conseguir um novo mandato, uma manobra nos moldes do que Hugo Chavez já havia feito duas outras vezes na Venezuela.

Ocorre que a própria constituição hondurenha criminaliza esse tipo de iniciativa  para respaldar o pressuposto mais elementar de qualquer democracia: a definição do tempo do mandato. Além disso, Zelaya respondia a 18 processos em que era acusado de corrupção.

Encerrado o evento da ONU, a maior parte dos jornalistas que estavam em Nova Iorque tomou o rumo de Tegucigalpa. Cheguei lá três dias depois  do intróito do presidente deposto na embaixada brasileira. A capital estava convulsionada pela volta do degredado, que havia trocado a prisão por um exílio na vizinha Costa Rica e voltara pelas mãos de Chavez, numa operação coordenada pelo próprio Celso Amorim e pelo assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Tudo feito com consulta prévia e a bênção do governo Lula.

Nas ruas da capital, um grupo pequeno, de cerca de duas mil pessoas, promovia atos públicos que invariavelmente terminavam com bombas de efeito moral e tiros de bala de borracha disparados pelas tropas federais. Com o passar dos dias, os manifestantes pró-Zelaya foram minguando. Restaram cerca de 200 ao cabo de duas semanas — a maior parte composta por pelegos do sindicalismo local que, lá como aqui, o governo tratava de engordar com cargos, dinheiro e favores oficiais.

No dia 14 de outubro, Honduras parou, ficou em silêncio por duas horas e depois explodiu numa festa genuína. Milhares de pessoas foram para as ruas com suas camisetas azuis e brancas para cantar o hino nacional e reacender a chama do patriotismo num momento de catarse nacionalista. A festa foi provocada pela classificação da seleção de Honduras para o Copa do Mundo de Futebol do ano seguinte. Contrariando todas as previsões, o time havia conseguido derrotar El Salvador — e ainda contou com a ajuda da seleção da Costa Rica, que não conseguiu vencer os Estados Unidos e perdeu a vaga.

Estávamos hospedados num dos melhores hotéis de Honduras. Um telão foi montado num saguão para que os torcedores endinheirados de Tegucigalpa pudessem acompanhar a partida entre uma dose e outra de uísque. Nós, jornalistas estrangeiros, torcíamos desabridamente por Honduras. Quando a Costa Rica empatou com os EUA, aos 50 minutos do segundo tempo, pulamos e nos abraçamos, fizemos um brinde e comemoramos a classificação daquele pequeno país, que jamais havia disputado um mundial de futebol. “Somos mundialistas, somos mundialistas”, gritavam os hondurenhos com a autoestima lustrada.

Mas logo percebemos que nossa torcida provocava constrangimento aos torcedores locais. Nas mesas vizinhas, nossa alegria gerava olhares de reprovação. Inibia mesmo os torcedores locais. Até que um deles se levantou, caminhou até a nossa mesa e perguntou de onde éramos.

“A maior parte de nós é brasileira” respondi. “Então, por favor, respeitem o nosso momento e deixem que festejamos nós mesmo a nossa conquista”, disse o homem, de maneira rude e assertiva.

Logo o saguão estava vazio. Os hondurenhos se levantaram e saíram em silêncio levando suas bandeiras enroladas. O telão foi desligado. As luzes, apagadas. Contrastando com a festa que explodia nas ruas, o bar do hotel  se transformou numa caverna erma e soturna. Culpa nossa, exclusivamente nossa, que estávamos ali de penetras numa celebração para a qual não fôramos convidados.

Nos dias que se seguiram, as manifestações de hostilidade viraram rotina. O que mais ouvíamos na capital, sempre que abordávamos populares, eram pedidos agressivos para que deixássemos o país e voltássemos ao Brasil. E não foram poucas as vezes em que isso aconteceu. A hostilidade à nossa presença ia aumentando na mesma medida em que as declarações da diplomacia brasileira subiam de tom.

Havia boatos, muitos boatos dispersos no ar. Falava-se que o Brasil estaria enviando tropas para defender a soberania de sua embaixada, que aviões brasileiros foram vistos sobrevoando bases militares próximas à capital do país. O presidente Lula só se referia ao presidente recém-empossado pelo Congresso como “golpista”. Nem sei se chegou a mencionar alguma vez o nome de Roberto Micheletti. Era apenas “o golpista”. Aquilo foi irritando os brios da população de Honduras.

O Brasil não mandou aviões nem soldados, mas transformou a diplomacia num claro instrumento de intervenção na soberania hondurenha. Moveu batalhas enormes para tentar elevar o problema da pequena república centro-americana ao status de grande evento multilateral. Fracassou em todas as tentativas. A primeira delas representou o fracasso mais retumbante: a proposta de reunir o Conselho de Segurança da ONU para discutir uma intervenção mais drástica. A ONU deu uma banana a Celso Amorim.

Depois, no âmbito da OEA, houve resistências até à ida de uma comissão negociadora para mediar a discussão com os atores da crise. Mal-humorados, os representantes da OEA já sabiam que o povo de Honduras é que iria resolver seus problemas. Por isso não vingaram as propostas brasileiras de aplicar sanções comerciais e isolar diplomaticamente o país. Aos poucos, assim que conseguiram entender o que se passava, governos de todo o mundo — os Estados Unidos à frente — foram colocando água fria sobre a fogueira da crise . Só o Brasil insistiu no erro da posição intervencionista.

Mas o tempo seguiu seu curso saneador. E Zelaya, que não desistia do bunker armado na embaixada do Brasil, acabou se transformando num enorme problema. Quatro meses se passaram até que viesse  uma ordem de despejo para aquele inquilino incômodo e seu pequeno séquito. Em dezembro, o Itamaraty deu o ultimato, solicitando a Zelaya que desocupasse a sede diplomática. Foi cumprido no último dia, encerrando de maneira desastrosa a articulação intervencionista de Lula e Chavez para levar de volta ao coração de Tegucigalpa o homem que havia sido banido por abuso de suas prerrogativas constitucionais.

Enquanto Lula, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim inventavam uma maneira de se livrar do imbroglio, o “golpista” Michelletti tratava de colocar a casa em ordem. Convocou eleições — às quais o partido de Zelaya concorreu — e restabeleceu a ordem pública. A democracia hondurenha deu uma prova inequívoca de maturidade. A institucionalidade seguiu incólume, em benefício da vontade legítima e soberana do povo daquele País.

Para nós, que de certa forma encarnávamos a presença indigesta do governo brasileiro diante da população humilhada e ultrajada de Honduras, restou a experiência amarga de vestir o estereótipo deletério do imperialismo caboclo. Sim, o Brasil, a potência emergente do Cone Sul, aposentava a isenção quase suíça da tradição diplomática e adotava uma postura arrogante e desrespeitosa.

A ponto de os populares nos hostilizarem nas poucas manifestações pró e contra Zelaya com o mesmo bordão, repetido sempre em inglês: “brazilians, go home!”. Éramos os yankees dos hondurenhos. E éramos mesmo. Por isso, a multidão inflava o peito pedindo que deixássemos, nós, brasileiros, seu território e seu desiderato. “Tirem suas patas do nosso destino”. Era isso o que eles nos diziam o tempo todo.

Agora, algo muito parecido se repete no Paraguai. O parceiro de primeiro hora, o País que sediou a primeira reunião do Mercosul, foi escanteado por uma jogada matreira do acordo regional porque resolveu, seguindo os ditames da constituição, demitir por justa causa um presidente incompetente e fraco. Como se viu, a indignação do vizinhos briosos foi apenas um pretexto. O que importa é que a esquerda sulamericana cravou mais um tento, afastando o sócio fundador do Mercosul para impor a presença plena da Venezuela no tratado.

Pagar um golpe com outro é moral ? É lícito ? É éticamente defensável ?

Não, não é. Mas no tabuleiro da política, o que conta mesmo é ocupar espaço e vencer sempre. É essa a lógica da retórica que condena a decisão do Congresso e do judiciário paraguaios, mas a utiliza como pretexto para enfiar Hugo Chavez goela abaixo a um sócio que, supostamente, afrontou a democracia. No plano moral, na pior hipótese, o golpe perpetrado contra Lugo só encontra paralelo no golpe perpetrado a favor de Chavez no âmbito do Mercosul.

Logo, logo vão aparecer nacionalistas nas ruas de Assunção bradando “brazilians, go home” — ou um bordão análogo em guarani ou espanhol. Pode até parecer folclórico em Tegucigalpa, mas com certeza não será sem consequências do lado de lá da fronteira, onde 350 mil brasileiros são hositilizados todos os dias como ladrões de terras paraguaias.

Apressada e determinadamente, vamos perdendo a candura conciliadora da diplomacia de Osvaldo Aranha para nos transformarmos no vizinho temido, atrevido e desrespeitoso — o País imperialista que, mais do que respeitado, é temido.

Três anos atrás, éramos os yankees de Honduras. Agora, somos os yankees do Paraguai.

O verdadeiro golpe no Paraguai

Por Sandro Vaia, no Blog do Noblat

A TV estatal do Paraguai ficou 26 minutos fora do ar por falta de energia elétrica e os alucinados constitucionalistas da Constituição alheia que cresceram como erva daninha nas redes sociais, viram isso como um sintoma de “repressão” e atentado às liberdades públicas.

Nunca se viu um golpe de Estado tão modorrento. Fora dos protestos protocolares de partidários do presidente deposto, o Paraguai continuou levando a sua vida de rotina.

O microfone da TV pública ficou aberto, o ex-presidente protestou diante de suas câmeras, o Congresso fez tudo dentro da normalidade, a Suprema Corte disse que tudo foi feito dentro da normalidade e até o advogado do deposto disse que tudo foi feito dentro da normalidade.

Mas muita gente não gosta da normalidade paraguaia e insiste em chamar de golpe uma decisão tomada por mais de 90% dos parlamentares, que se basearam rigorosamente na letra do artigo 225 da Constituição de seu país.

Dizem que foi tudo muito rápido e surpreendente. Que não houve tempo para defesa. Que o rito foi muito sumário. Mas tudo está previsto na Constituição, que dá ao Senado a atribuição de fixar o rito para o julgamento, o que foi feito através da Resolução 878.

O que resta dizer? Que a Constituição é de mau gosto e “disgusting” ao fixar um etéreo “mau desempenho” como motivo de impeachment?

Que o Legislativo paraguaio não tem polidez, educação e bons modos ao dar tão pouco prazo para a defesa do acusado?

É um pouco de cinismo e hipocrisia achar que dar mais tempo de defesa ao presidente destituído poderia salvá-lo do impeachment.

A queda dele foi resolvida por razões políticas, e nem 400 dias de prazo de defesa poderiam salvá-lo. Ele simplesmente perdeu catastroficamente o apoio político de sua base de sustentação e a votação do processo de impeachment apenas confirmou que ele perdeu as condições mínimas de governabilidade.

Se a Constituição do Paraguai tem um defeito, ele é de concepção: fixou critérios quase parlamentaristas para julgar um governo presidencialista. O presidente ganhou um voto de desconfiança – que apelidaram de “mau desempenho”- e caiu.

Como provar alguma coisa como “mau desempenho” se não através de critérios puramente políticos?

Essa é a Constituição que o Paraguai tem, não a que os palpiteiros da UNASUL acham que deveria ter.

Na Venezuela, por exemplo, casuísticas normas eleitorais permitem que 51% dos eleitores elejam 66 deputados enquanto 49% elegem 96 deputados- do partido do governo, claro. Alguém reclamou?

Enquanto a normalidade da vida democrática foi mantida no Paraguai e o próprio Lugo anunciou que pretende candidatar-se de novo nas eleições de abril de 2013, além de manifestar-se contra sanções econômicas contra seu país, a UNASUL e o Mercosul afastam o Paraguai de seu convívio, com a aquiescência bovina da diplomacia brasileira, a reboque do ativismo “bolivariano”.

É fácil concluir qual é o verdadeiro golpe no Paraguai e qual é seu objetivo: afastar o único obstáculo à entrada da Venezuela no Mercosul.

As tais “cláusulas democráticas” só valem para enquadrar os inimigos. Para os amigos, nem a lei.

Beba na fonte: O verdadeiro golpe no Paraguai, por Sandro Vaia – Ricardo Noblat: O Globo.

Mercosul suspende Paraguai, mas sem sanções

CAROLINA VILA-NOVA
ENVIADA ESPECIAL A MENDOZA
Os chanceleres dos países do Mercosul, reunidos ontem em Mendoza, concordaram em manter a suspensão do Paraguai do bloco, mas descartaram sanções econômicas contra o país. O pré-acordo deve ser referendado hoje, em encontro de chefes de Estado na cidade argentina.

O Mercosul havia suspendido o Paraguai no domingo, dias após o presidente Fernando Lugo ter sido destituído do poder em um processo sumário de impeachment.

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, evitou falar de prazos para a suspensão. Fontes diplomáticas citavam ontem que ela se estenderia até as eleições no Paraguai, previstas para abril de 2013.

“O Protocolo de Ushuaia, do qual são signatários Paraguai, Uruguai e Argentina, além de Chile e Bolívia, preconiza que a plena vigência democrática é uma condição essencial para o processo de integração. Foi nesse sentido que se tomou a decisão no domingo passado e que deverá ser tomada amanhã”, afirmou. “Não existe plena vigência democrática.”

Antes da conferência, o bloco parecia estar dividido entre aqueles que defendiam a aplicação de punições econômicas ao Paraguai, conforme está previsto nos acordos que constituem o organismo, e aqueles que, como o Brasil, buscavam sanções apenas de ordem diplomática e política.

Segundo Patriota, porém, nenhum chanceler defendeu punições econômicas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Bloco suspende Paraguai, mas sem sanções – 29/06/2012.

Justiça dá vitória a Obama em lei de saúde

LUCIANA COELHO

Um juiz conservador deu ontem a Barack Obama a maior vitória política de sua Presidência, a menos de cinco meses das eleições gerais, ao desempatar uma decisão da Suprema Corte a favor da reforma que expande o sistema de saúde dos EUA.

A chamada Lei do Seguro- Saúde Acessível, que inclui no sistema 30 milhões de americanos e foi aprovada sem respaldo dos deputados de oposição em março de 2010, foi parar na máxima instância judicial após ser contestada por 26 Estados.

Principal plataforma de Obama, consumiu seu capital político no primeiro ano de governo e lhe rendeu críticas por não ter priorizado a crise no sistema habitacional.

O ministro-chefe do Supremo, o conservador John Roberts, surpreendeu ao desempatar a favor do presidente, e o tribunal aprovou por 5 votos a 4 o ponto central da lei.

Com ele, todo mundo que vive nos EUA passa a ser obrigado a ter um seguro de saúde, sob pena de pagar uma multa (agora juridicamente transformada em “imposto”).

O país não possui cobertura de saúde universal, e a cada ano dezenas de milhões de americanos deixam de pagar as contas médicas, falindo ou onerando o governo (na conta da revista “Economist”, em 2009 foram 50 milhões).

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Justiça dá vitória a Obama em lei de saúde – 29/06/2012.

ONU critica plano do Uruguai para liberar a maconha

O chefe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), o russo Yuri Fedotov, classificou de “decepcionante” o projeto do governo do Uruguai para a legalização da venda de maconha no país.

A agência apresentou ontem, em Viena (Áustria), seu relatório anual sobre o consumo de drogas ilícitas no mundo. Para Fedotov, a maconha “não é uma droga tão inocente como alguns querem fazer crer” e, de acordo com estudos médicos, pode provocar danos cerebrais.

Na semana passada, o Uruguai divulgou projeto que, segundo o governo, visa combater crimes do narcotráfico. Seu ponto mais polêmico é a criação de uma rede estatal de distribuição da droga, com quantidades limitadas vendidas a usuários registrados.

O projeto ainda tem de passar pelo Congresso uruguaio. Para alguns especialistas, ele viola convenção de 1988 da ONU segundo a qual cabe aos países signatários reprimir a produção e a venda de drogas. De acordo com o UNODC, o consumo de substâncias ilícitas mata 200 mil pessoas por ano em todo o mundo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – ONU critica plano do Uruguai para liberar a maconha – 27/06/2012.

‘Queremos evitar o narcoturismo’, diz membro do governo do Uruguai

O comércio legal de maconha no Uruguai, anunciado na quarta-feira pelo governo, será apenas para quem mora no país. “Queremos evitar qualquer alternativa, qualquer tipo de narcoturismo”, diz ao GLOBO o secretário-geral da Secretaria Nacional de Drogas uruguaia, Julio Calzada. Com 75 mil usuários mensais da droga, é um mercado “perfeitamente administrável”, afirma na entrevista em que detalha outros pontos do projeto — inédito no mundo.

O GLOBO: O que já foi definido no que toca à maneira como será feita a venda?
CALZADA: (Avaliamos) o modelo de estanco (lojas exclusivas) para tabaco na Espanha, mas não vai ser um modelo de gestão estatal, é muito complexo e custoso em princípio. O Estado deteria a execução da produção e da distribuição, e a execução do varejo ficaria a cargo do comércio (privado). Pode ser um modelo de lugares especiais de venda que não sejam de gestão estatal ou pode ser um modelo de utilizar pontos de venda que já existem no campo dos produtos da saúde (como farmácias).

O GLOBO: Na produção seriam utilizados terras privadas ou públicas?
CALZADA: Provavelmente será feita em terras públicas, mas isso pode ser ajustado. O certo é que a produção será controlada pelo Estado.

O GLOBO: Houve alguma polêmica sobre o cadastro de compradores. Haverá cadastro ou não?
CALZADA: Isto é uma proposta que temos bastante avançada. A existência de um cadastro está vinculada a dois aspectos fundamentais. Primeiro, evitar o desvio da produção para o mercado negro. Além disso, (a legalização do comércio da maconha) é uma medida que está sendo adotada em um só país. Não está sendo adotada nos países vizinhos. Temos que garantir que a produção não seja desviada para o mercado negro, principalmente do Brasil e da Argentina. É certo que é polêmico mas é a forma que temos de garantir que não vamos criar desvios.

O GLOBOO cadastro seria exclusivo para os habitantes de Uruguai ou estrangeiros também poderiam comprar a droga?
CALZADA: Em princípio será para os nacionais. Queremos evitar qualquer desvio, qualquer alternativa para o narcoturismo. Para isso também (serve) o cadastro. Não seria para estrangeiros.

O GLOBO: E se estudam criar lugares específicos para o consumo da droga?
CALZADA: Pensamos mais na lógica de ponto de venda. Temos de ter em conta, por exemplo, que temos uma regulamentação muito estrita para uso do tabaco, que vale para todo produto fumígeno. Não se poderia fumar em lugares fechados

O GLOBO:Qual é o mercado hoje de usuários de maconha?
CALZADA: Trabalhamos com o número de 75 mil usuários mensais. Calculamos que esse grupo consumirá cerca de 30g mensais (que seriam suficientes para dois cigarros por dia), o que nos permite dizer qual é o volume de produção que seria necessário para abastecer o mercado interno e não facilitar a ida destas substâncias para o mercado negro. Entendemos que é um mercado perfeitamente controlável, que podemos ter uma produção perfeitamente controlável nesse sentido.

O GLOBO: Quando o senhor espera que a proposta esteja aprovada?
CALZADA: Estamos na fase de elaboração e ajustes de diferentes detalhes. Esperamos que tenha um rápido trâmite parlamentar, mas de qualquer maneira a regulamentação de algo desse tipo não é para amanhã. A produção de maconha está associada à existência de possibilidade de um cultivo anual. Terá seu tempo de implantação.

O GLOBO:Como o senhor avalia a reação que houve à apresentação dessa proposta? O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, criticou-a.
CALZADA: Nós tomamos conhecimento do posicionamento do presidente Santos. Ele foi muito claro. Neste momento, a realidade da Colômbia não é a realidade do Uruguai. Esperamos que progressivamente esta iniciativa seja pelo menos posta em debate no marco da Unasul (União dos Países Sul-Americanos) e dos mecanismos regionais. Nós, com este desenho, queremos dar garantia ao conjunto dos países de que a produção que se faça será estritamente para o consumo interno.

Beba na fonte: ‘Queremos evitar o narcoturismo’, diz membro do governo do Uruguai – O Globo.

Paraguai cumpre sua tradição de depor presidentes e encerra hoje a Era Lugo

O Senado paraguaio deve depor hoje o presidente  Fernando Lugo. Apesar da drasticidade, o processo está embasado em prerrogativas constitucionais do Congresso e nem de longe se confunde com um golpe de Estado. É uma situação análoga à que apeou do poder o ex-presidente de Honduras, o corrupto Manoel Zelaya, em 2009. Na época, o Brasil interveio de maneira equivocada, cedendo o espaço de sua embaixada para que o presidente deposto pudesse fazer seu proselitismo pós-golpe e tentasse a volta “pelos braços do povo”, manobra que não prosperou.

Eleito pela esquerda, Lugo tentou governar pela direita sem fazer as reformas de que o Paraguai necessitava para consolidar sua jovem democracia. Desde o princípio, negou-se a confrontar as oligarquias corruptas que mandam no país desde os tempos do governo Stroessner. Abduzido pelo inimigo, contava com a adesão do Partido Colorado, seu oposto no campo ideológico, ao qual permitiu manter intactos e ainda fortalecer os esquemas de poder que terminarão por atalhar seu mandato.

Lugo encampou causas de seus adversário históricos porque não conseguiu fazer o que se comprometeu: mudar o Poder Judiciário, as polícias e o Ministério Público. Sem isso, ficou refém da nata da corrupção que move o País desde os tempos imemoriais da ditadura militar. Encastelados em cargos-chaves, corruptos notórios transformam o narcotráfico em mola-mestra da economia paraguaia, tendo como único paralelo o poder dos contrabandistas. Estes, Lugo não quis saber de enfrentar.

Uma das maiores contradições de seu governo foi a tolerância para com torturadores que agiram durante a longa ditadura paraguaia. Foi o caso do comissário Saturnino Antônio Gamarra, promovido por ele apesar das denúncias de que havia participado das sessões de tortura aplicadas a três ex-militantes do Movimento Pátria Livre que foram depois acolhidos no Brasil como refugiados políticos. O assunto foi tratado pelo blog no post Lugo promove torturadores de militantes refugiados no Brasil, de maio de 2010.

Parece inacreditável que um ex-bispo socialista esteja encerrando sua carreira como mandante da execução de 17 pessoas, vítimas do confronto entre a polícia e camponeses do MST local. Mas a crise não se resume apenas a isso. A deposição que deve acontecer hoje é o ponto final da carreira de um personagem cuja biografia começou a se despedaçar quando se descobriu que sua praxis política era tão hipócrita quanto seu voto de castidade. Assim que foi eleito, o bispo Lugo teve que se defrontar com seis processos de investigação de paternidade.

Governantes de países vizinhos tentaram ontem se articular para impedir a ação fulminante do Congresso, que em apenas dois dias abriu e votou um processo de impeachment. A reação internacional foi encampada e liderada pela presidente brasileira Dilma Rousseff, que rapidamente mobilizou outros chefes de estado alinhados com a esquerda latino-americana.
É compreensível que governantes tenham ojeriza de situações como esta e engendrem reações solidárias. Mas seria impensável uma articulação nos moldes do desastre diplomático protagonizado pelo governo Lula, que interveio claramente em assunto afeto à autodeterminação do povo hondurenho quando da deposição de Zelaya.

Ainda estão frescas na memória dos nossos vizinhos as lembranças de três intervenções recentes do governo brasileiro em episódios agudos de crise institucional no Paraguai: o acolhimento do ex-ditador Alfredo Strossner, que terminou seus dias isolado em uma mansão do Lago Norte, em Brasília; o asilo dado ao presidente deposto Raul Cubas em 1999, deposto sob a acusação de encomendar o assassinato de seu vice-presidente Luis Maria Argaña; e o refúgio concedido ao general golpista Lino Oviedo.

ONU: número de refugiados bate recorde em 2011

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) divulgou neste domingo relatório apontando 4,3 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar em 2011 e que 800 mil tornaram-se refugiadas. Segundo o Acnur, estes números indicam que o ano passado registrou um recorde de deslocamentos e o maior volume de refugiados desde 2000, números que foram fortemente influenciados pelas crises humanitárias na Costa do Marfim, Líbia, Somália e Sudão.
“O ano de 2011 vivenciou o sofrimento humano em uma escala épica. O custo pessoal foi enorme para todos aqueles que tiveram suas vidas drasticamente afetadas em tão curto espaço de tempo”, disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Temos que agradecer ao sistema internacional de proteção, que se manteve firme na maioria dos casos, deixando as fronteiras abertas. Estamos num momento de desafio”, concluiu.
O relatório Tendências Globais 2011 é o principal documento anual do ACNUR sobre o cenário mundial de deslocamento forçado. O documento aponta que 42,5 milhões de indivíduos terminaram o ano de 2011 em uma situação de refúgio, seja como refugiados (15,42 milhões), deslocados internos (26,4 milhões) ou solicitantes de refúgio (895 mil).
Apesar dos números alarmantes, eles representam uma redução em relação aos 43,7 milhões de deslocados registrados no final de 2010. Esta diminuição foi causada pelo grande número de deslocados internos, 3,2 milhões de pessoas, que voltaram para casa em 2011.

Beba na fonte: ONU: número de refugiados bate recorde em 2011.

Eleição legislativa dá maioria a partido de Hollande

O Partido Socialista do presidente François Hollande obteve ontem a maioria absoluta na Assembleia Nacional, no segundo turno das eleições legislativas na França.

Com seus aliados da Frente de Esquerda, o Partido Socialista (PS) garantiu 313 das 577 cadeiras do Parlamento. A maioria absoluta é assegurada com 289 vagas.

A vitória contundente abre caminho para que Hollande aprove as políticas de estímulo ao crescimento que prometeu durante a campanha.

Como candidato, ele adotou discurso contrário às medidas de austeridade e cortes orçamentários defendidos pela Alemanha para equilibrar a economia da região.

“A larga e sólida maioria nos permitirá aprovar leis para a mudança e nos dá grandes responsabilidades na França e na Europa”, disse o chanceler Laurent Fabius.

O ministro da Economia, Pierre Mascovici, também indicou que o resultado favorecerá o cumprimento das promessas de campanha, ao dizer que a França respeitará seus compromissos financeiros sem recorrer às políticas de austeridade.

Contudo, o PS também sofreu derrotas. Ségolène Royal, ex-mulher de Hollande, perdeu para o socialista dissidente Olivier Falorni.

Ao reconhecer a derrota, Royal falou em “traição política” e afirmou que Falorni foi eleito com os votos da direita. Ela não deixou claro se a acusação de “traição política” era endereçada à atual mulher de Hollande, Valèrie Trierweiler, que declarou apoio a Falorni, provocando uma crise palaciana.

Hollande apoiava Royal, e Trierweiler foi criticada por exceder seu papel de primeira-dama, ao interferir em questões de política interna.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – Eleição legislativa dá vitória a Hollande – 18/06/2012.

ONU alerta para ameaça ‘real e iminente’ de guerra civil na Síria

A pressão internacional sobre o governo do presidente Bashar Assad aumentou depois de ser relatado um novo massacre na Síria, desta vez no vilarejo de Qubair, na província de Hama. Pelo menos 78 pessoas, entre elas muitas mulheres e crianças, foram mortas na quarta-feira, 6, em ações de militares vinculados ao regime.

Veja também:
TV ESTADÃO: Observadores da ONU são atacados na Síria
Militares barram acesso de missão da ONU a área de massacre

Sharif Karim/Reuters
Crianças libanesas seguram cartazes de desenhos criticando ações da ONU quanto à crise na Síria
Após reunião do Conselho de Segurança nesta quinta-feira, 7, para discutir a crise na Síria, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que a contínua violência no país mostra que há uma ameaça real e iminente de guerra civil.

Segundo ele, há poucas evidências de que o governo sírio esteja cumprindo com o plano internacional de paz negociado pela ONU com o país.

Horas antes, em discurso na Assembleia Geral, Ban já havia condenado o “assassinato de inocentes”, que descreveu como “chocante e revoltante”. “Qualquer regime ou líder que tolere tal assassinato de inocentes perdeu sua humanidade”, disse Ban.

O enviado especial da ONU à Síria, Kofi Annan, disse que é o momento de ameaçar Assad com fortes conseqüências, caso seu governo não interrompa a violência contra civis. Annan disse ainda ao Conselho de Segurança que a crise na Síria pode se transformar em uma espiral fora de controle, caso a comunidade internacional não aumente a pressão sobre o governo de Assad.

Segundo Annan, a comunidade internacional já se uniu para encontrar uma solução para o conflito, mas deve agora levar essa união para um novo patamar. “Ações individuais ou intervenções não vão solucionar a crise”, disse.

O enviado da ONU disse ainda que esse novo episódio de violência demonstra que seu plano de paz para a Síria não foi implementado, apesar de ter sido aceito pelo governo.

Beba na fonte: ONU alerta para ameaça ‘real e iminente’ de guerra civil na Síria – internacional – geral – Estadão.

Helicópteros da FAB resgatam hoje mais 10 reféns das FARC

Voaram ontem de São Gabriel da Cachoeira (AM) para a Colômbia os dois helicópteros militares brasileiros que devem iniciar hoje o resgate de dez reféns em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

A bordo estão representantes da Cruz Vermelha, médicos e membros da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz, incluindo a ex-senadora Piedad Córdoba.

Na cidade colombiana, eles aguardarão o sinal verde das Farc para iniciar a operação. O acordo prevê que o local exato do resgate só seja divulgado horas antes.

Um dia antes, a porta-voz da Cruz Vermelha no Brasil, Sandra Lefcovich, disse à Folha que os helicópteros já tinham sido identificados com o emblema da organização. E acrescentou que estava mantida a previsão do resgate para hoje de manhã.

O chefe da entidade na Colômbia, Jordi Raich, disse que apenas um helicóptero participará do resgate.

O outro ficará, como apoio, em Villavicencio. Dentro dessa aeronave estarão: duas pessoas da Cruz Vermelha (o delegado que chefia a missão e um médico), duas pessoas do Colombianos e Colombianas pela Paz e a tripulação brasileira (seis pessoas).

No entanto, é possível que o resgate ocorra em duas etapas, uma hoje e outra na quarta-feira. Quem decidirá é a guerrilha, que só deve avisar um pouco antes.

“Vai depender do número de pessoas que as Farc entregarem. Se em uma operação nos entregam as dez pessoas, está bem. Se for necessário fazer uma outra operação no mesmo dia, podemos fazer”, explicou Raich à Folha.

A maioria dos reféns está em poder das Farc há mais de dez anos. A expectativa é a de que sejam libertados quatro militares e seis policiais.

A guerrilha marxista, ativa desde os anos 60, está bastante debilitada, após diversos de seus líderes terem sido mortos ou capturados nos últimos anos.

As Farc prometeram suspender os sequestros e asseguram que os dez militares são os últimos em seu poder.

Ativistas e o governo afirmam, no entanto, que um número indefinido de reféns civis, que poderia chegar a algumas centenas, permanece em poder da guerrilha.

EXPERIÊNCIA DO BRASIL

Estão sendo usados na ação dois helicópteros Cougar do Exército brasileiro, com capacidade para até 24 pessoas cada um. O governo brasileiro também enviou à Colômbia um avião cargueiro com peças de reposição dos helicópteros e equipe de mecânicos. No total, são mais de 20 militares destacados.

Esta será a quarta operação humanitária do tipo.

“Seria praticamente impossível fazer o resgate sem a participação do governo brasileiro. Hoje, a experiência do Brasil e o conhecimento de como funciona facilitam enormemente o trabalho”, disse Raich.

via Folha de S.Paulo – Mundo – Aeronaves para resgate de reféns chegam à Colômbia – 02/04/2012.

Brasileiro é preso por perturbar orações em Mesquita do Paquistão

Igor Gielow, da Folha -

O advogado brasileiro Rodrigo Moreto Cubek foi preso na tarde de ontem na principal mesquita do Paquistão, a Faisal, por perturbar as tradicionais orações que aconteciam naquele dia. Ele deve ficar detido até segunda-feira.

Cubek, de cerca de 30 anos, estava com o visto vencido e disse ter visitado as cidades de Quetta (Baluquistão) e Peshawar (“capital” das áreas tribais do país). Como são cidades cheias de extremistas islâmicos, isso levantou a suspeita da polícia, que afirmou que está investigando seu itinerário.

O paranaense de Curitiba tentou entrar na área reservada a muçulmanos na mesquita. Gritou palavras sobre a Virgem Maria –na sexta foi comemorado o dia de Nossa Senhora de Fátima. A funcionários da Embaixada do Brasil, disse que “queria ter uma discussão religiosa”.

Isso é ofensa gravíssima neste país, em que há leis severas para o que é considerado blasfêmia. Mas após conversa com o embaixador brasileiro no Paquistão, Alfredo Leoni, a polícia concordou em não enquadrá-lo inicialmente sob essa acusação.

“Aparentemente o rapaz tem problemas mentais. Falamos com ele e a família, que confirmaram a condição. Ele sabe que errou, e creio que teremos esse problema resolvido rapidamente, até segunda-feira”, disse Leoni.

Moreto está preso em um quarto na sede da polícia local de Islamabad, com cama e ar-condicionado. Está sendo tratado bem, segundo Leoni. Ele estava hospedado no hotel Pearl Continental de Rawalpindi, junto a Islamabad, e viajava pelo país havia cerca de três semanas.

Segundo Leoni, o incidente é inédito, e a polícia paquistanesa pediu um tempo para averiguar exatamente se Moreto esteve em Quetta e Peshawar e, afinal, o que fez por lá.

A família do rapaz disse ao Itamaraty que ele trabalha para o Banco do Brasil, mas Leoni não tinha como confirmar as informações. A embaixada colocou um advogado à disposição do brasileiro e pagou sua conta no hotel, deixando tudo pronto para sua imediata saída do Paquistão quando for solto.

CASO RAYMOND DAVIS
A preocupação é óbvia. Há um grande sentimento contra crimes praticados por estrangeiros neste país, em especial após o incidente Raymond Davis. O americano, contratado da CIA, matou dois paquistaneses no que chamou de tentativa de roubo.

Ninguém admite oficialmente, mas os paquistaneses também eram agentes secretos. Seja como for, houve uma grande comoção popular contra a soltura de Davis, que para os EUA tinha imunidade diplomática.

O caso acabou resolvido com o pagamento de US$ 2,4 milhões às famílias da vítima, o chamado “dinheiro de sangue” aceito pela Justiça local. Assim, Davis foi embora, mas há grande sensibilidade popular.

Seja como for, Cubek teve sorte. Se não fosse detido, não seria incomum se ele acabasse linchado pelos frequentadores da mesquita. A tolerância com o que é considerado blasfemo no Paquistão é baixíssima.

Clique aqui para ler a íntegra no site da Folha

Bin Laden foi morto a tiros em operação militar de 40 minutos

Folha Online -

O líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, foi morto com um tiro de um dos cerca de 20 militares da Marinha dos Estados Unidos que invadiram, de helicóptero, sua mansão de alta segurança em Abbottabad, a cerca de 50 km da capital paquistanesa.

A operação durou 40 minutos e deixou ainda um dos filhos de Bin Laden, uma mulher e dois homens mortos. Nenhum militar americano ficou ferido.

Os detalhes da ação ainda não foram confirmados pelo governo dos EUA, mas autoridades americanas e testemunhas paquistanesas revelaram algumas informações à imprensa.

“Depois da meia noite [16h em Brasília], um grande número de militares cercou o complexo residencial [de Bin Laden]. Três helicópteros estavam sobrevoando o local”, disse Nasir Khan, morador da cidade de Abbottabad, onde fica a mansão do líder terrorista.

“De repente, houve tiros do chão em direção aos helicópteros. Houve um intenso tiroteio e eu vi um dos helicópteros cair”, disse Khan, que viu a batalha de seu telhado.

Oficiais americanos consultados pela agência de notícias Reuters confirmaram que um dos helicópteros americanos foi perdido, mas disseram que houve uma falha mecânica e que todos os tripulantes foram retirados em segurança.

Um oficial americano citado pelo jornal “Telegraph” descreveu a operação como “cirúrgica”, realizada por uma equipe pequena para minimizar efeitos colaterais, termo que designa morte de civis.

Os militares teriam descido de corda no complexo de Bin Laden, que resistiu, iniciando um novo tiroteio no local. Bin Laden teria morrido com um tiro na cabeça. Os disparos dos marines americanos mataram ainda um de seus filhos e dois importantes aliados que viviam no complexo com suas famílias. Uma mulher também foi morta após ser usada como escudo humano por um dos homens de Bin Laden. Outras duas mulheres ficaram feridas.

Depois da ação, os americanos deixaram o local em helicópteros.

O governo paquistanês afirmou que só soube da operação quando ela havia acabado. Em pronunciamento feito na TV na noite deste domingo (1º), o presidente norte-americano, Barack Obama, confirmou a morte e agradeceu a ajuda do Paquistão. O trabalho conjunto foi mencionado no discurso (leia íntegra aqui).

A identidade da equipe que matou Bin Laden também está sendo mantida sob sigilo, mas o próprio Barack Obama revelou que a CIA (agência de inteligência americana) esteve envolvida no planejamento e execução da operação.

O que se sabe é que os homens fazem parte de uma unidade SEAL –a força de elite da Marinha, cujo nome é um anagrama com as iniciais de sea, air e land (mar, ar e terra em inglês).

Clique aqui para ler a íntegra no site da Folha

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