Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the category “Jornalismo”

PHA X Heraldo: juíz do DF absolve blogueiro a despeito de considerar injuriosa expressão “negro de alma branca”

O blogueiro Paulo Henrique Amorim foi absolvido no processo movido pelo MP do DF da acusação de racismo pelas injúrias que dirigiu ao jornalista Heraldo Pereira, da Rede Globo.

Argumentando que a representação contra PHA foi protocolada com 12 dias de atraso em relação ao prazo legal máximo de seis meses após a ofensa, o juíz Valter Araújo, da Quinta Vara Criminal de Brasília, decretou extinta a punibilidade do réu.

O magistrado, que se declarou avesso aos ditames do politicamente correto, reconheceu que constitui injúria qualificada a utilização da expressão ‘negro de alma branca’, com a qual PHA se referiu a Heraldo Pereira em seu blog. “Entendo que a expressão negro de alma branca constitui injúria, pois ofende a dignidade da vítima. E, por empregar elemento referente à cor, a conduta amolda-se ao tipo penal previsto no Art. 140, §3°, do CP”, sentenciou o juiz, que ao final inocentou o blogueiro pela perda do prazo legal para o protocolo da representação.

O Ministério Público vai recorrer da decisão.

Em São Paulo, PHA foi condenado em primeira instância por injúria racial em processo aberto na esfera cível por Paulo Preto, a quem o apresentador da TV do bispo Edir Macedo chamou de Paulo Afro-Descendente.

Câmara aceleram volta de diploma obrigatório para jornalistas

Deputados a favor da proposta de emenda constitucional (PEC) que torna obrigatório o diploma de nível superior em jornalismo, aprovada no Senado, tentarão acelerar a tramitação na Câmara.

A ideia é juntar a PEC a um outro projeto com conteúdo semelhante que já passou por todas as comissões. Outra hipótese é pedir que a proposta seja analisada por uma única comissão especial, o que permitiria levá-la a plenário até o fim do ano. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal derrubou a obrigatoriedade do diploma.

Ontem, o Congresso instalou o Conselho de Comunicação Social. Previsto na Constituição de 1988, o conselho estava inativo havia seis anos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Câmara estuda atalho para volta de diploma obrigatório – 09/08/2012.

Senado aprova obrigatoriedade do diploma de jornalismo

Rosa Costa

O Senado aprovou nesta terça-feira, 7, por 60 votos a favor e 4 contrários, o segundo turno da proposta de emenda constitucional que torna obrigatória a obtenção do diploma de curso superior de jornalismo para o exercício da profissão. O texto terá ainda de ser votado na Câmara dos Deputados, onde tramita uma proposta semelhante. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a exigência do diploma, imposta no regime militar, atenta contra a liberdade de expressão.

A emenda agora aprovada e a da Câmara são alvo do lobby patrocinado pela Federação dos Jornalistas (Fenaj) e por outras entidades sindicais. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi o único a se manifestar contra a proposta que, na sua opinião, interessa sobretudo aos donos de faculdades privadas ruins, “arapucas que não ensinam nada e que vende a ilusão de um futuro profissional”. “Não há interesse público envolvido nisso, pelo contrário, a profissão de jornalismo diz respeito diretamente à liberdade de expressão do pensamento, de modo que não pode estar sujeita a nenhum tipo de exigência legal e nem mesmo constitucional”, defendeu.

Ele lembrou que se a emenda for aprovada pelos deputados, a profissão de jornalista será a única a constar na Constituição. “Existem médicos, advogados e outros profissionais que são bons jornalistas, sem a necessidade de ter um diploma específico”, defendeu. “Será uma aberração colocar a profissão de jornalista na Constituição por razões meramente corporativas, para atender ao sindicalismo dos jornalistas, que é o mesmo que trabalha pelo controle social da mídia”, criticou

A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que, como jornalista diplomada, aprovaria a proposta “por questão de coerência. Já o autor da proposta, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), atribuiu as críticas à proposta de emenda aos “patrões” de empresas de comunicação, interessados em contratar profissionais não diplomados por um salário menor.

Beba na fonte: Senado aprova obrigatoriedade do diploma de jornalismo – politica – politica – Estadão.

A réplica de Boris Casoy aos ataques de Alberto Dines na revista da ABI

Por Boris Casoy

Alberto (ou Abraão ?) Dines, mais uma vez abre sua cloaca para atacar. De conhecido caráter, destituído de qualquer sentido moral ou ético, esse indivíduo tenta justificar com uma história da carochinha o fato de ter sido interventor da ditadura no Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Sua “explicação” não passa de um atentado à inteligência alheia. Imagine: em plena época de caça às bruxas, um grupo de jornalistas ligados ao Partido Comunista procura esse” ínclito” profissional pedindo sua intercessão junto ao gabinete do então presidente Castelo Branco, com o objetivo de destituir a direção do sindicato, legitimamente eleita. O governo aceita a sugestão e o nomeia interventor militar. É essa a versão que Dines tenta nos impingir

É evidente que só eram nomeados interventores aqueles que tinham a total confiança do regime. Dines, de maneira covarde, tentando dividir culpas com os comunistas, assume a sua ditadura particular. Tira um desafeto pessoal da presidência da entidade e , como se não bastasse, faz um sem número de cassações. É claro que zelosamente oculta esses fatos de sua biografia (ou folha corrida?). Se escapou da lei graças à Anistia, será inscrito entre os réus quando a ação da ditadura nos sindicatos tiver sua história levantada. Mais tarde demonstrou toda a sua “consideração ” com comunistas ao pedir – e por duas vezes – que eu os demitisse da sucursal da Folha de S.Paulo no Rio de Janeiro.

Não satisfeito, esse  senhor assaca contra mim a “informação ” ( gabola,ele sabe tudo!) de que a diretoria do jornal considerou um erro eu ter sido convidado para editor da Folha de S.Paulo. Se foi erro, o jornal errou duas vezes. Fui convidado – e assumi a função por duas vezes. Certamente, o grande equívoco do sr Frias foi não ter convidado esse “monumento” da imprensa nacional para dirigir a Folha (” Por que não eu?”). Aliás, em minha gestão , além do prestígio ganho, a Folha ultrapassou a circulação de todos os seus concorrentes. Ao contrario, o sr. Dines deu o tiro de partida na morte do Jornal do Brasil, o que levou Nascimento Brito a sacá-lo do comando da redação. A partir daí, um a um, Dines foi defenestrado de todos os órgãos de impresa em que trabalhou.

Ressentido, montou à sombra do Estado uma “Dineslândia” , na qual, brincando de Deus, dedica-se biliosamente a atacar os órgãos de imprensa em que trabalhou e os colegas.

Ninguém melhor do que ele para falar sobre censura. Julga os demais seres humanos tendo como modelo seu próprio caráter. Além da sua “mão de ferro” no JB, foi protagonista , mais recentemente, de um vergonhoso episódio censório. Depois de anunciar fartamente, cancelou a participação, em seu programa numa TV estatal, do autor de um livro sobre o senador Antônio Carlos Magalhães.

Esse pobre diabo primeiro mente ao afirmar que foi demitido pessoalmente por mim. Depois diz que fui covarde ao solicitar que o secretário de redação o fizesse. Eu não poderia fazê-lo. Estava na China. A demissão desse ruinoso indivíduo deu-se com plena concordância do sr. Frias. Dines era uma das poucas “vacas sagradas” do jornal e sua saída só poderia ser decidida com a direção maior.

Não foi apenas o fato de recusar-se a assinar um artigo contra Paulo Maluf que levou a sua demissão. Num ato falho, em meio a uma discussão sobre a sucursal do Rio, Dines acabou revelando que uma série de reportagens endossadas por ele sobre a Coca Cola era falsa. Ele fazia essa confissão anos e anos depois dos fatos. Ocultou durante muito tempo sua grave falha. Nessa série de reportagens forjadas, contava-se que um operário da Coca Cola havia caído num recipiente destinado ao fabrico do refrigerante. A empresa sofreu enormes prejuízos com isso. E Dines manteve seu erro em segredo. E mais: não teve a coragem de afastar o repórter que, segundo ele, forjara até documentos. A bem da verdade, Alberto (ou Abraão?) nada tinha contra a Coca. Era até apreciador. A partir daí, chegava ao ponto final a confiança que se depositava nesse senhor.

Há poucos dias, recebo em minha casa uma dessas almas de peregrinas virtudes. Propõe-se a “selar a paz” entre Boris e Dines. Tenta me convencer, pedindo compreensão, pois Alberto segundo ele, se submete a tratamento psiquiátrico. Respondo sentir muito. E que nenhuma demência, nem a senil, altera o caráter do indivíduo.

Isso me leva a um fato relatado pelo jornalista Júlio Lerner. Júlio pretendia escrever um livro sobre Stefan Zweig. E me perguntou se poderia receber sugestões de Dines, autor de um livro sobre aquele escritor. Recomendei. Dias depois, Júlio veio à minha procura. Tinha sido recebido por Dines, a quem não conhecia. Quando Lerner relatou que trabalhara na Folha, Dines lançou uma gravíssima e odiosa série de difamações sobre diretores do jornal, Em seguida, ao saber da intenção de Júlio Lerner de escrever algo sobre Zweig, não suportou a concorrência e, respondendo com um sonoro “ponha-se para fora”, saiu da sala. Constrangida, a mulher de Dines pediu desculpas e justificou o ato dizendo que o marido estava sendo submetido a tratamento psiquiátrico.

Louco ou mau caráter? Provavelmente os dois!

 

Atraso de salários motiva paralisação de funcionários da RedeTV!

Funcionários da RedeTV! interromperam suas atividades ontem, na sede da emissora, em Osasco (Grande SP), por causa do atraso no pagamento dos salários de junho.

Pela manhã, nenhuma equipe saiu para realizar gravações externas, o que prejudicou os telejornais do canal.

O protesto reuniu empregados da RedeTV! e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e TV no Estado de SP. Foi a primeira vez que funcionários da emissora com carteira assinada enfrentaram atrasos no pagamento.

O superintendente de operações do canal, Khaled Adib, reuniu-se com 400 funcionários e disse que os salários de até R$ 2.000 seriam pagos ontem. Os contratados que recebem acima disso ganhariam 20% de seu rendimento líquido também ontem.

Aos poucos, no início da tarde, os profissionais voltaram a seus postos. A direção da RedeTV! espera normalizar o pagamento até amanhã.

Muitos empregados demitidos em março, quando houve corte de 30% na folha de pagamento, não receberam quantias relativas a direitos trabalhistas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Atraso de salários motiva paralisação de funcionários da RedeTV! em SP – 12/07/2012.

Congresso debate em SP segurança de jornalistas

O crescimento do número de jornalistas assassinados no Brasil e medidas para aumentar a segurança desses profissionais serão dois dos principais temas do 7.º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que começa hoje, em São Paulo. Durante o evento, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o jornalista Tim Lopes, assassinado há dez anos por traficantes na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio, será homenageado.

“A morte do Tim foi o estopim para o nascimento da Abraji. Quando ele morreu, jornalistas do Rio, de São Paulo e até do exterior começaram a conversar e a trocar experiências”, explicou o presidente da entidade, Marcelo Moreira, da TV Globo. “A gente está no alto do ranking em jornalistas assassinados em 2012. Isso é preocupante. A maior parte desses crimes não tem uma investigação adequada. A morte de um jornalista é um atentado à liberdade de expressão.” Além de Tim, o congresso homenageará o jornalista Janio de Freitas, da Folha de S. Paulo, que completa 80 anos de vida e 59 de jornalismo.

De acordo com várias associações ligadas à defesa da imprensa, pelo menos quatro jornalistas foram mortos no Brasil, no primeiro semestre deste ano, por causa de suas atividades ligadas à informação – e outros dois por motivos ainda não apurados devidamente.

Beba na fonte: Congresso debate em SP segurança de jornalistas – politica – versaoimpressa – Estadão.

Uma história triste e duas versões conflitantes: a do jornalismo e a da História

Vi muitas coisas estranhas, tristes e constrangedoras lendo os Arquivos Digitais da Revista Veja dos anos 60 e 70. Mas nada parecido com o que vocês vão ler abaixo.

Aqui, não se trata de fulanizar a crítica, voltando a responsabilizar o editor da publicação na primeira metade dos anos 70, o jornalista Mino Carta, pelo alinhamento da publicação com o regime militar. Esse atrelamento ficou bem descrito e demonstrado nos posts anteriores que compõem a série Especial Ditadura. Como esses posts já foram igualmente objeto de critica e de uma explicação do editor, darei agora um passo adiante.

Passo a contar duas histórias muito diferentes acerca de um mesmo personagem que teve um fim trágico, o militante da VPR Massafumi Yoshinaga, jovem guerrilheiro que virou uma espécie de prenda involuntária do regime militar à custa de muita humilhação e torturas. Uma pertence ao campo do jornalismo. Outra, ao da História.

Em 15 de julho de 1970, o rosto desse jovem foi exibido na capa de Veja ao lado da manchete “Terror Renegado”, reproduzida no alto desta página.

A reportagem foi apresentada em editorial assinado por Mino com a seguinte justificativa: “alguns moços, ex-integrantes de bandos terroristas, descobriam e declaravam que o caminho da subversão não leva ninguém a nada”.

A reportagem, que começa na página 16, recebeu o título “Autocrítica do Terror”. Começa descrevendo a alegria do ditador Médici com as menções elogiosas do ex-militante da VPR à Transamazônica, a suas incursões pelo Nordeste e à extensão do mar territorial brasileiro para 200 milhas.

Detalhe da reportagem de capa: a prenda e o júbilo do regime

“À primeira vista, seria apenas a satisfação do comandante supremo da Revolução, e portanto o mais alto responsável pelo combate à subversão, pelo arrependimento de um jovem inimigo do regime, de repente ressurgido à razão pelos acertos do próprio governo que combatia”, diz o texto da crédula reportagem.

A revista não atentou para o fato de que não fazia sentido, naquele momento da história, que um ex-guerrilho, sob custódia dos militares, tecesse loas às obras do “Brasil Grande”. A exposição de seu rosto na capa era a foto de um troféu que a ditadura obteve com suas maquininhas de provocar arrependimento de alta voltagem — e os socos e pontapés com que os jagunços dos quartéis e da polícia costumavam brindar quem se insurgia contra o regime.

O curioso é que a semana anterior havia sido pródiga em arrependimentos públicos de presos políticos. Que o diga o jornalista Celso Lungaretti, outra prenda colocada na mesma cesta servida pela ditadura à opinião pública por intermédio de Veja. Traído pelos próprios companheiros, foi obrigado a exortar os jovens brasileiros a não se deixarem seduzir pela impaciência na luta em prol das reformas — e a apoiar os projetos do governo de então. “O Brasil ingressa num período durante o qual as conquistas nacionais vão, pouco a pouco, se afirmando, abrindo para a Nação um caminho de esperanças”. Ninguém desconfiou que essa frase soava estranho na boca de um ex-guerrilheiro.

Lungaretti consumiu 34 anos de sua vida para se reabilitar. Só conseguiu isso em 2004, depois de lançar o livro “Náufragos da Utopia”. Logrou resistir ao patrulhamento e à perseguição implacável, primeiro do regime, depois dos ex-companheiros que falsamente lhe atribuíram a denúncia de um campo de treinamento da VAR-Palmares.

Um amigo seriíssimo, pautado por sua revista para a apresentação dos “arrependidos”, se lembra muito bem do dia em que os “terroristas” concederam a estranha entrevista na sede do Segundo Exército. “Minha impressão era a de que haviam feito uma lavagem cerebral com eles”, relembra o repórter 42 anos depois. “Eles pareciam dopados”.

Com sua morte precoce, ocorrida de maneira trágica seis anos depois, Massafumi entrou para o rol dos renegados e esquecidos até ser resgatado por Pérsio Arida. Ele escreveu um lindo artigo para a edição 55 da Revista Piauí contando o que, salvo dentro de seu ambiente familiar, pouca gente sabia: seu envolvimento com a VPR aos 18 anos de idade.

Arida revelou que participou de um único ato “revolucionário” — a colocação de uma faixa na boca do Tunel da Avenida 9 de Julho, em São Paulo, com um bordão contra os patrões e o capitalismo. Caçado como um terrorista de alta periculosidade, escondeu-se numa garçonnière que o pai mantinha em conjunto com um amigo.

Antes desse ato, por uma única noite, abrigou um militante a pedido de sua organização. Era Massafumi. Pérsio Arida descreve assim o encontro de ambos:

“Foi-me pedido que desse guarida, por uma noite apenas, a um homem da pesada, procurado. Era um revolucionário de verdade, que andava armado e fazia ações revolucionárias. Concordei relutantemente – uma noite apenas, ele tem que ir embora no dia seguinte pela manhã, bem cedo, antes das empregadas ou meus pais acordarem.

Ele chegou na hora combinada e entrou na casa rapidamente, como que fugindo de uma perseguição. Para minha surpresa, estava visivelmente amedrontado. Não largava a arma. Um nissei mirrado e com rosto de criança, nervoso e inseguro, completamente diferente dos revolucionários de verdade que imaginava existirem. Temeroso de qualquer envolvimento maior, expliquei onde eram o banheiro e a cozinha, dei boa-noite e foi só”.

O próximo encontro entre ambos ocorreu nas instalações da OBAN e é descrito desta forma na entrevista à Piauí:

Todos fomos reunidos sem aviso no pátio para ouvirmos a preleção de dois ex-terroristas. Por um instante sequer entendi a expressão – se haviam sido presos, eram ex-terroristas por definição. Outro, no entanto, era o significado – eram terroristas arrependidos.

Massafumi Yoshinaga, disse um dos militares. Um patriota que se arrependeu dos assaltos a bancos e da guerrilha. Ele, que conhece o terror por dentro, quer transmitir a vocês uma mensagem importantíssima. Ouçam e meditem. É um pregador que presta um serviço à pátria, alertando a juventude brasileira para os riscos do comunismo e as ilusões da luta revolucionária.

Fiquei branco. Era o nissei da pesada que se hospedara na minha casa. Estava exatamente na minha frente. Impossível que não me tivesse reconhecido”.

Pérsio Arida temia que o japonês arrependido o delatasse. Conseguira ler trechos de um relatório policial que estava sobre a mesa de um delegado. E conduzira suas respostas aos interrogatórios para a confirmação de informações que os militares já conheciam. Até então, havia sido bem-sucedido em sua estratégia de dissimulação . Diante da troca de olhares com Massafumi, passou a esperar o pior:

“Passei aquela noite em claro, esperando o momento em que fossem me chamar para uma sessão de torturas, de vingança. Havia escondido um terrorista em minha casa, portanto era cúmplice do terror, e não havia dito nada sobre o nissei no meu depoimento. Os caras iriam me bater para saber quem mais se escondera na minha casa.

O dia raiou, mais um dia inteiro se passou e outro e outro. Nada. Reinterpretei a situação: Massafumi Yoshinaga deve ter sido barbaramente torturado, pensei, faz esse papel de arrependido só para se livrar dos suplícios. É tudo fingimento. Por isso não me denunciou, por isso não nos permitiram conversar com ele a sós. Aquele discurso tinha sido um vexame público, vergüenza ajena, expressão concisa e intraduzível do espanhol, mas nada além de um vexame, uma estratégia de sobrevivência”.

Arida ainda se depararia com Massafumi duas outras vezes. Foram encontros indiretos, por intermédio das páginas de veíuclos da chamada grande imprensa.

“Um dia encontrei, largada num canto e amarelada pelo passar do tempo, uma Veja com Massafumi Yoshinaga na capa e o título “O terror renegado”. A reportagem contava que o presidente Emílio Garrastazu Médici expressara, em audiência com dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil, sua satisfação com o depoimento público e espontâneo do ex-terrorista. (…)

Li depois num jornal que terminou se suicidando. Suicídio de vergonha, de culpa e arrependimento, haraquiri de uma alma que não encontrava mais lugar neste mundo. Terrível como todo suicídio. Mas quem chora a morte de um traidor? Da minha parte, prefiro guardar dele apenas a memória daquele encontro furtivo de olhos no qual, mesmo tendo me reconhecido, nada revelou ao militar que com tanto orgulho o apresentou como um verdadeiro patriota”.

Eis o que aconteceu a Massafumi Yoshinaga. Seis anos depois, devastado pela vergonha e pela depressão, pôs fim à própria vida após duas tentativas de suicídio malsucedidas. As declarações públicas de arrependimento, que segundo Veja causaram tanto júbilo ao governo militar, foram obtidas mediante a utilização dos mais cruéis e abjetos métodos de tortura. Deixaram nele uma ferida profunda e mortal, algo como um cancer que vai fincando tentáculos em todos os tecidos e órgãos para, ao final, matar o hospedeiro. A vergonha pela falsa confissão do arrependimento que não lhe restituiu a vida — apenas adiou a morte por alguns anos de muito sofrimento.

É impossível saber quanto o relato de Veja, que mimetizava a grande conquista do regime, teve responsabilidade sobre o quadro mental que se instalou no ex-guerrilheiro arrependido. Mas pode-se imaginar o estrago que essa exposição provocava à época.  Afinal, que espaço vital teria restado ao militante Massafumi Yoshinaga depois de ser apresentado ao País como um dos trunfos do regime dos quartéis, um caso de conversão quase religiosa ?

Ao forjar um depoimento público para se livrar das sevícias e do suplício, não restou a Massafumi alternativa a não ser, como na letra de Cazuza, encontrar abrigo no peito de seu traidor. Apesar de ter tido sua pena anulada, o ex-guerrilheiro permaneceu em poder dos torturadores — não mais porque representasse uma ameaça ao regime, e sim para protegê-lo da sanha do justiçamento dos próprios ex-companheiros no tribunal sumário da insurreição.Apanhando da direita, perseguido pela esquerda, envergonhado pelo que fora forçado a fazer, o ex-militante buscou no suicídio a redenção de uma honra aviltada pelas sevícias morais e físicas que lhe haviam sido impostas.

Outros tiveram altivez para enfrentar o legado daquela execração. Aí está o combativo Celso Lungaretti como testemunha das dores provocadas primeiro pelas pancadas, depois pela estigmatização e patrulhamento, que entregou metade de sua vida à busca da reabilitação moral — porque delatar companheiros é uma acusação que se inscreve mais no campo da moral do que no pragmatismo da política e da ideologia, onde produz seus efeitos.

Entre o relato comprometido de Veja, o suicídio de Massafumi Yoshinaga e o testemunho de Pérsio Arida há uma larga zona de fronteira que separa o jornalismo da História. A visão míope do jornalista está conformada pelo pensamento hegemônico que determina a linha editorial. A História, muito mais ampla, repõe, com elementos de lucidez ausentes na interpretação parcial e apressada dos fatos transformados em notícia, algo que se aproxima da verdade. É o caso da desventura narrada neste post.

Como se vê, entre a verdade cristalizada num fotograma da factualidade política e o filme todo da História há uma distinção abissal. A profundidade desse abismo pode ser depreendida da releitura dos textos produzidos à época.  Este blog, que não descontextualiza declarações para construir a crítica, tem como política fornecer a íntegra dos  originais referidos para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões. Para os que quiserem se dar ao trabalho de fazer esse exercício de prospecção, reproduzo abaixo a íntegra da reportagem de Veja. O download do material em formato PDF pode ser feito aqui.

O artigo de Pérsio Arida pode ser lido diretamente no site da Revista Piauí. Para chegar a ele, basta clicar aqui.

 

 

 

 

Calúnia X Calúnia

Por Lúcio Flávio Pinto, em Cartas da Amazônia

“Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias”, lamenta-se Mino Carta na última edição da sua revista Carta Capital, respondendo aos ataques de que se declara vítima por parte dos jornalistas Fábio Pannunzio, Demétrio Magnolli e Reinaldo Azevedo.

A polêmica entre os três jornalistas e Mino está acesa e já tem bastante protagonista para dispensar minha participação. Mas esse lamento e o que Mino disse para justificar a invocação do seu nome como escudo motivam meu aparte na discussão.

Não há dúvida que o passado de Mino Carta garante sua inclusão na história do jornalismo brasileiro. Ele tem sido um dos melhores criadores de publicações da imprensa nacional. Há sua assinatura em produtos como a Edição de Esportes e o Jornal da Tarde, de O Estado de S. PauloVejaIstoé e a própria Carta Capital.

Excetuada a edição esportiva do Estadão, as outras criaturas forjadas em papel continuam em plena circulação. Atestam a capacidade do criador, apesar de seus eventuais escorregões, como no malfadado Jornal da República.

Nem por isso o seu passado é uma barragem intransponível pelas críticas ou um elemento mágico, capaz de transmudar de pronto restrições feitas a ele em calúnias prontas e acabadas. A história de Mino Carta o expõe e sujeita a essas críticas.

Ele é tão ciente desses flancos que uma de suas obsessivas preocupações é refazer e retocar a própria história, obra em permanente processo. Talvez acredite que tomando a iniciativa inibe os demais de se lançar sobre o seu passado. Confere-se direitos autorais plenipotenciários sobre si, sem contemplação, sem qualquer alternativa.

Mino Carta exige respeito ao seu passado enquanto viola o passado dos outros. Numa das suas frases mais infelizes, desafia seus caluniadores a se manifestarem “a respeito de quem na mídia brasileira se perfilava illo tempore ao lado da ditadura. Ou seja, quase todos”.

Enquanto quase todos se submetiam à ditadura, Mino Carta era o guerreiro quase solitário a enfrentar os censores e outros avatares, mantendo sua trincheira inexpugnável contra os ataques das feras. Mal informados sobre esse passado, as pessoas de hoje acham “que a censura foi ampla, geral e irrestrita”, quando, na verdade, foi facilitada pela subserviência de quase todos os jornalistas.

Muito menas verdade, doutor Mino.

Não é verdade que o retumbante fracasso da edição inaugural de Veja, datada de 11 de setembro de 1968, tenha derivado da sua capa, com a foice e o martelo do comunismo em negro sobre fundo vermelho, que “já irritou os fardados”. O subtítulo da matéria de capa foi “o grande duelo no mundo comunista”. Cabia como luva em qualquer publicação financiada nessa época pela CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos no embalo da guerra fria (para maiores informações, leia-se o livro “Quem pagou a conta?”).

Os leitores menos atentos imaginaram tratar-se de publicação ideológica inspirada pelo USIS (mas não abusis), o serviço de informação de Tio Sam, generoso e abundante. O texto da reportagem não ajudava a desfazer essa impressão. Resultado: encalhe de quase toda a edição. O mundo ainda vivia sob o halo da revolução dos joven. Foi preciso “refundar” a revista, conforme hoje se diz.

Prima dois anos mais velha do novo magazine, a mensal Realidade não conseguiu essa façanha. Lançada em 1966 pela mesma Editora Abril, a revista foi numa escalada de sucesso — de público e de crítica — quando baixou a tumba da liberdade, o AI-5, em 13 de dezembro de 1968. A cabeça deRealidade, esta, sim, muito irritante aos centuriões do poder, foi oferecida na bandeja ao regime.

Veja prosseguiu e sobreviveu: uma concessão ali, um avanço acolá, jeitinho num dia, sujeição no outro, conforme foi possível e permitiam as negociações de bastidores entre alguns personagens menos teratológicos do poder militar e atores mais hábeis do poder desarmado. Mas não só Mino, grande jornalista que nunca foi ao front, mantendo-se sempre na estratégica e lúcida retaguarda. Outros interlocutores também contornaram impasses que salvaram Veja e sacrificaram Realidade.

Ser personagem dessas tratativas ocultas em nada favoreceu Mino na reconstituição dos fatos, muito pelo contrário. Ele é o herói impoluto em todos os momentos, que podem ser traçados conforme um AM e DM (antes e depois de Mino). Após sua passagem, um território arrasado. Com ele, seguiram as joias da coroa para a nova empreitada. Depois dele, a desolação.

É com esse enredo que lega aos mais novos, que acorrem desinformados às suas brilhantes palestras, sua passagem pelo jornal que só não foi mais influente ao longo da república brasileira do que o carioca Correio da Manhã. Vítima dos facínoras do poder armado e de uma esquerda inconsequente, o Correio chegou melancolicamente, em 1974, ao fim da trajetória marcante iniciada em 1901,.

Mino Carta tem a coragem de afirmar no seu artigo que o Estadão, primeiro, e o Jornal da Tarde, em seguida (quase que por efeito gravitacional), foram punidos pelo governo militar com a censura na redação como resultado “de uma briga em família. O jornal apoiara o golpe, mas sonhava com a devolução do poder a um civil, desde que se chamasse Carlos Lacerda”.

Essa fantasia tem o propósito de revelar ao distinto público que resistência à censura — heroica e digna — foi a de Veja, sob a batuta de Mino; porque a do Estadão, de onde ele já saíra, por rompante de indignação, era motivada por interesses menores — e nada republicanos, como hoje também se diz.

Novamente não é verdade. O grande conspirador foi Júlio Mesquita Filho, que se tornou um autêntico revolucionário (ou contrarrevolucionário, as expressões são utilitárias no Brasil), impulsionado pelo ódio a Getúlio Vargas, sentimento partilhado por seu amigo e ídolo Carlos Lacerda. É bem provável que o “doutor Julinho” tenha escrito o editorial “Instituições em frangalhos”, através do qual reagiu com todo vigor ao AI-5, provocando a censura ao jornal, com esperanças ainda em Lacerda.

Mas logo depois ele morreu (em 12 de julho de 1969) e quem o substituiu foi o filho mais velho, Júlio Mesquita Neto, e não aquele que se achava mais preparado para assumir a condução editorial do porta-voz da plutocracia paulista. Foi Ruy Mesquita quem seguiu a filiação do pai a Lacerda, mesmo depois que o ex-governador carioca foi cassado, sua Frente Ampla não deu certo e ele só saiu do arquivo morto para dar um memorável Testemunho a repórteres do Jornal da Tarde, o vespertino que restou a Ruy (o livro, publicado em 1978, é lido com proveito mesmo por quem detesta Lacerda).

Júlio Neto não partilhou essas ideias. Ciente de que a sucessão, se tivesse que seguir a lógica da história e não a cronologia da família, caberia ao irmão mais novo, fopi atrás da própria biografia. Enfrentou a censura como nenhum outro dono de jornal a partir do AI-5. Com seu apoio e, às vezes, o seu estímulo, dezenas de jornalistas em todo país reagiram não só à censura na redação, mas ao próprio regime pelo país afora. Com coragem, alto espírito público e refinado profissionalismo. Sem nunca vergar a coluna. Sem salamaleques com os tiranos do dia ou do local. Sem papos de Settembrini com Naphta, como em A Montanha Mágica, de Thomas Mann

É a eles todos (em nome dos quais homenageio um dos maiores de todos, Raul Martins Bastos) que Mino Carta ofende com mais uma das suas frases espirituosas e falsas. Tão falsa quando ele intitular o primeiro Mesquita como o fundador do Estadão. Uma simples consulta o levaria a verificar que Júlio Mesquita só assumiu a direção do jornal, ao qual chegara dois anos antes, levado pelas mãos do sogro (e pelo capital do pai), 16 anos depois da fundação da então A Província de São Paulo, em 1875.

Calúnia paga com calúnia não é jornalismo, doutor Mino. Não é nada.

A trama da Imprensa marrom de MT contra as denúncias do Blog do Pannunzio

Coube ao blogueiro Enock Cavalcanti, ex-assessor do PT, iniciar uma campanha contra a iniciativa do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso de mandar apurar a denúncia, trazida ao Blog do Pannunzio por advogados que atuam naquele estado, de que o mercado negro da venda sentenças permanece ativo.

Em sua página eletrônica, Enock afirmou que “Fábio Pannunzio talvez não tenha respeitado a regra que diz que  “jornalismo sério e investigativo não se limita a soltar notas de fofocas e maledicências – investiga a origem da notícia, cruza informações e publica matérias bem assentadas”.

Ao contrário do que afirma o defensor do abafamento, o Blog do Pannunzio publicou um post dando pistas concretas para investigar o assunto. Os elementos alinhavados ali nem de longe constituem “fofocas e maledicências”. Os fatos estão descritos num habbeas-corpus da lavra do desembargador José Tadeu Cury, que trancou uma sindicância para beneficiar o colega Círio Miotto, afastado do TRE sob suspeita de vender sentenças. Tadeu Cury é casado com a advogada Célia Cury, litisconsorte de Miotto no processo aberto pelo STJ para apurar os descalabros da Justiça matogrossense.

Enock Cavalcanti, no exercício abjeto do pior jornalismo, pergunta: “Será que o desembargador Rubens de Oliveira prefere bancar o quixotesto, perseguindo as fantasias delirantes de um jornalista que não é capaz de detalhar a denuncia que formula, enquanto a juiza está aí mesmo, clamando há meses para falar, sem ter uma autoridade do TJMT disposta a ouvi-la?” É uma referência às denúncias de uma ex-juíza que apontam no mesmo sentido: para as evidências de que o esquema de venda de sentenças foi reativado com a volta, pela via de uma liminar concedida pelo Ministro Celso de Mello,  dos juízes aposentados compulsoriamente pelo CNJ.

Como se vê, jornalistas de aluguel a serviço da BESTA, como Enock Cavalcanti, fariam melhor se cumprissem seu papel de fiscalizar os Poderes, função precípua do jornalismo autêntico, ao invés de se lançarem às injúrias contra colegas que fazem o que eles não têm coragem ou motivação para fazer.

Desafio aos leitores

Quero fazer um convite aos dois leitores mais ativos da área de comentários do blog: Big Head e Jotavê. Os dois têm uma visão política antagônica e duelam vigorosamente em torno das questões abordadas neste espaço.

Gostaria que ambos lessme as edições de Veja apontadas por Mino Carta como prova de que não houve alinhamento à ditadura militar brasileira. Estão no Arquivo Digital de Veja. As edições são as de número 1 (com a foice e o martelo na capa, de 11/09/68) e 66 (sobre a tortura, de 10/12/69).

Prometo publicar integralmente as conclusões de ambos. Vou sugerir um limite de 2 mil caracteres para que os textos se equivalham em tamanho.

Como tenho certeza de que eles vão topar o desafio, aguardo com ansiedade suas impressões para estampar aqui na página do blog.

 

Aos navegantes da BESTA: não adianta chorar, vocês perderam mais uma!

Anteontem, quando postei aqui que o ministro Gilmar Mendes decidiu revelar o assédio de Lula porque Lula estava espalhando boatos contra ele, fui trucidado pela claque da BESTA (BLogosfera Estatal). O Twitter do Blog do Pannunzio virou um lixo. Foi inundado por centenas de mensagens de pessoas que me chamavam de tudo o que há de ruim e nefasto. Mais uma vez tentaram manchar a minha reputação, arrasando com meus trinta anos de jornalismo.

A informação ficou apenas por aqui, virou uma espécie de privilégio dos leitores deste blog. Entendo a cautela dos que decidiram não repercuti-la. Afinal, afirmar que o que gerou o episódio foram boatos espalhados pelo próprio Lula parecia ser pesado demais. Os demais jornalistas agiram com responsabilidade e cautela.

Ocorre que a informação, como tudo o que veiculo neste espaço, foi checada à exaustão. E as 24 horas que se seguiram ao post serviram para confirmá-la integralmente.

Gostem ou não das minhas posições, os leitores do meu blog obtiveram as respostas para as dúvidas que restavam sobre o episódio. Pois é exatamente esse o papel que cabe a um jornalista: informar a sociedade. Ele foi cumprido, a despeito dos palavrões e infâmias que recebi até que Gilmar Mendes confirmasse o que eu afirmei.

Informação é direito do leitor e dever do jornalista. O meu papel foi cumprido. E mesmo os que vêm até estas páginas somente para tentar me associar ao golpismo propalado pela BESTA saíram no lucro. Lucro dobrado, aparentemente: ficaram sabendo o que queriam saber e ainda cravaram o besteirol costumeiro com seus palavrões e aleivosias de sempre.

Perderam duas vezes. A informação era correta e não havia nenhum motivo para colocar minha reputação em xeque. É o que importa.

Agora questionam minha crença nas palavras de Gilmar Mendes. Respondo: isso é irrelevante. Até o momento, o outro lado da contenda preferiu o silêncio a enfrentar o problema. Lula não disse nada ainda sobre o episódio. A nota do Instituto Lula é ridícula e não contém nenhum desmentido do ex-presidente petista. Portanto, há apenas uma versão sobre o fato: é a do ministro do STF.

Não há mais nada em que crer ou descrer.

Confirmando o blog: Gilmar Mendes diz que fofocas de Lula são “gangsterismo, molecagem, coisa de bandido”

Fac-símile do Cartão Fidelidade de Gilmar Mendes prova que ele não viajou no avião de Cachoeira

O ministro Gilmar Mendes qualificou como “gansterismo”, “molecagem”, “coisa de bandido”, produto de uma “lógica burra, irresponsável, imbecil” o ataque infamante de que tem sido vítima desde que se encontrou com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva no dia 26 do mês passado.  E quem estava por trás dos boatos ? “As notícias que me chegaram eram de que sim, de que ele era a central de divulgação disso. O próprio presidente”.

A campanha contra o ministro do STF tem mobilizado os sites da BESTA (Blogosfera Estatal), que há vários dias vêm veiculando uma campanha caluniosa contra ele. O eixo dessa campanha consistia em espalhar pelas redes sociais da internet a suspeita, afirmada como verdade, de que o magistrado havia viajado à Europa às custas de Carlinhos Cachoeira, com quem teria se encontrado em Berlin.

Gilmar Mendes divulgou uma cópia de seu cartão de milhagem da TAM para provar que não pegou carona em avião do bicheiro Carlinhos Cachoeira na perna final da viagem, no trecho entre São Paulo e Brasília. E  tornou público o convite feito pela Universidade de Granada para proferir palestras. As passagens internacionais foram pagas pelo STF.

O Blog do Pannunzio antecipou, na noite segunda-feira, que o magistrado do STF havia decidido tornar público o diálogo que travou com Lula porque o próprio ex-presidente vinha espalhando informações que visavam macular sua honorabilidade. O propósito da campanha infamante era, segundo Gilmar Mendes, criar embaraços que pudessem levar a corte constitucional a adiar a votação do Mensalão.

“Querem constranger o tribunal. É preciso encerrar de uma vez por todas com isso. Não quero ter relação com bandidagem e quem está fazendo isso é bandido”, afirmou. “O objetivo era melar o julgamento do mensalão, dizer que o Judiciário está envolvido em uma rede de corrupção. Era isso. Tentaram fazer isso com o [Roberto] Gurgel e estão tentando fazer isso agora”, asseverou Gilmar Mendes.

O ministro revelou, ainda, que viajou duas vezes em táxis-aéreos a convite do ainda senador Demóstenes Torres, de quem é amigo pessoal. O destino das duas viagens era Gioânia, GO. Em uma delas foi acompanhado por Nelson Jobim e Dias Tóffoli. Na outra, por Tóffoli e a ministra Nancy Andrighi, do STJ.

Mensalão está ‘maduro’ para ser julgado, diz presidente do STF

No portal G1

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, disse nesta segunda-feira (28), em São Paulo, que o processo do mensalão está “maduro” para ser julgado.
Neste final de semana, a revista “Veja” publicou reportagem segundo a qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sugerido ao ministro Gilmar Mendes, do STF, para ajudar a adiar o julgamento do mensalão em troca de “proteção” nas investigações da CPI do Cachoeira.
“O que a sociedade quer, o que a imprensa quer, é compreensível. É o julgamento do processo, sem predisposição, seja para condenar, seja para absolver. O processo está maduro para ser julgado, chegou a hora de julgar”, afirmou Britto, que participou em São Paulo do 5º Congresso da Indústria de Comunicação.
O presidente do Supremo disse esperar que o julgamento aconteça rapidamente, mas afirmou que isso depende do ministro Ricardo Lewandowski, encarregado de fazer a revisão do relatório elaborado pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão. “Já me encontro em fase de logística, de elaboração de cronograma [do julgamento], mas estou na dependência do ministro [Lewandowski]”, afirmou.
Ele disse que o ministro Lewandowski não sinalizou se entregaria o processo agora ou se o fará no segundo semestre.
“Rigorosamente não sei [quando ele entregará]. Mas estou preparado para ultimar a logística, a formatação do julgamento, e, tão logo o revisor, o ministro Lewandowski disponibilize o processo para a pauta de julgamento, darei o início. Farei a publicação devida no ‘Diário da Justiça’ e darei, junto aos outros ministros, início ao julgamento”, declarou.
Britto não respondeu se Lula pode ser responsabilizado de alguma forma em razão do episódio com Gilmar Mendes.
“Foi um diálogo protagonizado por três agentes, três pessoas. Dois desses agentes já falaram, falta o terceiro. Aguardemos a fala do terceiro [o ex-presidente Lula]. (…) Não tenho como responder por antecipação”, declarou.

Beba na fonte: G1 – Mensalão está ‘maduro’ para ser julgado, diz presidente do STF – notícias em Política.

Uma pérola sobre Ayrton Senna no Youtube

Sugestão do meu amigo do peito Eduardo Crosara Machado, que foi quem garimpou a pérola no Youtube. Sem dúvida, uma das melhores matérias feitas sobre Ayrton Senna. Vale a pena assistir até o fim e ver a autocrítica do repórter.

[youtube]http://http://www.youtube.com/watch?v=sBNhkylfEnc[/youtube]

O preço do aluguel da pena. Ou o governismo como um (ótimo) negócio

Todos os que leem regularmente este blog sabem da minha posição crítica em relação à atuação dos blogueiros chapa-branca. Essa crítica nasce da minha convicção absoluta de que o que move os editores da malha de blogs da BESTA (Blogosfera Estatal) não é a militância política nem o romantismo ideológico. O ânimo desse governismo de aluguel é o lucro — e ele tem sido muito fácil para os que aderiram à esculhambação geral e às campanhas para injuriar qualquer pessoa que não concorde com a defesa escancarada  de gente como José Dirceu e de métodos como o Mensalão.

Ao longo dos três últimos meses, o Blog do Pannunzio vem revelando como o negócio do governismo pode ser bom para jornalistas de aluguel — apesar dos efeitos deletérios que ele gera para o conjunto das instituições brasileiras. O caso mais crasso é justamente o de Paulo Henrique Amorim, que entrou no foco desta página eletrônica graças  às campanhas de perseguição permanente a jornalistas sérios como Heraldo Pereira, da Rede Globo, contra quem o editor do Conversa Afiada lançou mão do jargão racial para sustentar uma mentira — a de que ele seria subordinado ao ministro Gilmar Mendes, do STF.

A apuração, que ainda está longe de terminar, já revelou que o Estado tem sido utilizado como patrocinador exclusivo dessas injúrias. Não há registro de patrocínio privado ao blog que chefia a claque da BESTA nos últimos seis meses. Mas há dinheiro a rodo do contribuinte brasileiro, que segue pagando a conta por intermédio de algumas estatais refratárias à transparência que o próprio governo pretende imprimir nos negócios da administração pública.

Até agora, sabe-se que o pagador de impostos foi onerado em pelo menos R$ 1,27 milhão, valor das verbas publicitárias que a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), os Correios (R$ 120 mil), o governo do Rio Grande do Sul (R$ 27 mil) e o Banco do Brasil (R$ 147 mil) destinaram ao blogueiro em vários contratos dos últimos três anos. A esse valor há que se acrescentar também publicidade da PETROBRAS e da ANP. Tudo isso para sustentar as campanhas infamantes que suscitaram os “mais de 40 processos” dos quais PHA se ufana — e que têm rendido a ele, além de dinheiro fácil, também muitos aborrecimentos com seguidas condenações judiciais pelas ofensas que vem proferindo. Só esta semana houve três condenações em dois dias — um recorde nada invejável.

Fim do segredo. Paulo Henrique Amorim recebeu quase R$ 150 mil do BB em dois anos

R$ 147.483,56. É quanto o site Conversa Afiada, editado pela PHA Comunicação e Serviços, do jornalista Paulo Henrique Amorim, recebeu de patrocínio do Banco do Brasil entre 2010 e 2011. A informação foi obtida pelo deputado Rubens Bueno, líder do PPS na Câmara, em resposta a um requerimento encaminhado ao banco estatal. Os valores informados  não contemplam patrocínios cedidos em 2012. O BB segue patrocinando o site do chefe da claque da BESTA na internet.

As verbas alocadas no ano passado praticamente dobram o que PHA obteve me 2010. Naquele ano, quando pela primeira vez o blog obteve acesso às verbas de propaganda do Banco do Brasil, o valor pago a ele foi de R$ 53.883,87. No ano passado, PHA faturou R$ 93.599,99.

Há dois meses o Blog do Pannunzio tentava obter essa informação da Assessoria de Imprensa do Banco do Brasil. Houve quatro negativas. Em todas elas, alegou-se que a divulgação dos dados estava proibida por sigilo contratual e poderia por a instituição em desvantagem diante de seus concorrentes, uma vez que   poderia revelar a estratégia de marketing do BB.

A PETROBRAS, outro patrocinador frequente do Conversa Afiada, também se recusou a revelar o valor da verba destinada ao blog do apresentador da TV do bispo Edir Macedo com argumentos semelhantes.

Cliente VIP

Nenhum outro blog recebeu do Banco do Brasil tanta verba de patrocínio como o de Paulo Henrique Amorim. Sites com muito mais audiência e conteúdos semelhantes ficaram em desvantagem. Um exemplo disso é o Dinheiro Vivo, do jornalista Luis Nassif. Ele obteve no ano passado R$ 86.618,40, 7,5% menos do que o Conversa Afiada. No Alexa, PHA ocupa a 370ª posição, enquanto o portal de Luis Nassif aparece 46 posições à frente, em 334º lugar. Outro site petista contemplado com as verbas do BB é o Carta Maior, que recebeu apenas R$ 3.096,77 em 2011. Ele ocupa o 1334º lugar no ranking do Alexa.

Tem uns robozinhos visitando meu Twitter. Os nomes são criativos

O Twitter do Blog está recebendo visitas inesperadas. São robozinhos com nomes simpáticos: C3Po, In Dog We Trust (o mais criativos de todos), Chapinha, Chapa Branca…

Quase todos têm oito seguidores. Não entendo nada de internet, mas fiquei sabendo que o fato de ter quase nenhum seguidor e promover a reprodução em massa dos tuítes é o objetivo dessa galera.

Bem, eu não contratei robô nenhum.

Acho que eles gostam dos meus textos porque ficam espalhando entre eles mesmos o que escrevo. Presumo que sejam alfabetizados, mas beirem o analfabetismo funcional porque uns copiam os microposts dos outros,  ficando limitados a isso. Ainda não entendi como isso pode aumentar a audiência. Por enquanto, apenas poluiu o desktop do Twitter do blog.

Se você quiser saber exatamente a que estou me referindo, visite o Twitter do blog. O endereço está aqui: http://twitter.com/blogdopannunzio .

Aviso aos navegantes da BESTA: fiquem de olho no Conjur

Daqui a pouco o site Consultor Jurídico vai publicar notícias importantes. Podem não ser boas para vocês, mas são extremamente importantes para todos os que cultivam a democracia e a liberdade de expressão como valores absolutos.

Vocês vão ter três bons motivos para lustrar as ferraduras.

Cadê a provas da “conspiração golpista” da “velha mídia” ?

Quase dois meses já se passaram desde que vieram à baila as primeiras “informações” de que a Revista Veja e seu editor Policarpo Jr. estariam comprometidos com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira em uma conspiração permanente com os governos petistas. A alegação chegou a desnortear os primeiros trabalhos da CPI instalada para investigar o bicheiro e foi usada como arma de ataque por gente como Fernando Collor, apeado do Poder, em boa medida, por uma reportagem da revista agora sob ataque severo.

Aos ressentidos com a imprensa formal se juntaram áulicos do movimento para melar o Mensalão. Foi um desastre: além de colocar na pauta diária a necessidade de julgar José Dirceu e seus quase 40 quadrilheiros, nada se comprovou sobre o envolvimento do “velha mídia” com os negócios da contravenção, como queria o chefe da gangue dos mensaleiros.

No arrasto da falsa crise aberta pela banda de música da BESTA na internet, os comentaristas pagos pelo governo para lustrar as teses de José Dirceu dediciram arrastar para a lama o Procurador-Geral da República Roberto Gurgel. É ele quem vai fazer a acusação contra o bando petista que arregimentava parlamentares corruptos com generosas mesadas desviadas dos cofres públicos. A manobra também se revelou desastrada: foi capaz de alinhar adversários na Corte Constitucional brasileira como Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa.

Sobre a campanha contra o jornalismo formal, o Blog do Pannunzio firmou posição no post intitulado As penas alugadas ao petismo e a máquina de demolir reputações. O que se seguiu desde a publicação desse texto só fez referendá-lo.

Ao mesmo tempo, a malha de blogs infamantes — aqui tratada como BESTA (Blogosfera Estatal) –, a despeito de sua desmoralização, continua se locupletando com o dinheiro que paga o aluguel de suas almas ao discurso do pior do petismo. Entes públicos como a ANP abriram a burra para a BESTA continuar amealhando umaa fração da renda que o contribuinte entrega ao fisco. Pode não ter havido nenhum ganho político para os detratores profissionais, mas com certeza  a pistolagem eletrônica seguiu auferindo lucros financeiros.

Nisso, a gendarmeria articulada por José Dirceu é, sem nenhuma dúvida, muito eficiente: em tomar dinheiro do governo.

CNJ cria fórum permanente para defender a liberdade de imprensa

Felipe Recondo

As decisões judiciais contrárias à liberdade de imprensa levaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a criar um Fórum Nacional do Poder Judiciário e Liberdade de Imprensa. A proposta, feita pelo presidente do Conselho, Carlos Ayres Britto, foi aprovada nesta terça-feira, 8, por unanimidade pelos integrantes do CNJ.

Ayres Britto afirmou que o fórum deverá acompanhar o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou ser incompatível com a Constituição a Lei de Imprensa aprovada ainda no governo militar e que, de acordo com o STF, criava embaraços para o livre exercício da liberdade de imprensa.

O fórum, entretanto, não terá competência para rever ou censurar decisões judiciais contrárias à liberdade de imprensa.

“Não podemos intervir em decisão do poder Judiciário”, afirmou Ayres Britto. “O que vamos fazer é um fórum permanente. Esse é um processo cultural que demanda certo tempo”, acrescentou o ministro.

Seminário. A proposta foi adiantada por Britto no Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, na semana passada, em São Paulo. Nos dois dias do seminário, promovido pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), especialistas avaliaram que juízes de primeiro e segundo graus condenam jornalistas e meios de comunicação, o que restringe a liberdade de expressão e de imprensa.

“Onde for possível a censura prévia se esgueirar, se manifestar, mesmo que procedente do Poder Judiciário, não há plenitude de liberdade de imprensa”, afirmou Ayres Britto no seminário. “A liberdade de imprensa ocupa, na Constituição, este pedestal de irmã siamesa da democracia”, acrescentou.

via CNJ cria fórum permanente para defender a liberdade de imprensa – politica – politica – Estadão.

Delegados diz em depoimento que relação entre Cachoeira e Veja é “de fonte”

O delegado Raul Souza respondeu ontem a questionamentos de petistas e do senador Fernando Collor (PTB-AL) sobre a relação de Carlinhos Cachoeira e a mídia.

Questionado se havia “matérias encomendadas” por Cachoeira na revista “Veja”, o delegado disse que há várias conversas entre o empresário e o diretor da publicação em Brasília, Policarpo Júnior, mas que elas denotam apenas relação entre repórter e fonte.

Souza também citou grampo na qual Cachoeira diz que vai entregar uma gravação provando compra de votos numa cidade de Goiás à Rede Globo, sem outra referência sobre o que ocorreu.

Por fim, o delegado relatou que há conversas em que Cachoeira cita pagamentos a dois jornais de Goiás, o “Opção” e o “Diário da Manhã”, mas não fica claro do que se trata.

Um jornalista da segunda publicação, disse o empresário, estaria em sua folha de pagamento. O delegado disse não saber a veracidade do relato. Os dois jornais, procurados, não responderam.

Setores do PT têm como estratégia a tentativa de desqualificar órgãos de imprensa às vésperas do julgamento do mensalão. Já Collor, que sofreu impeachment em 92 após reportagens que alimentaram uma CPI, tem feitos seguidos ataques à imprensa.

via Folha de S.Paulo – Poder – Relação da mídia com Cachoeira é alvo de perguntas – 09/05/2012.

Na hora errada – um flagrante de manipulação

Por DORRIT HARAZIM, no site da Revista Piauí

Em si, o pecado cometido por Cirilo I, patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, fundada há mais de um milênio, foi venial e poderia ter passado despercebido. Uma banal foto sua, em audiência com o ministro da Justiça da Rússia, ficara exposta no site oficial da instituição durante três anos sem levantar uma só sobrancelha no seu rebanho de cerca de 150 milhões de fiéis.

E talvez permanecesse anódina para sempre não fosse Sua Eminência – ou o servidor que levará a culpa por excesso de zelo – decidir operar um milagre: fazer sumir da foto o Breguet modelo Le Réveil du Tsar, de ouro branco, 38 rubis e preço em torno de 27 mil euros (ou 67 mil reais) que o primaz ostentava no pulso.

O pecado capital foi detectado por blogueiros russos no mês passado e cometido justamente no campo artístico que mais floresceu na União Soviética de Joseph Stálin: a manipulação de imagens. O luxuoso artefato da Maison Breguet foi lindamente “desaparecido” de cena. Mas, por uma imperícia que noutros tempos despacharia o infrator para a Sibéria, o reflexo do objeto na mesa polida permaneceu esquecido – algo imperdoável nesses tempos de Photoshop e similares.

“O episódio representa uma grave violação de nossa ética e será investigado até as últimas consequências”, prometeu o Patriarcado de Moscou quando a trapaça se tornou viral na blogosfera. Não tardou para que a culpa recaísse sobre uma jovem funcionária da assessoria de imprensa da Igreja. “Infelizmente”, informou o porta-voz de Cirilo I, “essa pessoa tomou a infeliz iniciativa por conta própria, sem consentimento de seus superiores.” E garantiu: “Claramente isto é um absurdo, um mal-entendido. Não há do que se envergonhar. Não queremos esconder nada.”

Na verdade, Sua Eminência quis esconder tudo. De início, declarou que jamais usara o Breguet com que fora presenteado – não lembrava quando nem por quem – e que qualquer foto sugerindo o contrário só poderia ser obra de algum manipulador de imagem, com o intuito de comprometê-lo. Quando a verdade veio à tona, a Igreja Russa achou prudente reconhecer a fraude, classificada como “erro técnico”. Apresentou também um pedido formal de desculpas e reintroduziu a foto original no site da entidade com o Breguet no devido lugar.

Tarde demais. A essa altura uma comunidade de blogueiros já se divertia criando múltiplas versões da imagem adulterada. Uma das mais apreciadas eliminou por completo o patriarca, deixando apenas o relógio, e seu incômodo reflexo, na reluzente mesa. Uma outra derreteu a imagem do Breguet sobre o conhecido quadro de Salvador Dalí, A Persistência da Memória.  tentativa de camuflar a realidade reacendeu o desconforto dos russos ortodoxos com o apreço da alta cúpula do Patriarcado por objetos de luxo.

Um dos bispos locados na cidade de Kazan, por exemplo, revelou-se apegado a uma BMW, uma Mercedes, três apartamentos e uma casa de campo. O próprio primaz, que seria dono de dois Cadillacs, havia se encalacrado quando vazaram elogios que fez a roupas de costureiros italianos e exaltações às qualidades de um Breguet. Nisso, não terá sido o primeiro.

As peças que começaram a ser produzidas no ateliê do francês A.L. Breguet, no século XVIII, ornaram os coletes do rei Luís XVI, encantaram Maria Antonieta e inspiraram a literatura de Stendhal, Balzac e Victor Hugo. Winston Churchill e Arthur Rubinstein também foram apreciadores da marca.É pouco provável que a admissão de culpa do Patriarcado abafe o debate em torno do papel atual da Igreja Ortodoxa na sociedade da Rússia.

No decorrer das últimas décadas a relação da instituição com o Kremlin tem se estreitado e o endosso oficial dado por Cirilo I à candidatura de Vladimir Putin nas eleições de março passado não agradou a todos.Os detratores do mais alto hierarca da Igreja Russa aproveitam o momento para desenterrar uma acusação surgida no início dos anos 90, pouco após a queda do regime comunista.

Antes de se tornar primaz, Cirilo I teria mantido vínculos amigáveis com a KGB durante o período soviético. Atendia então pelo codinome de Mikhailov” (seu nome de batismo é Vladimir Mikhailovich Gundyayev).Agora, com o caso Breguet, internautas pós-comunistas podem brincar à vontade com a arte da manipulação que moldou o seu passado. Um dos mais completos registros da história soviética sob o prisma da alteração de imagens está compilado no Newseum, de Washington. Intitulada The Commissar Vanishes (O Sumiço do Comissário, em tradução livre), uma exposição montada pelo pioneiro museu americano da notícia  explorou o uso de falsidades fotográficas na urssentre 1929 e 1953.

Pelo menos nesse ramo, a Igreja Ortodoxa Russa ainda tem bastante a aprender.

via Na hora errada | piauí_68 [revista piauí] pra quem tem um clique a mais.

Roberto Civita não é Rupert Murdoch

Editorial do jornal O Globo

Reprodução do Blog do Noblat

Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista “Veja”, na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta.

A operação tem todas as características de retaliação pelas várias reportagens da revista das quais biografias de figuras estreladas do partido saíram manchadas, e de denúncias de esquemas de corrupção urdidos em Brasília por partidos da base aliada do governo.

É indisfarçável, ainda, a tentativa de atemorização da imprensa profissional como um todo, algo que esses mesmos setores radicais do PT têm tentado transformar em rotina nos últimos nove anos, sem sucesso, graças ao compromisso, antes do presidente Lula e agora da presidente Dilma Roussef, com a liberdade de expressão.

A manobra se baseia em fragmentos de grampos legais feitos pela Polícia Federal na investigação das atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pela qual se descobriu a verdadeira face do senador Demóstenes Torres, outrora bastião da moralidade, e, entre outros achados, ligações espúrias de Cachoeira com a construtora Delta.

As gravações registraram vários contatos entre o diretor da Sucursal de “Veja” em Brasília, Policarpo Jr, e Cachoeira. O bicheiro municiou a reportagem da revista com informações e material de vídeo/gravações sobre o baixo mundo da política, de que alguns políticos petistas e aliados fazem parte.

A constatação animou alas radicais do partido a dar o troco. O presidente petista, Rui Falcão, chegou a declarar formalmente que a CPI do Cachoeira iria “desmascarar o mensalão”.

Aos poucos, os tais blogs começaram a soltar notas sobre uma suposta conspiração de “Veja” com o bicheiro. E, no fim de semana, reportagens de TV e na mídia impressa chapas brancas, devidamente replicados na internet, compararam Roberto Civita, da Abril, editora da revista, a Rupert Murdoch, o australiano-americano sob cerrada pressão na Inglaterra, devido aos crimes cometidos pelo seu jornal “News of the World”, fechado pelo próprio Murdoch.

Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia.

Quer-se produzir um escândalo de imprensa sobre um contato repórter-fonte. Cada organização jornalística tem códigos, em que as regras sobre este relacionamento — sem o qual não existe notícia — têm destaque, pela sua importância.

Como inexiste notícia passada de forma desinteressada, é preciso extremo cuidado principalmente no tratamento de informações vazadas por fontes no anonimato.

Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de “Veja” estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca.

Estabelecem as Organizações Globo em um dos itens de seus Princípios Editoriais: “(…) é altamente recomendável que a relação com a fonte, por mais próxima que seja, não se transforme em relação de amizade. A lealdade do jornalista é com a notícia”.

E em busca da notícia o repórter não pode escolher fontes. Mas as informações que vêm delas devem ser analisadas e confirmadas, antes da publicação. E nada pode ser oferecido em troca, com a óbvia exceção do anonimato, quando necessário.

O próprio braço sindical do PT, durante a CPI de PC/Collor, abasteceu a imprensa com informações vazadas ilegalmente, a partir da quebra do sigilo bancário e fiscal de PC e outros.

O “Washington Post” só pôde elucidar a invasão de um escritório democrata no conjunto Watergate porque um alto funcionário do FBI, o “Garganta Profunda”, repassou a seus jornalistas, ilegalmente, informações sigilosas.

Só alguém de dentro do esquema do mensalão poderia denunciá-lo. Coube a Roberto Jefferson esta tarefa.

A questão é como processar as informações obtidas da fonte, a partir do interesse público que elas tenham. E não houve desmentidos das reportagens de “Veja” que irritaram alas do PT.

Ao contrário, a maior parte delas resultou em atitudes firmes da presidente Dilma Roussef, que demitiu ministros e funcionários, no que ficou conhecido no início do governo como uma faxina ética.

via Roberto Civita não é Rupert Murdoch (Editorial) – Ricardo Noblat: O Globo.

A dolorida e imperiosa prática da liberdade de expressão

O Blog do Pannunzio tem sido instado a exercer com mais rigor a moderação dos comentários para evitar ataques de antagonistas das posições que defendo nestas páginas. Reconheço que permitir o contraditório é uma tarefa espinhosa e muitas vezes dolorida. Não é fácil para ninguém ser contrariado.  E quem age assim está permanentemente ameaçado de se ver desautorizado por argumentos mais sólidos — ou menos equivocados — do que os que orientam suas próprias convicções.

Em suma, é preciso ter coragem para admitir, assumir e expor erros de apuração. É preciso ter estômago para ler, dentro dos domínios de seu espaço pessoal de manifestação, contestações que muitas vezes beiram a afronta. É preciso ter discernimento para separar a injúria da lógica argumentativa genuína. É preciso ter sabedoria para mudar de ideia, quando for o caso. E, mais importante do que tudo, é preciso entender e respeitar a diferença, o que só é possível dentro de um ambiente verdadeiramente democrático.

Em suma, não é fácil resistir à tentação de encerrar uma conversa e apertar a tecla “trash”, enviando para o lixo os comentários que não reverberam a minha maneira de ver o mundo.

Não é fácil, mas é absolutamente necessário.

O jornalista, mesmo que muitas vezes não o saiba, é portador de um mandato outorgado pela sociedade para que o sujeito possa, por seu intermédio, aceder à plena cidadania, tornando-se efetivamente cidadão . Esse mandato está expresso no décimo-quarto inciso do Artigo 5º da Constituição de 88. Ele prescreve que “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

Não é necessário fazer a exegese do texto constitucional para entender que, se alguém tem um direito, outrem tem uma obrigação. A obrigação de informar cabe à Imprensa, instituição basilar em qualquer democracia que se preze. Tão fundamental quanto qualquer um dos Poderes sobre os quais o Estado se alicerça – Legislativo, Executivo, Judiciário.

Ao criar a obrigação institucional, a Constituição alinhava salvaguardas para que a Imprensa exerça seu papel sem entraves decorrentes das tentações autoritárias. Aí estão a proibição à censura prévia, à discriminação por raça ou orientação ideológica, o postulado da livre manifestação do pensamento.

As salvaguardas, no entanto, não se prestam apenas para assegurar a incolumidade do jornalismo. São, e esse é com certeza seu mais importante papel, armas que o Estado oferece ao cidadão para garantir-lhe o direito de se informar.

O estatuto que permite a qualquer um expressar livremente o pensamento confere ao jornalista o direito à crítica, que vem sendo sobejamente reconhecido pela jurisprudência e pela doutrina sempre que o Poder Judiciário é chamado a opinar sobre o assunto. Mas não apenas a ele. O leitor, que a mudança de paradigma tecnológico transformou em sujeito ativo na dinâmica da comunicação social, também está assistido pelos mesmos direitos.

É esta a orientação que imprimi aos conteúdos produzidos pelos comentaristas. O objetivo é criar um espaço realmente democrático para a discussão de temas políticos que conformam o escopo temático do Blog do Pannunzio. O que inclui a necessidade, muitas vezes dolorida, de admitir o contraditório.

O blog vai além disso. Sempre que posso, dialogo com o leitor no espaço de comentários. Sei que não é algo usual entre blogueiros, que preferem o corpo da página principal de seus sites para se manifestar, criando assim um desnível na relação com o universo de leitores. Em contrapartida, muitas vezes os comentaristas ocupam a página central dos artigos, numa inversão que considero salutar e desejável.  Mesmo quando a polifonia das críticas supera o sussurro laudatório.

Quem acompanha o meu blog há mais tempo sabe que essa orientação nunca mudou. Ele existe desde 2009 e não deixou de noticiar e assumir posições sobre os temas mais polêmicos que eclodiram nesse período. Houve casos em que a maioria esmagadora dos leitores discordou da minha argumentação. Para ilustrar essa situação, cito especificamente a defesa que fiz do meu colega Boris Casoy quando do vazamento da frase infeliz sobre os lixeiros. Quem se der ao trabalho de perscrutar os comentários a dois posts em que tratei do assunto vai entender exatamente o que digo. Basta clicar sobre o link aí atrás.

Tenho um grande apreço pelos comentários também por razões mais egoísticas. Boa parte do prestígio obtido por esta página eletrônica decorre justamente da participação democrática dos comentaristas. A confrontação no plano das idéias cria um debate lúcido — embora algumas vezes áspero — que contribui para expor não apenas a opinião do blogueiro, mas toda a gama de opiniões suscitada por temas de grande repercussão .  Desta forma, meus leitores não ficam obrigados a concordar com o que expresso, pois podem eles mesmos formar juízos de valor muito mais ricos, sólidos e menos erráticos.

Por esta razão, preciso de apenas cinco palavras para explicar o que define o critério que me faz distinguir entre o que vai para o lixo e o que é estampado na área de comentários: injúria, difamação, calúnia, desqualificação do oponente. Para todo o restante, ficam meus agradecimentos pelo trabalho ativo dos leitores que  recusam a passividade contemplativa e se transformam em comentaristas.

Tenho muito respeito pelo que eles escrevem, mesmo quando o fazem para discordar do que é escrito por mim. Para estes, o espaço na área de comentários estará sempre aberto.

Noblat faz autocrítica e pede desculpa por ter acreditado em Sérgio Cabral

Ricaro Noblat

É no que dá ser generoso com Sérgio Cabral, Fernando Cavendish, dono da Delta, e o “bando dos homens de guardanapo”.

Escrevi aqui que só farrearam juntos em Paris há três anos porque não existia o Código de Ética que desde 2011 rege a conduta de Cabral e dos demais servidores públicos do Rio. Acertei no acessório, errei feio no principal.

O acessório: de fato até 2009 não havia código que orientasse Cabral a governar preservando a ética. E sem um código ficava muito difícil para ele ter certeza se a ética corria perigo ou não.

 

 

Cabral é simpático, porém simplório. Só no ano passado sentiu a necessidade de um código. Para ser exato: depois de 17 de junho do ano passado.

Naquele dia, Cabral voou a Porto Seguro, na Bahia, em jatinho do empresário Eike Batista. Foi comemorar o aniversário de Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta e de quase R$ 1,5 bilhão em contratos com o governo do Rio.

À noite, um helicóptero caiu ao transportar sete convidados do aniversariante. Todos morreram.

Cavendish perdeu a mulher, Jordana, e o filho de três anos do primeiro casamento dela. Cabral perdeu a amiga Fernanda Kfuri, acompanhada do filho e de uma babá. Marco Antônio, filho de Cabral, perdeu Mariana Noleto, sua namorada.

Quem pilotava o helicóptero era Marcelo Mattoso de Almeida, ex-doleiro. Na ocasião chovia forte.

Primeiro a assessoria de Cabral informou que ele não estava em Porto Seguro quando o helicóptero caiu. Estava.

Depois informou que ele viajara às pressas para lá ao saber do acidente. Negou, contudo, que Cabral tivesse viajado em jato de Eike – viajou.

E negou que tivesse retornado ao Rio em jato de Eike. O retorno ainda é um mistério.

Criticado por ter comparecido ao aniversário de um fornecedor do Estado em jato cedido por outro fornecedor, Cabral disse: “Sempre procurei separar minha vida privada da minha vida pública”.

Apesar disso, prometeu mudar de comportamento – não sei por quê. E anunciou a criação de um código de ética ao qual se submeteriam todos os servidores do Estado.

O decreto com o Código de Conduta da Administração, “que limita as relações entre agentes públicos e privados”, só foi publicado no Diário Oficial no dia cinco de julho passado. Na véspera, Cabral fora atingido por mais uma denúncia: no dia 2 de dezembro de 2010, viajara em jato de Eike para as Bahamas, onde encontrou Cavendish.

Além do código, o decreto criou duas comissões de ética: uma formada por membros do governo para fiscalizar o procedimento dos funcionários do primeiro escalão do governo; a outra por gente de fora para dirimir eventuais dúvidas quanto ao código e garantir sua aplicação aos funcionários dos demais escalões.

Segundo o código, empregados do Estado são proibidos de “receber presente, transporte, hospedagem, compensação ou quaisquer favores, assim como aceitar convites para almoços, jantares, festas e outros eventos sociais” – quer seja obrigatório ou não o uso de guardanapos na cabeça.

E agora, o principal, onde errei.

Dez meses depois da publicação do decreto que criou o código e as duas comissões de ética, supus (jornalista deveria ser proibido de supor) que o código estivesse em vigor e as comissões funcionando.

Nem o código nem as comissões saíram do papel. Como em 2009, Cabral segue livre podendo atropelar a ética.

Cabral levou oito meses para nomear os integrantes das duas comissões. Uma delas reuniu-se uma só vez. A outra, algumas vezes, mas não há registros das reuniões.

Sem que tenha sido aplicado até aqui, em breve o código será reformado para se tornar mais rigoroso.

Pois é. Zombaria! Deboche! Escárnio com a nossa cara!

Peço desculpas por tê-los enganado acreditando no que disseram Cabral e seu bando. Doravante serei mais cuidadoso.

Cabe a vocês cobrarem respostas de Cabral para dezenas de perguntas que teimam em não calar. É espantoso que podendo liquidar o assunto de uma vez por todas ele prefira alimentá-lo com o seu silêncio.

Por que Cabral não exibe a relação completa das viagens oficiais e particulares que fez a Estados e ao exterior desde que assumiu o governo? Com data, destino, meio de transporte, duração e a identidade da fonte pagadora de cada despesa?

Por que não revela quantas vezes voou com Cavendish? Ou o encontrou no lugar para onde voou?

Seria tão simples! Não é verdade?

via Blog de Ricardo Noblat: colunista do jornal O Globo com notícias sobre política direto de Brasília – Ricardo Noblat: O Globo.

Presidente do STF defende plenitude da liberdade de imprensa

Lucas de Abreu Maia

Em uma tentativa de reduzir o número de decisões judiciais que resultam em censura ou punição a jornalistas, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, pretende usar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – que também preside – para informar o resto do Judiciário sobre a posição do STF acerca da liberdade de expressão.

“Eu pretendo, junto com os conselheiros do CNJ, desenvolver programas, quem sabe até campanhas, esclarecendo o conteúdo da decisão do Supremo (que derrubou a Lei de Imprensa, em 2009), que foi pela plenitude da liberdade de imprensa”, disse, depois de fazer a palestra de encerramento do Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, nesta sexta-feira, 4, em São Paulo. “Quem sabe o nível de intolerância social diminua.”

Nos dois dias do seminário, promovido pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), especialistas avaliaram que, embora o Supremo venha decidindo em favor do livre exercício do jornalismo, juízes de primeiro e segundo graus por vezes ainda restringem a liberdade de expressão.

“Onde for possível a censura prévia se esgueirar, se manifestar, mesmo que procedente do Poder Judiciário, não há plenitude de liberdade de imprensa”, afirmou Ayres Britto. Para o presidente do Judiciário, o confronto de interesses entre o livre exercício do jornalismo e o direito à privacidade “inevitavelmente” se confrontarão. Ele garante, porém, que a Constituição prioriza a livre expressão ao direito à privacidade. “A liberdade de imprensa ocupa, na Constituição, este pedestal de irmã siamesa da democracia.”

Ayres Britto defendeu, contudo, uma autorregulamentação dos veículos jornalísticos. Segundo ele, “a imprensa é o poder social por excelência”. “E é por natureza das coisas que quem detenha o poder tenda a abusar dele”, disse. “O poder social da imprensa também deve ser controlado, mas não pelo Estado. Isso é um desafio da imprensa brasileira”, defendeu o ministro.

Para o presidente do STF, o amadurecimento da democracia levará a um autocontrole dos veículos de comunicação e a uma maior exigência dos leitores, pelo “evolver dos padrões de seletividade da nossa cultura”.

Liberdade na internet. No segundo e último dia do seminário, juristas discutiram ainda as dificuldades de regulamentar a liberdade de expressão na internet. No último dos cinco painéis que constituíram os dois dias de evento, foram expostas opiniões contrárias e favoráveis ao marco regulatório da internet, uma iniciativa do Ministério da Justiça que hoje tramita no Congresso.

O texto regulatório pretende definir critérios para punir violações de direitos autorais e identificar quem promover calúnia e difamação na rede de computadores. A polêmica gira em torno do papel dos servidores de internet – que apenas hospedam, mas não produzem os conteúdos que podem violar a legislação.

O advogado Manoel Pereira dos Santos usou o exemplo europeu para defender que o Brasil adote o sistema em que, quando for informado, cabe ao servidor notificar o autor da violação legal para que esse se responsabilize por removê-la. De acordo com este sistema, o servidor só é responsabilizado se não notificar o autor.

Por sua vez, o advogado do Google, Marcel Leonardi, defendeu o texto atual, que prevê a responsabilização dos servidores apenas se eles descumprirem uma ordem judicial que determine a remoção do conteúdo ilícito. “O marco civil (da internet) é um exemplo a ser seguido”, opinou Leonardi.

via Presidente do STF defende plenitude da liberdade de imprensa – politica – politica – Estadão.

Especialistas relatam riscos à liberdade de expressão

Bandeira do PT, o controle social da mídia foi criticado ontem por especialistas e políticos no primeiro dia do Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, organizado pelo ICSS (Instituto Internacional de Ciências Sociais).

“No Brasil, o [ex-presidente] Lula tentou fazer um controle da comunicação social com diversos nomes eufêmicos. Na verdade é controle na dura, está no programa do PT”, afirmou Nelson Nery Jr., advogado e professor da Unesp e da PUC.

Para Gustavo Binenbojn, professor de direito da Uerj, o discurso de controle social da mídia é “ambíguo e populista”. “Ninguém pode imaginar que o Estado seja essa agência capaz de julgar o que merece ou não ser dito.”

Os discursos foram similares ao do governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), na abertura do evento. “As ameaças à liberdade de expressão persistem. Atualmente se sucedem sob disfarce de nomes pomposos”, disse.

Tanto Binenbojn quanto Daniel Sarmento – procurador da República no Rio, que também falou no evento- defenderam, no entanto, que liberdade de expressão não significa ausência de regulação.

“Eu veria com reserva uma macrorregulação. Mas há casos em que a atuação do Estado é necessária para que a liberdade de expressão exista”, afirmou Sarmento.

O seminário segue com mais dois debates hoje. O encerramento terá o presidente do STF, ministro Ayres Britto.

via Folha de S.Paulo – Poder – Especialistas relatam riscos à liberdade de expressão – 04/05/2012.

As penas alugadas ao petismo e a máquina de demolir reputações

O leitor que se quer bem-informado deve estar atônito com a lama que escorre no entorno da CPI do Cachoeira. A imprensa brasileira — aí compreendidas todas as publicações, nos veículos formais e também na internet — parece ter sido tomada por escribas ora a serviço da quadrilha do bicheiro Cachoeira, ora a serviço da quadrilha do mensaleiro Zé Dirceu.  A disputa nas várias mídias parece ser em torno de quem representa melhor os interesses espúrios das hordas de bandidos que se acercaram do Poder.

O grande esforço da BESTA (Blogosfera Estatal), neste momento, é para comprovar que a Revista Veja, na pessoa de seu editor Policarpo Jr., estava a serviço do submundo da espionagem e à disposição da interface parlamentar da organização, capitaneada pelo ainda senador Demóstenes Torres.

Do outro lado, jornalistas de grandes veículos e blogues a eles vinculados (chamados de PIG pela BESTA) tentam desmontar o jogo de manipulação de colegas regiamente pagos — e isso é inquestionável — pelo dinheiro público para mover uma campanha de desmonte da “velha mídia”, ou do jornalismo formal, como queiram.

Em meio a essa confusão, surgem outros atores, que passam a duelar publicamente, difundindo informações que põe em xeque a lisura das apurações e das intenções de seus contendores. Na contradita, os injuriados do outro lado apresentam argumentos de que seus novos desafetos estão igualmente comprometidos com uma ou outra vertente derivada do problema. E isso faz com que todos os jornalsitas pareçam iguais aos olhos do público, o que não é verdade.

Vou tratar aqui do caso Policarpo. Há cerca de um mês o editor de Veja em Brasília está sob fogo cerrado. Primeiro, falava-se que ele tinha trocado cerca de 200 telefonemas com os arapongas de Carlinhos Cachoeira. Se não serviu para condená-lo definitivamente, a quantidade de conversas apresentadas o incriminava de maneira contundente. Nada, além de suposições perniciosas, demonstrava que havia algo errado na relação entre o jornalista e suas fontes.

Quando a íntegra do inquérito contra Demóstenes vazou, uma vez mais não havia ali qualquer indício de anomalia nessas relações. O que ficou comprovado, entao, foi que Policarpo recebeu informações dos arapongas de cachoeira e as utilizou em benefício do interesse público. Foi assim com a cena da propina paga a um dirigente dos Correios que despertou a fúria de Roberto Jefferson, e que serviu para desbaratar a quadrilha dos mensaleiros arregimentada por José Dirceu. Foi assim mais tarde, quando se descobriu que o “chefe da quadrilha” havia transformado a suíte de um hotel de Brasília em gabinete do governo paralelo que, sob Lula, o mesmo Dirceu continuava comandando.

A esta altura, sabe-se que os arapongas de Cachoeira comentavam em suas conversas pornográficas os resultados que esperavam advir da publicação do material que haviam fornecido ao jornalista. Isso, nem de longe, leva a qualquer indício de atrelamento entre o repórter e o esquema que os inimigos da liberdade de imprensa pretendem implodir. Apesar disso, a BESTA continua tentando colecionar elementos que possam referendar sua teoria conspiratória com recortes das gravações vazadas do inquérito da PF.

Ao mesmo tempo, o que se pode comprovar é que o time que ataca o jornalismo formal — ele mesmo composto por jornalistas que perderam espaço da grande imprensa e ocupam hoje posições terciárias em veículos aparelhados pelo pior do petismo — está claramente comprometido com um lado do problema.

E os interesses podem ser vistos a olhos nus, sem a necessidade de lentes ideológicas ou doutrinárias. É o caso notório do chefe da claque da BESTA na internet, Paulo Henrique Amorim, cujo discurso paranoico é financiado por empresas estatais como o Banco do Brasil, a CEF e a PETROBRAS. A respeito disso, o Blog do Pannunzio descobriu que, só em contratos  firmados com a CEF, o governo Tarso Genro e os Correios, Paulo Henrique Amorim se transformou num gênio financeiro da “nova mídia”, com faturamento de quase R$ 1 milhão desde o ano passado. As informações foram confirmadas por fontes oficiais e não houve nenhuma contestação ou desmentido.

O trabalho a que se propõem os arautos do fim do jornalismo, no entanto, não se limita ao ataque institucional. Para demolir a Imprensa, é preciso dinamitar reputações. É a isso que se dedicam com muito afinco os atores secundários do esquema da BESTA nesse dias de conturbação absoluta.

A investida não constitui propriamente uma novidade. O método é o mesmo de 2009, quando a organização que chamo de BESTA criou seu know-how de injuriar em série. A estratégica consiste em repercutir ao máximo “informações reveladoras” que um dos militantes “descobre” invariavelmente na internet, em investigações pífias e cheias de problemas éticos, até que o assunto “denunciado”se transforme em “verdade absoluta” e, em seguida, em fato político. É sempre assim, não importando se o objeto da denúncia é ou não verdadeiro — ou quiça verossímil.

Uma das primeiras vítimas do esquema dos detratores profissionais da BESTA foi o jornalista Heraldo Pereira. Em maio de 2009, ele ocupou a posição em que hoje está Policarpo Jr. A história vem sendo contanda por este blog desde então. Sinteticamente, Heraldo foi acusado de trabalhar para o então presidente do STF, Gilmar Mendes, que era a quem se pretendia atingir. As “provas”contra ele foram coletadas pelo site Cloaca News, organizadas em formato de reportagem por Luis Carlos Azenha e, na sequência, passaram a servir como munição para Paulo Henrique Amorim atacá-lo até a insanidade das injúrias raciais, que já lhe custaram uma indenização de R$ 30 mil e um recalcitrante pedido de desculpas publicado em dois grandes jornais brasileiros.

Para construir a série de injúrias, a BESTA ignorou pressupostos elementares do Código de Ética dos jornalistas, como ouvir o outro lado. Isso apesar de Heraldo ter sido muito próximo de um de seus detratores — foi ele quem indicou Azenha para a Rede Manchete,  onde consolidou sua carreira. A história é contada pelo próprio Azenha, em julho de 2010, conforme o trecho que reproduzo abaixo:

Um dia, estudante em São Paulo e desempregado, passei pela entrada do Hospital das Clínicas, onde Tancredo Neves estava moribundo, e encontrei o Heraldo Pereira, então repórter da TV Manchete, que me disse que a emissora tinha vaga para repórter (àquela altura eu já tinha quatro anos de experiência em TV, o que incluia longos meses cobrindo férias na Globo de São Paulo, com muitas reportagens em jornais de rede e algumas no Jornal Nacional).

Fui contratado.

Vinte e cinco anos depois, nem a gratidão motivou Azenha a cumprir o dever ético de ouvir o outro lado antes de condenar o colega. Em seu blog, depois de apresentar como verdades as denúncias falsas dos outros blogues coligados à BESTA, Azenha escreveu o seguinte:

“Tendo em vista que Gilmar Mendes teve participação direta e decisiva na polêmica que levou ao afastamento de Paulo Lacerda da ABIN, você considera que Heraldo Pereira deveria ter revelado que é funcionário de Gilmar antes ou depois do comentário que fez a respeito de Lacerda no Jornal da Globo?”

Aí está a soma de mentiras rematadas transformada em verdade absoluta pelos inimigos da imprensa livre. O post sumiu do site de Azenha, mas ainda pode ser lido no webarchive.org. O link está aqui. As aleivosias jamais foram objeto de um desmentido. Heraldo suportou um período terrível de provações até conseguir a primeira reparação — a sentença que obrigou PHA a se retratar e a indenizá-lo. E ainda aguarda a condenação do editor do Conversa Afiada por crime de racismo, que deve acontecer antes do recesso forense.

Hoje, é Policarpo Jr. quem está no alvo das penas alugadas da BESTA. Contra ele erguem-se suspeitas infundadas construídas sobre falaciosos recortes da investigação. Até agora, no entanto, não há uma evidência sequer de que o editor de Veja tenha oferecido qualquer contrapartida a suas fontes, muito menos que tenha de alguma forma auferido qualquer  tipo de vantagem pessoal a partir das relações com o submundo da espionagem de Cachoeira.

Para quem prometia revelações bombásticas nos “200 telefonemas”, o resultado do frenético CTRL-C/CTRL-V nos inquéritos vazados é pífio. Onde estão os elementos que levam à suposição de que Veja planejava golpear o governo Lula ? Onde estão as provas de que Policarpo era parte do esquema Cachoeira, como muitas vezes a BESTA tem sugerido e afirmado em suas copiosas páginas de aleivosias ? Simplesmente não há.

Em compensação, repito, há evidências de sobra de que a Blogosfera Estatal acumula privilégios e vantagens no acesso aos cofres da União e seus prepostos. Vantagens checadas e confirmadas por fontes limpas, que não foram nem serão objeto de contestação porque simplesmente não podem ser contestadas. Ao contrário dos sofismas da BESTA, as informações sobre o comprometimento dos escribas a mando de José Dirceu são verdadeiras e cristalinas.

Ao leitor, antes de entrar em desespero com tantas versões antagônicas sobre os mesmos fatos políticos, recomendo que façam uma triagem dessas fontes de informação. Antes de elaborar juízos de valor a partir do que se escreve, é preciso saber quem escreve e com que propósitos escreve.

Só assim será possível separar o joio da imprensa de aluguel do trigo da informação genuína.

Polícia do Maranhão identifica comparsa de executor de jornalista

A Polícia do Maranhão já identificou um possível comparsa do executor do jornalista Décio Sá, morto na noite de segunda-feira com seis tiros em um bar na Avenida Litorânea em São Luís, capital do estado. A suspeita da polícia recai sobre um ex-presidiário envolvido em crime de homicídio. O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluísio Mendes, não quis revelar o nome do suspeito, mas adiantou que já sabe o seu endereço e ele pode ser preso nas próximas horas.

- Estamos em campana e a qualquer hora vamos prendê-lo – avisa.

Segundo a polícia, o suspeito foi flagrado pelas câmeras de segurança de um prédio próximo deixando um posto de observação e seguindo para um carro estacionado na pista para dar fuga o executor do jornalista.

Logo após o crime, o assassino deixou o local em uma moto, mas depois abandonou o veículo para entrar num carro que já lhe esperava para completar a fuga. Para Aluísio Mendes, ele pretendia despistar a polícia, que a essa altura perseguia uma dupla de moto.

A polícia ainda trabalha para montar um retrato falado do assassino a partir de um grupo de evangélicos, que estava próximo ao local em que o assassino abandonou a moto.

Aluísio Mendes acredita que o executor seja de outro estado pela maneira com que cometeu o crime, sem se preocupar em esconder o próprio rosto.

Ele aguarda o levantamento das digitais, a cargo da Polícia Federal, em um carregador de munição que o bandido deixou cair durante a subida da duna.

- Além disso, vamos localizar a origem da arma pelo número de série do carregador, como também identificar o lote de munição de onde saíram as balas que mataram o jornalista – diz.

O secretário não quis revelar se já há um suspeito de mandar executar Décio Sá, mas adiantou que o crime foi meticulosamente estudado e que pode se tratar de desavenças antigas geradas pelo seu blog, que era um dos mais acessados do Maranhão.

via Polícia do Maranhão identifica comparsa de executor de jornalista – O Globo.

O adeus a Fátima Gomes, que morreu em Brasília nesta madrugada

A jornalista Fátima Gomes era mulher de hábitos simples e honestidade cativante. Ela morreu nesta madrugada, em Brasília, vítima de uma série de complicações que culminaram com um processo de infecção generalizada ao longo de um mês de internação numa UTI. Mas os amigos sabem do que ela foi vítima: do cigarro, vício miserável do qual nunca conseguiu se libertar.

Deixa viúvo o espetacular Carequinha, cinegrafista da Globo de Brasília que foi um grande companheiro do editor deste blog ao longo de mais de 20 anos de atuação na Capital da República.

Durante mais de duas décadas fomos colegas de trabalho e comensais dos churrascos de fim-de-semana. A casa de Fátima e Carequinha era um ponto de encontro obrigatório de uma legião de amigos que chegaram a Brasília no fim dos anos 80. Ali o casal acolhia todo mundo, com muita disposição e afeto transbordante. Fátima era a alegria da turma, com sua assertividade impedosa, o humor ferino e os conselhos diretos.

Era uma pessoa maravilhosa.

Vai deixar muita saudade em quem, como eu, teve o privilégio de conviver com sua alma honesta e transparente.

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