Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the category “Primeira Mão”

Comando da PM é conivente com grupos de extermínio, afirma Inteligência da Polícia Civil

48% das vítimas de grupos de extermínio formados por policiais militares não têm passado criminal. A informação está contida em um estudo realizado pelo serviço de  inteligência do Departamento de Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo. O levantamento, feito no ano passado, analisa 70 ocorrências, que resultaram em 152 mortes — todas com características de execução sumária e suspeita de participação de policiais militares.

A maior parte dos crimes — 55 , correspondentes a 78,6% dos casos — ocorreu na região da Quarta Seccional da Polícia Judiciária, na Zona Norte de São Paulo. A região é a mesma onde a última “caravana da morte” eliminou seis pessoas na madrugada de quarta para quinta-feira passadas.

O levantamento do DHPP demonstra que as vítimas do grupo são majoritariamente do sexo masculino (91%). Entre os que se sobreviveram aos ferimentos a bala, apenas 18% têm anotações em folha corrida. 82% jamais passaram por uma delegacia.

Os alvos dos grupos de extermínio com pendências criminais são preferencialmente pessoas acusadas de roubo (27%), tráfico (23%) e furto (15%). Em 39% dos casos não foi possível identificar a causa das execuções. Entre os motivos apontados para os demais, 20% foram cometidos por vingança, 13% foram justificados como “limpeza”, outros 13% foram catalogados como decorrentes de abuso de autoridade e 15% foram motivados por cobranças do trafico ou das quadrilhas que exploram o jogo ilegalmente.

Chama a atenção no levantamento a anotação de que armas e munição de uso exclusivo da Polícia Militar  foram utilizadas em 46 das 152 mortes analisadas. Exames balísticos demonstraram que os disparos foram feitos de uma mesma arma — um fuzil calibre .556. E em 11 execuções foi identificado o uso de uma arma comum, de calibre .40 ou .38.

Assasinos continuam impunes

O Blog do Pannunzio teve acesso ao conteúdo de um Relatório de Inteligência produzido pelo DHPP sobre a atuação do principal grupo de extermínio. Ele aponta o soldado PM Valdez Gonçalves dos Santos como chefe da quadrilha. O PM é acusado de matar pelo menos 23 pessoas e ferir outras 17. Mas o número de vítimas, de acordo com uma fonte que pede o anonimato, pode ultrapassar 50.

O relatório da Polícia Civil afirma que os grupos de extermínio são compostos “por policiais militares especializados em vitimar egressos,  toxicômanos  e  praticantes de pequenos delitos, com conivência e suporte da instituição policial militar, sempre havendo guarida de policiais militares fardados, que corroboram para a “ higienização social”, e “limpeza da área”.”

O relatório também revela os métodos dos assassinos:  ”Policiais militares em serviço agem com extremada truculência no labor policial, e mais, praticam desmandos, silenciam insurgentes e exterminam seus desafetos, utilizando-se da modalidade de atuação delitiva conhecida nas dependências militares como “caixa dois”.

O “caixa-dois” seria a tática segundo a qual um dos três integrantes de uma viatura desce do carro da PM, se descaracteriza e passa a orientar e executar os assassinatos.  De acordo com o RELINT, isso é feito para que o PM “possa livremente exaurir seus escopos criminosos, eximindo-se de responsabilizações por estar ficticiamente no interior da viatura policial militar, trabalhando, mas estando, na realidade, praticando extermínio”.

Os apontamentos da Inteligência do DHPP dão conta de que “para tais despropósitos ilícitos, contam com apoio integral de outros milicianos em serviço  e fruem uma estrutura organizada, onde costumeiramente emprega-se o peculiar modus operandi, sendo que policiais militares de serviço tocaiam a vítima, verificando a melhor oportunidade para a ação dos exterminadores, sendo que posteriormente os algozes abordam a vítima utilizando-se de vestimentas pretas, balaclavas e pistolas de calibre nominal .380 ou .9mm”.

A ação  dos policiais envolvidos, de acordo com as informações do RELINT, vai muito além do assassinato de seus alvos:  ”Além de monitorarem a vítima, também dão guarida à fuga dos algozes, bem como manipulam o local de ocorrência, recolhendo estojos e projéteis, lavando o sítio de prática criminosa, afugentando, ameaçando e coagindo testemunhas”.

Os investigadores da Polícia Civil a cargo do relatório afirmam que a ação é conhecida e apoiada pelo comandado da PM e também por empresários. “Obtivemos informações de que não bastasse a velada conivência do comando da polícia militar no brutal saneamento social, interessada na extinção de ações criminosas e na consequente queda de estatísticas criminosas, há também  o favorecimento da iniciativa privada, tendo em vista que comerciantes das adjacências remuneram os milicianos, incentivam o abate criminoso e dão guarida aos “ninjas”, como são conhecidos os policiais militares sancionadores da pena de morte”.

O Blog do Pannunzio solicitou informações à Secretaria de Segurança Pública sobre que providências foram adotadas a partir desse relatório e também sobre a situação funcional do Soldado Valdez, mas ainda não obteve resposta.

A reversão da curva da criminalidade e a intervenção no comando da PM

O Procurador Federal Mateus Magnani deve anunciar nesta quinta-feira que ingressará com uma ação civil pública para tentar forçar o governador Geraldo Alkcmin a trocar todo o comando da PM. A notícia surge num momento crítico para a segurança dos paulistas em geral e dos paulistanos em particular. Depois da vitoriosa redução dos índices de criminalidade conquistada nos governos anteriores, a política do extermínio do atual bota a perder todo o esforço despendido no passado.

É alarmante o aumento de 22% nos homicídios dolosos na cidade de São Paulo quando se cotejam os dados do segundo trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado. O levantamento, feito pela própria Secretaria de Segurança Pública, apenas quantifica algo que se pode sentir nas ruas: o pavor de viver numa cidade em que só se distinguem algumas ações da polícia e do crime organizado pelo uniforme de quem dispara a arma.

A crítica não tem por objetivo generalizar o estigma de que todos os policiais são maus. Mas está calçada na observação da estatística e nas declarações desastrosas dos comandante que dão ordens para que seus soldados adotem a lógica do crime organizado com a justificativa de exterminá-lo.

Nesse sentido, vale a pena ouvir o que têm a dizem entidades como o Movimento Nacional dos Direitos Humanos. Segundo seu coordenador, Rildo Marques de Oliveira, “há uma quantidade injustificável e enorme de pessoas mortas pela PM em crimes com características claras de execução sumária — com tiros na nuca de vítimas imobilizadas e incapazes de se defender”.Segundo o MNDH, pelo menos 11 adolescentes foram assassinados desta forma nos últimos dois meses.  Na sequência das execuções, invariavelmente os documentos das vítimas desaparecem e seus corpos dão entrada nos IMLs como indigentes.

“Há claramente uma política higienista, política de extermínio. Temos informações de que em vários batalhões têm sido formados grupos de extermínio” afirma Rildo Oliveira, certo de que as ações são autorizadas e orientadas pelos comandos.

Essas são as evidências que, uma vez apresentadas em audiência pública na tarde de hoje, vão embasar o pedido de intervenção na segurança pública paulista.

A medida tem tudo para não prosperar. Sua drasticidade equivaleria a uma uma desautorização sem precedentes na história. Mas a denúncia, diante da gravidade do que se suspeita estar acontecendo, vem em boa hora.

É preciso que o governo do estado atente para as consequências deletérias desse retrocesso, que devolveu à ROTA os estigmas dos anos Maluf em plena gestão tucana.

De outro lado, como apontam os dados que brotam da SSP, autorizar o extermínio de supostos criminosos não fez senão acirrar o problema.A despeito da matança desumana, nunca, nos últimos 18 meses, São Paulo foi uma cidade tão perigosa, com pessoas tão acuadas — agora também por quem deveria proteger a sociedade.

Se os números de sua política não dizem nada ao governador Geraldo Alkcmin, talvez a justiça Federal possa obrigá-lo a entender que a Lei de Talião da SSP não pode e não deve suplantar a Constituição brasileira.

Corregedoria vai pedir expulsão do delegado que despiu escrivã na marra

[vimeo]http://vimeo.com/20070600[/vimeo]

O delegado Eduardo Henrique de Carvalho Filho deve ser expulso da Polícia Civil do Estado de São Paulo.  Foi ele quem conduziu a desastrada Operação Pelada, que tinha por objetivo produzir um flagrante de concussão e terminou com as cenas constrangedoras, reveladas pelo Blog do Pannunzio e pela Rede Bandeirantes, em que uma escrivã de polícia é despida de maneira brutal pela equipe de corregedores comandada por Eduardo Filho.

A recomendação de que seja demitido consta do procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria, que já está pronto para ser enviado ao secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto. É ele quem vai decidir se demite ou não o policial.  Na época, no entanto, Ferreira Pinto foi informado dos detalhes da Operação Pelada e mandou engavetá-la. Chegou a convocar o delegado a seu gabinete para cumprimentá-lo pela “ação bem-sucedida”.

Orientada pelo SSP, a manobra para acobertar os delegados foi executada pela ex-corregedora-geral Maria Inês Trefiglio. Além de arquivar o procedimento investigatório instaurado para apurar o comportamento dos delegados, ela saiu em defesa aberta dos subordinados. Perdeu o emprego uma semana depois que o o Blog do Pannunzio e a Band expuseram as imagens das sevícias, reproduzidas no vídeo que abre este post.

Os corregedores, no entanto, foram transferidos para o DENARC (Departamento de Narcóticos), o que o Sindicato dos Policiais Civis do Estado de São Paulo considerou como uma promoção, não uma punição.

O caso abriu uma crise na cúpula da segurança pública paulista. O governador Geraldo Alckmin cogitou até substituir o secretário, mas recuou em seguida. Na sequência da Operação Pelada, Ferreira Pinto foi flagrado dias depois entregando a um repórter do jornal Folha de São Paulo um dossiê com informações contra o sociólogo Túlio Kahn, demitido sob suspeita de comercializar dados estatísticos classificados como sigilosas  sobre as áreas de risco de São Paulo. As informações não eram abertas para o público.

O secretário só não caiu porque se descobriu que três delegados, entre eles Marco Antônio Desgualdo, um dos “cardeais” proeminentes da Polícia Civil de São Paulo — na época na chefia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) –, estavam envolvidos na desastrada operação que tinha por fim obter, do setor de segurança do Shopping Higienópolis, a fita em que Ferreira Pinto aparecia entregando o dossiê ao repórter da Folha.

Apresentado ao público como uma “conspiração da banda podre da Polícia civil” contra o secretário, o fato deu a Ferreira Pinto a condição política necessária para permanecer à frente da pasta, onde está até hoje.

O inquérito instaurado para apurar o abuso de autoridade dos corregedores foi arquivado pelo juiz Octávio Augusto de Barros Filho, titular da Vara Especial do Forum de Parelheiros, a pedido do promotor de justiça Lee Robert Kahn. A despeito de todas as provas apresentadas, o representante do Ministério Público encontrou no espetáculo de brutalidade dos policiais “apenas o rigor necessário” na condução da correição.

O Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GECEP) do MP tentou promover o desarquivamento do inquérito, mas não encontrou provas novas, requisito imposto pelo Código de Processo Penal para a reabertura das investigações.

Para ler a íntegra das reportagens publicadas pelo Blog do Pannunzio sobre a Operação Pelada, clique aqui.

Deputados querem poder para mudar decisões do STF

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira, 25, proposta de emenda constitucional que permite ao Congresso sustar decisões do Judiciário. Nesta quinta-feira, 26, o Legislativo só pode mudar atos do Executivo. A proposição seguirá para uma comissão especial.

A polêmica proposta foi aprovada por unanimidade após uma articulação de deputados evangélicos e católicos. Para eles, a medida é uma resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal, que legalizou o aborto de fetos anencéfalos. Se a regra já estivesse em vigor, os parlamentares poderiam tentar reverter a permissão de interromper a gravidez nesses casos.

O texto considera de competência do Congresso sustar “atos normativos dos outros poderes que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”. Além de resoluções de tribunais e atos de conselhos, há deputados que acham ser possível sustar decisões do Supremo com repercussão geral e até súmulas vinculantes.

Autor da proposta, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), argumenta que o Legislativo precisa ser o poder mais forte da República, por seu caráter representativo, e que decisões do Judiciário nos últimos anos têm ido além do que diz a Constituição.

“O Poder Judiciário – que não foi eleito, é nomeado – não tem legitimidade para legislar. É isso que desejamos restabelecer para fortalecer o Legislativo”, alega Fonteles. “Aliás, fomos nós que fizemos a Constituição.”

O relator da proposta na CCJ, Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), destaca que a possibilidade em discussão não abrange julgamentos específicos dos tribunais, mas casos em que o Judiciário ultrapasse sua função ao determinar novas regras.

O coordenador da bancada evangélica, João Campos (PSDB-GO), diz que o objetivo é enfrentar o “ativismo judiciário”. “Precisamos pôr um fim nesse governo de juízes. Isso já aconteceu na questão das algemas, da união estável de homossexuais, da fidelidade partidária, da definição dos números de vereadores e agora no aborto de anencéfalos.”

via Deputados querem poder para mudar decisões do STF – politica – politica – Estadão.

Rebeldes perdem cidade-chave para forças de Gaddafi

No 23º dia de conflitos na Líbia, em que pesados ataques das forças leais ao ditador Muammar Gaddafi expulsaram os rebeldes do polo petrolífero de Ras Lanuf, a França tornou-se o primeiro país a reconhecer o comando dos insurgentes como governo legítimo líbio.

Por sua vez, Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, prometeu se reunir com representantes dos oposicionistas em visita ao Egito e à Tunísia, na próxima semana, embora até agora americanos e europeus não tenham entrado em acordo sobre ações militares.

Na Líbia, porém, o clima entre rebeldes era de desespero, com discussões acaloradas e críticas ao que veem como inação da comunidade internacional.

via Folha de S.Paulo – Rebeldes perdem cidade-chave para forças de Gaddafi – 11/03/2011.

Operação Pelada: flagrante contra escrivã foi preparado. Não há provas de concussão no inquérito

Ao contrário do que afirmou a ex-corregedora-geral da Polícia Civil de São Paulo, Maria Inês Trefiglio Valente, não há nenhuma prova de prática de crime de concussão no inquérito criminal aberto para investigar a escrivã V.S.L.F. Ela foi vítima de humilhação e abuso de autoridade por parte de uma equipe da Corregedoria que investigava a denúncia de um homem que se dizia achacado pela policial.

No inquérito há o registro de três diálogos entre a escrivã e o denunciante — dois deles feitos por instrução e com o acompanhamento dos delegados que despiram à força e humilharam a escrivã. Em nenhum deles V. exige dinheiro de seu interlocutor, o que seria necessário para a materialização do crime a ela imputado.

Dois criminalistas consultados pelo Blog disseram que há evidências sobejas de que o flagrante foi preparado, o que fatalmente irá desqualificar as provas no curso da ação penal. O procedimento desastrado, batizado pelo Blog de “Operação Pelada”, foi denunciado em primeira mão pelo Blog do Pannunzio e pela Rede Bandeirantes. O video que registra as sevícias, feito pelos próprios agentes da Corregedoria, pode ser visto aqui. A repercussão do caso levou à demissão de Trefiglio da Corregedoria.

O caso vinha sendo acobertado há um ano e meio pela corregedoria. A ex-corregedora afirmou que a brutalidade dos policiais “foi necessária”, mas não explicou o por quê. O Blog obteve acesso à íntegra do processo, sobre o qual não foi decretado segredo de justiça. A ação tramita na Vigésima-Sétima Vara Criminal do Forum da Barra Funda. A leitura do material deixa claro que a escrivã jamais exigiu dinheiro do denunciante, contrariando frontalmente as afirmações da Corregedoria.

Dentro de instantes, o Blog do Pannunzio vai publicar uma compilação da degravação dos diálogos mantidos pelo denunciante com a escrivã.

Sevícias contra escrivã foram constatadas em perícia. Prova não foi usada em inquérito que inocentou delegados

As sevícias decorrentes da violência empregada na humilhante “revista íntima”  feita na escrivã V.F.S.L. por dois delegados da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo foram constatadas pelo Insituto Médico Legal. O exame de corpo de delito foi realizado em 16 de junho de 2009,  dia seguinte à sua prisão em flagrante.

O laudo, assinado pelo médico-legista Marcus A. P. Telles, atesta que ela sofreu “lesões de natureza leve”. Foram encontradas equimoses no tornozelo direito e no punho esquerdo. O legista também anotou que V. “não quis retirar a calça para exame das pernas pois estava muito abalada emocionalmente”. A Corregedoria havia afirmado que os métodos empregados na lavratura do flagrante foram “adequados”. As imagens da humilhação imposta à servidora foram divulgadas em primeira mão pelo Blog do Pannunzio e pela Rede Bandeirantes (veja aqui na íntegra).

Apesar da constatação, o promotor Lee Robert Kahn da Silveira, que esteve a cargo do inquérito policial instaurado para apurar os excessos dos delegados-corregedores, desprezou a prova em seu parecer, que resultou no arquivamento do inquérito. Não há uma menção sequer anotada no texto a qualquer tipo de marca ou ferimento. Os advogados de V. não sabem se a peça foi juntada ao inquérito.

Caso não tenha sido juntado, o laudo pericial pode provocar a reabertura do caso, como desejam os pormotores do GECEP (Grupo Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial) do Ministério Público paulista. De acordo com o Artigo 18 do Código de Procesos Penal, só é possível reabrir um processo arquivado por determinação judicial quando surgem novas provas, que não foram consideradas no curso da primeirai investigação.

Veja abaixo o fac-símile da perícia.

 

 

“Operação Pelada”: Secretário de Segurança está a um passo da demissão

O governador Geraldo Alkmin deve promover uma completa reestruturação na cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo por causa da divulgação do video da chamada Operação Pelada — ação desastrada dos delegados da Corregedoria da Polícia Civil em que uma escrivã acusada de concussão foi despida à força . O video foi trazido a conhecimento público pelo Blog do Pannunzio e pela Rede Bandeirantes (veja na íntegra aqui). A demissão do Secretário Antônio Ferreira Pinto, de acordo com uma fonte qualificada do Palácio dos Bandeirantes, já está acertada e deve ocorrer ainda antes do carnaval.

Ferreira Pinto foi informado da existência do video em novembro passado, por meio de um ofício encaminhado pelo Presidente da OAB/SP, Luiz Flávio Borges Durso. O gabinete do então governador, Alberto Goldman, também recebeu uma cópia do DVD com o registro  das sevícias. Nenhuma providência foi tomada até a semana passada, quando as imagens foram divulgadas.

A indisposição do atual governador com o secretário Ferreira Pinto, no entanto, é anterior ao episódio. Quinze dias atrás,  Alkmin o chamou a seu gabinete e cobrou explicações sobre as declarações do delegado-geral Marcos Carneiro de Lima, que responsabilizou indiretamente os guardas-noturnos privados pelo pelo assalto à casa do ex-secretário de segurança Saulo de Castro Abreu Filho. Saulo de Castro, atualmente na pasta dos Transportes, é contado como “pule de dez” para assumir o lugar aberto com a saída de Ferreira Pinto.

O clima azedou definitivamente quando, na última segunda-feira, o atual secretário arvorou-se em patrono da permanência da delegada Maria Inês Trefiglio Valente à frente da Corregedoria-Geral de Polícia. Ele defendeu a ação exorbitante dos delegados que despiram a escrivã V. como “necessária”.  Os excessos cometidos pela equipe de corregedores chocaram o País e irritaram o governador. Alkmin ficou indignado com as imagens e determinou que todas as medidas necessárias fossem adotadas para corrigir os erros que se seguiram à divulgação das cenas. Até agora agora, no entanto, apenas os delegados foram punidos com o afastamento temporário de suas funções.

Polícia X polícia: as cenas impressionantes de um flagrante de coação moral

As cenas que você vai ver abaixo foram registradas nas dependências do Vigésimo-quinto Distrito Policial de São Paulo no dia 15 de junho de 2009. Mais do que chocantes, são emblemáticas do desrespeito com que policiais costumam tratar pessoas que estão sob investigação. Até quando os investigados são colegas de corporação.

As imagens que o Blog do Pannunzio e o Jornal da Band publicam em primeira mão foram feitas por ordem dos delegados Eduardo Henrique de Carvalho Filho e Gustavo Henrique Gonçalves, ambos da Corregedoria da Polícia Civil — curiosamente os protagonistas desse thriller moral. Eles foram à delegaciade Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, para prender flagrante a escrivã V.F.S.L. Ela acabara de livrar da cadeia um homem supostamente deveria sr autuado por porte ilegal de arma que, em contrapartida, teria pago R$ 200 de propina.

Quando a equipe da Corregedoria chegou, V.F.S.L., acuada, tentou entregar o dinheiro ao delegado titular. Tarde demais. Além de estar de posse das quatro notas de R$ 50,  não conseguiu explicar por que não deu voz prisão ao suspeito por tentativa de suborno, o que seria suficiente para mantê-lo trancafiado durante alguns dias. Os delegados-corregedores sabiam de absolutamente tudo o que havia se passado minutos antes . Tinham, inclusive, informações precisas do local onde a escrivã havia ocultado o suposto suborno: dentro da calcinha.

Tudo o que aconteceu a partir desse momento está registrado no vídeo abaixo. Durante quase 13 minutos os delegados tentaram convencê-la a se despir para passar por uma revista íntima. Em momento algum V.F.S.L. tentou resistir. Sua única exigência foi a de que a busca fosse feita por policiais do sexo feminino, como prescreve o Artigo 249 do Código de Processo Penal.

A sala onde tudo a prisão em flagrante foi feita estava cheia de policiais do sexo masculino. Havia, também, pelo menos duas PMs no local. Mas os corregedores foram inflexíveis. Diante da exigência da escrivã, mandaram alge25má-la, jogaram-na no chão e arrancaram sua calça na marra. Humilhada, ela foi despida por colegas, no chão da sala lotada de homens.

A prova do suborno foi abtida e o flagrante, lavrado. V.F.S.L. foi presa. O advogado Fábio Guedes Garcia da Silveira foi contratado e conseguiu livrá-la do cárcere até o julgamento. Até hoje ela aguarda a realização da primeira audiência, marcada para meados de junho deste ano, quando o caso completa seu segundo aniversário.

O defensor da escrivã apresentou uma denúncia contra os policiais à Corregedoria. Mas ambos foram absolvidos no curso de uma sindicância administrativa. Os pares que os julgaram entenderam que eles usaram  “meios moderados” para a obtenção da prova.

“Isso não seria normal nem no Iraque, nem no Iran”, diz o advogado. Para ele, a corregedoria agiu com corporativismo em defesa dos colegas. Agora, espera anular a prova que cinsidera ter sido obtida mediante coação e por meios ilícitos.

Em outra frente, Fábio da Silveira fez uma representação ao Ministério Público e agora espera ver os delegados condenados por abuso de autoridade. “Ainda mais que isso pode caracterizar prática de tortura”, diz ele, certo de que agora os abusos serão reconhecidos  pela Justiça.

O video revela, ainda, que o flagrante pode ser sido armado. Ao mostrar o dinheiro para a camera, um dos delegados diz claramente que  “tá tudo aqui. Notas xerocopiadas”. Se isso restar comprovado, de acordo com uma fonte do Ministério Público, o flagrante será necessariamente anulado. “Isso equivale a induzir ao comentimento do crime, o que é proibido pela legislação”.

As imagens falam por si e deixam um alerta: se delegados de polícia agem com tanta arbitrariedade contra os  colegas, o que esperar de seu comportamento perante a clientela habitual dos distritos, em sua maioria desvalidos, pobres, vulneráveis e desinformados sobre seus próprios direitos ?

[vimeo]http://www.vimeo.com/20070600[/vimeo]

‘Fator Serra’ embaralha articulação para 2012

Julia Duailibi- A iminente saída do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do DEM e o chamado “fator Serra” delinearam um novo rumo nas articulações para a eleição municipal de 2012.

À revelia do ex-governador José Serra, que tem dito não ter interesse em disputar a Prefeitura de São Paulo, tucanos passaram a ventilar seu nome como alternativa capaz de reeditar a aliança entre PSDB, DEM e PMDB, vitoriosa na última eleição no Estado.

Paralelamente, o PT começa a estudar novos nomes para fazer frente a uma eventual candidatura Serra. A possibilidade de Kassab migrar para o PSB – ele negocia ainda com o PMDB ou a formação de um novo partido – também levou o PTB a procurar o deputado Gabriel Chalita (PSB) para oferecer-lhe a sigla, se quiser entrar na disputa. O deputado ainda está na mira do PMDB paulista, caso Kassab não escolha a legenda como destino.

O governador Geraldo Alckmin tem dito que Serra deve ser o nome para 2012. Apesar da atual resistência de Serra, tucanos apostam que ele pode aceitar a missão e se fortalecer na cena política, num momento em que a ala do PSDB do senador Aécio Neves trabalha para retirar espaço do ex-governador.

Em 2004, Serra também não queria ser candidato a prefeito. Diante das pressões do partido, inclusive de Alckmin, que ameaçava lançar o seu então secretário de Segurança Pública, Saulo Abreu, ele aceitou. Assinou, então, um documento em que se comprometia a ficar até o final do mandato, caso vencesse. Tomou posse e um ano e três meses depois, renunciou para disputar o Palácio dos Bandeirantes. A atitude tornou-se hoje um argumento contra o lançamento de seu nome.

Apesar do consenso de uma candidatura Serra à Prefeitura, tucanos veem motivação nele para disputar o governo estadual, numa articulação em que Alckmin ficaria com a Presidência – o governador não dá sinais de que aceitaria a dobradinha. Serra, de qualquer maneira, afinou o discurso com Alckmin, com quem viajou no sábado pelo interior e tem conversado semanalmente.

No front petista, o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) conta com mais apoio no diretório paulista para disputar a Prefeitura que a senadora Marta Suplicy. O petista chegou a propor acordo para Marta em 2010, segundo o qual ela ficaria com a vaga para o Senado e ele, com a Prefeitura. A senadora não aceitou. Os dois, entretanto, aguardariam a definição de Serra para se decidir.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a insistir num nome novo. Recentemente, falou do ministro Fernando Haddad (Educação), que queria ter lançado para o Estado em 2010. Além de Haddad, que não conta com respaldo o PT e está desgastado com a crise do Enem, entra na cota a novidade Alexandre Padilha (Saúde), que não tem título em São Paulo. Corre por fora o deputado Carlos Zarattini, visto como o mais forte no PT paulistano entre as apostas “novas”. 

via ‘Fator Serra’ embaralha articulação para 2012 – politica – Estadao.com.br.

Paraguai mentiu ao governo brasileiro para tentar repatriar refugiados

cartilha_epp

furo

O governo do Paraguai mentiu e apresentou provas falsas para tentar obter a extradição dos três supostos guerrilheiros daquele país que foram acolhidos como asilados pelo governo brasileiro.

Juan Arrom, Anuncio Marti e Victor Colman são alvo de um processo de perseguição explícita movida pelo governo Lugo. Ex-militantes do Movimento Pátria Livre, que se opôs à ditadura Stroessner, os três foram acusados do sequestro de Maria Edith Debernardi, mulher de um dos empresários mais ricos e controvertidos do País.

Por duas vezes, autoridades da diplomacia do governo Lugo encaminharam dossiês volumosos com informações falsas vinculando os três perseguidos aos guerrilheirtos das FARC.

A fraude foi confirmada pelo investigador antiterrorismo da polícia judiciária da Colômbia Ronald Coy, que declarou ao Ministério Público daquele país não terem sido encontrados e-mails no computador que pertencia ao comandante Raul Reyes, morto no ano passado. De acordo com o policial, havia apenas documentos elaborados em um processador de texto.

Centenas de e-mails que supostamente comprovariam contatos frequentes entre os  ”guerrilheiros” paraguaios e o comando da guerrilha colombiana foram anexados como prova ao pedido de reconsideração feito ao governo brasileiro pelas autoridades paraguaias.

Arrom, Marti e Cólman foram sequestrados em Asunción por agentes de segurança paraguaios dois dias antes da libertação da Sra. Debernardi. Durante 14 dias foram sistematicamente torturados — e jamais confessaram qualquer tipo de participação no sequestro.

O local utilizado como cativeiro, a casa de um policiais militar, foi descoberto pelas irmãs de Juan Arrom. Dias depois de libertados, os três deixaram o país pela Ponte da Amizade e ingressaram em território brasileiro. Meses depois, por unanimidade, o CONARE concedeu a eles o status de refugiados políticos. Desde então o governo do Paraguai tentam convencer as autoridades brasileiras a repatriá-los para que sejam julgados segundo as leis paraguaias.

A perseguição aos três militantes do Movimento Pátria Livre, que jamais teve qualquer tipo de ação armada ou violenta. foi denunciada em primeira mão por este Blog. Para obter mais informações sobre o assunto basta clicar aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Post Navigation