Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the category “Segurança”

PMs matam 170 pessoas em sete meses em São Paulo

Em sete meses, 170 pessoas foram mortas por policiais militares na capital paulista.

O número, divulgado ontem pela corporação, inclui os mortos em confrontos com PMs e as vítimas de homicídios cometidos por policiais, que estavam em serviço ou em seu horário de folga.

Comparando com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de 32% de vítimas na cidade.

Em todo o Estado, o número de mortos por PMs atingiu a marca de 369 pessoas (redução de 4%). De janeiro a julho, 57 PMs morreram nas mesmas condições.

Em uma breve análise, a ONG Instituto Sou da Paz afirmou que a “altíssima” letalidade policial na cidade é um “fenômeno que parece ter se tornado um padrão”.

“A letalidade policial é um problema cuja redução depende exclusivamente de ações gerenciais por parte do Comando [da PM] -ao contrário dos crimes, que são influenciados por diversos outros fatores que não a ação policial”, afirmou, em nota.

Para Oscar Vilhena Vieira, pós-doutor em direitos humanos e professor de direito da Fundação Getulio Vargas, há três fatores que influenciam na letalidade policial: 1) a estrutura militarizada da PM que “trata setores da população como inimigos”; 2) os discursos “duros” de governadores que incentivam a ação enérgica e; 3) a falta de investimento em qualificação.

“Não adianta comprar carros, armas, investir em comunicação, se não treinar o policial adequadamente.”

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – PMs matam 170 pessoas em sete meses em São Paulo – 29/08/2012.

8 coronéis da PM receberam mais de R$ 50 mil em junho

ANDRÉ CARAMANTE

Apenas oito coronéis da Polícia Militar de São Paulo receberam juntos, em junho deste ano, R$ 773,5 mil de pagamento do governo estadual, entre salários e benefícios.

Os vencimentos líquidos desses oficiais variaram de R$ 51.689,33 a R$ 254.099,57.

O valor pago a cada um deles ultrapassa o teto do serviço público, de R$ 26,7 mil. Também supera o que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu no mês: R$ 14.019,84, com descontos.

Um soldado em início de carreira na capital ganha, em média, R$ 2.530 por mês.

Há uma semana, por causa da lei de transparência assinada em maio pela presidente Dilma Rousseff (PT), a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) passou a divulgar no Portal da Transparência Estadual (www.transparencia.sp.gov.br) os vencimentos dos servidores do Estado.

Os valores pagos em junho podem incluir benefícios como férias, adiantamento do 13º salário e indenizações, “além de benefícios acumulados ao longo de uma carreira”, diz nota da secretaria.

Salários acima do teto, de acordo com o governo, só são pagos por ordem judicial.

O policial mais bem pago em junho foi o coronel da PM Ailton Araújo Brandão, que recebeu R$ 254.099,57. A Secretaria da Segurança Pública não explicou como foi possível chegar a esse valor -o governador pediu que o caso do coronel fosse averiguado.

No site, estão os salários de todos os servidores da área da Segurança Pública, como os dos 166 delegados de classe especial da Polícia Civil, o topo da carreira no Estado.

Em junho, Oswaldo Arcas Filho foi o delegado de classe especial que recebeu o maior vencimento líquido:

R$ 20.609,39. A Folha tentou ouvir os dois policiais, mas a assessoria da secretaria não atendeu a esse pedido.

‘RISCO DESNECESSÁRIO’

Para o delegado George Melão, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo, a exposição dos salários dos policiais pelo governo tem dois lados: “a comprovação da disparidade entre o que recebem policiais militares e civis e a exposição desnecessária dos servidores da segurança pública”.

A Associação dos Cabos e Soldados da PM afirmou que não ia comentar a disparidade entre os salários pagos aos praças e aos oficiais por se tratar de “assunto interno”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – 8 coronéis da PM receberam mais de R$ 50 mil em junho – 03/08/2012.

PM espera Dia dos Pais tenso. Presos são escalados para retaliar policiais no “saidão” pelo PCC

O Dia dos Pais será tenso para a Polícia Militar do Estado de São Paulo. Há dois meses em guerra com o crime organizado, a corporação recebeu informes de que o PCC prepara uma série de atos de retaliação para os quais estariam sendo escalados criminosos que conseguirem o direito de sair dos estabelecimentos penitenciários no privilégio erroneamente conhecido como “indulto temporário”.

Uma fonte da inteligência policial declarou ao Blog do Pannunzio que o PCC está distribuindo tarefas aos presos que irão às ruas. Haveria, segundo essa fonte, uma lista com nomes de PMs que devem ser executados pelos detentos que estarão nas ruas. Quem não cumprir a “tarefa” sofrerá retalizações ao regressar ao sistema. As “penas” impostas iriam das sevícias à eliminação física.

“Em contrapartida, a PM já avisou a vagabundagem que para cada PM morto serão ‘zerados’ seis vagabundos”, afirma a fonte do Blog do Pannunzio.

O blog errou. São 97, e não 15, os coronéis da PM de SP que receberam acima do teto constitucional em junho

O blog errou. Felizmente errou para menos. No post intitulado Ao menos 14 coronéis da PM paulista recebem acima do teto constitucional, a patente dos oficiais foi anotada erroneamente. Na verdade, os valores se referem ao soldo pago em junho aos tenentes-coronéis.

O número de coronéis que receberam acima do limite legal é bem maior. De acordo com o site da Transparência do governo do Estado de São Paulo, 97 dos 1142 coronéis —  1 em cada 12 — foram aquinhoados com pagamentos brutos acima de R$ 26,7 mil. Considerado apenas o soldo líquido, o número de oficiais com vencimentos superiores ao teto chega a 55.

O maior valor foi pago ao Cel. Ailton Araújo Brandão. Ele recebeu R$ 260.934,59.

Em segundo lugar, com aproximadamente metade desse valor,  aparece o nome de Silvério Leme Filho. O Coronel recebeu R$ 132.088,91 de soldo bruto em junho.

O pagamento desses valores não constitui necessariamente nenhuma irregularidade. Os soldos podem ser inflados eventualmente por decisões judiciais, pagamento de verbas rescisórias e indenizações.

Chama a atenção, no entanto, a incidência de valores tão expressivo no topo da oficialidade. A porcentagem de tenentes-coronéis que receberam acima do teto é inferior a 1%. E apenas um delegado especial da Polícia Civil obteve o mesmo privilégio. Os coronéis com vencimentos anômalos representam 8,4% da patente.

Excluindo-se esse casos, a média salarial dos coronéis foi de R$ 17.914,44. A média do valor líquido, R$ 11.635,07.

Os soldos brutos custaram ao governo do estado R$ 22,19 milhões. Os salários acima do teto, que somaram R$ 4,28 milhões, representaram 23,9% da folha da patente em junho.

Abaixo, a relação com os nomes e os valores pagos aos coronéis que receberam acima do limite legal.

nome bruto líquido
AILTON ARAUJO BRANDAO
260.934,59
254.099,57
SILVERIO LEME FILHO
132.088,91
126.593,25
CLAUDIO ANTONIO RISSOTTO
113.670,59
108.404,14
ORLANDO RODRIGUES DE CAMARGO F
85.355,30
55.588,05
JOAO ROGERIO FELIZARDO
84.067,85
52.932,91
SILVESTRE FERNANDES QUEIROGA
74.486,18
51.689,33
CARLOS JOSE DA VEIGA
71.501,60
65.279,59
TOMAZ ALVES CANGERANA
70.480,37
45.278,77
WAGNER FERRARI
70.316,34
45.966,91
HENRIQUE TRAJANO DA SILVA
69.613,98
38.536,68
JOVIANO CONCEICAO LIMA
69.462,19
44.359,68
ALCIBIADES SEBASTIAO MOTTA
68.298,48
58.999,87
REINALDO DE OLIVEIRA ROCCO
66.652,36
43.522,54
CLAUDIO AUGUSTO XAVIER
64.603,55
41.696,38
SERGIO FRANCISCO GOMES PENNA
60.883,42
42.434,02
VLADIMIR DE OLIVEIRA REIS
56.357,45
39.322,40
PAULO HARRUNOBU KOMATA
55.184,79
36.842,85
VALTER PEREIRA PUBLIO
53.414,88
37.550,39
PEDRO PEREIRA MATHEUS
52.793,76
42.577,17
ALBINO CARLOS PAZELLI
52.765,91
31.516,87
WALDIR CONTINI ZUQUETTO
52.502,15
33.471,81
PAULO NISHIKAWA
51.337,79
32.932,87
JOSE GUERSI
49.906,75
33.162,48
OSMAIR PAULO SACHETTO
49.602,94
33.241,59
OSWALDO DA SILVA FILHO
49.364,91
31.854,65
LINEU GUARDIANO
48.082,94
32.175,45
ANTONIO SERGIO PALAZZI
47.476,29
31.185,86
ALBERTO BASTOS DIAS
47.290,46
27.901,36
ADALBERTO JOSE GOUVEA
47.108,44
40.849,43
WALDIMIR CRISTIANO
46.819,30
36.571,05
ANTONIO MACHADO COUTO
46.581,28
40.659,24
EDUARDO MONTEIRO
46.581,28
30.322,14
MARIO MAXIMO DE CARVALHO
46.521,61
30.648,61
MOYSES ZAJAC
45.820,05
39.643,06
APARECIDO SALES DE SOUZA
45.451,71
31.422,30
JOSE SANCHES FELIX
45.265,39
30.461,36
ENJOLRAS LINS PEIXOTO
45.265,39
29.868,54
JOSE HELTON NOGUEIRA DIEFENTHA
44.272,63
32.092,12
MANOEL LAURIANO SALGADO DE CAS
43.524,28
30.063,66
PLINIO VAZ
43.518,28
36.701,24
ANTONIO ALVES DIAS
43.387,89
29.219,52
ROBERTO COSTA
43.274,56
30.117,51
JOAO CARDOSO
40.861,41
26.461,37
DECIO DE SOUZA TEIXEIRA
40.564,74
27.059,06
APARECIDO AMARAL GURGEL
39.708,89
26.321,45
HOLLIWOOD GARCIA DE MARINS
39.486,23
26.311,44
HENRIQUE MARQUES DE CARVALHO
39.470,33
34.683,57
ALUIZIO SILVEIRA DE CARVALHO P
35.583,03
25.338,46
JOAO OLIVEIRA VERLANGIERI
34.656,61
23.279,00
SERGIO TEIXEIRA ALVES
34.296,16
21.502,90
DOMINGOS FERNANDES DE AGUIAR
33.998,80
21.299,46
EDUARDO JOSE FELIX DE OLIVEIRA
33.854,48
21.354,74
MANOEL ANTONIO DA SILVA ARAUJO
33.675,76
20.860,98
JOAO DOS SANTOS DE SOUZA
32.317,59
21.352,27
JOAO AUREO CAMPANHA
31.880,35
27.889,14
EDSON SAMPAIO
29.204,19
19.205,60
JOSE CARLOS NOGUEIRA
28.180,02
17.995,74
ORLANDO HILDEGARDO PIRAGINE
28.087,50
24.899,21
NIOMAR CYRNE BEZERRA
28.087,50
24.887,49
KLEBER DANUBIO ALENCAR
28.087,50
24.473,52
JOSE LUSTOSA RORIZ CARIBE
28.087,50
24.454,47
AYLTON FERRAZ DA SILVA
28.087,50
24.367,27
CARLOS DE CARVALHO
28.087,50
24.292,95
IRACY VIEIRA CATALANO
28.087,50
24.042,04
MARIA APARECIDA CANOLA
28.087,50
21.709,88
FERNANDO JARDINI JUNIOR
28.087,50
21.188,96
JOSE ROBERTO ROSAS
28.087,50
21.162,13
CLAUDIO DI SESSA
28.087,50
21.085,30
DOMICIO SILVEIRA
28.087,50
20.998,67
ALBERTO AUGUSTO GASPAR
28.087,50
20.966,44
ARLINDO FAUSTINO DOS SANTOS JU
28.087,50
20.876,24
JOSE REINALDO GRANT
28.087,50
20.795,76
JOSE CARLOS DA SILVA
28.087,50
20.733,53
ADAUTO VIEIRA DOS SANTOS
28.087,50
20.718,20
RAUGESTON BENEDITO BIZARRIA DI
28.087,50
20.616,67
SERGIO LUCCHESI
28.087,50
20.521,68
SALVADOR PETTINATO NETO
28.087,50
20.500,21
AIRTON NOBRE DE MELLO
28.087,50
20.462,83
ALBERTINO LOPES DE AGUIAR
28.087,50
20.345,54
EDISON VANDER ACUIO SIMEIRA
28.087,50
19.929,05
FERNANDO DE PAULA LIMA JUNIOR
28.087,50
19.233,73
ANTONIO DE JESUS GANDOLFI
28.087,50
19.097,62
WALTER CRISCIBENE
28.087,50
18.380,44
LUIZ ANTONIO SANTOS
28.087,50
17.393,61
JOSE AUGUSTO FONTES RICO
28.087,50
16.572,31
JOSE BENEDITO TORRES PINTO
28.087,50
16.387,19
ALFREDO VIEIRA DAS NEVES
28.087,50
15.933,19
ANTONIO BERNARDES DE SOUZA
28.087,50
15.854,92
EDSON OLIVEIRA LACERDA
28.087,50
14.836,67
ARY RAPOSO FARIA
28.087,50
12.318,95
JOEL MARCO CARRERA
27.933,95
17.743,26
OLAVO ALVES DE ANDRADE
27.560,05
18.729,97
LUIZ CARLOS DA COSTA
27.311,94
20.161,45
ORLANDO DA SILVA MARCONDES
27.083,48
17.331,74
HELIOS BAPTISTA NUNES
26.969,90
19.590,91
JOAO SACCOMANO
26.769,41
19.305,06

 

 

Ao menos 14 tenentes-coronéis da PM paulista ganham acima do teto constitucional*

Coube ao Tenente-Coronel Almir Ribeiro, comandante do 2° Batalhão de Choque, o maior salário entre todos os oficiais da segunda maior patente da Polícia Militar paulista no mês de junho. De acordo com o site da transparência do governo do estado, ele recebeu R$ 142.174,50 brutos. O salário líquido foi de R$ 131.669,94.

Em segundo lugar aparece o nome do  Tenente-Coronel Antônio Carlos Artêncio. Ele recebeu R$ 127.844,24 de pagamento bruto no mês de junho. Excetuando-se os descontos, o rendimento líquido foi de R$ 123.275,48.

Outros 12 oficiais receberam salários superiores ao teto constitucional, que é de R$ 26,7 mil. O número equivale a menos de 1% da tropa que, segundo o portal do governo estadual, é composto por 1058 tenentes-coronéis. Mas a soma dos vencimentos desses oficiais comprometeu o equivalente a 6,2% do total aos tenentes-coronéis em junho,  RS 15,126 milhões.O motante pago aos policiais que receberam acima do limite legal foi de R$ 938,32 mil.

Excluindo os casos anômalos, a média salarial para o posto de tenente-coronel foi de R$ 14,49 mil reais.

O Blog do Pannunzio questionou a Secretaria de Segurança Pública por email sobre as razões que justificam os valores pagos acima do teto, mas ainda não obteve resposta. Verbas rescisórias, indenizações e outras pendências decorrentes de decisões judiciais podem inflar episodicamente os salários em eventos que não têm recorrência.

De outro lado, apenas um dos 165 delegados de classe especial, os chamados “cardeais” da Polícia Civil, recebeu valores incompatíveis com o que determina a legislação. De acordo com informações do portal, Djahy Tucci Jr. recebeu R$ 27.716,75 no mês retrasado. A média de salário dos cardeais, excetuando-se a única anomalia aparente, foi de R$ 17.116,13

Abaixo, a relação com os nomes dos oficiais e os valores pagos em junho aos oficiais da PM que receberam acima do teto.

NOME POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO PATENTE SALÁRIO BRUTO DESCONTOS SALÁRIO LIQUIDO
ALMIR RIBEIRO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
142.174,50
15.275,03
131.669,94
ANTONIO CARLOS ARTENCIO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
127.844,24
14.000,86
123.275,48
AIRSON DA CONCEICAO VIEIRA
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
86.375,64
17.059,46
56.095,96
CID ROCHA JUNIOR
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
78.263,39
16.913,57
49.756,79
SEBASTIANA APARECIDA PINHEIRO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
72.301,24
17.453,66
46.101,95
CLAUDIO DE OLIVEIRA ROCCO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
65.339,56
17.925,32
42.338,22
MARCELO GOMES MANOEL
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
62.098,43
17.500,16
40.996,14
HERALDO RANAURO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
47.229,29
17.146,79
39.494,99
ANTONIO BATISTA DE FARIA
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
43.683,32
13.684,90
38.037,65
BENEDITO DONIZETI MARQUES
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
57.753,80
18.447,53
36.108,83
JOAO GRZYBOWSKI
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
40.806,33
17.423,73
35.548,30
MAURO PASSETTI
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
47.340,04
16.349,24
33.062,30
REYNALDO DE ALMEIDA CHAGAS
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
39.027,13
11.545,13
21.944,76
ANTONIO CARLOS PERROTTA
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
28.087,50
18.725,00
21.443,75
* O título original deste post era “Ao menos 14 coronéis da PM paulista ganham acima do teto constitucional”. A informação sobre a patente estava incorreta. Na verdade, os coronéis da PM que receberam acima do teto constitucional são 96, assunto abordado em outro post. Todos os demais dados, que  dizem respeito aos soldos para o posto de tenente-coronela da PMSP, estão corretos e não sofreram retificação. 

PMs Selvagens e furiosos

Os telejornais da Rede Globo mostraram ontem uma cena de selvageria e barbárie. Depois de dominar uma quarilha de ladrões e evitar um sequestro-relâmpago no Rio de Janeiro, policiais militares levaram os bandidos até um terreno baldio e atiraram contra a perna de um deles. O bandido estava dominado e sem nenhuma possibilidade de se defender.

Foi uma agressão brutal, covarde e desmedida. Os policiais, que poderiam ter encerrado o episódio como heróis, foram à lama, equipararam-se aos bandidos que haviam acabado de prender. O ímpeto dos pitbulls descontrolados só foi desmascarado graças à ação de um cinegrafista amador que filmou toda a cena de barbárie.

Antes que os repórteres tivessem notícia da gravação, uma equipe da emissora entrevistou os PMs na delegacia. O comandante da operacão concedeu uma entrevista gabando-se do revide à “injusta agressão” que teria culminado com um tiro na perna do bandido em um tiroteio que jamais ocorreu. Como é praxe em eventos como esse, nenhum dos inúmeros policiais envolvidos se levantou para denunciar a fraude dos colegas truculentos.

As cenas exibidas pela Globo apenas reiteram as denúncias de que a PM, mal instruída, mal formada e também mal paga, costuma adotar métodos de justiçamento e segue aplicando penas duríssimas — entre eleas a morte sumária — a quem bem entende.

Em São Paulo, cenas parecidas culminaram com a morte do suposto bandido Anderson Minhano em 29 de abril passado. Uma guarnição da ROTA, após a chacina de cinco suspeitos traficantes, sequestrou um deles no bairro da Penha, na Zona Leste do São Paulo, levou-o até a margem erma de um rodovia, torturou, humilhou e finalmente executou o prisioneiro a sangue frio.

Embora não houvesse câmeras registrando a ação bárbara, uma senhora, moradora de um barraco próximo ao local da execução, testemunhou o assassinato e comunicou ao COPOM. Na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, para onde os jagunços da ROTA foram levados depois de detidos, houve um notável esforço da Corregedoria da PM para evitar a prisão em flagrantes dos PMs assassinos.

Já estava decidido que seria lavrado o flagrante apenas do sargento da viatura que levou o corpo de Anderson ao hospital onde o óbito foi registrado. Como o sargento tinha um álibi por não ter participado diretamente do assassinato, os três colegas assassinos sairiam livres e responderiam a processo nas ruas, onde certamente voltariam a atuar como justiceiros e a ameaçar a sociedade. O plano só não funcionou porque o Ministério Público interveio e mandou mudar a combinação, autuando os verdadeiros criminosos de farda.

Execuções e atitudes de justiçamento se repetem por todo o País. Tendem a se tornar mais frequentes com o clamor da sociedade, acuada pelo aumento da criminalidade e descrente do sistema judicial. Isso faz com que muita gente aprove ações desse tipo na crença de que “bandido bom é bandido morto”, frase que se transformou em emblema da ROTA dos anos Maluf.

A consequência da imposição da barbárie por quem deveria proteger a sociedade tem feito estragos terríveis e irreversíveis como a morte do publicitário Ricardo Aquino, ocorrida no dia 18 de julho. Ou do adolescente Bruno Viana, morto em Santos depois que policiais assassinos dispararam 25 tiros contra o carro em que ele seguia por não ter obedecido ao sinal para parar em uma blitz.

Em todos os casos, salta aos olhos o esforços dos pitbulls fardados para maquiar a cena do crime, inventar confrontos que jamais existiram e justificar o ímpeto assassino de  soldados e oficiais que agem de maneira selvagem e furiosa.

A repetição desses registros trágicos revela, com uma incrível assertividade, que o extermínio sistemático se transformou em método de ação das polícia militares. Nas ruas,  as equipes que deveriam zelar pela reparação da ordem pública só fazem produzir catástrofes. São ações tão despudoradas e atrevidas, feitas à luz do dia ou acobertadas pela escuridão dos becos, que parecem ter a aprovação ao menos velada dos comandos.

De onde sai tanta selvageria ?

É certo que as atitudes homicidas desses policiais são aplaudidas por uma parcela da população que deseja se vingar da opressão do crime organizado, que enxerga apenas a morte como punição para quem envereda pelo mundo do crime. E parece não restar dúvida de que existe uma complacência do comando desse animais selvagens travestidos de policiais militares.

O resultado está aí para quem quiser ver: o recrudescimento dos índices de criminalidade, da brutalidade dos criminosos para eliminar testemunhas que possam identificá-los e o aumento da sensação de desproteção de quem depende da polícia para enfrentar a rotina de violência que os governos não conseguem controlar.

O quadro que se instalou é terrível também para os policiais, que têm sido vítimas de assassinatos seletivos engendrados por bandidos organizados pelos líderes de agremiações como o PCC, que se transformou em “partido” na periferia conflagrada de São Paulo.

Os números que brotam das estatíticas morbidas da ação policial demonstram com uma clareza cristalina que a imposição do terror dos grupos fardados de extermínio não fará outra coisa que não agravar o problema. Por isso, passou da hora de botar uma focinheira nos pitbulls que agem em nome da imposição da violência legítima.

Essa faculdade não nasceu para subjugar o cidadão,  justiçar as vítimas dos bandidos ou vingar a sociedade. Não há solução fora do respeito à lei e da substituição da ação truculenta pelo exercício da inteligência.

Como o método da vingança e do justiçamento parecem estar arraigados dentro da cultura da ação policial, talvez não haja outro remédio senão extinguir as PMs e fundí-las com as polícias civis, colocando o braço armado ostensivo do Estado sob um único comando a serviço da sociedade, e não contra ela.

PMs de Osasco são presos acusados de matar 2 jovens

Cinco policiais militares do 14º Batalhão, em Osasco (Grande São Paulo), foram presos ontem sob a suspeita de matar dois jovens e simular um tiroteio para tentar justificar o crime.

O tecelão Cesar Dias de Oliveira e o repositor Ricardo Tavares da Silva, ambos de 20 anos, foram mortos no bairro do Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo, fora da área de atuação dos PMs de Osasco.

Os amigos trabalhavam com carteira assinada e não tinham passagens pela polícia.

Cinco testemunhas ouvidas pela Polícia Civil disseram que os policiais, fardados, estavam no Rio Pequeno em dois carros descaracterizados na madrugada do dia 1º.

Os jovens foram baleados, cada um com um tiro, quando estavam na moto de Oliveira. Eles ficaram caídos na calçada até que um carro oficial da PM chegou ao local para ajudar os PMs que estavam nos carros sem identificação.

Uma das testemunhas disse à polícia ter ouvido quando um dos PMs do carro oficial disse aos outros: “Vocês fizeram uma merda e agora terão de corrigir”.

Após a frase, segundo a testemunha, um dos PMs pegou um rádio, começou a atirar para o alto e a dizer que estava em um tiroteio com dois homens em fuga em uma moto.

Os jovens foram colocados nos carros da Polícia Militar e levados para um hospital em Osasco, distante 12 km de onde estavam. Oliveira chegou ao local com cinco tiros; Silva, com três.

Foram presos os PMs Marcelo Oliveira de Jesus, Raphael de Arruda Bom, Cringer Ferreira Prota, Denis da Costa Martins e Raphael Salviano Silveira. A reportagem não localizou advogados deles.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – PMs de Osasco são presos acusados de matar 2 jovens – 31/07/2012.

Parentes e amigos de empresário morto por PMs fazem protesto

Cerca de 400 pessoas se reuniram no parque Ibirapuera (zona sul), ontem de manhã, para protestar contra morte do empresário e publicitário Ricardo Prudente de Aquino, 39. No dia 18, ele foi morto por PMs após perseguição no Alto de Pinheiros, zona oeste.

A manifestação foi organizada pela família da vítima, criadora do movimento “Quero Mais, Quero Paz”. “Ficamos indignados com a soltura dos policiais que executaram friamente o Ricardo”, afirmou a irmã dele, Fernanda Aquino.

“Principalmente por causa dos indícios de adulteração da cena do crime”.

A viúva do empresário, Lelia Pace de Aquino, 34, atribuiu à falta de preparo psicológico e técnico a abordagem feita pelos policiais. A irmã pediu uma reforma profunda na PM.

Com o rosto do empresário estampado nas camisetas, o grupo partiu da Oca e andou até a praça da Paz cantando a canção “Eu Quero Apenas”, de Roberto Carlos.

Ao menos sete disparos foram feitos pelos PMs -todos de curta distância, conforme perícia preliminar. Os PMs disseram ter confundido o celular de Aquino com uma arma.

O empresário voltava para casa de carro quando, diz a polícia, ignorou a ordem para parar. Dois soldados e um cabo foram presos e indiciados sob suspeita de homicídio doloso. O advogado deles, Fernando Capano, disse que, apesar do desfecho “trágico”, eles agiram corretamente, já que Aquino ignorou a ordem.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Parentes e amigos de empresário morto por PMs fazem protesto – 30/07/2012.

Confrontos com PM: 93% morrem na periferia

BRUNO PAES MANSO
Em dez anos, entre 2001 e 2010, 93% das pessoas que morreram em supostos tiroteios com a Polícia Militar em São Paulo moravam na periferia. O distrito com mais casos é Sapopemba, na zona leste, com 52 ocorrências. O levantamento do Instituto Sou da Paz usa dados do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade da Secretaria Municipal da Saúde.

As chamadas “resistências seguidas de morte” – na Saúde definidas como mortes por “intervenção legal” – também crescem de acordo com gênero, idade e raça das vítimas. Negros e pardos foram os que mais morreram nos últimos dez anos: 54% do total de vítimas na cidade, enquanto no Censo de 2010 apenas 37% da população de São Paulo se declara dessas raças.

Quase todas as vítimas (99,6%) são homens. Em dez anos, só cinco mulheres morreram em supostos confrontos. Segundo Lígia Rechenberg, coordenadora de análise de dados do Instituto Sou da Paz, a idade dos mortos impressiona: 60% têm entre 15 e 24 anos. “A situação mais estranha é a dos jovens com 16 e 17 anos, que correspondem a 9% do total de vítimas e apenas 3,6% da população. É preciso entender por que esses adolescentes estão morrendo”, diz Lígia.

A violência policial em Sapopemba começou a chamar a atenção em 2003. Um dos principais nomes na defesa dos direitos humanos no bairro, Valdênia Aparecida Paulino, sofreu ameaças por denunciar o envolvimento de policiais nos crimes e precisou sair do Brasil. “A falta de equipamentos públicos, moradia digna, acesso de qualidade à educação, saúde e cultura, a atuação desumana da polícia e o envolvimento de jovens com drogas e infrações são os maiores desafios do bairro”, diz Sidnei Ferreira da Silva, coordenador do Núcleo de Cultura do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca).

Na zona leste, os bairros de Cidade Tiradentes (33 ocorrências) e Itaquera (31) ficam em quarto e quinto lugares. Brasilândia, na zona norte, é o segundo, com 48 casos. Capão Redondo, na zona sul, fica em terceiro, com 35 ocorrências. Na história recente da PM, em 2004, um caso notório foi o assassinato do dentista Flávio Ferreira Sant”Ana, de 28 anos – os policiais pensavam que ele era um assaltante. Flávio era negro e filho de um sargento aposentado da PM. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Beba na fonte: Confrontos com PM: 93% morrem na periferia – geral – geral – Estadão.

Menina leva tiro na cabeça em ação policial no Guarujá

Uma adolescente de 13 anos foi baleada na cabeça durante uma ação policial no Guarujá (a 86 km de São Paulo, na noite de anteontem.

Dois policiais militares do 21º Batalhão disseram à Polícia Civil que, durante um patrulhamento, foram recebidos a tiros ao entrar na favela Prainha. Testemunhas, porém, afirmaram que os PMs já chegaram atirando.

A estudante Noemi de Souza Rodrigues, 13, foi atingida na cabeça. A bala não perfurou o crânio da menina. Ela foi levada a um pronto-socorro e recebeu alta horas depois.

“Falta preparo para esses policiais. Minha filha poderia ter morrido”, disse a auxiliar de limpeza Iracema de Souza, 29, mãe de Noemi.

Na favela, os PMs apreenderam um revólver, uma pistola e 660 gramas de maconha.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Menina leva tiro na cabeça em ação policial no Guarujá – 28/07/2012.

PMs mudaram cena de crime para prejudicar a perícia, diz advogado

Os policiais militares acusados de matar o empresário Ricardo Prudente de Aquino, 39, alteraram a cena do crime para dificultar a realização da perícia. É o que diz o advogado da família da vítima, Cid Vieira de Souza Filho, que será o assistente de acusação do Ministério Público.

Segundo o advogado, a Promotoria recebeu da Polícia Civil imagens de circuitos de segurança que mostram os PMs Robson Tadeu do Nascimento Paulino, 30, Luis Gustavo Teixeira Garcia, 28, e Adriano Costa da Silva, 26, retirando do chão cápsulas da munição usada para matar o empresário.

Os defensores dos PMs negaram que o trio tenha alterado a cena do crime.

Eles estavam presos até ontem, quando uma decisão da Justiça Militar os libertou.

Aquino foi morto a tiros no último dia 18 após uma perseguição no Alto de Pinheiros, bairro da zona oeste da capital paulista. Segundo a polícia, ele furou um bloqueio da PM.

Os três policiais dispararam ao menos sete vezes contra o veículo em que ele estava. Dois tiros acertaram a cabeça do empresário, que estava desarmado.

Essa ação causou uma crise entre o governo Geraldo Alckmin (PSDB), o Ministério Público Federal e entidades de direitos humanos.

REVER DECISÃO

“Esperamos que, com essas imagens, o Tribunal de Justiça reveja a decisão de conceder a liberdade provisória para os três PMs”, afirmou o advogado Souza Filho.

As imagens citadas pelo advogado não foram fornecidas à reportagem. Segundo a polícia, as filmagens fazem parte do processo, já entregue ao Ministério Público.

A Promotoria, por sua vez, disse que está analisando as imagens e só vai se pronunciar sobre o caso quando for apresentada a denúncia (acusação formal) ao Judiciário.

Mesmo livres, os policiais não irão atuar nas ruas. Terão de desempenhar atividades administrativas enquanto respondem a um processo interno, que pode culminar em suas exonerações.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – PMs mudaram cena de crime para prejudicar a perícia, diz advogado – 28/07/2012.

Segurança, eleições e ideologia

O Blog do Pannunzio tem veiculado uma série de matérias sobre a violência policial em São Paulo. A preocupação  com o tema começou em 18 de fevereiro do ano passado, quando uma equipe da Corregedoria da Polícia Civil despiu à força uma escrivã acusada de concussão. O blog veiculou as imagens da desastrada e arbitrária prisão em flagrante e cobrou das autoridades providências para punir os delegados que protagonizaram o escândalo.

Desde então, o atual secretário de Segurança Antônio Ferriera Pinto vem deixando claro seu apoio a atitudes como aquela, que extrapolam o limite legal de atuação de policiais sob comando de sua pasta. Ele chegou a cumprimentar os policiais que prenderam a escrivã e relutou em demitir a corregedora Maria Inês Trefiglio, que dias depois do episódio vir a público foi defenestrada do cargo de confiança que ocupava pelo governador Geraldo Alckmin.

No dia 29 de maio passado, um episódio trágico revelou que as arbitrariedades continuavam sendo cometidas com o propósito de promover uma “faxina” a partir da eliminação física de pessoas com ou sem passado criminal. O caso ficou conhecido como a chacina do Bar Barracuda, em que uma equipe da ROTA, após a matança de cinco supostos traficantes, sequestrou, torturou e assassinou covardemente, em local ermo e distante da ocorrência, um homem sobre quem pesava a suspeita de ter assassinado um policial.

Esse episódio desatou uma reação do crime organizado desde sempre negada pela Secretaria de Segurança Pública. A partir de então, nove policiais militares foram executados brutal e covardemente pelos criminosos, em ações pontuais caracterizadas por assassinatos seletivos adredemente planejados. Todos eles estavam descaracterizados e foram pegos em horário de folga.

Na sequência dos acontecimentos, chacinas e “caravanas da morte” viraram lugar-comum na crônica policial, fazendo com que os índices de criminalidade disparassem em São Paulo. O resultado do enfrentamento só fez produzir mais e mais crimes, fazendo com que a sociedade se sinta cada vez mais enclausurada em bunkers domésticos  para fugir à sanha da violência.

Com a agudização da crise, os posts sobre o assunto se tornaram mais frequentes e as cobranças, mais rigorosas. Isso fez com que a maior parte dos leitores manifestasse, na área de comentários, opiniões divergentes da do editor deste blog. A despeito disso, as opiniões e as críticas continuam sendo veiculadas, até agora praticamente sem a necessidade de tornar a moderação mais rigorosa. Até o momento, apenas dois comentários injuriosos foram vetados.

Ocorre que muitos leitores, inclusive alguns que acompanham o blog há muito tempo, têm suspeitado de que o foco nos problemas da segurança paulista tem razões ocultas, de natureza eleitoral ou ideológica, o que absolutamente não é verdade. Desde seu nascimento, o Blog do Pannunzio adota uma postura crítica em relação aos abusos de qualquer natureza — morais, éticos, legais, de autoridade. O alvo do blog não é um governador, um governo, um partido. O alvo é o arbítrio, venha ele de onde vier.

A vida humana é o maior bem jurídico sob tutela do Estado. Nos dias de hoje, em São Paulo, há uma clara inversão de valores. Em nome da eliminação do crime organizado, muitos são os que acham que a polícia pode se arvorar o direito de aplicar sumariamente a pena de morte em que lhe convém. Foi o caso inequívoco do publicitário Ricardo Prudente,  morto porque furou um blitz policial. Foi o caso também do adolescente Bruno Vianna, morto em Santos pelo mesmo motivo. No incidente, três outros jovens saíram feridos a bala.

Não há coincidência entre as postagens e o cronograma eleitoral. Há, sim, coincidência com o recrudescimento da violência, pelo qual as autoridades constituídas têm o dever de responder. Deixar para abordar o morticínio somente após as eleições, pleito reiterado pelos eleitores tucanos, equipara-se ao casuísmo defendido pelos mensaleiros que só admitem ver o maior escândalo político da história do País ser julgado depois que o  voto tiver sido depositado na urna.

Apesar de considerar a política de segurança pública do atual governo uma lástima, o blog reconhece que o governador Geraldo Alckmin tem méritos em outras áreas. E, quando for o caso, sinto-me à vontade para elogiar o que merecer elogios e continuar criticando o que entendo ser incompatível com o respeito humano e a democracia.

O blog não está sozinho nessas críticas. Há uma parte da sociedade que, mesmo acuada, consegue ainda discernir que menos truculência e mais inteligência sem dúvida levariam a um resultado melhor na gestão do confronto entre a violência legítima e o crime organizado. Observe-se a posição do Ministério Público Federal. O posicionamento de ontem, em sintonia com diversas entidades que defendem os direitos humanos, é a melhor prova de que o embate ultrapassou todos os limites do suportável — e que tem surtido apenas efeitos deletérios, sem que se possa vislumbrar nada a não ser mais sangue no horizonte da guerra entre PM e bandidos.

Comando da PM é conivente com grupos de extermínio, afirma Inteligência da Polícia Civil

48% das vítimas de grupos de extermínio formados por policiais militares não têm passado criminal. A informação está contida em um estudo realizado pelo serviço de  inteligência do Departamento de Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo. O levantamento, feito no ano passado, analisa 70 ocorrências, que resultaram em 152 mortes — todas com características de execução sumária e suspeita de participação de policiais militares.

A maior parte dos crimes — 55 , correspondentes a 78,6% dos casos — ocorreu na região da Quarta Seccional da Polícia Judiciária, na Zona Norte de São Paulo. A região é a mesma onde a última “caravana da morte” eliminou seis pessoas na madrugada de quarta para quinta-feira passadas.

O levantamento do DHPP demonstra que as vítimas do grupo são majoritariamente do sexo masculino (91%). Entre os que se sobreviveram aos ferimentos a bala, apenas 18% têm anotações em folha corrida. 82% jamais passaram por uma delegacia.

Os alvos dos grupos de extermínio com pendências criminais são preferencialmente pessoas acusadas de roubo (27%), tráfico (23%) e furto (15%). Em 39% dos casos não foi possível identificar a causa das execuções. Entre os motivos apontados para os demais, 20% foram cometidos por vingança, 13% foram justificados como “limpeza”, outros 13% foram catalogados como decorrentes de abuso de autoridade e 15% foram motivados por cobranças do trafico ou das quadrilhas que exploram o jogo ilegalmente.

Chama a atenção no levantamento a anotação de que armas e munição de uso exclusivo da Polícia Militar  foram utilizadas em 46 das 152 mortes analisadas. Exames balísticos demonstraram que os disparos foram feitos de uma mesma arma — um fuzil calibre .556. E em 11 execuções foi identificado o uso de uma arma comum, de calibre .40 ou .38.

Assasinos continuam impunes

O Blog do Pannunzio teve acesso ao conteúdo de um Relatório de Inteligência produzido pelo DHPP sobre a atuação do principal grupo de extermínio. Ele aponta o soldado PM Valdez Gonçalves dos Santos como chefe da quadrilha. O PM é acusado de matar pelo menos 23 pessoas e ferir outras 17. Mas o número de vítimas, de acordo com uma fonte que pede o anonimato, pode ultrapassar 50.

O relatório da Polícia Civil afirma que os grupos de extermínio são compostos “por policiais militares especializados em vitimar egressos,  toxicômanos  e  praticantes de pequenos delitos, com conivência e suporte da instituição policial militar, sempre havendo guarida de policiais militares fardados, que corroboram para a “ higienização social”, e “limpeza da área”.”

O relatório também revela os métodos dos assassinos:  ”Policiais militares em serviço agem com extremada truculência no labor policial, e mais, praticam desmandos, silenciam insurgentes e exterminam seus desafetos, utilizando-se da modalidade de atuação delitiva conhecida nas dependências militares como “caixa dois”.

O “caixa-dois” seria a tática segundo a qual um dos três integrantes de uma viatura desce do carro da PM, se descaracteriza e passa a orientar e executar os assassinatos.  De acordo com o RELINT, isso é feito para que o PM “possa livremente exaurir seus escopos criminosos, eximindo-se de responsabilizações por estar ficticiamente no interior da viatura policial militar, trabalhando, mas estando, na realidade, praticando extermínio”.

Os apontamentos da Inteligência do DHPP dão conta de que “para tais despropósitos ilícitos, contam com apoio integral de outros milicianos em serviço  e fruem uma estrutura organizada, onde costumeiramente emprega-se o peculiar modus operandi, sendo que policiais militares de serviço tocaiam a vítima, verificando a melhor oportunidade para a ação dos exterminadores, sendo que posteriormente os algozes abordam a vítima utilizando-se de vestimentas pretas, balaclavas e pistolas de calibre nominal .380 ou .9mm”.

A ação  dos policiais envolvidos, de acordo com as informações do RELINT, vai muito além do assassinato de seus alvos:  ”Além de monitorarem a vítima, também dão guarida à fuga dos algozes, bem como manipulam o local de ocorrência, recolhendo estojos e projéteis, lavando o sítio de prática criminosa, afugentando, ameaçando e coagindo testemunhas”.

Os investigadores da Polícia Civil a cargo do relatório afirmam que a ação é conhecida e apoiada pelo comandado da PM e também por empresários. “Obtivemos informações de que não bastasse a velada conivência do comando da polícia militar no brutal saneamento social, interessada na extinção de ações criminosas e na consequente queda de estatísticas criminosas, há também  o favorecimento da iniciativa privada, tendo em vista que comerciantes das adjacências remuneram os milicianos, incentivam o abate criminoso e dão guarida aos “ninjas”, como são conhecidos os policiais militares sancionadores da pena de morte”.

O Blog do Pannunzio solicitou informações à Secretaria de Segurança Pública sobre que providências foram adotadas a partir desse relatório e também sobre a situação funcional do Soldado Valdez, mas ainda não obteve resposta.

‘Corporação não vai se acovardar’, escreve comandante da PM no Facebook

Camilla Haddad

O coronel Roberval Ferreira França, comandante da Polícia Militar de São Paulo, que não tem se pronunciado publicamente sobre os últimos episódios envolvendo a corporação, divulgou nesta quinta-feira, 26, em sua página do Facebook uma carta sobre o trabalho da tropa. No texto, o oficial cita que a PM “é uma das mais bem preparadas e ativas polícias do país”. Diz, ainda, que neste ano a corporação teve mais de 50 policiais assassinados “covardemente” e outros 5 mil estão inválidos. O coronel termina o comunicado dizendo que a corporação não vai se acovardar.

Nos últimos dias a PM tem participado de uma série de ocorrências que levantaram polêmicas: na noite do dia 18, o publicitário Ricardo Pridente de Aquino, de 38 anos, foi morto com tiros na cabeça por dois soldados e um cabo. A equipe afirmou que houve uma perseguição pelas ruas de Pinheiros, na zona oeste, e que o publicitário não teria obedecido a ordem de parada, já que trafegava em alta velocidade. Os soldados Luis Gustavo Teixeira, de 27 anos, e Adriano Costa da Silva, 26, e o cabo Robson Tadeu do Nascimento Paulino, 30, estão detidos no Presídio Romão Gomes.

Na mesma noite, Bruno Vicente de Gouveia, de 19 anos, foi baleado e morto por PMs em Santos, na Baixada Santista. Ele e mais cinco amigos passavam de carro pelo morro da Nova Cintra, onde era feita uma abordagem policial, quando o motorista decidiu acelerar e fugir porque não tinha carteira de habilitação. A atitude deu início a uma perseguição que só acabou com bloqueio policial no morro São Bento. Os PMs deram mais de 25 tiros no carro em que os jovens estavam.

Nessa quarta-feira, 25, O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que pretende entrar com uma ação civil pública pedindo o afastamento do comando da Polícia Militar alegando a perda do controle da situação.

Beba na fonte: ‘Corporação não vai se acovardar’, escreve comandante da PM no Facebook – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Alckmin admite ‘meses difíceis’ e diz que não há relação entre crimes

Caio do Valle

Não existe ligação entre o assassinato de seis pessoas na madrugada desta quinta-feira, 26, na cidade de São Paulo e a emboscada sofrida por um policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na noite de segunda-feira, 23. Pelo menos é essa a avaliação feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

“Não há uma relação, provavelmente, entre um caso e outro, entre esses assassinatos. A polícia já está trabalhando”, afirmou ele na manhã de hoje.As mortes desta madrugada ocorreram nas regiões vizinhas do Jaçanã e Tremembé, na zona norte. Já o policial de 28 anos foi baleado, há três dias, no Jaçanã, quando voltava para casa. Isso reforça a suspeita de que os dois crimes possam estar relacionados. O agente de polícia sobreviveu e foi levado para a UTI.

Alckmin também admitiu que São Paulo enfrenta “meses difíceis” no que tange à violência. “Nós enfrentamos meses difíceis, especialmente o mês de junho e o mês de julho.”

Em seguida, o governador comparou a situação do Estado com o restante do País. “Analisando a série histórica, nós vamos verificar que nós saímos de 35 homicídios por 100 mil habitantes há 10, 11 anos para 10,3 no primeiro semestre deste ano. O Brasil tem 26 homicídios por 100 mil habitantes. Claro que não estamos satisfeitos e, por isso, o trabalho vai aumentar.”

De acordo com ele, a polícia está agindo “firme” no combate ao tráfico de drogas. “Inclusive, em cima das chamadas biqueiras, que são a ponta do tráfico. Houve uma reação grande das quadrilhas, do crime organizado.”

Beba na fonte: Alckmin admite ‘meses difíceis’ e diz que não há relação entre crimes – saopaulo – saopaulo – Estadão.

TJ manda soltar PMs que assassinaram publicitário em SP

ANDRÉ CARAMANTE e AFONSO BENITES

Os três policiais militares acusados de matar o empresário e publicitário Ricardo Prudente de Aquino, 39, após uma perseguição no último dia 18 conseguiram um habeas corpus do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Eles, porém, não serão libertados ainda porque respondem a outro processo no Tribunal de Justiça Militar.

“Amanhã de manhã vamos pedir a extensão do habeas corpus para o TJM. Esperamos que eles sejam soltos”, disse Márcio Gomes Modesto, um dos defensores dos PMs.

Pela decisão liminar do desembargador Willian Campos, do TJ, os policiais Robson Tadeu do Nascimento Paulino, 30, Luis Gustavo Teixeira Garcia, 28, e Adriano Costa da Silva, 26 não poderão voltar a atuar nas ruas.

Paulino, Garcia e Silva foram presos no dia 19, depois de matarem a tiros Aquino. Ele fugiu de abordagem da PM pelas ruas do Alto de Pinheiros (zona oeste).

O carro em que estava foi alvejado por ao menos sete disparos. Dois deles atingiram Aquino na cabeça.

Em sua defesa, os policiais dizem que confundiram o celular que Aquino segurava com uma arma.

Ontem à noite, os três policiais participaram da reconstituição do crime.

Dois dos policiais, o soldado Luis Gustavo Teixeira Garcia e o cabo Adriano da Costa da Silva, afirmaram que efetuaram os disparos na direção da vítima de dentro do carro da polícia.

Na reconstituição, apenas o soldado Robson Tadeu do Nascimento Paulino desceu do veículo e, depois, simulou ter atirado no empresário.

Para o defensor dos policiais, Aryldo de Oliveira de Paula, a ação de seus clientes foi correta e a vítima morreu porque fugiu da polícia.

Para o advogado da família de Aquino, Cid Vieira, “a atitude dos PMs foi temerária”.

O delegado Dejair Rodrigues, chefe da 3ª Seccional (zona oeste), afirmou que o inquérito será relatado hoje à Justiça. O laudo da reconstituição sairá em dez dias.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – TJ dá habeas corpus a PMs envolvidos em morte de empresário – 27/07/2012.

Procuradoria pede saída da cúpula da PM

ROGÉRIO PAGNAN

O Ministério Público Federal anunciou ontem que pode ir à Justiça para exigir a troca do comando da Polícia Militar de São Paulo, alegando perda de controle sobre a tropa, e abriu uma crise com o governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Em audiência pública sobre a violência policial ontem, o procurador Matheus Baraldi Magnani -que disse que a posição é da instituição- disse que a medida é necessária porque inúmeros casos se avolumam no Estado.

Foram citadas as mortes na semana passada do empresário Ricardo Prudente de Aquino, 39, na capital, e do estudante Bruno Vicente de Gouveia e Viana, 19, em Santos.

“Não é possível se falar em um milhão de problemas pontuais. Eles são sequenciais e exigem resposta também da sociedade. [...].”

O evento reuniu entidades de direitos humanos, defensores públicos, familiares de vítimas de ações da polícia e, também, grupos de PMs.

A primeira reação veio de Alckmin, que classificou a medida de “totalmente descabida” e sugeriu que o órgão se preocupasse com segurança na esfera federal, como a entrada de armas e drogas.

Depois, a Secretaria da Segurança Pública, em nota, classificou a posição de “absurda e capciosa” e disse que ela ocorre “estranhamente”, em momento pré-eleitoral.

Segundo Magnani, a ação se baseará nas convenções e tratados internacionais de direitos humanos e combate à tortura. Disse, ainda, que deve tentar levar à esfera federal casos não solucionados de mortes por policiais.

VIOLÊNCIA

Conforme a Folha revelou em janeiro, uma de cada cinco mortes na capital em 2011 foi provocada policiais. Foram 290 vítimas de um total de 1.299 mortos no Estado.

O evento gerou bate-bocas e vaias. Uma associação levou policiais cadeirantes, feridos em ação, para mostrar que PMs também são vítimas.

A audiência causou rusgas até entre órgãos do Estado. A defensora pública Daniela Skromov de Albuquerque, acusou o Ministério Público Estadual e a polícia de omissão. “Não entro no mérito se ela é dolosa ou se é por falta de estrutura. A questão é objetiva: há uma omissão desses dois poderes”, disse.

O Ministério Público Estadual disse “não descuidar de suas atribuições” e que a afirmação “revela a completa e total ignorância quanto ao trabalho sério, profissional e comprometido” do órgão.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Procuradoria pede saída da cúpula da PM e deflagra crise com Alckmin – 27/07/2012.

Procurador diz que PM ensina a usar violência e pede mudanças ao governo de São Paulo

No portal UOL

Em audiência pública realizada na tarde desta quinta-feira (26) na sede do Ministério Público Federal de São Paulo, o procurador da República Matheus Baraldi Magnani disse que aguarda uma imediata resposta do governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), para reprimir a violência de policiais na segurança. Caso contrário, Magnani afirma que irá protocolar um pedido para que o comando da Polícia Militar seja substituído.

Ontem, o MPF já adiantou que pretendia entrar com uma ação civil pública pedindo o afastamento do comando alegando “perda do controle da situação”.

Beba na fonte: Procurador diz que PM ensina a usar violência e pede mudanças ao governo de São Paulo – Notícias – UOL Notícias.

Caravanas da morte

São Paulo amanheceu aturdida com mais uma chacina itinerante. Seis pessoas foram assassinadas em pontos diferentes da Zona Norte da cidade. É uma reedição do que aconteceu no dia 13 passado, quando uma caravana de assassinos matou oito pessoas em Osasco, na Região Metropolitana. Novamente, motos e carros, algozes mascarados por gorros e balaclavas,  os assassinos vestindo roupas pretas.

A policia apressa-se em afirmar que os pontos onde houve o morticínio eram na verdade bocas-de-fumo (biqueiras, segundo o neologismo do crime) e os mortos, todos eles imbricados com o tráfico.

Chama a atenção, no entanto, que uma viatura da PM tenha visitado horas antes o lava-rápido onde se deu a maior parte das mortes.

Chama a atenção, novamente, o “modus operandi” dos assassinos.

Curioso é ver que isso não desperta a curiosidade nem qualquer tipo de suspeita por quem tem a obrigação de investigar as caravanas da morte.

Por que será ?

Seis pessoas são mortas na Zona Norte de São Paulo

Seis pessoas foram mortas entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira, em três endereços próximos, na Zona Norte de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, não há indícios de que os crimes tenham alguma relação.
Três casos ocorrem em um lava rápido no Jaçanã, Rua Morro do Livramento, por volta das 21h30. O local é um ponto de encontro dos vizinhos. O irmão de uma das vítimas tentava entender o que aconteceu.
- [Meu irmão] sempre foi gente fina e trabalhador. Nunca fazia nada de errado – disse Geraldo da Conceição Silva, irmão do dono do lava rápido.
Homens em duas motos dispararam vários tiros contra cinco pessoas – quatro adultos e um adolescente – que jogavam baralho no local. As vítimas foram levadas a um pronto-socorro, mas três delas morreram durante atendimento de urgência, incluindo o dono do estabelecimento.
- Todo mundo na minha rua falou que parecia filme de terror, foi muito tiro – disse uma moradora, que não quis ser identificada.
O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Também no Jaçanã, uma pessoa morreu vítima de disparos de arma de fogo na madrugada desta quinta-feira. Segundo a Polícia Militar, a vítima foi baleada na Rua Águas de Chapecó, a cerca de 3 km do crime no lava-rápido. A PM foi acionada às 0h45 para uma ocorrência de vítima baleada, e ao chegar ao local já encontrou a pessoa morta.
Mais tarde, por volta das 2h, outras duas pessoas foram mortas na Rua das Flores, já no bairro do Tremembé. Segundo a PM, até o início desta manhã não havia indícios de relação entre os dois casos. Por enquanto, eles são tratados como ocorrências isoladas.
Na quarta-feira, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que o total de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) cresceu 21% na capital paulista e 8,39% no estado no primeiro semestre de 2012. No estado, o crescimento no número de homicídios se deve ao registro de 2.183 casos no semestre de 2012, contra 2.014 no mesmo período de 2011, um aumento de 169 ocorrências. Na capital paulista, o total de homicídios chegou a 585 no semestre, contra 482 nos seis primeiros meses do ano passado.
Ao divulgar o link com os dados da criminalidade, o Twitter da Secretaria de Segurança Pública parabenizava às polícias civil e militar de São Paulo.

Beba na fonte: Seis pessoas são mortas na Zona Norte de São Paulo – O Globo.

MPF quer afastamento do comando da PM em SP

O Ministério Público Federal (MPF) quer entrar com uma ação civil pública pedindo o afastamento do comando da Polícia Militar em São Paulo, alegando a perda do controle da situação. A medida será apresentada amanhã, quinta-feira, em audiência pública organizada pelo órgão em parceria com a Defensoria Pública, o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos.

Segundo o procurador da República Matheus Baraldi Magnani, a Justiça Federal pode atuar quando tratados e convenções internacionais são desrespeitados, como aqueles assinados pelo Brasil se comprometendo em garantir direitos individuais. “A ideia é também apresentar uma representação ao procurador-geral pedindo a intervenção federal no Estado. São medidas que ajudam a retirar a sensação de poder e de corpo que vem garantindo a impunidade e permitindo ações violentas por parte da PM”, afirmou o procurador Magnani.

Outra medida que a ação pretende cobrar é a proibição da prisão em flagrante para casos de “desacato à autoridade”. “Muita arbitrariedade tem sido cometida pelas autoridades por causa de supostos desacatos.”

Segundo a defensora pública Daniela Skromov de Albuquerque, o objetivo da audiência pública é chegar a ações concretas que sirvam para coibir a violência policial. “O caso do publicitário (Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, morto na semana passada por PMs durante abordagem desastrosa em Pinheiros) não foi acidente. Foi resultado de um problema estrutural na PM”, afirmou a defensora. A família de Aquino e comandantes da PM foram convidados para o evento. Procurado, o comando da corporação afirmou que não havia sido notificado e, por isso, não comentaria o caso.

Ataques

O grupo Mães de Maio, criado por parentes de jovens assassinados após ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, em maio de 2006, vai protocolar hoje em Brasília carta à presidente Dilma Rousseff cobrando medidas que, há seis anos, não saem do papel. Elas acusam PMs pela morte de parte deles. “Como nada foi feito, a violência volta a se repetir”, diz Débora Maria da Silva, coordenadora do grupo.

Entre as demandas estão o acompanhamento federal jurídico e político do crescimento da violência no Estado; parecer sobre pedido de federalização dos chamados crimes de maio de 2006, quando 493 pessoas morreram em uma semana, após os ataques do PCC; abolição dos registros de casos de “resistência seguida de morte”; e a criação de uma Comissão da Verdade para crimes policiais.

Beba na fonte: MPF quer afastamento do comando da PM em SP – Diário do Grande ABC.

Soldado da Rota sofre ataque na zona norte de São Paulo

O soldado Anderson Andrade de Sales, de 28 anos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar Rota, levou três tiros de fuzil às 21h de segunda-feira, 23, quando voltava do trabalho para a sua casa, no Jaçanã, zona norte da capital. Ele está internado no Hospital da Polícia Militar, na Água Fria, zona norte,  e, segundo a PM, seu quadro é estável. O soldado está consciente, aguardando no quarto para realizar uma cirurgia no fêmur, com fratura exposta por conta de um tiro. Os outros disparos pegaram no braço e na clavícula.De acordo com a PM, a emboscada aconteceu na Rua Flor de Ouro. Sales estava sozinho em seu EcoSport, quando foi fechado por um Uno. Os bandidos – a quantidade não foi informada – desceram e o balearam, fugindo em seguida. Os tiros foram disparados de um fuzil calibre 5.56.A Corregedoria da Polícia Militar investiga o caso junto com a Polícia Civil.  A PM informou que o soldado está na Rota desde 2010. O caso foi registrado no 73 ºDP Jaçanã.

Beba na fonte: Soldado da Rota sofre ataque na zona norte de São Paulo – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Delegado acusado no caso Abadia é demitido da polícia

Marcelo Godoy

O delegado Pedro Luis Pórrio, seis investigadores e dois agentes foram demitidos da Polícia Civil nesta segunda-feira, 23. A expulsão foi publicada no Diáro Oficial do último sábado, 21. Pórrio é um dos policiais acusados de envolvimento em achaques a traficantes colombianos da quadrilha de Juan Carlos Abadía. Ele trabalhava no departamento estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) quando teriam ocorridos os achaques. Mas o caso que provocou sua demissão e a dos demais policiais ocorreu pouco depois de ele deixar o Denarc, em 2007.

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Pórrio e os demais policiais são acusados de achacar R$ 35 mil de um traficante de drogas em Campinas. Os policiais teriam detido cinco suspeitos na cidade do interior de São Paulo. Na época, os policiais trabalhavam na Delegacia Seccional de Osasco, na Grande São Paulo. O traficante estava sendo investigado pela PF, que gravou a negociata e repassou as fitas à Corregedoria da Polícia Civil e ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas.

Beba na fonte: Delegado acusado no caso Abadia é demitido da polícia – brasil – geral – Estadão.

Pela extinção da PM

No final do mês de maio, o Conselho de Direitos Humanos da ONU sugeriu a pura e simples extinção da Polícia Militar no Brasil. Para vários membros do conselho (como Dinamarca, Espanha e Coreia do Sul), estava claro que a própria existência de uma polícia militar era uma aberração só explicável pela dificuldade crônica do Brasil de livrar-se das amarras institucionais produzidas pela ditadura.

No resto do mundo, uma polícia militar é, normalmente, a corporação que exerce a função de polícia no interior das Forças Armadas. Nesse sentido, seu espaço de ação costuma restringir-se às instalações militares, aos prédios públicos e aos seus membros.

Vladimir Safatle

Apenas em situações de guerra e exceção, a Polícia Militar pode ampliar o escopo de sua atuação para fora dos quartéis e da segurança de prédios públicos.

No Brasil, principalmente depois da ditadura militar, a Polícia Militar paulatinamente consolidou sua posição de responsável pela completa extensão do policiamento urbano. Com isso, as portas estavam abertas para impor, à política de segurança interna, uma lógica militar.

Assim, quando a sociedade acorda periodicamente e se descobre vítima de violência da polícia em ações de mediação de conflitos sociais (como em Pinheirinho, na cracolândia ou na USP) e em ações triviais de policiamento, de nada adianta pedir melhor “formação” da Polícia Militar.

Dentro da lógica militar, as ações são plenamente justificadas. O único detalhe é que a população não equivale a um inimigo externo.

Isto talvez explique por que, segundo pesquisa divulgada pelo Ipea, 62% dos entrevistados afirmaram não confiar ou confiar pouco na Polícia Militar. Da mesma forma, 51,5% dos entrevistados afirmaram que as abordagens de PMs são desrespeitosas e inadequadas.

Como se não bastasse, essa Folha mostrou no domingo que, em cinco anos, a Polícia Militar de São Paulo matou nove vezes mais do que toda a polícia norte-americana (“PM de SP mata mais que a polícia dos EUA”, “Cotidiano”).

Ou seja, temos uma polícia que mata de maneira assustadora, que age de maneira truculenta e, mesmo assim (ou melhor, por isso mesmo), não é capaz de dar sensação de segurança à maioria da população.

É fato que há aqueles que não querem ouvir falar de extinção da PM por acreditar que a insegurança social pode ser diminuída com manifestações teatrais de força.

São pessoas que não se sentem tocadas com o fato de nossa polícia torturar mais do que se torturava na ditadura militar. Tais pessoas continuarão a aplaudir todas as vezes em que a polícia brandir histericamente seu porrete. Até o dia em que o porrete acertar seus filhos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Pela extinção da PM – 24/07/2012.

Atirador é considerado um ‘fantasma’ online

A maioria das pessoas nascidas na geração 2.0 compartilha muito da vida na internet. Fotos de almoços com amigos, reclamações sobre o dia a dia, anseios e dúvidas existenciais enchem as redes sociais de perfis online. A história também tem mostrado que muitas vezes os atiradores solitários tendem a contar suas intenções na internet muito antes de cometer qualquer ato de violência. Mas James Holmes, jovem de 24 anos que abriu fogo em um cinema em Denver, no Colorado, e deixou 12 mortos, além de dezenas de feridos, parece ser uma exceção à regra.

A polícia diz que o suspeito não tem antecedentes criminais. Um relatório do FBI conta que ele veio de San Diego e que sua mãe ainda mora lá. Os vizinhos afirmam que ele era recluso e não cumprimentava as pessoas. Um professor elogia suas capacidades matemáticas e diz que ele era um aluno excepcionalmente esperto. Em comunicado divulgado hoje, a família do atirador disse ter sido pega de surpresa pela notícia do massacre. E só, é tudo que se sabe sobre ele. Nada de perfil no Facebook, no Twitter, no MySpace ou no Instagram. Ele é o que especialistas chamam de fantasma on line.

Lance Ulanoff, editor do site Mashable.com, conta que passou todo o dia procurando qualquer pista sobre o suspeito na internet. Sem achar nada, mudou a pesquisa do Google e das redes sociais para sites de entusiastas de armas com base no Colorado. Em um dos fóruns, ele usou o sistema de busca para cavar pesquisas com as palavras-chave: “Aurora”, “cinema” e “Batman”. Três horas depois, continuou sem achar nada relacionado ao incidente ou qualquer conversa aleatória sobre um plano para matar pessoas em um cinema.

- Para mim, é inconcebível que Holmes não tenha um perfil online. A resposta mais óbvia é que ele não vem usando seu nome real na rede – disse no site.

Beba na fonte: Atirador é considerado um ‘fantasma’ online – O Globo.

A Rota na urna

Vera Magalhães

Segurança pública é, historicamente, um dos principais fatores de preocupação do eleitor de São Paulo. De uns anos para cá, a sensação de que os indicadores de violência melhoravam e o Estado estava punindo os desvios das polícias se disseminou e a saúde ficou bem à frente no rol de queixas.

Eis que, às vésperas das eleições municipais, uma série de notícias ruins na área de segurança traz o tema de volta ao centro das atenções.

O retrospecto recente da gestão Geraldo Alckmin inclui confronto entre policiais militares e estudantes na USP, a reintegração de posse na área do Pinheirinho, em São José dos Campos, alta na taxa de homicídios, ocupação policial na cracolândia, os recentes confrontos entre policiais e traficantes suspeitos de integrar a facção criminosa PCC e, agora, o assassinato, por PMs, de um empresário que não parou numa blitz.

Embora os episódios tenham suas peculiaridades e se possa discutir as razões do Estado em cada um deles, na campanha eles inevitavelmente serão tratados como um pacote.

Os candidatos a prefeito buscam distância desse vespeiro, sob o argumento de que segurança não é atribuição da administração municipal.

Não é só isso. José Serra quer evitar cobranças pela atuação do secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, auxiliar seu que Alckmin manteve. Fernando Haddad tem sido tímido nas críticas, talvez para evitar ser questionado pelo fato de ter Paulo Maluf -autor dos bordões “lugar da Rota é na rua” e “bandido bom é bandido morto”- em seu palanque.

Mas tantos casos polêmicos que se sucedem e a novidade de uma estridente “chapa da bala” de candidatos a vereador, em que pontificam o ex-chefe da Rota Paulo Telhada (PSDB) e o ex-comandante da PM Álvaro Camilo, inevitavelmente levarão a velha discussão entre repressão à violência e punição de abusos da polícia para o debate eleitoral.

Queiram ou não os prefeituráveis, o lugar da Rota, em 2012, é na urna.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – A Rota na urna – 21/07/2012.

Segurança Pública e a política do extermínio em SP: chamem a Força Nacional!

Não se deve debitar o saldo trágico da atuação da PM exclusivamente aos policiais envolvidos nas operações de exetermínio, como tentou fazer o comando da corporação. A mortalidde, como deixa clara a múltipla ocorrência de eventos semelhantes, é produto de uma política de Estado — a política de extermínio que vem sendo levada a efeito pelo governo Geraldo Alkmin.

Nas últimas 48 horas, pelo menos três pessoas foram executadas de maneira covarde por policiais que confundem celulares com armas de fogo, fazem diligências fora de sua jurisdição e abusam do direito de exercer a violência legítima em nome da proteção da sociedade. Os crimes ocorridos nos últimos dias expõem de maneira clara e contundente que quem está na mira da PM não são apenas os bandidos — são também cidadãos sem passado criminal, de vida correta, sem nenhum envolvimento com bandidos.

A insegurança que assalta São Paulo há dois meses é produto do aumento da tensão provocado pelo uso da violência extrema pela polícia. Foi a execução de um suposto membro do PCC pela ROTA no bairro da Penha que iniciou a guerra no dia 29 de maio. O tráfico respondeu com ações típicas do terrorismo  sicário. Oito policiais foram mortos em horário de folga ou em bicos, longe do abrigo dos quartéis. Tensa e amedrontada, a corporação aderiu à lógica do crime organizado: passou a assassinar todos os que julga “suspeitos”. Mesmo que a suspeição seja motivada pelo porte de um telefone celular.

Está claro que o governo atual não tem competência e nem disposição para enfrentar suas próprias mazelas. Ao invés de disciplinar a tropa, libera o assassinato indiscriminado e o justifica como “tecnicamente correto”, cometido no “estrito cumprimento do dever”. E depois ainda tem o desplante de mandar um oficial subalterno pedir desculpas aos parentes dos mortos, como se fosse possíel obter o perdão pelo fim injustificado de uma vida.

O próprio governador aparece em público para prometer uma indenização, como se o luto, a orfandade e a viuvez admitissem uma compensação financiera oferecida pelo  chefe dos algozes. Não há reparação possível para isso.

O blog vem alertando para o descontrole e a política de extermínio da Secretaria de Segurança Pública há muito tempo. Como as arbitrariedades só fizeram aumentar nas últimas semanas, talvez seja o momento de começar a cogitar uma intervenção federal para repor a ordem pública.

Em outros rincões do crime organizado, o recurso à Força Nacional conseguiu repor a tranquilidade, ainda que momentaneamente, à população aflita. O Rio de Janeiro e o entorno do Distrito Federal bem sabem o que isso representa.

Agora talvez tenha chegado a vez de São Paulo experimentar a humilhação de decretar suas própria incompetência na lida com a segurança pública.

 

 

 

Suspeito é baleado e morto por polícia em São Bernardo

RICARDO VALOTA

Um suspeito, ainda não identificado, teria atirado contra policiais militares da Força Tática, por volta das 19 horas de quinta-feira, após ser perseguido e parado na Rua Beira-Rio, no Parque São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. O homem ocupava um Polo prata roubado, de placas DRO 9488, de São Bernardo do Campo.

Mesmo encaminhado para o pronto-socorro central municipal, o suspeito não resistiu e morreu. No boletim registrado no 1º Distrito Policial de São Bernardo, pelo delegado Rodrigo Augusto Davi, não consta a arma que o ocupante do veículo portava no momento do suposto confronto com a PM.

Anhanguera

Por volta das 19h45 da quinta-feira, dois homens foram abordados por policiais rodoviários na pista sentido capital da Rodovia Anhanguera, no quilômetro 23,4, região de Perus, na zona norte de São Paulo.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 33º Distrito Policial, de Pirituba, um dos suspeitos portava uma arma de brinquedo e teria feito um movimento que levou os policiais militares a pensar que fosse atirar.

O suspeito foi baleado e morreu. O corpo foi preservado pelos policiais até a chegada da perícia. O segundo suspeito abordado, identificado como Uelinton Rubens da Costa, foi detido no local e levado para a delegacia.

Beba na fonte: Suspeito é baleado e morto por polícia em São Bernardo – geral – geral – Estadão.

‘Ele era tudo o que eu tinha’, diz mulher de publicitário morto por PMs

Fabiano Nunes e Isadora Peron

Uma execução. É assim que Maria Alice Prudente de Aquino e Silva, de 72 anos, tia de Ricardo Prudente de Aquino, descreve a morte do sobrinho por policiais militares. Indignada, ela culpou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, pelo assassinato. “Como um governo não consegue treinar a sua polícia? Só espero que isso nunca aconteça com os filhos deles, que devem ter a mesma idade e devem ter crescido frequentando os mesmos lugares.”

Três disparos foram dados a curta distância e dois deles acertaram a cabeça do publicitário
A publicitária Lélia Pace de Aquino, de 35 anos, viúva do empresário, disse que o episódio é um pesadelo. “Ele era minha família. Era tudo o que eu tinha. Não sei como vou continuar.”

Para Lélia, a versão da polícia de que o marido foi perseguido precisa ser investigada. Segundo ela, o carro de Aquino foi encontrado perto do meio-fio, como se tivesse sido estacionado, algo que dificilmente ocorreria se estivesse em alta velocidade.

Amigos e parentes também não acreditam na hipótese da fuga. “Ele era uma pessoa do bem, não teria por que fugir de uma abordagem policial. Está tudo muito esquisito”, disse Tsuli Marimatsu, amiga do casal.

A irmã do publicitário, Fernanda de Aquino, disse ter medo de dar declarações por causa da PM. A prima Cláudia Sacramento também não acredita na versão da polícia. “Tudo o que a gente sabe é especulação. Não tenho como dizer alguma coisa. A única versão que nós temos é a dos policiais que foram presos.” Após deixar o IML na tarde desta quinta-feira, 20, as duas foram ao 14.º DP (Pinheiros) fazer boletim de ocorrência, pois só haviam recuperado a carteira de identidade de Aquino. “Todos os outros pertences – carteira, cheques, sumiram”, disse Fernanda.

Visita. Na manhã desta quinta, o tenente da PM Gilberto Evangelista, integrante do 23.º Batalhão da PM, a mesma unidade dos policiais responsáveis pela morte do empresário, esteve na casa da vítima. “Ele disse que não era uma visita oficial, mas que estava envergonhado com o que aconteceu e pediu desculpas”, afirmou Tsuli. Evangelista permaneceu no apartamento, na Vila Madalena, por dez minutos. Parentes e amigos protestaram contra a ação da PM.

Ao deixar o local, a mãe da vítima, Carmen Sacramento, não quis falar com a imprensa. “Você quer que eu diga o quê? Que eu vou sentir muito a falta dele?” Carmen afirmou, no entanto, que sempre vai lembrar que foi muito amada pelo filho.

Beba na fonte: ‘Ele era tudo o que eu tinha’, diz mulher de publicitário morto por PMs – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Em Santos, PM persegue carro e mata jovem

Duas horas depois de o empresário Ricardo Prudente de Aquino ser morto pela PM no Alto de Pinheiros, zona oeste paulistana, policiais militares mataram, com um tiro na cabeça, Bruno Vicente de Gouveia e Viana, 19, também durante perseguição.

Ao lado de cinco amigos, Viana estava em um Gol, que foi perseguido por PMs em Santos (a 85 km de São Paulo), por volta da 0h15 de ontem.

Além dele, uma garota de 15 anos -que foi internada em estado grave- e um jovem de 20 também foram baleados pelos policiais na ação.

A perseguição, conforme relatos dos policiais militares à Polícia Civil, começou porque o motorista do Gol, um homem de 28 anos, não obedeceu a uma ordem de parada.

Os PMs disseram acreditar que o veículo era usado em um sequestro-relâmpago. Afirmaram, ainda, que, em determinado ponto da perseguição, tiros foram disparados de dentro do carro na direção dos veículos da polícia.

Por isso, ainda na versão dos policiais, eles atiraram 25 vezes no Gol. Os três jovens baleados pelos PMs estavam no banco traseiro do carro. Nenhum policial foi ferido durante o suposto tiroteio.

VERSÕES

Depois de parar o carro a tiros, os PMs levaram os três jovens baleados ao hospital, mas Viana não resistiu ao ferimento na cabeça e morreu.

Os policiais também apresentaram à Polícia Civil uma arma de brinquedo e um revólver calibre 22 que, segundo eles, foi usado para atirar contra os veículos da PM.

Ao ser interrogado pela Polícia Civil, o motorista do Gol afirmou que tentou fugir da ação policial porque não tinha carteira de habilitação.

Tanto o motorista quanto os outros dois ocupantes que não foram baleados disseram à Polícia Civil que ninguém atirou. Afirmaram, ainda, que o revólver apresentado como encontrado no Gol não pertencia a nenhum deles.

PRISÕES

Após analisar as versões dos policiais e das pessoas que estavam no Gol e sobreviveram aos tiros, a Polícia Civil prendeu em flagrante os quatro policiais militares que atiraram contra o veículo.

Exames de balística determinarão quem foi o policial que atirou contra Viana.

Parentes dos jovens disseram ter sido informados por eles de que Viana não havia sido atingido por nenhum tiro durante a perseguição. Na versão deles, o tiro que o matou foi dado pelos PMs com o veículo já estacionado.

Depois de assumir o erro na morte do empresário Aquino e pedir desculpas publicamente à família da vítima, o comandante-geral interino da Polícia Militar paulista, coronel Hudson Camilli, defendeu a ação dos PMs no litoral. Segundo ele, os policiais agiram dentro da lei.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Em Santos, PM persegue carro e mata jovem – 20/07/2012.

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