Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the category “Palavra do Leitor”

Como a “nova mídia” noticia o julgamento do Mensalão

Comentário do leitor que assina como “Homem Primata”

Reação por site:

Brasil247: lamenta a “despersonalização” de Cunha e insinua que o julgamento foi politico.

Cidadania: considera que as decisões do STF ocorrem por pressão da mídia independente. Apela aos sindicatos e afins a ir as ruas.

ConversaAfiada: praticamente ignora os resultados do julgamento e quer saber “quando” será o julgamento do mensalão do PSDB. Sobre Cunha, nenhum post específico.

CartaCapital: trata do assunto com frieza. Mas de todos depois do desastre da condenação, é o unico de que de fato cobre o julgamento.

Em comum: obvio que o resultado desagrada a todos eles. Mas nenhum deles pode-se dizer que ainda apelou de forma desproposital após a saraivada de condenações (que ainda não se sabe se terminaram).

Também obvio que se fossem considerados inocentes, o pessoal do blogpro iria soltar rojões e conclamar que o golpe do PiG fracassou e que eles já sabiam (bem tipo Galvão Bueno).

Os resultados até o momento tem deixado a todos simplemente de boca aberta. O tamanho do revés que o PT está sofrendo no tribunal é sem precedentes. Em dias, o sorriso maroto dos advogados e declarações otimistas dos acusados se transformaram em apreenção e abatimento.

Ninguém apostaria neste cenário.

Dois Engovs

Comentário do leitor do blog que assina como Big Head

Após engolir dois engov’s, resolvi assistir à apresentação (não há palavra melhor) dos nobres causídicos. Duas vontades se apossaram de mim: assistir novamente a “Sindicato dos Ladrões” e reler Swift, que, em 1726!, no seu Viagens de Gulliver, falava através do protagonista:

“Eu disse existir entre nós uma sociedade de homens educados desde a juventude na arte de provar, por meio de palavras multiplicadas para esse fim, que o branco é preto e que o preto é branco, segundo eram pagos para dizer uma coisa ou outra.Todo o resto do povo é escravo dessa sociedade”;
“Ao defender uma causa, evitam cuidadosamente entrar no mérito da questão; mas são estrondosos, violentos e enfadonhos no discorrer sobre todas as circunstâncias que não vêm ao caso.”

“Importa observar também que essa sociedade tem uma algaravia ou geringonça especial que os outros mortais não entendem, e na qual são escritas todas suas leis, que eles tomam o especial cuidado de multiplicar, por onde conseguiram confundir de todo o ponto a própria essência da verdade e da falsidade, da razão e da sem razão;”

“No julgamento das pessoas acusadas de crimes contra o Estado, é muito mais curto e louvável o processo; sonda o juiz, primeiro, a disposição dos que se encontram no poder; depois, não lhe é difícil enforcar ou salvar o criminoso, preservando rigorosamente as devidas formas da lei.”

“A essa altura, interrompendo-me, disse meu amo ser lástima que criaturas dotadas de tão prodigiosas habilidades de espírito, como haviam de ser, forçosamente, esses advogados pela descrição que eu fizera, não fossem antes estimulados a instruir os outros na discrição e no saber. Respondendo a isso, afiancei a Sua Excelência que em todos os pontos alheios ao seu ministério eram, de regra, entre a casta mais ignorante e mais estúpida; a mais desprezível na conversação ordinária, inimigas declarada de todo o saber e de todos os conhecimentos, e igualmente disposta a perverter a razão geral dos homens assim em outros assuntos como nos de sua profissão.”

I rest my case.

Zé Dirceu, piloto de caça ?

Será que não era o ZÉ DIRCEU pilotando esse caça? Ele que esta com muita vontade de liquidar o STF!

Comentário da leitora do Blog Elisabeth Buzzanelli sobre o vôo dos caças da FAB e os vidros quebrados do STF:

 

Desafio aos leitores

Quero fazer um convite aos dois leitores mais ativos da área de comentários do blog: Big Head e Jotavê. Os dois têm uma visão política antagônica e duelam vigorosamente em torno das questões abordadas neste espaço.

Gostaria que ambos lessme as edições de Veja apontadas por Mino Carta como prova de que não houve alinhamento à ditadura militar brasileira. Estão no Arquivo Digital de Veja. As edições são as de número 1 (com a foice e o martelo na capa, de 11/09/68) e 66 (sobre a tortura, de 10/12/69).

Prometo publicar integralmente as conclusões de ambos. Vou sugerir um limite de 2 mil caracteres para que os textos se equivalham em tamanho.

Como tenho certeza de que eles vão topar o desafio, aguardo com ansiedade suas impressões para estampar aqui na página do blog.

 

Lambendo a cria

Comentário do leitor Jotabê, um dos críticos mais contundentes das posições deste Blog:

“Continuo firme na minha posição, Fábio. E admirando-o cada vez mais pela tolerância e espírito democrático. Tenho feitos comentários DIAMETRALMENTE opostos aos seus, e mesmo assim você me concede um espaço conquistado com o seu esforço e o seu trabalho.

Parabéns”.

O estupro moral coletivo de Vanessa, a escrivã

Comentário do leitor Marcelo G sobre o caso da escrivã

O vídeo é repulsivo. Se ela errou, deve ser julgada. Todos somos passíveis de erros e temos direito a um julgamento e pena justos. Pagamos pelos nossos crimes (os descritos em códigos ou não) e seguimos nossas erráticas vidas.
Essa moça não teve nem essa chance – a de ser julgada e pagar pelo seu suposto crime segundo as regras do Estado Democrático e de Direito.
Infelizmente, ainda existem países como o Paquistão, aonde funcionam tribunais informais em que mulheres podem ser condenadas a penas como estupros coletivos. A grande maioria se suicida após essa tortura inimaginável.
Não é exagero dizer pelas imagens que essa moça foi vítima de violência sexual. Não houve o ato em si, é verdade, mas a humilhação, impossibilidade de defesa e coação psicológica estavam presentes.
Ela não se negou a ser revistada em nenhum momento. Ela só implorou desesperadamente para que o ato fosse conduzido por uma mulher.
Tenho certeza que a Vanessa vai dar continuidade à vida dela, independente do resultado do julgamento e de qualquer erro que tenha cometido na condição falível de ser humano. Vai criar seu filho e superar esses traumas.

A Comissão da Verdade e o pavor da punição moral

Colaboração do leitor Alex na área de comentários do Blog

Há algo com relação aos militares da época e seus adoradores que realmente não entendo e não engulo. Como se sabe, a Comissão da Verdade não foi criada para punir ninguém, apenas para levantar os fatos históricos, dar nome aos bois, descobrir o o’nde, como, quem e porque’ de tantos fatos nebulosos do passado recente do Brasil, principalmente a chamada “guerra suja” do período 1964-1985.

Ora, batendo-se os comments pela Internet, publicados principalmente em seções para comentários de jornais on line e em videos do Youtube, nota-se a enorme quantidade de cidadãos, entre militares de pijamas, civis de viés autoritário, anti-petistas ferrenhos e até jovens, que nem viveram a época, um grande orgulho pelo que foi feito pelas Forças Armadas neste período, no tocante às torturas, mortes e desaparecimento de cidadãos.

Mensagens, como “terrorismo nunca mais!”, “comunista bom é comunista morto”, “Saudades da ditadura”, “Pena que não mataram todos”, “guerra é guerra”, “só quero saber se os carbonizados foram temperados antes”, com tais colocações fascistas e desumanas como resposta às denúncias de barbaridades cometidas, se leem às centenas quando o assunto é a ditadura e seus males. Batem no peito com grande orgulho do que fizeram (uns) e de grande apoio ao que os militares fizeram ( outros).

Usam também do expediente raso e imoral, de que todos que condenam essas barbáries são petistas ou comunistas. É necessário ser petista ou comunista para considerar a morte de alguém – após ser torturado até a morte e depois esquartejado e enterrado em pedaços por aí – uma abjeção?

Ora, se tem tanto orgulho do que fizeram, se afirmam que fariam tudo de novo, se se consideram certissimos em agirem como agiram, e se não correm o menor risco de serem punidos por isso, porque todo esse medo e toda essa gritaria com a busca pelas informações passadas e os nomes dos perpretadores? Alegam que se deveria levantar os fatos dos dois lados. Ora, os “terroristas” e seus atos já foram, desde a época, identificados, presos, torturados, julgados, condenados e cumpriram pena, o que mais querem? O que nunca se soube ao certo foi quem fez o quê do outro lado.

É isso que não faz nenhum sentido. O orgulho do que fizeram em contrapatida com o medo de serem expostos por isso, sendo que nenhuma punição sofrerão. Tem medo da punição moral da História?

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