O blogueiro vai virar avô daqui a pouco

Um aviso aos amigos. Minha filha mais velha, Bruna, vai dar à luz uma menina que, se tudo correr bem, vai nascer esta noite, gordinha e muito saudável.
O nome já está escolhido. Será Manuela. O pai, Marcos, disse que a escolha foi consensual, mas eu não acredito. Na minha família, criou-se uma tradição sólida segundo a qual as mulheres é que dão nome aos filhos.
Tive cinco filhos e não consegui por em nenhum o nome que eu queria — Fernando ou Fernanda. Por sorte minha mulher, que se chama Luciana, tem uma filha chamada Maria Fernanda.
Os mais próximos dizem que eu me aproximei dela por causa do nome da futura enteada. Não me lembro exatamente por que foi, pode mesmo ser verdade.
Aviso mais tarde sobre o andamento dos procedimentos. Deve demorar um bocado porque a Bruna tenta ter parto normal. Até agora está tudo correndo bem.

Acompanhe agora ao vivo a votação do STF sobre as cotas raciais

Imagens da TV Justiça

Os fascistas da BESTA, por Adriana Vandoni, do Prosa e Política

Vocês viram ontem o post sobre o ator José de Abreu intimidando e ameaçando um perfil no twitter. Inclusive afirmando ter usado a Polícia Federal para banir o perfil adversário. Ontem mesmo sua trupe da BESTA (Blogosfera Estatal) começou a publicar textos sobre mim. De extremista direita a presidente da Fundação Leonel Brizola, passando por pré-candidata e assessora, ou de Arthur Virgílio, ou de Pedro Taques. Mas os ataques a mim são apenas um detalhe, pouco me importo com o que a BESTA acha ou pensa de mim. Isso é apenas um exemplo de quão baixo eles podem chegar.

Já vi essa mesma corja agredindo políticos e jornalistas. Escandalizei-me com o que fizeram com Andrea Matarazzo na época da desocupação da cracolândia. O jornalista Sandro Vaia é uma vítima contumaz. O próprio ator José de Abreu, por várias vezes já o vi perguntando: “E o Sandro Vaia, continua vomitando cocô?”.

Leia a íntegra em  Os fascistas da BESTA | Prosa & Política – Por Adriana Vandoni.

CGU, sobre a Lei de Acesso à Informação: Faça o que eu digo, não o que eu faço.

Faltam 27 dias para a Lei 12.527/11 passar a vigorar. Mas nem Controladoria-Geral da União, órgão encarregado de comandar o processo de adaptação da máquina pública à realidade ditada pela Lei de Acesso à Informação (ou Lei da Transparência), consegue se adequar às novas normas.

A lei estabelece prazo máximo de 20 dias para que órgãos da administração direta, indireta, estatais, fundações, sociedades de economia mista, empresas e entidades conveniadas com o Poder Púbico liberem informações sobre qualquer assunto que não tenha caráter pessoal ou seja qualificada formalmente como sigilosa.

No último dia 2 — 23 dias atrás, portanto — o Blog do Pannunzio encaminhou uma consulta à assessoria de imprensa da CGU questionando se sociedades de economia mista também estão obrigadas a abrir informações sobre os contratos de publicidade mantidos com blogues e sites na internet. Até agora, apesar de diversas reiterações, não houve resposta.

A partir do dia 16 de maio, quando a nova lei estará vigorando plenamente, os funcionários encarregados de responder ao questionamento estarão sujeitos a uma série de sanções se não cumprirem o prazo de 20 dias para finalizar a resposta — desde uma advertência formal até a demissão e a proibição de contratar com o serviço público.

No caso da CGU, o absenteísmo não é provocado pelos jornalistas da assessoria de comunicação. Eles próprios têm reiterado aos consultores  a necessidade de responder ao questionamento. Mas a área jurídica do órgão tem repetido que, até o momento, não houve tempo para isso, dados os inúmeros compromissos da equipe para disseminar os princípio emanados pela Lei da Transparência.

Ou seja: para fazer o proselitismo da nova realidade, a CGU descuida da prática e não consegue ela mesma cumprir prazos estabelecidos pela nova norma.

Na semana passada, Dilma Rousseff saudou o instrumento como uma das ferramentas legais mais importantes para o aprimoramento da democracia brasileira. E foi elogiada pela Secretária de Estados norte-americana Hillary Clinton como exemplo de combate à corrupção a ser seguido em todo o planeta.

Até o momento, portanto, a transparência imposta pela lei que Dilma sancionou em novembro passado teve apenas um efeito: o de produzir uma retórica para alimentar a agenda positiva da presidente, sem nenhum outro efeito visível até o momento.

A consulta do Blog nasceu de reiteradas negativas do Banco do Brasil e da PETROBRAS de tornar público o valor das verbas de propaganda injetadas no blog Conversa Afiada, o chefe da claque dos mensaleiros na internet. A Caixa Econômica Federal,os Correios e o governo do Rio Grande do Sul, ao contrário da CGU e das duas estatais, informaram célere e corretamente os valores, que alcançam quase R$ 1 milhão.

 

A imprensa no banco dos réus: quem não deve, não teme

A Imprensa brasileira se transformou em protagonista da cena política assim que começaram a surgir os primeiros vazamentos que desaguaram na CPI do Cachoeira. Sob suspeita de atuar como partido desde que Lula começou uma campanha para melar o Mensalão, o jornalismo talvez nunca tenha sido alvo de tantos ataques em sua história.

As suspeitas ganharam espaço na internet quando o deputado Fernando Ferro, fazendo eco à paranóia lulista, criou o termo Partido da Imprensa Golpista, depois apropriado por agente da propaganda governamental financiados por estatais com rios de dinheiro do contribuinte. E se solidificaram a partir dos primeiros sinais de que o bicheiro Carlinhos Cachoeira havia se servido de jornalistas para provocar algumas das maiores crises da república lulopetista. O principal elemento dos detratores da “velha mídia” são os 200 telefonemas trocados entre o chefe do escritório da Revista Veja, Policarpo Jr., e o bicheiro goiano.

Até aqui, salvo as correlações indiretas — portanto suposições — nada ficou demonstrado sobre os desvios éticos aludidos pelos inimigos do jornalismo contemporâneo. Não se conhece ainda a transcrição dos diálogos. Policarpo goza do melhor prestígio entre os colegas e não apareceu nenhuma evidência de que, a despeito de ter se valido de informações emanadas do submundo da espionagem, tenha sido cooptado pelo esquema de Cacheira.

Veja sustenta que seus jornalistas podem manter relações éticas mesmo com fontes espúrias. Ao contrário do que afirma a banda de música governista em meia dúzia de blogs, a revista não deixou de noticiar nenhum dos fatos relacionados ao ambiente que precedeu a CPI do Cachoeira — aí incluída sua versão sobre o que se sabe dos grampos da Operação Monte Carlo. Mas falta um elemento de convicção para afastar a Imprensa do banco dos réus em que foi colocada, em boa medida, pelos jornalistas a serviço da turma do Mensalão.

Nesse sentido, a CPI do Cachoeira se apresenta como uma tribuna oportuna. O assunto inevitavelmente terá que ser abordado no âmbito da investigação parlamentar, a despeito das afirmações do relator Odair Cunha de que não moverá uma “caça às bruxas”. Há que se reconhecer que a sociedade, mesmo tangida por ânimos viciados que têm por objetivo destruir o jornalismo que não está a serviço do aparelhamento ideológico ou de conveniência, tem o direito de saber como as notícias que pautam a política são produzidas e a que fim realmente se prestam.

Quem não deve, não teme. Ao final desse processo, caso a natureza ética dessas relações fique comprovada, o processo que se iniciar agora terá o efeito de uma absolvição sumária. Ou, na pior das hipóteses, a se comprovarem os vícios imputados aos jornalistas, haverá uma depuração da qual poderá surgir um novo jornalismo. Com certeza ele não terá os brios nem a cara do autoproclamado “jornalismo progressista”, que nada mais é do que a atualizaçao do folhetim partidário dos anos 50, época em que repórteres e editores não tinham salário e viviam de extorquir suas fontes.

A sub-relatoria da imprensa na CPI do Cachoeira também deverá servir para outro debate: o das relações entre fontes de financiamento públicas e a abastança de meia dúzia de escribas de aluguel atavicamente vinculados ao governo.

Com acesso fácil ao dinheiro dos impostos, são remunerados regiamente por contratos que não se explicam pela audiência, importância, qualidade das informações, tampouco pelos princípios da impessoalidade e da moralidade. E ainda gozam da proteção das caixas-pretas armadas por entes públicos, cuja atuação deveria se pautar não pela obscuridade, mas pela transparência democrática.

Ex-presidente do Tribunal de Justiça de SP recebeu R$ 723 mil em um único mês

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

Em um único mês, novembro de 2008, o desembargador Roberto Antonio Vallim Bellocchi, na época presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, recebeu R$ 723.474,93 entre salário e desembolsos extraordinários relativos a férias e licenças-prêmio. O salário foi de R$ 373.598.17. Por atrasados, ele recebeu R$ 349.876,74 acrescidos do Fator de Atualização Monetária (FAM), plus que incide sobre vantagens concedidas à toga.

Os dados constam de planilha confidencial expedida pela Diretoria da Folha de Pagamento da Magistratura (DFM). O documento aponta “pagamentos excepcionais” a Bellocchi, que presidiu a maior corte do País entre 2008 e 2009.

Bellocchi ocupa o primeiro lugar isolado na lista dos contracheques milionários, escândalo que abala o grande tribunal. Entre 2007 e 2010 ele foi contemplado com a bagatela de R$ 1,44 milhão, construídos com base na rubrica “excepcionais”. Não há notícia de que outro magistrado tenha recebido tanto.

Em 2008, o então presidente do TJ ganhou R$ 585.446,16 – afora vencimentos que alcançaram R$ 803.300,56. As duas fontes de receita, que garantiram R$ 1.388.746,72 ao desembargador, tiveram amparo em “várias ordens”, segundo o histórico de seus pagamentos – mas os assentamentos não apontam nomes de quem autorizou os depósitos em favor de Bellocchi. Naquele ano de 2008, o próprio já dirigia o TJ paulista.

Em 2009 ele se superou e bateu recorde ao ganhar R$ 1,63 milhão, incluindo vencimentos (R$ 896,8 mil) e extras (R$ 738,4 mil). A maior parte da bolada naquele ano foi paga por “ordem do presidente”. O presidente da corte era Bellocchi. Em 2010, já aposentado, ele recebeu mais R$ 26.129,18 de extras.

Os pagamentos incomuns a Bellocchi e a outros desembargadores estão sob suspeita do Órgão Especial do TJ. A investigação joga luz sobre face oculta da toga, porque protegida por rigoroso sigilo corporativo: os supervencimentos, que estouram o teto constitucional de R$ 26,7 mil.

Bellocchi foi contemplado em fevereiro de 2009 com holerite de R$ 136.476,35, ou cinco vezes mais que o limite imposto pela Constituição. De quebra, no mesmo mês, ele recebeu R$ 120 mil de “pagamento excepcional”.

Em março daquele ano, o magistrado repetiu o feito – contracheque de R$ 136.476,35 e extra de R$ 120 mil. Em abril, o salário do desembargador foi a R$ 126.476,35 e o extra ficou em R$ 110 mil. Naquele período de apenas três meses a conta de Bellocchi captou R$ 749.429,05.

“Todas essas antecipações nunca foram submetidas à apreciação do Conselho Superior da Magistratura e as de extremo vulto se deram exatamente na sua (de Bellocchi) gestão como presidente do tribunal”, adverte o desembargador Ivan Sartori, atual mandatário máximo do TJ.

Violações. Sartori anota que os pagamentos, em tese, “constituíram graves violações aos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da moralidade administrativa”.

SÃO PAULO – O presidente do TJ pede processo disciplinar que pode levar à cassação da aposentadoria de Bellocchi. “Há veementes indícios de que não havia mesmo critério nenhum para as antecipações de créditos a magistrados.”

via Ex-presidente do Tribunal de Justiça de SP recebeu R$ 723 mil em um único mês – politica – politica – Estadão.

Escolha de Odair Cunha é vitória política de Ideli e Chinaglia

No Blog do João Bosco Rabello

A escolha do vice-líder do governo, Odair Cunha (PT-MG), para o cargo de relator da CPI do Cachoeira é uma vitória política da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e do líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP). É uma derrota dupla do grupo do ex-líder Candido Vaccarezza (PT-SP)- substituído por Chinaglia- , contribuindo para alimentar a divisão interna na bancada do PT da Câmara.

De uma tacada só, Ideli e Chinaglia vetaram a indicação de Vaccarezza, nome que tinha a simpatia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, conseguiram afastar do páreo o paulista Paulo Teixeira, antecessor de Jilmar Tatto (PT-SP) na liderança da bancada.

Paulo Teixeira era visto como um ponto de equilíbrio, uma alternativa aos outros dois nomes, que representam os dois extremos da bancada. Se Vaccarezza tinha o apoio da corrente majoritária (Construindo um Novo Brasil) e de Lula, e Odair Cunha o aval de Chinaglia e Ideli, “Paulinho Teixeira” transitava com diplomacia entre os dois grupos. Ele se aproximou bastante de Ideli durante o seu mandato de líder da bancada, no ano passado. Por outro lado, mantinha bom relacionamento com o grupo de Vaccarezza.

O mais inusitado é que se atribui a Odair a convocação de Ideli na reunião da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, há duas semanas, para dar explicações sobre a compra irregular de lanchas durante sua gestão no Ministério da Pesca. Ele era o vice-líder escalado por Chinaglia para evitar problemas com votações naquela reunião. Mas cochilou e a convocação acabou aprovada.

via Escolha de Odair Cunha é vitória política de Ideli e Chinaglia – João Bosco – Estadao.com.br.

Foragido, tesoureiro de Cachoeira quer falar na CPI para ‘cooperar’

Apontado pela Polícia Federal como o arquivo vivo do esquema de pagamento de propina a políticos e servidores públicos comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Geovani Pereira da Silva está “pronto para cooperar” com a CPI instalada para investigar, no Congresso, o caso. O porta-voz do recado é seu advogado, Calisto Abdala Neto, que tenta garantir a liberdade do cliente. Para a Justiça, o homem apontado como tesoureiro de Cachoeira é considerado foragido há quase dois meses.

“Ele (o Geovani) está pronto para cooperar com a Justiça e com a CPI”, afirmou Abdala Neto ao Estado. O advogado disse que, a princípio, o tesoureiro poderia se defender das acusações das quais é alvo no Congresso e “contribuir” com as investigações. “Ele tem de responder por aquilo que ele fez.”

Para mostrar a disposição do cliente em ajudar, o advogado disse que, se ele for convocado para depor na CPI, não deve entrar com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para depor como testemunha, e não como investigado. Na condição de testemunha, teria a obrigação de falar a verdade e não poderia permanecer em silêncio.

O tesoureiro tem muito a esclarecer. Um relatório do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF revelou que Geovani fez saques de R$ 15,4 milhões nos últimos dois anos das contas de empresas apontadas pelos investigadores como sendo de fachada. O contador fez mais de uma centena de retiradas das contas de cinco empresas, das quais tinha procuração para realizar tais movimentações.

Milhões. Geovani fez 122 retiradas, no valor de R$ 11,8 milhões, da Alberto & Pantoja. E aparece como sacador de recursos de outras três empresas e até da conta de um irmão de Cachoeira. Foram R$ 2,4 milhões da JR Prestadora de Serviços; R$ 1 milhão da Mapa Construtora (que tem como sócio o irmão do contraventor, Paulo Roberto); R$ 95 mil da Brava Construções e R$ 119 mil da conta de Luiz Carlos Almeida Ramos (outro irmão de Cachoeira). A polícia acredita que o tesoureiro possa apontar quem são os servidores – políticos incluídos – beneficiados com propina. E revelar detalhes de como funcionava o “deltaduto” – o esquema de repasse de recursos da empreiteira Delta, operado por Cachoeira, segundo a PF. O relatório do INC descobriu que R$ 39 milhões abasteceram duas das cinco empresas apontadas como sendo de fachada pela PF.

Estratégia. A ideia da defesa de Geovani é mantê-lo “resguardado” até que a Justiça revogue a ordem de prisão contra ele. Para isso, o advogado impetrou habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, em Brasília, para anular a ordem de prisão. O pedido ainda não foi apreciado. A defesa entrará também com outro pedido de liberdade ao juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, responsável por deflagrar a operação. Abdala Neto entregará o passaporte de Geovani e argumentará que não há fundamento para prendê-lo.

Na linha das defesas de Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o advogado dirá que a Operação Monte Carlo é ilegal porque houve investigação de autoridades com foro privilegiado. Ele, porém, descarta a hipótese de acordo de delação premiada. “As acusações são infundadas.”

via Foragido, tesoureiro de Cachoeira quer falar na CPI para ‘cooperar’ – politica – politica – Estadão.

Hoje o STF julgará as cotas

Hélio Gaspari

O Supremo Tribunal Federal julgará hoje a constitucionalidade das cotas para afrodescendentes e índios nas universidades públicas brasileiras. No palpite de quem conhece a Corte, o resultado será de, pelo menos, sete votos a favor e quatro contra. Terminará assim um debate que durou mais de uma década e, como outros, do século 19, expôs a retórica de um pedaço do andar de cima que via na iniciativa o prelúdio do fim do mundo.

Em 1871, quando o Parlamento discutia a Lei do Ventre Livre, argumentou-se que libertando-se os filhos de escravos condenava-se as crianças ao desamparo e à mendicância. “Lei de Herodes”, segundo o romancista José de Alencar.

Quatorze anos depois, tratava-se de libertar os sexagenários. Outro absurdo, pois significaria abandonar os idosos. Em 1888, veio a Abolição (a última de país americano independente), mas o medo a essa altura era menor, temendo-se apenas que os libertos caíssem na capoeira e na cachaça.

Como dizia o Visconde de Sinimbu: “A escravidão é conveniente, mesmo em bem ao escravo”. A votação do projeto foi acelerada pelo clamor provocado pelo linchamento de um promotor que protegia negros fugidos no interior de São Paulo. Entre os assassinos, estava James Warne, vulgo “Boi”, um fazendeiro americano que emigrara depois da derrota do Sul na Guerra da Secessão.

As cotas seriam coisa para inglês ver, “lumpenescas propostas de reserva de mercado”. Estimulariam o ódio racial e baixariam a qualidade dos currículos da universidades. Como dissera o barão de Cotegipe, “brincam com fogo os tais negrófilos”. Os cotistas seriam incapazes de acompanhar as aulas.

Passaram-se dez anos, pelo menos 40 universidades instituíram cotas para afrodescendentes e hoje há milhares de negros exercendo suas profissões graças à iniciativa.

O fim do mundo ficou para a próxima. Para quem acha que existe uma coisa como ditadura dos meios de comunicação, no século 21, como no 19, todos os grandes órgãos de imprensa posicionaram-se contra as cotas. Ressalve-se a liberdade assegurada aos articulistas que as defendiam.

Julgando a constitucionalidade das iniciativas das universidades públicas que instituíram as cotas, o Supremo tirará o último caroço da questão. No memorial que encaminharam na defesa do sistema, os advogados Márcio Thomaz Bastos, Luiz Armando Badin e Flávia Annenberg começaram pelos números:

“Em 2008, os negros e pardos correspondiam a 50,6% da população e a 73,7% daqueles que são considerados pobres. (…) Em 1997, 9,6% dos brancos e 2,2% dos pretos e pardos de 25 ou mais idade tinham nível superior”.

E concluíram: “A igualdade nunca foi dada em nossa história. Sempre foi uma conquista que exigiu imaginação, risco e, sobretudo, coragem. Hoje não é diferente”.

O senador Demóstenes Torres, campeão do combate às cotas, chegou a lembrar que a escravidão era uma instituição africana, o que é verdade, mas não foram os africanos que impuseram as escravatura ao Brasil.

Nas suas palavras: “Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos, mas chegaram….”

Hoje o Supremo virará a última página da questão. Ninguém se lembra de James Barne, mas Demóstenes será lembrado por outras coisas.

via Folha de S.Paulo – Poder – Hoje o STF julgará as cotas – 25/04/2012.

Procuradoria vai investigar governador do DF e deputados

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai investigar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e três deputados ligados a Carlos Cachoeira.

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem Gurgel a procurar diretamente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde governadores têm foro especial.

Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal mostram Cachoeira e integrantes de seu grupo discutindo com assessores de Agnelo nomeações e contratos de empresas privadas com seu governo.

As investigações da PF indicam que o grupo de Cachoeira atuou como representante dos interesses da construtora Delta, que presta serviços de coleta de lixo para o governo do Distrito Federal.

Agnelo só passará a ser formalmente investigado depois que o procurador-geral retirar as cópias do processo no Supremo e enviar o caso ao STJ, requisitando oficialmente a abertura de inquérito.

Agnelo também será alvo da CPI da Arapongagem, criada ontem pela Câmara do Distrito Federal para investigar suspeitas de que policiais a serviço do governador teriam espionado seus adversários.

Lewandowski autorizou a abertura de inquéritos no STF para investigar os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ). Investigações da PF indicaram que os três tinham relações com Cachoeira e receberam dinheiro dele. Lewandowski negou pedido para que fosse incluído nas investigações o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, irmão de Demóstenes Torres.

via Folha de S.Paulo – Poder – Procuradoria vai investigar governador do DF e deputados – 25/04/2012.

Petista, relator é ligado a Marco Maia e Chinaglia

Petista desde 1999, o relator da CPI, Odair Cunha (MG), está em seu terceiro mandato como deputado e é ligado ao grupo do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e do líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Eles têm vencido as principais disputas internas no PT.

Cunha participou, em 2005, da CPI do Mensalão, que acabou esvaziada. Recentemente, relatou matérias importantes para o governo, como a prorrogação da DRU (Desvinculação das Receitas da União).

Mas também foi responsabilizado pelo cochilo dos governistas que permitiu a convocação de Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para explicar a compra de lanchas pela Pesca.

Odair tem bom relacionamento com o ministro José Dirceu e é alinhado ao grupo do ex-ministro Luiz Dulci em Minas.

Originário do núcleo católico do partido, ele morou numa comunidade religiosa até se candidatar à Câmara, em 2002.

Ontem o petista mostrou alinhamento com o governo. “Não se trata de uma investigação que necessariamente vá para cima do Planalto ou de qualquer membro do governo.”

via Folha de S.Paulo – Poder – Petista, relator é ligado a Marco Maia e Chinaglia – 25/04/2012.

Planalto emplaca relator e tenta obter controle sobre CPI

O governo Dilma Rousseff indicou ontem um aliado como relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que vai investigar os negócios do empresário Carlos Cachoeira, sinalizando a intenção de manter as atividades da comissão sob seu controle.

Como relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG) terá amplos poderes para conduzir as investigações e será responsável pelo relatório em que serão expostas as conclusões da CPI, que foi instalada formalmente ontem à noite.

O Palácio do Planalto quer evitar que a comissão crie constrangimentos para o governo federal e trabalha para conter os setores do PT que desejam transformá-la em instrumento para um confronto com os partidos que fazem oposição à presidente.

Investigações feitas pela Polícia Federal nos últimos três anos levaram Cachoeira à prisão em fevereiro e expuseram seu relacionamento com vários negócios no setor público e políticos de seis partidos diferentes, incluindo o PT de Dilma e o PSDB, o maior partido da oposição.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais incentivadores da criação da comissão há duas semanas, quando ela começou a ser negociada por líderes partidários no Congresso.

Lula viu na CPI um instrumento para enfraquecer a oposição e assim reduzir os danos que o julgamento do mensalão poderá criar para ele e os petistas neste ano.

Mas Dilma teme que as investigações também provoquem prejuízos para a sua imagem, por causa das ligações de Cachoeira com políticos do PT e a construtora Delta, que tem vários contratos com o governo federal.

AVAL

A indicação de Odair Cunha como relator da CPI recebeu o aval da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e do líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Outro aliado do Planalto, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), será o presidente da CPI. Dos 32 membros da comissão, 25 foram indicados pelo PT, pelo PMDB e por outros partidos governistas.

Uma das ideias em discussão no governo é deixar para o fim das investigações a convocação de Cachoeira para depor, o que poderia atenuar o efeito explosivo que seu depoimento provavelmente teria se fosse tomado agora.

Antes, a CPI vai pedir os documentos da investigação da PF e ouvir o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e os delegados que investigaram Cachoeira.

Cunha pregou moderação em suas primeiras declarações. “Não vou fazer caça às bruxas”, disse à Folha, ao ser perguntado sobre a possibilidade de incluir entre os focos das investigações as relações de Cachoeira com jornalistas, juízes e procuradores.

O primeiro indicado pelo PT para a relatoria da CPI foi o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que tinha o apoio de Lula mas foi vetado por Dilma, que em março afastou-o da liderança do governo na Câmara e substituiu-o por Arlindo Chinaglia.

A escolha de Cunha foi a maneira encontrada por Dilma para se contrapor à ala paulista do PT, que tem forte influência de Lula e do ex-ministro José Dirceu, um dos 38 réus do processo do mensalão, que o Supremo Tribunal Federal se prepara para julgar nos próximos meses.

via Folha de S.Paulo – Poder – Planalto emplaca relator e tenta obter controle sobre CPI – 25/04/2012.

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