Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the month “maio, 2012”

Bairro da Zona Leste está em pânico por causa de ameaças do PCC

Relato da leitora do blog que assina como Jade. É quase um pedido de socorro.

Hoje estava sendo medicada no AMA de S.Miguel Paulista quando a polícia evacuou o prédio, mandou que médicos e o pessoal da enfermagem tirassem os jalecos, Ssó ficaram no prédio as pessoas que, como eu, estavam recebendo medicação e seus acompanhantes.Funcionários do AMA nos disseram que era por causa do PCC.

Do lado de fora ficou uma viatura da PM fazendo a segurança do local. Uma escola próxima segurou todos os alunos que estavam para sair, tamanha a quantidade de policiais na rua. Fizeram entrar os que aguardavam para ingressar no período da tarde. Agora à noite, uma escola municipal próxima ao 63º DP (Vila Jacuí) teve suas aulas interrompidas por volta das 21h45. Informaram  que receberam ‘ordens’ para liberar os alunos porque não era para ter ninguém na rua e na escola após às 22h00.

Se isso tudo que aconteceu é ‘boato’ como dizem uns, me pergunto: aonde vai a segurança do trabalhador, das pessoas de bem? Se o tal PCC não existe mais, está fraco, por que isso vem acontecendo com a população?

Lula no Ratinho : mais uma chance perdida de desmentir Gilmar Mendes

No Programa do Ratinho desta noite, Lula mais uma vez deixou passar a oportunidade de esclarecer o diálogo com o ministro Gilmar Mendes e desmenti-lo. O assunto só foi abordado no último minuto do programa. Abaixo, a reprodução literal do trecho da entrevista em que o assunto foi abordado.

Ratinho – Eu ia fazer aquela pergunta lá do Gilmar Mendes pra você. Mas não estou querendo entrar nesse assunto não porque é uma área que o povo mesmo, a população, não está entendendo esse assunto.

Lula – Eu até vou falar uma coisa com você. Eu não tenho interesse em falar nesse assunto porque respondi numa nota. Cê sabe que quem inventou a história, sabe, que prove a história. Quem acreditou nela é que vá provando a história. Eu acho que o tempo se encarrega de arrumar as coisas.

(aplausos)

Ratinho – Eu sempre falei o seguinte: quando a gente chega no estágio em que você chegou, quem gosta de você, gosta de você. Quem não gosta, não gosta. E os indiferentes vão continuar indiferentes.

Lula – O fato concreto é que o Brasil de hoje… O dado concreto é que o Brasil vai melhorar ainda mais, vai melhorar ainda mais!…

Ratinho – Se Deus quiser!…

Lula – … E eu quero que o povo brasileiro que teve uma ascensão nunca mais permita retroceder. Porque este País tem que aproveitar o Século XXI pra se transformar numa grande economia. 

Vai começar a entrevista de Lula no Ratinho.

A entrevista com o ex-presidente Lula vai começar. Ele está acompanhado do prefeito de São Bernardo, Luis Marinho, e do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad.

Não perca. Está no ar.

A aula que FHC cabulou

Frase pronunciada pelo então presidente Luis Inácio Lula da Silva no dia 31 de outubro de 2010, em comício na Boca Maldita, em Curitiba:

“Quero ensinar a um ex-presidente da República a ser ex-presidente da República e não dar palpite a quem está no poder”.

Por tudo o que se viu esta semana, parece claro que FHC faltou a essa aula.

Como a equipe de Mino Carta na Veja comemorou o 6º aniversário do golpe de 64

Reinaldo Azevedo

“Como é de conhecimento do mundo mineral, quem fez a VEJA, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) [Civita] lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.”

A afirmação acima é de Paulo Henrique Amorim, amigo de Mino Carta, e, surpreendentemente, trata-se de uma verdade. Mino, com efeito, fazia o que achava melhor. Seu patrão só ficava sabendo na segunda-feira. A sua ditadura unipessoal na revista acabou no começo de 1976. A ditadura no Brasil ainda duraria muito tempo.

Pois bem, as novas gerações, especialmente os jovens estudantes de jornalismo, que hoje eventualmente leem e ouvem Mino Carta conhecem pouco da história da profissão. Não raro, seus professores se ocupam de proselitismo ideológico raso e não incentivam a pesquisa. O material que destaco abaixo é público. Está no arquivo digital da VEJA.

Na revista de 1º de abril de 1970, Mino decidiu fazer um balanço dos seis anos de poder militar no Brasil. A longa reportagem, com texto final de Elio Gaspari e Luís Adolfo Pinheiro, era apresentada num editorial assinado pelo então diretor de redação. Outros podem ter cantado as glórias do regime militar, mas ninguém como Mino. Outros podem ter enxergado virtudes no poder de farda. Mas ninguém como Mino. Outros podem ter coberto os chamados “setores castrenses” de elogios e mimos. Mas ninguém como Mino. Segue o seu editorial na íntegra. Comento depois.

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Voltei
A essa altura, imagino muitos jovens “progressistas” mais irados que menino cagado, como se diz nos Pampas. Sim, este Robespierre da “imprensa nativa”, como ele costuma se referir aos demais veículos de imprensa, achava que os militares “surgiram como o único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção, nascidas e criadas à sombra dos erros voluntários e involuntários dos líderes civis”. Como vocês sabem, o “direitista Reinaldo Azevedo”, o Judas pronto a ser malhado pela esquerdopatia de salão, jamais escreveu ou escreveria algo parecido. Como não sou demagogo nem estúpido e prezo o estado de direito, não tento enganar incautos pregando, por exemplo, a revisão da Lei de Anistia.

Quando publiquei um outro texto demonstrando a verdadeira pena de Mino Carta, alguns tentaram ensaiar uma defesa: “Não foi ele que escreveu! Era a revista!” Errado! O que vai acima é um texto assinado. Ele, sim! Aquele que mandava em VEJA e não permitia pitaco de patrão. Mino não precisava que ninguém o forçasse a lustrar as botas do quartel. Ele o fazia por conta própria, por gosto, por vocação,  pela vontade de servir.

Mino ia longe. Enxergava o que ninguém mais alto do que ele conseguia enxergar. Leiam lá o que diz sobre os governos de farda: “E, enquanto cuidavam de pôr a casa em ordem, tiveram de começar a preparar o país, a pátria amada, para sair de sua humilhante condição de subdesenvolvimento”.

Sabem o que é mais fabuloso? Mino continua fanaticamente governista hoje, como sabem. A razão supostamente nobre que pretexta para ter aderido ao lulo-petismo é justamente a dita luta do ApeDELTA para tirar o país do… subdesenvolvimento!!! Já naquele tempo, como se nota, ele tinha esse estilo que eu definiria como “contestação a favor do poder”.

A reportagem
A reportagem a que ele se refere, com texto final de Elio Gaspari e Luís Adolfo Pinheiro, também é um primor. Ali já se percebe a semente de um estilo que renderia muitas metáforas a um deles: assim como Lula é, nos dias hodiernos, o homem “do andar de baixo” que veio dar lições “ao andar de cima”, naqueles dias, esse papel era reservado aos militares. Querem ver?

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Entenderam? Era “a revolução que legitimava o Parlamento, não o Parlamento que legitimava a revolução”. Os militares perceberam, como se informa acima, que as intenções ideológicas dos políticos são sempre “escorregadias”. Huuummm… Não deixa de ter lá a sua verdade. Quando vejo alguns áulicos de hoje a demonizar a oposição, noto que o sestro é antigo. Este outro trecho da reportagem é de uma fabulosa eloquência.

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Ali se mostra o danado esforço dos militares para construir uma “nova estrutura política, econômica e social para o país”, sem transigir com os “antigos inimigos”, a saber: “a corrupção e a subversão”. Mino Carta e seus rapazes saúdam o fato de que, finalmente, existe uma política sem políticos — nem mesmo aqueles que apoiaram inicialmente o golpe. Não se trata apenas de uma reportagem exaltando o poder militar. Trata-se um texto em favor da linha dura. Mino, como se sabe, é sempre muito convicto. As ideias ficarão ainda mais claras no trecho que segue. Notem que a tarefa dos militares é criar o desenvolvimento. E não estão para brincadeira, não! Trata-se de gente séria, competente e trabalhadora — não aquela bagunça do governo civil.

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Mino, Gaspari e a turma estavam empenhados em demonstrar que, finalmente, havia gente de outra natureza no poder, muito distante da vigarice civil e da baderna protagonizada por reles políticos. Estes, parece, eram talhados para se servir do poder — os outros, ao contrário, eram educados para servir. Que falem por si. Não precisam do meu auxílio. As duas imagens devem ser lidas na sequência.

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É claro que há, sim, verdades no que vai acima quanto à formação e ao espírito dos militares. A questão é saber se seu lugar é o governo. E me parece certo que não. Assim como tenho a certeza de que também não é lugar de larápios, de aproveitadores e de candidatos a caudilho. E, se restou alguma dúvida quanto aos propósitos do editorial de Mino Carta e da matéria feita sob o seu comando e a sua inspiração, o último parágrafo é de um eloquência acachapante. Leiam. Volto para encerrar.

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Pois é… A gente nota os “velhos progressistas de esquerda de hoje” já em estado larvar naqueles entusiastas do regime, não é? Afinal, os militares eram “sensíveis aos problemas” nacionais porque oriundos das “camadas mais pobres da sociedade”. Isso deve explicar a paixão  pelo ApeDELTA. Golpe? Nada disso! A gente aprende lendo o texto que “a classe política se dividiu e naufragou por suas próprias limitações”. Quando os militares decidissem entregar o cargo, haveria de ser a uma “classe política renovada”.

Uau!!!

Encerrando
Os jornalistas, o jornalismo e as empresas de comunicação retratam o poder: noticiam, analisam, opinam… Mas têm de ter claro que não são — NEM DEVEM SER — o poder. É evidente que a imprensa estava sob severa censura em 1970, mas, já escrevi aqui, se era proibido criticar, não era obrigatório elogiar. Especialmente com essa ênfase e com argumentos saídos da mais profunda convicção antidemocrática.

Mino Carta se sentia a voz do poder em 1970 e se sente a voz do poder em 2012. No passado, ele desqualificava os políticos — consumidos por suas ambições e limitações. Nos dias de hoje, os adversários dos “representantes das camadas mais pobres” são as forças de oposição e, claro, a “imprensa nativa”, que ele adora satanizar. Sentia-se poder antes. Sente-se poder agora. Ocorre que, para vestir esse figurino, precisa inventar para si mesmo um passado de contestação, falso como nota de R$ 3. Alguém poderia dizer que não mudou tanto assim. Hoje como antes, sempre aos pés do poder. Hoje como antes, de braços dados com o autoritarismo.

Lamento desfazer as ilusões de alguns moços, pobres moços! Mas também eles têm o direito de saber o que eu sei. Sim, sim, há muitos outros “pogreçista” que cantaram as glórias do regime militar. O trabalho da minha Comissão Particular da Verdade mal começou.

Lula: falta ainda um desmentido

Nas duas oportunidades em que se manifestou publicamente, o ex-presidente Lula deixou de fazer a única coisa de que necessitaria para esclarecer o que se passou em seu malfadado encontro com Gilmar Mendes: desmentir.

A primeira oportunidade de afirmar “isso é mentira” foi desperdiçada  na nota do Instituto Lula, que trata as denúncias de Gilmar Mendes como uma “versão endossada pela revista Veja”, quando o ministro já havia reafirmado, nos mesmos termos, e até ampliado, o que dissera à revista. Não há a declaração mágica que poderia ao menos lançar dúvida sobre o que relatou Gilmar Mendes.

Na segunda, ontem, no Palácio do Planalto, igualmente não houve o desmentido. O ex-presidente falou de pé para afastar suspeitas sobre sua doença, mas não disse rigorosamente nada. “Você sabe que tem muita gente que gosta de mim, mas tem algumas que não gostam. Eu tenho que tomar cuidado contra essas [pessoas]. São minoria”.

Tudo se resumiria, desta forma, a uma questão de foro íntimo das pessoas que gostam ou não dele. Mas o desmentido não veio.

Hoje Lula terá sua terceira oportunidade. Está programada para hoje uma entrevista ao Programa do Ratinho. Ratinho deve montanhas de favores a Lula. Tornou-se um grande concessionário de empresas de comunicação durante os anos da administração petista.

Poderia fazer um favor a Lula: perguntar a ele “é mentira, presidente, ou é verdade o que disse Gilmar Mendes?” Talvez Lula aproveite a chance para dizer, pela primeira vez, afirmar que Gilmar Mendes é um metiroso e que nada do que disse aconteceu.

Se o silêncio persistir, a declaração do ministro do STF continuará sendo a única versão crível sobre todo esse episódio.

Lula insiste em minimizar mensalão, diz FHC

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou “tapar o sol com a peneira”, caso tenha realmente pressionado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes a adiar o julgamento do mensalão, afirmou nessa quinta-feira, 30, seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso.

“[O Lula] tem a tese de que o mensalão foi uma farsa, desde aquela declaração que deu em Paris [em 2005], com a qual tentou minimizar o mensalão. Se ele fez isso, e eu não posso afirmar porque não tenho dados, ele está insistindo na mesma tese”, declarou FHC em Pequim.

Ressaltando não saber o que ocorreu no encontro entre Lula e Mendes, o tucano observou que “tentativas de tumultuar uma decisão dessas, de qualquer dos lados, não ajudam”.

Segundo ele, “o Brasil avançou muito e chegou o momento em que essas coisas [o julgamento] têm que ser encaradas com naturalidade, com normalidade”. O ex-presidente foi responsável pela nomeação de Gilmar Mendes para o STF, em 2002.

Se Lula ainda fosse presidente, a eventual pressão sobre o STF seria ainda mais “ilegítima”, ressaltou. “Como cidadão, ele tem até mais liberdade. Ainda assim, acho que temos que guardar a distância necessária para que as instituições tenham sua respeitabilidade”, afirmou.

“O que é importante é que haja um julgamento. É o que país todo espera, que haja um julgamento e que o julgamento seja correto, que o que está lá nos autos seja objeto de sanção”, ressaltou o ex-presidente. “O país espera que o Tribunal atue com independência e objetivamente nos diga, ‘é verdade’ ou ‘não é verdade’.”

O tucano estava em Pequim para falar a empresários e investidores em encontro promovido pelo banco Itaú. A instituição financeira não informou jornalistas brasileiros baseados na capital chinesa sobre o evento. Representantes do banco chegaram a afirmar que os correspondentes estavam “proibidos” de entrevistar o ex-presidente, o que se mostrou inócuo quando o próprio se dispôs a falar.

Beba na fonte: Lula insiste em minimizar mensalão, diz FHC – politica – politica – Estadão.

Para analistas, Lula é movido por vaidade e apreensão

Um misto de preocupação eleitoral e vaidade é apontado por especialistas em comunicação e ciência política como o pano de fundo das mais recentes movimentações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — a suposta tentativa de adiar o julgamento do mensalão e o trabalho nos bastidores para viabilizar a CPI do Cachoeira.
Para o professor de Comunicação Política da Universidade Federal de São Carlos, Fernando Antônio Azevedo, Lula e o PT já deram demonstrações de que estão apreensivos com o risco político que representa o julgamento do processo pelo Supremo Tribunal Federal às vésperas da eleição municipal.
— Como foi um grande escândalo político, quando o julgamento começar certamente será o foco de toda a mídia. Em ano eleitoral, ele vai reavivar na memória do eleitor todo aquele processo que teve o PT como principal envolvido há sete anos — afirmou o Azevedo.
Na cruzada empreendida por Lula a favor da CPI, o cientista político e professor da Universidade de Brasília, David Fleischer, vê motivações pessoais, além de políticas.
— Lula tem preocupação sobre como será tratado pela história. Como será lembrado o seu primeiro governo com o escândalo do mensalão. Não tenho dúvida que há muita vaidade e zelo pela própria imagem nesse processo todo —afirmou Fleischer.
Para Fleischer, o ex-presidente viu na CPI a possibilidade desgastar a oposição, ao expor as ligações de políticos como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e do governador Marconi Perillo (PSDB) com, Cachoeira. Com isso, ele quer desconstruir a tese de que o PT é o único partido envolvido em escândalos e ainda acertaria as contas com Perillo.
— O Lula odeia o Perillo, porque foi o tucano, que, na época do mensalão, tornou público que havia alertado Lula. Até hoje, o ex-presidente sustenta que só soube do fato pelos jornais.
Para Azevedo, o julgamento levou Lula e o PT a estimular a CPI.
— A impressão que dá é que, quando eles perceberam que o mensalão seria mesmo julgado neste ano, a CPI surgiu como um instrumento para dividir a atenção da mídia.

Beba na fonte: Para analistas, Lula é movido por vaidade e apreensão – O Globo.

CPI convoca Perillo e Agnelo, mas poupa governador do RJ

ANDREZA MATAIS, ERICH DECAT E RUBENS VALENTE

Um racha na base aliada fez com que a CPI do Cachoeira aprovasse ontem a convocação dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF). Já o pedido para ouvir Sérgio Cabral (PMDB-RJ) foi rejeitado.

O PMDB, aliado do PT, articulou os 16 votos pela convocação de Agnelo, com o apoio de PP, PR PSC, PSB, PDT e da oposição. Doze parlamentares votaram contra. O depoimento de Perillo foi aprovado por unanimidade.

A CPI não marcou data para ouvir os governadores.

Segundo a Polícia Federal, Perillo recebeu R$ 1,4 milhão de Carlinhos Cachoeira pela venda de uma casa e nomeou funcionários a pedido do empresário, preso sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal.

Agnelo, diz a PF, também teve assessores corrompidos pelo grupo de Cachoeira. Tanto o petista quanto o tucano negam irregularidades.

A ação do PMDB foi interpretada no PT como um troco pelo fato de o partido ter apoiado a ampliação da quebra dos sigilos fiscal e bancário da Delta.

A empreiteira é suspeita de se beneficiar da relação de um de seus diretores com Cachoeira. Vários políticos do PMDB são próximos a Fernando Cavendish, presidente licenciado da Delta.

CABRAL

No caso do governador do Rio, foram 17 votos contrários à sua convocação e 11 favoráveis. Os tucanos deram três dos seus cinco votos contra, atendendo a um apelo do senador Aécio Neves (PSDB-MG). PT e PMDB votaram fechados para blindar o governador. Cabral teve sua relação com Cavendish exposta em fotos tiradas em Paris.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), flagrado há alguns dias mandando torpedo para Cabral no qual disse “você é nosso e nós somos teu”, se ausentou na votação.

No final, o relator, Odair Cunha (PT-MG), justificou as decisões da CPI. “Há indícios mais contundentes no que diz respeito aos dois governadores [Agnelo e Perillo]. É claro que há nível diferente de envolvimento com a organização criminosa. O governador Perillo é muito mais evidente. O Agnelo é menos”.

A CPI também aprovou ontem a quebra dos sigilos fiscal, bancário, telefônico e dos emails de uma empresa que tem entre seus sócios o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende dois investigados pela comissão: Perillo e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

Trata-se da Data Traffic, que recebeu R$ 30 milhões do governo entre 2010 e 2012 em contratos com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Em diálogos interceptados pela PF, a empresa foi citada várias vezes por integrantes do esquema de Cachoeira.

A CPI ainda aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e do e-mail do senador Demóstenes Torres desde 2002.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI convoca Perillo e Agnelo, mas poupa governador do RJ – 31/05/2012.

O que diz um leitor muito bem informado sobre os crimes da ROTA

Postado por um leitor anônimo na área de comentários do Blog. O leitor tem informações precisas, checadas pelo blog, do que se passou durante a formalização do flagrante contra três policiais da ROTA que foram presos em flagrante depois de assassinarem covardemente pelo menos um dos seis mortos no confronto ocorrido no bairro da Penha, e como se deram as tentativas de dissimular  a operação dos assassinos fardados.

Quem frequenta os extremos da sociedade bem sabe das ocorrências, intercorrências e ingerências, havidas em todas as searas!
O crime nunca esteve tão organizado, e mais, dissimulado por entre os bastidores públicos… gradativamente a m… vem à tona.
Todos sabem dos descalabros cometidos por maus PMs e da manutenção de relações escusas com o crime organizado, afinal, o liame que distingue a legalidade e a ilegalidade, para o policial é extremamente tênue.
Agora vamos aos hipotéticos fatos:
Na sexta ocorreu uma mega apreensão de maconha pela Rota, possivelmente advinda das interceptações clandestinas esquentadas pela Sap, reduto do atual SSP. Afinal, toda informação que não pode ser vinculada sua fonte torna-se oriunda de denúncia anônima, algumas, anômalas!
Hipoteticamente, o que reverbera com notoriedade nos meios policiais é a estória de que uma parte da droga apreendida foi deviada, com escopo de ser plantada em ocorrências outras e garantir a chancela jurídica a isenção de abusos milicianos. Assim como ocorreu no Comprebem, onde todas as armas curtas ostentadas pelos criminosos, injustificadamente desapareceram do local, ou seja, até mesmo objetos inanimados temem a Rota e fogem do local de crime em pânico! Conforme se depreende das filmagens.
Essa suposta centena de quilos de maconha desvirtuadas foi negociada com membros do PCC para que fossem trocadas por armamento.
Ocorre que os negociantes que ofertavam drogas eram do reservado da mike e haviam infiltrado um vagabundo do sistema para promover a apresentação e a negociata.
os criminosos que em tese fugiram do local era PMs do reservado, que não teriam como justificar a posse de entorpecente na negociação, afinal incorriam em tráfico, por inexistir monitoramento do judiciário e nem de autoridade policial sobre a ação, que poderia torná-la atípica.
Tal como ocorreu no Supermercado, os criminosos foram “tocaiados”, e o ganso infiltrado foi vitimado como queima de arquivo.
Melhor inexistir testemunhas.
O ganso da Rota foi silenciado juntamente com os hipotéticos opositores, fornecedores de armas.
E o resto todos já sabem, o que foi possibilitada ciência, todavia, o Senhor Secretário encontrou-se com delegados do Dhpp na data de ontem e esclareceu que sobre a eventual ocorrência de vazamento de dados do inquérito em testilha, todos os envolvidos serão punidos com extremado rigor, rua! E que era pra abafar o caso!
Na verdade ele ficou muito p… com a abrilhantada atuação do Gecep, e ainda mais sabendo que a sociedade e as fileiras operacionais policiais civis aplaudiram de pé!
Ecoam brados por Justiça e por Legalidade!
Todos somos vítimas de um sistema nauseante, corrupto e putrefado!
Impunidade fomenta impunidade e vocifera atrocidades sóciopolíticas!
O passado recente elucida dúvidas e faz luzir a verdade real sobre fatos e atos da milícia urbana paulista:
Operação Castelinho, onde decorreu morticínio após infiltração de membro de organização criminosa sacado maquiavelicamente do sistema prisional;
Comprebem, que se revelou uma Castelinho Urbana;
Bar Barracuda, que está se revelando outra Castelinho Urbana!
Tenho brandas e práticas sugestões para desmascarar esta farça e comprovar incontestavelmente este criminoso ardil, por institucionalizado “modus operandi” higienizador social!
Respeitosamente, não sou a favor da atuação criminosa e nem tão pouco sobre a aplicação da pena de morte, quer seja decretada por Tribunais do PCC ou da Milícia Paulista.
Niguém pode esquecer que todos somos vítimas potenciais, e que qualquer de nossos entes queridos estão sujeitos a malsinadas adversidades!
Devemos defender os interesses democráticos, a legalidade e os nossos, repudiando o regime de exceção, quer seja imposto pelo Crime Organizado ou ditado por um Estado Demoniocrático de Direitos Desvirtuados.
Antes de defender quaisquer dos lados, devemos compreender que em todas as óticas ocorrem perdas insuperáveis e irreparáveis, e refletir que os criminosos tinham famílias, os policiais militares presos também… assim como todos nós, pois não podemos desejar à ninguém o que não desejamos a nós mesmos!
Quem ganhou com isso?
Somente os abastados captalizadores de interesses escusos e criminosos!

Lula diz que precisa tomar cuidado com inimigos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou em público pela primeira vez após o embate com o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal. Em palestra no 5º Fórum Ministerial de Desenvolvimento, que envolve dirigentes de dezenas de nações de países africanos e latinos americanos, o ex-presidente no inicio do seu discurso fez questão de dar um recado, ainda que indireto.
- Eu vou falar de pé porque senão podem dizer que estou doente, então é para evitar esses pequenos dissabores. Vocês sabem que tem muita gente que gosta de mim, mas tem outras que não gostam e eu tenho que tomar cuidado com essas. Elas são minoria, mas estão aí no pedaço – disse Lula.
No encontro, Lula criticou a atuação dos governos europeus e americanos durante a crise internacional, também fez defesa de seu governo e da presidente Dilma, e atacou governos anteriores.
Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff, que negou qualquer crise institucional devido ao imbroglio gerado pelo encontro entre Lula e Gilmar Mendes, homenageou o ex-presidente ao final de seu discurso por ocasião da entrega do 4º Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Brasil, no Palácio do Planalto:
- Processos e pessoas têm uma ligação íntima. As pessoas nos lugares certos e na hora certa mudam os processos e transformam a realidade. Por isso, eu queria, de fato, aqui, fazer uma homenagem especial ao presidente Lula – discursou Dilma sob aplausos dos presentes.
Na contramão do que afirmara Dilma, o tucano José Serra afirmou que “indiscutivelmente” o país vive neste momento o risco de uma instabilidade institucional diante do ocorrido entre Lula e Gilma Mendes. Já o presidente da Câmara, deputado federal Marco Maia, receitou chá de camomila para acalmar os ânimos dos envolvidos na polêmica.

Beba na fonte: Lula diz que precisa tomar cuidado com inimigos – O Globo.

As respostas para as suas dúvidas

Por Ricardo Noblat

Por que Lula pediu a Nelson Jobim para patrocinar seu encontro com Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)?

Lula fora informado – mal informado – sobre uma série de viagens que Gilmar fizera na companhia do senador Demóstenes Torres (GO-sem-partido). Disseram-lhe que algumas – inclusive uma a Berlim – haviam sido financiadas pelo bicheiro Carlos Cachoeira.

Para Lula, o julgamento do mensalão do PT é o julgamento do seu governo pela Justiça.

A saída honrosa da presidência da República perderá parte do seu brilho se os mensaleiros forem condenados.

Um Gilmar em débito com a ética por ter viajado à custa de um contraventor seria uma presa fácil para Lula.

O controle político da CPI de Cachoeira está nas mãos de Lula, segundo ele próprio repetiu diversas vezes durante a conversa com Gilmar. Lula estava disposto a salvar Gilmar de constrangimentos. Em troca… Sabe como é.

Deu errado.

Gilmar coleciona os comprovantes de que ele e o STF pagaram a viagem a Berlim, onde mora uma de suas filhas. Antes ele passou por Granada, na Espanha, para participar de um seminário como palestrante.

O que Gilmar não disse a Lula foi que voou duas vezes a Goiânia a convite de Demóstenes e em jatinho arranjado por ele.

Quem pagou o aluguel do jatinho?

Em um dos grampos executados pela Polícia Federal, Demóstenes foi flagrado pedindo um jatinho a Cachoeira para transportar um ministro do STF.

Por que somente depois de um mês Gilmar resolveu tornar público seu encontro com Lula?

Gilmar sentiu-se humilhado por ter dado satisfações a Lula a respeito de sua viagem a Berlim. Ele e a mulher Guiomar eram amigos do casal Lula-Marisa. Jantaram no Palácio da Alvorada algumas dezenas de vezes. Gilmar calcula que ele e Lula se encontraram mais de 100 vezes num período de oito anos.

Em duas ocasiões, pelo menos, Gilmar salvou petistas de sérios apuros no STF.

Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, foi um deles. Acusado de mandar quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos, testemunha de suas frequentes idas a uma alegre mansão do Lago Sul de Brasília, Palocci acabou absolvido com o voto de Gilmar.

Por mais de um ano, Gilmar sentou-se em cima do processo que apontava Aloizio Mercadante como beneficiário da ação dos aloprados – funcionários da campanha de Lula à reeleição em 2006 que forjaram um dossiê para prejudicar as campanhas de Serra ao governo de São Paulo e de Alckmin à presidência da Repúbica. Aloizio safou-se.

Tamanha ingratidão machuca, não é?

Assim, no dia seguinte à reunião com Lula no apartamento de Jobim, Gilmar procurou o advogado Sigmaringa Seixas e revelou-lhe o que tinha ocorrido. Pediu para que a presidente Dilma Rousseff fosse informada a respeito.

Estava magoado com Lula, mas ainda decidido a engolir em seco a humilhação.

Aí se deu uma reviravolta. Gilmar ficou sabendo por meio de um jornalista que Lula, mesmo depois do que ouvira dele, continuava dizendo que Gilmar viajara, sim, com Demóstenes a expensas de Cachoeira.

O caldo entornou. Gilmar temeu ser alvo de ataques do PT na CPI de Cachoeira. Vacinou-se tornando pública sua versão do encontro com Lula.

Por que Jobim desmentiu a versão do encontro publicada pela revista VEJA e avalizada por Gilmar?

Se tudo se passou conforme o relato de Gilmar, Lula teria incorrido em crime de tentativa de obstrução da Justiça.

Gilmar afirma que Lula lhe dissera que encarregaria o ex-ministro Sepúlveda Pertence de convencer a ministra Carmem Lúcia a contribuir para o adiamento do julgamento do mensalão.

O ministro José Antônio Dias Toffoli hesita em votar. Foi Advogado-Geral da União durante parte do governo Lula e assessor do ex-ministro José Dirceu.

Lula confidenciou que orientara Toffoli a votar, sim senhor.

Por fim, Lula anunciou que procuraria para uma conversa o ministro Ayres Brito, presidente do STF. Queria tomar um vinho com Britto juntamente com o jurista que foi padrinho de sua indicação para ministro.

Jobim tinha duas maneiras de confirmar a versão de Gilmar. A direta: simplesmente confirmando-a sem restrições. A indireta: alegando que não assistira parte da conversa.

Ficaria mal com Lula se escolhesse qualquer uma das maneiras. Se escolhesse a maneira direta, poderia ser apontado como cúmplice de tentativa de obstrução da Justiça.

Desmentir Gilmar não custou a Jobim apenas a amizade de Gilmar. Custou uma fatia de sua credibilidade. Porque o desmentido foi acompanhado de uma mentira.

Ao repórterJorge Bastos Moreno, Jobim afirmou que o encontro de Lula era com ele. Que Gilmar apareceu em sua casa por coincidência. “Gilmar não sabia que encontraria Lula”, disse.

Em entrevistas a outros jornalistas, Jobim contou que Clara Ant, secretária de Lula, lhe telefonara três dias antes do encontro dizendo que Lula queria vê-lo e pedindo para que chamasse Gilmar.

Jobim telefonou para Gilmar e o convidou. Gilmar aceitou na hora. Não estivera com Lula desde que ele se descobrira portador de um câncer na laringe.

Abstinência de poder

ELIANE CANTANHÊDE

Como escrito nas estrelas desde o encontro nada institucional entre Lula e Gilmar Mendes, Gilmar destrambelhou e se jogou no centro de uma fogueira que não era dele, enquanto Lula faz o caminho inverso: assume a condição de vítima, com direito a homenagem de Dilma em palácio, vídeo do presidente do PT e guerrilha da “militância abnegada” na internet.

Antes que o grave erro de Lula passe a contar a favor e não contra ele, registre-se que o fim do poder lhe fez muito mal. Desde que desceu a rampa do Planalto, Lula vem pisando em falso e botando os pés pelas mãos.

Impôs unilateralmente Haddad ao PT-SP, assim como impusera Roseana Sarney para o PT-MA. São Paulo, porém, não é o Maranhão e Marta Suplicy não é Domingos Dutra.

Haddad é, de fato, um bom produto eleitoral e, se ganhar, será um fenômeno à la Dilma. Mas, por enquanto, patina e custa cada vez mais caro na negociação com os aliados.

Lula também atropelou Dilma, o Congresso e meia bancada do PT ao exigir a criação de uma CPI que só interessava à sua sanha contra a oposição e para embaçar o mensalão.

Do ponto de vista prático, Cachoeira e seus comparsas já estavam presos, Marconi Perillo já tinha caído nos grampos da PF e Demóstenes já estava na lona. Agora, com a quebra de sigilo da Delta, muitos aliados e muitas obras do governo federal podem entrar na dança.

E, enfim, nada pode ser mais “faca no pescoço” do Supremo (como temem os advogados dos réus do mensalão) do que a pressão, orientação ou insinuação de um ex-presidente tão popular e que indicou 8 dos 11 ministros da corte. O que mais Lula pretenderia ao procurar Toffoli e Lewandowski diretamente e outros ministros via seus padrinhos?

Se despreza as regras republicanas, ele deveria ao menos usar sua intuição brilhante e sua habilidade política invejável para imaginar o estrago que Gilmar faria. Como fez.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Abstinência de poder – 31/05/2012.

Medo de cadeia

ROGÉRIO GENTILE

O julgamento do mensalão assusta demais o PT e é isso que torna crível o relato de Gilmar Mendes sobre a tal pressão que Lula teria feito sobre o ministro do STF. É grande o risco de que algum figurão do partido saia algemado do Supremo Tribunal Federal.

José Dirceu, por exemplo, descrito na denúncia do procurador-geral “como integrante do núcleo central de uma complexa organização criminosa”, é acusado por formação de quadrilha e corrupção passiva. Se for condenado, pode pegar vários anos de cadeia. Genoino, Delúbio e João Paulo podem ter o mesmo rumo.

Os próprios advogados dos réus já os alertaram sobre essa possibilidade. Qual o impacto de uma cena desse tipo na eleição de outubro, na imagem do PT e na do próprio Lula?

Preocupado, o ex-presidente mobilizou o partido em favor da CPI do caso Cachoeira. Imaginou que a investigação poderia desmoralizar os “autores da farsa do mensalão”, como bem disse o presidente do PT, Rui Falcão, em vídeo do partido.

Até agora, no entanto, conseguiu apenas acirrar os ânimos e atrair mais holofotes para o julgamento. O mesmo efeito obteve com o tal encontro com Gilmar Mendes.

Pesa a favor de Lula a declaração de Nelson Jobim, que presenciou o encontro. O ex-ministro de Lula e ex-ministro do STF desmentiu Mendes, mas, dado o seu histórico, não é exatamente uma testemunha confiável.

Jobim, para quem não se lembra, fez parte de um dos episódios mais lamentáveis da história do Brasil quando, em 1988, participou de um acordo pelo qual foram incluídos no texto da Constituição artigos que não haviam sido votados.

De qualquer modo, tendo ou não havido pressão, o episódio esquentou ainda mais o clima. O julgamento do mensalão ganha cada vez mais ares de disputa política, com juízes pressionados e raivosos. E isso não é bom para ninguém. Mais do que o destino dos réus, está em jogo a credibilidade do Judiciário.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Medo de cadeia – 31/05/2012.

PCC apavora Zona Leste de SP. Escolas e comércio baixaram as portas. Segurança tucana continua um lixo

Milhares de alunos sem aulas, professores apavorados, pais em desespero, comerciantes fechando as lojas. É o que está acontecendo desde ontem em Cidade Tiradentes, um dos bairros mais pobres e populosos da Zona Leste de São Paulo.

A onda de pânico foi deflagrada pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC, em represália às execuções levadas a efeito por bandidos fardados da ROTA na noite da última segunda-feira. Seis pessoas foram mortas supostamente por resistir à abordagem das equipes da PM. A polícia informou que o grupo era formado por 14 integrantes do PCC que estariam discutindo o resgate de um preso de um presídio paulista.

Os PMs chegaram a informar as seis mortes antes que pelo menos uma delas tivesse acontecido. Um dos suspeitos, no entanto, foi colocado no camburão de uma viatura e levado até um local ermo, onde foi executado. A execução foi testemunhada por uma mulher, que chegou a gravar a cena na camera de seu celular. Como o arquivo não foi salvo, o telefone foi apreendido para ser periciado.

A testemunha ligou para o COPOM para denunciar a execução. O som dos tiros é claro na gravação do telefonema. Em seguida, o morto foi levado novamente para o carro da polícia e seu corpo foi transportado até  o bar em que os suspeitos foram abordados.

PCC promove retaliação aterrorizando a população

Doze horas depois da chacina, bandidos ligados ao PCC decretaram toque de recolher em vários bairros da Zona Leste. Em Cidade Tiradentes, os alunos foram dispensados das últimas aulas da tarde. O “partido” prometia promover atentados contra alvos policiais e também a população civil.

Hoje pela manhã as ameaças foram reiteradas. Em função disso, os alunos foram liberados mais cedo. Na Escola Estadual Fernando Pessoa as aulas foram interrompidas às 11h30. Os professores do turno da manhã saíram apressadamente. A escola permaneceu sem atividades no turno da tarde. Alunos e professores não apareceram. Muitos pais, desesperados, tiveram que faltar ao trabalho por não terem com quem deixar seus filhos.

O comércio, da mesma forma, se acautelou. Lojas baixaram as portas. Os funcionários foram dispensados. Os comerciantes reclamam do prejuízo decorrente da paralisação dos negócios.

A SSP e a tolerância às ações violentas

A população atribui a culpa pelo clima de pavor ao governador Geraldo Alckmin, cujo governo tem sido marcado pela tolerância à truculência da PM e pela proteção a policiais que desconhecem limites para sua atuação. A política de segurança, gerida pelo secretário Antônio Ferreira Pinto, tem se pautado pela permissividade para com a violência policial e até a proteção a assassinos que ostentam a farda da PM.

O caso desta segunda-feira é apenas mais um a ilustrar estatísticas pavorosas. Somente este ano, quase 200 pessoas foram executadas ou feridas pela PM em ações registradas como “resistência seguida de morte ou lesões corporais”. O GECEP — Grupo Externo de Controle da Atividade Policial do Ministério Público paulista –, desconfiado da manipulação das estatísticas da criminalidade, criou um banco de dados próprio e passou a investigar os assassinatos cometidos por PMs. Os números são aterradores.

Enquanto a fiscalização recrudesce, as afrontas não cessam. Ontem à tarde, mais de 20 viaturas da ROTA cercaram o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo enquanto era lavrado o flagrante contra os assassinos da corporação. A pressão não surtiu efeito graças à presença dos procuradores.

A ação dos comandantes para dar proteção a soldados e oficiais delinquentes é visível. Prova disso é o engavetamento dos Relatórios de Inteligência produzidos pelo DHPP com informações comprometedoras sobre várias ações violentas. Os chamados RELINTs apontavam o envolvimento de policiais com traficantes, execuções levadas a efeito por ordem do PCC e até a montagem de farsas como o atentado ao prédio da corporação ocorrido em 2009. Foram engavetados por ordem direta do secretário Antônio Ferreira Pinto. Os autores de vários crimes permanecem nas ruas, armados, sem que nada os tenha molestado apesar da gravidade das denúncias.

A permanência de Ferreira Pinto à frente da segurança pública é um mistério. Durante sua gestão, ele centralizou em seu gabinete a correição da polícia civil, mas deixou os crimes da PM a cargo da Corregedoria da corporação. A diferença no tratamento dispensado às duas polícias (civil e militar) provocou uma crise sem precedentes.

Ferreira Pinto também foi o responsável pelo engavetamento do primeiro procedimento administrativo instaurado contra os delegados que conduziram a desastrada Operação Pelada. Eles despiram à força uma escrivã acusada de concussão. O caso só veio à tona depois que o Blog do Pannunzio e a Rede Bandeirantes divulgaram imagens da cena insólita com as humilhações e as sevícias impostas à escrivã.

Ferreira Pinto mandou chamar os delegados a seu gabinete e os cumprimentou pela operação.

O blog errou. Notícia sobre indiciamento de Amaury Ribeiro Jr. é de 2010

Uma falha na programação do Blog fez com que uma notícia sobre o indiciamento do jornalista Amaury Ribeiro Jr., de outubro de 2010, fosse republicada nesta quarta-feira. O blog pede desculpas aos leitores pelo equívoco e especialmente ao Amaury, autor do livro “Privataria Tucana”.

Autor da ‘Privataria Tucana’ é indiciado por 4 crimes pela PF

O jornalista Amaury Ribeiro Júnior foi indiciado nesta segunda, 25, pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e por dar ou oferecer dinheiro ou vantagem à testemunha. Amaury prestou depoimento na superintendência da Polícia Federal em Brasília, das 10h30 às 17h de hoje, ao delegado Hugo Uruguai, que comanda investigação sobre a violação do sigilo fiscal de vários dirigentes do PSDB e de pessoas ligadas aos tucanos, entre eles, Verônica Serra, filha do candidato à presidência da República, José Serra.

O jornalista é suspeito de ter encomendado e pago a terceiros pela invasão desse sigilo em computadores da Receita Federal. Amaury Júnior ratificou as informações já dadas por ele à Polícia Federal, mas silenciou diante das novas perguntas feitas hoje pelo delegado. Existem algumas dúvidas a serem esclarecidas sobre as primeiras informações prestadas pelo jornalista como, por exemplo, a fonte dos R$ 12 mil que ele teria pago ao despachante Dirceu Garcia, de São Paulo, em outubro de 2009 para a obtenção ilegal dos dados, e de R$ 5 mil que foram pagos depois como “cala-boca” para o despachante.

Em nota, Amaury Júnior havia negado as acusações e afirmou que “jamais pagaria pela obtenção de dados fiscais sigilosos de qualquer cidadão”. O advogado do jornalista, Adriano Bretas, disse que deve falar com a imprensa logo mais. Ele e Amaury Júnior ainda estão no prédio da Superintendência da Polícia Federal.

Beba na fonte: Jornalista Amaury Ribeiro Jr. é indiciado por 4 crimes pela Polícia Federal – politica – politica – Estadão.

Gilmar Mendes diz que ‘intuito é trazer STF à vala comum’

Indignado com o que afirma ser uma sórdida ação orquestrada para enfraquecer o Supremo, levar o tribunal para a vala comum, fragilizar a instituição e estabelecer a nulidade da Corte, o ministro Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira, em entrevista no seu gabinete no início da noite, que o Brasil não é a Venezuela de Chávez, onde o mandatário, quando contrariado, mandou até prender juiz. Gilmar acredita que por trás dessa estratégia está a tentativa de empurrar o julgamento do mensalão para pegar o STF num momento de transição, com três juízes mais jovens, recém-nomeados, dois dos mais experientes para sair, uma presidência em caráter tampão. Gilmar, que afirma ter ótima relação pessoal com Lula, conta que se surpreendeu com a abordagem recente do ex-presidente na casa do ex-ministro Nelson Jobim. Gilmar afirma que há estresse em torno do julgamento do mensalão e diz que os envolvidos estão fazendo com que o julgamento já esteja em curso. Ironicamente, diz, as ações para abortar o julgamento estão tendo efeito de precipitá-lo.

O GLOBO: Como foi a conversa com o presidente Lula?

GILMAR MENDES: Começou de forma absolutamente normal. Aí eu percebi que ele entrava insistentemente com tema da CPMI, dizendo do controle, do poder que tinha. Na terceira ou quarta vez que ele falou, eu senti-me na obrigação de dizer pra ele: “Eu não tenho nenhum temor de CPMI, eu não tenho nada com o Demóstenes”.

Isso soou a ele como provocação?

GILMAR: Isso. A reação dele foi voltar para a cadeira, tomou um susto. E aí ele disse: “E a viagem a Berlim? Não tem essa história da viagem a Berlim?” Aí eu percebi que tinha uma intriga no ar e fiz questão de esclarecer.

Antes disso ele tinha mencionado o mensalão?

GILMAR: É. Aqui ocorreu uma conversa normal. Ele disse que não achava conveniente o julgamento e eu disse que não havia como o tribunal não julgar neste ano. Visões diferentes e sinceras. É natural que ele possa ter uma avaliação, um interesse de momento de julgamento.

Isso é indício de que o presidente Lula não se desprendeu do cargo?

GILMAR: Não tenho condições de avaliar. Posso dizer é que ele é um ente político, vive isso 24 horas. E pode ser que ele esteja muito pressionado por quem está interessado no julgamento.

Na substituição de dois ministros, acha que as nomeações podem atender a um critério ideológico?

GILMAR: É uma pressão que pode ocorrer sobre o governo. Toda minha defesa em relação ao julgamento ainda este semestre diz respeito ao tempo já adequado de tramitação desse processo. O presidente Ayres Britto tem falado que o processo está maduro. Por outro lado, a demora leva à ausência desses dois ministros que participaram do recebimento da denúncia e conhecem o processo, que leva à recomposição do tribunal sob essa forte tensão e pressão, o que pode ser altamente inconveniente para uma corte desse tipo, que cumpre papel de moderação.

A partir da publicação da conversa do presidente Lula com o senhor, os ministros do STF estariam pressionados a condenar os réus, para não parecer que estão a serviço de Lula?

GILMAR: Não deve ser isso. O tribunal tem credibilidade suficiente para julgar com independência (…) O que me pareceu realmente heterodoxo, atípico, foi essa insistência na CPMI e na tentativa de me vincular a algo irregular. E de forma desinformada.

Quem está articulando o adiamento do mensalão dá um tiro no pé?

GILMAR: Acho que sim. E talvez não reparar que o Brasil não é a Venezuela de Chávez… ele mandou até prender juiz. Um diferencial do Brasil é ter instituições estáveis e fortes. Veja a importância do tribunal em certos momentos. A gente poderia citar várias. O caso das ações policialescas é o exemplo mais evidente. A ação firme do tribunal é que libertou o governo do torniquete da polícia. Se olharmos a crise dos jogos, dos bingos, era um quadro de corrupção que envolvia o governo. E foi o Supremo que começou a declarar a inconstitucionalidade das leis estaduais e inclusive estabeleceu a súmula. Eu fui o propositor da súmula dos bingos.

Depois que o ministro Jobim o desmentiu, o senhor conversou com ele?

GILMAR: Sim. O Jobim disse que o relato era falso. Eu disse: “Não, o relato não é falso”. A “Veja” compôs aquilo como uma colcha de retalhos, a partir de informações de várias pessoas, depois me procuraram. Óbvio que ela tem a interpretação. O fato na essência ocorreu. Não tenho histórico de mentira.

O julgamento já está em curso?

GILMAR: Sim, de certa forma. Por ironia do destino, talvez essas tentativas de abortar o julgamento ou de retardá-lo acabou por precipitá-lo, ou torná-lo inevitável.

O momento é de crise?

GILMAR: Está delicado. O país tem instituições fortes, isso nos permite resistir, avançar.

Tem uma ação deliberada de tumultuar processos em curso?

GILMAR: Ah, sim.

Existe fixação da figura do senhor?

GILMAR: Isso que é sintomático. Ficaram plantando notícias.

Qual o motivo disso?

GILMAR: Tenho a impressão de que uma das razões deve ser a tentativa de nulificar as iniciativas do tribunal em relação ao julgamento desse caso.

Mas por que o senhor?

GILMAR: Não sei. Eu vinha defendendo isso de forma muito enfática (o julgamento do mensalão o quanto antes). Desde o ano passado venho defendendo isso. O tribunal está passando por um momento muito complicado. Três juízes mais jovens, recém-nomeados, dois dos mais experientes para sair, uma presidência em caráter tampão. Isso enfraquece, debilita a liderança. Já é um poder em caráter descendente.

Um tribunal com ministros mais recentes é mais fraco que um com ministros mais experientes?

GILMAR: Não é isso. Mas os ministros mais recentes obviamente ainda não têm a cultura do tribunal, tanto é que participam pouco do debate público, naturalmente.

Dizem que os réus do mensalão querem adiar o julgamento para depois das substituições.

GILMAR: Esse é um ponto de ainda maior enfraquecimento do tribunal. Sempre que surge nova nomeação sempre vêm essas discussões acerca de compromissos, que tipo de compromissos teria aceito. Se tivermos esse julgamento, além do risco de prescrição no ano que vem, vamos trazer para esses colegas e o tribunal esta sobrecarga de suspeita.

Haverá suspeita se a indicação deles foi pautada pelo julgamento?

GILMAR: Vai abrir uma discussão desse tipo, o que é altamente inconveniente nesse contexto.

O voto do senhor na época da denúncia não foi dos mais fortes…

GILMAR: Não. É uma surpresa. Por que esse ataque a mim? Em matéria criminal, me enquadro entre os mais liberais. Inclusive arquei com o ônus de ser relator do processo do Palocci, com as críticas que vieram, fui contra o indiciamento do Mercadante, discuti fortemente o recebimento da denúncia do Genoino lá em Minas. Ninguém precisa me pedir cautela em termos de processo criminal. Combato o populismo judicial, especialmente esse em processos criminais, denuncio isso.

Todas as figuras que o senhor citou são petistas proeminentes. Por que querem atacar o senhor agora?

GILMAR: Desde o início desse caso há uma sequência de boatos, valendo-se inclusive desse poder perverso, essa associação de vazamentos, Polícia Federal, acesso de CPI. Como fizeram com o (procurador-geral da República, Roberto) Gurgel, de certa forma.

Um ex-presidente empenhado em pressionar o STF não mostra alto grau de desespero com a possibilidade de condenação no mensalão?

GILMAR: É difícil classificar. A minha indignação vem de que o próprio presidente poderia estar envolvido na divulgação de boatos. E a partir de desinformação, esse que é o problema.

Ele pode ter sido usado?

GILMAR: Sim, a sobrecarga… Ele não está tendo tempo de trabalhar essas questões, está tratando da saúde. Alguém está levando esse tipo de informação. Fui a Berlim em viagem oficial. Por conta do STF. Pra que ficar cultivando esse tipo de mito? São historietas irresponsáveis. Qualquer agente administrativo saberia esclarecer isso.

Esses ataques não atingem o STF?

GILMAR: Claro, evidente. O intuito, obviamente, não é só me atingir, é afetar a própria instituição, trazê-la para essa vala comum.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/gilmar-mendes-diz-que-intuito-trazer-stf-vala-comum-5062901#ixzz1wLsizEZi

Gurgel encaminha representação contra Lula

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, repassou nesta terça-feira, 29, a representação de partidos da oposição contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Procuradoria da República no Distrito Federal, que atua na primeira instância do Judiciário.

Segundo a assessoria de imprensa da Procuradoria Geral da República, a decisão de Gurgel se deve ao fato de Lula não possuir mais foro privilegiado por ter deixado a Presidência.

Na segunda-feira, 28, partidos da oposição pediram ao Ministério Público que investigue se Lula cometeu crimes de tráfico de influência, coação em processo em andamento e corrupção ativa.

Segundo reportagem publicada no fim de semana pela revista Veja, citando relatos do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula teria pressionado o magistrado a apoiar o adiamento do julgamento do mensalão em troca de proteção na CPI que investiga as relações do empresário Carlinhos Cachoeira com empresas e políticos.

Isso porque Mendes teria se encontrado com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) durante uma viagem a Berlim. Demóstenes responde a processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro por conta de suas relações com Cachoeira, preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

O senador depôs ao Conselho de Ética nesta terça e negou as denúncias.

Na segunda-feira, Lula declarou-se “indignado” ao negar ter pressionado Mendes em nota divulgada por seu instituto. Ele confirmou ter se encontrado com Mendes, mas disse que o conteúdo da conversa relatado pela revista é “inverídico”.

Beba na fonte: Gurgel encaminha representação contra Lula – politica – politica – Estadão.

Planalto quer se manter longe da crise

Vera Rosa e Tânia Monteiro

Preocupada com o acirramento dos ânimos às vésperas do julgamento do mensalão, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo não entrará na briga entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Dilma avalia que a situação é perigosa, tem potencial de estrago que beira a crise institucional nas relações entre Executivo e Judiciário, e transmitiu esse recado na conversa mantida nesta terça-feira, 29, com o presidente do STF, Ayres Britto. O encontro durou uma hora e dez minutos, no Planalto.

Embora petistas estejam fazendo desagravos públicos a Lula, a presidente ordenou silêncio aos auxiliares após falar com ele por telefone. A ordem é blindar o Planalto dos torpedos vindos da CPI do Cachoeira e dos ataques de Mendes.

Lula estará nesta quarta-feira, 30, em Brasília, onde fará uma palestra no 5.º Fórum Ministerial de Desenvolvimento, e vai se encontrar com Dilma. Pela estratégia definida até agora, o governo fará de tudo para se desviar da polêmica e repassará a tarefa das respostas políticas ao PT. O ministro do STF jogou nesta terça mais combustível na crise, ao responsabilizar Lula por uma “central de divulgação” de intrigas contra ele.

Embora dirigentes do PT saiam em defesa de Lula, a cúpula do partido avalia que é preciso calibrar o contra-ataque, porque qualquer reação intempestiva contra o Judiciário prejudicaria os réus do mensalão.

Fora do foco. “Não acreditamos que Mendes nem nenhum integrante do Supremo esteja ligado ao crime organizado de Carlinhos Cachoeira”, disse o deputado Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara. “A CPI não foi instalada para apurar possíveis desvios de conduta de ministros do Supremo, mas, sim, para desbaratar o crime organizado de Cachoeira. Quem alimenta esse tipo de polêmica quer desviar o foco da CPI e vamos dar um basta nisso, encerrando essa polêmica.”

Mesmo ressalvando que não baterá boca com Mendes, o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT, achou “estranha” a versão do magistrado sobre o encontro. “Por que Lula iria falar com um ministro que foi indicado pelo PSDB e não com os oito que ele indicou?”, questionou. “E por que Mendes só divulgou essa conversa um mês depois, às vésperas do depoimento de Demóstenes Torres no Conselho de Ética?”

Beba na fonte: Planalto quer se manter longe da crise – politica – politica – Estadão.

Demóstenes nega lobby para Cachoeira

GABRIELA GUERREIRO

Em depoimento ontem ao Conselho de Ética do Senado, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) negou ter usado o mandato para fazer lobby para o empresário Carlinhos Cachoeira.

Ele disse ter informado o “amigo” com antecedência sobre operação da Polícia Federal para “testar” se Cachoeira tinha atividades ilegais.

O depoimento foi a primeira fala de Demóstenes no processo sobre quebra de decoro, que pode resultar na cassação de seu mandato. Para tanto, ele precisa ser condenado no conselho e em votação secreta no plenário. Não há prazo para isso.

Demóstenes chegou ao conselho de cabeça erguida e cumprimentou os membros da mesa. Disse estar em depressão, tomando remédios desde o início das denúncias.

Ele afirmou que vive o “pior momento” de sua vida, mas que tem “vergonha na cara” e, por isso, demorou um mês para voltar ao Senado e “ter coragem de olhar” os para colegas. Disse ainda ter redescoberto Deus.

Acompanhado de seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, o senador procurou rebater todas as suspeitas em duas horas de fala. Depois, por mais três horas, respondeu perguntas de colegas.

Demóstenes disse ser vítima de uma “operação orquestrada” por policiais e procuradores para prejudicá-lo. Afirmou que os investigadores adulteraram áudios e vazaram trechos das apurações de forma seletiva.

Ele também negou ter recebido dinheiro de Cachoeira ou feito lobby para ele ou pela legalização de jogos de azar. Mas admitiu ter atuado pela Vitaplan, indústria farmacêutica de Cachoeira, como fazia com “várias empresas” de Goiás.

TESTES

“Que lobista sou eu que nunca procurei nenhum colega senador para discutir sobre legalização de jogos? Eu peço que eu seja julgado pelo que eu fiz, não pelo que eu falei que iria fazer”, apelou.

Sobre a gravação em que foi flagrado avisando Cachoeira de uma operação policial, Demóstenes disse que fazia “testes” com o empresário para confirmar se ele havia deixado a ilegalidade.

“Eu joguei verde em cima dele. Eu disse que tem operação conjunta da PF com o Ministério Público que nunca se realizou e nunca foi cogitada. Ainda assim, eu fazia esses testes com ele.”

Para sustentar a versão de que não sabia da atuação de Cachoeira, de quem afirmou ser amigo, disse que tomou conhecimento só em março de “ilícitos” do empresário -preso por explorar esquema de jogo ilegal, lavagem de dinheiro e corrupção.

Um dos argumentos a favor da cassação de Demóstenes é a sua suposta mentira em plenário sobre o desconhecimento das atividades de Cachoeira.

No depoimento de ontem, Demóstenes confirmou que Cachoeira lhe deu um rádio Nextel citado como antigrampo. As contas, também pagas por Cachoeira, variavam de R$ 30 a R$ 50 por mês. O senador reconheceu que a atitude foi um “erro”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Demóstenes nega lobby para Cachoeira – 30/05/2012.

Perillo vai à comissão e diz que se dispõe a prestar depoimento

NATUZA NERY, ERICH DECAT e CARLA GUIMARÃES

Com receio de ser o único governador no foco da CPI do Cachoeira, Marconi Perillo (PSDB-GO) apareceu de surpresa ontem na comissão parlamentar de inquérito e se colocou à disposição para depor aos congressistas.

O tucano quer atingir dois objetivos: evitar o desgaste de ser convocado e prestar esclarecimentos aos deputados e senadores antes de aprovada a quebra de seus sigilos fiscal, financeiro e telefônico -reduzindo assim o poder de contestações da comissão.

Antes da aparição ontem, o governador se reuniu com o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Conforme o relato de testemunhas, teria afirmado ao peemedebista que querem salvar os outros governadores e o “deixar na saudade”.

A aparição, porém, irritou o PT e o PMDB, já que o efeito colateral da visita de Perillo foi justamente aumentar a pressão sobre os governadores Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), até agora blindados de qualquer convocação.

Por conta disso, o PT promete votar nesta semana a quebra de sigilos de Perillo. Outro efeito colateral da visita foi afastar um possível apoio do PMDB contra a convocação do tucano, parte de um pacto de não agressão.

“Eu vim espontaneamente”, disse o tucano. “Já tive sigilo bancário quebrado no passado, precisa saber se é justo ou não.”

A CPI terá de analisar um esclarecimento, apresentado por acordo entre PT e PMDB, sobre se a comissão pode convocar governadores. Há uma interpretação que essa alternativa só é possível se houver suspeitas de desvio de recursos federais. Do contrário, caberia ao Legislativo local a apuração

O Ministério Público de Goiás abriu ontem investigação sobre servidores do Estado citados em escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, que apurou os negócios de Carlinhos Cachoeira. Entre os suspeitos de improbidade estão três secretários do Estado e a ex-chefe de gabinete de Perillo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Perillo vai à comissão e diz que se dispõe a prestar depoimento – 30/05/2012.

CPI adia outra vez ação contra governadores

ANDREZA MATAIS E RUBENS VALENTE

Integrantes da CPI do Cachoeira ampliaram ontem a a quebra dos sigilos fiscal, financeiro e bancário da empreiteira Delta, mas voltaram a adiar a investigação de governadores que teriam relações com o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos.

A convocação dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) pode entrar na pauta da CPI hoje, mas a tendência é de que seja derrubada.

O relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), irá encaminhar voto contrário.

O PT não irá insistir na convocação de Perillo, suspeito de ter recebido dinheiro do grupo de Cachoeira pela venda de uma casa em Goiânia.

O tucano nega relação financeira com o empresário. O PT e demais aliados não veem razão em investigar, por ora, os demais governadores, que são de partidos da base.

Cabral é amigo pessoal do presidente licenciado da Delta, Fernando Cavendish, e contratou a empresa sem licitação. Já Agnelo, segundo a Polícia Federal, teria nomeado em seu governo pessoas que mantinham contatos com o grupo. Ambos também negam irregularidades.

Para adiar o pedido de convocação, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI, disse que consultaria a assessoria jurídica da CPI para saber se governadores podem ser investigados ou mesmo convocados. Segundo o PMDB, haveria risco ao “princípio federativo”.

DIVISÃO

Inicialmente contrário a ampliar a investigação sobre a empreiteira Delta, o PT, que tem três integrantes na comissão, votou rachado.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi contra a aprovação do requerimento da oposição que irá permitir à CPI ter acesso a dados nacionais sigilosos da Delta de janeiro de 2003 até agora. Odair Cunha votou a favor.

A CPI já havia quebrado os sigilos da empreiteira no Centro Oeste. Os dados, porém, podem não ser usados. O relator já afirmou que sua investigação será focada em pessoas que foram corrompidas por Cachoeira.

O PMDB, que preside a CPI, tentou limitar a quebra do sigilo da Delta às contas relacionadas ao esquema Cachoeira, mas não conseguiu.

Para a Polícia Federal, a Delta foi um dos braços financeiros de um esquema ilegal comandado por Cachoeira. A empresa repassou ao menos R$ 40 milhões para firmas fantasmas que podem ter abastecido campanhas.

A assessoria de imprensa da Delta informou que a nova gestão “assumiu a empresa no dia 14 de maio e já iniciou um rígido processo de auditoria.”

De acordo com a assessoria, “qualquer investigação externa, realizada pelos órgãos públicos competentes, irá colaborar com esse processo de forma a deixar claro procedimentos adotados na antiga gestão da empresa.”

Ontem, a CPI aprovou também a convocação de Heraldo Puccini, diretor da Delta na região Sudeste. O pedido partiu do PT, que alega haver obras superfaturadas da empresa no governo paulista, comandado pelos tucanos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI adia outra vez ação contra governadores – 30/05/2012.

PT convoca militantes a defender Lula de ‘manobra’

O presidente do PT, Rui Falcão, conclamou a militância do partido a “ficar atenta” e associou o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a uma suposta manobra para desmoralizar a sigla e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em vídeo divulgado ontem na internet, o dirigente diz que o relato de Mendes sobre a conversa em que Lula teria pedido apoio para adiar o julgamento dos réus do mensalão “já foi desmentido”.

O ex-presidente afirmou que a versão do magistrado é “inverídica” e negou intenção de interferir no tribunal.

Na gravação, Falcão diz: “A militância do PT precisa estar atenta às manobras que transcorrem nesse momento tentando comprometer o presidente Lula com um encontro com o ministro do Supremo Gilmar Mendes, numa conversa já desmentida pelo Nelson Jobim, também ex-ministro do Supremo.”

“A quem interessa envolver o presidente Lula nesse tipo de conversa cujo conteúdo já foi desmentido pelo presidente, com muita indignação, e também pelo ex-ministro Nelson Jobim?”, afirma.

Na mensagem, dirigida a ativistas das redes sociais, Falcão orientou a militância a sair em defesa de Lula.

“Vamos ficar atentos, vamos desbaratar mais uma manobra daqueles que querem desmoralizar o PT e o presidente Lula, com nítidos objetivos eleitoreiros.”

O dirigente associou a divulgação do diálogo à possibilidade de o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ser convocado pela CPI.

O presidente do PT em São Paulo, Edinho Silva, também defendeu a versão de Lula, mas pediu que os colegas de partido evitem rebater as declarações de Mendes.

“Essa agenda não interessa ao PT. Só interessa à oposição e a quem quer partidarizar o julgamento da crise de 2005″, afirmou, referindo-se ao mensalão.

‘DÚVIDAS’

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), afirmou ter “dúvidas” sobre Mendes e disse não acreditar em seu relato sobre a conversa com Lula.

“Eu não acredito que o presidente Lula tenha expressado ou tratado o assunto como foi relatado pelo ministro. Eu tenho dúvidas sobre o comportamento do ministro, que só veio tratar disso um mês após a reunião”, disse.

A Folha ouviu advogados de sete dos principais réus do mensalão. Cinco deles disseram que o acirramento dos ânimos só traz prejuízos aos clientes. Eles manifestaram desconfiança sobre a versão de Mendes para o diálogo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PT convoca militantes a defender Lula de ‘manobra’ – 30/05/2012.

Lula quer ‘melar’ julgamento do mensalão, afirma Mendes

FELIPE SELIGMAN

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou ontem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fomentou intrigas contra ele para constranger o tribunal e tentar “melar” o julgamento do mensalão, previsto para ocorrer neste ano.

Mendes disse que Lula agiu como uma “central de divulgação” de informações sobre sua ligação com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o empresário Carlos Cachoeira, acusado de chefiar um esquema de corrupção.

“O objetivo era melar o julgamento do mensalão”, afirmou Mendes, ao chegar para uma sessão do STF. “Dizer que o Judiciário está envolvido numa rede de corrupção.”

As declarações de Mendes elevam o tom de seu confronto com Lula, iniciado no fim de semana com a revelação pela revista “Veja” de um encontro que eles tiveram em abril no escritório do ex-ministro do STF Nelson Jobim.

Segundo Mendes, o ex-presidente disse que o julgamento do mensalão deveria ser adiado para depois das eleições deste ano e sugeriu que poderia garantir proteção na CPI que investiga Cachoeira.

Em nota na segunda-feira, Lula se disse “indignado” com a versão de Mendes, que não foi corroborada por Jobim. A assessoria do ex-presidente disse ontem que não se manifestaria sobre as novas declarações de Mendes.

O ministro do STF disse que as pressões para que o julgamento do mensalão seja adiado seguem uma “lógica burra, irresponsável, imbecil” e voltou a defender a realização do julgamento ainda neste semestre. “Nós vamos ficar desmoralizados se não o fizermos”, afirmou.

Lula chegou ontem a Brasília e se encontra hoje com a presidente Dilma Rousseff.

VIAGENS

Bastante irritado, Mendes negou ter viajado num avião arranjado por Cachoeira no ano passado, ao voltar de uma viagem a Berlim, “fofoca” que ele disse ter sido espalhada por “gângsteres” e que teria sido mencionada por Lula no encontro de abril.

“Vamos parar com fofoca. A gente está lidando com gângsteres. Estamos lidando com bandidos que ficam plantando informações.” Mendes foi a Granada, na Espanha, participar de um congresso, e depois viajou para Berlim, onde viu sua filha, que mora na Alemanha, e encontrou-se com Demóstenes.

Mendes apresentou ontem comprovantes de que o Supremo pagou as passagens de ida e volta até Granada e que ele mesmo pagou a viagem entre Granada e Berlim.

Disse também que nos últimos dois anos viajou duas vezes a Goiânia de carona em aviões arranjados por Demóstenes. “Eu poderia aceitar tranquilamente [as caronas]. Estava me relacionando com o senador que tinha o mais alto conceito na República.”

Em depoimento ao Conselho de Ética do Senado, onde enfrenta processo de cassação, Demóstenes afirmou ontem que os dois viajaram em aviões comerciais e voltaram ao Brasil em voos separados.

Segundo a Folha apurou, Mendes foi alertado nas últimas semanas de que o PT planejava usar a CPI do Cachoeira para reforçar a ligação de seu nome com o grupo de Cachoeira, acusando-o de ter trabalhado para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, segurasse uma investigação sobre a atuação de Demóstenes em 2009.

Mendes criticou a imprensa. “É a uma rede de intrigas que vocês se prestam”, afirmou. “A Folha mesmo virou caixa de ressonância disso.”

Em abril, o jornal publicou uma reportagem sobre uma das conversas telefônicas de Demóstenes com Cachoeira que foram gravadas pela Polícia Federal, em que eles festejam uma decisão de Mendes que deu andamento a uma ação de interesse da Celg (Centrais Elétricas de Goiás).

“Tudo seria normal se não aparecesse isso numa conversa entre Demóstenes e Cachoeira”, disse Mendes ontem.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Lula quer ‘melar’ julgamento do mensalão, afirma Mendes – 30/05/2012.

Lambendo a cria

Comentário do leitor Jotabê, um dos críticos mais contundentes das posições deste Blog:

“Continuo firme na minha posição, Fábio. E admirando-o cada vez mais pela tolerância e espírito democrático. Tenho feitos comentários DIAMETRALMENTE opostos aos seus, e mesmo assim você me concede um espaço conquistado com o seu esforço e o seu trabalho.

Parabéns”.

Aos navegantes da BESTA: não adianta chorar, vocês perderam mais uma!

Anteontem, quando postei aqui que o ministro Gilmar Mendes decidiu revelar o assédio de Lula porque Lula estava espalhando boatos contra ele, fui trucidado pela claque da BESTA (BLogosfera Estatal). O Twitter do Blog do Pannunzio virou um lixo. Foi inundado por centenas de mensagens de pessoas que me chamavam de tudo o que há de ruim e nefasto. Mais uma vez tentaram manchar a minha reputação, arrasando com meus trinta anos de jornalismo.

A informação ficou apenas por aqui, virou uma espécie de privilégio dos leitores deste blog. Entendo a cautela dos que decidiram não repercuti-la. Afinal, afirmar que o que gerou o episódio foram boatos espalhados pelo próprio Lula parecia ser pesado demais. Os demais jornalistas agiram com responsabilidade e cautela.

Ocorre que a informação, como tudo o que veiculo neste espaço, foi checada à exaustão. E as 24 horas que se seguiram ao post serviram para confirmá-la integralmente.

Gostem ou não das minhas posições, os leitores do meu blog obtiveram as respostas para as dúvidas que restavam sobre o episódio. Pois é exatamente esse o papel que cabe a um jornalista: informar a sociedade. Ele foi cumprido, a despeito dos palavrões e infâmias que recebi até que Gilmar Mendes confirmasse o que eu afirmei.

Informação é direito do leitor e dever do jornalista. O meu papel foi cumprido. E mesmo os que vêm até estas páginas somente para tentar me associar ao golpismo propalado pela BESTA saíram no lucro. Lucro dobrado, aparentemente: ficaram sabendo o que queriam saber e ainda cravaram o besteirol costumeiro com seus palavrões e aleivosias de sempre.

Perderam duas vezes. A informação era correta e não havia nenhum motivo para colocar minha reputação em xeque. É o que importa.

Agora questionam minha crença nas palavras de Gilmar Mendes. Respondo: isso é irrelevante. Até o momento, o outro lado da contenda preferiu o silêncio a enfrentar o problema. Lula não disse nada ainda sobre o episódio. A nota do Instituto Lula é ridícula e não contém nenhum desmentido do ex-presidente petista. Portanto, há apenas uma versão sobre o fato: é a do ministro do STF.

Não há mais nada em que crer ou descrer.

Confirmando o blog: Gilmar Mendes diz que fofocas de Lula são “gangsterismo, molecagem, coisa de bandido”

Fac-símile do Cartão Fidelidade de Gilmar Mendes prova que ele não viajou no avião de Cachoeira

O ministro Gilmar Mendes qualificou como “gansterismo”, “molecagem”, “coisa de bandido”, produto de uma “lógica burra, irresponsável, imbecil” o ataque infamante de que tem sido vítima desde que se encontrou com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva no dia 26 do mês passado.  E quem estava por trás dos boatos ? “As notícias que me chegaram eram de que sim, de que ele era a central de divulgação disso. O próprio presidente”.

A campanha contra o ministro do STF tem mobilizado os sites da BESTA (Blogosfera Estatal), que há vários dias vêm veiculando uma campanha caluniosa contra ele. O eixo dessa campanha consistia em espalhar pelas redes sociais da internet a suspeita, afirmada como verdade, de que o magistrado havia viajado à Europa às custas de Carlinhos Cachoeira, com quem teria se encontrado em Berlin.

Gilmar Mendes divulgou uma cópia de seu cartão de milhagem da TAM para provar que não pegou carona em avião do bicheiro Carlinhos Cachoeira na perna final da viagem, no trecho entre São Paulo e Brasília. E  tornou público o convite feito pela Universidade de Granada para proferir palestras. As passagens internacionais foram pagas pelo STF.

O Blog do Pannunzio antecipou, na noite segunda-feira, que o magistrado do STF havia decidido tornar público o diálogo que travou com Lula porque o próprio ex-presidente vinha espalhando informações que visavam macular sua honorabilidade. O propósito da campanha infamante era, segundo Gilmar Mendes, criar embaraços que pudessem levar a corte constitucional a adiar a votação do Mensalão.

“Querem constranger o tribunal. É preciso encerrar de uma vez por todas com isso. Não quero ter relação com bandidagem e quem está fazendo isso é bandido”, afirmou. “O objetivo era melar o julgamento do mensalão, dizer que o Judiciário está envolvido em uma rede de corrupção. Era isso. Tentaram fazer isso com o [Roberto] Gurgel e estão tentando fazer isso agora”, asseverou Gilmar Mendes.

O ministro revelou, ainda, que viajou duas vezes em táxis-aéreos a convite do ainda senador Demóstenes Torres, de quem é amigo pessoal. O destino das duas viagens era Gioânia, GO. Em uma delas foi acompanhado por Nelson Jobim e Dias Tóffoli. Na outra, por Tóffoli e a ministra Nancy Andrighi, do STJ.

Mensalão está ‘maduro’ para ser julgado, diz presidente do STF

No portal G1

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, disse nesta segunda-feira (28), em São Paulo, que o processo do mensalão está “maduro” para ser julgado.
Neste final de semana, a revista “Veja” publicou reportagem segundo a qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sugerido ao ministro Gilmar Mendes, do STF, para ajudar a adiar o julgamento do mensalão em troca de “proteção” nas investigações da CPI do Cachoeira.
“O que a sociedade quer, o que a imprensa quer, é compreensível. É o julgamento do processo, sem predisposição, seja para condenar, seja para absolver. O processo está maduro para ser julgado, chegou a hora de julgar”, afirmou Britto, que participou em São Paulo do 5º Congresso da Indústria de Comunicação.
O presidente do Supremo disse esperar que o julgamento aconteça rapidamente, mas afirmou que isso depende do ministro Ricardo Lewandowski, encarregado de fazer a revisão do relatório elaborado pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão. “Já me encontro em fase de logística, de elaboração de cronograma [do julgamento], mas estou na dependência do ministro [Lewandowski]”, afirmou.
Ele disse que o ministro Lewandowski não sinalizou se entregaria o processo agora ou se o fará no segundo semestre.
“Rigorosamente não sei [quando ele entregará]. Mas estou preparado para ultimar a logística, a formatação do julgamento, e, tão logo o revisor, o ministro Lewandowski disponibilize o processo para a pauta de julgamento, darei o início. Farei a publicação devida no ‘Diário da Justiça’ e darei, junto aos outros ministros, início ao julgamento”, declarou.
Britto não respondeu se Lula pode ser responsabilizado de alguma forma em razão do episódio com Gilmar Mendes.
“Foi um diálogo protagonizado por três agentes, três pessoas. Dois desses agentes já falaram, falta o terceiro. Aguardemos a fala do terceiro [o ex-presidente Lula]. (…) Não tenho como responder por antecipação”, declarou.

Beba na fonte: G1 – Mensalão está ‘maduro’ para ser julgado, diz presidente do STF – notícias em Política.

Os dois Jobim: um que nega o que o outro diz

Por Jorge Bastos Moreno, na Rádio do Moreno

Volto aqui para tentar dar minha contribuição profissional à elucidação do caso Gilmar/Lula.

Serei cronologicamente breve:

No sábado à tarde, falo com Jobim, que me disse que estava em Itaipava. Ele me disse:

— O encontro era de Lula comigo. O Gilmar apareceu por conicidência. Nós estamos fazendo um trabalho de resgate da memória da Constituinte e ele toda hora tá lá no escritório comigo. Foi uma grande coincidência! Três dias antes, a Clara Ant me ligou avisando que o Lula ia me ver. O Gilmar não sabia que iria encontrar o Lula.

Hoje, Jobim está nos jornais e sites dizendo que Lula pediu a ele para chamar Gilmar. Que ele ligou pro Gilmar para chamá-lo para o encontro.

Em qual Jobim devo acreditar?

Naquele que me jurou no sábado que a presença de Gilmar no seu escritório foi mera coincidência?

Ou no Jobim de hoje?

Era só isso que eu tenho a dizer caro leitor.

PS: Tem outra coisa importante. Jobim me disse:

— Quem falou em mensalão fui eu. Eu que puxei o asunto, se não ele passaria batido. Eu perguntei para o Gilmar: ” Vem cá, quando essa coisa do mensalão vai ser votada?”. Foi só isso”.

Gilmar me disse:

—- Ele falou isso?! Não, não! Quando eu comecei a ficar intrigado, querendo sair onde o Lula iria chegar, foi o próprio Jobim que tentou interpretar o que o Lula queria dizer. Ele não só ouviu, como participou da conversa.

Eu saí em socorro do Jobim, dizendo a Gilmar:

— Por questão de justiça, devo esclarecerer que quando o Jobim me disse ter negado tudo ao repórter do Estadão, ele próprio ponderou que não tinha ainda lido a Veja, que estava se baseando na informação do repórter. Certamente, qdo ler a revista, com o senhor confirmando tudo, ele não terá motivo mais para negar.

Gilmar comentou aliviado:

—- Ah, então ele está desmentindo sem ter lido a revista! Quando ler, certamente vai confirmar”.

E é só.

Beba na fonte: Os dois Jobim: um que nega o que o outro diz – Jorge Bastos Moreno: O Globo.

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