Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “maio 2, 2012”

Agradecimento

Quero agradecer publicamente ao Jornalista Reinaldo Azevedo pelo elogio ao meu texto As penas alugadas ao petismo e a máquina de demolir reputaçõesGostando-se ou não das posições que ele defende, há que se reconhecer que não faltam a Reinaldo Azevedo coragem, altivez moral e rigor intelectual.

O tráfego gerado a partir da reprodução do meu post permitiu a muitos internautas navegar pela primeira vez nas páginas do Blog do Pannunzio. De quebra, ajudou a promover um saudável debate sobre o papel do jornalismo e as ameaças, que não são poucas, ao direito de informar com plena liberdade.

Não fosse por penas contundentes como a dele, talvez o Brasil já tivesse se transformado em um excelente campo de prova para a principal teoria de Elisabeht Noelle-Neumann, a da Espiral do Silêncio.

Dilma está certa. Os bancos privados são hoje o principal entrave ao crescimento da economia

A confrontação entre a Presidente Dilma Rousseff e os bancos pode dar à Presidente da República o seu grande trunfo na condução da economia. No Brasil, como de resto em todas as democracias, é a sensação de felicidade da população, expressa pela capacidade de saciar a demanda por consumo, que alicerça a popularidade e, por consequência, o cacife eleitoral dos governantes.

“É a economia, estúpido!”, já ensinava James Carville aos estrategista da campanha de Bill Clinton. Caso consiga civilizar os bancos e trazer os juros para patamares ao menos aceitáveis, Dilma terá sedimentado uma obra importante na área econômica, com efeitos que certamente terão reflexos expressivos na vida da população.

Até que o governo Itamar Franco decidisse enfrentar com determinação a hiperinflação renitente, a desvalorização da moeda a cada dia fazia com que boa parte da renda nacional fosse drenada para o sistema financeiro. A corrosão do valor real do dinheiro era mais perversa com quem não tinha conta-corrente ou não alcançava as ferramentas de proteção, como as aplicações “overnight”.

Quando Plano Real conseguiu aplacar a fúria inflacionária, os bancos, compensatoriamente,  foram aquinhoados com taxas de juros estratosféricas, que se mantiveram ao longo dos 16 anos dos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva. A lógica do lucro fácil acabou por transformar o Estado no duto da felicidade da banca. Sem a inflação, o Estado passou a destinar a ela boa parcela do que arrecadava em imposto do cidadão pela via do endividamento.

Sob Lula, que colocou um banqueiro no Banco Central para zelar pelos privilégios dos banqueiros, os lucros auferidos pelo sistema financeiro no Brasil nunca foram tão fáceis e expressivos. Bastava aplicar a poupança da clientela em títulos públicos para fazer a abastança da banca. Sem nenhum risco.

Dilma prometeu durante a campanha reduzir os juros no País. Ninguém deu muita importância porque todos os candidatos prometem isso e não fazem nada. Por esta razão, a anunciada cruzada da presidente contra os juros surpreendeu muita gente — inclusive a recalcitrante FEBRABAN, que chegou a apresentar um programa de redução dos juros sem tocar nos lucros exorbitantes de seus associados.

Houve um enorme alarido e muita desconfiança quando o governo anunciou sua disposição de fazer uma queda de braço com os bancos privados pela via da concorrência. Os analistas econômicos — a serviço dos bancos, diga-se de passagem — perderam o discurso de que a culpa sempre cabia ao governo, responsável pela manutenção da taxa SELIC em níveis inexplicáveis para uma economia sólida.

Agora, a redução da taxa básica expôs o verdadeiro fator de limitação do crescimento econômico: os juros reais, que o cidadão paga para consumir um bem e o empresário paga para produzí-lo.

Alguns desses analistas se apressaram em identificar no posicionamento claro da Presidente em cadeia nacional uma performance digna de Cristina Kirchner. Viram no pronunciamento da véspera do Dia do Trabalho elementos de uma confrontação de caráter populista, tentando equivocadamente levar para o campo ideológico o locus do embate.

É muito difícil entender que, em plena crise de solvência, o consumidor norte-americano continuasse pagando 7% ao ano de juros no cartão de crédito enquanto as mesmas empresas cobravam — ainda cobram — 240% de seu congênere brasileiro. É muito difícil entender por que uma empresa está sujeita a taxas que as equiparam, em risco e importância, ao consumidor do varejo. E também é impossível entender por que os bancos se recusam fazer empréstimos de fomento em um ciclo especial de crescimento da economia.

Por tudo isso, Dilma Rousseff , mais do que razão, tem elementos concretos para expressar sua indignação. O que ela faz é se insurgir contra a ganância que se traduz em um poderoso indutor da recessão, que limita a produção e o consumo e que desafia um governo que, pelo menos nesse campo, está fazendo o que tem que ser feito.

O estoque de ferramentas de que o governo dispõe para limitar os juros não termina com a indução do ambiente de concorrência pelos bancos oficiais. A próxima etapa, já anunciada, é tratar das tarifas cobradas pelos serviços bancários. Mas há algo mais impactante que começa a ser cogitado. A discussão da proposta tem sido patrocinada pelo Professor Amir Khair, da FGV, com quem autoridades da área econômica costumam se aconselhar. Ele defende abertamente que talvez seja mais barato ao País emitir dinheiro do que emitir títulos públicos.

O risco de gerar inflação a partir da expansão da base monetária para financiar a dívida pública, segundo Khair, é inexistente na atual conjuntura. Isso faria com que os bancos, sem a alternativa de rentabilidade e segurança dos papéis do governo, fossem obrigados a oferecer crédito e a concorrer efetivamente pela clientela para remunerar seu capital.

Como se vê, o governo ainda tem muitos elementos para tentar convencer a banca a cumprir seu papel social. Mas aplacar a ganância do sistema financeiro não é tarefa simples para nenhum governante, mesmo em um País que vai galgando posições no cenário internacional pelo vigor de sua economia.

Nos Estados Unidos de 2008/2009, por exemplo, foi ela o principal elemento da guerra travada entre a Casa Branca e os escritório da Wall Street. “Greed Kills” se transformou em emblema dos manifestantes que acampavam em frente à sede da Bolsa de Nova Iorque. Na pátria-mãe do capitalismo, um discurso ainda mais agressivo do que o de Dilma foi sustentado por Obama, a quem ninguém acusa de ser socialista ou de agir motivado pelo populismo petista.

É isso o que Dilma está fazendo agora: dizer aos bancos que a ganância mata. Se não mata os bancos, que no Brasil são invulneráveis, pode matar a economia, se nada for feito para limitá-la.

PT pediu a araponga de Cachoeira varredura nos telefones na sede da sigla

Escutas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo indicam que o PT estava preocupado com grampos em sua sede nacional e solicitou uma varredura ao araponga Jairo Martins, ligado ao grupo de Carlinhos Cachoeira.

O pedido foi feito em agosto, já com o deputado estadual Rui Falcão (SP) na presidência da sigla. Os diálogos não deixam claro se a varredura foi feita.

O contato com Martins, que atua com o sargento reformado Idalberto Araújo, o Dadá, foi feito por um integrante da equipe de segurança do PT chamado Robson, que ainda trabalha para o partido.

Robson pede uma varredura na sede do PT e pergunta o preço. Jairo diz que daria uma resposta em alguns dias.

O PT, em nota, informou que “a segurança ambiental do PT é feita por empresas contratadas no mercado”. E que, “caso tenha ocorrido o que constaria nas escutas, fica claro que se trataria de ação defensiva, jamais de espionagem”.

via Folha de S.Paulo – Poder – Segurança do PT pediu varredura na sede da sigla, diz PF – 02/05/2012.

Carlinhos Cachoeira queria eleger Demóstenes Torres em Goiânia – O Globo

Gravações interceptadas pela Polícia Federal (PF) com autorização da Justiça mostram o bicheiro Carlinhos Cachoeira discutindo com o vereador de Goiânia Santana Gomes (PMDB) a candidatura do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) à prefeitura de Goiânia. Na conversa, eles dizem que precisam de alguém com “poder na mão”. Até o início deste ano, Demóstenes era um dos pré-candidatos mais cotados à prefeitura da capital goiana. Mas desistiu publicamente da disputa.

O estouro do escândalo envolvendo Cachoeira sepultou as esperanças de quem ainda via no parlamentar um potencial candidato. Demóstenes Torres é considerado a ponte de Cachoeira com o mundo político em Brasília.

— Deixa eu te contar uma coisa: o Demóstenes vai ser nosso prefeito, não vai? Nós temos que ter alguém com o poder na mão, chefe — disse Santana Gomes, em telefonema feito no dia 13 de março do ano passado.

— Exatamente, exatamente — responde Cachoeira.

Os dois conversaram pelo telefone inicialmente para falar de Jorcelino Braga, secretário estadual da Fazenda na gestão anterior, do ex-governador Alcides Rodrigues (PP), de 2006 a 2010.

Alcides, que era vice do atual governador tucano Marconi Perillo (GO), assumiu o governo quando o titular renunciou ao mandato para disputar o Senado, em 2006. Mas eles terminaram por se afastar e Braga se desentendeu com Marconi Perillo, que em 2011 voltou a ser governador de Goiás.

Planos para o governo em 2018

O bicheiro diz acreditar que Jorcelino Braga quer uma aproximação com o grupo. Santana Gomes — que inicialmente fica com medo de entrar em contato com o ex-secretário e “se queimar” com o atual governador — concorda em fazer a aproximação e sugere que isso vai ajudar a fazer Demóstenes Torres prefeito de Goiânia.

— Então tá bom. Vamos tomar um café amanhã pra gente bater umas ideias e montar uma estratégia beleza pra gente começar. Eu vou começar. Eu já sei que cê tá pensando. O Demóstenes vai ser prefeito. É isso que cê tá querendo dizer, né? — indaga Santana.

Pouco depois, Cachoeira diz:

— Traz ele (Braga) pro nosso lado. Tenta trazer.

Santana então rasga elogios ao chefe:

— Você é certo demais, você é forte demais. Não, você fez perfeito. Com esse trem na mão, nós estamos bem na foto, né, amigo. Nós vamos fazer nosso prefeito, né?

— Ele tá com o c… na mão, rapaz. Traz o Braga pro lado. Tá bom? Procura ele amanhã (sic). Não tem problema, não. Não queima, não. Tem nada que queimar com Marconi — responde Cachoeira.

As pretensões políticas iam além. A Juventude do DEM chegou a lançar Demóstenes candidato a presidente para 2014, na sucessão de Dilma Rousseff. Os mesmos jovens, após o surgimento das denúncias e o envolvimento com Cachoeira, defenderam a expulsão do senador do partido.

via Carlinhos Cachoeira queria eleger Demóstenes Torres em Goiânia – O Globo.

Cachoeira articulou compra de partido

Alana Rizzo e Fábio Fabrini

Definido pela mulher como “preso político”, o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preparava uma ofensiva política em Goiás. Conversas interceptadas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo mostram Cachoeira negociando a compra de um partido.

O presidente nacional do PRTB, Levy Fidelix, é citado em diversas conversas

Os áudios da PF indicam que seria a seção goiana do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), cujo presidente nacional Levy Fidelix é citado em diversas escutas.

As conversas sobre a compra do partido começam em maio de 2011, quando Cachoeira questiona um aliado sobre a direção da legenda em Goiás. A ideia era tirar do cargo Santana Pires, presidente regional da sigla. Dois dias depois, o contraventor pede a Wladimir Garcêz que envie uma mensagem para alguém, cujo codinome entre o grupo é “nosso maior”, questionando se valia a pena “pegar” o PRTB.

A PF identificou que o sargento aposentado da Aeronáutica, Idalberto Matias Araújo, o Dadá, também fazia parte da negociação. Em um grampo, Dadá diz a Cachoeira que falou com o advogado (possivelmente do partido) e que ele teria pedido R$ 300 mil. “Já aumentou aquele valor que falei para você. Falou que era R$ 200 mil, passou para R$ 300 mil”, diz Dadá. “Tá roubando. Que garantia que tem?”, pergunta Cachoeira. “Disse que faz na hora. O presidente vem e faz tudo e vai para o TRE. Resolve tudo”, explica o araponga.

Cachoeira então quer saber quanto custa a manutenção anual do partido e Dadá diz que ele não falou sobre o assunto. “Falou que fica com o Estado todo na mão e nomeia os municípios.” Cachoeira anima-se e diz que é para fechar o negócio por R$ 150 mil: “Até R$ 200 mil dá para fazer. Fecha logo, mas tem que ter garantia”.

Segundo a PF, em agosto o grupo continuava discutindo o assunto. No início do mês, Dadá liga para Cachoeira perguntando se ele ainda estava interessado “naquele negócio do partido?” Ele confirma e pergunta qual era a legenda. Dadá responde que é o mesmo partido do Levy, o PRTB.

No dia 11, Cachoeira liga para Dadá e questiona: “E o negócio do partido lá, o que deu?”. O araponga responde: “Uai, tá naquele lenga, lenga, o cara quer, tá lá em São Paulo, hoje mesmo ligou, querendo os nomes, mas eu sugeri aquilo que você me falou, ‘ó meu irmão, é, vamos visitar lá o 01 do Estado’, aí ele falou ‘não’, que ele ficou de ver com o cara o seguinte: se a gente mandasse um emissário nosso com os nome e se lá o cara quiser trazer a nominata, beleza, entendeu?. Agora entregar os nomes e pegar a nominata no outro dia, eu falei que não tava certo. Aí ele ficou de ver lá com o Levy Fidelix, pra ver se fazia assim, pra mim te falar e mandar mensageiro lá, mandar o negão lá com esses nomes”.

Cachoeira mostra-se satisfeito com a resposta e pede que Dadá verifique o andamento das negociações. Três dias depois, Dadá informa que levaria os nomes para o pessoal do partido. Cachoeira insiste para que o araponga marque uma conversa com Fidelix para “desenrolar” o assunto. As investigações não revelam se a negociação prosperou.

via Cachoeira articulou compra de partido – politica – politica – Estadão.

Gravação indica que construtora tentou blindar peemedebista

BRENO COSTA

Telefonemas interceptados pela Polícia Federal mostram que a cúpula da empreiteira Delta Construções atuou para proteger o vice-líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), em processo que o parlamentar movia contra uma jornalista.

É a primeira vez que Cunha, que é amigo do dono da empreiteira, Fernando Cavendish, é citado em grampos da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que originou a CPI do Cachoeira.

Em conversa gravada no dia 25 de março de 2011, o então diretor regional da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, conversa com o suspeito de contravenção Carlinhos Cachoeira a respeito de um depoimento que o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) daria quatro dias depois em um processo que Cunha move contra a jornalista Dora Kramer, de “O Estado de S. Paulo”.

A ação está trancada desde maio passado no Tribunal de Justiça de São Paulo. O processo questiona um artigo sobre a disputa pelo controle do fundo de pensão de Furnas, que citava Cunha.

Abreu relata a Cachoeira ter sido “incumbido” de convencer Demóstenes, arrolado como uma das três testemunhas de defesa da jornalista, a “não pegar pesado” com o vice-líder do PMDB.

Demóstenes e Cunha são adversários políticos. “Eu fui incumbido aqui para falar com você para falar lá com o Demóstenes, cara”, diz Abreu. “Ele vai depor a favor da Dora, só que estão pedindo para mim ir lá conversar com ele para não pegar pesado com o Eduardo.”

Cachoeira diz então que irá conversar sobre o pedido com o senador, e indica estar otimista com a receptividade do senador: “Vamos conversar. Pedido nosso é uma ordem”.

via Folha de S.Paulo – Poder – Gravação indica que construtora tentou blindar peemedebista – 02/05/2012.

Tucanos somem de palanque da Força em SP

Após o convite ao pedetista Brizola Neto para assumir o Ministério do Trabalho, os principais líderes do PSDB faltaram ontem à festa de Primeiro de Maio da Força Sindical, presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP).

Presentes no ano passado, o governador Geraldo Alckmin e o senador mineiro Aécio Neves não apareceram. O pré-candidato a prefeito José Serra se recupera de uma cirurgia dentária e já havia informado que não iria ao ato.

Na ausência dos tucanos, o palanque foi ocupado por petistas como o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e o pré-candidato do partido a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Os dois aproveitaram para cortejar Paulinho, que também é pré-candidato a prefeito e foi o principal padrinho da indicação de Brizola Neto, contra a vontade do ex-ministro Carlos Lupi.

Haddad usou o ato para tentar se aproximar dos pedetistas. Na saída, disse que suas conversas com Paulinho são “muito frequentes” e indicou que conta com seu apoio num eventual segundo turno contra Serra.

“O PDT está com estratégia de lançar candidato próprio, mas nossa interlocução é permanente”, afirmou. “O partido apoiou muito o Ministério da Educação na minha gestão. Provavelmente teremos uma eleição em dois turnos, e é bom manter os canais de comunicação desobstruídos.”

Mais tarde, na festa da CUT, Haddad também fez elogios a Brizola Neto. “É um querido amigo. Ele me ajudou muito quando eu era ministro”, disse.

Para dirigentes do PT, a escolha do novo ministro facilita uma aliança com o PDT no segundo turno. O presidente da Força Sindical é desafeto de Serra, o que também contribuiria para o apoio de seu partido a Haddad.

via Folha de S.Paulo – Poder – Tucanos somem de palanque da Força em SP – 02/05/2012.

Com mais um governador na mira, CPI terá nesta quarta primeiro embate político

João Domingos

Governistas e oposição vão travar nesta quarta-feira, 2, sua primeira grande batalha na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira com um novo personagem no epicentro da luta política, até a semana passada restrita a petistas e tucanos, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Ele é mais um chefe de Executivo estadual a ter o nome envolvido no esquema de contravenção e o terceiro a entrar na mira da comissão parlamentar.

Na sessão marcada para às 10h30 os integrantes da comissão irão receber os 40 volumes do inquérito que investigou o esquema do contraventor e suas ligações com agentes públicos e privados. PMDB e PT pretendem fazer de tudo para blindar Cabral e Agnelo Queiroz (Distrito Federal) e evitar que sejam convocados a depor na CPI a respeito de supostas ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira e o empresário Fernando Cavendish, que se afastou na semana passada da direção da Delta Construções S.A.

Ao mesmo tempo, o PT defende a convocação do governador de Goiás, o tucano Marconi Perilo, sob o argumento de que os grampos feitos pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo escancararam as ligações dele com Carlinhos Cachoeira. “Não quero fazer prejulgamentos, mas todas as conversas gravadas pela PF e que envolvem o governador Marconi Perillo apontam para uma séria relação dele com o bando do Cachoeira”, disse ao Estado o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). “É muito diferente do que ocorreu com o governador Agnelo, que é vítima da organização criminosa.”

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), rebateu Tatto. “Nós, do PSDB, já pedimos a convocação do governador Marconi, que concorda em comparecer à CPI para dar explicações. Agora, se o PT e o PMDB querem usar de dois pesos e duas medidas para proteger os seus governadores, nós não vamos aceitar”, afirmou. “Se tem três governadores que são suspeitos de ligação com o Cachoeira e com a Delta, que esclareçam tudo à CPI. É isso que defendemos. Não tem de proteger ninguém”, disse ainda o senador.

A convocação de Sérgio Cabral será proposta por requerimento do deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que é delegado da Polícia Federal. A sugestão para que ele apresentasse o requerimento de convocação é do deputado tucano Otávio Leite (RJ), que antes pediu a intermediação do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Francischini acusa o governador Agnelo Queiroz de ter montado uma rede de grampos ilegais. Por isso, requereu ao Ministério Público a prisão de Agnelo.

Ao defenderem Cabral dos ataques da oposição, os dirigentes do PMDB afirmam que o governador está sendo vítima de uma briga particular com o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ). Na semana passada, Garotinho postou em seu blogfotos de Cabral, Cavendish e secretários na Avenida Champs-Elysées, em Paris, durante viagem oficial, e no Restaurante Luis XV, no Hotel de France, em Mônaco, em 2009. O deputado também veiculou um vídeo de um jantar – ocorrido em Paris ou em Mônaco – com Cabral, o secretário de Saúde Sérgio Côrtes, Cavendish e suas respectivas mulheres.

Reação. Aliado do PMDB, com o qual não quer nenhuma confusão, o líder Jilmar Tatto discorda da convocação. “É preciso examinar todos os elementos. Acho que é precipitado convocar o Sérgio Cabral agora”, disse Tatto.

O Palácio do Planalto quer manter a CPI sob controle, fazendo com que investigue somente o esquema de Cachoeira e as ligações dele com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), além da construtora Delta.

O líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse que o governo não quer ter nada sob controle: “Existe uma dinâmica no noticiário. É o chamado comportamento de manada. Atribui-se (isso) ao Planalto e ninguém diz com quem falou. Lamentavelmente, são análises em vez da informação”, afirmou.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), voltou a prever que a CPI do Cachoeira será “muito complexa, explosiva, e que vai exigir muita atenção das pessoas ligadas ao mundo da política”.

Segundo ele, sua expectativa é de que haja uma “bela investigação”, capaz de esclarecer as relações de Carlinhos Cachoeira com o mundo político, com o mundo privado e o setor público. Maia previu ainda que a CPI não vai atrapalhar a pauta da Câmara. Para ele, trata-se de algo independente do trabalho da CPI. / COLABORARAM BEATRIZ BULLA E ISADORA PERON

via Com mais um governador na mira, CPI terá nesta quarta primeiro embate político – politica – politica – Estadão.

Cabral quis ser chique, foi brega

-Elio Gaspari

VERGONHA, ESSA é a sensação que resulta dos vídeos das villegiaturas parisienses do governador Sérgio Cabral em 2009, acompanhado por alguns secretários e pelo empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta.

Uma cena pode ser vista com o olhar do casal que está numa mesa ao fundo do salão do restaurante Louis 15, no Hotel de France, em Mônaco. (“Este é o melhor Alain Ducasse do mundo”, diz Cabral, referindo-se ao chef.)

Ela é uma senhora loura e veste um pretinho básico. A certa altura, ouve uma cantoria na mesa redonda onde há oito pessoas. Admita-se que ela entende português.

O grupo comemora o aniversário de Adriana Ancelmo, a mulher de Cabral, e festeja o próximo casamento de Fernando Cavendish.

Até aí, tudo bem, é vulgar puxar celulares no Louis 15 e chega a ser brega filmar a cena, mas, afinal, é noite de festa. A certa altura, marcado o dia do casamento, Cabral decide dirigir a cena: “Então, dá um beijo na boca, vocês dois.”

Cavendish vai para seu momento Clark Gable, e o governador diz à mulher do empreiteiro: “Abre essa boca aí”. As cenas foram filmadas por dois celulares. Um deles era o do dono da Delta.

Na mesma viagem, Cavendish, o empresário George Sadala, seu vizinho de avenida Vieira Souto e concessionário do Poupatempo no Rio e em Minas, mais os secretários de Saúde e de Governo do Rio, (Sérgio Côrtes e Wilson Carlos), estão no restaurante do Hotel Ritz de Paris.

Até aí, tudo bem, pois o empreiteiro tinha bala para segurar a conta. Pelas expressões, estão embriagados. Fora do expediente, nada demais. Inexplicáveis, nessa cena, são os guardanapos que todos amarraram na cabeça. Ganha uma viagem a Dubai quem tiver uma explicação para o adereço.

O álbum fecha com a fotografia de quatro senhoras gargalhantes, no meio da rua, mostrando as solas de seus stilettos (duas vermelhas). Exibem como troféus os calçados de Christian Louboutin. Nos pés de Victoria Beckham (38 anos) ou de Lady Gaga (26 anos), eles têm a sua graça, mas tornaram-se adereços que, por manjados, tangenciam a vulgaridade.

Não é a toa que Louboutin desenhou os modelos das dançarinas (topless) do cabaret Crazy Horse.

As cenas constrangem quem as vê pela breguice. Até hoje, o ex-presidente José Sarney é obrigado a explicar a limusine branca de noiva tailandesa com que se locomoveu numa de suas viagens a Nova York. (Não foi ele quem mandou alugar o modelo.)

via Folha de S.Paulo – Poder – Cabral quis ser chique, foi brega – 02/05/2012.

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