Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “maio 5, 2012”

Collor reencarna como defensor da moral

O senador Fernando Collor de Mello perdeu o mandato de presidente da República e os direitos políticos em 1992, depois de uma ampla investigação do Congresso. Investido agora na CPI do Cachoeira do papel de tarefeiro dos interesses subalternos dos integrantes do petismo radical, seus antigos algozes, Collor reencarnou-se como autoridade e como defensor da moral e dos bons costumes. Estranho papel. O ex-presidente faria um personagem mais crível se continuasse em sua última linha de defesa, a de raro político que realmente pagou pelos erros que lhe foram imputados. Pagou com a perda da faixa presidencial. A respeito dos crimes de que foi acusado, Collor obteve na Justiça o que mais lhe interessava. Nenhum dos processos criminais contra ele prosperou. Ele poderia passar à história, então, usufruindo esse empate técnico entre transgressão e punição.

No entanto, ao colocar a carranca de investigador, Collor reavivou a memória dos brasileiros sobre seu desastrado fim como presidente. Co­mo pode investigar as pessoas um ex-presidente que levou para dentro do governo federal o esquema de arrecadação de propinas comandado por Paulo César Farias, seu ex-tesoureiro de campanha? PC, como era conhecido, criou uma rede de contas-fantasma que era abastecida com dinheiro extorquido de empresas e usado, entre outras coisas, até para o pagamento de despesas da família do agora senador alagoano. Na Esplanada, Fernando Collor se cercou de um ministro que admitiu ter sido subornado e de outro que recebeu um jet ski de uma empreiteira. À frente do Banco do Brasil, alojou um aliado que se destacou por ameaçar adversários, inclusive fisicamente, e abusar da instituição bancária para espioná-los.

O estilo collorido lançou tentáculos sobre o Congresso. Deputados que se orgulhavam de pertencer à “República das Alagoas” marchavam armados (de revólveres!) pelos corredores da Casa e ainda se gabavam dessa truculenta estratégia de intimidação. Naquele período trevoso compartilhava da intimidade do presidente da República uma figura então corpulenta, que se apresentava como um dos expoentes da “tropa de choque collorida”. Seu nome? Roberto Jefferson. Ele mesmo, o atual presidente do PTB, que, uma década mais tarde, ajudaria a trazer à luz o escândalo do mensalão, o maior caso de corrupção da história. Fernando Collor estava bem no seu limbo, mas saiu dele para entrar na CPI e piorar ainda mais sua história.

via Collor reencarna como defensor da moral – Brasil – Notícia – VEJA.com.

Veja: Uma CPI para investigar a farra entre o público e o privado

Daniel Pereira, Otávio Cabral e Rodrigo Rangel

A CPI para investigar as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira, com políticos e empresas que têm contratos com a administração pública saiu do papel em alta velocidade. A gravidade dos fatos levantados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público — o pagamento de propina a autoridades, a troca de favores entre a máfia do jogo e parlamentares e a assinatura de contratos públicos azeitados à base de tráfico de influência — produziu um fato raríssimo: a instalação da CPI contou com o apoio de governistas e oposicionistas. O Congresso deu mostras de disposição para fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, uma de suas mais nobres missões. Se nasceu sem dores, a CPI começou a caminhar com dificuldades. Aprovado na quarta-feira passada, o plano de trabalho da comissão apenas tangencia o epicentro das irregularidades apontadas pelos policiais federais e pelos procuradores. A CPI decidiu ouvir os coadjuvantes das malfeitorias, mas, por enquanto, vacila em chamar para depor deputados e governadores suspeitos de manter relações promíscuas com Cachoeira e a empreiteira Delta, um colosso da construção civil com obras contratadas por governos do PT, do PSDB e do PMDB.

A desenvoltura multipartidária da Delta explica o começo claudicante da CPI que nasceu com o potencial de fazer uma faxina pública como não se via desde que o escândalo do mensalão foi destrinchado, em 2005, com o indiciamento de cerca de uma centena de pessoas. O deputado petista Odair Cunha, relator da CPI, tentou limitar geograficamente as investigações sobre a Delta e suas obras no Centro-Oeste. O ex-diretor da empreiteira para aquela região, Cláudio Abreu, está preso. O plenário da comissão, no entanto, arrancou do relator a promessa de investigar a atuação da Delta em todo o território nacional. Está pronto para votação o requerimento de convocação do dono da Delta, Fernando Cavendish, e de diretores regionais da empresa.

“A base governista foi derrotada. Vamos investigar os aditivos nos contratos da Delta com o Dnit, principalmente aqueles assinados em períodos eleitorais”, avisa o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Quando isso será feito — e se realmente será feito, devido às ligações também multipartidárias de Cavendish — ainda não está definido. A comissão ouvirá neste mês os depoimentos de delegados e procuradores envolvidos na investigação, seguidos de Cachoeira e seus comparsas presos. O único político com depoimento marcado é o senador goiano Demóstenes Torres, o, por enquanto, mais notório membro do esquema de Cachoeira. O Senado abriu um processo por quebra de decoro contra ele, que pode comparecer à comissão já na condição de parlamentar cassado (leia a reportagem aqui). Ou seja: tem-se definida apenas a primeira fase da investigação, que tratará de temas e personagens cujos feitos e malfeitos são de conhecimento público. Nada além disso. Segundo o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a segunda fase aumentará a temperatura dos trabalhos. Nela, será travada a “grande batalha” pela convocação das autoridades de maior calibre. “O vazamento das informações impede a costura de acordões para abafar a investigação ou poupar autoridades”, diz Vital.

Além de Fernando Cavendish, os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF) e pelo menos cinco deputados federais ainda não foram convocados para prestar esclarecimentos. Sobre muitos deles há uma fartura de indícios de envolvimento com o esquema. Por enquanto, a CPI vai se concentrar no que já foi revelado. Mas não há garantia de que o universo da apuração fique restrito. O plano de trabalho de Odair Cunha deixa brechas para investir sobre qualquer tema: políticos, procuradores, empreiteiras e até a imprensa. Não está fechada, portanto, a porta aberta pelo PT para desqualificar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, defensor da condenação dos mensaleiros no Supremo Tribunal Federal, e a parte da imprensa que, segundo o ex-presidente Lula, ajudou a montar a “farsa do mensalão”. “Todas as pessoas que foram corrompidas ou cooptadas pela organização criminosa têm de ser investigadas. Não haverá blindagem nem proteção a quem quer que seja”, disse Odair.

Hoje, há pelo menos duas ofensivas em marcha para pôr cabresto na CPI. A presidente Dilma Rousseff não quer que a comissão seja usada com os fins estritamente políticos planejados pela falconaria petista. Ela tem dito que teme que a comissão domine a agenda política, paralise o Congresso e prejudique ações do governo. Além disso, afirma não ter receio de que as investigações atinjam seu governo e lembra que, se atingirem, não se furtará a demitir os envolvidos com culpa provada — aliás, como vem agindo desde o início do mandato, o que é um dos motivos de sua expressiva aprovação popular.

A Delta tem contratos com governos de todas as cores. Algumas dessas relações já foram reveladas, o que deixou na berlinda políticos de primeira grandeza do PT, PMDB, PSDB e DEM. O campo já era fértil para um acordo velado, que vinha sendo costurado às sombras. Mas a entrada de Sérgio Cabral no palco das investigações tornou as negociações para abafar o escândalo político mais explícitas. Há dez dias, o blog do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), adversário político de Cabral, publica fotos e vídeos de viagens do governador, sua mulher e seus secretários mais próximos com Fernando Cavendish a Paris e Mônaco. Em hotéis e restaurantes de luxo, o grupo comemora aniversários, noivados, casamentos e conquistas políticas e comerciais. Cabral, considerado um estranho no ninho do PMDB, teve de procurar a cúpula do partido na semana passada para pedir socorro. Em conversas com o presidente do Senado, José Sarney, e com os líderes Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, ele disse não estar preocupado com uma investigação policial, pois os vídeos não comprovam irregularidades. Mas deixou claro que teme o estrago político que uma exibição desse material, seguida de um depoimento à CPI, possa provocar. “Preciso da ajuda do partido. Se eu tiver de depor na CPI, não será bom para ninguém”, ponderou Cabral. A cúpula do PMDB aproveitou o pedido do governador para tentar negociar um armistício com o PT e o PSDB.

Nas conversas, já surgiu até uma manobra jurídica para empastelar as investigações. A tese que será levantada é a de que uma CPI do Congresso não tem poder legal para investigar governadores. Os foros para esse tipo de apuração seriam as assembleias legislativas, não por acaso controladas pelos governadores. É pouco provável que uma argumentação tão frágil prospere se a CPI tiver mesmo disposição de elucidar os fatos denunciados. Muito provavelmente, o fator de diminuição do escopo da CPI virá não da Justiça, mas da política. O senador José Sarney já recomendou ao PT que “controle os radicais”, argumentando que “ninguém tem a ganhar se essa CPI começar a sair do controle”. O recado tem endereço certo: a turma que vê na CPI uma chance única de desmoralizar o julgamento do mensalão. A primeira ofensiva desse grupo foi dada na sessão da semana passada, com a tentativa de convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para depor na CPI. Sob o argumento de que ele deve explicar por que retardou a abertura de uma investigação contra Demóstenes Torres, os petistas querem colocá-lo no banco dos réus da CPI para tentar desmoralizá-lo. A imprensa é outro alvo que, na estratégia dos radicais, precisa sair chamuscada da CPI. O presidente do PT, Rui Falcão, deixou mais uma vez clara essa convicção na sexta-feira quando, em discurso feito em São Paulo, voltou a defender o projeto de regulamentação dos meios de comunicação, um eufemismo para a tentativa de controlar a imprensa idealizado pelo ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins. Para Falcão, “a mídia é um poder que está conjugado ao sistema bancário e financeiro” e “produz matérias e comentários não para polarizar o país, mas para atacar o PT e nossas lideranças”.

O cenário inicial da CPI do Cachoeira é muito semelhante ao da CPI dos Correios, instalada em 2005 a partir da gravação na qual Maurício Marinho, diretor da estatal, cobrava 3 000 reais de propina, o que deu origem à descoberta de novos fatos envolvendo dinheiro público e compra de apoios pelo governo. Aquela CPI nasceu com o intuito de blindar os aliados do governo e era controlada por parlamentares fiéis ao Palácio do Planalto. Exatamente como agora. Também tinha o mesmo prazo de atuação: 180 dias. Mas, logo no início dos trabalhos, depoimentos bombásticos, como o do deputado Roberto Jefferson e o do marqueteiro Duda Mendonça, incendiaram a comissão e provocaram uma indignação popular que impediu qualquer tipo de acordo. A atual comissão também tem fios desencapados e personagens que podem contar muita coisa. Cachoeira e Cavendish, por exemplo. Com uma matéria-prima mais modesta do que a produzida pelas operações da PF, a CPI dos Correios produziu a denúncia do mensalão, a cassação de José Dirceu e Roberto Jefferson e a renúncia de meia dúzia de políticos, além de tisnar a imagem imaculada de virgem ética do PT. A CPI do Cachoeira, com seu farto material, tem potencial ainda maior. Basta que não se torne refém de arranjos políticos.

Leia a íntegra no site de Veja

Isto É: MP investiga negócios da Delta nos governo Kassab e Serra

Os desdobramentos da Operação Monte Carlo, que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com governos estaduais e municipais, chegaram ao principal bunker da oposição: o Estado de São Paulo. Em Brasília, parlamentares que compõem a “CPI do Cachoeira” já tiveram acesso a conversas telefônicas gravadas com autorização judicial entre junho do ano passado e janeiro deste ano. Elas apontam que a construtora Delta, braço operacional e financeiro do grupo do contraventor, foi favorecida nas gestões de José Serra (PSDB) e de seu afilhado político Gilberto Kassab (PSD) na prefeitura e também quando o tucano ocupou o governo do Estado. Em 31 de janeiro deste ano, por exemplo, Carlinhos Cachoeira telefona para Cláudio Abreu, o representante da empreiteira na região Centro-Oeste, atualmente preso sob a acusação de fraudar licitações e superfaturar obras. Na ligação (leia quadro na pág. 43), o bicheiro pergunta se Abreu teria conversado com Fernando Cavendish, oficialmente o dono da construtora, sobre “o negócio do Kassab”. Em seguida, diz a Abreu que o prefeito de São Paulo “triplicou o contrato”. Essa conversa, segundo membros da CPI e do Ministério Público de São Paulo, é um dos indícios de que a organização de Cachoeira também teria atuado com os tucanos e seus aliados em São Paulo. “Os depoimentos de Cachoeira e Abreu serão fundamentais para que se descubra o alcance das relações entre a empreiteira e políticos”, diz o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG).

A Delta começou a prestar serviços à capital paulista em 2005, quando Serra assumiu o comando do município. Inicialmente, os contratos somavam R$ 11 milhões. A partir de 2006, quando Serra deixou a prefeitura e venceu as eleições para governador, os negócios da empreiteira com o município se multiplicaram, em muitos casos sem licitação. Em 2010, ano em que o tucano disputou a Presidência, os repasses chegaram a R$ 36,4 milhões. Entre 2008 e 2011, os pagamentos da prefeitura para a Delta ultrapassaram R$ 167 milhões. O que chama mais a atenção da CPI e do Ministério Público de São Paulo, porém, é o fato de a Delta ter vencido em outubro do ano passado uma concorrência para limpeza urbana no valor de R$ 1,1 bilhão. O MP abriu um inquérito para apurar se houve fraude na licitação. Há suspeitas de uso de documentos falsos e de edital dirigido. “Se a Delta cometeu essas irregularidades em outros Estados e municípios, precisamos apurar se isso ocorreu também em São Paulo”, diz o promotor Silvio Marques, do Patrimônio Público. Na quarta-feira 2, ele encaminhou ofício à PF, solicitando acesso às investigações da Operação Monte Carlo.

Entre a papelada, o promotor receberá a transcrição de uma conversa gravada com autorização judicial ocorrida em 4 de agosto do ano passado. No diálogo, a que ISTOÉ teve acesso, um homem identificado como Jorge pergunta para Gleyb Ferreira, segundo a PF uma espécie de “faz-tudo” de Cachoeira, sobre o edital de uma licitação. “E aí, evoluiu aquele negócio?”, pergunta Jorge. “Aguardamos estar com o edital hoje à tarde. O Carlinhos (Cachoeira) quer que a gente converse com o Heraldo (Puccini Neto, representante da Delta na região Sudeste). Já estamos conseguindo uma prorrogação com o secretário para o dia 31 ao invés do dia 15”, responde Gleyb. Para a PF, o diálogo se refere à concorrência de R$ 1,1 bilhão vencida pela empresa ligada ao bicheiro. O Ministério Público já apurou que foram necessários dois editais para a concorrência. No primeiro, a Delta foi desclassificada.

Se a Delta multiplicou seus contratos com a prefeitura entre 2005 e 2011, um movimento semelhante ocorreu com o governo de São Paulo, quando Serra chegou ao Palácio dos Bandeirantes em janeiro de 2007. Durante o mandato do tucano, a construtora recebeu R$ 664 milhões do governo paulista. O valor corresponde a 83% de todos os 27 convênios firmados pela Delta com o Estado de São Paulo na última década. A obra mais polêmica é a ampliação da Marginal Tietê, um dos cartões de visita da campanha presidencial de Serra em 2010. Além de inúmeros problemas, como atrasos e falta de compensação ambiental, o valor pago ao consórcio Nova Tietê, liderado pela Delta, sofreu um reajuste de 75%. Na quarta-feira 2, o Ministério Público de São Paulo instaurou Inquérito Civil para apurar a existência de irregularidades na licitação, superfaturamento e conluio entre agentes públicos.

Segundo documentos obtidos por ISTOÉ, a obra da Marginal era acompanhada dentro do governo de São Paulo por Delson José Amador e Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que no PSDB é identificado como um dos arrecadadores das campanhas eleitorais de Serra. Tanto Paulo Preto como Amador são citados na Operação Castelo da Areia, da Polícia Federal, por suposto envolvimento com empreiteiras. Pelo lado da Delta, o responsável pelo gerenciamento da obra era o diretor da empreiteira para a região Sudeste, Heraldo Puccini Neto. Ele está foragido, após ter a prisão preventiva decretada por envolvimento em suposto esquema de fraude em licitações na área de transporte público do Distrito Federal. “A apuração sobre os contratos da Delta com o governo paulista pode levar ao caixa 2 dos tucanos em São Paulo”, afirma o deputado estadual João Paulo Rillo (PT). “Não podemos nos limitar a fazer uma análise política”, diz o líder tucano Álvaro Dias (PR). “Devemos checar todos os contratos da Delta para saber de que forma foram celebrados e se os preços praticados foram justos. Afinal, a empresa foi a principal patrocinadora da relação do bicheiro Cachoeira com os recursos públicos.”

MP investiga pagamento milionário a juízes de SP

FLÁVIO FERREIRA

O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar os pagamentos feitos a magistrados e servidores do Judiciário paulista que supostamente “furaram a fila” de quitações de passivos trabalhistas do Tribunal de Justiça estadual.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, chefe do Ministério Público estadual, afirmou que as situações sob apuração são “graves” e podem levar à abertura de ações de improbidade administrativa contra os envolvidos.

Como revelado pela Folha em dezembro, o primeiro órgão a investigar os supostos pagamentos privilegiados do Tribunal de Justiça foi a Corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A corregedoria realizou uma inspeção nas dependências do tribunal entre 5 e 14 de dezembro e agora analisa a documentação e os dados obtidos à época na corte.

No início de janeiro, logo após assumir a presidência do TJ, o desembargador Ivan Sartori determinou a abertura de investigações sobre os pagamentos suspeitos.

O procedimento do tribunal levou à identificação de cinco casos considerados mais graves pela direção da corte, nos quais cinco desembargadores receberam entre R$ 400 mil e R$ 1,5 milhão no período de 2006 a 2010.

A investigação apontou também que magistrados beneficiaram assessores e funcionários ligados a eles com pagamentos “fora da fila” entre R$ 100 mil e R$ 250 mil.

Outros 211 casos de pagamentos de passivos fora da ordem padrão do TJ passaram a ser objeto de apuração.

Nos cinco casos considerados mais graves, o Órgão Especial do TJ decidiu abrir sindicâncias e suspendeu os pagamentos de verbas atrasadas aos magistrados.

via Folha de S.Paulo – Poder – Pagamento milionário a juízes é alvo de investigação – 05/05/2012.

Bebê declarada morta na Argentina completa 1 mês de vida

Uma bebê argentina que foi erroneamente declarada morta e cujos pais descobriram, 12 horas depois, que ela respirava depois de ter sido enviada para o necrotério sobreviveu a seu primeiro mês de vida, pesando quase 1 kg.

Luz Milagros ainda está internada e sua condição é grave, porém estável. Ela recebe leite materno e está ficando mais forte lentamente, disseram autoridades hospitalares na província de Chaco, no norte do país.

— Estou grata que ainda estamos aqui, dia a dia, e tem sido um mês — disse a mãe da bebê, Analia Bouter, na quinta-feira. — Converso com ela e então ela começa a se mover. Ela escuta bem e sabe quem eu sou. Tenho um modo particular de a tocar, então ela sabe quem sou eu.

A criança nasceu prematuramente e foi declarada morta pela equipe médica. Ela havia deixado de respirar com duas semanas de vida e teve de ser reanimada. Mas foi declarada morta e colocada em um refrigerador no necrotério do hospital central da cidade de Resistencia, onde havia nascido.

A bebê passou 12 horas no local até que a mãe foi se despedir do que pensava ser o corpo da filha. Quando Analia tocou a mão da filha sentiu um leve movimento e ouviu o que definiu como um suspiro.

O diretor do hospital disse que o bebê nasceu “sem sinais de vida aparentes”. Cinco médicos foram afastados em razão da falha.

Depois de hospitalizada novamente, Luz teve hemorragia no pulmão e teve de passar por ressuscitação cardiopulmonar avançada.

via Bebê declarada morta na Argentina completa 1 mês de vida – O Globo.

Lula elogia governador farrista

DENISE LUNA E ITALO NOGUEIRA

Em discurso ontem ao receber o título de doutor honoris causa de cinco universidades do Rio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez elogios ao governador Sérgio Cabral, alvo de suspeitas por conta da sua relação com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta.

O ex-presidente citou o “grande momento” que o Estado vive em áreas como segurança e inclusão social.

Na véspera, Lula já havia elogiado Cabral, afirmando que o governador está reconstruindo o Rio, destruído por governantes anteriores, numa referência ao ex-governador Anthony Garotinho.

Adversário político de Cabral, Garotinho vem divulgando fotos de Cabral com o dono da construtora, envolvida em suspeitas no escândalo de corrupção do empresário Carlinhos Cachoeira.

via Folha de S.Paulo – Poder – Cabral recebe elogio do ex-presidente Lula no Rio – 05/05/2012.

Rui Falcão: mídia tem que ser regulada porque “contrasta com o nosso governo desde a subida de Lula”

Guilherme Waltenberg e Daiene Cardoso, da Agência Estado

SÃO PAULO – Depois de deflagrar a cruzada contra o sistema financeiro privado e a cobrança de juros elevados no País, o governo da presidente Dilma Rousseff poderá colocar em discussão o polêmico tema do marco regulatório da comunicação. A informação foi dada nesta sexta-feira, 4, pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, durante discurso em evento sobre estratégia eleitoral do PT nesta campanha municipal, em Embu das Artes, São Paulo.

“Este é um governo que tem compromisso com o povo e que tem coragem para peitar um dos maiores conglomerados, dos mais poderosos do País, que é o sistema financeiro e bancário. E se prepara agora para um segundo grande desafio, que iremos nos deparar na campanha eleitoral, que é a apresentação para consulta pública do marco regulatório da comunicação”, disse o dirigente petista em seu pronunciamento.

Segundo Falcão, “a mídia é um poder que está conjugado ao sistema bancário e financeiro”. No discurso, ele frisou: “(A mídia) É um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010) que saiu dos temas que interessavam ao país para recuar no obscurantismo, na campanha de reforço da direita que hoje está sendo exposta aí, inclusive agora, provavelmente nas próximas duas semanas com a nomeação dos sete nomes da Comissão da Verdade que vai passar a limpo essa chaga histórica que nós vivemos.” E continuou: “(A mídia) produz matérias e comentários não para polarizar o País, mas para atacar o PT e nossas lideranças.” “O poder da mídia, esse poder nós temos de enfrentar.”

A presidente Dilma Rousseff herdou do governo Lula o anteprojeto de criação do marco regulatório das comunicações, elaborado pelo então ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins, e apresentado durante a Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), em 2010, determinando “criação de instrumentos de controle público e social” da mídia. Em razão da polêmica que o tema gerou, Dilma determinou que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, fizesse um pente-fino no texto para evitar tópicos que possam indicar censura ou controle de conteúdo.

Cachoeira. O dirigente petista afirmou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira deverá ter também como alvo paralelo (de investigação) o trabalho da imprensa. “Essa CPI vai desvendar também quais são os caminhos de ligação com esses contraventores nos setores da mídia brasileira”, disse. Ao falar das relações entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), apontadas no vazamento da investigação da Operação Monte Carlo, Falcão criticou: “Esse fariseu, que é o senador Demóstenes Torres, é apresentado pela imprensa como sem partido, mas vamos nos lembrar sempre que até um mês atrás ele era senador do DEM.”

Segundo Falcão, a redução no rendimento da poupança, anunciado na quinta-feira, 3, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a declaração da presidente Dilma em rede nacional no feriado do Dia do Trabalho, na última terça-feira, afirmando ser “inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo”, mostram o estilo do governo. “É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros

mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo”, disse o presidente nacional do PT.

via Marco regulatório da comunicação deve entrar em pauta, diz Rui Falcão – politica – politica – Estadão.

Presidente do STF defende plenitude da liberdade de imprensa

Lucas de Abreu Maia

Em uma tentativa de reduzir o número de decisões judiciais que resultam em censura ou punição a jornalistas, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, pretende usar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – que também preside – para informar o resto do Judiciário sobre a posição do STF acerca da liberdade de expressão.

“Eu pretendo, junto com os conselheiros do CNJ, desenvolver programas, quem sabe até campanhas, esclarecendo o conteúdo da decisão do Supremo (que derrubou a Lei de Imprensa, em 2009), que foi pela plenitude da liberdade de imprensa”, disse, depois de fazer a palestra de encerramento do Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, nesta sexta-feira, 4, em São Paulo. “Quem sabe o nível de intolerância social diminua.”

Nos dois dias do seminário, promovido pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), especialistas avaliaram que, embora o Supremo venha decidindo em favor do livre exercício do jornalismo, juízes de primeiro e segundo graus por vezes ainda restringem a liberdade de expressão.

“Onde for possível a censura prévia se esgueirar, se manifestar, mesmo que procedente do Poder Judiciário, não há plenitude de liberdade de imprensa”, afirmou Ayres Britto. Para o presidente do Judiciário, o confronto de interesses entre o livre exercício do jornalismo e o direito à privacidade “inevitavelmente” se confrontarão. Ele garante, porém, que a Constituição prioriza a livre expressão ao direito à privacidade. “A liberdade de imprensa ocupa, na Constituição, este pedestal de irmã siamesa da democracia.”

Ayres Britto defendeu, contudo, uma autorregulamentação dos veículos jornalísticos. Segundo ele, “a imprensa é o poder social por excelência”. “E é por natureza das coisas que quem detenha o poder tenda a abusar dele”, disse. “O poder social da imprensa também deve ser controlado, mas não pelo Estado. Isso é um desafio da imprensa brasileira”, defendeu o ministro.

Para o presidente do STF, o amadurecimento da democracia levará a um autocontrole dos veículos de comunicação e a uma maior exigência dos leitores, pelo “evolver dos padrões de seletividade da nossa cultura”.

Liberdade na internet. No segundo e último dia do seminário, juristas discutiram ainda as dificuldades de regulamentar a liberdade de expressão na internet. No último dos cinco painéis que constituíram os dois dias de evento, foram expostas opiniões contrárias e favoráveis ao marco regulatório da internet, uma iniciativa do Ministério da Justiça que hoje tramita no Congresso.

O texto regulatório pretende definir critérios para punir violações de direitos autorais e identificar quem promover calúnia e difamação na rede de computadores. A polêmica gira em torno do papel dos servidores de internet – que apenas hospedam, mas não produzem os conteúdos que podem violar a legislação.

O advogado Manoel Pereira dos Santos usou o exemplo europeu para defender que o Brasil adote o sistema em que, quando for informado, cabe ao servidor notificar o autor da violação legal para que esse se responsabilize por removê-la. De acordo com este sistema, o servidor só é responsabilizado se não notificar o autor.

Por sua vez, o advogado do Google, Marcel Leonardi, defendeu o texto atual, que prevê a responsabilização dos servidores apenas se eles descumprirem uma ordem judicial que determine a remoção do conteúdo ilícito. “O marco civil (da internet) é um exemplo a ser seguido”, opinou Leonardi.

via Presidente do STF defende plenitude da liberdade de imprensa – politica – politica – Estadão.

Quanto custa uma eleição ?

Francisco Câmpera, especial para o Blog do Pannunzio

 

Você sabe quanto custa uma campanha eleitoral para Presidente da República? E governador de um Estado como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro? E deputado federal?

Difícil responder, mas vamos tentar. Nos bastidores alguns barões do PT confessam que a campanha de Lula em 2002 bateu os R$ 500 milhões. Da presidente Dilma em 2010 passou fácil de R$ 1 bilhão. O privilégio dessa fortuna não é do PT, o PSDB não ficou para trás, afinal, os custos são quase os mesmos, inclusive para “cooptar” aliados. Para se uma campanha se tornar vitoriosa é preciso ter candidatos fortes em todos os Estados.

Uma campanha competitiva para governador em São Paulo não sai por menos de R$ 150 mihões, podendo dobrar esse montante dependendo da concorrência. Deputado federal chega-se a 15 milhões ou mais, embora o nobre parlamentar não ganhe nem metade disso em quatro anos de mandato.

Obviamente os valores declarados são inúmeras, dezenas vezes menores. A lei eleitoral brasileira vem se tornando rígida nos últimos anos, e mais o “caixa não contabilizado” vai se sofisticando na mesma medida. Quando o esconderijo do rato é descoberto, ele procura outro.

A conta feita pelos probos líderes é simples. Se o PIB do Brasil chegou a R$ 3,6 Trilhões, portanto é fácil “levantar” um, dois ou três bilhões para pagar as contas. Como o PT não estava acostumado a lidar com tanto dinheiro, como os tucanos e demos já tinham intimidade com os bilhões, logo nos primeiros anos do mandato de Lula os escândalos proliferaram, chegando ao auge com o chamado Mensalão. Engraçado que ao se defender, muitos petistas afirmam que não houve mensalão; um conhecido operador do partido nos bastidores disse que existiu foi um Pingadão, um acerto de contas eleitorais, o chamado “caixa não contabilizado” na versão deles.

O PSDB não fica atrás nos escândalos, começando pelas privatizações, que foram necessárias, mas foram vendidas a preços camaradas a amigos da corte. O caso mais famoso é o setor de telecomunicações que, aliás, continua até hoje deitando e rolando na benevolência das regulamentação estatal. Na campanha nacional os tucanos ainda contam com a “força” do Estado mais rico da nação, São Paulo. Se o candidato fosse Aécio Neves, Minas Gerais também seria capaz que confrontar “democraticamente” com o PT na disputa dos Reais para se eleger.

Licitações

Tudo, como sempre aconteceu na história da humanidade, se resume em dinheiro e poder. Um dos pilares dos caixas de campanha são os gastos bilionários do Estado em obras, compras e serviços. As empresas e empreiteiras investem nos políticos com chances de ganhar para faturar depois. O meio legal disso acontecer é por meio da Lei das Licitações, a 8.666, criada ironicamente para coibir a corrupção. Uma licitação bilionária começa com um edital que, de tão complexo, é elaborado por escritórios altamente especializados ou pelas próprias empresas que vão disputar. Até mesmo porque são poucas as instituições onde há funcionários públicos qualificados para fazer um edital, digamos, de “alto nível”. Convoca-se, por exemplo, uma comissão de o cinco funcionários, dois santos e três diabretes seduzidos pelo ganho fácil. O critério que prevalece é o técnico, portanto, subjetivo, e o preço pode vir segundo lugar, ficando assim fácil escolher o vencedor. O resultado desta história é caos em série, onde apenas os contribuentes perdem. Começa com o superfaturamento dos preços, indústria de liminares, atraso de obras, aumento de custos para todos os lados, até mesmo para criar mais órgãos de fiscalização, mais burocracia e por aí vai. Quem fica feliz é o funcionário público que trabalha neste setor e quase nunca aparece nos escândalos. Os políticos até passam, mas ele ficam. Eles reinam em seus locais de trabalhos como se fossem feudos e não escondem os seus carros reluzentes nas garagens das instituições estatais. Basta passear pelas garagens dos ministérios da Esplanada em Brasília para ver o disparaste. Outros felizardos são as empresas mais competentes…em fazer lobby com os ilustres líderes, que por sua vezem gozam a felicidade de quem ganha na loteria milhares de vezes.

Diante deste quadro, o Estado passa a gastar mais e mais, portanto, cobrar mais impostos, economia crescendo menos, educação e saúde de quinta categoria…e os brasileiros que se virem com as esmolas das bolsas, que aliás deveriam ser mais eficientes para a prosperidade.

A CPI do Cachoeira é mais um capítulo dessa história triste do sistema eleitoral brasileiro. A discussão é se realmente os Poderes Constituídos serão capazes de mudar esta realidade. Este sistema coloca em xeque a nossa democracia e desenvolvimento econômico, político e ético da sociedade. Quem se coloca contra este sistema talvez nunca chegue ao Poder; e se chegar fica tão amarrado com os compromissos assumidos que dificilmente terá condições de mudar alguma coisa.

Quem sabe ainda exista em Dilma Rousseff o espírito guerreiro da garota que trocou o conforto e segurança de uma família da classe média mineira pelo sonho de uma revolução de um mundo melhor. A diferença que as armas agora são outras, mais legítimas, e a possibilidade de mudanças são reais. Mas para isto acontecer a sociedade precisa fazer a sua parte. É mais uma oportunidade para todos nós para avançarmos e não nos limitarmos à pequenez da disputa política.

Francisco Câmpera é jornalista da Rede Bandeirantes de Televisão

Parodiando Calligaris: O partido moralizador

Colaboração do leitor do Blog que assina como “Big Head”

O PT era oposição até que ganhou as eleições de 2002.

Seu capital político e sua popularidade foram adquiridos em boa parte graças à sua atuação prévia como combatente agressivo e inflexível da corrupção e dos crimes do colarinho branco.

Ora, descobriu-se que ele era freguês de uma rede de desvio de dinheiro público e que também recorria a artimanhas financeiras para que seus pagamentos -substanciais: R$ 10 milhões só para Duda Mendonça)- não fossem identificados.

Esse fato de crônica (no fundo, trivial) foi para a primeira página dos jornais dopaís inteiro -aparentemente, pela surpresa que causou: quem podia imaginar tamanha hipocrisia? Esse “espanto” geral foi, para mim, a verdadeira notícia da semana.

Começou no dia em que Lula deu uma declaração pública no Fantástico, reconhecendo os fatos e a culpa,impávido.

No programa “Entre Aspas″, da Globo News, a âncora, Mônica Waldvogel, convocou dois comentaristas. Um deles, uma cientista política, ofereceu imediatamente uma explicação correta e óbvia. Ela disse, mais ou menos: é muito freqüente que um partido moralizador raivoso castigue nos outros tendências e impulsos que são os seus e que ele não consegue dominar. Uma outra convidada, professora de filosofia da USP, quase levou um susto, acrescentando que essas eram, “claramente”, suposições, hipóteses, perseguição da mídia golpista contra o Governo Operário etc. Não é curioso?

Em regra, prefiro as idéias que são propostas, justamente, como hipóteses ou sugestões que cada um pode testar no seu foro íntimo.

Mas, hoje, considerar a dita declaração da especialista como uma suposição parece ser uma hipocrisia pior (e mais perigosa) do que a de Lula.

Afinal, depois de uns bons séculos de ciência política, estamos certos disto: o partido moralizador e o partido moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar.

Na mesma declaração, Lula confessou, contrito, que ele não conseguira identificar entre seus correligionários tais padrões imorais. Tudo bem: qualquer homem moral poderia confessar o mesmo. Mas ele acrescentou imediatamente que, a bem da verdade, esses eram os padrões morais de qualquer partido.

Aqui está o problema: o padrão moral que o PT se impõe, mas não consegue respeitar, é considerado por ele como um padrão que deveria valer para todos. Com que finalidade? Simples: uma vez estabelecido seu padrão como universal, ele pode, como partido hegemônico, impô-lo aos outros, ou seja, ele pode compensar suas próprias falhas com o rigor de suas exigências para com os outros.

Quem coloca ruidosamente a caça à Privataria no centro de sua vida está lidando (mal) com sua própria vontade de colocar a mão no pote de marmelada. Quem esbraveja raivosamente contra as privatizações está lidando (mal) com seus desejos privatizantes. Quem quer apedrejar neoliberais em economia está lidando (mal) com seu desejo de manter todo o arcabouço macroeconômico herdado do antecessor.

O apedrejador sempre quer apedrejar sua própria tentação ou sua culpa.

A distinção entre partido moral e o moralizador tem alguns corolários relevantes. Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respeitar o padrão moral que ele se impõe, ele não precisaria punir suas imperfeições nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um partido moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um padrão moral não é nunca o ato de um partido moral, é sempre o ato de um partido moralizador.

Em geral, as sociedades em que as normas morais ganham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regradas por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos homens exemplares, mas por moralizadores que tentam remir suas próprias falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros. A pior barbárie é isto: um mundo em que todos pagam pelos pecados de hipócritas que não se agüentam.

via Comments ‹ Blog do Pannunzio — WordPress.

Andressa Cachoeira: marido está superorientado para não prejudicar ninguém

 

No dia 15 de maio, quando o Congresso deve parar para ouvir o depoimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pode ser que as atenções se dividam com a loira de 27 anos que ganhou fama desde que ele foi preso, em fevereiro. Sua atual mulher, Andressa Mendonça, estará presente e, segundo disse ao GLOBO, o companheiro está “superorientado” e não vai prejudicar ninguém. Afirma que ele aproveitará o momento para defender a legalização dos jogos no país.

O GLOBO: Como Carlinhos Cachoeira recebeu a notícia do depoimento no dia 15?

ANDRESSA MENDONÇA: O Cachoeira está em paz, muito bem, muito equilibrado. Ele está muito bem orientado por três advogados: a doutora Dora Cavalcanti, o doutor Márcio Thomaz Bastos e o doutor Augusto Botelho. Eu tenho certeza de que ele não quer prejudicar ninguém. Ele não é uma pessoa fria. Mas também não está nervoso. É uma pessoa bem preparada e bem orientada para enfrentar esse momento. Eu conversei hoje (ontem) com alguns deputados sobre como seria, e eles me garantiram que ele não irá algemado ou com roupa imprópria, da prisão. Eles me disseram que tem um regimento que garante que ele compareça sem algemas, com traje costume, terno e camisa social.

Você vai acompanhá-lo no depoimento à CPI?

ANDRESSA: É lógico! Estarei ao seu lado o tempo todo.

Com sua beleza, pode se transformar na musa da CPI…

ANDRESSA: Não gosto dessa história de musa. Sou uma pessoa focada, uma mãe de família que está lutando para ver o companheiro fora disso tudo o mais rápido possível. O Carlinhos gosta, mas acho que eu não sou fotogênica (risos).

Você vai posar para a “Playboy” como musa da CPI?

ANDRESSA: Eu fui convidada. Mas não vou dar esse gostinho, não! (risos). Deixa só para o Cachoeira. Eu contei do convite e ele gostou, morreu de rir. É bem-humorado e espirituoso. Me ligaram convidando para ir conhecer a empresa, ver como é a produção da revista, foram super educados. Mas eu agradeci e disse que meu papel, nesse momento, não é esse.

Quinta-feira foi aniversário do Cachoeira. Vocês comemoraram os 49 anos dele na prisão?

ANDRESSA: Eu fiz uma petição à direção da penitenciária, mas eles não liberaram porque a visita é só às terças-feiras, durante uma hora. Eu fui lá na Papuda (presídio federal em Brasília) só levar um cartão, mas não pude vê-lo nem levar presentes. Deixei um cartão de felicitações onde escrevi coisas lindas de uma mulher apaixonada.

Na visita de uma hora vocês se veem só pelo vidro?

ANDRESSA: Por enquanto, só pelo vidro, mas estou muito otimista que logo, logo tudo se resolverá. Quando a gente conversa, ele diz que vai acabar tudo bem. Eu também digo que a gente tem de ficar confiante, que é apenas uma turbulência na vida. Quem não passa por isso? Quem está livre de ser preso? Eu digo: “não é só você que está preso. Eu estou presa junto com você. Estou esperando-o muito ansiosa”. Quando sair, será muito bem recebido. O Cachoeira é uma pessoa encantadora.

Por isso encantou tanta gente, né?

ANDRESSA: Acredito que sim (risos).

Os planos de casamento no aniversário não se realizaram. Vocês podem se casar na cadeia?

ANDRESSA: Existe essa possibilidade de a gente se casar na cadeia. Já combinamos e demos entrada nos proclames. Mas não quero me casar com ele preso, não! A gente merece coisa muito melhor que isso. Vai ter um monte de surpresas boas quando ele sair da cadeia.

A empresa Delta perdeu os contratos e está à venda. Os negócios de Cachoeira também estão sendo afetados com o escândalo?

ANDRESSA: Não tenho conhecimento disso. Mas acredito que ele vai aproveitar esse momento para levantar uma grande bandeira pela legalização dos jogos no país. Ele está nessa batalha há muitos anos e agora é a hora de conscientização da importância da legalização dos jogos.

via Mulher de Cachoeira diz que ele vai defender legalização do jogo – O Globo.

Juiz manda BNDES liberar documentos sobre empréstimos

O juiz Dario Ribeiro Machado Junior, da 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro, determinou que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) autorize o acesso da Folha a relatórios internos sobre empréstimos feitos pela instituição.

A decisão foi proferida em mandado de segurança impetrado pelo jornal contra o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que se nega a fornecer cópias dos relatórios alegando que eles estão protegidos por sigilo bancário.

A ação faz parte do projeto Folha Transparência, conjunto de iniciativas do jornal para tornar públicos documentos sob controle do Estado. O BNDES deve recorrer contra a sentença, mas ontem ainda estudava o caso.

No ano passado, a Folha solicitou ao banco cópias dos relatórios internos que justificaram 432 operações com valor superior a R$ 100 milhões aprovadas entre janeiro de 2008 e março de 2011.

Todas as operações aprovadas no BNDES são examinadas antes pela burocracia do banco, que expõe suas conclusões em documentos conhecidos internamente como “relatórios de análise”.

Os relatórios descrevem a situação das empresas que pedem recursos ao BNDES, discutem as razões que justificariam o apoio do banco e os riscos de cada operação.

Na ação, a Folha sustentou que a recusa do BNDES em divulgar esses relatórios viola o direito à informação, garantido pela Constituição, e argumentou que os documentos deveriam ser divulgados porque o banco é financiado com recursos públicos.

O juiz Machado Junior atendeu parcialmente o pedido do jornal, autorizando apenas a liberação de documentos sobre operações com empresas públicas. Nas operações com empresas privadas, “deve prevalecer o sigilo bancário”, escreveu o juiz.

“A decisão é inédita e abre um precedente que vai guiar outros mandados”, disse o advogado Alexandre Fidalgo, que representou a Folha. O jornal vai recorrer da decisão, para tentar obter acesso também a dados sobre as operações com empresas privadas.

via Folha de S.Paulo – Poder – Juiz manda BNDES liberar documentos sobre empréstimos – 05/05/2012.

Contardo Calligaris: O moralizador

Publico este post por sugestão do leitor Sandro Peixoto. Foi ele quem encontrou a pérola na edição de 20 de março de 2008 da Folha de São Paulo.

Neste artigo, Contardo Calligaris discorre sobre o perfil do protagonista da crise se abateu sobre o governo do estado de Nova York quando se descobriu que o governador Eliot Spitzer, cliente VIP de uma rede de prostituição, era um político hipócrita e farsante. Você certamente vai lembrá-lo por uma peculiaridade: A cafetina brasileira Andréia Schwartz teve participação efetiva no processo de investigação como testemunha de acusação beneficiada pela delação premiada.

O escândalo Spitzer, que levou o governador a renunciar em 17 de março de 2008, parece um déjà-vu do caso Demóstenes Torres, metido com uma rede de jogo ilegal aqui no Brasil .

Três dias depois da renúncia, a Folha de São Paulo publicou o artigo de Calligaris que reproduzo a seguir. A leitura vale a pena. Por ela, pode-se perceber mais do que analogia, os dois casos — e também o de Fernando Collor — têm o mesmo DNA moral.

O Moralizador

ELIOT SPITZER era governador do Estado de Nova York até sua resignação na semana passada.

Sua fortuna política e sua popularidade eram ligadas à sua atuação prévia como procurador agressivo e inflexível contra os crimes financeiros e contra as redes de prostituição e seus clientes.

Ora, descobriu-se que ele era freguês de uma rede de prostituição de luxo e que também recorria a artimanhas financeiras para que seus pagamentos -substanciais: US$ 80 mil (R$ 140 mil)- não fossem identificados.

Esse fato de crônica (no fundo, trivial) foi para a primeira página dos jornais do mundo inteiro -aparentemente, pela surpresa que causou: quem podia imaginar tamanha hipocrisia? Esse “espanto” geral foi, para mim, a verdadeira notícia da semana.

Começou no dia em que Spitzer deu sua primeira declaração pública, reconhecendo os fatos e a culpa, ao lado de sua mulher, impávida.

No programa “360″, da CNN, o âncora, Anderson Cooper, convocou dois comentaristas. Um deles, uma mulher, psicóloga ou psiquiatra, ofereceu imediatamente uma explicação correta e óbvia. Ela disse, mais ou menos: é muito freqüente que um moralizador raivoso castigue nos outros tendências e impulsos que são os seus e que ele não consegue dominar. Cooper (que já passeou pelos piores cenários de guerra e catástrofes naturais) quase levou um susto e cortou rapidamente, acrescentando que essas eram, “claramente”, suposições, hipóteses etc. Não é curioso?

Em regra, prefiro as idéias que são propostas, justamente, como hipóteses ou sugestões que cada um pode testar no seu foro íntimo.

Mas, hoje, considerar a dita declaração da especialista como uma suposição parece ser uma hipocrisia pior (e mais perigosa) do que a de Spitzer.

Afinal, depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, estamos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar.

Na mesma primeira declaração, Spitzer confessou, contrito, que ele não conseguira observar seus próprios padrões morais. Tudo bem: qualquer homem moral poderia confessar o mesmo. Mas ele acrescentou imediatamente que, a bem da verdade, esses eram os padrões morais de quem quer que seja.

Aqui está o problema: o padrão moral que ele se impõe, mas não consegue respeitar, é considerado por ele como um padrão que deveria valer para todos. Com que finalidade? Simples: uma vez estabelecido seu padrão como universal, ele pode, como promotor ou governador, impô-lo aos outros, ou seja, ele pode compensar suas próprias falhas com o rigor de suas exigências para com os outros.

Quem coloca ruidosamente a caça aos marajás no centro de sua vida está lidando (mal) com sua própria vontade de colocar a mão no pote de marmelada. Quem esbraveja raivosamente contra “veados” e travestis está lidando (mal) com suas fantasias homossexuais. Quem quer apedrejar adúlteros e adúlteras está lidando (mal) com seu desejo de pular a cerca ou (pior) com seu sadismo em relação a seu parceiro ou sua parceira.

O exemplo da adúltera, aliás, serve para lembrar que a psicologia dinâmica, no caso, confirma um legado da mensagem cristã: o apedrejador sempre quer apedrejar sua própria tentação ou sua culpa.

A distinção entre homem moral e moralizador tem alguns corolários relevantes. Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respeitar o padrão moral que ele se impõe, ele não precisaria punir suas imperfeições nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de um moralizador.

Em geral, as sociedades em que as normas morais ganham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regradas por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos homens exemplares, mas por moralizadores que tentam remir suas próprias falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros. A pior barbárie é isto: um mundo em que todos pagam pelos pecados de hipócritas que não se agüentam.

Contardo Calligaris na WikipediaFormou-se em Epistemologia Genética, na Suíça, numa faculdade em que Jean Piaget palestrava. Nesse momento, os estudos de Calligaris foram direcionados às ciências sociais. Ao mesmo tempo, fez graduação em Letras que o permitiu ensinar teoria da literatura. Mais tarde, em Paris, se dedicou ao doutorado em Semiologia, com Roland Barthes.Nesse momento, começou a fazer análise (como paciente), o que, a princípio, não tinha relação com sua formação.A partir dessa experiência passou a interessar-se por Psicanálise. Tornou-se membro da Escola Freudiana de Paris em 1975. Durante esse período, frequentava as apresentações de casos de pacientes feitas por Jacques Lacan. Doutor em Psicologia Clínica pela Universida da Provença (França), onde defendeu a tese “A Paixão de Ser Instrumento”, estudo sobre a personalidade burocrática. Professor de Antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos), e de Estudos culturais na New School of New York.

via Folha de S.Paulo – Contardo Calligaris: O moralizador – 20/03/2008.

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