Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “maio 24, 2012”

Nota de Luiz Antônio Medeiros sobre as denúncias do Blog

Nota sobre a CPI da Pirataria

 

A volta do caso Law Kin Chong à mídia é uma das maiores fraudes jornalísticas dos últimos tempos. Na verdade, trata-se de uma pirataria jornalística.

A fita divulgada agora foi editada para servir a interesses escusos.

O material não revela tudo o que aconteceu na época. Se fosse verdade o que aparece agora, o contrabandista, com certeza, não teria sido condenado. E não teria ficado mais de quatro anos na cadeia.

A gravação, realizada pela CPI da PIRATARIA, e toda a operação que culminou com a prisão do contrabandista, teve acompanhamento, desde o início, da Justiça Federal e foi coordenada pela Polícia Federal.

Devido às provas colhidas, o procurador da República, Pedro Barbosa, proferiu denúncia contra Law e pediu sua prisão.

 O juiz Hélio Egídio, por também entender que o material gravado era contundente, deferiu o mandado de prisão, concordando com a denúncia do procurador, em sua íntegra.

Os vídeos e provas apresentadas na Justiça foram exaustivamente analisadas pelos advogados de Law, que jamais tiveram qualquer argumento plausível para rebater as acusações.  E não satisfeitos, solicitaram ainda que o material fosse periciado pelo perito Ricardo Molina, que não apontou nenhuma irregularidade.

O contrabando sofreu um duro golpe com a prisão de seu chefe maior, o contrabandista Law.

E por não ter como escapar das graves provas que o levaram à cadeia, de maneira ardilosa procura, com seus articuladores, criar factoides, valendo-se de notícias mentirosas, para prejudicar Luiz Antônio de Medeiros, que presidiu a CPI na época. 

Nota do editor: Fraude é a postura de um parlamentar que se digna a “simular” uma cena de extorsão para produzir a ilegalidade de um flagrante simulado.

Luiz Antônio Medeiros: “eu simulei”

O ex-deputado Luiz antônio Medeiros, que aparece negociando propina com o contrabandista Law Kin Chong em vídeo divulgado pelo Blog do Pannunzio esta semana, nega que tenha tentado extorquir o comerciante. O video foi editado pelos advogados de Law e contém trechos de cenas que serviram como prova no processo que culminou com a condenação do contrabandista.

O ex-parlamentar, que presidia a CPI da Pirataria, afirmou que a exibição do video tem sido recorrente ao longo dos últimos anos. “Advogados de Law tentaram entregar a gravação a vários órgãos de imprensa. Saiu no Estadão e na Revista Isto É há quatro ou cinco anos”, disse ele por telefone.

Medeiros contou que o equipamento que registrou a conversa entre ele e o contrabandista estava afixado em seu próprio corpo. “Era óbvio que eu sabia que estava sendo gravado”, afirmou. Segundo ele, a gravação foi autorizada pelo juiz federal Hélio Egídio e acompanhada pelo Procurador Pedro Barbosa. “Sabíamos que ele ia tentar nos comprar porque ele compra todo mundo — juízes, delegados, jornalistas. Aí o juiz autorizou a coleta das provas”.

Confrontado com a afirmação de que aquela era uma cena clássica de extorsão — é ele quem estabelece o preço do suborno, as condições de pagamento e indaga o que o contrabandista queria em contrapartida — o ex-presidente da CPI da Pirataria foi assertivo: “eu simulei!”.

A simulação, segundo ele, era a única maneira de colocar Law Kin Chong na cadeia. “Ele é um corruptor contumaz. Por isso eu gavei e simulei”, disse o ex-parlamentar.

Indaguei se ele sabia que estava produzindo uma prova contaminada, um flagrante preparado, que é expressamente proibido por súmula vinculante, que poderia ser invalidada posteriormente. “Era a única maneira de mandar o Law pra cadeia”, respondeu ele, complementando que “o STF abriu um processo para investigar a denúncia de extorsão (de Law contra ele)  e me absolveu”.

Mas por que um parlamentar federal se prestaria a esse papel, simulando uma extorsão? De novo, a resposta é a idêntica: “era a única forma de mandar aquele safado pra cadeia!”

Dr. Rosinha: relator da CPI não é ‘tchuchuca’ nem ‘tigrão’

No portal de notícias G1

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) chamou o relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), de “tchuchuca”, ao criticar as perguntas feitas pelo petista ao ex-vereador de Goiás Wladimir Garcez durante reunião da CPI do Cachoeira nesta quinta-feira (24). Apontado como um dos principais auxiliares de Cachoeira, Garcez falou nesta terça na comissão.
Quando o relator faz perguntas sobre a Delta nacional e o governador Agnelo, ele é tchutchuca. Quando pergunta sobre o governador Perillo, ele é tigrão.”
Após Garcez ler um breve depoimento, Odair Cunha fez uma série de perguntas ao ex-vereador sobre o envolvimento da quadrilha de jogo ilegal de Cachoeira com o governador de Goiás, Marconi Perillo, que é do PSDB, e apenas uma pergunta sobre a relação do bicheiro com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT.
Os deputados tucanos Fernando Franchischini (PR) e Carlos Sampaio (SP), então, acusaram o relator da CPI de direcionar as perguntas para prejudicar o governador de Goiás.
“Quando o relator faz perguntas sobre a Delta nacional e o governador Agnelo, ele é tchutchuca. Quando pergunta sobre o governador Perillo, ele é tigrão”, disse Francischini,
Palavras de efeito são para aparecer na mídia.”
Imediatamente, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) saiu em defesa do relator e discutiu asperamente com o tucano. Segundo o petista, alguns parlamentares usam “palavras de efeito” nas sessões abertas da comissão para “aparecer na mídia”. Diante da crítica, Fernando Francischini se colocou de pé e, com dedo em riste, iniciou um bate-boca com Dr. Rosinha.
“Não admito que alguém me diga que eu não tenho moral para criticar o relator. Um relator que é tchuchuca quando a questão envolve o PT, e é tigrão quando envolve o PSDB. Fiquei de pé para mostrar minha indignação”, explicou Francischini após a discussão.

Beba na fonte: G1 – Deputado diz que relator age como ‘tchuchuca’ ou ‘tigrão’ na CPI – notícias em Política.

Demóstenes faz corpo a corpo para pedir votos contra a sua cassação

GABRIELA GUERREIRO

Apostando na votação secreta em plenário como sua chance de escapar da cassação, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) tem visitado gabinetes e ligado para colegas para pedir votos favoráveis à sua absolvição.

Demóstenes mira, em especial, a bancada do PMDB -a maior da Casa-, cujos integrantes recusaram relatar o seu processo no Conselho de Ética e evitam defender publicamente a sua cassação.

Nas conversas, o senador afirma não ter conhecimento dos negócios de Carlinhos Cachoeira, diz que foi vítima de investigações ilegais da Polícia Federal e afirma que vai “provar sua inocência”.

Nos bastidores, ele admite que terá dificuldades para arquivar o processo no Conselho de Ética -cujo resultado precede a votação secreta em plenário que decretará ou não a sua cassação.

O relator do processo no conselho, Humberto Costa (PT-PE), deu sinais de que vai defender pena máxima para o ex-líder do DEM. No plenário, Demóstenes aposta num cenário diferente.

Em 2007, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) escapou da cassação na votação secreta depois de responder a cinco processos no Conselho de Ética.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Demóstenes faz corpo a corpo para pedir votos contra a sua cassação – 24/05/2012.

No Estadão: Law Kin Chong é achacado em vídeo

ARTUR RODRIGUES

O ex-deputado federal Luiz Antonio de Medeiros, fundador da Força Sindical, aparece em um vídeo na internet negociando com o empresário Law Kin Chong. Nas imagens, divulgadas pelo blog do jornalista Fábio Pannunzio, o ex-parlamentar negocia o pagamento parcelado e chega a exigir que seja em dólar – o equivalente a R$ 1,5 milhão.

De acordo com o blog, as imagens são parte de um vídeo nunca divulgado integralmente. Em 2004, o comerciante chinês foi preso e condenado por tentar subornar Medeiros, pagando valores entre R$ 3 milhões e R$ 7 milhões. Na época, o parlamentar pertencia ao PL e era presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria. Ao ser detido por agentes da Polícia Federal, ele disse: “Todo mundo sabe que o Medeiros é incorruptível. Isso é uma brincadeira de mau gosto.” No entanto, os trechos sugerem relação suspeita entre os dois, com o empresário pechinchando o pagamento a Medeiros.

Law é acusado de contrabando de produtos vendidos em shoppings populares na região da 25 de Março, mas alega que apenas subloca os prédios. No vídeo, pede a Medeiros que diga “a verdade, que ali naquelas lojas (da região da 25 de Março) não tem nada a ver comigo”.

Depois, Law tenta negociar um pagamento em cinco vezes. “Eu queria fazer assim. Um agora, depois mais 30, 90, 90 e 120, pode ser?” Law diz que o valor seria de “300 e poucos mil por partes”. Ao que Medeiros responde: “Não. Divide isso em duas partes.” O chinês responde que “duas fica pesado”. O então parlamentar cede, dizendo: “Quatro, tudo bem?”

O chinês concorda com a proposta. E a negociação passa a ser sobre quando se pagaria a primeira parcela. “Na segunda ou na terça”, diz Law. Medeiros, então, responde: “P…, tu é um comerciante, hein, cara?”

Dólar. O então presidente da CPI especifica a moeda pedida na negociação: “Em dólar”. Law diz que pagaria em real, mas o parlamentar não cede. “Não, eu quero em dólar.” O empresário afirma que terá de comprar dólares. “Então, compra, se vira, não quero em real”, afirma o parlamentar.

De acordo com o blog de Pannunzio, o vídeo foi produzido pelos advogados de Law. A íntegra das imagens deve ser publicada no site nos próximos dias, anuncia o jornalista. As imagens foram gravadas pela Polícia Federal e usadas como provas contra Law. Na ocasião, o trecho que vazou era o que o empresário fala do parcelamento.

O Estado não conseguiu localizar Medeiros na noite de ontem para comentar a conversa mostrada no vídeo. Antes das imagens virem à tona, quando era questionado sobre suspeitas de que teria tentado achacar Law, Medeiros afirmou que se tratava de uma “manobra” da defesa do empresário.

História. Até abril, Medeiros era secretário adjunto municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. No entanto, em decreto de 4 de abril, foi exonerado a pedido. Ele havia assumido o cargo em fevereiro do ano passado. A movimentação foi vista como uma adesão do PDT à administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Nos bastidores, fala-se que o PDT preparava a candidatura do ex-deputado a vereador nas próximas eleições. Segundo o site do PDT, ele consta como membro do conselho fiscal do partido, presidido por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força. A reportagem entrou em contato com a assessoria de Paulinho, que não soube informar nenhum telefone de contato de Medeiros. O ex-deputado também foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. Ele ainda exerceu o cargo de secretário de Relações do Trabalho, no Ministério do Trabalho.

Beba na fonte: Law Kin Chong é achacado em vídeo – saopaulo – versaoimpressa – Estadão.

Gurgel não cita suposto pedido da PF em sua resposta à CPI

FELIPE SELIGMAN E ANDREZA MATAIS

Em resposta enviada ontem à CPI do Cachoeira, o procurador-geral Roberto Gurgel disse que foi ele quem tomou a decisão de suspender, em setembro de 2009, investigação da Polícia Federal sobre o empresário Carlos Augusto Ramos que indicava a suposta ligação criminosa entre Cachoeira e o senador Demóstenes Queiroz (ex-DEM-GO).

A resposta não faz menção à versão apresentada pela subprocuradora-geral e sua mulher, Cláudia Sampaio, à Folha, segundo a qual a investigação, chamada de Operação Vegas, foi suspensa a pedido dos delegados da PF que atuavam no caso.

Com isso, disse ela, os policiais queriam evitar que os investigados soubessem que eram monitorados. Assim, a PF poderia continuar na investigação, que, afirmou Sampaio, acabou desembocando em outra operação, a Monte Carlo -a qual, por sua vez, levou à prisão de Cachoeira e à criação da CPI.

As alegações de Sampaio deflagraram um mal-estar entre a Procuradoria e a PF, que chegou a divulgar nota dizendo que os delegados nunca fizeram tal pedido. Eles afirmam que a Monte Carlo não tem relação com a Vegas.

No documento, Gurgel diz, sem citar pedido nenhum: “Decidi sobrestar [suspender] o inquérito no intuito de possibilitar a retomada das interceptações telefônicas e da investigação, que, a toda evidência, se afigurava extremamente promissora”.

Ele diz que, cerca de um ano e cinco meses depois de paralisar a Vegas, foi avisado que a investigação contra Cachoeira “continuava”. Neste momento, a Monte Carlo já estava acontecendo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Gurgel não cita suposto pedido da PF em sua resposta à CPI – 24/05/2012.

Governo fez liberação atípica de verba no dia de ‘acordão’ na CPI

GUSTAVO PATU E LEANDRO COLON

No dia da celebração do acordo que esvaziou as investigações da CPI do Cachoeira, o governo Dilma Rousseff liberou verbas para redutos de caciques do PMDB e de alguns dos alvos da comissão -incluindo políticos próximos ao próprio Carlos Cachoeira.

Os registros diários dos desembolsos federais apontam, no dia 16, quarta-feira da semana passada, um salto dos recursos destinados às despesas incluídas por deputados e senadores no Orçamento, conhecidas como emendas parlamentares.

As operações coincidem com o entendimento, negociado entre governo e parte da oposição, para engavetar os pedidos de investigação de três governadores, cinco deputados e dos negócios da empreiteira Delta fora da região Centro-Oeste.

Para detectar os recursos destinados ao varejo político, a Folha acompanhou as 20 ações de governo que mais concentram emendas parlamentares. A despesa com essa amostra chegou a R$ 53,5 milhões no dia 16, enquanto a média diária é de R$ 11,6 milhões no ano.

A maior liberação feita pelo Ministério do Turismo, de R$ 5,4 milhões, já mereceu agradecimento público no site do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), responsável por indicar o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB).

O dinheiro, de uma emenda da bancada do Estado, irá para obras rodoviárias entre Piranhas e Arapiraca -cujo prefeito, acompanhado por Renan, esteve no dia com o ministro Gastão Vieira em busca de verbas.

Depois de Alagoas, o Estado mais beneficiado pelos desembolsos pesquisados pela Folha foi Goiás, palco da maior parte dos eventos e personagens das investigações.

Sede dos negócios de Cachoeira, Anápolis ganhou R$ 2,6 milhões do Ministério das Cidades para a obras de pavimentação. Trata-se de um convênio assinado desde 2010, mas que só agora recebeu a primeira parcela dos R$ 4,9 milhões previstos.

A cidade é administrada por Antonio Gomide (PT), irmão do deputado e também petista Rubens Otoni, um dos que escaparam de serem ouvidos pela CPI sobre suas relações com Cachoeira.

Ligada ao empresário na região, a construtora Delta tem três contratos com o município. Segundo a prefeitura, nenhum está relacionado ao convênio com a União.

Rio Verde (GO) obteve R$ 2,1 milhões para infraestrutura, pavimentação e drenagem na periferia. O convênio é do final de 2009, mas até então só haviam sido desembolsados R$ 976 mil.

O prefeito, Juraci Martins, que trocou o DEM pelo PSD, é antigo aliado do senador Demóstenes Torres, que se desfiliou do DEM e responde a processo de cassação devido a ligações com Cachoeira.

Outra liberação, de R$ 3,1 milhões, beneficiou Caracaraí (RR). No sábado, Romero Jucá (RR), um dos principais nomes do PMDB no Senado, foi à cidade inaugurar obras feitas com dinheiro federal.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Governo fez liberação atípica de verba no dia de ‘acordão’ na CPI – 24/05/2012.

A verdadeira CPI

Eliane Cantanhêde

Enquanto a CPI do Cachoeira é (seria) para investigar um esquema mafioso de um empresário-bicheiro, a Lei de Acesso à Informação pode se transformar numa imensa CPI sobre os três Poderes e todos os últimos governos -o de Fernando Henrique, o de Lula e este início de Dilma. O que pode sair de “surpresas” não é fácil!

Lula até tentou, mas não colou a ideia de criar a CPI do Cachoeira para jogar as já tontas e frágeis oposições nas cordas. A comissão se transformou num espetáculo de mau gosto não só para o PSDB e o DEM, mas também para o PT, o aliado PMDB e governadores aliados ao Planalto. Um aborrecimento para Dilma.

A CPI patina em disputas partidárias, em falta de vocação (e de vontade) para a investigação e na disposição de Cachoeira de não contar os podres que ele com toda certeza sabe e só vai contar se e quando bem entender. Sem isso, dessa cartola não sai mais coelho -com a ressalva de que nunca se pode descartar um “fato novo” que ponha fogo em tudo, mas depende menos da CPI e mais da Polícia Federal e da imprensa. A sensação, portanto, é a de que é melhor deixar o esquema com a Justiça, virar a página e ir adiante.

Como? Desviando o foco e as energias da CPI para o julgamento do mensalão, as tão esperadas revelações da Comissão da Verdade, os tabuleiros das eleições municipais e, particularmente, para a Lei de Acesso à Informação, que pode ser uma “super-CPI” sem limites para investigação e sem tempo para terminar.

Se o zoológico do Cachoeira comportava um punhado de governadores, deputados, delegados, arapongas, agentes da Receita, o foco da “super-CPI” vai do funcionário miúdo a todas as instâncias hierárquicas, até os presidentes. E não se fala aqui só de desvios financeiros, mas de decisões, conchavos, interesses.

A CPI do Cachoeira faz água, mas a CPI do acesso à informação é uma torrente de possibilidades.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – A verdadeira CPI – 24/05/2012.

Os trabalhos de Lula

Vera Magalhães

Já se sabia, desde que Luiz Inácio Lula da Silva passou a faixa presidencial para Dilma Rousseff, que dificilmente o petista seguiria o receituário que tantas vezes recomendou a ex-presidentes como ele: discrição e distância do poder.

Lula só não esteve ainda mais ativo nesse período porque teve de parar para tratar o câncer de laringe que o acometeu. Recuperado, está presente em todas as frentes da política, da CPI ao julgamento do mensalão, passando, é claro, pelas eleições.

Resta saber se, ao abrir tantas picadas de uma só vez, o ex-presidente logrará o êxito que espera ou colocará em xeque sua habilidade de costura política, cantada em prosa e verso.

Lula concebeu uma narrativa política que passa por: 1) negar a existência do mensalão, 2) vingar-se daqueles que julga responsáveis por minar seu governo e 3) eleger seu pupilo em São Paulo para tentar apear o PSDB do poder no Estado em 2014.

Trata-se de uma tarefa hercúlea e difícil de ser cumprida na totalidade, principalmente porque, para implementá-la, Lula vai deixando descontentes pelo caminho e cobrando lealdades nem sempre exequíveis.

No bloco dos feridos já está a senadora Marta Suplicy, que, preterida em São Paulo, não perderá uma oportunidade sequer de constranger o candidato Fernando Haddad.

O time daqueles de quem Lula cobra fidelidade vai do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a ministros por ele nomeados para o Supremo Tribunal Federal, postos diante da tarefa de dizer se o mensalão existiu ou não e se José Dirceu era o “chefe da quadrilha”.

É de esperar que nem toda a orquestra toque como o maestro rege. A ideia de usar a CPI do Cachoeira como cortina de fumaça para o mensalão, por exemplo, saiu pela culatra.

Da mesma forma, se é verdade que Lula vai colher os louros de uma eventual vitória de Haddad, também é correto afirmar que será ele o grande derrotado caso o ex-ministro não vença José Serra (PSDB) em outubro.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Os trabalhos de Lula – 24/05/2012.

Procurador apresenta defesa à CPI do Cachoeira

RICARDO BRITO
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou, em ofício encaminhado na noite desta quarta-feira à CPI do Cachoeira, que as informações colhidas na Operação Monte Carlo demonstram de forma “inequívoca” a decisão de segurar, em 2009, uma investigação que apontava para o envolvimento de parlamentares com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na manifestação de sete páginas, Gurgel disse que respondeu à comissão “por deferência”, protegeu sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio e preferiu não alimentar a guerra de versões com a Polícia Federal no episódio.

No documento endereçado ao presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), Gurgel disse que, quando recebeu as informações da Operação Vegas, constatou que “não havia fato penalmente relevante” para pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e os deputados Sandes Junior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).

O procurador-geral lembrou que o STF é “especialmente rigoroso” para autorizar uma investigação e permitir diligências que invadam a privacidade do cidadão. Gurgel disse que, “apesar de graves”, as informações colhidas àquela altura revelavam apenas uma “relação promíscua” dos parlamentares com Cachoeira e o grupo dele. Não indicavam, na avaliação dele, indícios de crime, mas apenas questões de comportamento ético.

Segundo o chefe do Ministério Publico Federal, se ele mandasse o caso para o Supremo, iria pedir o arquivamento da apuração e, por tabela, seria tornado publica a existência da investigação contra o contraventor. “Decidi sobrestar o inquérito no intuito de possibilitar a retomada das interceptações telefônicas e da investigação, que, a toda a evidencia, se afigurava extremamente promissora”, afirmou.

A decisão, argumentou Gurgel no ofício, tem respaldo na Constituição e na legislação que dispõe sobre a forma de investigação de organizações criminosas. A posição do chefe do MP é a mesma defendida por sua mulher, Claudia Sampaio, em entrevista ao Estadão na semana passada. Mas, no ofício, o procurador-geral fez questão de dizer que não delegou o caso para análise dela e que todas as decisões são de sua exclusiva responsabilidade.

Em março do ano passado, ele diz ter sido avisado da continuidade “promissora” da investigação contra o esquema comandado por Cachoeira, embora os delegados da PF ouvidos pela CPI tenham dito que as operações Vegas e Monte Carlo não tenham ligação entre si. No dia 9 de março deste ano, ele recebeu de dois procuradores da República a nova investigação e, 18 dias depois, pediu a abertura de inquérito no STF contra Demóstenes, Lereia, Sandes Junior e ainda o deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ).

Para ele, a estratégia levou a desvendar “o grande esquema criminoso” comandado por Cachoeira. Não apenas os crimes de jogos de azar, investigados pela Vegas, mas também “fraudes à licitação, corrupção de servidores, lavagem de dinheiro, entre outros delitos de grande gravidade”.

Beba na fonte: Procurador apresenta defesa à CPI do Cachoeira – politica – politica – Estadão.

Novo alvo da CPI, Delta nacional levou R$ 718,2 mi com negócios em 18 Estados

Alfredo Junqueira

Principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e protagonista do terremoto político provocado pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, a Delta Construções também faturou alto em contratos diretos com 18 administrações estaduais. Levantamento feito pelo Estado nos bancos de dados dos governos identificou pagamentos que somam R$ 718,24 milhões no ano passado.

O total arrecadado pela construtora nos Estados equivale a 83,3% dos R$ 862,43 milhões que a empresa faturou em obras e serviços prestados ao governo federal no mesmo período. Ou seja, somente em 2011 a Delta Construções recebeu R$ 1,58 bilhão em recursos públicos federais e estaduais.

A capilaridade da empresa, que está presente em quase todo o País, explica a reduzida disposição inicial da CPI instaurada no Congresso Nacional de investigar as atividades da empresa para além da Região Centro-Oeste – onde o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, se estabeleceu como uma espécie de sócio oculto da construtora. Na terça-feira, 22, no entanto, a comissão anunciou que pretende focar todos os negócios.

A revelação de que Cláudio Abreu e Heraldo Puccini Neto, diretores da empresa indiciados pela Operação Saint-Michel, do Ministério Público do Distrito Federal, tinham procuração para movimentar contas nacionais da construtora deve forçar a CPI a ampliar suas investigações. E os parlamentares terão farto material de análise nas administrações estaduais. Além de obras, reparos e manutenções, os tesouros estaduais também contrataram a empresa, que pertencia a Fernando Cavendish, para prestação de serviços de limpeza (R$ 92,45 milhões com o Distrito Federal) e locação de veículos para a área de segurança pública (R$ 16,54 milhões com Mato Grosso), por exemplo.

O maior faturamento da Delta nos Estados ocorreu no Rio de Janeiro, sede da matriz da empresa. Só em 2011, a empreiteira recebeu R$ 302,8 milhões da administração fluminense – a maior parte veio do Departamento de Estradas de Rodagem local (DER-RJ): R$ 98,7 milhões.

Amigo íntimo de Cavendish, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) tornou-se um dos potenciais alvos da CPI depois que o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) publicou em seu blog fotos e vídeos de festas, shows e jantares com o peemedebista, o empresário e suas respectivas mulheres na França e em Mônaco.

Nos cinco anos e cinco meses de gestão de Cabral, Cavendish faturou R$ 1,49 bilhão no Rio. A relação de amizade colocou Cabral na berlinda e pode levá-lo a prestar esclarecimentos à CPI, apesar das manobras de integrantes da comissão para blindar os governadores.

Terra natal. Depois do Rio, o tesouro estadual que mais pagou à Delta foi o de Pernambuco, Estado de origem da empreiteira, fundada em 1961 por Inaldo Soares – pai de Cavendish. No ano passado, o governador Eduardo Campos (PSB) assinou pagamentos à construtora que totalizaram R$ 105 milhões. O Distrito Federal, de Agnelo Queiroz (PT), outro cotado para depor na CPI por causa das relações de ex-assessores com Cachoeira, aparece em terceiro na lista, com R$ 92,8 milhões. Logo após, com R$ 51,9 milhões, vem Goiás, do tucano Marconi Perillo – governador em situação delicada por causa de sua relação pessoal com o contraventor.

Os contratos em vigor podem fazer com que os valores pagos à Delta por algumas administrações estaduais se multipliquem nos próximos anos.

Apesar de constar com apenas R$ 3,16 milhões em desembolsos no ano passado, o governo do Amazonas, administrado por Omar Aziz (PSD), por exemplo, assinou quatro contratos no valor total de R$ 143,8 milhões no último trimestre de 2011. O governo está auditando os processos e admite rescindi-los.

O mesmo ocorre no Espírito Santo, do governador Renato Casagrande (PSB), que pagou R$ 3,8 milhões à empresa no ano passado, mas que tem ainda outros contratos, que totalizam R$ 90 milhões com a construtora.

Gravações feitas pela PF na Operação Monte Carlo revelaram que Cachoeira e a Delta cobiçavam entrar em Estados como Santa Catarina e Paraná, cujos portais de transparência das administrações estaduais informam não terem feito nenhum pagamento à construtora no ano passado. A Região Sul ainda era um local inexplorado pelo esquema, pois no Rio Grande do Sul também não há registro de contratos com a empresa. As assessorias do Amapá, da Bahia, de Minas Gerais, da Paraíba e de Rondônia também afirmaram que não fizeram pagamentos à Delta.

Beba na fonte: Novo alvo da CPI, Delta nacional levou R$ 718,2 mi com negócios em 18 Estados – politica – politica – Estadão.

Os bons companheiros, por Demétrio Magnoli

Demétrio Magnoli, no Estadão

De “caçador de marajás” Fernando Collor transfigurou-se em caçador de jornalistas. Na CPI do Cachoeira seu alvo é Policarpo Jr., da revista Veja, a quem acusa de se associar ao contraventor “para obter informações e lhe prestar favores de toda ordem”. Collor calunia, covardemente protegido pela cápsula da imunidade parlamentar. Os áudios das investigações policiais circulam entre políticos e jornalistas – e quase tudo se encontra na internet. Eles atestam que o jornalista não intercambiou favores com Cachoeira. A relação entre os dois era, exclusivamente, de jornalista e fonte – algo, aliás, registrado pelo delegado que conduziu as investigações.

Jornalistas obtêm informações de inúmeras fontes, inclusive de criminosos. Seu dever é publicar as notícias verdadeiras de interesse público. Criminosos passam informações – verdadeiras ou falsas – com a finalidade de atingir inimigos, que muitas vezes também são bandidos. O jornalismo não tem o direito de oferecer nada às fontes, exceto o sigilo, assegurado pela lei. Mas não tem, também, o direito de sonegar ao público notícias relevantes, mesmo que sua divulgação seja do interesse circunstancial de uma facção criminosa.

Os áudios em circulação comprovam que Policarpo Jr. seguiu rigorosamente os critérios da ética jornalística. Informações vazadas por fontes diversas, até mesmo pela quadrilha de Cachoeira, expuseram escândalos reais de corrupção na esfera federal. Dilma Rousseff demitiu ministros com base nessas notícias, atendendo ao interesse público. A revista em que trabalha o jornalista foi a primeira a publicar as notícias sobre a associação criminosa entre Demóstenes Torres e a quadrilha de Cachoeira – uma prova suplementar de que não havia conluio com a fonte. Quando Collor calunia Policarpo Jr., age sob o impulso da mola da vingança: duas décadas depois da renúncia desonrosa, pretende ferir a imprensa que revelou à sociedade a podridão de seu governo.

A vingança, porém, não é tudo. O senador almeja concluir sua reinvenção política inscrevendo-se no sistema de poder do lulopetismo. Na CPI opera como porta-voz de José Dirceu, cujo blog difunde a calúnia contra o jornalista. Às vésperas do julgamento do caso do mensalão, o réu principal, definido pelo procurador-geral da República como “chefe da quadrilha”, engaja-se na tentativa de desqualificar a imprensa – e, com ela, as informações que o incriminam.

O mensalão, porém, não é tudo. A sujeição da imprensa ao poder político entrou no radar de Lula justamente após a crise que abalou seu primeiro mandato. Franklin Martins foi alçado à chefia do Ministério das Comunicações para articular a criação de uma imprensa chapa-branca e, paralelamente, erguer o edifício do “controle social da mídia”. A sucessão, contudo, representou uma descontinuidade parcial, que se traduziu pelo afastamento de Martins e pela renúncia ao ensaio de cerceamento da imprensa. Dirceu não admitiu a derrota, persistindo numa campanha que encontra eco em correntes do PT e mobiliza jornalistas financiados por empresas estatais. Policarpo Jr. ocupa, no momento, o lugar de alvo casual da artilharia dirigida contra a liberdade de informar.

No jogo da calúnia, um papel instrumental é desempenhado pela revista Carta Capital. A publicação noticiou falsamente que Policarpo Jr. teria feito “200 ligações” telefônicas para Cachoeira. Em princípio, nada haveria de errado nisso, pois a ética nas relações de jornalistas com fontes não pode ser medida pela quantidade de contatos. Entretanto, por si mesmo, o número cumpria a função de arar o terreno da suspeita, preparando a etapa do plantio da acusação, a ser realizado pela palavra sem freios de Collor. Os áudios, entretanto, evidenciaram a magnitude da mentira: o jornalista trocou duas – não 200 – ligações com sua fonte.

A revista não se circunscreveu à mentira factual. Um editorial, assinado por Mino Carta, classificou a suposta “parceria Cachoeira-Policarpo Jr.” como “bandidagem em comum”. Editoriais de Mino Carta formam um capítulo sombrio do jornalismo brasileiro. Nos anos seguintes ao AI-5, o atual diretor de redação da Carta Capital ocupava o cargo de editor de Veja, a publicação em que hoje trabalha o alvo de suas falsas denúncias. Os editoriais com a sua assinatura eram peças de louvação da ditadura militar e da guerra suja conduzida nos calabouços. Um deles, de 4 de fevereiro de 1970, consagrava-se ao elogio da “eficiência” da Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime, cuja atuação “tranquilizava o povo”. O material documental está disponível no blog do jornalista Fábio Pannunzio (http://www.pannunzio.com.br/), sob a rubrica Quem foi quem na ditadura.

Na Veja de então, sob a orientação de Carta, trabalhava o editor de Economia Paulo Henrique Amorim. A cooperação entre os cortesãos do regime militar renovou-se, décadas depois, pela adesão de ambos ao lulismo. Hoje Amorim faz de seu blog uma caixa de ressonância da calúnia de Carta dirigida a Policarpo Jr. O fato teria apenas relevância jurídica se o blog não fosse financiado por empresas estatais: nos últimos três anos, tais fontes públicas transferiram bem mais de R$ 1 milhão para a página eletrônica, distribuídos entre a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), o Banco do Brasil (R$ 147 mil), os Correios (R$ 120 mil) e a Petrobrás (que, violando a Lei da Transparência, se recusa a prestar a informação).

Dilma não deu curso à estratégia de ataque à liberdade de imprensa organizada no segundo mandato de Lula. Mas, como se evidencia pelo patrocínio estatal da calúnia contra Policarpo Jr., a presidente não controla as rédeas de seu governo – ao menos no que concerne aos interesses vitais de Dirceu. A trama dos bons companheiros revela a existência de um governo paralelo, que ninguém elegeu.

* SOCIÓLOGO,  É DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP. E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@UOL.COM.BR

Fim de sigilo da Delta põe PT e PMDB em crise

Eugênia Lopes

O PT e o PMDB estão em pé de guerra depois de o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), ter defendido a quebra do sigilo bancário da Delta Construções em nível nacional e de seu principal acionista, Fernando Cavendish.

Diante da crise, Cunha optou nesta quarta-feira, 23, pela cautela. Mas o deputado confidenciou a correligionários que fez uma reavaliação da blindagem da empreiteira e que, diante das evidências, não tem como evitar que as investigações recaiam sobre a Delta nacional e seu proprietário.

A decisão irritou o PMDB, em especial a ala ligada ao governador do Rio, Sérgio Cabral. Ele é amigo de Cavendish, com quem viajou para o exterior. Os peemedebistas alegam que a quebra de sigilo da Delta é uma reivindicação da oposição para tirar o foco do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, que estaria envolvido com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Com a provável aprovação da quebra dos sigilos da Delta, os peemedebistas estão certos de que a oposição terá munição para pedir a convocação de Cabral.

Em represália, o PMDB passou nesta quarta a trabalhar com a ideia de não se aliar ao PT para convocar Perillo. Dizem que é mais fácil, agora, não aprovar a convocação de nenhum dos governadores alvo de denúncias.

‘Não é nosso’. Por ora, a cúpula do PMDB tenta manter postura de distanciamento. A alegação é que Cabral nunca foi “nosso” – ou seja, do PMDB – e não haveria motivos para o partido se empenhar na sua defesa. O líder da sigla na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), avisou que não pretende trocar seus titulares na CPI – Luiz Pittman (DF) e Íris Araújo (GO). Eles prometem votar a favor da quebra do sigilo.

Segundo integrantes da CPI, Cunha cogitou tornar a sessão de hoje em administrativa, para aprovar a quebra dos sigilos da Delta nacional e de Cavendish. O relator teria sido demovido da ideia pelo próprio PT. “Não se pode fazer uma reunião administrativa nas coxas”, disse o ex-líder Cândido Vaccarezza (PT-SP), ao garantir que apoia a decisão de pedir a quebra dos sigilos.

Para os aliados, Cunha mudou sua postura e resolveu contrariar a blindagem à Delta porque está preocupado com sua imagem. O petista sonha em ser candidato ao governo de Minas, em 2014, e não quer “queimar” sua biografia. Ele estaria passando por processo semelhante ao que ocorreu na CPI dos Correios, quando o presidente Delcídio Amaral (PT-MS) e o relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) também mudaram de comportamento ao longo das investigações e denunciaram a existência do “mensalão” no governo Lula.

Cunha decidiu ampliar a apuração após documentos da Operação Saint-Michel – deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal após a Monte Carlo – apontaram que os ex-diretores da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e no Sudeste, Heraldo Puccini, tinham procuração para movimentar dinheiro em contas nacionais da empreiteira.

Beba na fonte: Fim de sigilo bancário da Delta põe PT e PMDB em crise – politica – politica – Estadão.

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