Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “junho 1, 2012”

Algumas poucas palavras sobre Mino Carta

Achei até elegante o texto de Mino Carta.

Elegante e vazio.

Faltou explicar por que  ele escreveu o que escreveu em Veja, permitiu que escrevessem o que coonestou como editor da revista, condição que o obrigava a responder por toda a publicação.

Faltou justificar os elogios à “tranquilizadora” OBAN, à demora da ditadura em registrar a prisão dos que iriam morrer e até o enaltecimento ao “Ame-o ou Deixe-o”.

Houve uma impropriedade no uso da palavra “calúnia”. Ela descreve um tipo penal. E o problema é de natureza ética e moral.

De outra forma, não se pode caluniar alguém revelando seus próprios textos. O nome disso é crítica, e não calúnia.

Também faltou coragem para assumir o que fez — preferiu fazer alusão a um bom nome de dupla de circo. Não teve coragem para me chamar literalmente de palhaço.

Não vou tecer comentários em relação à covardia aludida por ele. Porque fui eu quem publicou os textos.

Prova de que coragem, pelo menos para enfrentá-lo, não me falta.

Sugiro aos leitores a leitura da série que publiquei. Os textos se encontram aqui.

Mino Carta apresenta jusitificativas para o injustificável: a bajulação à ditadura

Mino Carta, em editorial da revista Carta Capital

“Mino Carta é um chato, se pudesse reescreveria os Evangelhos. Inimigo do regime, Geisel o detestava, mas não tinha rabo preso.” De um depoimento de João Baptista Figueiredo, gravado em 1988 durante um churrasco amigo e divulgado após a morte do último ditador da casta fardada.

No final de 1969, esta capa foi o maior desafio de Veja à ditadura, mas já a da primeira edição dera problemas

É do conhecimento até do mundo mineral que nunca escrevi uma única, escassa linha para louvar os torturadores da ditadura, estivessem eles a serviço da Operação Bandeirantes ou do DOI-Codi. Ou no Rio, na Barão de Mesquita. E nunca suspeitei que a esta altura da minha longa carreira jornalística me colheria a traçar as linhas acima. Meu desempenho é conhecido, meus comportamentos também. Mesmo assim, há quem se abale a inventar histórias a meu respeito. Alguém que, obviamente, fica abaixo do mundo mineral.

Não me faltaram detratores vida adentro, ninguém, contudo, conseguiu provar coisa alguma que me desabonasse. Os atuais superam-se. Um deles se diz jornalista, outro acadêmico. Pannunzio & Magnoli, binômio perfeito para uma dupla do picadeiro, na hipótese mais generosa de uma farsa cinematográfica. Esmeram-se para demonstrar exatamente o que soletro há tempo: a mídia nativa prima tanto por sua mediocridade técnica quanto por sua invejável capacidade de inventar, omitir e mentir.

Afirmam que no meu tempo de diretor de redação de Veja defendi a pena de morte contra “terrorristas”, além de enaltecer o excelente trabalho da Oban. Outro inquisidor se associa, colunista e blogueiro, de sobrenome Azevedo. E me aponta, além do já dito, como um singular profissional que não aceita interferência do patrão. Incrível: arrogo-me mandar mais do que o próprio. Normal que ele me escale para o seu auto de fé. O Brasil é o único país do meu conhecimento onde os profissionais chamam de colega o dono da casa.

Não há nas calúnias que me alvejam o mais pálido resquício de verdade factual. Os textos que me atribuem para baseá-las nascem de uma mistificação. Pinçados ao acaso e fora do contexto, um somente é de minha autoria e nada diz que me incrimine. E pouparei os leitores de disquisições sobre minha repulsa visceral, antes ainda que moral, à prisão sem mandado, à tortura e à pena de morte. Quando o Estadão foi pioneiro na publicação de um artigo assinado Magnoli, limitei-me a escrever um breve texto para o site de CartaCapital, destinado a contar a história de outra peça de humorismo, escrita em 1970 por um certo Lenildo Tabosa Pessoa, redator, vejam só, do Estadão, e intitulada O Senhor Demetrio. Ou seja, eu mesmo, marcado no batismo por nome tão pesado.

A bem de minha honra, Geisel me detestava. Foto: AE

Lenildo pretendia publicar seu texto no jornal, os patrões, Julio de Mesquita Neto e Ruy Mesquita, não deixaram. Surgiu em matéria paga o retrato de um hipócrita pretensamente refinado que, como Arlequim da política, servia ao mesmo tempo Máfia e Kremlin. O senhor Demetrio, de codinome Mino. Diga-se que Lenildo encontraria eco três anos depois no programa global de um facínora chamado Amaral Neto, também identificado como Amoral Nato, que repetia Lenildo no vídeo. Como se vê, tom e letra das calúnias estão sujeitos a mudanças ideológicas.

Ao negarem espaço nas páginas da sua responsabilidade à diatribe de Lenildo, os herdeiros do doutor Julinho quiseram respeitar a memória do meu pai, que trabalhou no Estadão por 16 anos, e meu honesto e leal desempenho na criação daEdição de Esporte e do Jornal da Tarde. O Estadão, evidentemente, não é mais o mesmo. Lenildo e Amaral Neto me tinham como perigoso subversivo de esquerda. Em compensação, hoje sou acusado de ter dirigido naquele mesmo 1970 uma Veja entregue “à bajulação, subserviência e propaganda da ditadura”. É espantoso, mas a semanal da Abril em 1970 era submetida à censura exercida na redação por militares. Eu gostaria de saber o que acham os senhores Pannunzio, Magnoli e Azevedo a respeito de quem na mídia brasileira se perfilava illo tempore ao lado da ditadura. Ou seja, quase todos.

E Arci, impávido, ofereceu a cabeça de Millôr Fernandes ao ministro Golbery. Fotos: Marcelo Carnaval e Manoel Amorim/Ag O Globo

Quem, de fato foi censurado? Os alternativos, então chamados nanicos, em peso, do Pasquim aOpinião, que depois se tornariaMovimento, sem exclusão de O São Paulo, o jornal da Cúria paulistana regida por dom Paulo Evaristo Arns. A Veja, primeiro por militares, depois por policiais civis no período Médici. Com Geisel, passou a ser censurada diariamente, de terça a sexta, nas dependências da Polícia Federal em São Paulo, e aos sábados, à época dia de fechamento, na própria residência de censores investidos do direito a um fim de semana aprazível. Enquanto isso, Geisel exigia que os alternativos submetessem seu material às tesouras censórias em Brasília, toda terça-feira.

Sim, o Estadão também foi censurado e com ele o Jornal da Tarde. A punição resultava de uma briga em família. O jornal apoiara o golpe, mas sonhava com a devolução do poder a um civil, desde que se chamasse Carlos Lacerda. Este não deixava por menos nas suas aventuras oníricas. O Estadão acabou sob censura, retirada contudo em janeiro de 1975, no quadro das celebrações do centenário do jornal. Carlos Lacerda foi cassado. Diga-se que ao Estadãopermitia-se preencher os espaços vagos deixados pelos cortes com versos de Camões, em geral bem escolhidos, e ao Jornal da Tarde com receitas de bolo, às vezes discutíveis. O resto da mídia não sofreu censura. Não era preciso.

Julio Neto e Ruy Mesquita não dariam espaço às calúnias de um tal de Magnoli. Fotos: Alfredo Fiaschi/AE e AE

Quando me chamam para fazer palestras em cursos de jornalismo, sempre me surpreendo ao verificar que o enredo que acabo de alinhavar é ignorado pelos alunos e por muitos professores. Acham que a censura foi ampla, geral e irrestrita. Meus críticos botões observam que me surpreendo à toa. Pois não se trata de futuros Pannunzios, Magnolis e Azevedos? No caso deste senhor Reinaldo, vale acentuar uma nossa específica diferença. Não me refiro ao fato de que eu reputo Antonio Gramsci um grande pensador, enquanto ele o define como terrorista. A questão é outra.

Ocorre que, ao trabalhar e ao fazer estágios na Europa, entendi de vez que patrão é patrão e empregado é empregado, e que para dirigir redações o profissional é chamado por causa de sua exclusiva competência. Ao contrário do que se dá no Brasil, por lá não há diretores por direito divino. Por isso, ao deixar o Jornal da Tarde para tomar o comando dos preparativos do lançamento de Veja, me senti em condições de exigir certas garantias.

No Estadão tivera um excelente relacionamento com a família Mesquita, fortalecido pela lembrança que cultivavam de meu pai, iniciador da reforma do jornal que Claudio Abramo aprofundou e completou. Gozei na casa então ainda do doutor Julinho, filho do fundador, de grande autonomia, aquela que facilitou a criação de um diário de estilo muito próprio, arrojado na diagramação, em busca de qualidade literária no texto. Estava claro, porém, que a linha política seria a da família. Com os Mesquita me dei muito bem, foram de longe meus melhores patrões, talvez os remanescentes não percebam que por eles tenho afeto, embora, saído doEstadão, não me preocupasse em mostrar que minhas ideias não coincidiam com as deles.

E Golbery, gélido, disse: “Eu não pedi a cabeça de ninguém, senhor Civita”. Foto: AE

Convidado finalmente pelos Civita para a empreitada de Veja, solicitei uma liberdade de ação diversa daquela de que gozara no Jornal da Tarde. Só aceitaria o convite se os donos da Abril, uma vez definida a fórmula da publicação, se portassem como leitores a cada edição, passível de discussão está claro, mas a posteriori, quer dizer, quando já nas bancas.

Pedido aceito. A primeira Veja, espécie de newsmagazine à brasileira, foi um fracasso. Além disso, já irritou os fardados por trazer na capa a foice e o martelo. A temperatura subiu com a segunda capa, a favor da Igreja politicamente engajada. A quinta, com a cobertura do congresso da UNE em Ibiúna, foi apreendida nas bancas. E também o foi aquela que celebrou a decretação do AI-5 no dia 13 de dezembro de 1968. Tempos difíceis. Mas a edição de mais nítido desafio aos algozes da ditadura é de mais ou menos um ano depois. A chamada de capa era simples e direta: “Torturas”, em letras de forma.

A história desta reportagem começou cerca de três meses antes, com uma investigação capilar conduzida por uma equipe de oito repórteres encabeçada por Raymundo Rodrigues Pereira. Foram levantados 150 casos, três deles nos detalhes mínimos. Emílio Garrastazu Médici acabava de ser escolhido para substituir a Junta Militar e pela pena do então coronel Octavio Costa acenava em discurso, pretensamente poético ao declinar a origem do novo ditador por dizê-lo vindo do Minuano, à necessidade do abrandamento da repressão. Raymundo e eu recorremos a um estratagema, e saímos com uma edição anódina para celebrar o vento gaúcho. Falávamos da posse, da composição do ministério, do discurso. Chamada de capa: “O Presidente Não Admite Torturas”.

Ofereço este número de Veja à aguda análise de Pannunzios, Magnolis, Azevedos e quejandos. (Nada a ver com queijo.) Bajulação e subserviência estão ali expostas da forma mais redonda. Naquele momento, a mídia foi atrás de Veja, e por três dias falou-se mais ou menos abertamente de tortura. Logo veio a proibição, que Veja ignorou. Na noite de sexta-feira a reportagem da equipe de Raymundo descia à gráfica para arrolar 150 irrefutáveis casos de tortura, dos quais três em detalhes. Ao mesmo tempo, eu mandava cortar os telefones da Abril para impedir ligações de quem pretendesse interferir, autoridades, patrões e intermediários. A edição foi apreendida nas bancas, e logo desembarcou na redação a censura dos militares.

Este sim, “nosso Trotski”, a Arci pediu minha cabeça e conseguiu. Foto: AE

Quando ouvi falar em distensão pela primeira vez, meados de 1972, pela boca do general Golbery, à época presidente da Dow Chemical no Brasil, pareceu-me possível alguma mudança na sucessão de Médici. De fato, Golbery, que vinha de conhecer, articulava na sombra a candidatura de Ernesto Geisel, títere sob medida para as suas artes de titereiro. Meados de 1973, assenta-se a candidatura obrigatória de Geisel. Alguns meses após, ministério em gestação, Golbery, futuro chefe da Casa Civil à revelia de Médici, me sugere uma conversa com o recém-convocado para a pasta da Justiça, Armando Falcão. Assunto: fim da censura em clima de distensão.

Conversei duas vezes com Falcão enquanto Roberto Civita entre janeiro e fevereiro de 1974 apontava em Hugh Hefner um notável filósofo da modernidade. Mal assumiu a pasta, dia 19 de março de 1974, Falcão chamou-me a Brasília para comunicar que a censura se ia naquele instante. Sublinhei: “Sem compromisso algum de nossa parte”. “Claro, claro”, proclamou, e me deu de presente seu livro de recente publicação, intitulado A Revolução Permanente. Mais tarde Golbery comentaria: “Falcão é o nosso Trotski”.

Três semanas após, a censura voltou, mais feroz do que antes. Duas reportagens causaram a costumeira irritação, fatal foi uma charge de Millôr Fernandes. Em revide, decretava-se que a censura seria executada em Brasília às terças-feiras. Fui visitar Golbery no dia seguinte, eu estava de veneta rebelde, levei meus dois filhos meninotes, e andei pela capital federal de limusine. No meu livro de próxima publicação, O Brasil, a sair pela Editora Record como O Castelo de Âmbar, descrevo assim a visita ao chefe da Casa Civil.

“A secretária do ministro, dona Lurdinha, senhora de modos caseiros, redonda rola sobre o carpete sem perder o sorriso, chega-se ao meu ouvido, murmura: “Veio também o senhor Roberto Civita, quer ser recebido mas não tem hora marcada”. Não deixo que o tempo se estique inutilmente, tomo a visão panorâmica da antessala e vejo Arci, entalado em uma poltrona com expressão perdida na paisagem da savana descortinada além das vidraças. “Que faz aqui?” E ouço meu próprio latido.
“Vici me contou que você viria, e eu gostaria…”
“Você não pediu audiência, não tem hora”, proclamo.

Ele insiste, à beira da imploração. O meu tom chama a atenção de Manuela e Gianni, encaram a cena sem entender o assunto, percebem porém que o pai está muito irritado, enquanto o outro tem jeito de pedinte. Lurdinha traz uma laranjada para as crianças e avisa que o general está à espera. Admito: “Você entra comigo, mas se compromete a não abrir a boca”. Ele promete.

Na conversa que se segue no gabinete da Casa Civil, o meu argumento é óbvio, Veja é uma revista semanal que encerra o trabalho na noite de sábado e vai às bancas às segundas-feiras, obrigá-la a submeter textos e fotos aos censores na terça significa inviabilizá-la. Pergunto a Golbery: “Os senhores pretendem que Veja simplesmente acabe?” Não, nada disso. “Então é preciso pôr em prática outro sistema.”

O chefe da Casa Civil entende e concorda. Diz: “Vá até o Ministério da Justiça, fale com Falcão, a Lurdinha já vai avisá-lo, diga a ele que vamos procurar uma saída até amanhã no máximo, a próxima edição tem de sair regularmente”.
Golbery fica de pé, hora da despedida. O general não conhecia o patrãozinho que até aquele momento cumpriu a promessa feita na antessala. E de supetão abre a boca: “General, se o senhor acha que devemos tomar alguma providência em relação ao Millôr Fernandes…”
Golbery fulminou-o: “Senhor Civita, não pedi a cabeça de ninguém”.

Poucos entenderam que o Minuano poderia despertar ciclones. Foto: Reprodução

Vici e Arci, ou seja, Victor Civita e Roberto Civita, assim se chamavam no castelo envidraçado à beira do Tietê, esgoto paulistano ao ar livre. Esse entrecho já o desenrolei em O Castelo de Âmbar sem merecer desmentido e o próprio Millôr o colocou no ar do seu blog logo após a publicação no final de 2000. Ao sair do gabinete de Golbery, eu disse a Roberto Civita “você é mesmo cretino”, como depois o definiria na conversa de despedida com o pai Victor, mas poderia dizer coisa muito pior. Quanto à minha saída da direção de Veja e de conselheiro board abriliano, descrevi o evento em editorial de poucas semanas atrás. Faço questão de salientar, apenas e ainda, que não fui demitido, e sim me demiti para não receber um único centavo das mãos de um Civita, nem que fosse a comissão pelo empréstimo de 50 milhões de dólares recebidos pela Abril da Caixa Econômica Federal, juntamente com o fim da censura, em troca da minha cabeça. A revista prontamente caiu nos braços do regime.

A partir daí, tive de inventar meus empregos para viver. Ou por outra, para viver com um salário infinitamente menor (insisto, infinitamente) do que aquele dos importantes da imprensa, e nem se fale daqueles da televisão. Ganham mais que os europeus e de muitos americanos. Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias de Pannunzios, Magnolis e Azevedos, e de vários que os precederam. Muito representativos de uma mídia que manipula, inventa, omite e mente. Observem os fatos e as mentiras da atualidade imediata, o caso criado pelo protagonismo de Gilmar Mendes e pela ferocidade delirante dos chapa-branca da casa-grande. Além do mais, há em tudo isso um traço profundo de infantilidade, um rasgo abissal, a provar o estágio primitivo da sociedade do privilégio, certa de que a senzala aplaude Dilma e Lula e mesmo assim se conforma, resignada, dentro dos seus habituais limites.

Os caluniadores são, antes de mais nada, covardes. Sentem as costas protegidas pela falta generalizada de memória, ou pela pronta inclinação ao esquecimento. Pela impunidade tradicional garantida por uma Justiça que não pune o rico e poderoso. Pelo respaldo do patrão comprometido com a manutenção do atraso em um país onde somente 36% da população conta com saneamento básico, e 50 mil pessoas morrem assassinadas ano após outro. Confiam no naufrágio da verdade factual, pela enésima vez, e que tudo acabe em pizza, como outrora se dizia, a começar pela CPI do Cachoeira e pela pantomima encenada por Gilmar Mendes. E que o tempo, vertiginoso e fulminante como sempre, se feche sobre os fatos, sobre mais uma grande vergonha, como o mar sobre um barco furado.

Brincando com a Justiça: BESTA pirateou declaração de Ayres Britto em encontro de blogueiros

Telão da BESTA com a frase pirateada. Reprodução do site de PHA

A BESTA, organização de blogueiros autoproclamados progressistas, pirateou uma frase atribuída ao ministro Ayres Britto durante encontro de blogueiros ocorrido em Salvador no último fim-de-semana.  Apesar de formalmente desautorizada pelo Presidente do STF, a frase foi exibida num telão ao lado de outra, do ministro Lewandovski, com o propósito de dar uma legitimidade aparente à causa defendida pelo grupo — a volta da censura mascarada com o rótulo de ‘Ley de Medios’.

O assédio da BESTA constrangeu Ayres Britto desde que Paulo Henrique Amorim pediu uma audiência para fazer-lhe o convite. O apresentador da TV do bispo Edir Macedo foi recebido  pelo ministro no dia 2 de abril. Levou seu advogado Marcos Cesar Klouri, que aproveitou o encontro para tecer considerações acerca do mérito de processos contra seu cliente, réu em mais de 40 ações por calúnia, injúria e difamação. O episódio  teve a mesma natureza do encontro entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes. O Blog do Pannunzio tratou do assunto no post Constrangido por Paulo Henrique Amorim, Ayres Britto recusa convite para abrir encontro da BESTA, publicado no dia 6 de abril.

Dias depois da conversa, diante da recusa do ministro Ayres Britto ao convite para participar  do evento, um dos organizadores do simpósio da BESTA escreveu um e-mail à Presidência do STF solicitando o envio da frase que deveria ilustrar a abertura do encontro. Na resposta, enviada também por e-mail, a assessoria de Ayres Britto desautorizou a menção à frase em função da “excessiva judicialização” da atuação dessa estirpe de blogueiros. O veto foi desconsiderado e a frase, como se pode ver na foto acima, foi utilizada como se houvesse autorização.

Curiosamente, o encontro terminou com a indicação de que os blogueiros da BESTA desconheçam as sentenças de primeira instância, num movimento de desobediência civil que representa uma verdadeira afronta ao Judiciário. “Não teria nenhum sentido o Ayres Britto patrocinar mais este ataque à instituição da Justiça”, diz a fonte do Blog do Pannunzio.

O pirata virtual e a pirataria

A iniciativa de convidar Ayres Britto para o encontro da BESTA foi de Paulo Henrique Amorim. A divulgação de informações desencontradas dando conta de que o ministro do STF havia aceitado o convite aconteceu primeiro no site dele e foi reproduzida por dezenas de blogues associados. Na antevéspera do evento, PHA postou em seu blog informações que sabia não serem verdadeiras.

Ele afirmou em seu blog que “o presidente do Supremo (…) também contribuirá para ilustrar a abertura do encontro”. A citação que aparece no post (“A liberdade de imprensa não só mais para os donos da imprensa”), no entanto, é bem diferente de um dos bordões de Ayres Britto. A frase originalmente mencionada na conversa com o ministro, publicada no proprio blog blog de PHA dias antes, era “A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade”. E foi essa que, a despeito da negativa, acabou sendo transformada em emblema do evento.

 

 

 

 

 

 

Gilmar questiona uso de dinheiro público para atacar instituições

Jorge Bastos Moreno

O ministro Gilmar Mendes acaba de informar à Rádio do Moreno que vai entrar com uma ação na Procuradoria Geral da República, solicitando o substrato das empresas estatais que usam o dinheiro público para o financiar blogs que atacam as instituições.

— É inadmissível que esses blogueiros sujos recebam dinheiro público para atacar as instituições e seus representantes. Num caso específico de um desses, eu já ponderei ao ministro da Fazenda que a Caixa Econômica Federal, que subsidia o blog, não pode patrocinar ataques às instituições.

( Eu sei bem de quem o ministro está falando, mas, como me disse Jobim sobre essa confusão toda, “eles que são branco é que se entendam” . Jobim, Heraldo, FH e eu vamos ficar na nossa. No caso, Heraldo, não é pra menos, quer distância desse blogueiro. Eu só não sabia que a Caixa Econômica patrocinava esse tipo de blog )

O ministro explicou que, nem de longe, sua decisão visa atingir a liberdade de expressão. Pelo contrário, é em defesa que se luta contra as pessoas que não se acostumaram a viver dentro de um regime democrático.

— O direito de crítica, de opinião, deve ser respeitado. Mas o ataque às instituições é intolerável — acrescentou o ministro Gilmar Mendes.

Beba na fonte: Gilmar questiona uso de dinheiro público para atacar instituições – Jorge Bastos Moreno: O Globo.

6 dos 9 PMs presos após execução deixam a cadeia

Seis policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) envolvidos na ação que provocou a morte de seis suspeitos na noite de segunda-feira, na Penha, zona leste de São Paulo, foram colocados em liberdade na tarde desta quinta-feira, 31, depois de passar dois dias em prisão administrativa. Eles estão afastados do serviço de rua. Outros três que foram presos em flagrante pela execução de um dos suspeitos permanecem detidos no Presídio Militar Romão Gomes.

Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, foram liberados na tarde desta quinta dois tenentes, um sargento, um cabo e dois soldados que participaram da ação ocorrida no estacionamento na Rua Osvaldo Sobreira, próximo ao Parque Tiquatira.

A prisão administrativa serviu para que eles não interferissem nas investigações.

Os dois tenentes foram detidos para que se apurasse se foram omissos ou prevaricaram em relação ao que foi feito pelo restante da tropa. Já os depoimentos do sargento, do cabo e dos dois soldados apresentavam inconsistências entre si, segundo a Corregedoria. Não foram divulgadas quais seriam as inconsistências.

Segundo o major Levi Félix, da Corregedoria, ainda não é possível afirmar se os policiais presos administrativamente têm alguma culpa. “O inquérito é que vai esclarecer o que aconteceu. Toda ação de confronto sempre é investigada”, disse.

Os seis seguem em liberdade até o fim do inquérito. “Eles agora deverão passar pelo Programa de Acompanhamento do Policial, destinado a quem se envolve em ocorrência com morte, e ficarão à disposição de suas unidades”, afirmou o major.

Afastamento. Os policiais ficam afastados do serviço de rua quando passam pelo programa. “Como ocorre com todos os que se envolvem em ocorrências com morte, eles só voltarão à rua quando estiverem em plenas condições emocionais. É temerário colocá-los em situações de risco como se nada tivesse acontecido”, disse o major.

A PM ainda vai analisar laudos e perícias para apurar a participação de cada um dos 24 policiais que, em seis viaturas, se envolveram na ação da última segunda.

Depois da abordagem da Rota na Penha, uma testemunha ligou para o 190 e relatou, em tempo real, a execução de um dos suspeitos na Rodovia Ayrton Senna, nas proximidades do Parque Ecológico do Tietê.

Estavam na viatura o sargento Carlos Aurélio Thomaz Nogueira, de 42 anos, o soldado Marcos Aparecido da Silva, de 37, e o cabo Levi Cosme da Silva Júnior, de 34, que foram presos em flagrante por homicídio doloso e continuam atrás das grades.

Cãibras. Câmeras mostraram a viatura parada no local. Um dos policiais alegou que parou ali para se exercitar porque estava com cãibras.

Segundo a Rota, uma denúncia feita diretamente ao quartel disse que um grupo de criminosos planejava, no estacionamento da Penha, o resgate de um preso do Centro de Detenção Provisória do Belém, também na zona leste. A PM diz que encontrou armas e drogas com os suspeitos – que seriam do Primeiro Comando da Capital – e foi recebida a tiros.

A Polícia Civil também conduz um inquérito para determinar o que aconteceu na noite da última segunda-feira. Já foram colhidas provas no local e recolhidas as armas dos policiais envolvidos. Nesta quinta também começaram a ser analisadas imagens dos prontos-socorros para onde foram levados os suspeitos.

Beba na fonte: Soltos 6 dos 9 PMs presos após mortes – saopaulo – saopaulo – Estadão.

O louvável esforço de Lula para não dizer nada

Não foi uma entrevista, foi bajulação explícita. Ainda assim, foi louvável o esforço de Lula para aparecer no programa do Ratinho. Ele entrou no palco claudicante, mas dispensou a muleta. Teve que se amparar na mesa do cenário para que as pernas não lhe traíssem. E enfrentou o incômodo de uma garganta ainda doente que lhe conferiu um tom metálico à voz.

A julgar por tudo o que lhe foi perguntado e pelas respostas oferecidas, o objetivo da presença de Lula no Ratinho foi plenamente alcançado: apresentar às classes C e D o candidato que ele impôs ao PT para disputar a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Lula não estava ali para esclarecer nada, estava ali para fazer campanha.

Quem assistiu do começo ao fim ficou sabendo algumas coisas fundamentais para entender Lula. Sabe-se agora que ele come rabada com apresentadores de TV, que arrumava sua casa e cozinhava quando ia a São Bernardo do Campo passar fins-de-semana com a esposa Marisa e que ele tomou dois tombos, e não apenas um. Onde ocorreu o segundo ele não revelou, talvez porque isso faça parte do rol de coisas das quais não convém falar.

Ratinho, que montou uma rede de emissoras de rádio e televisão ao tempo da gestão do amigo, criou um clima emocional para recebê-lo. Exibiu um trecho de ‘Lula, o Filho do Brasil’ e botou no ar uma matéria enaltecendo o PROUNI. A filha de um pedreiro que está estudando medicina ilustrou metonimicamente a abordagem.

Duas outras figuras públicas de grande prestígio foram utilizada como peças auxiliares para a promoção das virtudes do ex-presidente. Ronaldo Fenômeno cedeu-lhe a associação com sua imagem resiliente. Apareceu novamente como o personagem que não desiste nunca. E Zeca Pagodinho o convidou para um chope, aproveitando-se da oportunidade para reiterar o cervejeiro, fazendo uma espécie de merchandising de seu (dele, Zeca Pagodinho) alcoolismo lucrativo.

Luis Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo, tem motivos para ficar enciumado. Mereceu apenas um cumprimento do apresentador e nenhuma palavra do entrevistado. Ficou na platéia enquanto seu companheiro paulistano foi convidado a se sentar em uma cadeira ao lado da ribalta, embora seja tão candidato quanto Haddad.

O affair com o ministro Gilmar Mendes só foi abordado no último minuto do programa, quando a entrevista já resvalava para as considerações finais – ainda que Ratinho tenha antecipado que não queria entrar no assunto porque o povo “não está entendendo” esse assunto. Lula passou ao largo do problema, disse apenas que já havia se maniffestado em uma nota. Não se manifestou. A nota não é dele, é do Instituto Lula, e nela não há nenhuma declaração de Lula de que a versão do encontro apresentada pelo ministro do STF não é verdadeira. O silêncio reiterado, a esta altura, parece deixar claro que o desmentido não é um problema estratégico — é uma impossibilidade concreta.

PIB do 1º trimestre de 2012 sobe 0,2% ante 4º trimestre de 2011

Daniela Amorim e Mariana Durão
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou aumento de 0,2% no primeiro trimestre de 2012 em relação ao quarto trimestre de 2011, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou no piso do intervalo das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, que esperavam alta de 0,20% a 0,80%, e abaixo da mediana projetada, de 0,50%.

Em valores correntes, o PIB do primeiro trimestre somou R$ 1,033 trilhão.

Os setores de agropecuária e investimentos apresentaram queda e influenciaram o crescimento tímido do PIB.

Na comparação do primeiro trimestre deste ano com o quarto trimestre de 2011, o PIB da agropecuária caiu 7,3% e os investimentos – representados pelo item Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – caíram 1,8%. A taxa de investimento (FBCF/PIB) no primeiro trimestre de 2012 foi de 18,7%.

O PIB da agropecuária teve a maior queda desde o terceiro trimestre de 2005, quando caiu 7,4% em comparação ao trimestre imediatamente anterior.

Os investimentos no primeiro trimestre de 2012 tiveram seu pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, quando a queda foi de 12,8% frente ao trimestre anterior.

Crescimento

O desempenho da indústria, serviços, consumo das famílias e do governo garantiu o crescimento do PIB no período.

Na indústria, o PIB subiu 1,7% no primeiro trimestre contra o quarto trimestre de 2011. Após três recuos consecutivos, o desempenho da indústria teve a maior alta na margem desde o primeiro trimestre de 2010, quando subiu 2,6%.

Já em serviços a alta foi de 0,6% no período. O consumo das famílias, segundo o IBGE, registrou alta de 1,0%. O consumo do governo, por sua vez, teve alta de 1,5% no primeiro trimestre de 2012 ante o quarto trimestre de 2011.

O consumo das famílias repetiu o resultado do quarto trimestre do ano passado (alta de 1%), o melhor desde o último trimestre de 2010. Naquele trimestre houve alta de 1,9%.

As exportações cresceram 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2011. Já as importações contabilizadas no PIB aumentaram 1,1% no primeiro trimestre na comparação com o quarto trimestre do ano passado. A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

Comparação com 1º trimestre de 2011

Na comparação do primeiro trimestre de 2012 com o mesmo período do ano passado, o PIB do País apresentou alta de 0,8% nos primeiros três meses deste ano, resultado que ficou dentro das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que variavam de 0,60% a 2,10%, com mediana de 1,30%.

Já o PIB da Agropecuária teve queda de 8,5% nos três primeiros meses deste ano na comparação com o primeiro trimestre de 2011, enquanto os investimentos (FBCF) recuaram 2,1% no primeiro trimestre deste ano.

O PIB da indústria mostrou alta de 0,1% na comparação entre o primeiro trimestre de 2012 e 2011. O segmento de serviços mostrou alta 1,6% e o consumo das famílias aumentou 2,5%. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o consumo do governo subiu 3,4%.

O IBGE informou ainda que, no primeiro trimestre de 2012, as vendas externas subiram 6,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2011. Em relação ao primeiro trimestre de 2011, as importações subiram 6,3% no primeiro trimestre deste ano.

Beba na fonte: PIB do 1º trimestre de 2012 sobe 0,2% ante 4º trimestre de 2011 – economia – brasil – Estadão.

Assessor diz que recebeu de Cachoeira por serviço eleitoral prestado a Perillo

Fernando Gallo

Responsável pela propaganda eleitoral de Marconi Perillo (PSDB) no rádio em 2010, o jornalista Luiz Carlos Bordoni afirma que uma empresa do esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira foi usada para pagar os serviços de publicidade que ele prestou para a campanha do governador goiano. Segundo Bordoni, o pagamento, feito pela Alberto e Pantoja, empresa fantasma que segundo a Polícia Federal era controlada por Cachoeira, foi comandado por Lúcio Fiúza Gouthier, assessor especial de Perillo.

O então senador Marconi Perillo assite ao lado de Bordoni (de óculos) a jogo da Copa em 2010
O depósito de R$ 45 mil, referente à metade do total de R$ 90 mil que o jornalista diz ter ficado pendente de pagamento após as eleições, foi feito pela Alberto e Pantoja na conta da filha de Bordoni, Bruna Bordoni, em 14 de abril de 2011, e consta dos autos da Operação Monte Carlo.

Segundo o jornalista, o pagamento saiu depois de ele ter cobrado o staff de Perillo da dívida, que já perdurava seis meses. Quem cuidou da operação foi o assessor do governador.

“O sr. Lúcio Gouthier me ligou perguntando o número da minha conta pra depositar esse dinheiro. Eu disse a ele que estava viajando, e que minha filha, que paga minhas contas e administra as minhas coisas, iria receber. Dei o número da conta dela para ele. De repente, essa conta foi passada para a Pantoja”, sustentou Bordoni, em entrevista exclusiva ao Estado. “O dinheiro foi depositado pela Pantoja na conta da minha filha. Era dívida de campanha do governador Marconi Perillo dos R$ 90 mil de saldo do trabalho que prestei a ele no programa de rádio na campanha de 2010.”

Assessor. Lúcio Gouthier é o assessor de Perillo que assinou documento afirmando ter recebido R$ 1,4 milhão pela casa do governador, que supostamente foi vendida para Carlinhos Cachoeira. Ele também é suspeito de ter recebido R$ 500 mil, que teriam sido enviados pelo braço direito do contraventor, Wladimir Garcêz, ao Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano, em uma caixa de computador.

A assessoria de Perillo nega ter feito os pagamentos por meio da empresa. “O Lúcio Gouthier é o homem que resolve todas as questões pendentes das campanhas eleitorais. Ele se responsabilizou por isso, ele resolveu e ele pagou. Pediu o número da conta pra depositar e depositou”, afirma Bordoni, que comandou todas as propagandas eleitorais de Perillo no rádio desde 1998, e, em 2010, além de dirigir os programas, era também o locutor.

Bordoni afirma que ele e Bruna só se deram conta da origem do pagamento quando o nome da filha apareceu na quebra de sigilo da Alberto e Pantoja. Bruna chegou a ser nomeada em 2005 como assessora do senador Demóstenes Torres, mas não tomou posse porque foi diagnosticada com uma doença no fígado e teve de fazer um transplante. Segundo Bordoni, a nomeação era um gesto de gratidão porque ele havia feito a campanha de Demóstenes ao Senado em 2002 sem cobrar.

O jornalista declarou conhecer Perillo desde que o governador integrava o PMDB Jovem na década de 1980, e disse ter “relação de amizade” com o tucano.

Bordoni diz ter resolvido vir a público denunciar o pagamento quando o nome de sua filha foi citado durante o depoimento de Demóstenes ao Conselho de Ética, anteontem, e por ter tido sua credibilidade sob suspeita. “Prestei o serviço honestamente. Não vou deixar que ninguém venha avacalhar minha credibilidade por causa de Cachoeira.”

Beba na fonte: Assessor diz que recebeu de Cachoeira por serviço eleitoral prestado a Perillo – politica – politica – Estadão.

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