Atendendo a pedidos: o campo de girassóis
Patrícia, Eduardo e o campo de girassóis plantado para as bodas de prata
Patrícia, Eduardo e o campo de girassóis plantado para as bodas de prata
Numa espécie de delação premiada ou mea culpa, o ex-diretor do Dnit Luiz Antonio Pagot, está neste fim de semana nas revistas Época e IstoÉ. Ele faz acusações de caixa dois na campanha de José Serra (PSDB) e de coação de empreiteiros para fazerem doações à campanha de Dilma e conta que ele próprio reuniu empreiteiros. Se hoje Pagot insinua que foi obrigado a fazer tais atos, na época flutuava por Mato Grosso como o grande arrecadador da campanha presidencial, chegou a dizer que havia sido convidado para ser coordenador da campanha, mas que havia declinado do convite, pois tinha muito trabalho para administrar as obras do PAC, que hoje sabemos, cheias de irregularidades. Depois da eleição, o mesmo Pagot que se insinua vítima de partidos políticos, se disse convidado a ser ministro do Transporte, tamanha a confiança e moral que tinha com a presidente Dilma.
Compulsivo forjador do próprio passado, pessoa sinistra e de olhar raso, diferente do que declarado nas revistas, ninguém em Mato Grosso sabe ao certo quem é Pagot, de onde veio e o que fez para chegar aonde chegou. Várias versões já foram contadas, inclusive a de que foi integrante do Cenimar, o mais cruel órgão de repressão no período militar. Fato jamais comprovado. Segundo seu padrinho político, o senador Blairo Maggi, Pagot foi “quase almirante”. Mentira contada ou pelo marinheiro ou pelo padrinho. Foi candidato a vereador em São Miguel do Iguaçu e teve pouco mais de 200 votos. De funcionário do grupo Amaggi, hoje é um próspero criador de gado. Na capital comprou um belo apartamento com dinheiro que guardava no colchão. Enfim, é uma figura que surgiu no estado em 2003 trazido pelo então governador eleito Blairo Maggi.
A única coisa do passado de Pagot que se comprova é que ele foi funcionário fantasma do Senado e por isso responde a processo movido pelo Ministério Público Federal.
Aos interessados, clique aqui para ler a Época e aqui a IstoÉ.
Dados do processo:
PODER JUDICIARIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1a REGIAO
PROCESSO : 37838-16.2008.4.01.34002008.34.00.038382-62008.34.00.038382-6CLASSE : 7100 – ACAO CIVIL PUBLICA
VARA : 5a VARA FEDERAL
DATA DE AUTUACAO : 03/12/2008
OBJETO DA PETICAO : 1110105 – ACUMULACAO DE CARGOS – REGIME ESTATUTARIO – SERVIDORPUBLICO CIVIL – ADMINISTRATIVO
P.A. 1.16.000.000548/2008-08 – MPF/PR/DF – PAGAR R$ 428.282,82 PELA PERCEPCAO ILICITA DE SIMULACAO DE EXERCICIO DE CARGO PUBLICO NO SENADO FEDERAL POR 7 ANOS, ONDE DEVERIA SER SECRETARIO PARLAMENTAR.
IMPTE : MINISTERIO PUBLICO FEDERAL
IMPDO : BLAIRO BORGES MAGGIIMPDO : ESPOLIO DE JONAS PINHEIRO DA SILVA
IMPDO : LUIZ ANTONIO PAGOT
Beba na fonte: Boquirroto arrependido? | Prosa & Política – Por Adriana Vandoni.
Nota divulgada pelo PSDB repudiando as denúncias de Pagot à Isto É:
“A matéria da Istoé é caluniosa. As campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sempre contaram com doações declaradas à Justiça Eleitoral. O governador não foi procurado pela revista, ao contrário de um grupo seleto de personagens nela citados. Com esse procedimento abominável, a Istoé deixou que prosperassem mentiras ditas pelo Sr. Luiz Antônio Pagot baseadas em algo que ele teria ouvido de um “procurador de empreiteira” cujo nome ele nem menciona.”
Durante a campanha eleitoral de 2010, o petista José de Filippi Junior, responsável por arrecadar dinheiro para a então candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, procurou Luiz Antônio Pagot, então diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), em busca de ajuda para conseguir doações. Pagot disse a ÉPOCA que Fillipi pediu a ele que buscasse recursos junto a entidades do setor da construção civil e forneceu o número de contas bancárias. Como diretor do Dnit, Pagot tinha sob sua responsabilidade cerca de R$ 10 bilhões para gastar em milhares de obras em rodovias, executadas por empresas dessa área. Pagot tinha acesso privilegiado a diretores dessas empresas.
Pagot afirma que, após a conversa com Filippi, reuniu-se com seis sindicatos de empresas da construção civil. Entre eles estão os sindicatos de São Paulo e de Mato Grosso, seu estado de origem. Pagot diz ter se reunido também com representantes da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor). “Fui um colaborador espontâneo”, afirma Pagot. De acordo com Pagot, graças a seu trabalho, entre 20 e 30 empresas medianas colaboraram com a campanha de Dilma. Ele diz que Fillipi recebia boletos de depósitos de empreiteiras que se dispuseram a fazer doações para a campanha.
Em nota enviada por sua assessoria a ÉPOCA, o deputado federal José de Fillipi Júnior (PT-SP) afirma que foi apresentado a Pagot no comitê da campanha presidencial, antes do primeiro turno da eleição. Filippi diz que, naquela ocasião, Pagot ofereceu à campanha três aviões do então governador de Mato Grosso (atualmente senador), Blairo Maggi (PR), seu padrinho político. Mas a oferta de Pagot, segundo Fillipi, não se concretizou. O deputado federal Fillipi afirma, ainda, que teve um segundo encontro com Pagot, após as eleições. Segundo ele, o objetivo da conversa foi “buscar recursos para saldar as dívidas da disputa eleitoral”. Na ocasião, a campanha devia cerca de R$ 28 milhões.
Filippi diz que, como resultado do “esforço de Pagot”, as empresas da família do senador Blairo Maggi ajudaram o combalido caixa petista com R$ 1 milhão. A Amaggi Exportação e Importação Ltda doou R$ 700 mil no dia 25 de novembro. No dia seguinte, a Agropecuária Maggi compareceu com R$ 300 mil. Fillipi nega ter recebido boletos de depósitos das empreiteiras, como afirma Pagot. Diz ele, em uma nota: “todo o processo de doação eleitoral é eletrônico e identificado pelas instituições bancárias. Assim, a coordenação financeira tinha acesso “online” aos depósitos feitos”.
O Dnit é um dos órgãos mais cobiçados pelos políticos. Trata-se do braço do Ministério dos Transportes responsável por construir e reformar rodovias e ferrovias em todo o país. Seu orçamento este ano é de cerca de R$ 15 bilhões. Pagot chegou ao Dnit por indicação de Blairo Maggi, em um acordo entre o PR e o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, sabe-se que, em 2010, Pagot foi procurado pelo partido do governo para usar sua posição privilegiada no governo para conseguir dinheiro para a campanha da candidata do governo. Na versão de Filippi, Pagot teria oferecido ajuda financeira de seu padrinho político à campanha da candidata do governo.
Meses depois de ajudar na campanha, Pagot acabou demitido do Dnit. Ele foi acusado de participar de um esquema do PR, que consistia em propina a fornecedores do governo. Em entrevista a ÉPOCA em abril, Pagot afirmou que havia sido afastado da direção do Dnit “através de uma negociata de uma empreiteira com um contraventor”. Pagot se refere à construtora Delta e a conversas captadas pela Polícia Federal entre o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Castro, o Carlinhos Cachoeira, e o então diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu. Nos diálogos, Cachoeira afirma ter plantado notícias contra Pagot na imprensa. Ele e Abreu comemoram a decisão da presidente Dilma Rousseff de afastar Pagot, e outros suspeitos de corrupção, do Ministério dos Transportes.
Pagot resistiu a deixar o cargo. Ele afirma que Filippi nunca ligou para agradecer seu trabalho na campanha. “Não é o estilo dele”, diz. “O estilo dele é ‘usa e joga fora’”.
Beba na fonte: http://revistaepoca.globo.com/Brasil/noticia/2012/06/tesoureiro-do-pt-pediu-ajuda-pagot-para-campanha-de-dilma.html
Desde o início do ano, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot tem prestado consultoria em projetos de navegação fluvial. Os negócios vão bem, mas a incursão no setor privado ainda não foi suficiente para apagar a mágoa que guarda pela maneira como deixou o governo, no rastro do escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes. Casado, pai de uma filha, o economista, que é oficial reformado da Marinha, considera-se um técnico competente, de confiança, e diz que nutria pelo governo uma fidelidade quase canina.
Mas a demissão, que classifica como “traição mortal”, alimenta agora um sentimento de vingança. E motivou Pagot, nos últimos dois meses, a fazer uma série de depoimentos à ISTOÉ. Em três encontros com a reportagem num hotel em Brasília, todos gravados, Pagot contou detalhes sobre a forma como, no exercício do cargo, foi pressionado pelo governo de José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel. A obra, segundo ele, serviu para abastecer o caixa 2 da campanha de José Serra à Presidência da República em 2010.
“Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse Pagot. Nas conversas com ISTOÉ, Pagot também afirmou ter ouvido do senador Demóstenes Torres um pedido para que o ajudasse a pagar dívidas de campanha com a Delta com a entrega de obras para a construtora.
Mas nem o aditivo de R$ 260 milhões para o trecho sul do Rodoanel foi liberado pelo DNIT – embora tenha sido pago pelo governo de São Paulo – nem o favor a Demóstenes foi prestado, segundo Pagot. Porém, ele não resistiu ao receber uma missão do comitê de campanha do PT durante as eleições de 2010. Pagot disse que, quando ocupava a diretoria do órgão que administrava bilhões em obras públicas em todo o País, recebeu do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), um pedido para arrecadar recursos junto às empreiteiras.
“Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações, no entanto, teriam sido feitas pelas vias legais, de acordo com o ex-diretor do DNIT.
Os segredos que Pagot guardava até agora ajudam a explicar por que a CPI do Cachoeira adiou deliberadamente sua convocação. Ele diz que está pronto para falar tudo e desafia: “Duvido que me chamem. Muitos ali têm medo do que posso contar.” Nas entrevistas à ISTOÉ Pagot forneceu detalhes dos encontros com o tesoureiro do PT, José De Filippi.
Ele contou que, em meados de 2010, foi chamado ao QG petista, no Lago Sul, onde foi apresentado a Filippi, que lhe pediu ajuda para passar o chapéu entre as empreiteiras. Dias depois, revelou, os dois voltaram a se reunir no DNIT, onde Pagot lhe apresentou uma lista com cerca de 40 empreiteiras médias e grandes que tinham contrato com o órgão. Ao analisar hoje a prestação de contas da campanha, Pagot identifica ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia. Elas doaram cerca de R$ 10 milhões, segundo a prestação de contas apresentada pelo PT ao TSE. Filippi disse à ISTOÉ que realmente foi apresentado a Pagot no comitê da campanha durante o primeiro turno da eleição. “Mas a conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi, que negou ter recebido boletos de depósitos. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral”, admite Filippi.
Com os tucanos paulistas foi diferente. Os pedidos eram para um caixa 2 e ele se recusou a atendê-los. Pagot contou à ISTOÉ que recebeu pressões para liberar R$ 264 milhões em aditivos para a conclusão do trecho sul do Rodoanel. Segundo ele, em meados de 2009, o então diretor da Dersa, empresa paulista responsável pelas estradas, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, solicitou uma audiência no DNIT. Levou assessores, engenheiros e um procurador para tentar convencer Pagot a liberar a quantia. Até então, a obra tinha consumido R$ 3,6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão em repasses da União. Acompanhado do diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, Pagot disse que o governo não devia mais nada à Dersa. Quarenta dias depois, houve nova reunião, no Palácio dos Bandeirantes, na qual tentaram recolher sua assinatura num Termo de Ajuste de Conduta (TAC), apresentado pelo Ministério Público Federal. “A partir daí começaram as pressões”, diz Pagot. Ele diz que recebia telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. O caso foi parar no TCU, que autorizou a Dersa a assinar o TAC, condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do MP. Pagot recorreu à AGU, que em parecer, ao qual ISTOÉ teve acesso, o liberou de assinar o documento.
Em meados de 2010, almoçando uma dobradinha no tradicional restaurante Francisco, em Brasília, o procurador de uma empreiteira adicionou para Pagot um elemento novo à já suspeita equação do Rodoanel. O interlocutor, segundo o ex-diretor do DNIT, revelou que no convênio haveria um percentual para abastecer a campanha de Serra. “Aquele convênio tinha um percentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. Consulta ao TSE mostra que o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões, em cifras oficiais. O representante de uma empreiteira que participou do Rodoanel confirmou à ISTOÉ que manteve contatos com Pagot reivindicando o aditivo.
Questionado por ISTOÉ, Valdemar Costa Neto confirmou os contatos. Disse que atua “junto à administração pública em favor da liberação de recursos para investimentos que beneficiem” sua região. Nascimento, por sua vez, admitiu ter sido procurado por dirigentes do governo de São Paulo para discutir o aditivo, mas garante que refutou o pedido. Passos negou qualquer pressão.
A metralhadora giratória acionada por Pagot também atinge a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Ele diz que, em 2010, quando Ideli era candidata ao governo de Santa Catarina, ela pediu uma audiência no DNIT para tratar de três convênios do órgão no Estado, e, ao final do encontro, solicitou que a ajudasse também na arrecadação de recursos. “Ela queria que eu chamasse as empreiteiras e pedisse para pôr dinheiro na campanha dela”, afirma. Como se negou a ajudá-la, Pagot acha que Ideli ficou ressentida e passou a miná-lo quando chegou ao Planalto. Por meio de nota, Ideli negou que tenha recorrido a Pagot para solicitar recursos.
Mas as pressões em cima do diretor do DNIT não vinham apenas do PT e do PSDB. Outra confissão de Pagot diz respeito a um jantar que teve com Demóstenes (ex-DEM) e a cúpula da construtora Delta no ano passado. Ao final do encontro, Demóstenes teria chamado Pagot para uma conversa privada, num cômodo de sua casa. Na conversa, Demóstenes disse que estava com dívidas com a Delta e que precisava “carimbar alguma obra para poder retribuir o favor” que a construtora fez para ele na campanha. Como se vê, o DNIT era um tesouro cobiçado por muita gente.
Quero fazer um convite aos dois leitores mais ativos da área de comentários do blog: Big Head e Jotavê. Os dois têm uma visão política antagônica e duelam vigorosamente em torno das questões abordadas neste espaço.
Gostaria que ambos lessme as edições de Veja apontadas por Mino Carta como prova de que não houve alinhamento à ditadura militar brasileira. Estão no Arquivo Digital de Veja. As edições são as de número 1 (com a foice e o martelo na capa, de 11/09/68) e 66 (sobre a tortura, de 10/12/69).
Prometo publicar integralmente as conclusões de ambos. Vou sugerir um limite de 2 mil caracteres para que os textos se equivalham em tamanho.
Como tenho certeza de que eles vão topar o desafio, aguardo com ansiedade suas impressões para estampar aqui na página do blog.