Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “junho 5, 2012”

Agradecimento

Agradeço aos leitores Big Head e Jotavê, que prontamente atenderam ao desafio do Blog e produziram  resenhas sobre as edições de Veja nominadas por Mino Carta com o propósito de demonstrar que não houve atrelamento da revista sob sua supervisão ao governo Médici. Os texto estão disponíveis para a consulta e a crítica na página principal do blog.

As conclusões de ambos, como eu previa, divergem frontalmente. Nelas estão contidos elementos de crítica e informação que certamente irão contribuir para ampliar a abordagem do que se passou na imprensa no ambiente tenso dos anos 60/70.

Louvo a iniciativa e o trabalho que ambos tiveram. Certamente deram uma grande contribuição,ampliando o horizonte da disucssão.

A vocês dois, muito obrigado.

Desafio ao leitor II: A reencarnação do servilismo, pelo leitor Big Head

Resenha produzida pelo leitor Big Head sobre as edições de Veja que Mino Carta cita para provar que não houve atrelamento da revista aos governos militares.

Crescimento econômico alicerçado na explosão do consumo e na fartura do crédito.

 Copa do Mundo.

 Críticas virulentas à imprensa por parte do governo.Anestesia ufanista.

Pra frente, Brasil!

Quem reclama “se volta contra sua pátria, na estratégia do quanto pior melhor”, diz o presidente.

 “Mino, o chefe quer uma imprensa livre, mas com responsabilidade” – diz um assessor.

Não, não estou a falar sobre os tempos lulistas. Retrocedam, por favor. Mais precisamente até a década de 70. O chefe do proto-Franklin Martins que proferiu traiçoeira frase acima deu nome a um dos bois cantados pelos Titãs, quase vinte anos depois: Emílio Garrastazu Médici.

“Veja não receia cometer um grande engano ao acreditar que não se trata de limitação alguma, mas apenas justa referência, de oportuno lembrete, de um generoso pedido de colaboração – a imprensa não pode e não deve esquecer suas responsabilidades” – aquiesceu o editor de Veja.

Qualquer semelhança entre este diálogo e o discurso que hoje sai da boca dos apoiadores do controle “social” da imprensa não é mera coincidência.    

Corte para hoje.

Consumismo insuflado e crédito expandido são os pilares da economia.  

Copa do Mundo e Olimpíadas.

Ataques à imprensa, que teria se juntado à zelite para tramar um golpe contra o Governo Operário e seu projeto de Brasil Gigante.

Torpor patriótico.

Nunca-antes-na-história-deste-país!

Quem critica o governo é direitista, reacionário, entreguista, elitista, fascista, preconceituoso, anti-isso, anti-aquilo.

Mais uma vez, de que lado está o Mino?

Com a comprovação de que sua sabujice atual remonta ao século passado, vitimizando-se, aponta a capa da edição número 1 da revista como prova de não alinhamento. Por exibir uma foice e um martelo? Não julguemos um livro pela capa. Lá dentro apenas uma reportagem descrevendo as fissuras do monólito comunista, como se isso não fosse do conhecimento geral pelo menos desde Kruschev, mais de uma década atrás. A propósito, por que isso incomodaria os milicos?

Ah, mas tem a corajosa edição de nº 66, recheada de denúncias! Como é que é? Como bem reconhece a reportagem, os rumores sobre tortura no Governo Médici – talvez o mais emblemático representante da ditadura – já ultrapassavam o sussurro das alcovas e partiam de todos os lados, órgãos da imprensa e da sociedade civil. O servilismo altivo de Mino Carta entrou no debate mais para abrir as páginas da revista para a versão governista e, obliquamente, rebater a tese de que a prática estaria institucionalizada, não passando de desvios pontuais e indesejáveis, que seriam combatidos pelo Governo Revolucionário (sic).

“A tortura constitui uma prática intolerável pelos homens de bem do mundo moderno”, disse o chefe do 3º Governo da Revolução.

Médici queria construir e não reprimir, e teria iniciado uma campanha contra tais práticas condenáveis. O problema é que não poderia as extinguir por decreto, tendo que lutar contra campos férteis e contra sementes prontas para a tortura.

Sei…

Folheando a edição mais para frente, nais uma coincidência, topo com  uma reportagem sobre mais que emprestou o nome para os bois titânicos: Antônio Delfim Netto. Ministro da Fazenda de então, hoje guru do governo em temas econômicos, espécie de ministro sem pasta e, não pasmem!, atual colunista do panfleto minocartiano.

 Até a schadenfreude com os problemas econômicos dos Istêites está lá, igualzinha a de hoje?  Quanta coincidência, não?

 Aristóteles afirmou que alguns homens são escravos por natureza, pois nasceram com espírito servil e nada poderá curá-los.

 Marx, por sua vez, tem uma frase que já virou clichê: a história se repete como farsa.

 Só mesmo o Mino Carta, com sua epopeia de operador de países baixos de inúmeros governos, conseguiria juntar estes dois pensamentos, afinal sua trajetória de servilismo ao Governo Lula nada mais é do que a reencarnação farsesca de sua atuação como jornalista nos tempos de Médici.

 Brasil, ame-o ou deixe-o. 

Desafio ao leitor: não houve atrelamento de Veja à Ditadura, pelo leitor Jotavê

Contribuição do leitor Jotavê em resposta ao desafio do Blog, que solicitou a dois comentaristas muito ativos uma resenha das edições de Veja que Mino Carta evoca como prova de que não houve atrelamento da revista à ditadura militar brasileira.

O primeiro número da revista Veja tem um caráter emblemático. Sinaliza claramente — no tom, no estilo e no conteúdo de suas matérias — a linha editorial que Mino Carta pretendia imprimir ao semanário. A matéria de capa fala sobre o esfacelamento do bloco soviético e o fracasso da economia planificada. Na seção de política nacional, o foco recai sobre uma ação repressiva da polícia contra estudantes universitários em Brasília, alegando (ao menos na superfície do texto) que houve excessos “dos dois lados”. Se retiramos a revista de seu contexto original, a impressão que fica é a de uma revista conservadora, subserviente mesmo à orientação marcadamente anticomunista da ditadura e leniente diante da brutalidade cada vez maior e mais descontrolada do aparato militar de repressão. Inserida em seu contexto original, no entanto, o retrato que emerge é completamente diverso.

Uma parte da equação é tão óbvia que deveria dispensar apresentações. Como, no entanto, vivemos tempinhos ideologicamente difíceis, em que as obviedades são desafiadas com insistência, valerá a pena dar-lhes uma acolhida protocolar. Toda ditadura impõe às oposições um mínimo de disfarce. Em 1968, ninguém saía por aí falando abertamente contra o regime sem sofrer conseqüências imediatas. Isso afetava o cinema, o teatro, a literatura, a música popular — os artistas passaram a desenvolver técnicas de embalar suas críticas em metáforas cada vez mais abstrusas, na tentativa de driblar os zelos da censura. No caso de um periódico de grande porte e circulação nacional, o problema ficava muitíssimo mais agudo. Algum grau de transigência era condição sine qua non para a sustentação do projeto. É isso que explica, por exemplo, menções quase elogiosas ao general Medici no contexto de uma matéria que, do começo até o fim, pisava diretamente no principal calo do regime: a tortura de presos políticos. Leiam este trecho, publicado no número 66 da revista: “Como Garrastazu Medici é o presidente da Revolução que quer ‘construir e não reprimir’, como é o homem que pretende lançar as bases para o ‘Brasil Grande’, para uma pátria mais generosa no ano 2000, ele iniciou a inevitável campanha contra as torturas.” O que é isso? Bajulação do regime militar? Puxação de saco do general que comandava um aparelho de repressão responsável por inúmeros assassinatos e torturas? Fora do contexto original, sem dúvida. Quando lemos a reportagem toda, no entanto, a resultante é claramente desfavorável ao regime, e o “elogio” ao presidente Medici transforma-se numa cobrança de coerência: “O senhor não diz que a revolução quer construir e não reprimir? Por que então permite que ocorram no país os fatos relatados nesta reportagem? Não é o senhor que fala num Brasil mais generoso? Que generosidade é essa que se traduz no pau-de-arara e na cadeira-do-dragão?”

Até aqui, o óbvio — aquilo que, se você não percebe sozinho, não há quem possa fazê-lo perceber. Mas há outra camada a ser descoberta nesses textos antigos, e esta é talvez a mais importante. A revista Veja trazia para o centro da discussão política um modo alternativo de ver o mundo, que não se confundia com o conservadorismo brucutu de Medici, nem com as alternativas tradicionais da esquerda que, poucas semanas depois da publicação daquele número inaugural, vaiaria o “Sabiá” de Tom Jobim e Chico Buarque, e aclamaria histericamente o hino extra-oficial da guerrilha urbana composto por Geraldo Vandré. É nesse contexto — no contexto dessas oposições radicais, que hoje estão mais ou menos perdidas — que a manchete de capa do primeiro número (“O Grande Duelo no Mundo Comunista”) deve ser entendida. O que Mino Carta sinaliza, numa longa e bem documentada reportagem, é um novo rumo para a esquerda, desvinculado dos tradicionais alinhamentos com o “socialismo real”, e de maneira especial com o socialismo soviético. Denunciando o imperialismo russo no contexto da “União” das “Repúblicas” “Socialistas” Soviéticas, e a gritante ineficiência da economia planificada, ele não estava simplesmente fazendo eco ao anticomunismo vigente no Brasil de então. Estava dando razões “de esquerda”, digamos assim, para ser contra aquele modelo. O texto não fala a partir da perspectiva da política externa norte-americana. Dá voz a líderes de esquerda no interior de repúblicas rebeladas, e também a teóricos italianos, como Palmiro Togliatti, mostrando que havia alternativas interessantes fora da oposição diametral entre Garrastazu Medici e Carlos Marighella.

Essa talvez tenha sido a contribuição mais duradoura da revista para o debate nacional. Navegando como podia pelos mares procelosos da ditadura, Mino Carta arejou o debate político de um modo que só pode ser compreendido se não olhamos para o passado com os olhos do presente. Não estou dizendo que qualquer dessas idéias fosse nova. Nova era apenas a disposição de traçar novos limites ideológicos a partir de um órgão da grande imprensa com penetração nacional. E isso não foi pouco. Foi fundamental para formar toda uma geração que, anos mais tarde, formularia projetos políticos como os do PT e o do PSDB.

Encerro dizendo que é triste constatar que, hoje, voltamos a cultuar oposições diametrais superficialmente semelhantes àquelas que a revista Veja, em seus primeiros tempos, buscou superar. Digo que são apenas semelhantes na superfície porque as oposições de hoje, apesar de igualmente empobrecedoras, carecem até mesmo da base material sobre a qual floresceram suas antepassadas, durante a Guerra Fria. A diferença, hoje, entre o projeto político do PT e do PSDB diz respeito única e exclusivamente aos NOMES que deveriam ocupar o poder. Não há discordância significativa de fundo, ou, para ser mais exato, as discordâncias existentes entre um José Serra e um Pedro Malan são muitíssimo mais importantes e profundas do que as existentes entre José Serra e Dilma Rousseff, por exemplo. Como bem disse o ex-presidente Fernando Henrique, a briga não é ideológica; é pelo controle do Estado. Só isso. Nada mais. Nos idos de 68, a oposição era absolutamente real. Dizia respeito ao projeto de país que cada grupo tinha em mente. O controle do Estado era simplesmente o MEIO para derrotar o PROJETO adversário. Fazia todo sentido que, naquela época, as pessoas se xingarem, se ofenderem, atirarem pedras umas nas outras, lutarem pela destruição total do inimigo. Hoje, essa luta, reeditada por jornalistas que descem ao nível de animadores de auditório, tem um quê da história que se repete como farsa. É ridícula, pois é vazia. Por ser vazia, necessita de gritos cada vez mais altos, de palavras cada vez mais fortes, que mal disfarçam com a virulência sua própria falta de conteúdo. Pessoas inteligentes não se sujeitam a ser massa de manobra de chefes de torcida. Pensam. Refletem. Acima de tudo, DESPREZAM qualquer tentativa de manipulação ideológica. Quando você tem alguma coisa a dizer, diz em voz baixa. E quando você tem realmente capacidade de pensar, gosta de argumentos, e não de palavras de ordem.

Blog publica o inédito Diário de Luiz Carlos Prestes. Ou: o dia em que o Partidão decidiu expulsar Marighella

Dezembro de 1967. A um ano do recrudescimento do regime militar brasileiro, o Partido Comunista Brasileiro, então na clandestinidade, reuniu seus quadros no Sexto Congresso para aprovar uma série de medidas importantes. Cindido por uma luta interna fratricida, confrontado com a desarticulação no campo sindical, tangido pela decisão de alguns de seus membros de iniciar a luta armada contra o regime, o Partidão tinha diante de si uma das decisões mais importantes de sua história: referendar a expulsão de Carlos Marighella.

No ano anterior, Marighella conseguira controlar a secção paulista do Partido Comunista e, em oposição à política de alianças do Comitê Central, resolveu partir para a luta armada.

A iniciativa foi fortemente combatida por Luiz Prestes, que levou o PCB a definir a expulsão do grupo vinculado ao militante baiano com pesadas críticas ao culto à personalidade, vocação ao “direitismo” e insubordinação ao que havia sido decidido no Quinto Congresso.

O militante não participou da reunião. Estava em Cuba representando os comunistas brasileiros na conferência da OLAS — Organização Latino-Americana de Solidariedade — quando o PCB decidiu enviar uma carta desautorizando sua participação.

Dessa dissidência nasceu a Aliança Libertadora Nacional (ALN), que enfrentou de armas em punho a ditadura brasileira. Marighella morreu emboscado em São Paulo pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury dois anos mais tarde, em 4 de novembro de 1969.

Com a publicação do Diário de Luiz Carlos Prestes, o Blog do Pannunzio coloca à disposição dos leitores um documento obrigatório para quem pretende entender o contexto e as contradições internas do Partidão num momento crucial de sua história.

As anotações originais estão em poder do filho de Prestes, Yuri, que vive atualmente em Moscou. Foram obtidas pelo jornalista Francisco Câmpera, que gentilmente as cedeu ao Blog do Pannunzio.

http://www.pannunzio.com.br/wp-content/uploads/Diário-de-Carlos-Prestes.pdf

STF confirma quebra nacional de sigilos bancário, fiscal e telefônico da Delta

Mariângela Galluc

Em sua primeira decisão individual sobre um tema polêmico, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou na noite desta segunda-feira, 4, um pedido da Delta Construções para que fosse suspensa a quebra nacional dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da empresa. A quebra dos sigilos havia sido decretada pela CPI do Cachoeira.

O despacho de Rosa Weber, negando uma liminar à Delta, é um péssima notícia para a empresa, que nesta segunda protocolou um pedido de recuperação judicial. A íntegra da decisão da ministra, que tomou posse no Supremo em dezembro do ano passado, não foi divulgada até o fechamento desta edição. Mas no sistema de acompanhamento processual do STF foi incluída a informação de que a liminar foi indeferida.

Na ação protocolada na semana passada no STF, a Delta argumentou que a decisão da CPI do Cachoeira não foi devidamente fundamentada. Segundo a defesa, a CPI investiga fatos relacionados à atuação da Delta na região Centro Oeste. Por esse motivo, de acordo com os advogados, a quebra de sigilo não deveria atingir toda a empresa, que atua em mais de 20 Estados. A defesa também alegou que a quebra de sigilos envolveu um período muito longo, de janeiro de 2002 a março deste ano.

Beba na fonte: STF confirma quebra nacional de sigilos bancário, fiscal e telefônico da Delta – politica – politica – Estadão.

O Blog e a Lei da Transparência: prazo para respostas termina hoje

Termina hoje o prazo legal para que os órgãos públicos consultados pelo Blog enviem as respostas ao um questionamento sobre o financiamento dos chamados blogues progressistas feito. Os questionamentos foram feitos com base na Lei de Acesso à Informação, que está em vigor desde o dia 16 do mês passado. Até agora, nenhuma das três consultas efetuadas pelo Blog do Pannunzio obteve qualquer retorno. Elas foram encaminhadas à PETROBRAS, ao Banco do Brasil e à ANP.

A agência e as duas empresas estatais (sociedades de economia mista) patrocinam páginas eletrônicas como o Conversa Afiada, do apresentador Paulo Henrique Amorim, que têm sido utilizadas como plataforma para ataques ao STF e PGR por causa do julgamento do Mensalão, e até para a difusão de injúrias raciais como as de que foi vítima o jornalista Heraldo Pereira.

Se não houver resposta, o Blog do Pannunzio vai recorrer à Controladoria-Geral da União e, havendo necessidade, ao Pode Judiciário para abrir as caixas-pretas que financiam os ataques da BESTA com dinheiro do contribuinte.

O vale-tudo em MT: juízes aposentados pelo CNJ continuam mandando na Justiça

Dois anos. Esse é o tempo que já transcorreu desde que o ministro Celso de Mello, do STF, concedeu uma liminar mandando reintegrar ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso sete juízes e quatro desembargadores aposentados compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça. Os magistrados foram acusados de desviar dinheiro do TJ para a construção da sede uma loja maçônica. Condenados à pena máxima — a aposentadoria compulsória –, conseguiram ser reintegrados e permanecem incólumes.

Enquanto isso, advogados que atuam em Cuiabá dizem que o mercado negro de venda de sentenças nunca esteve tão ativo. Intermediários dos juízes aposentados atuam desbragadamente em casos que envolvem grandes somas. Neste momento, uma das causas mais cobiçadas é a que diz respeito à licitação das linhas de ônibus interestaduais, alvo de uma guerra judicial na qual duelam o sindicato das concessionárias, de um lado, e o governo do estado de outro. A lide envolve somas milionárias e ameaça a saúde das empresas que atualmente exploram os serviços. O Poder Público insiste na licitação enquanto os concessionários asseguram que ela tem cartas marcadas para beneficiar um grupo paulista.

A Corregedora do CNJ Eliana Calmon tem dito publicamente que o problema está afeto ao STF. Inexplicavelmente, o Supremo ainda não pôs em votação o mérito da ação cautelar que permitiu a volta dos desembargadores e juízes aposentados.

Mulher de executivo da Yoki é presa suspeita de matar o marido

A mulher do executivo-chefe da fabricante de alimentos Yoki, encontrado morto no dia 27 de maio, foi presa na noite de segunda-feira. Para a polícia, Elise Matsunaga, de 38 anos, é a principal suspeita de ter esquartejado o marido, Marcos Matsunaga, neto do fundador da empresa Yoki. Os policiais trabalham com a hipótese de crime passional.
De madrugada desta terça-feira, Elise levada para fazer exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal. A Justiça decretou na segunda-feira a prisão temporária da mulher do empresário por cinco dias.
Peritos também estiveram no apartamento do casal para cumprir mandado de busca e apreensão. Na cobertura do prédio, na zona oeste, os agentes procuraram indícios que levassem ao autor do crime. Só no começo da madrugada, eles desceram com caixas e objetos apreendidos no apartamento.
Marcos Matsunaga desapareceu no dia 20 de maio. A mulher dele, Elise Matsunaga, disse à polícia que naquele dia o marido saiu pela manhã e não voltou. Uma semana depois, sacos plásticos com partes do corpo do empresário foram encontrados em uma estrada em Cotia, na Grande São Paulo.
Enquanto a perícia era feita no apartamento, no começo da noite de segunda-feira, a Justiça resolveu decretar a prisão temporária de Elise Matsunaga, válida por cinco dias. A mulher é considerada suspeita de matar o marido.
- Nós temos indícios muito fortes de autoria que levam a concluir que a esposa da vítima participou deste homicídio. Nós temos algumas imagens que dão conta que a vítima entrou no edifício e não saiu. Depois de alguns dias, a esposa sai com algumas malas grandes, malas essas com rodinhas. Nós estamos analisando essas imagens – afirma o delegado Jorge Carrasco diretor do Departamento de Homicídios da Polícia de São Paulo.
O pai e o irmão do empresário contrataram um advogado para acompanhar as investigações. Ele diz que Marcos Matsunaga não tinha inimigos.
- Não há nenhum registro de ameaça, nenhum registro de pedido de resgate ou de algum contato que a família tenha recebido, especialmente o pai, o irmão, neste período em que antecede ou logo após o desaparecimento desse jovem empresário – revela o advogado Luiz Flávio D´Urso.

Beba na fonte: Mulher de executivo da Yoki é presa suspeita de matar o marido – O Globo.

CNJ decide processo contra ministro do TST

FREDERICO VASCONCELOS

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decide hoje se abre processo disciplinar contra o ministro Emmanoel Pereira, do Tribunal Superior do Trabalho, acusado de ter mantido um servidor fantasma em seu gabinete.

Quem defende o ministro é seu filho, Emmanoel Campelo de Souza Pereira, advogado indicado em dezembro pela Câmara dos Deputados para o colegiado do CNJ.

Sua nomeação ainda não foi feita pela presidente Dilma Roussef.

Campelo também defende o pai no Supremo Tribunal Federal, onde tramita inquérito sobre os mesmos fatos.

Segundo o Ministério Público Federal, o servidor Francisco Pereira dos Santos Júnior não trabalhava no gabinete do ministro e, além disso, passou-se por servidor da Câmara Municipal de Macaíba (RN) como forma de possibilitar sua requisição para exercer função comissionada no gabinete do ministro do TST.

A relatora é a ministra Eliana Calmon, que se opõe à indicação de Campelo e deve pedir abertura do processo.

No início do mês, sem citá-lo nominalmente, a corregedora nacional de Justiça afirmou que “elites podres querem infiltrar gente dentro do CNJ para minar a instituição”.

Entre os apoiadores da candidatura de Campelo estão o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara, e o presidente do DEM, José Agripino.

Sua indicação obteve o aval de 13 partidos, com 360 deputados a favor e 11 contra.

A escolha de Campelo foi feita a toque de caixa, no último dia de votações em plenário, quase seis meses antes da abertura da vaga no CNJ.

O indicado tem 31 anos, idade inferior à exigida para nomeação de ministros de tribunais superiores que poderão vir a ser julgados pelo advogado no Conselho (35).

OUTRO LADO

O ministro Emmanoel Pereira informou que as acusações já foram analisadas e arquivadas pelo Tribunal de Contas da União, 1ª Vara Federal de Natal, Tribunal Regional Federal da 5ª Região e Tribunal Superior do Trabalho, além da própria corregedoria do CNJ, em 2010.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CNJ decide processo contra ministro do TST – 05/06/2012.

Delta recorre à Justiça para evitar falência

CATIA SEABRA

Em uma tentativa de evitar sua falência, a construtora Delta -um dos principais alvos da CPI do Cachoeira- apresentou ontem à Justiça do Rio de Janeiro um pedido de recuperação judicial.

Com isso, a empreiteira, maior recebedora de recursos federais desde 2007 e a sexta maior construtora do país, reconhece oficialmente sua debilidade financeira.

Na recuperação judicial, a execução de dívidas fica suspensa por 60 dias. Até lá, a Delta terá que apresentar à Justiça um plano para pagamento a seus credores. Para dar continuidade às obras que toca, a construtora deverá fazer compras à vista.

Se reprovar a proposta -possibilidade considerada remota-, o juiz que receber o pedido decretará a falência da empresa. Se aprovar, o plano é submetido ainda a uma assembleia de credores.

‘BULLYING’

Em nota, a empresa disse que, apesar de seus ativos serem superiores às suas dívidas, a suspeita de envolvimento da Delta no esquema de Carlinhos Cachoeira fez com que ela sofresse “uma espécie de bullying empresarial” e “administrações públicas” pararam de “honrar os pagamentos” à construtora. “A situação financeira da Delta tornou-se insustentável.”

Desde que as investigações sobre Cachoeira indicaram que ele agia como um lobista da empresa -o que a empreiteira nega-, a Delta já saiu de grandes obras, como um complexo petroquímico e uma refinaria da Petrobras e a reforma do estádio do Maracanã, todas no Rio.

À Folha, em abril, o sócio majoritário Fernando Cavendish já afirmara que a Delta iria “quebrar”. “O cliente [governo], que é um cliente político, abre sindicâncias para mostrar isenção. Suspende pagamentos. Cria-se um clima péssimo na empresa. Os bancos vão suspender nossa linha de crédito”, completou ele.

A Folha apurou que, no mês passado, a Delta teve gastos de aproximadamente R$ 200 milhões para realização de suas obras. Mas entraram em caixa R$ 150 milhões.

A crise agravou-se após o governo admitir a possibilidade de declará-la inidônea, o que impediria contratos futuros com a União.

A situação piorou na sexta, quando a holding J&F anunciou a decisão de desistir da compra da construtora. Vinte dias após o grupo assumir a gestão da empreiteira, o contrato foi rescindido.

A quebra de sigilo da Delta pela CPI pesou para a decisão. Os bancos suspenderam o crédito da construtora.

A Delta tem R$ 1,1 bilhão a receber do governo, além de R$ 300 milhões em equipamentos. Segundo a CGU (Controladoria-Geral da União), os contratos federais não devem ser afetados pelo pedido de recuperação judicial.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Delta recorre à Justiça para evitar falência – 05/06/2012.

Jornalista diz ter recebido R$ 40 mil de Perillo

O jornalista Luiz Carlos Bordoni afirmou ontem ter recebido um pagamento de R$ 40 mil, em dinheiro vivo, das mãos do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Bordoni diz que a quantia saiu de uma empresa do grupo de Carlinhos Cachoeira e se refere à primeira parcela do pagamento por serviços que ele prestou na campanha do tucano ao governo de Goiás, em 2010.

“Em dinheiro. Das mãos dele [Marconi Perillo, no escritório político dele em Goiânia]“, afirmou o jornalista, em entrevista ao “Jornal do SBT”. “Não sei se ele declarou, só sei que eu recebi.”

O governador de Goiás é alvo da CPI do Cachoeira, que investiga sua relação e a de seu governo com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro sob acusação de liderar um esquema de corrupção e de exploração de jogos ilegais.

Integrantes da Comissão querem convocar Bordoni. Perillo, que irá depor na semana que vem, nega ter relações próximas com Cachoeira e diz que as declarações do jornalista são “irresponsáveis”. A Folha tentou ontem falar com o jornalista, mas não conseguiu.

TESTEMUNHAS

Ao SBT Bordoni disse que o encontro com Marconi Perillo foi presenciado por outras pessoas.

“Ele [Perillo] me chamou pro fundo, na copa, atrás da mesa dele, e me passou o dinheiro”, afirmou.

Bordoni diz que trabalhou na campanha de rádio do tucano por R$ 170 mil.

Anteriormente, ele havia afirmado ter recebido R$ 45 mil da conta da empresa Alberto e Pantoja, que, segundo a Policia Federal, é uma firma de fachada utilizada pela organização de Cachoeira apenas para receber dinheiro da Delta Construções.

A empreiteira é suspeita de ter se beneficiado das relações com Cachoeira e ontem recorreu à Justiça para tentar evitar falência.

A quebra de sigilo da Pantoja mostra um pagamento de R$ 45 mil em abril do ano passado feito na conta bancária da filha de Bordoni.

O jornalista diz que resolveu se manifestar após o nome de sua filha ter sido citado durante o depoimento do senador Demóstenes Torres (GO) ao Conselho de Ética do Senado. O senador Pedro Taques questionou sobre o pagamento feito pela Pantoja à filha de Bordoni.

PROCESSO

As novas declarações de Bordoni foram feitas um dia depois de o governo de Goiás afirmar que os advogados de Perillo irão processá-lo.

À Justiça Eleitoral a campanha de Perillo diz que pagou cerca de R$ 33 mil à Art Midi, empresa que Bordoni se associou para trabalhar na campanha do governador.

A assessoria de Perillo nega irregularidades na relação com o jornalista e afirma que todos os pagamentos foram feitos dentro da lei.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Jornalista diz ter recebido R$ 40 mil de Perillo – 05/06/2012.

Após críticas, PT muda tom e diz esperar Marta em SP

DIÓGENES CAMPANHA E BERNARDO MELLO FRANCO

Depois de deixar clara a insatisfação com Marta Suplicy, que boicotou o ato de lançamento da campanha de Fernando Haddad no sábado, o PT mudou o tom e adotou discurso diplomático para tentar convencê-la a ajudar seu pré-candidato em São Paulo.

Ontem, o ex-presidente Lula, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, e o próprio Haddad elogiaram a senadora e disseram ainda esperar seu apoio na eleição.

“A Marta vai participar com o mesmo carinho, a mesma força com que eu vou”, disse Lula, em aparição ao lado do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), que tentará a reeleição.

O ex-presidente tomou vacina contra a gripe em posto de saúde recém-inaugurado pelo aliado no ABC.

Lula disse não ter conversado com Marta no dia seguinte à sua ausência, que dominou o noticiário sobre a festa montada para Haddad. “Era domingo, meu filho, e no sábado eu descansei.”

No domingo, petistas fizeram críticas públicas à senadora e disseram não contar mais com ela na campanha.

Ontem, após dois dias sem se manifestar, ela divulgou nota alegando não ter ido ao ato por causa de um “impedimento de caráter privado”, que se recusou a explicar.

A justificativa não convenceu. Reservadamente, dirigentes do PT disseram acreditar que ela faltou para causar novo desgaste a Haddad, seis meses após ser forçada a retirar sua pré-candidatura.

Em público, porém, os petistas evitaram novas críticas à ex-prefeita. “Deve ter tido algum problema com ela. A Marta não é de falhar”, disse Lula, embora ela já tenha faltado a outros eventos do PT para promover Haddad.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Após críticas, PT muda tom e diz esperar Marta em SP – 05/06/2012.

Partido atingido por expurgo no governo Dilma apoiará Serra

DANIELA LIMA E PAULO GAMA

Alvo do expurgo feito pela presidente Dilma Rousseff no Ministério dos Transportes no ano passado, o PR formalizou ontem o apoio à candidatura de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano.

A aliança impõe uma derrota significativa ao PT, que ainda não assegurou o apoio de nenhum partido para a candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad e queria o PR a seu lado.

O apoio do partido dará a Serra cerca de um minuto e meio na propaganda eleitoral, garantindo aos tucanos um bloco de tempo maior do que o de Haddad, que Serra vê como principal adversário.

Com o apoio de DEM, PV, PSD, PR e PP, que anunciará a aliança ao PSDB na semana que vem, o tucano terá cerca de oito minutos no horário eleitoral gratuito.

Em 2010, o PR fez campanha para a presidente Dilma Rousseff e apoiou o PT em São Paulo, elegendo como suplente da senadora Marta Suplicy (PT-SP) o vereador Antonio Carlos Rodrigues.

As relações com os petistas azedaram depois que o partido virou o principal alvo da faxina promovida por Dilma no ano passado, quando a cúpula do Ministério dos Transportes foi afastada.

O senador Alfredo Nascimento (PR-AM), demitido do cargo de ministro por Dilma, foi um dos principais entusiastas da aliança com Serra nas conversas com o PSDB.

Para negociar com o partido, ele escalou o deputado Valdemar Costa Neto, que manda no PR paulista e é réu na ação do mensalão, que deve ser julgada neste ano.

Do lado tucano, os responsáveis pelos contatos foram o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), principal articulador de Serra, e o prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Serra e o governador Geraldo Alckmin prometeram que, se o tucano vencer a eleição, dará “espaço” ao PR na administração municipal. Kassab ofereceu uma vaga no Tribunal de Contas do Município para Antonio Carlos Rodrigues em troca do apoio.

Alckmin prometeu apoio a candidatos do PR na região de Mogi das Cruzes, reduto de Costa Neto, e recursos para projetos do único deputado estadual da sigla em São Paulo, André do Prado.

O apoio a Serra foi oficializado em cerimônia de menos de 30 minutos, com Nascimento, Alckmin e Kassab. Costa Neto não apareceu. Alckmin saiu antes do fim.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Partido atingido por expurgo no governo Dilma apoiará Serra – 05/06/2012.

Marta

ELIANE CANTANHÊDE

Linda, rica, inteligente, cheia de sobrenomes próprios e adquiridos, Marta Suplicy emprestou por 30 anos esse pacote paulistano quatrocentão para ajudar a edificar o PT e a ascensão de Lula.

Mas, se Marta sempre gostou de Lula e foi fiel a ele, não se pode dizer que a recíproca seja totalmente verdadeira. Lula nunca morreu de amores por esta mulher tão poderosa, cheia de si, que empurrou para o Turismo no seu governo.

Essa diferença explodiu na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Com 29% a 30% em setembro, Marta liderava todas as pesquisas, em todos os segmentos, mas Lula estava inebriado com a vitória de sua criatura Dilma e decidiu que era hora do “novo” também na principal capital do país.

Marta tinha um trabalho bem avaliado na periferia quando prefeita e acabara de se eleger para o Senado. Haddad nunca tinha sido candidato a nada, andava enrolado com os erros do Enem e era capaz, como foi, de confundir Itaim Bibi com Itaim Paulista. Estava com 2% (hoje, tem 3%).

Lula não quis saber de conversa. Tirou a “companheira Marta” da frente, impôs Haddad goela abaixo da direção do PT, cooptou todo o grupo “martista”. O rei sou eu.

Ok. Lula tem instinto e Haddad é, de fato, um bom produto eleitoral, mas dá para Marta ficar feliz com o processo, com o jeito, com a imposição? Ponha-se no lugar dela. Não dá.

Criado o problema, os líderes petistas voltaram-se contra Marta. Avaliam que, se ela vier com Haddad, ajuda muito; se não, não atrapalha tanto quanto pensa. Até porque, com ou sem Marta, o PT tem o seu capital eleitoral consolidado e Lula cobre, de sobra, a força dela na periferia.

Conclusão: o PT vai usar e abusar da gestão Marta como vitrine, mas sem Marta. E ainda tripudia: ela não tem para onde correr. Primeiro, porque é inimiga quase pessoal de Serra e Kassab e, segundo, porque todo mundo que saiu do PT se deu mal.

Lula isolou Marta Suplicy.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Marta – 05/06/2012.

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