Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “junho 6, 2012”

Uma pista para o TJ de MT começar a investigar as denúncias do Blog sobre a venda de sentenças

Como noticiei mais cedo, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso representou ao Ministério Público para que a denúncia feita pelo blog sobre venda de sentenças seja investigada.

Descrevo agora um caso que escancara a atuação ilegal de um dos  desembargadores que foram aposentados compulsoriamente pelo CNJ e posteriormente reconduzidos ao Tribunal de Justiça por força de uma liminar concedida pelo ministro Celso de Mello, do STF.

O caso está registrado no protocolo do TJMT sob o número 52119/2012. Trata-se de um mandado de segurança impetrado pelo juiz afastado Círio Miotto. Ele pediu e obteve uma liminar para trancar uma sindicância aberta contra ele  pelo corregedor-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Márcio Vidal, a despeito da recomendação ter sido acatada por unanimidade pelo Pleno do TJ. Círio responde a processo no STJ: é suspeito de vender sentenças.

O mandado de segurança foi impetrado no dia 22 de maio. Foi parar nas mãos do desembargador José Tadeu Cury, que estava no plantão judiciário. Portanto, Círio Miotto sabia quem despacharia no processo.

E o que fez Tadeu Cury, o plantonista ? Concedeu a liminar na mesma hora. Para tanto, justificou que “partindo-se da data do conhecimento pelo Tribunal de Justiça da suposta irregularidade já se passaram quase sete anos sem qualquer interrupção”. O assunto, na opinião dele, estava prescrito.

O desembargador também entendeu que , como dois dias depois haveria uma audiência para a qual Miotto estava convocado , “o não atendimento do pleito levaria à perda do objeto do mandamus”. Ou seja: se o juiz investigado fosse inquirido, o objeto do mandado de segurança perderia o sentido.

O desembargador também alegou que “graves danos poderão advir ao Impetrante”. E mandou trancar a investigação até que o colegiado (conjunto de desembargadores que compõem o Tribunal) definisse o assunto.

O que há de errado com essa decisão ? A resposta é… tudo!

Tadeu Cury é casado com a advogada Célia Cury. Como Círio Miotto, ela é acusada de intermediar a venda de sentenças em Mato Grosso. Os dois são co-réus no processo que tramita no STJ em decorrência da Operação ASAFE.

Veja agora o que diz o Artigo 254 do Código de Processo Penal:

“O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:

II – se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia;

Tadeu Cury não se deu por suspeito. Ao contrário do que se espera de um magistrado sério, despachou no processo e livrou o co-réu de sua esposa de ter que responder à sindicância.

A ilegalidade patente desse ato não é a primeira levada a efeito pelo desembargador. No dia 4 de março de 2010, dois dias depois de ser aposentado pelo CNJ, ele apareceu no Tribunal para despachar em processos que interessavam a clientes de sua mulher.

Com isso, produziu um feito impressionante: apesar de ter sido chutado do Judiciário,conseguiu beneficiar pelo menos um amigo, o ex-deputado Pedro Satélite, autorizando por medida liminar que uma empresa de ônibus do parlamentar explorasse linhas de ônibus concedidas a um concorrente. O blog denunciou a atuação do magistrado no post Depois do empresário-cadáver, surge em Mato Grosso o desembargador-zumbi, publicado no dia 11 de março de 2010.

 

Transparência de araque

Se o objetivo do governo era criar um factóide jurídico,  foi plenamente atingido. A Lei de Acesso à Informação, antes mesmo de entrar em vigor, valeu à Presidente Dilma Rousseff rasgados elogios da secretária de Estado Hillary Clinton. Se era para mudar uma cultura, a Lei de Acesso à Informação não passa de uma daquelas intenções muito boas fadadas a apodrecer no inferno da burocracia.

É a conclusão a que chego depois de passados 21 dias da consulta feita pelo Blog do Pannunzio à PETROBRAS, Banco do Brasil e à Agência Nacional do Petróleo sobre a publicidade que sustenta blogs alugados pelo governo para mover campanhas de difamação contra várias instituições brasileiras e personalidades a elas vinculados.

Apenas a ANP respondeu em tempo hábil à consulta do Blog. A resposta, no entanto, veio incompleta, o que é vedado pela LAI. A despeito disso, considero louvável o fato de ter obtido uma resposta — o que serve como elemento de distinção da agência em relação aos demais consultados.

Seguindo os passos previstos na LAI, o Blog do Pannunzio vai agora recorrer à Controladoria-Geral da União. Caso o silêncio do Banco do Brasil e da PETROBRAS continue, o Blog recorrerá ao Judiciário para fazer valer o que determina a Lei 12.527/2011.

O que disse a ANP

Esta é a resposta da ANP ao questionamento do Blog:

Em atendimento à sua solicitação, informamos que a ANP não dispõe de recursos para aplicação em ações de patrocínio e que o caso em questão é ação de publicidade, cuja execução é feita sempre por intermédio da agência Leiaute Comunicação e Propaganda Ltda., contratada para prestação de serviços de publicidade à ANP. Assim, não existe relação contratual da ANP com a empresa que edita o conteúdo do Blog Conversa Afiada, ou com qualquer outro veículo de divulgação. Toda a contratação de veículos e os pagamentos referentes à publicidade são feitos pela ANP à agência contratada conforme as disposições contratuais e legais. Na ação de publicidade sobre orientações aos consumidores de combustíveis, realizada de 8 a 18/5, em internet, foram programados recursos no valor de R$ 221.199,57 dos quais R$ 126.172,68 foram destinados aos blogs Conversa Afiada/ Paulo Henrique Amorim; O Cafezinho/ Miguel do Rosário; Vio Mundo/ Luiz Azenha; Noblat; Escrivinhador/Rodrigo Viana; George Vidor; Claudio Humberto; Congresso em Foco; Blog do Nassif/ Luis Nassif; Universidade da Juventude; Infojovem e Blog do Itararé, selecionados pela agência em razão de seu perfil informativo, a fim de dar maior capilaridade à mensagem, uma vez que a cobertura da campanha foi dada pelos portais Terra, UOL e Globo, selecionados por serem os principais portais nacionais, segundo dados de pesquisa Ibope Nielsen. A seleção dos blogs considerou a audiência mensal(page views/mês) que possuem, conforme plano de mídia formulado pela agência Leiaute. Destaca-se que todas as ações de publicidade realizadas pela ANP são analisadas e aprovadas previamente pela Secom-PR, atendem rigorosamente ao Decreto nº 6.555, de 8 de setembro de 2008, que dispõe sobre as ações de comunicação do Poder Executivo Federal, bem como à Instrução Normativa nº 2 da Secretaria de Comunicação da Presidência da República – Secom-PR, de 16 de dezembro de 2009, que disciplina as ações de publicidade dos órgãos e entidades integrantes do Poder Executivo Federal. Destaca-se ainda, que a ANP usufrui do desconto negociado pela Secom para todos os órgãos do Governo Federal. Quanto à aferição dos resultados, utilizamos o serviço de Ad Server. Essa plataforma elabora relatórios sobre a campanha com contagem de impressões e cliques. Por fim, a avaliação dos resultados e objetivos alcançados com as campanhas publicitárias consideram ainda os demais canais de comunicação da Agência, em particular o Centro de Relações com o Consumidor- CRC, que indica por meio das manifestações recebidas de consumidores e agentes econômicos o entendimento e a percepção da sociedade sobre o tema da comunicação realizada.

O que a ANP não revelou: 

Qual o montante destinada a cada um dos blogues

O que disseram a PETROBRAS e o Banco do Brasil: 

Nada. Sequer acusaram o recebimentos da solicitação.

O que o blog perguntou:

- Qual o valor das verbas de patrocínio, a justificativa e a duração do contrato.

- Como a PETROBRAS/Banco do Brasil/ANP  distribui esses patrocínios ? Qual é a verba destinada à internet, qual a participação dos blogues nessa verba, e qual a participação, em termos proporcionais, do Conversa Afiada no montante destinado aos blogues ?

- Há outros blogues veiculando banners da PETROBRAS/Banco do Brasil/ANP? Quais são eles ?

- Quais são os critérios da PETROBRAS/Banco do Brasil/ANP para a escolha de quem receberá patrocínio do banco ?

- Como é feita a aferição dos resultados ? A PETROBRAS/Banco do Brasil/ANP  paga por clique, por pageview ou a verba destinada aos blogues não tem relação com o número de exibições dos anúncios veiculados ?

- A PETROBRAS/Banco do Brasil/ANP tem algum tipo de reserva em relação ao conteúdo dos blogues patrocinados ?

- Solicito, junto com as respostas, o envio de uma cópia do contrato com a empresa que edita o conteúdo do site.

- Caso a PETROBRAS/Banco do Brasil/ANP  se recuse a fornecer os dados solicitados, gostaria de receber o documento que justifica as razões da negativa.

Jornalista cita outro pagamento de Perillo ligado a Cachoeira

O jornalista Luiz Carlos Bordoni, que trabalhou para a campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) em 2010, disse à Folha que recebeu R$ 40 mil de uma segunda empresa ligada ao grupo de Carlinhos Cachoeira, além de R$ 10 mil, em dinheiro vivo, do tesoureiro da campanha, Jayme Rincon.

Esses pagamentos são partes dos R$ 170 mil que Bordoni diz ter recebido por ter feito a campanha em rádio de Perillo. A Justiça Eleitoral, no entanto, registra despesas de apenas R$ 33 mil em favor da firma que Bordoni se associou para prestar o serviço.

Bordoni virou personagem central das suspeitas contra Perillo, alvo da CPI do Cachoeira, após dizer que um dos pagamentos por seu trabalho (R$ 45 mil) foi depositado na conta de sua filha pela empresa Alberto e Pantoja.

Segundo a Polícia Federal, a Pantoja é de fachada. Seria usada pelo grupo de Cachoeira para receber dinheiro da Delta Construções e repassar os valores para terceiros.

Anteontem, Bordoni afirmou ter recebido outros R$ 40 mil em espécie do próprio Perillo. Ontem, ele fez a cronologia de todos os pagamentos que diz ter recebido.

Em abril de 2010, diz, ele se reuniu com Perillo no escritório do tucano. Um dos advogados da campanha estava presente. Foi quando Bordoni diz ter apresentado uma proposta de R$ 200 mil pelo serviço de rádio.

Perillo, sempre segundo o jornalista, escreveu num papel sua contraproposta: R$ 120 mil mais R$ 50 mil em caso de vitória. Bordoni aceitou. “Eu preciso achar o papel que ele escreveu com a mãozinha esquerda dele”, disse. Uma vereadora de Goiânia teria testemunhado.

Cerca de quatro meses depois (ele não se lembra se em agosto ou julho), Perillo teria feito pessoalmente a entrega de R$ 40 mil para que Bordoni atuasse na campanha.

Depois da eleição, Rincon, o tesoureiro, entregou mais R$ 10 mil em espécie. Após isso, foram pagos os R$ 33 mil registrados na Justiça.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Jornalista cita outro pagamento de Perillo ligado a Cachoeira – 06/06/2012.

Kassab diz que quer ser garagista da Câmara

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) disse nesta terça-feira, 5, que quer ser garagista da Câmara Municipal depois que seu mandato terminar, no fim deste ano. A brincadeira se refere à reportagem exclusiva publicada na terça pelo ‘Estado’ sobre os altos salários pagos a funcionários do Legislativo paulistano. Entre eles está o de R$ 11.431,45, para um empregado da garagem. O valor é mais alto que a remuneração do próprio presidente da Casa, José Police Neto (PSD), que recebe R$ 9.288,05.

“Acho que já arrumei meu emprego, hein? Quando eu deixar a Prefeitura”, brincou o prefeito. Depois, falando sério, Kassab elogiou a atitude da Câmara de publicar na internet o salário dos servidores e afirmou que não opinaria sobre os salários dos servidores para não cometer “injustiças”.

“A Câmara adotou corretamente a postura de divulgar os seus gastos, seja com salário, sejam outros gastos”, disse o prefeito. “Portanto, com o tempo, as coisas se acomodam. Com o tempo, se forem identificadas irregularidades, serão corrigidas.”

Valores. Os salários de técnicos, auxiliares, assistentes e garagistas, cargos que não exigem curso superior, podem chegar a R$ 24 mil por mês. Os valores acima dos de mercado são viabilizados por aumentos automáticos e gratificações para funcionários concursados. A lista com as remunerações foi divulgada no portal da Câmara (www.camara.sp.gov.br). É a primeira vez que uma Casa Legislativa adota uma medida como essa no Brasil.

Beba na fonte: Kassab diz que quer ser garagista da Câmara – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Dilma lança pacote que cria parques e reserva indígenas, mas mantém lixões

A duas semanas do início da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e prestes a enfrentar mais uma batalha no Congresso, a presidente Dilma Rousseff lançou nesta terça um pacote ambiental com nove medidas que incluem assinatura de decretos de criação de parques nacionais no Rio Grande do Sul e Paraná e de ampliação de outros na Bahia, Espírito Santo e Ceará.

Dilma aproveitou a ocasião para desengavetar uma série de ações aguardadas há anos. Instituiu a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e enviou mensagem ao Congresso sobre o Protocolo de Nagoya, que trata de acesso a recursos genéticos e repartição justa de benefícios derivados de sua utilização. A mensagem poderia ter sido enviada desde o final de 2010, quando o acordo foi assinado durante conferência das Nações Unidas.

A presidente também assinou decreto de homologação de sete áreas indígenas na Amazônia. Esta é a primeira vez que Dilma anuncia a criação de unidades de conservação. Presidentes anteriores haviam tomado tal medida no primeiro ano do mandato.

O esperado anúncio das medidas para que o País acabe com os lixões até 2014 não foi feito. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o assunto será tratado depois.

Recado. Em seu discurso, a presidente aproveitou para dar um recado aos ruralistas que reclamam que a proteção ao meio ambiente está prejudicando a produção de alimentos no País, por causa do texto do novo Código Florestal. “A nossa agricultura, para ser eficiente e com alta produtividade, terá de ser sustentável”, disse a presidente, acrescentando que “proteger nossos rios, criar e preservar matas ciliares é fundamental para a continuidade da produção no País”.

Dilma comemorou que “o Brasil tornou-se, de fato, ao longo da última década, um dos países que mais avançou na preservação de sua biodiversidade, na adoção de uma agenda ambiental moderna e na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável”. Mas, reconheceu, que ainda há muito o que fazer.

Compras sustentáveis. A presidente aproveitou para anunciar ainda uma nova política de compras sustentáveis pelos ministérios. Izabella explicou que o governo brasileiro vai privilegiar compras verdes, “buscando vantagem comparativa em preços”. Citou que o impacto das compras do Estado é 16% do PIB e com isso, espera induzir novas praticas em relação aos chamados bens e serviços sustentáveis.

Ao defender a tese de que é viável crescer protegendo o meio ambiente, Dilma citou que, em uma década, o PIB brasileiro cresceu mais de 40% e, neste período, 40 milhões de pessoas ascenderam às classes médias e dezenas de milhões saíram da pobreza. “Soubemos crescer, incluir sem abusar dos nossos recursos naturais. Crescemos, incluímos e, ao mesmo tempo, nos transformamos  recursos naturais. Crescemos, incluímos e, ao mesmo tempo, nos transformamos em uma referência em preservação ambiental.”

Beba na fonte: Dilma lança pacote que cria parques e nova política para terras indígenas – vida – planeta – Estadão.

Dilma veta ingresso popular na Copa, mas permite meia-entrada

A presidente Dilma Rousseff sancionou, com quatro vetos, a Lei Geral da Copa. A sanção e a razão dos vetos foram publicados hoje no Diário Oficial da União.

Entre os vetos, o que permitia a venda de no mínimo 10% do total de ingressos de cada partida da seleção brasileira para a chamada categoria 4 (popular). O argumento é de que o dispositivo criaria dificuldades para operacionalização, não sendo possível definir previamente qual partida estará sujeita a essa condição.

A meia-entrada continua liberada nos jogos da Copa do Mundo. A presidente vetou o parágrafo 9º do artigo 26 que previa que qualquer lei estadual ou municipal a respeito de ingressos estaria suspensa durante o Mundial.

A justificativa é que se a meia-entrada para estudantes e idosos fosse suspensa durante a Copa seria algo contrário à Constituição. “Ademais, lei federal que suspenda gratuidades e descontos previstos em normas de Estados e Municípios pode representar violação ao pacto federativo”, informa o Diário Oficial. A polêmica questão sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, não foi alterada, como era previsto.

A Lei Geral foi a causa de um dos maiores atritos entre Fifa e o governo. Acabou aprovada pela Câmara no final de março e pelo Senado em 9 de maio. O texto define regras sobre o direito à meia-entrada, a exploração comercial de produtos ligados ao evento e o acesso de estrangeiros ao País, entre outros temas.

Beba na fonte: Dilma veta ingresso popular na Copa, mas permite meia-entrada – esportes – futebol – Estadão.

Inflação oficial desacelera em maio e fica em 0,36%

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,36% em maio, ante uma variação de 0,64% em abril, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou abaixo do piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de uma taxa de 0,37% a 0,47%, com mediana de 0,42%.

Até maio, o IPCA acumula altas de 2,24% no ano e de 4,99% nos últimos 12 meses. O índice mede a variação de preços para as famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.

Baixa renda

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,55% em maio, após ter registrado alta de 0,64% em abril. Com o resultado, o índice acumulou alta de 2,29% em 2012 e de 4,86% nos 12 meses encerrados em maio. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos.

Beba na fonte: Inflação oficial desacelera em maio e fica em 0,36% – economia – brasil – Estadão.

Paes autoriza aditivo para Delta sem divulgar nome no DO

Pré-candidato à reeleição, o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB) autorizou e publicou, no Diário Oficial do dia 28 de maio, um aditivo de R$ 16,6 milhões em contrato com a Delta Construções. A empreiteira é alvo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso que investiga as atividades do contraventor Carlinhos Cachoeira. Paes, no entanto, por meio da Secretaria municipal de Obras, não divulgou o nome da Delta e nem os motivos pelos quais os recursos seriam destinados.
No Diário Oficial, só é possível saber o número do contrato (06/370.909/2010). A autorização do aditivo dado à Delta foi despachada pelo secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto da Silva. Questionada pelo GLOBO, a prefeitura informou que o repasse dos recursos será para a conclusão do Parque de Madureira, orçado inicialmente em R$ 66,8 milhões, prevista para o próximo mês.
Segundo a prefeitura, o aditivo foi autorizado porque a Delta precisou se adequar a questões ambientais. Além disso, algumas áreas do projeto foram redimensionadas, como a Praça do Samba, o complexo de skate e a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), entre outras ações. O Parque de Madureira, na Zona Norte do Rio, será uma área de lazer da cidade e terá o tamanho de doze campos de futebol.
Em relação à ausência do nome da Delta no Diário Oficial, a prefeitura informou nesta terça-feira em nota:
“Sobre a publicação da autorização do aditivo de quantidades no Diário Oficial do município, a Secretaria Municipal de Obras informa que é um ato administrativo. Sendo assim, só deve ser informado o número do contrato. O aditivo segue em análise na Procuradoria do Município e o termo ainda não foi celebrado. A formalização deste aditivo – caso aceito pela Procuradoria Geral do Município – é feita em forma de extrato contratual – e este é regido pela Lei 8666, com obrigação de publicação do nome das partes envolvidas, neste caso a prefeitura e a construtora. A secretaria ressalta que este ato ainda não foi publicado”.
O GLOBO, porém, constatatou que a prefeitura, em outros casos, como a contratação de uma empresa pelo Instituto Pereira Passos, cinco dias antes da divulgação do aditivo da Delta, informou no Diário Oficial o nome da firma, os valores do termo aditivo e o tipo de contrato de prestação de serviço realizado para o município.

Beba na fonte: Paes autoriza aditivo para Delta sem divulgar nome no DO – O Globo.

Dnit resolve barrar novos contratos com a Delta Construções

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não vai assinar contratos com a Delta Construções até que a Controladoria Geral da União (CGU) conclua o processo de avaliação da idoneidade da empresa, informou nesta terça-feira o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.
No último dia 17 foi publicada no Diário Oficial a homologação de edital da superintendência de Mato Grosso do Sul do Dnit, no valor de R$ 30,9 milhões, vencido pela Delta. Mas, segundo Passos, não há assinatura de novos contratos da Delta desde 24 de abril.
— Ganhar licitação não significa ganhar contrato. Estamos aguardando o posicionamento da CGU em relação à empresa — disse.
Passos afirmou que a possível recuperação judicial da empresa não preocupa o ministério, uma vez que 60% dos contratos da Delta com o Dnit vencem até o fim deste ano.
— Temos todas as condições de adotar o plano B, o plano C, por exemplo, contratando um segundo colocado nos certames licitatórios.
No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) autorizou, no Diário Oficial de 28 de maio, aditivo de R$ 16,6 milhões em contrato com a Delta. Não foram divulgados o nome da Delta, nem os motivos pelos quais os recursos seriam destinados. No DO só é possível saber o número do contrato (06/370.909/2010). A autorização do aditivo foi despachada pelo secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto da Silva. Questionada pelo GLOBO, a prefeitura informou que o repasse dos recursos será para a conclusão do Parque de Madureira, orçado inicialmente em R$ 66,8 milhões, prevista. Segundo a prefeitura, o aditivo foi autorizado porque a Delta precisou se adequar a questões ambientais.

Beba na fonte: Dnit resolve barrar novos contratos com a Delta Construções – O Globo.

Quase metade dos brasileiros aprova provas obtidas por tortura

Quase metade dos brasileiros (47,5%) concorda que os tribunais aceitem provas obtidas mediante tortura policial, segundo pesquisa realizada em 2010 e divulgada nesta terça-feira pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP). Os dados indicam que aumentou a aceitação à prática em relação a 1999, quando 28,8% diziam ser favoráveis a obtenção de provas por meio de violência. A Pesquisa sobre Atitudes, Normas Culturais e Valores em Relação à Violação de Direitos Humanos e Violência foi elaborada com 4025 entrevistas domiciliares em onze capitais brasileiras, incluindo Rio e São Paulo.
O estudo indica que para a maioria dos entrevistados, a polícia deve interrogar sem violência. No entanto, para alguns crimes a população defende o uso de métodos como “bater”, “dar choques ou queimar com ponta de cigarro” e “deixar alguém sem água ou comida”. O uso de algum desses métodos contra suspeitos de estupro é aceito por 43,2% dos entrevistados. O porcentual de apoio aumenta entre os entrevistados mais jovens.
— São números que particularmente me deixam muito inquieta. Nossa democracia tem quase 30 anos e essas práticas não deveriam ter defesa — diz a psicóloga Nancy Cardia, coordenadora da pesquisa.
De modo geral, houve também uma melhora na avaliação do trabalho da polícia. Entre 1999 e 2010, a aprovação da Polícia Federal saltou de 42% para 60%. A Polícia Militar, a que tem pior avaliação entre as polícias, saltou de 21,2% para 38% na aceitação da população.
O estudo ainda indica que 42% dos brasileiros acreditam que há momentos, ‘em defesa da segurança nacional’, em que é justificável o governo censurar a imprensa. O mesmo percentual acha que o país pode expulsar pessoas que tenham posições políticas que possam prejudicar o governo.
— É uma submissão a um autoritarismo que dá um tiro no próprio pé. São bandeiras que não são toleráveis em uma democracia.
O trabalho do Núcleo de Estudos da Violência da USP também faz um recorte da violência na infância. Sete em cada dez brasileiros já sofreram algum tipo de agressão quando crianças. A violência foi regular (houve agressão quase todos os dias ou pelo menos uma vez por semana) para 20% dos entrevistados. Embora tenha ocorrido uma diminuição no percentual de brasileiros que relataram agressões – em 1999 eram 79,6% -, a pesquisa indica a formação de um círculo vicioso no uso de violência sobre os filhos.

Beba na fonte: Quase metade dos brasileiros aprova provas obtidas por tortura – O Globo.

Senado aprova projeto de combate à lavagem de dinheiro

O Senado aprovou nesta terça-feira, em votação simbólica, projeto de lei que torna mais eficiente a legislação de combate à lavagem de dinheiro e, por tabela, o combate à corrupção. Se a matéria for sancionada pela presidente Dilma Rousseff, a ocultação de valores será considerada crime, mesmo quando não estiver vinculada a outros delitos. Outra mudança é que “laranjas” passarão a ser punidos com as mesmas penas do criminoso principal, e haverá a possibilidade de apreensão dos bens em nome de terceiros.
Outra alteração importante na legislação é que o crime de lavagem de dinheiro poderá ser configurado mesmo que a Justiça não consiga comprovar o crime antecedente, como tráfico de drogas, que possibilitou o faturamento dos recursos colocados em nome de laranjas ou lavado em atividades legais. A movimentação de recursos sem explicações, por si só, passa a ser considerada lavagem de dinheiro.
Pela lei atual o crime de lavagem de dinheiro só é configurado quando o patrimônio é vinculado a recursos provenientes de crimes de tráfico de drogas, terrorismo, contrabando de armas, sequestro, crimes praticados por organização criminosa e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro. A mudança possibilitará o enquadramento de contravenções como jogo do bicho e exploração de máquinas caça-níqueis.
- Fala-se que a lavagem de dinheiro no país atinge de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões. Mas há estimativas que apontam para US$ 35 bilhões por ano. O número de operações suspeitas comunicadas ao Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) tem crescido ao ritmo de centenas de milhares. Se, em 2004, foram pouco menos de 84 mil comunicações, em 2011 esse número atingiu quase 1,3 milhão de comunicações de movimentações financeiras suspeitas – afirmou, em discurso, o autor do projeto, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).
O projeto aumenta o teto da multa de R$ 200 mil para R$ 20 milhões em caso de condenação por lavagem de dinheiro, além de pena de reclusão de 3 a 10 anos. Haverá também alienação antecipada de bens dos acusados e dos “laranjas” por meio de decisão judicial.
Outra mudança é a possibilidade de delação premiada a qualquer tempo. Nesse caso, mesmo depois do julgamento, o juiz terá autoridade para trocar a pena se o condenado colaborar com a Justiça. Outro ponto considerado significativo é quanto à recuperação e venda de bens colocados sob indisponibilidade pelo Poder Judiciário. Os valores arrecadados nos leilões desses bens irão para uma conta vinculada. No caso de absolvição, retornariam para os réus e, em caso de condenação, iriam para o erário.

Beba na fonte: Senado aprova projeto de combate à lavagem de dinheiro – O Globo.

O voto secreto no Congresso

Fernando Rodrigues

Poucas situações causam mais repugnância em Brasília do que as votações secretas nas quais deputados ou senadores absolvem colegas encrencados.

O caso mais recente foi o da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Flagrada colocando dinheiro de origem indefinida em sua bolsa, ela foi salva por duas razões. Primeiro, por uma malandragem travestida de argumento formal: o fato ocorreu antes de sua eleição (como se malfeitores pudessem limpar suas fichas no momento da posse). A segunda razão foi a votação ter sido secreta. Venceu o espírito de corpo.

Apesar do sobrenome tradicional da política de Brasília, Jaqueline Roriz é uma pobre coitada do baixo clero do Congresso. Não apita nada na política nacional. Muitos deputados me disseram à época não ter coragem de cassá-la por se sentirem constrangidos com a situação.

Se o voto não fosse secreto, o constrangimento por causa do vício insanável da amizade seria suplantado pela reação do público.

Ontem, deu-se um passo importante para corrigir tal anomalia corporativa. O presidente do Senado, José Sarney, anunciou a votação na semana que vem de propostas de emenda constitucional que sepultam o voto secreto no Congresso.

O assunto voltou à ordem do dia devido ao processo contra Demóstenes Torres, o senador de Goiás e sem partido (era do DEM). Mesmo se aprovada, a nova regra não chegará a tempo de valer na votação sobre o mandato de Demóstenes. Mas será um grande avanço para futuros episódios.

Há uma discussão correlata a respeito da amplitude da transparência do voto no Congresso. A aprovação da indicação de magistrados para tribunais superiores deve ser aberta? E o voto que mantém ou derruba vetos presidenciais?

Se o Congresso começar abrindo o voto em cassações de mandato, o passo já será enorme

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – O voto secreto no Congresso – 06/06/2012.

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