Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the month “julho, 2012”

Chávez deve anunciar compra de 20 aviões da Embraer

Nesta segunda-feira, os chanceleres do Mercosul participaram de reunião em Brasília, em um encontro preparatório para a XLIII Cúpula Extraordinária dos Chefes de Estado do bloco, que será realizada amanhã. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a cúpula formalizará a entrada da Venezuela como membro pleno do bloco, e permitirá que o Brasil, que ocupa a presidência do bloco até dezembro de 2012, apresente suas prioridades. A expectativa é que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anuncie na reunião de amanhã a compra de 20 aeronaves E-190, da Embraer. Os aviões têm capacidade de 98 a 114 assentos.

Chávez chegou na Base Aérea de Brasília, na noite desta segunda-feira, por volta das19h30. Acompanhado de uma comitiva com cerca de 30 pessoas, entre assessores, segurança e jornalistas da imprensa oficial, o presidente disse que andar mais rápido é a forma de recuperar o tempo perdido no Mercosul.
— A forma de recuperar o tempo perdido é andar mais rápido. A entrada da Venezuela no Mercosul completa a equação.
Citando mais uma vez Simón Bolívar e a união dos países latino-americanos, Chávez ressaltou a importância da integração desses países.

Perguntado sobre seu estado de saúde, afirmou que está muito bem, e brincou: — Estou tão bem, que estou até de gravata nova.

Uma ambulância o acompanhou durante o trajeto até o Palácio da Alvorada, onde janta com a presidente Dilma Rousseff. Cristina Kirchner, da Argentina, e José Mujica, do Uruguai, chegam mais tarde. A reunião dos presidentes do bloco tem por objetivo saudar a entrada da Venezuela no bloco que, pelos prazos legais, entra efetivamente como membro no dia 13 de agosto.

De acordo com o Itamaraty, com o ingresso da Venezuela, o Mercosul contará com uma população de 270 milhões de habitantes (70% da população da América do Sul), um PIB a de US$ 3,3 trilhões (83,2% do PIB sul-americano) e um território de 12,7 milhões de km² (72% da área da América do Sul).

Beba na fonte: Mercosul: Chávez deve anunciar compra de 20 aviões da Embraer – O Globo.

Dinheiro fácil: Andressa Cachoeira deposita fiança de R$ 100 mil

A mulher do empresário Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, depositou no início da manhã desta terça-feira (31) a fiança no valor de R$ 100 mil determinada em medida cautelar expedida pelo juiz federal Mark Yshida.

A informação é do delegado federal Sandro Paes Sandre, que comandou a operação na manhã de segunda-feira (30) para cumprir mandados de busca e apreensão na casa de Andressa e a conduziu à sede da Superintendência da Polícia Federal em Goiás.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Mulher de Cachoeira deposita fiança de R$ 100 mil – 31/07/2012.

Caso Maluf: advogado inglês anuncia que vai recorrer até a última instância

Fausto Macedo

O advogado David Steenson, que representa as offshores Kildare e Durant perante a Corte Real de Jersey na ação em que a Prefeitura de São Paulo busca repatriar US$ 22 milhões – dinheiro supostamente desviado dos cofres públicos municipais na gestão do deputado e ex-prefeito Paulo Maluf (1993-1996) -, informou que vai recorrer a “todos os tribunais disponíveis, caso necessário, de qualquer decisão adversa tomada em primeira instância”.

Em comunicado oficial enviado ao Estado, Steenson destaca que a defesa vai insistir categoricamente na versão de que a prefeitura não é a parte legítima para a demanda, mas a antiga Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). No governo Maluf, e mesmo antes e depois, a Emurb era responsável pela contratação de empreiteiras para grandes obras viárias.

O Ministério Público Estadual (MPE) sustenta que Maluf teria recebido recursos desviados da construção da Avenida Água Espraiada, depois rebatizada de Avenida Roberto Marinho, na Zona Sul da Capital. Parte desse dinheiro teria sido remetido para contas daquelas offshores, Kildare e Durant. O ex-prefeito nega desvios em sua gestão.

Na última sexta feira, 27, o Estado informou que a Justiça de Jersey rechaçou as principais teses da defesa na ação de repatriação do dinheiro. A decisão, do juiz Howard Page, da Corte Real de Jersey, foi publicada no site da corte da ilha britânica. Argumentos sobre a falta de competência da Prefeitura para entrar com a ação e suposta prescrição dos atos atribuídos ao ex-prefeito não foram considerados válidos pela Justiça de Jersey.

Beba na fonte: Caso Maluf: advogado inglês anuncia que vai recorrer até a última instância – politica – politica – Estadão.

A musa abusou

Dora Kramer

Como se viu pela chamada aos costumes dada pela Polícia Federal em Andressa Mendonça, a mulher de Carlos Augusto Ramos não é só a bonitinha apaixonada e choramingas a quem o marido faz declarações públicas de amor no lugar de prestar esclarecimentos à Justiça sobre as ilegalidades de seus negócios.

Na posse plena de credenciais para fazer jus à anexação da alcunha Cachoeira ao nome de batismo, Andressa Mendonça revela-se integrante da quadrilha alvo de processo na Justiça de Goiás e de investigação em comissão parlamentar de inquérito no Congresso Nacional da qual vinha sendo apontada como “musa”.

Perdeu a prerrogativa conferida pela idiotia construtora de simbologias simplistas, ao tentar chantagear o juiz federal Alderico da Rocha Santos ameaçando-o com a divulgação de um dossiê caso não tomasse decisões favoráveis ao principal acusado no processo em curso na 11.ª Vara da Justiça em Goiás e sob a responsabilidade do magistrado.

De inocente, a moça que tanto lamentou o envolvimento do marido com os políticos que o teriam tirado da zona de conforto de figura proeminente na sociedade de Goiás para a cadeia não tem nada.

A não ser presumivelmente a ilusão de que poderia levar o juiz na conversa mal ajambrada sobre a existência de um dossiê a ser publicado com acusações contra ele, sugerindo um conluio entre a revista Veja e as organizações Cachoeira de armações ilimitadas.

Um blefe tão óbvio quanto a impossibilidade de um veículo de comunicação que vive de credibilidade jogar esse ativo no lixo para servir deliberadamente como instrumento de chantagem e, consequentemente, de repasto à mesa dos detratores de plantão sempre ávidos de uma oportunidade.

A malfadada manobra da senhora Cachoeira, entre outros fatores, altera a situação dela em relação à CPI para qual foi convocada a dar depoimento no próximo dia 7.

Chamada inicialmente pela expectativa de que pudesse servir como mensageira de “recados” de Carlos Cachoeira, Andressa agora necessariamente será vista sob um prisma menos ingênuo.

Tratada até então como uma espécie de adorno a serviço da face “light” do escândalo, ela passa agora a figurar como agente ativa do esquema objeto da CPI e, nessa condição, precisará ser questionada com rigor aplicado a qualquer dos outros investigados.

Isso se não arrumar um pretexto para não ir ou até mesmo se a comissão resolver reavaliar a utilidade de uma convocação de depoente que pela faceta agora revelada provavelmente recorrerá ao direito de calar tornando-se, na prática, uma presença inútil.

Beba na fonte: A musa abusou – politica – versaoimpressa – Estadão.

Justiça também barra divulgação salários do Senado

Assim como a Câmara dos Deputados, o Senado Federal também está proibido de divulgar os nomes e os respectivos salários de cada um dos servidores no site da Casa. O Sindicato dos Trabalhadores do Poder Legislativo e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis) conseguiu liminar, na última segunda-feira, 30, no final da noite, da Justiça Federal de Brasília, para impedir o Senado de revelar nominalmente os vencimentos dos servidores.

As duas Casas Legislativas haviam estabelecido esta terça-feira como prazo para apresentarem esses dados, em cumprimento à Lei de Acesso à Informação (12.527/2011). A decisão referente aos servidores do Senado foi tomada pelo juiz Flávio Marcelo Sérvio Borges, da 17ª Vara Federal.

Segundo o presidente do Sindilegis, Nilton Paixão, o magistrado deu interpretação semelhante ao juiz Hamilton de Sá Dantas, que também concedeu ontem liminar favorável aos servidores da Câmara. A interpretação é de que a divulgação nominal fere o principio constitucional da intimidade das pessoas. O teor da decisão, já comunicado à direção do Senado, será divulgado nas próximas horas.

“Não somos contra a divulgação dos salários: individualizada, sim, mas nominal, não”, afirmou Paixão. Para o presidente do sindicato, há outras formas para se divulgar os salários dos servidores, como uso de matrícula, cargo ou função ocupada por eles, que não desrespeitem direitos individuais assegurados pela Constituição e também pela própria Lei de Acesso à Informação.

No ano passado, o site Congresso em Foco revelou que, em 2009, 464 servidores do Senado receberam, de acordo com uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), salários acima do teto do funcionalismo, o equivalente ao salário de ministro do Supremo Tribunal Federal. Hoje, o teto é de R$ 26,7 mil.

Beba na fonte: Depois da Câmara, Justiça barra divulgação nominal de salários do Senado – politica – politica – Estadão.

Com apoio de Lula e aval de colegas do STF, Toffoli vai julgar mensalão

Vera Rosa, Felipe Recondo e Mariângela Galucci

O ministro do Supremo Tribunal Federal José Antônio Dias Toffoli vai participar do julgamento do mensalão, que começa na quinta-feira, 2, e deve durar mais de um mês. Em conversas reservadas, Toffoli disse não ver motivos para se declarar impedido. Acrescentou que a pressão para ficar de fora só o estimulou a atuar no caso.

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André Dusek/AE
Toffoli, ministro do STF participará do julgamento do mensalão
Amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem também não há motivos de impedimento, e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu – apontado pelo Ministério Público como “chefe da quadrilha” do mensalão –, Toffoli construiu sua carreira jurídica dentro do PT. Ele foi advogado do partido – destacando-se na liderança petista na Câmara dos Deputados nos anos 1990, e na consultoria de campanhas eleitorais –, assessor jurídico da Casa Civil quando o ministro era Dirceu e advogado-geral da União do governo Lula.

Antes de assumir a cadeira no Supremo, Toffoli também atuou como advogado do próprio Dirceu em algumas ocasiões. Até 2009, ele era sócio no escritório da advogada Roberta Maria Rangel, hoje sua namorada, que defendeu outros acusados de envolvimento no mensalão, como os deputados Professor Luizinho (PT-SP), então líder do governo, e Paulo Rocha (PT-PA).

Indicado para assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral em 2014, Toffoli se diz contrariado com as dúvidas lançadas sobre sua isenção – questionamentos são feitos desde que tomou posse no STF em 2009. “Eu já estou participando desse processo. Não vou sair de jeito nenhum”, disse o ministro, segundo relato de um interlocutor.

Toffoli já analisou, por exemplo, recursos de advogados de defesa dos réus nessa fase anterior ao início do julgamento de fato.

Sinalização. O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, afirmou na segunda-feira, 30, que a participação do colega na análise de questões relativas ao processo do mensalão indica que ele não vai se declarar impedido. “Não me compete opinar sobre nada, se ele vai ou se não vai (julgar o mensalão), e não quero ser mal interpretado. Agora, isso (participar de etapas anteriores) sinaliza participação. Sem dúvida”, disse na segunda em Brasília o presidente do Supremo.

Não há pressão na Corte para que ele não julgue o caso. Nos bastidores, os comentários são de que o Supremo é movido “por espírito de corpo” e, portanto, outros integrantes da Corte, também com ligações políticas, poderiam ser alvos de suspeição e sofrer o mesmo constrangimento caso Toffoli fique fora.

Beba na fonte: Com apoio de Lula e aval de colegas do STF, Toffoli vai julgar mensalão – politica – politica – Estadão.

Márcio Thomaz Bastos deixa defesa de Carlinhos Cachoeira

A equipe do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos deixa de responder pela defesa do contraventor Carlos Agusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Nesta terça-feira, 31, todos os advogados vão sair do caso oficialmente. Eles não explicaram o motivo da decisão.

Cachoeira é acusado de liderar esquema de jogos ilegais e foi preso em fevereiro deste ano pela Polícia Federal, durante as investigações da Operação Monte Carlo. Nessa segunda-feira, a noiva do contraventor, Andressa Mendonça, foi detida acusada de tentar chantager o juiz federal responsável pelo julgamento do processo que envolve Cachoeira na Justiça de Goiás.

Ao jornal Folha de S.Paulo, uma das advogadas integrantes da equipe, Dora Cavalcanti, afirmou que o acordo era participar da defesa até a audiência da semana passada. Na ocasião, o contraventor se recusou a responder as perguntas do juiz Alderico dos Santos. Durante o seu depoimento, usou o tempo de defesa para fazer declarações de amor a Andressa Mendonça, que acompanhava o depoimento na primeira fileira.

Durante o tempo em que comandou a defesa, Márcio Thomaz Bastos fez repetidos pedidos para libertar o contraventor e tentou anular as provas obtidas contra o cliente. O advogado também o acompanhou na ida à CPI que investiga as relações do grupo do contraventor com agentes públicos. Na ocasião, Cachoeira também ficou em silêncio.

Beba na fonte: Márcio Thomaz Bastos deixa defesa de Carlinhos Cachoeira – politica – politica – Estadão.

PMs de Osasco são presos acusados de matar 2 jovens

Cinco policiais militares do 14º Batalhão, em Osasco (Grande São Paulo), foram presos ontem sob a suspeita de matar dois jovens e simular um tiroteio para tentar justificar o crime.

O tecelão Cesar Dias de Oliveira e o repositor Ricardo Tavares da Silva, ambos de 20 anos, foram mortos no bairro do Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo, fora da área de atuação dos PMs de Osasco.

Os amigos trabalhavam com carteira assinada e não tinham passagens pela polícia.

Cinco testemunhas ouvidas pela Polícia Civil disseram que os policiais, fardados, estavam no Rio Pequeno em dois carros descaracterizados na madrugada do dia 1º.

Os jovens foram baleados, cada um com um tiro, quando estavam na moto de Oliveira. Eles ficaram caídos na calçada até que um carro oficial da PM chegou ao local para ajudar os PMs que estavam nos carros sem identificação.

Uma das testemunhas disse à polícia ter ouvido quando um dos PMs do carro oficial disse aos outros: “Vocês fizeram uma merda e agora terão de corrigir”.

Após a frase, segundo a testemunha, um dos PMs pegou um rádio, começou a atirar para o alto e a dizer que estava em um tiroteio com dois homens em fuga em uma moto.

Os jovens foram colocados nos carros da Polícia Militar e levados para um hospital em Osasco, distante 12 km de onde estavam. Oliveira chegou ao local com cinco tiros; Silva, com três.

Foram presos os PMs Marcelo Oliveira de Jesus, Raphael de Arruda Bom, Cringer Ferreira Prota, Denis da Costa Martins e Raphael Salviano Silveira. A reportagem não localizou advogados deles.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – PMs de Osasco são presos acusados de matar 2 jovens – 31/07/2012.

Justiça impede divulgação dos salários da Câmara

A Justiça Federal do Distrito Federal concedeu uma liminar ontem suspendendo a divulgação dos salários dos funcionários da Câmara, anteriormente prevista para ocorrer hoje.

Na decisão, o juiz determina que a Casa não divulgue os nomes dos servidores com seus respectivos vencimentos, como estipulado pela Lei de Acesso à Informação.

A liminar foi concedida após recurso do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo à 21ª Vara da Justiça do Distrito Feredal. Segundo o sindicato, a Lei de Acesso fere o direito à privacidade dos servidores e coloca a segurança deles em risco.

O juiz Hamilton de Sá Dantas argumenta que a Câmara deve usar outro critério de individualização das informações. “A divulgação individualizada com a utilização de outro elemento particularizador que não os nomes, como, por exemplo, os números das matrículas dos servidores, não prejudica a finalidade da norma [de acesso à informação]“, escreveu.

Ainda ontem, o Senado publicou um ato que determina a divulgação nominal dos salários de seus funcionários. Associações de servidores também devem questioná-lo na Justiça.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Justiça impede divulgação dos salários da Câmara – 31/07/2012.

Pedido para adiar julgamento é arquivado no TSE

A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Cármen Lúcia, mandou arquivar pedido feito por advogados ligados ao PT para adiar o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal.

No pedido, advogados de réus do mensalão afirmaram ser “inoportuno” a ocorrência do julgamento no período eleitoral e pediam à ministra que ponderasse a possibilidade de adiamento com os demais ministros do Supremo.

Ao arquivar a petição, a ministra afirma não ser competência do TSE fazer este tipo de pedido ao STF.

“Além de serem vagos e imprecisos os argumentos apresentados, (…) é de primário conhecimento não caber a este Tribunal Superior Eleitoral representar junto ao Supremo Tribunal Federal preocupações e interesses de réus em qualquer ação penal ali em tramitação”, afirma a ministra.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Pedido para adiar julgamento é arquivado no TSE – 31/07/2012.

Mulher de Cachoeira é detida sob suspeita de tentar corromper juiz

A mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, começou a ser investigada ontem por suspeita de tentar corromper o juiz responsável pela Operação Monte Carlo, que resultou na prisão do empresário, em fevereiro.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Andressa, que foi obrigada a prestar depoimento e a pagar fiança de R$ 100 mil. Também não poderá entrar em contato com nenhum investigado na operação -inclusive Cachoeira.

Segundo o juiz federal Alderico Rocha Santos, Andressa esteve em seu gabinete no último dia 26 para tentar obter a revogação da prisão e a absolvição do marido.

Na ocasião, conforme relato do magistrado à Procuradoria, ela afirmou ter um dossiê com “informações desfavoráveis” a ele que seria divulgado pelo “repórter Policarpo na revista ‘Veja’” caso Cachoeira não fosse liberado.

Redator-chefe da revista “Veja” em Brasília, Policarpo Júnior aparece conversando com Cachoeira em diálogos interceptados na operação, mas que, segundo a PF, denotam apenas relação entre repórter e fonte.

Em nota, a revista classificou a acusação como “absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos”. Disse ainda que toma providências para “processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Mulher de Cachoeira é detida sob suspeita de tentar corromper juiz – 31/07/2012.

Mensalão segue: agora, é o financiamento da BESTA

Reinaldo Azevedo

Qual é o artigo do Código Penal que prevê pena para o “mensalão”? Nenhum! Esse crime não está tipificado, mas corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e formação de quadrilha, ah, estes estão, sim! O Globo trouxe ontem uma entrevista com o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza, e ele faz justamente essa observação. De saída, vamos notar uma coisa: quando o ex-deputado Roberto Jefferson cravou o termo “mensalão”, criava-se ali uma marca, que contribuiu para popularizar o escândalo. Mas também se abriu uma janela devidamente aproveitada por Márcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça e hoje advogado de um dos acusados — o que é, convenham!, do balacobaco! Além disso, é uma espécie de mentor espiritual de muitos defensores. Adiante!

Há espertinhos por aí que tentam negar a existência do mensalão afirmando que não havia o pagamento regular, todo mês… Ora, todo mundo sabe disso! “Mensalão” é aquele que as estatais pagam para a rede suja da Internet, né? Sigamos. Também se sustenta que o imbróglio nunca existiu porque não faria sentido pagar parlamentares da base, que estariam com o governo de qualquer jeito. Huuummm… Estariam, é? O fato é que receberam dinheiro na boca do caixa. O que faziam com o seu voto não tem a menor importância.

Assim, é evidente que o crime, em si, não é o “mensalão”. Não existe um artigo pra ele. As práticas criminosas têm outros nomes. E com que objetivo? Arrecadar dinheiro para pagar a súcia. Atenção para isto: ainda que aqueles patriotas tivessem usado toda a grana para construir creches para as criancinhas pobres ou  abrigos para os velhinhos desamparados, teriam incorrido nas mesmas ilegalidades. A destinação do dinheiro não muda a natureza do que se praticou. Os fins não alteram a natureza do assalto aos cofres públicos. Como disse Antonio Fernando Souza, mesmo que tivessem queimado o dinheiro, o fato criminoso continuaria na origem dos recursos.

Quando Bastos tirou do colete a tese do “caixa dois de campanha”, pretendeu, com ela, admitir um crime eleitoral, mas não os outros. Vamos ver. Se  aquelas práticas eram inaceitáveis ainda que o intento fosse proteger criancinhas e velhinhos, por que haveriam de ser admitidas com o propósito de pagar as dívidas eleitorais dos companheiros e seus aliados? Entenderam o ponto? Negar o caráter mensal dos pagamentos ou a sua relação com votações no Congresso é puro diversionismo, coisa para distrair tolos.

O que importa é saber como o dinheiro do Banco do Brasil, por exemplo, foi usado para constituir o fundo do mensalão, por intermédio das agências de Marcos Valério, segundo constatou a CPMI dos Correios. Transcrevi ontem um trecho do relatório. Trata-se de uma lambança asquerosa. Se o dinheiro ilegal que chegou às mãos das pessoas indicadas por Delúbio Soares foi usado para comprar Chicabom ou para pagar dívidas, isso não tem a mais remota importância.

A propósito: quando estava na corda bamba, Lula admitiu os erros do PT — também era uma tática; fazia de conta que não tinha nada a ver com o rolo — e pediu desculpas. Desculpou-se, afinal de contas, por qual coisa? Por algo que nunca existiu?

Na Folha de hoje, Janio de Freitas volta a defender os mensaleiros. Acusa a imprensa de parcialidade — menos ele próprio e, suponho, aqueles que pensam como ele e que negam não a existência do mensalão (isso é só um nome e não tem importância), mas dos crimes. Mais uma vez, volta a sugerir que estamos diante de um confronto entre progressistas (os réus) e conservadores. De novo, Carlos Lacerda (???) apanhou. Talvez eu tenha notado aquele grão de loucura no texto que Machado de Assis narraria com enorme graça, mas não me estenderei a respeito.

A tese de Janio é menos inocente do que parece. Nada poderia estar mais afinado com José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR). Ao se inventar a patacoada de que estamos, no fundo, diante de um confronto de natureza ideológica, pretende-se forçar os ministros a deixar de lado os crimes e os criminosos em favor de uma escolha política, que só seria justa e legítima se buscasse, então, uma saída à esquerda.

Sabem o mais nojento disso tudo? O mensalão continua. Hoje ele sustenta o subjornalismo a soldo, regiamente pago com dinheiro público para difamar a oposição, a imprensa livre e parte do Judiciário. E para defender criminosos.

O julgamento na imprensa

Janio de Freitas

O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal é desnecessário. Entre a insinuação mal disfarçada e a condenação explícita, a massa de reportagens e comentários lançados agora, sobre o mensalão, contém uma evidência condenatória que equivale à dispensa dos magistrados e das leis a que devem servir os seus saberes.

Os trabalhos jornalísticos com esforço de equilíbrio estão em minoria quase comovente.

Na hipótese mais complacente com a imprensa, aí considerados também o rádio e a TV, o sentido e a massa de reportagens e comentários resulta em pressão forte, com duas direções.

Uma, sobre o Supremo. Sobre a liberdade dos magistrados de exercerem sua concepção de justiça, sem influências, inconscientes mesmo, de fatores externos ao julgamento, qualquer que seja.

Essa é a condição que os regimes autoritários negam aos magistrados e a democracia lhes oferece.

Dicotomia que permite pesar e medir o quanto há de apego à democracia em determinados modos de tratar o julgamento do mensalão, seus réus e até o papel da defesa.

O outro rumo da pressão é, claro, a opinião pública que se forma sob as influências do que lhe ofereçam os meios de comunicação.

Se há indução de animosidade contra os réus e os advogados, na hora de um julgamento, a resposta prevista só pode ser a expectativa de condenações a granel e, no resultado alternativo, decepção exaltada. Com a consequência de louvação ou de repulsa à instituição judicial.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reforça o sentido das reportagens e dos comentários mais numerosos, ao achar que “o mensalão é o maior escândalo da história” -do Brasil, subentende-se.

O procurador-geral há de ter lido, ao menos isso, sobre o escândalo arquitetado pelo brilho agitador de Carlos Lacerda em 1954, que levou à República do Galeão, constituída por oficiais da FAB, e ao golpe iniciado contra Getúlio Vargas e interrompido à custa da vida do presidente.

Foi um escândalo de alegada corrupção que pôs multidões na rua contra Getúlio vivo e as fez retornar à rua, em lágrimas, por Getúlio morto.

Como desdobramento, uma série de tentativas de golpes militares e dois golpes consumados em 1955.

O procurador Roberto Gurgel não precisou ler sobre o escândalo de corrupção que levou multidões à rua contra Fernando Collor e, caso único na República, ao impeachment de um presidente. Nem esse episódio de corrupção foi escândalo maior?

E atenção, para não dizer, depois, que não recebemos a advertência de um certo e incerto historiador, em artigo publicado no Rio: “Vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana”.

Dois inícios de guerra civil em 1930 e 1932, insurreição militar-comunista em 1935, golpe integralista abortado em 1937, levante gaúcho de defesa da legalidade em 1961, dezenas de tentativas e de golpes militares desde a década de 1920.

E agora, à espera do julgamento do mensalão, é que “vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – O julgamento na imprensa – 31/07/2012.

STF discute estratégia para evitar atraso no mensalão

FELIPE SELIGMAN, VALDO CRUZ e MÔNICA BERGAMO

Em meio a um clima de pressão, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) tentam definir uma estratégia para evitar que medidas dos advogados dos réus provoquem atrasos no julgamento do mensalão, marcado para começar na quinta-feira.

Uma alteração significativa no cronograma já estabelecido pode impossibilitar a participação do ministro Cezar Peluso, que pela lei tem que se aposentar obrigatoriamente até 3 de setembro, quando completa 70 anos.

Os ministros discutirão o que fazer com possíveis questionamentos da defesa em sessão administrativa do STF amanhã, véspera do início do julgamento. Uma das decisões que os ministros devem tomar é a de que nenhum deles apresentará pedidos de vista durante o julgamento.

Ontem, os advogados e ex-ministros da Justiça Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias, que defendem ex-diretores do Banco Rural que são réus na ação, protocolaram pedido de acesso aos autos para examinar documentos entregues na semana passada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Os documentos resumem as teses da acusação e destacam as principais evidências apresentadas contra os réus. Bastos e Dias argumentam que a defesa tem direito à última palavra no processo e por isso pediram acesso aos documentos do procurador.

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, decidiu dar acesso aos documentos a todos os advogados dos réus a partir de hoje. Em nota divulgada na tarde de ontem, Bastos e Dias disseram que seu pedido de vista “não ensejará qualquer tipo de adiamento do julgamento”.

Mas existe entre os 11 ministros que compõem o STF o receio de que pedidos como esse prolonguem o julgamento ou até mesmo adiem seu desfecho para o próximo ano.

Eles avaliam que a presença de Peluso é importante porque, independentemente de sua posição sobre o caso, o ministro é um dos que mais entendem de direito penal.

Há também muita expectativa com o que pode acontecer nos primeiros dias do julgamento. A principal dúvida é sobre o voto do ministro Ricardo Lewandowski, que é o revisor do processo.

Desde que ele prometeu fazer um “contraponto” ao relatório de Barbosa, colegas de Lewandowski temem que ele use seu voto para rebater as conclusões do relator do processo, acirrando as posições no início da votação.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – STF discute estratégia para evitar atraso no mensalão – 31/07/2012.

Sorrisos amarelos

Eliane Cantanhêde

Não se sabe se é para rir ou para chorar, mas o que os candidatos e os principais líderes e candidatos do PT vão fazer durante todo o mês de agosto, enquanto o julgamento do mensalão vai expor ao país os podres do partido? Aliás, quando se fala dos principais líderes, fala-se dos atuais. Os antigos encabeçam a lista de 38 réus.

Lula saiu da toca ontem, a três dias do início do julgamento, como quem não quer nada: não viu, não ouviu, não soube nem quer saber. Num hotel em São Paulo, tirou fotos com mais de cem candidatos de cidades consideradas prioritárias pelo PT. Depois do clique coletivo, os individuais -de 30 segundos a um minuto para cada um.

Enquanto isso, Dilma cuidava dos preparativos finais da cerimônia da entrada triunfal da Venezuela no Mercosul, que será hoje, em Brasília, com Hugo Chávez estrelando e com participações especiais de Cristina Kirchner e José Mujica. Foto para as primeiras páginas nos jornais da véspera do julgamento histórico. Aliás, como seria mensalão em espanhol? El mensalón? Chávez vai dizer que el mensalón nunca existiu?

E os candidatos, como é que vão se virar? Fernando Haddad, em São Paulo, precisa muito aparecer, para poder crescer e sair dos atuais 7% das pesquisas antes do início do horário eleitoral gratuito -que é sua grande chance, ou grande esperança.

Mas como vai aparecer, com o noticiário tomado por entrevistas e documentos de procuradores, advogados, réus? Difícil alguém se interessar por programa fajuto de candidato com um filmaço desses na TV, dia e noite. O mensalão é como um fantasma que paira não só sobre o governo Lula, mas, especialmente agora, sobre a foto de Lula com candidatos, das gentilezas de Dilma com Chávez, das pedaladas de Haddad, às voltas com “um chopes e dois pastel” num bairro onde ele nunca pisara antes.

Agosto começa com Lula, Dilma e Haddad se esforçando para sorrir. Mas sorrindo amarelo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Sorrisos amarelos – 31/07/2012.

Andressa Cachoeira: bonitinha, mas… extraordinária!

Andressa (Cachoeira) Mendonça é uma mulher bonita e instigante. Deslumbrou o País quando desfilou como aspirante ao posto de Musa da CPI estrelada pelo marido Carlinhos.

Até aqui, salvo uma declaração ou outra denotando sua incrível ingenuidade, vinha se comportando como uma exemplar mulher de preso. Levava quetinha para o marido, fazia companhia a ele, visitava-o amiúde. Chegou a ser cogitada para uma cadeira na Câmara Federal. Pelo que demonstrou, tem um imenso talento para a política.

O que não se sabia é que, além de bonitinha, ela também é… extraordária!

Extraordinária nas artes de pressionar e ameaçar juízes. Foi o que se soube na manhã desta segunda-feira agitada em Goiânia.

Andressa Cachoeira foi detida por ter ameaçado um juiz. A ameaça, feita verbalmente e por escrito, segundo o magistrado, tinha por objeto um dossiê que poderia comprometer o juiz, amigo e vizinho de fazenda de pessoas que o esquema pelo qual Andressa se movimenta considera gente suspeita.

No afã de obter um habas-corpus para o maridão presidiário, ela teria dito ao juiz que tudo terminaria para ele se o bicheiro seu esposo fosse solto.

Alderico Rocha, o juiz, se sentiu muito ofendido com a “oferta” da extraordinária Andressa Cachoeira. Decidiu comunicar ao Ministério Público, que também não achou graça nenhuma na oferta, e mandou fazer um baculejo no cafofo dourado em que a musa faz sua pousada.

Resultado: a brincadeira terminou com a imposição de uma fiança de R$ 100 mil que, se não for paga até depois de amanhã, pode reunir o casal Cachoeira no xilindró.

A ordem partiu de outro juiz — Mark Yshida –, que também mandou fazer a devassa na casa onde, às 7 horas da manhã desta segunda-feira, Andressa foi acordada pelo alarido de uma equipe da Polícia Federal. Yshida também determinou que a primeira-dama da jogatina fique bem longe das testemunhas e réus do processo, inclusive de seu maridão.

Agora as visitas vão secar. Cachoeira, que no SPA-Puda já perdeu 18 quilos, provavelmente vai sentir saudade de sua leal companheira. Terá que aguardar a eventualidade de outros depoimentos para fazer suas conhecidas declarações de amor.

Pior do que isso só há uma coisa pendente de acontecer. É Andressa perder definitivamente o posto de musa da CPI para Denise Rocha, a ex-assessora do deputado Ciro Nogueira que perdeu e emprego só porque vazaram um video em que ela desfila as virtudes de sua nudez, que não são poucas, diante da câmera de um amante indiscreto.

A semana mais importante da história deste País para Lula

A semana que começa hoje talvez seja a mais importante da história deste país para o STF, os mensaleiros e… especialmente para o ex-presidente Lula.

Na quinta-feira 2, o passado e o presente vão se se encontrar e se entrelaçar em dois eventos da maior importância: o julgamento do Mensalão em Brasília e o primeiro debate eleitoral em São Paulo.

O que vai acontecer em Brasília servirá para definir o patamar moral do governo Lula. Depois de se desculpar publicamente pela roubalheira de seus ministro, que amealhavam dinheiro na corrupção para assegurar uma maioria tranquila ao governo petista, Lula se engajou numa luta pessoal para desmoralizar as acusações e livrar os mensaleiros da cadeia.

O que vai acontecer nos estúdios da Rede Bandeirantes, em São Paulo, demarcará a real importância de Lula para o futuro e dará a dimensão de seu legado. Será a oportunidade de Haddad, a aposta de mais alto risco do chefe petista, começar finalmente a se justificar como candidato.

O desempenho eleitoral de Haddad até agora é pífio, colocando-o entre os nanicos que se apresentaram para o pleito. Como seu capital é composto quase que integralmente pela influência de seu tutor, está colocada a indagação sobre a capacidade de Lula de eleger postes, que funcionou como um relógio na última eleição presidencial.

Se os réus forem absolvidos e Haddad iniciar uma inflexão positiva nas pesquisas, Lula terá sacramentado e justificado seu rótulo de Midas da política.

Se perder em ambos os fronts, estará a caminho acelerado do limbo político, com seus poderes mágicos minados por suas próprias contradições.

Mas até que o processo de depuração histórica possa nos dizer qual afinal será o legado do até agora mais popular político contemporâneo brasileiro será preciso ter paciência.O julgamento vai durar um mês. As eleições só acontecerão em outubro.

Até lá, Lula continuará a ser o mesmo de sempre: um santo milagreiro à espera da justa canonização capaz de fazer milagres eleitorais dos quais até Deus duvida.

Zélia Cardoso de Mello, sobre Bernardo Cabral: “sexual harassment”

Zélia Cardoso,em Nova York
Zélia Cardoso,em Nova York

Mônica Bérgamo

A ex-ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello afirmou que seu romance com o colega Bernardo Cabral, da Justiça, no governo Collor, aconteceu por assédio da parte dele -que era casado. “Tenho até medo de me crucificarem, mas vou falar. Hoje acho que fui vítima de um… Como é que se chama no Brasil ‘sexual harassment’?”, disse em entrevista à “Claudia” de agosto.

“Ele já tinha sido indicado ministro, eu ainda não”, disse Zélia. “Eu estava vulnerável. Não estou querendo me justificar, mas minha visão é que me deixei levar por uma situação de poder. [...] A pessoa em questão não tem nada a ver comigo. Zero! Não teve hábitos, educação e cultura parecidos com os meus. É como se me apaixonasse hoje por um cara qualquer que estivesse passando aí na rua.”

Parentes e amigos de empresário morto por PMs fazem protesto

Cerca de 400 pessoas se reuniram no parque Ibirapuera (zona sul), ontem de manhã, para protestar contra morte do empresário e publicitário Ricardo Prudente de Aquino, 39. No dia 18, ele foi morto por PMs após perseguição no Alto de Pinheiros, zona oeste.

A manifestação foi organizada pela família da vítima, criadora do movimento “Quero Mais, Quero Paz”. “Ficamos indignados com a soltura dos policiais que executaram friamente o Ricardo”, afirmou a irmã dele, Fernanda Aquino.

“Principalmente por causa dos indícios de adulteração da cena do crime”.

A viúva do empresário, Lelia Pace de Aquino, 34, atribuiu à falta de preparo psicológico e técnico a abordagem feita pelos policiais. A irmã pediu uma reforma profunda na PM.

Com o rosto do empresário estampado nas camisetas, o grupo partiu da Oca e andou até a praça da Paz cantando a canção “Eu Quero Apenas”, de Roberto Carlos.

Ao menos sete disparos foram feitos pelos PMs -todos de curta distância, conforme perícia preliminar. Os PMs disseram ter confundido o celular de Aquino com uma arma.

O empresário voltava para casa de carro quando, diz a polícia, ignorou a ordem para parar. Dois soldados e um cabo foram presos e indiciados sob suspeita de homicídio doloso. O advogado deles, Fernando Capano, disse que, apesar do desfecho “trágico”, eles agiram corretamente, já que Aquino ignorou a ordem.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Parentes e amigos de empresário morto por PMs fazem protesto – 30/07/2012.

Legislativos estaduais escondem salários de seus servidores

Os Legislativos nos Estados e no Distrito Federal são, dos três Poderes, os menos transparentes na divulgação na internet dos salários pagos a seus funcionários, mostra levantamento feito pela Folha.

Nenhuma das 26 Assembleias Legislativas nem a Câmara do DF publica em um mesmo documento o nome de todos os seus servidores e os respectivos vencimentos.

A que permite maior detalhamento dos dados é a de Santa Catarina, mas o sistema de buscas exige que seja digitado o nome do servidor para que se tenha acesso a seu salário -o que inviabiliza a identificação de vencimentos fora do padrão.

Todas as outras omitem parte dos dados: ou divulgam apenas a remuneração prevista por função -sem especificar quais benefícios cada funcionário recebe- ou não disponibilizam dados.

A divulgação dos salários de maneira individualizada é prevista pela Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor há cerca de dois meses.

Apesar disso, ao menos em São Paulo o Legislativo está impedido por uma decisão provisória do Tribunal de Justiça de divulgar as informações em um documento único. Na sentença, o desembargador Corrêa Vianna cita “a preservação do direito à vida privada e à intimidade”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Legislativos estaduais escondem dados salariais de seus servidores – 30/07/2012.

Planalto fez gestão para poupar Lulinha

ANDREZA MATAIS E RUBENS VALENTE

Texto guardado em sigilo há mais de seis anos revela alterações no relatório final da CPI dos Correios, que investigou o mensalão, para omitir menções ao filho mais velho do ex-presidente Lula.

O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi redigido pela equipe do deputado ACM Neto (DEM-BA), sub-relator da CPI dos Correios para o tema fundos de pensão. ACM Neto confirmou à Folha que se trata do texto original.

Do texto enviado ao relator Osmar Serraglio (PMDB-PR), foram suprimidas menções a Fábio Luís, o Lulinha, e ao fato de a empresa investigada Gamecorp pertencer a ele.

Serraglio tinha poderes para alterar o texto do sub-relator. Chama atenção que só tenham sido suprimidos trechos que citavam Lulinha ou eram críticos a ele e a Lula.

Fábio Luís foi investigado porque a Telemar (atual Oi) investiu R$ 5 milhões na Gamecorp em 2005, um ano após ter sido criada por Lulinha, com capital de R$ 10 mil.

Dois fundos de pensão investigados pela CPI tinham participação na Telemar, que recebera aporte do BNDES.

Foram suprimidos trechos como “por envolver, naturalmente, como beneficiário, o filho do presidente da República”. Ficou de fora um parágrafo inteiro que criticava o Ministério da Fazenda e juntas comerciais de diversos Estados que não responderam aos pedidos da CPI por informações sobre a Gamecorp.

A Fazenda, segundo o texto de ACM Neto, respondeu que repassar essas informações “poria em risco os interesses legítimos da empresa”.

O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse à Folha que conversou com Lula diversas vezes e que houve pressão “de todos os lados”, mas silenciou sobre a origem da ordem para retirar o nome de Lulinha.

Serraglio confirma as pressões do Planalto. “Essas informações chegavam para gente, ‘ou vocês retiram ou nós vamos criar dificuldades para aprovar’”, disse. “Tinham pessoas mais próximas [do Planalto] que acompanhavam, o Carlos Abicalil (PT-MT), o Jorge Bittar (PT-RJ), era a tropa da frente.”

Para Delcídio e Serraglio, se o nome de Lulinha tivesse sido mantido, o relatório não teria sido aprovado. Mencionar Lulinha seria o mesmo que citar o presidente.

A CPI não quebrou o sigilo da Gamecorp.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Planalto fez gestão para poupar Lulinha – 30/07/2012.

Lula, Dirceu e a “farsa”

Melchiades Filho

A CPI havia confirmado as denúncias feitas à Folha semanas antes por Roberto Jefferson quando, em agosto de 2005, Lula entrou em rede nacional de TV e disse que o governo e o PT tinham de “pedir desculpas”: “Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis, das quais não tive conhecimento”.

Em entrevista na virada daquele ano, o presidente reiterou que havia levado uma “facada nas costas”. O partido cometera “um erro de gravidade incomensurável” e precisaria “sangrar muito para poder se colocar diante da sociedade outra vez com credibilidade”.

Àquela altura, o PT já tinha sido submetido a uma temporada de purgação. Associada ao esquema ilegal de financiamento, sua direção caíra inteira. Interessado em se desgarrar do escândalo, Lula estimulou o ato público de contrição.

O mensalão só passou a ser “desconstruído” depois que a imprensa desmontou a versão do presidente, revelando que ele, se não tinha pessoalmente autorizado as reinações do tesoureiro Delúbio Soares, havia sido alertado sobre elas muito antes da entrevista-bomba de Jefferson. Virou “farsa” e “tentativa de golpe” apenas quando Lula conseguiu reagrupar apoio político.

Em 2010, quando, em resposta ao Ministério Público, ele finalmente abandonou o discurso do “eu não sabia”, a máquina federal já rodava forte para blindar o presidente.

A PF tinha pisado no freio. Os saques nas contas do PT irrigadas pelo valerioduto não foram rastreados. O inquérito que comprovou o desvio de dinheiro público mal andava. Só seria concluído no ano seguinte, à revelia, custando uma “geladeira” ao delegado responsável -advertido, curiosamente, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que, na época de deputado, adorava criticar o PT mensaleiro.

Réu mais célebre do mensalão, o ex-ministro José Dirceu em boa medida paga o pato pelo ex-chefe.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Lula, Dirceu e a “farsa” – 30/07/2012.

Em São Paulo, campanhas fazem guerra jurídica

Bruno Lupion

Entre a batalha da militância nas ruas, com bandeiras e carros de som, e a disputa pela empatia do eleitor no horário político em rádio e TV, há um terceiro front das campanhas que pode ser decisivo na vitória de um candidato: a guerra de representações jurídicas.

Em São Paulo, os advogados dos principais candidatos à prefeitura estimam mover, cada um, cerca de 400 representações até outubro. Em sua maioria, pedidos para que a Justiça Eleitoral retire programas do ar, reduza os minutos de exposição dos adversários ou autorize a veiculação de direito de resposta.

O ápice da disputa ocorre durante o horário eleitoral, quando os advogados assistem a todos os programas dos concorrentes para mapear ofensas ou o uso de técnicas vedadas pela lei, como montagem, trucagem ou computação gráfica. O trabalho, porém, começa antes da campanha, no momento de registro da candidatura, quando qualquer inconsistência pode ser fatal: nestas eleições, a Justiça já indeferiu o registro de 122 candidaturas a prefeito, 111 a vice-prefeito e 3.763 a vereador.

Esse serviço não sai barato. Neste ano, o preço para prestar assessoria jurídica por três meses às maiores campanhas à prefeitura paulistana não é menor que R$ 1 milhão. Em 2008, Gilberto Kassab, então candidato pelo DEM, pagou pouco mais que isso ao escritório Malheiros, Penteado, Toledo, Almeida Prado, que hoje assessora a campanha de José Serra (PSDB). Geraldo Alckmin gastou R$ 750 mil com as bancas Mendes Advogados e Alckmin Advogados, e Marta Suplicy, R$ 450 mil com o escritório Silveira, Andrade Advogados, de acordo com as declarações à Justiça Eleitoral. Segundo os advogados, desde então o serviço valorizou-se bem acima da inflação, que foi de 24% no período, medida pelo INPC.

Beba na fonte: Em São Paulo, campanhas fazem guerra de representações jurídicas | Eleições 2012 | Estadão.com.br.

‘Musa’ da CPI’, Andressa Cachoeira já pensa em ser deputada

Na família Mendonça, de Goiatuba (GO), o patriarca Lair tem história na política e um plano para sua filha. Alçada à fama por ser mulher de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça discute com os familiares a possibilidade de seguir os passos do pai, vereador em Goiatuba há três mandatos consecutivos.

Despachante, com patrimônio declarado de R$ 2 milhões em 2008, é filiado ao PMDB. Em média, se elege com 2 mil votos. Nas eleições deste ano pensou em concorrer à prefeitura, plano abortado por sugestão da própria Andressa, que temia que o caso envolvendo o marido atrapalhasse a campanha do pai.

Condenado por improbidade administrativa, Lair queria garantir uma cadeira da Câmara Municipal para a filha.

Andressa, no entanto, sonha com voos mais altos: a Câmara dos Deputados. Fãs ela já tem. A mulher de Cachoeira é constantemente parada nas ruas ou nos tribunais para posar para fotos. Na volta do recesso, enfrentará o primeiro teste no Legislativo. Foi convocada para depor na CPI que investiga as relações políticas do marido. Ainda não se sabe se Andressa usará o direito constitucional de permanecer calada, como tem sido recorrente nessa CPI.

Beba na fonte: ‘Musa’ da CPI já pensa em ser deputada – politica – versaoimpressa – Estadão.

MST entra na campanha por Chavez

Roldão Arrdua

A reforma agrária no Brasil parou. Mas a agitação no Movimento dos Sem-Terra (MST) é grande.
O movimento tem sido um dos principais articuladores no Brasil de manifestações de apoio ao presidente Hugo Chávez, da Venezuela. Também esteve à frente de atos de repúdio ao afastamento de Fernando Lugo da presidência no Paraguai. No site da organização são recorrentes as referências às questões da política latino-americana.
Como explicar tanta preocupação? Segundo João Pedro Stédile, principal líder do MST, o interesse pela Venezuela se deve ao fato de estar no centro da disputa política do continente. A vitória ou derrota de Chávez, nas eleições de 7 de outubro, influenciará a política de todos os países da região, acredita o líder dos sem-terra.
Stédile tem falado muito sobre o tema. Na terça-feira, 24, ao participar em São Paulo de um encontro destinado a discutir iniciativas de apoio a Chávez nas eleições, disse:  ”A derrota dele seria a derrota de todo o processo que está em curso nos últimos doze anos na  América Latina.”

Beba na fonte: MST mobiliza forças em defesa de Chávez e ataca “império” – Roldão Arruda – Estadao.com.br.

Ao STF, Dirceu dirá que Jefferson ‘inventou’ mensalão

A defesa de José Dirceu de Oliveira e Silva, personagem central do mensalão, vai sustentar na tribuna do Supremo Tribunal Federal (STF) que “a história foi montada por Roberto Jefferson” e que o esquema de compra de apoio parlamentar “não existiu”.

A apenas três dias do início do julgamento, José Luís Oliveira Lima, criminalista, defensor do ex-ministro, mira Roberto Jefferson, ex-deputado do PTB, autor da denúncia que levou à cassação de Dirceu.

A Procuradoria-Geral da República classifica o ex-chefe da Casa Civil no governo Lula de principal articulador da engrenagem do mensalão, “sofisticada organização criminosa”.

Oliveira Lima não perde a serenidade quando indagado sobre o desafio que o espera. As próximas horas ele passará debruçado, como já o fez no fim de semana, sobre os autos da ação penal 470. Aqui e ali, rastreia atalhos para fustigar a denúncia do Ministério Público Federal, que formalmente atribui a Dirceu formação de quadrilha e corrupção ativa.

“Foram mais de 500 depoimentos, nenhuma testemunha confirma as acusações levantadas por Roberto Jefferson”, assinala o advogado, que desembarca em Brasília na quarta-feira para sua missão mais delicada.

Em alegações finais, Oliveira Lima rechaçou o libelo da procuradoria contra seu cliente. “Derrubando cada um dos indícios brandidos pela denúncia, a prova judicial assegurou que José Dirceu se dedicava exclusivamente ao governo, não comandava os atos dos dirigentes do PT, não tinha controle nem ciência das atividades de Delúbio Soares, não decidia nomeações e não mantinha vínculo com Marcos Valério.”

Beba na fonte: Ao STF, defesa de Dirceu dirá que Jefferson ‘inventou’ mensalão – politica – versaoimpressa – Estadão.

Evangélicos usam estrutura de templos em suas campanhas

Se a fé move montanhas, não custa tentar garantir a multiplicação dos votos. É de olho no eleitorado evangélico, estimado em cerca de 20% dos 11,8 milhões de eleitores do estado, que candidatos ligados a igrejas evangélicas pentecostais vêm fazendo de templos religiosos uma extensão de seus comitês eleitorais. Nesses locais, propaganda política e assistencialismo ganham contornos de caridade ou ação social, como o GLOBO constatou na sede da Igreja Primitiva do Amor, em Nova Iguaçu, e na Assembleia de Deus dos Últimos Dias, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
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Instalada numa casa simples, no alto da Rua Joélio Santana, na Palhada, um dos bairros mais carentes do município, a Igreja Primitiva do Amor sediou na manhã de quarta-feira uma ação social — evento divulgado em faixas espalhadas pela região — com o cadastramento de moradores no programa Bolsa Família, preenchimento de fichas para solicitação de aposentadoria, aplicação de flúor e outras benesses, que aparecem listadas numa folha fixada no portão da seita. O interessado, contudo, deveria apresentar comprovante de residência, carteira de identidade e título de eleitor.
Líder da seita, o pastor Raimundo Jesus disse que a ação social foi realizada no local a pedido da Secretaria de Assistência Social de Nova Iguaçu. O que não é citado nas faixas de propaganda espalhadas pelo bairro. Já alguns moradores ouvidos pela reportagem disseram que o evento estaria ligado à candidatura do petista Sebastião Wagner Berriel, que disputa uma vaga na Câmara de Vereadores do município, onde a prefeita Sheila Gama (PDT) tenta a reeleição numa coligação com o PT.
Perguntado sobre a suposta ligação do candidato com a ação social, o pastor Raimundo desconversou e disse apenas ter cedido o espaço a pedido da prefeitura. Na rua onde funciona a Igreja Primitiva do Amor há ainda outros três pequenos templos evangélicos de outras correntes pentecostais e um centro espírita. A assessoria do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, responsável pela gestão do Bolsa Família, disse inicialmente que o cadastramento só poderia ser promovido em espaços da administração municipal, sob a responsabilidade das secretarias municipais de assistência social.

Beba na fonte: Evangélicos usam estrutura de templos em suas campanhas – O Globo.

Manifestantes comemoram em Ipanema julgamento do mensalão – O Globo

Cerca de 60 pessoas fizeram uma passeata na manhã deste domingo na orla de Ipanema, na Zona Sul do Rio, para comemorar o início do processo de julgamento do mensalão. Com faixas e cartazes, com frases como “abaixo a impunidade” e “não à corrupção”, eles caminharam entre os postos 9 e 12 pedindo celeridade no processo.

Durante a passeata, o grupo se encontrou com cabos eleitorais da vereadora Cristiane Brasil, candidata à reeleição e filha do ex-deputado e presidente do PTB Roberto Jefferson, uma das principais figuras do caso.

No final da caminhada, os manifestantes cantaram parabéns, e cortaram um bolo verde e amarelo, e decorado com 11 bonequinhos, representando os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A passeata foi realizada pelo movimento 31 de Julho, que tem como meta o combate à corrupção e impunidade do país.

Em maio deste ano, o movimento recolheu 37 mil assinaturas em vários estados, cobrando uma resposta imediata do STF para o julgamento do processo do mensalão.

Beba na fonte: Manifestantes comemoram em Ipanema julgamento do mensalão – O Globo.

Roberto Jefferson passa bem após retirada de tumor

O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) deverá receber nesta segunda-feira o resultado da biópsia para saber se o tumor detectado no pâncreas é maligno ou não. Submetido no último sábado a uma cirurgia de oito horas, Jefferson passa bem e já respira sem a ajuda de aparelhos. De acordo com boletim médico divulgado pelo Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio, onde ele foi operado, o petebista está lúcido e voltou a se alimentar por meio de sonda.

Beba na fonte: Roberto Jefferson passa bem após retirada de tumor no pâncreas – O Globo.

Prefeitos embolsam R$ 60 milhões com eventos superfaturados

Reportagem exibida na noite deste domingo pelo programa Fantástico, da Rede Globo, revelou que prefeitos de cidades muito pobres do Nordeste são acusados de promover eventos superfaturados e botar no bolso mais de R$ 60 milhões, que deveriam ser usados pra beneficiar a população.
A matéria mostra que, no papel, a JC Produções é uma experiente firma de eventos e nos últimos três anos venceu 231 concorrências de prefeituras. Faturou R$ 3 milhões. O endereço da sede da empresa é a casa da Joelma e do Seu Jorge, nuam rua simples, sem asfalto. O endereço deles foi usado para montar uma das empresas fantasmas envolvidas em um esquema milionário de desvio de dinheiro público. Ao todo, 27 pessoas foram presas. A quadrilha agia em 30 cidades paraibanas e em mais três estados do Nordeste.
No grupo havia até prefeitos: Francisco de Assis Melo, de Solânea, João Clemente Neto, de Sapé, e Renato Mendes, de Alhandra. O esquema foi desvendado pelo Ministério Público da Paraíba e pela Polícia Federal. O foco da quadrilha era o dinheiro de festas populares, como Carnaval e São João. Os prefeitos envolvidos tinham uma missão: fraudar contratos para que empresas de amigos conseguissem os serviços.
Na prática, estas empresas só existiam no papel. O endereço de todas era falso. Segundo o Ministério Público, prefeitos e empresários se uniam para combinar o valor do desvio. Algumas firmas vencedoras pareciam nem conhecer os serviços que forneciam. Chegaram a confundir autorização para soltar fogos com um documento que solta presos.
A Polícia Federal e o Ministério Público encontraram provas do envolvimento dos três prefeitos citados nas investigações. Em Solânea, o filho do prefeito participava diretamente das contratações e negociava uma margem de lucro, que ficava com ele mesmo, segundo os promotores.
Em Sapé, a polícia diz ter encontrado provas de que o pagamento para as empresas de eventos ficava com o próprio prefeito. A primeira dama de Sapé também lucrou com a festa de São João deste ano. Segundo os promotores, era ela quem vendia os camarotes montados em uma praça, em local publico. Só que o dinheiro nunca foi parar na prefeitura. Foi direto para o bolso dela. Pelo menos 40 camarotes foram negociados dessa forma pela primeira-dama, segundo os promotores.
Em Alhandra, o patrimônio do prefeito chamou a atenção da polícia. Renato Mendes declara possuir R$ 189 mil em bens. Mas as investigações mostram que ele tem carros importados e uma casa avaliada em R$ 1,5 milhão em um condomínio de luxo de João Pessoa, capital paraibana. De acordo com as investigações, Renato também emprestava um cartão da prefeitura a uma amiga, ela tinha liberdade pra gastar o quanto quisesse. Os bens de todos os prefeitos envolvidos estão bloqueados pela Justiça. O esquema funcionava havia pelos menos quatro anos. Quanto mais a quadrilha atuava, mais festas aconteciam.
Festa demais para municípios tão pobres, segundo o Ministério Público. O índice de desenvolvimento humano de Alhandra, Sapé e Solânea está entre os piores do país. Foi justamente nesta região que os empresários criaram empresas fantasmas e conseguiram desviar R$ 65 milhões, dinheiro de municípios, estado e governo federal. A empresa que mais recebeu dinheiro de prefeituras da Paraíba levou R$ 14,5 milhões. O imóvel está alugado.

Beba na fonte: Prefeitos embolsam R$ 60 milhões com eventos superfaturados – O Globo.

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