Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “julho 10, 2012”

As drogas e o projeto de reforma do Código Penal

Foram necessários sete meses de trabalho intenso para que a comissão de juristas encarregada do anteprojeto de reforma do Código Penal chegasse ao texto final que agora tramita pelo Senado. O resultado é uma proposta que cria novos tipos penais, estabelece critérios de objetividade e verossimilhança para o cálculo das punições e de fato atualiza e condensa a legislação especial.

Com efeito, a proposta é necessariamente polêmica porque traz para a luz a discussão de problemas que vinham sendo tratados no âmbito da jurisprudência produzida pelos tribunais e de alterações pontuais na legislação ao longo dos últimos 55 anos.

Uma delas diz respeito uso e porte de substâncias entorpecentes. A discussão promete ser explosiva e vai dividir opiniões até que o Congresso possa definir o que deve e o que não deve ser permitido no País.

O blog tem uma posição clara a respeito do assunto: é a favor da descriminalização do uso individual e do porte de pequenas quantidades, bem como da produção para o autoconsumo. É também a favor do endurecimento das penas destinadas aos traficantes e dos aliciadores.

Vejamos o que diz a proposta elaborada pela comissão de jusristas:

Art. 212. Importar, exportar, remeter, preparar,  produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – prisão, de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.

(…)

§2º Não há crime se o agente:

I – adquire, guarda, tem em depósito, transporta ou traz consigo drogas para consumo pessoal;

II – semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de drogas para consumo pessoal.

§3º – Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, à conduta, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, bem como às circunstâncias sociais e pessoais do agente. 

Se vier a ser aprovado, o texto representará um enorme avanço em relação aos dias de hoje, em que as drogas são tratadas como problema de natureza policial quando, na verdade, estão afetos aos direitos individuais e à saúde pública.

Ao enumerar as justificativas para essa mudança conceitual, o jurista Técio Lins e Silva aponta “o acerto da retirada dos vegetais do chá Hoasca (ayahuasca, daime, cipó, mariri, yagé ou kamarampi) da relação de substâncias proibidas, editadas pelo Ministério da Saúde, por exemplo, está comprovado na prática. Nesses quase 30 anos de sua liberação, não existe registro de abuso dessas substâncias ou sua utilização fora do uso ritual. Essa postura liberal do CONFEN não causou nenhum problema epidemiológico ou de abuso”.

É de se pensar, percorrendo o caminho inverso, o que teria acontecido se o CONFEN tivesse decidido proscrever ou criminalizar  o consumo dos chás entorpecentes derivados dos cipós amazônicos. Teríamos com certeza uma legião de pessoas apenadas por algo que se revelou socialmente infenso — a despeito dos alertas de cientistas no sentido de que a ingestão dessas substâncias pode fazer mal à saúde física e mental de seus usuários. Pajés, caciques, guias religiosos e usuários eventuais seriam trancafiados em presídios pelo ato criminoso de fazer e tomar um chá alucinógeno em cerimônias coletivas de contemplação e mediatação. Teria valido a pena ?

Não se sabe qual será a disposição dos deputados e senadores para enfrentar essa questão. Mas ela já teve o efeito sudável de tirar o tema do baú dos tabus proibidos, assim como um dia, há mais de 40 anos, foi proposta a redicussão da proibição do divórcio. Houve quem, àquela altura da história, considerasse absurdo o Estado deixar de se intrometer entre as paredes que conformam o ambiente privativo dos casais e das relações afetivas.

Se não vingar a descriminalização, pelo menos um passo terá sido dado.

Mas conformar-se com isso é pouco diante da chance brilhante que o País tem encaminhar o problema para a seara apropriada. O correto seria chancelar o que os especialistas indicam e livrar o uso pessoal e recreativo das drogas do estigma do encarrceramento.

Com menos usuários ocupando vagas nos presídios, vai sobrar espaço e vigor à polícia para trancafiar quem deve ser preso: os grandes traficantes, os aliciadores de crianças para o consumo e o comércio de entorpecentes, e os policiais, promotores e juízes que lucram com o mercado fértil da corrupção.

Blog antecipa o discurso de despedida de Demóstenes

Blog antecipa o discurso de despedida de Demóstenes Torres

Senhoras e senhores, senadores e senadoras,

Transformei minha vida parlamentar numa aposta contra a corrupção. Não é possível extrair dos autos do processo nenhum prova de meu atrelamento com o jogo do bicho.

Eu não sou burro (03). Tentaram me transformar em vaca (25) de piranha, misturar-me aos porcos (18) da contravenção, mas não  conseguiram. 

Esse processo é produto do enpavonamento (19) dos meus inimigos históricos. São pérfidos como cobras (09) e ardilosos como tigres (22). Mas não conseguirão me dar esse abraço de urso (23) porque eu sou esperto como um gato (14). Sei reagir com a sabedoria de uma águia (02) e tenho a paciência e a memória dos elefantes (12).

Espero de vossas excelências que não ajam como cachorros (05) adestrados desse governismo ardiloso que pretende me transformar em cordeiro (07) de Deus.

Não, colegas, não esperem de mim que enfie a cabeça na terra como um avestruz (01). Não sou macaco (17) de circo para animar essa plateia que quer me ver pelas costas. Lutarei como um leão (16) para demonstrar minha inocência. Não duvidem: eu sou um touro (21)!

E, se afinal não conseguir, se for abatido como um coelho (10), não vou balir como uma cabra (06).

Vou dizer altivo desta tribuna:

- Vossas Excelências não passam de um bando de veados (24)!

Respeito à diferença

Bizarro!

Espero sinceramente que a moda não pegue aqui no Brasil.

 

Quem financia a campanha das centrais sindicais a favor dos mensaleiros ? Você !

As duas maiores centrais sindicais — CUT e Força Sindical — prometem mobilizar suas “bases” para pressionar o STF a absolver os mensaleiros. O engajamento, anunciado pela CUT, logo foi seguido pela Força Sindical, como noticiou o blog nesta terça-feira.

Pergunto: quem financia a campanha pela impunidade da quadrilha do Mensalão? Respondo: você, com o que lhe é descontado do salário a título de pagamento da contribuição sindical equivalente a um dia de trabalho por ano.

A quase totalidade do dinheiro arrecadado na marra dos trabalhadores para manter a paquidérmica organização sindical brasileira vem daí. 60% do que é arrecadado vão para os sindicatos; federações e confederações ficam com outros 20%; as centrais sindicais recebem 10%. Não é pouca coisa. Só no ano passado, a CUT recebeu quase R$ 32 milhões; a Força Sindical ficou com R$ 29 milhões.

Por obra e graça do companheiro Lula, que regulamentou as centrais sindicais em 2008, essas organizações receberam o beneplácito da imunidade. Foram desobrigadas de prestar contas da aplicação dos recursos inclusive ao Tribunal de Contas da União. A rigor, podem fazer o que quiserem coma dinheirama — inclusive prover meios para a arregimentação de uma massa-de-manobra para ressionar o Poder Judiciário a absolver criminosos.

Dilma Rousseff, que tem sido mais dura com as centrais do que seu criador, ainda assim foi extremamente cordata com relação à fiscalização. Ao sancionar a Lei de Acesso à Informação, que obrigou sindicatos a prestar contas da fração que recebem da contribuição sindical, manteve a imunidade das centrais sindicais.

Hoje, portanto, elas gozam de um privilégio que não é dado a nenhum outro segmento da economia ou da política. Ninguém sabe, a rigor, e não existem instrumentos legais que permitam saber, o que é feito do donheiro arrancado na marra do trabalhador e destinado pelo governo a essas organizações.

Certo mesmo é que pelo menos uma parte dele vai financiar atividades como a reabilitação de Delúbio Soares, cuja volta da proscrição foi marcada por um regabofe custeado pela pelegada cutista. Não satisfeitos em transformar a entidade numa trincheira partidária — o que é compreensível, dada a imbricação histórica entre o partido e a central — os novos pelegos agora se dispõe a fazer o papel de reabilitadores de deliquentes caídos.

E tudo isso às suas custas.

Dilma sanciona lei que endurece crime de lavagem de dinheiro

A presidente Dilma Rousseff sancionou, sem vetos, a lei que endurece os crimes de lavagem de dinheiro. A proposta, aprovada no Senado no começo de junho, permite enquadrar como lavagem qualquer recurso com origem oculta ou ilícita. A nova lei deve ser publicada na edição desta terça-feira do Diário Oficial da União, de acordo com informações do Twitter do Palácio do Planalto.

A legislação em vigor até o momento, de 1998, permitia apenas que recursos com origem no tráfico de armas e drogas, crimes contra a administração pública ou terrorismo fossem enquadrados como lavagem de dinheiro.

A nova lei mantém os prazos de 3 a 10 anos de reclusão para as penas, mas o valor das multas aplicadas a condenados foi elevado. O teto máximo agora será de R$ 20 milhões e não mais de apenas R$ 200 mil como previa a lei de 1998. A chamada “delação premiada”, já prevista na legislação, poderá agora ser feita “a qualquer tempo”, ou seja, mesmo depois da condenação, aqueles que quiserem colaborar com as investigações poderão se beneficiar do instrumento.

Beba na fonte: Dilma sanciona sem vetos lei que endurece crime de lavagem de dinheiro – politica – politica – Estadão.

Prefeito de Palmas corre risco de ser expulso do PT

Diante do vídeo que mostra o prefeito de Palmas (TO), o petista Raul Filho, negociando com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a cúpula do PT vai insistir que o prefeito nunca foi um quadro histórico do partido. A estratégia é tentar isolá-lo, deixando claro que seu envolvimento com o contraventor não faz o PT sangrar.

A tendência é que Raul Filho seja expulso da legenda depois da abertura de processo na Comissão de Ética do partido. Parte da direção do PT defende que esse processo seja concluído somente depois das eleições municipais de outubro.

Flagrado em conversa com Cachoeira em 2004, Raul Filho depõe hoje na CPI para explicar suas relações com o grupo. No depoimento, os petistas não pretendem blindar seu correligionário. Pelo contrário: a tática será frisar que Raul Filho é uma figura de menor importância dentro do partido. A ideia é não dar “munição” para a oposição atacar os petistas, que querem deixar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), permanentemente na berlinda sob a acusação de envolvimento com o esquema de Cachoeira.

No processo de “desconstrução da imagem” do prefeito de Palmas, integrantes da direção nacional do PT fazem questão de lembrar que Raul Filho já passou por legendas como a Arena, o PFL, o PSDB e o PPS, antes de desembarcar no partido, em 2003, com as bênçãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2004, Raul foi eleito prefeito de Palmas pela primeira vez.

Petistas rememoram ainda que, em abril do ano passado, Raul Filho e sua mulher, a deputada estadual Solange Duailibe, chegaram a ser expulsos do PT pelo Diretório Estadual do Tocantins, sob alegação de infidelidade partidária: ambos apoiaram a candidatura de João Ribeiro, do PR, ao Senado, contra o petista Paulo Mourão. Mas em junho, a direção nacional suspendeu a decisão, anulando a expulsão.

No depoimento previsto para esta terça-feira, 10, o PT não armou nenhum esquema para defender Raul Filho. A avaliação de parte dos petistas é que o prefeito “tem culpa no cartório”. “Vamos ouvir o que ele tem a falar”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP). “Ele tem que dar explicações. Mas todos os indicativos são de que ele não está envolvido com a organização criminosa”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

O prefeito de Palmas será o último a depor na CPI do Cachoeira, antes do recesso parlamentar, que começa na semana que vem. Das seis convocações aprovadas em reunião administrativa da CPI, na semana passada, Raul Filho foi o único a ter seu depoimento agendado.

A cúpula da comissão deixou para agosto os depoimentos mais polêmicos: Fernando Cavendish, dono da Delta; Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit); e Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ligado ao PSDB e ex-diretor da Dersa, empresa responsável pela manutenção das estradas paulistas.

Beba na fonte: Isolado no PT, prefeito de Palmas corre risco de ser expulso após depoimento – politica – versaoimpressa – Estadão.

Demitido, ex-presidente da Valec continuou agindo na estatal

FERNANDO MELLO e DIMMI AMORA

Investigação da Polícia Federal na Operação Trem Pagador mostra que, mesmo após ser demitido durante a “faxina” promovida pela presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente da Valec (estatal de ferrovias) José Francisco das Neves, o Juquinha, continuou atuando no órgão.

Ele, familiares e um sócio foram presos na semana passada pela Polícia Federal sob a suspeita de comprar imóveis para lavar dinheiro supostamente desviado da estatal -seu patrimônio chega a R$ 60 milhões.

Segundo a Polícia Federal, Juquinha atuava na Valec mesmo após ter sido demitido para tentar evitar problemas com os órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União) e a CGU (Controladoria-Geral da União).

Para os policiais, ele usava funcionários e diretores que permaneceram na estatal para fazer mudanças em documentos. Em 20 de outubro de 2011, há uma conversa entre Juquinha e o ex-diretor de engenharia da Valec, Luiz Carlos Machado de Oliveira, em que, para a PF, Oliveira estava preparando papéis com data retroativa para regularizar aditivos a obras.

“Isso [o diálogo] denota que Luiz quer regularizar as pendencias antes de sair da Valec, para que a atual direção não descubra as irregularidades durante a gestão deles”, diz a PF.

Luiz Carlos, que não foi alvo da Operação Trem Pagador, foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB). A decisão de retirá-lo da empresa foi tomada em 20 de outubro, quase dois meses após a saída de Juquinha.

Segundo a PF, há também indícios de pagamento de propina a duas funcionárias para que elas fizessem relatórios técnicos isentando o ex-presidente da Valec de culpa por irregularidades.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Demitido, ex-presidente da Valec continuou agindo na estatal, diz PF – 10/07/2012.

Mentir no plenário não é quebra de decoro, diz senador

Com o risco de ser cassado amanhã, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) disse que mentir no plenário do Senado não é motivo para decretar a perda do mandato.

Como havia prometido na semana passada, ele tem feito discursos diários na tribuna da Casa em sua defesa.

Apesar de afirmar que não mentiu quando disse que só mantinha relações de amizade com o empresário Carlos Cachoeira, Demóstenes disse que a Constituição assegura liberdade para o congressista falar o que quiser da tribuna -mesmo que não seja algo verdadeiro.

“Se o parlamentar mentir, é um problema dele com sua consciência e sua audiência, não com o decoro. Aliás, nada do que o parlamentar diz da tribuna pode ser quebra de decoro”, afirmou.

Ao lembrar o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF), único cassado pelo Senado até hoje, Demóstenes afirmou que na época criou-se o “mito” de que mentir em plenário é quebra de decoro.

“A tribuna é inviolável, segundo a própria Constituição. E tentaram colocar isso porque não conseguiram provar nada contra mim.”

O argumento de que faltou com a verdade no plenário foi um dos utilizados pelo Conselho de Ética do Senado para pedir a cassação do seu mandato.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Mentir no plenário não é quebra de decoro, diz senador – 10/07/2012.

Valet-tudo

Em São Paulo e outros grandes centros, onde há mais carros do que espaço na rua para estacioná-los, os motoristas se tornaram reféns dos valets. O prolífico mercado nasceu da institucionalização da flanelagem, ou da privatização das vagas públicas por aproveitadores que, não raro, atuam à margem de qualquer regulamentação — e muitas vezes contra ela.

Ao entregar o carro a um manobrista, seu proprietário não tem a menor ideia do que vai se passar com ele nos minutos em que estiver num restaurante, cinema ou teatro. Muitas vezes, o “motorista” a quem você dá a chave aproveita a oportunidade para vasculhar o interior e furtar objetos de valor .

Quando isso se tornou evidente demais, com a queixa reiterada de pessoas que descobriram o golpe na volta do veículo, os gatunos encontraram um meio de furtar algo cuja subtração raramente é percebida: o pneu de estepe.

Aí, a gatunagem só vai se revelar em situações que provocam muito aborrecimento e expõem as vítimas a situações de risco: o momento em que um dos pneus estoura ou fura e tem que ser substituído. O aborrecimento costuma tomar horas na espera do guincho e impõe um prejuízo enorme. Não raro é impossível adquirir apenas uma roda nova porque as empresas sérias costumam vender somente o jogo completo, com cinco rodas.

O recurso alternativo pode ajudar a retroalimentar a outra vertente desse mercado da pilantragem. A roda que você não encontra no comércio pode ser adquirida em borracharias que atuam como receptadoras. É para elas que os ladrões destinam o produto do furto. Ao recorrer a elas, você vai estar fortalecendo o pródigo mercado dos ladrões de estepe.

Há, no entanto, um procedimento simples que o motorista deve adotar como cautela: exigir que o valet inventarie o estepe e conferir na volta se ele está lá. Ou ao menos declarar que o carro possui o equipamento e verificar na volta se ele continua no lugar.

Essa exigência toma alguns minutos a mais e pode provocar aborrecimentos. Mas é bem melhor proceder assim do que ficar parado na beira de uma rodovia por causa de um pneu furado que não pode ser substituído.

Se todos fizerem assim, os ladrões disfarçados de valets vão ter que arranjar outra ocupação — o mesmo com os borracheiros que cumprem  o papel de vender a você a mesma roda que os manobristas furtaram do seu carro.

Central Única dos Aloprados?

Tem alguma coisa invertida nessa história: a maior central sindical do país não se mobilizou para protestar contra nenhum dos escândalos e escandalosos nacionais pós-2003 e agora fala em “ataque à democracia”, ameaçando “ir às ruas” para defender os réus do mensalão. Dá para entender?

Segundo o atual presidente da CUT, Artur Henrique, “o ataque à democracia” que ocorreu no Paraguai pode se repetir no Brasil: “Ou não foi isso que tentaram neste país em 2005? Ou não tentaram depor e derrubar o presidente Lula com o apoio da imprensa?”, disse ele ontem, no congresso da central. E decretou: “Não vamos permitir a volta dos tucanos, do PSDB”.

Seu sucessor, Vagner Freitas, avisou, antes mesmo de assumir, que está de olho no julgamento do mensalão: “Não pode ser um julgamento político. Se isso ocorrer, iremos às ruas”, disse, pronto para uma guerra, como se estivesse de dedo em riste na cara do Supremo Tribunal Federal.

São deveras curiosos esses arroubos democráticos, mas vamos ao que mais interessa: as greves. Sem falar no setor privado, os professores de universidades federais estão parados há um mês e meio e funcionários de 12 órgãos federais cruzaram os braços. Dilma acaba de mandar cortar o ponto dos faltosos. E isso não é nada, perto do que vem por aí.

A data-base de algumas das categorias mais poderosas, como metalúrgicos, químicos, petroleiros, bancários e carteiros, é no segundo semestre, a partir justamente de agosto -que vem a ser o mês do julgamento do mensalão. Vai ficar animado.

A dúvida, hoje, é se a CUT vai para as ruas a favor dos mensaleiros de Lula, contra o Supremo, ou se vai a favor dos trabalhadores, contra Dilma. Em última instância: a favor de Lula e contra Dilma?

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Central Única dos Aloprados? – 10/07/2012.

Peleguismo organizado: Força Sindical se junta à CUT na defesa dos mensaleiros

A Força Sindical, do deputado Paulinho da Força, vai se juntar à CUT na sua luta em prol dos mensaleiros. Foi o que me disse o próprio Paulinho durante entrevista ao programa Band Eleições.

Segundo ele, “se houver massacre, vai haver problemas”. Perguntei a ele se só valia a absolvição da mensalagem. Ele falou que “massacre” será pressão da imprensa para condenar. Foi o que ficou decidido em reunião de diretoria das duas centrais ocorrida nesta segunda-feira. Ou seja: os donos da pelegada vão fazer pressão contra o Supremo para calar a imprensa. Não entendi qual é a relação entre uma coisa e outra.

Desta forma, o sindicalismo brasileiro, nutrido e mantido por dinheiro da contribuição involuntária dos trabalhadores e irrigado por dinheiro de impostos, vai se transformando numa espécie de guarda pretoriana do crime organizado.

Quem te viu, quem te vê.

Até Joaquinzão, o rei dos pelegos, deve estar revirando na tumba.

Bye-bye, Demóstenes

Demóstenes Torres deve ser cassado amanhã.

Já vai tarde.

A única coisa a lamentar é que tanto tempo tenha sido necessário para cumprir o formalismo processual. Tivéssemos uma constituição paraguaia e o dublê de lobista da contravenção e senador da República não teria durado duas horas.

Que os colegas piedosos consigam ser, ao menos no momento de declinar o voto, tão implacáveis como ele foi com seus opositores. Que o mandem logo para o Hades da política.

Demóstenes Torres vai para o lixo da história. O “Guardião”, sistema que interceptou sua pornografia com a contravenção, serviu para revelar ao País como um homem pode ser hipócrita e mentiroso. Como alguém pode ser manipulador e farsante. Como pode alguém enganar a todos com sua empáfia moralista e sua vida canhestra.

Bye-bye, Demóstenes.

Espero sinceramente vê-lo no ostracismo. E desejo a você o que de melhor você puder extrair do seu círculo íntimo, das duas amizades criminosas, das suas conspirações contra a moral e a ética.

Que você tenha o que merece: o limbo e a vergonha, se é que lhe sobra alguma.

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