Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “julho 16, 2012”

A economia e a “Síndrome do Deslocamento de Caderno”

Vocês certamente já ouviram falar no Mário Rosa. É um jornalista com larga vivência em redações que hoje ganha a vida como consultor em crises de imagem. Escreveu já três livros e tornou-se um requisitado especialista sempre que alguém muito importante atravessa períodos de turbulência perante a opinião pública.

Em seu primeiro livro, Mário Rosa descreve o que chama de “Síndrome do Deslocamento de Caderno”. Como já faz algum tempo que o li, pode ser que não consiga reproduzir exatamente suas assertivas. Mas a tal síndrome seria um dos indicadores de que algo vai mal em relação à imagem pública de quem, de uma hora para outra, passa a figurar no noticiário em editorias diferentes daquelas onde é citado normalmente.

É assim: se uma empresa costuma frequentar o caderno de negócios dos jornais, logo terá problemas se passar a figurar no de política ou, pior ainda, no noticiário policial. É mau-agouro.

Bem, dito isso, entro no assunto que queria abordar: a economia.

Já há algumas semanas a economia brasileira vem ocupando cada vez mais espaço nos cadernos de política.  Seria a tal “Síndrome do Deslocamento de Caderno” descrita por Mário Rosa ?

As notícias não são boas. Redução do PIB, frustração de expectativas, desemprego incipiente. A GM fechando uma unidade aqui, metalúrgicas que se transformam em importadoras de concorrentes chineses. A coisa não vai bem.

E por que não vai bem ? Não vai bem basicamente porque a Europa faliu e a China, seu principal fornecedor, não tem a quem exportar tudo o que produz. Não tendo a quem vender, não tem  por que comprar. É aí que a vaca da nossa felicidade vai caminhando para o brejo. Somos bons fornecedores de matéria-prima para a indústria chinesa.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concedeu uma longa entrevista para as Páginas Amarelas de Veja esta semana. Foi ao fulcro do problema. Ao longo da era petista, o governo focou no consumo, e não na produção. Agora, faltam-nos condições de competitividade para enfrentar a predatória concorrência global.

O ex-presidente não disse, talvez porque isso poderia parecer um elogio a seus contendores, mas o Brasil conseguiu aguentar o tranco da crise inaugurada em 2008 com o vigor de seu mercado interno. Agora, no entanto, ele não parece ser suficiente para fazer girar a roda virtuosa da economia. Os pátios das fábricas estão lotados. Endividada, a população não tem como comprar carros em número suficiente para assegurar a continuidade da produção nas linhas de montagem. O mesmo ocorre em outros segmentos da economia.

A nova classe média, que cravou conquistas importantes nos últimos anos, vê-se ameaçada de perder a TV de LED para o credor, o carro para a financeira e o emprego para a crise.  E, para quem já teve um dia, a perda de algo pode ser muito mais dolorida.

Com o deslocamento da economia para a editoria de política, resta apenas saber quanto tempo a população vai levar para perceber o efeito previsto por Mário Rosa.

Num ano eleitoral como este, pode ser que ele já esteja começando a se manifestar nos índices risíveis dos candidatos petistas que, a despeito do patrono Lula, não conseguem sair da vala dos nanicos.

É o caso de Fernando Haddad, a maior aposta — e também de maior risco — do ex-presidente Lula.

A imprensa crítica no banco dos réus

Altamir Tojal, no blog Este Mundo Possível

Se os réus do Mensalão serão condenados ou absolvidos a gente não pode saber. Só pode arriscar palpite. Mas é certo que a imprensa crítica, que revelou os crimes, será condenada pela máquina de propaganda do PT seja qual for a sentença do Supremo Tribunal Federal.

Não há manifestação de líderes, evangelizadores e arautos do partido sobre o Mensalão que não contenha a acusação de que se trata de uma “armação da mídia”. E junto vai a conclamação ao combate à “imprensa golpista”. Isso compõe, de forma mais ou menos explícita conforme a ocasião, a cantilena petista desde remotos pronunciamentos de Lula e Rui Falcão até as ameaças de mobilização da militância feitas agora por José Dirceu e o velho e o novo presidentes da CUT, Arthur Henrique e Vagner Freitas.

Cadáveres políticos

Caso ocorra absolvição dos réus pelo STF, a sentença será transformada pelo PT em troféu da guerra política, em suposta prova de que o Mensalão não existiu, de que tudo foi inventado pela “imprensa golpista”.

Caso o tribunal condene os acusados, terá sido um julgamento político, uma farsa que levou os ministros a julgar sob pressão, um trial by the media, como quer fazer crer o ex-ministro Thomaz Bastos. Também neste caso a culpa será da “imprensa golpista”, que não só teria inventado o Mensalão como teria forçado o STF a condenar os acusados.

Mais que inocentar os réus, o arsenal do PT na “Batalha do Mensalão” está direcionado para vencer a “Guerra da Imprensa”. Afinal, o que são mais alguns cadáveres políticos para um partido que já deixou tantos no caminho? Nesse ponto da luta política no Brasil, o que parece interessar mais que tudo ao partido é calar os setores da imprensa que teimam em praticar o jornalismo e seguem veiculando notícias, comentários e opiniões que desagradam o governo e podem dificultar suas metas eleitorais e a vontade de comandar o país sem crítica nem oposição.

Bota, mesada e propaganda

Não levar na devida conta esse objetivo estratégico é uma desatenção política grave que pode custar caro à sociedade brasileira.

O PT já domina praticamente tudo e todos no Brasil, seja pelo peso da bota do estado, seja pela mesada ou pela propaganda maciça. Além do governo federal e de governos estaduais e municipais, o partido controla o Congresso Nacional e a maior parte dos partidos, sindicatos e movimentos sociais. Exerce forte influência no sistema de ensino e na produção artística. Mesmo governadores, prefeitos e parlamentares de oposição estão submetidos à ditadura das verbas e das emendas orçamentárias. A interferência no Poder Judiciário cresce na medida em que juízes mais antigos vão sendo substituídos nos tribunais superiores por outros escolhidos pelo partido.

Negar a existência do Mensalão, atribuindo o processo a uma invenção da imprensa, é a versão tropicalizada da negação do Holocausto.

Beba na fonte: ESTE MUNDO POSSÍVEL.

Tremor na base

DORA KRAMER, no Estadão

Sentindo que Lula poderá não voltar a se candidatar – mesmo se a saúde permitir, por razões políticas – e querendo assegurar o papel de protagonista no projeto de continuidade no poder, o PT estaria fomentando atritos entre os outros dois principais partidos de sustentação ao governo para, assim, enfraquecê-los junto à presidente Dilma Rousseff.

Pode ser fato ou só impressão, mas é essa a versão preponderante nas conversas entre lideranças do PSB e do PMDB a respeito do que entendem como um plano para criar um cenário de dificuldades a fim de “vender” – é o termo utilizado – proteção à presidente, apresentando-se a ela como fiel esteio a fim de assumir o papel de maior destaque que os petistas esperavam ter no governo sem Lula à frente da Presidência.

Apontam como o arquiteto da obra o deputado cassado e réu do mensalão José Dirceu, lembrando o discurso dele em reunião de sindicalistas no ano passado dizendo que no governo Dilma o PT teria espaço para fazer e acontecer, o que por enquanto não se confirmou.

Ao contrário: os petistas se sentem alijados e desconfortáveis com a maneira mais cerimoniosa da presidente de tratar dos interesses do partido, enquanto a veem mais próxima de valores que vinham sendo reclamados pela sociedade e deixados de lado pelo partido durante a gestão Lula, conduta que lhe confere uma autonomia além do esperado no programa original.

Nesse quadro, a possível volta do ex-presidente era um trunfo e, quando essa hipótese se distancia, o PT começa a se inquietar com o futuro e a trabalhar para se fortalecer.

Como faz isso, na visão dos aliados? Enfraquecendo as outras correntes de sustentação ao governo a fim de tornar a presidente cada vez mais caudatária do PT. A meta seria afastar esses partidos da convivência presidencial e dos ministérios para ceder maior espaço ao partido à medida que se aproximar a campanha presidencial de 2014.

Com essa análise na cabeça, PSB e PMDB decidiram que o melhor a fazer é não cair na armadilha, não brigarem entre si, não disputarem quem é o mais próximo da presidente, mantendo sempre ativa uma linha direta de diálogo com Dilma e reafirmando apoio à reeleição dela.

Em suma e com outros detalhes sobre o risco de as artimanhas do PT acabarem levando os aliados a procurar outros caminhos, foi o que disse a Dilma o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no jantar que teve com ela há uma semana.

Risca de giz. O senador Aécio Neves vetou a coligação na chapa de vereadores em Belo Horizonte sabendo que os petistas não aceitariam, para forçar a ruptura da aliança e assim demarcar terreno como pré-candidato de oposição à Presidência.

No momento em que o PSDB dá duro para combater o PT em diversas praças, principalmente em São Paulo com José Serra à frente, Aécio precisava dar uma demonstração ao partido de que sabe falar grosso com o adversário.

Ainda que entenda as razões, Dilma Rousseff está contrariada com o prefeito de BH, Marcio Lacerda, que 15 dias antes da ruptura havia lhe garantido a continuidade da aliança.

Beba na fonte: Tremor na base – politica – versaoimpressa – Estadão.

Blog volta a ter a mesma “cara” de antes

Ha cerca de um mês mudei o formato do blog para torná-lo mais ‘clean’ e melhorar a leitura.

Mas houve vários protesto contra o novo formato. A maior parte dos leitores não gostou. Diante disso, dei-me por vencido e resolvi voltar atrás. Ativei o velho padrão e agora o blog está com a mesma cara de antes da mudança.

Estou trabalhando duro para dar a esta página eletrônica seu formato definitivo. As críticas recebi certamente vão me ajudar muito nesse processo.

Obrigado a vocês.

Vice do PSD diz que Kassab é autoritário e centralizador

ANDRÉIA SADI

Protagonista da primeira crise do PSD, a senadora Kátia Abreu (TO) diz que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, conduz o partido à base de “centralismo e autoritarismo” e critica a intervenção para que a sigla apoiasse o PT em Belo Horizonte.

Cortejada pelo PMDB, a senadora afirma que o momento é de trabalhar pela democracia interna do PSD, mas não descarta deixar o partido se a situação piorar.

Leia a seguir os principais trechos de entrevista concedida à Folha.

Folha – A senhora está no centro da primeira crise do PSD. Como fica seu embate com o prefeito Gilberto Kassab?

Kátia Abreu – Na verdade, não é o primeiro embate entre mim e Gilberto Kassab.

Nós estávamos no DEM e tivemos um rompimento muito sério, porque um grupo que assumiu o partido começou a tomar decisões monocráticas, diferentemente de como era antes, com o [ex-senador] Jorge Bornhausen. Eu me escolarizei com essa prática: caía pau, pedra ou canivete, mas a reunião da Executiva acontecia no tempo do Bornhausen.

Resisti muito no início. Quando Kassab disse que ia fazer uma fusão com o PSB, eu recusei. Depois, ele me garantiu que seríamos um partido que exerceria democracia interna. Esta tese foi usada com todos membros do partido, até porque a reclamação era essa: caciquismo partidário. Eu jamais pude imaginar que Kassab seria assim.

Não sabiam que ele centralizaria o comando do partido?

Sinceramente, eu não sabia. E espero que não continue sendo assim. Que esse erro cometido agora [em Belo Horizonte] sirva para corrigir rumos e não para fortalecer a prática abominável e autoritária de intervir por decisão própria de um líder.

Também me magoou muito a saída do Roberto Brant [o ex-deputado federal era segundo vice-presidente do PSD]. Perder alguém do nível dele, com o caráter e o preparo intelectual, é incalculável.

O Kassab não se importou com isso quando foi a Belo Horizonte e não fez um telefonema a ele.

Quantas vezes a Executiva do PSD se reuniu?

Nós só tivemos uma reunião da Executiva e nunca mais. Isso tem mais de um ano. De lá para cá, tivemos várias oportunidades de debates em que poderíamos contribuir para o país e estivemos ausentes. Estamos em meio a uma crise grave econômica e o que o PSD pensa?

Nós tivemos anteontem [quarta-feira] uma confraternização. Somos quase 50 membros, compareceram menos de 15 pessoas.

O prefeito foi?

Não sei, eu também não fui. Estou desestimulada e triste com o partido. Acreditei e ainda acredito que possamos fazer algo diferente. Se o prefeito tem outra ideia, ele não me comunicou quando me convidou para o partido.

Espero que ele retome os rumos e retire a sede de São Paulo. Esse é um partido nacional. Se o prefeito tem dificuldades porque está no Executivo, ele que encontre outra solução. Mas, por conta de suas dificuldades, o partido não pode ficar prejudicado.

Além do caso de Belo Horizonte, quais outras negociações a incomodaram?

Teve o projeto de São Paulo. O PSD não é só paulistano, mas o prefeito pratica política em São Paulo. Aquela dubiedade de um dia apoiar o PT e, no outro, apoiar PSDB.

Quero ressalvar minha admiração pelo José Serra. Não é nada pessoal, nem contra Fernando Haddad, foi apenas a mudança em poucas horas que me incomodou.

Dois dias antes, ele [Kassab] me chamou tentando me convencer que o partido deveria estar com o PT.

Dois dias depois, ele decidiu apoiar o José Serra sem falar com ninguém.

Não houve nenhuma reunião para discutir isso?

Sem comunicar absolutamente nada nem reunir o partido, ele decidiu apoiar o Serra. Argumentou que era uma questão paulista.

Tá bom. E agora, o assunto é mineiro. Não é o fato de Belo Horizonte e nem estou defendendo interesses de Aécio Neves. Admiro o senador, mas estou defendendo os interesses do meu partido. Foi uma atitude arrogante, contrariando o estatuto do partido e de forma truculenta.

A sra. teve alguma resposta à carta enviada ao prefeito após a intervenção em BH?

Não, nenhuma. Eu me mantenho em dissidência e o que poderia reverter isso seria o partido se reunir e firmar compromisso de que intervenções só poderão ocorrer por decisão da Executiva.

Qual a razão dessa falta de interlocução interna?

Centralismo e autoritarismo político. Isso não faz bem para um partido que veio não para servir um cidadão, mas para servir a um grupo e ao país. O prefeito Kassab acha que o PSD está a serviço de sua carreira pessoal, e não está. Todo mundo quer um papa para chorar e o partido está sem papa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – ‘PSD não está a serviço da carreira pessoal de Kassab’ – 16/07/2012.

Desembargador é suspeito de privilegiar frigorífico

LEANDRO COLON

Investigação da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça aponta “evidências” de que um desembargador e um juiz federal usaram seus cargos para favorecer um frigorífico acusado de sonegação e crimes tributários estimados em R$ 184 milhões.

O desembargador citado é Nery da Costa Júnior, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (sede em SP). Ele é suspeito de interferir no processo para desbloqueio de bens do frigorífico Torlim -decidido em 2011 pelo juiz Gilberto Rodrigues Jordan.

O relatório assinado pela corregedora do CNJ, a ministra Eliana Calmon, deve ser votado no próximo dia 30. Ele diz que o desembargador e o juiz podem “de fato ter agido com violação dos deveres impostos aos magistrados” e “de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções”.

A sindicância do CNJ foi aberta em maio de 2011, depois de o Ministério Público Federal pedir investigação. Ela solicitou informações dos tribunais, ouviu investigados e juntou a apuração da Corregedoria do próprio TRF.

Documentos da sindicância sigilosa obtidos pela Folha revelam relações entre Nery Júnior e Sandro Pissini, dono do escritório de advocacia contratado em 2008 pelo Grupo Torlim para defesa em processo em Ponta Porã (MS).

Pissini foi assessor dele no TRF entre 1999 e 2001. O desembargador já vendeu uma fazenda ao advogado. E, desde 2011, um ex-funcionário do escritório de Pissini é chefe de gabinete de Nery Júnior.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Desembargador é suspeito de privilegiar frigorífico – 16/07/2012.

Mais uma mordida no bolso do paulista: pedágio vai ser cobrado até em trecho urbano de rodovias

JOSÉ BENEDITO DA SILVA

A cobrança eletrônica de pedágio, que o governo de SP vai implantar nas rodovias privatizadas, levará milhões de motoristas a pagar para circular até nos entornos das cidades, onde as estradas são usadas como vias urbanas.

Entre os trechos de tráfego urbano que serão pedagiados estão, por exemplo, aqueles que ligam a capital paulista ao aeroporto de Cumbica (rodovia Ayrton Senna), a São Bernardo (Anchieta) e a Cotia (Raposo Tavares).

Hoje, eles não têm praças de pedágio, mas o deslocamento gratuito vai acabar por conta da instalação dos pórticos ao longo da via, que vão ler chips nos carros para fazer a cobrança.

No teste que está sendo feito na SP-75, entre Indaiatuba e Campinas, há um pórtico a cada 8 km. Com esse intervalo, as vias serão praticamente 100% pedagiadas.

A implantação da cobrança, planejada para 2013 ou 2014, vai depender de um cálculo político difícil para o governador Geraldo Alckmin (PSDB): se, por um lado, o sistema é mais justo e permite reduzir a tarifa, por outro, vai cobrar de muito mais gente.

Nem a Artesp (agência de transportes do Estado) nem as concessionárias sabem quantos usam as rodovias sem pagar. O único estudo feito -e sempre citado como parâmetro- na Dutra, uma via federal, apontou que só 9% dos carros pagam pedágio.

Se o percentual for parecido nas vias estaduais, com o chip, deve multiplicar por dez o número de carros tarifados -foram 790 milhões em 2011.

“O ponto crítico, não tenho dúvida, é quem não paga e passará a pagar”, afirma Karla Bertocco Trindade, diretora-geral da Artesp. Para ela, porém, o Estado não pode dizer “você paga e você não”. “A questão é: usou, pagou.”

Haverá impacto em dois casos: em rodovias que são vias urbanas ou metropolitanas e em ligações entre cidades onde hoje não há cabines.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Motorista vai pagar pedágio até em trecho urbano de rodovias – 16/07/2012.

Marcos Valério pede ao STF foco nos ‘protagonistas políticos’

Eduardo Katah

A defesa do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, em memorial apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), insiste na tese de que a atuação do chamado operador do mensalão ganhou uma “dimensão exagerada” no escândalo e o foco da mídia nas investigações foi deslocado para ele pelos “protagonistas políticos”.

O documento de 146 páginas, com as alegações derradeiras da defesa de Valério, cita o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-ministros, dirigentes do PT, parlamentares e partidos da base aliada. “Quem não era presidente, ministro, dirigente político, parlamentar, detentor de mandato ou liderança com poder político, foi transformado em peça principal do enredo político e jornalístico, cunhando-se na mídia a expressão ‘valerioduto’, martelada diuturnamente, como forma de condenar, por antecipação, o mesmo, em franco desrespeito ao princípio constitucional”, diz o documento assinado pelo advogado Marcelo Leonardo e encaminhado ao STF no último dia 28.

Em setembro do ano passado, a defesa de Valério sustentou que a acusação da Procuradoria-Geral da República é um “raríssimo caso de versão acusatória de crime em que o operador do intermediário aparece como a pessoa mais importante da narrativa, ficando mandantes e beneficiários em segundo plano, alguns, inclusive, de fora da imputação, como o próprio presidente Lula”.

Na época, Leonardo divulgou nota negando ter cobrado a inclusão do ex-presidente na denúncia do mensalão. Essa parte das alegações finais, porém, foi mantida no memorial encaminhado aos ministros do STF.

Valério será julgado pelos crimes de corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas. O advogado pede na peça a absolvição de seu cliente e alega que não há prova de que foram usados recursos públicos no caso. Afirma ainda que o mensalão – a compra de apoio político no Congresso – denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), também réu no processo, não ficou comprovado.

Beba na fonte: Marcos Valério pede ao STF foco nos ‘protagonistas políticos’ – politica – versaoimpressa – Estadão.

Paga logo a pensão que você deve, Collor!

Rosane Collor, agora com as feições de uma matrona de meia-idade, voltou ao foco da cena política no Fantástico deste domingo. Em vez da figura débil da primeira-dama deslumbrada com a qual o País se acostumou durante o curto reinado do caçador de marajás, ela estava sóbria, tranquila, e discorria com assertividade sobre o que viveu quando a Casa da Dinda era o palácio presidencial.

“Collor era o chefe”, disse ela, quando confrontada com uma declaração da mulher de PC Farias de que “o chefe maior” foi quem o mandou fazer o que fez. Ou seja: Rosane disse que PC era pau mandado de Collor enquanto ele governava o País. A admissão causa surpresa, embora todos saibam hoje como funcionava a máquina alagoana de corromper.

Por que 20 anos tiveram que passar antes que Rosane decidisse abrir a boca ?

Porque Collor não vem pagando o que ela pretendia a título de pensão alimentícia. Há um processo em que a ex-primeira-dama tenta receber alimentos atrasados. Coitada! São só R$ 18 mil por mês, como se fosse a coisa mais natural do mundo alguém receber essa montanha de dinheiro só pelo título de ex-esposa.

Mas aqui não estou atacando Rosane. Falo de seu mantenedor, que a teria enganado, segundo suas declarações, ao impor um regime de separação total de bens que ela dizia desconhecer antes da separação. Collor ficou com tudo, inclusive o que foi amealhado no propinoduto instalado no Planalto sob seu comando. Até a casa em que a entrevista foi gravada pertence ao Napoleão de Alagoas.

As declarações de Rosane trazem de volta ao primeiro plano da cena política desavenças familiares que ganham o contorno de fatos políticos. O imbroglio que culminou com o impeachment começou com uma entrevista de Pedro Collor, irmão de Collor. E o capítulo final pode estar sendo escrito neste momento a partir das inconfidências da ex-mulher. Ambas as situações animadas pelo mesmo motivo: a mesquinharia.

Quando Pedro, o primeiro-irmão, abriu a boca para a revista Veja, caiu o Presidente. Quando a ex-mulher é quem fala, o que não pode acontecer?

Na caixa-de-Pandora que se abriu talvez haja explicações para fatos históricos ainda nebulosos, como a morte de Elma e PC Farias.

Se eu fosse Fernando Collor, mandava pagar logo a pensão atrasada.

CPI do Cachoeira: vice defende indiciamento de Perillo

RICARDO BRITO

O vice-presidente da CPI do Cachoeira, o deputado petista Paulo Teixeira (SP), defendeu o indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, por envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Um relatório da Polícia Federal diz que Perillo firmou um “compromisso” com a Delta Construções, assim que assumiu o cargo, no ano passado. O acordo contava, diz a PF, com a intermediação de Cachoeira.

O acerto incluiria a liberação de créditos milionários da empreiteira com o governo goiano mediante suposto pagamento de propina a Perillo. O primeiro “compromisso”, segundo reportagem da revista Época desta semana, teria sido a compra da casa do governador de Goiás pelo contraventor. “Fechou o cerco. O relatório da Polícia Federal é a prova cabal de que a venda da casa foi para Cachoeira, foi pago com dinheiro da Delta e que houve uma vinculação entre os pagamentos de créditos para a empreiteira e a quitação das parcelas pela casa”, afirmou Teixeira.

Questionado sobre por quais crimes o governador de Goiás poderia ter o indiciamento sugerido pela comissão, Paulo Teixeira, que também foi líder do PT na Câmara, disse que não é possível saber agora. “Tem muitos tipos penais que ele será enquadrado”, afirmou. A CPI tem prazo para encerrar os trabalhos em novembro, caso não seja prorrogada. Suas conclusões serão remetidas para o Ministério Público, que poderá, ou não, acatá-las.

Beba na fonte: CPI do Cachoeira: vice defende indiciamento de Perillo – politica – politica – Estadão.

Metalúrgicos param produção na GM de São José dos Campos por 24 horas

Os metalúrgicos da montadora General Motors em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, estão de braços cruzados. A paralisação por 24 horas é um protesto contra a possibilidade de a empresa fechar um setor da operação, provocando demissões que podem chegar a 1.500 trabalhadores. Desde o início de junho, 356 funcionários já foram demitidos na unidade.

A empresa não soube informar quantos funcionários participam do manifesto. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, 4 mil funcionários do 1º turno estão parados.

A GM de São José dos Campos produz os modelos Corsa, Classic, Meriva e S10, além de motores e kits para exportação.

Beba na fonte: Metalúrgicos param produção na GM de São José dos Campos por 24 horas – economia – - Estadão.

Mercado já espera que economia crescerá menos de 2% no ano

Os economistas dos bancos privados reduziram sua previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de um 2,01% para 1,9%, informou nesta segunda-feira o Banco Central. Foi a décima semana seguida de queda na projeção, que estava em 3,23% no início de maio.
De acordo com o boletim Focus — pesquisa feita semanalmente pelo BC com os analistas de mercado —, a expectativa para o crescimento da economia em 2013 também caiu, de 4,2% para 4,1%. Quanto à inflação, os economistas mantiveram a estimativa de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, fechará o ano em 5,50%.
No primeiro relatório após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic para a mínima histórica de 8% ao ano, analistas mantiveram a perspectiva para a taxa básica de juros neste ano em 7,5%.
Com a persistência da crise global e a estagnação econômica brasileira, até o governo reduziu suas expectativas. A estimativa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para o crescimento do país, que era entre 4,5% e 5%, no início do ano, foi reduzida atualmente para 2,5%. O Banco Central reduziu sua previsão de 3,5% para 2,5%. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 3% para 2,1%.

Beba na fonte: Mercado já espera que economia crescerá menos de 2% no ano – O Globo.

Paes e Lula são multados por propaganda eleitoral antecipada

O prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, e o ex-presidente Lula foram multados em R$ 5 mil pela Justiça Eleitoral, por propaganda antecipada.
A representação foi feita pelo PSDB, a pedido do candidato tucano Otavio Leite, após a participação de Lula na inauguração do corredor de ônibus articulados Transoeste, no dia 6 de junho. A via liga Santa Cruz à Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade.
Durante o evento, que contou ainda com a presença do governador Sérgio Cabral (PMDB), Lula disse que apoiaria Paes “com mais convicção” do que em 2008 e que “valeu a pena” pedir votos para ele na televisão naquele ano.

Beba na fonte: Paes e Lula são multados por propaganda eleitoral antecipada – O Globo.

Sem perspectivas de melhora na crise mundial, projeções de crescimento seguem ladeira abaixo

As perspectivas de crescimento para economia global este ano estão piorando, refletindo a crise do euro, a desaceleração das duas maiores economias do planeta, Estados Unidos e China, e o enfraquecimento dos países emergentes. Bancos, consultorias e instituições já estão refazendo seus cálculos para baixo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) previa crescimento de 3,5% da economia mundial, mas o número será revisado para algo mais próximo de 3%. Em relatório global divulgado recentemente, o Citi reduziu sua expectativa de 2,7% para 2,6%. E a consultoria Tendências, de São Paulo, espera um crescimento de 3,1% contra os 3,5% previstos anteriormente.
O vice-presidente executivo de tesouraria do banco WestLB, Ures Folchini, avalia que os sinais de desaceleração econômica, em diferentes partes do mundo, se intensificaram nas últimas semanas. Na sexta-feira, a China reportou um crescimento de 7,6% da economia no segundo trimestre, o menor número desde 2009. Os Estados Unidos, que vinham criando cerca de 200 mil novos empregos por mês, no início do ano, em junho criaram apenas 80 mil. Um sinal de que a engrenagem econômica está funcionando num ritmo abaixo do esperado.
E, no Brasil, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), elaborado pelo Banco Central, mostrou, na semana passada, que a atividade econômica recuou 0,02% em maio, apesar de vários incentivos fiscais do governo para a indústria, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros novos e alguns itens da linha branca. E apesar de todos os estímulos ao crédito, com reduções seguidas de juro ao consumidor, as vendas no varejo brasileiro surpreenderam em maio ao recuar 0,8% frente a abril. Foi a maior queda desde novembro de 2008. No primeiro trimestre, o crescimento do PIB brasileiro ficou em 0,2%, segundo o IBGE.

Beba na fonte: Sem perspectivas de melhora na crise mundial, projeções de crescimento seguem ladeira abaixo – O Globo.

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