Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “julho 20, 2012”

PSD negocia armistício entre Kassab e Kátia Abreu

Integrantes do PSD negociam um encontro entre os dois principais quadros da legenda, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (SP), e a senadora Kátia Abreu (TO).

Os dois entraram em conflito depois de Kassab intervir no partido em Belo Horizonte e determinar o apoio ao candidato do PT à prefeito, o ex-ministro Patrus Ananias. A senadora reclamou publicamente, já que aliados seus haviam assegurado apoio a Márcio Lacerda (PSB).

Há uma liminar suspendendo a ação de Kassab.

“A reunião é uma ótima oportunidade para que se dissipe os aborrecimentos”, disse o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz. Segundo ele, o encontro deve ocorrer na primeira semana de agosto.

CRUZADA

A ala dissidente do PSD-MG promove uma espécie de cruzada contra a candidatura de Patrus Ananias.

A sigla foi duas vezes à Justiça com pedidos de indeferimento da candidatura do petista. Na linha de frente está o secretário-geral do PSD-MG, Alexandre Silveira, secretário de Gestão Metropolitana no governo Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Silveira alega que Patrus ocupa cargo em um conselho da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e que pode ter prestado serviços públicos em data já limitada pela lei eleitoral.

Patrus disse não haver irregularidades. A Fiesp informou que ele deixou a entidade em 2 de junho. Pela lei, ele poderia ter ficado até o dia 6.

Silveira afirmou que que o PSD está sendo “usado”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PSD negocia armistício entre Kassab e Kátia Abreu – 20/07/2012.

Segurança Pública e a política do extermínio em SP: chamem a Força Nacional!

Não se deve debitar o saldo trágico da atuação da PM exclusivamente aos policiais envolvidos nas operações de exetermínio, como tentou fazer o comando da corporação. A mortalidde, como deixa clara a múltipla ocorrência de eventos semelhantes, é produto de uma política de Estado — a política de extermínio que vem sendo levada a efeito pelo governo Geraldo Alkmin.

Nas últimas 48 horas, pelo menos três pessoas foram executadas de maneira covarde por policiais que confundem celulares com armas de fogo, fazem diligências fora de sua jurisdição e abusam do direito de exercer a violência legítima em nome da proteção da sociedade. Os crimes ocorridos nos últimos dias expõem de maneira clara e contundente que quem está na mira da PM não são apenas os bandidos — são também cidadãos sem passado criminal, de vida correta, sem nenhum envolvimento com bandidos.

A insegurança que assalta São Paulo há dois meses é produto do aumento da tensão provocado pelo uso da violência extrema pela polícia. Foi a execução de um suposto membro do PCC pela ROTA no bairro da Penha que iniciou a guerra no dia 29 de maio. O tráfico respondeu com ações típicas do terrorismo  sicário. Oito policiais foram mortos em horário de folga ou em bicos, longe do abrigo dos quartéis. Tensa e amedrontada, a corporação aderiu à lógica do crime organizado: passou a assassinar todos os que julga “suspeitos”. Mesmo que a suspeição seja motivada pelo porte de um telefone celular.

Está claro que o governo atual não tem competência e nem disposição para enfrentar suas próprias mazelas. Ao invés de disciplinar a tropa, libera o assassinato indiscriminado e o justifica como “tecnicamente correto”, cometido no “estrito cumprimento do dever”. E depois ainda tem o desplante de mandar um oficial subalterno pedir desculpas aos parentes dos mortos, como se fosse possíel obter o perdão pelo fim injustificado de uma vida.

O próprio governador aparece em público para prometer uma indenização, como se o luto, a orfandade e a viuvez admitissem uma compensação financiera oferecida pelo  chefe dos algozes. Não há reparação possível para isso.

O blog vem alertando para o descontrole e a política de extermínio da Secretaria de Segurança Pública há muito tempo. Como as arbitrariedades só fizeram aumentar nas últimas semanas, talvez seja o momento de começar a cogitar uma intervenção federal para repor a ordem pública.

Em outros rincões do crime organizado, o recurso à Força Nacional conseguiu repor a tranquilidade, ainda que momentaneamente, à população aflita. O Rio de Janeiro e o entorno do Distrito Federal bem sabem o que isso representa.

Agora talvez tenha chegado a vez de São Paulo experimentar a humilhação de decretar suas própria incompetência na lida com a segurança pública.

 

 

 

Suspeito é baleado e morto por polícia em São Bernardo

RICARDO VALOTA

Um suspeito, ainda não identificado, teria atirado contra policiais militares da Força Tática, por volta das 19 horas de quinta-feira, após ser perseguido e parado na Rua Beira-Rio, no Parque São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. O homem ocupava um Polo prata roubado, de placas DRO 9488, de São Bernardo do Campo.

Mesmo encaminhado para o pronto-socorro central municipal, o suspeito não resistiu e morreu. No boletim registrado no 1º Distrito Policial de São Bernardo, pelo delegado Rodrigo Augusto Davi, não consta a arma que o ocupante do veículo portava no momento do suposto confronto com a PM.

Anhanguera

Por volta das 19h45 da quinta-feira, dois homens foram abordados por policiais rodoviários na pista sentido capital da Rodovia Anhanguera, no quilômetro 23,4, região de Perus, na zona norte de São Paulo.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 33º Distrito Policial, de Pirituba, um dos suspeitos portava uma arma de brinquedo e teria feito um movimento que levou os policiais militares a pensar que fosse atirar.

O suspeito foi baleado e morreu. O corpo foi preservado pelos policiais até a chegada da perícia. O segundo suspeito abordado, identificado como Uelinton Rubens da Costa, foi detido no local e levado para a delegacia.

Beba na fonte: Suspeito é baleado e morto por polícia em São Bernardo – geral – geral – Estadão.

‘Ele era tudo o que eu tinha’, diz mulher de publicitário morto por PMs

Fabiano Nunes e Isadora Peron

Uma execução. É assim que Maria Alice Prudente de Aquino e Silva, de 72 anos, tia de Ricardo Prudente de Aquino, descreve a morte do sobrinho por policiais militares. Indignada, ela culpou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, pelo assassinato. “Como um governo não consegue treinar a sua polícia? Só espero que isso nunca aconteça com os filhos deles, que devem ter a mesma idade e devem ter crescido frequentando os mesmos lugares.”

Três disparos foram dados a curta distância e dois deles acertaram a cabeça do publicitário
A publicitária Lélia Pace de Aquino, de 35 anos, viúva do empresário, disse que o episódio é um pesadelo. “Ele era minha família. Era tudo o que eu tinha. Não sei como vou continuar.”

Para Lélia, a versão da polícia de que o marido foi perseguido precisa ser investigada. Segundo ela, o carro de Aquino foi encontrado perto do meio-fio, como se tivesse sido estacionado, algo que dificilmente ocorreria se estivesse em alta velocidade.

Amigos e parentes também não acreditam na hipótese da fuga. “Ele era uma pessoa do bem, não teria por que fugir de uma abordagem policial. Está tudo muito esquisito”, disse Tsuli Marimatsu, amiga do casal.

A irmã do publicitário, Fernanda de Aquino, disse ter medo de dar declarações por causa da PM. A prima Cláudia Sacramento também não acredita na versão da polícia. “Tudo o que a gente sabe é especulação. Não tenho como dizer alguma coisa. A única versão que nós temos é a dos policiais que foram presos.” Após deixar o IML na tarde desta quinta-feira, 20, as duas foram ao 14.º DP (Pinheiros) fazer boletim de ocorrência, pois só haviam recuperado a carteira de identidade de Aquino. “Todos os outros pertences – carteira, cheques, sumiram”, disse Fernanda.

Visita. Na manhã desta quinta, o tenente da PM Gilberto Evangelista, integrante do 23.º Batalhão da PM, a mesma unidade dos policiais responsáveis pela morte do empresário, esteve na casa da vítima. “Ele disse que não era uma visita oficial, mas que estava envergonhado com o que aconteceu e pediu desculpas”, afirmou Tsuli. Evangelista permaneceu no apartamento, na Vila Madalena, por dez minutos. Parentes e amigos protestaram contra a ação da PM.

Ao deixar o local, a mãe da vítima, Carmen Sacramento, não quis falar com a imprensa. “Você quer que eu diga o quê? Que eu vou sentir muito a falta dele?” Carmen afirmou, no entanto, que sempre vai lembrar que foi muito amada pelo filho.

Beba na fonte: ‘Ele era tudo o que eu tinha’, diz mulher de publicitário morto por PMs – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Em Santos, PM persegue carro e mata jovem

Duas horas depois de o empresário Ricardo Prudente de Aquino ser morto pela PM no Alto de Pinheiros, zona oeste paulistana, policiais militares mataram, com um tiro na cabeça, Bruno Vicente de Gouveia e Viana, 19, também durante perseguição.

Ao lado de cinco amigos, Viana estava em um Gol, que foi perseguido por PMs em Santos (a 85 km de São Paulo), por volta da 0h15 de ontem.

Além dele, uma garota de 15 anos -que foi internada em estado grave- e um jovem de 20 também foram baleados pelos policiais na ação.

A perseguição, conforme relatos dos policiais militares à Polícia Civil, começou porque o motorista do Gol, um homem de 28 anos, não obedeceu a uma ordem de parada.

Os PMs disseram acreditar que o veículo era usado em um sequestro-relâmpago. Afirmaram, ainda, que, em determinado ponto da perseguição, tiros foram disparados de dentro do carro na direção dos veículos da polícia.

Por isso, ainda na versão dos policiais, eles atiraram 25 vezes no Gol. Os três jovens baleados pelos PMs estavam no banco traseiro do carro. Nenhum policial foi ferido durante o suposto tiroteio.

VERSÕES

Depois de parar o carro a tiros, os PMs levaram os três jovens baleados ao hospital, mas Viana não resistiu ao ferimento na cabeça e morreu.

Os policiais também apresentaram à Polícia Civil uma arma de brinquedo e um revólver calibre 22 que, segundo eles, foi usado para atirar contra os veículos da PM.

Ao ser interrogado pela Polícia Civil, o motorista do Gol afirmou que tentou fugir da ação policial porque não tinha carteira de habilitação.

Tanto o motorista quanto os outros dois ocupantes que não foram baleados disseram à Polícia Civil que ninguém atirou. Afirmaram, ainda, que o revólver apresentado como encontrado no Gol não pertencia a nenhum deles.

PRISÕES

Após analisar as versões dos policiais e das pessoas que estavam no Gol e sobreviveram aos tiros, a Polícia Civil prendeu em flagrante os quatro policiais militares que atiraram contra o veículo.

Exames de balística determinarão quem foi o policial que atirou contra Viana.

Parentes dos jovens disseram ter sido informados por eles de que Viana não havia sido atingido por nenhum tiro durante a perseguição. Na versão deles, o tiro que o matou foi dado pelos PMs com o veículo já estacionado.

Depois de assumir o erro na morte do empresário Aquino e pedir desculpas publicamente à família da vítima, o comandante-geral interino da Polícia Militar paulista, coronel Hudson Camilli, defendeu a ação dos PMs no litoral. Segundo ele, os policiais agiram dentro da lei.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Em Santos, PM persegue carro e mata jovem – 20/07/2012.

‘A gente espera que a PM nos defenda, não nos mate’

“Não se aborda uma pessoa com um tiro”, afirmou a artesã Claudia Sacramento, 44, prima de Ricardo Prudente de Aquino.

Ela disse que a mulher da vítima, Lelia de Aquino, foi avisada pela Polícia Civil na madrugada de ontem de que seu marido teria se envolvido “num acidente de carro”.

Na delegacia, soube que ele já estava morto.

Folha – Como a família vê essa ação da polícia?
Cláudia Sacramento – Não se aborda uma pessoa com tiro, não é dessa forma que você tem que agir. Se quer parar [o carro], pode atirar num pneu, em qualquer coisa, não na cabeça para matar.
Não tem como receber [a notícia] de uma forma boa. A gente espera que a polícia que está aí fora defenda a gente e não nos mate. A conduta deles é a pior possível, não é a conduta de um ser humano que está aí e que eu pago para que ele me defenda.

O que a família espera?
Esperamos que a polícia possa punir esses policiais. É a única coisa, queremos justiça, porque amanhã pode ser o filho, o primo, o irmão de outras pessoas. Eu não gostaria que o policial agisse assim nem com um marginal nem com alguém que não tem passagem [pela polícia] e está apenas voltando para casa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – ‘A gente espera que a PM nos defenda, não nos mate’ – 20/07/2012.

PM erra, mata empresário e pede desculpas

GIBA BERGAMIM JR. E ANDRÉ CARAMANTE

O empresário Ricardo Prudente de Aquino, 39, foi morto por policiais militares com dois tiros na cabeça anteontem à noite, quando, segundo a PM, fugia de um cerco no Alto de Pinheiros, área nobre da zona oeste paulistana.Ao menos sete tiros foram disparados pelos policiais -todos de curta distância, conforme análise preliminar da perícia. Os PMs disseram ter confundido o telefone celular de Aquino com uma arma.O empresário voltava em seu Ford Fiesta da casa de um amigo, em Alphaville Barueri, na Grande SP, quando, afirma a polícia, ignorou ordem de parar feita por PMs próximo à rua Natingui, na Vila Madalena zona oeste.Carros e motos da PM se envolveram na perseguição, que durou cerca de dez minutos e terminou na avenida das Corujas, em trecho com pouca iluminação e muitas árvores. Segundo a polícia, o carro de Aquino chegou a ser perdido de vista até ser interceptado pela Força Tática.Dois soldados e um cabo foram presos em flagrante e indiciados sob suspeita de homicídio doloso com intenção.No Fiesta, havia quatro estojos deflagrados de pistola.40 -o que reforça que os disparos foram de muito perto. Também foram achados no carro o celular da vítima -no assoalho- e 50g de maconha. De acordo com a polícia, ninguém testemunhou o crime.REPERCUSSÃOO caso gerou grande repercussão, o que fez um tenente da PM ir à casa do empresário, na Vila Madalena -ele pediu “perdão” aos familiares e disse “estar envergonhado”. O tenente é do mesmo batalhão dos PMs envolvidos.Mais tarde, o comandante-geral interino da PM paulista, coronel Hudson Camilli, pediu desculpas publicamente à família de Aquino e à sociedade, embora tenha dito que, “tecnicamente”, a operação dos PMs “foi correta”.O episódio também levou o governador Geraldo Alckmin PSDB a emitir nota lamentando a morte e a convocar o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, para reunião. O secretário não falou sobre o caso.O advogado dos policiais, Fernando Capano, disse que o clima de tensão vivido pelos PMs nos últimos meses, quando oito deles morreram em crimes com características de encomendado, pode ter influenciado o comportamento deles na abordagem.Para ele, embora o desfecho tenha sido “trágico e triste”, os PMs agiram “no estrito cumprimento do dever”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – PM erra, mata empresário e pede desculpas – 20/07/2012.

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