Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “julho 27, 2012”

Segurança, eleições e ideologia

O Blog do Pannunzio tem veiculado uma série de matérias sobre a violência policial em São Paulo. A preocupação  com o tema começou em 18 de fevereiro do ano passado, quando uma equipe da Corregedoria da Polícia Civil despiu à força uma escrivã acusada de concussão. O blog veiculou as imagens da desastrada e arbitrária prisão em flagrante e cobrou das autoridades providências para punir os delegados que protagonizaram o escândalo.

Desde então, o atual secretário de Segurança Antônio Ferriera Pinto vem deixando claro seu apoio a atitudes como aquela, que extrapolam o limite legal de atuação de policiais sob comando de sua pasta. Ele chegou a cumprimentar os policiais que prenderam a escrivã e relutou em demitir a corregedora Maria Inês Trefiglio, que dias depois do episódio vir a público foi defenestrada do cargo de confiança que ocupava pelo governador Geraldo Alckmin.

No dia 29 de maio passado, um episódio trágico revelou que as arbitrariedades continuavam sendo cometidas com o propósito de promover uma “faxina” a partir da eliminação física de pessoas com ou sem passado criminal. O caso ficou conhecido como a chacina do Bar Barracuda, em que uma equipe da ROTA, após a matança de cinco supostos traficantes, sequestrou, torturou e assassinou covardemente, em local ermo e distante da ocorrência, um homem sobre quem pesava a suspeita de ter assassinado um policial.

Esse episódio desatou uma reação do crime organizado desde sempre negada pela Secretaria de Segurança Pública. A partir de então, nove policiais militares foram executados brutal e covardemente pelos criminosos, em ações pontuais caracterizadas por assassinatos seletivos adredemente planejados. Todos eles estavam descaracterizados e foram pegos em horário de folga.

Na sequência dos acontecimentos, chacinas e “caravanas da morte” viraram lugar-comum na crônica policial, fazendo com que os índices de criminalidade disparassem em São Paulo. O resultado do enfrentamento só fez produzir mais e mais crimes, fazendo com que a sociedade se sinta cada vez mais enclausurada em bunkers domésticos  para fugir à sanha da violência.

Com a agudização da crise, os posts sobre o assunto se tornaram mais frequentes e as cobranças, mais rigorosas. Isso fez com que a maior parte dos leitores manifestasse, na área de comentários, opiniões divergentes da do editor deste blog. A despeito disso, as opiniões e as críticas continuam sendo veiculadas, até agora praticamente sem a necessidade de tornar a moderação mais rigorosa. Até o momento, apenas dois comentários injuriosos foram vetados.

Ocorre que muitos leitores, inclusive alguns que acompanham o blog há muito tempo, têm suspeitado de que o foco nos problemas da segurança paulista tem razões ocultas, de natureza eleitoral ou ideológica, o que absolutamente não é verdade. Desde seu nascimento, o Blog do Pannunzio adota uma postura crítica em relação aos abusos de qualquer natureza — morais, éticos, legais, de autoridade. O alvo do blog não é um governador, um governo, um partido. O alvo é o arbítrio, venha ele de onde vier.

A vida humana é o maior bem jurídico sob tutela do Estado. Nos dias de hoje, em São Paulo, há uma clara inversão de valores. Em nome da eliminação do crime organizado, muitos são os que acham que a polícia pode se arvorar o direito de aplicar sumariamente a pena de morte em que lhe convém. Foi o caso inequívoco do publicitário Ricardo Prudente,  morto porque furou um blitz policial. Foi o caso também do adolescente Bruno Vianna, morto em Santos pelo mesmo motivo. No incidente, três outros jovens saíram feridos a bala.

Não há coincidência entre as postagens e o cronograma eleitoral. Há, sim, coincidência com o recrudescimento da violência, pelo qual as autoridades constituídas têm o dever de responder. Deixar para abordar o morticínio somente após as eleições, pleito reiterado pelos eleitores tucanos, equipara-se ao casuísmo defendido pelos mensaleiros que só admitem ver o maior escândalo político da história do País ser julgado depois que o  voto tiver sido depositado na urna.

Apesar de considerar a política de segurança pública do atual governo uma lástima, o blog reconhece que o governador Geraldo Alckmin tem méritos em outras áreas. E, quando for o caso, sinto-me à vontade para elogiar o que merecer elogios e continuar criticando o que entendo ser incompatível com o respeito humano e a democracia.

O blog não está sozinho nessas críticas. Há uma parte da sociedade que, mesmo acuada, consegue ainda discernir que menos truculência e mais inteligência sem dúvida levariam a um resultado melhor na gestão do confronto entre a violência legítima e o crime organizado. Observe-se a posição do Ministério Público Federal. O posicionamento de ontem, em sintonia com diversas entidades que defendem os direitos humanos, é a melhor prova de que o embate ultrapassou todos os limites do suportável — e que tem surtido apenas efeitos deletérios, sem que se possa vislumbrar nada a não ser mais sangue no horizonte da guerra entre PM e bandidos.

Comando da PM é conivente com grupos de extermínio, afirma Inteligência da Polícia Civil

48% das vítimas de grupos de extermínio formados por policiais militares não têm passado criminal. A informação está contida em um estudo realizado pelo serviço de  inteligência do Departamento de Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo. O levantamento, feito no ano passado, analisa 70 ocorrências, que resultaram em 152 mortes — todas com características de execução sumária e suspeita de participação de policiais militares.

A maior parte dos crimes — 55 , correspondentes a 78,6% dos casos — ocorreu na região da Quarta Seccional da Polícia Judiciária, na Zona Norte de São Paulo. A região é a mesma onde a última “caravana da morte” eliminou seis pessoas na madrugada de quarta para quinta-feira passadas.

O levantamento do DHPP demonstra que as vítimas do grupo são majoritariamente do sexo masculino (91%). Entre os que se sobreviveram aos ferimentos a bala, apenas 18% têm anotações em folha corrida. 82% jamais passaram por uma delegacia.

Os alvos dos grupos de extermínio com pendências criminais são preferencialmente pessoas acusadas de roubo (27%), tráfico (23%) e furto (15%). Em 39% dos casos não foi possível identificar a causa das execuções. Entre os motivos apontados para os demais, 20% foram cometidos por vingança, 13% foram justificados como “limpeza”, outros 13% foram catalogados como decorrentes de abuso de autoridade e 15% foram motivados por cobranças do trafico ou das quadrilhas que exploram o jogo ilegalmente.

Chama a atenção no levantamento a anotação de que armas e munição de uso exclusivo da Polícia Militar  foram utilizadas em 46 das 152 mortes analisadas. Exames balísticos demonstraram que os disparos foram feitos de uma mesma arma — um fuzil calibre .556. E em 11 execuções foi identificado o uso de uma arma comum, de calibre .40 ou .38.

Assasinos continuam impunes

O Blog do Pannunzio teve acesso ao conteúdo de um Relatório de Inteligência produzido pelo DHPP sobre a atuação do principal grupo de extermínio. Ele aponta o soldado PM Valdez Gonçalves dos Santos como chefe da quadrilha. O PM é acusado de matar pelo menos 23 pessoas e ferir outras 17. Mas o número de vítimas, de acordo com uma fonte que pede o anonimato, pode ultrapassar 50.

O relatório da Polícia Civil afirma que os grupos de extermínio são compostos “por policiais militares especializados em vitimar egressos,  toxicômanos  e  praticantes de pequenos delitos, com conivência e suporte da instituição policial militar, sempre havendo guarida de policiais militares fardados, que corroboram para a “ higienização social”, e “limpeza da área”.”

O relatório também revela os métodos dos assassinos:  ”Policiais militares em serviço agem com extremada truculência no labor policial, e mais, praticam desmandos, silenciam insurgentes e exterminam seus desafetos, utilizando-se da modalidade de atuação delitiva conhecida nas dependências militares como “caixa dois”.

O “caixa-dois” seria a tática segundo a qual um dos três integrantes de uma viatura desce do carro da PM, se descaracteriza e passa a orientar e executar os assassinatos.  De acordo com o RELINT, isso é feito para que o PM “possa livremente exaurir seus escopos criminosos, eximindo-se de responsabilizações por estar ficticiamente no interior da viatura policial militar, trabalhando, mas estando, na realidade, praticando extermínio”.

Os apontamentos da Inteligência do DHPP dão conta de que “para tais despropósitos ilícitos, contam com apoio integral de outros milicianos em serviço  e fruem uma estrutura organizada, onde costumeiramente emprega-se o peculiar modus operandi, sendo que policiais militares de serviço tocaiam a vítima, verificando a melhor oportunidade para a ação dos exterminadores, sendo que posteriormente os algozes abordam a vítima utilizando-se de vestimentas pretas, balaclavas e pistolas de calibre nominal .380 ou .9mm”.

A ação  dos policiais envolvidos, de acordo com as informações do RELINT, vai muito além do assassinato de seus alvos:  ”Além de monitorarem a vítima, também dão guarida à fuga dos algozes, bem como manipulam o local de ocorrência, recolhendo estojos e projéteis, lavando o sítio de prática criminosa, afugentando, ameaçando e coagindo testemunhas”.

Os investigadores da Polícia Civil a cargo do relatório afirmam que a ação é conhecida e apoiada pelo comandado da PM e também por empresários. “Obtivemos informações de que não bastasse a velada conivência do comando da polícia militar no brutal saneamento social, interessada na extinção de ações criminosas e na consequente queda de estatísticas criminosas, há também  o favorecimento da iniciativa privada, tendo em vista que comerciantes das adjacências remuneram os milicianos, incentivam o abate criminoso e dão guarida aos “ninjas”, como são conhecidos os policiais militares sancionadores da pena de morte”.

O Blog do Pannunzio solicitou informações à Secretaria de Segurança Pública sobre que providências foram adotadas a partir desse relatório e também sobre a situação funcional do Soldado Valdez, mas ainda não obteve resposta.

‘Corporação não vai se acovardar’, escreve comandante da PM no Facebook

Camilla Haddad

O coronel Roberval Ferreira França, comandante da Polícia Militar de São Paulo, que não tem se pronunciado publicamente sobre os últimos episódios envolvendo a corporação, divulgou nesta quinta-feira, 26, em sua página do Facebook uma carta sobre o trabalho da tropa. No texto, o oficial cita que a PM “é uma das mais bem preparadas e ativas polícias do país”. Diz, ainda, que neste ano a corporação teve mais de 50 policiais assassinados “covardemente” e outros 5 mil estão inválidos. O coronel termina o comunicado dizendo que a corporação não vai se acovardar.

Nos últimos dias a PM tem participado de uma série de ocorrências que levantaram polêmicas: na noite do dia 18, o publicitário Ricardo Pridente de Aquino, de 38 anos, foi morto com tiros na cabeça por dois soldados e um cabo. A equipe afirmou que houve uma perseguição pelas ruas de Pinheiros, na zona oeste, e que o publicitário não teria obedecido a ordem de parada, já que trafegava em alta velocidade. Os soldados Luis Gustavo Teixeira, de 27 anos, e Adriano Costa da Silva, 26, e o cabo Robson Tadeu do Nascimento Paulino, 30, estão detidos no Presídio Romão Gomes.

Na mesma noite, Bruno Vicente de Gouveia, de 19 anos, foi baleado e morto por PMs em Santos, na Baixada Santista. Ele e mais cinco amigos passavam de carro pelo morro da Nova Cintra, onde era feita uma abordagem policial, quando o motorista decidiu acelerar e fugir porque não tinha carteira de habilitação. A atitude deu início a uma perseguição que só acabou com bloqueio policial no morro São Bento. Os PMs deram mais de 25 tiros no carro em que os jovens estavam.

Nessa quarta-feira, 25, O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que pretende entrar com uma ação civil pública pedindo o afastamento do comando da Polícia Militar alegando a perda do controle da situação.

Beba na fonte: ‘Corporação não vai se acovardar’, escreve comandante da PM no Facebook – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Alckmin admite ‘meses difíceis’ e diz que não há relação entre crimes

Caio do Valle

Não existe ligação entre o assassinato de seis pessoas na madrugada desta quinta-feira, 26, na cidade de São Paulo e a emboscada sofrida por um policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na noite de segunda-feira, 23. Pelo menos é essa a avaliação feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

“Não há uma relação, provavelmente, entre um caso e outro, entre esses assassinatos. A polícia já está trabalhando”, afirmou ele na manhã de hoje.As mortes desta madrugada ocorreram nas regiões vizinhas do Jaçanã e Tremembé, na zona norte. Já o policial de 28 anos foi baleado, há três dias, no Jaçanã, quando voltava para casa. Isso reforça a suspeita de que os dois crimes possam estar relacionados. O agente de polícia sobreviveu e foi levado para a UTI.

Alckmin também admitiu que São Paulo enfrenta “meses difíceis” no que tange à violência. “Nós enfrentamos meses difíceis, especialmente o mês de junho e o mês de julho.”

Em seguida, o governador comparou a situação do Estado com o restante do País. “Analisando a série histórica, nós vamos verificar que nós saímos de 35 homicídios por 100 mil habitantes há 10, 11 anos para 10,3 no primeiro semestre deste ano. O Brasil tem 26 homicídios por 100 mil habitantes. Claro que não estamos satisfeitos e, por isso, o trabalho vai aumentar.”

De acordo com ele, a polícia está agindo “firme” no combate ao tráfico de drogas. “Inclusive, em cima das chamadas biqueiras, que são a ponta do tráfico. Houve uma reação grande das quadrilhas, do crime organizado.”

Beba na fonte: Alckmin admite ‘meses difíceis’ e diz que não há relação entre crimes – saopaulo – saopaulo – Estadão.

MP pede o confisco de todos os imóveis de Aref

O Ministério Público Estadual (MPE) ajuizou nesta quarta-feira, 25, ação civil de improbidade administrativa contra o ex-diretor municipal Hussain Aref Saab, acusado de enriquecimento ilícito por ter acumulado 118 imóveis nos sete anos em que foi diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov). A ação pede que todos essas casas e apartamentos sejam confiscados pela Justiça e transferidos para a Prefeitura de São Paulo. Os 90 imóveis já avaliados valem cerca de R$ 37 milhões, enquanto a renda do ex-diretor era de cerca de R$ 20 mil mensais.

Segundo a Promotoria, há indícios de que os imóveis tenham sido recebidos em troca de favorecimentos a construtoras e shoppings que protocolavam pedidos na Secretaria de Habitação, pasta à qual o Aprov é subordinado. O ex-diretor nega e diz que todos os seus bens foram adquiridos licitamente, com dinheiro de aplicações e de uma empresa que explora estacionamentos na capital.

Além de Aref, a Promotoria do Patrimônio Público e Social pede a perda dos bens de sua esposa, Marisa Venturini Saab, de seus dois filhos, o delegado da Polícia Civil Luís Fernando Saab e a arquiteta Ana Paula Saab Zamudio, e da empresa que os quatro possuem, a SB4 Patrimonial. Os alvos da ação não são apenas os imóveis, mas também outros bens acumulados pela família no período que não foram detalhados por serem consideradas informações de cunho pessoal e sigiloso.

Beba na fonte: MP pede o confisco de todos os imóveis de ex-diretor municipal de SP – saopaulo – saopaulo – Estadão.

A sombra da suspeita

Dora Kramer

Estabeleceu-se um Fla-Flu a respeito da participação do ministro Antonio Dias Toffoli no julgamento do mensalão: a partir do pressuposto de que seja voto certo pela absolvição dos réus, as torcidas se dividem entre os que consideram imprescindível seu impedimento e os que defendem como certo – legal e moralmente falando – seu direito de julgar.

Da maneira como está posta, a discussão tem ficado restrita ao terreno da exposição apaixonada de opiniões controversas.

Já a lei – a baliza para qualquer debate desse tipo – é bastante objetiva ao definir os casos em que o juiz pode ser alvo de suspeição ou impedimento.

Segundo os códigos de processo civil e penal, a diferença básica entre os dois conceitos é que a suspeição tem caráter subjetivo e o impedimento é de natureza objetiva.

São as seguintes as situações previstas para impedimento:

1. Quando cônjuge ou parente do juiz até o terceiro grau tiver atuado na causa em questão como defensor ou advogado, representante do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito.

2. Quando o próprio juiz tiver atuado em qualquer uma das funções citadas acima ou funcionado como testemunha.

3. Quando tiver sido juiz em outra instância e se pronunciado, nos autos ou fora deles, sobre a questão.

4. Quando o magistrado, cônjuge ou parente em até terceiro grau for parte interessada.

Já a suspeição pode ser declarada pelo julgador ou arguida pelas partes envolvidas, nos seguintes casos:

1. Se o juiz for amigo íntimo ou inimigo “capital” de qualquer dos interessados.

2. Se ele, o cônjuge ou parente, responder a processo por fato semelhante, “sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia”.

Beba na fonte: A sombra da suspeita – politica – versaoimpressa – Estadão.

Demóstenes Torres desperta constrangimento no MP

O constrangimento e, ao mesmo tempo, o corporativismo marcaram os primeiros dias de trabalho de Demóstenes Torres no Ministério Público (MP) de Goiás, depois de uma ausência de 13 anos. O ex-senador, que reassumiu o cargo de procurador de Justiça após a cassação no Senado há 15 dias, dá expediente na sede do MP em Goiânia desde a última sexta-feira, 20. Ele aparece para trabalhar, mas por poucas horas no dia.
Demóstenes prefere as manhãs, quase não é visto à tarde e sobe ao terceiro andar — onde está seu gabinete — por um elevador lateral e pouco usado, com acesso direto à garagem. Nesta quinta-feira, o ex-senador deixou seu gabinete às 12 horas e só retornou, quatro horas e meia mais tarde, para uma reunião com uma pessoa que o aguardava, já há uma hora. Por mês, ele ganha R$ 24 mil.
O constrangimento é tanto que promotores relatam ser alvo de piadas de réus em audiências na Justiça, pelo fato de o MP acolher o senador cassado por colocar o mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mesmo assim, a cúpula da instituição — comandada pelo irmão de Demóstenes, Benedito Torres Neto, procurador-geral de Justiça — até agora vem blindando o ex-senador nos procedimentos abertos para investigar as relações do agora procurador de Justiça com Cachoeira.

Beba na fonte: No MP, Demóstenes Torres desperta constrangimento – O Globo.

BC autoriza saque de dólar em caixas eletrônicos

Com a proximidade de competições esportivas que serão sediadas no Brasil, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira o uso de terminais de autoatendimento para que tanto turistas estrangeiros quanto brasileiros realizem operações de câmbio manual. O valor máximo será de até três mil dólares. Hoje, com o uso de cartões internacionais, só é possível realizar saques em reais nas máquinas.
O secretário-executivo do Banco Central, Geraldo Magela Siqueira, disse que, com a mudança, as pessoas poderão trocar diretamente as cédulas. Siqueira observou que os clientes, inclusive os brasileiros, vão ter de, primeiro, inserir um cartão de uso internacional para se identificar. Só depois disso, poderão realizar o câmbio. Não há um limite para o número de operações a serem feitas, mas, se o Banco Central identificar excessos, o caso poderá ser investigado.
Esses equipamentos, no entanto, ainda não existem no Brasil e serão importados.

Beba na fonte: BC autoriza saque de dólar em caixas eletrônicos por brasileiros e estrangeiros – O Globo.

México multa em US$ 28 mi o HSBC por lavar dinheiro

Autoridades mexicanas decidiram multar o HSBC, uma das maiores instituições financeiras do mundo, em US$ 28 milhões (R$ 57, 1 milhões) por falhar na prevenção da lavagem de dinheiro por meio de contas do banco no país.

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários, é a maior multa já aplicada a um banco no México -ela equivale a cerca de metade do lucro auferido pela subsidiária mexicana do HSBC no ano passado.

O presidente da comissão, Guillermo Babatz, disse que, nos anos 2000, o banco chegou a ser o maior canal de transferência de dólares do México para os EUA -metade do fluxo total, bem superior à fatia do mercado bancário mexicano que o HSBC detinha.

Há nove dias, investigação do Senado americano concluiu que a subsidiária do HSBC nos EUA descumpriu leis contra lavagem de dinheiro, o que abriu brechas para transações ligadas ao narcotráfico mexicano e com países acusados de patrocinar o terror.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Mundo – México multa em US$ 28 mi o HSBC por lavar dinheiro – 27/07/2012.

Juízes querem divulgação de doações antes das eleições

JEAN-PHILIP STRUCK

Um grupo de juízes eleitorais está usando a nova Lei de Acesso à Informação para obrigar candidatos a divulgar, antes mesmo das eleições, quem são os doadores de suas campanhas.

Atualmente, a Lei Eleitoral permite que os nomes sejam fornecidos aos tribunais após o pleito. Porém, pelo menos três atos normativos que usaram a Lei de Acesso como base foram baixados por juízes de Maranhão e Mato Grosso.

O último foi da Justiça Eleitoral em Poconé (100 km de Cuiabá), que determinou ontem que os 65 candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador no município informem quem são os doadores e quanto dinheiro receberam.

Há duas semanas, outro juiz também determinou a mesma medida para os candidatos de Cáceres (MT).

Segundo os atos, os dados deverão ser informados no envio de cada prestação de contas parcial aos tribunais regionais eleitorais, no início de agosto e em setembro, e não após outubro.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Juízes querem divulgação de doações antes das eleições – 27/07/2012.

TJ manda soltar PMs que assassinaram publicitário em SP

ANDRÉ CARAMANTE e AFONSO BENITES

Os três policiais militares acusados de matar o empresário e publicitário Ricardo Prudente de Aquino, 39, após uma perseguição no último dia 18 conseguiram um habeas corpus do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Eles, porém, não serão libertados ainda porque respondem a outro processo no Tribunal de Justiça Militar.

“Amanhã de manhã vamos pedir a extensão do habeas corpus para o TJM. Esperamos que eles sejam soltos”, disse Márcio Gomes Modesto, um dos defensores dos PMs.

Pela decisão liminar do desembargador Willian Campos, do TJ, os policiais Robson Tadeu do Nascimento Paulino, 30, Luis Gustavo Teixeira Garcia, 28, e Adriano Costa da Silva, 26 não poderão voltar a atuar nas ruas.

Paulino, Garcia e Silva foram presos no dia 19, depois de matarem a tiros Aquino. Ele fugiu de abordagem da PM pelas ruas do Alto de Pinheiros (zona oeste).

O carro em que estava foi alvejado por ao menos sete disparos. Dois deles atingiram Aquino na cabeça.

Em sua defesa, os policiais dizem que confundiram o celular que Aquino segurava com uma arma.

Ontem à noite, os três policiais participaram da reconstituição do crime.

Dois dos policiais, o soldado Luis Gustavo Teixeira Garcia e o cabo Adriano da Costa da Silva, afirmaram que efetuaram os disparos na direção da vítima de dentro do carro da polícia.

Na reconstituição, apenas o soldado Robson Tadeu do Nascimento Paulino desceu do veículo e, depois, simulou ter atirado no empresário.

Para o defensor dos policiais, Aryldo de Oliveira de Paula, a ação de seus clientes foi correta e a vítima morreu porque fugiu da polícia.

Para o advogado da família de Aquino, Cid Vieira, “a atitude dos PMs foi temerária”.

O delegado Dejair Rodrigues, chefe da 3ª Seccional (zona oeste), afirmou que o inquérito será relatado hoje à Justiça. O laudo da reconstituição sairá em dez dias.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – TJ dá habeas corpus a PMs envolvidos em morte de empresário – 27/07/2012.

Procuradoria pede saída da cúpula da PM

ROGÉRIO PAGNAN

O Ministério Público Federal anunciou ontem que pode ir à Justiça para exigir a troca do comando da Polícia Militar de São Paulo, alegando perda de controle sobre a tropa, e abriu uma crise com o governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Em audiência pública sobre a violência policial ontem, o procurador Matheus Baraldi Magnani -que disse que a posição é da instituição- disse que a medida é necessária porque inúmeros casos se avolumam no Estado.

Foram citadas as mortes na semana passada do empresário Ricardo Prudente de Aquino, 39, na capital, e do estudante Bruno Vicente de Gouveia e Viana, 19, em Santos.

“Não é possível se falar em um milhão de problemas pontuais. Eles são sequenciais e exigem resposta também da sociedade. [...].”

O evento reuniu entidades de direitos humanos, defensores públicos, familiares de vítimas de ações da polícia e, também, grupos de PMs.

A primeira reação veio de Alckmin, que classificou a medida de “totalmente descabida” e sugeriu que o órgão se preocupasse com segurança na esfera federal, como a entrada de armas e drogas.

Depois, a Secretaria da Segurança Pública, em nota, classificou a posição de “absurda e capciosa” e disse que ela ocorre “estranhamente”, em momento pré-eleitoral.

Segundo Magnani, a ação se baseará nas convenções e tratados internacionais de direitos humanos e combate à tortura. Disse, ainda, que deve tentar levar à esfera federal casos não solucionados de mortes por policiais.

VIOLÊNCIA

Conforme a Folha revelou em janeiro, uma de cada cinco mortes na capital em 2011 foi provocada policiais. Foram 290 vítimas de um total de 1.299 mortos no Estado.

O evento gerou bate-bocas e vaias. Uma associação levou policiais cadeirantes, feridos em ação, para mostrar que PMs também são vítimas.

A audiência causou rusgas até entre órgãos do Estado. A defensora pública Daniela Skromov de Albuquerque, acusou o Ministério Público Estadual e a polícia de omissão. “Não entro no mérito se ela é dolosa ou se é por falta de estrutura. A questão é objetiva: há uma omissão desses dois poderes”, disse.

O Ministério Público Estadual disse “não descuidar de suas atribuições” e que a afirmação “revela a completa e total ignorância quanto ao trabalho sério, profissional e comprometido” do órgão.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Procuradoria pede saída da cúpula da PM e deflagra crise com Alckmin – 27/07/2012.

“Biruta de aeroporto”

Eliane Cantanhêde

O prefeito Gilberto Kassab está se preparando para apanhar feio do PT em São Paulo e para alisar o PT em Belo Horizonte. Para o presidente do PSDB-MG, deputado Marcus Pestana, ele está parecendo “biruta de aeroporto”.

Na capital paulista, Kassab é estrela da campanha do tucano José Serra, contra o petista Fernando Haddad. Na mineira, impôs ao PSD a aliança com o petista Patrus Ananias, contra Aécio Neves (PSDB) e a reeleição de Márcio Lacerda (PSB).

Se fosse só mais uma salada partidária brasileira, tudo bem, mas não é. Há muito mais vinagre e pimenta aí, já que Kassab, ao criar um partido, gerou uma grande incógnita: o que, ou quem, está por trás do PSD? Ele continua devendo essa resposta.

Na superfície, o PSD nasceu para acomodar uma multidão de políticos aflitos com os sacolejos da oposição e loucos para pular no barco do governo. Se é só isso, a aliança de Kassab em São Paulo não é com o PSDB, mas com a pessoa de José Serra. E fugaz. Se é serrista lá, é dilmista convicto cá, em Brasília.

Dilma convocou Michel Temer e Kassab, com igual sem-cerimônia, para a mesma missão: driblar as sessões mineiras do PMDB e do PSD, respectivamente, e garantir o apoio ao PT em BH. Faz sentido com Temer, que é vice e foi bem recompensado, até com a presidência da Câmara para Henrique Alves. Mas Kassab é o quê? E saiu de mãos abanando?

Kassab é elogiado por aliados e adversários por produzir o principal fato político do ano passado -o PSD-, mas é um apoio polêmico. Em São Paulo, tem a máquina da prefeitura, mas uma rejeição de bom tamanho. No resto, é incerto, já que tanto pode estar com Lula/Haddad ou com Serra/Alckmin e faz qualquer coisa pelas graças de Dilma.

É razoável supor que se trata de algo estratégico, para além de seus interesses individuais. Mas o quê? A alternativa seria muito mesquinha: por um ministério a partir de 2013?

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – “Biruta de aeroporto” – 27/07/2012.

Dilma age para barrar acordo Serra-Russomanno

CATIA SEABRA E LEANDRO COLON

A presidente Dilma Rousseff fez ontem uma recomendação ao presidente do PRB, bispo Marcos Pereira: “Por favor, não me faça aliança com partidos que não são da base do governo”.

O recado, relatado pelo próprio Pereira, ocorre seis dias após um jantar entre ele e o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra.

Coordenador da campanha de Celso Russomanno (PRB), empatado tecnicamente em primeiro lugar com o tucano, Pereira se reuniu com Serra para selar um pacto de convivência durante as eleições.

Pereira diz ter entendido a mensagem. “Ela fazia alusão ao encontro com Serra. Para bom entendedor, uma palavra basta.”

Foi Pereira quem abordou o tema durante visita da presidente aos estúdios da TV Record, em Londres, por conta da Olimpíada. Numa reunião reservada de Dilma com o dono da emissora, bispo Edir Macedo, e integrantes da cúpula da Record, Pereira perguntou a Dilma se ela participaria da campanha.

A presidente, segundo ele, afirmou que pedirá votos onde já há polarização oposição versus governo, mas que vai esperar o cenário se desenhar nas cidades onde a base tem mais de um candidato.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dilma age para barrar acordo Serra-Russomanno, diz aliado – 27/07/2012.

PT organiza novo ato de apoio a Delúbio Soares

A menos de uma semana do início do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), o PT fará amanhã novo ato de apoio a seu ex-tesoureiro Delúbio Soares, em São Paulo.

O encontro é promovido pelo diretório zonal do partido na Vila Mariana (zona sul). Segundo organizadores, será fechado à imprensa e deve reunir cerca de 50 militantes.

Nos últimos dias, petistas receberam convites para o ato enviados pelo candidato a vereador Roberto Casseb, que integra a ala majoritária da sigla, a Construindo um Novo Brasil.

Amigo de Delúbio, ele disse que não daria entrevista sobre o assunto. Afirmou que o ato será fechado e que desejava que fosse mantido em sigilo.

O ex-tesoureiro petista é um dos 38 réus do processo do mensalão, que começará a ser julgado na próxima quinta-feira pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, ele integrava o núcleo político da quadrilha e operava um esquema ilegal de pagamento a parlamentares em troca de apoio ao governo Lula.

Delúbio chegou a ser expulso do PT após as revelações do ex-deputado Roberto Jefferson, mas foi aceito de volta.

A defesa dele admite prática de caixa dois, mas nega o suborno a parlamentares.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PT organiza novo ato de apoio a Delúbio amanhã, em São Paulo – 27/07/2012.

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