Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “agosto 3, 2012”

O Mensalão de Ravel

Sandro Vaia, no Blog do Noblat

O dia da estréia do julgamento do Mensalão no STF foi mais emocionante do que a estréia de Rafinha Bastos no Saturday Night Live.

O ministro Lewandowski – que nao se perca pelo nome – gastou uns bons 70 minutos para executar o seu Bolero de Ravel, uma variação longa e mortalmente entediante sobre um mesmo tema: a defesa do desdobramento do julgamento, que havia acabado de ser pedido pela milionária verve do ex-ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos, defensor de alguns réus do mensalão, e agora livre dos incômodos liames com o contraventor Cachoeira.

Detalhe: o próprio Lewandovski, o que foi lembrado com inusitada irritação pelo relator Joaquim Barbosa, já havia votado anteriormente contra o desdobramento do processo.

O truque era tão engenhoso quanto barato: o desdobramento, se aprovado, significaria mandar para a primeira instância o julgamento de todos os réus que não dispõem de mandato parlamentar e consequente direito a foro especial: ou seja, dos 38 réus, 35 seriam julgados em primeira instância, inclusive o denominado (pelo Procurador- Geral da República) “chefe da quadrilha”, José Dirceu.

O que isso significaria em termos de prescrição, de adiamento, de procrastinação, de recursos e de enrolações em geral, é incalculável. Para os réus, seria simplesmente algo parecido com o paraíso.

A decisão, que em condições normais de temperatura poderia ser tomada em meia hora, com os ministros respondendo à questão com um simples “sim” ou “não”, foi soterrada por uma avalanche de bacharelismo mais entediante do que uma partida de biriba com a sogra surda.

Mas, enfim, é a vida. O primeiro truque que o imbatível Thomaz Bastos tirou de sua inesgotável cartola foi soterrado por 9 votos a 2, o que comprova que nem no Olimpo do Direito os deuses são infalíveis.

O strike visivelmente combinado com o parceiro Lewandowski falhou, mas a dupla ainda pode tentar ganhar o jogo com algum “spare”.

O ministro Dias Toffoli, cuja isenção é arguida em off pelo Procurador-Geral da República e em “on” por vários advogados judiciosos, acabou votando contra os interesses de quem em tese estaria inclinado a defender, e deu uma demonstração de independência – que por sinal não é a primeira – mas estará, justamente ou não, sob suspeição até o final do julgamento, e agiria com correção e lisura se se abstivesse de participar.

Logo depois, Joaquim Barbosa leu um resumo de seu relatório e o primeiro dia de julgamento perdeu-se num vácuo de inutilidade que promete estender-se numa interminável procissão de filigranas jurídicas.

Isso quer dizer que levará ainda um bom tempo até que possamos medir a profundidade das cicatrizes que o mensalão deixou tatuadas nas instituições políticas brasileiras.

Beba na fonte: Blog de Ricardo Noblat: colunista do jornal O Globo com notícias sobre política direto de Brasília – Ricardo Noblat: O Globo.

Lula é nome favorito para 2014, aponta pesquisa CNT

Se as eleições de 2014 fossem hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o candidato favorito do eleitorado, de acordo com pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 3, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). O petista aparece com 69,8% das intenções de voto. Neste cenário, ficaria em segundo o senador Aécio Neves (PSDB), com 11,9% e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com 3,2%.

A pesquisa, realizada entre os dias 18 e 22 de julho, simulou dois cenários para as eleições presidenciais de 2014. Em um deles, com a presidente Dilma Rousseff no lugar de Lula, Dilma ficaria em primeiro com 59% das intenções de voto, seguida por Aécio Neves com 14,8% e Eduardo Campos com 6,5%. Duas mil pessoas foram entrevistadas em 134 municípios de cinco regiões do Brasil. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

Avaliação de governo. A avaliação positiva do governo Dilma ficou em 56,6% em julho, contra 49,2% em agosto de 2011, segundo pesquisa. Para 35,5% dos entrevistados, a avaliação dada foi “regular”, ante 37,1% em agosto do ano passado, e para 7% foi negativa, contra 9,3% no levantamento anterior.

O levantamento também apontou que a aprovação pessoal de Dilma está em 75,7%, contra 70,2% em agosto de 2011.

Beba na fonte: Lula é nome favorito para 2014, aponta pesquisa CNT – politica – politica – Estadão.

8 coronéis da PM receberam mais de R$ 50 mil em junho

ANDRÉ CARAMANTE

Apenas oito coronéis da Polícia Militar de São Paulo receberam juntos, em junho deste ano, R$ 773,5 mil de pagamento do governo estadual, entre salários e benefícios.

Os vencimentos líquidos desses oficiais variaram de R$ 51.689,33 a R$ 254.099,57.

O valor pago a cada um deles ultrapassa o teto do serviço público, de R$ 26,7 mil. Também supera o que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu no mês: R$ 14.019,84, com descontos.

Um soldado em início de carreira na capital ganha, em média, R$ 2.530 por mês.

Há uma semana, por causa da lei de transparência assinada em maio pela presidente Dilma Rousseff (PT), a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) passou a divulgar no Portal da Transparência Estadual (www.transparencia.sp.gov.br) os vencimentos dos servidores do Estado.

Os valores pagos em junho podem incluir benefícios como férias, adiantamento do 13º salário e indenizações, “além de benefícios acumulados ao longo de uma carreira”, diz nota da secretaria.

Salários acima do teto, de acordo com o governo, só são pagos por ordem judicial.

O policial mais bem pago em junho foi o coronel da PM Ailton Araújo Brandão, que recebeu R$ 254.099,57. A Secretaria da Segurança Pública não explicou como foi possível chegar a esse valor -o governador pediu que o caso do coronel fosse averiguado.

No site, estão os salários de todos os servidores da área da Segurança Pública, como os dos 166 delegados de classe especial da Polícia Civil, o topo da carreira no Estado.

Em junho, Oswaldo Arcas Filho foi o delegado de classe especial que recebeu o maior vencimento líquido:

R$ 20.609,39. A Folha tentou ouvir os dois policiais, mas a assessoria da secretaria não atendeu a esse pedido.

‘RISCO DESNECESSÁRIO’

Para o delegado George Melão, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo, a exposição dos salários dos policiais pelo governo tem dois lados: “a comprovação da disparidade entre o que recebem policiais militares e civis e a exposição desnecessária dos servidores da segurança pública”.

A Associação dos Cabos e Soldados da PM afirmou que não ia comentar a disparidade entre os salários pagos aos praças e aos oficiais por se tratar de “assunto interno”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – 8 coronéis da PM receberam mais de R$ 50 mil em junho – 03/08/2012.

Lula, sobre o julgamento do Mensalão: ‘Tenho mais o que fazer!’

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não vai assistir pela TV ao julgamento do mensalão, maior escândalo político de seu governo. Além da negativa, Lula não quis comentar o caso.

“Tenho mais coisa para fazer. Quem tem de assistir são os advogados”, disse Lula, durante solenidade em um hotel na zona sul de São Paulo, onde recebeu homenagem de produtores de biodiesel.

Diante da insistência dos repórteres sobre o motivo de deixar o processo em segundo plano, o ex-presidente respondeu: “Porque tenho que trabalhar, meu filho”.

Após a solenidade, foi para o Instituto Lula, onde se reuniu por duas horas com o marqueteiro João Santana, responsável pela campanha de Fernando Haddad (PT), que patina nas pesquisas.

PRIMEIRO ESCALÃO

Ministros petistas de Dilma Rousseff começaram o dia disparando telefonemas aos correligionários réus.

O deputado João Paulo Cunha (SP) soltou um “que Deus nos proteja” numa conversa. José Dirceu, maior personalidade do julgamento, não atendeu ao telefone.

Professor Luizinho, líder do governo na época do mensalão, foi convencido a deixar Brasília horas antes do julgamento. A exemplo dele, o ex-deputado Paulo Rocha (PT-PA) não passou perto do Supremo, embora estivesse na cidade. Também foi aconselhado a não sair de casa.

Militantes petistas foram orientados a não fazer manifestação na porta do tribunal.

Do outro lado da praça dos Três Poderes, Dilma cumpriu agenda e deu espiadelas na transmissão pela TV.

Nos corredores do Palácio do Planalto, dizia-se que setores da mídia exigem a condenação do PT e o impedimento do ministro José Antonio Dias Toffoli, ex-advogado do partido.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – ‘Tenho mais o que fazer’, afirma Lula – 03/08/2012.

Quadrilhas e coautores

Eliane Cantanhêde

A estreia não deixa dúvidas: além dos réus do mensalão, estarão em julgamento também os onze ministros do Supremo. Sem falar no constrangimento da participação de Dias Toffoli.

Ao tentar “ressuscitar” (o verbo é do ex-presidente Cezar Peluso) a tese do desmembramento, talvez o advogado Márcio Thomaz Bastos não quisesse, de fato, que os três deputados federais fossem julgados pelo Supremo, e os demais 35 réus, pela primeira instância. Talvez sua intenção fosse protelar o processo e mostrar quem é quem na corte.

Por 9 a 2 os ministros decidiram o óbvio: a questão já havia sido votada pelo tribunal. Mas eles expuseram fragilidades. Rompantes e termos inadequados do relator Joaquim Barbosa não são novidade. O que surpreendeu foi o voto do revisor Ricardo Lewandowski, por escrito e longuíssimo, para corroborar a tese da defesa, pelo desmembramento.

Essa polaridade Joaquim-Lewandowski certamente permeará todo o julgamento -que vai longe.

Joaquim considerou “irresponsável” discutir o desmembramento mais uma vez, acusou Lewandowski de “deslealdade” e disse que tudo isso poderia afetar “a legitimidade do processo” e a própria “credibilidade da corte”. Destempero inútil.

O presidente Ayres Britto demorou a aprumar. Apesar de prometerem que seriam sucintos, Gilmar Mendes e Celso de Mello deram aula ao vivo. Marco Aurélio, como sempre, provocador. Rosa Weber, Cármen Lúcia e Luiz Fux, rápidos, despretensiosos.

Em bom português, Peluso argumentou que é impossível julgar coautorias e quadrilhas com os réus pulverizados em instâncias diferentes. Não estão em julgamento atos isolados de um Dirceu, de um Delúbio, mas, sim, todo um intrincado esquema em que cada um e todos tinham responsabilidade.

PS – Apesar de Padilha (Saúde) dizer que Marta Suplicy gravou para o programa de Haddad, ela nega.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Quadrilhas e coautores – 03/08/2012.

Advogados já consideram Peluso fora do julgamento do mensalão

Eduardo Bresciani

Advogados de réus do julgamento do mensalão acreditam que o ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), não conseguirá votar no processo após analisar o andamento do primeiro dia de julgamento. Peluso, considerado um juiz duro, de forte formação no direito penal e que tenderia a votar pela condenação na maioria dos casos, se aposentará de forma compulsória do cargo no dia 3 de setembro por completar 70 anos.

Para antecipar o voto, Peluso teria que aguardar o posicionamento de Lewandovski e Joaquim Barbosa
Pelo cronograma definido pelo tribunal, Peluso conseguiria votar se antecipasse o seu voto. Ele só pode fazer isso, porém, após votarem o relator, Joaquim Barbosa, e o revisor, Ricardo Lewandovski. Se o cronograma atrasar em um dia apenas, o ministro pode não conseguir manifestar sua posição antes da aposentadoria.

No intervalo do julgamento desta quinta-feira, alguns defensores já davam o cronograma como implodido. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por exemplo, deveria fazer a acusação durante cinco horas, mas a fase foi adiada para a sexta-feira. Os advogados, porém, acreditam que isso não impedirá novos atrasos devido à tensão em plenário.

“Infelizmente ele (Peluso) não participará”, disse Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o publicitário Duda Mendonça. Ele ressaltou que o próprio voto antecipado já seria ruim porque no STF os ministros podem alterar o seu voto em meio ao debate em plenário.

Outro advogado, que pediu para não ser identificado, destacou as discussões entre Barbosa e Lewandovski. “Em 30 minutos o relator e o revisor já estavam discutindo. O cronograma é inviável. O Peluso está fora”, sentenciou.

Beba na fonte: Advogados já consideram Peluso fora do julgamento do mensalão – politica – politica – Estadão.

Essência da causa

Dora Kramer

Se o mensalão é o maior escândalo da história da República, só a invenção de artefato de medição comparativa seria capaz de dizer.

O documento importante aqui não é o tamanho, mas a essência da causa: o mercadão em que governos e partidos fazem suas operações de compra e venda pela primeira vez será submetido aos ditames do Código Penal e da Constituição.

Trata-se de um marco a partir do qual tais negociatas perdem o status de prática comum, aceita e tida como inevitável, para se tornar objeto de escrutínio criminal.

Isso faz toda a diferença. Impõe barreira ao desenfreado cinismo dos defensores da tese de que política sempre se fez com mãos sujas e que assim deve continuar a ser feito.

Ainda que as provas não sejam suficientes para condenar os réus, não será possível demonstrar a inexistência dos fatos como pretendem os acusados. Ao fim do julgamento, o máximo que poderão obter é a absolvição, nunca a anulação da realidade.

Esta está posta na trajetória a ser rememorada diariamente nas próximas semanas: desde a primeira notícia, desmentida, em setembro de 2004, até o início da apreciação formal da ação penal.

Entre esses dois momentos houve a delação de um integrante do esquema, as investigações de uma comissão parlamentar de inquérito, a inspeção do Ministério Público, o oferecimento da denúncia, a aceitação pelo Supremo Tribunal Federal de que havia base para a abertura de um processo e, finalmente, o momento da decisão.

Nada disso pode ser ignorado, bem como tudo isso deve ser visto sob a perspectiva de saúde das engrenagens institucionais que, obviamente, se assim decidiram que se chegasse até aqui não foi por se associarem a uma conspiração ou aderirem a uma fantasia da oposição em conluio com a imprensa.

A materialidade dos acontecimentos é que os fez transitar da boataria de corredores no Congresso até o julgamento no Supremo.

Se não houvesse substância, não haveria 50 mil páginas de processo sobre as quais a Corte se debruça desde ontem no exame daquele que pode ou não ser o maior escândalo da história da República.

Tanto faz como tanto fez seu tamanho ou denominação. Se a narrativa recebe o apelido de mensalão ou a designação jurídica e ultimamente considerada politicamente correta de ação penal 470, não importa.

Interessa menos o nome que as coisas têm se, na essência, elas são como são. E nesse caso são ações de apropriação do patrimônio público por grupos políticos que usam a delegação popular como salvo-conduto para prevaricar na execução de projetos de continuidade no poder.

Beba na fonte: Essência da causa – politica – versaoimpressa – Estadão.

Em carta a Dilma, HRW critica adesão da Venezuela ao Mercosul

A organização Human Rights Watch (HRW) enviou nesta sexta-feira, 3, uma carta para a presidente Dilma Rousseff e para o chanceler Antonio Patriota, em que critica a adesão recente da Venezuela ao Mercosul. Há duas semanas, a HRW publicou um extenso relatório sobre a situação de direitos humanos no país, classificando-a como “precária”.

No documento, assinado pelo diretor para as Américas da HRW, José Miguel Vivanco, a entidade afirma que “se os países-membros do Mercosul ignorarem o compromisso de proteger e promover os direitos básicos e as instituições democráticas, transmitirão a mensagem infeliz de que os compromissos internacionais no Protocolo de Assunção são promessas vãs”.

Segundo a entidade, sediada em Washington, a entrada da Venezuela no bloco é uma “oportunidade” para que o governo Dilma e os outros integrantes do Mercosul “enfrentem os graves problemas de direitos humanos na Venezuela atualmente”. A HRW destacou ainda a “responsabilidade” dos países de lidar com o tema.

Beba na fonte: Em carta a Dilma, ONG critica adesão da Venezuela ao Mercosul – internacional – geral – Estadão.

Procurador-geral não pedirá impedimento de Toffoli

No final da sessão de julgamento do mensalão nesta quinta-feira, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que não irá pedir pelo impedimento do ministro Dias Toffoli no processo. Segundo Gurgel, se tivesse pedido isso na sessão de hoje, atrasaria o julgamento.

Perguntado se Toffoli continuará no processo, Gurgel disse:
- A meu ver, sim.

Gurgel decidiu não pedir o afastamento após examinar e ponderar sobre todas as circunstâncias do caso.
- Ponderando aspectos técnicos e também aspectos estratégicos, a conclusão da Procuradoria Geral da República foi a de que não convinha ao Ministério Público tomar uma iniciativa que provocaria o adiamento do julgamento ou, até mesmo, a inviabilização do julgamento, pelo menos num prazo razoavelmente curto. O objetivo do Ministério Público é exatamente o oposto, de que o julgamento aconteça no menor tempo possível – afirmou.

Para Gurgel, ficou evidenciado na sessão inicial que a defesa esforça-se por protelar o julgamento, “não podendo o Ministério Público contribuir de qualquer forma para que esse objetivo seja alcançado”.
O próprio Dias Toffoli sinalizou que não pretende pedir afastamento. Na sessão de hoje, o ministro votou sobre questão de ordem feita pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, que defende o réu José Roberto Salgado (ex-diretor do Banco Rural), pedindo cisão do processo. Durante sua explicação, o ministro afirmou que os argumentos usados para analisar a questão de ordem fazem parte de seu voto sobre o processo.

Toffoli era subordinado a um dos réus do processo, José Dirceu, quando estava na Advogacia Geral da União durante o governo Lula. Além disso, a namorada de Toffoli, Roberta Maria Rangel, trabalhou na defesa do professor Luizinho, então líder do governo na Câmara na época do escândalo.

No primeiro dia de julgamento, a decisão sobre questão levantada pela defesa adiou a sustentação oral do procurador-geral da República, que será realizada amanhã

Beba na fonte: Procurador-geral não pedirá impedimento de Toffoli – O Globo.

Paes vira alvo de críticas dos rivais no primeiro debate

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Candidatos à Prefeitura do Rio<br /><br /><br />
Foto: Agência O Globo / Marcelo Carnaval

Candidatos à Prefeitura do Rio

AGÊNCIA O GLOBO / MARCELO CARNAVAL

RIO – No primeiro debate entre os cinco principais candidatos à prefeitura do Rio, na Band, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi alvo de ataques dos seus adversários, que criticaram a política de transportes do município, a ação das milícias em comunidades carentes e a política de saúde no Rio. O prefeito, favorito nas pesquisas, evitou responder diretamente aos ataques e aproveitou suas intervenções para citar realizações de sua gestão, como a implantação do bilhete único, o fechamento do aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, e a parceria com o governo estadual nas UPPs sociais nas comunidades pacificadas.

No segundo bloco, dedicado a perguntas de candidato para candidato, Marcelo Freixo (PSOL) e Rodrigo Maia (DEM) fizeram uma dobradinha para criticar “a política de segurança do PMDB”, partido de Paes. Os candidatos procuraram associar soluções para melhorar a segurança pública, de responsabilidade do governo estadual, com medidas sociais de competência da prefeitura. Maia prometeu retomar os programas Favela-Bairro e o Remédio em Casa, criados por seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia, que não foi citado nominalmente. Em sua pergunta a Freixo, Maia disse que, nos últimos quatros anos, o número de milícias triplicou:

— E, 2008, eram mais de cem, agora mais de 300. É o fracasso da segurança pública do PMDB.

Críticas à política de transportes

Em seguida, Freixo, que presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa, vinculou o problema das vans da cidade à ação desses grupos, que chamou de máfias. Disse que entregou a Paes, em 2008, um relatório pedindo que a licitação desse tipo de transporte fosse feita individualmente, sugestão que, segundo ele, não foi aceita:

— Em 2009 você se reuniu com indiciados ( na CPI das Milícias) e fez licitação com cooperativas — disse Freixo.

O candidato do PSOL também cobrou de Paes explicações sobre o que chamou de seu “silêncio” em relação à linha 4 do Metrô e ao relatório do Tribunal de Contas do Município que citou indícios de formação de cartel na licitação para linhas de ônibus.

Paes, novamente evitando provocações, listou suas ações em transporte:

— Meu governo fez processos licitatórios em ônibus e quatro consórcios assumiram, com regras claras. Fizemos o bilhete único, que atende 350 mil pessoas, depois o BRT, que diminuiu o trajeto de quem mora em Campo Grande e queremos passar a ter mais de 60% da população utilizando o transporte de alta capacidade.

Antes, no primeiro bloco, os candidatos responderam a perguntas de moradores sobre temas da cidade. Mesmo assim, o candidato do PSDB, Otavio Leite, aproveitou sua resposta sobre buracos na calçada para lembrar do julgamento do mensalão, que começou ontem no Supremo Tribunal Federal:

— Foi uma violência contra democracia, uma máfia instalada dentro do Palácio do Planalto — afirmou Leite.

Seguindo a estratégia de direcionar suas críticas a Paes, Leite e Maia trocaram elogios sobre seus projetos para a saúde pública. O tucano prometeu criar uma parceria entre as seis faculdades de Medicina do Rio e os hospitais da cidade. Já Maia disse que criará um plano de cargos e salários para os servidores, sem citar de onde virão os recursos. Mas atacou o atual modelo de gestão da prefeitura, que utiliza as organizações sociais (OS) para administrar a rede de saúde:

— Essa prefeitura vai gastar com OS R$ 2,4 bilhões. Tem dinheiro, ele está sendo mal aplicado — afirmou o candidato do DEM, que, no final, prometeu, no seu primeiro dia de governo, abrir um concurso público para médicos e enfermeiros.

Reciclagem no centro do debate

A candidata do PV, Aspásia Camargo, aproveitou a pergunta que Paes lhe fez sobre as metas assumidas pelo C-40 (grupo das maiores cidades do mundo), durante a Rio+20, para criticar a Comlurb que, segundo ela, é uma empresa que não prioriza a reciclagem:

— A Comlurb é uma empresa com uma filosofia velha e ultrapassada, que acha que sua obrigação é limpeza pública, e não redução de lixo — afirmou Aspásia.

Paes lembrou que promoveu o fechamento do lixão de Gramacho, onde eram jogados os dejetos da cidade:

— Fizemos em Seropédica um centro de tratamento de resíduos adequado que segue parâmetros ambientais.

Ao debater sobre educação, Leite prometeu contratar dois mil professores para a rede municipal de ensino e colocar dois deles em cada classe de alfabetização. Maia disse que criará um programa para que as professoras possam ir aos bairros dos alunos para conhecer suas famílias. Na réplica, o prefeito lembrou que uma de suas primeiras providências foi acabar com a aprovação automática, adotada na gestão de Cesar Maia:

— Era uma cidade que não acreditava no seu futuro. Quem aprendia passava, quem não aprendia passava também —afirmou Paes.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/paes-vira-alvo-de-criticas-dos-rivais-no-primeiro-debate-5675871#ixzz22UcmUbyi

Mensalão ganha destaque no primeiro debate televisivo

Oito candidatos estiveram no primeiro debate televisivo em São Paulo, realizado pela TV BandeirantesFoto: Marcos Alves / Agência O Globo

 

SÃO PAULO – O julgamento do escândalo do mensalão ganhou protagonismo e foi usado como munição contra o PT, na noite desta quinta-feira, no debate televisivo promovido pela TV Bandeirantes, o primeiro confronto entre os candidatos à sucessão da Prefeitura de São Paulo. O candidato Fernando Haddad foi colocado em saia-justa ao ser questionado, em duas oportunidades, sobre o tema. No primeiro, foi perguntado como poderia enfrentar a corrupção na capital paulista se o seu partido estava envolvido no escândalo político. Em outro momento, questionado se o julgamento do mensalão teria peso nas eleições deste ano. O debate televisivo reuniu oito candidatos à prefeitura de São Paulo, todos eles com representação na Câmara dos Deputados.

A primeira pergunta indigesta foi feita por Carlos Gianazzi, do PSOL, que já havia sinalizado no início da semana que poderia explorar o mensalão no debate televisivo. Giannazi também criticou o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB), dizendo que o tucano é “o principal personagem do livro Pritaria Tucana”, além de aliado de Valdemar Costa Neto (PR), um dos réus no processo do mensalão. Em relação a Haddad, o candidato socialista questionou sobre como ele poderia combater a corrupção se havia se aliado ao PP, de Paulo Maluf, incluído na lista de procurados pela Interpol. Em sua resposta, o ex-ministro petista justificou a aliança ao fato do PP fazer parte da base aliada do governo federal, mas ignorou o julgamento do mensalão.

— Eu tenho uma visão de democracia baseada na alianças com partidos políticos. Nós vamos combater a corrupção. Eu passei pelas administrações municipal e federal e não há, nos órgãos de controle, uma única insinuação a respeito da minha conduta à frente dos órgão públicos. Eu vou ser um prefeito que vai fazer valer os princípios éticos — respondeu.

Em outro momento, contestado novamente sobre o tema, o ex-ministro petista reafirmou que nunca pairou dúvidas sobre a sua reputação como administrador público e ressaltou que, após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as instituições públicas “funcionam como nunca funcionaram”. O candidato petista citou, entre elas, o Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, “vai punir os responsáveis e inocentar os inocentes”.

O debate televisivo teve também as participações de Levi Fidélix (PRTB), Celso Russomanno (PRB), Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), que apresentaram propostas em várias áreas e criticaram a gestão do prefeito Gilberto Kassab. José Serra foi o único defensor da atual administração.

As opiniões divergentes levaram os candidatos do PSDB e PT a protagonizar o seu primeiro confronto direto nas eleições municipais. A carga tributária da capital paulista levou Serra e Haddad a trocarem ataques sobre as gestões tucanas e petistas.

A primeira alfinetada foi dada pelo candidato do PSDB, o qual garantiu que não irá criar novas taxas na capital paulista e não aumentará o valor das atuais. José Serra lembrou do que chamou da “malfadada taxa do lixo”, criada na administração da ex-prefeita Marta Suplicy e que rendeu o apelido à senadora petista de “Martaxa”. Em resposta, o candidato do PT prometeu acabar com a taxa de inspeção veicular que, segundo ele, substituiu a taxa do lixo. Na tréplica, o candidato do PSDB atacou a administração petista.

— A taxa do lixo não foi trocada por nada, a taxa do lixo foi uma aberração feita na administração do PT. Nós encontramos a prefeitura de São Paulo, em 2005, em uma péssima situação financeira, com um buraco de R$ 12 milhões — criticou Serra.

Outro confronto entre PT e PSDB ocorreu em torno do sistema de saúde público em São Paulo. Em resposta à pergunta enviada por um internauta, Haddad contestou Serra em relação à construção de hospitais nas administrações do tucano e de seu sucessor e atual prefeito. O ex-governador paulista disse que, em sua gestão, construiu “cerca de dois hospitais” e que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), do governo federal, copiaram as Assistência Médica Ambulatoriais (AMAs), criadas por José Serra quando prefeito.

— O problema da saúde é um dos mais críticos da cidade. Faltam leitos hospitalares na cidade de São Paulo. Chegamos (o PT) a construir 45 hospitais em uma única administração. A AMA não faz alguns procedimentos que a UPA, que funciona 24 horas, faz — disse Haddad.

Serra, em contrapartida, elogiou a área da saúde na cidade, falando de políticas públicas de sua gestão e da de Kassab.

— Na questão da saúde é importante lembrar que nos últimos anos houve programas bem sucedidos. Um deles é o mãe paulistana. Cerca de 700 mil crianças já nasceram. Melhoramos consideravelmente em relação à distribuição de medicamentos. Durante 17 anos, não tivemos um hospital construído. Fizemos cerca de dois, mais um que foi incorporado — afirmou o tucano.

Outro ponto discutido no debate foi a segurança pública, aproveitando a escalada da violência na cidade nos últimos meses. Paulinho disse que tem uma proposta da cidade de São Paulo ser responsável pela área, e não o estado, como atualmente. Tanto ele quanto Celso Russomano (PRB) falaram em equipar a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e aumentar seu contingente, além de colocar mais câmeras de segurança na cidade e reforçar os convênios do município com as polícias Civil e Militar.

Giannazi voltou a alfinetar quando disparou contra o prefeito Gilberto Kassab em relação ao fato de terem sido nomeados 30 coronéis da reserva subprefeitos, além de outros oficiais para chefiar autarquias, como a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

— O Kassab esqueceu que a ditadura militar acabou em 1985 e continua militarizando a administração pública, impedindo que a população participe de um debate democrático — afirmou. Também criticaram a atual administração na área da saúde Russomanno, Paulinho, Levi Fidélix, Soninha e Chalita. Para Giannazi e Russomanno, o problema da saúde na cidade é gravíssimo. A área foi citada pelo candidato do PSOL como “uma das mais críticas da cidade”.

Já Russomano disse que fará o programa da saúde da família funcionar, além de informatizar a área da saúde, proposta também apresentada por Chalita. Soninha falou da demora para marcar consultas e exames e disse que o problema pode ser resolvido por mutirões. Paulinho disse que faria “o Sistema Único de Saúde (SUS) funcionar”, se eleito. Fidélix citou alguns programas de sua autoria, como o Plano de Atendimento à Saúde da População de São Paulo (PASP) e a utilização de motos para levar remédios e médicos à população usuária do sistema público.

Antes do debate, nos discursos do lado de fora dos estúdios da Band, no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, todos mostraram-se pouco dispostos a entrar em discussões acaloradas no debate. Num pleito em que muitos deles são estreantes, o objetivo da maioria dos postulantes a prefeito da capital paulista era apresentar-se ao eleitorado.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/sp-mensalao-ganha-destaque-no-primeiro-debate-televisivo-5675044#ixzz22Uc4Nu20

Bate-boca marca primeiro dia do julgamento do Mensalão

O primeiro dia do maior julgamento da história do Supremo Tribunal Federal (STF), a Ação Penal 470 – o escândalo do mensalão -, durou mais de cinco horas, e concluiu em julgar todos os 38 réus citados no processo. A principal decisão que os ministros tiveram que tomar nesta quinta-feira foi quanto ao desmembramento do processo para os réus com foro privilegiado, o que foi negado em votação. No final da sessão, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, explicou porque não pediu pelo impedimento do ministro Dias Toffoli no processo. Segundo ele, isso atrasaria o julgamento.

- Se o fizesse, teria a suspensão do julgamento, e com a perspectiva de um atraso no horizonte razoável – disse. (Confira como foi a cobertura do julgamento em tempo real do Globo).
O pedido de desmembramento foi feito logo no início da sessão pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que é advogado ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado. Ele propôs uma questão de ordem para solicitar o desmembramento do processo, alegando “inconstitucionalidade do tribunal para julgar réus que não têm prerrogativa de foro”. No entanto, após quase três horas de discussão, a maioria dos ministros votou contra a questão – nove contra dois.

Caso o desmembramento fosse aprovado, só seriam julgados no Supremo os réus com foro privilegiado, que, no caso do mensalão, são três: João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Segundo a especialista da Fundação Getúlio Vargas Tânia Rangel, que comentou o julgamento no ambiente especial do GLOBO para o mensalão, a Constituição fala que quando se tratar de processo contra deputado federal, o processo deve ser julgado diretamente pelo STF – isso se chama prerrogativa de foro.

No processo do mensalão, três acusados são deputados federais, o que fez que o STF fosse o órgão competente para julgá-los. Apesar dos demais 35 réus não se enquadrarem ao caso, o STF decidiu que, como os fatos alegados estavam muito interligados, todos responderiam ao inquérito no Supremo para que se pudesse melhor apurar a existência ou não dos crimes e a participação de cada um dos réus.

Discussão entre ministros

O julgamento começou às 14h26 com a leitura do nome de todos os réus pelo ministro Ayres Britto.

Logo após, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos propôs a questão de ordem. Outros advogados reiteraram o pedido, como os de Marcos Valério e de José Genoíno.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, se pronunciou contra o desmembramento. Depois, o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, disse que a questão já havia sido discutida e considerou “irresponsável” levantar esta questão durante o julgamento.

Houve um início de discussão quando Ricardo Lewandowsky foi se pronunciar sobre o desmembramento e, sem dizer se concordava ou não, disse que o colegiado deveria ter mais respeito com a questão de ordem de Thomaz Bastos. Joaquim Barbosa interferiu na fala do ministro, dizendo que não havia necessidade de “discutir uma questão que já havia sido discutida”.
- Me causa espécie Vossa Excelência se pronunciar pelo desmembramento do processo, quando poderia tê-lo feito há seis, oito meses. Vossa Excelência poderia ter pedido, eu traria em questão de ordem – declarou Barbosa.

Lewandowsky, então, começou a citar diversos casos julgados no STF onde foram aprovados o desmembramento, para mostrar a “forma rotineira de se julgar esta questão” pelo Supremo. Ayres Britto pediu para que Lewandowsky acelerasse seu voto, mas ele pediu tempo para terminar sua fala.

Na ocasião, Joaquim Barbosa saiu do plenário. Ao voltar, disse que sugeriu “o desmembramento há seis anos”, e foi “vencido”. No entanto, Lewandowsky continuou seu pronunciamento, até votar a favor da questão. Joaquim Barbosa voltou a provocar o ministro.

- Eu volto a dizer, o ministro Lewandowsky, no final de sua fala, colocou a em questão a legitimidade desta corte para julgar esta ação penal. Ele disse claramente que os réus estariam em risco. Agora o que eu pergunto é revisor deste processo há dois anos, por que não trouxe a questão há dois anos? (…) O que está em jogo é a credibilidade deste tribunal. Esta questão já foi discutida aqui três vezes, está é a quarta.

A ministra Rosa Weber, ao se pronunciar sobre o caso, disse que o tema já havia sido discutido no Supremo, e votou contra o desmembramento. O ministro Luiz Fux, apesar de elogiar a concepção de Lewandowsky sobre a questão, também votou contra.

Em seu voto, o ministro Dias Toffoli sinalizou que não pretende pedir afastamento do julgamento do mensalão. Ao votar contra a questão de ordem, o ministro afirmou que os argumentos usados para analisar a questão de ordem fazem parte de seu voto sobre o processo.

Toffoli era subordinado a um dos réus do processo, José Dirceu, quando estava na Advogacia Geral da União (AGU) durante o governo Lula. Além disso, a namorada de Toffoli, Roberta Maria Rangel, trabalhou na defesa do professor Luizinho, então líder do governo na Câmara na época do escândalo.

Os ministros Cezar Peluso, Celso de Mello, GIlmar Mendes e Cármem Lúcia também votaram contra o desmembramento. Marco Aurélio Mello votou a favor. O último voto foi de Ayres Britto, que seguiu o voto do relator.

Mensalão parecia “meros empréstimos”

Os ministros fizeram um intervalo de 30 minutos após a votação do desmembramento. Ao retornarem ao Plenário, o ministro Joaquim Barbosa começou a ler o relatório do caso.
De pé, encostado em sua cadeira, o ministro disse que o esquema do mensalão começou em 2002, e que José Dirceu e outros integrantes do PT formavam o “núcleo central da quadrilha”, que buscavam apoio político por meio de compra de votos de parlamentares. E que o dinheiro púiblico usado no esquema do mensalão tinha a aparência de “meros empréstimos bancários”, obtidos pelos petistas e empresas de publicidade.

Segundo o relatório, os réus do “núcleo central” teriam usado outros integrantes da quadrilha para a distribuição do dinheiro. As agências de publicidade teriam cometido o crime de lavagem de dinheiro, para colocar em prática as intenções políticas do grupo. O revisor do caso, Ricardo Lewandowsky, concordou com o conteúdo do relatório de Joaquim Barbosa.
Ao término, Ayres Britto convocou todos para a próxima sessão, quando o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, terá cinco horas para acusar os réus.

Sem Power Point

Antes da leitura do relatório do caso, Alberto Toron, advogado do réu João Paulo Cunha, apresentou uma questão de ordem para pedir que o Tribunal permita o uso de ferramenta audiovisual, como o Power Point durante o julgamento do mensalão. No entanto, o ministro Ayres Britto indefiriu o pedido.

Na quarta, em uma sessão administrativa o STF decidiu por 5 a 4 que não seria permitido o uso da ferramenta. Toron argumenta que o Tribunal tomou a decisão em uma sessão com a ausência de dois ministros. Ele também alega que a sessão não teve a presença dos advogados.

- O Power Point é usado no TSE. A Corte dispõe de um. Não é nada excepcional – disse Toron.

Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o marqueiteiro Duda Mendonça, reclamou do excesso de rigor da segurança durante o julgamento. O advogado foi proibido de comer uma barra de cereais dentro do Plenário antes do intervalo.

- Acho que houve um excesso. Advogo no STF há 30 anos, e a tradição desse tribunal é a urbanidade – disse Kakay.

Defesa dos advogados

Os advogados dos réus chegaram ao prédio do STF por volta das 13h15. Os primeiros foram Márcio Thomaz Bastos e o advogado José Carlos Dias, que defende o ex-diretor do Banco Rural Vinícius Samarane.

O advogado Marcelo Leonardo, que defende o empresário Marcos Valério, disse que espera um julgamento justo:

- A expectativa é que o STF faça um julgamento justo e conforme as provas dos autos.

Os réus não deverão comparecer ao tribunal para acompanhar a sessão.

- O melhor é ficar em casa tomando calmante e rezando para iluminar o advogado – disse o advogado Antônio Cláudio Mariz, que defende Ayanna Tenório, executiva do Banco Rural.
José Luis Mendes de Oliveira Lima, advogado de José Dirceu, disse que o ex-ministro da Casa Civil do governo Lula vai acompanhar o julgamento de casa com a família e amigos.
- Não existe esquema de corrupção, portanto ele não é núcleo de nada . José Dirceu é inocente – disse o advogado, ao ser questionado sobre Dirceu ser o chefe do esquema do mensalão.
Segundo o advogado, não há nenhum depoimento no processo que confirme as acusações do ex-deputado Roberto Jerfferson sobre o mensalão.

- É inegável que há uma conotação neste sentido. Há uma ação maior do Ministério Público que ele ( Dirceu) é o chefe, mas não há um único depoimento que corrobore as afirmações do ex-deputado Roberto Jerfferson (PTB-RJ).

- Eu converso com ele todos os dias. É inegável que há uma ansiedade, mas ele está sereno, confia na Justiça e na sabedoria dos ministros do Supremo.
O advogado não quis se manifestar sobre a polêmica em relação ao ministro Toffoli, disse que essa é uma questão pessoal do ministro.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/primeiro-dia-de-julgamento-do-mensalao-marcado-por-bate-boca-5665503#ixzz22UYRhfJi

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