Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “agosto 4, 2012”

Lullaby do Mensalão

11 ilhas

Fernando Rodrigues

A imagem é antiga, mas precisa. O Supremo Tribunal Federal é composto por 11 ilhas.

Os 11 ministros falam pouco entre si quando se trata de melhorar o funcionamento operacional da Corte. Têm o direito de agir dessa forma. A independência dos juízes está na Constituição.

Ocorre que em alguns países, seja pela cultura ou tradição, o sistema funciona bem -como nos Estados Unidos. Em outros, pelos mesmos motivos, as coisas andam de maneira imprópria, perto do inaceitável.

Tome-se o caso do mensalão. Eclodiu em 2005. Só nesta semana, sete anos depois e por causa do esforço pessoal do atual presidente do STF, Ayres Britto, o processo está indo a julgamento -e com um início funesto, como se viu na quinta-feira.

O primeiro dia do julgamento foi tomado por um bate-boca entre dois ministros. Discutiram sobre algo já tratado no passado pelo STF: se um processo como o do mensalão deve ficar com todos réus submetidos ao Supremo ou desmembrado para outras instâncias.

É fascinante que o mais elevado Tribunal de Justiça do país não tenha meios, dentro das regras do direito e da democracia, para evitar tal tipo de protelação.

Ponderado, Ayres Britto tentou esfriar o clima: “Ninguém é inimigo de ninguém”. Poderia ter acrescido: “Ninguém tampouco é amigo de alguém”. Mas não estão em jogo o comportamento ou a amizade entre os ministros. Está em xeque a organização institucional do Supremo.

O Brasil ruma para tempos mais modernos. O Executivo e o Legislativo se submetem a eleições regulares. Estão expostos ao escrutínio dos cidadãos. Há ferramentas disponíveis para cobrança de responsabilidade.

Já o Judiciário, do qual o STF é o epítome, nunca passou por um “aggiornamento”. Talvez o maior benefício do julgamento do mensalão seja explicitar a obsolescência do modelo funcional do Supremo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – 11 ilhas – 04/08/2012.

Roberto Gurgel: Dirceu montou e foi o ‘protagonista’ do mensalão

Laryssa Borges e Gabriel Castro

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresenta seus argumentos de acusação no julgamento da AP 470, em 03/08/2012

Responsável por defender a condenação de políticos, empresários e dirigentes partidários que faziam parte do mensalão, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta sexta-feira, durante o julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, foi o idealizador e grande gerente do esquema. O chefe do Ministério Público (MP), que vai defender nesta tarde a condenação de 36 dos 38 réus do mensalão, direcionou o foco principal da acusação ao ex-todo-poderoso do governo Lula. “José Dirceu foi o mentor da ação do grupo, seu grande protagonista”, resumiu. “Foi José Dirceu quem idealizou o esquema ilícito de formação da base parlamentar de apoio ao governo mediante o pagamento de vantagens indevidas a seus integrantes e comandou a ação dos demais acusados para a consecução desse objetivo”, disse ele.

O relatório de Roberto Gurgel afirma que Dirceu, José Genoino (então presidente do PT), Delúbio Soares (tesoureiro do partido à época) e Sílvio Pereira (então secretário-geral do PT) se associaram ao grupo do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza “de forma estável permanente para o cometimento de crimes contra o sistema financeiro nacional, contra a administração pública, contra a fé publica, bem como crimes de lavagem de dinheiro”.

O chefe do MP listou depoimentos de denunciados tomados ao longo da instrução da ação penal que comprovariam a ascendência de Dirceu sobre os demais participantes do esquema do mensalão. As oitivas, segundo ele, implodiriam a tese de que o ex-ministro não sabia da compra de votos de deputados federais. “Não há como se pretender que Dirceu estivesse alheio aos fatos”, afirmou. Ele exemplificou com um caso específico em que o tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, disse em juízo que após reuniões com os petistas José Genoino e Delúbio Soares “sempre era feita uma ligação a José Dirceu”.

“José Dirceu tinha conhecimento de todos os acordos para a construção da base aliada”, resumiu Gurgel. “Dirceu sabia da cooptação de políticos para a compra de base parlamentar de apoio ao governo, sabia que essa base estava sendo forma a custa de vantagens indevidas e, acima de tudo, sabia de onde vinha o dinheiro”, argumentou o procurador-geral.

Ao afastar a suposta tese de que não haveria provas de que o ex-ministro da Casa Civil coordenou o esquema de pagamento sistemático de parlamentares, o procurador-geral defendeu o argumento de que o “autor” também é o chefe da quadrilha que planeja as atividades criminosas, mesmo sem as executar.

“O autor dos chamados crimes organizados agem a quatro paredes. O autor intelectual quase sempre não fala ao telefone, não envia mensagens, não assina documentos e não movimenta contas”, disse. “A prova que instrui os autos dessa ação penal é contundente quanto à atuação de Dirceu como líder do grupo”.

Em sua acusação, Roberto Gurgel ainda se valeu de perícias do Instituto Nacional de Criminalística (INC) para demonstrar a manipulação de dados como simulação de empréstimos no Banco Rural. A liberação de recursos pela instituição financeira foi utilizada por petistas e pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para tentar dar veracidade ao fluxo de recursos que abastecia o mensalão.

Ao longo de sua sustentação oral, o procurador-geral também ironizou as críticas sobre a fragilidade do conjunto de provas contra a quadrilha. Ele disse ser “risível” a tese de alguns advogados de que o esquema de compra de votos seria um “delírio do Ministério Público”.

Provas - Gurgel, que começou a falar por volta das 14h30, utilizará cinco horas nesta sexta para pedir a condenação de 36 dos 38 réus que integram a ação penal do mensalão. No início de sua exposição, no plenário do STF, o chefe do MP resumiu: “A robustez da prova colhida faz risível a assertiva de que mensalão é ficção ou delírio do MP”.

“O Ministério Público está absolutamente convencido de que a prova colhida nos autos, associada aos elementos de autoria e materialidade dos delitos, não deixa dúvidas quanto à procedência da acusação”, disse ele. Assim como fez no memorial entregue aos ministros do Supremo, Roberto Gurgel voltou a classificar o mensalão como “o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro público flagrado no história do Brasil”.

Ao expor seus argumentos, o procurador-geral recorreu ao intelectual Norberto Bobbio para refutar a tese de que, no mensalão, seria “justificável” construir, por meios escusos, uma sólida base parlamentar no Congresso. “Não se justifica o injustificável à luz dos parâmetros normativos de funcionamento do estado”, disse ao cita Bobbio.

Denúncia inicial - A denúncia do então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentada em 2006, classifica o esquema do mensalão como “uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes”.

Para o então chefe do Ministério Público, sucedido por Gurgel, os mensaleiros petistas, com o objetivo de formar uma base parlamentar sólida no Congresso, atuaram em “conluio” com outros partidos e “estabeleceram um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira”.

Todo o esquema, descreve a Procuradoria, era feito “sob as ordens” de Dirceu, que “tinha o domínio funcional de todos os crimes perpetrados, caracterizando-se, em arremate, como o chefe do organograma delituoso”.

Beba na fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pgr-ironiza-criticas-e-diz-que-%E2%80%98provas-robustas%E2%80%99-comprovam-o-mensalao

Um relator na berlinda

Vera Magalhães

O relator do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, virou o inimigo número um do PT.

A berlinda começou quando, ainda em 2007, Barbosa deu um voto duríssimo recebendo a denúncia dos então 40 réus do mensalão, que foi acompanhada, nos principais pontos, pelos demais ministros da corte.

Mas nem sempre foi assim. A nomeação do primeiro negro para o Supremo foi propagandeada como grande avanço institucional do governo Lula. A cor da pele foi condição preliminar estabelecida pelo próprio Lula, que pediu aos conselheiros, Márcio Thomaz Bastos à frente, currículos de negros com notório saber jurídico e reputação ilibada.

Quem participou do processo lembra que os títulos de Joaquim Barbosa e sua carreira acadêmica internacional o colocaram quilômetros à frente dos demais nomes levantados.

Ele ainda foi festejado pelo PT pelos embates que travou com Gilmar Mendes, um dos alvos preferenciais do partido, por ter sido nomeado por Fernando Henrique Cardoso.

Setores do petismo consideram a indicação para a mais alta corte da Justiça do país equivalente à colocação de “companheiros” em postos do governo. Não lhes passa pela cabeça que, uma vez investido da toga, o indicado passa a ser magistrado, membro de um Poder independente.

Ao afirmar a existência do mensalão e, ao que tudo indica, se preparar para pedir a condenação da grande maioria dos réus, Barbosa passa a ser vítima de campanha difamatória.

O acadêmico brilhante de antes vira “despreparado”, um “promotor em pele de juiz”. Advogados e políticos dizem que o ministro só chegou ao STF graças ao “sistema de cotas”.

Caberá ao relator manter o sangue frio para fundamentar seu voto e driblar a tentativa de desestabilizá-lo.

Episódios como o embate com Ricardo Lewandowski na abertura do julgamento, dizem seus pares, não ajudará a legitimar sua posição no caso ao qual se dedica há sete anos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Um relator na berlinda – 04/08/2012.

Saiba como eram as sentenças da Justiça brasileira 220 anos antes do Mensalão

Os mensaleiros que vierem a ser condenados e presos pelo STF não terão do que reclamar. Tivessem nascido 220 anos antes, teriam que se defrontar com a iminência de uma sentença duríssima como a que determinou a morte por enforcamento de Tiradentes e dos demais inconfidentes.

Ainda que se diga que os jacobinos comandados por José Dirceu não tenham querido conspurcar a Coroa, senão apropriar-se dela, e a despeito do fato incotestável de que a Derrama mensaleira era para dentro do partido, e não para os cofres da Corte, os réus do Mensalão deveriam agradecer pelo fato de não terem nascido dois séculos e pouco antes.

A sentença que condenou os inconfidentes:

(…) “Portanto condenam ao Réu Joaquim José da Silva Xavier por alcunha o Tiradentes Alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas a que com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas publicas ao lugar da forca e nella morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Villa Rica aonde em lugar mais publico della será pregada, em um poste alto até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes pelo caminho de Minas no sitio da Varginha e das Sebolas aonde o Réu teve as suas infames práticas e os mais nos sitios (sic) de maiores povoações até que o tempo também os consuma; declaram o Réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens applicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Villa Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados e no mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infamia deste abominavel Réu; igualmente condemnam os Réus Francisco de Paula Freire de Andrade Tenente Coronel que foi da Tropa paga da Capitania de Minas, José Alves Maciel, Ignácio José de Alvarenga, Domingos de Abreu Vieira, Francisco Antonio de Oliveira Lopez, Luiz Vás de Toledo Piza, a que com baraço e pregão sejam conduzidos pelas ruas públicas ao lugar da forca e nella morram morte natural para sempre, e depois de mortos lhe serão cortadas as suas cabeças e pregadas em postes altos até que o tempo as consuma as dos Réus Francisco de Paula Freire de Andrade, José Alves Maciel e Domingos de Abreu Vieira nos lugares de fronte das suas habitações que tinham em Villa Rica e a do Réu Ignácio José de Alvarenga, no lugar mais publico na Villa de São João de El-Rei, a do Réu Luiz Vaz de Toledo Piza na Villa de São José, e do Réu Francisco Antonio de Oliveira Lopes defronte do lugar de sua habitação na porta do Morro; declaram estes Réus infames e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens por confiscados para o Fisco e Câmara Real, e que suas casas em que vivia o Réu Francisco de Paula em Villa Rica aonde se ajuntavam os Réus chefes da conjuração para terem os seus infames conventiculos serão também arrasadas e salgadas sendo próprias do Réu para que nunca mais no chão se edifique. Igualmente condemnam os Réus Salvador Carvalho de Amaral Gurel, José de Resende Costa Pae, José de Resende Costa Filho, Domingos Vidal Barbosa, que com baraço e pregão sejam conduzidos pelas ruas públicas, lugar da forca e nella morram morte natural para sempre, declaram estes Réus infames e seus filhos e netos tendo-os e os seus bens confiscados para o Fisco e Câmara Real, e para que estas execuções possam fazer-se mais comodamente, mandam que no campo de São Domingos se levante uma forca mais alta do ordinario. Ao Réu Claudio Manoel da Costa que se matou no carcere, declaram infame a sua memoria e infames seus filhos e netos tendo-os e os seus bens por confiscados para o Fisco e Câmara Real. Aos Réus Thomás Antonio Gonzaga, Vicente Vieira da Morta, José Aires Gomes, João da Costa Rodrigues, Antonio de Oliveira Lopes condemnam em degredo por toda a vida para os presidios de Angola, o Réu Gonzaga para as Pedras, o Réu Vicente Vieira para Angocha, o Réu José Aires para Embaqua, o Réu João da Costa Rodrigues para o Novo Redondo; o Réu Antonio de Oliveira Lopes para Caconda, e se voltarem ao Brasil se executará nelles a pena de morte natural na forca, e applicam a metade dos bens de todos estes Réus para o Fisco e Camara Real. Ao Réu João Dias da Morta condemnam em dez anos de degredo para Benguela, e se voltar a este Estado do Brasil e nelle for achado morrerá morte natural na forca e applicam a terça parte dos seus bens para o Fisco e Camara real. Ao Réu Victoriano Gonçalves Veloso condemnam em açoutes pelas ruas publicas, tres voltas ao redor da forca, e degredo por toda a vida para a cidade de Angola, achado morrerá morte natural na forca para sempre, e applicam a metade de seus bens para o Fisco e Camara Real. Ao Réu Francisco José de Mello que faleceu no carcere declaram sem culpa, e que se conserve a sua memória, segundo o estado que tinha. Aos Réus Manoel da Costa Capanema e Faustino Soares de Araújo absolvem julgando pelo tempo que tem tido de prisão purgados de qualquer presumpção que contra elles podia resultar nas devassas. Igualmente absolvem aos Réus João Francisco das Chagas e Alexandre escravo do Padre José da Silva de Oliveira Rolim, a Manoel José de Miranda e Domingos Fernandes por se não provar contra elles o que basta para se lhe impor pena, e ao réu Manoel Joaquim de Sá Pinto do Rego Fortes fallecido no carcere declaram sem culpa e que conserve a sua memória segundo o estado que tinha; aos Réus Fernando José Ribeiro, José Martins Borges condemnam ao primeiro em degredo por toda a vida para Benguela e em duzentos mil para as despesas da Relação, e ao Réu José Martins Borges em açoutes pelas ruas publicas e dez annos de galés e paguem os Réus as custas. Rio de Janeiro,18 de Abril de 1792″.

Procurador-geral quer prisão dos réus do mensalão logo após sentença

Felipe Recondo, Eduardo Bresciani, Ricardo Brito e Mariângela Galucci
Ao fim de sua sustentação oral nessa sexta-feira, 3, no Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu a prisão dos acusados de envolvimento no escândalo do mensalão tão logo a Corte chegue a um veredito. Também pediu a cassação de mandatos parlamentares – três réus são deputados federais – e a devolução do dinheiro que sustenta ter sido desviado pelo esquema.

Gurgel centrou sua explanação de 4 horas e 38 minutos, lida num iPad, no ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, chamado de “principal figura” e “autor intelectual” do mensalão, um esquema de pagamento de parlamentares durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, segundo a acusação, serviu para comprar votos no Congresso. Os advogados dos réus sustentam ter havido apenas caixa 2.

“A Procuradoria-Geral da República requer desde já a expedição de mandados de prisão imediatamente após a sentença”, disse Gurgel, num movimento que visa a evitar que recursos da defesa atrasem o cumprimento de eventuais penas. O procurador afirmou ter obtido “todas as provas possíveis” e destacou que o escândalo ocorreu entre “quatro paredes” dentro do Palácio do Planalto. “O Ministério Público só não conseguiu provas impossíveis”, afirmou Gurgel, segundo quem “jamais um delito foi tão fartamente comprovado” e que o julgamento é “histórico”.

O procurador aproveitou ainda para dizer que foi vítima de ataques “grosseiros e mentirosos” desde que apresentou as alegações finais ao processo, mantendo as acusações contra quase a totalidade dos réus – ele foi acusado por petistas de segurar uma investigação que comprometia o senador cassado Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido). “Foi tudo para constranger e intimidar o procurador”, disse Gurgel, segundo quem o comportamento foi “inaceitável” e “inútil”. “Não nos intimidaremos jamais”, afirmou.

Ele encerrou a sustentação oral, que começou no início da tarde e adentrou a noite, com versos da música Vai Passar, de Chico Buarque. “Dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”, recitou.

Ponto central. O procurador ficou em Dirceu porque, segundo ele, provar sua participação no esquema é essencial para sustentar a acusação de compra de votos. Gurgel utilizou principalmente testemunhos para ligar o ex-ministro ao mensalão.

“O autor intelectual, quase sempre, não fala ao telefone, não envia mensagens eletrônicas, não assina documentos, não movimenta dinheiro por suas contas, agindo por intermédio de ‘laranjas’ e, na maioria dos casos, não se relaciona diretamente com os agentes que ocupam os níveis secundários da quadrilha”, disse o procurador, tentando adiantar-se a argumentos de advogados de defesa que afirmam não existir provas contra o ex-ministro.

“O ministro José Dirceu estava rigorosamente em todas”, afirmou Gurgel. “Nada, absolutamente nada, acontecia sem consentimento de José Dirceu.”

Segundo o procurador, Dirceu foi “o mentor” de todo o esquema que envolvia empréstimos bancários e contratos de publicidade, inclusive com uso de recursos públicos, para o pagamento de acordos políticos firmados com partidos políticos – PP, PTB, PL e PT – a fim de garantir a sustentação parlamentar nos primeiros anos do governo Lula.

Gurgel afirmou aos ministros do STF que há elementos suficientes para condenar 36 réus – ele não pediu a condenação de dois réus por falta de provas: Luiz Gushiken, ex-ministro de Lula, e Antonio Lamas, parente de um ex-dirigente do antigo PL.

Dentre as provas citadas por Gurgel contra Dirceu estão os depoimentos prestados pelo empresário Marcos Valério, pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, pelo ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri, pelo ex-presidente do PL (hoje PR) Valdemar Costa Neto e pelo ex-presidente do PP Pedro Corrêa.

Beba na fonte: Procurador-geral quer prisão dos réus do mensalão logo após sentença do STF – politica – politica – Estadão.

SBT volta a zombar Record pelo pífio ibope olímpico

A disputa por medalhas não tem animado a audiência, mas a competição da temporada entre os canais abertos é obra declarada. Ao mesmo tempo em que adota postura diplomática na cobertura do assunto em seus telejornais, a Globo tem se poupado de exibir os baixos números da Record em praça pública, até porque o SBT tem assumido por ela esse papel. Esta semana, a rede de Silvio Santos distribuiu release com números que lhe davam vantagem sobre a “emissora dos Jogos Olímpicos” na terça. Na quarta, a Record deu o troco e se anunciou no segundo lugar, mas, anteontem, o SBT voltou a bater a outra por 6 pontos a 5, das 10h35 às 19h29. Os dados são da Grande São Paulo.

Beba na fonte: SBT volta a zombar de ibope olímpico – cultura – versaoimpressa – Estadão.

Censura em massa: PT quer proibir termo ‘mensalão’ e trocar por ‘ação penal’

Advogados do PT querem proibir a imprensa de usar a palavra “mensalão”. Em reunião nesta sexta-feira, 3, em São Paulo, cerca de 30 advogados decidiram que tomarão “providências jurídicas”, para que seja utilizada a designação “Ação Penal 470″, quando se referir ao suposto pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio político ao governo Lula.

O coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio de Carvalho, disse que a palavra “mensalão” exprime juízo de valor pejorativo. Sua principal queixa é contra o uso feito pela TV Globo e pela Globo News, “que muitas vezes escrevem a palavra até em negrito”. E completa: “Uma concessão pública não deveria divulgar teses, apenas informações para o público”.

A preocupação é com a repercussão do julgamento nas eleições. Primeiro tentarão resolver a situação com a mídia. Se não funcionar, entrarão na Justiça.

Beba na fonte: PT quer censurar termo ‘mensalão’ e trocar por ‘ação penal’ – politica – versaoimpressa – Estadão.

Ibope: ACM Neto lidera com 40% das intenções de voto em Salvador

O candidato ACM Neto (DEM) lidera com 40% de intenção de votos, a primeira pesquisa para prefeito de Salvador feita pelo Ibope e divulgado na noite desta sexta-feira pela TV Bahia (Globo). Em segundo lugar aparece Nelson Pelegrino (PT) com 13%, seguido de Mário Kertész (PMDB) com 8%, Márcio Marinho (PRB) com 6%, Tadeu da Luz (PRTB) com 1% e Hamilton Assis (PSOL) não pontuou. A pesquisa registrou 20% de votos brancos e nulos e indecisos 11%. 602 eleitores foram ouvidos entre os dias 31 de julho e 2 de agosto. A margem de erro é 4%. A pesquisa está registrada no TRE com o número 00047/2012.
O Ibope também sondou como a população da capital baiana avalia os governos do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PP) e do governador Jaques Wagner (PT). 55% dos entrevistados acham a administração do prefeito péssima, 13% ruim (reprovação de 68%), 25% regular e 5% boa e 1% ótima. O governador teve sua gestão considerada péssima por 31%, ruim 14% (reprovação de 45%), 37% regular, 14% boa e 2% ótima.

Beba na fonte: Ibope: ACM Neto lidera com 40% das intenções de voto em Salvador – O Globo.

Márcio Lacerda lidera com 43% das intenções de voto em BH

O candidato à reeleição do PSB à prefeitura de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, lidera a pesquisa de intenção de voto do Ibope divulgada nesta sexta-feira, com 43%. Ele é seguido pelo petista Patrus Ananias, com 21% das intenções de voto. Maria da Consolação (PSOL) tem 1% e outros três candidatos não pontuaram – Dr. Alfredo Flister (PHS), Pepê (PCO) e Tadeu Martins (PPL). As intenções de voto em branco ou nulo somam 15%, e não sabe ou não respondeu, 19%.
A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e realizada entre os dias 31 de julho e 02 de agosto. Foram ouvidas 805 pessoas em Belo Horizonte. A margem de erro máxima é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), sob o número 00173/2012.
O Ibope avaliou também o índice de rejeição dos candidatos. Na pesquisa, 14% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum no candidato Pepê. Marcio Lacerda e Vanessa Portugal tiveram o mesmo índice de rejeição, 13%. Na sequência, aparecem Patrus Ananias (12%), Maria da Consolação (7%), Tadeu Martins (6%) e Dr. Alfredo Flister (4%). O levantamento também aponta que 29% poderiam votar em qualquer um dos candidatos. Já 26% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

Beba na fonte: Márcio Lacerda lidera com 43% das intenções de voto em BH – O Globo.

Ibope: Eduardo Paes tem 49% das intenções de voto no Rio

O prefeito do Rio e candidato à reeleição pelo PMDB, Eduardo Paes, lidera com folga a primeira pesquisa de intenção de voto realizada pelo Ibope sobre a corrida eleitoral carioca. No estudo, encomendado pela TV Globo e divulgado nesta sexta-feira, Paes aparece com 49% das intenções de voto; Marcelo Freixo, candidato do PSOL, fica em segundo, com 8%, e Rodrigo Maia, do DEM, aparece em terceiro, com 5% das menções.Feita entre o dia 31 de julho e esta sexta-feira, a pesquisa ouviu 805 pessoas e, com uma margem de erro de três pontos percentuais (para cima ou para baixo), indica ainda que o tucano Otavio Leite tem 3% das intenções de voto, e Aspásia Camargo, do PV, 2%.
Os candidatos Fernando Siqueira, do PPL, e Cyro Garcia, do PSTU, registraram, cada um, 1% das menções, e Antônio Carlos, do PCO, não pontuou. Os votos em branco e nulos somaram 17%, e 14% dos entrevistados não quiseram ou não souberam responder.
Na mesma pesquisa, registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) sob o número 00031/ 2012, o Ibope avaliou dois outros pontos. Perguntou aos entrevistados qual dos candidatos à prefeitura do Rio não receberia seu voto e solicitou uma avaliação da administração de Paes à frente da prefeitura.
Maia apareceu como o nome mais rejeitado, com 26% das menções, e Paes, cuja administração foi classificada como “boa” ou “ótima” por 46% das pessoas, ficou em segundo, com 20%.
— Até o dia 1º de setembro, a minha única preocupação é que a avaliação da administração de Paes não melhore — disse Maia, ao comentar o resultado da pesquisa. — A aprovação do governo dele tem que ficar na casa dos 40%, porque isso provocaria um segundo turno.
Com relação ao alto índice de rejeição, Maia foi objetivo:
— Também não me preocupo com isso porque a margem de erro informada na pesquisa nos iguala. Eu e Paes ficaríamos, os dois, com 23%.
Na avaliação sobre o candidato mais rejeitado, 14% dos entrevistados disseram que poderiam votar em todos, e 29% não souberam ou não quiseram responder à pergunta.
Freixo, que teve 9% de rejeição, comentou os resultados da pesquisa do Ibope por meio de uma nota:
“Fico satisfeito com o resultado dessa pesquisa de intenção de voto que não muda de modo algum o que foi identificado pela pesquisa anterior, do Instituto Datafolha. Nossa candidatura permanece em segundo lugar, com um baixo índice de rejeição e outros fatores que nos garantem ampla possibilidade de expansão ao longo da campanha rumo ao segundo turno”.
No dia 21 de julho e usando metodologia diferente, o Datafolha divulgou uma pesquisa em que Paes aparecia com 54% das intenções de voto. Na época, Freixo tinha 10%, e Maia, 6%.

Beba na fonte: Ibope: Eduardo Paes tem 49% das intenções de voto no Rio – O Globo.

Serra e Russomanno estão empatados na corrida em SP

Os candidatos José Serra (PSDB) e Celso Russomanno (PRB) aparecem tecnicamente empatados na corrida pela prefeitura de São Paulo, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira. No levantamento, encomendado pela TV Globo e o jornal “O Estado de S.Paulo”, Serra tem com 26% das intenções de voto e Russomanno, 25%. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Em terceiro lugar apareceu Soninha Francine (PPS), com 7%. O candidato do PT, Fernando Haddad, ficou em quarto lugar, com 6%. Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT) obtiveram 5%, cada. Carlos Giannazi (PSOL), Ana Luíza Figueiredo (PSTU) e José Maria Eymael (PSDC) tiveram 1%. Levy Fidelix não pontuou.
Essa é a primeira pesquisa Ibope realizada com o cenário oficial de candidatos. Por esse motivo, não há comparações sobre a evolução de desempenho dos candidatos. Brancos e nulos somaram 14% e indecisos 9%.
O cenário é parecido ao da pesquisa Datafolha divulgada em 21 de julho. Serra e Russomanno apareceram, pela primeira vez, empatados na disputa, mas com uma vantagem do tucano maior do que a verificada pelo Ibope. Serra tinha 30% e Russomanno, 26%. Bem atrás, também em empate técnico, estavam Haddad e Soninha, com 7%, Chalita com 6% e Paulinho, 5%.
A pesquisa Ibope também mediu o índice de rejeição dos concorrentes à vaga de prefeito na capital paulista. Serra lidera o ranking, com 34% dos entrevistados dizendo que não votariam nele. Paulinho e Soninha aparecem com 13%, seguidos por Eymael e Fidelix, 11%, Haddad, 9% e Russomanno e Chalita, 8%.
Foram entrevistados 805 eleitores da capital entre os dias 31 de julho e 2 de agosto. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral com a numeração 00198/2012.
A sondagem foi divulgada um dia depois do primeiro debate na TV entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, promovido pela TV Bandeirantes. Apesar de temas como o mensalão e a aliança entre o PT e o PP de Paulo Maluf terem sido explorados, no geral, o clima de enfrentamento entre os candidatos foi exceção no debate. Em vez do tom duro presenciado na campanha nas ruas, o que se viu em quase três horas de transmisão foram discursos amenos e cheios de cordialidades. Os principais prefeituráveis tentaram evitar embates diretos entre si e sobrou para os postulantes de partidos menores, como Giannazi e Fidelix puxarem os poucos momentos de confronto e descontração.
Giannazi foi democrático nos ataques. Primeiro, provocou Haddad com o julgamento do mensalão e a aliança com Maluf. Depois, mirou em Serra e citou livro “Privataria tucana” ao falar de corrupção no ninho tucano. Os petistas se surpreenderam com a disposição do socialista. A equipe de marketing de Serra caiu na gargalhada. Mas, quando o tucano passou a alvo, o coordenação de comunicação foi até a direção do debate se queixar dos ataques. Da plateia, os petistas aplaudiram. Marqueteiro de Haddad, João Santanna, acompanhou a performance de Giannazi sem se levantar da cadeira.

Beba na fonte: Serra e Russomanno estão empatados na corrida em SP – O Globo.

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