Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “agosto 5, 2012”

MP quer aumentar pena máxima para 50 anos e mais rigor para homicídio e latrocínio

Promotores do Primeiro Tribunal do Juri de São Paulo querem aproveitar a oportunidade aberta pela reforma do Código Penal para aumentar em 20 anos o tempo máximo de cumprimento das penas. Atualmente, um condenado pode permanecer preso por até 30 anos. A proposta dos promotores é elevar o limite para 50 anos.

Em documento entregue à comissão encarregada de analisar o anteprojeto de reforma do Código Penal, os representantes do Ministério Público sugerem também o aumento das penas para os crimes de homicídio qualificado, latrocínio e sequestro  de 30 para 40 anos de reclusão.

O texto traz um alerta:”o legislador deve ficar atento ao clamor social, buscando solução adequada, antes que vários condenados a crimes gravíssimos, perigosos para viver em sociedade, deixem o cárcere, voltando à sociedade para cometer novos delitos, fazendo novas vítimas”.

Leia, abaixo, a íntegra da proposta.

 

PROPOSTAS DE PENAS PARA OS CRIMES DE HOMICÍDIO E LATROCÍNIO NO ANTEPROJETO DE CÓDIGO PENAL 

 

Os Promotores de Justiça do I Tribunal do Júri da Cidade de São Paulo vêm propor alterações ao ANTEPROJETO DE CÓDIGO PENAL:

.. Aumento do limite para cumprimento da pena de prisão para 50 anos.

“Art. 91. O tempo de cumprimento da pena de prisão não pode ser superior a cinquenta anos.

§ 1º Quando o agente for condenado a penas de prisão cuja soma seja superior a cinquenta anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo.

§2º Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, com o limite máximo de cinquenta anos, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido.”

 .. Aumento das penas do homicídio.

Homicídio

“Art. 121. Matar alguém:

Pena – prisão, de oito a vinte e cinco anos.”

Forma qualificada

“§ 1º Se o crime é cometido:

(…)

 Pena – prisão, de quinze a quarenta anos.”

3º.. Aumento da pena do latrocínio (§ 5º do art. 157)

Roubo com lesões graves e latrocínio

“§ 5º Se, para praticar o fato, assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa, o agente causa lesão corporal grave, em qualquer grau, na vítima ou em terceira pessoa, a pena será de prisão de sete a quinze anos; se causa a morte, de vinte a quarenta anos.”

 .. Aumento da pena da extorsão mediante sequestro com morte.

 Extorsão mediante sequestro (§ 2º do art. 159)

§ 2º Se, para praticar o fato, assegurar a impunidade do crime ou a detenção da vantagem, o agente causa lesão corporal grave, em qualquer grau, na vítima ou em terceira pessoa, a pena será de dezesseis a vinte e quatro anos; se causa a morte, de vinte e quatro a quarenta anos.

 Justificativas        

I…  

                     Atualmente dispõe o art. 75 do Código Penal que “o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos”.

                            A doutrina identifica dois motivos para que a regra exista:

                           1º) a Constituição Federal estabelece no artigo 5º, inc. XLVIII, que “não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XLX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) banimento; e) cruéis”. Afirma-se que o cumprimento de pena superior a trinta anos resultaria em verdadeira pena de caráter perpétuo;

                           2º) porque a mesma Constituição adotou o princípio da humanidade, seria desumano deixar uma pessoa no cárcere por prazo superior ao ali estabelecido. Afirmam Reale Júnior, Dotti, Andreucci e Pitombo: “uma das condições para preservação da identidade moral do condenado, com positivas repercussões na disciplina carcerária, está na possibilidade de vislumbrar a liberdade”. (Apud Guilherme de Souza Nucci, Manual de Direito Penal, 6ª edição, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 518).

                           Ora, primeiramente, aumentar o limite máximo de cumprimento da pena, como ora se propõe, não significa erigir a pena ao caráter perpétuo que a Constituição Federal proíbe.

                           Perpétua é a pena sem fim. Pessoas que cometem delitos gravíssimos, como o latrocínio, por exemplo, cuja pena mínima adotada pelo atual Código Penal é de vinte anos ou o sequestro com resultado morte, cuja pena mínima é de vinte e quatro anos, não dispõe de condições de viver em sociedade.

                           Imaginemos agora a hipótese de pessoas que cometam diversos delitos gravíssimos em série, o que não é absolutamente ilógico existir. Lembremos os casos do “Bandido da Luz Vermelha”, condenado a 326 anos de reclusão ou ainda de “Chico Picadinho”, também com pena elevadíssima. Nucci (op. Cit., p. 519) afirma, com propriedade que “não é menos verdade que o agente merecedor de penas elevadíssimas – incapacitando-o a receber os benefícios da execução penal antes dos 30 anos – destratou o ser humano, não teve o menor cuidado em preservar os direitos e os valores da sociedade em que vive, nem agiu com ‘humanidade’ ao fazer tantas vítimas”.

                           Por outro lado, é absolutamente oportuna a lição de Alberto Silva Franco, em seu clássico Código Penal e sua interpretação jurisprudencial, 8ª. Edição, Revista dos Tribunais, p. 406, onde afirma que “a pena deve ter um lapso de tempo previamente determinado: deve ter uma extensão temporal que corresponda a determinada intensidade”.

                           Como dito alhures: a pessoa que comete delitos gravíssimos, cuja somatória atinge limites temporais altíssimos, deve ter uma resposta efetiva do Estado no sentido de que o mínimo que se espera é o seu afastamento da vida em sociedade.

                           O legislador, portanto, deve ficar atento ao clamor social, buscando solução adequada, antes que vários condenados a crimes gravíssimos, perigosos para viver em sociedade, deixem o cárcere, voltando à sociedade para cometer novos delitos, fazendo novas vítimas.

II…    

                 O Brasil é um dos países mais violentos do mundo, com índices criminais alarmantes, além de ser conhecido internacionalmente como paraíso de criminosos internacionais, que aqui buscam a impunidade.

                 Segundo relatório apresentado pelo Observatório de Segurança da Organização dos Estados Americanos (OEA) em março deste ano, na capital mexicana, o Brasil é o país com o maior número de homicídios dolosos do continente, à frente de Colômbia, México e Estados Unidos.  O Brasil lidera os casos de homicídio doloso, com 40.974 assassinatos, conforme dados de 2010.

                  Também é alarmante o número de latrocínios, que têm aumentado assustadoramente, segundo estatísticas oficiais e não oficiais publicadas nos meios de comunicação.

                  Portanto, impõe-se uma resposta estatal adequada e dura, com o aumento das penas de tais delitos, bem como o aumento do limite para cumprimento das penas, como explicitado acima.

Promotores de Justiça do 1º Tribunal do Júri de São Paulo 

GM e metalúrgicos acertam suspensão do contrato de 940

Após nove horas de reunião, a General Motors e o sindicato dos metalúrgicos acertaram que 940 funcionários terão suspenso o contrato de trabalho por um período de 100 dias na unidade de São José dos Campos (SP).

Nesse período, eles vão receber bolsa do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e apenas parte do salário será pago pela montadora.

O acordo evita a demissão de 1.840 empregados considerados excedentes.

Os demais 900 vão continuar na linha de montagem do modelo Classic.

A GM vai ainda ampliar o PDV (Plano de Demissão Voluntária) para todos os 7.500 funcionários da fábrica.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – GM e metalúrgicos acertam suspensão do contrato de 940 – 05/08/2012.

Deus não existe

MARIO CESAR CARVALHO

Os mais apressados cravaram: foi uma derrota. Mas no final a goleada de 9 a 2 poderá se revelar uma vitória.

O advogado Márcio Thomaz Bastos perdeu por esse placar no primeiro dia do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, na quinta-feira, ao propor a divisão do processo para que os réus sem mandato fossem para a primeira instância.

Mas um dia a mais pode separar a derrota da vitória, na visão dos advogados.

O objetivo não revelado de Bastos ao propor o desmembramento do processo, segundo a Folha apurou com seus colegas, era ganhar tempo para evitar pelo menos um voto certo pela condenação dos réus: o do ministro Cezar Peluso, que se aposenta compulsoriamente em 3 de setembro, quando fará 70 anos – limite de idade no tribunal.

O sonho é fazer com que o julgamento não acabe antes das eleições municipais de 7 de outubro, para evitar o dano que eventuais condenações poderão causar ao PT.

“Não houve derrota. Ele não perdeu a bala de prata. Era uma questão preliminar, estritamente processual”, afirma Alberto Toron, um ex-discípulo de Bastos que agora defende o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) no processo do mensalão.

O também criminalista Roberto Telhada, parceiro de Bastos em dezenas de casos desde os anos 90, diz que sua iniciativa não pode ser vista como uma mera chicana -o jargão que designa tentativas de retardar uma ação judicial com recursos processuais.

“Ele é um estrategista extraordinário e usa todas as possibilidades e brechas da lei”, afirma. “Isso é legítimo.”

Ministro da Justiça no governo Lula, Bastos, 77, é considerado o principal criminalista em atividade hoje no país. No mensalão, ele defende o ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado. Sua influência no processo pode ser medida de várias maneiras, e não apenas pelo que fez na semana passada.

Ele é consultado pelos colegas o tempo todo. Na sexta-feira, liderou um movimento para que os advogados se recusassem a iniciar suas apresentações no mesmo dia se o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encerrasse a sua exposição a tempo.

Amigos dizem que foi dele a ideia de caracterizar a distribuição do dinheiro do mensalão ao PT e seus aliados como mero caixa dois de campanha, uma infração menor do ponto de vista legal. Outros advogados atribuem a tese a Arnaldo Malheiros Filho, o advogado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares de Castro, outro réu no processo.

A mesma estratégia foi usada há quase duas décadas, quando o então prefeito Paulo Maluf (1993-1996) foi acusado de superfaturar a construção do túnel Ayrton Senna. Bastos teria ajudado a CBPO, uma das empreiteiras responsáveis pela obra, a criar a tese. Com a confissão de caixa dois, a CBPO foi multada pela Receita, mas escapou de acusações mais graves, como corrupção e lavagem de dinheiro. Maluf nega qualquer desvio nas obras do túnel.

Bastos teve duas escolas: a política na provinciana Cruzeiro (SP), onde foi vereador pela Arena, o partido que apoiava a ditadura militar, e os tribunais do júri. Ele já atuou em mais de mil casos, de acordo com suas contas.

Sua especialidade no início eram os crimes de sangue. Um de seus casos mais célebres é de 1981, quando atuou na acusação contra o cantor Lindomar Castilho, que matou a mulher, Eliane de Grammont, com cinco tiros. Bastos conseguiu desfazer a ideia hegemônica à época de que o ciúme era atenuante em crimes passionais. Foi uma guinada jurídica e uma vitória histórica para as feministas.

Mais tarde, trocou os crimes de sangue pelos casos políticos. Não fazia distinções ideológicas. Defendeu Lula quando era líder sindical, numa época em que tinha clientes detestados pelos petistas, como o senador Antonio Carlos Magalhães, o ex-governador Orestes Quércia e o banqueiro Angelo Calmon de Sá.

A amizade com Lula levou-o para o Ministério da Justiça, onde ficou de 2003 a 2007, ajudou o então presidente a se defender durante a crise do mensalão e influiu no processo de seleção de 5 dos 11 ministros que participam do julgamento do caso no STF.

Thomaz Bastos temia perder seus clientes endinheirados ao deixar o governo e voltar à advocacia, mas ocorreu o contrário. Seu escritório continuou cheio. Lula ligou para ele na última quinta-feira para lhe desejar boa sorte.

Alguns de seus amigos se disseram surpresos com o apelido reverente que seus colegas começaram a usar ao se referir a ele nos últimos dias: “God”, Deus em inglês.

O responsável pelo apelido foi o advogado José Luís Oliveira Lima, que defende o ex-ministro José Dirceu. Para alguns amigos, é tudo invencionice da mídia. “Nunca vi ninguém chamá-lo assim”, diz Telhada. “Essa coisa de Deus não existe”, diz Toron.

Se Bastos conseguir adiar o julgamento do mensalão para depois das eleições, a piada de ocasião pode ganhar ares de verdade -pelo menos para o PT e parte dos réus.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Deus não existe – 05/08/2012.

No lucro

Eliane Cantanhêde

O procurador-geral Roberto Gurgel contou uma história com começo, meio e fim, mas recorrendo mais a relatos de testemunhas e menos a provas documentais. Esse vai ser o centro do julgamento.

Na profusão de nomes, valores, datas e fatos, algo aparentemente periférico se destaca: uma conta aritmética. Marcos Valério, o pivô, foi oito vezes ao Banco Central defender interesses do Banco Rural, que “emprestou” R$ 32 milhões para o esquema e foi brindado depois com R$ 1 bilhão na liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco. Negócio da China!

Gurgel explicou em bom e claro português, citando trechos de depoimentos e as páginas em que podem ser encontrados: os empréstimos eram “falsos, fictícios”, apenas para encobrir “doações em troca de favores” acertados depois “entre quatro paredes da Presidência”.

Ou seja, para que o dinheiro sujo circulasse entre o público e o privado, saísse do Banco do Brasil e de órgãos públicos para caixas de partidos e bolsos de políticos aliados ao Planalto de Lula e Dirceu.

Em resumo, o Banco Rural e o BMG simulavam empréstimos para encobrir a roubalheira e, em troca, ganhavam vantagens altamente compensadoras do governo Lula.

Segundo Gurgel, as notas eram envoltas em faixas com os logotipos do BB ou dos bancos privados e as quantias eram tão grandes que circulavam em caixas-fortes!

Na sua fala, de cinco horas, ele apontou José Dirceu como o “autor intelectual” do esquema e Delúbio Soares e Marcos Valério como “elos” entre o núcleo político e os núcleos operacional e financeiro.

Mas isso já foi amplamente dito, escrito, comentado. O que se quer saber é se, além da eventual pena dos culpados, essas quantias milionárias serão devolvidas aos cofres públicos.

Senão, mesmo com condenações, os envolvidos continuarão no lucro e ficará comprovado: o crime realmente compensa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – No lucro – 05/08/2012.

Eleições: em 17 capitais, PT só é protagonista em 2

Após um mês de campanha eleitoral, as candidaturas do PT não decolaram na maioria das capitais do país. Das 17 onde tem candidatura própria, o partido só é líder, por enquanto, em Recife e Goiânia, e mostra-se competitivo em Belo Horizonte, Rio Branco e Salvador, onde está na segunda colocação nas pesquisas eleitorais.
Nas demais capitais brasileiras, os petistas aparecem, até agora, como coadjuvantes, na terceira, quarta ou até quinta posições. Apesar do cenário desfavorável, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral destas eleições, não tem manifestado disposição ou saúde para socorrer a maioria desses candidatos, o que tem frustrado muitos petistas que apostam na sua participação para virar o jogo. Lula tem se queixado de um inchaço na região da garganta e do retorno da bursite.
O diagnóstico dos líderes da sigla é que o partido poderá encolher nas capitais do país após os resultados nas urnas este ano.
O número de candidatos petistas em capitais em 2012 já é inferior ao do pleito de 2008, quando o partido lançou 19 postulantes. Atualmente, o partido controla seis prefeituras de capitais: Fortaleza, Palmas, Porto Velho, Recife, Vitória e Rio Branco.
Lula subirá nos palanques de Haddad, Patrus e Costa
A presença do ex-presidente Lula em palanques está assegurada, até agora, somente nas campanhas de seus ex-ministros Fernando Haddad (São Paulo), Patrus Ananias (Belo Horizonte) e Humberto Costa (Recife). Das três campanhas, a de São Paulo é a que inspira mais cuidados. Pesquisa Ibope, divulgada sexta-feira, mostrou o petista com 6% das intenções de voto, amargando o quarto lugar. José Serra (PSDB) tem 26% e Celso Russomanno (PRB), 25%.
Exames que Lula fará amanhã no Hospital Sírio-Libanês vão definir seu grau de engajamento em campanhas pelo país. Mas assessores já adiantaram que ele não poderá atender todos os pedidos de ajuda recebidos de candidatos.
Por enquanto, o que está previsto é a primeira gravação para o programa de Haddad no horário eleitoral gratuito esta semana. Semana passada, ele fez uma sessão de fotos com cerca de 120 postulantes a prefeito do PT e de partidos aliados. Todos passaram o dia num hotel na capital paulista esperando a vez para registrar uma imagem com Lula.
Estavam nesse périplo os candidatos a prefeito Fernando Mineiro (Natal), Vander Loubet (Campo Grande), Lúdio Cabral (Cuiabá), Adão Villaverde (Porto Alegre), Alfredo Costa (Belém), Fátima Cleide (Porto Velho), Elmano de Freitas (Fortaleza) e Washington Oliveira (São Luís). São os petistas com pior desempenho nas capitais. Villaverde aparece nas pesquisas mais recentes com cerca de 3% da intenções de voto. Em Natal, Mineiro, estacionado em 5%, também não se mostra competitivo.
Apesar das restrições impostas a Lula pela saúde debilitada, candidatos propagam em seus redutos eleitorais que terão sua presença na campanha. Washington Oliveira, que com 6% nas pesquisas em São Luís, postou no Twitter que Lula garantiu participação.
— O ex-presidente Lula me disse que viria a São Luís — disse, otimista, Oliveira.
A maioria tem esperança na participação do ex-presidente para alavancar as candidaturas. O senador Wellington Dias, que concorre em Teresina, explica o motivo do assédio:
— Há um sentimento de saudade muito forte da população. A simples presença dele já ajudaria muito.
Em situação mais confortável como líder das pesquisa em Recife, Humberto Costa conta com, pelo menos, três visitas de Lula na cidade.
— Eu gostaria que ele participasse de eventos de rua, mas vamos ver o que é possível construir — afirmou.

Beba na fonte: Eleições: em 17 capitais, PT só é protagonista em 2 – O Globo.

Desembargadores: rendimentos em alta, produtividade em baixa

Em junho, os desembargadores do país receberam, em média, remunerações superiores ao atual teto constitucional brasileiro, o que, mesmo assim, não tem representado alta produtividade no andamento dos processos. A conclusão é de levantamento realizado pelo GLOBO, que cruzou a folha de pagamento dos tribunais de Justiça estaduais com pesquisa realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a taxa de congestionamento das ações que correm na segunda instância do Judiciário.
O GLOBO pesquisou folhas de pagamento dos 16 tribunais de Justiça que cumpriram, total ou parcialmente, a determinação que obrigou a divulgação nominal dos salários de magistrados e servidores. O vencimento médio dos desembargadores, no mês de junho, foi de R$ 31,8 mil, montante acima do teto constitucional, de R$ 26,7 mil.
A última edição da Pesquisa Justiça em Números, do CNJ, apontou no Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJ-MT), no qual o rendimento médio dos desembargadores chegou a R$ 49.501,97, que a taxa de congestionamento foi de 52,6%, acima da média nacional, que é de 48,2%. No período, os maiores valores foram pagos aos desembargadores Paulo da Cunha (R$ 64.708,54) e Dirceu dos Santos (R$ 57.383,31). O órgão de justiça alega que o mês foi atípico, uma vez que os magistrados receberam parte da indenização de férias não gozadas, “após o acúmulo de dois períodos”.
Com uma taxa de congestionamento de 35,1%, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) pagou em junho aos seus desembargadores um valor médio de R$ 39.878. O maior rendimento foi do desembargador Plinio Pinto Coelho Filho, que recebeu, no período, R$ 119.764,07, o maior valor encontrado pelo GLOBO nas folhas de pagamento. No Rio, 30% dos desembargadores e juízes receberam acima do teto. O menor vencimento foi recebido pela juíza Ana Paula Rodrigues Silvano ( R$ 11.028,40).
No Ceará, que possui a maior taxa de congestionamento do país, 70,5%, os desembargadores tiveram um rendimento médio, em junho, de R$ 33.331,66. Em São Paulo, o maior TJ do país, que teve um percentual de 63,2% de congestionamento, apresentou uma média salarial de R$ 30.404.
No Amazonas, média salarial alcançou R$ 55,9 mil
Em meio à discrepância entre rendimentos e produtividade, o levantamento constatou casos de órgãos que apresentaram rendimentos altos, porém com baixo índice de congestionamento. O caso mais emblemático foi no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), cujos desembargadores receberam, em média, no mês de junho, R$ 55.985,94.
A taxa de congestionamento foi uma das menores do país, de 25,1%. Por lá, o salário mais alto foi o da desembargadora Maria das Graças Figueiredo, que teve um rendimento, no período, de R$ 79.036.57.
Um outro episódio semelhante foi o do Tribunal de Justiça do Amapá (TJ-AP), no qual os desembargadores tiveram uma média salarial de R$ 37.299,44. O porcentual de congestionamento, segundo a última edição da Justiça em Números do CNJ, foi de 19,9%. No estado, o desembargador Mário Gurtyev de Queiroz recebeu, no período, R$ 71.706,89.
No Maranhão, a taxa de congestionamento foi de 29,5%, enquanto a média salarial chegou a R$ 34.185,86.

Beba na fonte: Desembargadores: rendimentos em alta, produtividade em baixa – O Globo.

Defesa de mensaleiros reúne mais de 150 advogados

Um batalhão de mais de 150 advogados dos 30 maiores escritórios de criminalistas do Brasil entra em cena a partir de segunda-feira para, numa ação coordenada, tentar livrar seus clientes da condenação no julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal. Cada um dos advogados principais de cada réu terá uma hora para sua sustentação oral perante os 11 ministros, o que significa que eles passarão oito dias, pelo menos, defendendo seus clientes e mirando no Ministério Público, que consideram o inimigo comum de todos.

A maior parte do grupo troca figurinhas e não investe em conflito entre eles. Muitos reconhecem que estão trabalhando num julgamento histórico. Dizem ser atípico, por reunir o maior número de advogados já visto num caso.
Na linha de frente estão grandes criminalistas e outros advogados mais modestos — tanto que o preço cobrado varia de R$ 6 milhões a R$ 500 mil, além de dois que trabalham de graça. Mas nenhum deles fala em cifras. É o caso de Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e autor da denúncia do mensalão; e de Márcio Silva, que participou da defesa de petistas no início do processo.
Réus tem mais de um advogado

Poucos réus têm apenas um advogado fazendo sua defesa. Normalmente, são grupos de cinco a sete que se dedicam exclusivamente a um único cliente. Esses batalhões acompanharam, além dos réus, os mais de 700 testemunhos de todo o processo país afora.
O mineiro Marcelo Leonardo, responsável pela defesa de Marcos Valério, trabalha com outros sete advogados no caso. Lembrando que os bens de seu cliente estão bloqueados desde 2005, mas evitando falar quanto cobra, ele conta que viajou o Brasil inteiro, do Acre ao Paraná, para acompanhar o depoimento de testemunhas e buscar provas para isentar o réu mais encrencado na Ação Penal 470, o conhecido processo do mensalão.
Ele é um dos que confirmam que o corpo de advogados do mensalão trabalha afinado, mirando derrotar o Ministério Público.
— Nos reunimos sempre para discutir as estratégias porque nosso adversário comum chama-se Ministério Público Federal. Somos todos muito amigos e, se tem um conflito entre a gente, isso é munição para a acusação — disse Marcelo Leonardo.
Todos fazem questão de dizer que participar do caso dá muita visibilidade, por ser um processo atípico, com muita repercussão na mídia.
— Esse é o maior caso de que (o escritório) Luiz Fernando Pacheco já participou. É histórico — diz o advogado do ex-presidente do PT José Genoino, o próprio Pacheco, que também trabalha com outros sete advogados auxiliares.
Pacheco igualmente nega-se a detalhar os “cinco dígitos” que cobra de seu cliente:
— Cobrei uma quantia muito módica porque ele não pode pagar. O PT está ajudando. O Genoino é tão pobre que não tem um gato para puxar pelo rabo.
Márcio Silva, que não é criminalista, atuou na defesa dos ex-deputados petistas Professor Luizinho e Paulo Rocha de graça, no início. Mas depois sublocou os escritórios criminalistas de Piero Paulo Botini , que responde por Luizinho; e de João Gomes, que defende Paulo Rocha.
— Faço isso porque são meus amigos. Isso é relativo. Qualquer advogado criminalista tem interesse em estar neste que é chamado de o processo do século, que tem uma enorme repercussão de mídia. É um processo atípico. Não tenho notícia de um processo envolvendo tantos advogados como este — diz Márcio Silva.
Já Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado de Roberto Jefferson, afirma não estar cobrando nada do seu cliente, de quem é amigo e colega.
— Ele não tem dinheiro. É meu amigo, meu colega de escritório e companheiro de partido. Ele me pediu para patrociná-lo, e eu aceitei. Quando vejo uma ovelha cercada por dez cachorros, sou advogado da ovelha.
Uma das estrelas dessa constelação de advogados, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos trabalha apenas com duas secretárias e uma advogada. Prefere, em vez de montar uma grande estrutura, associar-se a escritórios de amigos.
Já Antonio Carlos de Almeida Castro — o Kakay — tem em seu escritório, atuando na defesa do publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes, um grupo de cinco advogados, além de estagiários.

Beba na fonte: Defesa de mensaleiros reúne mais de 150 advogados – O Globo.

Nos bastidores, ministros apontam fragilidade na acusação do mensalão

Felipe Recondo e Fausto Macedo

A contundência da sustentação oral do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que incluiu pedidos de prisão de 36 dos 38 réus do processo do mensalão, não livrou seu trabalho de críticas reservadas de ministros do Supremo Tribunal Federal e de autoridades que acompanharam as investigações do escândalo.

O potencial beneficiário de alegadas falhas no trabalho do Ministério Público Federal é o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado como “mentor intelectual” do que Gurgel chamou de “mais atrevido caso de corrupção e desvio de recursos no Brasil com o objetivo de comprar parlamentares”.

A corte está dividida. Alguns ministros do Supremo usarão o que consideram fragilidades da acusação para votar pela absolvição dos principais réus do processo, que começou a ser julgado na quinta-feira, 2. Outros magistrados, mesmo com reprovações à peça acusatória, mostram-se dispostos a condenar os protagonistas do escândalo que abalou o governo Luiz Inácio Lula da Silva em 2005.

Denúncia. “É uma denúncia para a galera”, disse uma autoridade que acompanha o caso desde o início. Segundo ela, o erro da acusação foi não ter imputado a Dirceu o crime de lavagem de dinheiro – o ex-ministro responde por corrupção ativa e formação de quadrilha. No início, acrescentou, acreditava-se que tinha sido “bobeada” do Ministério Público Federal, do então procurador-geral Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia.

Além de Dirceu, na avaliação de especialistas, deveriam ser denunciados formalmente por lavagem de dinheiro o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares – ambos assinaram empréstimos com o Banco Rural que o Ministério Público afirma serem de fachada, feitos para não serem pagos e o dinheiro, usado no pagamento de compra de votos no Congresso.

“Os que tinham o domínio financeiro do esquema ficaram de fora da lavagem de dinheiro. Formação de quadrilha, apesar de apelo midiático, não leva a nada”, disse outra autoridade que acompanha de perto o processo.

Assim como Dirceu, também Genoino e Delúbio respondem por formação de quadrilha e corrupção ativa. Ambos ficaram de fora do enquadramento por lavagem de dinheiro, atribuído aos deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e Pedro Henry (PP-MT) e ao ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.

O crime antecedente à lavagem – requisito obrigatório para caracterizar o crime – foi o desvio de dinheiro público, segundo autoridades que participaram das investigações sobre o esquema. “A lavanderia foi pensada por eles. O PT se viu na necessidade de criar um sistema financeiro. Dirceu precisava de uma estrutura de lavagem de dinheiro. Delúbio tinha domínio, Dirceu tinha domínio, Genoino tinha domínio, eles não tinham que responder por lavagem de dinheiro?”, questiona um técnico que assessorou do início ao fim a CPI dos Correios.

Para esse técnico, prender no auge da investigação o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do mensalão, seria o tiro no coração do esquema.

“Ele (Marcos Valério) não resistiria. Havia motivos para a prisão, estava destruindo provas, foi flagrado. Mas a prisão do Marcos Valério não foi decretada”, lamenta o técnico.

Beba na fonte: Nos bastidores, ministros apontam fragilidade na acusação do mensalão – politica – politica – Estadão.

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