Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “agosto 6, 2012”

Ao vivo, a sessão de julgamento do Mensalão

Começa hoje a fase de apresentação dos argumentos da defesa dos réus do Mensalão. Nas próximas duas semanas, vamos assistir ao coro da BESTA de que o Mensalão é um delírio, produto da ilusão coletiva golpista de que tudo não passou de uma tentativa de apear Lula do Poder.

Para que você não perca um só momento da etapa que começa agora, o Blog decidiu transmitir ao vivo, com imagens da TV Justiça, o julgamento. Basta clicar sobre a imagem abaixo apra acompanhar a transmissão.

Kassab perde. Apoio de PSD a Lacerda é confirmado pela Justiça

O juiz eleitoral Rogério Alves Coutinho confirmou anteontem a liminar que havia concedido aos dissidentes do PSD de Belo Horizonte, mantendo a sigla aliada ao prefeito e candidato, Marcio Lacerda (PSB) -apoiado pelo senador Aécio Neves (PSDB).

A implicação prática dessa decisão é que Lacerda ganhará mais dois minutos de tempo na TV e deverá superar os 14 minutos. O candidato do PT, o ex-ministro Patrus Ananias, deve ficar com pouco mais de oito minutos.

Ao julgar o mérito favorável aos dissidentes, a Justiça impôs derrota ao presidente nacional do PSD, o prefeito paulistano Gilberto Kassab.

A pedido da presidente Dilma Rousseff, Kassab destituiu a comissão provisória do partido e nomeou uma comissão interventora, que registrou apoio a Patrus.

Nenhum dos argumentos da comissão interventora foi acatado pelo juiz.

Os aliados de Kassab alegaram que a cisão da aliança PT-PSB-PSDB em Belo Horizonte criou novo cenário político e por isso a convenção que decidira pelo apoio a Lacerda deveria ser anulada.

O juiz considerou que esse argumento não procede.

“Vamos insistir [com o recurso]“, disse Paulo Simão, que preside o PSD de Minas Gerais.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Apoio de PSD a Lacerda é confirmado pela Justiça – 06/08/2012.

Dilma avisa PT que não fará campanha para Haddad na TV

BERNARDO MELLO FRANCO

A presidente Dilma Rousseff avisou a aliados do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, que não deve mesmo participar da sua propaganda de TV no primeiro turno.

Segundo dirigentes da campanha, ela afirmou que só apareceria no programa eleitoral caso houvesse uma polarização clara entre o petista e José Serra (PSDB).

Como as pesquisas mostram Haddad muito atrás de Celso Russomanno (PRB) e em empate técnico com Gabriel Chalita (PMDB), Dilma disse que sua entrada na disputa prejudicaria dois partidos que apoiam seu governo.

Pelas projeções dos petistas, Haddad começará a crescer com o horário gratuito, que vai ao ar no próximo dia 21, mas só terá fôlego para ultrapassar Russomanno a partir da metade de setembro.

Neste cenário, os dois candidatos disputarão uma vaga no segundo turno contra Serra até as vésperas da eleição.

A neutralidade da presidente foi cobrada pela cúpula do PRB, que se reuniu com ela depois de Russomanno se aproximar de Serra. Segundo o presidente do partido, Marcos Pereira, Dilma prometeu não gravar para Haddad.

Ontem o candidato do PT disse não ter conversado com a ex-chefe sobre o tema, mas afirmou que não tentará pressioná-la a rever sua decisão.

“Tenho que compreender a posição da presidente e me submeter aos seus desígnios. Compreendo perfeitamente a decisão que ela tomar e o grau de envolvimento que ela vai ter”, disse Haddad.

“Vamos começar as gravações com o [ex] presidente Lula. Os dois são igualmente populares, e o presidente está 100% disponível para a campanha”, acrescentou.

O publicitário João Santana planeja gravar as primeiras cenas com o ex-presidente nesta quarta-feira.

Estrategistas da campanha reconhecem que a presença de Dilma seria fundamental para impulsionar o candidato na classe média e no eleitorado mais conservador.

Em Belo Horizonte, o núcleo da campanha do petista Patrus Ananias diz que não criou expectativa sobre a participação de Dilma na TV.

Aliados de Patrus dizem que não vão criar constrangimento à presidente, que deve decidir por conta própria se vai atuar na campanha.

Se as pesquisas indicarem que sua participação é importante, caberá a João Santana tentar convencê-la a gravar.

ERUNDINA

Após carreata na zona leste de São Paulo, Haddad disse que não comentaria as novas críticas de sua ex-vice Luiza Erundina (PSB) à aliança com o rival Paulo Maluf (PP).

“A Erundina basicamente recolocou o mesmo argumento de um mês atrás. Rigorosamente, não há o que comentar”, disse. “Respeito a posição dela, e fico muito feliz de ela estar me apoiando.”

Ele afirmou que Maluf não participará de sua campanha de rua. “Ele nem tem interesse. Todo mundo sabe disso.”

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dilma avisa PT que não fará campanha para Haddad na TV – 06/08/2012.

Petistas podem ajudar a sustentar defesa de Dirceu

O ex-deputado José Genoino e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares de Castro vão ajudar a sustentar a defesa do ex-ministro José Dirceu hoje, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) começar a ouvir os argumentos dos réus do mensalão, se reafirmarem as versões que mantêm desde o início do processo criminal.

Genoino presidia o PT e Delúbio administrava as finanças do partido quando o escândalo do mensalão veio à tona, há sete anos. Ambos sustentaram desde então que agiam sem prestar contas a Dirceu, que a Procuradoria-Geral da República aponta como o principal responsável pela montagem do mensalão.

A partir de hoje, os advogados dos 38 réus do mensalão terão uma hora cada um para defendê-los no plenário do STF. O tribunal espera concluir esta fase do julgamento na próxima semana.

O primeiro a falar será o advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima. Depois, será a vez de Luiz Fernando Pacheco, que defende José Genoino, e Arnaldo Malheiros Filho, o advogado de Delúbio.

Dirceu afirma que se afastou da administração do PT quando virou ministro e não sabia nada sobre os empréstimos que alimentaram o mensalão e os pagamentos feitos aos partidos que apoiavam o governo no Congresso.

O ex-deputado Roberto Jefferson, que também é réu no processo, disse em seus depoimentos que todos os acordos negociados pelos partidos aliados com Genoino e Delúbio precisavam ser homologados por Dirceu depois.

E o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado pela Procuradoria como o operador do mensalão, disse ter sido informado por Delúbio de que Dirceu sabia dos empréstimos que ajudaram a financiar o esquema.

Genoino assinou os contratos que viabilizaram alguns desses empréstimos, mas alega que fez isso apenas por obrigação formal. Segundo ele, quem cuidava de dinheiro no partido era Delúbio.

O ex-tesoureiro assumiu a responsabilidade pela montagem do esquema com Marcos Valério e disse em seus depoimentos que tinha autonomia para fazer isso sem discutir detalhes com o partido.

CAIXA DOIS

O advogado de Delúbio também deverá reafirmar hoje o ponto central de sua defesa. De acordo com Delúbio, o objetivo do esquema era pagar dívidas contraídas em campanhas eleitorais, e não comprar votos no Congresso.

Delúbio também assumiu sozinho a responsabilidade pela negociação dos empréstimos que alimentaram o esquema e pela indicação dos políticos que receberam pagamentos de Marcos Valério.

Ao dizer que era tudo apenas caixa dois de campanha, Delúbio confessa ter cometido uma infração à legislação eleitoral e tenta se livrar da acusação de ter praticado corrupção ativa, um crime mais grave, pelo qual será julgado.

Em sua defesa, Delúbio afirma que, depois das eleições presidenciais de 2002, o diretório nacional do PT se reuniu para discutir dívidas estimadas em R$ 60 milhões e orientou-o a procurar uma solução para o problema.

Ele diz que encontrou a saída com Marcos Valério sem jamais pedir opinião de ninguém na cúpula partidária sobre o que estava fazendo, nem mesmo a Dirceu, que o levou para a direção do PT nos anos 90.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Petistas podem ajudar a sustentar defesa de Dirceu – 06/08/2012.

Russomanno, a galinha que voa

Russomanno: galinha voa ?

Celsinho das Placas.

Era assim que Celso Russomanno era conhecido quando funcionário do DETRAN, muito antes de enveredar pelo jornalismo e tornar-se famoso pela ocorrência de uma tragédia: a perda da esposa, vitimada pelas mazelas do sistema médico-hospitalar  em 1990. De posse de uma pequena câmera filmadora, Russomano registrou a cena e as transformou em combustível de sua prodigiosa ascensão.

Do episódio trágico emergiu uma carreira política meteórica. Na eleição de 2006, ele chegou à Câmara Federal com mais de 573 mil votos. Depois disso, preferiu consolidar seu nome em 2010 e disputou uma eleição perdida para governador. Pelo que se vê nas pesquisas eleitorais, a estratégia deu certo.

Hoje, Russomanno é um desafio para os analistas políticos e os sociólogos que tentam entender e explicar o que se passa no processo eleitoral. Tem sido tratado pela imprensa como um fenômeno episódico, a despeito de ter seu nome desde o início no topo da lista das preferências dos eleitores. A inflexão para cima de sua curva de popularidade seria uma espécie de voo da galinha, imagem que tanto incomoda o candidato.

Ocorre que o perfil eleitoral transforma Russomanno numa galinha cujo voo se assemelha mais ao dos urubus e dos gaviões. E que, em performance, equipara-se ao de outra espécie no zoomorfismo político atual: o dos tucanos.

Tratado como episódico, o crescimento do candidato do PRB é um dos dois fenômenos a serem anotados nessa etapa inicial da campanha eleitoral. O outro é a paralisia de Fernando Haddad, uma espécie de baleia franca encalhada no aquário dos nanicos.

E por que a candidatura Russomanno teima em desafiar as previsões de queda feitas pelas pitonisas ?

Talvez porque os analistas não tenham ainda se dado conta da importância de uma das categorias em que se costumam enquadrar grupos de eleitores por preferências ideológicas ou de simples afinidade. Refiro-me ao malufismo, ao qual de certa forma o ‘peerrebista’ Russomanno atrelou seu passado até ser trocado por Haddad pelas hostes pepistas.

No passado próximo, e apesar de todos os estigmas das denúncias de corrupção, Maluf congregava em torno de si uma gigantesca corrente, que lhe assegurava de saída cerca de 30% dos votos em qualquer eleição paulistana. Força equivalente somente à do petismo do tempo dos petistas imaculados.

O que aconteceu com os malufistas ?

Tenhamos em mente que uma boa parte dos malufismo era composta por eleitores de caráter consevador. Outra fração era de antipetistas convictos. E havia também, como é tradição no patrimonialismo brasileiro, aqueles que esperavam repartir o butim amealhado nos desvãos dos negócios com dinheiro público — supostamente uma gota d’água no oceano malufista.

Pois esse eleitorado mais conservador, que gosta tão pouco de tucanos quanto de petistas, ficou órfão com a inviabilização moral do projeto malufista.

Russomanno percebeu isso. Festejou quando seu padrinho Paulo Maluf decidiu trocá-lo pelo candidato petista. O candidato do PRB seria um espécie de legatário do malufismo — e, melhor de tudo (para ele), sem Paulo Maluf por perto. Fica com os eleitores, livra-se do estigma. Desta forma, vai crescendo na periferia e entre os eleitores de baixa renda. Com a vantagem de ter empurrado para para o PT a mala Maluf com todas as consequências que isso implica.É isso que pode explicar a consolidação dessa candidatura.

Pelo que se viu até agora, talvez fosse mais apropriado tratar Russomanno não como a galinha que voa alto, mas como  uma ave de rapina que se alimenta da decomposição do malufismo e do neomalufismo petista.

Enquanto houver detritos para se alimentar, o urubu do PRB vai continuar sobrevoando os despojos dos dois feudos que jazem em agonia pública, de mãos dadas, a caminho acelerado de se tornarem fósseis da política brasileira.

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