Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the day “agosto 9, 2012”

Vice-premier da Rússia xinga Madonna de ‘puta velha’ no Twitter

Após a musa do pop Madonna ter pedido a libertação das integrantes da banda Pussy Riot, em show em Moscou, o vice-premier da Rússia, Dmitry Rogozin, chamou a cantora de “puta velha” em um post em seu perfil no Twitter. Rogozin se irritou com o apoio da estrela às três jovens punks presas por terem feito um protesto contra Vladimir Putin em uma catedral ortodoxa russa. Minutos depois, ele acrescentou que ela devia “ou tirar a cruz, ou colocar calcinhas” para falar de moralismo.

“Com a idade, toda puta velha quer dar lições de moral. Principalmente em suas turnês internacionais”, disse o político, pelo perfil @Rogozin. “Que ela tire sua cruz, ou que ponha calcinhas.”

Em show na segunda-feira à noite no Estádio Olímpico de Moscou, Madonna pediu que a Justiça russa liberte as integrantes do Pussy Riot e tirou a blusa, mostrando seu sutiã preto e o nome da banda escrito nas costas. Ela usou ainda uma máscara cobrindo o rosto, semelhante à usada pelas integrantes do grupo punk.

- Eu sei que existem muitos lados para cada história, e eu não quero desrespeitar a Igreja ou o governo, mas acho que essas três meninas (Masha, Katya e Nadya) fizeram algo corajoso – disse Madonna. – Eu rezo pela liberdade delas.

Madonna também afirmou que acredita que as jovens já “pagaram o preço” do protesto, depois de passar cinco meses sob custódia desde a sua prisão. Se condenadas, Masha, Katya e Nadya podem passar três anos na prisão. Duas delas são mães de crianças pequenas.

Beba na fonte: Vice-premier da Rússia xinga Madonna no Twitter – O Globo.

Decisão do TSE pode dar maior tempo de TV a Haddad

DANIEL BRAMATTI

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve aprovar nesta quinta-feira resolução que provocará uma reviravolta na distribuição do tempo de propaganda dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, ao cortar de 55 para 49 o número de deputados federais fundadores do PSD. Com isso, o petista Fernando Haddad ultrapassará o tucano José Serra no rateio do horário eleitoral.

A resolução vai obrigar a Justiça Eleitoral de São Paulo a refazer suas contas. Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) anunciou que Serra ficaria com 7 segundos a mais que Haddad em cada bloco de 30 minutos – na verdade, o candidato tucano terá 10 segundos de desvantagem em relação ao adversário.

Outros tribunais também terão de voltar à calculadora – os TREs de Santa Catarina, Goiás, Roraima, Rondônia, Sergipe e Rio Grande do Sul, entre outros, já haviam feito o rateio da propaganda entre os candidatos em capitais e grandes cidades do interior, sempre usando como base o número indevido de parlamentares do PSD.

A confusão decorre da mudança nos critérios de divisão do tempo de TV, depois que o STF desconsiderou as regras previstas na Lei Eleitoral, em decisão tomada em junho. A Lei Eleitoral diz que dois terços da propaganda devem ser distribuídos de acordo com o número de deputados eleitos por partido. Por esse critério, o PSD do prefeito Gilberto Kassab não teria direito a esse tempo, já que não elegeu ninguém em 2010 – o partido foi fundado somente no ano seguinte.

Mas o STF decidiu que a legenda de Kassab deveria “herdar” o tempo de TV dos deputados que migraram para ela – apesar de quase todos terem sido eleitos graças a “puxadores de votos” das legendas a que pertenciam.

Beba na fonte: Decisão do TSE pode dar maior tempo de TV a Haddad – politica – politica – Estadão.

Revisão de cálculo

DORA KRAMER

O governo ontem pelo visto deu-se conta do quanto soava inverossímil a versão de que ninguém no Palácio do Planalto e Esplanada dos Ministérios estava dando a menor pelota para o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal.

Dois ministros, Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, e José Eduardo Cardozo, da Justiça, manifestaram-se depois de dias de ineficaz imposição de toque de silêncio forçado. Ambos disseram que qualquer que seja o resultado não haverá desgaste para a presidente Dilma Rousseff nem prejuízo eleitoral para o PT.

Note-se, não são quaisquer ministros, mas dois auxiliares muito próximos do cotidiano da presidente, sendo um deles, Gilberto Carvalho, ligadíssimo ao ex-presidente Lula. Um indicativo de que a mudança possa ter a concordância dele.

Não se imagina que Lula vá passar a tratar do assunto em público com desenvoltura, mas ao menos é de se esperar que agora cesse a embromação.

Uma atitude bastante mais condizente com o bom senso, a lógica e o respeito ao discernimento alheio que a decisão anterior de tentar manter distância do caso mediante um artifício sem pé nem cabeça.

Pode ser até que o restante do País não dê a devida atenção às sessões do STF, mas na capital da República não se fala de outra coisa nas rodas de alguma forma relacionadas ao poder.

De onde a simulada indiferença já se transformara em piada de todos os salões.

Em boa hora se impôs o recuo, de resto inevitável. Basicamente por dois motivos. Um, a óbvia impossibilidade de estabelecer artificialmente uma dissociação, vez que o próprio advogado de José Dirceu levou Lula e Dilma para o centro do tribunal ao citá-los como testemunhas de defesa da conduta proba de Dirceu quando na Casa Civil.

Outra razão, a inverossimilhança da história. O caso envolve o PT, o partido do governo que nas eleições municipais estará na televisão defendendo seus candidatos.

Acrescente-se à revisão de cálculo político feita pelo Planalto ainda o fator efeito condenação ou absolvição. Na hora de anunciado o resultado, o governo inevitavelmente precisará dizer alguma coisa, precisa estar livre para tal.

Se a conclusão for desfavorável aos réus, poderá comentar com a autoridade de quem não se escondeu do tema. Se continuasse no terreno da negação, aos olhos do público pareceria derrotado, situação desconfortável diante de decisão da Corte Suprema institucionalmente indiscutível.

A opção por posição mais madura dá ao governo uma aparência de neutralidade e lhe abre até a possibilidade de comemorar. Discretamente, renovando votos de confiança na Justiça e feliz da vida por ter mais uma vez dado a volta por cima.

Beba na fonte: Revisão de cálculo – politica – versaoimpressa – Estadão.

Criatura X criador: Rodrigo Maia critica pai por aprovação automática

O deputado federal Rodrigo Maia, candidato à prefeitura do Rio pelo DEM com 26% de rejeição popular — a maior, segundo o Ibope —, esforçou-se nesta quarta-feira para se distanciar do pai, o ex-prefeito e atual candidato a vereador, Cesar Maia. Na Associação Comercial do Rio, Rodrigo criticou a forma “completamente precipitada e sem debate” com que o pai introduziu o sistema de aprovação automática na educação e atacou a falta de planejamento na instalação da CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) na Baía de Sepetiba, iniciada no segundo mandato de Cesar.
— Eu não sou o Cesar Maia. Sou o Rodrigo Maia. Se alguém tem fixação pelo Cesar que bata na porta dele, que converse com ele — disse o candidato. — O sistema de ciclos foi tão politizado que não dá para tratar do assunto. Foi feito de forma tão equivocada que não há condição de reabrir o debate.

Beba na fonte: Rodrigo Maia critica pai por aprovação automática – O Globo.

Advogada, ex-mulher ficou sete horas com Cachoeira

Linda, loira e… advogada!

A ex-mulher de Carlinhos Cachoeira, que tentou se desvincular do bicheiro no depoimento à CPI, foi a advogada que mais tempo permaneceu com o contraventor no Presídio da Papuda, em Brasília, durante os dois primeiros meses da detenção. Andréa Aprígio de Souza não foi constituída como defensora jurídica em nenhum momento desde a deflagração da Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Mas, por ter registro da OAB, Andréa fez seis visitas a Cachoeira nas cotas de tempo destinadas aos advogados, em abril e maio, e permaneceu com ele por 7 horas e 15 minutos.
A ex-mulher do bicheiro pode ter permanecido mais tempo na Papuda do que a atual, Andressa Mendonça, investigada pela Polícia Federal por suposta participação no grupo criminoso. Na condição de “esposa”, Andressa também fez seis visitas a Cachoeira. Cada visita dura uma hora. Assim, a ex venceu a atual: 7 horas e 15 minutos da primeira contra 6 horas de visita da segunda.
As informações foram repassadas ao juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, que requereu os dados para comprovar que o bicheiro não teve o direito de defesa cerceado. As 37 visitas dos advogados totalizaram 27 horas e 43 minutos de permanência com o preso. Em junho, sob a alegação de ter sofrido ameaças de morte, o juiz deixou o caso.
O advogado Márcio Thomaz Bastos, que defendeu o contraventor até a semana passada, fez uma única visita na Papuda, que durou 25 minutos. Advogada do escritório, Dora Cavalcanti fez seis visitas no período, permanecendo no total 3 horas e 20 minutos.

Beba na fonte: Com carteira da OAB, ex-mulher fica sete horas com Cachoeira – O Globo.

STF ouve hoje defesa de ex-diretor do BB e de políticos do PP

No terceiro dia de defesa dos réus do mensalão, os advogados do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e de políticos ligados ao Partido Progressista (PP) apresentam, nesta quinta-feita, a sustentação oral no Supremo Tribunal Federal. Pizzolato foi quem autorizou a liberação de R$ 73 milhões da Visanet para a DNA Propaganda, empresa de Marcos Valério, sem nenhuma garantia dos serviços contratados. Segundo o Ministério Público, ele teria recebido mais de R$ 300 mil do esquema. O advogado dele será o primeiro a falar.

Também se apresenta hoje a defesa de Enivaldo Quadrado, um dos donos da corretora Bônus-Banval. De acordo com a denúncia, a empresa era responsável pela lavagem do dinheiro recebido pelo PP. Quadrado confessou à CPI dos Correios que o publicitário Marcos Valério movimentou cerca de R$ 6,5 milhões pela Bônus-Banval.
Falarão ainda os advogados do deputado Pedro Henry (PP-MT), do ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), e de João Cláudio Genu, assessor do deputado José Janene, líder do PP na época do escândalo morto em 2010. Genu é acusado de pegar pessoalmente dinheiro do esquema para o partido. Diz que cumpria ordens e que não sabia que o dinheiro era ilegal.
Pedro Corrêa foi cassado em 2006 por quebra de decoro parlamentar por ter ordenado um assessor a sacar R$ 700 mil das contas do publicitário Marcos Valério. Já Pedro Henry é acusado de ser um dos beneficiário do esquema. Foi absolvido pela Câmara no processo por quebra de decoro. Nas eleições de 2010, apesar de considerado ficha-suja, teve o registro de sua candidatura à reeleição aceito pelo TSE.
Na quarta-feira, o STF começou a ouvir a defesa do chamado núcleo político do mensalão. O advogado do deputado federal João Paulo Cunha (PT) argumentou que o saque de R$ 50 mil feito pela mulher dele nas contas de Valério não é irregular. Segundo a defesa, se fosse irregular o deputado não mandaria a própria mulher à agência do Banco Rural em Brasília.
A defesa de Luiz Gushiken, ex-ministro de Comunicação, atacou o Ministério Público Federal e pediu retratação. Por falta de provas, o MP pediu a absolvição de Gushiken em suas alegações finais no STF.

Beba na fonte: STF ouve hoje defesa de ex-diretor do BB e de políticos do PP – O Globo.

Greve se alastra e policiais param rodovias

A greve dos servidores federais ganhou ontem a adesão de policiais rodoviários e ameaça se tornar a paralisação mais ampla do funcionalismo desde o começo do governo Lula (2003-2010), desafiando a gestão da presidente Dilma Rousseff.

Os números oficiais e do movimento não batem. Nas contas sindicais, ao menos 27 órgãos federais foram diretamente afetados, entre greves, suspensão temporária de trabalho ou operações-padrão.

As paralisações já prejudicam o cotidiano da população. Ontem, pelo menos oito estradas ficaram congestionadas por causa de uma fiscalização intensa de veículos. Aeroportos e até a área da saúde, com a retenção de remédios importados em depósitos, estão sendo afetados. Universidades federais estão paradas há quase três meses.

Ontem, em Brasília, grevistas tentaram subir a rampa do Palácio do Planalto, mas foram contidos por policiais.

Até agora, o governo negocia apenas com funcionários de universidades federais.

VAIAS

O ministro responsável por negociar com movimentos sociais, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), foi vaiado e chamado de traidor em um congresso por manifestantes da CUT, tradicional braço sindical do petismo.

“Traidor, traidor”, ouviu. “A greve continua. Dilma a culpa é sua!”. Carvalho discutiu aos gritos com a plateia.

Ao fim, o presidente da CUT, Vagner Freitas, comentou: “Se eu fosse presidente, destituía o ministro.”

“Houve greves grandes, mas eram concentradas em um setor. Essa tende a se ampliar”, disse Artur Henrique, dirigente da CUT.

A decisão do governo de punir grevistas com descontos e não conceder reajustes acirrou os ânimos. Outra medida que desagradou servidores foi um decreto, de julho, facilitando a troca de grevistas por funcionários estaduais e municipais.

Para os sindicatos, há mais de 300 mil funcionários parados entre os 573 mil servidores. O Ministério do Planejamento diz que isso é irreal. “Se fosse tal como é dito, teríamos o serviço totalmente comprometido, e não está. Há pouquinha gente parada e muita fazendo barulho”, disse o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça.

Ele refuta o status de pior greve dos últimos anos e lembra paralisações nos governos Lula e FHC, mas o governo diz não saber quantos servidores estão parados. O país “enfrentou momentos difíceis” com greves antes, disse.

Também repercutiu mal entre sindicalistas e setores do governo a afirmação do secretário do Tesouro, Arno Agustin, dizendo que a greve acabaria no dia 31, com o envio do Orçamento de 2013 para o Congresso, o que encerraria a possibilidade de negociação salarial.

“Nós entendemos que a crise [internacional] é grave. Mas, diante da crise, tem que flexibilizar o superávit primário [economia para pagar juros da dívida] e recuperar carreiras”, disse Artur Henrique.

(FLÁVIA FOREQUE, JOHANNA NUBLAT, KELLY MATOS e NATUZA NERY)

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Greve se alastra e policiais param rodovias – 09/08/2012.

Câmara aceleram volta de diploma obrigatório para jornalistas

Deputados a favor da proposta de emenda constitucional (PEC) que torna obrigatório o diploma de nível superior em jornalismo, aprovada no Senado, tentarão acelerar a tramitação na Câmara.

A ideia é juntar a PEC a um outro projeto com conteúdo semelhante que já passou por todas as comissões. Outra hipótese é pedir que a proposta seja analisada por uma única comissão especial, o que permitiria levá-la a plenário até o fim do ano. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal derrubou a obrigatoriedade do diploma.

Ontem, o Congresso instalou o Conselho de Comunicação Social. Previsto na Constituição de 1988, o conselho estava inativo havia seis anos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Câmara estuda atalho para volta de diploma obrigatório – 09/08/2012.

Campanha de João Paulo é bancada por doação oculta

GABRIELA YAMADA

Único réu da ação do mensalão que disputa eleição neste ano, o deputado federal João Paulo Cunha (PT) recebeu quase a totalidade dos recursos de sua campanha por meio de um mecanismo usado para ocultar doações.

Dos R$ 876 mil que informou ter arrecadado até agora para a disputa pela Prefeitura de Osasco (Grande São Paulo), R$ 875 mil vieram do diretório estadual do PT.

O montante é o maior valor repassado pela sigla a um candidato no Estado.

A doação eleitoral intermediada por partidos é uma forma legal de contribuição. Ela costuma ser adotada quando a empresa doadora quer evitar ter seu nome associado ao político beneficiado.

Em vez de entregar o dinheiro diretamente ao candidato, a empresa opta por doar à legenda, que “mistura” o financiamento a outras fontes de receita antes de repassar ao candidato, dificultando a identificação da origem.

O presidente do diretório estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva, disse que João Paulo recebeu o maior valor porque houve demanda. Ele negou que o caso do mensalão esteja dificultando a arrecadação de recursos.

Ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo é acusado de receber R$ 50 mil para facilitar contrato da Casa com empresa de Marcos Valério, o que ele nega.

Questionada se o processo pode interferir no desempenho do candidato, a assessoria de João Paulo informou que “ainda não é possível aferir a eventual influência do julgamento da Ação Penal 470″ na campanha.

No primeiro mês de campanha, João Paulo gastou R$ 416 mil e concentrou seus investimentos em publicidade: foram R$ 350 mil com serviços para este fim.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Campanha de João Paulo é bancada por doação oculta – 09/08/2012.

A força do inimigo

MARCELO COELHO

Mais uma vez, quem não queria ver José Antonio Dias Toffoli julgando o mensalão ficou surpreso. Primeiro, ele votou contra o desmembramento do caso, pedido pelo advogado Márcio Thomaz Bastos.

Na terça-feira, votou de novo contra a defesa. José Carlos Dias estava pedindo a interrupção da sessão.

O motivo era a ausência da ministra Cármen Lúcia, que foi cuidar do Tribunal Superior Eleitoral enquanto a defesa dos acusados prosseguia. Comprometeu-se a ver, “na primeira hora da manhã”, a gravação do restante dos trabalhos.

Numa “homenagem” à ministra, Dias argumentou que não seria possível continuar a sessão sem a presença dela.

Sempre amável, o presidente do STF, Ayres Britto, observou que a falta de um magistrado não alterava o quórum exigido. Mas resolveu consultar, um a um, os seus colegas. A decisão foi unânime pela continuidade do julgamento.

Coube a Toffoli, entretanto, levantar um argumento adicional -e sólido, contra a defesa.

Uma infinidade de decisões, lembrou Toffoli, teria de ser anulada se fosse atendido o pedido de José Carlos Dias. Ministros que não assistiram a nenhuma sessão, porque nem ministros eram, dão votos quando assumem o cargo, se se consideram cientes da matéria.

Seja qual for o voto final de Toffoli, por enquanto o ministro do STF esbanja bons raciocínios contra os pedidos da defesa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – A força do inimigo – 09/08/2012.

Nota do editor: a propósito do comportamento dos ministros do STF durante o julgamento, vale a pena ler o post Futurologia: como será o resultado do julgamento do Mensalão ?, publicado no dia 3 de julho passado.

Desserviços públicos

Janio de Freitas

AS GREVES da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, com os danos da primeira à prestação de serviços ao público e, a segunda, com a interrupção de vias como a ponte Rio-Niterói, fazem aquilo mesmo que as duas polícias invocam para reprimir com a força de cassetetes e armas qualquer grupo, de grevistas ou de manifestantes, que perturbe a normalidade de um serviço, um prédio ou uma estrada do sistema federal.

As greves de serviço público que se voltam contra a população voltam-se também contra a democracia. Na euforia do momento tão esperado, a Constituinte estendeu o direito de greve ao serviço público como uma conquista democrática sem precedente no Brasil.

A precaução de preservar o direito da população, porém, ficou longe do equilíbrio necessário entre a nova concessão a uns e as velhas e permanentes necessidades de todos os outros.

A permanência dos serviços, por plantões de servidores nos seus locais de trabalho, é uma farsa dos respectivos sindicatos.

Os plantões fazem figuração, sempre com número exíguo de funcionários para que os serviços não sejam mesmo prestados.

Atestam-no as filas imensas, o atendimento com os modos da tal operação tartaruga, as falsas informações que iludem os necessitados de documentos ou de providências pendentes da Polícia Federal, e por aí vai. Ou melhor, não vai.

Não deixar ir se torna mesmo o propósito exibido ao vivo pela Polícia Rodoviária Federal, que saiu de sua mínima valia para solucionar o que não resolve de outro modo: parou milhares e milhares de carros, caminhões, ônibus, gente com compromissos, gente a caminho do trabalho, gente cansada do trabalho, cargas perecíveis, cargas para embarque aéreo -serviço completo, enfim.

Se as polícias que reprimem anormalidades passam a fazer anormalidades, não haverá quem recomponha a normalidade. Mais: estará assegurado, por antecipação, que todos ficarão impunes.

E, pronto, estão estabelecidas as diferenças antidemocráticas: há os que se estrepam com a polícia se perturbarem área federal e, de outra parte, os que tanto reprimem aqueles como fazem livremente as mesmas perturbações.

Não, não as mesmas: as dos policiais são remuneradas e os seus dias de perturbadores contam para promoções por tempo de serviço e para a aposentadoria.

Funcionário da Polícia Federal ganha mais do que professor nas universidades federais e do que médicos do serviço público federal. E nem se destaque a faixa dos delegados, para não humilhar professores e médicos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Desserviços públicos – 09/08/2012.

Acusações contra Dirceu dividem ministros do STF

Ministros do Supremo Tribunal Federal estão divididos, segundo a Folha apurou, em relação às acusações contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Ele é apontado pela Procuradoria-Geral da República como o chefe do núcleo político do mensalão e é acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa.

A divergência sobre Dirceu vem dos debates sobre a existência de provas de que ele de fato chefiava o esquema do mensalão e, além disso, se elas, basicamente testemunhais, são suficientes para condená-lo.

Até o momento, as impressões apresentadas por quem vota não permitem apontar uma tendência.

Parte dos ministros ouvidos pela Folha afirma que é muito difícil imaginar que o ex-tesoureiro Delúbio Soares ou o ex-presidente do PT José Genoino tenham idealizado e negociado sozinhos a arrecadação de tantos recursos. Na avaliação deles, precisava-se de alguém com muito poder no governo federal.

Alguns ministros consideram que as provas e os depoimentos mostram que Dirceu, de fato, articulava o apoio político no Congresso, fazia reuniões no Palácio do Planalto, mas que isso não quer dizer que se tratava necessariamente de uma série de atos ilícitos.

Para eles, seria mais fácil provar o crime se os encontros com Dirceu ocorressem em locais privados.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Acusações contra Dirceu dividem ministros do STF – 09/08/2012.

Ministros dizem que tribunal deve aceitar prova colhida por CPI

FELIPE SELIGMAN, FLAVIO FERREIRA, MARCIO FALCÃO E RUBENS VALENTE

Quatro ministros do Supremo Tribunal Federal disseram ontem à Folha que consideram as provas colhidas na CPI dos Correios válidas no julgamento do mensalão, contrariando uma tese dos advogados dos réus que gera grande controvérsia entre os 11 integrantes do STF.

Os advogados argumentaram nos últimos dias no plenário do Supremo que provas obtidas pela CPI não podem ser usadas contra seus clientes porque foram colhidas fora do processo judicial, sem que eles tivessem condições de se defender como no STF.

O artigo 155 do Código de Processo Penal diz que os juízes devem decidir após examinar a “prova produzida em contraditório judicial” e não podem fundamentar decisões “exclusivamente” em informações colhidas na fase policial das investigações antes da abertura da ação penal.

Em entrevistas para “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, o ministro do STF Celso de Mello afirmou que poderá desconsiderar as provas colhidas pela CPI dos Correios.

Mas os outros quatro ministros entrevistados pela Folha lembraram que o artigo 58 da Constituição prevê que as CPIs “terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais”, ou seja, não meramente policiais.

Além disso, as pessoas ouvidas pela CPI dos Correios prestaram depoimento acompanhadas de seus advogados. A CPI começou a investigar o mensalão em 2005 e apresentou relatório final em 2006.

“O depoimento de CPI goza da presunção de seriedade e precisa ser levado em conta no contexto”, disse o ministro Marco Aurélio Mello.

EM CONJUNTO

Outro ministro, que falou sob a condição de não ser identificado e é tido como voto pela absolvição dos réus, disse que “as provas são examinadas em conjunto”.

“Uma prova isolada obtida na fase extrajudicial é fraca”, afirmou. “Uma prova colhida nas mesmas condições, mas confirmada direta ou indiretamente em juízo é forte.”

Um terceiro ministro, que também pediu para não ter o nome publicado, perguntou: “Será que as mais de 50 mil páginas [da ação] do mensalão, muitas com perícias e informações comprometedoras, foram todas elaboradas na fase pré-processual?”

Alguns depoimentos da CPI ajudam a sustentar peças importantes da denúncia do Ministério Público Federal que deu origem ao processo.

Um dos que mais atacaram provas colhidas antes do início da ação penal foi o advogado do ex-ministro José Dirceu, José Luis Oliveira Lima.

Um dos depoimentos que incriminam Dirceu foi prestado à CPI por Renilda Santiago, mulher do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como principal operador do mensalão.

Segundo ela, Valério lhe contou que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares dissera que Dirceu sabia dos empréstimos do mensalão. Como Renilda não foi ouvida no processo judicial, a defesa de Dirceu quer que os ministros ignorem seu depoimento.

Mas Valério voltou a ser ouvido no processo e reafirmou a versão da mulher. A única diferença é que não teria recebido a informação de Delúbio, mas do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Ministros dizem que tribunal deve aceitar prova colhida por CPI – 09/08/2012.

Chama o Exército!

Eliane Cantanhêde

Dilma não só mandou cortar o ponto dos grevistas como aprovou um projeto do Exército para garantir a integridade dos prédios públicos e a oferta de serviços essenciais em caso de ameaça externa improvável e principalmente de greves que se multiplicam.O sistema “Proteger” está orçado em R$ 9,6 bilhões e, com o Sisfron, de monitoramento de fronteiras, vai custar R$ 21 bilhões em 12 anos, apesar de Dilma argumentar com a crise internacional e com a falta de recursos para não dar aumentos no setor público. O único acordo foi com professores de universidades federais e, mesmo assim, polêmico.São 13.300 alvos estratégicos do “Proteger”, 371 prioritários, como refinarias, hidrelétricas, centrais de telecomunicações e as principais estradas. Brasília, que abriga os três Poderes e as embaixadas, é listada como o alvo número um.Para definir o sistema, o Exército estudou casos exemplares, como a invasão da CSN, a greve da refinaria de Paulínea e um curto na rede de Tucuruí, que não teve influência de grevistas, mas afetou boa parte do país.Isso mostra que Dilma não brinca em serviço. Se a democracia prevê o direito de greve, prevê também a garantia dos prédios públicos e dos serviços essenciais à população. Em caso de risco, os militares entram.É uma boa lembrança quando a elite do funcionalismo testa forças com a presidente: Polícia Federal, Banco Central, Itamaraty, oficiais de inteligência, defensores públicos, auditores da Receita, agências reguladoras Anatel, Aneel…. Nem todos estão de greve, mas se uniram num movimento único de reivindicação.O governo avalia que a pressão acaba no dia 31, com a entrega do Orçamento de 2013. É uma visão muito otimista. Os servidores engoliram sapos e ficaram quietos na era Lula como CUT, UNE, MST e resolveram devolver agora com Dilma. Não vão recuar tão cedo. O governo do PT revida botando o Exército na parada.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Chama o Exército! – 09/08/2012.

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