Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Paes vira alvo de críticas dos rivais no primeiro debate

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Candidatos à Prefeitura do Rio<br /><br /><br />
Foto: Agência O Globo / Marcelo Carnaval

Candidatos à Prefeitura do Rio

AGÊNCIA O GLOBO / MARCELO CARNAVAL

RIO – No primeiro debate entre os cinco principais candidatos à prefeitura do Rio, na Band, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi alvo de ataques dos seus adversários, que criticaram a política de transportes do município, a ação das milícias em comunidades carentes e a política de saúde no Rio. O prefeito, favorito nas pesquisas, evitou responder diretamente aos ataques e aproveitou suas intervenções para citar realizações de sua gestão, como a implantação do bilhete único, o fechamento do aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, e a parceria com o governo estadual nas UPPs sociais nas comunidades pacificadas.

No segundo bloco, dedicado a perguntas de candidato para candidato, Marcelo Freixo (PSOL) e Rodrigo Maia (DEM) fizeram uma dobradinha para criticar “a política de segurança do PMDB”, partido de Paes. Os candidatos procuraram associar soluções para melhorar a segurança pública, de responsabilidade do governo estadual, com medidas sociais de competência da prefeitura. Maia prometeu retomar os programas Favela-Bairro e o Remédio em Casa, criados por seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia, que não foi citado nominalmente. Em sua pergunta a Freixo, Maia disse que, nos últimos quatros anos, o número de milícias triplicou:

— E, 2008, eram mais de cem, agora mais de 300. É o fracasso da segurança pública do PMDB.

Críticas à política de transportes

Em seguida, Freixo, que presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa, vinculou o problema das vans da cidade à ação desses grupos, que chamou de máfias. Disse que entregou a Paes, em 2008, um relatório pedindo que a licitação desse tipo de transporte fosse feita individualmente, sugestão que, segundo ele, não foi aceita:

— Em 2009 você se reuniu com indiciados ( na CPI das Milícias) e fez licitação com cooperativas — disse Freixo.

O candidato do PSOL também cobrou de Paes explicações sobre o que chamou de seu “silêncio” em relação à linha 4 do Metrô e ao relatório do Tribunal de Contas do Município que citou indícios de formação de cartel na licitação para linhas de ônibus.

Paes, novamente evitando provocações, listou suas ações em transporte:

— Meu governo fez processos licitatórios em ônibus e quatro consórcios assumiram, com regras claras. Fizemos o bilhete único, que atende 350 mil pessoas, depois o BRT, que diminuiu o trajeto de quem mora em Campo Grande e queremos passar a ter mais de 60% da população utilizando o transporte de alta capacidade.

Antes, no primeiro bloco, os candidatos responderam a perguntas de moradores sobre temas da cidade. Mesmo assim, o candidato do PSDB, Otavio Leite, aproveitou sua resposta sobre buracos na calçada para lembrar do julgamento do mensalão, que começou ontem no Supremo Tribunal Federal:

— Foi uma violência contra democracia, uma máfia instalada dentro do Palácio do Planalto — afirmou Leite.

Seguindo a estratégia de direcionar suas críticas a Paes, Leite e Maia trocaram elogios sobre seus projetos para a saúde pública. O tucano prometeu criar uma parceria entre as seis faculdades de Medicina do Rio e os hospitais da cidade. Já Maia disse que criará um plano de cargos e salários para os servidores, sem citar de onde virão os recursos. Mas atacou o atual modelo de gestão da prefeitura, que utiliza as organizações sociais (OS) para administrar a rede de saúde:

— Essa prefeitura vai gastar com OS R$ 2,4 bilhões. Tem dinheiro, ele está sendo mal aplicado — afirmou o candidato do DEM, que, no final, prometeu, no seu primeiro dia de governo, abrir um concurso público para médicos e enfermeiros.

Reciclagem no centro do debate

A candidata do PV, Aspásia Camargo, aproveitou a pergunta que Paes lhe fez sobre as metas assumidas pelo C-40 (grupo das maiores cidades do mundo), durante a Rio+20, para criticar a Comlurb que, segundo ela, é uma empresa que não prioriza a reciclagem:

— A Comlurb é uma empresa com uma filosofia velha e ultrapassada, que acha que sua obrigação é limpeza pública, e não redução de lixo — afirmou Aspásia.

Paes lembrou que promoveu o fechamento do lixão de Gramacho, onde eram jogados os dejetos da cidade:

— Fizemos em Seropédica um centro de tratamento de resíduos adequado que segue parâmetros ambientais.

Ao debater sobre educação, Leite prometeu contratar dois mil professores para a rede municipal de ensino e colocar dois deles em cada classe de alfabetização. Maia disse que criará um programa para que as professoras possam ir aos bairros dos alunos para conhecer suas famílias. Na réplica, o prefeito lembrou que uma de suas primeiras providências foi acabar com a aprovação automática, adotada na gestão de Cesar Maia:

— Era uma cidade que não acreditava no seu futuro. Quem aprendia passava, quem não aprendia passava também —afirmou Paes.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/paes-vira-alvo-de-criticas-dos-rivais-no-primeiro-debate-5675871#ixzz22UcmUbyi

Mensalão ganha destaque no primeiro debate televisivo

Oito candidatos estiveram no primeiro debate televisivo em São Paulo, realizado pela TV BandeirantesFoto: Marcos Alves / Agência O Globo

 

SÃO PAULO – O julgamento do escândalo do mensalão ganhou protagonismo e foi usado como munição contra o PT, na noite desta quinta-feira, no debate televisivo promovido pela TV Bandeirantes, o primeiro confronto entre os candidatos à sucessão da Prefeitura de São Paulo. O candidato Fernando Haddad foi colocado em saia-justa ao ser questionado, em duas oportunidades, sobre o tema. No primeiro, foi perguntado como poderia enfrentar a corrupção na capital paulista se o seu partido estava envolvido no escândalo político. Em outro momento, questionado se o julgamento do mensalão teria peso nas eleições deste ano. O debate televisivo reuniu oito candidatos à prefeitura de São Paulo, todos eles com representação na Câmara dos Deputados.

A primeira pergunta indigesta foi feita por Carlos Gianazzi, do PSOL, que já havia sinalizado no início da semana que poderia explorar o mensalão no debate televisivo. Giannazi também criticou o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB), dizendo que o tucano é “o principal personagem do livro Pritaria Tucana”, além de aliado de Valdemar Costa Neto (PR), um dos réus no processo do mensalão. Em relação a Haddad, o candidato socialista questionou sobre como ele poderia combater a corrupção se havia se aliado ao PP, de Paulo Maluf, incluído na lista de procurados pela Interpol. Em sua resposta, o ex-ministro petista justificou a aliança ao fato do PP fazer parte da base aliada do governo federal, mas ignorou o julgamento do mensalão.

— Eu tenho uma visão de democracia baseada na alianças com partidos políticos. Nós vamos combater a corrupção. Eu passei pelas administrações municipal e federal e não há, nos órgãos de controle, uma única insinuação a respeito da minha conduta à frente dos órgão públicos. Eu vou ser um prefeito que vai fazer valer os princípios éticos — respondeu.

Em outro momento, contestado novamente sobre o tema, o ex-ministro petista reafirmou que nunca pairou dúvidas sobre a sua reputação como administrador público e ressaltou que, após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as instituições públicas “funcionam como nunca funcionaram”. O candidato petista citou, entre elas, o Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, “vai punir os responsáveis e inocentar os inocentes”.

O debate televisivo teve também as participações de Levi Fidélix (PRTB), Celso Russomanno (PRB), Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), que apresentaram propostas em várias áreas e criticaram a gestão do prefeito Gilberto Kassab. José Serra foi o único defensor da atual administração.

As opiniões divergentes levaram os candidatos do PSDB e PT a protagonizar o seu primeiro confronto direto nas eleições municipais. A carga tributária da capital paulista levou Serra e Haddad a trocarem ataques sobre as gestões tucanas e petistas.

A primeira alfinetada foi dada pelo candidato do PSDB, o qual garantiu que não irá criar novas taxas na capital paulista e não aumentará o valor das atuais. José Serra lembrou do que chamou da “malfadada taxa do lixo”, criada na administração da ex-prefeita Marta Suplicy e que rendeu o apelido à senadora petista de “Martaxa”. Em resposta, o candidato do PT prometeu acabar com a taxa de inspeção veicular que, segundo ele, substituiu a taxa do lixo. Na tréplica, o candidato do PSDB atacou a administração petista.

— A taxa do lixo não foi trocada por nada, a taxa do lixo foi uma aberração feita na administração do PT. Nós encontramos a prefeitura de São Paulo, em 2005, em uma péssima situação financeira, com um buraco de R$ 12 milhões — criticou Serra.

Outro confronto entre PT e PSDB ocorreu em torno do sistema de saúde público em São Paulo. Em resposta à pergunta enviada por um internauta, Haddad contestou Serra em relação à construção de hospitais nas administrações do tucano e de seu sucessor e atual prefeito. O ex-governador paulista disse que, em sua gestão, construiu “cerca de dois hospitais” e que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), do governo federal, copiaram as Assistência Médica Ambulatoriais (AMAs), criadas por José Serra quando prefeito.

— O problema da saúde é um dos mais críticos da cidade. Faltam leitos hospitalares na cidade de São Paulo. Chegamos (o PT) a construir 45 hospitais em uma única administração. A AMA não faz alguns procedimentos que a UPA, que funciona 24 horas, faz — disse Haddad.

Serra, em contrapartida, elogiou a área da saúde na cidade, falando de políticas públicas de sua gestão e da de Kassab.

— Na questão da saúde é importante lembrar que nos últimos anos houve programas bem sucedidos. Um deles é o mãe paulistana. Cerca de 700 mil crianças já nasceram. Melhoramos consideravelmente em relação à distribuição de medicamentos. Durante 17 anos, não tivemos um hospital construído. Fizemos cerca de dois, mais um que foi incorporado — afirmou o tucano.

Outro ponto discutido no debate foi a segurança pública, aproveitando a escalada da violência na cidade nos últimos meses. Paulinho disse que tem uma proposta da cidade de São Paulo ser responsável pela área, e não o estado, como atualmente. Tanto ele quanto Celso Russomano (PRB) falaram em equipar a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e aumentar seu contingente, além de colocar mais câmeras de segurança na cidade e reforçar os convênios do município com as polícias Civil e Militar.

Giannazi voltou a alfinetar quando disparou contra o prefeito Gilberto Kassab em relação ao fato de terem sido nomeados 30 coronéis da reserva subprefeitos, além de outros oficiais para chefiar autarquias, como a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

— O Kassab esqueceu que a ditadura militar acabou em 1985 e continua militarizando a administração pública, impedindo que a população participe de um debate democrático — afirmou. Também criticaram a atual administração na área da saúde Russomanno, Paulinho, Levi Fidélix, Soninha e Chalita. Para Giannazi e Russomanno, o problema da saúde na cidade é gravíssimo. A área foi citada pelo candidato do PSOL como “uma das mais críticas da cidade”.

Já Russomano disse que fará o programa da saúde da família funcionar, além de informatizar a área da saúde, proposta também apresentada por Chalita. Soninha falou da demora para marcar consultas e exames e disse que o problema pode ser resolvido por mutirões. Paulinho disse que faria “o Sistema Único de Saúde (SUS) funcionar”, se eleito. Fidélix citou alguns programas de sua autoria, como o Plano de Atendimento à Saúde da População de São Paulo (PASP) e a utilização de motos para levar remédios e médicos à população usuária do sistema público.

Antes do debate, nos discursos do lado de fora dos estúdios da Band, no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, todos mostraram-se pouco dispostos a entrar em discussões acaloradas no debate. Num pleito em que muitos deles são estreantes, o objetivo da maioria dos postulantes a prefeito da capital paulista era apresentar-se ao eleitorado.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/sp-mensalao-ganha-destaque-no-primeiro-debate-televisivo-5675044#ixzz22Uc4Nu20

Campanha eleitoral começa hoje com debate na Band

Depois de um longo período de letargia, a campanha eleitoral municipal será deflagrada hoje com o debate entre os candidatos na Rede Bandeirantes de rádio e televisão. Cada uma das capitais brasileiras terá uma edição regional do debate, que será promovido pelas emissoras afiliadas e pelas praças da rede.

Em São Paulo, o debate será entre os oito principais candidatos — José Serra (PSDB), Celso Russomano (PRB), Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB), Fernando Haddad (PT), Paulinho da Força (PDT), Carlos Gianazzi (PSOL) e Levy Fidélix (PRTB). A mediação caberá a este dublê de blogueiro e repórter.

O formato acordado com as assessoria dos candidatos vai permitir o confronto direito de idéias entre os postuantes à Prefeitura em dois blocos. E também havera um bloco em que jornalistas  farão perguntas, cujas respostas serão comentadas por outro candidato.

Três temas devem ocupar o centro das discussões: saúde, segurança e mobilidade urbana.

A transmissão começa às 21h45.

Emissoras ocultam do eleitor debate dos concorrentes

Paulo José Cunha, do Blog Telejornalismo em Close

As emissoras de televisão estão sonegando informações sobre os candidatos à Presidência da República. “Grande novidade. Se elas se pautam pelas inclinações ideológicas de seus donos ou por seus interesses patrimoniais, nada demais, ora”. Mas não falo disso: falo de informações essenciais do dia-a-dia dos candidatos. “Como assim, se  se todo dia os telejornais trazem informações sobre “o dia dos candidatos”? Também não me refiro a isso, mas a informações fundamentais, relacionadas a posicionamentos que vêm assumindo ou a opiniões que vêm externando sobre temas os mais diversos, como o aborto, por exemplo. Ou sobre a baixaria da campanha. “Então se refere a quê, infeliz, desembucha!”

Refiro-me ao conteúdo dos debates eleitorais, que fica restrito à emissora responsável pela sua promoção. Dessa forma, um debate como o da Band, que redefiniu os rumos da campanha eleitoral em curso, foi solenemente ignorado pela Rede Globo e pelas demais emissoras, como um fato à parte, uma ocorrência que só diz respeito à emissora que veiculou o evento. Como se isso não tivesse a ver com o que o eleitorado precisa saber para definir, confirmar ou reformar seu voto, já que estamos num segundo turno e um segundo turno serve precisamente pra isso.

O fato é que nossas emissoras de televisão ainda não se habituaram a encarar o fato jornalístico acima de sauas conveniências empresariais. E se pautam pela velha e carcomida fórmula segundo a qual “só me diz respeito o que eu noticio, e tudo o que a concorrência realiza não é da minha alçada, e que se dane o eleitor, se quiser saber detalhes do debate da Band que ligue na Band e tamos conversados”.

Ainda falta muita estrada para atingirmos um grau de compreensão da notícia acima e além da conveniência editorial/empresarial de nossas empresas. Os jornais impressos, os blogs e as emissoras de rádio já avançaram muito e não estão nem aí: repecutem, analisam e debatem o que as outras puseram no ar, como o debate da Band que abriu a temporada dos confrontos diretos dos dois candidatos no segundo turno. Mas as grandes redes de tv, os grandes telejornais, ainda não se habituaram a tratar os fatos produzidos pela concorrência como fatos, e sim como produtos exógenos, aos quais não se deve dar maior importância. Resultado: manipulação por parte das duas campanhas, que selecionam o que chamam de “melhores” momentos, conforme suas conveniências, reproduzem no horário eleitoral. Informação com isenção jornalística? Ah, o eleitor que se dane. Seleção jornalística dos melhores momentos? Nem sonhando! Depois do que aconteceu com o debate Lula-Collor, ninguém se arrisca. Cê é doido, cara, vou lá me meter nisso…

E o eleitor? Ah, o eleitor é que nem o povo, para uma certa Zélia Cardoso de Mellol lembra-se: é apenas de um detalhe… Mas será que um dia ainda assistiremos a um Jornal Nacional em que o debate da Band será analisado, comentado, contextualizado como “notícia”, e não apenas como um produto da concorrência, e que por ser isso deve ser solenemente escanteado e subtraído do eleitor, como ocorre hoje? É difícil. Justamente por isso defendo uma proposta que ainda parece remota, mas que pode ser um ponto de partida para a democratização desse aspecto da campanha eleitoral: a realização de debates em rede nacional, patrocinados PELA JUSTIÇA ELEITORAL, e com regras definidas por ela, tal como ela define normas para a proganda gratuita pelo rádio e pela tv. Se a cada semana, um dia da propaganda fosse destinado a debates aos cargos de presidente e  governador, teríamos um eleitor bem menos dominado pela efusão de edulcorantes da propaganda de laboratório, e bem mais consciente do que efetivamente pensam e defendem os candidatos. É da confrontação que ressuma alguma verdade, e nunca do discurso de mão única. Porque no cara-a-cara, no frente-a-frente, no tête-a-tête é bem mais difícil alguém parecer ser o que não é. Como a Dilma, que revelou-se bem menos paz, amor, sorrisos & botox, como vinha pretendendo aparentar. E muito mais lampião, pit-bull e Kill Bill, como ela realmente é. Se foi a marquetagem que mandou ela aparecer como é, palmas pra marquetagem. Se foi ela mesma que quis aparecer daquele jeito, palmas pra nós, que voltamos a vê-la por inteiro, e na real. E o Serra? Ah, o Serra, com aquela cara de espanto, vai continuar a ser o picolé de chuchu de sempre, que a gente já conhece.

Roberto Romano: “Dilma não tinha alternativa a não ser atacar”

Roberto Romano, Professor titular do Deparamento de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, é uma das fontes mais requisitadas do momento para interpretar os movimentos da sociedade. Ele tem uma visão muito própria dos últimos movimentos da campanha eleitoral. Ele acha que Dilma Roussef adotou a melhor tática para enfrentar o momento delicado que vive na campanha eleitoral. E reclama da falta de discussão sobre ciência e tecnologia, temas que saíram da pauta com a derrota de Marina Silva.Neste domingo, Romano interrompeu o almoço com  netinha e cedeu uma hora de entrevista ao editor deste Blog.

BP: Que papel teve o debate da Band no contexto das eleições?

Romano: Em primeiro lugar, sou contra aqueles que dizem que os debates anteriores, inclusive o primeiro, foram lentos e não houve emoção. Desta vez a emoção veio à tona. Porque a política é 70% emoção e 30% racionalidade – e muitas vezes uma racionalidade que produz emoções. Nesse caso, foi típico. A candidata Dilma Rousseff utilizou de uma maneira muito eficaz de mobilização de emoções. O problema [e que essa mobilização de emoções traz a contra-emoção. Você suscita uma onda e você recebe o troco. O que é preciso ver é se o troco não vai ser prejudicial a essa candidatura.

BP: O Senhor Achou que o tom foi adequado?

Romano: Achei adequado dada a defensiva a que ela havia sido imposta. Ela soube revidar. O problema é que no jogo da política você precisa pensar, como no caso do xadrez, dez jogadas adiante. Você não pode pensar apenas na mais imediata. Porque, caso contrário, você faz um trabalho tático, mas perde a estratégia. É isto o que está sendo avaliado neste momento.

BP: E como é que esse freio de arrumação do debate vai contribuir para a composição do tabuleiro onde ocorre o jogo eleitoral?

Romano: O primeiro ponto, deste debate particularmente, é que ele vem a colocar um bemol muito sério na propaganda. A propaganda manipula, produz fantasias, deixa as pessoas quase que santificadas. O debate mostra a individualidade. Por mais que exista assessoria aconselhando, por mais que existam regras, a subjetividade vem à tona. A pessoa mostra muito o que ela é. E esse ponto, me parece, o debate trouxe para o eleitor. Quem vai governar não é apenas uma cabeça estatística, não é uma mente científica, é um ser humano. É preciso então considerar esse dado da prudência do indivíduo. O debate cumpriu bem esse papel de mostrar o que os dois candidatos são.

BP: E qual será a conseqüência da contra-onda a que o senhor se referiu para a Dilma Rousseff?

Romano: Isso vai depender da jogada do adversário. A contra-onda existe. Muita gente se sente desagrada com esse tio de atitude. Se não houver uma administração eficaz pelo adversário, se não houver um aproveitamento inteligente, evidentemente ela ganhará pontos formidáveis para sua campanha.

BP: Quer dizer que esses efeitos estão sendo construídos a partir de agora?

Romano: Eu acho que o debate foi um start, abriu uma via. Os dois saíram correndo. Agora, casa corredor vai administrar o seu itinerário.

BP:E para José Serra, o que pode representar essa maior passividade, essa administração mais racional do conflito?

Romano: Ele ganhou e vastos setores da classe média intelectualizada, urbanizada. Mas, evidentemente, esse não é o grande eleitorado. O grande eleitorado pensa mais com as emoções. Nesse sentido, ele foi tomado de surpresa. Esse foi um elemento positivo do debate.

BP:Quer dizer: a tática do boxeador, que quer levar o adversário a nocaute no primeiro assalto, pode ter funcionado para a candidata do PT?

Romano: Exatamente. E isso ela conseguiu graças ao debate. Porque, se fosse apenas a propaganda, essa verdade política não teria aparecido.

BP: Com esse tom mais emocional, tema relevante, como propostas de governo, acabou ficando de fora. Vai ser assim o tempo todo?

Romano: Isso vai depender das duas conduções das campanhas. Eu acho que muito disso já foi trazido pelo debate. Agora é preciso que os próximos se pautem pelas questões estruturais brasileiras. Eu sempre insisto em que se fala muito sobre segurança, educação, economia, mas não se toca numa questão fundamental que é a da ciência e tecnologia. O presidente Lula, no primeiro mandato, dizia que iria aplicar 4% do PIB em ciência e tecnologia. Ora, quando você uma potência como a China produzindo bens de alto valor agregado; quando você vê que a indústria no Brasil sofre a possibilidade de em uma década perder boa parte de seu parque, esse tema da ciência e tecnologia deixa de ser um tema de interesse meramente acadêmico. É um tema estratégico e tático. E não tem aparecido nos debates. O erro é fazer ver a economia apenas pelo aspecto do consumo e não da produção, que é onde está o grande gargalo. Como é que se vai fazer para o Brasil competir em termos mundiais com produtos de valor agregado? Isso, só com ciência e tecnologia. E essa discussão parece que não existe na pauta dos dois candidatos. Paradoxalmente, existia de forma negativa na pauta de Marina Silva. E todo esse eleitorado que se voltou para Marina Silva percebeu que esse é um problema permanente.

Dilma usa debate da Band no horário eleitoral para atingir Serra

Cinco minutos e 45 segundos de pau puro. Assim foi o programa eleitoral da campanha petista para a tarde desta segunda. A produção se valeu da edição de trechos do debate de ontem na Band.

O curioso é que nem um take do candidato adversário é mostrado. Dilma pergunta e ninguém responde. Fade-in (escurecimento gradual da tela), fade-out ( a candidata reaparece) e lá está DIlma de novo, detonando José Serra.

A edição vitaminou o tom agressivo da candidata, que aparece bem mais assertiva agora, neste início de segundo. A maior parte dos analistas não vinculados ao PT acha a tática temerária. Tentada por Geraldo Alkmin nas eleições de 2006 contra Lula, fez com que o candidato tucano tivesse menos votos no segundo do que no primeiro turno, quando suas aparições insossas lhe valeram o apelido de “Picolé de Xuxu”.

[VIDEO]http://www.youtube.com/watch?v=hdeBIllhrgE[/VIDEO]

Como os tucanos avaliaram o debate no site oficial da campanha

O extenso currículo de vida pública, sem arranhões, e as propostas concretas de quem se preparou durante anos para chefiar o Palácio do Planalto deixaram claro a superioridade de José Serra, na noite desse domingo (10), no primeiro debate televisivo após a votação do primeiro turno, na Band. Tranquilo e seguro nas afirmações, Serra dirigiu-se aos eleitores brasileiros com compromissos para solucionar problemas que atingem boa parte da população, como os gargalos na infraestrutura, os níveis alarmantes da violência pública e a lentidão de serviços públicos vitimizados pelo uso político de órgãos federais, por exemplo. Ao contrário da candidatura adversária, Serra deixou claros compromissos como o aumento do salário mínimo para R$ 600 já em 2011, assim como o reajuste do INSS em dez por cento – “o dobro do que quer o atual governo”. Ele finalizou sua participação conclamando “entusiasmo” do povo brasileiro para a escolha do próximo dia 31.

Mais preparado para consolidar os avanços democráticos conquistados pelo povo brasileiros nos últimos 25 anos, o tucano ressaltou ter ideias próprias. “As pessoas no Brasil sabem que eu tenho cabeça própria, eu não fui pinçado por ninguém, e respondo por minhas ideias. Na minha história de vida eu não tenho nenhum departamento secreto, nada guardado no cofre”. Candidato de uma coligação partidária que tem como princípios a ética e a transparência – características marcantes da vida pública do ex-governador de São Paulo – Serra lembrou que não esconde quais são os ex-presidentes da República que estão ao seu lado – Itamar Franco (PPS) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Ela (Dilma Rousseff) é apoiada por dois ex-presidentes que ela não lembra nunca: o Collor (PTB) e o Sarney (PMDB)”, afirmou.

Ex-ministro da Saúde conhecido como o melhor da história do País, Serra criticou os poucos avanços do Ministério no atual governo. Como exemplos, citou o endividamento das Santas Casas, a defasagem da tabela de pagamentos dos procedimentos médicos e ambulatoriais do SUS, além da paralisação dos mutirões, como os das cirurgias da catarata, por exemplo. Também lembrou que o programa dos genéricos – criado por ele – não se desenvolveu como deveria porque a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está loteada politicamente. “Na minha gestão nós implantamos os genéricos. Foi uma luta bastante dura, mas ganhamos. Estima-se que a população economizou R$15 bilhões. Os genéricos foram um sucesso no Brasil, só que o governo, através da Anvisa, tem de aprovar (a produção de novos medicamentos). Hoje, tem preso lá o equivalente a dois bilhões em remédios. A Anvisa foi loteada politicamente”.

Para a área da Segurança, Serra ratificou a proposta de criar o Ministério da Segurança Pública, uma solução para centralizar ações eficientes que hoje estão dispersas em alguns estados, além de fortalecer de modo mais consistente a proteção das fronteiras, por onde entram armas e drogas contrabandeadas. “Nós vamos criar uma Guarda Nacional e um Cadastro Nacional de criminosos”, exemplificou. Contra a tentativa da adversária Dilma Rousseff de demonizar as privatizações, Serra ressaltou que várias vezes o PT elogiou a venda de empresas das telecomunicações. Para o tucano, se não fosse o governo do PSDB, o Brasil ainda seria o “país dos orelhões”. O presidenciável lamentou a privatização para fins pessoais : “A privatização deles (governo atual) é diferente. Ocupam a empresa para ganhar dinheiro, é o esquema que a Erenice (Guerra, ex-ministra da Casa Civil) comandou em relação aos Correios. Eu vou fortalecer os Correios, a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal. Vou reestatizá-las”, disse.

via Propostas concretas e experiência favorecem Serra no debate da Band | Serra 45 Presidente do Brasil.

Dilma e Serra fazem duelo aberto no primeiro debate do segundo turno

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Rodrigo Alvares e Jair Stangler, do Estadão

No primeiro debate direto do segundo turno, promovido pela TV Bandeirantes, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) partiram para o confronto aberto. Antes do debate, esperava-se que os candidatos adotassem uma postura “paz e amor”. Mas a candidata petista sepultou essa possibilidade já no primeiro bloco, partindo para o ataque e abordando de imediato o tema que vem sendo apontado como responsável por a campanha ter ido ao segundo turno, a polêmica sobre o aborto.

Em suas primeiras falas, Dilma afirmou que foi Serra quem regulamentou a prática do aborto em casos específicos quando era ministro da Saúde. Disse ainda que concorda com a regulamentação, porque “não pode deixar de atender a mulher” que aborta. E reclamou também de declarações da mulher de José Serra, Monica Serra, que declarou ainda no primeiro turno, que Dilma era a favor de “matar criancinhas”. Serra rebateu dizendo nunca ter defendido a legalização do aborto. “Você defendeu e de repente passa e dizer outra coisa”, acusou.

A petista ainda acusou o tucano de realizar sua campanha fazendo calúnias contra Dilma. “Essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?” Serra respondeu que se solidariza com quem recebe ataques pessoais. “Eu tenho recebido muitos ataques por toda a campanha, como nos blogs que levam o seu nome. Nós somos responsáveis por aquilo que pensamos. A população quer saber o que a pessoa fez na vida pública. Vocês confundem matérias de jornais com ataques”, declarou, citando o escândalo da Casa Civil e a polêmica sobre o aborto.

A troca de acusações permeou todo o debate. Enquanto Serra acusava Dilma de ser “duas caras”, a petista respondia afirmando que o tucano “realmente não é o cara, é o mil caras”.

A segurança foi outro tema bastante abordado no debate. Serra exibiu números de redução de homicídios, prometeu criar o Ministério da Segurança e acusou o governo federal de se omitir na questão. Já Dilma respondeu citando a criação da Força Nacional de Segurança Pública e o aumento da integração entre as polícias que, segundo ela, o governo vem promovendo.

O tema das privatizações também voltou ao centro do debate, com Dilma tentando repetir tática que deu certo no segundo turno eleição de 2006, quando o então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva passou a acusar o tucano Geraldo Alckmin, seu oponente, de planejar retomar as privatizações. A petista citou um assessor de Serra que, de acordo com ela, defendeu a privatização do pré-sal. O tucano rebateu afirmando que a acusação de privatizante aparece sempre no período eleitoral mas, segundo ele, o PT também fez privatizações. Ele diz ainda que vai “reestatizar” empresas públicas loteadas politicamente. Read more…

Aumenta a rejeição ao aborto no Brasil

UIRÁ MACHADO. da Folha de São Paulor

O apoio à proibição do aborto é o mais alto no Brasil desde 1993, quando o Datafolha começou a série histórica de perguntas sobre o tema.

Segundo pesquisa realizada na última sexta-feira em todo o país, 71% dos entrevistados afirmam que a legislação sobre o aborto deve ficar como está, contra 11% que defendem a ampliação das hipóteses em que a prática é permitida e 7% que apoiam a descriminalização.

Atualmente, o Código Penal brasileiro classifica o aborto entre os crimes contra a vida. A pena prevista para a mulher que o provocar ou permitir a prática em si mesma vai de um a três anos de detenção (artigo 124).

O código prevê duas situações em que o aborto não é crime (artigo 128): se não há outro meio de salvar a vida da gestante e se a gravidez é resultado de estupro.

Segundo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, a rejeição recorde ao aborto pode ser resultado da ampla exposição que o tema teve nas últimas semanas.

CAMPANHA

O aborto ganhou espaço na mídia e na boca dos candidatos a presidente no final do primeiro turno, impulsionados pela movimentação de igrejas evangélicas e segmentos católicos que pregavam voto anti-Dilma Rousseff (PT) e pró-vida -a petista já defendeu a prática.

Na propaganda eleitoral de sexta, a primeira do segundo turno, tanto Dilma quanto José Serra (PSDB) falaram sobre o tema.

Segundo o Datafolha, a taxa dos eleitores que afirmam querer que a lei fique como está é semelhante entre os que no primeiro turno votaram em Dilma (71%), em Serra (72%) e em Marina Silva (70%), candidata do PV.

O apoio à proibição do aborto é razoavelmente homogêneo em todas as faixas da população, sempre em torno de 70%. No entanto, entre os que têm ensino superior e os mais ricos há menos apoiadores: 63% e 56%, respectivamente.

A série de pesquisas sobre o tema mostra uma tendência ao conservadorismo.

No levantamento feito em 1993, 54% afirmavam que as exceções deveriam continuar restritas aos casos de estupro e de risco à vida da gestante, enquanto 23% diziam apoiar o aborto em mais casos e 18% eram favoráveis a descriminalizar a prática.

Desde então, a manutenção da atual legislação veio ganhando apoio. Em 1997, 55% diziam apoiar a proibição. Em 2006, o número passou para 63%, depois para 68% em 2008.

via Folha de S.Paulo – Aumenta a rejeição ao aborto no Brasil – 11/10/2010.

Caso Erenice mudou mais votos que temas religiosos

Fernando Canian, da Folha de São Paulo

Os fatos que levaram à queda da ex-ministra Erenice Guerra da Casa Civil e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno do que questões relacionadas à religião.

Segundo pesquisa Datafolha realizada na última sexta, cerca de 6% dos eleitores mudaram seu voto, considerando tanto Dilma quanto José Serra (PSDB), por conta dos casos que marcaram a reta final do primeiro turno.

Desse total, Dilma perdeu cerca de quatro pontos percentuais entre o total de eleitores. Aproximadamente 75% das perdas ocorreram por conta dos escândalos recentes no governo.

O restante, por questões relacionadas à religião- não exclusivamente envolvendo a posição da candidata sobre o aborto.

Já Serra perdeu dois pontos percentuais. Tanto pelo caso de quebra de sigilo de tucanos quanto pelo caso Erenice.

Os dois casos podem ter levantado suspeitas sobre irregularidades fiscais dos citados ou envolvimento de tucanos nas denúncias, por exemplo.

A perda de eleitores de Dilma, que conquistou 47% dos votos válidos no primeiro turno, foi de aproximadamente 4 milhões de eleitores. A de Serra, que teve 33% dos votos válidos, de 2 milhões.

Como a margem de erro do levantamento (feito com base em 3.265 entrevistas em todo o país) é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o total de votos perdidos pode ter sido maior ou menor na mesma proporção da margem de erro.

O percentual de eleitores no país que tomou conhecimento dos casos Erenice Guerra e da quebra de sigilo de tucanos é expressivamente maior do que o do total que recebeu alguma orientação de sua igreja para que deixasse de votar em determinado candidato.

Os resultados da pesquisa, portanto, não confirmam a tese de que foi o voto relacionado a questões religiosas que levou a eleição presidencial ao segundo turno.

Tomaram conhecimento do caso Erenice 48% dos eleitores. No caso da quebra de sigilos, foram 56%.

Já o total que recebeu alguma orientação na igreja que frequenta para que deixasse de voltar em algum candidato a presidente atingiu 3%.

Os dois casos que mais pesaram na mudança de votos dos eleitores na reta final do primeiro turno tiveram influência direta de reportagens publicadas pela Folha.

O primeiro (quebra de sigilo) foi revelado pelo jornal em junho, muito antes do primeiro turno.

Em relação à queda de Erenice, o caso foi levantado inicialmente pela revista “Veja”. Mas foi uma reportagem da Folha que levou à queda da ex-ministra no dia 16 de setembro, a duas semanas do primeiro turno.

As denúncias de tráfico de influência na Casa Civil foram determinantes para mudanças de voto principalmente entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, mostra o Datafolha.

Entre os que votaram em Marina (que teve 19% dos votos válidos), 7% dizem ter deixado de votar em Dilma por conta do caso Erenice.

Chega a 1% do total do eleitorado o percentual dos que dizem ter deixado de votar em Dilma Rousseff para votar em Marina por causa da queda de Erenice Guerra.

A taxa dos que fizeram o mesmo por recomendação da igreja não alcança 1% do eleitorado.

via Folha de S.Paulo – Caso Erenice mudou mais votos que temas religiosos – 11/10/2010.

Quem ganhou o debate na Band ?

A julgar pelas reações dos assessores dos dois candidatos, ambos venceram o debate realizado esta noite pela Rede Bandeirantes. Os do PT deixaram o estúdio da emissora contentes com o desempenho de sua candidata. O curioso é que os do PSBD também ficaram satisfeitos com a estratégia adotada por Dilma Roussef.

José Eduardo Cardozo, Marco Aurélio Garcia e Antonio Palocci saíram saciados com a postua mais agressiva de Dilma Rousseff. Acham que a candidata conseguiu deixar claro que tem sido alvo de uma campanha construída com calúnias e difamações que ganharam a internet e, por intermédio dela, os cultos e missas de todo o País.

Serra foi pego de supresa pela estrégia de defesa. Depois do programa, ainda não havia conseguido entender o por quê de DIlma ter resolvido avocar os temas que lhe são espinhosos. A começar pelo aborto, tema que ela introduziu na seara do debate no início do primeiro bloco.

Dilma estava visivelmente nervosa. Por duas vezes perdeu a respiração. O curioso é que ela não foi provocada. Ao contrário, foi ela mesma quem decidiu elevar o tom e partir para o ataque.

Ao demarcar o território, Dilma deu a Serra a oportunidade de ressaltar aquilo que tem levado os eleitores a desconfiar da falta de coerência da candidata petista. Dilma se enrolou novamente ao tentar explicar sua posição sobre o aborto e ainda teve que ouvir de Serra que ela mudara recentemente de posição sobre sua própria religiosidade.

Nos dois primeiros blocos, que foram os de maior audiência, Serra estava mais tranquilo e pode manejar os temas propostos por Dilma com mais habilidade. Enquanto isso,a adversária, em seu esforço para demonstrar indignação com o que tem chamado de campanha caluniosa, subiu pelo menos uma oitava acima do tom que seria adequado. Parecia estar no limite entre o nervosismo e a raiva, agindo por impulso e de maneira pouco racional.

“A gente não sabe o que está por trás [dessa estratégia]“, declarou o governador Alberto Goldman, de São Paulo. “Mas ela parecia o Jim Jones, que se matou e matou todos os seus seguidores”, completou.

“Agora ela mostrou quem é”, comemorava o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. “Não tem mais a Dilminha paz e amor, ela  finalmente mostrou a cara”.

Enquanto isso, os petistas pareciam muito animados com o desempenho da candidata.”Ela conseguiu mostrar sua indignação com as infâmias”, afirmou José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT.

Do lado de fora do estúdio, onde cerca de 200 jornalistas se aglomeravam, assessores da própria candidata assistiam a tudo com um ar de estranhamento. “Precisavam ter dado um lexotan pra ela”, isse uma jornalista que torcia por Dilma, supresa com a estratégia e também sem entendê-la.

Para a maior parte dos jornalistas que cobriam o evento, Dilma tinha uma postura mais agressiva do que a situação recomendava. “Parece o Alkmin nas eleições passadas”, lembrou um deles. Era uma referência ao debate que abriu o segundo turno das eleições de 2006, quando o tucano, que havia feito até então uma campanha insossa, partiu para cima de Lula — mudança de postura que seus próprios eleitores não entenderam.

Para quem, como eu, assistiu ao debate na condição de observador privilegiado, ficou a impressão de que Dilma é quem está em desvantagem e, por isso, precisa atacar e desconstruir um adversário mais forte.

Uma única certeza permanece: O debate desta domingo talvez tenha sido o evento mais importante de toda a campanha. Ele pode ter definido quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos.

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