Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Marcos Valério nega ter ameaçado Lula e afirma que não é dedo-duro

Acusado de operar o esquema do mensalão, o empresário Marcos Valério negou ontem em Belo Horizonte que pretenda fazer revelações sobre o caso, cujo julgamento está marcado para começar no dia 2.

“Eu sou igual ao Delúbio, nunca endureci o dedo para ninguém e não vai ser agora, às vésperas do julgamento”, disse Valério ao site “Terra” quando se encaminhava para almoçar em um restaurante da zona sul da cidade.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Marcos Valério nega ter ameaçado Lula e afirma que não é dedo-duro – 24/07/2012.

As respostas para as suas dúvidas

Por Ricardo Noblat

Por que Lula pediu a Nelson Jobim para patrocinar seu encontro com Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)?

Lula fora informado – mal informado – sobre uma série de viagens que Gilmar fizera na companhia do senador Demóstenes Torres (GO-sem-partido). Disseram-lhe que algumas – inclusive uma a Berlim – haviam sido financiadas pelo bicheiro Carlos Cachoeira.

Para Lula, o julgamento do mensalão do PT é o julgamento do seu governo pela Justiça.

A saída honrosa da presidência da República perderá parte do seu brilho se os mensaleiros forem condenados.

Um Gilmar em débito com a ética por ter viajado à custa de um contraventor seria uma presa fácil para Lula.

O controle político da CPI de Cachoeira está nas mãos de Lula, segundo ele próprio repetiu diversas vezes durante a conversa com Gilmar. Lula estava disposto a salvar Gilmar de constrangimentos. Em troca… Sabe como é.

Deu errado.

Gilmar coleciona os comprovantes de que ele e o STF pagaram a viagem a Berlim, onde mora uma de suas filhas. Antes ele passou por Granada, na Espanha, para participar de um seminário como palestrante.

O que Gilmar não disse a Lula foi que voou duas vezes a Goiânia a convite de Demóstenes e em jatinho arranjado por ele.

Quem pagou o aluguel do jatinho?

Em um dos grampos executados pela Polícia Federal, Demóstenes foi flagrado pedindo um jatinho a Cachoeira para transportar um ministro do STF.

Por que somente depois de um mês Gilmar resolveu tornar público seu encontro com Lula?

Gilmar sentiu-se humilhado por ter dado satisfações a Lula a respeito de sua viagem a Berlim. Ele e a mulher Guiomar eram amigos do casal Lula-Marisa. Jantaram no Palácio da Alvorada algumas dezenas de vezes. Gilmar calcula que ele e Lula se encontraram mais de 100 vezes num período de oito anos.

Em duas ocasiões, pelo menos, Gilmar salvou petistas de sérios apuros no STF.

Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, foi um deles. Acusado de mandar quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos, testemunha de suas frequentes idas a uma alegre mansão do Lago Sul de Brasília, Palocci acabou absolvido com o voto de Gilmar.

Por mais de um ano, Gilmar sentou-se em cima do processo que apontava Aloizio Mercadante como beneficiário da ação dos aloprados – funcionários da campanha de Lula à reeleição em 2006 que forjaram um dossiê para prejudicar as campanhas de Serra ao governo de São Paulo e de Alckmin à presidência da Repúbica. Aloizio safou-se.

Tamanha ingratidão machuca, não é?

Assim, no dia seguinte à reunião com Lula no apartamento de Jobim, Gilmar procurou o advogado Sigmaringa Seixas e revelou-lhe o que tinha ocorrido. Pediu para que a presidente Dilma Rousseff fosse informada a respeito.

Estava magoado com Lula, mas ainda decidido a engolir em seco a humilhação.

Aí se deu uma reviravolta. Gilmar ficou sabendo por meio de um jornalista que Lula, mesmo depois do que ouvira dele, continuava dizendo que Gilmar viajara, sim, com Demóstenes a expensas de Cachoeira.

O caldo entornou. Gilmar temeu ser alvo de ataques do PT na CPI de Cachoeira. Vacinou-se tornando pública sua versão do encontro com Lula.

Por que Jobim desmentiu a versão do encontro publicada pela revista VEJA e avalizada por Gilmar?

Se tudo se passou conforme o relato de Gilmar, Lula teria incorrido em crime de tentativa de obstrução da Justiça.

Gilmar afirma que Lula lhe dissera que encarregaria o ex-ministro Sepúlveda Pertence de convencer a ministra Carmem Lúcia a contribuir para o adiamento do julgamento do mensalão.

O ministro José Antônio Dias Toffoli hesita em votar. Foi Advogado-Geral da União durante parte do governo Lula e assessor do ex-ministro José Dirceu.

Lula confidenciou que orientara Toffoli a votar, sim senhor.

Por fim, Lula anunciou que procuraria para uma conversa o ministro Ayres Brito, presidente do STF. Queria tomar um vinho com Britto juntamente com o jurista que foi padrinho de sua indicação para ministro.

Jobim tinha duas maneiras de confirmar a versão de Gilmar. A direta: simplesmente confirmando-a sem restrições. A indireta: alegando que não assistira parte da conversa.

Ficaria mal com Lula se escolhesse qualquer uma das maneiras. Se escolhesse a maneira direta, poderia ser apontado como cúmplice de tentativa de obstrução da Justiça.

Desmentir Gilmar não custou a Jobim apenas a amizade de Gilmar. Custou uma fatia de sua credibilidade. Porque o desmentido foi acompanhado de uma mentira.

Ao repórterJorge Bastos Moreno, Jobim afirmou que o encontro de Lula era com ele. Que Gilmar apareceu em sua casa por coincidência. “Gilmar não sabia que encontraria Lula”, disse.

Em entrevistas a outros jornalistas, Jobim contou que Clara Ant, secretária de Lula, lhe telefonara três dias antes do encontro dizendo que Lula queria vê-lo e pedindo para que chamasse Gilmar.

Jobim telefonou para Gilmar e o convidou. Gilmar aceitou na hora. Não estivera com Lula desde que ele se descobrira portador de um câncer na laringe.

Lula quer ‘melar’ julgamento do mensalão, afirma Mendes

FELIPE SELIGMAN

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou ontem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fomentou intrigas contra ele para constranger o tribunal e tentar “melar” o julgamento do mensalão, previsto para ocorrer neste ano.

Mendes disse que Lula agiu como uma “central de divulgação” de informações sobre sua ligação com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o empresário Carlos Cachoeira, acusado de chefiar um esquema de corrupção.

“O objetivo era melar o julgamento do mensalão”, afirmou Mendes, ao chegar para uma sessão do STF. “Dizer que o Judiciário está envolvido numa rede de corrupção.”

As declarações de Mendes elevam o tom de seu confronto com Lula, iniciado no fim de semana com a revelação pela revista “Veja” de um encontro que eles tiveram em abril no escritório do ex-ministro do STF Nelson Jobim.

Segundo Mendes, o ex-presidente disse que o julgamento do mensalão deveria ser adiado para depois das eleições deste ano e sugeriu que poderia garantir proteção na CPI que investiga Cachoeira.

Em nota na segunda-feira, Lula se disse “indignado” com a versão de Mendes, que não foi corroborada por Jobim. A assessoria do ex-presidente disse ontem que não se manifestaria sobre as novas declarações de Mendes.

O ministro do STF disse que as pressões para que o julgamento do mensalão seja adiado seguem uma “lógica burra, irresponsável, imbecil” e voltou a defender a realização do julgamento ainda neste semestre. “Nós vamos ficar desmoralizados se não o fizermos”, afirmou.

Lula chegou ontem a Brasília e se encontra hoje com a presidente Dilma Rousseff.

VIAGENS

Bastante irritado, Mendes negou ter viajado num avião arranjado por Cachoeira no ano passado, ao voltar de uma viagem a Berlim, “fofoca” que ele disse ter sido espalhada por “gângsteres” e que teria sido mencionada por Lula no encontro de abril.

“Vamos parar com fofoca. A gente está lidando com gângsteres. Estamos lidando com bandidos que ficam plantando informações.” Mendes foi a Granada, na Espanha, participar de um congresso, e depois viajou para Berlim, onde viu sua filha, que mora na Alemanha, e encontrou-se com Demóstenes.

Mendes apresentou ontem comprovantes de que o Supremo pagou as passagens de ida e volta até Granada e que ele mesmo pagou a viagem entre Granada e Berlim.

Disse também que nos últimos dois anos viajou duas vezes a Goiânia de carona em aviões arranjados por Demóstenes. “Eu poderia aceitar tranquilamente [as caronas]. Estava me relacionando com o senador que tinha o mais alto conceito na República.”

Em depoimento ao Conselho de Ética do Senado, onde enfrenta processo de cassação, Demóstenes afirmou ontem que os dois viajaram em aviões comerciais e voltaram ao Brasil em voos separados.

Segundo a Folha apurou, Mendes foi alertado nas últimas semanas de que o PT planejava usar a CPI do Cachoeira para reforçar a ligação de seu nome com o grupo de Cachoeira, acusando-o de ter trabalhado para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, segurasse uma investigação sobre a atuação de Demóstenes em 2009.

Mendes criticou a imprensa. “É a uma rede de intrigas que vocês se prestam”, afirmou. “A Folha mesmo virou caixa de ressonância disso.”

Em abril, o jornal publicou uma reportagem sobre uma das conversas telefônicas de Demóstenes com Cachoeira que foram gravadas pela Polícia Federal, em que eles festejam uma decisão de Mendes que deu andamento a uma ação de interesse da Celg (Centrais Elétricas de Goiás).

“Tudo seria normal se não aparecesse isso numa conversa entre Demóstenes e Cachoeira”, disse Mendes ontem.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Lula quer ‘melar’ julgamento do mensalão, afirma Mendes – 30/05/2012.

Aos navegantes da BESTA: não adianta chorar, vocês perderam mais uma!

Anteontem, quando postei aqui que o ministro Gilmar Mendes decidiu revelar o assédio de Lula porque Lula estava espalhando boatos contra ele, fui trucidado pela claque da BESTA (BLogosfera Estatal). O Twitter do Blog do Pannunzio virou um lixo. Foi inundado por centenas de mensagens de pessoas que me chamavam de tudo o que há de ruim e nefasto. Mais uma vez tentaram manchar a minha reputação, arrasando com meus trinta anos de jornalismo.

A informação ficou apenas por aqui, virou uma espécie de privilégio dos leitores deste blog. Entendo a cautela dos que decidiram não repercuti-la. Afinal, afirmar que o que gerou o episódio foram boatos espalhados pelo próprio Lula parecia ser pesado demais. Os demais jornalistas agiram com responsabilidade e cautela.

Ocorre que a informação, como tudo o que veiculo neste espaço, foi checada à exaustão. E as 24 horas que se seguiram ao post serviram para confirmá-la integralmente.

Gostem ou não das minhas posições, os leitores do meu blog obtiveram as respostas para as dúvidas que restavam sobre o episódio. Pois é exatamente esse o papel que cabe a um jornalista: informar a sociedade. Ele foi cumprido, a despeito dos palavrões e infâmias que recebi até que Gilmar Mendes confirmasse o que eu afirmei.

Informação é direito do leitor e dever do jornalista. O meu papel foi cumprido. E mesmo os que vêm até estas páginas somente para tentar me associar ao golpismo propalado pela BESTA saíram no lucro. Lucro dobrado, aparentemente: ficaram sabendo o que queriam saber e ainda cravaram o besteirol costumeiro com seus palavrões e aleivosias de sempre.

Perderam duas vezes. A informação era correta e não havia nenhum motivo para colocar minha reputação em xeque. É o que importa.

Agora questionam minha crença nas palavras de Gilmar Mendes. Respondo: isso é irrelevante. Até o momento, o outro lado da contenda preferiu o silêncio a enfrentar o problema. Lula não disse nada ainda sobre o episódio. A nota do Instituto Lula é ridícula e não contém nenhum desmentido do ex-presidente petista. Portanto, há apenas uma versão sobre o fato: é a do ministro do STF.

Não há mais nada em que crer ou descrer.

Confirmando o blog: Gilmar Mendes diz que fofocas de Lula são “gangsterismo, molecagem, coisa de bandido”

Fac-símile do Cartão Fidelidade de Gilmar Mendes prova que ele não viajou no avião de Cachoeira

O ministro Gilmar Mendes qualificou como “gansterismo”, “molecagem”, “coisa de bandido”, produto de uma “lógica burra, irresponsável, imbecil” o ataque infamante de que tem sido vítima desde que se encontrou com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva no dia 26 do mês passado.  E quem estava por trás dos boatos ? “As notícias que me chegaram eram de que sim, de que ele era a central de divulgação disso. O próprio presidente”.

A campanha contra o ministro do STF tem mobilizado os sites da BESTA (Blogosfera Estatal), que há vários dias vêm veiculando uma campanha caluniosa contra ele. O eixo dessa campanha consistia em espalhar pelas redes sociais da internet a suspeita, afirmada como verdade, de que o magistrado havia viajado à Europa às custas de Carlinhos Cachoeira, com quem teria se encontrado em Berlin.

Gilmar Mendes divulgou uma cópia de seu cartão de milhagem da TAM para provar que não pegou carona em avião do bicheiro Carlinhos Cachoeira na perna final da viagem, no trecho entre São Paulo e Brasília. E  tornou público o convite feito pela Universidade de Granada para proferir palestras. As passagens internacionais foram pagas pelo STF.

O Blog do Pannunzio antecipou, na noite segunda-feira, que o magistrado do STF havia decidido tornar público o diálogo que travou com Lula porque o próprio ex-presidente vinha espalhando informações que visavam macular sua honorabilidade. O propósito da campanha infamante era, segundo Gilmar Mendes, criar embaraços que pudessem levar a corte constitucional a adiar a votação do Mensalão.

“Querem constranger o tribunal. É preciso encerrar de uma vez por todas com isso. Não quero ter relação com bandidagem e quem está fazendo isso é bandido”, afirmou. “O objetivo era melar o julgamento do mensalão, dizer que o Judiciário está envolvido em uma rede de corrupção. Era isso. Tentaram fazer isso com o [Roberto] Gurgel e estão tentando fazer isso agora”, asseverou Gilmar Mendes.

O ministro revelou, ainda, que viajou duas vezes em táxis-aéreos a convite do ainda senador Demóstenes Torres, de quem é amigo pessoal. O destino das duas viagens era Gioânia, GO. Em uma delas foi acompanhado por Nelson Jobim e Dias Tóffoli. Na outra, por Tóffoli e a ministra Nancy Andrighi, do STJ.

Saiba por que Gilmar Mendes resolveu revelar o assédio de Lula a Veja

O que você vai ler abaixo não é inferência, interpretação nem opinião. É informação. Este post vai revelar o motivo pelo qual o ministro Gilmar Mendes decidiu contar à Revista Veja detalhes da insidiosa conversa com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ocorrida no dia 26 do mês passado.

Desde que a revista chegou às bancas,  três perguntas recorrente e importantes permaneciam sem resposta: Por que Gilmar Mendes resolveu agir dessa forma? Por que o atraso de um mês entre o fato e a versão apresentada pelo ministro? Gilmar tem como provar que ouviu de Lula o que disse ter ouvido no escritório de Nelson Jobim?

Uma parte das respostas está contida na entrevista na entrevista concedida hoje ao Jornal Zero Hora.  Disse o ministro:

Fui contando a quem me procurava para contar alguma história. Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso”.

Em seguida, a entrevista envereda pela seara de outros assuntos — as intrigas da CPI do Cachoeira. A repórter pergunta a Gilmar Mendes: “Jornalistas disseram ao senhor que o Lula estava associando seu nome ao esquema Cachoeira?”. Ao que o ministro responde: “Isso. Alimentando isso”.

Alimentando isso.

Não era o que o ministro queria dizer. Se tivesse sido questionado, teria contado que foi procurado por duas importantes jornalistas dias atrás para saber da mesma história. Espantou-se com o vazamento. Apesar de constrangido, ele havia decidido falar sobre o assunto apenas com alguns de seus pares, pessoas discretas que jamais revelariam a conversa constrangedora. E mantê-la longe dos jornais.

Essas jornalistas são profissionais respeitabilíssimas. Ocupam posições importantes em uma empresa não menos. A história chegou a elas por intermédio de uma fonte crível que preza da amizade de ambos, Gilmar e Lula.

Sabe como a fonte ficou sabendo do diálogo ?

Porque Lula contou.

Isso mesmo. Foi Lula em pessoa quem cometeu a indiscrição de falar sobre a conversa com Gilmar Mendes, descendo ao nível dos detalhes que agora estão expostos por iniciativa do ex-presidente do STF.

Esta é a razão oculta por trás da “inconfidência” do ministro Gilmar Mendes. E também a justificativa para a incapacidade do ex-presidente da República de fazer um desmentido cabal, como o assunto exigiria caso o magistrado pudesse ser desmentido.

Não pode. Há testemunhas muito bem identificadas no caminho da informação que transitou entre o escritório de Jobim e as páginas de Veja.

Se alguém falou demais, não foi Gilmar Mendes. Foi Lula. Simples assim.

Quem fala demais dá bom-dia a cavalo. Deu no que deu.

Gilmar Mendes, no Zero Hora: “Isso está acontecendo porque o processo ainda não foi colocado em pauta”

Reproduzo abaixo a entrevista que o ministro Gilmar Mendes concedeu por telefone ao jornal Zero Hora. Ele chegou a explicitar o motivo que o levou à decisão de revelar a conversa com Lula para a revista Veja. Mas a jornalista que o entrevistou não parece ter entendido a deixa. Leiam. Volto daqui a pouco para por os pingos nos ‘is’. Antecipo apenas que a explicação está contida nas declarações do magistrado que destaco no texto.

Zero Hora — Quando o senhor foi ao encontro do ex-presidente Lula não imaginou que poderia sofrer pressão envolvendo o mensalão?

Ministro Gilmar Mendes — Não. Tratava-se de uma conversa normal e inicialmente foi, de repassar assuntos. E eu me sentia devedor porque há algum tempo tentara visitá-lo e não conseguia. Em relação a minha jurisprudência em matéria criminal, pode fazer levantamento. Ninguém precisa me pedir para ser cuidadoso. Eu sou um dos mais rigorosos com essa matéria no Supremo. Eu não admito populismo judicial.

ZH — Sua viagem a Berlim tem motivado uma série de boatos. O senhor encontrou o senador Demóstenes Torres lá?

Mendes — Nos encontramos em Praga, eu tinha compromisso acadêmico em Granada, está no site do Tribunal. No fundo, isto é uma rede de intrigas, de fofoca e as pessoas ficam se alimentando disso. É esse modelo de estado policial. Dá-se para a polícia um poder enorme, ficam vazando coisas que escutam e não fazem o dever elementar de casa.

ZH — O senhor acredita que os vazamentos são por parte da polícia, de quem investigou?

Mendes — Ou de quem tem domínio disso. E aí espíritos menos nobres ficam se aproveitando disso. Estamos vivendo no Supremo um momento delicado, nós estamos atrasados nesse julgamento do mensalão, podia já ter começado.

ZH — Esse atraso não passa para a população uma ideia de que as pressões sobre o Supremo estão funcionando?

Mendes — Pois é, tudo isso é delicado. Está acontecendo porque o processo ainda não foi colocado em pauta. E acontecendo num momento delicado pelo qual o tribunal está passando. Três dos componentes do tribunal são pessoas recém nomeadas. O presidente está com mandato para terminar em novembro. Dois ministros deixam o tribunal até o novembro. É momento de fragilidade da instituição.

ZH — Quem pressiona o Supremo está se aproveitando dessa fragilidade?

Mendes — Claro. E imaginou que pudesse misturar questões. Por outro lado não julgar isso agora significa passar para o ano que vem e trazer uma pressão enorme sobre os colegas que serão indicados. A questão é toda institucional. Como eu venho defendendo expressamente o julgamento o mais rápido possível é capaz que alguma mente tenha pensado: “vamos amedrontá-lo”. E é capaz que o próprio presidente esteja sob pressão dessas pessoas.

ZH — O senhor não pensou em relatar o teor da conversa antes?

Mendes — Fui contando a quem me procurava para contar alguma história. Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso.

ZH — Jornalistas disseram ao senhor que o Lula estava associando seu nome ao esquema Cachoeira?

Mendes — Isso. Alimentando isso.

ZH — E o que o senhor fez?

Mendes — Quando me contaram isso eu contei a elas (jornalistas) a conversa que tinha tido com ele (Lula).

ZH — Como foi essa conversa?

Mendes — Foi uma conversa repassando assuntos variados. Ele manifestou preocupação com a história do mensalão e eu disse da dificuldade do Tribunal de não julgar o mensalão este ano, porque vão sair dois, vão ter vários problemas dessa índole. Mas ele (Lula) entrava várias vezes no assunto da CPI, falando do controle, como não me diz respeito, não estou preocupado com a CPI.

ZH — Como ele demonstrou preocupação com o mensalão, o que falou?

Mendes — Lula falou que não era adequado julgar este ano, que haveria politização. E eu disse a ele que não tinha como não julgar este ano.

ZH— Ele disse que o José Dirceu está desesperado?

Mendes — Acho que fez comentário desse tipo.

ZH — Lula lhe ofereceu proteção na CPI?

Mendes — Quando a gente estava para finalizar, ele voltou ao assunto da CPMI e disse “que qualquer coisa que acontecesse, qualquer coisa, você me avisa”, “qualquer coisa fala com a gente”. Eu percebi que havia um tipo de insinuação. Eu disse: “Vou lhe dizer uma coisa, se o senhor está pensando que tenho algo a temer, o senhor está enganado, eu não tenho nada, minha relação com o Demóstenes era meramente institucional, como era com você”. Aí ele levou um susto e disse: “e a viagem de Berlim.” Percebi que tinha outras intenções naquilo.

ZH — O ex-ministro Nelson Jobim presenciou toda a conversa?

Mendes — Tanto é que quando se falou da história de Berlim e eu disse que ele (Lula) estava desinformado porque era uma rotina eu ir a Berlim, pois tenho filha lá, que não tinha nada de irregular, e citei até que o embaixador nos tinha recebido e tudo, o Jobim tentou ajudar, disse assim: “Não, o que ele está querendo dizer é que o Protógenes está querendo envolvê-lo na CPI.” Eu disse: “O Protógenes está precisando é de proteção, ele está aparecendo como quem estivesse extorquindo o Cachoeira.” Então, o Jobim sabe de tudo.

ZH — Jobim disse em entrevista a Zero Hora que Lula foi embora antes e o senhor ficou no escritório dele tratando de outros assuntos.

Mendes — Não, saímos juntos.

ZH — O senhor vê alternativa para tentar agilizar o julgamento do mensalão?

Mendes — O tribunal tem que fazer todo o esforço. No núcleo dessa politização está essa questão, esse retardo. É esse o quadro que se desenha. E esse é um tipo de método de partido clandestino.

ZH — Na conversa, Lula ele disse que falaria com outros ministros?

Mendes — Citou outros contatos. O que me pareceu heterodoxo foi o tipo de ênfase que ele está dando na CPI e a pretensão de tentar me envolver nisso.

ZH — O senhor acredita que possa existir gravação em que o senador Demóstenes e o Cachoeira conversam sobre o senhor, alguma coisa que esteja alimentando essa rede que tenta pressioná-lo?

Mendes — Bom, eu não posso saber do que existe. Só posso dizer o que sei e o que faço.

Leia a entrevista no site de Zero Hora.

Lula pediu para adiar mensalão, diz Gilmar Mendes

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para adiar o julgamento do mensalão. Segundo reportagem da revista Veja, a conversa teria ocorrido no escritório de advocacia do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.

Questionado pela reportagem, durante evento neste sábado em Curitiba (PR), Mendes não quis dar declarações, mas confirmou o conteúdo da reportagem e salientou que nem ele nem os outros ministros do Supremo se sentem intimidados pelo ex-presidente. A expectativa é de que o STF julgue a ação no segundo semestre.

De acordo com a revista, Lula teria comentado que o julgamento agora seria “inconveniente” e feito uma oferta velada. Em troca do apoio ao adiamento, Mendes poderia ter proteção na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) do Cachoeira.

O ministro do STF é próximo do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) e há rumores sobre um encontro dos dois em Berlim, supostamente pago por Carlinhos Cachoeira. Lula teria perguntado sobre a viagem e comentado que tem controle sobre a CPI. Lula teria dito que uma decisão este ano seria muito influenciada pelo processo eleitoral.

Porém, haveria uma vantagem extra no adiamento: em 2013, os ministros Carlos Ayres Britto (atual presidente do STF) e Cezar Peluso, considerados propensos à condenação, estarão aposentados.

Procurada, a assessoria de Lula negou a conversa e afirmou que ele nunca interferiu no processo, muito menos pressionou ministros do STF a adiar o julgamento, embora considere o mensalão “uma farsa”. Jobim foi na mesma linha. “O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso”, reagiu. “O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão.” Jobim disse, sem entrar em detalhes, que na conversa foram tratadas apenas questões “genéricas”, “institucionais”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Mariângela Gallucci, Fábio Fabrini, Vera Rosa e Júlio Cesar Lima, especial para o Estado)

Beba na fonte: Lula pediu para adiar mensalão, diz ministro – politica – politica – Estadão.

Veja revela obscena ofensiva de Lula sobre o STF contra o Mensalão

No Blog do Augusto Nunes

O ex-presidente Lula vem erguendo desde o começo de abril o mais obsceno dos numerosos monumentos à cafajestagem forjados desde 2005 para impedir que os quadrilheiros do mensalão sejam castigados pela Justiça. Inquieto com a aproximação do julgamento, perturbado pela suspeita de que os bandidos de estimação correm perigo, o Padroeiro dos Pecadores jogou o que restava de vergonha numa lixeira do Sírio Libanês e resolveu pressionar pessoalmente os ministros do Supremo Tribunal Federal. De novo, como informou VEJA neste sábado, o colecionador de atrevimentos derrapou na autoconfiança delirante e bateu de frente com um interlocutor que não se intimida com bravatas.

A reportagem de Rodrigo Rangel e Otávio Cabral reproduz os momentos mais espantosos do encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes ocorrido, há um mês, no escritório mantido em Brasília pelo amigo comum Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Defesa. A conversa fez escala em assuntos diversos até que o palanque ambulante interrompeu o minueto para dar início ao forró do mensalão. “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar a VEJA. Não é para menos.

“É inconveniente julgar o processo agora”, começou Lula, lembrando que, como 2012 é um ano eleitoral, o PT seria injustamente afetado pelo barulho em torno do escândalo. Depois de registrar que controla a CPI do Cachoeira, insinuou que o ministro, se fosse compreensivo, seria poupado de possíveis desconfortos. “E a viagem a Berlim?”, perguntou em seguida, encampando os boatos segundo os quais Gilmar Mendes e Demóstenes Torres teriam viajado para a cidade alemã num avião cedido por Carlinhos Cachoeira, e com todas as despesas pagas pelo meliante da moda.

Gilmar confirmou que se encontrou com o senador em Berlim. Mas esclareceu que foi e voltou em avião de carreira, bancou todas as despesas e tem como provar o que diz. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”, informou, antes da recomendação final: “Vá fundo na CPI”. Lula preferiu ir fundo no palavrório arrogante. Com o desembaraço dos autoritários inimputáveis, o ex-presidente que não desencarnou do Planalto e dá ordens ao Congresso disse o suficiente para concluir-se que, enquanto escolhe candidatos a prefeito e dá conselhos ao mundo, pretende usar o caso do mensalão para deixar claro quem manda no STF.

Alguns dos piores momentos da conversa envolveram quatro dos seis ministros que Lula nomeou:

CARMEM LÚCIA
“Vou falar com o Pertence para cuidar dela”. (Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF e hoje presidente da Comissão de Ética Pública, é tratado por Carmen Lúcia como “guru”).

DIAS TOFFOLI
“Ele tem que participar do julgamento”. (O ministro foi advogado do PT e chefe da Advocacia Geral da União. Sua mulher defendeu três mensaleiros. Mas ainda não descobriu que tem o dever de declarar-se sob suspeição).

RICARDO LEWANDOWSKI
“Ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem, mas está sofrendo muita pressão”. (Só falta o parecer do revisor do processo para que o julgamento comece. Lewandowski ainda não fixou um prazo para terminar o serviço que está pronto desde que ganhou uma toga).

Os outros dois ministros nomeados por Lula são Joaquim Barbosa (considerado “um traidor”) e Ayres Britto, a quem Gilmar relatou na quarta-feira o encontro em Brasília. O atual presidente do STF soube pelo colega que Lula pretende seduzi-lo com a ajuda do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, amigo de ambos e um dos patrocinadores da sua indicação. Imediatamente, Ayres Britto associou o que acabara de escutar ao que ouviu de Lula num recente almoço no Palácio da Alvorada. “O ex-presidente me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e disse: ‘Qualquer dia a gente toma um vinho’”, contou o ministro a VEJA.

Na mesma quarta-feira, a chegada ao STF de um documento assinado por dez advogados de mensaleiros comprovou que Lula age em parceria com a tropa comandada pelo inevitável Márcio Thomaz Bastos. “Embora nós saibamos disso, é preciso dar mostras a todos de que o Supremo Tribunal Federal não se curva a pressões e não decide ‘com a faca no pescoço’”, diz um trecho desse inverossímil hino à insolência. A expressão foi pinçada da frase dita em 2007 pelo ministro Ricardo Lewandowski, num restaurante em Brasília, depois da sessão que aprovou a abertura do processo do mensalão. Faltou completar a frase do revisor sem pressa: “Todo mundo votou com a faca no pescoço. A tendência era amaciar pro Dirceu”.

O escândalo descoberto há sete anos se arrasta no STF há cinco, mas os dez doutores criticaram “a correria para o julgamento, atiçada pela grita”. Eles resolveram dar lições ao tribunal por estarem “preocupados com a inaudita onda de pressões deflagradas contra a mais alta corte brasileira”. O Brasil decente faz o que pode para manifestar seu inconformismo com o tratamento gentil dispensado pela Justiça a pecadores que dispõem de padrinhos poderosos e advogados que cobram por minuto. São pressões legítimas. Preocupante é o cerco movido a um Poder independente por um ex-chefe do Executivo. Isso não é uma operação política, muito menos uma ação jurídica. É um genuíno caso de polícia.

Se os bacharéis do mensalão efetivamente se preocupam com pressões ilegais, devem redigir outro documento exigindo que Lula aprenda a comportar-se como ex-presidente e pare de agir como comparsa de um bando fora-da-lei.

Carolina Dieckmann vai à Justiça contra a divulgação de fotos

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro foi contratado neste sábado pela atriz Carolina Dieckmann para impedir a divulgação de fotos íntimas suas na internet, como adiantou Ancelmo Gois em seu blog no site do GLOBO. Ele informou que apresentará nesta segunda-feira uma ação inibitória contra sites que publicaram imagens da artista.

— Vamos exigir dos sites sensacionalistas que publicaram as fotos a retirada imediata das mesmas, com uma multa diária estipulada numa liminar — disse Almeida Castro, conhecido como Kakay.

O criminalista afirmou que já pediu ao delegado Gilson Perdigão, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, a abertura de inquérito para que o responsável pelo roubo das imagens guardadas no computador pessoal da atriz seja descoberto.

— Essa pessoa deixou rastros, mandou e-mails para o empresário de Carolina tentando chantageá-la antes de divulgar as imagens. Assim que tiver a identificação oficial do autor do roubo apresentarei uma ação civil e uma criminal. O caso tem um agravante, o responsável pelo delito expôs uma criança. O filho dela, de 4 anos, aparece numa das fotos — afirmou Almeida Castro.

Segundo o advogado, ao começar a ser chantageada, há aproximadamente um mês, Carolina procurou a polícia. O responsável pelo roubo das fotos teria exigido R$ 10 mil da atriz.

— Ela buscou a ajuda da polícia, só não divulgou o caso. Carolina não cedeu à chantagem — disse Almeida Castro.

A atriz deverá prestar depoimento na delegacia esta semana, acompanhada de Almeida Castro. O advogado afirmou que Carolina vinha recebendo mensagens estranhas em seu computador e suspeitava que o equipamento havia sido invadido por um hacker.
Ainda de acordo com Kakay, a atriz, que nunca posou nua para revistas, está muito abalada com essa situação.

via Carolina Dieckmann vai à Justiça contra a divulgação de fotos – O Globo.

Dilma avisa que aceita negociar com base, mas sem chantagem

Diante da forte reação da base aliada no Congresso às suas decisões dos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff avisou que não vai recuar nem ceder a pressões, ameaças e chantagens. Por meio do novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-PR), ela sinalizou com a retomada do diálogo com os governistas insatisfeitos, desde que não haja imposições. Para evitar risco de derrotas em matérias de interesse do governo, Dilma determinou que nada seja votado na Câmara e no Senado enquanto o clima estiver tenso e aliados fizerem ameaças.

Afinado com a presidente, o novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), endureceu o discurso com o líder do PR, senador Blairo Maggi (MT). Na véspera, Blairo anunciara que os sete senadores do PR estão na oposição porque a sigla não retomou o comando do Ministério dos Transportes. E condicionou a volta à base ao atendimento da reivindicação.

- Não dá para conversar com imposição. O líder do PR sabe que estamos tentando resolver isso, mas com esse clima que está sendo colocado eu não tenho mais autoridade para continuar com essas tratativas – disse Braga.

Entre parlamentares, aliados e da oposição, há perplexidade com as brigas que Dilma comprou: troca dos líderes, enfrentamento com grupos poderosos, como o do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), com o PR e até com setores do PT na Câmara.

Na quarta-feira, após o anúncio do PR de que fará oposição no Senado, Braga se reuniu com Dilma. Nesta quinta-feira, explicou que foi feito um convite para que Blairo fosse ministro dos Transportes, que continua de pé:

- Fica uma situação muito esquisita. Houve um convite, e ele nunca foi retirado. Agora, do ponto de vista do governo, não tenho como prosseguir a negociação se o PR não revir sua posição (de ir para a oposição).

PR insiste para ter Transportes de novo

O líder do PR, por sua vez, disse que as informações estão truncadas. Segundo Blairo, o convite para que ele se tornasse ministro foi recusado há sete meses. Ele alegou que haveria conflito de interesses com suas atividades empresariais – e afirmou que, desde então, o PR nunca mais recebeu outra indicação do governo. Contou que, na quarta-feira, foi chamado pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, mas para ser comunicado que o PR não teria mais o Ministério dos Transportes, apenas duas diretorias de estatais.

- Quando ela disse que não ficaria e ofereceu duas estatais, não quis saber de mais nada. Mas, como já disse, quando o governo achar que os sete votos do PR são importantes, nos procure. Eduardo Braga só precisa fazer um gesto, que aí podemos conversar.

Nas palavras de um interlocutor direto de Dilma, acabou a “zona de conforto” da base governista, e os aliados precisam perceber que o governo mudoue que essa mudança inaugurou um novo estilo de fazer política no Palácio do Planalto.

Apesar das queixas dos aliados pela substituição de Cândido Vaccarezza (PT-SP) por Arlindo Chinaglia (PT-SP), na liderança do governo na Câmara, o Palácio do Planalto é direto: Vaccarezza se transformara em porta-voz dele mesmo, e não do governo. O mesmo teria acontecido com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), substituído por Eduardo Braga na liderança do governo no Senado.

Dilma já tinha avisado no início do ano que trocaria os líderes, mas o fez esta semana, sem aviso prévio. Além de ter sido derrotada no Senado — no caso da rejeição do nome de Bernardo Figueiredo para permanecer na direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) -, Dilma se irritou profundamente com outra decisão de Jucá: ele ignorou sua determinação de aprovar, na semana de comemoração do Dia da Mulher, o projeto sobre equiparação de salário entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

Como Braga, Chinaglia, que herdou os conflitos do Código Florestal e da Lei da Copa, também já está agindo, mas é realista:

- Não existe mágica, existe trabalho.

Também é grande o problema do outro lado da Praça dos Três Poderes, no Planalto: a falta de entrosamento e jogo político da dupla palaciana formada por Ideli e pela chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A desastrada negociação da Lei Geral da Copa, classificada por aliados como “lambança”, mostra a deficiência na articulação política.

Ideli, orientada por Dilma para não se deixar ser esmagada, retomou nesta quinta-feira contatos importantes: almoçou com o presidente da Câmara, Marco Maia; encontrou-se com Renan Calheiros; e falaria com Chinaglia.

via Dilma avisa que aceita negociar com base, mas sem chantagem – O Globo.

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