Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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CPI aprova convocação de Pagot, Cavendish e prefeito de Palmas

A CPI do Cachoeira aprovou nesta quinta-feira a convocação do ex-presidente da Delta Fernando Cavendish; do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot; do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT); e da ex- mulher de Cachoeira Andréa Aprigio. Também foi aprovado um convite para o ouvir o ex-juiz do caso Paulo Augusto Moreira Lima, da 11º Vara de Goiânia. A aprovação foi unânime, com 28 votos.
No bloco aprovado também está a convocação do ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa) Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. O governo de São Paulo fez contratos com a Delta, assinados por Paulo Preto no governo de José Serra. Essa convocação gerou bate-boca entre parlamentares do PT e PSDB. Os tucanos queriam que fosse chamado a depor também o ex-tesoureiro da campanha de Lula deputado José Filippi Júnior, mas o relator Odair Cunha (PT-MG) não aceitou inclui-lo. O PSDB apresentou então um requerimento, em separado, que foi rejeitado por 17 votos a 10.
Sobre a convocação de Paulo Preto, o PSDB acusou o relator da CPI de partidarizar as investigações e de desmoralizar a comissão. Cunha defendeu a convocação de Paulo Preto com base em entrevista de Pagot à revista IstoÉ, em abril.
- O Pagot imputa ao Paulo ‘Preto’ a prática de um crime. No caso do deputado José de Filippi não há imputação de prática de crimes – afirmou.
Convocados só deverão ser ouvidos após o recesso parlamentar
Mesmo aprovadas as convocações, o colegiado só deve ouvir novos depoimentos após o recesso parlamentar, a ser iniciado no próximo dia 17. O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo, informou que vai conversar com o presidente do Congresso Nacional, José Sarney (PMDB/AL), para discutir a possibilidade de a CPI funcionar durante o recesso. Durante esse período, não seriam realizadas audiências, mas os parlamentares poderiam ter acesso aos arquivos e trabalhar “de forma administrativa”.

Beba na fonte: CPI aprova convocação de Pagot, Cavendish e prefeito de Palmas – O Globo.

Prefeito de Palmas será ouvido pela CPI do Cachoeira

O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), admitiu nesta segunda-feira que aceitou oferta de ajuda de Carlinhos Cachoeira na campanha eleitoral de 2004, quando se elegeu pela primeira vez ao cargo, mas negou qualquer favorecimento a empresas ligadas ao bicheiro de Goiás. Segundo ele, não houve favorecimento à construtora Delta, ligada a Cachoeira e investigada pela CPI Mista. Em video gravado em 2004 pelo próprio contraventor, o prefeito aparece em negociações com Cachoeira pedindo ajuda e falando das oportunidades a serem exploradas na capital do Tocantins. O prefeito deve ser convocado para depor na CPI.
— No meu governo vocês não acham nada que envolva minha pessoa a nenhum esquema que possa ser desrespeitoso à ética, à moral, à decência e à transparência. Não há ligação nenhuma minha em campanha com pessoa ligada à Delta — afirmou Raul Filho.
Segundo o Jornal Nacional, de 2006 até agora a Delta recebeu R$ 59 milhões da prefeitura de Palmas, sendo dois contratos assinados sem licitação.
Em vídeo divulgado no último domingo pelo “Fantástico”, Raul Filho, acompanhado por assessores, conversa com Cachoeira e diz que a prefeitura de Palmas é um estágio de um projeto de poder no Tocantins. O bicheiro, então, pergunta o que o então candidato está precisando e oferece ajuda:
— Mas Raul, o que você está precisando lá, hein? Você acha que um grande show seria bom para você lá na reta final?
— Ah, com certeza — responde Raul, já acenando com oportunidades que poderiam interessar a Cachoeira.
Em outra gravação, um assessor de Raul Filho, identificado como Silvio Roberto, trata com o contraventor sobre o envio de R$ 150 mil para Tocantins.
— É para pagar quem? É um só? — indaga Cachoeira.
O surgimento do vídeo feito por Cachoeira animou a ala independente da CPI que investiga as relações do contraventor com parlamentares.
— O surgimento desse acervo é o fato mais relevante desta CPI. Os vídeos que já chegaram aqui são apenas 10% do total. A grande expectativa da CPI neste momento são os vídeos que virão à tona. Tem muita gente com a barba de molho, porque as informações são de que muitos agentes públicos estiveram com ele, não só o prefeito de Palmas — disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que fez requerimento pedindo que a Polícia Federal envie o quanto antes os vídeos restantes.

Beba na fonte: Prefeito de Palmas será ouvido pela CPI do Cachoeira – O Globo.

CPI convoca Perillo e Agnelo, mas poupa governador do RJ

ANDREZA MATAIS, ERICH DECAT E RUBENS VALENTE

Um racha na base aliada fez com que a CPI do Cachoeira aprovasse ontem a convocação dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF). Já o pedido para ouvir Sérgio Cabral (PMDB-RJ) foi rejeitado.

O PMDB, aliado do PT, articulou os 16 votos pela convocação de Agnelo, com o apoio de PP, PR PSC, PSB, PDT e da oposição. Doze parlamentares votaram contra. O depoimento de Perillo foi aprovado por unanimidade.

A CPI não marcou data para ouvir os governadores.

Segundo a Polícia Federal, Perillo recebeu R$ 1,4 milhão de Carlinhos Cachoeira pela venda de uma casa e nomeou funcionários a pedido do empresário, preso sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal.

Agnelo, diz a PF, também teve assessores corrompidos pelo grupo de Cachoeira. Tanto o petista quanto o tucano negam irregularidades.

A ação do PMDB foi interpretada no PT como um troco pelo fato de o partido ter apoiado a ampliação da quebra dos sigilos fiscal e bancário da Delta.

A empreiteira é suspeita de se beneficiar da relação de um de seus diretores com Cachoeira. Vários políticos do PMDB são próximos a Fernando Cavendish, presidente licenciado da Delta.

CABRAL

No caso do governador do Rio, foram 17 votos contrários à sua convocação e 11 favoráveis. Os tucanos deram três dos seus cinco votos contra, atendendo a um apelo do senador Aécio Neves (PSDB-MG). PT e PMDB votaram fechados para blindar o governador. Cabral teve sua relação com Cavendish exposta em fotos tiradas em Paris.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), flagrado há alguns dias mandando torpedo para Cabral no qual disse “você é nosso e nós somos teu”, se ausentou na votação.

No final, o relator, Odair Cunha (PT-MG), justificou as decisões da CPI. “Há indícios mais contundentes no que diz respeito aos dois governadores [Agnelo e Perillo]. É claro que há nível diferente de envolvimento com a organização criminosa. O governador Perillo é muito mais evidente. O Agnelo é menos”.

A CPI também aprovou ontem a quebra dos sigilos fiscal, bancário, telefônico e dos emails de uma empresa que tem entre seus sócios o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende dois investigados pela comissão: Perillo e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

Trata-se da Data Traffic, que recebeu R$ 30 milhões do governo entre 2010 e 2012 em contratos com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Em diálogos interceptados pela PF, a empresa foi citada várias vezes por integrantes do esquema de Cachoeira.

A CPI ainda aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e do e-mail do senador Demóstenes Torres desde 2002.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI convoca Perillo e Agnelo, mas poupa governador do RJ – 31/05/2012.

CPI adia outra vez ação contra governadores

ANDREZA MATAIS E RUBENS VALENTE

Integrantes da CPI do Cachoeira ampliaram ontem a a quebra dos sigilos fiscal, financeiro e bancário da empreiteira Delta, mas voltaram a adiar a investigação de governadores que teriam relações com o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos.

A convocação dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) pode entrar na pauta da CPI hoje, mas a tendência é de que seja derrubada.

O relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), irá encaminhar voto contrário.

O PT não irá insistir na convocação de Perillo, suspeito de ter recebido dinheiro do grupo de Cachoeira pela venda de uma casa em Goiânia.

O tucano nega relação financeira com o empresário. O PT e demais aliados não veem razão em investigar, por ora, os demais governadores, que são de partidos da base.

Cabral é amigo pessoal do presidente licenciado da Delta, Fernando Cavendish, e contratou a empresa sem licitação. Já Agnelo, segundo a Polícia Federal, teria nomeado em seu governo pessoas que mantinham contatos com o grupo. Ambos também negam irregularidades.

Para adiar o pedido de convocação, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI, disse que consultaria a assessoria jurídica da CPI para saber se governadores podem ser investigados ou mesmo convocados. Segundo o PMDB, haveria risco ao “princípio federativo”.

DIVISÃO

Inicialmente contrário a ampliar a investigação sobre a empreiteira Delta, o PT, que tem três integrantes na comissão, votou rachado.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi contra a aprovação do requerimento da oposição que irá permitir à CPI ter acesso a dados nacionais sigilosos da Delta de janeiro de 2003 até agora. Odair Cunha votou a favor.

A CPI já havia quebrado os sigilos da empreiteira no Centro Oeste. Os dados, porém, podem não ser usados. O relator já afirmou que sua investigação será focada em pessoas que foram corrompidas por Cachoeira.

O PMDB, que preside a CPI, tentou limitar a quebra do sigilo da Delta às contas relacionadas ao esquema Cachoeira, mas não conseguiu.

Para a Polícia Federal, a Delta foi um dos braços financeiros de um esquema ilegal comandado por Cachoeira. A empresa repassou ao menos R$ 40 milhões para firmas fantasmas que podem ter abastecido campanhas.

A assessoria de imprensa da Delta informou que a nova gestão “assumiu a empresa no dia 14 de maio e já iniciou um rígido processo de auditoria.”

De acordo com a assessoria, “qualquer investigação externa, realizada pelos órgãos públicos competentes, irá colaborar com esse processo de forma a deixar claro procedimentos adotados na antiga gestão da empresa.”

Ontem, a CPI aprovou também a convocação de Heraldo Puccini, diretor da Delta na região Sudeste. O pedido partiu do PT, que alega haver obras superfaturadas da empresa no governo paulista, comandado pelos tucanos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI adia outra vez ação contra governadores – 30/05/2012.

STF obriga Cachoeira a comparecer à comissão

FELIPE SELIGMAN

O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, irá depor hoje na CPI criada para investigar suas relações com políticos e empresas. A expectativa, porém, é que ele fique calado para evitar produzir provas contrárias a ele mesmo.

Na semana passada, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), havia concedido uma liminar suspendendo o depoimento. Mello acatou argumento dos advogados do empresário, que alegavam não ter tido acesso ao material da CPI. Como a comissão liberou a entrada da defesa a sua sala-cofre, Mello decidiu que a liminar não tem mais validade.

O ministro também negou um novo pedido da defesa por mais três semanas de adiamento para que pudessem estudar melhor a papelada. Na decisão, Mello citou trecho das informações prestadas pelo presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), de que, durante a semana passada, “os dignos advogados não demonstraram qualquer disposição efetiva de analisar a documentação”.

No Conselho de Ética do Senado, Cachoeira também não deve depor. Ele foi listado como testemunha de defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que responde por quebra de decoro. Seu depoimento no Senado estava marcado para amanhã.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – STF obriga Cachoeira a comparecer à comissão – 22/05/2012.

Relator da CPI descarta convocação de procurador

CATIA SEABRA E LÚCIO VAZ

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse ontem considerar desnecessária a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para prestar esclarecimentos sobre sua atuação nas investigações sobre o empresário Carlinhos Cachoeira.

O procurador tem sido pressionado para explicar por que decidiu não investigar o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) em 2009, quando a Polícia Federal colheu os primeiros indícios de sua ligação com Cachoeira.

Principal responsável pela condução das investigações na CPI, Cunha vai sugerir que Gurgel apresente suas justificativas por escrito. “A convocação é desnecessária”, afirmou. “O mais importante é a resposta, o conteúdo, as questões substantivas.”

Nos últimos dias, integrantes da comissão, em sua maioria petistas, questionaram o procurador-geral por não ter investigado Demóstenes em 2009 e defenderam sua convocação pela CPI.

Gurgel acusou os críticos de agirem para intimidá-lo, numa tentativa de proteger os réus do processo do mensalão, em que ele é responsável pela acusação. O caso pode ser julgado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal.

O confronto gerou mal-estar entre a CPI e o Ministério Público, levando dois ministros do STF a saírem em defesa de Gurgel na quinta-feira.

O procurador-geral afirma que não abriu inquérito contra Demóstenes em 2009 por considerar insuficientes as evidências que a PF exibiu contra o senador na época.

Além disso, Gurgel defendeu sua decisão argumentando que ela permitiu que a Polícia Federal encontrasse mais tarde novas evidências da ligação de Demóstenes com o grupo de Cachoeira.

O presidente da CPI, Vital do Rêgo, disse ontem à Rede Globo que o requerimento para convocar o procurador será votado na próxima quinta.

“Vamos votar todos os requerimentos que envolvem o Ministério Público, as convocações dos procuradores, a possível convocação do procurador-geral e vamos estudar jurídica e tecnicamente a convocação do Ministério Público à CPI”, disse ele.

Também será votado requerimento da quebra do sigilo telefônico da subprocuradora Cláudia Sampaio Marques, mulher do procurador.

Cláudia é uma das responsáveis pelo acompanhamento de processos criminais na Procuradoria e foi ela que concluiu em 2009 que não havia indícios para abrir inquérito contra Demóstenes.

via Folha de S.Paulo – Poder – Relator da CPI descarta convocação de procurador – 12/05/2012.

Convocação de Gurgel é equivocada, diz chefe da Promotoria paulista

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, 49 anos, chefe do Ministério Público estadual, disse nessa sexta-feira (11) que a eventual convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pela CPI do Cachoeira, é “equivocada”.

“Não é uma interferência de poder, mas é uma decisão equivocada sobre o papel do procurador-geral. É muito comum, nas grandes questões processuais, estratégias de defesa que visam desqualificar sobretudo aquele que promove a Justiça. Quanto maior a repercussão do caso, maior a chance de esse expediente acontecer”, afirmou.

Rosa, que falou do caso após cerimônia que o empossou no cargo, afirmou ainda que a presença de Gurgel na CPI é “desnecessária”, já que caso ele preste depoimento estará impedido de atuar no processo posterior.

Deputados governistas têm defendido a convocação de Gurgel para que ele explique a razão de não ter solicitado novas investigações após receber o relatório da Operação Vegas, em 2009.

Gurgel alega que as informações somente passaram a ficar consistentes para iniciar o inquérito quando se juntaram ao material da Operação Monte Carlo. Ele disse anteontem que sua estratégia se mostrou bem sucedida, pois se tivesse feito algo em 2009, as investigações não teriam se aprofundado e Cachoeira poderia não ter sido preso.

INVESTIGAÇÃO

O procurador paulista criticou ainda “as tentativas de enfraquecer” o poder investigatório do Ministério Público, especialmente a chamada “PEC (Projeto de Emenda Constitucional) da impunidade”, que tramita na Câmara dos Deputados.

De acordo com a proposta, os poderes de investigação criminal deixariam de pertencer ao Ministério Público e passariam a ser exclusivos da Polícia Civil ou da Polícia Federal.

Em entrevista à Folha, Rosa afirmou que combater a PEC seria prioridade na sua gestão, que vai até 2014.

“A proposta não só é inconstitucional como também é uma desnecessidade absoluta para o direito brasileiro. O que precisa é um aperfeiçoamento da investigação, não um abrandamento dessa investigação”, afirmou.

Estiveram presentes no evento de posse o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o vice-presidente da República Michel Temer (PMDB), que elogiou os escolhidos para compor a Comissão da Verdade.

“São pessoas muito capazes de levar adiante essa importantíssima tarefa com muita sobriedade. Tenho certeza que o farão seu trabalho com vistas à pacificação nacional”, afirmou Temer.

via Folha.com – Poder – Convocação de Gurgel é equivocada, diz chefe da Promotoria paulista – 11/05/2012.

Procurador recorrerá ao Supremo se for convocado

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, diz estar legalmente impedido de participar de sessão da CPI do Cachoeira no Congresso.

Caso seja convocado, o que pode acontecer e teria caráter obrigatório, ele recorrerá ao STF (Supremo Tribunal Federal). A Procuradoria já tem até uma minuta do recurso.

O senador Fernando Collor (PTB-AL) apresentou requerimento, ainda não votado, para que ele esclareça “aspectos da atuação do órgão de que é titular” nas operações Vegas e Monte Carlo.

Gurgel recebeu os dados da primeira operação em setembro de 2009, por haver referências ao senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e a deputados federais. Só a Procuradoria-Geral pode investigar essas autoridades.

O procurador diz que não tomou providências na época para não atrapalhar a apuração que seguia na primeira instância em Goiás, e sustenta que, por isso, a Operação Monte Carlo conseguiu prender Carlinhos Cachoeira em fevereiro passado.

Gurgel tem dois argumentos técnicos para apresentar ao STF caso seja convocado.

Primeiro, seu assessores citam os Códigos de Processo Penal e de Processo Civil, segundo os quais juízes e membros do Ministério Público devem se declarar impedidos nos casos em que tiverem desempenhado outras funções ou atuado como testemunha.

Gurgel argumenta que, caso vá à CPI, se tornará uma testemunha e ficará impedido de atuar no caso.

O segundo argumento é o da separação de Poderes. Segundo assessores do procurador, o local para reclamações sobre a conduta da Procuradoria é o processo judicial, não o Congresso.

Há precedente. O ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza recusou convite informal da CPI dos Correios, que investigou o mensalão em 2005, utilizando os mesmos argumentos. Souza acabou não convocado.

via Folha de S.Paulo – Poder – Procurador recorrerá ao Supremo se for convocado – 11/05/2012.

Cabral tenta evitar depoimento na CPI

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), procurou a cúpula do seu partido em busca de apoio para evitar que seja convocado a prestar esclarecimento à CPI do Cachoeira sobre suas relações com a construtora Delta, um dos alvos da comissão.

Dois requerimentos foram apresentados à CPI pedindo a convocação de Cabral depois da divulgação de fotos e vídeos em que ele aparece ao lado do dono da empresa, Fernando Cavendish, em Paris e Monte Carlo.

A Delta entrou na mira da CPI porque investigações da Polícia Federal mostraram ligações entre ela e o empresário Carlinhos Cachoeira, preso sob a acusação de explorar jogos ilegais e comandar um esquema de corrupção.

Os requerimentos que pedem a convocação de Cabral devem ser votados no dia 17 e podem ganhar força se a Procuradoria-Geral da República abrir investigação sobre o governador e a Delta.

O blog do jornalista Josias de Souza informou ontem que o procurador Roberto Gurgel fará uma análise preliminar dos negócios do governo com a construtora.

Segundo o blog, Gurgel também decidiu pedir ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) que investigue o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que também manteve relações com Cachoeira nos últimos anos, segundo a PF.

A Folha apurou que o governador do Rio procurou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), além de membros do PSDB, partido ao qual foi filiado anteriormente.

A assessoria de imprensa de Cabral afirmou à Folha que o governador “mantém diálogo com lideranças nacionais e regionais do PMDB”, mas não quis fazer comentários sobre o teor de suas conversas mais recentes.

O movimento de Cabral surtiu efeitos ontem. “Não é uma CPI social para investigar jantar de governador”, disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN).

“Você acha que deve se convocar um governador só porque foi a Paris? Tem gravações dele com Cachoeira? Também não há nada contra o Cavendish”, afirmou o deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), que dita a posição do PT na CPI.

Nesta semana a CPI vai ouvir em sessões fechadas dois procuradores e dois delegados que participaram das investigações sobre o grupo de Cachoeira. (andreza matais, erich decat e gabriela guerreiro)

via Folha de S.Paulo – Poder – Cabral tenta evitar depoimento na CPI – 07/05/2012.

Presidente do PT defende convocação de Perillo na CPI

DAIENE CARDOSO E GUILHERME WALTENBERG , da Agência Estado

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão, defendeu nesta sexta-feira a convocação de governadores na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, especificamente o de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). “É possível que num dado momento eles convoquem um governador, principalmente o Marconi Perillo”, disse o dirigente, para quem o governador tucano seria o mais exposto pelo vazamento da investigação da Operação Monte Carlo, que resultou na prisão do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Falcão, que participou na manhã desta sexta-feira de um encontro para discutir estratégia eleitoral dos pré-candidatos do PT nessas eleições municipais, em Embu das Artes, São Paulo, disse em seu discurso que este é o momento para que a sociedade saiba quem é o homem que disse ter alertado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do estouro do escândalo que ficou conhecido como Mensalão. “Essa CPI vai mostrar quem é o governador de Goiás”, disse, numa referência ao fato de Perillo ter dito, na ocasião desse escândalo, que teria alertado Lula.

Ainda nas críticas a Marconi Perillo, o dirigente petista disse que o governador poderia estar “recebendo dinheiro em caixa de computador”, numa referência às escutas que apontam que a quadrilha de Cachoeira poderia ter levado dinheiro para a sede do governo goiano. No entanto, Falcão ponderou que os vazamentos não são suficientes para incriminar ninguém neste momento, nem mesmo o governador tucano, que integra o maior partido de oposição ao PT.

Indagado sobre a inclusão de nomes de outros governadores no vazamento dessas escutas, como por exemplo o correligionário Angelo Queiróz, governador petista do Distrito Federal, Rui Falcão argumentou que pelos dados apresentados até agora, só caberia a convocação de Perillo. “Mas essa é uma decisão da CPMI”. E frisou: “Por enquanto, eu defendo a convocação de todos que tenham comprovação de envolvimento nesta organização criminosa”.

Com mais um governador na mira, CPI terá nesta quarta primeiro embate político

João Domingos

Governistas e oposição vão travar nesta quarta-feira, 2, sua primeira grande batalha na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira com um novo personagem no epicentro da luta política, até a semana passada restrita a petistas e tucanos, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Ele é mais um chefe de Executivo estadual a ter o nome envolvido no esquema de contravenção e o terceiro a entrar na mira da comissão parlamentar.

Na sessão marcada para às 10h30 os integrantes da comissão irão receber os 40 volumes do inquérito que investigou o esquema do contraventor e suas ligações com agentes públicos e privados. PMDB e PT pretendem fazer de tudo para blindar Cabral e Agnelo Queiroz (Distrito Federal) e evitar que sejam convocados a depor na CPI a respeito de supostas ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira e o empresário Fernando Cavendish, que se afastou na semana passada da direção da Delta Construções S.A.

Ao mesmo tempo, o PT defende a convocação do governador de Goiás, o tucano Marconi Perilo, sob o argumento de que os grampos feitos pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo escancararam as ligações dele com Carlinhos Cachoeira. “Não quero fazer prejulgamentos, mas todas as conversas gravadas pela PF e que envolvem o governador Marconi Perillo apontam para uma séria relação dele com o bando do Cachoeira”, disse ao Estado o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). “É muito diferente do que ocorreu com o governador Agnelo, que é vítima da organização criminosa.”

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), rebateu Tatto. “Nós, do PSDB, já pedimos a convocação do governador Marconi, que concorda em comparecer à CPI para dar explicações. Agora, se o PT e o PMDB querem usar de dois pesos e duas medidas para proteger os seus governadores, nós não vamos aceitar”, afirmou. “Se tem três governadores que são suspeitos de ligação com o Cachoeira e com a Delta, que esclareçam tudo à CPI. É isso que defendemos. Não tem de proteger ninguém”, disse ainda o senador.

A convocação de Sérgio Cabral será proposta por requerimento do deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que é delegado da Polícia Federal. A sugestão para que ele apresentasse o requerimento de convocação é do deputado tucano Otávio Leite (RJ), que antes pediu a intermediação do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Francischini acusa o governador Agnelo Queiroz de ter montado uma rede de grampos ilegais. Por isso, requereu ao Ministério Público a prisão de Agnelo.

Ao defenderem Cabral dos ataques da oposição, os dirigentes do PMDB afirmam que o governador está sendo vítima de uma briga particular com o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ). Na semana passada, Garotinho postou em seu blogfotos de Cabral, Cavendish e secretários na Avenida Champs-Elysées, em Paris, durante viagem oficial, e no Restaurante Luis XV, no Hotel de France, em Mônaco, em 2009. O deputado também veiculou um vídeo de um jantar – ocorrido em Paris ou em Mônaco – com Cabral, o secretário de Saúde Sérgio Côrtes, Cavendish e suas respectivas mulheres.

Reação. Aliado do PMDB, com o qual não quer nenhuma confusão, o líder Jilmar Tatto discorda da convocação. “É preciso examinar todos os elementos. Acho que é precipitado convocar o Sérgio Cabral agora”, disse Tatto.

O Palácio do Planalto quer manter a CPI sob controle, fazendo com que investigue somente o esquema de Cachoeira e as ligações dele com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), além da construtora Delta.

O líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse que o governo não quer ter nada sob controle: “Existe uma dinâmica no noticiário. É o chamado comportamento de manada. Atribui-se (isso) ao Planalto e ninguém diz com quem falou. Lamentavelmente, são análises em vez da informação”, afirmou.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), voltou a prever que a CPI do Cachoeira será “muito complexa, explosiva, e que vai exigir muita atenção das pessoas ligadas ao mundo da política”.

Segundo ele, sua expectativa é de que haja uma “bela investigação”, capaz de esclarecer as relações de Carlinhos Cachoeira com o mundo político, com o mundo privado e o setor público. Maia previu ainda que a CPI não vai atrapalhar a pauta da Câmara. Para ele, trata-se de algo independente do trabalho da CPI. / COLABORARAM BEATRIZ BULLA E ISADORA PERON

via Com mais um governador na mira, CPI terá nesta quarta primeiro embate político – politica – politica – Estadão.

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