Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the tag “corrupção”

Câmara de SP tem compra de voto, diz Soninha

RICARDO CHAPOLA – O Estado de S.Paulo

A candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, afirmou ontem que existe compra de votos na Câmara Municipal, embora não tenha revelado nomes dos supostos envolvidos. “Claro que dá para comprar vereador. Já soube que fulano estava pedindo 120 cargos diversos na Prefeitura”, afirmou Soninha, que foi vereadora entre 2005 e 2008, durante a sabatina Folha/UOL.

Segundo a candidata, as negociações também ocorriam em forma de dinheiro – nesse caso, Soninha não especificou valores. “Nenhum projeto passa na Câmara sem passar por acordo prévio. Tudo é acordo. Cada projeto aprovado foi acordado antes, numa reunião com um colégio de líderes. Na pior das hipóteses, essa troca é feita em forma de dinheiro”, explicou.

Soninha insinuou que o esquema de pagamento de propinas ocorreu na Câmara sob a conivência do atual prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD). “Quando o governo tem muita facilidade em aprovar projeto, acende a luz amarela”, afirmou. A candidata do PPS – que foi subprefeita da Lapa, na zona oeste, durante a gestão Kassab – afirmou que o prefeito é pouco proativo no combate à corrupção.

Durante a sabatina, Soninha voltou a defender a legalização da maconha e a venda da droga em bares, como ocorre hoje com bebida alcoólica e cigarro. “Acredito que para o bem da sociedade tem que legalizar a maconha”, avaliou. A solução seria vender maconha como se faz com cerveja, exemplificou a candidata, para trazer o comércio para o “mundo da legalidade”.

Em 2001, Soninha admitiu em entrevista à revista Época que era usuária de maconha. A candidata diz não fumar mais por questões religiosas – ela se declara budista. “Não batia com a minha religião.”

Beba na fonte: Câmara de SP tem compra de voto, diz Soninha – politica – versaoimpressa – Estadão.

Desembargador é suspeito de privilegiar frigorífico

LEANDRO COLON

Investigação da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça aponta “evidências” de que um desembargador e um juiz federal usaram seus cargos para favorecer um frigorífico acusado de sonegação e crimes tributários estimados em R$ 184 milhões.

O desembargador citado é Nery da Costa Júnior, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (sede em SP). Ele é suspeito de interferir no processo para desbloqueio de bens do frigorífico Torlim -decidido em 2011 pelo juiz Gilberto Rodrigues Jordan.

O relatório assinado pela corregedora do CNJ, a ministra Eliana Calmon, deve ser votado no próximo dia 30. Ele diz que o desembargador e o juiz podem “de fato ter agido com violação dos deveres impostos aos magistrados” e “de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções”.

A sindicância do CNJ foi aberta em maio de 2011, depois de o Ministério Público Federal pedir investigação. Ela solicitou informações dos tribunais, ouviu investigados e juntou a apuração da Corregedoria do próprio TRF.

Documentos da sindicância sigilosa obtidos pela Folha revelam relações entre Nery Júnior e Sandro Pissini, dono do escritório de advocacia contratado em 2008 pelo Grupo Torlim para defesa em processo em Ponta Porã (MS).

Pissini foi assessor dele no TRF entre 1999 e 2001. O desembargador já vendeu uma fazenda ao advogado. E, desde 2011, um ex-funcionário do escritório de Pissini é chefe de gabinete de Nery Júnior.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Desembargador é suspeito de privilegiar frigorífico – 16/07/2012.

PF aponta superfaturamento na obra da ferrovia Norte-Sul

FERNANDO MELLO E DIMMI AMORA

Vinte e cinco anos atrás, uma concorrência de cartas marcadas tornou a ferrovia Norte-Sul um ícone da malversação de negócios públicos no governo José Sarney.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reabilitou a obra, mas uma investigação da Polícia Federal mostra que pouco mudou desde então.

Laudos periciais obtidos pela Folha apontam indícios de que houve conluio entre as construtoras encarregadas da obra, cobrança de propina e um sobrepreço de mais de R$ 100 milhões no trecho da ferrovia que cruza Goiás.

Os documentos ajudam a entender o que levou o ex-presidente da estatal responsável pela ferrovia, a Valec, a ser preso no dia 5 de julho.

Acusado de enriquecimento ilícito, José Francisco das Neves, o Juquinha, foi solto na última semana, após a Justiça avaliar que ele não oferece risco para a investigação.

Na noite de anteontem, a 11ª Vara Federal de Goiânia decidiu sequestrar bens da família dele -inclusive os comprados antes de supostos desvios na Norte-Sul e adquiridos de forma legal.

O dinheiro pode ser usado para ressarcir os cofres públicos -para o Ministério Público Federal, seria a primeira decisão com base na nova lei sobre lavagem de dinheiro.

Os peritos da PF analisaram o trecho da Norte-Sul entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), contratado por R$ 622 milhões. Comparando os preços das construtoras e os do mercado, acharam diferença superior a R$ 100 milhões.

No lote 2, um trecho de 52 km entre Ouro Verde de Goiás e Pátio de Jaraguá, a polícia encontrou sobrepreço de R$ 25,5 milhões -20%.

A concorrência foi vencida pela Camargo Corrêa, mas a empreiteira deixou a obra. Ela foi entregue à Constran em 2009, mas o contrato venceu e a obra está parada.

No lote 3, com 71 km entre Pátio de Jaraguá e Pátio de Santa Isabel, a PF apontou sobrepreço de R$ 22 milhões, ou 13,5%. A obra foi concluída pela Andrade Gutierrez.

Nos 105 km entre Pátio de Santa Isabel e Pátio de Uruaçu, o lote 4, o sobrepreço apontado foi de R$ 48,5 milhões -ou 25% a mais. A Constran também abandonou o lote, entregue em 2009 à SPA Engenharia. O contrato venceu, e a obra parou.

Lançada em 1986, a Norte-Sul foi interrompida depois que a Folha apontou fraude na concorrência da obra. Uma nova licitação foi feita em 2004, no governo Lula.

Orçada em R$ 6 bilhões e dividida em vários contratos, a obra só prossegue porque as empresas aceitaram construir sem receber todo o valor contratado (parte é retida enquanto se discute o preço).

A PF reuniu indícios de que parte do dinheiro foi desviada para pagar propina.

A polícia considera revelador um diálogo telefônico gravado em outubro de 2011, entre o advogado de Juquinha e um ex-diretor da Valec, Luiz Carlos Machado de Oliveira.

O advogado pergunta a Oliveira se ele conversou “com a Galvão sobre aquele assunto”, ouvindo como resposta: “Conversei. Eles dizem que vão acertar na semana que vem, assim que receberem”.

Dez dias depois, a Queiroz Galvão recebeu R$ 4 milhões da Valec por conta de um túnel na Norte-Sul. Para a polícia, há suspeita de propina.

A investigação aponta sobrepreço de R$ 5 milhões no lote da Queiroz Galvão (de Anápolis a Campo Limpo).

Para a PF, um dos motivos para o superfaturamento foi o conluio entre as empresas. Laudo observa que 17 empreiteiras se interessaram, mas só 7 ficaram na disputa, exatamente o número de lotes.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PF aponta superfaturamento na obra da ferrovia Norte-Sul – 15/07/2012.

‘Ninguém mais tolera a corrupção’, diz presidente do TSE

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, disse nesta sexta-feira que a aplicação da Lei da Ficha Limpa será um desafio para a Justiça Eleitoral do país, e que a Corte terá que fazer cumprir a lei, porque ninguém aceita mais a corrupção. A nova regra, que pela primeira vez poderá ser aplicada integralmente na eleição deste ano, impede que políticos condenados por órgãos colegiados possam disputar cargos eletivos.
— Ninguém tolera mais a corrupção. Temos que fazer cumprir essa lei — disse a ministra, em reunião no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), nesta sexta-feira.
Cármen Lúcia garantiu que os juízes eleitorais terão segurança para trabalhar com tranquilidade e coibir abusos e afrontas à lei.
— Coloco-me à disposição de qualquer juiz, a qualquer momento, para que se cumpram as demandas. Vamos analisar as singularidades de cada um, a fim de garantir a democracia e o direito do cidadão — disse a presidente do TSE.
A ministra também pediu o apoio de todos os servidores da Justiça Eleitoral para que a legislação seja cumprida:
— A democracia brasileira passa pelo povo brasileiro, mas somos privilegiados por fazer garantir esse direito.

Beba na fonte: ‘Ninguém mais tolera a corrupção’, diz presidente do TSE – O Globo.

Copa 2014: Aparece finalmente a sujeira

No blog do Claudio Lessa

Agora já se sabe oficialmente (a partir de documentos publicados pela Justiça suiça) o que já se sabia, há anos, na informalidade. Ricardo Teixeira e seu sogro João Havelange receberam cerca de 40 milhões de reais de propinas da ISL, uma empresa de marketing esportivo. O que não se sabia com certeza é de que tudo isso ocorreu sob as bênçãos da FIFA.

Vários membros de sua cúpula, inclusive o então secretário-executivo Joseph Blatter, estavam cientes do que  se passava e nunca deram um pio. Foi dentro desse clima que preparou-se a Copa do Mundo de 2014 — um evento que desvia bilhões de reais dos cofres públicos para algo absolutamente desnecessário, diante dos enormes problemas de saúde pública, educação, segurança, infraestrutura e habitação enfrentados pelos brasileiros. Tudo, claro, com as bênçãos e cumplicidade do então presidente Lula, responsável pela supervisão do chamado “mensalão”, o maior esquema de corrupção política da História do Brasil.

Beba na fonte: Blog do Lessa | Notícias e Comentários sob uma Perspectiva Politicamente Incorreta.

“Bombons” de Maluf podem mandar executivos de empreiteiras para a cadeia

Fausto Macedo

O Ministério Público Federal denunciou criminalmente oito executivos ligados ou que já pertenceram aos quadros das empreiteiras Mendes Júnior e OAS sob a acusação de desvio de dinheiro da obra da Avenida Água Espraiada, hoje rebatizada de Jornalista Roberto Marinho, na zona sul, durante a gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (1993/1996). Segundo a denúncia, parte dos recursos foi enviada para contas em paraísos fiscais em favor de Maluf.

Os executivos são acusados de peculato e lavagem de dinheiro. Seis são da Mendes Júnior. Outros dois denunciados são da OAS. Também são acusados dois nomes da cúpula da antiga Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), responsável pela construção da Avenida, que à época chegou a ser considerada uma das mais caras do mundo.

Maluf, deputado federal pelo PP, não está entre os denunciados porque contra ele já corre uma ação penal sobre o mesmo caso no Supremo Tribunal Federal.

De volta ao protagonismo da cena política ao anunciar no mês passado em sua casa o apoio do PP à candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, com a presença inclusive do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Maluf é citado na nova denúncia criminal como beneficiário das verbas supostamente desviadas dos cofres públicos.

Subscrita pela procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins e protocolada na Justiça Federal em 22 de maio, a denúncia narra especificamente a conduta das empreiteiras no suposto esquema de desvios a partir de inquérito da Polícia Federal.

O inquérito federal é um desdobramento da ação que o deputado e ex-prefeito responde no Supremo por lavagem de dinheiro.

Preço. Há ainda uma ação civil sobre o caso. Ela tramita na 4.ª Vara da Fazenda Pública e também serviu como subsídio para o inquérito criminal federal. Nela, o Ministério Público Estadual de São Paulo informa que foram gastos US$ 600 milhões na obra. Do montante, segundo “relatório de propina” que consta dos autos, 37% foram desviados.

“A presente investigação decorre de desmembramento dos autos criminais em trâmite (contra Maluf) no STF pelos ilícitos referentes ao desvio de recursos públicos no curso da construção da Avenida Água Espraiada.”

O inquérito federal criminal teve origem com o compartilhamento de provas de inquérito civil e da ação de improbidade na 4.ª Vara da Fazenda – em 2004, a Justiça bloqueou R$ 5 bilhões de Maluf e das empreiteiras.

“Os autos foram desmembrados da ação penal (do STF) para identificar a autoria das demais pessoas físicas que participaram de tais fatos criminosos”, ressalta Bandeira Lins. “As empreiteiras se associaram para a prática habitual de crimes contra a administração pública, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Subcontratavam empresas que emitiam notas fiscais por serviços não realizados ou lançados a preço bem maior. Tais empresas devolviam às empreiteiras grande parte dos recursos recebidos, aproximadamente 90%, através de cheques ao portador.”

Caixa de bombom. “As empreiteiras convertiam os recursos desviados em dólares e procediam ao acondicionamento de tais moedas em embalagens dissimuladas, caixas de uísque, bombons, pacotes de presente, para entregá-los a Reynaldo de Barros (então presidente da Emurb, já falecido)”, sustenta a Procuradoria. “Barros distribuía tais recursos a Maluf e, após a assunção de Celso Pitta (prefeito entre 1997 e 2000, falecido), a este também. O dinheiro era destinado a contas não declaradas no exterior, como a Chanani e a Falcon, visando ocultação de sua origem e localização.”

Beba na fonte: Procuradoria denuncia empreiteiros acusados de pagar a Maluf no exterior – politica – politica – Estadão.

Dnit pós-faxina tem graves problemas

Lu Aiko Otta, da Agência Estado

Um ano após iniciada a “faxina”, a área de transportes do governo federal luta para corrigir os malfeitos do passado e ainda enfrenta dificuldades para investir. “Quando eu assumi o Dnit, encontrei uma carteira de contratos de obras da ordem de R$ 15 bilhões. São R$ 15 bilhões de problemas para gerenciar. Acha que acaba em um mês?”, desabafa o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, general Jorge Ernesto Pinto Fraxe.

Números levantados pela organização não governamental Contas Abertas confirmam que a herança de problemas das gestões anteriores ainda não foi superada. Pelo contrário. O volume de investimentos sob responsabilidade do Ministério dos Transportes está até caindo em comparação com o ano anterior. De janeiro a maio foram desembolsados R$ 2,9 bilhões para pagamento de investimentos concluídos. Em igual período de 2011, foram R$ 4,7 bilhões.

A pasta lidera a queda dos investimentos com recursos do Orçamento federal este ano. O fato vai na contramão do desejado pela presidente Dilma Rousseff, que quer dar um “choque de investimentos” na economia para combater o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

Há exatamente um ano, a presidente mandou afastar os titulares da Valec, José Francisco das Neves, conhecido como Juquinha, e do Dnit, Luiz Antônio Pagot, e dois integrantes da cúpula do Ministério dos Transportes: o chefe de gabinete Mauro Barbosa e o assessor Luiz Tito.

Denúncia. O próprio ministro dos Transportes Alfredo Nascimento deixou o cargo quatro dias depois, iniciando uma série de demissões na equipe de governo que ficou conhecida como a “faxina” da presidente Dilma.

As demissões foram provocadas por denúncias publicadas na revista Veja, segundo as quais o grupo cobrava um “pedágio político” de 4%. Em troca, garantiam o sucesso de determinadas empresas nas licitações e permitiam que os contratos passassem por uma série de acréscimos, chamados aditivos, aumentando os valores pagos pelos cofres públicos às empresas.

Não por acaso a construtora Delta, que ocupa o centro das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do contraventor Carlinhos Cachoeira, era disparado a empreiteira com maior volume de contratos com o governo federal

O ex-titular do órgão Luiz Antonio Pagot transformou-se numa espécie de homem-bomba: ameaça contar tudo o que sabe das relações da empreiteira com o governo federal e também com os Estados. É o tipo de informação que nem a bancada governista, nem a oposição têm interesse em ver escancarada na CPI. Até hoje ele não foi convocado.

Beba na fonte: Dnit pós-faxina tem graves problemas – economia – - Estadão.

Bandalheiras no Judiciário de MT: o começo do fim

Louvo a decisão do STF, que finalmente decidiu enfrentar o problema e afastou definitivamente os 3 desembargadores e 7 juízes que haviam sido punidos com aposentadoria compulsória pelo CNJ. Eles foram acusados de desviar dinheiro do TJMT para a construcão da sede de uma loja maçônica.

Os juízes penalisados haviam sido reconduzidos a seus antigos postos por força de uma decisão liminar do ministro Celso de Mello, do STF, cassada pela unanimidade do pleno da Corte Constitucional nesta quarta-feira. Dando seguimento à decisão que convalidou o poder correicional do Conselho Nacional de Justiça, o STF finalmente permitiu o início de um processo de depuração urgente e necessário do Judiciário matogrossense.

A volta dos magistrados que o CNJ havia afastado reativou um mercado que os advogados que atuam em Cuiabá vêm denunciando há muito tempo: o da venda de sentenças. É um assunto grave e melindro. Em torno de alguns deles gravitava um esquema de agenciamento que agia de maneira despudorada e desvirtuava a Justiça.

O caso masi crasso é o do desembargador José Tadeu Cury. A mulher dele foi pega na Operação ASAFE da Polícia Federal. Chegou a ser presa por comercializar sentenças — não apenas as exaradas pelo marido, mas também de outros juízes.

Tadeu Cury não conhecia limites para sua atuação. Na semana passada, por exemplo, ele mandou arquivar um procedimento administrativo instaurado para investigar o colega Cirio Miotto, que também fora afastado da Justiça Eleitoral por suspostamente vender sentenças. Miotto é co-réu da mulher do desembargador no processo que corre no STJ.

Antes, quando foi afastado pela primeira vez, logo após a decisão do CNJ, Tadeu Cury permaneceu despachando no TJ durante pelo menos quatro dias como se nada tivesse acontecido. Nesse período, beneficiou a empresa de ônibus do deputado estadual Pedro Satélite permitindo que ela colocasse seus ônibus para rodar em linhas intermunicipais concedidas à empresa Verde Transportes.

A volta dos juízes punidos criou uma sensação de que a impunidade prevaleceria. Isso deixou à vontade outros magistrados que agem a mando dos caciques políticos do estado ou atuam como mercadores de decisões feitas sob encomenda.

Só vai ser possível saber a real dimensão do balcão de negócios que se estabeleceu nas duas instâncias do Judiciário matogrossense no futuro. E há boas chances de que isso venha efetivamente a ocorrer. Além da atuação determinada do atual presidente, Rubens de Oliveira, o TJ passará a ser presidido em breve pelo desembargador que começou a desbaratar a atuação de juízes e advogados corruptos, Orlando Perri.

Ex-corregedor do TJMT, Perri teve a coragem de perscrutar negociatas antes protegidas pelo corporativismo — e até aceitas com certa naturalidade por juízes corretos que eram oprimidos pelo funcionamento da máquina de corromper. Os tentáculos dessa organização criminosa se estendiam até setores burocráticos, como o setor que protocola o sorteia os processos, que o Blog do Pannunzio denunciou há quase três anos.

Juristas excluem corrupção do rol dos crimes hediondos

RICARDO BRITO

A comissão de juristas do Senado que discute mudanças ao Código Penal decidiu nesta segunda-feira, 11, não incluir a corrupção praticada contra a administração pública na lista de crimes considerados hediondos. A sugestão havia sido feita pelo relator, o procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, mas não foi acolhida pela maioria dos integrantes da comissão.

O colegiado, contudo, aprovou o acréscimo de sete delitos ao atual rol de crimes hediondos: redução análoga à escravidão, tortura, terrorismo, financiamento ao tráfico de drogas, tráfico de pessoas, crimes contra a humanidade e racismo.

Atualmente, são considerados hediondos os crimes de homicídio qualificado, latrocínio, tortura, terrorismo, extorsão qualificada pela morte, extorsão mediante sequestro, estupro e estupro de vulnerável, epidemia com resultado de morte, falsificação de medicamentos e tráfico de drogas.

A Lei dos Crimes Hediondos foi editada em 1990, no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, como resposta a uma onda de violência em resposta à violência no estado do Rio de Janeiro. Na prática, os juristas propuseram incorporar ao Código Penal as mudanças da lei.

Os crimes hediondos são considerados inafiançáveis e não suscetíveis de serem perdoados pela Justiça. Eles têm regimes de cumprimento de pena mais rigoroso que os demais crimes, como um tempo maior para os condenados terem direito a passarem do regime fechado para o semiaberto, por exemplo. Atualmente é de dois quintos da pena para não reincidente e, com a proposta aprovada, seria de metade – para os reincidentes, o prazo seria o mesmo, de três quintos. A prisão temporária é de 30 dias, prorrogáveis por igual período, prazo maior do que nos demais crimes.

Durante os debates da comissão, o relator chegou a sugerir que a sociedade “clama” por essa mudança. Mas, numa votação rápida, apenas o desembargador José Muiñoz Piñeiro Filho e o promotor de Justiça Marcelo André de Azevedo votaram a favor.

Beba na fonte: Juristas excluem corrupção do rol dos crimes hediondos – politica – politica – Estadão.

Assessor de Kassab responsável pela liberação de edifícios decuplicou patrimônio e tem 106 imóveis

EVANDRO SPINELLI E ROGÉRIO PAGNAN

O diretor responsável pela aprovação de empreendimentos imobiliários de médio e grande porte em São Paulo durante a maior parte da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) tem 118 imóveis, 106 dos quais adquiridos nos sete anos em que esteve no cargo.

Com renda mensal declarada de R$ 20 mil, entre rendimentos de aluguéis e salário bruto da prefeitura de R$ 9.400 (incluindo aposentadoria), Hussain Aref Saab, 67, acumulou, de 2005 até este ano, patrimônio superior a R$ 50 milhões -entre os seus 118 imóveis estão incluídas 24 vagas de garagem extras.

A explosão patrimonial de Aref, como é conhecido, foi identificada pela Folha em levantamento feito nos últimos 45 dias em cartórios da Grande São Paulo, do litoral e parte do interior do Estado.

Aref deixou o cargo no mês passado, após a Corregedoria Geral do Município e o Ministério Público passarem a investigá-lo por suspeita de corrupção. A apuração na Corregedoria foi aberta por determinação de Kassab, que recebeu uma carta anônima com denúncias contra o ex-diretor. A defesa de Aref “contesta frontalmente a acusação”.

Em depoimento à Corregedoria, Aref não soube informar seu patrimônio. “Está meio nebuloso hoje”, disse.

VISTA PARA O PARQUE

Entre seus imóveis há, por exemplo, meia dúzia de apartamentos num prédio com vista para o parque Ibirapuera. Esses imóveis estão estimados, no total, em R$ 4 milhões.

Aref era funcionário de carreira da prefeitura. Já aposentado, foi nomeado em janeiro de 2005 pelo então prefeito José Serra (PSDB) -por indicação de Kassab, vice à época- diretor do Departamento de Aprovação das Edificações, conhecido como Aprov. O cargo de confiança é vinculado à Secretaria da Habitação.

Qualquer prédio para ser construído a partir de 500 m² precisa da liberação do Aprov. Depois de pronto, também cabe ao setor liberar o empreendimento para que os moradores possam ocupá-lo.

Até assumir o Aprov, pelo levantamento da Folha, Aref tinha 12 imóveis registrados em seu nome -três deles de herança, dos quais ele detém uma parcela de 1/12.

A estimativa é que esses imóveis valham, ao todo, cerca de R$ 1,5 milhão.

Esse é o mesmo valor que o funcionário aposentado diz ainda ter aplicado em bancos.

Pouco mais de um ano depois de assumir o cargo, Aref registrou em seu nome um loft na Vila Madalena. Seis meses depois comprou, por R$ 80 mil, um apartamento na Chácara Flora, que vale R$ 500 mil. E não parou mais.

Até julho de 2008, registrou 58 imóveis (apartamentos, casas, terrenos, prédios comerciais e vagas de garagem) em seu nome pessoal.

A partir de então, foram mais 46 registrados em nome da SB4 Patrimonial, uma empresa de capital social de R$ 10 mil criada em julho daquele ano que tem como sócios o próprio Aref, com 70%, a mulher e dois filhos dele, com 10% de cota cada um deles.

Aref não quis falar com a Folha, alegando problemas de saúde. O advogado do ex-diretor, Augusto de Arruda Botelho, atribui seu patrimônio a uma herança recebida de seu pai e à receita de um estacionamento da família.

O defensor aponta 11 imóveis de herança. Nos cartórios consultados pela Folha, há registro de só três de herança.

Colaborou IRAN ALVES

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Enquanto aprovava edifícios, diretor adquiriu 106 imóveis – 14/05/2012.

Denúncia de venda de licenças abala frente anti-PT em Santo André

Bruno Lupion

Denúncias de cobrança de propina para a emissão de licenças ambientais em Santo André, município da Grande São Paulo circundado por administrações petistas e hoje nas mãos de um aliado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), jogaram água na formação de uma frente anti-PT para as eleições municipais deste ano.

O prefeito Aidan Ravin (PTB) é suspeito de armar um suposto esquema no Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa) para extorquir construtoras interessadas na obtenção de licenças ambientais, documento necessário para iniciar obras na cidade.

A denúncia é investigada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal e o relatório final será apresentado em 4 de junho, às vésperas das convenções partidárias que definem os candidatos à sucessão municipal. Ravin, que pretende disputar a reeleição, contava com o apoio do PSDB, DEM, PSD e PV já no primeiro turno, mas tem visto seu arco de alianças minguar à medida que a CPI e um inquérito aberto pela Polícia Civil avançam.

O caso veio à tona em março, com a denúncia do ex-diretor de gestão ambiental da Semasa, Roberto Tokuzumi, então um funcionário de confiança da prefeitura de Santo André. Responsável por assinar as licenças ambientais expedidas pelo órgão, Tokuzumi disse à CPI que estava sendo perseguido por não concordar com a venda de licenças e apontou o advogado Calixto Antônio Jr como operador do esquema.

Em depoimento à CPI, Calixto, que não é servidor da Semasa, admitiu que dava expediente diariamente na autarquia a pedido do próprio prefeito e confirmou o esquema de extorsão de empresas, mediante propinas de até R$ 300 mil por licença ambiental. Mas negou ter recebido recursos provenientes da fraude.

via Denúncia de venda de licenças abala frente anti-PT em Santo André – politica – politica – Estadão.

Esquema de Cachoeira no DF envolveu propinas de R$ 300 mil

Alfredo Junqueira e Fábio Fabrini

O esquema montado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para tentar controlar o sistema de bilhetagem eletrônica do Departamento de Transportes Urbanos do Distrito Federal (DFTrans) envolveu negociações de propinas no valor de R$ 300 mil a servidores e reuniões com o secretário de Estado de Transportes, José Walter Vazquez Filho.

Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal no dia 07 de julho do ano passado mostram que o contraventor combinou com o então diretor da Delta Construções no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, o pagamento de “uma ajuda financeira” para Valdir Reis, assessor da Secretaria de Planejamento do Distrito Federal na época.

Segundo Cachoeira, o secretário de transporte do Distrito Federal “gosta muito” de Reis e vai deixar sob sua responsabilidade “esse negócio aí da bilhetagem”. O contraventor referia-se ao sistema de bilhetagem eletrônica da DFTrans, que rende cerca de R$ 6 milhões por ano e que passaria por uma licitação dirigida para favorecer uma empresa ligada à empreiteira.

“Ele (Valdir) pediu 300 mil. Mas nós temos que dar um dinheirinho para ele, porque o Zé Valter gosta muito dele, e vai deixar na mão dele esse negócio aí da bilhetagem aí, entendeu?”, explica Cachoeira ao diretor da Delta.

Abreu e Reis foram presos na quarta-feira, durante a Operação Saint-Michel promovida pela Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal. Trata-se de um dos desdobramentos da Operação Monte Carlo da PF, que, em fevereiro, prendeu Cachoeira e revelou um esquema de desvio de recursos públicos e financiamento de campanhas eleitorais capitaneado pela Delta.

Em outro registro feito pela PF em 31 de dezembro de 2010, uma conversa entre Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, araponga e braço direito de Cachoeira, e um homem não identificado revela um pouco as expectativas dos auxiliares do contraventor com a DFTrans. O interlocutor de Dadá diz que quer se aposentar e que vai procurar um deputado para auxiliá-lo.

“Vou querer uma boquinha numa quebrada dessas, um DFTRANS desses da vida aí. Pra roubar igual igual a um filho de uma p…, tomar dinheiro desses cornos até não poder mais”, diz o homem para Dadá.

Outro lado. O secretário José Walter Vazquez Filho disse acreditar que há “uma pessoa aí usando o meu nome para vender facilidades”. Segundo ele, Valdir realmente o procurou em “julho ou agosto do ano passado” para apresentar uma empresa que trabalhava com bilhetagem eletrônica, mas que, por questões de agenda, os dois encontros marcados foram cancelados.

“Recebi várias outras empresas, mas nunca a que Valdir queria me apresentar”, contou o secretário. Ele disse ainda que não teve encontros com Cachoeira e nem com Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como braço financeiro da quadrilha do contraventor. “Tenho 38 anos de serviço público em todos os cargos que você pode imaginar e nunca levei uma multa de tribunal de contas”, disse José Walter. O secretário também afirmou ter ficado surpreso com a prisão de Valdir, de “quem gosto e até recomendo. Fiquei surpreso com a sua prisão assim como o Brasil deve ter ficado ao saber do envolvimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com toda essa história”.

via Esquema de Cachoeira no DF envolveu propinas de R$ 300 mil – politica – politica – Estadão.

Dilma, que domesticou os bancos, ainda precisa dizer a que veio ao Congresso

Parecia uma dessas promessas que todo político faz quando Dilma Rousseff defendeu , ao longo da campanha que a elegeu Presidente da República, que iria reduzir os juros. Não apenas consegui reduzí-los, como ainda logrou dobrar o ânimo recalcitrante da banca privada, com seus históricos spreads de agiota.

A atuação do Banco Central e a disposição reiterada da Presidente colocaram fim a uma era em que tudo o que se dizia sobre o preço do dinheiro no Brasil era balela. Os anos Lula foram pródigos em demonstrar a ausência de disposição do governo para enfrentar o problema. Havia uma dicotomia clara entre o discurso do vice-presidente José Alencar, crítico contumaz da agiotagem, a retórica do Planalto e a prática do governo. Os bancos venciam sempre. E o governo tergiversava, transformando a causa de Alencar em uma romântica e solitária batalha quixotesca.

Ao cumprir o que prometeu, Dilma Rousseff, antes criticada pelos porta-vozes do sistema financeiro pela instrumentalização “política” do Banco Central, demonstra que o governo tem poder efetivo para transformar a conjuntura, a despeito da reatividade de agentes que sempre encontraram nos gabinetes de Brasília governantes dóceis em excesso, amáveis demais e, muitas vezes, servis. A Presidente fez um golaço ao retirar o Brasil do topo do ranking internacional dos juros pornográficos.

Falta agora atuar de maneira mais enfática no que diz respeito à moralização das relações entre o governo e o Congresso. É aí, como reiteram os escândalos políticos que têm assomado às manchetes, que reside a gênese dos principais problemas brasileiros, ameaçando inclusive a governabilidade. Para quem domesticou os bancos privados, esta não parece ser uma tarefa impossível.

O Palácio do Planalto dá sinais de que atua com foco nessa questão. É notável, por exemplo, a diferença entre as práticas de cooptação do governo Lula e a atuação pontual saneadora que vem sendo efetivada diante dos descalabros que à opinião pública são dados a conhecer. Sempre que surgia um novo escândalo, Lula vociferava contra a “imprensa golpista” que insistia em solapar sua obra messiânica. Proteger anjos caídos, blindá-los de todas as formas, consumiu muita energia nos últimos oito anos.

Logo no início do governo, Lula deixou claro como agiria quando um auxiliar aparecesse enredado em problemas com a Justiça. Para blindar Henrique Meirelles, por exemplo, o então presidente não titubeou em editar uma medida provisória elevando o status do presidente do Banco Central ao de ministro de Estado. Livrou-o de ter que responder a um processo na justiça comum e permitiu que ele governasse a economia e defendesse a moeda sem ter que se incomodar com juízes de primeira instância.

Para defender as hordas de aloprados que se sucederam nas manchetes escandalosas, Lula optou  por meter-se na trincheira dos denunciados. Quando teve a chance de livrar o País da ascendência deletéria de José Saney, na chamada crise dos Atos Secretos, preferiu destroçar Aloysio Mercadante, o líder do governo que, desmoralizado pelo Planalto,  até hoje paga por uma renúncia que não teve coragem de honrar. E comandou pessoalmente uma árdua batalha para salvar Renan Calheiros da degola no arrasto da crise aberta com a revelação de que utilizava um lobista para pagar a pensão alimentícia da jornalista Mônica Velloso.

Com Dilma Rousseff, é notória a guinada no enfrentamento desse tipo de situação. Ela já se livrou de sete auxiliares que tiveram seus pecados expostos nas páginas dos jornais. Enfrentou — ainda enfrenta — a insurreição do pernicioso fisiologismo parlamentar, que até aqui era visto com naturalidade na cena política brasileira. Foi criticada como inábil, inexperiente, avessa à “negociação” política quando tentava disciplinar minimamente a seara em que a articulação parlamentar acontece.

Idiossincraticamente, manteve intacta a máquina poderosa das nomeações de apadrinhados dos partidos da base congressual, as “fábricas de dinheiro” nominadas por Roberto Jefferson ao denunciar o Mensalão. E protegeu — ainda protege — amigos como Fernando Pimentel, acossado por denúncias de que recebeu muito dinheiro sem prestar qualquer tipo de serviço como contrapartida. Contra ela, pode-se de dizer também que menosprezou recomendações da Comissão de Ética Pública na crise que envolveu Carlos Luppi. Mas deve-se lembrar que o então ministro do Trabalho acabou defenestrado pelo governo semanas mais tarde.

É preciso ainda ressaltar que a Presidente Dilma Rousseff criou um instrumento ímpar na história da democracia brasileira, capaz de lançar luz sobre aquilo que a burocracia e as conveniências pretendem manter longe dos olhos da opinião pública: a Lei da Transparência, que passa a vigorar a partir de 16 de maio. Ela obriga o governo a prestar todo tipo de informação não catalogada como secreta ou sigilosa mediante simples requerimento de qualquer cidadão. É verdade que há uma enorme má-vontade de empresas como o Banco do Brasil e a PETROBRAS, cujas caixas-pretas ainda inexpugnáveis resistem incólumes aos novos princípios irradiados pela Lei 12.527/11.

A despeito de todos os problemas residuais, a presidente já percebeu as vantagens que decorrem do enfrentamento da questão moral. Não é por acaso que sua popularidade suplantou o patamar do mito Lula em fase análoga de seu primeiro governo, mesmo com a economia estagnada. Parece uma tarefa perfeitamente factível para quem conseguiu enfrentar a banca, que há 40 anos não encontrava obstáculos no governo.

Mas uma coisa é corrigir vícios alheios com instrumentos poderosos como os dos gestores da política monetária. Outra, muito mais complexa, é vencer vícios internos tão  arraigados —  a ponto de terem criado uma cultura que admite a corrupção não apenas como meio e fim, mas sobretudo  como estratégia de sobrevivência política.

O grande teste começa agora, com a abertura da Caixa de Pandora da CPI do Cachoeira.

Secretaria de Segurança Pública de SP acoberta PMs corrompidos pelo PCC

O repórter Sandro Barboza mostrou agora há pouco, no Jornal da Band, algo estarrecedor: a Secretaria de Segurança Pública de são Paulo  estaria acobertando policiais militares que trabalham para o PCC — Primeiro Comando da Capital — apesar da farta documentação  produzida pela Divisão de  Inteligência do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) dando ciência do envolvimento de parte da tropa com a organização criminosa.

Os primeiros documentos divulgados hoje revelam que, embora informado de que PMs fazem jornada dupla como gendarmes do “Partido” (é assim que eles se referem ao PCC), o Secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto mandou engavetar investigações sem que ninguém fosse punido.

O Departamento de Inteligência do DHPP vem produzindo informações sobre corrupção e crimes cometidos por policiais militares há muito tempo. Apesar de indicarem os desvios de conduta, os relatórios produzidos (chamam-se RELINTs – Relatório de Inteligência) não provocaram a abertura de inquéritos policiais e foram ocultados do Ministério Público, contrariando o que manda a lei, embora tenham sido encaminhados formalmente ao gabinete de Ferreira Pinto.

O secretário, egresso da PM, tem sido acusado  de transigir com excessos dos soldados enquanto aperta o torniquete da corregedoria  contra os policiais civis. No ano passado, ele atuou deliberadamente para arquivar a chamada Operação Pelada, denunciada por este blog e pelo repórter Sandro Barboza  no Jornal da Band (dentro de instantes vou publicar um post relembrando o caso).

Um dos investigadores da equipe do DHPP, entrevistado pelo repórter da Band, foi taxativo: segundo ele, o secretário foi informado dos crimes atribuídos aos PMs. Foi dele a decisão de arquivar os relatórios.

O caso conhecido hoje decorreu das investigações do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva. Ele morreu em maio do ano passado dentro do campus da USP. Dois ladrões, Irlan Graciano Santiago, conhecido como Queirós, e outro mencionado apenas como  Lanlan, assumiram o crime e declinaram as razões: o estudante teria reagido ao assalto. O crime teve enorme repercussão e provocou o aumento do policiamento ostensivo na USP. A responsabilidade pelas rondas foi delegada ao 16º BPM.

Ao investigar esse crime, policiais civis do DHPP descobriram que Lalan e Queirós haviam se envolvido em outro assassinato. Eles executaram, a mando do PCC, um ladrão chamado Fernando Alvez de Oliveira, companheiro de “partido”. A execução foi determinada pelos chefes do PCC na favela San Remo, conhecidos como Irmão Peu, Irmão Caveira e Irmão Túlio. A  favela fica ao lado da USP. A vítima teria se desentendido com os líderes do PCC por causa da partilha de uma carga roubada de reagentes químicos que seriam utilizados para o refino de cocaína.

Ao investigar as conexões entre os cinco bandidos, o DHPP descobriu que os assassinos “sempre sempre praticaram roubos no interior da USP sem gerar consequências de maiores gravames, podendo ser reconhecidos pelas suas diversas e impunes ações dentro dos portões da Cidade Universitária”, conforme o RELINT nº 8/2011. A explicação para a impunidade: sua “periculosidade, as “fortes relações com o PCC ” e “por pagarem semanalmente elevados valores aos policiais militares que atuam na região”. Encaminhado ao gabinete do secretário Ferreira Pinto, esse relatório mereceu o mesmo destino de muito outros — a gaveta.

A afirmação de que policiais militares recebiam propina de bandidos que agiam dentro da USP não gerou nenhuma consequência. Apesar de alertado, o secretário nada teria feito para elucidar a denúncia. E ainda ampliou a participação do batalhão dos PMs sob suspeita na área de atuação dos bandidos que, supostamente, pagavam a eles por proteção e imunidade.

Certo é que os bandidos pareciam tão tranquilos que eram vizinhos de muro do batalhão — e ali mesmo, num beco lindeiro ao destacamento, desenvolviam sua atividade principal, o tráfico de drogas. As facilidades eram tão grandes que eles mantinham uma “biqueira”  (boca de fumo, ponto de venda de drogas) a poucos metros de distância do 16º BPM.

Não se sabe se o governador Geraldo Alkmin foi ou não comunicado por seu secretário dos problemas na vizinhahnças do Palácio dos Bandeirantes. A despeito de ter feitos várias tentativas de entrevistar autoridades do governo paulista — o secretário Ferreira Pinto e o próprio governador entre elas — o repórter da Band não conseguiu nenhuma fonte disposta a responder suas indagações.

O impacto da revelação é enorme. Diz respeito à próprio segurança de Alkmin. O 16º BPM é o responsável também pelo policiamento do bairro onde estão situados o gabinete e a residência oficial do governador. O  Morumbi, que concentra boa parte do PIB paulistano, tem sido sobressaltado diariamente por notícias de roubos a residências, a maior parte cometida com o uso de excessiva violência.

Talvez o desprezo aos relatórios de inteligência ajude a explicar a onda de violência que assola o reduto mais nobre da Zona Oeste de são Paulo. Se policiais recebem dinheiro para acobertar ladrões que atuam na maior universidade do País, não há como não inferir a possibilidade de que outras ações delituosas, praticadas por esses mesmos bandidos, não tenham sido igualmente protegidas pela ação da quadrilha encastelada na PM.

De acordo com o ex-Secretário Nacional Antidrogas Walter Mayerovitch, a descoberta de Sandro Barboza deixa a nu uma perspectiva assustadora: a de que o PCC, vitaminado pela corrupção que contamina a PM paulista, já tenha se imiscuído no Estado, contratando bandidos de farda para o cometimento de crimes que antes eram perpetrados por bandidos sem farda.

Demóstenes Torres, senador, promotor de justiça,… bicheiro e corrupto?

Leandro Fortes, da Carta Capital

A Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (DRCOR), da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos.

Segundo relatório da Polícia Federal, 30% é o percentual que o senador do DEM recebia do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Na época, o império do bicheiro incluía 8 mil máquinas ilegais de caça-níqueis e 1,5 mil pontos de bingos. Como somente no mês passado a jogatina foi desbaratada, na Operação Monte Carlo, as contas apresentadas pela PF demonstram que a parte do parlamentar deve ter ficado em torno de 50 milhões de reais. O dinheiro, segundo a PF, estava sendo direcionado para a futura candidatura de Demóstenes ao governo de Goiás, via caixa dois.

A informação, obtida por CartaCapital, consta de um Relatório Sigiloso de Análise da Operação Monte Carlo, sob os cuidados do Núcleo de Inteligência Policial da Superintendência da PF em Brasília. Dessa forma, sabe-se agora que Demóstenes Torres, ex-procurador, ex-delegado, ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, mantinha uma relação direta com o bando de Cachoeira, ao mesmo tempo em que ocupava a tribuna do Senado Federal para vociferar contra a corrupção e o crime organizado no País.

O senador conseguiu manter a investigação tanto tempo em segredo por conta de um expediente tipicamente mafioso: ao invés de se defender, comprou o delegado da PF.

Deuselino Valadares foi um dos 35 presos pela Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Nas intercepções telefônicas feitas pela PF, com autorização da Justiça, ele é chamado de “Neguinho” pelo bicheiro. Por estar lotado na DRCOR, era responsável pelas operações policiais da Superintendência da PF em todo o estado de Goiás. Ao que tudo indica, foi cooptado para a quadrilha logo depois de descobrir os esquemas de Cachoeira, Demóstenes e mais três políticos goianos também citados por ele, na investigação: os deputados federais Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB) e Rubens Otoni (PT).

Escutas da Operação Monte Carlo mostram que o bicheiro citou mais três políticos goianos: Rubens Otoni (PT) (à esquerda), Carlos Alberto Leréia (PSDB) (centro) e Jovair Arantes (PTB).

Ao longo da investigação, a PF descobriu que, nos últimos cinco anos, o delegado passava informações sigilosas para o bando e enriquecia a olhos vistos. Tornou-se dono de uma empresa, a Ideal Segurança Ltda, registrada em nome da mulher, Luanna Bastos Pires Valadares. A firma foi montada em sociedade com Carlinhos Cachoeira para lavar dinheiro. Também comprou fazendas em Tocantins, o que acabou por levantar suspeitas e resultar no afastamento dele da PF, em 2011.

O primeiro relatório do delegado Deuselino Valadares data de 7 de abril de 2006, encaminhado à Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (Delepat) da PF em Goiânia. Valadares investigava o escândalo da Avestruz Master, uma empresa que fraudou milhares de investidores em Goiás, quando conheceu o advogado Ruy Cruvinel. Cruvinel chamou Valadares para formar uma parceria a fim de criar “uma organização paralela” à de Carlinhos Cachoeira. O suborno, segundo o delegado, seria uma quantia inicial de 200 mil reais. Ele, ao que parece, não aceitou e decidiu denunciar o crime.

Em 26 de abril de 2006, o relatório circunstanciado parcial 001/06, assinado por Deuselino Valadares, revelou uma ação da PF para estourar o cassino de Ruy Cruvinel, no Setor Oeste de Goiânia. Preso, Cruvinel confessou que, dos 200 mil reais semanais auferidos pelo esquema (Goiás e entorno de Brasília), 50%, ou seja, 100 mil reais, iam diretamente para os cofres de Carlinhos Cachoeira.

Outros 30% eram destinados ao senador Demóstenes Torres, cuja responsabilidade era a de remunerar também o então superintende de Loterias da Agência Goiânia de Administração (Aganp), Marcelo Siqueira. Ex-procurador, Siqueira foi indicação de Demóstenes e do deputado Leréia para o cargo. Curiosamente, ao assumir a função, um ano antes, ele havia anunciado que iria “jogar duro” contra o jogo ilegal em Goiás.

Em 31 de maio de 2006, de acordo com os documentos da Operação Monte Carlo, Deuselino Valadares fez o relatório derradeiro sobre o esquema, de forma bem detalhada, aí incluído um infográfico do “propinoduto” onde o bicheiro é colocado no centro de uma série de ramificações criminosas, ao lado do senador do DEM e do ex-procurador Marcelo Siqueira. Em seguida, misteriosamente, o delegado parou de investigar o caso.

“Verificado todo o arquivo físico do NIP/SR/DPF/GO não foi localizado nenhum relatório, informação ou documentos de lavra do DPF DEUSELINO dando conta de eventual continuidade de seus contatos com pessoas ligadas à exploração de jogos de azar no Estado de Goiás”, registrou o delegado Raul Alexandre Marques de Souza, em 13 de outubro de 2011, quando as investigações da Monte Carlo estavam em andamento.

A participação do senador Demóstenes Torres só foi novamente levantada pela PF em 2008, quando uma operação também voltada à repressão de jogo ilegal, batizada de “Las Vegas”, o flagrou em grampos telefônicos em tratativas com Carlinhos Cachoeira. Novamente, o parlamentar conseguiu se safar graças a uma estranha posição da Procuradoria Geral da República, que recebeu o inquérito da PF, em 2009, mas jamais deu andamento ao caso.

Veja aqui documentos da Operação Monte Carlo .

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247: Cachoeira ameaça Protógenes

 

247 – O poder do mafioso Carlinhos Cachoeira, preso há pouco mais de uma semana num presídio de segurança máxima, é bem maior do que parece. Já se sabia que ele nomeava delegados no governo do tucano Marconi Perillo, aconselhava o senador Demóstenes Torres (DEM/GO) e financiava campanhas de políticos de todos os partidos, inclusive do PT. A nova bomba diz respeito ao deputado Protógenes Queiroz (PC do B/SP), que se propunha a instalar uma CPI para investigar o raio de atuação do bicheiro. Pelo que se depreende de uma nota que acaba de ser publicada na coluna do jornalista Claudio Humberto, Protógenes era também um personagem que da copa e da cozinha de Cachoeira. Leia abaixo:

Cachoeira diz que tratou com Protógenes temas ‘nada republicanos’

O empresário de jogatina Carlinhos Cachoeira, que se encontra recolhido a um presídio federal em Natal (RN), ficou intrigado com a proposta de CPI para investigar suas atividades em Goiás, e utilizou seus contatos pessoais, que o visitaram, para mandar um recado ao deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), autor da proposta: “Estou ansioso para relembrar as reuniões que tive com Protógenes em Goiânia, sempre na companhia do agente Dadá, até para tratar de assuntos nada republicanos”. O agente citado seria o sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, um dos presos pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigou atividades ilegais de Cachoeira e de policiais a seu serviço.

O sargento Dadá foi uma figura central na operação que catapultou Protógenes ao status de celebridade. Foi ele quem entrou em contato com a jornalista Andrea Michael, da Folha de S. Paulo, revelando detalhes da operação Satiagraha. A partir de uma reportagem publicada por Michael na Folha, teve início a ação controlada que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Dadá, figura notória no mundo da espionagem ilegal, era um agente a serviço de Protógenes. Ele está preso, sob a suspeita de ter montado um aparato de grampos ilegais, usado por Carlinhos Cachoeira para fortalecer seus laços políticos no governo de Goiás.

Leia, abaixo, reportagem publicada nesta manhã pelo jornalista Claudio Julio Tognolli, do 247, sobre as relações entre o deputado Protógenes e o agente Dadá:

Claudio Julio Tognolli _247 – Há chances armagedonicamente potentes de que o Congresso acate sim o pedido do deputado Protógenes Queiroz, para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar, num prazo de 180 dias, as práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal. A prisão de Carlos Cachoeira e dos demais envolvidos na exploração de caça-níqueis e do jogo do bicho em Goiás revelou ligações entre o crime organizado e personalidades políticas importantes do estado. Entre elas, o principal alvo é o senador Demóstenes Torres, um dos bastiões das lições de ética brandidas volta e meia pelo partido DEM.

Mas Protógenes Queiroz corre o risco de ser vítima do adágio criado por aquele que lhe deu, nas palavras do próprio deputado, a “missão presidencial” de tocar a Operação Satiagraha. O ex-presidente Lula gostava de dizer que a “Polícia Federal Republicana” jamais deveria temer cortar a própria carne do governo. Se aprovada, a CPI da Operação Monte Carlo, como quer Protógenes, vai ter como um de seus alvos inquívocos justamente o ex-braço direito do deputado na Satiagraha: o sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. Saído do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica, justamente para cumprir a missão presidencial da Satiagraha. Dada foi preso pela PF na Operação Monte Carlo. Na Satiagraha, foi Dadá quem aproximou Protógenes da Abin. E foi justamente essa participação dos arapongas que acabou por invalidar a operação no STJ – o que o Ministério Público agora tenta reverter.

Os ex-delegados Paulo Lacerda e Protógenes Queiroz são investigados por corrupção passiva, prevaricação e interceptação telefônica ilegal, no STF. A CPI que Protógenes ora postula, contra Cachoeira, vai jogar luz sobre o sargento Dadá – o que, por sua vez, ilumina as práticas ilegais que o STF investiga contra Protógenes Queiroz.

As provas até agora obtidas pela PF, contra Cachoeira, indicam que Demóstenes recebeu dele uma cozinha completa como presente de casamento. E Demóstenes pareceu manter uma amizade íntima com o bicheiro em conversas telefônicas, se referindo a ele como «professor ».

Além de desmoralizar o senador goiano, a Operação Monte Carlo também pode arruinar a carreira política do governador Marconi Perillo, do PSDB, que entregou a segurança pública do seu estado a um dos maiores contraventores do País. Cachoeira tinha no sargento Dadá o seu homem de inteligência e recorreu a ele na campanha de Marconi para o governo de Goiás em 2010, a quem ajudou a financiar. Nesse time de campanha, além de Dadá, também atuou o jornalista Alexandre Oltramari, ex-repórter de Veja.

A crônica de Dadá na mídia é recente. Além do envolvimento na Satiagraha, ele também teria sido chamado para participar de uma central de dossiês, que atuaria a serviço da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República. Ele e o delegado Onésimo de Souza teriam pedido a remuneração de R$ 200 mil/mês e, por isso, teriam tido seus serviços recusados pela campanha. Dadá mantinha relações próximas com o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, autor do livro “Privataria tucana”.

Não se sabe o quanto de informações geradas pelo sargento Dadá entrou ou não no best-seller. Sobre Dadá, Amaury disse o seguinte em depoimento à PF, no inquérito n° 839/2010 SR/DPF/DF:

“QUE, em dezembro de 2007, tendo tomado ciência de que um grupo clandestino de inteligência estaria seguindo, o então governador do estado, Aécio Neves, decidiu investigar quem eram os integrantes de tal grupo e a motivação de seus trabalhos,
QUE, recorrendo as suas fontes na comunidade de informações, dentro elas Idalberto Matias de Araújo, Vulgo Dada, obteve informação de que se tratava de grupo que trabalhava para José Serra, sob o comando do deputado federal Marcelo Itagiba, sendo que faziam parte do grupo o agente do SNI que não se recorda o nome, e outro da PF, de nome Darlan; QUE, durante o ano de 2008 e diante das informações obtidas de Dada e outros agentes, decidiu retomar as investigações das privatizações, agora (naquele momento) focando também pessoas ligadas a José Serra;”

Ao propor uma investigação sobre os tentáculos de Carlos Cachoeira no poder goiano, Protógenes corre o risco de revelar ainda mais bastidores sobre a Satiagraha, que ele próprio conduziu, com o auxílio de Dadá.

Ministro diz defender volta de Delúbio Soares ao PT

Assim como o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, também diz defender a volta do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares ao partido. Ele foi afastado da legenda após envolvimento no escândalo do mensalão.

“Acho que você não pode fazer uma punição eterna pra ninguém. O Delúbio purgou, pagou um preço altíssimo, foi expulso do partido. [...] Havendo da parte dele o compromisso de um comportamento adequado, ele tem o direito de se filiar ao partido. Eu apoiaria a volta dele”, disse o ministro ao jornalista Kennedy Alencar no programa “É Notícia”, exibido pela RedeTV! na madrugada desta segunda-feira.

via Folha.com – Videocasts – Ministro diz defender volta de Delúbio Soares ao PT; veja – 21/03/2011.

Hackers prometem vazar documentos provando corrupção no Bank Of America

Piratas da internet prometem azedar o dia dos executivos do mercado financeiro americano.  Um grupo de hackers que não tem vinculação com o site Wikileaks disse ter obtido, por meio da invasão de computadores da instituição, documentos que comprovam que o Bank of America atuou irregularmente na retomada de casas durante a crise do sistema financeiro americano de 2009.

Um porta-voz da instituição disse esperar que tudo não passe de um trote. De acordo com a Agência Reuters, os documentos que poderiam vazar são provenientes da Seguradora Balboa da Austrália e teriam sido roubados por um ex-funcionário. A seguradora faz resseguros das hipotecas de outros bancos e empréstimos para consumidores que compram imóveis financiados.

 

 

“Lamentações” do PMN sobre Jaqueline Roriz são pura dissimulação. Problema não é de índole, é de genética

A nota do PMN que qualifica como ingenuidade aquilo que o Código Penal trata como corrupção é pura desfaçatez de quem está, mais do que acostumado, nutrido pela corrupção. O problema da deputada Jaqueline Roriz não é de caráter, é de genética. Foi Roriz, pai dela, quem pariu essa monstruosidade que até hoje assombra Brasília. Chamar de “ingenuidade” botar a mão num pacotação de dinheiro é pura dissimulação.

Tem razão o Joelmir Betting, um dos maiores frasistas da contemporaneidade. Segundo ele, “político brasileiro não trabalha com dinheiro sujo. Só com dinheiro lavado”.

Na lavanderia industrial da família Roriz ainda há muito por ser lavado. Quem viver, verá.

“Considerando a natureza gravíssima dos atos de improbidade administrativa”, STJ nega recurso de José Riva| Prosa e Politica

Do blog Prosa e Política – Um dia depois de ser eleito pela quinta vez presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), José Riva (PP) perdeu mais uma batalha jurídica. O Superior Tribunal de Justiça publicou ontem (2) o acórdão que mantém a indisponibilidade dos bens do parlamentar por “atos de improbidade administrativa por fraude a licitação, além de desvio e apropriação indevida de recursos públicos por emissão e pagamento de cheques para empresas inexistentes e irregulares”. Também é parte desta ação o ex-deputado, ex-governador por 10 dias e hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Humberto Bosaipo (na foto à esquerda de Riva).

Relator do embargo de declaração apresentado pelo progressista, o ministro do STJ, Herman Benjamin, rejeitou o recurso com o argumento de que a defesa demonstrou “mero inconformismo e o intuito de rediscutir a questão julgada, não se prestando os aclaratórios para esse fim”.

Segundo Herman Benjamin, “ficou comprovado que Riva é réu em mais de sessenta ações civis públicas por atos reiterados de improbidade administrativa, que oneraram os cofres da AL-MT em R$ 97 milhões. O progressista recorreu da decisão em que foi condenado pelo desvio de R$ 3,028 milhões decorrentes de pagamentos feitos à empresa Comercial Celeste de Papéis e Serviços Ltda”.

Ainda de acordo com o voto do relator, a indisponibilidade dos bens é necessária para evitar a deterioração dos bens de Riva e, com isso, garantir o ressarcimento do montante em caso de condenação. “Considerando a natureza gravíssima dos atos de improbidade administrativa imputados aos réus e os elevados valores financeiros envolvidos, a indisponibilidade dos bens deve ser declarada de imediato pelo STJ”, escreveu o ministro, no despacho.

Segundo ele, apesar de não ter ficado comprovada a necessidade de afastamento de Riva das funções na AL-MT e do cargo de deputado estadual, o MPE pode apresentar novos elementos que culminem na medida.

Leia aqui a íntegra do Acórdão e aqui o voto do relator.

via “Considerando a natureza gravíssima dos atos de improbidade administrativa”, STJ nega recurso de José Riva| Prosa e Politica.

Protegido: Raposa com os bens bloqueados volta a tomar conta do galinheiro em MT

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Esquema envolvendo sobrinho de Agaciel Maia desviou R$ 2 mi

Anna Ruth Danta – Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que um grupo de servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) e empresários desviou cerca de R$ 2 milhões de recursos destinados à duplicação da BR-101 no Rio Grande do Norte. Entre os envolvidos no esquema está o diretor regional do Dnit, Gleidson Maia, sobrinho do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia.

Além de Gleidson, a Polícia Federal prendeu também o superintendente do Dnit no Estado, Fernando Rocha. De acordo com a PF, as irregularidades envolviam superfaturamento e pagamentos indevidos nas obras na BR-101, no trecho entre Arez (RN) e a divisa com a Paraíba.

O sobrinho de Agaciel Maia foi preso em flagrante na tarde de ontem, quando recebia uma suposta propina de R$ 50 mil em uma churrascaria na zona sul de Natal de um empresário paranaense, cujo nome não foi revelado. O empresário também foi levado à superintendência da PF na capital do Estado.

Na tarde desta sexta-feira, a PF dá continuidade à operação, que conta com o auxílio de auditores da Controladoria Geral da União (CGU).

Para ler o original clique aqui: PF: esquema envolvendo sobrinho de Agaciel desviou R$ 2 mi.

Em Brasília é melhor anular o voto do que coonestar o baixo nível da campanha

É tétrico o entorno da campanha eleitoral em Brasília. Ontem à noite, um longo depoimento de um cidadão que se confessa “laranja” de um esquema montado por Agnelo Queiroz para desviar dinheiro do Ministério do Esporte deixou os eleitores estupefatos.

Entre lágrimas e expressões de desespero, Michel Vieira da Silva, ex-funcionários de uma das ONGs envolvidas no escândalo, detalhou como o dinheiro deixava os cofres públicos, era “esquentado” por três entidades sem fins lucrativos e aterrissava na conta-corrente do candidato do PT.

Como tudo o que vem da campanha de Roriz merece suspeição, vi a peça escandalizado. Ou é uma armação sem nenhum escrúpulo, criminosa por seu caráter calunioso, ou é uma denúncia avasslaadora.

O caso já era conhecido da PF e do Ministério Público há muito tempo. Agnelo Queiroz sempre negou as acusações. Mas os detalhes fornecidos pelo denunciante merecem consideração. Ele citou datas, telefonemas, transações bancárias em sua conta-corrente. Tudo isso deixa rastros e merece ser averiguado.

A chapa que patrocinou a divulgação do depoimento no horário eleitoral gratuito é um acinte de desrespeito à democracia. Roriz, dpois de transformar a própria esposa em “laranja” eleitoral, tem dito e repetido, com orgulho, que “apesar do TRE, do TSE e do Supremo, o povo quer um Roriz” de volta ao Palácio das Águas Claras.

A volúpia desse homem pelo Poder é doentia. Joaquim Roriz tem contra si dezenas de inquéritos em andamento. É acusado, entre outras coisas, de ter montado o esquema que depois levaria à cadeia o desqualificado José Roberto Arruda, que transformou o governo local num covil de ladrões.

O eleitor do DF está acuado pela necessidade de escolher entre os dois candidatos aquele que lhe parece menos danoso. Ou chancela Agnelo, ou entrega a alma aos Roriz. O que fazer diate dessa autêntica sinuca de bico ?

Ontem à noite, depois do susto proporcionado pela propaganda eleitoral na TV, muita gente falava em anular o voto. Talvez seja esse o caminho mais digno para quem espera encontrar na política um mínimo de decência.

Anular o voto não muda o resultado da eleição. Tome-se como premissa que, aconteça o que acontecer, um dos dois candidatos vai se sagrar governador. Mesmo que tenha obtido uma votação ínfima, os Roriz ou Agnelo vão governar o DF.

É não permitir que as cenas sórdidas que chocaram o País no ano passado — dinheiro em meias, malas e cuecas — tenham a sua chancela moral quando voltarem a acontecer. Quando o pesadelo recomeçar, porque é certo que recomece, o eleitor que tenha anulado seu voto poderá ao menos dizer com orgulho que não delegou a ninguém o direito de lhe roubarem.

Promotoria acusa tesoureiro do PT de desvio

FLÁVIO FERREIRA, da Folha de São Paulo

O Ministério Público denunciou à Justiça o tesoureiro do PT João Vaccari Neto sob a acusação de envolvimento em desvios de recursos da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) para ex-dirigentes da entidade e para campanhas do PT.

A acusação formal, de autoria do promotor José Carlos Blat, apontou que Vaccari cometeu crimes de lavagem de dinheiro, estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica quando atuou na direção da cooperativa.

Vaccari foi diretor da Bancoop de 1999 a 2004 e presidiu a cooperativa de 2005 até o início deste ano, quando assumiu o cargo de tesoureiro do PT. Outras cinco pessoas ligadas à entidade foram denunciadas (veja quadro abaixo).

Segundo o promotor, a ação dos acusados resultou em desvios de R$ 70 milhões dos cofres da entidade e em prejuízos de R$ 100 milhões aos cooperados da Bancoop.

Criada para viabilizar a construção de unidades habitacionais a preço de custo, a Bancoop não tirou do papel 19 dos 53 empreendimentos oferecidos aos cooperados.

Blat divulgou a denúncia ontem na CPI da Bancoop da Assembleia Legislativa de São Paulo. Vaccari também foi convocado para depor, mas não compareceu.

De acordo com a denúncia, parte dos desvios ocorreu por intermédio de empresas que tinham como sócios ex-dirigentes da cooperativa, principalmente as companhias Germany e Mizu.

Blat disse que foi possível identificar o repasse de R$ 200 mil para o PT, mas o valor das transferências ao partido pode ser maior.

“Há uma série de outros levantamentos e cheques que foram sacados na boca do caixa cujos destinos são impossíveis de ser apurados nas investigações”, afirmou.

O promotor disse ter indícios do uso indevido de cerca de R$ 100 mil da Bancoop para financiar a hospedagem em hotel de luxo de espectadores da etapa da Fórmula 1 em São Paulo, além de transferências para um centro espírita e uma entidade assistencial.

Questionado sobre a afirmação do deputado Vanderlei Siraque (PT) de que a denúncia tinha “tintas tucanas”, Blat disse: “Na verdade ela está carregada com as tintas da Justiça e das lágrimas das mais de 3.000 pessoas que não vão ver seu dinheiro e suas moradias de volta”.

via Folha de S.Paulo – Promotoria acusa tesoureiro do PT de desvio – 20/10/2010.

Dilma responsabiliza Erenice por nomeação

Da Folha de São Paulo

Questionada sobre as motivações para levar Gabriel Laender para o governo federal, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff disse que não o conhecia e passou a responsabilidade para Erenice Guerra, que era a número dois da pasta.

“A ministra Dilma Rousseff não conhece o referido servidor e as nomeações de DAS 102.4 [cargo de Laender] são de responsabilidade da Secretaria Executiva da Casa Civil”, afirmou, por meio de sua assessoria

No entanto, foi Dilma quem assinou o convite para Laender deixar a Procuradoria do Espírito Santo para trabalhar no governo. Assinou também o decreto que criou cargo para ele na Casa Civil.

A assessoria da Casa Civil, responsável pela sindicância que investiga tráfico de influência praticado por pessoas ligadas a Erenice, disse que não iria se pronunciar sobre o assunto. Alegou que a investigação é sigilosa.

Por e-mail, informou: “A lei 8.112, de 11/12/90, estabelece que: “As reuniões e as audiências das comissões [de sindicância] terão caráter reservado”. Por esse motivo, não temos como responder às suas perguntas”.

A Folha procurou também o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), que recomendou falar com a Casa Civil. A SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) não respondeu até a conclusão desta edição.

O assessor especial da Casa Civil Gabriel Laender negou ter trocado senha com Vinícius Castro, “sócio” dos filhos da ex-ministra Erenice em uma empresa de lobby.

“Eu não tinha nenhuma ligação com o Vinícius, eu não o conheço, não conheço ninguém da família dele ou da família da ex-ministra.”

Lembrado que ele advogou para o marido de Erenice, afirmou: “É verdade, mas a relação foi como prestador de serviço”. Sobre sua relação com Erenice, Laender disse que é “espartana”.

Afirmou ainda que, embora dividisse a sala com Vinícius enquanto a Casa Civil funcionava no edifício do Banco do Brasil devido à reforma do Palácio do Planalto, a relação era de “bom dia, boa tarde e boa noite”.

Laender pediu que a Folha encaminhasse perguntas por escrito, mas não respondeu ao e-mail. Ele está em férias desde 29 de setembro.

Em conversa pelo telefone, sua primeira reação foi: “Como é que você vai publicar isso? O que vocês estão querendo com isso? Dizer que eu tinha algum contato com o Vinícius?”

O assessor afirmou ainda que não revisou ou redigiu qualquer contrato para a Capital Assessoria, a empresa de lobby. “Eu nunca olhei nada de nenhum contrato, nunca vi nada fora das minhas atribuições da Casa Civil, eu sou um advogado experiente, mas tenho 31 anos, tenho histórico, mas não sou nenhuma sumidade.”

via Folha de S.Paulo – Dilma responsabiliza Erenice por nomeação – 20/10/2010.

Dilma assinou duas nomeações de novo investigado para postos no governo

Da Folha de São Paulo

Suspeito de ter participado do lobby na Casa Civil, o assessor Gabriel Laender foi beneficiado diretamente pela então ministra Dilma Rousseff para conseguir um cargo dentro do governo.

Laender é procurador no Espírito Santo e atuou como advogado da Unicel, empresa na qual o marido de Erenice Guerra era diretor.

Erenice, que era braço direito de Dilma e assumiu seu lugar, deixou o comando da Casa Civil após as acusações de lobby na pasta envolvendo a empresa de seus filhos.

Gabriel Laender foi convidado para trabalhar no governo em 11 de fevereiro de 2009, em ofício assinado por Dilma. No pedido enviado à Procuradoria, a então ministra pede que “seja examinada a possibilidade de colocar Laender à disposição da Presidência da República”.

No ofício, informa-se que ele receberá comissão de R$ 6.843,76, uma das mais altas dentro da burocracia estatal, “sem prejuízo da remuneração e das vantagens” do cargo de procurador, cujo salário é de R$ 11.049.

Em 20 de março de 2009, Laender assumiu cargo na SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), vinculada à Presidência. Foi do computador de Laender que partiram os acessos suspeitos com a senha de Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil que era sócio na empresa de lobby dos filhos de Erenice.

A Folha apurou que depois dos acessos suspeitos, que aconteceram em outubro de 2009, Laender passou a trabalhar informalmente na Casa Civil. Continuava como servidor da SAE, mas dava expediente na Casa Civil.

Dilma, então, intercedeu mais uma vez. Conseguiu tirar Laender da SAE para levá-lo para a secretaria-executiva da Casa Civil, sob o comando direto de Erenice. Um cargo foi criado só para ele.

Foi Dilma quem assinou decreto em 13 de janeiro de 2010 que fez uma triangulação dentro do governo: transferiu um cargo da SAE para o Ministério do Planejamento, e o ministério transferiu esse cargo para a Casa Civil.

Uma semana depois, Laender foi realocado da SAE para a Casa Civil, passando, então, a trabalhar lado a lado com Vinícius Castro.

A Folha apurou que Erenice dizia com frequência que Laender era um “homem dela” no governo. A nomeação do procurador foi assinada por Erenice, então secretária-executiva da Casal Civil.

O procurador Gabriel Laender é o único nome ligado à família de Erenice que sobreviveu na Casa Civil após o escândalo.

Atualmente, é um dos coordenadores do plano de banda larga. A Folha apurou que ele foi preservado porque só pesava contra ele o fato de ter advogado para o marido de Erenice.

via Folha de S.Paulo – Dilma assinou duas nomeações de novo investigado para postos no governo – 20/10/2010.

Aviso aos navegantes: Votar em Weslian faz mal à saúde

A candidatura de Weslian Roriz, laranja eleitoral do ficha-suja Joaquim Roriz, é uma afronta ao bom-senso, à moralidade e à própria democracia. Joaquim Roriz, em cujo genoma estão incrustados os genes do chamado Mensalão do DEM,  foi o artífice do maior esquema de corrupção jamais montado na máquina pública do Distrito Federal.

Forçado a renunciar ao mandato recém-adquirido de Senador da República, Roriz terminaria por se inscrever no rol dos políticos que a Lei da Ficha Limpa impede de se candidar. Ao cabo desse processo, que culminou com uma nova renúncia — desta vez à candidatura ao governo do distrito Federal — escalou a mulher para lhe assegurar a volta indireta ao Palácio do Buriti.

O eleitor de Brasília, de início condescendente com as práticas imputadas a Joaquim Roriz, ainda aceitou dele a orientação para que seu cavalo de Tróia matrimonial fosse sufragado, estratégia que por muito pouco não provoca um dos fenômenos eleitrais mais espúrios destas eleições.

A desempenho vexatório, as gafes, os atos-falhos de Weslian se explicam pela cultura dessa família, que fez da política escada para a fortuna pessoal. Enquanto engordava o patrimônio com cinco administrações à frente do GDF, Roriz ia provocando a desidratação dos princípios éticos que devem nortear a vida pública.

Votar em Weslian Roriz é como fornecer um salvo-conduto para a replicação das práticas reiteradas de corrupção e desmandos que pautaram todas as gestões de Joaquim Roriz. Se o eleitor não se importa de ser vilipendiado nos impostos que paga, então tem no cavalo de Tróia dos Roriz uma excelente opção de voto.

Se, ao contrário, ainda permence indignado com as cenas de dinheiro em cuecas, meias, bolsas, envelopes, com as imagens de um governador ladrão preso por 60 dias, então o voto em Weslian não pode fazer bem à sua saúde cívica.

Donos da fazenda grilada por Riva entram com reintegração de posse esta semana

A posse da Fazenda Paloma, que o deputado estadual matogrossense José Geraldo Riva grilou e pos em nome de sua mulher, Janeta Riva, pode ser restituída ainda esta semana ao seu legítimo proprietário, o pecuarista Eduardo Muchalak. O imóvel, rebatizado de Fazenda Paineira por Riva, foi utilizado para a legalização de madeira extraída de áreas indígenas, segundo o Ministério Público Federal e a Polícia Federal.

Advogados do proprietário esbulhado pelo presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso vão entrar com uma ação de reitegração de posse na vara cível de Juara, onde se situa a propriedade.

No fim do ano passado, depois de dez anos de disputa judicial, o pleno do Tribunal de Justiça (reunião de todos os desembargadores)  reconheceu o direito de Muchalak ao imóvel e determinou sua imediata devolução. Riva agravou a decisão alegando que havia feito investimentos na fazenda e ganhou prazo para continuar explorando o imóvel, embora o mérito do acórdão seja irrecorrível.

Dias antes de se aposentar, o desembargador Leônidas Duarte Monteiro, que relatou o processo, julgou o agravo. Ele entendeu que o legítimo proprietário deveria entrar com uma ação de reintegração de posse para reaver a fazenda, o que será feito ainda esta semana. Assim como se apossou da Fazenda Paloma, Riva poderá ser desalojado por meio de uma liminar.

Juiz será transferido

O juiz Douglas Romão, que está a cargo do processo — e que foi o autor da sentença que mandou Riva desocupar a fazenda — está sendo transferido para o município de Cotriguaçu, também no Nortão de Mato Grosso. Ele teria desagradado advogados da comarca de Juara, base eleitoral de José Geraldo Riva.

A transferência ocorre no exato momento em que a devolução da Fazenda Paloma (ou Paineira) entra em sua fase decisiva. O juiz não quis falar com o Blog sobre o assunto, mas pessoas vinculadas a ele asseguram que Douglas estranhou a remoção e o consequente afastamento do processo .

Fazenda foi comprada por R$ 50 mil

Apesar de estar avaliada em R$ 25 milhões, a Fazenda Paloma foi “comprada” pelo casal Riva por apenas R$ 50 mil. Na época em que foi grilada, de acordo com avaliadores que prestam serviços de perícia ao Poder Judiciário, o imóvel não valia menos do que R$ 11 milhões — 220 vezes o que foi pago pelo deputado José Geraldo Riva.

Na verdade, Riva adquiriu uma escritura vazia das fazendas Cedro e Paineira, que ficam a pelo menos 30 quilômetros de distância das terras das quais o primeiro-casal do Legislativo matogrossense se apossou.

Com o título podre em mãos, Riva, por intermédio do Banco Fenícia, iniciou um processo judicial para imitir-se na posse da Fazenda Paloma, o que acabou conseguindo como efeito de uma liminar. O presidente da Assembléia Legislativa se valeu de um laudo técnico produzido por um engenheiro florestal inidôneo, que tem vinculações familiares com ele. O perito é um dos presos da Opração Jurupari.

Em seguida, pleiteou e conseguiu em tempo recorde um financiamento junto ao Banco do Brasil de cerca de meio milhão de reais. O título podre das terras griladas foi uma das garantias oferecidas. O dinheiro foi utilizado para a construção de cercas e investimentos em um projeto de produção de gado de corte.

O Banco do Brasil vistoriou o imóvel duas vezes. Em ambas foram constatadas irregularidades na aplicação do dinheiro. Na primeira delas, constatou-se que a cerca que deveria ter sido construída não existia até dois anos depois da contratação do empréstimo.

Ao mesmo tempo, Riva e Janete esvaziaram a fazenda, aparentemente desistindo do projeto de produção de gado de corte, para em seguida alugar os pastos para o Grupo Carrefour. O contrato de parceria rural foi assinado por um preposto de Riva, que não apresentou procuração nem qualquer tipo de documento que embasasse a sublocação.

Durante todo o tempo em que esteve de posse da Fazenda Paloma, a principal fonte de renda da propriedade foi a exploração de madeira, que acabou levando Janete Riva à prisão. Boa parte da área de reserva legal averbada na escritura original foi devastada. Em novembro de 2008, Janete Riva foi obrigada a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com a Secretaria de Meio-Ambiente de MT se comprometendo a reflorestar as áreas desmatadas ilegalmente.

A Operação Jurupari, do MPF e da PF, constatou que a fazenda vinha sendo utilizada para a legalização de madeira extraída de duas reservas indígenas lindeiras. Além disso, fiscais da SEMA asseguram que guias da expedidas pela propriedade foram utilizadas para recolocar no mercado estoques de 11 mil metros cúbicos de madeira apreendida em fiscalizações anteriores de órgãos ambientas federais e estaduais.

No mesmo dia em que sua mulher era presa, José Geraldo Riva assegurou que não há nenhuma irregularidade na fazenda — e ameaçou doá-la ao juiz e ao procurador que coordenaram a Operação Jurupari caso fosse constatada a existência de qualquer problema ambiental.

Agronegócio: se você quer criar grilos, compre uma fazenda fantasma com um advogado dentro

advogadoUma fazenda é basicamente um pedaço de terra delimitado por marcos convencionados dentro do qual se produzem proteínas de origem vegetal, animal ou amido. Isso quando a fazenda existe de verdade. Mas há, no Mato Grosso, outro tipo curioso de propriedade rural. É aquela destinada a produzir outras glebas de terra, demarcada por marcos fictícios, em que só cabem dois tipos de animais: grilos e advogados.

A criação de grilos é antecedida pela de advogados. Por mais cético que você seja, verá que esse tipo de atividade pode ser bastante lucrativo — mais até do que a extração de madeira, o cultivo de soja ou a pecuária de corte.

Foi graças a isso que José Geraldo Riva começou a fazer dinheiro na Fazenda Paineiras, resultado da fusão de duas glebas que não existiam no mundo físico em uma única e singela matrícula, que anos depois seria anulada por força de um acórdão exarado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Essa matrícula foi utilizada para grilar a Fazenda Paloma, de propriedade de um casal de agricultores paranaenses que migrou para o Nortão do Mato Grosso há 40 anos.

Anos atrás, as escritura das fazendas Paineira e Cedro pertencia a um agricultor chamado Adonis Ribeiro de Mendonça, que as utilizou para dar em garantia de um financiamento tomado ao Banco Fenícia no começo dos anos 90. Como o empréstio não foi pago, o Banco Fenícia executou a hipoteca e arrematou a propriedade em 1996 pelo valor ajudicado de R$ 364 mil.

No curso da execução judicial, o então advogado do fazendeiro contestou um laudo de avaliação produzido por uma perita que afirma não existir mais madeira a ser explorada na fazenda. Isso depreciava o valor do bem penhorado. O advogado se chama Sílvio Luiz de Oliveira, detentor do registro da OAB/MT número 3546.A.

Somente quatro anos depois de arrematar a fazenda o banco credor tomou providências para imitir-se na posse do imóvel. Sabe quem aparece advogando para o banco ? O mesmo Sílvio Luiz de Oliveira, aquele que era procurador do fazendeiro que perdeu as terras para o Fenícia. Foi exatamente quando José Geraldo Riva se interessou pela compra do título que Sílvio Luiz de Oliveira mudou de lado, passando a advogar para a parte contrária.

Foi ele quem assinou, já na condição de procurador da instituição financeira, a venda da escritura para o esperto deputado matogrossense. Curiosamente, o banco representado por Sílvio Luiz de Oliveira toma as feições de uma instituição filantrópica. Repassa a “propriedade” ao deputado por R$ 50 mil, apenas 14% do valor pelo qual a fazenda foi “comprada” quatro anos antes. Ou seja: em um raríssimo caso de prodigalidade, uma instituição financeira decide abrir mão de 86% do valor de um bem para praticamente presentar José Geraldo Riva.

Na sequência de negócios fica claro que não há distinção entre a pessoa do advogado e o destino formal da fazenda. Os vínculos entre a propriedade e seu representante são indissociáveis. Por isso, quando Riva decide adquirir o imóvel, em regime de “porteira fechada”, leva também o único animal que uma ficção jurídica como essa poderia comportar — o advogado, de Deus e do Diabo.

Logo depois de fechar o negócio, Riva nomeia Sílvio Luiz Luiz de Oliveira seu procurador. É ele quem vai se dedicar, como um gestor disciplinado, a levar a efeito a segunda atividade possível numa fazenda que não existe, e que, portanto, não vale mesmo nada: a produção do grilo.

O expediente adotado pelo solerte deputado-grileiro é um velho conhecido da Justiça mataogrossense. Compra-se um título de propriedade vazio, destituído das respetivas posses, para depois “deslocá-lo” geograficamente, fazendo com que ele se assente sobre uma propriedade que existe. No caso, o alvo de Riva era a Fazenda Paloma, pertencente à família Muchalak. Coube um engenheiro malandro fazer a “transposição” das terras da Paloma para dentro da escritura fjauta de Riva.

O “animal” que Riva adquiriu junto com o título — seu advogado — mostrou-se mais produtivo do que um rebanho nelore P.O. Entrou com uma ação de imissão de posse contra o dono da Paloma usando o título podre comprado do Banco Fenícia. Naquele momento, o titular da ação era o banco. Ao substituí-lo no processo, Riva manteve o mesmo advogado, que rapidamente conseguiu liminar em uma ação cautelar e expulsou o legítimo proprietário das terras. O dono das glebas griladas pelo deputado teve que sair de sua própria fazenda em apenas 48 horas, movendo quatro mil cabeças de gado para os pastos dos quais Riva não conseguiu se apropriar.

O advogado foi bastante atuante. Revelou-se uma grande aquisição. Assim que Riva o contratou para desembaraçar a papelada — ou para embaraçá-la, dependendo do ponto-de-vista — Riva começou rapidamente a produzir lucros em seu estabelecimento rural. Primeiro foi um empréstimo do Banco do Brasil. Depois, com o desmembramento de uma área que correspondia à reserva legal permanente da fazenda Paloma. Desta forma, o deputado-grileiro pode começar a explorar a madeira intocada que, por força da averbação da reserva na escritura original, deveria ser preservada.

Nos autos da ação de anulação das matrículas forjadas por Riva consta a retirada de 200 mil metros cúbicos de madeira-de-lei. Com o apoio do Banco do Brasil, para o qual apresentou o título podre como uma das garantias, Riva conseguiu quase meio milhão de reais de empréstimo para cercar a gleba grilada e investir em gado de corte.

Não tendo interesse em continuar no negócio da pacuária, arrendou pastos que não lhe pertencem — a não ser por força da liminar obtida por seu advogado (sempre ele!) Sílvio Luiz de Oliveira — ao Grupo Carrefour por intermédio de um amigo que todos conhecem em Juara como seu testa-de-ferro.

Mas como todo negócio rural, também este se mostrou arriscado. Não por fatores meteorológicos ou mercadalógicos, como costumam ser os negócios dos fazendeiros que não têm fazendas de papel, mas por fatores judiciais. Riva e Sílvio Luiz não contavam, no passado remoto em que se associaram, com a eventualidade de algum desembargador honesto reverter o negócio e devolver a propriedade ao seu verdadeiro dono. Foi o que aconteceu em novembro passado.

O acórdão, no entanto, ainda não produziu efeitos práticos. O advogado adquirido em regime de porteira fechada agravou a decisão que, não obstante, não pode mais ser modificada.

Entre Riva e seu advogado há mais coisas em comum do que a calva generosa e o gosto por demandas agrárias. Os dois também são defensores da devastação da Amazônia, onde as fazendas de Riva se encontram localizadas (podem mudar a qualquer momento, mas neste momento lá se encontram).

Se você quiser conhecer melhor essa afinidade, clique no video abaixo e se delicie com a aula de respeito ambiental protagonizada pelo eficiente Sílvio Luiz de Oliveira.

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