Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the tag “CPI do Cachoeira”

Notícias da CPI

Dora Kramer

No balanço que fez dos primeiros três meses de trabalho da CPI que apura a rede de ilegalidades envolvendo um operador de jogatina, políticos, governantes e obras públicas, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo, ficou no feijão com arroz.

Negou a inegável influência do embate partidário, apresentou informações irrelevantes – como a quantidade de sessões realizadas, de pessoas ouvidas e testemunhas caladas -, mas deixou de falar sobre o papel que a comissão teve na divulgação de fatos que, sem a repercussão própria do foro político, hoje seriam de conhecimento exclusivo da política e da Justiça e provavelmente não teriam gerado consequência alguma.

Não havendo CPI seriam grandes as chances de Demóstenes Torres ser ainda senador, de Carlos Cachoeira ter saído da cadeia por meio de habeas corpus e de a construtora Delta ter sido vendida a um frigorífico com participação do BNDES.

Foi só quando se começou a falar em quebra dos sigilos da Delta que a J&F, controladora do frigorífico JBS, desistiu de comprar a empreiteira e o banco oficial recuou do negócio.

A necessidade de Cachoeira continuar preso também se impôs diante das evidências sobre a capacidade dele de obstruir as investigações.

Quem ainda estaria prestando atenção ao caso se a única matéria-prima fossem os inquéritos da Polícia Federal? Quantos senadores não poderiam ter se valido do voto secreto no plenário para absolver Demóstenes se não estivesse aberta uma tribuna permanente de reverberação política?

Por essas e várias outras, entre as quais uma venda de imóvel cuja conta não fecha envolvendo um governador de Estado, não é certo reduzir a CPI a palco de testemunhas silentes e picuinhas entre PT e PSDB embora estejam presentes na composição do cenário.

Descontadas as manobras de percurso, houve consequências importantes. Desvendaram-se algumas das razões pelas quais uma empreiteira sai do zero e em dez anos torna-se a 6.ª no ranking nacional, revelou-se como partidos se movimentam no jogo de proteções e condenações, além de se contar a maneira pela qual um ex-presidente da República tenta manipular um instrumento de fiscalização do Congresso para ações de vingança.

A primeira fase não foi, portanto, improdutiva. Agora em agosto inicia-se a segunda etapa, os três meses finais em que as coisas podem se complicar, justamente porque a CPI tende a ficar em segundo plano na vista do público – o corretor de rumos mais eficiente -, dividindo as atenções com o julgamento do mensalão e as campanhas eleitorais.

O cruzamento de dados prossegue no recesso e a troca de informações entre o Congresso, a polícia e a Justiça também.

Há fios que começam a ser puxados, mas a dúvida é se as injunções partidárias permitirão que sejam desenroladas as meadas até o fim. Dois deles ainda em fase de investigação: a associação de parlamentares com Carlos Cachoeira em negócios no exterior e os detalhes de uma casa num condomínio de luxo em Angra dos Reis (RJ).

Se confirmadas as suspeitas em torno das quais se movimenta a polícia, ao menos um candidato a prefeito de capital e um governador tomarão conta da cena, levando a CPI a caminhos ainda não navegados.

Beba na fonte: Notícias da CPI – politica – versaoimpressa – Estadão.

Agente da PF que atuou na Monte Carlo é assassinado

Um agente da Polícia Federal que atuou na Operação Monte Carlo foi assassinado na segunda-feira com dois tiros na cabeça.

Foi na Monte Carlo que o empresário Carlinhos Cachoeira, foi preso, em fevereiro.

Segundo a versão oficial da PF, Wilton Tapajós Macedo visitava o túmulo dos pais no cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

Como ele estava no local em horário de trabalho, colegas levantaram a suspeita de que ele estava em missão.

Foram instaurados dois inquéritos para investigar o caso, um da Polícia Civil do Distrito Federal e outro da PF.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que qualquer avaliação sobre o crime é, agora, precipitada.

Há várias linhas de investigação. Uma delas é a de que ele tenha sido vítima de latrocínio, uma vez que o automóvel com que chegou ao local onde foi morto, um Gol branco, foi levado.

Horas após a morte, o serviço de inteligência da PM informou que um Gol branco suspeito foi visto na divisa do Distrito Federal com Goiás.

Tapajós, 56, trabalhava na PF havia 24 anos. Atualmente estava lotado no Núcleo de Inteligência Policial da Superintendência da PF no Distrito Federal, a unidade que comandou a Monte Carlo.

O agente atuou em diversas investigações de risco. Já havia trabalhado no núcleo de combate ao narcotráfico e investigado casos de pedofilia. Antes, ele trabalhou na segurança de pessoas que estão no programa de proteção à testemunha.

Um coveiro do cemitério presenciou o assassinato. Foi ele quem comunicou a direção do local, que chamou a Polícia Militar.

O agente tinha mulher e três filhos, que chegaram ao local no fim do dia. Em 2010, Tapajós concorreu ao cargo de deputado distrital pelo PTB. Teve 188 votos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Agente da PF que atuou na Monte Carlo é assassinado – 18/07/2012.

Governo pode usar CPI para flexibilizar licitações, diz Ideli

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou ontem que o governo pode usar o relatório final da CPI do Cachoeira para fazer mudanças na Lei de Licitações.

Ideli não explicou qual relação enxerga entre as investigações da comissão e problemas com procedimentos licitatórios.

Ela disse apenas que as alterações devem ser feitas para dar agilidade aos processos de contratação de obras.

A possibilidade de incluir a proposta de mudanças como “contrabando” nas conclusões da CPI seria feita apenas porque, segundo ela, “projeto de lei de origem de CPI tem um rito um pouco diferenciado, mais ágil”, disse a ministra.

Sem também detalhar o que pretende mudar na Lei de Licitações, Ideli defendeu o chamado RDC (Regime Diferenciado de Contratações).

Esse sistema flexibiliza as normas de concorrências públicas, permitindo o “orçamento secreto”, em que as empresas somente conhecem o valor da obra depois que apresentam propostas -o que dificultaria conluio entre participantes.

Além disso, a mesma empresa é contratada para produzir o projeto executivo e para executar a obra, o que diminuiria eventuais aditivos que encarecem os contratos.

Já em aplicação em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da Copa, o governo quer que o RDC seja estendido às áreas da saúde e educação.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Governo pode usar CPI para flexibilizar licitações, diz Ideli – 04/07/2012.

PT reforça tropa de choque na CPI e PMDB esvazia bancada

No Blog do João Bosco Rabelo

O PT reforçou a bancada na CPI do Cachoeira, substituindo o deputado Sibá Machado (AC) pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Ricardo Berzoini (SP). Berzoini é ex-presidente do PT, integrante do Diretório Nacional e um dos nomes de projeção da legenda.
Na direção contrária, o PMDB mantém a bancada esvaziada na comissão. O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), segue indiferente aos apelos do governo para preencher, com pesos pesados, as quatro vagas de suplentes na comissão. Até agora, o único indicado é o senador Benedito de Lira (PP-AL), aliado de Renan.
Desde o início dos trabalhos, chamou a atenção o fato de que os petistas escalaram seus principais atacantes para o jogo, enquanto os peemedebistas entraram em campo com o time reserva.
Agora o PT receia uma ofensiva do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), por causa da disputa em Campina Grande, na Paraíba, reduto eleitoral da família dele. Os petistas romperam a aliança de oito anos com o PMDB no município – o segundo maior e pólo econômico do Estado – e decidiram apoiar Daniella Ribeiro (PP), que é irmã do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP). A atuação do ministro foi decisiva para levar o PP – e seu tempo de TV – para a coligação de apoio a Fernando Haddad em São Paulo.
O PT atua na CPI com seus principais atacantes: os deputados Candido Vaccarezza (SP), Paulo Teixeira (SP), e Odair Cunha (MG). Vaccarezza foi líder do governo, Teixeira foi líder da bancada e assumiu a vice-presidência da CPI. Cunha é vice-líder do governo e relator dos trabalhos. Agora entrou Berzoini, reforçando o time.
Pelo Senado, o PT escalou o líder do governo no Congresso, José Pimentel (CE), o ex-líder da bancada Humberto Costa – que também é relator do processo contra Demóstenes Torres (GO) no Conselho de Ética – o atual líder da bancada, Walter Pinheiro (BA), e Delcídio Amaral (MS), que foi presidente da CPI dos Correios.
Em contrapartida, nenhum dos caciques do PMDB compõe a CPI. Pelo Senado, Renan Calheiros escalou Ciro Nogueira (PP-PI, pelo bloco PMDB-PP-PV), e dois suplentes, Paulo Davim (PV-RN) e Sérgio Souza (PMDB-PR). Souza é suplente da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR). O destaque são os “emergentes”, Vital do Rêgo Filho, que preside a comissão, e Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Pela Câmara, atuam Luiz Pitiman (PMDB-DF) e Iris de Araújo (PMDB-GO), que é adversária política de um dos alvos da investigação, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Beba na fonte: PT reforça tropa de choque na CPI e PMDB esvazia bancada – João Bosco – Estadao.com.br.

PT teme que acordo eleitoral influa na CPI

Eugênia Lopes

O PT rompeu com o PMDB do senador Vital do Rêgo, presidente da CPI do Cachoeira, e apoiará Daniela Ribeiro (PP), irmã do ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades), à Prefeitura de Campina Grande, na Paraíba. A decisão foi comunicada nesta quarta-feira, 20, pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Vital do Rêgo ficou irritado e, agora, os petistas temem que essa insatisfação acabe refletindo no dia a dia dos trabalhos conduzidos pelo senador na CPI.

Reduto eleitoral da família Rêgo, Campina Grande é comandada há oito anos por Veneziano Rêgo (PMDB), irmão do senador, com o apoio do PT. Mas, a pouco mais de três meses das eleições, a cidade acabou se transformando moeda de troca pelo apoio do PP do deputado Paulo Maluf (SP) à candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Para acalmar Vital do Rêgo, o PT se comprometeu a apoiar sua candidatura ou a de seu irmão ao governo da Paraíba em 2014.

Depois de oito anos ao lado do PMDB, os petistas decidiram se aliar à candidatura de Daniela Ribeiro à Prefeitura de Campina Grande em retribuição ao empenho de Aguinaldo Ribeiro nas negociações com Maluf , que acabaram levando o PP a apoiar Haddad em troca de um cargo no Ministério das Cidades. O PT indicou Peron Japiassu como vice-prefeito na chapa encabeçada por Daniela. “O fato de o ministro Aguinaldo Ribeiro ter ajudado a resolver a questão da eleição em São Paulo tem que ser levado em conta”, disse o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). Além dele e de Rui Falcão, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), participou da reunião para formalizar a retirada de apoio ao PMDB da Paraíba.

Líder no Senado. Paralelamente aos acordos que estão sendo firmados para as eleições municipais, o PT também está preocupado com reflexos na CPI da eventual saída do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), do cargo.

Seria mais uma vaga a ser preenchida pelo PMDB, que não indicou os quatro suplentes a que a sigla tem direito na CPI. A avaliação é que o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), “puxou o freio de mão” na CPI, apesar dos apelos para que as vagas sejam preenchidas.

Beba na fonte: O Estado de S. Paulo | politica – PT teme que acordo eleitoral influa na CPI.

Cavendish ameaça arrastar outras empreiteiras para a lama da CPI

No mesmo dia em que a Delta foi punida pela CGU, empresário mandou recado a um parlamentar: a maioria das grandes empreiteiras paga propina a servidores públicos e políticos – e usa os mesmos laranjas

Fernando Cavendish, dono da Delta: o recado foi entendido

Fernando Cavendish, dono da Delta: o recado foi entendido (Eduardo Knapp/Folhapress)

Na terça-feira, a Controladoria-Geral da União (CGU) declarou inidônea a Delta Construções, a empreiteira de Fernando Cavendish que está no centro do caso Cachoeira. Dois dias depois, a CPI que investiga o escândalo negou-se a ouvir o empresário. Pareceu um tremendo contrassenso. E é. Mas tem explicação. Reportagem de VEJA desta semanarevela que Cavendish tem ameaçado revelar segredos que comprometem outras empreiteiras.

No mesmo dia em que a CGU anunciou a punição à Delta, Cavendish esteve em Brasília. Numa conversa com um parlamentar de quem é amigo, disse que não apenas a Delta, mas a maioria das grandes empreiteiras paga propina a servidores públicos e políticos em troca de obras e aditivos contratuais. Conforme Cavendish, a Delta adotou o mesmo sistema: para dificultar o rastreamento da propina, repassava os recursos a empresas-laranja, que, posteriormente, entregavam o pedágio a quem de direito.

Sentindo-se injustiçado por ser o único a expiar os pecados em público, Cavendish apresentou ao parlamentar um conjunto de empresas-laranja que serviriam à Delta e às concorrentes. Deu nome de sete empresas das áreas de engenharia e terraplanagem. Todas funcionam em São Paulo e têm como proprietário o empresário Adir Assad, apesar de estarem em nome do técnico em refrigeração Jucilei Lima dos Santos e de Honorina Lopes, sua mulher, ambos no papel de laranjas.

Cavendish conhece como poucos Adir Assad – e os serviços prestados por ele. Há duas semanas, VEJA revelou que a Delta repassou 115 milhões de reais a empresas-laranja. Do total, 47,8 milhões abasteceram as contas da Legend Engenheiros Associados, da Rock Star Marketing e da SM Terraplanagem, que também são de propriedade de Adir Assad. As sete novas empresas de engenharia e de terraplanagem, segundo Cavendish, fariam parte do mesmo laranjal.

O parlamentar que conversou com Cavendish passou o relato adiante. Foi como se acendesse um rastilho de pólvora que percorreu as bancadas do PMDB, PP, PR e PT. O recado foi entendido como um pedido de solidariedade e, claro, como uma ameaça velada, destinada a trazer novas empresas e parlamentares para o centro da investigação. “Está claro que convocar o Cavendish é trazer para a CPI todas as empreiteiras”, diz um graduado petista, que votou contra a convocação do empreiteiro. Só uma investigação acurada sobre a movimentação financeira das empresas-laranja revelará se Cavendish blefa ou fala a verdade. O fato é que, na semana passada, o empresário foi blindado, apesar da fartura de indícios que pesam contra ele.

Planilha – A própria CPI já detectou que houve grande quantidade de saques em dinheiro, às vésperas das eleições, nas tais empresas-laranja abastecidas pela Delta. Uma planilha em poder da comissão também revela que contas da empreiteira que recebiam os recursos federais foram as mesmas que transferiram dinheiro para uma empresa-laranja sediada em Brasília, agraciada com 29 milhões de reais. Os parlamentares de oposição acreditam que encontraram o caixa usado para subornar funcionários do governo federal.

A CPI desistiu de votar a convocação de Cavendish por 16 votos a 13. Prevaleceu a maioria formada por aquilo que o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) chamou de “tropa do cheque” – expressão cunhada um dia antes, num ato falho, pelo deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF). A tropa pró-Cavendish foi integrada pelos parlamentares do PT e da base aliada. Para a definição do placar, foram decisivos dois parlamentares: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que se alinhou à maioria, e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-TO), que não participou da sessão. Soube-se depois que Nogueira e Lessa haviam se encontrado na Semana Santa com Cavendish num restaurante em Paris. Os parlamentares alegam que o encontro foi casual e não teria influenciado sua posição dos dois na comissão.

CPI adia votação de convocação de Cavendish e Pagot

A CPI do Cachoeira resolveu adiar nesta quinta-feira as votações de convocação de Fernando Cavendish, ex-dono da Delta, e Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A comissão aprovou, porém, a convocação da mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, e do jornalista Luiz Bordoni, que teria sido pago por empresa ligada ao grupo do contraventor por serviços prestado durante a campanha eleitoral de 2010.
Também foi aprovada, por unanimidade, a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), de 1 de janeiro de 2002 até a presente data.
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Apesar de a empreiteira Delta ter sido declarada inidônea pela CGU e possuir um ex-diretor ligado à Cachoeira, a CPI se recusou a convocar o ex-presidente da empresa. Em gravação divulgada pela imprensa, Fernando Cavendish disse que pode ter um senador na mão caso decida gastar com ele R$ 6 milhões.
A proposta de adiamento foi feita pelo relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG). Ele argumentou que os dados da Delta, que teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico pela CPI, ainda não foram analisados e que ainda não há elementos para a convocação. Para alguns parlamentares, a atitude representa uma manobra suspeita.
- O que a CPI teme é a verdade – disse o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que acusou também a existência de uma “tropa do cheque” para evitar a convocação de Cavendish.
Após a aprovação por 17 votos a 13 do adiamento da convocação de Luiz Antônio Pagot, parlamentares de oposição argumentaram que, nos últimos dias, Pagot tem anunciado que quer depor na comissão.
- Estão com medo dos dois cidadãos (Cavendish e Pagot). Pagot, como alguns falam, é o fio desencapado – disse o senador Pedro Taques (PDT-MT).
- Pagot já manifestou publicamente várias vezes que tem muito a falar. Ele tem informações valiosas para que a gente corra atrás desse verdadeiro ralo de dinheiro público – disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) defendeu que o adiamento da convocação é uma forma de retomar o foco da CPI.
- Essa CPI tem foco. Chamar o Pagot aqui é para discutir contribuições de campanha. Isso não é foco dessa CPI. Temos que examinar a organização criminosa do sr. Cachoeira – disse.
MiroTeixeira afirmou que um grupo de parlamentares irá fazer um convite para que Pagot seja ouvido informalmente em qualquer comissão do Congresso. Ele acha indispensável ouvir um ex-diretor de órgão público que quer falar.
Do lado dos governistas ecoa o argumento de que as convocações foram rejeitadas apenas neste momento. Eles dizem que o entendimento é que primeiro devem ser analisados os documentos obtidos pela CPI, e depois podem decidir se chamam ou não Cavendish e Pagot.
Durante o bate-boca, parlamentares de oposição chegaram a combinar sair da sala, mas acabaram não tomando tal atitude. O deputado Silvio Costa (PTB-PE) pediu que eles ficassem, para que o embate político continuasse na CPI, e não fora, para a imprensa.
Ao final da sessão, foram quebrados os sigilos fiscal, bancário e telefônico da Faculdade Padrão, de propriedade do professor Walter Paulo Santiago – que comprou a casa de Marconi Perillo em Goiânia. O ex-assessor de Perillo Lúcio Fiúza – envolvido na venda da casa – teve os sigilos quebrados pela comissão, assim como outras pessoas ligadas ao governador de Goiás. As datas dos depoimentos ainda serão marcadas.

Beba na fonte: CPI adia votação de convocação de Cavendish e Pagot – O Globo.

CPI excluirá provas anuladas, diz presidente

FERNANDO RODRIGUES

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI do Cachoeira, disse ontem que a investigação não poderá utilizar, em seu relatório final, provas que eventualmente venham a ser anuladas pela Justiça.

A Justiça Federal analisa na semana que vem um pedido do empresário Carlos Cachoeira para que todas as provas sejam declaradas nulas. O argumento é que a investigação começou com base em uma denúncia anônima, o que seria ilegal para sustentar o monitoramento de ligações telefônicas.

A prevalecer a tese de Cachoeira, que já obteve um voto favorável -o do relator do processo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Tourinho Neto-, os áudios de centenas de conversas serão anulados como prova.

Na CPI, segundo o senador Vital do Rêgo, esse material somente poderá ser empregado de modo “suplementar”, mas não poderá constar do relatório final. Nessa hipótese de anulação das provas, a CPI se fragiliza “muito” e parte do trabalho feito até agora ficará perdido.

Para o presidente da CPI, é possível que a comissão passe a ser alvo também de uma série de ações judiciais para que devolva todas as provas que tenham sido anuladas pela Justiça. “Claro, tem chance”, declarou ele em entrevista à Folha e ao UOL.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI excluirá provas anuladas, diz presidente – 15/06/2012.

Agnelo nega denúncias sem explicar patrimônio

O governador Agnelo Queiroz (PT-DF) não conseguiu explicar ontem a origem do dinheiro para a compra de uma casa no Setor de Mansões Dom Bosco em Brasília. O imóvel foi adquirido em 2007, após o petista deixar o Ministério dos Esportes e meses antes de assumir a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Mesmo com o gesto político de abrir o sigilo bancário, o governador se enrolou na hora de dizer como pagou a casa. “Houve cheque, houve depósito… Tudo vai ficar claro com a quebra do sigilo”, afirmou Agnelo, depois de ser questionado repetidamente sobre a transação financeira. Para a oposição, todas as respostas foram evasivas.

Agnelo diz ter pago R$ 400 mil pela casa. Em 2006, seu patrimônio somava R$ 224 mil. Em 2010, ele declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 1,1 milhão, incluindo a casa, no valor de R$ 450 mil, outros três imóveis, três carros e mais de R$ 150 mil em bancos.

Questionado pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) sobre o valor atual do imóvel, o governador respondeu: “Não sei. Não sou corretor de imóveis.” Macris também questionou o fato de Jamil Elias Suaiden, um dos proprietários da casa que o governador comprou, ser dono da FJ Produções, empresa que teria contratos com a Anvisa e com o Governo do Distrito Federal.

“Não é o mote dessa CPI tratar de empresas privadas. Qualquer pergunta sobre contratos ou a evolução patrimonial precisaria ser feita à empresa, mas essa referência sobre a Anvisa faz parte da cota da maldade”, respondeu Agnelo. Ele negou que a FJ tenha contratos com o DF.

‘Futurologia’. “Comprei a casa do Glauco. Foi antes de eu assumir a diretoria da Anvisa. A má-fé é tamanha. Como poderia supor que ia virar diretor da Anvisa dez meses depois e favorecer uma empresa?”, alegou Agnelo. “A Anvisa deu 8 mil atestados de funcionamento na minha época. É um atestado dos mais simples.”

Cunhado de Jamil, Glauco Santos também tinha interesses na Anvisa. Sua empresa, Saúde Import, obteve autorização de funcionamento na gestão Agnelo.

Agnelo tampouco provou à Justiça como comprou o imóvel. Ele processou jornalistas da revista Época que, em 2010, fizeram reportagem sobre o imóvel. Na Justiça do DF, ele apresentou comprovantes de que teria entregue declarações de imposto de renda e acabou condenado. “Esses extratos não demonstram sequer que a aquisição da casa foi incluída nas declarações de IR”, disse a juíza Priscila Faria da Silva.

“Isso será reparado absolutamente”, disse Agnelo à CPI, defendendo que ele e a mulher, ambos médicos, tinham lastro para comprar o imóvel. “Já fiz uma auditoria nas minhas contas, além de apresentar meu nada consta. Quando meu sigilo chegar, você irão ver que não há nada.” / ALANA RIZZO, EUGÊNIA LOPES, FÁBIO FABRINI e RICARDO BRITO

Beba na fonte: Agnelo nega denúncias sem explicar patrimônio – politica – versaoimpressa – Estadão.

Petista diz que quer evitar ‘armadilha’ do julgamento na CPI

CATIA SEABRA E GABRIELA GUERREIRO

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), participou ontem pela primeira vez de uma reunião do PT para definição de estratégia na CPI do Cachoeira. Ele recomendou que o partido não “caia na armadilha” de discutir o mensalão.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), depõe à comissão hoje e diz ser vítima de tentativa de revanchismo. Petistas veem no tucano um dos responsáveis por elevar a pressão contra Lula na época do mensalão.

“Se eu estivesse na CPI, me orientaria pelo inquérito [contra Perillo, por suas relações com Cachoeira]. Que eu saiba, ele está sendo investigado pela Polícia Federal, o Lula não está. Não foi o Lula quem o acusou”, disse.

A oposição diz que o PT tenta usar a CPI para desviar o foco do julgamento do mensalão, marcado para começar em 1º de agosto.

Em entrevista à Folha ontem, Perillo disse que Lula, incentivador inicial da comissão, deve atuar como estadista e não interferir na CPI para tentar prejudicá-lo.

“Esse discurso não dura meia hora na CPI”, afirmou o vice-presidente da CPI, Paulo Teixeira (PT-SP). Para ele, Perillo deverá enfrentar uma “pedreira” na comissão.

A assessoria do relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), produziu material para ser usado contra o governador tucano. São cinco suspeitas: enriquecimento ilícito, caixa dois de campanha, nomeações para o governo de Goiás de indicados por Cachoeira, venda de uma casa para Cachoeira e licitações com indícios de favorecimento.

Um dos principais focos será questionar a suspeita da venda por Perillo de uma casa para Cachoeira.

O governador nega ter negociado com o empresário, que acabou sendo preso no imóvel pela Polícia Federal, no dia 29 de fevereiro deste ano, após deflagração da Operação Monte Carlo.

O PT decidiu partir para o confronto hoje contra Perillo, mesmo depois de o PSDB ter proposto um pacto de não agressão. Já o PMDB deverá ter uma atuação mais amena.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Petista diz que quer evitar ‘armadilha’ do julgamento na CPI – 12/06/2012.

Saiba por que Gilmar Mendes resolveu revelar o assédio de Lula a Veja

O que você vai ler abaixo não é inferência, interpretação nem opinião. É informação. Este post vai revelar o motivo pelo qual o ministro Gilmar Mendes decidiu contar à Revista Veja detalhes da insidiosa conversa com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ocorrida no dia 26 do mês passado.

Desde que a revista chegou às bancas,  três perguntas recorrente e importantes permaneciam sem resposta: Por que Gilmar Mendes resolveu agir dessa forma? Por que o atraso de um mês entre o fato e a versão apresentada pelo ministro? Gilmar tem como provar que ouviu de Lula o que disse ter ouvido no escritório de Nelson Jobim?

Uma parte das respostas está contida na entrevista na entrevista concedida hoje ao Jornal Zero Hora.  Disse o ministro:

Fui contando a quem me procurava para contar alguma história. Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso”.

Em seguida, a entrevista envereda pela seara de outros assuntos — as intrigas da CPI do Cachoeira. A repórter pergunta a Gilmar Mendes: “Jornalistas disseram ao senhor que o Lula estava associando seu nome ao esquema Cachoeira?”. Ao que o ministro responde: “Isso. Alimentando isso”.

Alimentando isso.

Não era o que o ministro queria dizer. Se tivesse sido questionado, teria contado que foi procurado por duas importantes jornalistas dias atrás para saber da mesma história. Espantou-se com o vazamento. Apesar de constrangido, ele havia decidido falar sobre o assunto apenas com alguns de seus pares, pessoas discretas que jamais revelariam a conversa constrangedora. E mantê-la longe dos jornais.

Essas jornalistas são profissionais respeitabilíssimas. Ocupam posições importantes em uma empresa não menos. A história chegou a elas por intermédio de uma fonte crível que preza da amizade de ambos, Gilmar e Lula.

Sabe como a fonte ficou sabendo do diálogo ?

Porque Lula contou.

Isso mesmo. Foi Lula em pessoa quem cometeu a indiscrição de falar sobre a conversa com Gilmar Mendes, descendo ao nível dos detalhes que agora estão expostos por iniciativa do ex-presidente do STF.

Esta é a razão oculta por trás da “inconfidência” do ministro Gilmar Mendes. E também a justificativa para a incapacidade do ex-presidente da República de fazer um desmentido cabal, como o assunto exigiria caso o magistrado pudesse ser desmentido.

Não pode. Há testemunhas muito bem identificadas no caminho da informação que transitou entre o escritório de Jobim e as páginas de Veja.

Se alguém falou demais, não foi Gilmar Mendes. Foi Lula. Simples assim.

Quem fala demais dá bom-dia a cavalo. Deu no que deu.

CPI quer explicações sobre encontro entre Lula e Gilmar Mendes

Integrantes da CPI do Cachoeira anunciaram que vão pedir explicações a Lula e ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes sobre encontro em que o ex-presidente teria feito lobby para adiar o julgamento do mensalão.

Mendes relatou que, em encontro em abril, Lula propôs blindar qualquer investigação sobre o ministro na CPI que investiga as relações de Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários. Em troca, Mendes apoiaria o adiamento do julgamento do mensalão.

A história foi revelada pela revista “Veja”.

A assessoria de Lula negou o conteúdo da conversa e afirmou que ele nunca interferiu em processo judicial.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou ontem que estuda interpelar judicialmente Lula. “O que foi noticiado é uma afronta tanto ao Parlamento como ao STF”.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) defendeu a convocação de Lula para que ele conte sobre “quais parlamentares da CPI ele diz ter influência”. Como a oposição não tem maioria na comissão, um requerimento de convocação de Lula dificilmente seria aprovado.

A história gerou críticas no próprio Supremo.

Para o ministro Marco Aurélio Mello, nunca deveria ter ocorrido o encontro.

“Está tudo errado. É o tipo de acontecimento que não se coaduna com a liturgia do Supremo, nem de um ex-presidente da República ou de um ex-presidente do tribunal, caso o Nelson Jobim tenha de fato participado disso.”

O encontro entre Lula e Mendes ocorreu no escritório de Nelson Jobim, ex-ministro do governo Lula e ex-ministro do Supremo.

Lula disse a Mendes, segundo a “Veja”, que é “inconveniente” julgar o processo agora e chegou a fazer referências a uma viagem a Berlim em que o ministro se encontrou com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), hoje investigado na CPI.

Jobim confirmou o encontro em seu escritório, mas negou o teor. “Não houve essa conversa. Foi uma visita de cordialidade. Lula queria dar um abraço em Gilmar porque ele foi muito colaborativo [com o governo]” diz ele, que afirmou ter presenciado o encontro do início ao fim.

O ex-ministro se diz surpreso também com o relato de que Gilmar teria ficado perplexo com a conversa.

“Lula saiu antes dele e não houve indignação nenhuma do Gilmar. Isso só apareceu agora na revista”, argumenta Nelson Jobim.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que ele e Pedro Taques (PDT-MT) vão pedir esclarecimentos a Mendes. “Queremos entender o que se passou.”

O senador Wellington Dias (PT-PI), suplente da CPI, defendeu o ex-presidente. “É impensável ele fazer uma proposta dessa natureza.”

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), também da CPI, disse que não cabe à comissão apurar o encontro.

Outro integrante da CPI, o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) afirmou que o episódio “é gravíssimo”. “Existe uma conduta reprovável, ou de Lula ou de Gilmar. Ou Lula tentou constranger um ministro do STF ou Gilmar não contou a verdade”.

Rubens Bueno (PPS-PR) disse que o episódio demonstra “o chefe do mensalão tentando acobertar o maior crime político do país”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI quer explicações sobre encontro entre Lula e Gilmar Mendes – 28/05/2012.

Bicho, corrupção e liberdade

HÉLIO SCHWARTSMAN

Sempre que vem à tona um caso glamoroso de corrupção envolvendo bicheiros e políticos, surgem aqueles que advogam pela legalização do jogo no Brasil. Incluo-me nessa categoria, não por solidarizar-me com bicheiros ou políticos, mas por crer em liberdades.

Existem dois tipos de crimes. Há aqueles -a esmagadora maioria- em que a parte ofendida não concorda com a ação dos bandidos e há outros, como o jogo e o tráfico de drogas, em que as supostas vítimas chegam a fazer fila para ser atendidas pelos delinquentes. É mais fácil reprimir as infrações do primeiro grupo, nas quais a polícia conta com a colaboração da parte lesada, do que as do segundo, que nem sequer são notificadas como crime a esclarecer.

O fato de “vítima” e delinquente estarem do mesmo lado significa lucros fáceis, os quais tendem a organizar-se em torno de estruturas criminosas hierarquizadas, que não hesitarão em utilizar parte dos recursos para corromper autoridades.

É claro que a dificuldade de reprimir não é, por si só, um argumento para que desistamos de fazê-lo. A investigação de homicídios também é complicada, mas nem por isso devemos legalizar assassinatos. Ocorre que os crimes relacionados a jogo e drogas, além da anuência da dita vítima, apresentam outra especificidade: o mal resultante da ação fica circunscrito à própria pessoa (torrar todo o patrimônio num cassino) ou está dentro dos limites discricionários facultados a cada indivíduo (ficar doente por não cuidar da saúde).

E não faz muito sentido colocar a polícia para proteger “manu militari” o cidadão de si mesmo. Democracias conferem às pessoas também o direito de tomar decisões erradas.

Legalizar jogo e drogas não implica abandonar ludopatas e dependentes à própria sorte. O Estado pode apoiá-los com programas de prevenção e tratamento. Não são uma maravilha em termos de eficácia, mas a repressão tampouco o é.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Bicho, corrupção e liberdade – 25/05/2012.

Dr. Rosinha: relator da CPI não é ‘tchuchuca’ nem ‘tigrão’

No portal de notícias G1

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) chamou o relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), de “tchuchuca”, ao criticar as perguntas feitas pelo petista ao ex-vereador de Goiás Wladimir Garcez durante reunião da CPI do Cachoeira nesta quinta-feira (24). Apontado como um dos principais auxiliares de Cachoeira, Garcez falou nesta terça na comissão.
Quando o relator faz perguntas sobre a Delta nacional e o governador Agnelo, ele é tchutchuca. Quando pergunta sobre o governador Perillo, ele é tigrão.”
Após Garcez ler um breve depoimento, Odair Cunha fez uma série de perguntas ao ex-vereador sobre o envolvimento da quadrilha de jogo ilegal de Cachoeira com o governador de Goiás, Marconi Perillo, que é do PSDB, e apenas uma pergunta sobre a relação do bicheiro com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT.
Os deputados tucanos Fernando Franchischini (PR) e Carlos Sampaio (SP), então, acusaram o relator da CPI de direcionar as perguntas para prejudicar o governador de Goiás.
“Quando o relator faz perguntas sobre a Delta nacional e o governador Agnelo, ele é tchutchuca. Quando pergunta sobre o governador Perillo, ele é tigrão”, disse Francischini,
Palavras de efeito são para aparecer na mídia.”
Imediatamente, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) saiu em defesa do relator e discutiu asperamente com o tucano. Segundo o petista, alguns parlamentares usam “palavras de efeito” nas sessões abertas da comissão para “aparecer na mídia”. Diante da crítica, Fernando Francischini se colocou de pé e, com dedo em riste, iniciou um bate-boca com Dr. Rosinha.
“Não admito que alguém me diga que eu não tenho moral para criticar o relator. Um relator que é tchuchuca quando a questão envolve o PT, e é tigrão quando envolve o PSDB. Fiquei de pé para mostrar minha indignação”, explicou Francischini após a discussão.

Beba na fonte: G1 – Deputado diz que relator age como ‘tchuchuca’ ou ‘tigrão’ na CPI – notícias em Política.

Gurgel não cita suposto pedido da PF em sua resposta à CPI

FELIPE SELIGMAN E ANDREZA MATAIS

Em resposta enviada ontem à CPI do Cachoeira, o procurador-geral Roberto Gurgel disse que foi ele quem tomou a decisão de suspender, em setembro de 2009, investigação da Polícia Federal sobre o empresário Carlos Augusto Ramos que indicava a suposta ligação criminosa entre Cachoeira e o senador Demóstenes Queiroz (ex-DEM-GO).

A resposta não faz menção à versão apresentada pela subprocuradora-geral e sua mulher, Cláudia Sampaio, à Folha, segundo a qual a investigação, chamada de Operação Vegas, foi suspensa a pedido dos delegados da PF que atuavam no caso.

Com isso, disse ela, os policiais queriam evitar que os investigados soubessem que eram monitorados. Assim, a PF poderia continuar na investigação, que, afirmou Sampaio, acabou desembocando em outra operação, a Monte Carlo -a qual, por sua vez, levou à prisão de Cachoeira e à criação da CPI.

As alegações de Sampaio deflagraram um mal-estar entre a Procuradoria e a PF, que chegou a divulgar nota dizendo que os delegados nunca fizeram tal pedido. Eles afirmam que a Monte Carlo não tem relação com a Vegas.

No documento, Gurgel diz, sem citar pedido nenhum: “Decidi sobrestar [suspender] o inquérito no intuito de possibilitar a retomada das interceptações telefônicas e da investigação, que, a toda evidência, se afigurava extremamente promissora”.

Ele diz que, cerca de um ano e cinco meses depois de paralisar a Vegas, foi avisado que a investigação contra Cachoeira “continuava”. Neste momento, a Monte Carlo já estava acontecendo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Gurgel não cita suposto pedido da PF em sua resposta à CPI – 24/05/2012.

Governo fez liberação atípica de verba no dia de ‘acordão’ na CPI

GUSTAVO PATU E LEANDRO COLON

No dia da celebração do acordo que esvaziou as investigações da CPI do Cachoeira, o governo Dilma Rousseff liberou verbas para redutos de caciques do PMDB e de alguns dos alvos da comissão -incluindo políticos próximos ao próprio Carlos Cachoeira.

Os registros diários dos desembolsos federais apontam, no dia 16, quarta-feira da semana passada, um salto dos recursos destinados às despesas incluídas por deputados e senadores no Orçamento, conhecidas como emendas parlamentares.

As operações coincidem com o entendimento, negociado entre governo e parte da oposição, para engavetar os pedidos de investigação de três governadores, cinco deputados e dos negócios da empreiteira Delta fora da região Centro-Oeste.

Para detectar os recursos destinados ao varejo político, a Folha acompanhou as 20 ações de governo que mais concentram emendas parlamentares. A despesa com essa amostra chegou a R$ 53,5 milhões no dia 16, enquanto a média diária é de R$ 11,6 milhões no ano.

A maior liberação feita pelo Ministério do Turismo, de R$ 5,4 milhões, já mereceu agradecimento público no site do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), responsável por indicar o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB).

O dinheiro, de uma emenda da bancada do Estado, irá para obras rodoviárias entre Piranhas e Arapiraca -cujo prefeito, acompanhado por Renan, esteve no dia com o ministro Gastão Vieira em busca de verbas.

Depois de Alagoas, o Estado mais beneficiado pelos desembolsos pesquisados pela Folha foi Goiás, palco da maior parte dos eventos e personagens das investigações.

Sede dos negócios de Cachoeira, Anápolis ganhou R$ 2,6 milhões do Ministério das Cidades para a obras de pavimentação. Trata-se de um convênio assinado desde 2010, mas que só agora recebeu a primeira parcela dos R$ 4,9 milhões previstos.

A cidade é administrada por Antonio Gomide (PT), irmão do deputado e também petista Rubens Otoni, um dos que escaparam de serem ouvidos pela CPI sobre suas relações com Cachoeira.

Ligada ao empresário na região, a construtora Delta tem três contratos com o município. Segundo a prefeitura, nenhum está relacionado ao convênio com a União.

Rio Verde (GO) obteve R$ 2,1 milhões para infraestrutura, pavimentação e drenagem na periferia. O convênio é do final de 2009, mas até então só haviam sido desembolsados R$ 976 mil.

O prefeito, Juraci Martins, que trocou o DEM pelo PSD, é antigo aliado do senador Demóstenes Torres, que se desfiliou do DEM e responde a processo de cassação devido a ligações com Cachoeira.

Outra liberação, de R$ 3,1 milhões, beneficiou Caracaraí (RR). No sábado, Romero Jucá (RR), um dos principais nomes do PMDB no Senado, foi à cidade inaugurar obras feitas com dinheiro federal.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Governo fez liberação atípica de verba no dia de ‘acordão’ na CPI – 24/05/2012.

A verdadeira CPI

Eliane Cantanhêde

Enquanto a CPI do Cachoeira é (seria) para investigar um esquema mafioso de um empresário-bicheiro, a Lei de Acesso à Informação pode se transformar numa imensa CPI sobre os três Poderes e todos os últimos governos -o de Fernando Henrique, o de Lula e este início de Dilma. O que pode sair de “surpresas” não é fácil!

Lula até tentou, mas não colou a ideia de criar a CPI do Cachoeira para jogar as já tontas e frágeis oposições nas cordas. A comissão se transformou num espetáculo de mau gosto não só para o PSDB e o DEM, mas também para o PT, o aliado PMDB e governadores aliados ao Planalto. Um aborrecimento para Dilma.

A CPI patina em disputas partidárias, em falta de vocação (e de vontade) para a investigação e na disposição de Cachoeira de não contar os podres que ele com toda certeza sabe e só vai contar se e quando bem entender. Sem isso, dessa cartola não sai mais coelho -com a ressalva de que nunca se pode descartar um “fato novo” que ponha fogo em tudo, mas depende menos da CPI e mais da Polícia Federal e da imprensa. A sensação, portanto, é a de que é melhor deixar o esquema com a Justiça, virar a página e ir adiante.

Como? Desviando o foco e as energias da CPI para o julgamento do mensalão, as tão esperadas revelações da Comissão da Verdade, os tabuleiros das eleições municipais e, particularmente, para a Lei de Acesso à Informação, que pode ser uma “super-CPI” sem limites para investigação e sem tempo para terminar.

Se o zoológico do Cachoeira comportava um punhado de governadores, deputados, delegados, arapongas, agentes da Receita, o foco da “super-CPI” vai do funcionário miúdo a todas as instâncias hierárquicas, até os presidentes. E não se fala aqui só de desvios financeiros, mas de decisões, conchavos, interesses.

A CPI do Cachoeira faz água, mas a CPI do acesso à informação é uma torrente de possibilidades.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – A verdadeira CPI – 24/05/2012.

Procurador apresenta defesa à CPI do Cachoeira

RICARDO BRITO
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou, em ofício encaminhado na noite desta quarta-feira à CPI do Cachoeira, que as informações colhidas na Operação Monte Carlo demonstram de forma “inequívoca” a decisão de segurar, em 2009, uma investigação que apontava para o envolvimento de parlamentares com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na manifestação de sete páginas, Gurgel disse que respondeu à comissão “por deferência”, protegeu sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio e preferiu não alimentar a guerra de versões com a Polícia Federal no episódio.

No documento endereçado ao presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), Gurgel disse que, quando recebeu as informações da Operação Vegas, constatou que “não havia fato penalmente relevante” para pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e os deputados Sandes Junior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).

O procurador-geral lembrou que o STF é “especialmente rigoroso” para autorizar uma investigação e permitir diligências que invadam a privacidade do cidadão. Gurgel disse que, “apesar de graves”, as informações colhidas àquela altura revelavam apenas uma “relação promíscua” dos parlamentares com Cachoeira e o grupo dele. Não indicavam, na avaliação dele, indícios de crime, mas apenas questões de comportamento ético.

Segundo o chefe do Ministério Publico Federal, se ele mandasse o caso para o Supremo, iria pedir o arquivamento da apuração e, por tabela, seria tornado publica a existência da investigação contra o contraventor. “Decidi sobrestar o inquérito no intuito de possibilitar a retomada das interceptações telefônicas e da investigação, que, a toda a evidencia, se afigurava extremamente promissora”, afirmou.

A decisão, argumentou Gurgel no ofício, tem respaldo na Constituição e na legislação que dispõe sobre a forma de investigação de organizações criminosas. A posição do chefe do MP é a mesma defendida por sua mulher, Claudia Sampaio, em entrevista ao Estadão na semana passada. Mas, no ofício, o procurador-geral fez questão de dizer que não delegou o caso para análise dela e que todas as decisões são de sua exclusiva responsabilidade.

Em março do ano passado, ele diz ter sido avisado da continuidade “promissora” da investigação contra o esquema comandado por Cachoeira, embora os delegados da PF ouvidos pela CPI tenham dito que as operações Vegas e Monte Carlo não tenham ligação entre si. No dia 9 de março deste ano, ele recebeu de dois procuradores da República a nova investigação e, 18 dias depois, pediu a abertura de inquérito no STF contra Demóstenes, Lereia, Sandes Junior e ainda o deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ).

Para ele, a estratégia levou a desvendar “o grande esquema criminoso” comandado por Cachoeira. Não apenas os crimes de jogos de azar, investigados pela Vegas, mas também “fraudes à licitação, corrupção de servidores, lavagem de dinheiro, entre outros delitos de grande gravidade”.

Beba na fonte: Procurador apresenta defesa à CPI do Cachoeira – politica – politica – Estadão.

CPI, uma nau sem rumo

FERNANDO RODRIGUES

Aconteceu o mais previsível. Carlos Cachoeira nada respondeu ontem no depoimento à CPI que leva o seu nome. A investigação naufraga porque está sem rumo, sem foco e desorientada.

Deputados e senadores já têm farto material preparado pela Polícia Federal em mais de dois anos de apuração. Os milhares de páginas precisam ser lidos e processados. Ninguém fez ainda tal trabalho.

Quantas ligações há exatamente entre Cachoeira e governadores de Estados? E entre Cachoeira e congressistas? Ou entre Cachoeira e seus funcionários mencionando agentes do Estado? Ninguém sabe. Até hoje, há integrantes da CPI citando números errados sobre contatos entre a mídia e o principal investigado.

Essa desídia é a pior parte da CPI. Juntos, Câmara e Senado têm mais de 20 mil funcionários. Todos muito bem remunerados. Nada impediria o comando da CPI de nomear uma força-tarefa de 100 ou 200 servidores para fazer o trabalho de tabulação de dados e interpretação política das informações.

Outro aspecto indefensável é a insistência da CPI de impedir a investigação em nível nacional da empreiteira Delta. Já há provas de que o dinheiro que irrigava a operação dessa empresa no Centro-Oeste saía de conta bancária no Rio de Janeiro -a mesma usada para os pagamentos em várias partes do país.

Sem quebrar o sigilo da Delta nacionalmente, jamais a CPI do Cachoeira chegará a uma conclusão definitiva se esta empreiteira praticava ou não traficâncias diversas.

A frase mais sensata ontem foi a do deputado Miro Teixeira, do PDT fluminense: “Não se deve esperar que um pecador venha até aqui e confesse um crime”. É verdade. O melhor que a CPI tem a fazer é interpretar o material disponível em seus arquivos. Mas isso dá trabalho e pouca mídia. Aí, poucos se interessam. Trabalhar duro não é o forte da maioria ali no Congresso.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – CPI, uma nau sem rumo – 23/05/2012.

Às salsichas

HÉLIO SCHWARTSMAN

“Leis, como salsichas, deixam de ser respeitadas à medida que descobrimos como são feitas.” A frase, falsamente atribuída ao chanceler Otto von Bismarck (1815-1898), parece ter sido cunhada para designar a CPI do Cachoeira.

É verdade que ela começou meio por acaso. Embora contrariasse os interesses de todos os grandes partidos, que parecem ter lideranças envolvidas nas estripulias do bicheiro, a comissão acabou vindo à luz num arroubo do ex-presidente Lula.

Quando parlamentares finalmente se deram conta de que os ônus potenciais superavam os bônus, já era tarde demais para recuar. O resultado é o festival de conchavos e bizarrices a que agora assistimos, desde os esforços despudorados para limitar as investigações até a eloquente sala-cofre, onde todos os congressistas são tratados como suspeitos, passando pelo estrondoso silêncio de Cachoeira em seu depoimento.

CPIs nunca foram um instrumento eficaz de investigação. Nós, jornalistas, gostamos delas porque dão dramaticidade a um processo que tem muito de aborrecido, mas parlamentares, com raras exceções, não têm a técnica nem o treinamento de policiais e, por isso, deixam escapar pontos importantes, quando não fazem coisas piores, como invalidar provas.

Algumas vezes, porém, a ineficiência perquisitiva é compensada pela visibilidade política que a comissão dá a um caso, podendo até mesmo exercer uma função cívico-pedagógica, como ocorreu na CPI que levou ao impeachment de Collor.

No caso da CPI do Cachoeira, porém, estamos no pior dos mundos. Ela não só tem reduzidas chances de produzir avanços nas investigações como ainda escancara a desfaçatez com que políticos, para resguardar desígnios particulares e momentâneos, sacrificam o interesse da sociedade em conhecer a rede de corrupção montada por Cachoeira e a própria imagem do Legislativo. E isso nos leva às salsichas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Às salsichas – 23/05/2012.

Presidente da CPI emprega assessora fantasma no Senado

ANDREZA MATAIS E FILIPE COUTINHO

O presidente da CPI do Cachoeira, Vital do Rêgo (PMDB-PB), contratou como funcionária fantasma em seu gabinete Maria Eduarda Lucena dos Santos, que se diz coautora do hit “Ai, Se Eu te Pego”, cantado por Michel Teló.

O emprego foi arrumado pelo pai de Maria Eduarda, o jornalista Adelson Barbosa, que admitiu à Folha que a filha foi contratada para receber pelos trabalhos que ele e outros dois jornalistas executariam: publicar reportagens favoráveis ao senador na imprensa local.

Barbosa, que trabalha no jornal “Correio da Paraíba”, disse que partiu do senador a sugestão para burlar as normas do Senado.

“Quem faz o trabalho sou eu e meus outros dois colegas. Ele [senador], quando convidou a gente para fazer o trabalho, disse que não poderia nomear três pessoas. Ele sugeriu colocar uma pessoa e a gente divide o valor”, contou Barbosa.

“Poderia ser no meu nome, ou no de um dos outros dois. Só que eu não podia, porque o Senado exigia não ter outro vínculo [de trabalho]. Minha filha é estudante e sugeri que fosse no nome dela.”

Maria Eduarda, 20, também disse à reportagem que o pai é quem responde pelo cargo. Ela foi contratada em fevereiro de 2011 como assistente parlamentar com salário de R$ 3.450. E é dispensada de comprovar presença.

Estudante universitária, ela diz ter criado o “Ai, se eu te pego” numa viagem com colegas à Disney em 2006.

A Justiça concedeu liminar em favor dela e das amigas bloqueando o dinheiro arrecadado com a música até que se decida a autoria.

A contratação de funcionários fantasmas pode gerar ação por improbidade.

O presidente da CPI também emprega no gabinete parentes de políticos e aliados.

Ele contratou uma filha do ex-governador peemedebista José Maranhão, a mãe do deputado federal Hugo Motta (PMDB-PB), uma prima do ex-senador Ney Suassuna e uma cunhada de seu primeiro-suplente, Raimundo Lira, com salários que variam de R$ 2 mil a R$ 12,8 mil.

O senador emprega ainda a mulher de Carlos Magno, coordenador de comunicação de sua campanha em 2010.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Presidente da CPI emprega assessora fantasma no Senado – 22/05/2012.

Um dia iluminado

Janio de Freitas

Caso a CPMI não aprove hoje a convocação dos dirigentes da Delta Construções e de seu “ex-dono” Fernando Cavendish, não haverá o que esperar dela. A não ser a exibição de seu presidente e do relator, Vital do Rêgo e Odair Cunha, em escapismos comprometedores.

Como a inverdade de que a chamada Delta Centro-Oeste independe, em suas operações, da Delta central. Ou seja, não liga esta à rede de Carlos Cachoeira e seus negócios. A persistir tal inverdade como fator determinante do “inquérito”, os desmoralizados pela CPMI serão os seus condutores.

Mas o país assegura sua realidade, caso a CPMI se reduza a vexame, com a entrada ativa da Comissão Nacional da Verdade. O nome e a necessidade de criá-la, a par da necessária grandeza para criá-la, já dizem o suficiente a respeito.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Um dia iluminado – 22/05/2012.

Crise põe em dúvida futuro político de Cabral

WILSON TOSTA

A dificuldade do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), em reagir ao caso Carlinhos Cachoeira com algo além de notas oficiais, respostas curtas ou simplesmente o silêncio gera dúvidas sobre o futuro político do governador. Políticos se questionam sobre a capacidade de Cabral influir nas eleições de outubro e mesmo de fazer de seu vice, Luiz Fernando Pezão, seu sucessor em 2014.

Há cerca de 10 dias, em sua primeira declaração após a divulgação de imagens de suas viagens aos exterior com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta – acusada de ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira -, Cabral respondera a poucas perguntas de forma vaga e saíra com rapidez. Até então, se manifestara por escrito.

Dirigentes do PMDB ouvidos pelo Estado reconhecem que Cabral sofreu desgaste pessoal com o episódio. Segundo os peemedebistas, o caso gerou, apenas na capital, uma perda de avaliação positiva entre 300 mil a 400 mil eleitores. O estrago, porém, teria sido maior na classe média da capital. “Na classe média mais informada, certamente teve um impacto, hoje somos um País de classe média”, avalia o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social.

Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um aliado e amigo a quem Cabral deve o pacote de obras de seus governos, parece convencido do enfraquecimento político do governador – e o demonstrou em conversa recente com o prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Segundo testemunhas, na entrega de títulos de doutor honoris causa ao ex-presidente, Paes e Lula conversavam quando o senador Lindbergh Farias (PT), potencial candidato ao governo do Rio, passou pelos dois. “Vai dar trabalho em 2014″, disse Paes, apontando para o senador. Lula concordou e acrescentou: “É, mas o Pezão está superado”.

O PMDB, contudo, aposta na boa avaliação de Paes na capital (estável em cerca de 50%) e na proximidade de inaugurações de obras para tentar obter um bom resultado na eleição de outubro. Já a capacidade de Cabral de eleger seu sucessor, avaliam os peemedebistas, dependerá muito mais desse resultado que da repercussão do caso Cachoeira.

Decepção. O governador foi arrastado para o escândalo por sua amizade com Cavendish. Até agora, não apareceu nenhuma evidência de um possível envolvimento seu com Cachoeira, mas a empresa do amigo empresário somou contratos de R$ 1,49 bilhão em obras com o Estado.

Pessoas próximas ao governador dizem que ele se mostra decepcionado com Cavendish. Essas pessoas descrevem um Cabral acabrunhado e contrariado com ataques que considera pessoais. É o caso das críticas do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), em seu blog, onde as imagens de Cabral com Cavendish foram divulgadas primeiro.

Na semana passada, a CPI do Cachoeira evitou convocar Cabral e outros governadores para depor. Mas uma mensagem enviada pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) para Cabral, garantindo que ele não seria chamado, revelada pelo SBT, gerou mais exposição e desgaste. “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe você é nosso e nós somos teu (sic)”, escreveu o parlamentar, no torpedo enviado pelo celular e que foi parar na mídia.

Beba na fonte: Crise põe em dúvida futuro político de Cabral – politica – versaoimpressa – Estadão.

Cheiro de orégano

Ruy Castro

No passado, quando se concluía que era besteira continuar a investigar alguma coisa porque não daria em nada, dizia-se que ia acabar em samba. Como se o samba fosse algo oco, anódino, sensaborão, de que se pudesse passar sem.

Imagino o desgosto de Ary Barroso ao ouvir isso -ele que tanto defendia o samba como a grande contribuição musical do Brasil e tinha nevralgia quando alguém anunciava que ia cantar “um sambinha”. Pior ainda quando o “sambinha” era “Faceira”, “Na Batucada da Vida”, “Aquarela do Brasil”, “Os Quindins de Iaiá” ou “É Luxo Só”, todos monumentais e dele. Pois Ary, que morreu no Carnaval de 1964, deve ter se pacificado postumamente, porque de há muito as coisas não acabam mais em samba, mas em pizza.

O que me intriga é que os que acham pizza a maior coisa do mundo -e são milhões, em São Paulo, Nápoles, Nova York- não se indignem com essa comparação que reduz a pizza a algo inútil, sem sentido, que tanto faz comer como passar nas costas. Quando morei em São Paulo, nos anos 80, conheci gente que derrubou a garagem para transformá-la num forno a lenha do tamanho da própria casa, no qual produziam pizzas do diâmetro de bambolês e faziam toda a vizinhança recender a orégano. Pois nem estes parecem se ofender.

Na semana passada, membros da CPI do Cachoeira, encarregados de investigar as relações do empresário zoológico com a fauna que comanda os gabinetes mais poderosos do país, acusaram o governo de impeli-los a limitar as investigações a alguns bagrinhos, os quais irão temporariamente para a frigideira, a fim de salvar do fogo os peixes mais graúdos.

Donde a velha e temida frase, “CPI a gente sabe como começa, mas não como termina”, caducou.

Termina em farinha de trigo, fermento, óleo, mozarela e, digamos, aliche, para fazer de conta.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Cheiro de orégano – 21/05/2012.

Jogo de interesses influencia rumo da CPI do Cachoeira

As duas primeiras semanas da CPMI que apura as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares, governos e iniciativa privada foram marcadas por bate-boca, atuações solitárias, defecções nas bancadas e alianças improváveis. Só que boa parte desses fatos nada tem a ver com a investigação. Apesar de publicamente todos os parlamentares dizerem que estão focados no objeto da CPMI, o que se percebe é uma disputa pela defesa de interesses particulares.

Nesse sentido, está a aliança, inimaginável em outros tempos, do senador Fernando Collor (PTB-AL) com os petistas Cândido Vaccarezza (SP), Paulo Teixeira (SP) e Humberto Costa (PE) para expor aos holofotes da CPMI o jornalista Policarpo Jr., da revista “Veja”.

Collor e petistas vislumbram a possibilidade de desgaste da publicação que teve papel importante no impeachment do primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura e na crise do mensalão.
Collor, ao mesmo tempo, é o alvo predileto de outros integrantes da CPMI.

Caso do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que faz questão de expor, em cada reunião, suas divergências com o ex-presidente da República, e do senador Pedro Taques (PDT-MT), que gosta de citar artigos do Código Penal, da Constituição ou de qualquer outra legislação para contradizer o colega de Senado.

Até mesmo um correligionário de Collor expressou divergência com ele. O deputado Sílvio Costa (PTB-PE), que tem se notabilizado por falar alto, bater na mesa e querer ganhar no grito as discussões com o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), chegou a pedir, na quinta-feira passada, que Collor deixasse de ressentimentos e se reconciliasse com o Brasil. Conseguiu o silêncio do ex-presidente da República, que usualmente rebateria com agressividade.

As votações também têm revelado alianças informais marcantes. Os representantes do PDT, por exemplo, têm se posicionado junto aos oposicionistas do DEM e do PSOL defendendo a mais ampla apuração das denúncias. Os tucanos, antes parceiros inseparáveis do DEM e sempre à frente de denúncias de corrupção, agora se mostram relutantes, defendendo as investigações, mas recuando quando o tema é o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), candidato a dar explicações sobre seu relacionamento com Cachoeira.

Escancarada pela troca de mensagens entre o deputado Cândido Vaccarezza e o governador do Rio, Sérgio Cabral, na última quinta-feira, a aliança entre o PT e o PMDB quer livrar o governador de dar explicações sobre sua amizade com o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish e também impedir as investigações sobre a construtora, responsável por diversas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Diante de tantos interesses em jogo, uma frase do deputado Silvio Costa, com sua teatralidade, talvez represente bem o que pode ser o fim da CPMI:
— Eu acho que vamos chegar muito longe, mas longe da investigação. É a lonjura a que vamos chegar.

Beba na fonte: Jogo de interesses influencia rumo da CPI do Cachoeira – O Globo.

O dia dos 30 milhões

Janio de Freitas

O teste não tarda: será na terça-feira, próxima reunião da CPI do Cachoeira. É quando se constatará ou se desmentirá um pretenso acordo do relator Odair Cunha, para adiar até esta semana a votação das convocações da Delta Construções (por um dirigente) e de seu “ex-dono” Fernando Cavendish.

Ambos foram excluídos das convocações de quinta passada, segundo o pretenso acordo, para facilitar o entendimento de PT-PMDB-PSDB que livrou de inquirição os governadores Agnelo Queiroz (PT), Sérgio Cabral (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB).

Se a proteção for só por motivos partidários, que no fundo comprovam a culpa do protegido, até que sairá barato para os responsáveis pela imoralidade da CPI. Será outra de tantas repetições de uma ordinarice apelidada de política de partido.

Mas é impossível esquecer a afirmação de Cavendish, em seus recentes tempos de arrogâncias, segundo a qual “eu [ele lá] ponho 30 milhões na mão de qualquer um deles e tenho o que eu quiser”. (Houve transcrições da frase com diferenças de forma, mas todas iguais no valor, na razão do seu uso e no resultado produzido.)

O provável é que os protegidos da CPI venham a responder nos tribunais, por força do inquérito policial, o que estão dispensados de responder no Congresso. Mas a Delta e Fernando Cavendish compõem uma das chaves para se esclarecer o “sistema Cachoeira”. E, com isso, são chave de grande parte dos mecanismos e variedades de corrupção que minam o Congresso, corroem ministérios e deterioram governos com a gatunagem multibilionária nos cofres do dinheiro público.

Já estão expostas muitas indicações da ligação central da Delta com Cachoeira e sua rede. Indicações que vão desde o tráfico de influência na administração pública, com a finalidade de negócios mais do que suspeitos, à proteção contra tentativas de investigar as conquistas de contratos, adicionais e lucros formidáveis da Delta. Terça-feira a CPI chegará a uma encruzilhada.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – O dia dos 30 milhões – 20/05/2012.

Câmara ensaia absolvição de deputados da bancada de Cachoeira

ERICH DECAT

Os relatores responsáveis por avaliar a relação dos deputados Rubens Otoni (PT-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) com Carlinhos Cachoeira sinalizam para o arquivamento das investigações, o que eliminaria a abertura de um processo de cassação.

Evandro Milhomen (PC do B-AP), Maurício Quintella (PR-AL) e Jerônimo Georgen (PP-RS) integram o grupo que vai avaliar os deputados. Eles deverão entregar um parecer conjunto até o final do mês.

Responsável pelo caso de Sandes Júnior, Quintella disse ter questionado os delegados das operações Vegas e Monte Carlo sobre a participação de Sandes Júnior.

“O da Vegas me disse que ele recebeu apenas um telefone Nextel e que não havia indícios de crime. O da Monte Carlo disse que no caso dele nem Nextel tinha.”

Citado em diálogo com Cachoeira, Sandes Júnior é alvo de inquérito aberto no STF.

Relator do caso de Otoni, Milhomen diz que não encontrou indícios contra o colega: “Eles não apresentaram nem a gravação”, disse, sobre vídeo em que Otoni aparece discutindo com Cachoeira pagamento de R$ 100 mil. Georgen diz que aguarda acesso aos documentos de Leréia.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Câmara ensaia absolvição de deputados – 19/05/2012.

Segredos de Cavendish preocupam PT e seus aliados

Otávio cabral e Daniel Pereira

É absolutamente previsível a explosão que pode emergir de uma apuração minuciosa envolvendo as relações de uma grande construtora, no caso a Delta Construções, e seus laços financeiros com políticos influentes. A empreiteira assumiu o posto de líder entre as fornecedoras da União depois de contratar como consultor o deputado cassado José Dirceu, petista que responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) no papel de “chefe da organização criminosa” do mensalão. Além disso, consolidou-se como a principal parceira do Ministério dos Transportes na esteira de uma amizade entre seu controlador, Fernando Cavendish, e o deputado Valdemar Costa Neto, réu no mesmo processo do mensalão e mandachuva do PR, partido que comandou um esquema de cobrança de propina que floresceu na gestão Lula e só foi desmantelado no ano passado pela presidente Dilma Rousseff. A empreiteira de Cavendish é dona da maior fatia das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem contratos avaliados em cerca de 4 bilhões de reais com 23 dos 27 governos estaduais. Todo esse império começou a ruir desde que a Delta foi pilhada no epicentro do escândalo envolvendo o contraventor Carlos Cachoeira. Se os segredos de Cachoeira são dinamite pura, os de Cavendish equivalem a uma bomba atômica. Fala, Cavendish!

Na semana passada, a CPI do Cachoeira aprovou a convocação de 51 pessoas e 36 quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico. Os números foram festejados pela cúpula da comissão como prova inconteste da disposição dos parlamentares para investigar os tentáculos da máfia da jogatina nos partidos políticos, na seara das empreiteiras e na administração pública. Sob essas dezenas de votações, no entanto, esconde-se a operação patrocinada pelo ex-presidente Lula e alguns políticos para impedir que a bomba atômica de Cavendish seja detonada. A estratégia é enaltecer as convocações e quebras de sigilo relativas a empresas e personagens já fartamente investigados pela Polícia Federal. Assim fica mais fácil despistar as manobras para evitar que Cavendish conte tudo — mas tudo mesmo — o que sabe sobre como obter obras públicas pagando propinas a pessoas com poder de decisão nos governos. Investigar a Delta, aliás, foi considerada a tarefa prioritária pelos próprios delegados da Polícia Federal que prestaram depoimento à CPI. Eles disseram que desvendar os mecanismos subterrâneos de concessão de obras públicas no Brasil seria o maior legado da CPI. Fala, Cavendish!

Deflagradas pela Polícia Federal, as operações Vegas e Monte Carlo revelaram o envolvimento do contraventor Carlos Cachoeira com políticos como o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta na Região Centro-Oeste. Entre outras atividades, o trio agia para abrir os cofres dos governos estaduais e federal à empresa. Para tanto, ofereceria propina em troca de contratos. A PF colheu indícios desse tipo de oferta criminosa, por exemplo, em Goiás e no Distrito Federal. Foi com base nessa delimitação geográfica que os petistas defenderam uma investigação sobre a atuação da empreiteira apenas na Região Centro-Oeste — tese que saiu vitoriosa na semana passada. “Não há conversa gravada do Cachoeira com o Fernando Cavendish. A CPI não pode se transformar numa casa de espetáculo”, bradou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). “A generalização beira a uma devassa”, reforçou Paulo Teixeira (PT-SP). Os petistas cumpriram à risca as ordens dadas por Lula um dia antes, quando ele esteve em Brasília para a cerimônia de instalação da Comissão da Verdade. A ordem foi calar Cavendish. Mas o correto é o contrário. Fala, Cavendish!

O ex-presidente sabe do potencial de dano ao PT e a seus aliados caso Fernando Cavendish conte como a sua Delta conseguia seus contratos de obras e, em troca, pagava políticos. Numa conversa gravada com ex-sócios, Cavendish os incentivou a cortar caminho para o sucesso comprando políticos. Na tabela da corrupção da Delta, um senador, por exemplo, custaria 6 milhões de reais. A Delta tem obras contratadas por governadores pertencentes aos maiores partidos do país — PT, PSDB e PMDB. Será que essa onipresença da Delta explica as razões pelas quais a CPI decidiu não chamar para depor os governadores Agnelo Queiroz (PT-DF), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ)? O deputado Vaccarezza deu a resposta. “A relação do PMDB com o PT vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu”, escreveu em idioma parecido com o português o deputado Vaccarezza numa mensagem de celular destinada ao governador Sérgio Cabral. Captada pelas câmeras de televisão do SBT, a mensagem revela de forma inequívoca o grande arranjo para calar o dono da Delta, amigo íntimo de Cabral. Portanto, é bom repetir a palavra de ordem que pode salvar a CPI do fracasso. Fala, Cavendish!

Beba na fonte: Segredos de Cavendish preocupam PT e seus aliados – Brasil – Notícia – VEJA.com.

Charge

Beba na fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/43688-charge.shtml

CPI poupa políticos e empreiteira e decide limitar investigação

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA
Num jogo combinado entre o governo e parte da oposição, a CPI do Cachoeira engavetou ontem pedidos de investigação de três governadores, cinco deputados e das operações da empreiteira Delta fora do Centro-Oeste.

Criada há um mês para investigar o empresário Carlinhos Cachoeira e seu relacionamento com autoridades como o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), a CPI até agora não ouviu nenhum dos políticos envolvidos no caso.

A CPI aprovou ontem 87 requerimentos, dos quais apenas um busca informações sobre a ligação entre Demóstenes e Cachoeira. “Não sei por que saio da reunião de hoje com gosto de orégano na boca”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Em entrevista à Folha e ao UOL, o senador Pedro Taques (PDT-MT) afirma que a investigação está mais para “chapa-branca”. No Congresso, ele afirmou que a comissão está “amarelando”.

O acordo que engavetou os pedidos de investigação, antecipado ontem pela Folha, foi costurado com a participação do governo. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, tem orientado o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG).

A ordem foi poupar a Delta, que tem dezenas de contratos com o governo federal e os Estados, em troca da não convocação do governador Marconi Perillo (PSDB-GO).

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) resumiu a ação: “Generalização cheira a devassa. (…) Precisamos andar em caminhos seguros.”

A comissão decidiu restringir a investigação sobre a Delta à sua atuação no Centro-Oeste, onde o diretor da empresa era ligado a Cachoeira.

O dono da construtora, Fernando Cavendish, não será chamado para depor. Pedidos de quebra dos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico foram barrados também.

Cavendish é amigo do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), aliado do governo. A construtora tem contratos com o Estado.

Com isso, os trabalhos da CPI deverão ficar limitados ao material que já foi levantado pela Polícia Federal.

A CPI quebrou os sigilos fiscal e bancário da Delta apenas no Centro-Oeste, de empresas de Cachoeira e de seus operadores. Vários deles já tiveram a movimentação financeira analisada pela PF.

Foram engavetados requerimentos que pediam a convocação de Cabral e dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Cachoeira tinha pessoas de sua confiança em postos-chave nos dois governos, segundo o inquérito da PF.

Parlamentares disseram que os pedidos de convocação dos governadores poderão ser analisados em junho. O ex-chefe de gabinete de Agnelo, afastado depois que sua ligação com o grupo de Cachoeira veio à tona, foi chamado para depor pela CPI.

“Reuniu-se um grupo numa sala e decidiram quem vai morrer”, disse a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). “Estamos convocando os bagrinhos.”

Colaborou FERNANDO RODRIGUES, de Brasília

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI poupa políticos e empreiteira e decide limitar investigação – 18/05/2012.

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