Notícias da CPI

Dora Kramer

No balanço que fez dos primeiros três meses de trabalho da CPI que apura a rede de ilegalidades envolvendo um operador de jogatina, políticos, governantes e obras públicas, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo, ficou no feijão com arroz.

Negou a inegável influência do embate partidário, apresentou informações irrelevantes – como a quantidade de sessões realizadas, de pessoas ouvidas e testemunhas caladas -, mas deixou de falar sobre o papel que a comissão teve na divulgação de fatos que, sem a repercussão própria do foro político, hoje seriam de conhecimento exclusivo da política e da Justiça e provavelmente não teriam gerado consequência alguma.

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Agente da PF que atuou na Monte Carlo é assassinado

Um agente da Polícia Federal que atuou na Operação Monte Carlo foi assassinado na segunda-feira com dois tiros na cabeça.

Foi na Monte Carlo que o empresário Carlinhos Cachoeira, foi preso, em fevereiro.

Segundo a versão oficial da PF, Wilton Tapajós Macedo visitava o túmulo dos pais no cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

Como ele estava no local em horário de trabalho, colegas levantaram a suspeita de que ele estava em missão.

Foram instaurados dois inquéritos para investigar o caso, um da Polícia Civil do Distrito Federal e outro da PF.

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Governo pode usar CPI para flexibilizar licitações, diz Ideli

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou ontem que o governo pode usar o relatório final da CPI do Cachoeira para fazer mudanças na Lei de Licitações.

Ideli não explicou qual relação enxerga entre as investigações da comissão e problemas com procedimentos licitatórios.

Ela disse apenas que as alterações devem ser feitas para dar agilidade aos processos de contratação de obras.

A possibilidade de incluir a proposta de mudanças como “contrabando” nas conclusões da CPI seria feita apenas porque, segundo ela, “projeto de lei de origem de CPI tem um rito um pouco diferenciado, mais ágil”, disse a ministra.

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PT reforça tropa de choque na CPI e PMDB esvazia bancada

No Blog do João Bosco Rabelo

O PT reforçou a bancada na CPI do Cachoeira, substituindo o deputado Sibá Machado (AC) pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Ricardo Berzoini (SP). Berzoini é ex-presidente do PT, integrante do Diretório Nacional e um dos nomes de projeção da legenda.
Na direção contrária, o PMDB mantém a bancada esvaziada na comissão. O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), segue indiferente aos apelos do governo para preencher, com pesos pesados, as quatro vagas de suplentes na comissão. Até agora, o único indicado é o senador Benedito de Lira (PP-AL), aliado de Renan.
Desde o início dos trabalhos, chamou a atenção o fato de que os petistas escalaram seus principais atacantes para o jogo, enquanto os peemedebistas entraram em campo com o time reserva.
Agora o PT receia uma ofensiva do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), por causa da disputa em Campina Grande, na Paraíba, reduto eleitoral da família dele. Os petistas romperam a aliança de oito anos com o PMDB no município – o segundo maior e pólo econômico do Estado – e decidiram apoiar Daniella Ribeiro (PP), que é irmã do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP). A atuação do ministro foi decisiva para levar o PP – e seu tempo de TV – para a coligação de apoio a Fernando Haddad em São Paulo.
O PT atua na CPI com seus principais atacantes: os deputados Candido Vaccarezza (SP), Paulo Teixeira (SP), e Odair Cunha (MG). Vaccarezza foi líder do governo, Teixeira foi líder da bancada e assumiu a vice-presidência da CPI. Cunha é vice-líder do governo e relator dos trabalhos. Agora entrou Berzoini, reforçando o time.
Pelo Senado, o PT escalou o líder do governo no Congresso, José Pimentel (CE), o ex-líder da bancada Humberto Costa – que também é relator do processo contra Demóstenes Torres (GO) no Conselho de Ética – o atual líder da bancada, Walter Pinheiro (BA), e Delcídio Amaral (MS), que foi presidente da CPI dos Correios.
Em contrapartida, nenhum dos caciques do PMDB compõe a CPI. Pelo Senado, Renan Calheiros escalou Ciro Nogueira (PP-PI, pelo bloco PMDB-PP-PV), e dois suplentes, Paulo Davim (PV-RN) e Sérgio Souza (PMDB-PR). Souza é suplente da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR). O destaque são os “emergentes”, Vital do Rêgo Filho, que preside a comissão, e Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Pela Câmara, atuam Luiz Pitiman (PMDB-DF) e Iris de Araújo (PMDB-GO), que é adversária política de um dos alvos da investigação, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

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PT teme que acordo eleitoral influa na CPI

Eugênia Lopes

O PT rompeu com o PMDB do senador Vital do Rêgo, presidente da CPI do Cachoeira, e apoiará Daniela Ribeiro (PP), irmã do ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades), à Prefeitura de Campina Grande, na Paraíba. A decisão foi comunicada nesta quarta-feira, 20, pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Vital do Rêgo ficou irritado e, agora, os petistas temem que essa insatisfação acabe refletindo no dia a dia dos trabalhos conduzidos pelo senador na CPI.

Reduto eleitoral da família Rêgo, Campina Grande é comandada há oito anos por Veneziano Rêgo (PMDB), irmão do senador, com o apoio do PT. Mas, a pouco mais de três meses das eleições, a cidade acabou se transformando moeda de troca pelo apoio do PP do deputado Paulo Maluf (SP) à candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Para acalmar Vital do Rêgo, o PT se comprometeu a apoiar sua candidatura ou a de seu irmão ao governo da Paraíba em 2014.

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Cavendish ameaça arrastar outras empreiteiras para a lama da CPI

No mesmo dia em que a Delta foi punida pela CGU, empresário mandou recado a um parlamentar: a maioria das grandes empreiteiras paga propina a servidores públicos e políticos – e usa os mesmos laranjas

Fernando Cavendish, dono da Delta: o recado foi entendido

Fernando Cavendish, dono da Delta: o recado foi entendido (Eduardo Knapp/Folhapress)

Na terça-feira, a Controladoria-Geral da União (CGU) declarou inidônea a Delta Construções, a empreiteira de Fernando Cavendish que está no centro do caso Cachoeira. Dois dias depois, a CPI que investiga o escândalo negou-se a ouvir o empresário. Pareceu um tremendo contrassenso. E é. Mas tem explicação. Reportagem de VEJA desta semanarevela que Cavendish tem ameaçado revelar segredos que comprometem outras empreiteiras.

No mesmo dia em que a CGU anunciou a punição à Delta, Cavendish esteve em Brasília. Numa conversa com um parlamentar de quem é amigo, disse que não apenas a Delta, mas a maioria das grandes empreiteiras paga propina a servidores públicos e políticos em troca de obras e aditivos contratuais. Conforme Cavendish, a Delta adotou o mesmo sistema: para dificultar o rastreamento da propina, repassava os recursos a empresas-laranja, que, posteriormente, entregavam o pedágio a quem de direito.

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CPI adia votação de convocação de Cavendish e Pagot

A CPI do Cachoeira resolveu adiar nesta quinta-feira as votações de convocação de Fernando Cavendish, ex-dono da Delta, e Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A comissão aprovou, porém, a convocação da mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, e do jornalista Luiz Bordoni, que teria sido pago por empresa ligada ao grupo do contraventor por serviços prestado durante a campanha eleitoral de 2010.
Também foi aprovada, por unanimidade, a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), de 1 de janeiro de 2002 até a presente data.
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Apesar de a empreiteira Delta ter sido declarada inidônea pela CGU e possuir um ex-diretor ligado à Cachoeira, a CPI se recusou a convocar o ex-presidente da empresa. Em gravação divulgada pela imprensa, Fernando Cavendish disse que pode ter um senador na mão caso decida gastar com ele R$ 6 milhões.
A proposta de adiamento foi feita pelo relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG). Ele argumentou que os dados da Delta, que teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico pela CPI, ainda não foram analisados e que ainda não há elementos para a convocação. Para alguns parlamentares, a atitude representa uma manobra suspeita.
– O que a CPI teme é a verdade – disse o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que acusou também a existência de uma “tropa do cheque” para evitar a convocação de Cavendish.
Após a aprovação por 17 votos a 13 do adiamento da convocação de Luiz Antônio Pagot, parlamentares de oposição argumentaram que, nos últimos dias, Pagot tem anunciado que quer depor na comissão.
– Estão com medo dos dois cidadãos (Cavendish e Pagot). Pagot, como alguns falam, é o fio desencapado – disse o senador Pedro Taques (PDT-MT).
– Pagot já manifestou publicamente várias vezes que tem muito a falar. Ele tem informações valiosas para que a gente corra atrás desse verdadeiro ralo de dinheiro público – disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) defendeu que o adiamento da convocação é uma forma de retomar o foco da CPI.
– Essa CPI tem foco. Chamar o Pagot aqui é para discutir contribuições de campanha. Isso não é foco dessa CPI. Temos que examinar a organização criminosa do sr. Cachoeira – disse.
MiroTeixeira afirmou que um grupo de parlamentares irá fazer um convite para que Pagot seja ouvido informalmente em qualquer comissão do Congresso. Ele acha indispensável ouvir um ex-diretor de órgão público que quer falar.
Do lado dos governistas ecoa o argumento de que as convocações foram rejeitadas apenas neste momento. Eles dizem que o entendimento é que primeiro devem ser analisados os documentos obtidos pela CPI, e depois podem decidir se chamam ou não Cavendish e Pagot.
Durante o bate-boca, parlamentares de oposição chegaram a combinar sair da sala, mas acabaram não tomando tal atitude. O deputado Silvio Costa (PTB-PE) pediu que eles ficassem, para que o embate político continuasse na CPI, e não fora, para a imprensa.
Ao final da sessão, foram quebrados os sigilos fiscal, bancário e telefônico da Faculdade Padrão, de propriedade do professor Walter Paulo Santiago – que comprou a casa de Marconi Perillo em Goiânia. O ex-assessor de Perillo Lúcio Fiúza – envolvido na venda da casa – teve os sigilos quebrados pela comissão, assim como outras pessoas ligadas ao governador de Goiás. As datas dos depoimentos ainda serão marcadas.

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CPI excluirá provas anuladas, diz presidente

FERNANDO RODRIGUES

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI do Cachoeira, disse ontem que a investigação não poderá utilizar, em seu relatório final, provas que eventualmente venham a ser anuladas pela Justiça.

A Justiça Federal analisa na semana que vem um pedido do empresário Carlos Cachoeira para que todas as provas sejam declaradas nulas. O argumento é que a investigação começou com base em uma denúncia anônima, o que seria ilegal para sustentar o monitoramento de ligações telefônicas.

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Agnelo nega denúncias sem explicar patrimônio

O governador Agnelo Queiroz (PT-DF) não conseguiu explicar ontem a origem do dinheiro para a compra de uma casa no Setor de Mansões Dom Bosco em Brasília. O imóvel foi adquirido em 2007, após o petista deixar o Ministério dos Esportes e meses antes de assumir a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Mesmo com o gesto político de abrir o sigilo bancário, o governador se enrolou na hora de dizer como pagou a casa. “Houve cheque, houve depósito… Tudo vai ficar claro com a quebra do sigilo”, afirmou Agnelo, depois de ser questionado repetidamente sobre a transação financeira. Para a oposição, todas as respostas foram evasivas.

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Petista diz que quer evitar ‘armadilha’ do julgamento na CPI

CATIA SEABRA E GABRIELA GUERREIRO

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), participou ontem pela primeira vez de uma reunião do PT para definição de estratégia na CPI do Cachoeira. Ele recomendou que o partido não “caia na armadilha” de discutir o mensalão.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), depõe à comissão hoje e diz ser vítima de tentativa de revanchismo. Petistas veem no tucano um dos responsáveis por elevar a pressão contra Lula na época do mensalão.

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Saiba por que Gilmar Mendes resolveu revelar o assédio de Lula a Veja

O que você vai ler abaixo não é inferência, interpretação nem opinião. É informação. Este post vai revelar o motivo pelo qual o ministro Gilmar Mendes decidiu contar à Revista Veja detalhes da insidiosa conversa com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ocorrida no dia 26 do mês passado.

Desde que a revista chegou às bancas,  três perguntas recorrente e importantes permaneciam sem resposta: Por que Gilmar Mendes resolveu agir dessa forma? Por que o atraso de um mês entre o fato e a versão apresentada pelo ministro? Gilmar tem como provar que ouviu de Lula o que disse ter ouvido no escritório de Nelson Jobim?

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CPI quer explicações sobre encontro entre Lula e Gilmar Mendes

Integrantes da CPI do Cachoeira anunciaram que vão pedir explicações a Lula e ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes sobre encontro em que o ex-presidente teria feito lobby para adiar o julgamento do mensalão.

Mendes relatou que, em encontro em abril, Lula propôs blindar qualquer investigação sobre o ministro na CPI que investiga as relações de Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários. Em troca, Mendes apoiaria o adiamento do julgamento do mensalão.

A história foi revelada pela revista “Veja”.

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Bicho, corrupção e liberdade

HÉLIO SCHWARTSMAN

Sempre que vem à tona um caso glamoroso de corrupção envolvendo bicheiros e políticos, surgem aqueles que advogam pela legalização do jogo no Brasil. Incluo-me nessa categoria, não por solidarizar-me com bicheiros ou políticos, mas por crer em liberdades.

Existem dois tipos de crimes. Há aqueles -a esmagadora maioria- em que a parte ofendida não concorda com a ação dos bandidos e há outros, como o jogo e o tráfico de drogas, em que as supostas vítimas chegam a fazer fila para ser atendidas pelos delinquentes. É mais fácil reprimir as infrações do primeiro grupo, nas quais a polícia conta com a colaboração da parte lesada, do que as do segundo, que nem sequer são notificadas como crime a esclarecer.

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Dr. Rosinha: relator da CPI não é ‘tchuchuca’ nem ‘tigrão’

No portal de notícias G1

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) chamou o relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), de “tchuchuca”, ao criticar as perguntas feitas pelo petista ao ex-vereador de Goiás Wladimir Garcez durante reunião da CPI do Cachoeira nesta quinta-feira (24). Apontado como um dos principais auxiliares de Cachoeira, Garcez falou nesta terça na comissão.
Quando o relator faz perguntas sobre a Delta nacional e o governador Agnelo, ele é tchutchuca. Quando pergunta sobre o governador Perillo, ele é tigrão.”
Após Garcez ler um breve depoimento, Odair Cunha fez uma série de perguntas ao ex-vereador sobre o envolvimento da quadrilha de jogo ilegal de Cachoeira com o governador de Goiás, Marconi Perillo, que é do PSDB, e apenas uma pergunta sobre a relação do bicheiro com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT.
Os deputados tucanos Fernando Franchischini (PR) e Carlos Sampaio (SP), então, acusaram o relator da CPI de direcionar as perguntas para prejudicar o governador de Goiás.
“Quando o relator faz perguntas sobre a Delta nacional e o governador Agnelo, ele é tchutchuca. Quando pergunta sobre o governador Perillo, ele é tigrão”, disse Francischini,
Palavras de efeito são para aparecer na mídia.”
Imediatamente, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) saiu em defesa do relator e discutiu asperamente com o tucano. Segundo o petista, alguns parlamentares usam “palavras de efeito” nas sessões abertas da comissão para “aparecer na mídia”. Diante da crítica, Fernando Francischini se colocou de pé e, com dedo em riste, iniciou um bate-boca com Dr. Rosinha.
“Não admito que alguém me diga que eu não tenho moral para criticar o relator. Um relator que é tchuchuca quando a questão envolve o PT, e é tigrão quando envolve o PSDB. Fiquei de pé para mostrar minha indignação”, explicou Francischini após a discussão.

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Gurgel não cita suposto pedido da PF em sua resposta à CPI

FELIPE SELIGMAN E ANDREZA MATAIS

Em resposta enviada ontem à CPI do Cachoeira, o procurador-geral Roberto Gurgel disse que foi ele quem tomou a decisão de suspender, em setembro de 2009, investigação da Polícia Federal sobre o empresário Carlos Augusto Ramos que indicava a suposta ligação criminosa entre Cachoeira e o senador Demóstenes Queiroz (ex-DEM-GO).

A resposta não faz menção à versão apresentada pela subprocuradora-geral e sua mulher, Cláudia Sampaio, à Folha, segundo a qual a investigação, chamada de Operação Vegas, foi suspensa a pedido dos delegados da PF que atuavam no caso.

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Governo fez liberação atípica de verba no dia de ‘acordão’ na CPI

GUSTAVO PATU E LEANDRO COLON

No dia da celebração do acordo que esvaziou as investigações da CPI do Cachoeira, o governo Dilma Rousseff liberou verbas para redutos de caciques do PMDB e de alguns dos alvos da comissão -incluindo políticos próximos ao próprio Carlos Cachoeira.

Os registros diários dos desembolsos federais apontam, no dia 16, quarta-feira da semana passada, um salto dos recursos destinados às despesas incluídas por deputados e senadores no Orçamento, conhecidas como emendas parlamentares.

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A verdadeira CPI

Eliane Cantanhêde

Enquanto a CPI do Cachoeira é (seria) para investigar um esquema mafioso de um empresário-bicheiro, a Lei de Acesso à Informação pode se transformar numa imensa CPI sobre os três Poderes e todos os últimos governos -o de Fernando Henrique, o de Lula e este início de Dilma. O que pode sair de “surpresas” não é fácil!

Lula até tentou, mas não colou a ideia de criar a CPI do Cachoeira para jogar as já tontas e frágeis oposições nas cordas. A comissão se transformou num espetáculo de mau gosto não só para o PSDB e o DEM, mas também para o PT, o aliado PMDB e governadores aliados ao Planalto. Um aborrecimento para Dilma.

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Procurador apresenta defesa à CPI do Cachoeira

RICARDO BRITO
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou, em ofício encaminhado na noite desta quarta-feira à CPI do Cachoeira, que as informações colhidas na Operação Monte Carlo demonstram de forma “inequívoca” a decisão de segurar, em 2009, uma investigação que apontava para o envolvimento de parlamentares com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na manifestação de sete páginas, Gurgel disse que respondeu à comissão “por deferência”, protegeu sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio e preferiu não alimentar a guerra de versões com a Polícia Federal no episódio.

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CPI, uma nau sem rumo

FERNANDO RODRIGUES

Aconteceu o mais previsível. Carlos Cachoeira nada respondeu ontem no depoimento à CPI que leva o seu nome. A investigação naufraga porque está sem rumo, sem foco e desorientada.

Deputados e senadores já têm farto material preparado pela Polícia Federal em mais de dois anos de apuração. Os milhares de páginas precisam ser lidos e processados. Ninguém fez ainda tal trabalho.

Quantas ligações há exatamente entre Cachoeira e governadores de Estados? E entre Cachoeira e congressistas? Ou entre Cachoeira e seus funcionários mencionando agentes do Estado? Ninguém sabe. Até hoje, há integrantes da CPI citando números errados sobre contatos entre a mídia e o principal investigado.

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Às salsichas

HÉLIO SCHWARTSMAN

“Leis, como salsichas, deixam de ser respeitadas à medida que descobrimos como são feitas.” A frase, falsamente atribuída ao chanceler Otto von Bismarck (1815-1898), parece ter sido cunhada para designar a CPI do Cachoeira.

É verdade que ela começou meio por acaso. Embora contrariasse os interesses de todos os grandes partidos, que parecem ter lideranças envolvidas nas estripulias do bicheiro, a comissão acabou vindo à luz num arroubo do ex-presidente Lula.

Quando parlamentares finalmente se deram conta de que os ônus potenciais superavam os bônus, já era tarde demais para recuar. O resultado é o festival de conchavos e bizarrices a que agora assistimos, desde os esforços despudorados para limitar as investigações até a eloquente sala-cofre, onde todos os congressistas são tratados como suspeitos, passando pelo estrondoso silêncio de Cachoeira em seu depoimento.

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Presidente da CPI emprega assessora fantasma no Senado

ANDREZA MATAIS E FILIPE COUTINHO

O presidente da CPI do Cachoeira, Vital do Rêgo (PMDB-PB), contratou como funcionária fantasma em seu gabinete Maria Eduarda Lucena dos Santos, que se diz coautora do hit “Ai, Se Eu te Pego”, cantado por Michel Teló.

O emprego foi arrumado pelo pai de Maria Eduarda, o jornalista Adelson Barbosa, que admitiu à Folha que a filha foi contratada para receber pelos trabalhos que ele e outros dois jornalistas executariam: publicar reportagens favoráveis ao senador na imprensa local.

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Um dia iluminado

Janio de Freitas

Caso a CPMI não aprove hoje a convocação dos dirigentes da Delta Construções e de seu “ex-dono” Fernando Cavendish, não haverá o que esperar dela. A não ser a exibição de seu presidente e do relator, Vital do Rêgo e Odair Cunha, em escapismos comprometedores.

Como a inverdade de que a chamada Delta Centro-Oeste independe, em suas operações, da Delta central. Ou seja, não liga esta à rede de Carlos Cachoeira e seus negócios. A persistir tal inverdade como fator determinante do “inquérito”, os desmoralizados pela CPMI serão os seus condutores.

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Crise põe em dúvida futuro político de Cabral

WILSON TOSTA

A dificuldade do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), em reagir ao caso Carlinhos Cachoeira com algo além de notas oficiais, respostas curtas ou simplesmente o silêncio gera dúvidas sobre o futuro político do governador. Políticos se questionam sobre a capacidade de Cabral influir nas eleições de outubro e mesmo de fazer de seu vice, Luiz Fernando Pezão, seu sucessor em 2014.

Há cerca de 10 dias, em sua primeira declaração após a divulgação de imagens de suas viagens aos exterior com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta – acusada de ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira -, Cabral respondera a poucas perguntas de forma vaga e saíra com rapidez. Até então, se manifestara por escrito.

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Cheiro de orégano

Ruy Castro

No passado, quando se concluía que era besteira continuar a investigar alguma coisa porque não daria em nada, dizia-se que ia acabar em samba. Como se o samba fosse algo oco, anódino, sensaborão, de que se pudesse passar sem.

Imagino o desgosto de Ary Barroso ao ouvir isso -ele que tanto defendia o samba como a grande contribuição musical do Brasil e tinha nevralgia quando alguém anunciava que ia cantar “um sambinha”. Pior ainda quando o “sambinha” era “Faceira”, “Na Batucada da Vida”, “Aquarela do Brasil”, “Os Quindins de Iaiá” ou “É Luxo Só”, todos monumentais e dele. Pois Ary, que morreu no Carnaval de 1964, deve ter se pacificado postumamente, porque de há muito as coisas não acabam mais em samba, mas em pizza.

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Jogo de interesses influencia rumo da CPI do Cachoeira

As duas primeiras semanas da CPMI que apura as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares, governos e iniciativa privada foram marcadas por bate-boca, atuações solitárias, defecções nas bancadas e alianças improváveis. Só que boa parte desses fatos nada tem a ver com a investigação. Apesar de publicamente todos os parlamentares dizerem que estão focados no objeto da CPMI, o que se percebe é uma disputa pela defesa de interesses particulares.

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O dia dos 30 milhões

Janio de Freitas

O teste não tarda: será na terça-feira, próxima reunião da CPI do Cachoeira. É quando se constatará ou se desmentirá um pretenso acordo do relator Odair Cunha, para adiar até esta semana a votação das convocações da Delta Construções (por um dirigente) e de seu “ex-dono” Fernando Cavendish.

Ambos foram excluídos das convocações de quinta passada, segundo o pretenso acordo, para facilitar o entendimento de PT-PMDB-PSDB que livrou de inquirição os governadores Agnelo Queiroz (PT), Sérgio Cabral (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB).

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Câmara ensaia absolvição de deputados da bancada de Cachoeira

ERICH DECAT

Os relatores responsáveis por avaliar a relação dos deputados Rubens Otoni (PT-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) com Carlinhos Cachoeira sinalizam para o arquivamento das investigações, o que eliminaria a abertura de um processo de cassação.

Evandro Milhomen (PC do B-AP), Maurício Quintella (PR-AL) e Jerônimo Georgen (PP-RS) integram o grupo que vai avaliar os deputados. Eles deverão entregar um parecer conjunto até o final do mês.

Responsável pelo caso de Sandes Júnior, Quintella disse ter questionado os delegados das operações Vegas e Monte Carlo sobre a participação de Sandes Júnior.

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Segredos de Cavendish preocupam PT e seus aliados

Otávio cabral e Daniel Pereira

É absolutamente previsível a explosão que pode emergir de uma apuração minuciosa envolvendo as relações de uma grande construtora, no caso a Delta Construções, e seus laços financeiros com políticos influentes. A empreiteira assumiu o posto de líder entre as fornecedoras da União depois de contratar como consultor o deputado cassado José Dirceu, petista que responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) no papel de “chefe da organização criminosa” do mensalão. Além disso, consolidou-se como a principal parceira do Ministério dos Transportes na esteira de uma amizade entre seu controlador, Fernando Cavendish, e o deputado Valdemar Costa Neto, réu no mesmo processo do mensalão e mandachuva do PR, partido que comandou um esquema de cobrança de propina que floresceu na gestão Lula e só foi desmantelado no ano passado pela presidente Dilma Rousseff. A empreiteira de Cavendish é dona da maior fatia das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem contratos avaliados em cerca de 4 bilhões de reais com 23 dos 27 governos estaduais. Todo esse império começou a ruir desde que a Delta foi pilhada no epicentro do escândalo envolvendo o contraventor Carlos Cachoeira. Se os segredos de Cachoeira são dinamite pura, os de Cavendish equivalem a uma bomba atômica. Fala, Cavendish!

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CPI poupa políticos e empreiteira e decide limitar investigação

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA
Num jogo combinado entre o governo e parte da oposição, a CPI do Cachoeira engavetou ontem pedidos de investigação de três governadores, cinco deputados e das operações da empreiteira Delta fora do Centro-Oeste.

Criada há um mês para investigar o empresário Carlinhos Cachoeira e seu relacionamento com autoridades como o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), a CPI até agora não ouviu nenhum dos políticos envolvidos no caso.

A CPI aprovou ontem 87 requerimentos, dos quais apenas um busca informações sobre a ligação entre Demóstenes e Cachoeira. “Não sei por que saio da reunião de hoje com gosto de orégano na boca”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

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