Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Datafolha: Russomanno, com 31%, ultrapassa José Serra, com 27%

Pela primeira vez, Celso Russomanno (PRB) aparece numericamente à frente do tucano José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Pesquisa Datafolha realizada ontem mostra Russomanno com 31% das intenções de voto, 4 pontos a mais que Serra. Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos para cima ou para baixo, eles continuam tecnicamente empatados.

Em relação ao levantamento anterior, de 19 e 20 de julho, Russomanno cresceu 5 pontos. No mesmo período, Serra caiu 3.

Esta é a última pesquisa de intenção de voto para prefeito de São Paulo antes do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa hoje.

Na disputa pela terceira colocação há quatro candidatos tecnicamente empatados. O petista Fernando Haddad tem 8% das intenções de voto; Gabriel Chalita (PMDB) tem 6%; Soninha Francine (PPS), 5%; e Paulinho da Força (PDT), 4%.

As intenções de voto em Russomanno crescem constantemente desde o fim do ano passado.

Na pesquisa realizada entre os dias 7 e 9 de dezembro, ele tinha 16%, dois pontos abaixo de Serra. Marcou 17% em janeiro, subiu para 19% em março, passou para 21% no meio de junho, 24% no fim daquele mês e 26% em julho.

ESPONTÂNEA

Celso Russomanno também aparece na liderança da pesquisa espontânea, aquela que indica a consolidação das intenções de votos nos candidatos.

Quando o eleitor é convidado a responder em quem pretende votar sem a apresentação de um cartão com os nomes dos candidatos, Russomanno atinge 15%. Nessa simulação, Serra alcança 13%.

Serra e Russomanno também lideram em taxa de conhecimento. O primeiro é conhecido por 98% dos eleitores. O segundo, por 94%.

O Datafolha também investigou a rejeição dos candidatos. Só 12% dizem que não votariam em Russomanno de jeito nenhum.

Já a rejeição a Serra continua ascendente. Em junho, ele liderava por esse critério com 32%. Em julho, seu índice de rejeição subiu para 37%. Na pesquisa de ontem, oscilou mais um ponto para cima e chegou a 38%.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Datafolha aponta Russomanno com 31% e José Serra com 27% – 21/08/2012.

Guerra de novelas

Nada como um dia atrás do outro para repor as coisas nos seus devidos lugares.

Num dia, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, declarou que a população não está nem aí para o mensalão e para o julgamento no Supremo. “Está mais voltada para [a novela] ‘Avenida Brasil’ e Olimpíada”, decretou.

No dia seguinte, temos aí números que resgatam a realidade e relativizam a ficção. Segundo o Datafolha, 81% dos cidadãos e cidadãs pesquisados têm conhecimento do que significa mensalão, e 75%, de que o julgamento começou.

É verdade que todo mundo fala da novela e da Olimpíada, mas o mensalão também é bem popular.

A Olimpíada desvia a atenção do mensalão, ou o mensalão é que desvia a atenção da Olimpíada? No mínimo, os dois dividem olhares e emoções pelo país inteiro.

O julgamento mal começou, falta a defesa oral de boa parte dos réus e o ministro relator, Joaquim Barbosa, nem proferiu ainda o seu voto, mas o Datafolha mostra que as pessoas já até tiraram suas próprias conclusões.

Sobre o eixo central do debate, 82% se dizem convencidos de que o esquema era de compra de votos de parlamentares, como acusa a Procuradoria-Geral da República -e não apenas de caixa dois, como defendem os réus e seus advogados.

A maioria dos ouvidos, 73%, acha que os acusados devem ser condenados e presos. Poucos, 14%, que devem ser condenados, mas não presos. Só 5% defendem absolvição.

Os que não sabem responder são 8%. Pode ser desinformação, mas parece a resposta mais racional, já que dados e versões ainda estão sendo confrontados e processados pelos reais juízes.

Dado fundamental: se 73% defendem condenação e prisão, a maioria (43%) acha que todos serão absolvidos. Bem, aí já é um outro problema: a descrença nas instituições.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Guerra de novelas – 12/08/2012.

Mensalão: Maioria quer punição, mas acha que ninguém vai preso

BERNARDO MELLO FRANCO

A maioria dos brasileiros defende a condenação dos principais réus do mensalão, mas só um em cada dez acredita que eles serão presos ao fim do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo pesquisa Datafolha, 73% da população acha que os acusados de participar do escândalo devem ser mandados para a cadeia. No entanto, só 11% dizem acreditar que isso acontecerá.

Os números se invertem em relação à hipótese de absolvição dos réus. Apenas 5% torcem para que eles sejam inocentados, mas 43% estão convictos de que este será o resultado do julgamento.

Outros 14% defendem que os réus sejam condenados, mas não recebam pena de prisão. Este resultado é esperado por 37% dos entrevistados.

Se o tribunal julgar que os acusados são culpados pelos crimes apontados na denúncia, eles correm risco de prisão. Entretanto, o STF pode condená-los a penas mais brandas, como a prestação de serviços comunitários.

Em outra hipótese, os réus podem ser condenados à prisão e permanecer em liberdade, caso os crimes já estejam prescritos. Isso ocorrerá se a corte aplicar penas mínimas, de até dois anos de cadeia.

De acordo com o levantamento, quatro em cada cinco brasileiros (82%) acreditam que o mensalão foi um caso de corrupção que envolveu o uso de dinheiro público para comprar votos no Congresso.

Isso demonstra amplo apoio popular à tese sustentada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Só 7% dizem confiar na linha de defesa dos réus, que negam a prática de corrupção e sustentam que houve apenas caixa dois de campanha.

Metade dos entrevistados afirma que o julgamento não terá influência na definição do seu voto para prefeito nas eleições deste ano. Outros 41% dizem que o resultado terá influência, seja grande (21%) ou pequena (20%).

A pesquisa também mediu o nível de informação sobre o caso. A maioria (81%) diz que tomou conhecimento do mensalão, mas só 18% se consideram bem informados. A fatia que está a par do julgamento no STF é de 75%.

A opinião sobre a cobertura da imprensa está dividida: 45% a consideram completa, e 42%, incompleta. Para 46%, o trabalho dos meios de comunicação é parcial. Para outros 39%, é imparcial. A cobertura é “séria” para 46% e “sensacionalista” para 38%.

O Datafolha entrevistou 2.562 pessoas na quinta. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Maioria quer punição, mas acha que ninguém vai preso – 12/08/2012.

Com 38%, prefeito de Porto Alegre lidera com oito pontos de vantagem

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), lidera a corrida eleitoral na capital do Rio Grande do Sul, de acordo com o Datafolha.

Se as eleições fossem hoje, aponta o instituto, Fortunati teria 38% dos votos, oito pontos percentuais à frente da segunda colocada, a deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B). A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Em terceiro lugar, está Adão Villaverde (PT), com 3%.

Fortunati se elegeu vice de José Fogaça (PMDB) em 2008 e assumiu o município dois anos depois, quando o peemedebista deixou o cargo para concorrer ao governo.

O prefeito costurou uma ampla aliança, com mais oito partidos, e terá vantagem de tempo no horário eleitoral no rádio e na TV.

Licenciada da Câmara dos Deputados, Manuela está em sua segunda tentativa de ser prefeita da capital gaúcha.

Após negociações que envolveram a direção nacional dos partidos, a comunista não conseguiu atrair para a chapa o PT, que decidiu lançar candidato próprio por pressão da militância local.

O quarto colocado na disputa no momento é o candidato do PSOL, Roberto Robaina, com 2% das intenções de voto. Brancos, nulos e indecisos somam 25%.

O Datafolha ouviu 829 eleitores de Porto Alegre entre quinta-feira e ontem. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral com o número RS-00040/2012.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Com 38%, prefeito de Porto Alegre lidera com oito pontos de vantagem – 21/07/2012.

Em Recife, petista fica à frente com 35%; candidato de Campos tem 7%

A primeira pesquisa Datafolha sobre a eleição para prefeito de Recife (PE) mostra que uma polarização entre os candidatos do PT e do PSB ainda está distante.

Segundo o levantamento, o petista Humberto Costa lidera a corrida sucessória, com 35% das intenções de voto, enquanto o socialista Geraldo Júlio aparece na quarta colocação, com 7%.

Mendonça (DEM) ocupa o segundo lugar, com 22%, à frente de Daniel Coelho (PSDB), com 8%, em situação de empate técnico com Geraldo.

Humberto Costa, que é senador, disputa a eleição por indicação do PT nacional, defendendo 12 anos de administração da sigla na cidade.

Sua candidatura foi imposta após o partido intervir no processo sucessório, vetando a tentativa de reeleição do prefeito João da Costa (PT).

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, aproveitou a crise para romper a aliança com o PT e lançar seu próprio candidato.

A expectativa de polarização existe porque Geraldo, apesar de desconhecido por 66% dos eleitores, ancora sua candidatura na popularidade de Campos.

Já o petista é o segundo mais rejeitado, com 24%, em empate técnico com Mendonça, citado por 26%.

A pesquisa Datafolha (PE-49/2012) foi realizada em 19 e 20 de julho com 828 eleitores. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Em Recife, petista fica à frente com 35%; candidato de Campos tem 7% – 21/07/2012.

Prefeito de BH tem 17 pontos de vantagem sobre petista

O candidato Marcio Lacerda (PSB), que tenta se reeleger prefeito de Belo Horizonte, lidera a primeira pesquisa Datafolha com 17 pontos de vantagem sobre seu principal concorrente, o ex-ministro Patrus Ananias (PT).

O prefeito tem 44% das intenções de voto, contra 27% do petista.

Na resposta espontânea, Lacerda tem 16% contra 11% de Patrus.

Até 21 dias atrás, PT e PSB eram aliados em BH, tendo o PSDB como parceiro.

Com a cisão na aliança, o embate ganhou atenção nacional e o envolvimento das lideranças dessas legendas.

Primeiro prefeito petista nos quase 20 anos da presença do PT na Prefeitura de BH, Patrus foi alçado candidato com ajuda do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff.

Sua missão era unir o PT e fazer frente a Lacerda.

A primeira tarefa foi cumprida. A outra não será fácil, já que Lacerda, até então um novato na política e cria da aliança PT-PSDB, ganhou visibilidade e se tornou um candidato competitivo.

Embora tenha deixado a prefeitura bem avaliado, faz quase 16 anos que Patrus saiu. Nesse período, ele ganhou visibilidade como o ministro responsável pelo Bolsa Família no governo Lula.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Prefeito de BH tem 17 pontos de vantagem sobre petista – 21/07/2012.

Serra e Russomanno lideram disputa pela Prefeitura de SP

RICARDO MENDONÇA

Pesquisa Datafolha realizada nos dias 19 e 20 de julho mostra o candidato do PRB, Celso Russomanno, quatro pontos abaixo do líder José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

No levantamento feito junto a 1.075 eleitores, Serra aparece com 30% das intenções de voto para prefeito. Russomanno tem 26%.

Como a margem de erro é de três pontos, Serra e Russomanno estão tecnicamente empatados na liderança. Embora improvável, há até a possibilidade de Russomanno estar na frente do candidato tucano.

Bem atrás deles aparecem tecnicamente empatados Fernando Haddad (PT) e Soninha Francine (PDT), ambos com 7%; Gabriel Chalita (PMDB), com 6%; e Paulinho da Força (PDT), com 5%.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Serra e Russomanno lideram disputa pela Prefeitura de SP – 21/07/2012.

Influência de Lula cai 10 pontos, diz Datafolha

A pesquisa Datafolha realizada na semana passada mostra que caiu a importância do apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a escolha de um candidato pelo eleitor paulistano.

Questionados, 39% dizem que o endosso de Lula poderia influenciar positivamente seu voto. O índice é dez pontos percentuais menor que o verificado em janeiro.

Lula, porém, continua a ser o melhor cabo eleitoral entre os nomes pesquisados pelo Datafolha. Depois vêm o governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 29%, e a presidente Dilma Rousseff (28%).

Já o prefeito Gilberto Kassab (PSB) se mostra um “anticabo eleitoral”. Questionados, 43% dos entrevistados dizem que não votariam no candidato que tivesse o apoio do prefeito. Para 12%, o endosso de Kassab é positivo.

Isso se reflete em outro dado pesquisado: 80% dos eleitores querem o próximo governo diferente do atual.

Ter um padrinho no Palácio do Planalto nunca foi decisivo na eleição paulistana.

A cidade nunca elegeu, desde 1985, um prefeito com apoio do presidente da República. FHC (PSDB) amargou duas derrotas, com as vitórias de Celso Pitta (1996) e de Marta Suplicy (2000). Lula também, com José Serra (2004) e Gilberto Kassab (2008).

Em 1996, o desconhecido Pitta não teria batido os favoritos Serra e Luiza Erundina sem o apadrinhamento do então prefeito Paulo Maluf. Em junho, Pitta tinha 10% dos votos; chegou a quase 45% no primeiro turno e, no segundo, venceu Erundina com 57%.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Influência de ex-presidente cai 10 pontos, diz Datafolha – 18/06/2012.

Exposto na TV e ‘colado’ em Lula, Haddad sobe 5 pontos

VAGUINALDO MARINHEIRO

Com grande exposição na TV e apoio explícito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, Fernando Haddad mais que dobrou seu percentual de intenção de voto para a prefeitura paulistana.

Pesquisa feita pelo Datafolha na quarta e quinta-feira da semana passada mostra o petista com 8%. No início de março, ele tinha 3%. Os resultados foram divulgados pelo “TV Folha” de ontem.

José Serra (PSDB) continua na liderança, com 30%, mesmo índice de março. Em segundo vem Celso Russomanno (PRB), com 21%.

Haddad aparece embolado no patamar em que também estão Soninha (PPS), Netinho de Paula (PC do B), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT), num cenário com dez pré-candidatos, mas foi o único a ter um crescimento expressivo.

Ele parece ter se beneficiado de um período em que o PT tentou expor ao máximo o pré-candidato e sua ligação com Lula, apesar de a legislação proibir campanha antes do dia 6 de julho.

Haddad foi uma das estrelas dos programas partidários exibidos pelo PT em rádio e televisão de 15 a 22 de maio.

Os programas mostravam Lula, Dilma e Haddad e reforçavam o slogan “só se renova quem faz o novo”.

O foco em novidade e juventude foi o escolhido pelo marqueteiro do PT, João Santana. Haddad fará sua estreia em eleições e tem 49 anos. Seu principal adversário, Serra, que já foi prefeito e governador e concorreu duas vezes à Presidência, tem 70.

Lula, Dilma e Haddad também apareceram juntos em eventos, e, no mês passado, o ex-presidente levou o pré-candidato ao “Programa do Ratinho”, do SBT. Lá, por 44 minutos, Lula promoveu Haddad, que subiu ao palco.

Serra também teve exposição desde a última pesquisa. Apareceu em propagandas do PSDB veiculadas no final do abril e no início deste mês.

Mas, para Serra, isso parece menos importante, uma vez que 100% dos eleitores afirmam conhecer o tucano.

Já Haddad está na fase de ser apresentado. Em março, só 41% diziam conhecê-lo. Agora são 49%.

Na pesquisa anterior, 10% sabiam que ele era o candidato de Lula. Na atual, 19%.

A assessoria de Serra disse que ele não comentaria a pesquisa. Chalita afirmou que a campanha “não começou”. “Os debates e o horário eleitoral é que vão fazer com que os eleitores conheçam os candidatos e suas propostas.”

O coordenador da campanha petista, o vereador Antônio Donato, disse que Haddad cresce “consistentemente” à medida que mais pessoas passam a conhecê-lo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Exposto na TV e ‘colado’ em Lula, Haddad sobe 5 pontos – 18/06/2012.

“Volta Lula” ou “fica Dilma”

ELIANE CANTANHÊDE

O Datafolha brindou Dilma com duas excelentes notícias: sua popularidade bate recordes, mas o eleitor quer Lula em 2014.

O motivo de comemoração pela aprovação de 64% é óbvio: nunca antes na história do Datafolha um presidente chegou a tanto nessa mesma fase de governo.

Já a festa porque a maioria (57%) prefere Lula em 2014 a ela (32%) não tem nada de óbvia, mas talvez seja até mais importante: além de governar, de ser obrigada a demitir uma penca de ministros herdados e de ter de conviver com uma CPI, Dilma tem que administrar um dado político fundamental -o ego do padrinho.

A pesquisa ajuda a acalmar a ansiedade e a espantar os fantasmas de Lula, que, nas conversas com aliados, não para de reclamar da imprensa, da oposição e da “elite”. Quanto mais Dilma acerta e cresce, mais ele alimenta a paranoia de que tentam “desconstruir a sua imagem”.

Lula está absolutamente convencido de que foi o melhor presidente da história da humanidade, mas os adversários (entre os quais inclui a imprensa) não reconhecem. Insistem em dizer que o mensalão existiu, que ele impôs ministros que Dilma teve de defenestrar e que seu governo foi marcado por uma alegre convivência com fichas-sujas e oligarcas.

Ele não suporta ver a sua criatura se tornando mais admirada do que o criador. Sente-se injustiçado, senão perseguido, e reage com mágoa e rancor. Seu apoio à CPI é resultado desse sentimento: “doa a quem doer”, ou seja, “doa ou não em Dilma”.

O Datafolha é um bálsamo para as dores de Lula, que agora pode vangloriar-se pela escolha de Dilma como sucessora e continuar sentindo-se o “mais”, o “melhor”, o “mais amado”, o “candidato dos sonhos”.

Bálsamo para Lula, alívio para Dilma, que é cheia de dedos com Lula, ouvindo-o, reverenciando-o, mantendo-o no pedestal.

O resto é questão de tempo: até 2014, o “volta Lula” deve lentamente deslizar para o “fica Dilma”.

via Folha de S.Paulo – Opinião – “Volta Lula” ou “fica Dilma” – 24/04/2012.

Dilma vai a 56% dos válidos e abre 12 pontos sobre Serra

FERNANDO RODRIGUES, da Folha de São Paulo

Pesquisa Datafolha confirma que Dilma Rousseff (PT) estancou sua perda de votos iniciada no final de setembro. A petista voltou a subir e agora tem uma vantagem de 12 pontos sobre José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República.

Quando se consideram os votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), a petista tem 56% contra 44% do tucano. Esses 12 pontos de vantagem estão abaixo do que foi registrado na véspera da eleição do último dia 3, quando o Datafolha fez uma simulação de eventual segundo turno -Dilma tinha 57% contra 43% de Serra.

A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela Rede Globo. O Datafolha entrevistou ontem 4.037 pessoas em 243 cidades. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.

Em relação à semana passada, as oscilações dos percentuais totais de votos válidos foram todas no limite da margem de erro. Dilma tinha 54% (com mais dois pontos, foi a 56%). Serra tinha 46% (e deslizou para 44%).

Nos votos totais, Dilma aparece com 50% (tinha 47% há uma semana). Serra tem 40% (contra 41% do levantamento anterior). Os que dizem votar em branco, nulo ou nenhum continuaram estáveis, com 4%. Os indecisos oscilaram de 8% para 6%.

VOTOS DE MARINA

Os votos da terceira colocada no primeiro turno, Marina Silva (PV), registraram um movimento favorável a Dilma nesta semana. A petista cresceu oito pontos nesse grupo, de 23% para 31%.

Ainda assim, Dilma continua bem atrás de Serra entre os “marineiros”. O tucano sofreu uma queda de cinco pontos, de 51% para 46%.

Há poucos eleitores se dizendo disponíveis para os candidatos aumentarem seus percentuais. Segundo o Datafolha, 89% dos brasileiros declaram-se totalmente decididos sobre em quem votar no dia 31. Apenas 10% cogitam mudar de opinião.

O Datafolha registrou também um fenômeno comum nesta época em períodos eleitorais: aumentou a audiência dos comerciais dos candidatos na TV. Nesta semana, 63% afirmaram ter assistido pelo menos uma vez à propaganda -na semana passada, o percentual era de 52%.

O maior número de eleitores que assistem ao horário eleitoral está no Sul (71%). No Nordeste, o percentual é o menor do país, com 61%.

O debate Folha/RedeTV!, realizado domingo passado, foi visto inteiro ou em parte por 25% dos eleitores.

Segundo o Datafolha, entre os que viram ou ouviram falar do encontro, 24% disseram que Serra foi o vencedor, e 23% apontaram Dilma.

Quando se consideram só os que viram na íntegra, o tucano foi apontado como vencedor por 47% contra 37%.

via Folha de S.Paulo – Dilma vai a 56% dos válidos e abre 12 pontos sobre Serra – 22/10/2010.

Eleição aberta

Fernando Rodrigues, colunista da Folha de São Paulo

O resultado da pesquisa Datafolha realizada anteontem e ontem mantém suspense sobre qual será o desfecho da disputa pelo Palácio do Planalto. O confronto está aberto e indefinido. Dilma Rousseff (PT) está com 47% contra 41% de José Serra (PSDB), considerando-se os votos totais. A diferença entre ambos é de seis pontos percentuais.

Na véspera do primeiro turno, numa simulação de disputa final entre Dilma e Serra, a vantagem da petista sobre o tucano era de 12 pontos. No último dia 8, essa dianteira encolheu para sete pontos. Agora está em seis pontos.

Se há uma semana era prematuro afirmar que Serra caminhava para uma virada, agora também é um equívoco interpretar a estabilização do quadro como uma possível vitória antecipada de Dilma.

Esta é uma eleição na qual não há -pelo menos por ora- possibilidade de previsão com algum grau de ciência. Há, entretanto, indicações de resiliência da candidatura patrocinada pelo Planalto. Na semana que vem esses sinais poderão ou não serem confirmados.

O PT também dispõe de uma arma de última instância e única a favor de Dilma Rousseff: a popularidade de Lula, que voltou a subir e bateu novo recorde. Apesar de toda a beligerância mostrada pelo presidente nas últimas semanas, ele atingiu 81% de aprovação popular -contra 78% na última pesquisa. Só para lembrar, o recorde de FHC foi de 47%, em dezembro de 1996.

O estreitamento da diferença entre Dilma e Serra parece ter ocorrido com força na semana em que se realizou o primeiro turno. Com a propaganda política de volta à TV e ao rádio, o movimento migratório de votos perdeu intensidade. Trata-se do curso natural dos votos. O eleitor presta mais atenção no começo e no final da campanha.

Até o dia 31, o clima continuará tenso, e a guerra quase santa entre Dilma e Serra seguirá indefinida.

fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

via Folha de S.Paulo – Brasília – Fernando Rodrigues: Eleição aberta – 16/10/2010.

Dilma sofreu queda entre evangélicos

Fernando Rodeigues, colunista da Folha de São Paulo

Ao se observar o comportamento dos eleitores divididos por grupos religiosos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, sofreu sua maior baixa entre os evangélicos não pentecostais. Ela desliza de 40% para 36%, de acordo com pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem.

Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, a oscilação da petista ficou dentro desse limite máximo. Na pesquisa anterior, ela poderia ter no mínimo 38%. Na atual, chegaria a esse patamar no limite positivo da margem.

Os evangélicos não pentecostais são 6,3% dos eleitores brasileiros.

Nesse grupo, José Serra (PSDB) registrou uma variação positiva, também dentro da margem de erro, indo de 48% para 50%.

Os temas religiosos dominaram esse início de campanha no segundo turno, sobretudo com relação às propostas dos candidatos sobre a descriminalização do aborto. Ambos, Dilma e Serra, afirmam ser contrários a alterar a lei atual.

Apesar do predomínio desse assunto nas propagandas de rádio e de TV, todas as variações em grupos religiosos ficaram dentro ou muito próximas à margem de erro.

Curiosamente, a maior variação se deu entre os eleitores que declaram não ter religião (5,8% do total do país).

Nesse segmento, Dilma desceu seis pontos, de 51% para 45%. Já Serra subiu cinco pontos, de 35% pra 40%.

MARINEIROS

Outra forma de aferir como se deram as pequenas variações nos percentuais de Dilma e de Serra nesta primeira semana de campanha para o segundo turno é observar o comportamento dos eleitores de Marina Silva (PV). Ela está fora da disputa por ter ficado em terceiro lugar.

Entre aqueles que votaram em Marina no primeiro turno e agora assistiram à propaganda política na TV, só 38% dizem que o comercial de Dilma Rousseff é ótimo ou bom. Já o programa de Serra é considerado ótimo ou bom por 52% dos marineiros.

A influência da candidata verde surge agora maior do que seu percentual de votos (19,3%). Segundo o Datafolha, 25% dos eleitores poderiam votar em alguém indicado por Marina. Mas para 55% esse apoio seria inócuo. E há também 15% que rejeitaram esse tipo de recomendação.

ELITE

Algumas oscilações positivas de Dilma se deram em grupos nos quais Serra em geral tem melhor desempenho. Por exemplo, entre os eleitores de nível de escolaridade superior (14% do total do país), a petista variou dois pontos, de 36% para 38%. Já Serra viu seu percentual ir de 50% para 47%.

Entre os eleitores com renda média mensal de mais de dez salários mínimos (4,4% do total dos brasileiros), a petista subiu cinco pontos, de 33% para 38%. Serra desceu de 58% para 53%.

Os mais escolarizados e de renda superior são os grupos nos quais Marina Silva começou sua ascensão no primeiro turno.

Assinante, leia mais em Folha de S.Paulo – Dilma sofreu queda entre evangélicos – 16/10/2010.

A duas semanas da eleição, Dilma tem 47% e Serra, 41%

FERNANDO RODRIGUES, colunista da Folha de São Paulo

Uma semana após a volta da propaganda eleitoral em rádio e TV, a vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) ficou estável, segundo pesquisa Datafolha feita ontem e anteontem.

A petista aparece com 47%, contra 41% do tucano. Há uma semana, os percentuais eram de 48% e 41%, respectivamente. Como a margem de erro é de dois pontos, a pequena oscilação de Dilma indica estabilidade.

Encomendada pela Folha e pela Rede Globo, a pesquisa Datafolha foi realizada em 202 cidades, com 3.281 entrevistas. Foram registrados 4% de eleitores que votam em branco, nulo ou nenhum -percentual igual ao da semana passada. Há também 8% de indecisos (7% no levantamento anterior).

Quando se consideram apenas votos válidos -excluindo brancos e nulos-, Dilma tem 54% contra 46% de Serra, percentuais idênticos aos da semana passada.

Se a eleição fosse hoje, Dilma venceria a disputa pelo Palácio do Planalto.

Na véspera do primeiro turno do último dia 3, a vantagem da petista sobre o tucano era de 12 pontos.

Depois da queda inicial, registrada na semana passada, vigorou um quadro de estabilidade. Mas é incorreto afirmar que há uma tendência já estabelecida. Será necessário outra sondagem na semana que vem para verificar se as curvas dos dois de fato estão quase imóveis.

Nas estratificações realizadas pelo Datafolha, há sinais de que nem tudo se manteve no lugar. Alguns grupos de eleitores registraram alterações próximas ou um pouco além da margem de erro.

Entre os eleitores com nível de escolaridade fundamental (47% do país), Dilma deslizou de 54% para 51%. Já Serra foi de 36% pra 38%.

A petista também teve essa mesma subtração de três pontos na região Sul (15% do país), variando negativamente de 43% para 40%, mas o tucano não se beneficiou, ficando com os mesmos 48%. A perda de Dilma desaguou nos indecisos, que foram de 7% para 10%.

No Sudeste (43,4% dos eleitores), houve estreitamento da diferença. Há uma semana, Serra tinha 44% contra 41% de Dilma. Agora, os percentuais são 44% e 43%, respectivamente.

O Nordeste (27% dos eleitores) segue sendo o reduto mais sólido da petista. Tem 60% contra 30% de Serra.

Segundo o Datafolha, 52% dos eleitores assistiram ao horário eleitoral na TV. A penetração maior das mensagens se deu na região Sul (57%), entre os que concluíram o ensino médio (55%), aqueles com nível superior de escolaridade (61%) e os de renda familiar de dois a cinco salários mínimos (56%).

A propaganda de Dilma é considerada boa ou ótima por 54% dos que viram seus comerciais. A publicidade de Serra foi aprovada por 50% dos que assistiram as peças.

Assinante, leia mais em Folha de S.Paulo – A duas semanas da eleição, Dilma tem 47% e Serra, 41% – 16/10/2010.

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