Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the tag “depoimento”

Começou bem: Suplente de Demóstenes vai ser convocado para depor à CPI

Suplente do ex-senador Demóstenes Torres, o empresário Wilder de Morais (DEM-GO) mal assumirá o mandato e já será convocado pela CPI do Cachoeira como testemunha para falar sobre a amizade e a ligação com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, revela a coluna Panorama Político do GLOBO desta quinta-feira. Empresário e contraventor foram amigos até que sua ex-mulher, Andressa Mendonça, trocou-o pelo bicheiro. Integrantes da comissão acreditam, diz a nota, que ele pode ser uma “testemunha-bomba”.

Um dos homens mais ricos de Goiás, Wilder chegará hoje ao Senado já tendo que dar explicações sobre a omissão de boa parte de sua fortuna pessoal na declaração de bens que apresentou em 2010 à Justiça Eleitoral, como foi divulgado na quarta-feira pelo GLOBO.

Wilder, que também é secretário de Infraestrutura de Goiás e está filiado ao DEM, estará no Senado logo cedo, para uma reunião em que espera acertar com o presidente do partido, o senador Agripino Maia (DEM-RN), detalhes de sua posse. Com sua chegada, o DEM volta a ter cinco senadores.
Conversas telefônicas usadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostram que Wilder está ganhando a cadeira no Senado graças à indicação de seu antigo padrinho e ex-amigo Carlinhos Cachoeira, o bicheiro que articulou para que ele fosse escolhido suplente de Demóstenes. Em sua declaração de patrimônio de 2010, Wilder disse ter apenas 15 das 24 empresas das quais é sócio. A fortuna declarada é de R$ 14,4 milhões.
— É bom que ele se explique sobre o fato de não declarar bens à Justiça Eleitoral, para não pairar nenhuma dúvida. O novo senador já tem assunto para seu primeiro discurso no Senado — cobrou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), um dos autores da representação que levou à cassação de Demóstenes. — Mas não acho que seja o caso de representação.

Beba na fonte: Suplente de Demóstenes vai ser convocado para depor à CPI – O Globo.

Preparação de Agnelo Queiroz teve técnicas de Gestalt

O que os aliados mais temiam era que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), gaguejasse e se enrolasse nas explicações à CPI mista do caso Cachoeira. Além da tropa de choque do PT, de aliados do governo e de políticos de Brasília, a surpreendente segurança e desenvoltura demonstradas pelo petista foi construída com a orientação de políticos tarimbados como José Dirceu e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Mas, sobretudo, em sessões de terapia com uma especialista em gerenciar crises e ajudar no controle das emoções: a jornalista-terapeuta goiana Olga Curado. A mesma que treinou a então candidata Dilma Rousseff para a campanha presidencial .
— Toda a preparação que ele fez, o “media training” e a terapia com a Olga Curado, valeu 50% do seu bom desempenho. O resto, ele aprendeu vendo o depoimento do Marconi Perillo. Seu grande receio era não conseguir explicar a compra da casa que vale R$ 5 milhões por R$ 400 mil — contou um dos líderes aliados que estiveram com Agnelo nos últimos dias.
A decisão de oferecer à CPI a quebra dos sigilos foi acertada em reunião na véspera, com seus advogados e deputados petistas. A estratégia foi se diferenciar de Perillo, que, na véspera, não aceitou abrir seus dados à comissão.

Beba na fonte: Preparação de Agnelo Queiroz teve técnicas de Gestalt – O Globo.

Agnelo nega denúncias sem explicar patrimônio

O governador Agnelo Queiroz (PT-DF) não conseguiu explicar ontem a origem do dinheiro para a compra de uma casa no Setor de Mansões Dom Bosco em Brasília. O imóvel foi adquirido em 2007, após o petista deixar o Ministério dos Esportes e meses antes de assumir a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Mesmo com o gesto político de abrir o sigilo bancário, o governador se enrolou na hora de dizer como pagou a casa. “Houve cheque, houve depósito… Tudo vai ficar claro com a quebra do sigilo”, afirmou Agnelo, depois de ser questionado repetidamente sobre a transação financeira. Para a oposição, todas as respostas foram evasivas.

Agnelo diz ter pago R$ 400 mil pela casa. Em 2006, seu patrimônio somava R$ 224 mil. Em 2010, ele declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 1,1 milhão, incluindo a casa, no valor de R$ 450 mil, outros três imóveis, três carros e mais de R$ 150 mil em bancos.

Questionado pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) sobre o valor atual do imóvel, o governador respondeu: “Não sei. Não sou corretor de imóveis.” Macris também questionou o fato de Jamil Elias Suaiden, um dos proprietários da casa que o governador comprou, ser dono da FJ Produções, empresa que teria contratos com a Anvisa e com o Governo do Distrito Federal.

“Não é o mote dessa CPI tratar de empresas privadas. Qualquer pergunta sobre contratos ou a evolução patrimonial precisaria ser feita à empresa, mas essa referência sobre a Anvisa faz parte da cota da maldade”, respondeu Agnelo. Ele negou que a FJ tenha contratos com o DF.

‘Futurologia’. “Comprei a casa do Glauco. Foi antes de eu assumir a diretoria da Anvisa. A má-fé é tamanha. Como poderia supor que ia virar diretor da Anvisa dez meses depois e favorecer uma empresa?”, alegou Agnelo. “A Anvisa deu 8 mil atestados de funcionamento na minha época. É um atestado dos mais simples.”

Cunhado de Jamil, Glauco Santos também tinha interesses na Anvisa. Sua empresa, Saúde Import, obteve autorização de funcionamento na gestão Agnelo.

Agnelo tampouco provou à Justiça como comprou o imóvel. Ele processou jornalistas da revista Época que, em 2010, fizeram reportagem sobre o imóvel. Na Justiça do DF, ele apresentou comprovantes de que teria entregue declarações de imposto de renda e acabou condenado. “Esses extratos não demonstram sequer que a aquisição da casa foi incluída nas declarações de IR”, disse a juíza Priscila Faria da Silva.

“Isso será reparado absolutamente”, disse Agnelo à CPI, defendendo que ele e a mulher, ambos médicos, tinham lastro para comprar o imóvel. “Já fiz uma auditoria nas minhas contas, além de apresentar meu nada consta. Quando meu sigilo chegar, você irão ver que não há nada.” / ALANA RIZZO, EUGÊNIA LOPES, FÁBIO FABRINI e RICARDO BRITO

Beba na fonte: Agnelo nega denúncias sem explicar patrimônio – politica – versaoimpressa – Estadão.

Acompanhe ao vivo no blog o depoimento de Agnelo Queiroz à CPI do Cachoeira

Com imagens da TV Senado

 

O que disse Perillo à CPI

Durante mais de oito horas de depoimento à CPI do Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo se saiu bem. Ele afirmou que nunca teve relações próximas com o contraventor Carlinhos Cachoeira, negou ter intermediado negócios com a Delta Construções e disse ainda que os negócios que envolveram a venda da casa foram totalmente legais. Durante todo o depoimento, Perillo evitou falar do caso mensalão toda vez que o assunto foi mencionado.

Confira aqui os principais trechos do depoimento do governador Marconi Perillo à CPI do Cachoeira:

Vítima

O governador começou sua fala na CPI do Cachoeira se dizendo vítima dos acontecimentos, de “fatos distorcidos” e de uma “grande injustiça”.

- Venho a esta CPI coma cabeça erguida e firme com o propósito de apresentar a verdade dos fatos – disse Perillo, destacando que apresentou formalmente ao procurador-geral da República a abertura de investigação sobre as denúncias, e que se ofereceu a comparecer à comissão para prestar esclarecimentos.

O governador citou sua trajetória política e enalteceu o Parlamento.

- Todos sabem que enfrentei forças poderosas para chegar aqui – afirmou o governador.

Relação com Cachoeira

O governador negou ser próximo do contraventor Carlos Cachoeira.

- Nunca mantive qualquer relação de proximidade com o senhor Carlos Augusto Ramos. Trinta mil horas de gravações, três anos, e nenhuma ligação do senhor Carlos Cachoeira para mim ou meu gabinete.

Perillo fez questão de citar a única ocasião, segundo ele, quando estava em uma reunião social, em que falou por telefone com Cachoeira para cumprimentá-lo por seu aniversário.

- Apenas uma ligação minha de cumprimentos pelo seu aniversário. Se eu mantivesse com ele qualquer relação mais próxima, seria natural que ele tivesse ligado para mim em muitas ocasiões.

- Eu não estava telefonando para um contraventor, estava telefonando para um empresário – disse.

Perilllo afirmou que a existência de apenas um diálogo telefônico dele com Cachoeira nas gravações da Polícia Federal traduz a falta de proximidade e intimidade entre ambos:

- Não ter feito sequer uma ligação a mim em todo o processo de escuta da Polícia Federal. Só há uma e fortuita ligação telefônica. Estava na casa de um amigo, quando alguém dos presentes me disse que era aniversário do senhor Carlos Cachoeira. Me perguntou se eu aceitaria falar com ele, pela data. Não estava ali telefonando para um contraventor, mas para um empresário que atuava no setor de medicamentos, sócio do maior laboratório de bioequivalência (de Goiás). Disse que, se ele telefonasse, eu falaria. Conversa rápida e trivial.

Venda da casa

O governador de Goiás negou que tenha praticado qualquer irregularidade na venda de sua casa, em Goiânia.

Vendi pelo valor de mercado, depositei o pagamento em minha conta bancária e declarei tudo no Imposto de Renda. Se houvesse qualquer elemento fraudulento, jamais teria publicado anúncio de venda no jornal de maior circulação e depositado em minha conta pessoal – disse Perillo.

Ele negou que tenha recebido pagamentos em duplicidade e disse que não é usual que o vendedor de um imóvel indague o comprador sobre a origem do dinheiro:

- Não tem a menor sustentação diante dos fatos e da lógica. Se algum dos citados nas ligações tirou vantagem ou ganhou dinheiro no negócio foi sem meu conhecimento ou consentimento.

Perillo procurou minimizar as acusações de que é alvo:

- É incrível que eu seja exposto por ter vendido um bem pessoal, bem meu, dentro da lei, enquanto outros cobram propina, fazem licitação com sobrepreço, fazem esquema em licitações. Lá em Goiás eu sou acusado de ter vendido uma casa de minha propriedade.

Campanha eleitoral

O governador Marconi Perillo anunciou nesta terça-feira que ajuizou ação por calúnia, injúria e difamação contra o jornalista Luiz Carlos Bordoni, que diz ter recebido R$ 40 mil das mãos do governador, em dinheiro, como pagamento por serviços na campanha eleitoral de 2010. Perillo nega que isso tenha ocorrido e afirmou que o jornalista prestava serviços também para outros políticos de Goiás.

- Eu já disse, repito, repito de novo. O jornalista Luiz Carlos Bordoni, que é uma figura controversa no estado. Ele terá a oportunidade de provar na Justiça. Cabe a ele o ônus da prova – disse Perillo.

Ex-chefe de gabinete

- Eliane Pinheiro era encarregada dos assuntos partidários. Trabalhou durante 20 anos em vários governos, inclusive no meu. Ela trabalhava atendendo aos partidos e aos parlamentares, em sala distante da minha. Nunca pediu pra favorecer nada a nenhuma pessoa ligada aos investigados. Ela saiu do meu governo por se sentir constrangida. Eu não sabia das relações dela com o Cachoeira. Ela tem uma relação familiar com Cachoeira.

Lula

Desafeto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Goiás, Marconi Perillo fez menção ao ex-presidente, ao dizer que sugeriu a Lula, ainda em 2003, a criação de dois dos principais programas sociais do governo: o Bolsa Família e o ProUni.

- Dei duas sugestões em 2003 ao presidente Lula. Que juntasse os carões do Fernando Henrique e criasse um programa único. Quem acessar o YouTube, no lançamento (do Bolsa Família), verá Lula me agradecendo – disse Perillo.

O governador contou também que sugeriu a oferta de bolsas para universitários de baixa renda:

- Ele (Lula) me disse que faria e criou o programa.

A animosidade entre Lula e Perillo remonta ao escândalo do mensalão, quando Perillo declarou que havia alertado o então presidente sobre o esquema de corrupção.

Delta

Na segunda parte do depoimento, ao responder perguntas do relator Odair Cunha (PT- MG) o governador disse que o Estado de Goiás tem apenas 4% de contratos assinados com a Delta, num total de R$ 51 milhões, contra R$ 64 milhões do governo anterior. Ele afirmou também que o ex-vereador Wladimir Garcez nunca tratou com ele sobre assuntos relacionados a Delta, mas que tinha conhecimento que ele procurou algumas pessoas do governo. Garcez é apontado pela PF como a pessoa que levava ao governo os pleitos do contraventor ao governo de Goiás.

Perillo negou conhecer o ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish, e afirmou ter estado com o ex-diretor da empreiteira no Centro-Oeste, Claudio Abreu.

- Nunca conversei com o Fernando Cavendish. Sei que ele já esteve em Goiás, mas comigo nunca. Não o conheço. Claudio Abreu, estive com ele uma vez, acho que foi na casa do senador Demóstenes (Torres, sem partido-GO). E estive com ele uma ou duas vezes na campanha – disse Perillo.

Questionado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) se ele teria comparado, para seus secretários estaduais, que a Delta seria uma empresa corrupta, o governador afirmou que isso teria sido um mal entendido.

- Determinei que no meu governo não haverá “por fora”, caixa de campanha, propina, e não haveria delta X, que é sinônimo de propina – explicou o governador.

Quebra de sigilo

Os ânimos se acirraram após o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), perguntar ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) se ele estaria disposto a abrir seu sigilo telefônico. Parlamentares saíram em defesa do governador, gritando que Perillo não havia comparecido na condição de investigado, mas de testemunha. Afirmaram que a pergunta do relator deveria etr aprovação dos demais integrantes da comissão.

- Não vejo sinceramente, na condição de ex-deputado estadual, federal, senador, motivos suficientes, justificativas plausíveis para que haja quebra de sigilo – disse Perillo.

O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) pediu calma diversas vezes. A gritaria durou alguns minutos. Parlamentares tucanos acusaram Cunha de falta de imparcialidade, já cobrando dele o mesmo tipo de rigor no depoimento de quarta-feira, quando comparecerá à CPI o governador petista do Distrito Federal, AgneloQueiroz . O relator enumerou, então, argumentos para justificar o pedido. Segundo Cunha, ainda que a versão dada no depoimento pelo governador sobre as suspeitas de que é alvo tenha “início, meio e fim”, há indícios que deixam em aberto outras possibilidades e que isso precisa ser investigado.

Jogo do Bicho

Indagado se é favorável à liberação do jogo no Brasil – a pergunta foi genérica, referente a jogos ilegais, mas sem especificar qual tipo -, o governador Marconi Perillo disse que o tema é tratado atualmente com hipocrisia.

- Eu, particularmente, não jogo e sou contra o jogo. Agora, entre a hipocrisia reinante por todos os cantos e a legalização, talvez fosse melhor que uma providência como essa fosse tomada. Embora, repita, se tivesse que votar aqui no Congresso, a favor ou contra, eu votaria contra a legalização.

Grampos ilegais

Perillo disse que a investigação do serviço de inteligência do governo goiano indica que ele estaria sendo alvo de grampos telefônicos desde a sua eleição, em outubro de 2010. O governador afirmou que, por ora, só existem relatos preliminares e não identificou quem seriam os responsáveis pelos supostos grampos:

- Existem arapongas oficiais, segundo relatos preliminares, bisbilhotando e fazendo escutas ilegais desde que eu ganhei a eleição, em outubro de 2010.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/confira-ponto-ponto-do-depoimento-de-perillo-cpi-5182208#ixzz1xgOD1q2H

Tropa de choque comandada pelo PSDB protege Perillo na CPI

A tropa de choque do PSDB, com apoio de PPS, DEM e o silêncio do PMDB, foi para o depoimento do governador tucano Marconi Perillo, na CPI mista de Carlinhos Cachoeira preparada para a guerra e protagonizou momentos tensos nas mais de nove horas da sessão. O clima azedou quando o relator da comissão, o petista Odair Cunha (MG), pediu para Perillo abrir seu sigilo bancário.
Para piorar a situação, Odair disse que o governador tucano estava ali como investigado, embora tenha sido convocado como testemunha. Tucanos e aliados reagiram aos berros, com dedos em riste e acusações de que o relator, que estava calmo na primeira fase do depoimento, tinha recebido orientação do ex-presidente Lula para endurecer.
— Não é de hoje que venho denunciando a eloquência com que o relator direciona para interesses de seu partido, para não dizer do ex-presidente Lula. Ele levou um puxão de orelhas de alguém lá de fora, por isso voltou assim — berrou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).
— Por que essa vontade apressada de investigar o PSDB? Temos de nos aviltar. Vossa Excelência não sabe a diferença entre investigado e testemunha! — completou o tucano.
O relator reagiu:
— Ele compareceu como testemunha numa investigação que estamos fazendo sobre Goiás e o Distrito Federal. Há seis pessoas do governo dele citadas nas investigações. É com base nisso que estamos inquirindo!
O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), tentou acalmar os ânimos. Pediu silêncio, mas os gritos eram mais fortes. Quando a situação voltou a uma calma relativa, outro bate-boca teve início. Dessa vez, coube ao deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) intervir. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) havia pedido para falar, mas prolongava sua intervenção, no que Luiz Sérgio protestou.
Foi o estopim para outro arranca-rabo. O senador Mario Couto (PSDB-PA), que nem pertence à CPI e é conhecido por bater na mesa e discursar aos berros, subiu o tom e disse que o colega podia falar quanto quisesse.
— Calado! —protestou Luiz Sérgio.
— Não é no grito. Quietinho! — insistiu o petista.
— Eu sou macho! — contra-argumentou Couto.
— Normalmente, os que gritam que são machos… — interveio Luiz Sérgio, em tom jocoso, sem terminar a frase.
Embora Perillo buscasse demonstrar tranquilidade, o clima foi tenso entre os parlamentares, sobretudo entre tucanos e petistas. Os tucanos compareceram em peso, incluindo parlamentares que nem são da CPI, como o primeiro-secretário do Senado, Cícero Lucena (PB), os senadores Aécio Neves (MG) e Flexa Ribeiro (PA), e vários deputados.

Aiança informal entre tucanos e peemedebistas

Os tucanos contaram com o apoio discreto do PMDB. Uma aliança informal entre os dois partidos foi feita para tentar evitar maiores desgastes de Perillo na CPI. A ação entre tucanos e peemedebistas garantiu que Vital do Rêgo comandasse a sessão para desfazer a hegemonia petista no palco principal da CPI, e também assegurar uma postura serena de peemedebistas na comissão, sem questionamentos constrangedores a Perillo.
A junção de forças dos dois partidos começou a ser desenhada quando o PT passou a apoiar a quebra do sigilo da Delta nacional, causando a irritação de peemedebistas, que acreditam que as informações derivadas daí podem respingar em contratos com o governo do Rio de Janeiro.
Peemedebistas se queixam do tratamento recebido pelo governo, que contribui para aprofundar a distância entre PMDB e PT na CPI.
— Desde o início, ficamos de fora porque não queremos servir ao PT nesta CPI, que está obcecado em desqualificar o mensalão, por meio da imprensa e do Ministério Público — afirmou ao GLOBO um cacique da legenda.
Vital do Rêgo, que estava de licença médica devido a um cateterismo pelo qual passou recentemente, foi acionado na segunda-feira pela cúpula do PMDB para que estivesse presente ao depoimento.
No depoimento desta quarta-feira, o PMDB não vai estender a mão ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). O partido, no entanto, tampouco pretende bombardeá-lo, o que seria “passar recibo”, nas palavras de um peemedebista. Petistas na CPI já acusaram o golpe e temem os resultados da sessão em que o governador do DF será ouvido.

Beba na fonte: Tropa de choque comandada pelo PSDB protege Perillo na CPI – O Globo.

Perillo vai à comissão e diz que se dispõe a prestar depoimento

NATUZA NERY, ERICH DECAT e CARLA GUIMARÃES

Com receio de ser o único governador no foco da CPI do Cachoeira, Marconi Perillo (PSDB-GO) apareceu de surpresa ontem na comissão parlamentar de inquérito e se colocou à disposição para depor aos congressistas.

O tucano quer atingir dois objetivos: evitar o desgaste de ser convocado e prestar esclarecimentos aos deputados e senadores antes de aprovada a quebra de seus sigilos fiscal, financeiro e telefônico -reduzindo assim o poder de contestações da comissão.

Antes da aparição ontem, o governador se reuniu com o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Conforme o relato de testemunhas, teria afirmado ao peemedebista que querem salvar os outros governadores e o “deixar na saudade”.

A aparição, porém, irritou o PT e o PMDB, já que o efeito colateral da visita de Perillo foi justamente aumentar a pressão sobre os governadores Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), até agora blindados de qualquer convocação.

Por conta disso, o PT promete votar nesta semana a quebra de sigilos de Perillo. Outro efeito colateral da visita foi afastar um possível apoio do PMDB contra a convocação do tucano, parte de um pacto de não agressão.

“Eu vim espontaneamente”, disse o tucano. “Já tive sigilo bancário quebrado no passado, precisa saber se é justo ou não.”

A CPI terá de analisar um esclarecimento, apresentado por acordo entre PT e PMDB, sobre se a comissão pode convocar governadores. Há uma interpretação que essa alternativa só é possível se houver suspeitas de desvio de recursos federais. Do contrário, caberia ao Legislativo local a apuração

O Ministério Público de Goiás abriu ontem investigação sobre servidores do Estado citados em escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, que apurou os negócios de Carlinhos Cachoeira. Entre os suspeitos de improbidade estão três secretários do Estado e a ex-chefe de gabinete de Perillo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Perillo vai à comissão e diz que se dispõe a prestar depoimento – 30/05/2012.

‘Qualquer fala de Cachoeira seria perigosa’, afirma Márcio Thomaz Bastos

Fausto Macedo

Advogado de defesa do contraventor Carlinhos Cachoeira, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, avalia que o silêncio que marcou a audiência desta terça-feira, 22, não caracterizou afronta à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações de seu cliente com políticos e autoridades. “É direito constitucional”, resume.

Pouco depois de deixar o Congresso, Thomaz Bastos falou sobre a sessão no âmbito político. Segundo ele, são “três os requisitos” para que Cachoeira possa responder às indagações da CPI – um desses requisitos, ele diz, é aguardar julgamento do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região de uma demanda em que a defesa põe em xeque a legalidade dos grampos da Polícia Federal feitas no curso da Operação Monte Carlo. Enquanto isso, Cachoeira continua preso.

Qual a sua avaliação da audiência?

Eu entendo que tudo transcorreu como esperado, ele (Carlinhos Cachoeira) não ia falar mesmo. Estava anunciado. Enquanto a gente não tiver analisado a íntegra de todos os autos da investigação não dá para ele falar.

O que a defesa quer?

São três requisitos. Primeiro, temos de analisar os documentos, é muita coisa, agora vai chegando ao fim. Outra coisa: tem um habeas corpus que impetramos no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, questionando a legalidade das interceptações telefônicas (da Operação Monte Carlo). O terceiro obstáculo, talvez o mais importante, é que está marcada para o próximo dia 31 audiência (de Cachoeira) na Justiça (em Goiânia), audiência de instrução, debate e julgamento.

Antes disso ele não fala?

Antes disso, qualquer fala dele (Cachoeira) seria perigosa. Por isso eu acho que a comissão entendeu perfeitamente. (Cachoeira) Manteve o silêncio, um silêncio respeitoso, e a coisa correu bem.

Ele não afrontou a CPI ao permanecer calado?

De jeito nenhum. (O silêncio) não caracteriza (afronta). É direito constitucional. Inclusive, o ministro Celso de Mello (do Supremo Tribunal Federal), na decisão proferida ontem (segunda-feira) expressamente fez uma ressalva de que ele tem esse direito, o sujeito que é investigado tem esse direito de não falar. Ele (Cachoeira) não prestou o compromisso e o próprio presidente (da CPI) achou que não era o caso. (Cachoeira) Calou-se.

Não foi constrangedor?

Em nenhum momento, em nenhum momento. Ao contrário, foi uma coisa respeitosa. Correu tudo muito bem.

O próximo passo?

Estamos trabalhando para obter a liberdade dele (Cachoeira). É para isso que estamos trabalhando.

Beba na fonte: ‘Qualquer fala de Cachoeira seria perigosa’, afirma Márcio Thomaz Bastos – politica – politica – Estadão.

Cachoeira se cala na CPI, mas afirma ter ‘muito a dizer’

ANDREZA MATAIS,  JOSÉ ERNESTO CREDENDIO E RUBENS VALENTE

Em duas horas e 23 minutos, o empresário Carlinhos Cachoeira disse ontem 30 “nãos” a 60 perguntas feitas por oito congressistas e esvaziou a mais aguardada sessão da CPI que o investiga.

Alegando que pretende se manifestar antes na Justiça, ele disse que tem “muito a dizer”, mas saiu sem responder a nenhum questionamento e afirmou que só estava ali por que foi forçado a comparecer.

“Quem forçou foram os senhores”, disse Cachoeira, ao justificar seu comportamento. “Estamos aqui perguntando para um múmia, uma pessoa que não quer responder”, afirmou a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que sugeriu o encerramento da sessão e teve sua proposta acolhida.

Cachoeira foi chamado por integrantes da CPI de “bandido”, “marginal”, “arrogante” e “criminoso”. Em alguns momentos, sorriu discretamente ao ser questionado.

Preso desde 29 de fevereiro sob acusação de explorar jogos ilegais e comandar um vasto esquema de corrupção, Cachoeira saiu ontem pela primeira vez do complexo penitenciário da Papuda, sob forte esquema de segurança.

Acompanhado pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, seu advogado, Cachoeira foi acomodado numa mesa lateral na CPI, por sua condição de presidiário.

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) foi o único que lhe apertou a mão. A mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, acompanhou tudo no fundo da sala.

Nervoso e com aparência envelhecida desde sua última aparição em uma CPI, há sete anos, Cachoeira indicou sua disposição logo de cara.

“Fui advertido pelos advogados a não dizer nada e não falarei nada aqui”, disse. “Somente depois da audiência que terei com o juiz, se achar que posso contribuir. Podem me chamar que responderei a qualquer pergunta.”

DEBOCHE

Cachoeira contrariou os parlamentares várias vezes, e algumas de suas falas foram interpretadas por eles como sinal de deboche. Kátia Abreu o acusou de cínico.

“Vou te ajudar demais, é outra pergunta muito boa para responder depois disso”, disse Cachoeira em uma das ocasiões. “Tenho muito a dizer depois da minha audiência, pode me convocar.”

Cachoeira será ouvido na Justiça de Goiás no dia 1º de junho. A CPI decidiu convocá-lo novamente depois disso, mas seu advogado disse que ele poderá ficar calado novamente se comparecer.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Cachoeira se cala na CPI, mas afirma ter ‘muito a dizer’ – 23/05/2012.

Exclusivo: Blog publica a íntegra do depoimento de Carlinhos Cachoeira

Cachoeira tenta de novo evitar ida à CPI

Com agenda cheia, o Congresso começa a semana sem saber se haverá o ato mais esperado de amanhã. O depoimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira na CPMI, que investiga suas relações com políticos e empresários, pode ser adiado mais uma vez. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve decidir hoje se mantém ou não a decisão que desobriga o bicheiro de falar à CPMI. Se o ministro mudar de ideia e determinar que Cachoeira compareça à comissão, o advogado do bicheiro (o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos) já avisou ontem que ele permanecerá calado.
Bastos quer mais três semanas de prazo, liberação das 90 mil horas de áudio, montagem de equipe de dez pessoas para analisar o material e acesso com mais liberdade a Cachoeira para avaliarem juntos os documentos. Integrantes da comissão, no entanto, dizem não haver motivo para o adiamento e reclamam do comportamento da defesa.
Membros da CPI dizem que defesa teve acesso às provas
Se a liminar for mantida, Bastos pedirá a cópia dos inquéritos. O ex-ministro disse que Cachoeira não tem condições de falar à CPMI sem conhecer as acusações contra ele. Integrantes da equipe de Bastos foram à CPMI, consultaram alguns dados, mas não puderam tirar cópias. Segundo o presidente da comissão, Vital do Rego (PMDB-PB), o material não pode ser reproduzido pois integra um inquérito que tramita em sigilo no STF.
Por outro lado, integrantes da CPMI reclamam que os advogados não estão aproveitando a oportunidade de ter acesso às provas em poder da comissão.
— A defesa não está se valendo desse direito (de ter acesso aos documentos). Ela está passando pouco tempo na sala da CPI. Me parece uma chicana para adiar o depoimento — disse o senador Pedro Taques (PDT-MT).
— A defesa teve todo o acesso às provas e usa esse discurso para evitar o depoimento. O Supremo não deveria acolher essa estratégia — afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
Na oposição, as reclamações são parecidas. Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), a CPMI vive um momento decisivo na expectativa de ouvir Cachoeira. Ele espera que o STF não conceda mais tempo à defesa do contraventor, ou o país estará “à beira de uma crise institucional entre Judiciário e Legislativo”.
Além do depoimento de Cachoeira, o Congresso terá uma terça-feira cheia. Estão previstos o depoimento da primeira testemunha de defesa do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) no Conselho de Ética, o advogado Ruy Cruvinel, e a votação da PEC do Trabalho Escravo na Câmara dos Deputados.

Beba na fonte: Cachoeira tenta de novo evitar ida à CPI – O Globo.

PT recua, e CPI desiste de convocar procurador-geral

O PT recuou da investida contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a CPI do Cachoeira desistiu ontem de convocá-lo. Agora, enviará a ele apenas perguntas por escrito.

Gurgel era acusado por integrantes da comissão, incluindo petistas, de ter sido moroso na investigação contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), suspeito de ser um dos principais braços políticos do empresário Carlinhos Cachoeira.

A ala do PT mais ligada ao ex-presidente Lula entendeu, porém, que o acirramento da disputa entre a CPI e Gurgel poderia resultar em danos no julgamento dos 36 réus do mensalão, vários deles do PT e de partidos aliados.

A previsão é a de que o julgamento ocorra neste ano, e a acusação será comandada justamente por Gurgel, chefe do Ministério Público federal.

Após a ameaça de ser convocado pela CPI, o procurador declarou que seus críticos tentavam proteger “mensaleiros”. Ele foi apoiado por ministros do Supremo Tribunal Federal, local do julgamento, o que teria ampliado a apreensão de petistas.

Com a troca de acusações, o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão, deverá liberar os autos até o fim do mês, possibilitando o julgamento.

Emissários dos réus procuraram então petistas para pedir que atenuassem o tom dos ataques a Gurgel.

Apesar de o presidente do PT, Rui Falcão, ter dito que a comissão servirá para desmascarar os autores da “farsa do mensalão”, aliados de Lula -incentivadores da comissão- começaram a mudar o discurso.

Ainda assim o relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), não descarta votar uma nova convocação caso a resposta de Gurgel seja insatisfatória.

Segundo o requerimento aprovado pela comissão, Gurgel terá de detalhar em cinco dias úteis os motivos de não ter investigado, já em 2009, as ligações de três parlamentares, dentre eles Demóstenes, com Cachoeira.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PT recua, e CPI desiste de convocar procurador-geral – 16/05/2012.

Guerra de versões sobre Vegas expõe conflito entre PGR e PF

A guerra de versões sobre o engavetamento da Operação Vegas em 2009 ganhou nesta segunda-feira contornos institucionais. Em nota oficial, a direção da Polícia Federal afirmou que o delegado Raul Alexandre não pediu para a subprocuradora Cláudia Sampaio adiar decisão de arquivamento da investigação sobre as relações entre o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A subprocuradora recebeu o relatório em 15 de setembro de 2009 e não tomou qualquer providência em relação às suspeitas que pesavam contra o então senador do DEM.
“O delegado Raul Alexandre não pediu à subprocuradora Cláudia Sampaio o arquivamento ou o não envio da Operação Vegas ao STF (Supremo Tribunal Federal)”, diz nota divulgada pela direção da Polícia Federal no início da noite de ontem. Esta é a primeira vez que a cúpula da polícia rebate oficialmente as versões apresentadas pela subprocuradora e pelo procurador-geral, Roberto Gurgel, sobre o episódio.
Na nota, a PF rebate as versões apresentadas pelos dois procuradores desde o início do escândalo. Gurgel alegou que nada fez com o relatório da Operação Vegas porque estava aguardando os desdobramentos da Operação Monte Carlo, a segunda investigação da PF, que resultou na prisão de Cachoeira e na confirmação das denúncias contra Demóstenes. Cláudia Sampaio, por sua vez, disse que nada fez porque o delegado Raul Alexandre teria pedido o não arquivamento alegando que a medida poderia atrapalhar outra investigação, supostamente a Operação Monte Carlo.
Para a polícia, as explicações dos procuradores não fazem sentido. A direção da PF informa que a Operação Vegas começou em 2008 e foi encerrada em setembro de 2009. No texto, a polícia deixa claro que a Monte Carlo só “foi iniciada em novembro de 2010”. Ou seja, em setembro e outubro de 2009, quando a subprocuradora se reuniu por três vezes com Raul Alexandre, não havia qualquer outra operação em curso contra Cachoeira. A polícia explica ainda que a Operação Monte Carlo surgiu a partir de uma iniciativa de três promotores de Valparaíso de Goiás.
Comunicado reforça defesa de convocação pela CPI
A nota reforça a posição de parlamentares da CPI do Cachoeira que cobram explicações de Gurgel e de Cláudia Sampaio pelo engavetamento das denúncias contra Demóstenes e o bicheiro contidas na Operação Vegas.
Gurgel só pediu ao STF abertura de inquérito contra o senador e outros parlamentares supostamente ligados ao bicheiro no final de março último, cinco dias depois de O GLOBO mostrar que o senador tinha colocado o mandato a serviço do contraventor. Na quinta-feira, a CPI deverá votar requerimento de convocação ou de cobrança de explicações por escrito de Gurgel e Cláudia Sampaio.
Em depoimento à CPI do Cachoeira, semana passada, os delegados Raul Alexandre e Matheus Rodrigues, coordenador da Monte Carlo, afirmaram que não existem pontos de interseção na origem das duas investigações. A Monte Carlo começou com promotores de Valparaíso e só foi transferida da Justiça de Goiás para a Justiça Federal por um acaso. Os promotores se declararam impedidos de continuar à frente da investigação porque um dos alvos era um policial rodoviário federal.
O GLOBO tentou, sem sucesso, falar com o procurador-geral e a subprocuradora. A assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral não retornou os recados deixados pelo jornal.

Beba na fonte: Guerra de versões sobre Vegas expõe conflito entre PGR e PF – O Globo.

STF concede liminar e Cachoeira não irá depor hoje à CPI

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), adiou o depoimento do contraventor Carlinhos Cachoeira à CPI que investiga suposto esquema de corrupção comandado por ele. A sessão estava marcada para terça-feira. Na sexta-feira, os advogados pediram ao tribunal para que Cachoeira só prestasse depoimento depois de ter acesso a todos os documentos da investigação. Na decisão, Mello adiou o comparecimento do acusado à comissão até que o STF julgue o mérito do pedido, que é justamente direito de acesso aos autos.

“A unilateralidade do procedimento de investigação parlamentar não confere, à CPI, o poder de negar, em relação ao indiciado, determinados direitos e certas garantias que derivam do texto constitucional ou de preceitos inscritos em diplomas legais”, escreveu o ministro. “O sistema normativo brasileiro assegura, ao advogado regularmente constituído pelo indiciado, o direito de pleno acesso ao inquérito (parlamentar, policial ou administrativo), mesmo que sujeito a regime de sigilo (sempre excepcional), desde que se trate de provas já produzidas e formalmente incorporadas ao procedimento investigatório.”
Na semana passada, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), negou o pedido do bicheiro para ter vista das investigações. Na decisão, o ministro ressalta que Cachoeira tem direito a conhecer as peças. Entretanto, não concedeu a ele esse direito. Essa decisão será tomada pelo plenário do STF, em data ainda não marcada. Agora, Mello pedirá informações à presidência da CPI e, depois, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deverá dar um parecer sobre o caso. Só depois o pedido será levado ao plenário.
Em vários pontos da decisão, Mello acentua o direito de Cachoeira de ter acesso à íntegra da investigação, embora não tenha dado a ele esse direito. “Impende enfatizar que o advogado, atuando em nome de seu constituinte, possui o direito de acesso aos autos da investigação penal, policial ou parlamentar, ainda que em tramitação sob regime de sigilo, considerada a essencialidade do direito de defesa, que há de ser compreendido – enquanto prerrogativa indisponível assegurada pela Constituição da República – em perspectiva global e abrangente”, anotou o ministro.
“O que não se revela constitucionalmente lícito, segundo entendo, é impedir que o investigado (ou o réu, quando for o caso) tenha pleno acesso aos dados probatórios, que, já documentados nos autos (porque a estes formalmente incorporados), veiculem informações que possam revelar-se úteis ao conhecimento da verdade real e à condução da defesa da pessoa investigada ou processada pelo Estado, não obstante o regime de sigilo excepcionalmente imposto ao procedimento de persecução penal ou de investigação estatal”, completou.
Ainda segundo o ministro, em várias decisões, o STF deixou claro que “o fascínio do mistério e o culto ao segredo não devem estimular, no âmbito de uma sociedade livre, práticas estatais cuja realização, notadamente na esfera da persecução instaurada pelo Poder Público, culmine em ofensa aos direitos básicos daquele que é submetido, pelos órgãos e agentes do Poder, a atos de investigação”.

Beba na fonte: STF concede liminar e Cachoeira não irá depor à CPI nesta 3ª feira – O Globo.

Cachoeira deve ficar calado na CPI

LEANDRO COLON E NATUZA NERY

Quem espera revelações do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em seu depoimento marcado para amanhã na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que apura sua relação com autoridades deverá se frustrar.

A defesa de Cachoeira definiu a estratégia no fim de semana: ou o empresário ficará calado ou ele não vai comparecer ao depoimento.

A alternativa a prevalecer depende da resposta do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido dos advogados para que a CPI dê a Cachoeira acesso ao material que tem contra ele, além de prazo para analisar os documentos.

Se o STF negar o pedido ou não decidir até amanhã, Cachoeira deve permanecer em silêncio no depoimento -ou falar muito pouco.

Se o Supremo aceitar o pedido, a defesa espera que seja dado um prazo para Cachoeira analisar os autos da CPI, o que adiaria o depoimento.

Para a defesa, ele não pode depor sem saber o conteúdo da investigação. “Precisamos acabar com essa situação kafkiana”, disse ontem o advogado de Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça no governo Lula.

No romance “O Processo”, de Franz Kafka, o personagem principal é investigado sem saber por qual motivo.

Se o depoimento de fato ocorrer, será a primeira oitiva pública à comissão. Até agora, só dois delegados da Polícia Federal falaram, mas em sessões secretas.

“Ele adotará a linha de não falar”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

Por ora, a CPI do Cachoeira em nada se assemelha à CPI dos Correios, que investigou o mensalão em 2005.

Naquela época, não havia investigação policial prévia nem extensos arquivos com intercepções telefônicas.

“É que, neste caso, as investigações já estavam avançadas”, completou o senador.

Na quinta, a CPI ouvirá dois procuradores da República que conduziram a Operação Monte Carlo, que levou Cachoeira à prisão.

Os integrantes da CPI querem, por exemplo, solicitar ao STF acesso ao sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), investigado pelo envolvimento com Carlinhos Cachoeira.

O Supremo já autorizou a abertura dos dados bancários do senador a pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Se não tiverem acesso por meio da corte, os membros da CPI pretendem votar requerimento para conseguir os documentos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Cachoeira deve ficar calado na CPI, afirma seu advogado – 14/05/2012.

PT e PSDB montam ‘bunkers’ e definem tática para o depoimento de Cachoeira

Eugênia Lopes

Em funcionamento há pouco mais de 15 dias, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira terá seu primeiro grande momento nesta semana, com o depoimento do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Mesmo diante da perspectiva de Cachoeira permanecer calado durante toda a audiência, conforme sinalizou seu advogado Márcio Thomas Bastos, os 64 titulares e suplentes da CPI estão se municiando de dados para tentar extrair o máximo de informações do empresário de jogos de azar. Animados com o depoimento do delegado Matheus Mella Rodrigues, delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Monte Carlo, os petistas pretendem apostar suas fichas no aprofundamento de detalhes da relação de Cachoeira com o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. A estratégia é tentar arrancar de Cachoeira provas que compliquem ainda mais a situação de Perillo.
A oposição, por sua vez, tentará focar o depoimento de Cachoeira em suas relações com a Delta Construções, campeã de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com contratos em quase todos os Estados. Os oposicionistas estão convencidos de que o contraventor era uma espécie de lobista da empreiteira não só na região Centro-Oeste, mas em todo o País.
Em depoimento à CPI na última quinta-feira, o delegado Rodrigues confirmou que Cachoeira teve participação na compra de uma casa do governador tucano. Foram usados três cheques de Leonardo Almeida Ramos, sobrinho do contraventor, que somavam R$ 1,4 milhão. Além disso, segundo as investigações da Polícia Federal, Cachoeira teria “cotas” de cargos no governo tucano, com o pagamento até de mesada de R$ 10 mil para secretários de Estado.
“Há uma impregnação muito forte dessa organização criminosa do Cachoeira no governo de Goiás”, observou o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). Os petistas esperam que, caso o contraventor resolva falar na CPI, Perillo fique ainda mais encrencado. O objetivo dos parlamentares do partido é aprovar requerimento da convocação do tucano.
O delegado Rodrigues confidenciou aos integrantes da CPI que o nome do governador do PSDB é citado 237 vezes em conversas entre integrantes do esquema de Cachoeira. Já o nome do governador petista Agnelo Queiroz aparece em 58 conversas. “O Perillo não tem muito como correr, como escapar de uma convocação”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE).
“A ação do PT é muito clara: querem pegar o Perillo”, apontou o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Para defender o governador, os tucanos alegam que a venda da casa não foi um negócio ilícito. “Se fosse, não seriam três cheques na conta do governador”, disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Beba na fonte: PT e PSDB montam ‘bunkers’ e definem tática para o depoimento de Cachoeira – Radar político – Estadao.com.br.

Post Navigation