Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the tag “Dilma”

Lula defende posição de Dilma em greve de servidores federais

Daiene Cardoso – Agência Estado

São Paulo, 15 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje a posição do governo da presidente Dilma Rousseff em relação à greve dos servidores federais. Na opinião de Lula, nem sempre é possível atender todas as reivindicações do funcionalismo público. “O governo tem de trabalhar com o dinheiro disponível. As pessoas, de vez em quando, precisam compreender que o governo não tem todo o dinheiro que a gente quando está fora pensa que tem. O dinheiro é limitado”, disse o ex-presidente, após participar de uma sessão de fotos com candidatos a prefeito do PT e de partidos aliados.

Epitácio Pessoa/AE

Lula deixa hotel em SP após ter posado para fotos com candidatos a prefeito do PT e coligados.
Lula reconheceu que a greve é um direito dos trabalhadores, mas lembrou que o governo federal também tem o direito de atender ou não as reivindicações. “O governo nem sempre pode atender aquilo que as pessoas querem”, disse.

Segundo Lula, Dilma está sensível às demandas da categoria. “A presidenta Dilma tem sensibilidade. Ela vive a angústia de não poder atender o que as pessoas precisam porque o dinheiro é curto”, comentou. O ex-presidente lembrou o episódio de 2004, quando não pode reajustar o salário mínimo. “Eu fiquei muito magoado, muito chateado comigo mesmo”, recordou.

Lula ressaltou ainda que além das limitações financeiras, Dilma também tem outras demandas a atender, como de investir em infraestrutura. “Penso que a Dilma tem vontade de atender as pessoas, mas ela tem limitações orçamentárias, ela tem outras coisas para fazer: ela tem investimento em infraestrutura, que é importante para melhorar a vida do povo”, destacou.

O ex-presidente afirmou que o governo federal está disposto a dialogar com os grevistas, mas ponderou que a prioridade da atual administração é com os mais pobres. “Ela (Dilma) quer ajudar as pessoas mais pobres, que não tem salário, e as pessoas precisam compreender isso”, disse. Lula ainda afirmou que Dilma está se esforçando para resolver essas questões e que ela “vai acertar aquilo que puder acertar”.

Lula também lembrou da crise financeira mundial. “As pessoas só precisam compreender que o mundo vive uma crise de grande repercussão, as coisas estão difíceis na Europa e nos Estados Unidos, e o Brasil, embora seja um País que sofre menos a crise, também está envolvido numa política globalizada”, considerou.

Beba na fonte: Lula defende posição de Dilma em greve de servidores federais – politica – politica – Estadão.

Dilma avisa PT que não fará campanha para Haddad na TV

BERNARDO MELLO FRANCO

A presidente Dilma Rousseff avisou a aliados do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, que não deve mesmo participar da sua propaganda de TV no primeiro turno.

Segundo dirigentes da campanha, ela afirmou que só apareceria no programa eleitoral caso houvesse uma polarização clara entre o petista e José Serra (PSDB).

Como as pesquisas mostram Haddad muito atrás de Celso Russomanno (PRB) e em empate técnico com Gabriel Chalita (PMDB), Dilma disse que sua entrada na disputa prejudicaria dois partidos que apoiam seu governo.

Pelas projeções dos petistas, Haddad começará a crescer com o horário gratuito, que vai ao ar no próximo dia 21, mas só terá fôlego para ultrapassar Russomanno a partir da metade de setembro.

Neste cenário, os dois candidatos disputarão uma vaga no segundo turno contra Serra até as vésperas da eleição.

A neutralidade da presidente foi cobrada pela cúpula do PRB, que se reuniu com ela depois de Russomanno se aproximar de Serra. Segundo o presidente do partido, Marcos Pereira, Dilma prometeu não gravar para Haddad.

Ontem o candidato do PT disse não ter conversado com a ex-chefe sobre o tema, mas afirmou que não tentará pressioná-la a rever sua decisão.

“Tenho que compreender a posição da presidente e me submeter aos seus desígnios. Compreendo perfeitamente a decisão que ela tomar e o grau de envolvimento que ela vai ter”, disse Haddad.

“Vamos começar as gravações com o [ex] presidente Lula. Os dois são igualmente populares, e o presidente está 100% disponível para a campanha”, acrescentou.

O publicitário João Santana planeja gravar as primeiras cenas com o ex-presidente nesta quarta-feira.

Estrategistas da campanha reconhecem que a presença de Dilma seria fundamental para impulsionar o candidato na classe média e no eleitorado mais conservador.

Em Belo Horizonte, o núcleo da campanha do petista Patrus Ananias diz que não criou expectativa sobre a participação de Dilma na TV.

Aliados de Patrus dizem que não vão criar constrangimento à presidente, que deve decidir por conta própria se vai atuar na campanha.

Se as pesquisas indicarem que sua participação é importante, caberá a João Santana tentar convencê-la a gravar.

ERUNDINA

Após carreata na zona leste de São Paulo, Haddad disse que não comentaria as novas críticas de sua ex-vice Luiza Erundina (PSB) à aliança com o rival Paulo Maluf (PP).

“A Erundina basicamente recolocou o mesmo argumento de um mês atrás. Rigorosamente, não há o que comentar”, disse. “Respeito a posição dela, e fico muito feliz de ela estar me apoiando.”

Ele afirmou que Maluf não participará de sua campanha de rua. “Ele nem tem interesse. Todo mundo sabe disso.”

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dilma avisa PT que não fará campanha para Haddad na TV – 06/08/2012.

Presidente diz que pedido ao PRB foi ‘brincadeira’

A presidente Dilma confirmou que, em uma reunião privada anteontem em Londres, fez uma recomendação ao presidente do PRB, Marcos Pereira, para não fazer acordo com a oposição nas eleições municipais.

Incomodada com o vazamento da conversa, ela tentou minimizar o episódio e disse que o diálogo foi em tom de brincadeira.

“Ele introduziu a questão dizendo que preferia fazer acordo com os partidos da minha base. Eu falei ‘ótimo, você não faça acordo com a oposição’, e ri para ele. Foi uma conversa absolutamente fora do contexto, era uma brincadeira”, disse ontem, em entrevista coletiva em Londres.

“Eu não faço nenhum pedido neste sentido, ele que faça o acordo com quem ele achar que deve”, afirmou. “Por que eu tenho que discutir quem faz aliança com quem?”

A recomendação de Dilma ao presidente do PRB ocorreu na visita dela aos estúdios da Rede Record no Parque Olímpico, em Londres.

Pereira confirmou o teor da conversa, conforme revelou reportagem da Folha de ontem. Ele disse ter entendido a mensagem. “Ela fazia alusão ao encontro com Serra. Para bom entendedor, uma palavra basta.”

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Presidente diz que pedido ao PRB foi ‘brincadeira’ – 28/07/2012.

Dilma age para barrar acordo Serra-Russomanno

CATIA SEABRA E LEANDRO COLON

A presidente Dilma Rousseff fez ontem uma recomendação ao presidente do PRB, bispo Marcos Pereira: “Por favor, não me faça aliança com partidos que não são da base do governo”.

O recado, relatado pelo próprio Pereira, ocorre seis dias após um jantar entre ele e o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra.

Coordenador da campanha de Celso Russomanno (PRB), empatado tecnicamente em primeiro lugar com o tucano, Pereira se reuniu com Serra para selar um pacto de convivência durante as eleições.

Pereira diz ter entendido a mensagem. “Ela fazia alusão ao encontro com Serra. Para bom entendedor, uma palavra basta.”

Foi Pereira quem abordou o tema durante visita da presidente aos estúdios da TV Record, em Londres, por conta da Olimpíada. Numa reunião reservada de Dilma com o dono da emissora, bispo Edir Macedo, e integrantes da cúpula da Record, Pereira perguntou a Dilma se ela participaria da campanha.

A presidente, segundo ele, afirmou que pedirá votos onde já há polarização oposição versus governo, mas que vai esperar o cenário se desenhar nas cidades onde a base tem mais de um candidato.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dilma age para barrar acordo Serra-Russomanno, diz aliado – 27/07/2012.

Dilma pede a Kassab que defina posição do PSD em BH

KELLY MATOS

A presidente Dilma Rousseff cobrou do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, uma definição sobre o apoio do PSD ao candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte.

Em encontro no Palácio do Planalto, anteontem, Dilma pediu informações sobre o impasse jurídico que suspendeu o apoio da legenda à chapa do petista Patrus Ananias.

Na segunda-feira, uma decisão da Justiça Eleitoral em Belo Horizonte suspendeu a intervenção no PSD da capital mineira, que havia sido determinada por Kassab, presidente nacional da sigla.

A decisão manteve, em caráter provisório, o PSB aliado ao prefeito Márcio Lacerda, que tenta a reeleição.

Diante do impasse jurídico, Dilma quis saber de Kassab qual será a estratégia a ser utilizada pelo partido e quanto tempo ele levará para reverter a situação. Segundo a Folha apurou, Kassab disse a Dilma que o cenário está difícil, mas prometeu recorrer “até onde puder”.

A principal preocupação de Dilma e do PT, neste momento, é com o tempo de propaganda eleitoral que o PSD poderá agregar à candidatura de Patrus. A questão será decidida pela Justiça.

Se a Justiça determinar que o PSD fique com Lacerda, a campanha do prefeito terá pouco mais de 14 minutos diários de tempo de TV, e a de Patrus, cerca de oito. Caso contrário, a diferença entre elas cairá para dois minutos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dilma pede a Kassab que defina posição do PSD em BH – 21/07/2012.

Dilma é alvo de protesto no Rio, e segurança abafa manifestantes

A presidente Dilma Rousseff foi alvo, pelo segundo dia consecutivo, de protestos de estudantes e professores de universidades federais, em greve há mais de um mês.

Seguranças da Presidência empurraram manifestantes e rasgaram um cartaz.

No primeiro dia de campanha eleitoral, Dilma acompanhou o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, em dois eventos.

No primeiro deles, a entrega de 460 unidades do Minha Casa, Minha Vida, na zona norte, cerca de 20 estudantes protestaram durante o discurso da presidente. Pediam a aprovação de projeto que destina 10% do PIB para a educação.

Por duas vezes, Dilma teve que parar. Na segunda, disse ao prefeito: “Meu querido, não vou brigar com eles”.

Nesse momento, Paes -que não falou durante o evento- levantou-se e batendo palmas, puxou o coro “olê, olá, Dilma” para abafar os manifestantes.

Ela foi, depois, inaugurar ala do hospital municipal Miguel Couto, na zona sul. Encontrou cerca de 50 professores federais, contidos sem confusão.

Paes contrariou recomendação do Ministério Público para que não participasse de eventos. Aproveitou brecha na legislação que autorizou, neste ano, a presença de candidatos em inaugurações no primeiro dia de campanha. Ele teve aval do Tribunal Regional Eleitoral.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dilma é alvo de protesto no Rio, e segurança abafa manifestantes – 07/07/2012.

Dilma e Lula inauguram obra com Marinho na véspera de proibição

No último dia permitido pela lei eleitoral, a presidente Dilma Rousseff voou de Brasília a São Paulo para inaugurar obra com o prefeito de São Bernardo do Campo (PT), Luiz Marinho, que disputará a reeleição em outubro.

Também foram ao ato o ex-presidente Lula e os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Miriam Belchior (Planejamento). Eles inauguraram a oitava UPA (Unidade de Pronto Atendimento) construída no município com recursos federais.

Em clima de campanha, Marinho criticou antecessores e adaptou bordão de Lula para defender a continuidade da sua gestão. “Como nunca antes nesta cidade, estamos fazendo investimento público em habitação, saúde e educação.”

Dilma fez coro, disse que São Bernardo “não tinha um atendimento hospitalar, como mostrou o nosso prefeito” e prometeu voltar em novembro para inaugurar um hospital.

Ela enfrentou protesto de cerca de 30 servidores de universidades federais do Estado que estão em greve.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Presidente e Lula inauguram obra com Marinho na véspera de proibição – 06/07/2012.

Dilma foi vigiada pelo governo até meados dos anos 90

Nos anos 1990, na vigência da democracia e com presidente eleito por voto direto, os órgãos de informação do governo continuaram monitorando pessoas, partidos e movimentos sociais, entre outros alvos. Funcionária da Prefeitura de Porto Alegre e depois do governo do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff não escapou. Seu nome aparece em alguns registros produzidos pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
Em abril de 1991, no governo Fernando Collor de Melo, o nome de Dilma aparece num relatório de inteligência ainda associada a sua atividade na oposição ao regime militar e com citação das organizações de esquerda das quais fez parte: o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).
Nessa lista, apareciam outros antigos militantes que, como ela, estavam sendo contratados para trabalhar no governo do Rio Grande do Sul. O informe do regime militar era intitulado “Nomeações para órgãos do poder público no RS”. O nome de Dilma estava na relação e aparece assim: “o DOE (Diário Oficial do Estado) em março de 91 divulgou as nomeações dos funcionários da administração estadual abaixo relacionados. Os referidos nomes possuem registros ideológicos”. Entre 1991 e 1993, Dilma presidiu a Fundação de Economia e Estatística, no governo Alceu Collares (PDT).
Também em abril de 91, o nome de Dilma surge em outro informe dos arapongas. O documento tratava da eleição da nova direção do diretório estadual do PDT, já que vários integrantes da direção partidária assumiram cargos no governo Collares. Dilma, que à época era filiada a essa legenda, foi uma delas. “A eleição da nova Executiva foi decorrente da prorrogação do atual diretório regional e da desincompatibilização de alguns membros da direção que estão exercendo funções no governo estadual”.
Em fevereiro de 1992, Dilma está citada no informe “movimento sindical no Rio Grande do Sul”. Eram abordados debates que tratavam de política recessiva, déficit público, perfil dos desempregados, críticas à política salarial, movimentos contra privatização e valor das ações trabalhistas contra estatais. Também em 1994, no governo de Itamar Franco, a SAE cita Dilma num relato sobre instalação da hidrelétrica de Jacuí.
Os arapongas do governo Collor acompanhavam as ações de outros opositores, em especial do PT. O anunciado Governo Paralelo, criado por Lula, em 90, após a derrota para Collor, foi citado em centenas de informes. São registros de atividades, como a divulgação de seu plano de reforma agrária, posição sobre a reforma administrativa de Collor. E também a agenda e atividade de Lula eram monitoradas.
O Instituto Cajamar, vinculado ao PT, aparece nos relatórios como promotor do “turismo político em Cuba”. Se refere a pacotes de viagens para aquele país, com duração de duas semanas, que inclui na programação visita a escolas de formação política cubanas e sede do partido.

Beba na fonte: Dilma foi vigiada pelo governo até meados dos anos 90 – O Globo.

Dilma foi monitorada pelo SNI durante governo Sarney

RUBENS VALENTE
Documentos abertos agora ao público mostram que a presidente Dilma Rousseff foi monitorada não apenas durante a ditadura militar (1964-85), quando foi presa e torturada, mas em todo o governo de José Sarney (1985-90), hoje presidente do Senado.

Os papéis integram o chamado “Acervo da Ditadura”, do Arquivo Nacional, um conjunto de mais de oito milhões de páginas produzidas pelos órgãos de inteligência da ditadura e do governo Sarney sobre a vida de aproximadamente 308 mil pessoas, sindicatos e partidos.

Em pesquisa na base de dados do acervo, a Folha identificou um total de 181 documentos com referências a Dilma, que começam em 1968, quando ainda era estudante universitária, e se estendem ao final dos anos 80.

Dezessete dos papéis foram produzidos durante o governo Sarney pelo SNI (Serviço Nacional de Informações).

Na fase pós-ditadura, o SNI apontava Dilma como parte de uma “infiltração comunista” em órgãos da prefeitura e do governo do Rio Grande do Sul, chamando a atenção para a sua passagem pelos grupos da esquerda armada VAR-Palmares e Colina.

Os relatórios registram a atuação de Dilma no movimento feminista que, segundo o SNI, buscava “a conscientização das massas, pretendida por facções esquerdistas que almejam o poder”.

O SNI também monitorou uma viagem de Dilma ao México e acompanhou comício que Dilma e Lula participaram contra a ampliação do mandato presidencial de Sarney, em 1988.

Ao integrar o secretariado de Alceu Collares (PDT) na Prefeitura de Porto Alegre, em 86, Dilma foi alvo de outro relatório. O SNI disse que a prefeitura tinha “infiltração” de pessoas “com registros de atividades subversivas”.

Relatórios do SNI da década de 70 sobre Dilma dizem respeito a uma suposta ligação com a JCR (Junta de Coordenação Revolucionária), grupo de esquerda armada. Dois relatórios dizem que ela se reuniu com membros da JCR. Um terceiro relatório de 79, porém, agora revelado, diz não ter encontrado comprovação dessa alegação.

Em 2011, Dilma negou ter mantido reuniões com membros da JCR ou mesmo conhecer a organização. Procurado ontem, o Planalto disse que não vai se manifestar.

A assessoria de Sarney disse que, em seu mandato na Presidência, ele havia ordenado ao SNI que não realizasse “levantamentos sobre a vida privada” de “nenhum brasileiro”. Disse ainda que não era informado sobre objetivos e resultados do SNI.

O acervo agora tornado público integra os chamados “dossiês pessoais” e só podia ser consultado por terceiros após autorização da pessoa.

Com a Lei de Acesso à Informação, o Arquivo deu prazo para as pessoas pedirem bloqueio aos seus dossiês. Ninguém, incluindo Dilma, se manifestou, o que tornou a liberação automática.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dilma foi monitorada pelo SNI durante governo Sarney – 21/06/2012.

Os dois PTs

Publicado na Revista Época

Como o julgamento do mensalão, as acusações contra a Delta na CPI do Cachoeira e as eleições municipais dividiram o partido entre a turma de Lula e a turma de Dilma

ALBERTO BOMBIG

Uma linha divide a estrela do PT. Seu nome: mensalão. De um lado, estão os acusados no maior escândalo de corrupção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, como José Dirceu e José Genoino. De outro, os integrantes do governo de Dilma Rousseff, que querem distância da banda enrolada do partido. Alguns membros do Partido dos Trabalhadores já levantam a tese dos “dois PTs”. O PT de Lula e o PT de Dilma. O primeiro lado é o defendido pelo ex-presidente, que, no afã de proteger seu legado, operou nos bastidores para adiar o julgamento do mensalão. Agora que foi marcado, ele tenta minimizar os prejuízos dos “réus companheiros”. Na outra ponta, a presidente Dilma e seu governo sabem que só têm a perder com o envolvimento com o “outro lado”. O PT de Lula, afinal, é o passado. O de Dilma é o futuro.

O PT de Dilma... (Foto: Ruy Baron/Valor/Folhapress, Ueslei Marcelino/Reuters e Valterci Santos/Ag. Gazeta do Povo)

Há outros sinais da divisão no PT. A atitude da senadora Marta Suplicy na campanha eleitoral deste ano em São Paulo expôs as fragilidades do centralismo nas decisões petistas. Preterida em favor de Fernando Haddad, Marta decidiu enfrentar Lula. Assim, deixava claro a Dilma com qual dos dois PTs pretende ficar. Outro indício foi o desconforto de Lula com a atitude do governo federal, que deixou que a CPI do Cachoeira – incentivada por Lula contra os interesses da presidente da República – quebrasse os sigilos da empreiteira Delta. O PT, com isso, quase perdeu o controle da comissão. O cochilo, segundo ÉPOCA apurou, embute a estratégia de uma ala do governo: jogar aos leões a empreiteira líder em obras e negócios no Programa de Aceleração do Crescimento. Lula quase saiu do sério. Ele não chegou a reclamar diretamente com Dilma, mas externou seu desconforto a auxiliares e parlamentares de sua confiança. “A relação entre Lula e Dilma não chegou a azedar, mas deu uma esfriada”, afirmou um deles a ÉPOCA.

Os que acreditam na tese do partido rachado dizem que a linha divisória entre os dois PTs ficará mais clara a partir de agosto, quando o Supremo Tribunal Federal começar a julgar o mensalão. Ao contrário de Lula, Dilma planeja se manter afastada do processo e cogita participar de campanhas de candidatos petistas a prefeito somente no segundo turno, após o fim do julgamento. A tese petista sobre o mensalão sustenta que o esquema envolvia apenas sobras de campanha de 2002 e liga o escândalo a disputas eleitorais. Dilma teme associar sua imagem às disputas e não quer nem ouvir falar em palanque.

... e o PT de Lula (Foto: Eraldo Peres/AP, Alan Marques/Folhapress (2), Antonio Gauderio/Folhapress e Marques/Folhapress )

Em privado, petistas com cargo na gestão Dilma já admitem um resultado desfavorável aos eminentes réus do partido no julgamento: o ex-ministro José Dirceu, o deputado João Paulo Cunha (SP), o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente do PT e ex-deputado José Genoino (SP). A eventual condenação de todos eles poderá significar, ao menos em termos simbólicos, a reprovação do governo Lula no campo da ética. Essa possibilidade tem levado Lula a se alinhar com os réus numa campanha por sua absolvição.

Já em 2005, no auge do escândalo, o então líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, chegou a propor uma “refundação” do partido. Sete anos depois, a chance parece ter ressurgido na esteira da popularidade de Dilma. Hoje ministro da Educação, Mercadante passou décadas ao lado de Lula, como um de seus gurus para a economia. Agora é só elogios à presidente.

De volta a São Bernardo do Campo, seu berço político na Grande São Paulo, e mesmo em tratamento contra um câncer na laringe, Lula aceitou se ocupar da política partidária miúda. Dilma e seus auxiliares petistas ficaram ainda mais distantes da atividade, que a presidente diz detestar. “Lula voltou à articulação política numa situação nova. Antes, usava uma pressão indireta sobre as escolhas partidárias. E ganhava na maioria das vezes. Agora, usa o intervencionismo direto”, diz o cientista político Lincoln Secco, da Universidade de São Paulo e autor do livro História do PT. “Isso revela duas coisas: ele tem um poder muito maior no PT, mas isso tem custos políticos que nem sempre pode controlar. Vide o caso paulistano: ele impôs o candidato, Haddad, e acabou com as prévias. Mas há um setor do partido que simplesmente não entrou na campanha até agora.”Com Lula à frente das negociações, o PT de Dilma sentiu-se desobrigado de negociar eleitoralmente com os líderes petistas e dos partidos aliados. O movimento é bom para Dilma, uma ex-pedetista que só adotou o PT em 2000. Assim, ela se afasta ainda mais da turma do mensalão. Ao lado dela, instruídos a não perder tempo com conversas políticas, atuam, além de Mercadante, os ministros petistas Gleisi Hoffmann (Casa Civil), José Eduardo Martins Cardozo (Justiça), Guido Mantega (Fazenda), Giles Azevedo (chefia de gabinete), Fernando Pimentel (Desenvolvimento Econômico), Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Comunicações).

Em sentido oposto, Lula manobrou para vetar a indicação do prefeito do Recife, João da Costa, à reeleição. Também costurou alianças com antigos aliados de partidos “faxinados” por Dilma após algum escândalo, como o PCdoB e o PP de Paulo Maluf. “A relação mudou. Em primeiro lugar, Dilma tem sido muito mais dura com auxiliares acusados de desvios éticos. Em segundo, embora seja do PT, ela não tem história na sigla. Nunca havia sido candidata a nada. A relação do partido com ela é mais fria”, diz Secco.

Por enquanto, ninguém aposta num confronto aberto entre Lula e Dilma, ungida por ele para assumir o comando do país. Mas os choques recentes são reais e cada vez mais frequentes. A presidente era contra a criação da CPI do Cachoeira, instalada para investigar o bicheiro Carlos Augusto Ramos. Estava disposta a atuar contra a CPI, mas perdeu a disputa com o antecessor. Deu o troco ao vetar a indicação de Cândido Vaccarezza (PT-SP), fiel escudeiro de Lula, para a relatoria.

O deputado Vaccarezza acabaria flagrado ao celular enviando uma mensagem ao governador do Rio de Janeiro, o peemedebista Sérgio Cabral. Prometia blindagem absoluta a Cabral nas investigações. Vaccarezza queria o apoio do PMDB para acuar a imprensa com a comissão. Não conseguiu e deixou os governistas fragilizados. Poucos dias depois, em 30 de maio, a CPI quebrou o sigilo da empreiteira Delta (braço operacional do esquema de Cachoeira) em âmbito nacional durante toda a era Lula (2003-2010). Lula queria a Delta longe do foco da CPI que ele mesmo ajudou a criar. Mas o feitiço do feiticeiro ameaça ter vida própria. Na quinta-feira passada, governistas comandados pelo líder Jilmar Tatto (PT-SP) conseguiram uma vitória e postergaram a convocação de Fernando Cavendish, ex-homem forte da Delta. Mesmo assim, a CPI examinará as contas da Delta e poderá convocá-lo no futuro.

O deputado federal André Vargas (PT-PR) nega haver tempo ruim com o Planalto. “Nas relações com o Congresso e o PT, Dilma é diferente de Lula. Mas ela encampa os símbolos do partido e da gestão do ex-presidente. Os estilos são diferentes, e temos de entender isso”, diz Vargas. Verdade, mas algo mais os difere. Lula é pressionado pelo tempo, algo que Dilma, na primeira metade de seu primeiro mandato, tem de sobra. No discreto embate da presidente contra o lulismo, o tempo está de seu lado.

Lula diz que relação com Dilma é como ‘relógio suíço’

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que sua relação com a presidente Dilma Rousseff continua harmoniosa.

Questionado se havia “acertado os ponteiros” com a presidente durante almoço ontem em Brasília, ele afirmou: “Nosso relógio é suíço. Jamais ele vai ter de atrasar ou adiantar. Nunca temos de acertar os ponteiros”.

A declaração foi dada no início da noite de ontem, quando ele chegou para participar da sessão de pré-estreia do documentário “Pela Primeira Vez”, dirigido pelo ex-fotógrafo oficial do petista Ricardo Stuckert (leia crítica ao lado).

O documentário, no qual o ex-presidente aparece, descreve a chegada de Dilma à Presidência da República.

Lula e Dilma tiveram posicionamentos diferentes sobre a CPI do Cachoeira, que investiga relações do empresário de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira com políticos.

Enquanto ele queria que a comissão fizesse uma investigação ampla, Dilma, preocupada com eventuais consequências à sua gestão, tenta manter a CPI sob controle.

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, cujas relações com Cachoeira devem ser investigadas pelo Superior Tribunal de Justiça, também foi à sessão. Réu no caso do mensalão, o ex-ministro José Dirceu também compareceu.

Na saída, Lula disse que Dilma pode fazer “mais e melhor” do que seu governo.

via Folha de S.Paulo – Poder – Lula diz que relação com Dilma é como ‘relógio suíço’ – 26/04/2012.

“Volta Lula” ou “fica Dilma”

ELIANE CANTANHÊDE

O Datafolha brindou Dilma com duas excelentes notícias: sua popularidade bate recordes, mas o eleitor quer Lula em 2014.

O motivo de comemoração pela aprovação de 64% é óbvio: nunca antes na história do Datafolha um presidente chegou a tanto nessa mesma fase de governo.

Já a festa porque a maioria (57%) prefere Lula em 2014 a ela (32%) não tem nada de óbvia, mas talvez seja até mais importante: além de governar, de ser obrigada a demitir uma penca de ministros herdados e de ter de conviver com uma CPI, Dilma tem que administrar um dado político fundamental -o ego do padrinho.

A pesquisa ajuda a acalmar a ansiedade e a espantar os fantasmas de Lula, que, nas conversas com aliados, não para de reclamar da imprensa, da oposição e da “elite”. Quanto mais Dilma acerta e cresce, mais ele alimenta a paranoia de que tentam “desconstruir a sua imagem”.

Lula está absolutamente convencido de que foi o melhor presidente da história da humanidade, mas os adversários (entre os quais inclui a imprensa) não reconhecem. Insistem em dizer que o mensalão existiu, que ele impôs ministros que Dilma teve de defenestrar e que seu governo foi marcado por uma alegre convivência com fichas-sujas e oligarcas.

Ele não suporta ver a sua criatura se tornando mais admirada do que o criador. Sente-se injustiçado, senão perseguido, e reage com mágoa e rancor. Seu apoio à CPI é resultado desse sentimento: “doa a quem doer”, ou seja, “doa ou não em Dilma”.

O Datafolha é um bálsamo para as dores de Lula, que agora pode vangloriar-se pela escolha de Dilma como sucessora e continuar sentindo-se o “mais”, o “melhor”, o “mais amado”, o “candidato dos sonhos”.

Bálsamo para Lula, alívio para Dilma, que é cheia de dedos com Lula, ouvindo-o, reverenciando-o, mantendo-o no pedestal.

O resto é questão de tempo: até 2014, o “volta Lula” deve lentamente deslizar para o “fica Dilma”.

via Folha de S.Paulo – Opinião – “Volta Lula” ou “fica Dilma” – 24/04/2012.

Após embate sobre salário, Dilma faz agrado a centrais

Para melhorar a relação com centrais sindicais após o embate sobre o valor do salário mínimo, a presidente Dilma Rousseff regulamenta hoje lei que dá assento aos trabalhadores nos conselhos de administração de empresas controladas pela União.

Dilma atenderá demanda apresentada pelas centrais em 2008 ao ex-presidente Lula. O afago será feito após reunião com as seis maiores centrais hoje, no Planalto.

Dilma discutiu os detalhes da encontro ontem com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral). Em São Paulo, os dirigentes das seis entidades também se reuniram para aparar arestas internas e definir uma pauta coletiva, sem prejuízo de reivindicações “individuais”.

As centrais pedirão coletivamente a revisão da tabela do Imposto de Renda, uma política de reajuste para os aposentados que recebem mais de um salário mínimo, o fim do fator previdenciário e a regulamentação de trabalhadores terceirizados.

Inicialmente, a regulamentação da vaga nos conselhos de estatais -que foi sancionada por Lula e publicada em dezembro do ano passado no “Diário Oficial”- será o único aceno que as centrais receberão da presidente.

O governo decidiu que a correção da tabela do IR ficará em 4,5%, não nos 6,46% que pedem as centrais. Dilma pretende ainda iniciar as discussões sobre a desoneração da folha de pagamentos.

O encontro com a presidente acontecerá num momento em que a relação das centrais está fragilizada.

O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), por exemplo, criticou o deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, dizendo que ele estava às vésperas de se jogar nos braços da oposição.

via Folha de S.Paulo – Após embate sobre salário, Dilma faz agrado a centrais – 11/03/2011.

Prioridade de Dilma terá menor verba desde 2004

O dinheiro reservado pelo governo ao programa considerado a “porta de saída” do Bolsa Família no Ministério do Desenvolvimento Social terá, este ano, o menor peso no Orçamento desde a criação do principal plano de transferência de renda do governo, em 2004.

A chamada “porta de saída” é formada por programas complementares que permitam aos beneficiados ao Bolsa Família aumentar a renda e, dessa forma, deixar de depender da ajuda do governo.

A Promoção da Inclusão Produtiva, que financia projetos de geração de renda e cursos de qualificação para quem recebe benefícios sociais do governo, terá um orçamento de R$ 37,3 milhões -0,24% do previsto para os pagamentos do Bolsa Família (R$ 15,5 bilhões).

A proporção é a menor já registrada desde a criação do Bolsa Família, segundo levantamento feito pela Folha em orçamentos anteriores. No ano passado, por exemplo, esse percentual representava o dobro -0,49%.

Ao longo da campanha, a presidente Dilma Rousseff mesclava a exaltação do sucesso do Bolsa Família com um discurso em defesa da criação de “portas de saída” para o programa.

A inclusão produtiva será um dos eixos centrais do programa para erradicação da miséria, o “PAC da Miséria”, considerado por Dilma a maior bandeira do mandato.

Na última terça-feira, ela anunciou o maior reajuste já concedido ao valor dos benefícios. O aumento fez o governo reforçar em R$ 2,1 bilhões o programa.

INCLUSÃO PRODUTIVA

Em números absolutos, o valor previsto para a “porta de saída” do programa também é o menor desde 2007. No ano passado, apesar de a execução ter ficado em 34,3%, o governo disponibilizou R$ 68,8 milhões.

Além de recursos reduzidos, o programa de inclusão produtiva tocado pelo ministério atingiu, até agora, apenas 0,5% das famílias que recebem o Bolsa Família.

Segundo dados do balanço final do governo Lula, divulgado em dezembro, 63,5 mil famílias haviam sido atendidas pela Promoção da Inclusão Produtiva, em 250 municípios. Hoje, 12,7 milhões de famílias estão inscritas no Bolsa Família.

A redução da verba destinada à inclusão produtiva no Orçamento deste ano, segundo o ministério, é motivada pelo corte em emendas parlamentares e ao remanejamento de outros 10% do programa, para viabilizar o aumento nos valores pagos pelo governo. O dinheiro para o programa, porém, já estava previsto desde 2010.

Ainda de acordo com a pasta, outros programas, como a Aquisição de Alimentos para a Agricultura Familiar e a Construção de Cisternas, também promovem a inclusão produtiva.

via Folha de S.Paulo – Prioridade de Dilma terá menor verba desde 2004 – 04/03/2011.

Dilma e a ‘herança maldita’ de Lula

Milhares de famílias vão ter que adiar a materialização do sonho de ter uma casa própria este ano. As obras da Copa do Mundo e das Olimpíiadas do Rio de Janeiro vão atrasar ainda mais.

Não se sabe em que medida os cortes no orçamento vão afetar a máquina administrativa. E é provável que todos tenhamos que pagar de novo a famigerada e odiada CPMF .

Os aluguéis estão sendo reajustados em quase 12%. Uma pancada no bolso de todo trabalhador, que não tem mais o benefício dos indexadores automáticos de outrora. E o preço da comida, a de casa e a dos restaurantes, está pela hora da morte. E as tarifas de ônibus continuam sendo majoradas em todos os cantos porque os prefeitos e governadores precisam quitar dívidas de campanha.

Concurseiros que há anos vêm se preparando para disputar uma vaga na administração vão ter que esperar. Os que já foram aprovados, igualmente vão ter que redobrar a paciência para aguardar a convocação.

O Banco Central vai dar uma pancada nos juros que a presidente prometeu reduzir. O preço do dinheiro via ficar ainda mais caro no país em que o Estado já se arvora em usurário– o maior usurário do planeta.

As despesas públicas batem recorde. O inchaço da máquina estatal amarra o desenvolvimento como um torniquete. E nunca se pagaram tantos tributos no Brasil como agora.

A saúde e a educação continuam caóticas. A dengue segue se alastrando. Seu principal vetor ameaça agora os aglomerados urbanos do interior do País. Quem depende do SUS tem que se valer de mandados de segurança para conseguir tratamento.

Fossem Dilma e Lula adversários no campo politico, ela já estaria, neste momento, trombeteando que a irresponsabilidade fiscal do governo passado atuou como uma chaga sobre a administração. Chamaria o legado de “herança maldita”, tal como Lula fez com Fernando Henrique ao assumir a presidência.

Só o fez porque era uma das peças centrais do governo de Lula. E porque boa parte desse descontrole se deve à determinação do ex-presidente de fazê-la sua sucessora. O legado que Dilma administra, portanto, não lhe é estranho. Parte da maldição desse espólio foi engendrado por ela própria, que agora se vê obrigada a pagar a conta.

Vai custar caro. Até para ela. Quando a marketagem reapresentar Lula ao eleitorado no próximo pleito, ele será lembrado como o fanfarrão do discurso fácil, das parábolas corinthianas e dos tempos de abastança. Ela, como a tencocrata insensível que só fez ligar para os balanços da contabilidade.

Secretamente, enquanto delira à espera da volta ao Poder, Lula talvez goste disso tudo. Pode não ser bom para o Brasil nem para a atual presidente. Mas ruim, para ele, não é.

Dilma sanciona lei que estabelece piso nacional em R$ 545

A presidente Dilma Rousseff sancionou ontem a lei que fixa o valor do salário mínimo em R$ 545.

A publicação constará no “Diário Oficial” de segunda-feira, segundo a Casa Civil.

O valor passará a valer a partir de 1º de março.

A lei estabelece a política de reajustes do mínimo até 2015. A sanção foi sem vetos.

O Congresso encerrou a segunda parte da apreciação do texto na quarta, quando o Senado aprovou o valor desejado pelo Planalto.

A oposição prometeu apelar ao STF para derrubar o que chama de “manobra” do governo para evitar que a cada ano a proposta de reajuste seja apreciada pelo Congresso.

via Folha de S.Paulo – Salário 1: Dilma sanciona lei que estabelece piso nacional em R$ 545 – 26/02/2011.

Serra critica “falso rigor fiscal”, enquanto Alckmin elogia Dilma

Os dois maiores nomes do PSDB em São Paulo avaliam de forma diversa o desempenho de Dilma Rousseff na Presidência. Enquanto o ex-governador José Serra criticou o “falso rigor fiscal” da administração federal, seu sucessor, Geraldo Alckmin, elogiou o “preparo” da presidente à frente do Planalto.

“Ela sabe tudo, tem os números na ponta da língua. É muito preparada”, disse o Alckmin ontem, após a primeira reunião de trabalho com a presidente.

Os dois se reuniram por mais de uma hora no escritório da Presidência em São Paulo e falaram sobre os preparativos para a Copa.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o ministro do Esporte, Orlando Silva, também participaram do encontro.

Já Serra, derrotado por Dilma na eleição presidencial, criticou ontem, em entrevista à rádio Jovem Pan, o “falso rigor fiscal” do governo federal, que anunciou um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano.

“Quero ver isso acontecer de verdade. Disseram que vão cortar emendas de parlamentares, precisa ver quais emendas. A maior parte é espuma, para dizer que tem um governo austero”, disse.

O tucano também falou sobre o salário mínimo. Para Serra, que durante a eleição defendeu o valor de R$ 600, a decisão do governo de estabelecer o reajuste para R$ 545 foi política, e não econômica.

“Quando propus R$ 600, examinei os números. O voto contra o mínimo maior acaba sendo especialmente contra os pobres do Nordeste.”

Serra também criticou o dispositivo que permite o reajuste do salário mínimo por decreto presidencial.

via Folha de S.Paulo – Serra critica “falso rigor fiscal”, enquanto Alckmin elogia Dilma – 26/02/2011.

Despesas miúdas serão alvo preferencial de corte

Apenas 15 ações de governo, entre as milhares existentes no Orçamento da União, concentram três quartos das verbas que movimentam o fisiologismo das relações com o Congresso e serão alvos preferenciais do corte de gastos a ser anunciado até amanhã pela presidente Dilma.
Quando o projeto de Orçamento começou a ser examinado pelos deputados e senadores, em agosto do ano passado, esse grupo de atividades contava com R$ 1,2 bilhão previsto. Encerradas as votações, em dezembro, eram R$ 11,8 bilhões.
Os programas envolvidos estão longe das prioridades administrativas federais. Trata-se, na maioria dos casos, de obras, compras e outras despesas miúdas, típicas de prefeituras, como recuperação de vias e construção de quadras esportivas.
Quase imperceptíveis para a macroeconomia, tais ações são estratégicas para a micropolítica que rege as relações entre o Palácio do Planalto e sua heterogênea base aliada de 17 diferentes partidos no Legislativo.
Elas dominam as despesas que cada congressista tem o direito de incluir na lei orçamentária, conhecidas no jargão técnico por emendas parlamentares individuais e principal instrumento de barganha no varejo do Congresso para a sustentação da agenda governista.
Enquanto as cúpulas partidárias reivindicam cargos em ministérios e empresas estatais, parlamentares negociam caso a caso a liberação do dinheiro -que, pela legislação, só acontece quando e se o Executivo decidir.

via Folha de S.Paulo – Despesas miúdas serão alvo preferencial de corte – 21/02/2011.

Dilma usa 2º escalão para aprovar R$ 545

A um dia da votação do projeto do novo salário mínimo na Câmara, o governo escalou ministros para pressionar suas bancadas a aprovar os R$ 545. Paralelamente, manteve as negociações com as legendas para preencher cargos do segundo escalão.

Hoje, por exemplo, há previsão de reunião entre Antonio Palocci (Casa Civil) e a cúpula do PSB para discutir os pleitos da legenda para os cargos federais fora dos dois ministérios que controla: Integração Nacional e Portos.

O vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, disse ontem após reunião da bancada de 38 deputados federais, que “todos os parlamentares do PSB votarão com a proposta do governo”.

Ontem também o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, participaram de reuniões com os principais partidos. Guido Mantega (Fazenda) falou em comissão geral sobre o assunto. Já Palocci ligou para diversos deputados.

A própria presidente Dilma Rousseff entrou na mobilização, chamando o ministro Carlos Lupi (Trabalho) para uma conversa pouco antes de reunião da bancada federal do PDT, do qual Lupi é presidente licenciado.

O partido é o único foco declarado de resistência entre os aliados do governo. E as afirmações após o encontro foram praticamente unânimes a favor dos R$ 560.

via Folha de S.Paulo – Dilma usa 2º escalão para aprovar R$ 545 – 16/02/2011.

Dilma e Obama vão assinar acordo para destravar comércio

A presidente Dilma Rousseff e o presidente Barack Obama devem assinar um tratado de cooperação econômica e comercial (Teca, na sigla em inglês) durante a visita do líder americano ao Brasil, em 19 e 20 de março.

O Itamaraty e o Escritório de Comércio dos Estados Unidos, o USTr, estão finalizando os detalhes do acordo, nos moldes de tratados fechados pelo Brasil com a Suíça e pelos EUA com o Uruguai. Segundo uma fonte do governo brasileiro, o acordo já está nas mãos dos advogados, para os acertos finais.

O acordo deve ser um dos principais anúncios da visita de Obama, ao lado de um tratado de previdência, semelhante ao assinado com o Japão. O tratado cria um mecanismo bilateral, em nível ministerial, para que as barreiras ao comércio e aos investimentos nos dois países sejam discutidas e resolvidas.

Alguns dos principais entraves econômicos que podem ser abordados pelo tratado são barreiras sanitárias a produtos como carnes e frutas brasileiras, simplificação de processos alfandegários e normas técnicas.

Mas o acordo não prevê redução de tarifas de importação. “O Teca é um acordo que fica muito aquém de uma liberalização comercial”, diz José Augusto Coelho Fernandes, diretor-executivo da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

“Mas pode organizar determinadas formas de cooperação econômica e ajudar na monitoração de temas importantes”, pondera.

O tratado começou a ser negociado em 2009, mas as conversações ficaram em banho-maria no ano passado, em meio às fricções causadas pelo acordo militar EUA-Colômbia, a crise de Honduras e a questão do Irã.

A assinatura do acordo, apesar de não ter efeitos imediatos de abertura comercial, é vista como reaproximação e restabelecimento de confiança entre os paí

via Folha de S.Paulo – Dilma e Obama vão assinar acordo para destravar comércio – 16/02/2011.

Envolvido em violação de sigilo vira assessor de Dilma

O Planalto nomeou Jeter Ribeiro de Souza, envolvido na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, para assessorar a presidente Dilma Rousseff.

Ex-gerente da Caixa Econômica Federal, ele acessou e imprimiu uma cópia do extrato do caseiro a pedido do então presidente do banco, Jorge Mattoso, que responde a ação penal pelo caso.

O escândalo derrubou o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em março de 2006. O petista foi reabilitado por Dilma e hoje é chefe da Casa Civil da Presidência.

Souza foi convocado a depor na Polícia Federal, mas não chegou a ser indiciado na investigação no STF (Supremo Tribunal Federal).

Ele afirmou à Folha que Palocci não teve influência em sua indicação e disse ter vivido situação “desagradável” pelo envolvimento no caso (leia texto abaixo).

via Folha de S.Paulo – Envolvido em violação de sigilo vira assessor de Dilma – 15/02/2011.

Salto improvável de receita é aposta de Dilma para ajuste

Gustavo Patu

Mesmo que o corte recorde de gastos anunciado anteontem seja efetuado, o ajuste fiscal prometido pela presidente Dilma Rousseff só será viabilizado se o crescimento da arrecadação de impostos neste ano confirmar as projeções otimistas em que as contas do governo se baseiam.

De acordo com os números apresentados pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, o superavit primário -parcela poupada para o abatimento da dívida pública- a ser buscado neste ano depende de uma receita equivalente a 19,8% do PIB (Produto Interno Bruto).

Trata-se de um salto brusco em relação ao que se observou no passado recente. De 2007 a 2010, a receita da União ficou estável, oscilando entre 19,2% e 19,3% do PIB, sem contar as manobras contábeis que inflaram o caixa do Tesouro Nacional.

Em dinheiro, a diferença entre a previsão posta no papel pela área econômica e os resultados que vêm sendo efetivamente obtidos passa dos R$ 20 bilhões, o equivalente a um quarto da meta de superavit divulgada para conter a piora das expectativas de inflação no mercado.

Executivo e Legislativo superestimaram a arrecadação nos Orçamentos de 2009 e 2010 -quando, não por acaso, as metas fiscais deixaram de ser cumpridas. Na primeira vez, o motivo foi o impacto inesperado da crise econômica. Na segunda, o otimismo das projeções alimentou a alta das despesas no ano da eleição presidencial.

via Folha de S.Paulo – Salto improvável de receita é aposta de Dilma para ajuste – 11/02/2011.

Dilma, durona, pode enterrar o legado (a)moral de Lula

A assertividade da presidente Dilma Roussef e sua determinação são impressionantes. Discreta, durona como já se sabia, tem tido coragem suficiente para enfrentar as chagas legadas de seu criador. Nestes primeiros dias de governo deu um passa-moleque nas centrais sindicais de aluguel,  nos chantagistas do PMDB, trabalhou para tentar devolver alguma compostura à negociação política e decidiu atacar de vez o grande nó na economia representado pela perspectiva de volta de uma inflação vitaminada. Enfrenta, com determinação e galhardia, a “herança madita” deixada por Lula, que não mediu esforços nem complacência para amalgamar sua base no Congresso.

Para quem pensava que os estupros à moral e à compostura  iriam migrar do governo anterior para este, Dilma está dando uma lição: a de que o espaço que separa a ética da convicção da ética da responsabilidade, de acordo com as categorias weberianas,  não pode ser infinito. Sob Lula, a ética da convicção, galgada em valores, simplesmente não existiu; tampouco a da responsabilidade, uma vez que o sentido das ações dos protagonistas da cena política congressual passa longe do altruísmo, não visa “fazer o bem” ao maior número possível de cidadãos.

Haverá uma reação forte. O sentido de todas as ações de agremiações como esse PMDB é permitir a pilhagem do bem público e sua apropriação individual. Diferentemente do que acontecia no passado de FHC e Lula, a barganha descarada e o patrimonialismo desavergonhado ainda não tiveram vez sob Dilma.  Até agora — e isso pode mudar muito rapidamente –, a presidente parece ter se dedicado a ensinar à matilha ávida pelo reinício da pilhagem que certas práticas não serão mais toleradas.É uma perspectiva nova e alvissareira essa fuga do pragmatismo ilimitado, talvez o vício mais arraigado nas nossas tradições políticas desde o Descobrimento. Mas não será tranquila sua consolidação.

A primeira investida de inconformismo para restabelecer o passado se materializou nas tentativas dos líderes dos partidos aliados de tranformar o valor do novo salário mínimo em uma arma contra a estabilidade econômica. A ameaça contida nas manifestações de políticos do quilate de um Eduardo Cunha, um Henrique Alves, era clara: ou a presidente se dobra e entrega o filé mignon do segundo escalão à matilha, ou o tênue equilíbrio das contas públicas poderia ser conspurcado. Também não se fez segredo das articulações do PMDB para conturbar a eleição do novo presidente da Câmara. Os líderes que bradavam contra a proposta do governo para o salário-mínimo foram os mesmos que insuflaram a candidatura do inexpressivo Sandro Mabel, do PR, numa afronta cheia de sentido.

Agora veio a decisão de enfrentar a voracidade dos parlamentares fisiológicos e patrimonialistas com o corte das emendas dos congressistas. É com essa fração do orçamento que deputados e senadores amealham o dinheiro fácil dos empreiteiros desonestos. É com essa “verbinha” que se abrem as brechas do Caixa-Dois, composto por dinheiro desviado pela corrupção. É com o desvio desse dinheiro que se pagam compromissos de campanha. É assim que boa parte dos políticos desonestos enriquece.  Ao fazer a fonte de subornos secar para confrontar a perspectiva de volta da inflação, Dilma está enfiando a mão no fundo da toca da serpente venenosa.

Para quem achava que o mundo estava perdido, agora há uma fresta iluminada no fim desse tunel institucional. Antes, na história recente, os últimos presidentes que tiveram “arroubos” de correção moral perderam a oportunidade, por exemplo, de reformar a previdência (FHC) ou de manter fontes de financiamento importantes como a finada CPMF (Lula).

Resta torcer para que a presidente consiga a força moral necessária para conter o achaque dos líderes aliados e neutralizar suas chantagens. Se der certo, talvez tenhamos alguma razão no futuro para dizer aos nossos filhos que a política é uma arte nobre, digna e respeitável.

Painel: Dilma e Palocci enquadram PMDB em briga por cargos

Folha.com

Em duas reuniões ontem, a presidente Dilma Rousseff e o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) enquadraram o PMDB na acirrada disputa por cargos no setor elétrico, informa o “Painel” da Folha, editado por Renata Lo Prete (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Na primeira, pela manhã, a presidente, contrariada com versões registradas na imprensa sobre encontro na véspera no qual se discutiu o tema, avisou ao vice-presidente Michel Temer e ao ministro Edison Lobão (Minas e Energia) que, àquela altura, Flávio Decat já estava convidado a presidir Furnas, a despeito de pressões em contrário.

Ex-diretor da Eletrobras, Decat será novo presidente de Furnas

Depois, o chefe da Casa Civil disse que, se Lobão insistisse, Dilma “até poderia” nomear José Antonio Muniz Lopes, da cota do PMDB-MA, para a Eletronorte –mas “seria bom” que não insistisse.

Os peemedebistas ouviram ainda que o comando de estatais como Chesf e Eletrosul também deve ser trocado.

Leia a coluna completa na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.

via Folha.com – Poder – Painel: Dilma e Palocci enquadram PMDB em briga por cargos – 04/02/2011.

Tragédia climática marca diferença de estilos entre Lula e Dilma

Lula e a família Silva farofando em Inema, Bahia, enquanto o mundo derretia um ano atrás

Seria apenas um gesto corriqueiro na rotina do governo: a presidente da República quebra a rotina administrativa, entra em um helicópetro e sobrevoa a área em que as chuvas torrenciais fizeram mais de 500 mortos. Mas foi muito mais do que isso. Demarcou uma diferença abissal entre os estilos do ex-presidente Lula e da atual, Dilma Roussef.

Para quem não se lembra, as chuvas impiedosas na virada no passado também produziram dezenas de mortos no estado do Rio de Janeiro. Lula, entretanto, preferiu manter o cronograma de férias e se deixou fotografar em sua farofa incidental transportando um isopor cheio de latinhas de cerveja na praia de Inema, na Bahia.

A decisão de Lula de manter o descanço presidencial guarda muita coerência com seu comportamento habitual diante de fatos negativos que geram comoção na opinião pública. Sua ausência também foi notada em várias outras oportunidades que teve para demonstrar solidariedade a vítimas de eventos trágicos, como por exemplo no acidente com o Airbus da TAM em São Paulo. A mesma coerência que se verifica ainda hoje no comportamento público do governador Sérgio Cabral, que este ano desapareceu, extamente como havia feito no ano passado, enquanto seu Estado derretia com os temporais do antepenúltimo reveillon.

Outra diferença gritante: Dilma concedeu sua primeira entrevista coletiva formal 13 dias depois de ser empossada. Lula foi conceder sua primeira entrevista coletiva apenas no apagar das luzes do primeiro mandato. As circunstâncias meteorológicas fizeram com que a atual presidente levasse apenas 13 dias para o primeiro econtro formal com jornalistas.

Discreta, encastelada no Planalto quando não há o que fazer na rua, Dilma Roussef opta por fazer o que deve ser feito, não apenas o que é conveniente para criar uma imagem popular — caso de Lula logo após sua posse, em 2003, quando ele tornou hábito quebrar o protocolo e enlouquecer a segurança ao acorrer a qualquer pequeno grupo de eleitores que se formava por onde ele passava.

A comparação entre o comportamento dos dois presidentes nos primeiros dias de governo deixa claro que Dilma é diferente de Lula — e contribui para o início do processo de corrosão do mito criado pelo ex-presidente em torn ode si mesmo. Se isso se refletir no que importa, que é a administração do País e da rotina da administração, talvez a efetividade das ações do Estado logo comece a ser percebida pelos eleitores.

Como se sabe, até hoje municípios atingidos pelas cheias do verão passado esperam pela liberação de recursos que  deveriam ter sido empregados na mitigação dos efeitos das cheias e das avalanches de escombros em que se transformaram as enconstamis dos morros cariocas nos temporais da temporada 2009/2010. Puxando pela memória, nunca é tarde para lembrar que o então ministro Gedel Vieira Lima, responsável pelo atendimento de emergências sob Lula, desviou para a seca Bahia, seu estado natal, quase tudo o que havia no cofre das contingências.

Caso persista, o estilo Dilma pode dar uma outra contribuição, desta vez para a história do País: o início da corrosão do mito criado por Lula em torno de si mesmo com ações espetaculares e omissões dolosas. Se desta vez não há caravanas da fome, imagens delirantes da multidão genuflexa abraçando seu presidente, há pelo menos alguém com sensibilidade suficiente para saber que demonstrar preocupação e solidariedade aos súditos enlutados pode não render boas fotos, mas dá conforto ao País.

‘Teto de vidro’ restringe ascensão de mulheres na máquina que Dilma herdará

estO Estado de S.Paulo

Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o Brasil, assumirá o comando de uma máquina administrativa     majoritariamente masculina e que impõe um “teto de vidro” para a ascensão profissional das funcionárias públicas. Quanto maior o salário e a responsabilidade do cargo, menor é a proporção de ocupantes do sexo feminino.

No quadro de todos os 578 mil servidores civis ativos do governo federal, as mulheres ocupam 45% dos empregos, apesar de serem 51% da população brasileira. Em toda a Esplanada dos Ministérios, apenas quatro pastas têm mais funcionárias que funcionários.

Mas é na estrutura de distribuição dos 21,6 mil cargos de direção e assessoramento superior (DAS), nos quais está a elite do funcionalismo público, que o predomínio masculino fica evidente. As mulheres são 46% dos ocupantes dos cargos DAS-1, com menor remuneração e poder de decisão, mas apenas 23% dos postos DAS-6, no topo da pirâmide salarial.

Obstáculo. A situação ilustra com precisão a metáfora do “teto de vidro”, adotada por especialistas em mercado do trabalho e feministas para descrever a barreira invisível, mais cultural que institucional, que mantem as mulheres em posição de desigualdade tanto no setor público quanto no privado.

“No mercado de trabalho, as mulheres vão até um certo patamar, mas acabam relegadas a um segundo plano quando se trata de cargos mais importantes”, afirma Sônia Malheiros Miguel, secretária de Articulação Institucional da Secretaria de Políticas para as Mulheres – órgão vinculado à Presidência da República. “Não é a toa que se diz, no mundo todo, que a grande barreira a ser vencida pelas mulheres no século 21 é a ocupação de espaços de poder e decisão.”

Maria Aparecida Abreu, pesquisadora do Ipea e autora de estudos sobre desigualdade de gênero, observa que o predomínio masculino é maior ou menor conforme a área do governo. “Há uma série de convenções sobre papéis masculinos e femininos que se reproduzem na estrutura mais alta de cada ministério”, diz ela.

Assim, em órgãos da área social, relacionados aos cuidados com os outros, a presença feminina é mais acentuada. “No Ministério do Desenvolvimento Social, por exemplo, as mulheres são maioria nos cargos de chefia”, observa a pesquisadora. “Já no Ministério da Fazenda, de perfil mais técnico, a proporção é muito pequena.”

Segundo Maria Aparecida, uma das hipóteses para se explicar o predomínio masculino nos postos de chefia é o fator disponibilidade. “Os cargos DAS-5 e DAS-6 demandam dedicação quase exclusiva ao trabalho, com horário e jornada imprevisíveis. Isso faz com que um ministro pense duas vezes antes de nomear uma mulher. Existe a percepção de que ela ainda terá de cuidar da casa e de filhos.”

Sônia Malheiros vê outra razão: “Para as mulheres ocuparem esses espaços de poder e decisão, homens terão de sair. E aí existe uma resistência muito grande”, afirma (leia entrevista nesta página).

Futuro promissor. Apesar de apontar as dificuldades de superação das barreiras para a ascensão profissional das mulheres no setor público, as duas especialistas projetam um cenário mais igualitário no futuro.

“O nível de escolaridade das mulheres já é maior que o dos homens, embora elas ainda se concentrem mais nas áreas de pedagogia, literatura e cuidados de saúde”, afirma Maria Aparecida, do Ipea. “A tendência é caminharmos para um quadro mais paritário.”

“A eleição de uma mulher para a Presidência abre condições de avançar no sentido de um equilíbrio maior na divisão do poder na sociedade”, avaliou a secretária Sônia Malheiros.

via ‘Teto de vidro’ restringe ascensão de mulheres na máquina que Dilma herdará – politica – Estadao.com.br.

Correio Braziliense – Política – Encontro da presidente eleita com o governador do Rio acontecerá esta noite

Correioweb- Foi antecipada para a noite desta segunda-feira (29/11) o encontro da presidente eleita, Dilma Rousseff, com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. A reunião estava prevista para amanhã à tarde. Eles vão discutir as operações de ocupação de territórios da capital fluminense e de combate ao tráfico de drogas. A informação é da assessoria do governo de transição.

Na última semana, uma força-tarefa articulada pelas polícias civil, militar e federal e Armadas conseguiu retomar o controle da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, antes dominados por traficantes.

Durante esse período, a presidente eleita manteve contato por telefone com Cabral. O primeiro aconteceu na noite de quinta-feira. Dilma prestou solidariedade ao governador e à população do estado. No dia seguinte, Dilma telefonou mais uma vez para pedir notícias sobre a operação. De acordo com a assessoria da transição, a presidente eleita atribuiu o sucesso do combate ao crime organizado à parceria entre os governos federal e do Rio. Além disso, destacou a importância da utilização dos equipamentos blindados da Marinha e a cooperação entre as forças policiais.

Para ler o original clique aqui: Correio Braziliense – Política – Encontro da presidente eleita com o governador do Rio acontecerá esta noite.

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