Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Dilma e a TPM

A presidente Dilma Rousseff respondeu com uma nota de seis parágrafos a uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique de que Lula legou uma herança ruim a ela. Não precisava gastar tanta tinta e papel com algo notório. Assim como FHC legou a Lula uma economia em crise, Lula deixou para Dilma tudo aquilo que seu antecessor lhe atribuiu.

Ou alguém verá nas sete demissões de ministros acusados de roubar dinheiro público — indicações, em sua maioria, que tiveram ao menos o beneplácito de Lula ou sua interferência direta — algo menor do que uma herança maldita ?

Por que, então, a presidente se daria ao trabalho de redigir um documento tão amargo e enfático para “desmentir” verdades óbvias ditas pelo ex-presidente tucano ?

Talvez três letrinhas sejam suficientes para explicar o gesto de amparo à biografia de Lula, que está sendo maltratada agora pelo STF: TPM.

Ops! Não se apresse em decifar o acrônimo, caro leitor. TPM, neste caso, significa Tensão Pós-Mensalão. Nenhuma alusão, portanto, a estados induzidos por variações estrogênicas.

A rigor, Dilma tem tanta razão quanto FHC. Ambos fizeram referências factuais corretas. Com apenas uma ou outra imprecisão. A mais gritante diz respeito à acusação da tentativa de “reescrever a história”. Aqui, não há como não anotar o equívoco. Quem passou oito anos tentando reescrever a história do Brasil foi Lula, que a cada discurso lançava mão do “nunca antes na história deste país…”, e não Fernando Henrique.

De resto, tudo perfeito, de ambos os lados. E a lição pode ser sintetizada numa paráfrase:

Em casa que tem Mensalão

E emenda da reeleição

Todos choram,

E todos têm razão.

A injusta queda do IBOPE de Dilma Rousseff

O IBOPE registrou, pela primeira vez desde o início do governo, uma queda expressiva nos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff em algumas metrópoles importantes. Em São Paulo e em Curitiba, a regressão  ficou  entre 10 e 14 por cento. Não se sabe o que contribuiu para isso — se as greves ou o pessimismo que se estabeleceu quando a crise econômica global começou a dar sinais de que o Brasil não está imune a seus efeitos.

Ninguém vai brigar com o eleitor ou sobrepujar sua soberania para avaliar o desempenho de governantes. Mas há uma flagrante injustiça na nota que a presidente recebeu.

Discreta, avessa ao palanque, Dilma tem se esforçado para acertar — e tem acertado muito, a despeito dos erros que também tem cometido. Graças a ela o governo federal conseguiu se desvincular do Mensalão, permanece equidistante das eleições municipais e vai tocando com competência a gestão da economia.

A presidente mandou para o lixo o ideário retrógrado antiprivatista do núcleo de poder de seu próprio partido ao anunciar um ambicioso programa de soerguimento da malha ferroviária e de recuperação das rodovias. Já não era sem tempo. E tem adotado uma postura democrática e realista, feito um exercício de paciência, ao enfrentar os sindicalistas oportunistas que o governo Lula engordou com benesses e verbas a rodo.

Tudo isso evidencia que houve um câmbio positivo entre o governo passado e este. Se fosse só por isso, para demolir os vícios da administração de Lula, sua performance já deveria receber uma menção positiva.

Pena que o eleitor, ao que indica o IBOPE, não encontre virtude nisso.

Se assim fosse, a presidente certamente não estaria experimentando esse momento de inflexão em sua avaliação.

Dilma veta uso da máquina em eleições

Às vésperas da estreia do horário político no rádio e na TV, a presidente Dilma Rousseff lembrou aos ministros que nenhum deles pode recorrer à “agenda dois em um” para pedir votos em campanhas municipais. A proibição consta de cartilha produzida pela Advocacia-Geral da União (AGU), que cita as condutas vedadas aos agentes públicos em eleições, mas Dilma decidiu reforçar a determinação porque não quer ver o governo acusado de uso da máquina nas disputas pelas Prefeituras.

Em recentes reuniões no Palácio do Planalto, a presidente disse que não admitirá “compromissos casados” em que auxiliares aproveitam atos oficiais no fim de semana, com viagens em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), e depois esticam a visita para subir em palanques. Quando isso ocorrer, o cabo eleitoral da Esplanada terá de pagar passagem e estadia do próprio bolso.

“Nessa época de eleição, não passo nem perto de avião da FAB”, contou o ministro da Previdência, Garibaldi Alves (PMDB). Dilma também proibiu os subordinados de entrarem em “bola dividida” em capitais consideradas prioritárias por aliados do porte do PMDB ou do PSB. Caberá ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tarefa de apaziguar os ânimos onde houver conflito.

Apesar da preocupação do governo e do PT com o impacto do julgamento do mensalão nas campanhas – especialmente na de Fernando Haddad, em São Paulo, e na de Patrus Ananias, em Belo Horizonte -, a ordem é amenizar essa interferência.

“As pessoas querem saber dos problemas de sua cidade”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ex-militante da Juventude do PT, Padilha é o mais requisitado da Esplanada pelos candidatos. Ele já gravou 104 vídeos para internet e TV e está até no You Tube. “Vou onde me chamam”, desconversou.

Outro ministro em alta no palanque eletrônico é Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, que gravou mensagens de apoio para candidatos a prefeito de 20 Estados, de São Paulo à Paraíba, no estúdio montado pelo PT em Brasília. Responsável pela articulação política do Planalto, a titular das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, também está na lista dos mais procurados para gravações.

Sintonia. Nos vídeos que vão ao ar na propaganda eleitoral, a partir do dia 21, ministros dizem que “o governo do PT de Lula e Dilma pode fazer muito mais”. Nessa toada, destacam a importância de eleger candidatos do partido “para fortalecer a ligação da cidade com o governo federal”. Os filmetes terminam com o slogan “2012 é 13”.

A chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, decidiram dividir os compromissos eleitorais no Paraná. Os dois são casados, mas se separam na hora de pedir votos.

“Nunca vamos juntos aos lugares. Temos de fazer o máximo para aproveitar o tempo nos fins de semana”, comentou Bernardo. Recentemente, num único sábado, a ministra Gleisi – que é pré-candidata do PT ao governo do Paraná, em 2014 – gravou para cem concorrentes a prefeituras do interior. Enquanto isso, Bernardo cumpria intensa agenda de campanha em cidades como Londrina, Cornélio Procópio e Apucarana.

“Eu também tenho me virado mais que bolacha em boca de velho”, brincou, bem humorado, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro (PMDB), numa referência à maratona eleitoral.

Pela primeira vez desde o governo Fernando Henrique (PSDB), a disputa na capital paulista não será a prioridade do Planalto, ao menos no primeiro turno. Dilma vai cuidar de Belo Horizonte, sua cidade, porque é lá que se dará o embate nacional com o PSDB, numa espécie de prévia da eleição de 2014.

Empenhada em derrotar o candidato do senador e presidenciável tucano Aécio Neves, ela está disposta a subir no palanque do petista Patrus Ananias, contra a reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB). Embora o PT e o PSB estejam em lados opostos na capital mineira, a cúpula socialista lavou as mãos por entender que Lacerda só age de acordo com Aécio.

Diante desses confrontos, Dilma planeja gravar programas para Fernando Haddad somente em setembro, quando espera que ele vire o jogo contra José Serra (PSDB). Agora, não quer se indispor com o PMDB do vice-presidente Michel Temer, que lançou o deputado Gabriel Chalita à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). A presidente segue, na prática, a ordem dada aos ministros: “Nada de entrar em bola dividida”.

Beba na fonte: Dilma veta uso da máquina em eleições – politica – politica – Estadão.

Chama o Exército!

Eliane Cantanhêde

Dilma não só mandou cortar o ponto dos grevistas como aprovou um projeto do Exército para garantir a integridade dos prédios públicos e a oferta de serviços essenciais em caso de ameaça externa improvável e principalmente de greves que se multiplicam.O sistema “Proteger” está orçado em R$ 9,6 bilhões e, com o Sisfron, de monitoramento de fronteiras, vai custar R$ 21 bilhões em 12 anos, apesar de Dilma argumentar com a crise internacional e com a falta de recursos para não dar aumentos no setor público. O único acordo foi com professores de universidades federais e, mesmo assim, polêmico.São 13.300 alvos estratégicos do “Proteger”, 371 prioritários, como refinarias, hidrelétricas, centrais de telecomunicações e as principais estradas. Brasília, que abriga os três Poderes e as embaixadas, é listada como o alvo número um.Para definir o sistema, o Exército estudou casos exemplares, como a invasão da CSN, a greve da refinaria de Paulínea e um curto na rede de Tucuruí, que não teve influência de grevistas, mas afetou boa parte do país.Isso mostra que Dilma não brinca em serviço. Se a democracia prevê o direito de greve, prevê também a garantia dos prédios públicos e dos serviços essenciais à população. Em caso de risco, os militares entram.É uma boa lembrança quando a elite do funcionalismo testa forças com a presidente: Polícia Federal, Banco Central, Itamaraty, oficiais de inteligência, defensores públicos, auditores da Receita, agências reguladoras Anatel, Aneel…. Nem todos estão de greve, mas se uniram num movimento único de reivindicação.O governo avalia que a pressão acaba no dia 31, com a entrega do Orçamento de 2013. É uma visão muito otimista. Os servidores engoliram sapos e ficaram quietos na era Lula como CUT, UNE, MST e resolveram devolver agora com Dilma. Não vão recuar tão cedo. O governo do PT revida botando o Exército na parada.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Chama o Exército! – 09/08/2012.

Em carta a Dilma, HRW critica adesão da Venezuela ao Mercosul

A organização Human Rights Watch (HRW) enviou nesta sexta-feira, 3, uma carta para a presidente Dilma Rousseff e para o chanceler Antonio Patriota, em que critica a adesão recente da Venezuela ao Mercosul. Há duas semanas, a HRW publicou um extenso relatório sobre a situação de direitos humanos no país, classificando-a como “precária”.

No documento, assinado pelo diretor para as Américas da HRW, José Miguel Vivanco, a entidade afirma que “se os países-membros do Mercosul ignorarem o compromisso de proteger e promover os direitos básicos e as instituições democráticas, transmitirão a mensagem infeliz de que os compromissos internacionais no Protocolo de Assunção são promessas vãs”.

Segundo a entidade, sediada em Washington, a entrada da Venezuela no bloco é uma “oportunidade” para que o governo Dilma e os outros integrantes do Mercosul “enfrentem os graves problemas de direitos humanos na Venezuela atualmente”. A HRW destacou ainda a “responsabilidade” dos países de lidar com o tema.

Beba na fonte: Em carta a Dilma, ONG critica adesão da Venezuela ao Mercosul – internacional – geral – Estadão.

Ciumeira: Marina Silva causa mal estar entre ministros em Londres

A presença da ex-ministra Marina Silva na cerimônia de abertura da Olimpíada de Londres causou mal estar entre os ministros do governo de Dilma Rousseff. A participação pegou a todos de surpresa.

Marina entrou carregando a bandeira com os anéis olímpicos juntamente com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o maestro argentino Daniel Barenboim e prêmios Nobel. O convite partiu do Comitê Olímpico Internacional, sem o conhecimento do governo brasileiro, e foi mantido em sigilo. A ex-ministra é reconhecida internacionalmente por seu trabalho de defesa do meio ambiente.

A situação cria constrangimento porque Marina não tem boas relações com Dilma Rousseff e acabou encobrindo a presença da presidente do próximo país-sede da Olimpíada na cerimônia de abertura de Londres, ontem. “Marina sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e com a aristocracia europeia”, disparou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, adversário político de Marina na polêmica do Código Florestal. “Não podemos determinar quem as casas reais escolhem, fazer o quê?”

O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que a primeira reação foi de surpresa. Para ele, o COI deveria ter feito um melhor trabalho de comunicação com o governo brasileiro. “É óbvio que seria mais adequado por parte do COI e da organização do evento que houvesse um diálogo de forma mais concreta com o governo brasileiro para a escolha das pessoas”, disse, sem deixar de reconhecer a importância do trabalho ambiental de Marina.

Para outro membro da delegação, que pediu para não ser identificado, o que o COI fez foi o equivalente a convidar um membro da oposição britânica para um evento no Brasil que tenha o governo de Londres como convidado especial.

Ao Grupo Estado, Marina explicou que só recebeu o convite na ultima terça-feira, dia 24. Sobre Dilma, insistiu em não criar polêmica, dizendo que “sentia orgulho” em ver a primeira presidente mulher do país na arquibancada do estádio olímpico.

Ontem, Dilma foi mostrada pelas câmeras oficiais por menos de cinco segundos, enquanto a entrada de Marina foi amplamente comentada, como representante da luta ambiental no mundo. O ministro do Turismo, Gastão Vieira, só ficou sabendo da presença de Marina já no Estádio Olímpico. “Foi surpresa”, disse o ministro da Ciência, Marco Antonio Raupp.

Beba na fonte: Marina Silva causa mal estar entre ministros em Londres – politica – politica – Estadão.

Com economia em marcha lenta, Dilma diz que PIB não é tudo

Diante das evidências de que o crescimento econômico brasileiro neste ano não deve ficar muito acima de 2%, a presidente Dilma Rousseff procurou ontem minimizar a importância do PIB (Produto Interno Bruto), ressaltando que ele não é o indicador mais adequado para comparações internacionais.

“Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e para seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto. É a capacidade do país, do governo e da sociedade de proteger o que é o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes”, afirmou, na 9ª Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente.

No mês passado, o tom era outro. Numa cerimônia com atletas que vão participar dos Jogos Olímpicos de Londres, Dilma chegou a dizer que o PIB deste ano vai merecer uma medalha: “Você vai ver se não vai merecer [medalha]. Nós estamos no esquentamento”, disse.

O discurso de Dilma desdenhando o PIB veio em um momento em que economistas de dentro e de fora do governo têm revisado para baixo suas projeções de alta do indicador em 2012.

Em junho, o Banco Central reduziu de 3,5% para 2,5% sua estimativa. Nos bastidores, o próprio governo já trabalha com um crescimento de apenas 2% neste ano.

Divulgado ontem, o indicador de atividade econômica do Banco Central, considerado uma prévia do PIB, apontou uma queda de 0,02% em maio em relação a abril.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Com economia em marcha lenta, Dilma diz que PIB não é tudo – 13/07/2012.

Depoimento de Dilma revela novas torturas

Documentos arquivados em uma sala do Conedh-MG (Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais), em Belo Horizonte, revelam torturas sofridas pela presidente Dilma Rousseff durante a ditadura militar (1964-85).

Até agora, só se sabia que Dilma tinha sido torturada por militares em São Paulo e no Rio. Em depoimento de 2001, contudo, ela conta que também foi torturada em Juiz de Fora (MG), para onde foi levada em janeiro de 1972.

O testemunho, prestado a integrantes do Conedh-MG, foi revelado ontem pelo “Correio Braziliense”. Segundo o jornal, durante a tortura os militares indagaram sobre um plano de fuga de Ângelo Pezzuti, ex-líder do grupo Colina, no qual Dilma militou.

Ela descreve os tipos de tortura a que foi submetida, como pau-de-arara, choques elétricos e palmatória, e diz ter recebido socos no rosto.

“Minha arcada girou para o outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu”, relatou ela, de acordo com o jornal. “Só mais tarde, quando voltei para SP, o [capitão Alberto] Albernaz completou o serviço com um soco, arrancando o dente.”

A correção da arcada dentária foi uma das cirurgias a que Dilma se submeteu às vésperas da campanha presidencial de 2010.

“A pior coisa é esperar por tortura”, diz ela no relato de 2001. “As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim.”

Em 2002, Dilma recebeu indenização de R$ 30 mil pela prisão em Minas. Em 2009, em nota sobre a indenização, a Casa Civil, então chefiada por Dilma, cita sua prisão, mas não menciona torturas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Depoimento de Dilma revela novas torturas – 18/06/2012.

Planalto quer se manter longe da crise

Vera Rosa e Tânia Monteiro

Preocupada com o acirramento dos ânimos às vésperas do julgamento do mensalão, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo não entrará na briga entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Dilma avalia que a situação é perigosa, tem potencial de estrago que beira a crise institucional nas relações entre Executivo e Judiciário, e transmitiu esse recado na conversa mantida nesta terça-feira, 29, com o presidente do STF, Ayres Britto. O encontro durou uma hora e dez minutos, no Planalto.

Embora petistas estejam fazendo desagravos públicos a Lula, a presidente ordenou silêncio aos auxiliares após falar com ele por telefone. A ordem é blindar o Planalto dos torpedos vindos da CPI do Cachoeira e dos ataques de Mendes.

Lula estará nesta quarta-feira, 30, em Brasília, onde fará uma palestra no 5.º Fórum Ministerial de Desenvolvimento, e vai se encontrar com Dilma. Pela estratégia definida até agora, o governo fará de tudo para se desviar da polêmica e repassará a tarefa das respostas políticas ao PT. O ministro do STF jogou nesta terça mais combustível na crise, ao responsabilizar Lula por uma “central de divulgação” de intrigas contra ele.

Embora dirigentes do PT saiam em defesa de Lula, a cúpula do partido avalia que é preciso calibrar o contra-ataque, porque qualquer reação intempestiva contra o Judiciário prejudicaria os réus do mensalão.

Fora do foco. “Não acreditamos que Mendes nem nenhum integrante do Supremo esteja ligado ao crime organizado de Carlinhos Cachoeira”, disse o deputado Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara. “A CPI não foi instalada para apurar possíveis desvios de conduta de ministros do Supremo, mas, sim, para desbaratar o crime organizado de Cachoeira. Quem alimenta esse tipo de polêmica quer desviar o foco da CPI e vamos dar um basta nisso, encerrando essa polêmica.”

Mesmo ressalvando que não baterá boca com Mendes, o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT, achou “estranha” a versão do magistrado sobre o encontro. “Por que Lula iria falar com um ministro que foi indicado pelo PSDB e não com os oito que ele indicou?”, questionou. “E por que Mendes só divulgou essa conversa um mês depois, às vésperas do depoimento de Demóstenes Torres no Conselho de Ética?”

Beba na fonte: Planalto quer se manter longe da crise – politica – politica – Estadão.

Dilma: país está ’300% preparado’ para enfrentar crise

Diante da baixa expectativa em torno do Produto Interno Bruto (PIB), a presidente Dilma Rousseff aproveitou um evento público, em Laguna (SC), para tentar tranquilizar o país. Dilma afirmou que o Brasil está “300% preparado” para enfrentar a crise econômica mundial e que tem feito obras de grande porte como forma de “resistência”.
- Perguntaram outro dia se a gente estava preparado para enfrentar o que puder acontecer na Europa. Eu posso assegurar a vocês: nós estamos 100% preparados, 200% preparados, 300% preparados – disse ela, completando: – Nós vamos resistir à crise criando emprego, investindo em infraestrutura e também nas atividades sociais necessárias para que o nosso país seja um país que, ao mesmo tempo em que cresce, distribui sua riqueza.
Durante o anúncio de construção de uma ponte em Santa Catarina, a presidente destacou que as condições do país para o enfrentamento da crise global são melhores do que em 2009, no governo Lula, quando os Estados Unidos e países da Europa entraram em crise, já que as reservas do Brasil aumentaram US$ 165 bilhões no período. Dilma disse ainda que o país vem construindo sua estabillidade nos últimos 28 anos, desde a redemocratização.
- Na Europa, a situação nas últimas semanas tem se deteriorado bastante e as pessoas ficam pensando assim: “como é que fica o Brasil?” O Brasil fica muito bem – disse ela, afirmando:- A partir do governo Lula
tivemos o cuidado de criar um conjunto de armas contra crises externas.
Apesar de dizer que a estabilidade econômica começou há mais de 20 anos, a presidente afirmou que, antes, “o mundo espirrava lá fora e nós pegávamos uma pneumonia”.
- Hoje, nós não pegamos uma pneumonia. Vocês lembram que na crise de 2008 e 2009 nós fomos atingidos pelas suas consequências, mas ela aqui no Brasil durou muito pouco. Agora, estamos ainda mais fortes. Agora, para ter uma ideia, nós temos US$ 370 bilhões de reservas. Naquela época, tínhamos US$ 205 bilhões.

Beba na fonte: Dilma: país está ’300% preparado’ para enfrentar crise – O Globo.

Alvo de bronca de Dilma diz que se conteve para não reagir

Um dia depois de ser repreendido em público pela presidente Dilma Rousseff, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, disse ontem que evitou reagir para não prolongar a cena constrangedora. “Tive que me acalmar, porque senão seria pior”, disse.

A cena ocorreu depois que Dilma foi vaiada ao discursar durante encontro com prefeitos do país inteiro num hotel de Brasília, na terça-feira. Havia 2.500 prefeitos no hotel.

Instada pela plateia a se pronunciar sobre a divisão das receitas de royalties do petróleo, que os municípios desejam mudar, a presidente afirmou que eles deveriam desistir de mexer nos campos de petróleo que já estão em exploração e restringir o debate apenas aos que serão explorados daqui para frente.

A declaração de Dilma foi recebida com vaias pelos prefeitos e ela irritou-se. Encerrada a solenidade, ela se levantou e dirigiu-se com o dedo em riste a Ziulkoski, que estava a seu lado no palco.

Segundo Ziulkoski, a presidente lhe disse nesse momento que os municípios vão perder se insistirem em alterar as regras dos campos de petróleo mais antigos. “As imagens que estão lá falam mais do que as minhas palavras”, afirmou Ziulkoski.

“[A divisão dos royalties] é um assunto polêmico que suscita muitas paixões”, disse a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. “A presidente foi muito corajosa e clara com os prefeitos.”

Ziulkoski esteve ontem com dezenas de prefeitos na Câmara dos Deputados. Eles ocuparam o Salão Verde da Câmara com camisetas que faziam referência à discussão da véspera: “O Brasil quer royalties para todos”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Alvo de bronca de Dilma diz que se conteve para não reagir – 17/05/2012.

Dilma diz que não haverá revanche nem perdão para ditadura

Numa cerimônia que reuniu os quatro antecessores vivos, a presidente Dilma Rousseff instalou a Comissão da Verdade e afirmou que o esclarecimento dos crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985) não pode comportar revanchismo, mas nem tampouco perdão.

“A palavra verdade [...] é algo tão surpreendentemente forte que não abriga nem o ressentimento, nem o ódio, nem tampouco o perdão”, afirmou em discurso.

Ex-guerrilheira comunista, presa e torturada pelo regime, ela chorou ao se referir aos parentes dos mortos e desaparecidos no período.

“Merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”, disse, interrompida por aplausos.

“É como se disséssemos que, se existem filhos sem pai, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo pode existir uma história sem voz.”

Dilma reverenciou os militantes que atuaram na luta armada, mas sinalizou respeito à Lei da Anistia, de 1979, que impede a responsabilização criminal de integrantes da guerrilha e da repressão.

“Assim como respeito e reverencio os que lutaram pela democracia enfrentando bravamente a truculência ilegal do Estado, e nunca deixarei de enaltecer esses lutadores e lutadoras, também reconheço e valorizo pactos políticos que nos levaram à redemocratização”, disse.

A presidente não fez referência às vítimas da esquerda armada, tema de divergência entre integrantes da comissão nos últimos dias.

Dilma reafirmou que a Comissão da Verdade não será de “governo, mas de Estado”, e que não haverá espaço para “revanchismos”.

Para sustentar sua retórica do caráter “de Estado”, promoveu uma inédita reunião dos ex-presidentes vivos pós-ditadura: José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Assim como ela, os dois últimos foram alvo de perseguição política dos militares. FHC foi cassado da Universidade de São Paulo em 1969 e se exilou no exterior, e Lula foi preso ao comandar greves no ABC paulista em 1980.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dilma diz que não haverá revanche nem perdão para ditadura – 17/05/2012.

Após juros, Dilma centra fogo no social

VERA ROSA

A presidente Dilma Rousseff quer reajustar o valor dos benefícios do Bolsa Família às vésperas do aniversário de um ano do programa Brasil Sem Miséria, vitrine social do governo. Dilma encomendou estudos sobre o assunto à equipe econômica e ao Ministério do Desenvolvimento Social e poderá anunciar, no dia 14, o aumento para famílias que tiverem filhos de até 6 anos matriculados em creches ou na pré-escola.

É nessa data, logo depois do Dia das Mães, que a presidente divulgará, em cerimônia no Palácio do Planalto, um novo pacote na área social, com repasse de recursos a prefeituras para a construção de creches e uma série de ações destinadas à proteção de crianças de 0 a 6 anos.

O Bolsa Família está incluído no Brasil Sem Miséria – programa que completa um ano no dia 2 de junho – e seu último reajuste ocorreu em março de 2011, quando Dilma esteve em Irecê (BA) e deu aumento médio de 19,4%.

Após adotar o mote da “guerra contra os juros” e mudar o rendimento da poupança, Dilma turbinará programas sociais já existentes, dando a eles nova roupagem. A construção de 6 mil creches até 2014 é promessa de campanha. No ano passado, o plano, ProInfância, foi incluído na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo prevê recursos de R$ 7,6 bilhões, até 2014, para erguer e equipar 6.427 escolas de educação infantil. Até agora, porém, quase nenhum convênio saiu do papel.

via Após juros, Dilma centra fogo no social – politica – versaoimpressa – Estadão.

Dilma está certa. Os bancos privados são hoje o principal entrave ao crescimento da economia

A confrontação entre a Presidente Dilma Rousseff e os bancos pode dar à Presidente da República o seu grande trunfo na condução da economia. No Brasil, como de resto em todas as democracias, é a sensação de felicidade da população, expressa pela capacidade de saciar a demanda por consumo, que alicerça a popularidade e, por consequência, o cacife eleitoral dos governantes.

“É a economia, estúpido!”, já ensinava James Carville aos estrategista da campanha de Bill Clinton. Caso consiga civilizar os bancos e trazer os juros para patamares ao menos aceitáveis, Dilma terá sedimentado uma obra importante na área econômica, com efeitos que certamente terão reflexos expressivos na vida da população.

Até que o governo Itamar Franco decidisse enfrentar com determinação a hiperinflação renitente, a desvalorização da moeda a cada dia fazia com que boa parte da renda nacional fosse drenada para o sistema financeiro. A corrosão do valor real do dinheiro era mais perversa com quem não tinha conta-corrente ou não alcançava as ferramentas de proteção, como as aplicações “overnight”.

Quando Plano Real conseguiu aplacar a fúria inflacionária, os bancos, compensatoriamente,  foram aquinhoados com taxas de juros estratosféricas, que se mantiveram ao longo dos 16 anos dos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva. A lógica do lucro fácil acabou por transformar o Estado no duto da felicidade da banca. Sem a inflação, o Estado passou a destinar a ela boa parcela do que arrecadava em imposto do cidadão pela via do endividamento.

Sob Lula, que colocou um banqueiro no Banco Central para zelar pelos privilégios dos banqueiros, os lucros auferidos pelo sistema financeiro no Brasil nunca foram tão fáceis e expressivos. Bastava aplicar a poupança da clientela em títulos públicos para fazer a abastança da banca. Sem nenhum risco.

Dilma prometeu durante a campanha reduzir os juros no País. Ninguém deu muita importância porque todos os candidatos prometem isso e não fazem nada. Por esta razão, a anunciada cruzada da presidente contra os juros surpreendeu muita gente — inclusive a recalcitrante FEBRABAN, que chegou a apresentar um programa de redução dos juros sem tocar nos lucros exorbitantes de seus associados.

Houve um enorme alarido e muita desconfiança quando o governo anunciou sua disposição de fazer uma queda de braço com os bancos privados pela via da concorrência. Os analistas econômicos — a serviço dos bancos, diga-se de passagem — perderam o discurso de que a culpa sempre cabia ao governo, responsável pela manutenção da taxa SELIC em níveis inexplicáveis para uma economia sólida.

Agora, a redução da taxa básica expôs o verdadeiro fator de limitação do crescimento econômico: os juros reais, que o cidadão paga para consumir um bem e o empresário paga para produzí-lo.

Alguns desses analistas se apressaram em identificar no posicionamento claro da Presidente em cadeia nacional uma performance digna de Cristina Kirchner. Viram no pronunciamento da véspera do Dia do Trabalho elementos de uma confrontação de caráter populista, tentando equivocadamente levar para o campo ideológico o locus do embate.

É muito difícil entender que, em plena crise de solvência, o consumidor norte-americano continuasse pagando 7% ao ano de juros no cartão de crédito enquanto as mesmas empresas cobravam — ainda cobram — 240% de seu congênere brasileiro. É muito difícil entender por que uma empresa está sujeita a taxas que as equiparam, em risco e importância, ao consumidor do varejo. E também é impossível entender por que os bancos se recusam fazer empréstimos de fomento em um ciclo especial de crescimento da economia.

Por tudo isso, Dilma Rousseff , mais do que razão, tem elementos concretos para expressar sua indignação. O que ela faz é se insurgir contra a ganância que se traduz em um poderoso indutor da recessão, que limita a produção e o consumo e que desafia um governo que, pelo menos nesse campo, está fazendo o que tem que ser feito.

O estoque de ferramentas de que o governo dispõe para limitar os juros não termina com a indução do ambiente de concorrência pelos bancos oficiais. A próxima etapa, já anunciada, é tratar das tarifas cobradas pelos serviços bancários. Mas há algo mais impactante que começa a ser cogitado. A discussão da proposta tem sido patrocinada pelo Professor Amir Khair, da FGV, com quem autoridades da área econômica costumam se aconselhar. Ele defende abertamente que talvez seja mais barato ao País emitir dinheiro do que emitir títulos públicos.

O risco de gerar inflação a partir da expansão da base monetária para financiar a dívida pública, segundo Khair, é inexistente na atual conjuntura. Isso faria com que os bancos, sem a alternativa de rentabilidade e segurança dos papéis do governo, fossem obrigados a oferecer crédito e a concorrer efetivamente pela clientela para remunerar seu capital.

Como se vê, o governo ainda tem muitos elementos para tentar convencer a banca a cumprir seu papel social. Mas aplacar a ganância do sistema financeiro não é tarefa simples para nenhum governante, mesmo em um País que vai galgando posições no cenário internacional pelo vigor de sua economia.

Nos Estados Unidos de 2008/2009, por exemplo, foi ela o principal elemento da guerra travada entre a Casa Branca e os escritório da Wall Street. “Greed Kills” se transformou em emblema dos manifestantes que acampavam em frente à sede da Bolsa de Nova Iorque. Na pátria-mãe do capitalismo, um discurso ainda mais agressivo do que o de Dilma foi sustentado por Obama, a quem ninguém acusa de ser socialista ou de agir motivado pelo populismo petista.

É isso o que Dilma está fazendo agora: dizer aos bancos que a ganância mata. Se não mata os bancos, que no Brasil são invulneráveis, pode matar a economia, se nada for feito para limitá-la.

Planalto emplaca relator e tenta obter controle sobre CPI

O governo Dilma Rousseff indicou ontem um aliado como relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que vai investigar os negócios do empresário Carlos Cachoeira, sinalizando a intenção de manter as atividades da comissão sob seu controle.

Como relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG) terá amplos poderes para conduzir as investigações e será responsável pelo relatório em que serão expostas as conclusões da CPI, que foi instalada formalmente ontem à noite.

O Palácio do Planalto quer evitar que a comissão crie constrangimentos para o governo federal e trabalha para conter os setores do PT que desejam transformá-la em instrumento para um confronto com os partidos que fazem oposição à presidente.

Investigações feitas pela Polícia Federal nos últimos três anos levaram Cachoeira à prisão em fevereiro e expuseram seu relacionamento com vários negócios no setor público e políticos de seis partidos diferentes, incluindo o PT de Dilma e o PSDB, o maior partido da oposição.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais incentivadores da criação da comissão há duas semanas, quando ela começou a ser negociada por líderes partidários no Congresso.

Lula viu na CPI um instrumento para enfraquecer a oposição e assim reduzir os danos que o julgamento do mensalão poderá criar para ele e os petistas neste ano.

Mas Dilma teme que as investigações também provoquem prejuízos para a sua imagem, por causa das ligações de Cachoeira com políticos do PT e a construtora Delta, que tem vários contratos com o governo federal.

AVAL

A indicação de Odair Cunha como relator da CPI recebeu o aval da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e do líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Outro aliado do Planalto, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), será o presidente da CPI. Dos 32 membros da comissão, 25 foram indicados pelo PT, pelo PMDB e por outros partidos governistas.

Uma das ideias em discussão no governo é deixar para o fim das investigações a convocação de Cachoeira para depor, o que poderia atenuar o efeito explosivo que seu depoimento provavelmente teria se fosse tomado agora.

Antes, a CPI vai pedir os documentos da investigação da PF e ouvir o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e os delegados que investigaram Cachoeira.

Cunha pregou moderação em suas primeiras declarações. “Não vou fazer caça às bruxas”, disse à Folha, ao ser perguntado sobre a possibilidade de incluir entre os focos das investigações as relações de Cachoeira com jornalistas, juízes e procuradores.

O primeiro indicado pelo PT para a relatoria da CPI foi o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que tinha o apoio de Lula mas foi vetado por Dilma, que em março afastou-o da liderança do governo na Câmara e substituiu-o por Arlindo Chinaglia.

A escolha de Cunha foi a maneira encontrada por Dilma para se contrapor à ala paulista do PT, que tem forte influência de Lula e do ex-ministro José Dirceu, um dos 38 réus do processo do mensalão, que o Supremo Tribunal Federal se prepara para julgar nos próximos meses.

via Folha de S.Paulo – Poder – Planalto emplaca relator e tenta obter controle sobre CPI – 25/04/2012.

Por que Dilma não se envolve mais com a CPI do Cachoeira? Porque não é burra!

Os últimos dias transcorreram sem que os observadores políticos recebessem um sinal claro do Palácio do Planalto sobre como seria a atuação do governo na CPI do Cacheira. O sinal, a despeitos da saraivada de palpites, não veio. Até aqui, os preparativos para a guerra congressual que se arma passam longe do gabinete da presidente Dilma Roussef.

A ausência de uma orientação mais evidente tem sido interpretada como sinal de apatia, falta de habilidade política ou de êxito em articulações engendradas nos sub-bastidores da política palaciana que transcorreriam longe dos olhos atentos da opinião pública. Talvez não seja nada disso.

Quando o tabuleiro começou a ser armado, o que se viu foram movimentos coordenados dos velhos atores de sempre. No ataque, Lula ressurgiu do leito hospitalar para uma posição proeminente. O PMDB, até agora aparentemente fora da seara dos negócios de Cachoeira, logo se posicionou como o grande mediador do processo de negociação que antecede esse tipo de evento político. Os partidos comprometidos foram para a defensiva. E o Palácio do Planalto ?

Nada. Nenhum sinal. Apenas uma declaração protocolar de que CPIs são problema do Congresso, e que a vontade dos congressistas deve ser respeitada.

Não é lícito supor que os desdobramentos dessa CPI não interessem ao Planalto. Eles interessam sim, e muito, na medida em que podem redefinir o papel das várias forças que compõem o arco de apoios ao governo. E também, talvez principalmente, o tamanho da oposição que restará ao governo  com a destruição de um de seus principais alicerces residuais — o DEM — e  o comprometimento de parte do PSDB, representada pelo governador Marconi Perillo.

Como entender, então, o aparente absenteísmo do governo neste momento crucial?

Talvez a resposta seja mais simples do que a complexidade do assunto sugere. Dilma Rousseff  emite sinais de que atua positivamente com uma atitude passiva. Ela já demonstrou que não tem dificuldade em se livrar de assessores comprometidos em escândalos de corrupção. Em seu primeiro ano de governo, defenestrou seis ministros e vários detenterores de posições importantes no segundo escalão. Ao contrário de Lula, defensor empedernido de todos os anjos caídos da República, Dilma não foi além das declarações protocolares em todos os casos que se apresentaram — à exceção de um deles, o que envolve seu amigo Fernando Pimentel.

Desta forma, operando com o passivo, conseguiu algo que em outros tempos (recentes) soaria impossível: se não promoveu uma faxina ética, ao menos logrou sanear sua equipe em (quase) todas as oportunidade que se apresentaram. Não pode ser “acusada” de ter movido uma caça às bruxas, mas efetivamente cortou a cabeça de algumas feiticeiras que a ocasião desnudou. Ao final, lucrou com isso — ou em parte por isso — um patamar de popularidade inédito na história, o que não é pouca coisa.

Quanto custaria ao Planalto assumir uma atitude de interferência ativa nesse processo? Embora não exista uma resposta clara, basta recorrer ao passado recente para se ter uma ideia do que poderia estar acontecendo neste momento de preparação para a guerra que se avizinha. O PMDB, para citar um único caso, jamais se prestou a qualquer tarefa por patriotismo ou altruísmo. As faturas são elevadíssimas e só fazem retroalimentar a máquina de produzir denúncias e ilegalidades.

De acordo com a cultura política contemporânea, quanto pior a situação do governo, melhor a de seu principal aliado. O PMDB sempre aproveitou bem todas as ocasiões que lhe permitiram atuar como um advogado criminalista diante de um réu preso: quanto mais grave o crime e mais sólidas as provas, maiores os honorários, mais drásticas as condições de pagamento.

Desta vez, a persistir o aparente absenteísmo, Dilma vai obrigar os mercenários do PMDB a agir por voluntarismo. Sem honorários, sem conta a pagar.  Quanto vale isso? Que o diga o governador Jaques Wagner: “não tem preço”!

Por último, há uma vantagem residual que pode antecipar uma luta interna do Partido dos Trabalhadores tendo em vista o pleito de 2014. Luta que, diga-se de passagem, foi deflagrada pelo ódio visceral com que Lula tem se movimentado como protagonista da cena da CPI do Cachoeira. Na iminência de ter sua versão sobre a inexistência do Mensalão desmascarada pelo STF, vendo seu mito ser implodido pelas ações silenciosas de sua própria criatura, antevendo o momento em que terá de confrontar a possibilidade de Dilma reivindicar para si o direito de disputar com ele a legenda para a próxima eleição presidencial, mais do que incomodado, Lula parece colérico e estabanado. Foi-se a racionalidade. O ex-presidente hoje merece a imagem caricata de um hipopótamos em loja de louça. Os cacos já estão visíveis: que o diga Agnelo Queiroz, obrigado a purgar solitariamente o inferno de suas próprias contradições.

Muitos dirão que esta é uma análise simplista e reducionista porque o governo simplesmente não atua desta forma. Mas parece evidente que, ao adotar uma postura passiva, Dilma Rousseff  não está abdicando do direito ou do dever de interagir com o processo político. Ao contrário: o lucro pode ser enorme. Deixar a cachoeira correr, evitar o represamento do dique dos negócios da jogatina e de suas implicações políticas deletérias, mais do que proveitoso, pode ser sinal de inteligência.

Dilma, que domesticou os bancos, ainda precisa dizer a que veio ao Congresso

Parecia uma dessas promessas que todo político faz quando Dilma Rousseff defendeu , ao longo da campanha que a elegeu Presidente da República, que iria reduzir os juros. Não apenas consegui reduzí-los, como ainda logrou dobrar o ânimo recalcitrante da banca privada, com seus históricos spreads de agiota.

A atuação do Banco Central e a disposição reiterada da Presidente colocaram fim a uma era em que tudo o que se dizia sobre o preço do dinheiro no Brasil era balela. Os anos Lula foram pródigos em demonstrar a ausência de disposição do governo para enfrentar o problema. Havia uma dicotomia clara entre o discurso do vice-presidente José Alencar, crítico contumaz da agiotagem, a retórica do Planalto e a prática do governo. Os bancos venciam sempre. E o governo tergiversava, transformando a causa de Alencar em uma romântica e solitária batalha quixotesca.

Ao cumprir o que prometeu, Dilma Rousseff, antes criticada pelos porta-vozes do sistema financeiro pela instrumentalização “política” do Banco Central, demonstra que o governo tem poder efetivo para transformar a conjuntura, a despeito da reatividade de agentes que sempre encontraram nos gabinetes de Brasília governantes dóceis em excesso, amáveis demais e, muitas vezes, servis. A Presidente fez um golaço ao retirar o Brasil do topo do ranking internacional dos juros pornográficos.

Falta agora atuar de maneira mais enfática no que diz respeito à moralização das relações entre o governo e o Congresso. É aí, como reiteram os escândalos políticos que têm assomado às manchetes, que reside a gênese dos principais problemas brasileiros, ameaçando inclusive a governabilidade. Para quem domesticou os bancos privados, esta não parece ser uma tarefa impossível.

O Palácio do Planalto dá sinais de que atua com foco nessa questão. É notável, por exemplo, a diferença entre as práticas de cooptação do governo Lula e a atuação pontual saneadora que vem sendo efetivada diante dos descalabros que à opinião pública são dados a conhecer. Sempre que surgia um novo escândalo, Lula vociferava contra a “imprensa golpista” que insistia em solapar sua obra messiânica. Proteger anjos caídos, blindá-los de todas as formas, consumiu muita energia nos últimos oito anos.

Logo no início do governo, Lula deixou claro como agiria quando um auxiliar aparecesse enredado em problemas com a Justiça. Para blindar Henrique Meirelles, por exemplo, o então presidente não titubeou em editar uma medida provisória elevando o status do presidente do Banco Central ao de ministro de Estado. Livrou-o de ter que responder a um processo na justiça comum e permitiu que ele governasse a economia e defendesse a moeda sem ter que se incomodar com juízes de primeira instância.

Para defender as hordas de aloprados que se sucederam nas manchetes escandalosas, Lula optou  por meter-se na trincheira dos denunciados. Quando teve a chance de livrar o País da ascendência deletéria de José Saney, na chamada crise dos Atos Secretos, preferiu destroçar Aloysio Mercadante, o líder do governo que, desmoralizado pelo Planalto,  até hoje paga por uma renúncia que não teve coragem de honrar. E comandou pessoalmente uma árdua batalha para salvar Renan Calheiros da degola no arrasto da crise aberta com a revelação de que utilizava um lobista para pagar a pensão alimentícia da jornalista Mônica Velloso.

Com Dilma Rousseff, é notória a guinada no enfrentamento desse tipo de situação. Ela já se livrou de sete auxiliares que tiveram seus pecados expostos nas páginas dos jornais. Enfrentou — ainda enfrenta — a insurreição do pernicioso fisiologismo parlamentar, que até aqui era visto com naturalidade na cena política brasileira. Foi criticada como inábil, inexperiente, avessa à “negociação” política quando tentava disciplinar minimamente a seara em que a articulação parlamentar acontece.

Idiossincraticamente, manteve intacta a máquina poderosa das nomeações de apadrinhados dos partidos da base congressual, as “fábricas de dinheiro” nominadas por Roberto Jefferson ao denunciar o Mensalão. E protegeu — ainda protege — amigos como Fernando Pimentel, acossado por denúncias de que recebeu muito dinheiro sem prestar qualquer tipo de serviço como contrapartida. Contra ela, pode-se de dizer também que menosprezou recomendações da Comissão de Ética Pública na crise que envolveu Carlos Luppi. Mas deve-se lembrar que o então ministro do Trabalho acabou defenestrado pelo governo semanas mais tarde.

É preciso ainda ressaltar que a Presidente Dilma Rousseff criou um instrumento ímpar na história da democracia brasileira, capaz de lançar luz sobre aquilo que a burocracia e as conveniências pretendem manter longe dos olhos da opinião pública: a Lei da Transparência, que passa a vigorar a partir de 16 de maio. Ela obriga o governo a prestar todo tipo de informação não catalogada como secreta ou sigilosa mediante simples requerimento de qualquer cidadão. É verdade que há uma enorme má-vontade de empresas como o Banco do Brasil e a PETROBRAS, cujas caixas-pretas ainda inexpugnáveis resistem incólumes aos novos princípios irradiados pela Lei 12.527/11.

A despeito de todos os problemas residuais, a presidente já percebeu as vantagens que decorrem do enfrentamento da questão moral. Não é por acaso que sua popularidade suplantou o patamar do mito Lula em fase análoga de seu primeiro governo, mesmo com a economia estagnada. Parece uma tarefa perfeitamente factível para quem conseguiu enfrentar a banca, que há 40 anos não encontrava obstáculos no governo.

Mas uma coisa é corrigir vícios alheios com instrumentos poderosos como os dos gestores da política monetária. Outra, muito mais complexa, é vencer vícios internos tão  arraigados —  a ponto de terem criado uma cultura que admite a corrupção não apenas como meio e fim, mas sobretudo  como estratégia de sobrevivência política.

O grande teste começa agora, com a abertura da Caixa de Pandora da CPI do Cachoeira.

Bradesco, Itaú e Santander cedem e reduzem os juros

Bem antes do que se esperava, os bancos Bradesco, Itaú e Santander cederam às pressões do governo e anunciaram redução em algumas das taxas de juros de empresas e consumidores.

Recebida como um gesto dos banqueiros para reabertura do diálogo, a reação das instituições privadas ocorre duas semanas após Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal desafiarem a concorrência cortando juros.

Os banqueiros nem esperaram, como normalmente fazem, o Banco Central anunciar, ontem, a redução de 9,75% para 9% dos juros do governo, piso das taxas (leia mais no caderno “Poder”).

Diferentemente das instituições públicas, que focaram os benefícios para conquistar novos clientes, Bradesco, Santander e Itaú priorizaram os atuais correntistas com novas taxas e tarifas.

Maior banco privado brasileiro, o Itaú focou o setor de veículos e o crédito com desconto em folha do INSS, segmentos considerados de menor risco de inadimplência.

O Itaú se igualou à Caixa na taxa mínima para financiar carros -0,99% ao mês para clientes antigos (leia mais na página B3).

No Bradesco, houve redução geral nos juros de crédito pessoal e compra de bens, além do financiamento de veículos e do empréstimo com desconto em folha do INSS.

O corte mais agressivo foi na taxa de capital de giro das empresas, de 5,56% para 2,9% ao mês. Ao todo, o banco pôs mais R$ 21 bilhões à disposição dos clientes para crédito.

O Santander, que na véspera anunciara queda nos juros para lojistas, criou nova modalidade de conta-corrente com juros a partir de 4% no cheque especial -o banco tinha taxa média de 10,33% ao mês no cheque até o dia 4.

via Folha de S.Paulo – Mercado – Bradesco, Itaú e Santander cedem e reduzem os juros – 19/04/2012.

Para Hillary, Dilma criou ‘padrão global’ contra a corrupção

FLÁVIA FOREQUE, MÁRCIO FALCÃO e NÁDIA GUERLENDA

A atuação da presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção foi elogiada ontem pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

Ao encerrar sua visita de dois dias ao Brasil, Hillary fez um afago na presidente e afirmou que ela está “estabelecendo um padrão mundial”.

“O compromisso dela [Dilma] com a abertura e com a transparência e a luta dela contra corrupção estão estabelecendo um padrão global”, afirmou a secretária.

A americana esteve em Brasília para lançar um protocolo de intenções em defesa de maior transparência de agentes públicos -55 países já aderiram ao compromisso. Brasil e Estados Unidos são copresidentes da iniciativa.

“Não há melhor parceiro para começar esse esforço e liderar [essa iniciativa] do que o Brasil, e em particular a presidente Rousseff”, disse ela.

Segundo ela, a corrupção “mata o potencial dos países” e tira a motivação da própria população por melhorias.

O discurso foi feito num momento em que partidos da base de apoio de Dilma discutem a instalação de uma CPI com potencial de apontar relações entre políticos do governo e da oposição com o empresário de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira.

Em sua fala, Dilma voltou a dizer que seu governo não pactua com irregularidades.

“Não teremos tolerância com nenhum malfeito. O dinheiro público vem do diário esforço do povo, que paga tributos e constrói a riqueza do nosso país.”

Ela ainda cobrou transparência de agentes privados com bens públicos e citou a importância da regulação do sistema financeiro.

“Obrigatória para o Estado, a transparência e o compromisso com o bem público também devem ser exigidos dos agentes privados cujas condutas afetam diretamente a vida dos cidadãos.”

Dilma destacou o papel da inteligência da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário, “instituições cada vez mais preparadas para evitar desvios e punir”.

LEI DE ACESSO

A presidente lembrou a aprovação da Lei de Acesso à Informação, que entra em vigor no dia 16 de maio.

O próprio governo, porém, reconhece atraso no cronograma das ações previstas.

“Eu não tenho a mínima dúvida de que não estará tudo funcionando 100%. O que for possível estará funcionando”, afirmou o ministro Jorge Hage, da CGU (Controladoria-Geral da União).

A lei que regulamenta o acesso aos dados públicos foi sancionada em novembro do ano passado.

O texto estabelece que qualquer pessoa poderá ter acesso a informações não sigilosas sem precisar explicar o motivo, e que os entes de todos os Poderes, inclusive ONGs que recebem verba pública, estarão obrigados a prestar as informações.

Segundo dados da CGU, dos 38 ministérios, somente 10 já implantaram -parcial ou totalmente -o que a nova lei determina.

via Folha de S.Paulo – Poder – Para Hillary, Dilma criou ‘padrão global’ contra a corrupção – 18/04/2012.

Lei da Transparência: discurso é um, prática é outra

O Blog do Pannunzio vem saudando o advento da Lei de Acesso à Informação — ou Lei da Transparência — como uma das ferramentas mais importantes para o aprimoramento da democracia brasileira. Ocorre que entre o discurso e a prática há um fosso enorme. A 35 dias de passar a vigorar plenamente, a nova lei ainda é desconhecida e, em alguns casos, flagrantemente desrespeitada pelo próprio governo.

Além dos esforços da Controladoria-Geral da União, encarregada da implementação da norma, pouco ou nenhum movimento se vê em órgãos públicos para se adequar à nova realidade. E a julgar pela demora em fornecer a resposta a uma simples consulta, nem mesmo a CGU está ainda adaptada à realidade criada pela Lei 12.527/11.

Há dois meses o Blog do Pannunzio tenta obter do Banco do Brasil e da PETROBRAS informações sobre os contratos de publicidade firmados com o blog Conversa Afiada. As estatais, juridicamente enquadradas como sociedades de economia mista, se recusam a fornecer a informação alegando sigilo contratual. A negativa não encontra amparo na lei, que obriga essas empresas a dar transparência a todas as informações que não tenham caráter pessoal ou estejam formalmente qualificadas como sigilosas ou secretas. A Caixa Econômica Federal, os Correios e o Governo do Rio Grande do  Sul, ao contrário, responderam prontamente aos questionamentos do Blog.

Diante das negativas reiteradas, o Blog consultou a CGU há exatos 15 dias sobre o assunto. Apesar das várias reiterações, até o momento ainda não houve resposta. Ressalte-se que a Lei de Acesso à Informação estabelece prazo máximo de 20 dias para as respostas.

Nesta terça-feira, em discurso perante a Secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, a Presidente Dilma Rousseff afirmou que a Lei da Transparência “é de uma das leis mais avançadas , adotando padrões de dados abertos para divulgação de informações. As informações devem ser abertas por Executivo, Legislativo e Judiciário e todos os níveis de governo. Todos os brasileiros poderão consultar documentos produzidos pela administração pública que deverão ser produzidos com linguagem simples”

Como se vê, por enquanto, a nova lei se presta apenas para a construção retórica — e bem pouco para os fins a que se destina.

 

Dilma: Brasil deu passo decisivo ao aprovar Lei de Acesso à Informação

Yara Aquino, Repórter da Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (17) que o Brasil deu um passo decisivo ao aprovar a Lei de Acesso à Informação que entra em vigor no dia 16 de maio.

“Trata-se de uma das leis mais avançadas de transparência ativa e passiva adotando padrões de dados abertos para divulgação de informações. As informações devem ser abertas por Executivo, Legislativo e Judiciário e todos os níveis de governo. Todos os brasileiros poderão consultar documentos produzidos pela administração pública que deverão ser produzidos com linguagem simples”, disse a presidenta durante discurso na abertura da 1ª Conferência Anual de Alto Nível da Parceria para um Governo Aberto (cujo nome, em inglês, é Open Government Partnership).

Dilma defendeu ainda a gestão qualificada dos gastos públicos e a transparência da informação como forma de reduzir a corrupção. “Queremos também aprimorar a qualidade do gasto público, reduzir gastos e racionalizar processos.”

“O bom uso dos recursos públicos, a eficiência e combate à corrupção são duas faces da mesma moeda que devem caminhar juntas”, completou.

A presidenta cobrou também a transparência e regulação do setor financeiro. “Quando não há monitoramento e regulação adequados os fluxos financeiros são passíveis de manipulação com prejuízos para toda a economia mundial e para as conquistas sociais dos países”, disse. A parceria para o governo aberto reúne apenas governos e organizações da sociedade civil.

Diante de representantes de mais de 50 países e da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, a presidenta Dilma Rousseff citou alguns dos mecanismos do governo brasileiro que permitem aos cidadãos o monitoramento, via internet, dos gastos públicos, como o Portal da Transparência.

A 1ª Conferência Anual de Alto Nível da Parceria para um Governo Aberto tem o objetivo de alcançar avanços concretos nos compromissos assumidos pelos governos para garantir maior acesso às informações públicas, aumentar a participação cívica, combater a corrupção e aproveitar novas tecnologias para tornar os governos mais transparentes e eficazes.

* Colaborou Renata Giraldi     //    Edição: Lílian Beraldo

via Dilma: Brasil deu passo decisivo ao aprovar Lei de Acesso à Informação | Agência Brasil.

Governo e moderados do PT já pensam em melar CPI do Cachoeira

A presidente Dilma Rousseff não está satisfeita com o presidente do PT, Rui Falcão, por causa da atropelada criação da CPI do Cachoeira. Dilma se queixou com ministros e petistas de que Falcão não podia ter saído atirando – e defendendo a criação da CPI – sem consultá-la antes. Agora, o partido tenta puxar o freio de mão. Com o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), internado desde sábado com insuficiência coronariana, se as assinaturas forem coletadas a tempo, caberá à vice-presidente Marta Suplicy (PT-SP) instalar a comissão na terça-feira. A preocupação de Dilma com o anunciado descontrole da CPI foi tema da conversa, na sexta-feira, entre ela e o ex-presidente Lula, um dos entusiastas da investigação parlamentar sobre os negócios e relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), já admite até abortar a CPI, se o Supremo Tribunal Federal (STF) concordar em enviar os autos das operações Monte Carlo e Las Vegas, da Polícia Federal, ao Conselho de Ética do Senado. Mas ele reconhece que, politicamente, é muito difícil reverter a criação da CPI a esta altura dos acontecimentos. O senador José Pimentel (PT-CE), como membro do Conselho, requereu novamente os documentos, alegando jurisprudência do caso do ex-senador Luiz Octávio (PMDB-PA), quando o Supremo enviara o inquérito solicitado pelo Senado.

- Se mandarem os documentos, e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe – disse Pinheiro.

Dilma ficou especialmente irritada com o vídeo em que o presidente do PT, Rui Falcão, diz que a CPI ajudaria a desviar o foco e neutralizar o desgaste do julgamento do mensalão no STF, que deve começar em maio. Para Dilma, há o risco de a CPI ser um tiro no pé e paralisar o governo. Governadores e governistas também temem que as investigações virem uma bola de neve e desnudem as relações da Delta Construções com governos de todos os partidos.

Petistas criticam intervenção de Lula

Petistas mais moderados criticam a direção do partido por ter atendido, sem discussão, o desejo do ex-presidente Lula, que vibrou quando integrantes do governo do tucano Marconi Perillo (GO) apareceram nas investigações da Polícia Federal. O ex-presidente não perdoa o tucano por ele ter afirmado, durante o escândalo do mensalão, que Lula tinha conhecimento do esquema. Rui Falcão chegou a defender, em vídeo, que a CPI fosse usada para investigar o que chamou de “farsa do mensalão”, que, segundo ele, teria sido montada pelo grupo que circula em torno de Cachoeira.

Depois que forem coletadas as assinaturas necessárias – 171 na Câmara e 27 no Senado -, Marta Suplicy terá que ler o requerimento em plenário, para que a CPI seja criada.

No balanço dos eventuais estragos decorrentes da CPI, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), aposta que a oposição tem mais a perder do que o governo e a base aliada:

- Tem coisas graves que precisam ser investigadas. Não é CPI contra o governo. As denúncias batem pesado na oposição, inclusive em pessoas que se portavam como paladinos da moralidade. Se aparecer qualquer irregularidade no governo, a providência é mandar apurar. Se tiver que romper contratos (com a Delta), rompe. O objetivo é apurar a infiltração do crime organizado no Estado brasileiro, e pega mais gente da oposição do que do governo.

Além de Perillo, as investigações da PF também envolvem o governo petista de Agnelo Queiroz (DF). A ala mais moderada do PT é contra lavar as mãos em relação à administração do Distrito Federal e refuta o argumento de que Agnelo é recém-chegado no partido.

- É um governo do PT. Não dá para contabilizar como governo nosso só quando interessa – diz uma liderança petista.

Ex-líder do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) é contra e não quis assinar a CPI:

- Acho que era preciso aguardar um pouco. Acho uma temeridade abrir uma metralhadora giratória agora que vai perturbar tudo. Há um ambiente de preocupação. Quem tem experiência de CPI sabe que pode ser um instrumento de perturbação para o governo.

A mesma cautela é adotada pelo atual líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).

- Eu, Eduardo Braga, pessoalmente sempre acho que CPI, a gente sabe como começa, mas não sabe como termina – diz Braga, estranhando não ter tido nenhuma orientação do Planalto para interferir na instalação da CPI.

via Dilma se queixa, PT recua e agora já fala em ‘rediscutir’ CPI – O Globo.

Imprensa Golpista: quem, afinal, apoiou a ditadura militar brasileira ?

Em 1970 o País estava em convulsão. O regime era conduzido com mão de ferro pelo general Emílio Garrastazu Médici. Foi o mais severo dos ditadores. Ele movimentou uma máquina repressiva sem precedentes na história da República. Seu governo será lembrado para sempre pelas crueldades contra quem ousasse divergir, criticar ou combate-lo. Prisões, assassinatos, desaparecimentos e tortura aconteciam diante de uma sociedade anestesiada pelo crescimento da economia e emudecida pela censura.

A imprensa brasileira se dividia em duas alas: a que apoiava descaradamente a ditadura, outra que decidiu se insurgir contra os horrores protagonizados pelos milicos e seus algozes civis. E não foram poucos. No DOPS da polícia Paulista, por exemplo, uma jovem militante de um grupo guerrilheiro chegou a ser torturada durante 22 longos dias consecutivos com todo tipo de instrumento que pudesse provocar dor extrema e sofrimento psicológico. Seu nome: Dilma Rousseff.

Entre os veículos que apoiavam explicitamente a ditadura militar e se calavam obsequiosamente sobre a tortura, a revista Veja foi talvez o mais assanhado e prestativo. Na edição de 1º de julho de 1970, Veja dedicou sua capa ao fenômeno que catapultava para o alto a popularidade do ditador. A revista se desdobrava em elogios aos generais. Havia a Copa do Mundo, a conquista do tricampeonato, e pouco importava o que se passava nos porões.

Reproduzo, abaixo, a seção “Carta ao Leitor” da edição de número 95 de Veja. Lê-la é quase como cumprir um dever cívico de reparação histórica.  É um documento público de valor inestimável, assim como outros textos da revista do mesmo período. Serve para demonstrar como jornalistas engajados se transformaram em áulicos da ditadura militar brasileira.

O mais chocante, no entanto, é perceber que esses áulicos, hoje, travestem-se de democratas aguerridos. Incumbem-se do papel de defensores do governo diante de uma conspiração atroz da “mídia golpista” contra o governante de plantão. E se colocam lado a lado com aquela que, em outros tempos, não mereceria outro rótulo que não o de terrorista nas páginas produzidas por suas penas sempre dóceis a qualquer regime, qualquer governo.

Ganha um doce aquele que adivinhar quem foi o autor do texto. Palpites podem ser enviados para a área de comentários do blog.

Dilma avisa que aceita negociar com base, mas sem chantagem

Diante da forte reação da base aliada no Congresso às suas decisões dos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff avisou que não vai recuar nem ceder a pressões, ameaças e chantagens. Por meio do novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-PR), ela sinalizou com a retomada do diálogo com os governistas insatisfeitos, desde que não haja imposições. Para evitar risco de derrotas em matérias de interesse do governo, Dilma determinou que nada seja votado na Câmara e no Senado enquanto o clima estiver tenso e aliados fizerem ameaças.

Afinado com a presidente, o novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), endureceu o discurso com o líder do PR, senador Blairo Maggi (MT). Na véspera, Blairo anunciara que os sete senadores do PR estão na oposição porque a sigla não retomou o comando do Ministério dos Transportes. E condicionou a volta à base ao atendimento da reivindicação.

- Não dá para conversar com imposição. O líder do PR sabe que estamos tentando resolver isso, mas com esse clima que está sendo colocado eu não tenho mais autoridade para continuar com essas tratativas – disse Braga.

Entre parlamentares, aliados e da oposição, há perplexidade com as brigas que Dilma comprou: troca dos líderes, enfrentamento com grupos poderosos, como o do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), com o PR e até com setores do PT na Câmara.

Na quarta-feira, após o anúncio do PR de que fará oposição no Senado, Braga se reuniu com Dilma. Nesta quinta-feira, explicou que foi feito um convite para que Blairo fosse ministro dos Transportes, que continua de pé:

- Fica uma situação muito esquisita. Houve um convite, e ele nunca foi retirado. Agora, do ponto de vista do governo, não tenho como prosseguir a negociação se o PR não revir sua posição (de ir para a oposição).

PR insiste para ter Transportes de novo

O líder do PR, por sua vez, disse que as informações estão truncadas. Segundo Blairo, o convite para que ele se tornasse ministro foi recusado há sete meses. Ele alegou que haveria conflito de interesses com suas atividades empresariais – e afirmou que, desde então, o PR nunca mais recebeu outra indicação do governo. Contou que, na quarta-feira, foi chamado pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, mas para ser comunicado que o PR não teria mais o Ministério dos Transportes, apenas duas diretorias de estatais.

- Quando ela disse que não ficaria e ofereceu duas estatais, não quis saber de mais nada. Mas, como já disse, quando o governo achar que os sete votos do PR são importantes, nos procure. Eduardo Braga só precisa fazer um gesto, que aí podemos conversar.

Nas palavras de um interlocutor direto de Dilma, acabou a “zona de conforto” da base governista, e os aliados precisam perceber que o governo mudoue que essa mudança inaugurou um novo estilo de fazer política no Palácio do Planalto.

Apesar das queixas dos aliados pela substituição de Cândido Vaccarezza (PT-SP) por Arlindo Chinaglia (PT-SP), na liderança do governo na Câmara, o Palácio do Planalto é direto: Vaccarezza se transformara em porta-voz dele mesmo, e não do governo. O mesmo teria acontecido com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), substituído por Eduardo Braga na liderança do governo no Senado.

Dilma já tinha avisado no início do ano que trocaria os líderes, mas o fez esta semana, sem aviso prévio. Além de ter sido derrotada no Senado — no caso da rejeição do nome de Bernardo Figueiredo para permanecer na direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) -, Dilma se irritou profundamente com outra decisão de Jucá: ele ignorou sua determinação de aprovar, na semana de comemoração do Dia da Mulher, o projeto sobre equiparação de salário entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

Como Braga, Chinaglia, que herdou os conflitos do Código Florestal e da Lei da Copa, também já está agindo, mas é realista:

- Não existe mágica, existe trabalho.

Também é grande o problema do outro lado da Praça dos Três Poderes, no Planalto: a falta de entrosamento e jogo político da dupla palaciana formada por Ideli e pela chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A desastrada negociação da Lei Geral da Copa, classificada por aliados como “lambança”, mostra a deficiência na articulação política.

Ideli, orientada por Dilma para não se deixar ser esmagada, retomou nesta quinta-feira contatos importantes: almoçou com o presidente da Câmara, Marco Maia; encontrou-se com Renan Calheiros; e falaria com Chinaglia.

via Dilma avisa que aceita negociar com base, mas sem chantagem – O Globo.

PT e PR ampliam rebelião no Congresso

SIMONE IGLESIAS, CATIA SEABRA e VALDO CRUZ, da Folha de São Paulo

A crise que atinge a base governista no Congresso teve novos lances na bancada do PR no Senado, que anunciou ter ingressado na oposição a Dilma Rousseff, e no PT da Câmara, que decidiu afrontar orientações do Palácio do Planalto.

A resolução do PR ocorreu ontem, um dia após Dilma confirmar Eduardo Braga (PMDB-AM) como líder do governo no Senado, o que desagradou um dos caciques da legenda, o ex-ministro Alfredo Nascimento, inimigo político de Braga.

O PR é a terceira bancada da Casa, com sete dos 81 senadores. Desde que Dilma assumiu, o partido estava alinhado ao Planalto, mas se declarou “independente” após Nascimento deixar o Ministério dos Transportes sob suspeita de irregularidades.

Na ocasião, Dilma não aceitou sugestões da legenda para o posto e manteve o interino Paulo Passos, que é do PR, mas não conta com o respaldo da maioria do partido.

“Resolvemos que estamos fora da discussão e isso significa que estamos na oposição (…) Quando o governo entender que o PR é importante para a governabilidade, que nos procure”.”, disse Blairo Maggi (MT), líder da bancada no Senado.

Ele afirmou, entretanto, que se a Dilma aceitar alguém da lista de indicados pelo partido para a pasta, a legenda volta a ser governo.

Já os 43 deputados do PR na Câmara continuarão com posição declarada de independência, segundo o líder da legenda, Lincoln Portela (MG).

PT

No PT, cerca de 40 dos 86 deputados federais decidiram em reunião na terça afrontar as orientações do Planalto, em resposta à destituição de Cândido Vaccarez-za (PT-SP) da liderança do governo na Câmara.

O primeiro recado pode ser dado no projeto de reforma do Código Florestal.

Os deputados do campo majoritário do PT, prometem, no mínimo, fazer corpo mole no trabalho de articulação do governo na Casa, deixando a tarefa a cargo da outra ala do partido.

Além do suporte aos candidatos do PMDB às presidências da Câmara e Senado, essa ala do PT avalia como impossível o adiamento da votação do Código Florestal, como deseja Dilma.

O governo teme ser derrotado pelos ruralistas e, por isso, só quer votar o tema quando houver segurança.

Na reunião do grupo do PT, alguns chegaram a propor um boicote ao trabalho do recém-indicado a líder do governo na Casa, o também petista Arlindo Chinaglia (SP).

Houve também quem defendesse articulação para que Lula dispute a Presidência pelo PT em 2014.

via Folha de S.Paulo – Poder – PT e PR ampliam rebelião no Congresso – 15/03/2012.

Ambientalistas criticam “retrocessos” do governo Dilma

Ambientalistas de treze entidades distintas se reuniram nesta terça-feira para analisar criticamente as políticas adotadas durante o primeiro ano do governo Dilma Rousseff. Os problemas apontados vão desde a redução do poder de fiscalização do IBAMA, passam pela redução da área de reservas ambientais e chegam à lentidão de investimentos em saneamento básico. Reproduzo, abaixo, a íntegra do documento assinado por essas entidades.

O primeiro ano do governo da Presidente Dilma Rousseff foi marcado pelo maior retrocesso da agenda socioambiental desde o final da ditadura militar, invertendo uma tendência de aprimoramento da agenda de desenvolvimento sustentável que vinha sendo implementado ao longo de todos os governos desde 1988, cujo ápice foi a queda do ritmo de desmatamento na Amazônia no Governo Lula. Os avanços acumulados nas duas últimas décadas permitiram que o Brasil fosse o primeiro país em desenvolvimento a apresentar metas de redução de emissão de carbono e contribuíram decisivamente para nos colocar numa situação de liderança internacional no plano socioambiental.

Ao contrário do anúncio de que a presidente aprofundará as boas políticas sociais do governo anterior, na área socioambiental, contrariando o processo histórico,  há uma completa descontinuidade. A flexibilização da legislação, com a negociação para aprovação de um Código Florestal indigno desse nome e a Regulamentação do Artigo 23 da Constituição Federal, através da Lei Complementar 140, recentemente aprovada, são os casos mais graves. A lista de retrocessos inclui ainda a interrupção dos processos de criação de unidades de conservação desde a posse da atual administração, chegando mesmo à inédita redução de várias dessas áreas de preservação na Amazônia através de Medida Provisória, contrariando a legislação em vigor e os compromissos internacionais assumidos pelo país. É também significativo desse descaso o congelamento dos processos de reconhecimento de terras indígenas e quilombolas ao mesmo tempo em que os órgãos públicos aceleram o licenciamento de obras com claros problemas ambientais e sociais.

Esse processo contrasta com compromissos de campanha assumidos de próprio punho pela presidente em 2010, como o de recusar artigos do Código Florestal que implicassem redução de Áreas de Proteção Permanente e Reservas Legais e artigos que resultassem em anistia a desmatadores ilegais. Todos esses pontos foram incluídos na proposta que deve ir a votação no Congresso nos próximos dias, com apoio da base do governo.  Read more…

Dilma recebe Obama de vermelho, dos pés à cabeça, e salto alto

Desenho animado na TV Brasil. Por enquanto, nada de Obama.

A presidente Dilma Rousseff está uma tetéia, com o perdão da palavra, mas é assim mesmo que ela está. Traja um vestido vermelho e scarpin vermelho de salto médio. Tem um discreto brinco de pérola adornando as orelhas e uma echarpe — ou pashmina — caindo dos ombros.

A primeira-dama Michelle Obama está arrasando. Um taileur cor de areia, cabelos presos num coque e um sapato da cor do vestido de bico fino. E magra, muito magra mesmo. As repórteres que cobrem a visita do presidente americano ao Brasil estão encantadas.

Enquanto isso, a TV Brasil, emissora estatal que havia prometido uma cobertura especial sobre a visita de Obama, exibe um desenho animado.

 

Dilma rejeita indicações de Cunha e irrita PMDB do Rio

Gerson Camarotti, Adriana Vasconcelos e Cristiane Jungblut -

Com a retomada das articulações para nomeação dos cobiçados cargos do segundo escalão, a mudança do comando de Furnas virou nesta quarta-feira o principal problema do governo por causa do impasse entre PT e PMDB. Os peemedebistas ameaçaram entregar todos os cargos caso a bancada do Rio de Janeiro perdesse o comando de Furnas. Mas segundo interlocutores próximos, a presidente Dilma Rousseff já avisou que não vai aceitar uma indicação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não só para Furnas, mas também para todos os cargos do setor elétrico.

No Palácio do Planalto, há forte contrariedade com as últimas declarações em tom de ameaças do deputado peemedebista por causa das denúncias envolvendo Furnas feitas pelo jornal O GLOBO . A informação de que Cunha estava disposto a manter as ameaças numa entrevista para uma revista semanal foi considerada por ministros como uma espécie de declaração de guerra do peemedebista.

Líder do PMDB se reúne com Palocci e endurece discurso
No início da noite desta quarta-feira, o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), teve um encontro no Palácio do Planalto com o chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci, e resolveu endurecer as negociações com o governo. Muito próximo de Cunha, deixou claro que não abriria mão de que o comando de Furnas fosse indicado pela bancada do PMDB do Rio de Janeiro e que não aceitaria compensações. A reunião marcou o início das negociações pelo loteamento político dos cargos de segundo escalão.

Para integrantes do PMDB, Henrique Alves fez um desabafo pouco antes de ir para o Planalto: caso a bancada ficasse sem Furnas, seria melhor entregar todos os cargos. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, chegou a sugerir como solução para o impasse a indicação do ex-diretor da Eletrobras Flávio Decat para o comando de Furnas. Dentro dessa proposta, o PMDB manteria o comando da Eletrobras e da Eletronorte.

- Eu e a presidente Dilma queremos o Flávio Decat – disse Lobão.

Mas a proposta foi rejeitada pela bancada do PMDB da Câmara, o que acentuou o impasse. Inicialmente, o nome de Decat estava indicado para presidir a Eletrobras.

- O Decat não ia para a Eletrobrás? Ele não é uma indicação da bancada. Estamos discutindo nomes técnicos. Não posso como líder desconhecer essa realidade: a bancada do PMDB do Rio tem nove deputados. Como fica essa bancada? Eletrobras e Eletronorte são indicações do Senado e não da Câmara. Por isso, não podemos anular as reivindicações da Câmara – avisou Henrique Alves.

Dilma está disposta a fazer uma mudança completa na diretoria de Furnas com a substituição não só do presidente da estatal, Carlos Nadalutti Filho, indicado pelo PMDB, mas de toda a diretoria, inclusive as indicações petistas. Apesar do esforço do líder peemedebista Henrique Eduardo Alves em disfarçar a ansiedade latente dentro de sua bancada, o clima entre os parlamentares da legenda continua de desconfiança em relação ao PT.

- A eleição do deputado Marco Maia foi um primeiro sinal da melhora do clima na base governista, depois do jogo desigual na composição ministerial, que mais parecia um jogo de handebol no qual o PT fez 17 gols e o PMDB apenas quatro. O ministro Palocci prometeu a partir de agora equilibrar o jogo. Vamos ver agora se os fatos confirmam essas intenções – adiantou o líder peemedebista.

Paralelamente às negociações do segundo escalão, a bancada do PMDB no Senado também busca se precaver para não ser surpreendida pelos petistas mais adiante. O grande temor do partido é que o PT reivindique, daqui a dois anos, o comando da Casa, como contrapartida ao apoio dos deputados petistas ao peemedebista Henrique Dias na sucessão de Marco Maia. Esse foi um dos assuntos discutidos nesta quarta-feira numa reunião promovida na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Depois de participar da cerimônia de abertura dos trabalhos do Legislativo, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, disse que os partidos estão disputando, mas não necessariamente brigando pelos cargos. Apesar de na terça-feira o vice-presidente Michel Temer ter dito que existe uma briga entre PT e PMDB, Dutra afirmou que o que existe é uma “disputa natural”.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Globo

Correio Braziliense – Política – Agentes que torturaram Dilma estão na mira do Ministério Público

Renata Mariz  – Quatro militares reformados são alvo de uma ação civil movida pelo Ministério Público Federal em São Paulo por crimes de homicídio e tortura praticados no período do regime militar no Brasil (1964-1985). Eles teriam, segundo o processo de responsabilidade pessoal, praticado “gravíssimas violações aos direitos humanos” quando atuavam na Operação Bandeirante, implementada em São Paulo pelo Comando do Exército, contra pelo menos 23 pessoas, entre elas a presidente eleita Dilma Rousseff – que participou da luta armada contra a ditadura. Em 74 páginas e 39 documentos anexados, a ação cobra a responsabilidade pessoal dos quatro denunciados, a cassação de suas aposentadorias, a proibição de atuarem em funções públicas, bem como o ressarcimento aos cofres públicos onerados com indenizações a vítimas e familiares.

Dos acusados, Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltrão e Maurício Lopes de Lima são reformados das Forças Armadas. João Thomaz é o único que segue na ativa, hoje na Polícia Militar de São Paulo. As provas, segundo o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, foram colhidas de três fontes – o acervo do projeto Brasil Nunca Mais, que reúne vários depoimentos dados em juízo, no tribunal militar, por pessoas torturadas; relatórios oficiais produzidos pela Presidência da República; e ainda alguns depoimentos colhidos especialmente para a ação civil.

Segundo Weichert, a menção ao nome de Dilma Rousseff, que ficou presa por quase três anos, não tem relação com o resultado das eleições. “Pelo contrário, essa investigação estava finalizada pouco antes do primeiro turno, mas, para evitar qualquer conotação política, deixamos para protocolar o pedido só agora”, explica o procurador.

Entre os 23 trechos de depoimentos reproduzidos ao longo da ação, o da presidente eleita é um dos menores. Ela afirmou, ao falar durante uma auditoria militar, em 1970, não reconhecer Maurício Lopes de Lima como uma testemunha, como ele havia sido apresentado na audiência, e sim como um dos torturadores da Operação Bandeirante. Dilma destacou ainda, durante o depoimento transcrito na atual ação, que dois subordinados do capitão Maurício a ameaçaram quando ela perguntou se eles estavam autorizados pelo Judiciário. Segundo Dilma, eles teriam respondido: “Você vai ver o que é o juiz lá na OB (Operação Bandeirante)”.

Para Weichert, o relato de Dilma aparece reduzido no texto do processo porque o objetivo era apenas demonstrar que ela havia reconhecido o militar como um de seus algozes. “Como o fim era esse, não foi necessário pedir todo o acervo do depoimento”, diz o procurador. A União e o estado de São Paulo também são citados como réus.

Para ler o original clique aqui: Correio Braziliense – Política – Agentes que torturaram Dilma estão na mira do Ministério Público.

Hora de depor as armas

Dois anos atrás tive o privilégio de ser escalado pela Band para cobrir as eleições presidenciais norte-americanas. Foi uma experiência incrível. O momento mais surpreendente foi aquele em que o republicano John McCain, adversário de Obama, reconheceu a vitória do candidato democrata e declarou que, a partir dali, Obama seria seu presidente.

O acirramento dos ânimos durante a campanha do segundo turno no Brasil torna difícil esperar das forças envolvidas uma atitude magnânima como aquela. Mas a hora é de depor as armas e torcer para que Dilma Rousseff faça um bom governo. Se ela errar, perdemos todos.

Desarmar os espíritos não significa capitular diante do vitorioso. Os republicanos dos Estados Unidos jamais arrefeceram as críticas e nunca deram mole para Obama. Agora mesmo estão impondo ao presidente do EUA uma derrota preocupante no parlamento. Antes, fizeram o que era possível para dificultar a criação de um seguro de saúde público, uma das pedras basilares da campanha democrata.

Vai ser positivo para o País se a oposição, exercendo seu papel de consciência crítica do Poder, conseguir distinguir o que é essencial para o Brasil, colaborando para mudar a nossa ainda drástica realidade, daquilo que é acessório, do que faz bem apenas para a saúde eleitoral dos governantes.

Talvez assim a minoria parlamentar consiga também consolidar melhor uma plataforma eleitoral para o pleito de 2014. Como se viu, apesar de surrados e gastos, temas como a privatização pegaram os tucanos de calças curtas, embora eles tenham tido quatro longos anos para trabalhar um estratégia com vista a anular os efeitos do proselitismo e os derivados do uso da máquina.

Até para que, no próximo pleito, o PSDB não tenha que exibir a imagem de Dilma junto de Aécio Neves na propaganda eleitoral para provar que ambos, embora inimigos, são amigos.

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