Dilma avisa que aceita negociar com base, mas sem chantagem

Diante da forte reação da base aliada no Congresso às suas decisões dos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff avisou que não vai recuar nem ceder a pressões, ameaças e chantagens. Por meio do novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-PR), ela sinalizou com a retomada do diálogo com os governistas insatisfeitos, desde que não haja imposições. Para evitar risco de derrotas em matérias de interesse do governo, Dilma determinou que nada seja votado na Câmara e no Senado enquanto o clima estiver tenso e aliados fizerem ameaças.

Afinado com a presidente, o novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), endureceu o discurso com o líder do PR, senador Blairo Maggi (MT). Na véspera, Blairo anunciara que os sete senadores do PR estão na oposição porque a sigla não retomou o comando do Ministério dos Transportes. E condicionou a volta à base ao atendimento da reivindicação.

– Não dá para conversar com imposição. O líder do PR sabe que estamos tentando resolver isso, mas com esse clima que está sendo colocado eu não tenho mais autoridade para continuar com essas tratativas – disse Braga.

Entre parlamentares, aliados e da oposição, há perplexidade com as brigas que Dilma comprou: troca dos líderes, enfrentamento com grupos poderosos, como o do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), com o PR e até com setores do PT na Câmara.

Na quarta-feira, após o anúncio do PR de que fará oposição no Senado, Braga se reuniu com Dilma. Nesta quinta-feira, explicou que foi feito um convite para que Blairo fosse ministro dos Transportes, que continua de pé:

– Fica uma situação muito esquisita. Houve um convite, e ele nunca foi retirado. Agora, do ponto de vista do governo, não tenho como prosseguir a negociação se o PR não revir sua posição (de ir para a oposição).

PR insiste para ter Transportes de novo

O líder do PR, por sua vez, disse que as informações estão truncadas. Segundo Blairo, o convite para que ele se tornasse ministro foi recusado há sete meses. Ele alegou que haveria conflito de interesses com suas atividades empresariais – e afirmou que, desde então, o PR nunca mais recebeu outra indicação do governo. Contou que, na quarta-feira, foi chamado pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, mas para ser comunicado que o PR não teria mais o Ministério dos Transportes, apenas duas diretorias de estatais.

– Quando ela disse que não ficaria e ofereceu duas estatais, não quis saber de mais nada. Mas, como já disse, quando o governo achar que os sete votos do PR são importantes, nos procure. Eduardo Braga só precisa fazer um gesto, que aí podemos conversar.

Nas palavras de um interlocutor direto de Dilma, acabou a “zona de conforto” da base governista, e os aliados precisam perceber que o governo mudoue que essa mudança inaugurou um novo estilo de fazer política no Palácio do Planalto.

Apesar das queixas dos aliados pela substituição de Cândido Vaccarezza (PT-SP) por Arlindo Chinaglia (PT-SP), na liderança do governo na Câmara, o Palácio do Planalto é direto: Vaccarezza se transformara em porta-voz dele mesmo, e não do governo. O mesmo teria acontecido com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), substituído por Eduardo Braga na liderança do governo no Senado.

Dilma já tinha avisado no início do ano que trocaria os líderes, mas o fez esta semana, sem aviso prévio. Além de ter sido derrotada no Senado — no caso da rejeição do nome de Bernardo Figueiredo para permanecer na direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) -, Dilma se irritou profundamente com outra decisão de Jucá: ele ignorou sua determinação de aprovar, na semana de comemoração do Dia da Mulher, o projeto sobre equiparação de salário entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

Como Braga, Chinaglia, que herdou os conflitos do Código Florestal e da Lei da Copa, também já está agindo, mas é realista:

– Não existe mágica, existe trabalho.

Também é grande o problema do outro lado da Praça dos Três Poderes, no Planalto: a falta de entrosamento e jogo político da dupla palaciana formada por Ideli e pela chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A desastrada negociação da Lei Geral da Copa, classificada por aliados como “lambança”, mostra a deficiência na articulação política.

Ideli, orientada por Dilma para não se deixar ser esmagada, retomou nesta quinta-feira contatos importantes: almoçou com o presidente da Câmara, Marco Maia; encontrou-se com Renan Calheiros; e falaria com Chinaglia.

via Dilma avisa que aceita negociar com base, mas sem chantagem – O Globo.

PT e PR ampliam rebelião no Congresso

SIMONE IGLESIAS, CATIA SEABRA e VALDO CRUZ, da Folha de São Paulo

A crise que atinge a base governista no Congresso teve novos lances na bancada do PR no Senado, que anunciou ter ingressado na oposição a Dilma Rousseff, e no PT da Câmara, que decidiu afrontar orientações do Palácio do Planalto.

A resolução do PR ocorreu ontem, um dia após Dilma confirmar Eduardo Braga (PMDB-AM) como líder do governo no Senado, o que desagradou um dos caciques da legenda, o ex-ministro Alfredo Nascimento, inimigo político de Braga.

O PR é a terceira bancada da Casa, com sete dos 81 senadores. Desde que Dilma assumiu, o partido estava alinhado ao Planalto, mas se declarou “independente” após Nascimento deixar o Ministério dos Transportes sob suspeita de irregularidades.

Na ocasião, Dilma não aceitou sugestões da legenda para o posto e manteve o interino Paulo Passos, que é do PR, mas não conta com o respaldo da maioria do partido.

“Resolvemos que estamos fora da discussão e isso significa que estamos na oposição (…) Quando o governo entender que o PR é importante para a governabilidade, que nos procure”.”, disse Blairo Maggi (MT), líder da bancada no Senado.

Ele afirmou, entretanto, que se a Dilma aceitar alguém da lista de indicados pelo partido para a pasta, a legenda volta a ser governo.

Já os 43 deputados do PR na Câmara continuarão com posição declarada de independência, segundo o líder da legenda, Lincoln Portela (MG).

PT

No PT, cerca de 40 dos 86 deputados federais decidiram em reunião na terça afrontar as orientações do Planalto, em resposta à destituição de Cândido Vaccarez-za (PT-SP) da liderança do governo na Câmara.

O primeiro recado pode ser dado no projeto de reforma do Código Florestal.

Os deputados do campo majoritário do PT, prometem, no mínimo, fazer corpo mole no trabalho de articulação do governo na Casa, deixando a tarefa a cargo da outra ala do partido.

Além do suporte aos candidatos do PMDB às presidências da Câmara e Senado, essa ala do PT avalia como impossível o adiamento da votação do Código Florestal, como deseja Dilma.

O governo teme ser derrotado pelos ruralistas e, por isso, só quer votar o tema quando houver segurança.

Na reunião do grupo do PT, alguns chegaram a propor um boicote ao trabalho do recém-indicado a líder do governo na Casa, o também petista Arlindo Chinaglia (SP).

Houve também quem defendesse articulação para que Lula dispute a Presidência pelo PT em 2014.

via Folha de S.Paulo – Poder – PT e PR ampliam rebelião no Congresso – 15/03/2012.

Ambientalistas criticam “retrocessos” do governo Dilma

Ambientalistas de treze entidades distintas se reuniram nesta terça-feira para analisar criticamente as políticas adotadas durante o primeiro ano do governo Dilma Rousseff. Os problemas apontados vão desde a redução do poder de fiscalização do IBAMA, passam pela redução da área de reservas ambientais e chegam à lentidão de investimentos em saneamento básico. Reproduzo, abaixo, a íntegra do documento assinado por essas entidades.

O primeiro ano do governo da Presidente Dilma Rousseff foi marcado pelo maior retrocesso da agenda socioambiental desde o final da ditadura militar, invertendo uma tendência de aprimoramento da agenda de desenvolvimento sustentável que vinha sendo implementado ao longo de todos os governos desde 1988, cujo ápice foi a queda do ritmo de desmatamento na Amazônia no Governo Lula. Os avanços acumulados nas duas últimas décadas permitiram que o Brasil fosse o primeiro país em desenvolvimento a apresentar metas de redução de emissão de carbono e contribuíram decisivamente para nos colocar numa situação de liderança internacional no plano socioambiental.

Ao contrário do anúncio de que a presidente aprofundará as boas políticas sociais do governo anterior, na área socioambiental, contrariando o processo histórico,  há uma completa descontinuidade. A flexibilização da legislação, com a negociação para aprovação de um Código Florestal indigno desse nome e a Regulamentação do Artigo 23 da Constituição Federal, através da Lei Complementar 140, recentemente aprovada, são os casos mais graves. A lista de retrocessos inclui ainda a interrupção dos processos de criação de unidades de conservação desde a posse da atual administração, chegando mesmo à inédita redução de várias dessas áreas de preservação na Amazônia através de Medida Provisória, contrariando a legislação em vigor e os compromissos internacionais assumidos pelo país. É também significativo desse descaso o congelamento dos processos de reconhecimento de terras indígenas e quilombolas ao mesmo tempo em que os órgãos públicos aceleram o licenciamento de obras com claros problemas ambientais e sociais.

Esse processo contrasta com compromissos de campanha assumidos de próprio punho pela presidente em 2010, como o de recusar artigos do Código Florestal que implicassem redução de Áreas de Proteção Permanente e Reservas Legais e artigos que resultassem em anistia a desmatadores ilegais. Todos esses pontos foram incluídos na proposta que deve ir a votação no Congresso nos próximos dias, com apoio da base do governo.  Continue reading

Dilma recebe Obama de vermelho, dos pés à cabeça, e salto alto

Desenho animado na TV Brasil. Por enquanto, nada de Obama.

A presidente Dilma Rousseff está uma tetéia, com o perdão da palavra, mas é assim mesmo que ela está. Traja um vestido vermelho e scarpin vermelho de salto médio. Tem um discreto brinco de pérola adornando as orelhas e uma echarpe — ou pashmina — caindo dos ombros.

A primeira-dama Michelle Obama está arrasando. Um taileur cor de areia, cabelos presos num coque e um sapato da cor do vestido de bico fino. E magra, muito magra mesmo. As repórteres que cobrem a visita do presidente americano ao Brasil estão encantadas.

Enquanto isso, a TV Brasil, emissora estatal que havia prometido uma cobertura especial sobre a visita de Obama, exibe um desenho animado.

 

Dilma rejeita indicações de Cunha e irrita PMDB do Rio

Gerson Camarotti, Adriana Vasconcelos e Cristiane Jungblut –

Com a retomada das articulações para nomeação dos cobiçados cargos do segundo escalão, a mudança do comando de Furnas virou nesta quarta-feira o principal problema do governo por causa do impasse entre PT e PMDB. Os peemedebistas ameaçaram entregar todos os cargos caso a bancada do Rio de Janeiro perdesse o comando de Furnas. Mas segundo interlocutores próximos, a presidente Dilma Rousseff já avisou que não vai aceitar uma indicação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não só para Furnas, mas também para todos os cargos do setor elétrico.

No Palácio do Planalto, há forte contrariedade com as últimas declarações em tom de ameaças do deputado peemedebista por causa das denúncias envolvendo Furnas feitas pelo jornal O GLOBO . A informação de que Cunha estava disposto a manter as ameaças numa entrevista para uma revista semanal foi considerada por ministros como uma espécie de declaração de guerra do peemedebista.

Líder do PMDB se reúne com Palocci e endurece discurso
No início da noite desta quarta-feira, o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), teve um encontro no Palácio do Planalto com o chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci, e resolveu endurecer as negociações com o governo. Muito próximo de Cunha, deixou claro que não abriria mão de que o comando de Furnas fosse indicado pela bancada do PMDB do Rio de Janeiro e que não aceitaria compensações. A reunião marcou o início das negociações pelo loteamento político dos cargos de segundo escalão.

Para integrantes do PMDB, Henrique Alves fez um desabafo pouco antes de ir para o Planalto: caso a bancada ficasse sem Furnas, seria melhor entregar todos os cargos. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, chegou a sugerir como solução para o impasse a indicação do ex-diretor da Eletrobras Flávio Decat para o comando de Furnas. Dentro dessa proposta, o PMDB manteria o comando da Eletrobras e da Eletronorte.

– Eu e a presidente Dilma queremos o Flávio Decat – disse Lobão.

Mas a proposta foi rejeitada pela bancada do PMDB da Câmara, o que acentuou o impasse. Inicialmente, o nome de Decat estava indicado para presidir a Eletrobras.

– O Decat não ia para a Eletrobrás? Ele não é uma indicação da bancada. Estamos discutindo nomes técnicos. Não posso como líder desconhecer essa realidade: a bancada do PMDB do Rio tem nove deputados. Como fica essa bancada? Eletrobras e Eletronorte são indicações do Senado e não da Câmara. Por isso, não podemos anular as reivindicações da Câmara – avisou Henrique Alves.

Dilma está disposta a fazer uma mudança completa na diretoria de Furnas com a substituição não só do presidente da estatal, Carlos Nadalutti Filho, indicado pelo PMDB, mas de toda a diretoria, inclusive as indicações petistas. Apesar do esforço do líder peemedebista Henrique Eduardo Alves em disfarçar a ansiedade latente dentro de sua bancada, o clima entre os parlamentares da legenda continua de desconfiança em relação ao PT.

– A eleição do deputado Marco Maia foi um primeiro sinal da melhora do clima na base governista, depois do jogo desigual na composição ministerial, que mais parecia um jogo de handebol no qual o PT fez 17 gols e o PMDB apenas quatro. O ministro Palocci prometeu a partir de agora equilibrar o jogo. Vamos ver agora se os fatos confirmam essas intenções – adiantou o líder peemedebista.

Paralelamente às negociações do segundo escalão, a bancada do PMDB no Senado também busca se precaver para não ser surpreendida pelos petistas mais adiante. O grande temor do partido é que o PT reivindique, daqui a dois anos, o comando da Casa, como contrapartida ao apoio dos deputados petistas ao peemedebista Henrique Dias na sucessão de Marco Maia. Esse foi um dos assuntos discutidos nesta quarta-feira numa reunião promovida na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Depois de participar da cerimônia de abertura dos trabalhos do Legislativo, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, disse que os partidos estão disputando, mas não necessariamente brigando pelos cargos. Apesar de na terça-feira o vice-presidente Michel Temer ter dito que existe uma briga entre PT e PMDB, Dutra afirmou que o que existe é uma “disputa natural”.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Globo

Correio Braziliense – Política – Agentes que torturaram Dilma estão na mira do Ministério Público

Renata Mariz  – Quatro militares reformados são alvo de uma ação civil movida pelo Ministério Público Federal em São Paulo por crimes de homicídio e tortura praticados no período do regime militar no Brasil (1964-1985). Eles teriam, segundo o processo de responsabilidade pessoal, praticado “gravíssimas violações aos direitos humanos” quando atuavam na Operação Bandeirante, implementada em São Paulo pelo Comando do Exército, contra pelo menos 23 pessoas, entre elas a presidente eleita Dilma Rousseff – que participou da luta armada contra a ditadura. Em 74 páginas e 39 documentos anexados, a ação cobra a responsabilidade pessoal dos quatro denunciados, a cassação de suas aposentadorias, a proibição de atuarem em funções públicas, bem como o ressarcimento aos cofres públicos onerados com indenizações a vítimas e familiares.

Dos acusados, Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltrão e Maurício Lopes de Lima são reformados das Forças Armadas. João Thomaz é o único que segue na ativa, hoje na Polícia Militar de São Paulo. As provas, segundo o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, foram colhidas de três fontes – o acervo do projeto Brasil Nunca Mais, que reúne vários depoimentos dados em juízo, no tribunal militar, por pessoas torturadas; relatórios oficiais produzidos pela Presidência da República; e ainda alguns depoimentos colhidos especialmente para a ação civil.

Segundo Weichert, a menção ao nome de Dilma Rousseff, que ficou presa por quase três anos, não tem relação com o resultado das eleições. “Pelo contrário, essa investigação estava finalizada pouco antes do primeiro turno, mas, para evitar qualquer conotação política, deixamos para protocolar o pedido só agora”, explica o procurador.

Entre os 23 trechos de depoimentos reproduzidos ao longo da ação, o da presidente eleita é um dos menores. Ela afirmou, ao falar durante uma auditoria militar, em 1970, não reconhecer Maurício Lopes de Lima como uma testemunha, como ele havia sido apresentado na audiência, e sim como um dos torturadores da Operação Bandeirante. Dilma destacou ainda, durante o depoimento transcrito na atual ação, que dois subordinados do capitão Maurício a ameaçaram quando ela perguntou se eles estavam autorizados pelo Judiciário. Segundo Dilma, eles teriam respondido: “Você vai ver o que é o juiz lá na OB (Operação Bandeirante)”.

Para Weichert, o relato de Dilma aparece reduzido no texto do processo porque o objetivo era apenas demonstrar que ela havia reconhecido o militar como um de seus algozes. “Como o fim era esse, não foi necessário pedir todo o acervo do depoimento”, diz o procurador. A União e o estado de São Paulo também são citados como réus.

Para ler o original clique aqui: Correio Braziliense – Política – Agentes que torturaram Dilma estão na mira do Ministério Público.

Hora de depor as armas

Dois anos atrás tive o privilégio de ser escalado pela Band para cobrir as eleições presidenciais norte-americanas. Foi uma experiência incrível. O momento mais surpreendente foi aquele em que o republicano John McCain, adversário de Obama, reconheceu a vitória do candidato democrata e declarou que, a partir dali, Obama seria seu presidente.

O acirramento dos ânimos durante a campanha do segundo turno no Brasil torna difícil esperar das forças envolvidas uma atitude magnânima como aquela. Mas a hora é de depor as armas e torcer para que Dilma Rousseff faça um bom governo. Se ela errar, perdemos todos.

Desarmar os espíritos não significa capitular diante do vitorioso. Os republicanos dos Estados Unidos jamais arrefeceram as críticas e nunca deram mole para Obama. Agora mesmo estão impondo ao presidente do EUA uma derrota preocupante no parlamento. Antes, fizeram o que era possível para dificultar a criação de um seguro de saúde público, uma das pedras basilares da campanha democrata.

Vai ser positivo para o País se a oposição, exercendo seu papel de consciência crítica do Poder, conseguir distinguir o que é essencial para o Brasil, colaborando para mudar a nossa ainda drástica realidade, daquilo que é acessório, do que faz bem apenas para a saúde eleitoral dos governantes.

Talvez assim a minoria parlamentar consiga também consolidar melhor uma plataforma eleitoral para o pleito de 2014. Como se viu, apesar de surrados e gastos, temas como a privatização pegaram os tucanos de calças curtas, embora eles tenham tido quatro longos anos para trabalhar um estratégia com vista a anular os efeitos do proselitismo e os derivados do uso da máquina.

Até para que, no próximo pleito, o PSDB não tenha que exibir a imagem de Dilma junto de Aécio Neves na propaganda eleitoral para provar que ambos, embora inimigos, são amigos.

Os primeiros compromissos de Dilma

Em sua primeira manifestação pública após a confirmação da vitória nas urnas, Dilma Rousseff traçou as linhas mestras do que se pode esperar de seu futuro governo. Começou bem, estabelecendo um compromisso com a liberdade de imprensa, o cumprimento dos contratos e conclamando a sociedade a auxiliar na meta ambiciosa de erradicar a miséria no País.

“Prefiro o barulho de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras”, afirmou a presidente eleita ao discursar em um hotel no centro de Brasília. A afirmação, feita em discurso escrito, livre de improvisos, tem por objetivo acalmar os donos de jornais e emissoras de televisão, apavorados com a possibilidade de instituição de mecanismos de “controle social” da imprensa.

A presidente eleita também prometeu governar sem discriminar partidos ou regiões identificados com seu adversário José Serra — talvez sua tarefa mais difícil, uma vez que o nível de agressividade da campanha eleitoral deve radicalizar o confronto entre a base aliada e os partidos de oposição.

No discurso de ontem, Dilma também estabeleceu parâmetros que podem definir a linha divisória entre seu governo e o governo de seu padrinho político Lula. Ela afirmou que vai estabelecer uma relação baseada no mérito com o funcionalismo público e pretende ter relações mais “republicanas” com o Congresso. Fica difícil enxergar essa perspectiva na arquitetura de seu arco de apouios. Alguém imagina um PMDB menos voraz do que o partido foi na era Lula ?

Dilma em seu primeiro discurso após a eleição

Hoje começa a construção do governo DIlma. É a hora de passar da teoria à prática. As manifestações já não têm mais o sentido das promessas vagas da campanha, feitas para aliciar eleitores. Agora se transformam em compromissos e diretrizes.Resta saber como Dilma irá transpor o limite entre objetivos meramente referenciais e o pragmatismo exacerbado herdado da Era Lula.

Manifesto pró-Dilma vira pró-Serra na web

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S. Paulo

Um manifesto pró-Dilma Rousseff, acompanhado de uma lista de nomes de autoridades e figuras ligadas à área de esporte, foi “adulterado” e transformado em documento pró-José Serra, acusam petistas. A mensagem modificada, que circula pela internet, defende o voto no tucano, reunindo os nomes do ministro do Esporte, Orlando Silva, da deputada federal Manuela d’Ávila (PC do B-RS) e do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, entre outros.

A existência do manifesto original foi confirmada por três pessoas da lista: a deputada Manuela, o ex-jogador de futebol Bobô e o ex-campeão mundial de boxe Acelino “Popó” Freitas. Todos defendem o voto em Dilma. O ministro Orlando Silva não foi localizado pela reportagem.

Segundo Manuela, haverá um lançamento regional do manifesto pró-Dilma em Porto Alegre, no dia 28, sem a participação da presidenciável. A coleta de assinaturas teria começado há cerca de 10 dias, a partir de contatos da militância por telefone e e-mails. O objetivo, afirma “Popó”, era criar uma corrente de mensagens, permitindo que o manifesto chegasse a diversos contatos da rede mundial de computadores.

“Fiquei surpreso, hoje não se tem mais controle sobre essas coisas”, disse ao Estado o ex-boxeador, que concorreu a deputado federal nestas eleições pelo PRB baiano. “Ando para cima e para baixo com o meu carro, que tem adesivo da Dilma.”

O manifesto, convertido em pró-Serra, foi enviado por um suposto Marcelo Dutra. O Estado enviou e-mail ao remetente da mensagem “adulterada”, mas não obteve resposta.

A versão pró-Serra traz modificações pontuais à original. Já no início, diz que “atletas, dirigentes, profissionais de educação física e amantes do esporte nos unimos para apoiar José Serra”, enquanto na original é citado o nome de Dilma. Em outro trecho, ao mencionar o programa Bolsa Atleta e a Lei de Incentivo ao Esporte, o texto afirma que essas ações foram “grandes conquistas do governo do PSDB”.

O primeiro manifesto diz que “não podemos voltar ao tempo em que o esporte era departamento de outro ministério, tratado como política pública de segunda categoria”. A nova redação alfineta Dilma: “Assinamos este manifesto convencidos de que não podemos submeter o nosso país a uma pessoa despreparada e totalmente fora da lei”.

Na semana passada, o cineasta José Padilha (de Tropa de Elite 2) negou apoio a qualquer uma das candidaturas que disputam o segundo turno na eleição presidencial. O nome dele foi incluído em manifesto com relação de artistas que apoiam Dilma.

Para ler o original clique aqui: Manifesto pró-Dilma vira pró-Serra na web – politica – Estadao.com.br.

Temas polêmicos serão evitados hoje em debate

DANIELA LIMA, da Folha de São Paulo

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), adversários na disputa pela Presidência, devem deixar de fora do debate que será promovido hoje pela Record, às 23h, polêmicas que dominaram o noticiário nas últimas semanas.

Coordenadores das duas campanhas ouvidos pela reportagem disseram que a prioridade é fazer o confronto de propostas. A avaliação é que embates baseados em temas como aborto e religião, por exemplo, poderiam “ampliar instabilidades”.

Do lado petista, os ataques serão direcionados a promessas de Serra, como o aumento do salário mínimo para R$ 600 e a de colocar dois professores em salas de aula do 1º ano de escolas públicas.

A petista irá retomar a estratégia de usar a gestão de Serra em São Paulo para tentar desmoralizar as propostas do tucano.

Dilma também insistirá no tema da privatização, muito explorado na propaganda eleitoral e em atos políticos. Destacará que há uma disputa entre dois “projetos políticos” diferentes.

Do lado tucano, a orientação é que Serra enfatize propostas para a área social para levar a eleitores de classes mais baixas- que majoritariamente declaram voto em Dilma- propostas como a do 13º do Bolsa Família.

No debate da Record, jornalistas não poderão fazer perguntas aos candidatos. No último encontro de Dilma e Serra, promovido pela Folha e a Rede TV!, foram os questionamentos dos jornalistas que causaram embaraços à petista e ao tucano.

via Folha de S.Paulo – Temas polêmicos serão evitados hoje em debate – 25/10/2010.

Carvalho quer inquérito sobre gravação de conversa

Da Folha de São Paulo

O chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, defendeu ontem a abertura de investigação para averiguar a origem e o conteúdo de gravação divulgada no final de semana pela revista “Veja”.

Na gravação, de autoria, data e circunstâncias ainda desconhecidas, o atual secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, reclama, com seu ex-colega no Ministério da Justiça Romeu Tuma Jr., sobre frequentes pedidos para confecção de dossiês.

Segundo a revista, Abramovay disse a Tuma Jr. que tais pedidos vinham de Carvalho e da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff.

Em nota, Abramovay negou anteontem ter falado sobre dossiês. Contudo, Tuma Jr. confirmou à Folha ter ouvido reclamações de Abramovay, embora tenha negado a autoria da gravação. Dilma também negou.

Carvalho disse que vai consultar a área jurídica do Palácio do Planalto sobre que providências poderão ser tomadas.

“Temos que ter uma investigação. Porque é grave que esse tipo de gravação tenha ocorrido e as pessoas falem essas coisas que não são verdadeiras”, afirmou Carvalho. A Polícia Federal não decidiu ainda se abrirá inquérito.

Carvalho negou ter feito “qualquer pedido” sobre dossiês e disse que “nunca conversou nem com Pedro nem com ninguém” sobre tal assunto. Disse que já tratou com Abramovay “sempre de assuntos institucionais”.

O perito criminal Ricardo Molina, que analisou os áudios a pedido da revista, disse ontem que não há sinais de montagem na gravação da conversa de Abramovay e Tuma Jr. (RUBENS VALENTE)

via Folha de S.Paulo – Carvalho quer inquérito sobre gravação de conversa – 25/10/2010.

Jornalista depõe à PF sobre quebra de sigilo de tucanos

Da Folha de São Paulo

O jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao “grupo de inteligência” na fase da pré-campanha de Dilma Rousseff, prestará mais um depoimento à Polícia Federal hoje.

A PF investiga quem ordenou e pagou pela quebra ilegal do sigilo fiscal de dirigentes tucanos e familiares do candidato José Serra (PSDB).

Ribeiro Jr. admite ter pedido dados dessas pessoas, mas nega ter solicitado acesso a documentos sigilosos.

Todos os alvos do jornalista tiveram seus dados violados em duas agências da Receita Federal em São Paulo.

O despachante Dirceu Rodrigues Garcia declarou à polícia que o jornalista o contratou para obter informações fiscais sigilosas de familiares e aliados de Serra. Essas informações foram parar num dossiê que circulou na pré-campanha petista.

Garcia afirma ter recebido de Ribeiro Jr. R$ 12 mil em dinheiro em outubro de 2009. No mês passado, alega ter recebido mais R$ 5.000.

No último depoimento que concedeu à PF, o jornalista não esclareceu se recebeu ou não orientação para investigar tucanos. Ele apenas afirmou que iniciou a apuração porque soube que uma equipe liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra o ex-governador Aécio Neves.

Nessa época, Aécio e Serra disputavam a indicação do partido para concorrer à Presidência da República.

VAZAMENTO

No último depoimento, Ribeiro Jr. atribuiu a uma ala do PT o vazamento do dados que coletou. Segundo ele, um setor do partido disputava o controle de contratos da área de comunicação.

O PT nega que a ordem para encomendar a quebra de sigilo tenha sido dada pela campanha, assim como refuta ter operado qualquer dossiê para atacar o adversário.

Embora o jornalista tenha negado que trabalhou para a campanha petista, ele participou de ao menos uma reunião da “equipe de inteligência” em 20 de abril deste ano, num restaurante de Brasília.

MESMA AGÊNCIA

Ele é amigo de Luiz Lanzetta, dono de uma empresa contratada na ocasião para administrar contratos de comunicação para a campanha de Dilma Rousseff.

A Lanza Comunicação tem conta na mesma agência bancária, em Brasília, onde foram feitos os depósitos no mês passado em nome do despachante Dirceu Garcia.

Agora, a PF quer identificar a origem do dinheiro pago ao despachante .

via Folha de S.Paulo – Jornalista depõe à PF sobre quebra de sigilo de tucanos – 25/10/2010.

Idolatria por Lula e militância paga motivam petistas

BERNARDO MELLO FRANCO, da Folha de São Paulo

“Muita gente vai votar nela para ele voltar depois. A verdade é que o povo já tá com saudade dele”, disse na manhã de sábado a funcionária pública Cida Aguiar, 34, minutos antes de o helicóptero petista pousar em Carapicuíba (Grande São Paulo).

Ele é Lula, o primeiro operário a governar o país, a pouco mais de dois meses de passar a faixa presidencial.

Ela é Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, que lidera as pesquisas para a eleição deste domingo.

O clima de despedida do presidente deu o tom emocional do último fim de semana da campanha petista, quando ele comandou carreatas por áreas pobres ao lado de sua candidata.

O desejo de ver e ser visto por Lula fez eleitores encherem calçadas, escalarem muros e se espremerem em janelas em Diadema e Carapicuíba, na grande São Paulo (sábado), e nos bairros de Bangu e Realengo, na zona oeste do Rio (domingo).

Nos dois dias, repetiram-se cenas de choro e de beijos dirigidos ao presidente. Ele retribuiu na mesma moeda, mandando o motorista parar o carro aberto para distribuir abraços e cutucando Dilma quando ela se distraía e não correspondia a um aceno.

“Vou votar nela porque estou satisfeita com o governo dele”, resumiu a dona de casa Maria de Fátima Carvalho, 53, após a carreata de ontem no subúrbio carioca. “A gente tem que pensar positivo e ter esperança de que ela vai continuar.”

A poucos quilômetros de Campo Grande, onde o candidato José Serra (PSDB) foi hostilizado por petistas na semana passada, não havia sinais de tensão eleitoral.

Pelo contrário: sem adversários por perto, o episódio foi transformado em piada pela minoria de militantes mais engajados, com ligação a sindicatos ou ao PT.

Um deles, que não quis se identificar, circulava com camiseta do partido e uma bolinha de papel amarrada ao cabelo, endossando a versão de Lula de que o tucano teria encenado a agressão. (Serra diz ter sido atingido por um rolo de adesivos atirado 15 minutos depois da bolinha).

De chapéu e tênis vermelhos, o bancário Roberto Rossi, 52, ria da invenção do colega. “Aquilo não fez nada a ele. Se ainda fosse uma latinha de cerveja, né?”

O caso que inflamou o conflito entre PT e PSDB animava um grupo de 20 jovens militantes na tarde de sexta-feira, em ato da campanha petista em Belo Horizonte.

Depois de improvisar uma coreografia do “Dilmalation”, inspirada no rebolation baiano, a turma explodiu num coro debochado contra o tucano: “Ô José Serra, mas que caô/ A bolinha de papel não machucou”.

A empolgação dos estudantes quebrou a monotonia do único evento sem Lula dos últimos três dias: um encontro de Dilma com políticos mineiros, no Iate Clube.

Na ausência do presidente, a campanha precisou recorrer a militantes pagos ou de movimentos sociais amigos para encher o salão de festas onde a candidata discursou. A maior claque, de cerca de 30 pessoas, segurava bandeiras do PR.

CADÊ O BUFÊ

“Disseram que ia ter bufê, mas não teve. Era mentira”, reclamava a desempregada Luciana Rodrigues, 35, à espera do ônibus para voltar à periferia de BH.

Com a sigla na camiseta, ela não sabia nomear um político do partido, que pagou R$ 450 por 15 dias de “militância”. Disse ser fã do senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu a chapa tucana para Serra. “Se fosse ele não tinha para ninguém aqui. Mas agora sou Dilma”, explicou-se.

Entre os jovens do coro, o discurso era de dedicação voluntária ao PT. “A gente milita em busca de um ideal. O pessoal do Serra só fica na rua até as 16h, quando acaba o horário deles”, provocava o estudante Yuri Terra, 24, bolsista do ProUni.

Em Carapicuíba, onde outra claque do PR recebia R$ 600 pelo mesmos 15 dias, um grupo de dez mulheres petistas dizia madrugar na busca de votos em porta de fábrica.

Encostada ao palanque, a cadeirante Aparecida Antenuzi, 39, assistiu ao comício aos prantos e jurou fidelidade ao presidente. “Ele é diferente dos outros políticos porque sabe o que é passar fome”, disse ela, vítima de paralisia infantil aos 3 anos.

Quando a reportagem lembrou que a candidata era Dilma, afirmou: “Eu confio nela, espero que ela possa seguir as coisas que o Lula fez. Mas igual a ele, tenho certeza que nunca vai ter”.

via Folha de S.Paulo – Idolatria por Lula e militância paga motivam petistas – 25/10/2010.

Na reta final da disputa, petista e tucano focam Sudeste

Na reta final da campanha, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) decidiram priorizar os mesmos Estados, a começar por São Paulo.

Os dois intensificarão agenda na Grande São Paulo: ele, para ampliar sua vantagem no Estado. Ela, para conter o crescimento do adversário em reduto tucano.

O comando da campanha de Serra mapeou cidades onde o desempenho do candidato está abaixo da média: além de São Paulo e Rio, Paraná e Rio Grande do Sul estão no roteiro da reta final. Ele fará duas visitas ao Nordeste: Bahia e Pernambuco.

Tucanos também apostam no acirramento da disputa no horário eleitoral e nas ruas. Para última semana, o comando da campanha reuniu munição contra Dilma, especialmente nas denúncias na área da Eletrobras.

O PSDB insistirá na tecla dos valores éticos e de que o PT ameaça a democracia. O ex-ministro José Dirceu continuará a estrelar o programa de Serra. O partido também espera um bom desempenho de Serra nos últimos debates -na Record, hoje às 23h, e na Globo, na sexta-feira.

Já a campanha petista deve prosseguir com críticas ao adversário, o tucano José Serra, focadas na TV, enquanto Dilma e Lula somarão forças em agendas “propositivas” separadas pelo Sudeste, Nordeste e Sul do país.

As críticas a José Serra, que marcaram a campanha petista em todo o segundo turno, em especial na TV e rádio, devem continuar no horário eleitoral gratuito.

O foco será a comparação de projetos e administrações de FHC e Lula. Há um esforço para evitar que a candidata à Presidência e, em especial, Lula, façam ataques a Serra em entrevistas, como ocorreu nos últimos dias.

Secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo diz: “Fazer críticas é inerente ao segundo turno”, quando é preciso comparar os projetos”. (CATIA SEABRA E ANA FLOR)

via Folha de S.Paulo – Na reta final da disputa, petista e tucano focam Sudeste – 25/10/2010.

Fiscais relatam pressão política no Ibama

RUBENS VALENTE, da Folha de São Paulo

Fiscais do Ibama relataram à Procuradoria da República em São Paulo e a uma sindicância interna uma suposta pressão política exercida pela superintendente do órgão no Estado, Analice de Novais Pereira, para livrar empresas de multas e embargos aplicados pela fiscalização do instituto.

Filiada ao PT de Osasco (Grande SP) desde 1981, Analice, 47, é irmã de Silvio Pereira, ex-secretário-geral nacional do partido, implicado em 2005 no escândalo do mensalão. Ela comanda o Ibama paulista desde 2003.

Em entrevista à Folha, Antonio Paulo de Paiva Ganme, ex-chefe da fiscalização em São Paulo, apontou indícios de “uso político” do órgão na pré-campanha presidencial.

Segundo ele, em abril, às vésperas da inauguração do trecho sul do Rodoanel, um carro-chefe da campanha do ex-governador José Serra (PSDB) à Presidência, seus superiores pediram uma fiscalização de emergência no local.

Entre os casos levantados, há uma ação do deputado federal Vicentinho (PT-SP). Por e-mail, em dezembro de 2008, ele pediu que Analice atendesse a empresa sucroalcooleira Dedini para tratar de multa e embargo, aplicados no mês anterior, em obras de um porto da empresa.

No dia seguinte ao e-mail, Analice assinou termo de desembargo parcial da obra.

O deputado confirmou o e-mail à Folha. “O advogado [da Dedini] é amigo meu de longa data e na época me pediu para que eles fossem recebidos para resolver pendências. Mas não sei o que aconteceu [depois].”

Na sindicância, os fiscais disseram que o desembargo ocorreu “a toque de caixa, sem parecer jurídico prévio, para atender a solicitação do deputado”.

A Dedini confirmou o encontro com Analice: “A Dedini realizou uma reunião técnica e oficial, apresentando relatório completo da situação referente à obra no porto de São Sebastião”.

ESTOPIM

Os atritos entre os fiscais e o comando local do Ibama começaram em 2008, mas se agravaram em julho último, quando o órgão destituiu dois fiscais que, um dia antes, haviam embargado as atividades do porto de Santos, gerido pela Codesp, estatal do Ministério dos Transportes. Um dos atingidos foi Ganme.

Na autuação, conforme relataram os fiscais, representantes da Codesp disseram ter amizade com Analice, para quem telefonaram.

Em agosto, os dois fiscais, acompanhados de procuradoras federais do Ibama, prestaram depoimento ao procurador da República José Roberto Pimenta.

“A superintendente tem ilegalmente interferido na fiscalização para favorecer determinadas empresas”, declararam. Lançaram dúvidas sobre decisões em prol da construtora Queiroz Galvão e das usinas Tanabi e Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool.

Em agosto, a procuradora da República que assumiu o caso, Inês Prado Soares, enviou recomendação ao Ibama para que fosse aberto procedimento interno e sugeriu que Analice fosse afastada do cargo até o final das investigações. A sindicância foi aberta, mas Analice foi mantida no posto.

“”Há grande possibilidade de que a sra. Analice interfira no andamento de procedimento administrativo que investiga sua própria conduta”, alertou Inês.

À correição aberta e conduzida por procuradores do Ibama de Brasília, os fiscais anexaram denúncias e prestaram depoimentos.

O analista ambiental Carlos Daniel Gomes Toni falou em “pressão política” e “assédio moral”.

“Rogo que esta comissão inclua em seu relatório que encontrou em São Paulo servidores que não se curvam às pressões políticas daqueles que fazem da administração pública seu balcão de interesses”, escreveu Toni.

via Folha de S.Paulo – PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010:Fiscais relatam pressão política no Ibama – 25/10/2010.

Lula volta a acusar Serra de armar “farsa”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que a agressão sofrida pelo presidenciável José Serra (PSDB), no Rio, foi simulada.

Em comício da candidata Dilma Rousseff (PT), ontem à noite, em Uberlândia (MG), Lula disse que foi jogado um “papelzinho” na cabeça do tucano e que a agressão é uma “farsa que tentaram jogar na cabeça do povo”.

“Nunca o povo foi respeitado como agora, e a gente não pode jogar isso fora por um bando de mentira que está sendo contado. Até um papelzinho que foi jogado na cabeça leva o cidadão a fazer tomografia”, disse Lula.

“É uma vergonha a farsa que tentaram jogar na cabeça do povo. Tem muita gente pobre aqui que morre e não consegue fazer ultrassonografia e ressonância magnética”, afirmou o presidente.

A campanha de Dilma decidiu manter a estratégia de afirmar que o tucano “se fez de vítima”, pelo menos até que ficassem prontas as planilhas apuradas pelo marketing, por meio de pesquisas para medir a repercussão da agressão contra Serra.

Segundo a Folha apurou, alguns integrantes do grupo dilmista avaliaram que a polêmica só ganhou dimensão maior com a crítica de Lula.

Para alguns dos interlocutores, Lula teria se precipitado.

Após o episódio, os primeiros programas de TV da candidata exploraram a versão de que Serra fora alvejado somente por uma bolinha de papel, mas imagens feitas pela Folha dão conta de que um objeto circular e transparente também o acertou.

Petistas afirmam que o problema, na verdade, não reside em qual objeto atingiu o tucano, mas, sim, na “espetacularização do fato”.

Segundo um petista, a campanha explorou o episódio para tentar neutralizar o programa de Serra, que levou o caso à TV, associando o PT à violência. Havia, ainda, a intenção de “ridicularizar” o tucano, comparando-o ao goleiro chileno Rojas, que simulou um ferimento em partida contra o Brasil pelas eliminatórias da Copa de 1990.

COMÍCIO

Sobre Serra ter responsabilizado a “turma da Dilma” pelo confronto no Rio, Lula disse que o público do comício era a “turma da Dilma”.

“A turma da Dilma é a turma da paz, que paga imposto de renda, INSS e que sustenta este país”, afirmou Lula.

Em seu discurso, Dilma pediu à população que não dê ouvidos às versões de fatos sobre sua vida e disse que isso deve se intensificar com a proximidade do pleito.

“De hoje até o dia da eleição vão tentar criar falsidades e calúnias, como vêm fazendo, semeando o ódio e uma coisa muito ruim, que é o conflito religioso.” Durante o dia, a petista disse que, apesar de ter sido alvo de um balão de água em Curitiba, não saiu “por aí acusando a campanha dele [Serra]”. (PAULO PEIXOTO, NATUZA NERY, RANIER BRAGON e MÁRCIO FALCÃO)

via Folha de S.Paulo – Lula volta a acusar Serra de armar “farsa” – 23/10/2010.

Agressão a Serra é uma farsa, diz Lula

GRACILIANO ROCHA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o candidato José Serra (PSDB) de simular ter sido agredido durante ato de campanha no Rio anteontem. Lula chamou o incidente de “mentira descarada” e “farsa”.

Citando imagens das redes de TV SBT e Record, o presidente disse que Serra foi atingido por uma bola de papel e só após receber um telefonema, 20 minutos depois, “fingiu” ter sido agredido.

O vídeo que mostra o tucano sendo atingido por uma bola de papel, exibido pelo SBT, entretanto, corresponde a um momento anterior ao candidato ter sido atingido por um rolo de fita crepe, já no final da caminhada em Campo Grande, no Rio.

“A mentira que foi produzida ontem pela equipe de publicidade do candidato José Serra é uma coisa vergonhosa. Ontem deveria ser conhecido como dia da farsa, dia da mentira”, disse Lula, após inaugurar obras do Polo Naval em Rio Grande (309 km de Porto Alegre).

O presidente comparou Serra ao ex-goleiro da seleção chilena de futebol Roberto Rojas, banido após fingir ter sido atingido por um foguete sinalizador em partida contra o Brasil, em 1989.

“Primeiro bateu uma bola de papel na cabeça do candidato, ele nem deu toque pra bola, olhou pro chão e continuou andando. Vinte minutos depois, esse cidadão recebe um telefonema, deve ser o diretor de produção dele que orientou que ele tinha que criar um factoide.”

No Rio Grande do Sul, Dilma fez a mesma comparação com o jogador. “Hoje nós vimos uma bolinha de papel virar uma arma maligna”, disse. “O mesmo expediente do Rojas, que se feriu com uma gilete para criar tumulto.”

O presidente também citou o fato do candidato ter sido atendido pelo médico Jacob Kligerman, que integrou o secretariado do ex-prefeito do Rio Cesar Maia e dirigiu o Inca (Instituto Nacional do Câncer) durante a gestão de Serra no Ministério da Saúde.

Lula contou que chegou a discutir com petistas a possibilidade de telefonar para Serra para se solidarizar e condenar a agressão, mas foi demovido da ideia após ver as imagens.

QUEBRA DE SIGILOS

Ontem, Lula também atribuiu a quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas a Serra a “tucano tentando bicar tucano”, em referência à disputa interna que opôs o candidato ao ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) pelo posto de presidenciável do partido.

Sobre o inquérito da Polícia Federal, Lula mencionou o jornalista Amaury Ribeiro Jr., que disse ter obtido informações após saber que um grupo de inteligência de Serra seguia Aécio.

via Folha de S.Paulo – Agressão a Serra é uma farsa, diz Lula – 22/10/2010.

Dois objetos foram atirados contra Serra durante confronto no Rio anteontem

Imagens feitas pela Folha mostram que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi atingido por um objeto circular e transparente durante uma caminhada na quarta-feira em Campo Grande, zona oeste do Rio.

As imagens foram examinadas pelo perito Ricardo Molina, a pedido da TV Globo, e exibidas ontem à noite no “Jornal Nacional”.

Ele também examinou as imagens exibidas pelo SBT, quando Serra é atingido por um objeto que parece uma bolinha de papel. Concluiu que são momentos distintos.

O instante do vídeo do SBT é usado na internet para acusar Serra de exagerar na reação ao episódio.

As imagens da Folha, feitas com um celular pelo repórter Italo Nogueira, da Sucursal do Rio, que acompanhava a caminhada, mostram que o candidato pôs as mãos na cabeça segundos antes de entrar na van.

O candidato do PSDB chegou por volta das 13h no calçadão de Campo Grande. Em início tranquilo, cumprimentou eleitores. Na caminhada, decidiu entrar numa loja para falar com os clientes.

Neste momento, dois sindicalistas chegaram com cartazes próximo à loja criticando a gestão do tucano no Ministério da Saúde.

Militantes do PSDB arrancaram os cartazes, iniciando as primeiras agressões físicas. Cabos eleitorais do PT se juntaram à dupla anti-Serra, o que generalizou o conflito no calçadão, envolvendo cerca de cem pessoas.

Ao sair da loja, o tucano virou alvo dos protestos. Petistas tentavam se aproximar, mas eram empurrados pelos cabos eleitorais do PSDB. Neste momento, o SBT flagra o candidato sendo atingido por uma bolinha de papel.

No trajeto de cerca de 200 metros, o tucano inicialmente tentou ignorar o caos no entorno. Depois se irritou, xingou de volta, e foi contido pelo vice Indio da Costa.

Ao final do calçadão, Serra põe a mão na cabeça, indicando ter sido atingido por um objeto -momento flagrado pela Folha.

O deputado Fernando Gabeira (PV) e pastores que o acompanhavam afirmam ter visto um objeto acertando o candidato tucano.

Em segundos, ele corre para dentro de sua van, parada na rua Viuva Dantas, empurrado por seguranças.

A van andou por cerca de cem metros e parou. Serra desceu, ladeado por cabos eleitorais do PSDB. Nesse momento, foi flagrado tocando a cabeça, como se sentisse dor. Disse então ter se sentido “meio grogue” e colocou um saco com gelo no local.

via Folha de S.Paulo – Dois objetos foram atirados contra Serra durante confronto no Rio anteontem – 22/10/2010.

Ibope mostra Dilma 11 pontos à frente de Serra

Do site do Estadão

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, está 11 pontos porcentuais à frente de José Serra (PSDB), segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada nesta quarta-feira, 20. A petista tem 51% das intenções de voto contra 40% de José Serra (PSDB). Considerando-se apenas os votos válidos (excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos), Dilma teria 56% contra 44% do tucano.

A petista praticamente dobrou a diferença em relação ao tucano registrada na pesquisa anterior, realizada entre os dias 11 e 13 de outubro. Naquele levantamento, Dilma tinha 49% das intenções de voto (53% dos votos válidos) contra 43% de Serra (47% dos votos válidos). No primeiro turno, a candidata do PT teve 46,9% dos votos válidos, contra 32,6% do adversário.

A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 20 de outubro e está registrada no TSE sob o protocolo

36476/2010. Foram realizadas 3010 entrevistas em todo o País. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

via Ibope mostra Dilma 11 pontos à frente de Serra – politica – Estadao.com.br.

Jornalista ligado à campanha de Dilma confessa violação de sigilo de tucanos

Do site do jornal O Estado de São Paulo

A investigação da Polícia Federal aponta que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. encomendou a quebra dos sigilos fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha de José Serra, Verônica, do genro dele, Alexandre Bourgeois, e de outros tucanos entre setembro e outubro de 2009. De acordo com a PF, na época, o jornalista trabalhava no jornal Estado de Minas, que teria custeado as viagens dele a São Paulo para buscar os documentos. O jornalista participou do grupo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) em 2010, quando não tinha mais vínculo com o jornal mineiro. Esteve, inclusive, numa reunião em abril com a coordenação de comunicação da campanha petista para discutir a elaboração de um dossiê contra os tucanos.

Em depoimento que durou 13 horas na semana passada, Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia, que trabalha em São Paulo. Mas não contou de onde saiu o dinheiro. Amaury disse à PF que decidiu fazer a investigação depois de descobrir que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria comandando um grupo de espionagem a serviço de José Serra para devassar a vida do ex-governador Aécio Neves. Ele afirmou que deixou o jornal no final de 2009, mas deixou um relatório completo de toda a apuração, levando uma cópia consigo para futura publicação de um livro. Na sua versão, a inteligência do PT teria tomado conhecimento do conteúdo de sua investigação e o convidou para trabalhar na equipe de campanha de Dilma.

No ano passado, encomenda de Amaury foi repassada pelo despachante Dirceu Rodrigues Garcia ao office-boy Ademir Cabral, que pediu ajuda do contador Antonio Carlos Atella. Este último usou uma procuração falsa para violar os sigilos fiscais de Verônica Serra e seu marido, Alexandre Bourgeois, numa agência da Receita Federal em Santo André. Por conta da confissão, Amaury pode ser indiciado por corrupção ativa e co-autoria da violação do sigilo fiscal.

Depois de deixar o emprego no jornal, ele participou de uma reunião em abril com integrantes da pré-campanha de Dilma. Presente ao encontro, ocorrido num restaurante em Brasília, o delegado Onésimo de Souza afirmou à polícia que foi chamado para cuidar da segurança do escritório do jornalista Luiz Lanzetta, responsável até então pela coordenação de comunicação da campanha de Dilma. Lanzetta deixou a campanha em junho após a revelação do caso.

Amaury confirmou que durante o período em que ficou em Brasília, em abril de 2010, negociando com a equipe da pré-campanha de Dilma, a despesa do flat onde ficou hospedado foi pago por “uma pessoa do PT”, ligada à candidatura governista. A PF já fechou praticamente todo o caso. Resta saber agora de onde saíram os R$ 12 mil e quem é a pessoa do PT que pagou a hospedagem do jornalista.

via Jornalista ligado à campanha de Dilma confessa violação de sigilo de tucanos – politica – Estadao.com.br.

Tarso diz que imprensa foi “bloco de sustentação” de Serra

VALDO CRUZ, da Folha de São Paulo

Governador eleito do Rio Grande do Sul, o petista Tarso Genro diz que boa parte da imprensa funcionou como “bloco auxiliar de sustentação” da candidatura do tucano José Serra, o que foi um dos fatores determinantes para Dilma Rousseff não ter vencido no primeiro turno.

Ele não quis citar nomes, dizendo apenas que algumas empresas de comunicação declararam apoio formal e outras o fizeram de maneira implícita.

Adversário de Dilma quando ainda ministro de Lula, Tarso diz que ela fez uma “excelente campanha” e a isenta de culpa por não ter vencido no primeiro turno. A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha.

Folha – Por que Dilma não venceu no primeiro turno?

Tarso Genro – Embora estivéssemos esperando ganhar no primeiro turno, isso não é novidade. Lula, com todo o seu prestígio, também não ganhou. Dilma fez uma excelente campanha, alcançou praticamente o mesmo percentual do Lula nas outras eleições. Não pode ser debitada a ela, e sim a fatores imprevistos, que a campanha não levou em consideração.

Por exemplo?

A praticamente unanimidade que houve na mídia contra a candidatura Dilma. Houve um trabalho, muito bem-feito pelos tucanos, por dentro da maioria da mídia, não toda, que funcionou como bloco auxiliar de sustentação da candidatura do Serra e contra nós. Foi um fator importante, mas não deveríamos ter sido surpreendidos. Deveríamos ter considerado essa possibilidade.

Mas a imprensa cumpriu seu papel de expor candidatos…

A mídia faz isso e deve continuar fazendo, mas isso não tira o juízo de que a maioria o fez em função da candidatura do Serra, o que é natural num processo democrático. Nem se exigiu que fosse o contrário. Como em outras oportunidades, pessoas do nosso campo político tiveram uma sustentação, pelo menos equilibrada, em relação a outros candidatos.

Que setores da mídia?

Não toda, parte da mídia. Não houve uma articulação total, até porque a mídia no Brasil tem uma certa diversidade. Parte da mídia inclusive declarou formalmente o apoio [a Serra], e outros o fizeram de maneira implícita.

E o voto conservador, a agenda religiosa, do aborto?

É uma pauta que pesou e teve uma incidência no processo eleitoral que não estava prevista nem pela direção da nossa campanha nem, na minha opinião, estava prevista como estratégia do Serra. Surgiu no debate político de maneira aleatória e virou questão importante.

Concorda com esse debate?

O debate numa campanha eleitoral é incontrolável. Não acho que seja apropriado, mas tem de ser respeitado.

E o fator Marina? O sr. disse que gostava das duas candidatas, mas pessoalmente mais da Marina?

Eu não dei essa declaração. Foi uma distorção da minha fala. Quando digo que havia um setor da mídia apostando contra a Dilma, me refiro também a isso. O que disse é que gostava igual das duas, tinha uma história antiga de amizade com a Marina, e tinha mais simpatia política pela Dilma. Pode pedir a degravação. O fator Marina foi, sim, importante, uma candidata séria. Fez um bom discurso político, convincente, e foi apoiada por setores que fizeram a pauta política de questões como aborto, pauta importante.

Aliados criticaram a despolitização da campanha de Dilma no primeiro turno. Concorda?

A campanha foi afirmativa do governo Lula. Foi uma campanha correta. O que não houve foi a percepção de que a agenda estava mudando.

Uma eventual derrota de Dilma vai levantar questionamentos sobre uma candidatura escolhida solitariamente pelo presidente Lula e não pelo PT.

Não acho que isso vá ocorrer. Vamos ganhar a eleição. Eu jamais tive uma disputa com a Dilma, porque, na medida em que o presidente deixou claro que ela era a candidata, minha posição foi de solidariedade.

via Folha de S.Paulo – Tarso diz que imprensa foi “bloco de sustentação” de Serra – 20/10/2010.

Marco Antonio Villa: Vale tudo

MARCO ANTONIO VILLA, professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar, na Folha de São Paulo

ESTAMOS ASSISTINDO à eleição mais disputada desde 1989. E, como era esperado -até em razão da indefinição de parcela do eleitorado-, a mais violenta. Nada indica que a virulência dos discursos e as ameaças diminuirão. O governo está usando todas as armas. As entidades e movimentos sociais pelegos estão a pleno vapor apoiando a candidata oficialista. Afinal, foram sustentados durante oito anos e agora é a hora de pagar pelos serviços recebidos antecipadamente.

É o momento do vale tudo. Com um coquetel ideológico infernal, o governo conseguiu reunir apoio que vai de José Sarney, passa por Renan Calheiros, chega a Fernando Collor e termina em Oscar Niemeyer. Sem esquecer Jader Barbalho, Paulo Maluf e Newton Cardoso. Dos políticos nacionais é a escória, o que existe de mais nefasto. Da antiga esquerda, são os velhos stalinistas, que nunca viram nada de errado nas ditaduras socialistas, nos campos de concentração, na morte de milhões de cidadãos, na supressão das liberdades.

É uma perversa aliança que tem muitos pontos em comum, como o ódio à liberdade de imprensa, de manifestação e de organização.

Além da política da boquinha, do saque organizado do erário público, que vai do ranário ao edifício público monumental, mas inabitável.

Lula já pensa no futuro. Está no estágio de que não mais dissocia sua ação daquela vinculada aos destinos do país. Vestiu o figurino de salvador da pátria. E gostou. A cada dia fica mais irritado com a oposição. Não aceita qualquer questionamento. Sua ação está paulatinamente saindo do campo da política. Ficou furioso com a realização do segundo turno e as derrotas nos estados de São Paulo e Minas. Achou uma ingratidão.

O segundo turno contrariou seus projetos para o futuro. Queria vender para o mundo uma unanimidade que nunca teve. A imprensa mundial, que serviu de caixa de ressonância para seu projeto, ficou estupefata com o resultado das urnas, pois acreditou nas bravatas. Lula necessitava vencer de goleada para tentar obter algum cargo em uma instituição internacional. Se pôde salvar o Brasil, porque não o mundo? Mas o realismo das grandes potências -especialmente depois da trapalhada envolvendo o Irã- afastou qualquer possibilidade do “ungido”, o “esperado”, pudesse regressar de sua breve odisseia e retomar o poder.

Teremos mais dez dias de acusações, calúnias e coações de todos os tipos. É a “república hilariante”, como bem definiu Euclides da Cunha, caracterizada pelo que chamou de “bandalheira sistematizada”. Pobre Brasil.

via Folha de S.Paulo – Marco Antonio Villa: Vale tudo – 20/10/2010.

Base aliada pede que Procuradoria investigue tucano e Paulo Preto

NANCY DUTRA, da Folha de São Paulo

Deputados governistas entraram ontem na Procuradoria-Geral da República com um pedido de abertura de investigação do candidato tucano à Presidência, José Serra, e do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto.

A ação faz parte da estratégia do PT de tratar as suspeitas sobre o ex-diretor como um dos principais temas da campanha presidencial.

O engenheiro é acusado de captar ilegalmente e fugir com R$ 4 milhões destinados à campanha de Serra.

Foram entregues duas representações. A primeira, assinada pelos líderes do governo e do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Fernando Ferro (PE), pede a apuração de desvios de recursos de obras do governo de São Paulo.

A segunda, do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), requer que o Ministério Público se empenhe em investigar Serra, o ex-diretor da Dersa e o senador eleito Aloysio Nunes (PSDB-SP) pela suspeita de caixa dois.

“É um fato concreto. Ele [Paulo Souza] é réu confesso. Confessou que usou dinheiro para fechar negócios e fazer obras”, afirmou o líder do governo na Câmara, em referência à declaração de Paulo Preto à Folha.

Na entrevista, ele negou ter arrecadado o dinheiro, mas disse ter criado “condições” para que a campanha de Serra conseguisse verba.

As suspeitas contra o engenheiro têm sido abordadas pela campanha petista inclusive nos programas eleitorais de Dilma Rousseff.

Anteontem, o ex-diretor disse que ia pedir ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) direito de resposta por conta do programa veiculado no domingo. Nele, Paulo Preto voltou a ser acusado de captar ilegalmente e fugir.

Para a defesa do engenheiro, a honra e a reputação dele foram atingidas.

Ontem, em entrevista ao “Jornal Nacional”, Dilma disse que “ele cuidava das mais importantes obras do governo de SP. Até agora não houve uma investigação e não houve um processo”.

via Folha de S.Paulo – Base aliada pede que Procuradoria investigue tucano e Paulo Preto – 20/10/2010.

Promotoria acusa tesoureiro do PT de desvio

FLÁVIO FERREIRA, da Folha de São Paulo

O Ministério Público denunciou à Justiça o tesoureiro do PT João Vaccari Neto sob a acusação de envolvimento em desvios de recursos da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) para ex-dirigentes da entidade e para campanhas do PT.

A acusação formal, de autoria do promotor José Carlos Blat, apontou que Vaccari cometeu crimes de lavagem de dinheiro, estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica quando atuou na direção da cooperativa.

Vaccari foi diretor da Bancoop de 1999 a 2004 e presidiu a cooperativa de 2005 até o início deste ano, quando assumiu o cargo de tesoureiro do PT. Outras cinco pessoas ligadas à entidade foram denunciadas (veja quadro abaixo).

Segundo o promotor, a ação dos acusados resultou em desvios de R$ 70 milhões dos cofres da entidade e em prejuízos de R$ 100 milhões aos cooperados da Bancoop.

Criada para viabilizar a construção de unidades habitacionais a preço de custo, a Bancoop não tirou do papel 19 dos 53 empreendimentos oferecidos aos cooperados.

Blat divulgou a denúncia ontem na CPI da Bancoop da Assembleia Legislativa de São Paulo. Vaccari também foi convocado para depor, mas não compareceu.

De acordo com a denúncia, parte dos desvios ocorreu por intermédio de empresas que tinham como sócios ex-dirigentes da cooperativa, principalmente as companhias Germany e Mizu.

Blat disse que foi possível identificar o repasse de R$ 200 mil para o PT, mas o valor das transferências ao partido pode ser maior.

“Há uma série de outros levantamentos e cheques que foram sacados na boca do caixa cujos destinos são impossíveis de ser apurados nas investigações”, afirmou.

O promotor disse ter indícios do uso indevido de cerca de R$ 100 mil da Bancoop para financiar a hospedagem em hotel de luxo de espectadores da etapa da Fórmula 1 em São Paulo, além de transferências para um centro espírita e uma entidade assistencial.

Questionado sobre a afirmação do deputado Vanderlei Siraque (PT) de que a denúncia tinha “tintas tucanas”, Blat disse: “Na verdade ela está carregada com as tintas da Justiça e das lágrimas das mais de 3.000 pessoas que não vão ver seu dinheiro e suas moradias de volta”.

via Folha de S.Paulo – Promotoria acusa tesoureiro do PT de desvio – 20/10/2010.

Comitê do PT tem panfleto contra mulher de Serra

NATUZA NERY e NANCY DUTRA, da Folha de São Paulo

Panfletos apócrifos contra Monica Serra, mulher do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foram encontrados ontem na recepção do comitê de Dilma Rousseff (PT) em Brasília.

O material reproduz reportagem da Folha com relatos de ex-alunas de Monica, de que ela teria feito um aborto quando no exílio. A assessoria do PSDB nega.

A assessoria da candidata afirmou que nem o PT nem a campanha estão distribuindo panfleto contra o adversário e que a campanha desconhece como o material chegou à sua sede.

Sob título fictício “Esposa de Serra já fez aborto”, o folheto traz reportagem publicada pela Folha no último sábado, com relatos de duas ex-alunas de Monica.

Segundo elas, a então professora de dança da Unicamp teria confidenciado ter feito um aborto nos tempos de exílio no Chile com o marido. Ainda no primeiro turno, Monica Serra afirmou que Dilma era a favor de “matar criancinhas”, segundo a Agência Estado.

Os panfletos estavam sobre a mesa da recepcionista do QG petista em uma pilha com cerca de 60 exemplares. Também constava do panfleto a frase: “Serra fala uma coisa e faz outra. Serra, homem de mil caras!”

A reportagem pediu para pegar uma cópia, ao que a secretária do local respondeu: “É para pegar mesmo”.

A mesma versão do documento anti-Serra teria sido distribuída em Sobradinho, cidade satélite da capital.

Moradores confirmaram à Folha que passaram a receber o panfleto em suas caixas de correio já no domingo, um dia depois da reportagem. Um deles afirmou ter recebido o papel das mãos de um entregador, mas não soube indicar os eventuais autores.

O episódio acontece num momento em que o PT acusa a campanha de Serra de estar por trás da produção de 1 milhão de panfletos contra Dilma. A Polícia Federal apreendeu o material.

A gráfica que imprimia os jornais contra a petista pertence à irmã de Sérgio Kobayashi, coordenador de infraestrutura da campanha do presidenciável tucano.

via Folha de S.Paulo – Comitê do PT tem panfleto contra mulher de Serra – 20/10/2010.

Gráfica de tucana já fez jornal pró-Dilma

BRENO COSTA, da Folha de São Paulo

DE SÃO PAULO

A gráfica de propriedade de uma tucana, irmã de um dos coordenadores da campanha de José Serra (PSDB), imprimiu, há duas semanas, um jornal recomendando voto em Dilma Rousseff (PT).

A Editora Gráfica Pana, de São Paulo, foi a mesma que rodou, a pedido da Mitra Diocesana de Guarulhos, panfletos assinados por um braço da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recomendando voto contra o PT.

O PT convocou anteontem uma entrevista para apontar “fortes indícios” de elo entre a gráfica e o PSDB. Ontem, o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP), disse que o pagamento dos panfletos segue “obscuro” e minimizou o fato de a gráfica ter feito material pró-Dilma.

No último dia 6, três dias após o primeiro turno, a gráfica de Arlety Kobayashi, irmã de Sérgio Kobayashi, coordenador de infraestrutura da campanha tucana, imprimiu 75 mil exemplares do “Jornal da CTB” (Central dos Trabalhadores do Brasil).

O jornal traz na capa uma reprodução da foto oficial da campanha petista, em que Dilma aparece com Lula. Na página interna, o título é: “Dilma: para o Brasil continuar no rumo certo”. No texto, um “desafio (…) à classe trabalhadora: eleger Dilma”.

A legislação eleitoral impede que sindicatos façam propaganda “de qualquer espécie” ou doações para candidatos e partidos por serem financiadas pelo imposto sindical. Anteontem, a Justiça Eleitoral suspendeu a circulação duma revista da CUT com conteúdo pró-Dilma.

O secretário de comunicação da CTB, Eduardo Navarro, que encomendou os 75 mil exemplares à Pana, negou que o jornal desrespeite a legislação eleitoral, que proíbe sindicatos de fazer campanha para candidatos.

Ele disse que o jornal não pedia voto para Dilma e só expressava “os interesses” da classe trabalhadora aprovados último no Congresso da Classe Trabalhadora.

Navarro disse ainda que só contratou a Pana porque ela o procurou e fez uma “proposta vantajosa”, “praticamente a metade do preço que a gente estava pagando”.

O marido de Arlety Kobayashi, Paulo Ogawa, diz que foi o sindicato quem procurou a gráfica. Disse ainda que já entregou à PF as notas fiscais referentes à produção dos panfletos anti-Dilma e rechaçou vínculo da empresa de sua mulher com o PSDB: “Sérgio Kobayashi eu só vejo em enterro e casamento”.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, voltou a negar relação com os panfletos: “Não tem nada. A Polícia Federal pode terminar de investigar antes das eleições, não precisa ser como o caso Erenice”.

via Folha de S.Paulo – Gráfica de tucana já fez jornal pró-Dilma – 20/10/2010.

Dilma responsabiliza Erenice por nomeação

Da Folha de São Paulo

Questionada sobre as motivações para levar Gabriel Laender para o governo federal, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff disse que não o conhecia e passou a responsabilidade para Erenice Guerra, que era a número dois da pasta.

“A ministra Dilma Rousseff não conhece o referido servidor e as nomeações de DAS 102.4 [cargo de Laender] são de responsabilidade da Secretaria Executiva da Casa Civil”, afirmou, por meio de sua assessoria

No entanto, foi Dilma quem assinou o convite para Laender deixar a Procuradoria do Espírito Santo para trabalhar no governo. Assinou também o decreto que criou cargo para ele na Casa Civil.

A assessoria da Casa Civil, responsável pela sindicância que investiga tráfico de influência praticado por pessoas ligadas a Erenice, disse que não iria se pronunciar sobre o assunto. Alegou que a investigação é sigilosa.

Por e-mail, informou: “A lei 8.112, de 11/12/90, estabelece que: “As reuniões e as audiências das comissões [de sindicância] terão caráter reservado”. Por esse motivo, não temos como responder às suas perguntas”.

A Folha procurou também o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), que recomendou falar com a Casa Civil. A SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) não respondeu até a conclusão desta edição.

O assessor especial da Casa Civil Gabriel Laender negou ter trocado senha com Vinícius Castro, “sócio” dos filhos da ex-ministra Erenice em uma empresa de lobby.

“Eu não tinha nenhuma ligação com o Vinícius, eu não o conheço, não conheço ninguém da família dele ou da família da ex-ministra.”

Lembrado que ele advogou para o marido de Erenice, afirmou: “É verdade, mas a relação foi como prestador de serviço”. Sobre sua relação com Erenice, Laender disse que é “espartana”.

Afirmou ainda que, embora dividisse a sala com Vinícius enquanto a Casa Civil funcionava no edifício do Banco do Brasil devido à reforma do Palácio do Planalto, a relação era de “bom dia, boa tarde e boa noite”.

Laender pediu que a Folha encaminhasse perguntas por escrito, mas não respondeu ao e-mail. Ele está em férias desde 29 de setembro.

Em conversa pelo telefone, sua primeira reação foi: “Como é que você vai publicar isso? O que vocês estão querendo com isso? Dizer que eu tinha algum contato com o Vinícius?”

O assessor afirmou ainda que não revisou ou redigiu qualquer contrato para a Capital Assessoria, a empresa de lobby. “Eu nunca olhei nada de nenhum contrato, nunca vi nada fora das minhas atribuições da Casa Civil, eu sou um advogado experiente, mas tenho 31 anos, tenho histórico, mas não sou nenhuma sumidade.”

via Folha de S.Paulo – Dilma responsabiliza Erenice por nomeação – 20/10/2010.

Dilma assinou duas nomeações de novo investigado para postos no governo

Da Folha de São Paulo

Suspeito de ter participado do lobby na Casa Civil, o assessor Gabriel Laender foi beneficiado diretamente pela então ministra Dilma Rousseff para conseguir um cargo dentro do governo.

Laender é procurador no Espírito Santo e atuou como advogado da Unicel, empresa na qual o marido de Erenice Guerra era diretor.

Erenice, que era braço direito de Dilma e assumiu seu lugar, deixou o comando da Casa Civil após as acusações de lobby na pasta envolvendo a empresa de seus filhos.

Gabriel Laender foi convidado para trabalhar no governo em 11 de fevereiro de 2009, em ofício assinado por Dilma. No pedido enviado à Procuradoria, a então ministra pede que “seja examinada a possibilidade de colocar Laender à disposição da Presidência da República”.

No ofício, informa-se que ele receberá comissão de R$ 6.843,76, uma das mais altas dentro da burocracia estatal, “sem prejuízo da remuneração e das vantagens” do cargo de procurador, cujo salário é de R$ 11.049.

Em 20 de março de 2009, Laender assumiu cargo na SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), vinculada à Presidência. Foi do computador de Laender que partiram os acessos suspeitos com a senha de Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil que era sócio na empresa de lobby dos filhos de Erenice.

A Folha apurou que depois dos acessos suspeitos, que aconteceram em outubro de 2009, Laender passou a trabalhar informalmente na Casa Civil. Continuava como servidor da SAE, mas dava expediente na Casa Civil.

Dilma, então, intercedeu mais uma vez. Conseguiu tirar Laender da SAE para levá-lo para a secretaria-executiva da Casa Civil, sob o comando direto de Erenice. Um cargo foi criado só para ele.

Foi Dilma quem assinou decreto em 13 de janeiro de 2010 que fez uma triangulação dentro do governo: transferiu um cargo da SAE para o Ministério do Planejamento, e o ministério transferiu esse cargo para a Casa Civil.

Uma semana depois, Laender foi realocado da SAE para a Casa Civil, passando, então, a trabalhar lado a lado com Vinícius Castro.

A Folha apurou que Erenice dizia com frequência que Laender era um “homem dela” no governo. A nomeação do procurador foi assinada por Erenice, então secretária-executiva da Casal Civil.

O procurador Gabriel Laender é o único nome ligado à família de Erenice que sobreviveu na Casa Civil após o escândalo.

Atualmente, é um dos coordenadores do plano de banda larga. A Folha apurou que ele foi preservado porque só pesava contra ele o fato de ter advogado para o marido de Erenice.

via Folha de S.Paulo – Dilma assinou duas nomeações de novo investigado para postos no governo – 20/10/2010.

Grupo de Erenice agia em outros 2 órgãos

ANDREZA MATAIS e FILIPE COUTINHO, da Folha de São Paulo

DE BRASÍLIA

O esquema de tráfico de influência comandado pelo filho da ex-ministra Erenice Guerra usava não apenas a estrutura da Casa Civil mas também a de pelo menos outros dois órgãos da Presidência da República: a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Computadores e funcionários dessas outras duas repartições foram utilizados pelo grupo de amigos de Israel Guerra, filho de Erenice que era peça central do contato de empresários com negócios do governo -cobrando uma “taxa de sucesso” pelo tráfico de influência.

Erenice deixou o governo em 16 de setembro depois de a Folha publicar que ela recebeu na Casa Civil um empresário levado pelos lobistas do esquema, que cobravam para viabilizar um empréstimo para um projeto de energia eólica no BNDES.

Esses novos braços do tráfico de influência foram identificados pela sindicância interna do Planalto que investiga a participação de servidores no esquema de tráfico de influência no órgão e cuja investigação corre em sigilo.

A comissão pediu mais 30 dias para concluir os trabalhos que deveriam ter sido encerrados no domingo. Com isso, o resultado só será divulgado após a eleição

A comissão descobriu que o computador que era utilizado por Gabriel Laender na SAE foi acessado várias vezes com a senha de Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil e sócio de um filho de Erenice na Capital, empresa da família Guerra que intermediava negócios com o governo.

Castro pediu demissão depois que seu nome foi associado ao esquema de lobby.

Documento ao qual a Folha teve acesso mostra que o disco rígido desse computador, da marca Seagate, número de patrimônio 131.817, foi levado pela comissão de sindicância no dia 6 de outubro -logo após o primeiro turno das eleições.

Antes de ir para o Planalto, Laender foi advogado da empresa de telefonia Unicel, na qual o marido de Erenice é consultor. A Folha revelou que essa empresa foi beneficiada pela Presidência da República em 2007, com Dilma e Erenice na Casa Civil.

Atualmente, Laender é um dos responsáveis pelo Plano Nacional de Banda Larga, menina dos olhos do governo, que visa universalizar o acesso à internet no país.

O uso do computador de Laender com a senha de Vinícius Castro abre pelo menos duas possibilidades.

Ou o advogado usava a senha do colega para ter acesso ao sistema interno da Casa Civil e aos arquivos de Vinícius em rede, ou Vinícius saía do prédio da Casa Civil e, de dentro da SAE, em outro prédio da Esplanada, usava o computador de Laender para acessar seus arquivos.

A Folha apurou que uma das hipóteses levantadas na Casa Civil é que Laender tenha ajudado a redigir os contratos da empresa de Israel Guerra e Vinícius Castro, que incluía a “taxa de sucesso”.

Procurador de Justiça no Espírito Santo, Laender tinha mais experiência jurídica que os outros do grupo.

PAGAMENTOS

Uma pessoa que acompanha a sindicância diz que os acessos do computador de Gabriel Laender com a senha de Vinícius Castro foram feitos em outubro de 2009.

Em seu depoimento à Polícia Federal, o representante da MTA Linhas Aéreas, Fábio Baracat, disse que foi a partir daquele mês que começou o pagamento para a empresa dos filhos de Erenice.

A MTA contratou a empresa para intermediação de negócios na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e nos Correios, conforme reportagem publicada pela revista “Veja” que desencadeou a crise na Casa Civil.

A partir dos primeiros rastreamentos, a sindicância descobriu que 12 computadores foram utilizados com as senhas de Castro, Stevan Knezevic e Erenice Guerra.

Uma das máquinas ficava no Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), onde estava lotado Stevan Knezevic.

O órgão é ligado ao Sistema Brasileiro de Inteligência, subordinado ao GSI.

Knezevic, que seria sócio oculto de Vinícius e dos filhos de Erenice no esquema de tráfico de influência, deixou a Casa Civil após o escândalo e voltou para a Anac.

Ele, Vinícius e Israel, filho de Erenice, trabalharam na Anac antes de os dois primeiros seguirem para a Casa Civil por indicação do filho de Erenice Guerra.

Os empresários Rubnei Quícoli e Fábio Baracat disseram à Polícia Federal que ele era apresentado como “advogado” da Capital Assessoria, a empresa de lobby.

Os responsáveis pela sindicância ainda não decidiram se abrirão os arquivos dos computadores ou deixará essa tarefa para a Polícia Federal, que inestiga o caso.

Apesar de Erenice não estar oficialmente entre os investigados, a Folha apurou que a senha dela também foi rastreada. Além de dois computadores de mesa, Erenice também usava um notebook.

Todos os equipamentos foram levados para uma sala do Palácio do Planalto.

via Folha de S.Paulo – Grupo de Erenice agia em outros 2 órgãos – 20/10/2010.

PF ouviu 37 pessoas sobre violação de sigilo

Da Folha de São Paulo

No inquérito aberto para investigar a violação do sigilo fiscal de parentes e pessoas próximas ao candidato José Serra (PSDB), a Polícia Federal já ouviu até agora 37 pessoas em mais de 50 depoimentos -alguns foram inquiridos mais de uma vez.

A PF também já indiciou sob suspeita de corrupção e violação de sigilo sete pessoas, todas envolvidas na quebra dos dados fiscais.

Entre os indiciados estão os despachantes Dirceu Rodrigues Garcia e Antonio Carlos Atella, o office-boy Ademir Cabral, a funcionária do Serpro cedida à Receita Federal Adeildda dos Santos e Fernando Araújo Lopes, suspeito de pagar à servidora pela obtenção das declarações de Imposto de Renda.

O jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou os documentos, não foi indiciado até o momento.

A filha e o genro do candidato tucano, Veronica Serra e Alexandre Bourgeois, tiveram seus sigilos quebrados numa delegacia da Receita de Santo André (SP).

Em outra agência, em Mauá (SP), mais cinco pessoas, quatro delas ligadas ao PSDB, tiveram o sigilo acessado em 8 de outubro de 2009. Entre eles o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações) e Gregório Preciado, casado com uma prima de Serra.

Diretor do Banco do Brasil no governo FHC, Ricardo Sérgio Oliveira também teve seus dados quebrados. Em todos os casos, as consultas duraram poucos segundos.

O acesso às informações de Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, consumiu quase uma hora.

Conforme a Folha revelou em junho, cinco declarações de IR de EJ integravam um dossiê elaborado por pessoas do chamado “grupo de inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT).

Assinante, leia mais na Folha de S.Paulo – PF ouviu 37 pessoas sobre violação de sigilo – 20/10/2010.

Proudly powered by WordPress
Theme: Esquire by Matthew Buchanan.