Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Prévia da inflação oficial fica em 0,39% em agosto

Fernanda Nunes, da Agência Estado

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,39% em agosto, após subir 0,33% em julho. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação entre 0,30% e 0,45%, com mediana de 0,37%.

Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 acumula taxas de 3,32% no ano e de 5,37% em 12 meses até agosto.

Beba na fonte: Prévia da inflação oficial fica em 0,39% em agosto – economia – - Estadão.

Brasil deve gerar até 1,5 mi de empregos em 2012, dizem especialistas

Gustavo Porto, da Agência Estado

A alta na demanda do setor de serviços, com reflexo no crescimento do consumo de bens industriais, deve fazer com que o País gere 1,5 milhão de empregos em 2012, na avaliação de especialistas que participaram nesta segunda-feira, 20, do seminário “Competitividade – o Calcanhar de Aquiles do Brasil”, realizado pela da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP). A expectativa é reforçada pelos dados de julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, que apontaram uma criação de 142,5 mil empregos no mês passado – acima das projeções mais otimistas.

Para o presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP, José Pastore, “a massa salarial vigorosa e os reajustes nos salários” tem impacto no setor de serviços e, consequentemente, provocam um reflexo na produção industrial. “Isso deve garantir um bom quadro no emprego até o final do ano”, disse. “Mas, no momento, o que nos preocupa é a redução na capacidade de investimento da indústria, que pode trazer problemas para 2013″, completou.

Para o ex-ministro do Trabalho e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Walter Barelli, ainda não é possível avaliar o nível de impacto na geração de emprego industrial das medidas pontuais de redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) nos setores automotivo e de linha branca, previstas para acabar no dia 31. “É certo que isso gerou consumo, mas para saber se as medidas puxaram as vendas de estoques ou geraram produção, isso só quando elas acabarem”, disse Barelli.

Segundo o ex-ministro, a curva de emprego cresce naturalmente no segundo semestre, “principalmente porque no primeiro semestre há um ingresso grande de recém-formados no mercado de trabalho e o aumento nas demissões após o final do ano”.

Já na avaliação de Clemente Ganz Lucio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), a criação de até 1,5 milhão de empregos em 2012 seria um resultado muito bom, diante do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 1,5% e 2%. “Mesmo com um crescimento menor, a indústria segura o emprego para atender a demanda”, disse.

Para o representante do Dieese, “não dá para imaginar, no entanto, que o crescimento de empregos na indústria será contínuo”. O desafio, na avaliação de Lucio, é crescer em produtividade, uma das respostas à falta de investimentos do setor apontado por Pastore. “Os ganhos de produtividade trazem aumentos nos salários, maior oferta, maior consumo e criam um círculo virtuoso”, concluiu.

Já segundo Mário Bernardini, membro do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a queda no ingresso da pessoas que entram no mercado de trabalho anualmente para a metade do nível do que era há dez anos é suficiente para não piorar o desemprego. “O Brasil, do ponto de vista do emprego, não precisa crescer mais que 2,5% ao ano”, disse.

Beba na fonte: Brasil deve gerar até 1,5 mi de empregos em 2012, dizem especialistas – economia – - Estadão.

Pessimista, mercado reduz novamente projeção de crescimento da economia

Fernando Nakagawa,
O pessimismo com a reação da economia brasileira aumentou e as previsões para o crescimento em 2012 pioraram novamente. De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central, a mediana das estimativas do mercado financeiro para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu de 1,85% para 1,81%, a segunda piora seguida. Há quatro semanas, estava em 1,90%. Para 2013, a aposta manteve-se em crescimento de 4%, abaixo dos 4,10% verificados há quatro semanas.

BC diz que crédito no País evolui de forma sustentável
Como acontece há vários meses, o setor industrial é o que apresenta o pior desempenho e lidera o movimento de desaceleração da economia brasileira. De acordo com o levantamento, a expectativa para o desempenho do segmento este ano piorou pela 11ª semana seguida: passou de uma contração da atividade de 0,69% para uma queda ainda maior, de 1%. Há um mês, analistas ainda esperavam algum crescimento da indústria, de 0,09% no ano.

Para 2013, economistas esperam recuperação da atividade industrial. Mesmo assim, a previsão de crescimento do setor para o próximo ano também sofreu com o pessimismo e a estimativa recuou de 4,40% para 4,30%. Um mês atrás, o número também estava em 4,30%.

Analistas reduziram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012, de 35,40% para 35,20%. Para 2013, a projeção seguiu em 34%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 35,50% e 34% do PIB para cada um dos dois anos.

Juro e inflação

O mercado financeiro elevou pela quinta semana consecutiva a projeção de inflação medida pelo IPCA em 2012. Nesta semana, a mediana das expectativas passou de 5,00% para 5,11%. Há quatro semanas, estava em 4,87%. Com esse movimento recente, a inflação projetada se afasta cada vez mais do centro da meta, de 4,5%. Para 2013, a aposta manteve-se em 5,50% pela sétima semana.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo também subiu e passou de 5,05% para 5,15%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 4,85%. Para 2013, a previsão dos cinco analistas manteve-se em 5,50% pela nona semana.

Analistas do mercado financeiro mantiveram a previsão de que o ciclo de corte dos juros básicos (Selic) terminará em outubro. A Pesquisa Focus mostra que a expectativa dos analistas é de que o Banco Central deve reduzir a taxa em mais duas ocasiões no atual ciclo: agosto e outubro, o que levaria a Selic para 7,25% no fim do ano. Há um mês, economistas trabalhavam com a hipótese de que a taxa terminaria em 7,50%, dos atuais 8%.

Para os analistas ouvidos pelo BC, no dia 29 de agosto – data da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – a taxa Selic deve ser cortada em 0,50 ponto porcentual, para 7,50%. Depois, em 10 de outubro, o BC deve optar por um novo corte, porém menor, de 0,25 ponto, o que levaria o juro brasileiro para 7,25%, novo piso histórico.

Para 2013, a previsão do juro no fim do ano seguiu em 8,50% pela quinta pesquisa seguida, o que revela expectativa de volta das altas de juro para conter o ritmo da inflação que volta a ganhar força.

Câmbio

O mercado financeiro manteve a previsão de que a moeda norte-americana deve terminar 2012 e 2013 no patamar dos R$ 2. De acordo com a pesquisa Focus, a mediana das projeções para o preço do dólar no fim deste e do próximo ano seguiu em exatos R$ 2,00. Há um mês, analistas previam dólar a R$ 1,95 no fim de 2012 e também no de 2013.

As estimativas para o curto prazo se mantiveram na casa dos R$ 2. Para o fim do mês, a previsão para o dólar seguiu em R$ 2,03. Para setembro, a expectativa cresceu um centavo, de R$ 2,01 para R$ 2,02. Há quatro semanas, a previsão para o dólar no fim dos dois meses estava em R$ 2,00.

Beba na fonte: Pessimista, mercado reduz novamente projeção de crescimento da economia – economia – - Estadão.

A economia e a “Síndrome do Deslocamento de Caderno”

Vocês certamente já ouviram falar no Mário Rosa. É um jornalista com larga vivência em redações que hoje ganha a vida como consultor em crises de imagem. Escreveu já três livros e tornou-se um requisitado especialista sempre que alguém muito importante atravessa períodos de turbulência perante a opinião pública.

Em seu primeiro livro, Mário Rosa descreve o que chama de “Síndrome do Deslocamento de Caderno”. Como já faz algum tempo que o li, pode ser que não consiga reproduzir exatamente suas assertivas. Mas a tal síndrome seria um dos indicadores de que algo vai mal em relação à imagem pública de quem, de uma hora para outra, passa a figurar no noticiário em editorias diferentes daquelas onde é citado normalmente.

É assim: se uma empresa costuma frequentar o caderno de negócios dos jornais, logo terá problemas se passar a figurar no de política ou, pior ainda, no noticiário policial. É mau-agouro.

Bem, dito isso, entro no assunto que queria abordar: a economia.

Já há algumas semanas a economia brasileira vem ocupando cada vez mais espaço nos cadernos de política.  Seria a tal “Síndrome do Deslocamento de Caderno” descrita por Mário Rosa ?

As notícias não são boas. Redução do PIB, frustração de expectativas, desemprego incipiente. A GM fechando uma unidade aqui, metalúrgicas que se transformam em importadoras de concorrentes chineses. A coisa não vai bem.

E por que não vai bem ? Não vai bem basicamente porque a Europa faliu e a China, seu principal fornecedor, não tem a quem exportar tudo o que produz. Não tendo a quem vender, não tem  por que comprar. É aí que a vaca da nossa felicidade vai caminhando para o brejo. Somos bons fornecedores de matéria-prima para a indústria chinesa.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concedeu uma longa entrevista para as Páginas Amarelas de Veja esta semana. Foi ao fulcro do problema. Ao longo da era petista, o governo focou no consumo, e não na produção. Agora, faltam-nos condições de competitividade para enfrentar a predatória concorrência global.

O ex-presidente não disse, talvez porque isso poderia parecer um elogio a seus contendores, mas o Brasil conseguiu aguentar o tranco da crise inaugurada em 2008 com o vigor de seu mercado interno. Agora, no entanto, ele não parece ser suficiente para fazer girar a roda virtuosa da economia. Os pátios das fábricas estão lotados. Endividada, a população não tem como comprar carros em número suficiente para assegurar a continuidade da produção nas linhas de montagem. O mesmo ocorre em outros segmentos da economia.

A nova classe média, que cravou conquistas importantes nos últimos anos, vê-se ameaçada de perder a TV de LED para o credor, o carro para a financeira e o emprego para a crise.  E, para quem já teve um dia, a perda de algo pode ser muito mais dolorida.

Com o deslocamento da economia para a editoria de política, resta apenas saber quanto tempo a população vai levar para perceber o efeito previsto por Mário Rosa.

Num ano eleitoral como este, pode ser que ele já esteja começando a se manifestar nos índices risíveis dos candidatos petistas que, a despeito do patrono Lula, não conseguem sair da vala dos nanicos.

É o caso de Fernando Haddad, a maior aposta — e também de maior risco — do ex-presidente Lula.

Pessimismo aumenta e analistas estimam crescimento menor até 2013

Fernando Nakagawa e Patricia Lara, da Agência Estado
O corte de 0,50 ponto porcentual da Selic, que passou de 9% para 8,50% no dia 30 de maio após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) não deu confiança aos analistas sobre o ritmo da economia brasileira no próximo ano. Ao contrário, a pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, mostrou que os analistas revisaram em baixa também a previsão de crescimento da economia para 2013, que passou de 4,50% para 4,30%.

O prognóstico volta agora ao patamar previsto na pesquisa divulgada no dia 14 de maio, quando os analistas projetavam expansão de 4,30% para 2013. Na pesquisa subsequente, no dia 21 de maio, os analistas mostravam-se mais otimismo e elevaram o prognóstico para o ritmo da economia local de 4,30% para 4,50% em 2013.

Economia em 2012

O mercado financeiro reduziu pela quinta semana consecutiva a aposta de crescimento da economia brasileira em 2012 e já prevê que a expansão neste ano será menor que a observada em 2011. A previsão dos analistas para a expansão do PIB em 2012 recuou de 2,72% para 2,53%. A nova previsão, portanto, é de que a economia crescerá menos que os 2,7% do ano passado. Quatro semanas atrás, a projeção era maior, de crescimento de 3,20%.

Uma das principais causas do pessimismo com a economia é a indústria. Entre os analistas, a estimativa de crescimento do setor em 2012 caiu de 1,15% para 1%. Para 2013, economistas preveem recuperação. Ainda assim, a estimativa de avanço industrial piorou de 4,25% para 4,20%. Um mês antes, a pesquisa apontava cenário com crescimento industrial de 1,94% neste ano e de 3,95% no próximo ano.

Analistas mantiveram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012 em 35,85%. Para 2013, a projeção seguiu em 34,25%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 36% e 34,6% do PIB para cada um dos dois anos.

IPCA

O mercado financeiro reduziu mais uma vez a projeção de alta do IPCA em 2012. Nesta semana, a mediana das expectativas recuou de 5,15% para 5,03%. Há quatro semanas, a estimativa para a inflação oficial era de 5,22%. Para 2013, a projeção manteve-se em 5,60% pela terceira semana seguida. Há um mês, estava em 5,53%.

A projeção de alta da inflação para os próximos 12 meses, por sua vez, manteve-se em 5,50%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 5,53%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo caiu de 5,24% para 5,02%. Para 2013, a previsão dos cinco analistas recuou de 5,85% para 5,50%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 5,22% e 5,80% para cada ano, respectivamente.

Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA em junho de 2012 recuou de 0,25% para 0,23%, abaixo do 0,28% estimado há um mês. Para julho, a previsão seguiu em 0,20%, ante 0,23% de quatro semanas atrás.

Selic segue em 8%

Boa parte do mercado financeiro não alterou suas estimativas para o patamar do juro. Por enquanto, prevalece a aposta de que o juro básico da economia, a Selic, deve terminar o ano em 8%. Porém, o grupo dos analistas que mais acertam as estimativas no levantamento do BC, o chamado Top 5, já prevê taxa menor no fim do ano.

Entre todos os analistas, a mediana das estimativas para o patamar da taxa Selic no fim de 2012 seguiu em 8% ao ano pela quarta semana consecutiva. De acordo com esse prognóstico, a Selic cairia apenas mais uma vez, 0,50 ponto porcentual, na reunião de julho. Essa estimativa, porém, pode ser revisada diante de uma ata que deixa aberta a possibilidade de cortes adicionais. Além disso, o documento foi divulgado na sexta passada, entre um feriado e o fim de semana. No chamado Top 5, essa revisão de cenário pós ata parece ter começado. No grupo, a previsão para o juro no fim do ano no cenário de médio prazo caiu de 8% para 7,75%.

Beba na fonte: Pessimismo aumenta e analistas estimam crescimento menor até 2013 – economia – brasil – Estadão.

Dilma: país está ’300% preparado’ para enfrentar crise

Diante da baixa expectativa em torno do Produto Interno Bruto (PIB), a presidente Dilma Rousseff aproveitou um evento público, em Laguna (SC), para tentar tranquilizar o país. Dilma afirmou que o Brasil está “300% preparado” para enfrentar a crise econômica mundial e que tem feito obras de grande porte como forma de “resistência”.
- Perguntaram outro dia se a gente estava preparado para enfrentar o que puder acontecer na Europa. Eu posso assegurar a vocês: nós estamos 100% preparados, 200% preparados, 300% preparados – disse ela, completando: – Nós vamos resistir à crise criando emprego, investindo em infraestrutura e também nas atividades sociais necessárias para que o nosso país seja um país que, ao mesmo tempo em que cresce, distribui sua riqueza.
Durante o anúncio de construção de uma ponte em Santa Catarina, a presidente destacou que as condições do país para o enfrentamento da crise global são melhores do que em 2009, no governo Lula, quando os Estados Unidos e países da Europa entraram em crise, já que as reservas do Brasil aumentaram US$ 165 bilhões no período. Dilma disse ainda que o país vem construindo sua estabillidade nos últimos 28 anos, desde a redemocratização.
- Na Europa, a situação nas últimas semanas tem se deteriorado bastante e as pessoas ficam pensando assim: “como é que fica o Brasil?” O Brasil fica muito bem – disse ela, afirmando:- A partir do governo Lula
tivemos o cuidado de criar um conjunto de armas contra crises externas.
Apesar de dizer que a estabilidade econômica começou há mais de 20 anos, a presidente afirmou que, antes, “o mundo espirrava lá fora e nós pegávamos uma pneumonia”.
- Hoje, nós não pegamos uma pneumonia. Vocês lembram que na crise de 2008 e 2009 nós fomos atingidos pelas suas consequências, mas ela aqui no Brasil durou muito pouco. Agora, estamos ainda mais fortes. Agora, para ter uma ideia, nós temos US$ 370 bilhões de reservas. Naquela época, tínhamos US$ 205 bilhões.

Beba na fonte: Dilma: país está ’300% preparado’ para enfrentar crise – O Globo.

Mercado já espera um crescimento ainda menor

FERNANDO SAMPAIO

Nas divulgações semanais do boletim Focus do Banco Central (BC), em geral os números que mais chamam a atenção são as expectativas quanto aos índices de inflação e a taxa de juros básica (Selic).

Elas costumam variar, de uma semana para a outra, bem mais do que aquelas relativas a variáveis do lado “real” da economia -como o PIB (Produto Interno Bruto), a produção industrial e o saldo da balança comercial.

Essa maior volatilidade reflete sobretudo a importância das projeções de inflação e de juros nas operações no mercado financeiro -o que leva as instituições financeiras e as consultorias cujas expectativas são coletadas pelo Banco Central a revisarem essas projeções a todo momento.

Também contribui para que a revisão das projeções para as variáveis “reais” seja menos frequente o fato de que o maior acerto nessas projeções não é “premiado” pelo Banco Central: ele somente divulga listas das instituições com menor erro nas projeções para os índices de preços, o câmbio e a Selic.

À luz desses fatores, fica mais fácil compreender a importância do recuo da expansão esperada do PIB em 2012 relatado pelo boletim Focus de ontem.

Do dia 11 para o dia 18 deste mês, a mediana das projeções para a taxa de crescimento do PIB diminuiu de 3,20% para 3,09%.

Embora possa parecer modesta, é incomum uma mudança desta magnitude em apenas uma semana.

Ela sugere que, nas próximas semanas, o Focus vai relatar novos recuos do crescimento esperado.

O recrudescimento da instabilidade na Europa é o fator de fundo a realimentar a cautela de empresários e de consumidores.

ESTOPIM

Mas o principal estopim direto da piora de expectativas de crescimento captada pelo Focus deve ter sido a divulgação, na última sexta-feira (dia 18), do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), a estimativa do desempenho mensal do PIB elaborada pelo próprio BC.

O índice caiu 0,35% do mês de fevereiro para março; em média, os analistas esperavam uma alta próxima de 0,5%.

Não por acaso, o grosso da piora das projeções para o PIB ocorreu de quinta-feira para sexta-feira.

O IBC-Br subiu apenas 0,15% do quarto trimestre de 2011 para o primeiro trimestre de 2012.

Mesmo a projeção feita pela LCA Consultores, de alta do PIB de 2,6% no ano, pode estar se tornando otimista.

FERNANDO SAMPAIO, economista, é sócio-diretor da LCA Consultores

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Mercado já espera um crescimento ainda menor – 22/05/2012.

Governo diminui tributos para aquecer a economia

Diante do risco cada vez maior de o país crescer abaixo de 3% neste ano e depois de constatar que os estímulos dados até agora não foram suficientes para reaquecer a economia, o governo Dilma baixou ontem novas medidas emergenciais para estimular o crédito para o consumo e os investimentos.

No pacto fechado com representantes da indústria e dos bancos, o governo entrou com corte de impostos (IPI e IOF) e redução de taxa de juros em algumas operações do BNDES. Isso custará R$ 2,719 bilhões aos cofres públicos.

O Banco Central também anunciou a liberação de até R$ 18 bilhões, em um ano, do dinheiro que as instituições financeiras têm retido no Banco Central (compulsórios) para que os bancos concedam empréstimos para a compra de automóveis.

Em troca, os bancos se comprometeram a exigir um valor menor como entrada nos financiamentos de veículos, aumentar os prazos das operações e diminuir juros.

Já as montadoras terão de dar descontos de 1% a 2,5% sobre a tabela atual de preços e não poderão demitir.

O resultado para o consumidor, segundo o ministro Guido Mantega, será uma redução de até 10% no valor do veículo financiado para a pessoa física.

“A indústria automotiva nunca descumpriu um acordo”, desconversou Mantega ao ser questionado sobre o que acontecerá se o setor privado não cumprir sua parte.

“Eu confio na Anfavea, eu também confio nos bancos. Eles não vieram, mas estavam conosco hoje e celebramos juntos o acordo”, disse, ressaltando ainda que é preciso dar “um voto de confiança”.

As ações, voltadas para incrementar vendas de carros, ônibus e caminhões, valerão até 31 de agosto. O corte no IOF, que vale para todo tipo de empréstimo, não tem data marcada para acabar.

Segundo Mantega, as medidas são necessárias porque, diante do recrudescimento da crise externa, será difícil o país crescer 4,5% como previsto inicialmente. Ele defende, no entanto, que “o Brasil tem condições de reagir, e o crescimento será melhor do que o do ano passado”.

O BNDES reduziu juros nos empréstimos para a aquisição de máquinas e equipamentos (de 7,3% para 5,5% ao ano) e ônibus e caminhões (7,7% para 5,5% ao ano).

Além do pacote divulgado ontem, a equipe da presidente Dilma prepara ações para beneficiar também o setor de material de construção, que reclama da falta de crédito.

“Se faltar crédito vamos liberar mais nos setores que a gente identifique. Essa é a ordem que temos”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Governo diminui tributos para aquecer a economia – 22/05/2012.

Indústria fraca atrasa retomada do crescimento

MARIANA CARNEIRO

Projeções de analistas do mercado financeiro indicam que o governo conseguirá neste ano elevar a cotação do dólar, como vem pleiteando a indústria, e baixará a taxa de juros a piso inédito.

Ainda assim, o resultado será crescimento modesto, com chance de ser menor do que o do ano passado. O principal entrave é a indústria. Mesmo com dólar valorizado, o setor enfrenta dificuldades e retarda a retomada.

O desempenho fraco no primeiro trimestre levou economistas a projetarem um crescimento de 3,2% em 2012, próximo ao do ano passado (2,7%), o que foi considerado pouco pelo próprio governo.

Tendências e LCA já preveem expansão ainda menor: 2,5% e 2,6%. Na sexta, após divulgação da prévia do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, as revisões continuaram.

Estudo dos economistas Zeina Latif e Marcelo Gazzano mostra que a crise na indústria vai além de câmbio e juros. Está ligada ao custo da mão de obra, que continua a subir apesar da atividade fraca, e mina a competitividade.

“Desconfio que teremos uma decepção com a indústria”, diz Zeina Latif.

A economista lembra que países como Chile e México também tiveram suas moedas valorizadas frente ao dólar, mas a indústria não parou. Isso indica, diz Latif, que o problema não é só o câmbio.

“O custo da mão de obra está numa trajetória ascendente desde 2010 e coincide com a estagnação da indústria e o aumento dos importados”, afirma a economista.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Indústria fraca atrasa retomada do crescimento – 20/05/2012.

Reação econômica será mais lenta que o previsto, diz BC

GUSTAVO PATU E MAELI PRADO

A economia brasileira encolheu em março pelo terceiro mês consecutivo, e o desempenho no primeiro trimestre foi ainda mais fraco do que esperavam analistas e investidores.

Divulgados ontem, os novos dados do índice de atividade econômica do Banco Central mantêm em tendência de queda as projeções do governo e do mercado para o crescimento da renda nacional neste ano.

O BC apurou uma expansão de apenas 0,15% no primeiro trimestre, na comparação com os últimos três meses do ano passado. As apostas de bancos e consultorias, que já não eram otimistas, variavam em torno de 0,5%.

A taxa só não foi negativa graças a um efeito estatístico -os números ruins de outubro derrubaram o resultado médio do quarto trimestre de 2011. Na comparação direta entre março e dezembro, há uma queda de 0,98%.

O índice estima o ritmo da economia a partir de indicadores disponíveis sobre indústria, serviços, agricultura, consumo e investimentos.

Por isso, serve como uma prévia do resultado trimestral do Produto Interno Bruto, que será divulgado dentro de duas semanas pelo IBGE.

PROJEÇÕES EM QUEDA

Diante das incertezas do cenário internacional e da pouca eficácia das medidas de estímulo adotadas pelo governo, especialistas vêm reduzindo expectativas para o PIB do trimestre e do ano.

Até a semana passada, a projeção central do mercado para o crescimento em 2012 estava em 3,2%, ainda acima dos 2,7% do ano passado. O governo mantém a previsão oficial de 4,5%, mas já considera satisfatória qualquer melhora sobre 2011.

“Nossa expectativa era crescimento de 3,2% para o ano, reduzimos para 3%”, diz a economista-chefe da corretora Icap Brasil, Inês Filipa.

Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências, espera crescimento de 2,5% e acredita que a redução dos juros do BC só produzirá resultados a partir do segundo semestre.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Reação econômica será mais lenta que o previsto, diz BC – 19/05/2012.

O dia em que Paulo Henrique Amorim confrontou a ditadura para… Enaltecer a ditadura!

Paulo Henrique Amorim esconde o seu passado. Até mesmo quando ele tenta revelá-lo. Por exemplo, em seu site, Conversa Afiada, ele faz um longo retrospecto de seus empregos e feitos passados. A certa altura, ele conta que entre 1970 e 1974, foi editor de Economia da Revista Veja. E acrescenta, orgulhoso, referindo-se a si próprio na terceira pessoa: “Recebe o ‘Prêmio Esso’ de reportagem Econômica por um trabalho na Veja sobre a distribuição de renda.” Bonito. O site do Prêmio Esso confirma. Ganhou CR$ 5 mil (para os mais jovens, cinco mil cruzeiros, a moeda de então) pela reportagem “A renda dos brasileiros”, publicada na edição de 7/6/1972.

O Prêmio Esso não mente: a reportagem é mesmo de PHA. Isso pode ser comprovado pela leitura da “Carta ao leitor”, assinada por Mino Carta, que editava a revista, segundo o próprio PHA, com total independência, sem dar ciência aos patrões sobre o que publicava. Na carta, está dito que PHA “conseguiu a mais autorizada análise dos dados essenciais do estudo do professor Langoni e, em geral, das questões mais importantes da renda dos brasileiros”. A reportagem é dele mesmo. E, como não poderia deixar de ser, é vergonhosamente uma reportagem chapa branca. Uma tristeza.

Apesar de ter conseguido destroçar aqueles que pegaram em armas para combatê-la e de se orgulhar de um crescimento econômico de dois dígitos, a ditadura sentia um desconforto enorme: números do Censo de 1970 mostravam uma brutal concentração de renda. A oposição, quando podia, não deixava de apontar para essa ferida. O que fez então a ditadura, com o apoio de jornalistas como PHA? Encomendou um estudo para desmentir os números do Censo, que havia sido divulgado no início daquele ano.

E PHA escreveu uma reportagem como que a indagar: “Concentração de renda? Dores do parto de nossa grandeza!” São nove páginas para provar que a concentração existia, mas era transitória e até um bom sinal. Quando a ditadura, pela primeira vez, se sentia no corner, acusada de enriquecer os ricos e empobrecer os pobres, Paulo Henrique Amorim lançou uma tábua de salvação. Fez, não uma reportagem, mas uma peça de propaganda da ditadura, como se verá.

PHA, como sempre, começa tortuoso:

“A expressão ‘distribuição de renda’ adquiriu mágicos poderes de persuasão. Bastava enunciá-la para subitamente surgir um poderoso arsenal de dúvidas e suspeitas sobre os sucessos da economia brasileira. Principalmente depois da divulgação dos dados preliminares do Censo de 1970, no início deste ano, quando, sem sofismas ou malabarismos estatísticos, ficou possível localizar uma desagradável concentração.  (…) Um economia que atribui a 28% de sua população uma renda inferior a 99 cruzeiros, como mostra a tabela acima, seria certamente uma economia frágil. Porém, um recente estudo encomendado pelo Ministério da Fazenda e que se utiliza, inclusive, de dados do Censo, mostra que o adjetivo frágil no caso é impróprio.” (…)

Ou seja, de cara, PHA já repudia a tese de que a economia do Brasil era frágil. A seguir, já parte para acuar a oposição de então:

(…) “Também no Brasil, a questão da distribuição da renda deixou, inevitavelmente, de ser um tema apenas econômico para engrossar os cáusticos argumentos dos que alimentam insatisfações políticas. No caso, o argumento era ainda mais contundente porque se sustentava em números insuspeitos do Censo – um trabalho do Instituto Brasileiro de Estatística, vinculado ao Ministério do Planejamento. Há pouco tempo, Roberto de Oliveira Campos, ex-ministro do Planejamento,escreveu um artigo sobre distribuição de renda e utilizou como epígrafe um frase que ele mesmo já recorrera em vários artigos: ‘As estatísticas são como biquíni: o que revelam é importante; o que ocultam, essencial’. O economista Mario Henrique Simonsen, em discurso recente, inventariou, então, os motivos por que as estatísticas do Censo sobre a distribuição de renda poderiam estar ocultando o essencial. Os censos distribuem a população remunerada – explica Simonsen – em apenas oito classes de renda. As duas extremas, as do que ganham menos e mais, são abertas, isto é, indicam o número de indivíduos com renda menor do que x e maior do que y. Para estimar a renda média dessas classes, costuma-se apelar para o ajustamento de certas curvas estatísticas, o que provoca muitas vezes erros graves.”
E, então, a reportagem nos traz um momento curioso. Há pouco tempo PHA tripudiou do conceito de renda não monetária, e disse que é um absurdo supor que um pobre é um pouco menos pobre por ter uns porcos no quintal, um roçado. Em 1972, quando adulava a Ditadura, ele não pensava assim. Veja o que PHA escreveu para explicar os erros a que Simonsen se referia:

“Simonsen mostra ainda que os dados dos censos se referem à renda monetária recebida pelos indivíduos, e isso, de alguma forma, distorce as comparações, pois não são computados os serviços gratuitos prestados pelo governo, as diferenças regionais de renda e, ainda, a renda não monetária derivada do autoconsumo – as roças do fundo do quintal, onde algumas famílias plantam o mínimo necessário para a subsistência.”

E PHA prossegue:

“Finalmente, Mário Henrique Simonsem fornece outro argumento para se desconfiar de que o Censo está ocultando demais: os dados classificam as rendas por indivíduos Se classificassem as rendas por famílias, os resultados nas camadas mais pobres seria provavelmente melhores, pois exatamente entre os mais pobres há um número maior de pessoas trabalhando numa mesma família. Já que o Censo era muito sovina com suas informações, o governo decidiu patrocinar estudos mais completos. O Ministério da Fazenda financiou o Instituto de Pesquisas Econômicas da Faculdade de Economia e Administração da USP, que incumbiu Carlos Geraldo Langoni, 27 anos, um de seus mais jovens e talentosos professores, de realizar a tarefa.” (…)

E quem divulgou na capa de uma grande revista esse estudo contra o Censo, acolhendo-o como verdadeiro? Paulo Henrique Amorim! Ele enumera os achados do estudo do Governo:

“Foi bastante expressiva a redução da população economicamente ativa (os que trabalham e têm algum tipo de renda) que vive no campo e, paralelamente, houve um aumento dos que foram para as cidades; em nenhuma das categorias chegou a haver diminuição dos rendimentos – ou seja, todos, com exceção dos analfabetos, que ficaram praticamente onde estavam em 1960, melhoraram de renda; aumentou drasticamente a proporção dos que na população economicamente ativa têm um nível de instrução superior ao primário (além da diminuição do número de analfabetos); quanto mais alto o nível de instrução, maiores os ganhos em renda;e, finalmente, uma descoberta de valor inestimável – a renda é pior distribuída na cidades que no campo e vai ficando mais concentrada à medida que se passa dos analfabetos para melhores níveis de instrução. (…) Porém, parece sintomático que nenhum dos setores da população tenha perdido dinheiro na década.”

E para confirmar o estudo da ditadura, PHA foi buscar, distorcendo-o, um estudo de um economista que, anos depois, se tornaria um de seus maiores desafetos: José Serra. Seria engraçado, se não causasse enjôo (mas mostra, pelo menos nesse ponto, coerência, com PHA no campo oposto de Serra):

“Aliás, até um estudo, ‘Além da Estagnação” de autoria de M.C.Tavares e J. Serra [isso mesmo, José Serra], economistas da Cepal, com sede em Santiago do Chile, tradicional opositora da política econômica brasileira, admite: ‘O esquema de distribuição de renda em 1970 mostraria uma maior taxa global de desigualdade, uma maior concentração na cúpula, se comparado com 1960; em compensação, tanto os grupos médios alto quanto os médios em seu conjunto aumentaram significativamente sua participação na renda.’”

E, então, PHA dá a grande notícia: se houve concentração de renda, ela era apenas transitória. Por quê? Porque a educação oferecida ao povo pela ditadura não parava de melhorar. Querem piada melhor? Pois leiam:

“Outro dado revelador é que aumentou brutalmente a oferta de educação para os níveis ginasial, colegial e superior. (…) Conclui-se daí que a concentração de renda é maior nas cidades e entre os universitários porque a agricultura não faz grandes distinções entre os qualificados e não qualificados; e porque a rápida evolução da economia exigiu uma mão de obra qualificada. Como não havia suficiente oferta para essa demanda no primeiro momento, ocorreu uma valorização brusca dos que tinham diploma universitário, colegial ou ginasial. A educação parece ser, portanto, a maior causa da diferenciação da renda e do aumento da desigualdade na década de 60. (…) A situação brasileira seria grave se a concentração da renda estivesse aumentando ao mesmo tempo que diminuíssem as possibilidades de acesso à educação. O que acontece é exatamente o contrário. Parece estar havendo uma ampliação das oportunidades, pois a base de lançamento – o acesso á educação – é cada vez mais ampla. (…) No momento em que a oferta [de educação] for se ajustando à demanda, haverá ma redução das desigualdades – o país será mais qualificado e a renda melhor distribuída.”

E PHA termina triunfante, para a alegria da ditadura:

“Os números sobre a distribuição de renda indicam que o Brasil está apenas pagando o preço do seu desenvolvimento.(…)”

A reportagem, para cumprir tabela, traz também um artigo de Albert Fishlow, já na época, aos 36 anos, um especialista em Brasil (hoje ele é diretor do Instituto de Estudos Latinos Americanos e do Centro para Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia). Fishlow era dos maiores críticos da política econômica dos militares, pondo o dedo na ferida: ela era desgraçadamente concentradora de renda. Mas Paulo Henrique Amorim, ao introduzir o artigo, trata de antecipar que não concorda com ele: “Veja considera poucos realistas muitas teses de Fishlow – mas encomendou o seguinte artigo para permitir uma visão mais completa dos argumentos que alimentam o debate em torno da distribuição da renda dos brasileiros.” Argumentos, evidentemente, desmentidos pela reportagem de PHA.

Aquela edição traz também uma entrevista de PHA com Delfim Netto, o todo-poderoso ministro da Fazenda da ditadura. Para um desavisado, a entrevista pode parecer correta, com perguntas que vocalizam os argumentos da oposição de então. Mas, na verdade, para usar uma metáfora inspirada no vôlei, PHA levanta para que Delfim cortar. E, o mais importante, Delfim convenceu PHA de cabo a rabo, pois todas as teses do então czar da Fazenda foram acolhidas na reportagem que ele publicou. Basta verificar que o fecho da reportagem de PHA é quase integralmente uma cópia de uma das respostas de Delfim:

PHA: “(…) Não seria justo exigir uma distribuição melhor de uma economia que cresce tanto?”

Delfim: “Não creio. O que se pode exigir é o seguinte: um processo de rápido crescimento tende a gerar um processo de melhor distribuição. Essa experiência é universal. O que eu acho é que não é possível colocar essa distribuição como objetivo superior ao da produção. Se não, você acaba querendo distribuir o que não existe.”

Em outra resposta, Delfim disse:

“Os dados agora levantados [por Langoni] não dão ao Brasil nenhuma grandeza maior. É apenas um caso típico de desenvolvimento econômico. Mas os dados também não deixam o Brasil numa posição incômoda quanto à dua distribuição de renda.”

Ou como disse PHA no fim de sua reportagem, acolhendo integralmente as teses de Delfim:

“Os números sobre a distribuição de renda indicam que o Brasil está apenas pagando o preço do seu desenvolvimento.(…)”

Taí um Prêmio Esso que não dá orgulho a ninguém. Em vez de deixar a ditadura acuada, com os inequívocos dados do Censo, PHA preferiu dar guarida a um estudo cujo objetivo foi servir de bóia de salvação. Só PHA mesmo.

Abaixo, a íntegra da reportagem, reproduzida do Acervo Digital da revista Veja

Cresce temor de não se atingir a meta do governo

RIO – Há uma preocupação no mercado financeiro com o descolamento das expectativas de inflação em relação ao centro da meta, de 4,5%. Segundo Gino Olivares, da Brookfields Gestão de Ativos, “a inflação já está rodando a 6% (em 12 meses), e vai ficar flertando com o limite superior da banda (6,5%) boa parte do ano”.

Felipe Tâmega, do grupo Modal, acrescenta ser possível que a inflação acumulada em 12 meses ultrapasse 6,5% em agosto. A inflação de junho a agosto de 2010 ficou em torno de zero. À medida que, no cálculo da inflação em 12 meses, aqueles meses no ano passado sejam substituídos pelos de 2011 – quando não se acredita que a inflação ficará em torno de zero – , o IPCA pode varar o teto da banda.

Olivares está particularmente preocupado com o fato de que a mediana das expectativas de inflação do mercado para 2012 esteja em 4,61%, acima do centro da meta, na última coleta do Banco Central. Na verdade, houve um recuo ante a penúltima coleta, quando o indicador chegou a 4,7%. Ele acha que o número em si não é tão importante, mas sim o fato de que “os agentes começaram a questionar a ideia de que a inflação 24 meses à frente vai estar na meta – não me lembro de outro episódio assim ao longo dos 11 ou 12 anos do sistema de metas”.

Sem sinalização. O economista acrescenta que o BC não sinalizou em seus documentos qual o horizonte para trazer a inflação de volta para o centro da meta, o que dá flexibilidade, mas também tem custos: “A inflação corrente muito alta, perto do limite superior da banda, com a ausência de sinalização sobre qual é o horizonte relevante para o BC, se traduz em expectativas desancoradas; a consequência é que ele terá de fazer (um aperto) muito maior, com custo muito mais alto, quando quiser trazer a inflação de volta a 4,5%”.

Uma expressiva corrente do mercado crê que o BC elevará a Selic (taxa básica de juros) do nível atual de 11,25% para 12,25%, com uma alta total de 1,5 ponto porcentual desde janeiro (quando ela subiu 0,5). Se for preciso mais, o BC complementaria com medidas “macroprudenciais”, como as que recentemente aumentaram compulsórios e exigências de capital. Uma das preocupações em não elevar muito a Selic seria a de evitar a sobrevalorização do real.

O Banco Santander, porém, acha que essa combinação não é suficiente, e prevê que a Selic chegue a 13% este ano. Tatiana Pinheiro, economista do Santander, cita como fatores de contínua pressão inflacionária a alta internacional das commodities e as políticas fiscal e monetária ainda expansionistas. Para o Santander, a taxa real neutra, que não acelera nem desacelera a economia, estaria entre 7% e 8%.

via Cresce temor de não se atingir a meta do governo – economia – Estadao.com.br.

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