Grupo de Erenice agia em outros 2 órgãos

ANDREZA MATAIS e FILIPE COUTINHO, da Folha de São Paulo

DE BRASÍLIA

O esquema de tráfico de influência comandado pelo filho da ex-ministra Erenice Guerra usava não apenas a estrutura da Casa Civil mas também a de pelo menos outros dois órgãos da Presidência da República: a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Computadores e funcionários dessas outras duas repartições foram utilizados pelo grupo de amigos de Israel Guerra, filho de Erenice que era peça central do contato de empresários com negócios do governo -cobrando uma “taxa de sucesso” pelo tráfico de influência.

Erenice deixou o governo em 16 de setembro depois de a Folha publicar que ela recebeu na Casa Civil um empresário levado pelos lobistas do esquema, que cobravam para viabilizar um empréstimo para um projeto de energia eólica no BNDES.

Esses novos braços do tráfico de influência foram identificados pela sindicância interna do Planalto que investiga a participação de servidores no esquema de tráfico de influência no órgão e cuja investigação corre em sigilo.

A comissão pediu mais 30 dias para concluir os trabalhos que deveriam ter sido encerrados no domingo. Com isso, o resultado só será divulgado após a eleição

A comissão descobriu que o computador que era utilizado por Gabriel Laender na SAE foi acessado várias vezes com a senha de Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil e sócio de um filho de Erenice na Capital, empresa da família Guerra que intermediava negócios com o governo.

Castro pediu demissão depois que seu nome foi associado ao esquema de lobby.

Documento ao qual a Folha teve acesso mostra que o disco rígido desse computador, da marca Seagate, número de patrimônio 131.817, foi levado pela comissão de sindicância no dia 6 de outubro -logo após o primeiro turno das eleições.

Antes de ir para o Planalto, Laender foi advogado da empresa de telefonia Unicel, na qual o marido de Erenice é consultor. A Folha revelou que essa empresa foi beneficiada pela Presidência da República em 2007, com Dilma e Erenice na Casa Civil.

Atualmente, Laender é um dos responsáveis pelo Plano Nacional de Banda Larga, menina dos olhos do governo, que visa universalizar o acesso à internet no país.

O uso do computador de Laender com a senha de Vinícius Castro abre pelo menos duas possibilidades.

Ou o advogado usava a senha do colega para ter acesso ao sistema interno da Casa Civil e aos arquivos de Vinícius em rede, ou Vinícius saía do prédio da Casa Civil e, de dentro da SAE, em outro prédio da Esplanada, usava o computador de Laender para acessar seus arquivos.

A Folha apurou que uma das hipóteses levantadas na Casa Civil é que Laender tenha ajudado a redigir os contratos da empresa de Israel Guerra e Vinícius Castro, que incluía a “taxa de sucesso”.

Procurador de Justiça no Espírito Santo, Laender tinha mais experiência jurídica que os outros do grupo.

PAGAMENTOS

Uma pessoa que acompanha a sindicância diz que os acessos do computador de Gabriel Laender com a senha de Vinícius Castro foram feitos em outubro de 2009.

Em seu depoimento à Polícia Federal, o representante da MTA Linhas Aéreas, Fábio Baracat, disse que foi a partir daquele mês que começou o pagamento para a empresa dos filhos de Erenice.

A MTA contratou a empresa para intermediação de negócios na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e nos Correios, conforme reportagem publicada pela revista “Veja” que desencadeou a crise na Casa Civil.

A partir dos primeiros rastreamentos, a sindicância descobriu que 12 computadores foram utilizados com as senhas de Castro, Stevan Knezevic e Erenice Guerra.

Uma das máquinas ficava no Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), onde estava lotado Stevan Knezevic.

O órgão é ligado ao Sistema Brasileiro de Inteligência, subordinado ao GSI.

Knezevic, que seria sócio oculto de Vinícius e dos filhos de Erenice no esquema de tráfico de influência, deixou a Casa Civil após o escândalo e voltou para a Anac.

Ele, Vinícius e Israel, filho de Erenice, trabalharam na Anac antes de os dois primeiros seguirem para a Casa Civil por indicação do filho de Erenice Guerra.

Os empresários Rubnei Quícoli e Fábio Baracat disseram à Polícia Federal que ele era apresentado como “advogado” da Capital Assessoria, a empresa de lobby.

Os responsáveis pela sindicância ainda não decidiram se abrirão os arquivos dos computadores ou deixará essa tarefa para a Polícia Federal, que inestiga o caso.

Apesar de Erenice não estar oficialmente entre os investigados, a Folha apurou que a senha dela também foi rastreada. Além de dois computadores de mesa, Erenice também usava um notebook.

Todos os equipamentos foram levados para uma sala do Palácio do Planalto.

via Folha de S.Paulo – Grupo de Erenice agia em outros 2 órgãos – 20/10/2010.

PF ouviu 37 pessoas sobre violação de sigilo

Da Folha de São Paulo

No inquérito aberto para investigar a violação do sigilo fiscal de parentes e pessoas próximas ao candidato José Serra (PSDB), a Polícia Federal já ouviu até agora 37 pessoas em mais de 50 depoimentos -alguns foram inquiridos mais de uma vez.

A PF também já indiciou sob suspeita de corrupção e violação de sigilo sete pessoas, todas envolvidas na quebra dos dados fiscais.

Entre os indiciados estão os despachantes Dirceu Rodrigues Garcia e Antonio Carlos Atella, o office-boy Ademir Cabral, a funcionária do Serpro cedida à Receita Federal Adeildda dos Santos e Fernando Araújo Lopes, suspeito de pagar à servidora pela obtenção das declarações de Imposto de Renda.

O jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou os documentos, não foi indiciado até o momento.

A filha e o genro do candidato tucano, Veronica Serra e Alexandre Bourgeois, tiveram seus sigilos quebrados numa delegacia da Receita de Santo André (SP).

Em outra agência, em Mauá (SP), mais cinco pessoas, quatro delas ligadas ao PSDB, tiveram o sigilo acessado em 8 de outubro de 2009. Entre eles o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações) e Gregório Preciado, casado com uma prima de Serra.

Diretor do Banco do Brasil no governo FHC, Ricardo Sérgio Oliveira também teve seus dados quebrados. Em todos os casos, as consultas duraram poucos segundos.

O acesso às informações de Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, consumiu quase uma hora.

Conforme a Folha revelou em junho, cinco declarações de IR de EJ integravam um dossiê elaborado por pessoas do chamado “grupo de inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT).

Assinante, leia mais na Folha de S.Paulo – PF ouviu 37 pessoas sobre violação de sigilo – 20/10/2010.

PF liga quebra de sigilo à pré-campanha de Dilma

LEONARDO SOUZA, da Folha de São Paulo

DE BRASÍLIA

Investigação da Polícia Federal fez conexão entre a quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato José Serra (PSDB) e o dossiê preparado pelo chamado “grupo de inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT).

A PF já descobriu quem encomendou as informações: o jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao “grupo de inteligência”.

Também identificou o homem que intermediou a compra dos dados obtidos ilegalmente em agências da Receita no Estado de São Paulo. Trata-se do despachante Dirceu Rodrigues Garcia.

O elo foi estabelecido a partir do levantamento de ligações entre o despachante e o jornalista revelado pelo cruzamento de extratos telefônicos obtidos pela PF com autorização judicial.

O uso de informações confidenciais de tucanos no dossiê petista foi revelado pela Folha em junho.

Em depoimento à polícia neste mês, Garcia confirmou que Amaury pagou pelos dados da filha e do genro de Serra, Verônica e Alexandre Bourgeois, do dirigente tucano Eduardo Jorge e de outros integrantes do PSDB. O despachante disse ter recebido R$ 12 mil pelo trabalho.

O “grupo de inteligência” era responsável pelo levantamento de informações e confecção de dossiês que pudessem ser usados na campanha contra os adversários.

Amaury até hoje negava que estivesse trabalhando para a campanha do PT. Mas ele participou de reunião da “equipe de inteligência” em 20 de abril deste ano, num restaurante de Brasília.

Na época, o responsável pela comunicação da pré-campanha de Dilma era o jornalista Luiz Lanzetta, que participou do encontro. O flat em que Amaury estava hospedado em Brasília era pago pelo partido.

Desde que a existência do grupo foi revelada pela revista “Veja”, Amaury atribui a uma ala do PT o furto de informações de seu computador pessoal e o vazamento “por interesse político”.

Em um primeiro momento, o despachante Garcia afirmou à PF não ter envolvimento com o caso. Mas, confrontado com o histórico de telefonemas dele com Amaury, admitiu o pedido e a execução dos serviços.

A investigação foi aberta a partir de reportagem da Folha revelando que cópias de cinco declarações de renda de Eduardo Jorge faziam parte do dossiê que circulava entre pessoas ligadas ao “grupo de inteligência”.

Ontem, a advogada de EJ foi à Superintendência da PF em Brasília para obter novas informações e cópias de depoimentos do inquérito.

Segundo a investigação, quando os dados dos tucanos foram encomendados em outubro de 2009, Amaury ainda mantinha vínculo profissional com o jornal “O Estado de Minas”.

O PT atribui ao diário proximidade política com o ex-governador tucano Aécio Neves, eleito senador.

A partir de depoimentos e cruzamentos telefônicos, a PF mapeou a cadeia da quebra dos dados fiscais.

Amaury não só fazia a encomenda, segundo a PF, como ia a São Paulo buscar os documentos. As viagens eram pagas pelo jornal.

Garcia fazia contato com o office-boy de São Paulo Ademir Cabral. Este acionava um outro despachante, Antonio Carlos Atella.

Atella tinha dois caminhos para obter os dados. O primeiro por meio da falsificação de uma solicitação de cópia de documentos da Receita. O segundo era contatar o despachante Fernando Araújo Lopes.

Segundo a PF, Lopes pagava Adeildda dos Santos, funcionária lotada na agência da Receita em Mauá (SP), que acessou os dados.

Assinante, leia mais na Folha de S.Paulo – PF liga quebra de sigilo à pré-campanha de Dilma – 20/10/2010.

Lula diz que campanha de Serra é ‘uma vergonha’

Jair Stangler, do jornal O Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta sexta-feira, 15, a campanha de José Serra como “uma vergonha”. Lula participou de um comício com a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, na Praça do Forró, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo.

“É uma vergonha a campanha do nosso adversário (José Serra, do PSDB), é uma vergonha o que estão fazendo na internet. Não é a primeira vez em que somos atacados e que vemos preconceito contra a mulher. Isso é histórico e crônico aqui em São Paulo. São ataques inclusive do submundo religioso”, afirmou o presidente. “É falta de caráter e hombridade das pessoas que tentam se aproveitar das outras”, afirmou.

Lula lembrou que, em 1982, panfletaram que sua mãe morava em uma favela de Santos e que ele não cuidava dela. “Vivi isso em 1989, 1994 e 1998. Em 2002, o povo resolveu dizer ‘chega’. E foi contra o Serra”, completou. E ainda fez graça: “Nós passamos tantos anos levando o Brasil ladeira acima e não podemos permitir que na eleição o Brasil siga Serra abaixo.”

Ainda de acordo com Lula, “a gente conhece o outro (Serra) faz 30 anos. Eu conheço essa mulher há 8 anos. E posso dizer que ela é muito mais competente que o outro”.

O presidente criticou ainda a proposta do tucano de pagar 13º salário para os beneficiários do Bolsa-Família. “Falaram 8 anos contra o Bolsa-Família, agora prometem 13º para o Bolsa Família”, declarou.

Lula afirmou ainda que Netinho de Paula (PCdoB), candidato derrotado ao Senado, não foi eleito senador por causa do preconceito contra o negro no Brasil.

Lula x FHC

Já Dilma concentrou sua fala na comparação entre os governos Lula e Fernando Henrique Cardoso. A candidata disse que a população terá de escolher entre dois caminhos. “O nosso caminho vocês conhecem, é o caminho que permitiu comprar fogão, geladeira, que criou 14 milhões de empregos com carteira assinada. Tem de comparar com o Brasil que eles [PSDB] governaram, do desemprego e da desigualdade. Nós não podemos permitir que se dê um passo para trás”, declarou.

Dilma voltou a acusar o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, de planejar privatizar o petróleo das camadas do pré-sal, caso José Serra seja eleito.

Dilma, assim como outros oradores da noite, atribuiu ataques que vem sofrendo a “preconceito contra a mulher”. “Sempre apostaram que o governo Lula não ia dar certo, diziam que trabalhador não sabe governar. A mesma coisa comigo agora, acham que mulher não pode governar”, disse. “Mas 67% dos eleitores mostraram que querem uma mulher presidente. Vamos ter, no dia 31, o embate entre o País do amor e da esperança e o País do ódio e do medo. Com a força de vocês eu serei a primeira presidenta da República do Brasil, preciso do voto de vocês”, concluiu.

Religiosos presentes

O evento teve grande participação de religiosos católicos e evangélicos, ainda em uma tentativa para debelar a crise originada a partir da polêmica sobre o aborto. Um dos primeiros oradores da noite foi o padre Júlio Lancelotti. Em sua fala, ele afirmou que a presença dos religiosos era para “afastar o demônio da calúnia e da mentira”. Declarou, ainda, esperar que o “nosso povo seja tratado como quem tem a consciência livre”. O padre encerrou sua participação chamando a população do local para rezar o Pai Nosso.

A ex-prefeita de São Paulo e deputada federal Luiza Erundina (PSB) também discursou. Ela começou afirmando que “aqui é tudo cabeça chata, tudo gente de pescoço curto, tudo nordestino, tudo presidente Lula”. A deputada lembrou de sua campanha para a Prefeitura em 1988. Segundo Erundina, “foi nesta praça que a gente consagrou a nossa vitória. E adivinha quem eu derrotei? O Maluf. E sabe quem mais? Eu derrotei José Serra”.

Também subiram ao palanque o candidato derrotado pelo PCdoB ao Senado, Netinho de Paula, a senadora eleita pelo PT paulista, Marta Suplicy, o candidato derrotado ao governo de São Paulo, senador Aloizio Mercadante (PT), e o candidato a vice na chapa de Dilma, deputado Michel Temer (PMDB), além de representantes das centrais sindicais e do MST.

via Lula diz que campanha de Serra é ‘uma vergonha’ « Radar político.

‘Fui extorquido na Casa Civil’, conta deputado

Do site da Revista Veja

Em reportagem de VEJA desta semana, o parlamentar Roberto Rocha revela que assessor de Dilma Rousseff exigiu 100 000 reais de propina para agilizar processo que dependia de autorização do presidente Lula

Em 2007, o deputado Roberto Rocha, do PSDB maranhense, obteve uma audiência na Casa Civil para tratar de um problema que já se estendia por anos. Como mostra a revista VEJA desta semana, contudo, Rocha não encontrou uma solução para seu problema na visita ao Planalto. Encontrou, isso sim, um outro exemplo de como um balcão de negócios operava na Casa Civil de Dilma Rousseff, Erenice Guerra e companhia.

Sócio da TV Cidade, retransmissora da Record no Maranhão, Rocha aguardava desde 2003 uma autorização para alterar a composição societária da empresa. Como as emissoras de televisão são concessões públicas, negócios desse tipo requerem a chancela do governo. Esse procedimento burocrático deveria ser rápido (na medida em que as burocracias são rápidas, é claro), mas acabou se alongando despropositadamente por razões políticas. Rocha é adversário dos Sarney no Maranhão. Dona de TV no estado, e influente no governo Lula, a família fez de tudo para atravancar o seu negócio. Como no Maranhão o apoio ou a oposição aos Sarney é um divisor de águas, Rocha contou até mesmo com a ajuda de petistas, como o deputado Domingos Dutra, para chegar à Casa Civil.

Lá, encontrou-se com o personagem central da reportagem: o advogado Vladimir Muskatirovic, o “Vlad”, que atualmente ocupa a chefia de gabinete da Casa Civil. Subordinado de Erenice Guerra desde a época em que ela comandava a assessoria jurídica do Ministério de Minas e Energia, Vlad foi carregado pela chefe para a Presidência – da mesma forma como Erenice foi carregada por Dilma Rousseff, de quem era braço direito.

Dilma tornou-se candidata à Presidência da República pelo PT. Erenice assumiu a Casa Civil, mas foi derrubada do cargo por comandar uma central de tráfico de influência que beneficiava, entre outros, seu filho Israel. Vlad, no entanto, continua firme no governo. Como mostra VEJA – que ouviu também fontes da Casa Civil e do próprio PT -, ao receber o deputado Rocha ele pediu 100 000 reais de propina para resolver a sua pendência.

“Fui extorquido pela Casa Civil”, diz Rocha a VEJA. A revista também narra como uma segunda reunião, no restaurante da Câmara dos Deputados, foi agendada para acertar as prestações. O primeiro pagamento – o único consumado – foi de 20 000 reais.

Procurado por VEJA, Vlad negou, em nota escrita, ter pedido ou recebido propina.

via ‘Fui extorquido na Casa Civil’, conta deputado – Brasil – Notícia – VEJA.com.

Maluf perde prazo e fica impedido de tomar posse na Câmara

Do jornal O Globo

O deputado Paulo Maluf (PP-SP), reeleito no último dia 3, não poderá tomar posse na Câmara dos Deputados. Ele concorreu sem o registro de candidatura e dependia de uma decisão da Justiça para ter direito aos 497.203 votos que recebeu. Maluf recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o ministro Marco Aurélio Mello arquivou o caso. Alegou que os advogados perderam o prazo para recorrer e, com isso, o processo transitará em julgado. Ou seja: Maluf não poderá mais recorrer e não poderá tomar posse.

Os advogados de Maluf ainda podem recorrer ao plenário. Caso o plenário concorde com Marco Aurélio – a possibilidade mais provável de ocorrer -, Maluf estará fora do páreo.

via Reeleito, Maluf perde prazo e fica impedido de tomar posse na Câmara dos Deputados – O Globo Online.

Anistia: Dilma pediu suspensão de processo

Do jornal O Globo

Apresentado há oito anos na Comissão de Anistia, o pedido de indenização feito pela candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, está parado no Ministério da Justiça. A pedido da petista, o caso está suspenso desde abril de 2007. No requerimento protocolado em 2002, Dilma pediu reparação econômica pelos anos de perseguição da ditadura e também contagem de tempo para aposentadoria.

Durante o regime militar, Dilma atuou em várias organizações de esquerda, como a Política Operária (Polop), o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Usou vários codinomes e participou da luta armada. Foi presa e torturada. A Comissão de Anistia não permite acesso ao conteúdo do processo, que ainda não foi julgado. Só são considerados públicos os casos já analisados. A assessoria de Dilma não respondeu por que a candidata pediu a suspensão do processo.

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, também entrou com pedido na Comissão de Anistia em 2002. Ele não pediu indenização, apenas que fosse considerado o tempo no exílio na contagem para efeito de aposentadoria. Serra se aposentou como professor da Unicamp.

O processo de Serra na comissão tramitou num rito rápido, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso. O tucano entrou com o pedido em 6 de dezembro, depois de perder a disputa pela Presidência para Luiz Inácio Lula da Silva. Três dias depois, seu processo foi aprovado. No dia 19, foi publicado no Diário Oficial, com portaria assinada pelo então ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, reconhecendo o direito de Serra de contar para aposentadoria 11 anos e 29 dias. Na ditadura, Serra teve que deixar o país e se exilar no Chile.

O processo de Dilma na Comissão de Anistia passou por 23 etapas. Em abril de 2007, quando Dilma, já ministra-chefe da Casa Civil, pediu para suspender a tramitação, seu processo foi parar no gabinete do então ministro da Justiça, Tarso Genro. Em fevereiro deste ano, com a saída de Tarso para disputar o governo gaúcho, a pasta voltou para o gabinete do presidente da comissão, Paulo Abrão.

O processo de Lula, que já foi anistiado e recebe prestação mensal, está paralisado no gabinete do ministro da Justiça. Trata-se da conversão do antigo regime, de aposentadoria excepcional de anistiado político, para se adequar à lei criada por FH em 2002. Lula teria pedido que seu processo só fosse analisado após deixar o governo.

A lei prevê dois tipos de indenização: a prestação única, no valor máximo de R$ 100 mil, e a prestação mensal, aos militantes políticos que tiveram carreiras interrompidas pela perseguição da ditadura.

via Anistia: Dilma pediu suspensão de processo – O Globo Online.

Comício ‘ecumênico’ de Dilma tem Pai-Nosso e hino religioso

Do jornal O Globo

Depois de ceder às pressões religiosas e divulgar carta condenando o aborto , a campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) lançou na noite desta sexta-feira uma nova modalidade de comício: o ecumênico. O palanque de seu ato eleitoral em São Miguel Paulista, na periferia de São Paulo, foi tomado por padres e pastores evangélicos que cantaram “Glória, Glória, Aleluia” e rezaram o Pai-Nosso. A manifestação religiosa aconteceu antes de Dilma e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subirem ao palanque.

” A palavra de Deus é para nos dar consciência crítica ”

– Não se pode usar a palavra de Deus para condenar, muito menos para mentir. A presença dos padres e pastores (no palanque) é para afastar o demônio da calúnia, da mentira. A palavra de Deus é para nos dar consciência crítica – disse o padre Julio Lancelotti, ligado às pastorais católicas.

Antes de Lancelotti “puxar” a oração, um pastor cantou “Glória, Glória, Aleluia” e outro líder evangélico reivindicou mais direitos aos estrangeiros que vivem no Brasil, em especial os latinoamericanos, lembrando que a Zona Leste é a região da comunidade boliviana.

A campanha petista tenta resolver a crise com as igrejas cristãs em razão da polêmica sobre o aborto e o casamento entre pessoas de mesmo sexo.

via Comício ‘ecumênico’ de Dilma tem Pai-Nosso e hino religioso – O Globo Online.

Charge do dia – Folha de São Paulo

Eleição aberta

Fernando Rodrigues, colunista da Folha de São Paulo

O resultado da pesquisa Datafolha realizada anteontem e ontem mantém suspense sobre qual será o desfecho da disputa pelo Palácio do Planalto. O confronto está aberto e indefinido. Dilma Rousseff (PT) está com 47% contra 41% de José Serra (PSDB), considerando-se os votos totais. A diferença entre ambos é de seis pontos percentuais.

Na véspera do primeiro turno, numa simulação de disputa final entre Dilma e Serra, a vantagem da petista sobre o tucano era de 12 pontos. No último dia 8, essa dianteira encolheu para sete pontos. Agora está em seis pontos.

Se há uma semana era prematuro afirmar que Serra caminhava para uma virada, agora também é um equívoco interpretar a estabilização do quadro como uma possível vitória antecipada de Dilma.

Esta é uma eleição na qual não há -pelo menos por ora- possibilidade de previsão com algum grau de ciência. Há, entretanto, indicações de resiliência da candidatura patrocinada pelo Planalto. Na semana que vem esses sinais poderão ou não serem confirmados.

O PT também dispõe de uma arma de última instância e única a favor de Dilma Rousseff: a popularidade de Lula, que voltou a subir e bateu novo recorde. Apesar de toda a beligerância mostrada pelo presidente nas últimas semanas, ele atingiu 81% de aprovação popular -contra 78% na última pesquisa. Só para lembrar, o recorde de FHC foi de 47%, em dezembro de 1996.

O estreitamento da diferença entre Dilma e Serra parece ter ocorrido com força na semana em que se realizou o primeiro turno. Com a propaganda política de volta à TV e ao rádio, o movimento migratório de votos perdeu intensidade. Trata-se do curso natural dos votos. O eleitor presta mais atenção no começo e no final da campanha.

Até o dia 31, o clima continuará tenso, e a guerra quase santa entre Dilma e Serra seguirá indefinida.

fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

via Folha de S.Paulo – Brasília – Fernando Rodrigues: Eleição aberta – 16/10/2010.

Dilma sofreu queda entre evangélicos

Fernando Rodeigues, colunista da Folha de São Paulo

Ao se observar o comportamento dos eleitores divididos por grupos religiosos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, sofreu sua maior baixa entre os evangélicos não pentecostais. Ela desliza de 40% para 36%, de acordo com pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem.

Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, a oscilação da petista ficou dentro desse limite máximo. Na pesquisa anterior, ela poderia ter no mínimo 38%. Na atual, chegaria a esse patamar no limite positivo da margem.

Os evangélicos não pentecostais são 6,3% dos eleitores brasileiros.

Nesse grupo, José Serra (PSDB) registrou uma variação positiva, também dentro da margem de erro, indo de 48% para 50%.

Os temas religiosos dominaram esse início de campanha no segundo turno, sobretudo com relação às propostas dos candidatos sobre a descriminalização do aborto. Ambos, Dilma e Serra, afirmam ser contrários a alterar a lei atual.

Apesar do predomínio desse assunto nas propagandas de rádio e de TV, todas as variações em grupos religiosos ficaram dentro ou muito próximas à margem de erro.

Curiosamente, a maior variação se deu entre os eleitores que declaram não ter religião (5,8% do total do país).

Nesse segmento, Dilma desceu seis pontos, de 51% para 45%. Já Serra subiu cinco pontos, de 35% pra 40%.

MARINEIROS

Outra forma de aferir como se deram as pequenas variações nos percentuais de Dilma e de Serra nesta primeira semana de campanha para o segundo turno é observar o comportamento dos eleitores de Marina Silva (PV). Ela está fora da disputa por ter ficado em terceiro lugar.

Entre aqueles que votaram em Marina no primeiro turno e agora assistiram à propaganda política na TV, só 38% dizem que o comercial de Dilma Rousseff é ótimo ou bom. Já o programa de Serra é considerado ótimo ou bom por 52% dos marineiros.

A influência da candidata verde surge agora maior do que seu percentual de votos (19,3%). Segundo o Datafolha, 25% dos eleitores poderiam votar em alguém indicado por Marina. Mas para 55% esse apoio seria inócuo. E há também 15% que rejeitaram esse tipo de recomendação.

ELITE

Algumas oscilações positivas de Dilma se deram em grupos nos quais Serra em geral tem melhor desempenho. Por exemplo, entre os eleitores de nível de escolaridade superior (14% do total do país), a petista variou dois pontos, de 36% para 38%. Já Serra viu seu percentual ir de 50% para 47%.

Entre os eleitores com renda média mensal de mais de dez salários mínimos (4,4% do total dos brasileiros), a petista subiu cinco pontos, de 33% para 38%. Serra desceu de 58% para 53%.

Os mais escolarizados e de renda superior são os grupos nos quais Marina Silva começou sua ascensão no primeiro turno.

Assinante, leia mais em Folha de S.Paulo – Dilma sofreu queda entre evangélicos – 16/10/2010.

A duas semanas da eleição, Dilma tem 47% e Serra, 41%

FERNANDO RODRIGUES, colunista da Folha de São Paulo

Uma semana após a volta da propaganda eleitoral em rádio e TV, a vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) ficou estável, segundo pesquisa Datafolha feita ontem e anteontem.

A petista aparece com 47%, contra 41% do tucano. Há uma semana, os percentuais eram de 48% e 41%, respectivamente. Como a margem de erro é de dois pontos, a pequena oscilação de Dilma indica estabilidade.

Encomendada pela Folha e pela Rede Globo, a pesquisa Datafolha foi realizada em 202 cidades, com 3.281 entrevistas. Foram registrados 4% de eleitores que votam em branco, nulo ou nenhum -percentual igual ao da semana passada. Há também 8% de indecisos (7% no levantamento anterior).

Quando se consideram apenas votos válidos -excluindo brancos e nulos-, Dilma tem 54% contra 46% de Serra, percentuais idênticos aos da semana passada.

Se a eleição fosse hoje, Dilma venceria a disputa pelo Palácio do Planalto.

Na véspera do primeiro turno do último dia 3, a vantagem da petista sobre o tucano era de 12 pontos.

Depois da queda inicial, registrada na semana passada, vigorou um quadro de estabilidade. Mas é incorreto afirmar que há uma tendência já estabelecida. Será necessário outra sondagem na semana que vem para verificar se as curvas dos dois de fato estão quase imóveis.

Nas estratificações realizadas pelo Datafolha, há sinais de que nem tudo se manteve no lugar. Alguns grupos de eleitores registraram alterações próximas ou um pouco além da margem de erro.

Entre os eleitores com nível de escolaridade fundamental (47% do país), Dilma deslizou de 54% para 51%. Já Serra foi de 36% pra 38%.

A petista também teve essa mesma subtração de três pontos na região Sul (15% do país), variando negativamente de 43% para 40%, mas o tucano não se beneficiou, ficando com os mesmos 48%. A perda de Dilma desaguou nos indecisos, que foram de 7% para 10%.

No Sudeste (43,4% dos eleitores), houve estreitamento da diferença. Há uma semana, Serra tinha 44% contra 41% de Dilma. Agora, os percentuais são 44% e 43%, respectivamente.

O Nordeste (27% dos eleitores) segue sendo o reduto mais sólido da petista. Tem 60% contra 30% de Serra.

Segundo o Datafolha, 52% dos eleitores assistiram ao horário eleitoral na TV. A penetração maior das mensagens se deu na região Sul (57%), entre os que concluíram o ensino médio (55%), aqueles com nível superior de escolaridade (61%) e os de renda familiar de dois a cinco salários mínimos (56%).

A propaganda de Dilma é considerada boa ou ótima por 54% dos que viram seus comerciais. A publicidade de Serra foi aprovada por 50% dos que assistiram as peças.

Assinante, leia mais em Folha de S.Paulo – A duas semanas da eleição, Dilma tem 47% e Serra, 41% – 16/10/2010.

Emissoras ocultam do eleitor debate dos concorrentes

Paulo José Cunha, do Blog Telejornalismo em Close

As emissoras de televisão estão sonegando informações sobre os candidatos à Presidência da República. “Grande novidade. Se elas se pautam pelas inclinações ideológicas de seus donos ou por seus interesses patrimoniais, nada demais, ora”. Mas não falo disso: falo de informações essenciais do dia-a-dia dos candidatos. “Como assim, se  se todo dia os telejornais trazem informações sobre “o dia dos candidatos”? Também não me refiro a isso, mas a informações fundamentais, relacionadas a posicionamentos que vêm assumindo ou a opiniões que vêm externando sobre temas os mais diversos, como o aborto, por exemplo. Ou sobre a baixaria da campanha. “Então se refere a quê, infeliz, desembucha!”

Refiro-me ao conteúdo dos debates eleitorais, que fica restrito à emissora responsável pela sua promoção. Dessa forma, um debate como o da Band, que redefiniu os rumos da campanha eleitoral em curso, foi solenemente ignorado pela Rede Globo e pelas demais emissoras, como um fato à parte, uma ocorrência que só diz respeito à emissora que veiculou o evento. Como se isso não tivesse a ver com o que o eleitorado precisa saber para definir, confirmar ou reformar seu voto, já que estamos num segundo turno e um segundo turno serve precisamente pra isso.

O fato é que nossas emissoras de televisão ainda não se habituaram a encarar o fato jornalístico acima de sauas conveniências empresariais. E se pautam pela velha e carcomida fórmula segundo a qual “só me diz respeito o que eu noticio, e tudo o que a concorrência realiza não é da minha alçada, e que se dane o eleitor, se quiser saber detalhes do debate da Band que ligue na Band e tamos conversados”.

Ainda falta muita estrada para atingirmos um grau de compreensão da notícia acima e além da conveniência editorial/empresarial de nossas empresas. Os jornais impressos, os blogs e as emissoras de rádio já avançaram muito e não estão nem aí: repecutem, analisam e debatem o que as outras puseram no ar, como o debate da Band que abriu a temporada dos confrontos diretos dos dois candidatos no segundo turno. Mas as grandes redes de tv, os grandes telejornais, ainda não se habituaram a tratar os fatos produzidos pela concorrência como fatos, e sim como produtos exógenos, aos quais não se deve dar maior importância. Resultado: manipulação por parte das duas campanhas, que selecionam o que chamam de “melhores” momentos, conforme suas conveniências, reproduzem no horário eleitoral. Informação com isenção jornalística? Ah, o eleitor que se dane. Seleção jornalística dos melhores momentos? Nem sonhando! Depois do que aconteceu com o debate Lula-Collor, ninguém se arrisca. Cê é doido, cara, vou lá me meter nisso…

E o eleitor? Ah, o eleitor é que nem o povo, para uma certa Zélia Cardoso de Mellol lembra-se: é apenas de um detalhe… Mas será que um dia ainda assistiremos a um Jornal Nacional em que o debate da Band será analisado, comentado, contextualizado como “notícia”, e não apenas como um produto da concorrência, e que por ser isso deve ser solenemente escanteado e subtraído do eleitor, como ocorre hoje? É difícil. Justamente por isso defendo uma proposta que ainda parece remota, mas que pode ser um ponto de partida para a democratização desse aspecto da campanha eleitoral: a realização de debates em rede nacional, patrocinados PELA JUSTIÇA ELEITORAL, e com regras definidas por ela, tal como ela define normas para a proganda gratuita pelo rádio e pela tv. Se a cada semana, um dia da propaganda fosse destinado a debates aos cargos de presidente e  governador, teríamos um eleitor bem menos dominado pela efusão de edulcorantes da propaganda de laboratório, e bem mais consciente do que efetivamente pensam e defendem os candidatos. É da confrontação que ressuma alguma verdade, e nunca do discurso de mão única. Porque no cara-a-cara, no frente-a-frente, no tête-a-tête é bem mais difícil alguém parecer ser o que não é. Como a Dilma, que revelou-se bem menos paz, amor, sorrisos & botox, como vinha pretendendo aparentar. E muito mais lampião, pit-bull e Kill Bill, como ela realmente é. Se foi a marquetagem que mandou ela aparecer como é, palmas pra marquetagem. Se foi ela mesma que quis aparecer daquele jeito, palmas pra nós, que voltamos a vê-la por inteiro, e na real. E o Serra? Ah, o Serra, com aquela cara de espanto, vai continuar a ser o picolé de chuchu de sempre, que a gente já conhece.

Dilma e a Carta aos Carolas

No dia 22 de julho de 2.002 o então candidato à Presdiência Luis Inácio Lula da Silva publicou uma carta-compromisso, que ficou conhecida como Carta aos Brasileiros, na qual se comprometia com o não rompimento dos contratos e a manutenção da política econômica que herdaria do governo FHC.

A declaração deu ao candidato a densidade que faltava para domar preconceitos que ainda assustavam o empresariado e a classe média do País. Lula ganhou o jogo, sepultando as desconfiaças e suspeitas lançadas então por seus adversários políticos.

Nesta sexta-feira, a candidata do presidente lançou mão do mesmo artifício para tentar conter suspeitas de outra natureza — especialmente as de que ela seria defensora da descriminalização do aborto, imputação que Dilma Rousseff tem tratado como calúnia.

Em sua Carta aos Carolas, Dilma uma vez mais se perde na confusão de palavras lançadas ao vento que, ainda que servissem para amenizar-lhe as críticas, colociam a candidata diante de outro problema: a falta de coerência.

A declaração de Dilma aparece eivada de imprecisão, tomando-se como referência manifestações dela própria. Ao apresentar sua posição pessoal sobre o tema, anuncia que é “pessoalmente contra o aborto”.  Em seguida, na mesma frase, a candidata petista assegura que defende “a manutenção da legislação atual sobre o assunto”.

A primeira assertiva não diz nada. O que está em questão não é defender o aborto, como se alguém estivesse na iminência de torná-lo compulsório. É a defesa da descriminalização da interrupção da gravidez. Declarar-se “contra o aborto” é tautologia pura porque ninguém pode ser simplesmente “a favor” dele. Uma redução, como pretende o comando da campanha, para lançar o assunto na seara das “infâmias” e “calúnias”.

A afirmação soa como insicera — pelo menos à luz da história e das manifestações de Dilma Rousseff. Em pelo menos duas oportunidades ela se declarou favorável à descriminalização, posição quase unânime entre as feministas de todo o planeta. Foram declarações espontâneas, forjadas no dcorrer de dois encontros diferentes com jornalistas.

Para quem como eu acha que a definição do futuro do País não pode passar por essa discussão medieval, a nítida contradição entre o que foi dito no passado recente e as manifestações de Dilma agora produz um efeito ainda pior do que o gerado pela discussão da temática religiosa. É a desconfiança.

Que consistência poder ter um candidato que troca seus valores em função de conveniências eleitorais ? Como pode alguém pensar de duas formas tão diferentes sobre o mesmo assunto ? O que mais a conjuntura pode alterar nas convicções absolutas da candidata ?

O texto pobre e mal-ajambrado da Carta aos Carolas, de tão pífio, pobre e impreciso, nem de longe se parece com a carta firmada pelo artífice de Dilma oito anos atrás. Aquelas eram as bases fundadoras de um projeto que desaguou no governo mais popular da história. Esta, apenas uma tábua de salvação para estancar uma circunstancial hemorragia de votos — se é que ainda há a tal hemorragia.

Bom seria se os redatores do documento tivessem prestado atenção ao que escreveram no último parágrafo: “Não podemos permitir que a mentira se transforme em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulo de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós”.

Aviso aos navegantes: Votar em Weslian faz mal à saúde

A candidatura de Weslian Roriz, laranja eleitoral do ficha-suja Joaquim Roriz, é uma afronta ao bom-senso, à moralidade e à própria democracia. Joaquim Roriz, em cujo genoma estão incrustados os genes do chamado Mensalão do DEM,  foi o artífice do maior esquema de corrupção jamais montado na máquina pública do Distrito Federal.

Forçado a renunciar ao mandato recém-adquirido de Senador da República, Roriz terminaria por se inscrever no rol dos políticos que a Lei da Ficha Limpa impede de se candidar. Ao cabo desse processo, que culminou com uma nova renúncia — desta vez à candidatura ao governo do distrito Federal — escalou a mulher para lhe assegurar a volta indireta ao Palácio do Buriti.

O eleitor de Brasília, de início condescendente com as práticas imputadas a Joaquim Roriz, ainda aceitou dele a orientação para que seu cavalo de Tróia matrimonial fosse sufragado, estratégia que por muito pouco não provoca um dos fenômenos eleitrais mais espúrios destas eleições.

A desempenho vexatório, as gafes, os atos-falhos de Weslian se explicam pela cultura dessa família, que fez da política escada para a fortuna pessoal. Enquanto engordava o patrimônio com cinco administrações à frente do GDF, Roriz ia provocando a desidratação dos princípios éticos que devem nortear a vida pública.

Votar em Weslian Roriz é como fornecer um salvo-conduto para a replicação das práticas reiteradas de corrupção e desmandos que pautaram todas as gestões de Joaquim Roriz. Se o eleitor não se importa de ser vilipendiado nos impostos que paga, então tem no cavalo de Tróia dos Roriz uma excelente opção de voto.

Se, ao contrário, ainda permence indignado com as cenas de dinheiro em cuecas, meias, bolsas, envelopes, com as imagens de um governador ladrão preso por 60 dias, então o voto em Weslian não pode fazer bem à sua saúde cívica.

Comando tucano diz que pesquisas estão erradas

O Senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB e coordenador da campanha de José Serra à Presidência da República, assegura que as pesquisas divulgadas hoje já não refletem mais a realidade da situação eleitoral dos dois candidatos.

Guerra afirma que as pesquisas internas encomendadas pelo PSDB indicam que há um rigoroso empate entre ambas as campanhas. “Nosso tracking foi muito preciso no primeiro turno e já antecipava o segundo turno 15 dias antes da eleição passada”, disse o parlamentar ao Blog do Pannunzio.

Outra fonte da campanha tucana revela que nas pesquisas diárias feitas para orientar a campanha a margem entre Serra e DIlma, ainda favorável a Dilma Rousseff estaria oscilando entre 3% e 4%.

Guerra participa esta noite do programa Band Eleições, que entra no ar à meia-noite e meia, e vai explicar de onde nasce sua convicção de que os dos candidatos estão empatados.

De acordo com a pesquisa Vox Populi / IG divulgada no começo da noite, a diferença entre Serra e Dilma seria de 8%  a favor da candidata petista. No IBOPE, a vantagem aparece reduzida a 6 pontos percentuais. No último Datafolha, divulgado este fim-de-semana, Dilma aparecia 7 pontos à frente de Serra.

Dilma tem 53% dos votos válidos, e Serra, 47%, aponta Ibope

Do portal G1

O Ibope divulgou nesta quarta-feira (13) pesquisa de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial. Segundo o instituto, Dilma Rousseff (PT) tem 53% dos votos válidos, e José Serra (PSDB), 47%.

Com a margem de erro, de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, Dilma pode ter de 51% a 55%, e José Serra, de 45% a 49%. O critério de votos válidos exclui intenções de voto em branco e nulo e eleitores indecisos.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 35660/2010. O Ibope ouviu 3.010 eleitores entre segunda-feira (11) e esta quarta (13).

Votos totais

Levando em conta os votos totais (que incluem brancos, nulos e indecisos), a vantagem de Dilma para Serra também é de seis pontos percentuais.

Segundo o Ibope, a petista tem 49%, e o tucano, 43%. Brancos e nulos somaram 5%, e indecisos, 3%.

Com a margem erro, a petista pode ter de 47% a 51%, e o tucano, de 41% a 45%.

Comparação

O Ibope informou que a pesquisa permite comparações com as sondagens realizadas antes do primeiro turno, mas com ressalvas. Segundo o instituto, nas pesquisas feitas antes de 3 de outubro, a pergunta sobre a intenção de voto no segundo turno era hipotética. Hoje, é uma situação real.

Na simulação de segundo turno divulgada no dia 2 de outubro, a diferença entre os dois candidatos era de 14 pontos percentuais (51% a 37% a favor de Dilma, considerando os votos totais). Agora, a diferença é de seis pontos.

via G1 – Dilma tem 53% dos votos válidos, e Serra, 47%, aponta Ibope – notícias em Eleições 2010.

Vox Populi: Dilma tem 48%; Serra tem 40%

Com informações do Portal Ig

Levantamento encomendado pelo iG dá à candidata do PT 54,5% dos votos válidos, contra 45,5% obtidos pelo tucano

A candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, mantém a dianteira na preferência do eleitorado neste segundo turno, aponta nova pesquisa Vox Populi/iG divulgada nesta quarta-feira. O levantamento, primeiro realizado pelo instituto na segunda etapa da eleição presidencial, dá a Dilma 48% das intenções de voto, contra 40% registrados pelo adversário tucano José Serra.

Brancos e nulos totalizaram 6%, mesmo índice de indecisos. Se forem considerados somente os votos válidos, Dilma tem 54,5%, enquanto Serra ficaria com 45,4%. O número exclui da conta tanto os votos em branco ou nulos, quanto os indecisos. Esta última fatia do eleitorado, entretanto, ainda pode migrar para um ou outro candidato até a data da eleição.

A pesquisa Vox Populi/iG contou com 3.000 entrevistas, realizadas entre os dias 10 e 11 deste mês, em 214 municípios. A margem de erro da pesquisa é de 1,8.

A pouco menos de três semanas da eleição em segundo turno, a avaliação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva somou 78%. Na amostra, 17% consideraram o desempenho de Lula regular e 4% o avaliaram negativamente. Não souberam ou não responderam 1% dos entrevistados.

Debate

O levantamento mediu também o impacto do último debate entre presidenciáveis, realizado no último domingo pela Band. Entre os entrevistados, 22% disseram ter assistido ao debate, enquanto 77% disseram não ter visto o programa. Entre os que não assistiram, 39% disseram ter ouvido falar do debate e 60% não ouviram falar.

Entre os que assistiram ou tomaram conhecimento do debate, 37% disseram acreditar que Dilma saiu vitoriosa do confronto. Outros 32% deram a Serra a vitória no debate, enquanto 31% não souberam ou não responderam.

As pesquisas de intenção de voto não são um instrumento infalível de aferição do desempenho dos candidatos na corrida presidencial. No primeiro turno, o último tracking Vox Populi/Band/iG dava a Dilma 53%, se considerada apenas a conta de votos válidos. Serra, de acordo com a pesquisa, tinha 30% dos votos válidos e Marina Silva (PV), 16%.

Levantamento Datafolha divulgado logo antes do pleito dava à petista 50% dos votos válidos, contra 31% de Serra e 17% de Marina.Já a pesquisa de boca de urna do Ibope dava à petista 51% dos votos válidos, contra 30% de Serra e 17% de Marina. Dilma, no entanto, saiu da eleição com 46,9% dos votos válidos, Serra teve 32,6% e Marina 19,3%.

via Vox Populi: Dilma tem 48%; Serra tem 40% – Eleições – iG.

Roberto Romano: “Dilma não tinha alternativa a não ser atacar”

Roberto Romano, Professor titular do Deparamento de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, é uma das fontes mais requisitadas do momento para interpretar os movimentos da sociedade. Ele tem uma visão muito própria dos últimos movimentos da campanha eleitoral. Ele acha que Dilma Roussef adotou a melhor tática para enfrentar o momento delicado que vive na campanha eleitoral. E reclama da falta de discussão sobre ciência e tecnologia, temas que saíram da pauta com a derrota de Marina Silva.Neste domingo, Romano interrompeu o almoço com  netinha e cedeu uma hora de entrevista ao editor deste Blog.

BP: Que papel teve o debate da Band no contexto das eleições?

Romano: Em primeiro lugar, sou contra aqueles que dizem que os debates anteriores, inclusive o primeiro, foram lentos e não houve emoção. Desta vez a emoção veio à tona. Porque a política é 70% emoção e 30% racionalidade – e muitas vezes uma racionalidade que produz emoções. Nesse caso, foi típico. A candidata Dilma Rousseff utilizou de uma maneira muito eficaz de mobilização de emoções. O problema [e que essa mobilização de emoções traz a contra-emoção. Você suscita uma onda e você recebe o troco. O que é preciso ver é se o troco não vai ser prejudicial a essa candidatura.

BP: O Senhor Achou que o tom foi adequado?

Romano: Achei adequado dada a defensiva a que ela havia sido imposta. Ela soube revidar. O problema é que no jogo da política você precisa pensar, como no caso do xadrez, dez jogadas adiante. Você não pode pensar apenas na mais imediata. Porque, caso contrário, você faz um trabalho tático, mas perde a estratégia. É isto o que está sendo avaliado neste momento.

BP: E como é que esse freio de arrumação do debate vai contribuir para a composição do tabuleiro onde ocorre o jogo eleitoral?

Romano: O primeiro ponto, deste debate particularmente, é que ele vem a colocar um bemol muito sério na propaganda. A propaganda manipula, produz fantasias, deixa as pessoas quase que santificadas. O debate mostra a individualidade. Por mais que exista assessoria aconselhando, por mais que existam regras, a subjetividade vem à tona. A pessoa mostra muito o que ela é. E esse ponto, me parece, o debate trouxe para o eleitor. Quem vai governar não é apenas uma cabeça estatística, não é uma mente científica, é um ser humano. É preciso então considerar esse dado da prudência do indivíduo. O debate cumpriu bem esse papel de mostrar o que os dois candidatos são.

BP: E qual será a conseqüência da contra-onda a que o senhor se referiu para a Dilma Rousseff?

Romano: Isso vai depender da jogada do adversário. A contra-onda existe. Muita gente se sente desagrada com esse tio de atitude. Se não houver uma administração eficaz pelo adversário, se não houver um aproveitamento inteligente, evidentemente ela ganhará pontos formidáveis para sua campanha.

BP: Quer dizer que esses efeitos estão sendo construídos a partir de agora?

Romano: Eu acho que o debate foi um start, abriu uma via. Os dois saíram correndo. Agora, casa corredor vai administrar o seu itinerário.

BP:E para José Serra, o que pode representar essa maior passividade, essa administração mais racional do conflito?

Romano: Ele ganhou e vastos setores da classe média intelectualizada, urbanizada. Mas, evidentemente, esse não é o grande eleitorado. O grande eleitorado pensa mais com as emoções. Nesse sentido, ele foi tomado de surpresa. Esse foi um elemento positivo do debate.

BP:Quer dizer: a tática do boxeador, que quer levar o adversário a nocaute no primeiro assalto, pode ter funcionado para a candidata do PT?

Romano: Exatamente. E isso ela conseguiu graças ao debate. Porque, se fosse apenas a propaganda, essa verdade política não teria aparecido.

BP: Com esse tom mais emocional, tema relevante, como propostas de governo, acabou ficando de fora. Vai ser assim o tempo todo?

Romano: Isso vai depender das duas conduções das campanhas. Eu acho que muito disso já foi trazido pelo debate. Agora é preciso que os próximos se pautem pelas questões estruturais brasileiras. Eu sempre insisto em que se fala muito sobre segurança, educação, economia, mas não se toca numa questão fundamental que é a da ciência e tecnologia. O presidente Lula, no primeiro mandato, dizia que iria aplicar 4% do PIB em ciência e tecnologia. Ora, quando você uma potência como a China produzindo bens de alto valor agregado; quando você vê que a indústria no Brasil sofre a possibilidade de em uma década perder boa parte de seu parque, esse tema da ciência e tecnologia deixa de ser um tema de interesse meramente acadêmico. É um tema estratégico e tático. E não tem aparecido nos debates. O erro é fazer ver a economia apenas pelo aspecto do consumo e não da produção, que é onde está o grande gargalo. Como é que se vai fazer para o Brasil competir em termos mundiais com produtos de valor agregado? Isso, só com ciência e tecnologia. E essa discussão parece que não existe na pauta dos dois candidatos. Paradoxalmente, existia de forma negativa na pauta de Marina Silva. E todo esse eleitorado que se voltou para Marina Silva percebeu que esse é um problema permanente.

Dilma vai ficar feliz daqui a pouco

Daqui a pouco, quando sair a primeira pesquisa do Instituto Vox Populi no segundo turno, Dilma vai ficar feliz. Até mais do que ficou com o último Datafolha, embora só um pouco mais.

Campanha tucana na TV ainda faz remissões implítias ao aborto.

O candidato do PSDB, José Serra, abriu o programa produzido para o horário eleitoral desta tarde valendo-se de símbolos que remetem à questão mais discutida dos últimos dias — a polêmica do aborto.

Logo depois da vinheta inicial, a equipe que produz o programa editou takes de um parto, enquanto o locutor Ferreira Martins anuncia “um Brasil que nasce a cada dia”, bordão que segundo depois é repetido pelo candidato. É uma remissão subliminar, que leva ao tema sem tangenciá-lo no texto formal.

Serra fala diretamente para o eleitorado mais jovem, desiludido com a polítice prega um governo “que respeite os valores da família”, antes de abordar sua proposta ambiental — com o nítido propósito de criar elementos de interesse para os que votaram em Marina Silva.

[VIDEO]http://www.youtube.com/watch?v=U4cu6RHpKbo[/VIDEO]

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Como os tucanos avaliaram o debate no site oficial da campanha

O extenso currículo de vida pública, sem arranhões, e as propostas concretas de quem se preparou durante anos para chefiar o Palácio do Planalto deixaram claro a superioridade de José Serra, na noite desse domingo (10), no primeiro debate televisivo após a votação do primeiro turno, na Band. Tranquilo e seguro nas afirmações, Serra dirigiu-se aos eleitores brasileiros com compromissos para solucionar problemas que atingem boa parte da população, como os gargalos na infraestrutura, os níveis alarmantes da violência pública e a lentidão de serviços públicos vitimizados pelo uso político de órgãos federais, por exemplo. Ao contrário da candidatura adversária, Serra deixou claros compromissos como o aumento do salário mínimo para R$ 600 já em 2011, assim como o reajuste do INSS em dez por cento – “o dobro do que quer o atual governo”. Ele finalizou sua participação conclamando “entusiasmo” do povo brasileiro para a escolha do próximo dia 31.

Mais preparado para consolidar os avanços democráticos conquistados pelo povo brasileiros nos últimos 25 anos, o tucano ressaltou ter ideias próprias. “As pessoas no Brasil sabem que eu tenho cabeça própria, eu não fui pinçado por ninguém, e respondo por minhas ideias. Na minha história de vida eu não tenho nenhum departamento secreto, nada guardado no cofre”. Candidato de uma coligação partidária que tem como princípios a ética e a transparência – características marcantes da vida pública do ex-governador de São Paulo – Serra lembrou que não esconde quais são os ex-presidentes da República que estão ao seu lado – Itamar Franco (PPS) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Ela (Dilma Rousseff) é apoiada por dois ex-presidentes que ela não lembra nunca: o Collor (PTB) e o Sarney (PMDB)”, afirmou.

Ex-ministro da Saúde conhecido como o melhor da história do País, Serra criticou os poucos avanços do Ministério no atual governo. Como exemplos, citou o endividamento das Santas Casas, a defasagem da tabela de pagamentos dos procedimentos médicos e ambulatoriais do SUS, além da paralisação dos mutirões, como os das cirurgias da catarata, por exemplo. Também lembrou que o programa dos genéricos – criado por ele – não se desenvolveu como deveria porque a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está loteada politicamente. “Na minha gestão nós implantamos os genéricos. Foi uma luta bastante dura, mas ganhamos. Estima-se que a população economizou R$15 bilhões. Os genéricos foram um sucesso no Brasil, só que o governo, através da Anvisa, tem de aprovar (a produção de novos medicamentos). Hoje, tem preso lá o equivalente a dois bilhões em remédios. A Anvisa foi loteada politicamente”.

Para a área da Segurança, Serra ratificou a proposta de criar o Ministério da Segurança Pública, uma solução para centralizar ações eficientes que hoje estão dispersas em alguns estados, além de fortalecer de modo mais consistente a proteção das fronteiras, por onde entram armas e drogas contrabandeadas. “Nós vamos criar uma Guarda Nacional e um Cadastro Nacional de criminosos”, exemplificou. Contra a tentativa da adversária Dilma Rousseff de demonizar as privatizações, Serra ressaltou que várias vezes o PT elogiou a venda de empresas das telecomunicações. Para o tucano, se não fosse o governo do PSDB, o Brasil ainda seria o “país dos orelhões”. O presidenciável lamentou a privatização para fins pessoais : “A privatização deles (governo atual) é diferente. Ocupam a empresa para ganhar dinheiro, é o esquema que a Erenice (Guerra, ex-ministra da Casa Civil) comandou em relação aos Correios. Eu vou fortalecer os Correios, a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal. Vou reestatizá-las”, disse.

via Propostas concretas e experiência favorecem Serra no debate da Band | Serra 45 Presidente do Brasil.

Dilma e Serra fazem duelo aberto no primeiro debate do segundo turno

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Rodrigo Alvares e Jair Stangler, do Estadão

No primeiro debate direto do segundo turno, promovido pela TV Bandeirantes, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) partiram para o confronto aberto. Antes do debate, esperava-se que os candidatos adotassem uma postura “paz e amor”. Mas a candidata petista sepultou essa possibilidade já no primeiro bloco, partindo para o ataque e abordando de imediato o tema que vem sendo apontado como responsável por a campanha ter ido ao segundo turno, a polêmica sobre o aborto.

Em suas primeiras falas, Dilma afirmou que foi Serra quem regulamentou a prática do aborto em casos específicos quando era ministro da Saúde. Disse ainda que concorda com a regulamentação, porque “não pode deixar de atender a mulher” que aborta. E reclamou também de declarações da mulher de José Serra, Monica Serra, que declarou ainda no primeiro turno, que Dilma era a favor de “matar criancinhas”. Serra rebateu dizendo nunca ter defendido a legalização do aborto. “Você defendeu e de repente passa e dizer outra coisa”, acusou.

A petista ainda acusou o tucano de realizar sua campanha fazendo calúnias contra Dilma. “Essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?” Serra respondeu que se solidariza com quem recebe ataques pessoais. “Eu tenho recebido muitos ataques por toda a campanha, como nos blogs que levam o seu nome. Nós somos responsáveis por aquilo que pensamos. A população quer saber o que a pessoa fez na vida pública. Vocês confundem matérias de jornais com ataques”, declarou, citando o escândalo da Casa Civil e a polêmica sobre o aborto.

A troca de acusações permeou todo o debate. Enquanto Serra acusava Dilma de ser “duas caras”, a petista respondia afirmando que o tucano “realmente não é o cara, é o mil caras”.

A segurança foi outro tema bastante abordado no debate. Serra exibiu números de redução de homicídios, prometeu criar o Ministério da Segurança e acusou o governo federal de se omitir na questão. Já Dilma respondeu citando a criação da Força Nacional de Segurança Pública e o aumento da integração entre as polícias que, segundo ela, o governo vem promovendo.

O tema das privatizações também voltou ao centro do debate, com Dilma tentando repetir tática que deu certo no segundo turno eleição de 2006, quando o então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva passou a acusar o tucano Geraldo Alckmin, seu oponente, de planejar retomar as privatizações. A petista citou um assessor de Serra que, de acordo com ela, defendeu a privatização do pré-sal. O tucano rebateu afirmando que a acusação de privatizante aparece sempre no período eleitoral mas, segundo ele, o PT também fez privatizações. Ele diz ainda que vai “reestatizar” empresas públicas loteadas politicamente. Continue reading

Aumenta a rejeição ao aborto no Brasil

UIRÁ MACHADO. da Folha de São Paulor

O apoio à proibição do aborto é o mais alto no Brasil desde 1993, quando o Datafolha começou a série histórica de perguntas sobre o tema.

Segundo pesquisa realizada na última sexta-feira em todo o país, 71% dos entrevistados afirmam que a legislação sobre o aborto deve ficar como está, contra 11% que defendem a ampliação das hipóteses em que a prática é permitida e 7% que apoiam a descriminalização.

Atualmente, o Código Penal brasileiro classifica o aborto entre os crimes contra a vida. A pena prevista para a mulher que o provocar ou permitir a prática em si mesma vai de um a três anos de detenção (artigo 124).

O código prevê duas situações em que o aborto não é crime (artigo 128): se não há outro meio de salvar a vida da gestante e se a gravidez é resultado de estupro.

Segundo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, a rejeição recorde ao aborto pode ser resultado da ampla exposição que o tema teve nas últimas semanas.

CAMPANHA

O aborto ganhou espaço na mídia e na boca dos candidatos a presidente no final do primeiro turno, impulsionados pela movimentação de igrejas evangélicas e segmentos católicos que pregavam voto anti-Dilma Rousseff (PT) e pró-vida -a petista já defendeu a prática.

Na propaganda eleitoral de sexta, a primeira do segundo turno, tanto Dilma quanto José Serra (PSDB) falaram sobre o tema.

Segundo o Datafolha, a taxa dos eleitores que afirmam querer que a lei fique como está é semelhante entre os que no primeiro turno votaram em Dilma (71%), em Serra (72%) e em Marina Silva (70%), candidata do PV.

O apoio à proibição do aborto é razoavelmente homogêneo em todas as faixas da população, sempre em torno de 70%. No entanto, entre os que têm ensino superior e os mais ricos há menos apoiadores: 63% e 56%, respectivamente.

A série de pesquisas sobre o tema mostra uma tendência ao conservadorismo.

No levantamento feito em 1993, 54% afirmavam que as exceções deveriam continuar restritas aos casos de estupro e de risco à vida da gestante, enquanto 23% diziam apoiar o aborto em mais casos e 18% eram favoráveis a descriminalizar a prática.

Desde então, a manutenção da atual legislação veio ganhando apoio. Em 1997, 55% diziam apoiar a proibição. Em 2006, o número passou para 63%, depois para 68% em 2008.

via Folha de S.Paulo – Aumenta a rejeição ao aborto no Brasil – 11/10/2010.

Caso Erenice mudou mais votos que temas religiosos

Fernando Canian, da Folha de São Paulo

Os fatos que levaram à queda da ex-ministra Erenice Guerra da Casa Civil e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno do que questões relacionadas à religião.

Segundo pesquisa Datafolha realizada na última sexta, cerca de 6% dos eleitores mudaram seu voto, considerando tanto Dilma quanto José Serra (PSDB), por conta dos casos que marcaram a reta final do primeiro turno.

Desse total, Dilma perdeu cerca de quatro pontos percentuais entre o total de eleitores. Aproximadamente 75% das perdas ocorreram por conta dos escândalos recentes no governo.

O restante, por questões relacionadas à religião- não exclusivamente envolvendo a posição da candidata sobre o aborto.

Já Serra perdeu dois pontos percentuais. Tanto pelo caso de quebra de sigilo de tucanos quanto pelo caso Erenice.

Os dois casos podem ter levantado suspeitas sobre irregularidades fiscais dos citados ou envolvimento de tucanos nas denúncias, por exemplo.

A perda de eleitores de Dilma, que conquistou 47% dos votos válidos no primeiro turno, foi de aproximadamente 4 milhões de eleitores. A de Serra, que teve 33% dos votos válidos, de 2 milhões.

Como a margem de erro do levantamento (feito com base em 3.265 entrevistas em todo o país) é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o total de votos perdidos pode ter sido maior ou menor na mesma proporção da margem de erro.

O percentual de eleitores no país que tomou conhecimento dos casos Erenice Guerra e da quebra de sigilo de tucanos é expressivamente maior do que o do total que recebeu alguma orientação de sua igreja para que deixasse de votar em determinado candidato.

Os resultados da pesquisa, portanto, não confirmam a tese de que foi o voto relacionado a questões religiosas que levou a eleição presidencial ao segundo turno.

Tomaram conhecimento do caso Erenice 48% dos eleitores. No caso da quebra de sigilos, foram 56%.

Já o total que recebeu alguma orientação na igreja que frequenta para que deixasse de voltar em algum candidato a presidente atingiu 3%.

Os dois casos que mais pesaram na mudança de votos dos eleitores na reta final do primeiro turno tiveram influência direta de reportagens publicadas pela Folha.

O primeiro (quebra de sigilo) foi revelado pelo jornal em junho, muito antes do primeiro turno.

Em relação à queda de Erenice, o caso foi levantado inicialmente pela revista “Veja”. Mas foi uma reportagem da Folha que levou à queda da ex-ministra no dia 16 de setembro, a duas semanas do primeiro turno.

As denúncias de tráfico de influência na Casa Civil foram determinantes para mudanças de voto principalmente entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, mostra o Datafolha.

Entre os que votaram em Marina (que teve 19% dos votos válidos), 7% dizem ter deixado de votar em Dilma por conta do caso Erenice.

Chega a 1% do total do eleitorado o percentual dos que dizem ter deixado de votar em Dilma Rousseff para votar em Marina por causa da queda de Erenice Guerra.

A taxa dos que fizeram o mesmo por recomendação da igreja não alcança 1% do eleitorado.

via Folha de S.Paulo – Caso Erenice mudou mais votos que temas religiosos – 11/10/2010.

Quem ganhou o debate na Band ?

A julgar pelas reações dos assessores dos dois candidatos, ambos venceram o debate realizado esta noite pela Rede Bandeirantes. Os do PT deixaram o estúdio da emissora contentes com o desempenho de sua candidata. O curioso é que os do PSBD também ficaram satisfeitos com a estratégia adotada por Dilma Roussef.

José Eduardo Cardozo, Marco Aurélio Garcia e Antonio Palocci saíram saciados com a postua mais agressiva de Dilma Rousseff. Acham que a candidata conseguiu deixar claro que tem sido alvo de uma campanha construída com calúnias e difamações que ganharam a internet e, por intermédio dela, os cultos e missas de todo o País.

Serra foi pego de supresa pela estrégia de defesa. Depois do programa, ainda não havia conseguido entender o por quê de DIlma ter resolvido avocar os temas que lhe são espinhosos. A começar pelo aborto, tema que ela introduziu na seara do debate no início do primeiro bloco.

Dilma estava visivelmente nervosa. Por duas vezes perdeu a respiração. O curioso é que ela não foi provocada. Ao contrário, foi ela mesma quem decidiu elevar o tom e partir para o ataque.

Ao demarcar o território, Dilma deu a Serra a oportunidade de ressaltar aquilo que tem levado os eleitores a desconfiar da falta de coerência da candidata petista. Dilma se enrolou novamente ao tentar explicar sua posição sobre o aborto e ainda teve que ouvir de Serra que ela mudara recentemente de posição sobre sua própria religiosidade.

Nos dois primeiros blocos, que foram os de maior audiência, Serra estava mais tranquilo e pode manejar os temas propostos por Dilma com mais habilidade. Enquanto isso,a adversária, em seu esforço para demonstrar indignação com o que tem chamado de campanha caluniosa, subiu pelo menos uma oitava acima do tom que seria adequado. Parecia estar no limite entre o nervosismo e a raiva, agindo por impulso e de maneira pouco racional.

“A gente não sabe o que está por trás [dessa estratégia]”, declarou o governador Alberto Goldman, de São Paulo. “Mas ela parecia o Jim Jones, que se matou e matou todos os seus seguidores”, completou.

“Agora ela mostrou quem é”, comemorava o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. “Não tem mais a Dilminha paz e amor, ela  finalmente mostrou a cara”.

Enquanto isso, os petistas pareciam muito animados com o desempenho da candidata.”Ela conseguiu mostrar sua indignação com as infâmias”, afirmou José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT.

Do lado de fora do estúdio, onde cerca de 200 jornalistas se aglomeravam, assessores da própria candidata assistiam a tudo com um ar de estranhamento. “Precisavam ter dado um lexotan pra ela”, isse uma jornalista que torcia por Dilma, supresa com a estratégia e também sem entendê-la.

Para a maior parte dos jornalistas que cobriam o evento, Dilma tinha uma postura mais agressiva do que a situação recomendava. “Parece o Alkmin nas eleições passadas”, lembrou um deles. Era uma referência ao debate que abriu o segundo turno das eleições de 2006, quando o tucano, que havia feito até então uma campanha insossa, partiu para cima de Lula — mudança de postura que seus próprios eleitores não entenderam.

Para quem, como eu, assistiu ao debate na condição de observador privilegiado, ficou a impressão de que Dilma é quem está em desvantagem e, por isso, precisa atacar e desconstruir um adversário mais forte.

Uma única certeza permanece: O debate desta domingo talvez tenha sido o evento mais importante de toda a campanha. Ele pode ter definido quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos.

Datafolha mostra Dilma sete pontos à frente de Serra

Da Agência Reuters.

A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado aponta a candidata Dilma Rousseff (PT) à frente no segundo turno das eleições, com 48 por cento das intenções de voto, enquanto José Serra (PSDB) tem 41 por cento.

No levantamento do Datafolha realizado entre 1 e 2 de outubro, antes da realização do primeiro turno, Dilma aparecia com 52 por cento, e Serra, com 40 por cento no segundo turno marcado para 31 de outubro.

A pesquisa, divulgada e contratada pelo jornal Folha de S.Paulo, foi realizada no dia 8 de outubro junto a 3.265 eleitores, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

Na eleição de primeiro turno, realizada em 3 de outubro, Dilma recebeu 46,91 dos votos e Serra ficou com 32,61 por cento.

Clique aqui para ler mais sobre o assunto no site da Agência Reuters.

TV do Serra – programa da tarde deste sábado

O PSDB entrou no jogo anunciado pelos petisas na antevéspera do reinício da propaganda gratuita. Enquanto o programa dos adversários comparava as gestões Lula e FHC, o de Serra fez uma comparação entre as biografias dos dois candidatos.

O PSDB apresentou como trunfo a luta contra a ditadura e o exílio de seu candidato. E perguntou onde estava Dilma Roussef , que “ninguém sabe, ninguém viu” durante os anos de chumbo. Dilma esteve presa durante 28 meses  por ter se engajado na luta armada.

[VIDEO]http://www.youtube.com/watch?v=c-YsYuf-TCE[/VIDEO]

TV da Dilma – programa deste sábado

No programa produzido para a propaganda gratuita na televisão da tarde deste sábado, a campanha da candidata Dilma Roussef, do PT, tenta convencer os eleitores do que o governo FHC beneficiou apenas os mais ricos. Carros, universidades, consumo de carne, energia elétrica, segundo a construção petista, seriam ” coisas de rico” durante os oito anos da gerstão ticana. Aos pobres teriam restado apenas o desemprego, as incertezas sobre o futuro e o arroz com feijão.

[VIDEO]http://www.youtube.com/watch?v=qjFNSFgEXpQ[/VIDEO]

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