Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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PT e PR ampliam rebelião no Congresso

SIMONE IGLESIAS, CATIA SEABRA e VALDO CRUZ, da Folha de São Paulo

A crise que atinge a base governista no Congresso teve novos lances na bancada do PR no Senado, que anunciou ter ingressado na oposição a Dilma Rousseff, e no PT da Câmara, que decidiu afrontar orientações do Palácio do Planalto.

A resolução do PR ocorreu ontem, um dia após Dilma confirmar Eduardo Braga (PMDB-AM) como líder do governo no Senado, o que desagradou um dos caciques da legenda, o ex-ministro Alfredo Nascimento, inimigo político de Braga.

O PR é a terceira bancada da Casa, com sete dos 81 senadores. Desde que Dilma assumiu, o partido estava alinhado ao Planalto, mas se declarou “independente” após Nascimento deixar o Ministério dos Transportes sob suspeita de irregularidades.

Na ocasião, Dilma não aceitou sugestões da legenda para o posto e manteve o interino Paulo Passos, que é do PR, mas não conta com o respaldo da maioria do partido.

“Resolvemos que estamos fora da discussão e isso significa que estamos na oposição (…) Quando o governo entender que o PR é importante para a governabilidade, que nos procure”.”, disse Blairo Maggi (MT), líder da bancada no Senado.

Ele afirmou, entretanto, que se a Dilma aceitar alguém da lista de indicados pelo partido para a pasta, a legenda volta a ser governo.

Já os 43 deputados do PR na Câmara continuarão com posição declarada de independência, segundo o líder da legenda, Lincoln Portela (MG).

PT

No PT, cerca de 40 dos 86 deputados federais decidiram em reunião na terça afrontar as orientações do Planalto, em resposta à destituição de Cândido Vaccarez-za (PT-SP) da liderança do governo na Câmara.

O primeiro recado pode ser dado no projeto de reforma do Código Florestal.

Os deputados do campo majoritário do PT, prometem, no mínimo, fazer corpo mole no trabalho de articulação do governo na Casa, deixando a tarefa a cargo da outra ala do partido.

Além do suporte aos candidatos do PMDB às presidências da Câmara e Senado, essa ala do PT avalia como impossível o adiamento da votação do Código Florestal, como deseja Dilma.

O governo teme ser derrotado pelos ruralistas e, por isso, só quer votar o tema quando houver segurança.

Na reunião do grupo do PT, alguns chegaram a propor um boicote ao trabalho do recém-indicado a líder do governo na Casa, o também petista Arlindo Chinaglia (SP).

Houve também quem defendesse articulação para que Lula dispute a Presidência pelo PT em 2014.

via Folha de S.Paulo – Poder – PT e PR ampliam rebelião no Congresso – 15/03/2012.

Demissão de Jucá pode ser a maior obra da engenharia política de Dilma

Romero Jucá, o mais longevo dos líderes do governo (qualquer governo), é um político com uma plasticidade invejável. A despeito de qualquer condicionante política, ele conseguiu, ao longo do mandato dos três últimos presidentes da República, se equilibrar na condição de ministro-sem-pasta do Congresso. Não eram apenas a subordinação e a lealdade a explicar esse fenômeno de sobrevivência. Jucá sabe fazer, como pouco, o jogo dos interesses mesquinhos — não o do parlamento, o dos parlamentares.

Ele foi um dos pilares da baixa política, do pior fisiologismo e das engendrações mais obscuras do jogo do Poder. Foi o porta-voz de um grupo que detém uma enorme capacidade de articulação. Atuou como um Dartagnan no grupo de mosqueteiros formado pelos senadores José Sarney e Renan Calheiros, ao qual eventualmente se juntavam outros mercenários governistas de ocasião. Aí reside a explicação para a manutenção de seu espaço.

Jucá atuou desabusadamente para sepultar CPIs, defendeu aliados com a garra de um pitbull, atuou como advogado de teses com as quais não comunga. Foi denunciado dezenas de vezes, em todas as instâncias, e conseguiu resistir incólume. Também ajudou a esmagar adversários como o então senador Aloísio Mercadante.

Para Sarney e Renan, foi um articulador da maior importância. Sarney lhe deve, em grande parte, o sucesso da estratégia que salvou-lhe da degola na crise dos Atos Secretos. Renan foi salvo da cassação no affair Mônica Velloso. Os favores foram retribuídos com generosidade quando era Jucá quem estava na condição de alvo. E não foram poucas vezes.

Se, por um lado, Jucá atuava como um diligente office-boy de qualquer governo, por outro agia diligentemente como porta-voz do fisiologismo junto ao Palácio do Planalto. Conhecedor exímio dos limites entre interesses privados e possibilidades da máquina da administração, equilibrou-se no fio da navalha que separa a submissão total ao governo e a perigosa condição de líder das insurreições que muitas vezes levaram o Planalto à lona.

Desta vez, deu errado. Jucá atuou conforme sua cultura no episódio que culminou com a rejeição ao nome do Bernardo Figueiredo para a ANTT, usado por seu partido como forma de “enquadrar” a presidente. O recado que o partido mandou ao Planalto, coerente com a lógica do governo Lula, foi entendido — e punido — como uma afronta. Faria sentido à luz dos estatutos morais de Lula. Mas falhou sob Dilma. O que mudou, portanto, não foi o líder, foi o governo. Nesse sentido, a demissão do líder pode ter sido a maior obra da engenharia política de Dilma.

Ao bancar o blefe da nomeação para a ANTT, a presidente  explicita quais as regras que regerão, a partir de agora, as relações com sua base aliada. Não se deve esperar uma transformação mirabolante. Mas a jogada tira o governo da defensiva. Se der certo, talvez Dilma consiga entender o lógica de Jaques Wagner, segundo a qual governar com o PMDB é bom… Mas sem ele, não tem preço!

O PMDB e a teoria da conspiração

Parece praga de mãe. Toda vez que o PMDB está na boca de pegar um carguinho — ou um cargão — acontece alguma coisa inusitada. Quando estava na iminência de abocanhar a eletrobrás, eis que um blackout apga as luzes de oito cidades no Nordeste.

Agora que José Arthur Filardi, ex-ministro das Comunicações,  esperava apenas a publicação do nome dele no Diário Oficial para a presidência do SERPRO, vem o apagão informático.

Filardi é uma espécie de cunhado de criação do ex-ministro Hélio Costa. Criado pelos pais da mulher do ex-ministro, era um caso transverso de nepotismo.

Coincidência? Ou até as estatais andam com repugnância dos pleitos peemedebistas?

Dilma, durona, pode enterrar o legado (a)moral de Lula

A assertividade da presidente Dilma Roussef e sua determinação são impressionantes. Discreta, durona como já se sabia, tem tido coragem suficiente para enfrentar as chagas legadas de seu criador. Nestes primeiros dias de governo deu um passa-moleque nas centrais sindicais de aluguel,  nos chantagistas do PMDB, trabalhou para tentar devolver alguma compostura à negociação política e decidiu atacar de vez o grande nó na economia representado pela perspectiva de volta de uma inflação vitaminada. Enfrenta, com determinação e galhardia, a “herança madita” deixada por Lula, que não mediu esforços nem complacência para amalgamar sua base no Congresso.

Para quem pensava que os estupros à moral e à compostura  iriam migrar do governo anterior para este, Dilma está dando uma lição: a de que o espaço que separa a ética da convicção da ética da responsabilidade, de acordo com as categorias weberianas,  não pode ser infinito. Sob Lula, a ética da convicção, galgada em valores, simplesmente não existiu; tampouco a da responsabilidade, uma vez que o sentido das ações dos protagonistas da cena política congressual passa longe do altruísmo, não visa “fazer o bem” ao maior número possível de cidadãos.

Haverá uma reação forte. O sentido de todas as ações de agremiações como esse PMDB é permitir a pilhagem do bem público e sua apropriação individual. Diferentemente do que acontecia no passado de FHC e Lula, a barganha descarada e o patrimonialismo desavergonhado ainda não tiveram vez sob Dilma.  Até agora — e isso pode mudar muito rapidamente –, a presidente parece ter se dedicado a ensinar à matilha ávida pelo reinício da pilhagem que certas práticas não serão mais toleradas.É uma perspectiva nova e alvissareira essa fuga do pragmatismo ilimitado, talvez o vício mais arraigado nas nossas tradições políticas desde o Descobrimento. Mas não será tranquila sua consolidação.

A primeira investida de inconformismo para restabelecer o passado se materializou nas tentativas dos líderes dos partidos aliados de tranformar o valor do novo salário mínimo em uma arma contra a estabilidade econômica. A ameaça contida nas manifestações de políticos do quilate de um Eduardo Cunha, um Henrique Alves, era clara: ou a presidente se dobra e entrega o filé mignon do segundo escalão à matilha, ou o tênue equilíbrio das contas públicas poderia ser conspurcado. Também não se fez segredo das articulações do PMDB para conturbar a eleição do novo presidente da Câmara. Os líderes que bradavam contra a proposta do governo para o salário-mínimo foram os mesmos que insuflaram a candidatura do inexpressivo Sandro Mabel, do PR, numa afronta cheia de sentido.

Agora veio a decisão de enfrentar a voracidade dos parlamentares fisiológicos e patrimonialistas com o corte das emendas dos congressistas. É com essa fração do orçamento que deputados e senadores amealham o dinheiro fácil dos empreiteiros desonestos. É com essa “verbinha” que se abrem as brechas do Caixa-Dois, composto por dinheiro desviado pela corrupção. É com o desvio desse dinheiro que se pagam compromissos de campanha. É assim que boa parte dos políticos desonestos enriquece.  Ao fazer a fonte de subornos secar para confrontar a perspectiva de volta da inflação, Dilma está enfiando a mão no fundo da toca da serpente venenosa.

Para quem achava que o mundo estava perdido, agora há uma fresta iluminada no fim desse tunel institucional. Antes, na história recente, os últimos presidentes que tiveram “arroubos” de correção moral perderam a oportunidade, por exemplo, de reformar a previdência (FHC) ou de manter fontes de financiamento importantes como a finada CPMF (Lula).

Resta torcer para que a presidente consiga a força moral necessária para conter o achaque dos líderes aliados e neutralizar suas chantagens. Se der certo, talvez tenhamos alguma razão no futuro para dizer aos nossos filhos que a política é uma arte nobre, digna e respeitável.

Dilma rejeita indicações de Cunha e irrita PMDB do Rio

Gerson Camarotti, Adriana Vasconcelos e Cristiane Jungblut -

Com a retomada das articulações para nomeação dos cobiçados cargos do segundo escalão, a mudança do comando de Furnas virou nesta quarta-feira o principal problema do governo por causa do impasse entre PT e PMDB. Os peemedebistas ameaçaram entregar todos os cargos caso a bancada do Rio de Janeiro perdesse o comando de Furnas. Mas segundo interlocutores próximos, a presidente Dilma Rousseff já avisou que não vai aceitar uma indicação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não só para Furnas, mas também para todos os cargos do setor elétrico.

No Palácio do Planalto, há forte contrariedade com as últimas declarações em tom de ameaças do deputado peemedebista por causa das denúncias envolvendo Furnas feitas pelo jornal O GLOBO . A informação de que Cunha estava disposto a manter as ameaças numa entrevista para uma revista semanal foi considerada por ministros como uma espécie de declaração de guerra do peemedebista.

Líder do PMDB se reúne com Palocci e endurece discurso
No início da noite desta quarta-feira, o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), teve um encontro no Palácio do Planalto com o chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci, e resolveu endurecer as negociações com o governo. Muito próximo de Cunha, deixou claro que não abriria mão de que o comando de Furnas fosse indicado pela bancada do PMDB do Rio de Janeiro e que não aceitaria compensações. A reunião marcou o início das negociações pelo loteamento político dos cargos de segundo escalão.

Para integrantes do PMDB, Henrique Alves fez um desabafo pouco antes de ir para o Planalto: caso a bancada ficasse sem Furnas, seria melhor entregar todos os cargos. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, chegou a sugerir como solução para o impasse a indicação do ex-diretor da Eletrobras Flávio Decat para o comando de Furnas. Dentro dessa proposta, o PMDB manteria o comando da Eletrobras e da Eletronorte.

- Eu e a presidente Dilma queremos o Flávio Decat – disse Lobão.

Mas a proposta foi rejeitada pela bancada do PMDB da Câmara, o que acentuou o impasse. Inicialmente, o nome de Decat estava indicado para presidir a Eletrobras.

- O Decat não ia para a Eletrobrás? Ele não é uma indicação da bancada. Estamos discutindo nomes técnicos. Não posso como líder desconhecer essa realidade: a bancada do PMDB do Rio tem nove deputados. Como fica essa bancada? Eletrobras e Eletronorte são indicações do Senado e não da Câmara. Por isso, não podemos anular as reivindicações da Câmara – avisou Henrique Alves.

Dilma está disposta a fazer uma mudança completa na diretoria de Furnas com a substituição não só do presidente da estatal, Carlos Nadalutti Filho, indicado pelo PMDB, mas de toda a diretoria, inclusive as indicações petistas. Apesar do esforço do líder peemedebista Henrique Eduardo Alves em disfarçar a ansiedade latente dentro de sua bancada, o clima entre os parlamentares da legenda continua de desconfiança em relação ao PT.

- A eleição do deputado Marco Maia foi um primeiro sinal da melhora do clima na base governista, depois do jogo desigual na composição ministerial, que mais parecia um jogo de handebol no qual o PT fez 17 gols e o PMDB apenas quatro. O ministro Palocci prometeu a partir de agora equilibrar o jogo. Vamos ver agora se os fatos confirmam essas intenções – adiantou o líder peemedebista.

Paralelamente às negociações do segundo escalão, a bancada do PMDB no Senado também busca se precaver para não ser surpreendida pelos petistas mais adiante. O grande temor do partido é que o PT reivindique, daqui a dois anos, o comando da Casa, como contrapartida ao apoio dos deputados petistas ao peemedebista Henrique Dias na sucessão de Marco Maia. Esse foi um dos assuntos discutidos nesta quarta-feira numa reunião promovida na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Depois de participar da cerimônia de abertura dos trabalhos do Legislativo, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, disse que os partidos estão disputando, mas não necessariamente brigando pelos cargos. Apesar de na terça-feira o vice-presidente Michel Temer ter dito que existe uma briga entre PT e PMDB, Dutra afirmou que o que existe é uma “disputa natural”.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Globo

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