Temer: Ao vencedor, o Largo da Batata

batatasO presidente Temer poderia ter escolhido a outra maneira de começar.

Escolheu a errada.

Sua primeira providência foi constituir um governo reaça, branco e misógno. Sem mulheres, sem negros, sem nada de contemporaneidade. Cheiro de mofo e teia de aranha. Um governo novo que já nasceu com as rugas de um ancião cansadíssimo.

Que foi buscar seus primeiros auxiliares nas listas de investigados da Operação Lava Jato. Teve que demitir três ministros recém-contratados.

Demitiu um amigo que pretendia fazer ministro da Justiça antes de nomeá-lo. Na AGU, colocou um advogado que perde prazos. Teve que trocar, abrindo finalmente espaço para a primeira mulher em sua equipe (Dona Marcela ainda não conta).

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Centrais sindicais reclamam de ‘autoritarismo’ do governo

Paula Bonelli,

Cinco centrais sindicais, entre elas Força Sindical, CUT e UGT, divulgaram nota conjunta nesse domingo, 12, na qual manifestam apoio formal à greve dos servidores federais e rechaçam o modo como o governo tem conduzido as negociações. “Repudiamos todas as formas de autoritarismo no trato com reivindicações legítimas dos trabalhadores e trabalhadoras do setor público.”

O documento, subscrito também por CTB e Nova Central, compara a postura da atual gestão federal com a “adotada pelos governos passados” e afirma que a falta de negociação entre as partes “gerou o descontentamento generalizado dos servidores, há décadas submetidos à uma política de desvalorização da carreira de servidor e de arrocho salarial”.

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PT e PSDB montam ‘bunkers’ e definem tática para o depoimento de Cachoeira

Eugênia Lopes

Em funcionamento há pouco mais de 15 dias, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira terá seu primeiro grande momento nesta semana, com o depoimento do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Mesmo diante da perspectiva de Cachoeira permanecer calado durante toda a audiência, conforme sinalizou seu advogado Márcio Thomas Bastos, os 64 titulares e suplentes da CPI estão se municiando de dados para tentar extrair o máximo de informações do empresário de jogos de azar. Animados com o depoimento do delegado Matheus Mella Rodrigues, delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Monte Carlo, os petistas pretendem apostar suas fichas no aprofundamento de detalhes da relação de Cachoeira com o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. A estratégia é tentar arrancar de Cachoeira provas que compliquem ainda mais a situação de Perillo.
A oposição, por sua vez, tentará focar o depoimento de Cachoeira em suas relações com a Delta Construções, campeã de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com contratos em quase todos os Estados. Os oposicionistas estão convencidos de que o contraventor era uma espécie de lobista da empreiteira não só na região Centro-Oeste, mas em todo o País.
Em depoimento à CPI na última quinta-feira, o delegado Rodrigues confirmou que Cachoeira teve participação na compra de uma casa do governador tucano. Foram usados três cheques de Leonardo Almeida Ramos, sobrinho do contraventor, que somavam R$ 1,4 milhão. Além disso, segundo as investigações da Polícia Federal, Cachoeira teria “cotas” de cargos no governo tucano, com o pagamento até de mesada de R$ 10 mil para secretários de Estado.
“Há uma impregnação muito forte dessa organização criminosa do Cachoeira no governo de Goiás”, observou o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). Os petistas esperam que, caso o contraventor resolva falar na CPI, Perillo fique ainda mais encrencado. O objetivo dos parlamentares do partido é aprovar requerimento da convocação do tucano.
O delegado Rodrigues confidenciou aos integrantes da CPI que o nome do governador do PSDB é citado 237 vezes em conversas entre integrantes do esquema de Cachoeira. Já o nome do governador petista Agnelo Queiroz aparece em 58 conversas. “O Perillo não tem muito como correr, como escapar de uma convocação”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE).
“A ação do PT é muito clara: querem pegar o Perillo”, apontou o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Para defender o governador, os tucanos alegam que a venda da casa não foi um negócio ilícito. “Se fosse, não seriam três cheques na conta do governador”, disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

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Governo nega interferência em negociação na venda da Delta

A versão do Planalto de que o governo não incentivou ou sequer avalizou a compra da construtora Delta pelo grupo J&F Holding — reforçada nesta sexta-feira em nota do Palácio do Planalto à imprensa — não convence nem aliados governistas no Congresso. A avaliação feita por deputados e senadores da base, nos bastidores, é que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles não tomaria a frente de uma operação delicada como esta sem o aval do governo.

Um membro da J&F Holding, ouvido pelo GLOBO, confirmou que houve uma consulta ao governo antes da costura do acordo para a compra da Delta. Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, Batista Junior afirmou que o governo federal tem interesse que a companhia atravesse esse momento de turbulência e dê continuidade às obras estratégicas, sobretudo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Nesta sexta-feira, o Palácio do Planalto negou que o governo tenha interferido nas negociações para venda da construtora Delta, alvo da CPI do caso Cachoeira, para a J&S Holding. Em nota lida pelo porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, o Planalto diz que “são falsas as ilações de que a referida operação teve aval deste governo”. Segundo a nota, o governo federal não interfere em operações privadas.
O governo disse ainda que está em curso na Controladoria Geral da União (CGU) o processo de decretação de inidoneidade da construtora Delta. Se a empresa for considerada inidônea, estará impedida de fazer contratos com a administração pública, conforme prevê a Lei de Licitações (8666/93).
Mais cedo, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou a venda da construtora Delta para o frigorífico JBS, controlado por uma holding que tem como sócio o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).
– Esse negócio é vigarice pura. A presidente Dilma Rousseff deve vetar isso e declarar inidônea a construtora, cujo ex-presidente já anunciou que vai para os Estados Unidos, comprar rede de postos de gasolina – defendeu.
Na opinião do senador, “esse negócio é suspeito e espero que Dilma bloqueie”. O senador destacou ainda, como motivo para que a negociação seja interrompida, o fato de o ex-presidente do Banco Central no governo Lula, Henrique Meirelles, ser um dos executivos da JBS.

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Amarelou III: Risco da CPI faz base aliada negociar ‘operação abafa’ para poupar políticos

Diante do alerta do Palácio do Planalto sobre os riscos de desgaste do governo, tomou corpo no Congresso, com ajuda da base aliada, uma “operação abafa” na Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, a ser instalada nos próximos dias. Uma das estratégias é poupar políticos de diversos partidos citados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que levou à prisão o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Veja também:

Carlinhos Cachoeira será transferido do RN para o DF

Grampo sugere relação da Delta com políticos

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Governo estuda mais faixas na tabela do Imposto de Renda

O governo prometeu estudar a criação de novas alíquotas no Imposto de Renda Retido na Fonte, de forma a assegurar mais “progressividade” no recolhimento do tributo. Ou seja, tentar reduzir o IR de trabalhadores que ganham menos e elevar o pagamento de quem tem renda mais elevada.

A medida foi uma das demandas apresentadas pelas centrais sindicais em reunião na manhã de ontem com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

O governo não deu, porém, detalhes de como pode ser feita a mudança.

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Governo corta R$ 4 bilhões do Orçamento da Defesa

O Ministério da Defesa terá de cortar em mais de um quarto as despesas com investimentos e custeio neste ano, informou ontem a pasta, após reunião do ministro Nelson Jobim com Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento).

A contribuição da Defesa para a “consolidação fiscal” defendida pela equipe econômica será de uma redução de gastos de R$ 4 bilhões, ou 26,5% do total disponível para investimento e custeio.

Ao todo, o Orçamento da União será cortado em R$ 50 bilhões neste ano para reduzir a pressão inflacionária.

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