Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Cadê o ‘efeito Lula’?

No Datafolha divulgado hoje há algumas informações que não estão explícitas, mas ainda assim chamam a atenção dos leitores mais atentos. A primeira delas diz respeito à situação eleitoral de Fernando Haddad. Apesar de o PT e o governo já terem colocado todas as suas fichas na mesa — leia-se Lula, Dilma e Marta Suplicy — , o escolhido de Lula para enfrentar a eleição paulistana não conseguiu, a esta altura, sequer ser alçado ao patamar histórico de votos do partido em São Paulo.

No pleito de 2008, Marta Suplicy obteve 33,06% dos votos válidos no primeiro turno. Quatro anos antes, em 2004, obteve 35,82%. Perdeu depois para José Serra.

Neste momento, a três semanas da eleição, o candidato petista Fernando Haddad se encontra praticamente estacionado em um patamar muito inferior, de 17%, que representa, grosso modo, apenas metade do potencial de votos destinados tradicionalmente à legenda.

Quatro anos atrás, no começo de setembro de 2008, Marta Suplicy era considerada imbatível. Os números do Datafolha revelam que a ex-prefeita tinha 40% das intenções de voto. Kassab e Alckmin disputavam a segunda vaga com uma diferença de apenas 4% entre ambos, mas ainda assim com menos de metade das intenções de voto atribuídas à cabeça-de-chapa do PT.

Oito anos atrás, na mesma altura do processo eleitoral, a diferença entre Marta, que tinha 33% das intenções de voto, e Serra, que liderava e terminou por vencer o pleito, era de apenas 4 pontos percentuais. Marta tinha os 33% historicamente reservados a seu partido. Um terço dos votos.

Este ano, Fernando Haddad patinou no patamar dos nanicos até se descolar deles com o início da campanha pelo rádio e televisão. Mas, pelo que mostram as três últimas sondagens, a curva das preferências já aponta para uma acomodação. Num ponto de inflexão que não é bom para o postulante do Partido dos Trabalhadores — o terceiro lugar.

O que se prevê de agora em diante é um disputa renhida entre tucanos e petistas pela chance de disputar o segundo turno com o azarão Celso Russomanno, que parece ter consolidado sua condição de favorito neste primeiro turno. E a despeito da situação de empate técnico, que torna o resultado virtualmente impossível de se prever, é de se notar que ainda há uma diferença de 3 pontos percentuais em favor de José Serra.

O esforço para dar viabilidade a Haddad é notável. A seu favor estão a máquina federal (com a engajamento de Dilma Rousseff) e o prestígio pessoal de Lula, o patrono do candidato. O uso da máquina fica claro na compensação oferecida a Marta Suplicy por seu engajamento na campanha. Preterida por Lula na escolha do candidato, a ex-prefeita teve que ser agraciada com um cargo no primeiro escalão para subir ao palanque de Haddad. Uma ajuda e tanto — que, não obstante, não se mostrou capaz ainda de vitaminar a chapa petista na medida que se esperava.

Mas é fato que o que se esperava nos meses que decorreram entre o lançamento da candidatura e o início da propaganda eletrônica não aconteceu. Nem o prestígio de Lula, nem o reforço de Marta, nem a forcinha de Dilma foram capazes de devolver ao Partido dos Trabalhadores os votos que historicamente lhe eram destinados.

O que mais intriga no comportamento do eleitor é a ausência de resposta ao esforço de Lula para dar viabilidade eleitoral ao mais importante candidato apresentado por seu partido às eleições deste ano.

O que a maioria dos analistas antevia era que Lula conseguisse não apenas reaver os votos tradicionais da legenda, mas incrementar o cacife do partido com a popularidade que faria dele o grande eleitor deste pleito. E isso, de fato, está longe de acontecer.

Resta, portanto, saber o que foi que aconteceu com a popularidade de Lula. Não há nenhuma dúvida de que ela é enorme. Assim como não restam dúvidas de que, como cabo eleitoral, Lula não tem funcionado como se supunha que funcionaria. A rigor, todo o esforço empreendido em favor de Haddad não agregou, pelo menos até agora, mais que 10 pontos percentuais ao postulanente do PT. E ainda faltam quase 20 pontos percentuais para que a legenda ascenda novamente ao patamar dos 33%.

É claro que ainda é cedo para cravar uma aposta no resultado do primeiro turno. Assim como é improvável que, haja o que houver na campanha, surja ainda um milagre capaz de alterar radicalmente o quadro. A partir de agora, com a consolidação das intenções de voto, o que se espera são pequenas oscilações, inclusive com a possibilidade de inversão dos candidatos que disputam o segundo e terceiro lugares na preferência do eleitorado.

A tese que vem sendo defendida por 10 entre 10 analistas é a de que não há transferência de prestígio — ou a tradução do prestígio em votos — a não ser entre candidaturas análogas. Por esse raciocínio, Lula poderia, sem dificuldade, eleger um poste Presidente da República. Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff, a desconhecida auxiliar alçada por ele ao posto de primeira-mandatária brasileira dois anos atrás. Mas não tem como influenciar o eleitor paulistano, que termina por definir seu voto com base em uma cesta de propostas e um menu de candidatos vinculados exclusivamente à seara da comunidade.

Seria, desta forma, um santo milagreiro que só tem poder para promover grandes milagres. Dos pequenos, o eleitor mesmo prefere cuidar, sem a interferência nem o cabresto de quem quer que seja.

O que pouco gente se arrisca a dizer, com medo de errar o prognóstico que vai se desenhando, é que talvez os poderes atribuídos ao ex-presidente não passem de um exagero retórico que vem sendo construído pela reiteração de certos dogmas — especialmente o de que Lula pode tudo. Pelo que se viu até agora, não pode.

Talvez não possa por causa do desgaste sofrido pelo PT desde que a legenda foi associada à corrupção descarada e às piores práticas políticas, agora materializadas com as primeira  condenações de mensaleiros, e à perspectiva de prisão de gente como João Paulo Cunha, José Genoíno, José Dirceu e Delúbio Soares. É claro que o espetáculo propiciado pelo maior julgamento da história do País produz efeitos no eleitor. O que não se sabe, até agora, é qual o tamanho do estrago.

Caso Haddad seja derrotado neste primeiro turno, muitas serão as tentativas de explicar o fracasso. Alguns dirão que o PT está pagando o preço de ter sido colocado por seus próprios dirigentes entre as legendas que protegem criminosos e incentivam a gatunagem em seu próprio proveito. Mas isso não seria suficiente para explicar o malogro.

Outros irão dizer que a escolha de Haddad foi infeliz, que a vitória com alguém já testado como Marta Suplicy seria pule de dez. Mas aí o erro seria de Lula, e não convém atribuir erros a santos.

E sempre haverá quem diga que, quando o santo não produz o milagre, não é por falta de santidade — é por falta de fé do devoto.

Haddad relaciona alvarás sob suspeita para igrejas ao caso Aref

Bruno Lupion – O Estado de S. Paulo – Texto ampliado às 16h50

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira, 20, que a concessão de alvarás supostamente irregulares para permitir a construção e ampliação de templos religiosos revela a “falta de comando e transparência” da administração de Gilberto Kassab (PSD).

O petista relacionou o caso às denúncias contra o ex-diretor do Departamento de Aprovações (Aprov) da Prefeitura, Hussain Aref Saab, investigado por acumular mais de 116 imóveis nos sete anos em que chefiou o órgão.

“Nada é novidade nesse governo, a Prefeitura está sem comando”, afirmou Haddad, após debate com o Movimento Nacional dos Moradores de Rua, no centro da capital. “Veja o que aconteceu na secretaria de Habitação com o caso Aref, e o prefeito sequer substituiu o secretário depois de um dos maiores escândalos da cidade”, disse. Ele também criticou a “falta de transparência” nos processos de concessão de alvarás.

Reportagem do Estado desta segunda-feira, 20, mostra que Kassab busca para o candidato José Serra (PSDB) o apoio de líderes evangélicos beneficiados por atos de sua gestão, alguns dos quais sob a mira do Ministério Público (MP).

A Promotoria investiga um alvará concedido para a Igreja Mundial construir um templo em um terreno em Santo Amaro, na zona sul, que deveria ser cortado por uma rua pública. Também obteve decisão judicial para cancelar um alvará para a Igreja Renascer reconstruir um templo, concedido sem que o estudo de impacto no trânsito tenha sido apresentado.

Haddad propôs um programa de regularização para estabelecimentos comerciais e templos religiosos e disse que, se eleito, a Prefeitura oferecerá assistência jurídica gratuita a qualquer entidade que deseje regularizar sua atividade.

“A Prefeitura tem que ser ativa na busca de solução, não pode ficar passiva, deixando a burocracia e, muitas vezes, a corrupção tomar conta”, afirmou. Para o petista, “há muito comércio irregular que precisa de apoio, há muita igreja irregular que precisa de apoio”.

Beba na fonte: O Estado de S. Paulo | politica – Haddad relaciona alvarás sob suspeita para igrejas ao caso Aref.

Haddad afirma haver corrupção na gestão Kassab

BRUNO LUPION – O Estado de S.Paulo

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem haver indícios de corrupção na administração do atual prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD), afilhado político do adversário José Serra (PSDB).

As declarações foram dadas um dia após o tucano dizer em discurso que não precisa “responder pela honra junto ao STF”, numa referência ao julgamento do mensalão, escândalo que tem petistas como principal alvo.

“Existe um debate sobre a corrupção na cidade de São Paulo; nós temos vários secretários municipais que estão respondendo a processos de improbidade”, afirmou ontem o candidato petista, após debate com professores da rede municipal de ensino.

Entre os secretários de Kassab, Eduardo Jorge, da pasta do Verde e do Meio Ambiente, é acusado, assim como o próprio prefeito, de fraudar a licitação do serviço de inspeção veicular. Ambos são alvo de uma ação por improbidade administrativa. Kassab também responde a uma segunda ação de improbidade, que questiona a concessão de benefícios fiscais para a construção do estádio do Corinthians no bairro de Itaquera, zona leste.

O secretário de Saúde, Januário Montone, reponde a ação penal sob acusação de envolvimento com a máfia da merenda. Segundo a denúncia da Promotoria, Montone teria recebido R$ 600 mil de propina.

O Ministério Público também investiga o secretário de Controle Urbano, Orlando de Almeida, sob suspeita de cobrar propina para omitir fiscalização e liberar alvarás de funcionamento de estabelecimentos comerciais. Todos negam irregularidades ou ilegalidades e dizem que as ações e investigações são infundadas.

A Prefeitura de São Paulo afirmou, por meio de nota, que a atual gestão investiga “com rigor” todas as denúncias de irregularidades e é a que mais investiu no desenvolvimento e instalação de ferramentas de transparência.

O contra-ataque do petista marca uma mudança de postura em sua campanha. Até então, quando questionado sobre o mensalão, Haddad preferia, em vez de confrontar o passado dos adversários, exaltar seu currículo de gestor público supostamente livre de desvios éticos. “Temos que discutir a transparência na gestão pública com tranquilidade, (mas) não podemos nos omitir diante do que nós estamos assistindo em nenhum nível de governo”, afirmou Haddad. Ele, no entanto, fez uma ressalva: o debate sobre a ética na política não deve ser o centro da agenda pública, pois há outros problemas a ser enfrentados.

Beba na fonte: Haddad afirma haver corrupção na gestão Kassab – politica – versaoimpressa – Estadão.

Eleitor da periferia de SP tem dificuldade com nome Haddad

Pedro da Rocha, de O Estado de S.Paulo

A campanha do candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, está investindo maciçamente em carros de som como forma de propaganda. Além de tentar tornar o candidato conhecido, essa estratégia contorna um problema verificado pelo Estadão.com.br nas periferias e já identificado em pesquisas qualitativas de candidatos: a dificuldade de eleitores das regiões mais pobres em ler e pronunciar o nome Haddad. A assessoria do petista negou que tenha contratado os carros também por este motivo.

Pedro da Rocha

Carro de som usado pela campanha de Haddad
A reportagem do Estadão.com.br percorreu os bairros do Tremembé e Brasilândia, na zona norte da cidade, Itaquera e Cidade Tiradentes, no extremo leste. Pediu para que 36 pessoas lessem o nome do candidato em uma folha. Apenas seis delas pronunciaram igual ao veiculado na propaganda oficial do candidato. Esse fator acaba se tornando um empecilho para a chamada propaganda boca a boca.
O mais comum é as pessoas pronunciarem o H como R, dizendo “Raddad”. Na campanha oficial o H é mudo. Mas teve quem falasse “Adida”, “Haddat”, Hadda”, “harddad e “hadadad”. Alguns entrevistados, com medo de errar, preferiram não dizer o nome. “Li essa palavra em uma placa ali atrás, mas não entendi como fala”, comentou a cozinheira Cristina Rocha, de 61 anos, em Itaquera.
A assessoria do petista informou que o uso de carros de som é um recurso utilizado em todas as eleições e por todos os candidatos, e que não identificou nem considera que haja esta dificuldade por parte do eleitorado.
Segundo a primeira prestação de contas do candidato divulgada pelo Superior Tribunal de Justiça (TSE), R$ 2,845 milhões foram informados como despesas contratadas para publicidade com carros de som, o maior valor empenhado pelo PT para a campanha para a prefeitura de São Paulo. Outro recurso utilizado nas periferias foram as placas com a imagem de Haddad ao lado do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff.
Não é a primeira vez que um candidato usa a publicidade para contornar a dificuldade de pronúncia de seu nome por parte do eleitorado. Na campanha para presidente de 2006, o então candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, usava apenas o primeiro nome nas propagandas oficiais.

 

Beba na fonte: Eleitor da periferia de SP tem dificuldade com nome Haddad | Eleições 2012 | Estadão.com.br.

Decisão do TSE pode dar maior tempo de TV a Haddad

DANIEL BRAMATTI

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve aprovar nesta quinta-feira resolução que provocará uma reviravolta na distribuição do tempo de propaganda dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, ao cortar de 55 para 49 o número de deputados federais fundadores do PSD. Com isso, o petista Fernando Haddad ultrapassará o tucano José Serra no rateio do horário eleitoral.

A resolução vai obrigar a Justiça Eleitoral de São Paulo a refazer suas contas. Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) anunciou que Serra ficaria com 7 segundos a mais que Haddad em cada bloco de 30 minutos – na verdade, o candidato tucano terá 10 segundos de desvantagem em relação ao adversário.

Outros tribunais também terão de voltar à calculadora – os TREs de Santa Catarina, Goiás, Roraima, Rondônia, Sergipe e Rio Grande do Sul, entre outros, já haviam feito o rateio da propaganda entre os candidatos em capitais e grandes cidades do interior, sempre usando como base o número indevido de parlamentares do PSD.

A confusão decorre da mudança nos critérios de divisão do tempo de TV, depois que o STF desconsiderou as regras previstas na Lei Eleitoral, em decisão tomada em junho. A Lei Eleitoral diz que dois terços da propaganda devem ser distribuídos de acordo com o número de deputados eleitos por partido. Por esse critério, o PSD do prefeito Gilberto Kassab não teria direito a esse tempo, já que não elegeu ninguém em 2010 – o partido foi fundado somente no ano seguinte.

Mas o STF decidiu que a legenda de Kassab deveria “herdar” o tempo de TV dos deputados que migraram para ela – apesar de quase todos terem sido eleitos graças a “puxadores de votos” das legendas a que pertenciam.

Beba na fonte: Decisão do TSE pode dar maior tempo de TV a Haddad – politica – politica – Estadão.

Lula diz que em 15 dias começará a fazer campanha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou dirigentes do PT para fazer um diagnóstico sobre as candidaturas do partido e afirmou que espera entrar na campanha de seu escolhido para disputar a Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, em duas semanas.

A expectativa é que ele seja liberado pelos médicos no dia 6 de agosto, quando fará exames de avaliação do tratamento a que se submeteu contra um câncer na laringe.

A data deve coincidir com o início da cobertura intensiva pelas emissoras de TV, especialmente a Globo, do dia a dia dos candidatos.

A ideia do partido é programar eventos externos de Haddad com Lula a partir do dia 7, aproveitando a exposição na emissora para tornar Haddad mais conhecido.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – De olho na TV, Lula diz que em 15 dias começará a fazer campanha – 24/07/2012.

Verba para partido de Maluf cresceu após aliança com PT

O apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo coincidiu com uma disparada na destinação de verbas federais para obras e projetos apadrinhados por parlamentares do partido.

Em um quadro atípico, o PP do ex-prefeito Paulo Maluf foi, desde o dia 1º de junho, o segundo partido mais beneficiado pelo governo no atendimento das emendas parlamentares, mostra levantamento da Folha.

As emendas são o mecanismo pelo qual os congressistas inserem obras e projetos no Orçamento.

O mês de junho marcou a reta final da definição das alianças para as eleições municipais de outubro.

Quinta maior bancada no Congresso, o PP ficou à frente do PT e só atrás do PMDB -donos das maiores bancadas no Congresso.

A eleição de Haddad em São Paulo é vista como principal objetivo eleitoral do PT, maior partido de sustentação do governo federal.

Polêmica, a aliança com Maluf garantiu ao petista, neófito em eleições e em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, equilíbrio em relação a seu principal adversário, José Serra (PSDB), no tempo da propaganda de rádio e TV.

A partir de 14 de junho, data em que Paulo Maluf passou a considerar publicamente a possibilidade de apoiar Haddad em vez de Serra, a liberação de emendas para o PP quintuplicou.

Até aquela data, a liberação acumulada desde janeiro era de R$ 7,2 milhões. De um mês para cá, foram mais R$ 36,6 milhões para emendas do partido.

O levantamento foi feito com base nas 20 ações de governo que mais concentram emendas.

Um dos principais aliados de Maluf em São Paulo, o deputado federal José Olímpio foi o segundo mais beneficiado entre os pepistas, obtendo R$ 4,2 milhões para ações apoiadas por ele.

Outro parlamentar do PP paulista beneficiado foi Beto Mansur, ex-prefeito de Santos e que tem Maluf como seu padrinho dentro do partido.

A aliança do PT com o PP em São Paulo foi celebrada na casa de Maluf no dia 18 de junho, com a presença de Haddad e do ex-presidente Lula, que posaram para fotos.

Na ocasião, o governo entregou um posto-chave do Ministério das Cidades a um afilhado do ex-prefeito.

O ritmo de liberações de emendas indica também que, além do salto nas verbas para o PP, a ex-prefeita e hoje senadora Marta Suplicy (PT) foi a terceira mais agraciada entre 174 parlamentares que foram contemplados no período, com R$ 5,6 milhões.

Marta, que pretendia ser a candidata petista em São Paulo, tem resistido a entrar na campanha de Haddad.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Verba para partido de Maluf cresceu após aliança com PT – 18/07/2012.

PT vai exibir vídeos de Lula diariamente no site de Haddad

Débora Álvares e Bruno Boghossian

Com a propaganda eleitoral liberada na internet a partir desta sexta-feira, 6, o PT começa a exibir uma série de vídeos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no site de seu candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. O objetivo dos petistas é “colar” as imagens do ex-presidente e seu afilhado político antes do início da exibição dos programas eleitorais na TV, em 21 de agosto.

Veja também:
Maioria dos candidatos escolhe o centro de SP para começar campanha à prefeitura
Campanha eleitoral começa oficialmente nesta sexta

Estratégia semelhante tem a equipe de José Serra (PSDB), que vai apresentar vídeos do candidato em seu site oficial nas próximas semanas. Na primeira gravação, que também entra no ar nesta sexta, Serra convida os usuários a enviar propostas para solucionar os problemas da cidade.

Com a manobra, as equipes de marketing suprem uma lacuna de 45 dias em que os candidatos estarão em campanha, mas não aparecerão na TV.

‘Lula.TV’. No caso do PT, a imagem de Lula terá destaque no portal de Haddad, em um espaço batizado de Lula.TV. O ex-presidente deve fazer gravações diárias para debater os temas da campanha. A coordenação de campanha também pretende fazer transmissões ao vivo a participação do ex-presidente, direto do Instituto Lula, na zona sul paulistana.

A presença de Lula na campanha de Haddad é considerada fundamental pelos petistas. A equipe de campanha acredita que os eleitores ainda não vinculam a imagem do candidato ao ex-presidente – considerado um forte cabo eleitoral. Haddad é pouco conhecido pelos paulistanos e está em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, com 6% das intenções de voto.

A estratégia da campanha petista na internet será comandada pela empresa do marqueteiro João Santana, sob a coordenação de Marcelo Kertész. O foco do portal de Haddad, lançado nesta sexta, será o conteúdo audiovisual. “O grande desafio foi fazer um ambiente mais relevante e inovador do que um simple site tradicional de candidato”, diz.

Beba na fonte: O Estado de S. Paulo | politica – PT vai exibir vídeos de Lula diariamente no site de Haddad.

Registro desmente Haddad sobre pedido de verba de SP

DANIELA LIMA  E RODRIGO VIZEU

Registros oficiais desmentem a versão repetida pelo candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, de que nunca foi procurado pela administração paulistana em busca de verba para a cidade quando ocupou o Ministério da Educação, entre 2005 e 2012.

Em entrevista à Folha no dia 16 de junho, Haddad afirmou: “O secretário de Educação do prefeito Kassab [Alexandre Schneider] jamais me solicitou uma única audiência durante toda a sua gestão à frente de sua secretaria e durante toda a minha gestão. Nunca houve manifestação de interesse da prefeitura em estabelecer parceria com o governo federal.”

A agenda pública do Ministério da Educação e um e-mail da Secretaria Municipal de Educação ao gabinete do então ministro mostram que Haddad recebeu Schneider ao menos uma vez. O encontro ocorreu em 16 de fevereiro de 2011, a pedido do então secretário.

Hoje, Schneider é candidato a vice na chapa do tucano José Serra, o principal adversário do PT na eleição.

VERSÕES

Na última segunda-feira, Schneider disse que Haddad havia mentido e relatou um encontro com o petista, no MEC. Questionada, a assessoria de Haddad confirmou em nota a audiência.

Depois, quando a reportagem apontou que o petista havia negado diversas vezes qualquer encontro com Schneider, a assessoria do candidato emitiu uma segunda nota. Disse que houve apenas “visita” e reiterou que Schneider ou o prefeito Gilberto Kassab (PSD) nunca pediram “audiência para demandar recursos do MEC”.

Avisada sobre a existência de registros de uma audiência, a assessoria de Haddad deu uma terceira versão. Em nota assinada pelo coordenador-geral da campanha, Antonio Donato, assumiu a audiência e os pedidos de recurso, mas disse que a demanda foi feita “de última hora”.

“O secretário [Schneider] estava pressionado pelo Ministério Público do Estado, que se preparava para ajuizar uma ação civil pública de improbidade pela incapacidade de suprir o deficit de 120 mil vagas de creche”, completou.

PARCERIA

No e-mail que pediu a reunião com Haddad, a Secretaria de Educação disse que queria apresentar “projetos para possíveis parcerias”.

Desde que assumiu a candidatura, Haddad vem atribuindo o baixo volume de investimentos do MEC em São Paulo ao desinteresse da gestão de Kassab. Ele tem usado a falta de parcerias como mote e sempre diz que, se eleito, poderá trazer mais recursos federais para a cidade.

Ontem, Schneider criticou Haddad: “É lamentável que um candidato jovem, em sua primeira eleição, inicie-a com uma prática tão antiga como mentir”, disse.

O desdobramento da reunião Haddad-Schneider também é alvo de polêmica. Schneider diz que a burocracia do MEC impediu o acesso da cidade aos recursos. Haddad afirma que os procedimentos exigidos eram simples.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Registro desmente Haddad sobre pedido de verba de SP – 05/07/2012.

Nós, os puros

Leandro Fortes, no blog Brasília, eu vi

Deu-se estes dias que chegamos a uma encruzilhada inaudita. Assim, os que ousaram se alinhar ao sentimento de Luiza Erundina, de repúdio à ligação do PT e de Lula a Paulo Maluf, passaram a ser chamados de “puros”. Assim mesmo, entre aspas, para que fique claro a conotação de que, uma vez puros, são também tolos, tristes sonhadores, idealistas cuja atitude pueril não só transgride as …regras do jogo como, no fim das contas, subverte a ordem de uma guerra santa. Em meio ao jihadismo estabelecido nas eleições paulistanas, de demônios tão nítidos quanto malignos, a atitude de Erundina contra a aliança da esquerda com um bandido procurado pela Interpol, com o cúmplice ativo dos assassinos da ditadura militar, com o construtor da vala comum do cemitério de Perus, com a representação do pior da direita, enfim, tornou-se um ato de traição, de purismo político, de angelical perversão.

Ato contínuo, os mesmos que dias antes haviam comemorado a chegada da deputada do PSB à campanha de Fernando Haddad passaram, de uma hora para outra, a demonizá-la, curiosamente, pelo viés de um purismo atávico e infantil. Erundina, a louca idealista, a tresloucada individualista capaz de destruir os planos de redenção da esquerda por causa de uma foto, uma imagem de nada, um instantâneo sem relevância nem simbolismo, apenas o registro banal de um líder da resistência a se confraternizar com chefe da escória. Ah, os puros, como são tolos! Justo quando deles se exige fortaleza e dedicação, aparecem esses sonhadores cheios de escrúpulos e regramentos éticos.

De toda parte, então, passaram a rugir leões do pragmatismo político, militantes de uma realpolitik feroz, implacável, a pregar a irrelevância dos puros, dos tolos da ética, quando não de sua influência nefasta sobre os jovens e, claro, do enorme desserviço prestado à democracia e ao admirável mundo novo que se anuncia. Os puros, dizem, nunca ganham eleições. E se não o fazem, portanto, que não atrapalhem os que as querem ganhar a qualquer custo. É preciso impedi-los, portanto, de se mostrar em público. É preciso calá-los, desqualificá-los, torná-los ridículos, patéticos em sua fraqueza.

Nem que para isso seja preciso transformar em traidora uma brasileira digna, com 40 anos de vida pública inatacável, uma heroína da resistência, uma política que passou a vida levando assistência a favelas e cortiços, uma parlamentar que dedica seus mandatos a defender a democratização da comunicação e o resgate da memória dos que foram seqüestrados, torturados e mortos pelo regime ao qual serviu Paulo Maluf. Este mesmo Maluf contra o qual os puros, os tolos e os sonhadores da política, vejam vocês, tem a ousadia de se voltar.

Beba na fonte: Nós, os puros | Leandro Fortes.

Janio de Freitas: Sorte de Haddad

FERNANDO HADDAD ganhou, e não foi pouco, com a renúncia de Luiza Erundina a vice em sua candidatura a prefeito paulistano. Não tardaria a que o problema para Haddad, e não pequeno, fosse superar os previsíveis embaraços provocados pela maneira irascível, grosseira e individualista que Erundina se permite a pretexto de política.

Luiza Erundina é inconvivível politicamente. Já em seus últimos tempos no PT, a recusa rígida que manteve, diante de dirigentes do partido, ao exame das divergências, deixou mais do que frustração. Há ressentimentos pessoais inapagados até hoje. E motivadores de muitas das reações negativas, nos quadros mais altos do PT, à entrega da vice a Erundina.

Ao menos desde o governo Itamar Franco, que a homenageou com um cargo no governo por escolha sua, de presidente, ficou claro o que significa a proximidade política com Erundina. Do início ao fim de seu breve trânsito pelo governo, Erundina mais pareceu da oposição dura. Até o rompante final em que exibiu arrogância e presunção incapazes de poupar mesmo a quem a homenageara.

Fernando Haddad não teria a esperar senão problemas de convivência com a vice, da vice com a campanha e, bem provável, com segmentos do eleitorado. Mas no PT e no PSB isso não era -não poderia ser- ignorado por nenhum dos que produziram a “ideia” de dar a vice a Luiza Erundina.

A ansiedade de Lula de impor o seu plano para Recife, cassando ao prefeito João Costa o direito à possível reeleição, pode explicar parte da escolha. Mas nada explica que ao ato autoritário, com que atendeu o governador Eduardo Campos, Lula sobrepusesse falta de lucidez a ponto de aceitar Erundina, tão bem conhecida por ele, para representar o PSB junto a Haddad.

O desgaste maior recai sobre Lula, ainda mais por ser o caso Erundina caudatário do acordo com Paulo Maluf. Mas Fernando Haddad também recebe a sua quota. Por mais sorte sua, o episódio se dá quando nem campanha há ainda. É daqueles que tendem a evaporar sozinhos, se os planos estaduais de Lula permitirem.

Ao esquentar da campanha, também o acordo com Paulo Maluf não será o prato saboroso que o PSDB de José Serra espera.

Há muito noticiário impresso e gravado, muitas declarações e evidências de que o acerto com Maluf era buscado também pelos peessedebistas. E negociado pelo próprio governador Geraldo Alckmin, cuja administração conta com um afilhado de Maluf. Matéria-prima abundante para respostas (senão ataques) contundentes.

Fernando Haddad é o único que nada perdeu com a renúncia de Luiza Erundina. E ganhou, no mínimo, a oportunidade de uma companhia na chapa mais ao seu estilo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – A sorte de Haddad – 21/06/2012.

Erundina diz não acreditar que Maluf ficará em 2º plano na campanha

“Invasivo” e “expansivo”, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) não ficará em segundo plano na campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de SP. A afirmação é da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), ex-candidada a vice-prefeita na chapa do petista, em entrevista à rádio EstadãoESPN na manhã desta quinta-feira, 21.

Apesar disso, a ex-prefeita de São Paulo (1989-1993) garante quer vai apoiar Haddad, “o melhor candidato”. Ela considera que, fora da vice, terá mais condições de participar da promoção do petista. “Se eu continuasse na chapa, ia ter que passar a campanha inteira explicando porque estava com Maluf”.

Erundina deixou a chapa após o anúncio de que o malufista PP  faria parte da aliança de legendas que apoia Haddad. “Ter uma figura nefasta como Paulo Maluf em qualquer ambiente constrange”, disse Erundina, que é colega do ex-prefeito na Câmara dos Deputados.

À rádio EstadãoESPN, ela voltou a criticar o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, que, para selar o acordo, foi com o apadrinhado Haddad à casa de pepista, onde posaram para fotos. “A ida do Lula à casa do Maluf por exigência dele [Maluf] é absolutamente incompreensível do ponto de vista da coerência; me deixou sem condição de compor essa chapa”, argumentou Erundina. “A sociedade entendeu meu gesto e aprovou.”

Barganha. Para Erundina, o tempo de TV que a adesão do PP adicionou à propaganda de Haddad – 1 minuto e 35 segundos, que devem fazer dele o aspirante à Prefeitura com mais tempo na televisão – não justifica a aliança.

Ela criticou ainda a “barganha” feita por Maluf na negociação do apoio. Lembrou que o Governo Federal nomeou um indicado do deputado a um cargo no Ministério das Cidades em troca da adesão. “Isso não é bom”, destacou.

Beba na fonte: O Estado de S. Paulo | politica – Erundina diz não acreditar que Maluf ficará em 2º plano na campanha.

A exceção Erundina

José Roberto de Toledo, no site do Estadão

A política brasileira, segundo Paulo Maluf (PP-SP): “Não há mais direita e esquerda, o que há são segundos de TV”. Há uma inegável verdade na frase do deputado predileto da Interpol. Mas ao não engolir a aliança do PT de Lula com o PP de Maluf e renunciar a ser vice de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina (PSB-SP) mostrou que nem sempre a Realpolitik conta mais do que aversões pessoais e escrúpulos morais.

Se não tivesse abandonado a chapa de Haddad, Erundina teria provado que Maluf está certo. Como esperneou e saiu, acabou lhe tirando a razão -ao menos no seu caso pessoal. A deputada é a menos governista dos parlamentares do PSB. Vota com o governo Dilma apenas quando concorda com as propostas. Vota contra quando discorda. É anocronicamente “ideológica” no exercício do mandato. Mas é também uma exceção. Vai ter fila para ocupar o lugar que ela deixou.

Se o adágio malufista vale para a imensa maioria dos políticos, e são os segundos de propaganda que contam, então vamos contá-los.

A tendência de polarização PSDB-PT ficou mais evidente na mais recente pesquisa Datafolha. Mas José Serra e Haddad estão em situações opostas. Os segundos de exposição na TV a partir de agosto têm utilidade e peso muito diferentes para cada um deles.

Praticamente todos os eleitores paulistanos conhecem Serra. Nos últimos dez anos, ele se elegeu prefeito e governador, além de ter ficado em segundo lugar em duas eleições presidenciais. Seu problema é ser conhecido demais: 32% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. O tucano precisa de propaganda para se manter na cabeça do eleitor, mas não pode abusar da superexposição na TV, ou pode se queimar.

O que importa mais para Serra é impedir que o desconhecido Haddad apareça tanto na propaganda televisiva que acabe se tornando tão conhecido quanto o tucano. Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff na campanha de 2010. Embora ela tivesse uma velocidade inicial maior do que Haddad, graças à propaganda desabrida de Lula em palanques oficiais desde 2009, foi a partir da propaganda de TV que Dilma deixou Serra para trás.

Por isso, os segundos malufistas são um problema para Serra não pelo tempo de vídeo que ele “perdeu”, mas pelas inserções que Haddad ganhou. Pouco importa se Serra cooptar o PTB e somar seus minutos. Não vai com isso compensar o que Maluf deu a Lula e seu pupilo. Do mesmo modo, o desgaste provocado pela foto de Maluf com Lula e Haddad é muito menor do que o potencial ganho que os segundos malufistas trarão para o petista.

Diante de tantos ganhos, nem Lula nem Haddad pensaram -nem uma, muito menos duas vezes. Quando a Realpolitik é tão avassaladora que abarca todo o espectro partidário -com raras Erundinas-, caciques como Maluf, Valdemar Costa Neto (PR), José Sarney (PMDB) e quetais só têm a ganhar -especialmente quando não são candidatos e podem negociar o tempo de TV de seus partidos com aliados de ocasião. Os preços são cada vez mais inflacionados.

Não há alternativa à vista, fora uma reforma política que jamais será feita enquanto os principais interessados forem os donos do processo decisório. Não reformarão nada relevante. Não importa quem esteja no governo, pois o sistema ajuda a manter no poder quem já chegou lá. Foi desenhado para isso. Restam medidas paliativas.

Uma delas seria mudar as regras de distribuição do tempo de propaganda eleitoral na TV. Se um partido não tiver candidato, ele não deveria ter direito a somar tempo para a coligação majoritária. Sem essa moeda de troca, as siglas que aderem ao princípio malufista perderiam valor de mercado.

A mudança de uma pequena regra não muda a essência do sistema, como o gesto de Erundina não transforma a Realpolitik. Mas, mesmo fugazmente, é divertido atrapalhar os poderosos.

‘Micos’ ofuscam as boas notícias recentes para o candidato petista

O pragmatismo político de Lula acabou impondo ao “homem novo para um tempo novo”, Fernando Haddad, um desgaste desnecessário numa semana que deveria ser coroada de boas notícias.

Alheio às negociações da própria campanha, justamente por ser neófito, Haddad pouco opinou sobre as tratativas que o levaram a aparecer visivelmente constrangido em fotos ao lado do nada novo Paulo Maluf (PP).

Também ficou vendido na reviravolta que, em cinco dias, lhe tirou a vice dos sonhos, Luiza Erundina. O comando da campanha chegou a tranquilizá-lo de que o mal-estar com a deputada seria contornado e ela ficaria.

Se tivesse mais voz ativa na própria campanha, Haddad teria preferido Erundina ao aperto de mão a Maluf. Mais: se fosse levado a sério, o próprio slogan criado por João Santana levaria o PT a repensar a foto desde já histórica.

Assim, os micos da semana acabaram sobrepujando as boas notícias para o petista: o fato de ter mais que dobrado sua intenção de votos na pesquisa Datafolha, chegando a 8%, e de ter conseguido o apoio de três partidos depois de meses de voo solo.

É verdade que o 1min30s de televisão do PP pode ajudar a tornar conhecido esse “homem novo”. Resta saber se o símbolo do aperto de mão a Maluf e o controle de Lula sobre sua criatura não vão criar um ruído entre a imagem de renovação e aquela que Haddad transmitirá ao eleitorado.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – ‘Micos’ ofuscam as boas notícias recentes para o candidato petista – 20/06/2012.

Erundina sai e agrava crise na campanha de Haddad

Um dia depois da feijoada que selou o apoio do deputado Paulo Maluf (PP-SP), o pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, perdeu a sua vice. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), 77, abandonou ontem a chapa em protesto contra a aliança com o ex-rival.

A decisão agrava a crise na campanha petista, que passou a enfrentar cobranças de sua própria militância e terá que correr em busca de um substituto para a ex-prefeita.

Em reunião com a cúpula do PSB em Brasília, Erundina disse que não aceitava a ligação com Maluf, a quem acusou de corrupto e aliado da ditadura militar.

Ela reclamou das fotos do ex-prefeito ao lado de Haddad e do ex-presidente Lula, que articulou o acordo para ampliar o tempo de TV de seu afilhado em 1min35s.

Lula e o presidente do PSB, Eduardo Campos, deram aval ao rompimento. Disseram a aliados que a permanência da vice causaria mais problemas a Haddad que sua saída.

“Se ela permanecesse, seria crise todo dia. Ela seria sempre questionada sobre a presença de Maluf. Seria um ponto permanente de instabilidade”, afirmou Campos.

A ex-prefeita disse ao portal G1 que deixa a chapa, mas vai “continuar apoiando a candidatura” de Haddad.

O petista acompanhou o encontro à distância e soube do desfecho por telefone. Ele lamentou a saída de Erundina, mas disse que ela já sabia da negociação com Maluf ao ser anunciada como sua candidata a vice, na sexta-feira.

“Estou muito confortável com o telefonema do Eduardo [Campos], embora lamente a decisão da companheira Erundina”, afirmou Haddad. “Eu não gostei. Gostaria que ela permanecesse.”

Ele disse não se arrepender da aliança com o ex-prefeito e repetiu o argumento de que o PP integra a base de apoio ao governo Dilma Rousseff.

“Como um partido que apoia o governo federal pode não servir para nos apoiar no plano municipal? Não faz o menor sentido do ponto da democracia moderna.”

Antes de se reunir com Erundina, Campos consultou Haddad sobre a hipótese de retirar a indicação da vice. O petista disse que desejava a permanência dela e pediu ao aliado que a convencesse de aceitar o acordo com o PP.

A ex-prefeita ficou irredutível e reconheceu que sua permanência causaria novos problemas à campanha.

Haddad disse não ter um “plano B” para substituir a socialista. Só descartou um vice do PP de Maluf. À noite, eram cotados o advogado Pedro Dallari e a deputada Keiko Ota, ambos do PSB. Corria por fora o ex-jogador Marcelinho Carioca, suplente de deputado pela sigla.

O PC do B, que indicou a deputada estadual Leci Brandão, será consultado.

O vereador Juscelino Gadelha (PSB) lamentou a saída de Erundina, mas disse que a posição dela foi minoritária no partido. “Vamos fazer campanha com o Maluf, sem problema nenhum.”

(BERNARDO MELLO FRANCO, DIÓGENES CAMPANHA, MÁRCIO FALCÃO E CATIA SEABRA)

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Erundina sai e agrava crise na campanha de Haddad – 20/06/2012.

Lula conseguiu: Erundina deixa Haddad sozinho na companhia de Paulo Maluf

Deu no que deu. Conforme o Blog antecipou mais cedo, Luiza Erundina formalizou a saída da chapa encabeçada por Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo.

O PSB ainda estuda o que fazer, mas deve abrir mão de indicar o vice.

Desta forma, a ação desastrada do ex-presidente Lula impingiu o segundo castigo seguido a seu afilhado político. Primeiro, afastou MArta Suplicy dos palanques de Haddad. Agora, enterrou a chance de ter a companhia de Luiza Erundina, que é muito bem avaliada na periferia de São Paulo.

Pelo menos por enquanto, a imagem que vai ficar é aquela do encontro no jardim da casa do pepista, onde foi formalizada a entrada de Maluf e aberta a porta para a saída de Erundina. Ou seja: Lula deixou Haddad sozinho, no colo de Maluf.

Será que o grande timoneiro do PT tem algo contra sua própria criatura ?

“Por amor a São Paulo”

Eliane Cantanhêde

Acabo de voltar de uma semana a Curaçao e leio, ouço, vejo as fotos de Maluf e Lula, com Fernando Haddad no meio, e me sinto como o personagem Sebá, o último exilado político, que ouvia pelo telefone as piores notícias sobre o Brasil e tascava para a mulher: “Tu não queres que eu volte!”.

O petista Haddad abraçado ao PSB, que, de socialista, cada dia tem menos, e, do outro lado, ao PP de Maluf, que foi o inimigo nº 1 da sociedade e tem uma folha corrida internacional. O tucano José Serra de braços dados com o PV, de discurso bonito e de prática nem tanto, e, do outro lado, com o PR de Alfredo Nascimento, que saiu escorraçado dos Transportes na tal “faxina ética”.

Onde o PSDB e o PT foram parar? Será que 1min35 a mais na TV e no rádio justifica que se engalfinhem por Maluf? Será que vale um cargo federal seja lá em que ministério for? Será que vale as décadas de lutas dos petistas e a história da cúpula tucana?

Lula passou por cima de Marta Suplicy e do PT para impor Haddad, tentou a jogada com Gilberto Kassab e levou uma rasteira fenomenal, entregou a cabeça de petistas pelo Brasil afora para atrair o PSB e, agora, vende a alma ao diabo por Maluf.

Bem, depois de anistiar Fernando Collor e convencer os antigos caras-pintadas de que as rixas eram só oportunismo político, Lula usa seu peso, sua história, seu carisma e o seu partido para reduzir tudo o que Maluf representa a algo banal, sem importância. O importante, ensina Lula do alto de seus 80% de popularidade, é vencer.

Coitado de Haddad, o novo que já entra velho. Sorte de Marta, que escapou dessa. E juízo de Erundina, para quem, segundo a “Veja”, “não é preciso ser vice para fazer política”.

Mas a melhor frase é a do próprio Maluf, que exigiu que Lula e Haddad fossem à casa dele e disse que selava a aliança “por amor a São Paulo”. O único ganhador de toda essa história é ele. Quem ri por último ri melhor.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – “Por amor a São Paulo” – 19/06/2012.

A foto que pode custar a derrota de Haddad

A foto acima bem poderia servir como o epitáfio da política brasileira. Nem tanto por Haddad, um jovem cheio de qualidades e ainda idealista que apenas agora se apresenta ao eleitorado. Na cena, ele ocupa uma posição secundária. Análoga, aliás, à sua condição na campanha que se inicia. Os dois protagonistas são mesmo Lula e Maluf.

“Donde qualquer coisa se espera, daí é que sai tudo mesmo!”, teria dito o Barão de Itararé. A despeito da incredulidade dos que, até a semana passada, juravam que Lula e Maluf eram como água e óleo.

Pois Lula conseguiu o prodígio de unir-se ao seu anverso, tangido pela conveniência de consolidar a candidatura da qual é padrinho, artífice e tutor. Era só o que faltava.

Ontem, no Band Eleições, Haddad estava com o semblante carregado, não sorria como sorri sempre. E tinha motivos para estar alegre: finalmente sua curva de popularidade fletiu,  saiu do traço para iniciar uma previsível ascensão, catapultando sua candidatura para um lugar onde se espera que ela esteja. Mas não: havia mais motivos para preocupação do que para qualquer tipo de comemoração.

No estúdio ele nos contou que o mote da campanha vai ser construído em cima da palavra “novo”, um bordão que se encaixa bem com sua figura. Mas o que dizer do “novo”que é avalizado por Paulo Maluf ? Que novidade é essa ?

A novidade, ontem, era a sapituca de Luiza Erundina, que de “novo” também não tem nada — além do fato de ter aceitado reconciliar-se com o partido que a expulsou quando ela decidiu apoiar Itamar Franco. Depois de declarar ao jornal O Globo que não aceitaria ser vice de uma chapa apoiada por Maluf, Erundina desligou o telefone e desapareceu. Até o fim da gravação do programa da Band, Haddad ainda não havia conseguido falar com sua vice.

“Não se pode fulanizar essa questão”, disse o candidato do PT durante a entrevista. Para ser lembrado em seguida por Fernando Mitre de que quem fulanizou o problema foi Luiza Erundina. Para o candidato do PT à prefeitura paulistana, a companhia indigesta de Maluf se justifica pela necessidade de ampliar o arco de alianças que irá sustentar a candidatura do PT. Mas ele repetia isso como quem pede desculpa, não com a ênfase de quem ganhou um aliado importante.

Esta é a primeira eleição que o ex-ministro da Educação disputa. Inexperiente, tem sido guindado a uma série intermivável de erros por seu padrinho. É de Lula, e não de Haddad, que a militância crédula precisa cobrar coerência. É a Lula que devem ser debitados todos os problemas da estratégia petista, uma vez que ele se arroga maior que o  o partido e decidiu tomar as rédeas do processo.

Pode-se afirmar sem medo de errar que a própria candidatura Haddad é produto da onipotência de Lula. O candidato natural, Marta Suplicy, ficou na estrada quando ele interveio na disputa interna e sacou da cartola o ex-ministro, repetindo a estratégia que adotara para inventar Dilma Rousseff.  Ao criar a “novidade”, o ex-presidente enfiou a ex-prefeita no saco das velharias das quais convém dispor em nome de uma suspeita renovação.

O que aconteceu a partir de então ? Marta Suplicy não aceitou o desaforo. Desapareceu dos compromissos públicos de uma campanha que deveria ser sua. Humilhada, não permitiu até hoje um registro como a foto estampada no alto deste post.

Lula não esteve no ato em que foi selada a aliança com o PSB, mas fez questão de ir à casa de Maluf para marcar a entrada do PP na Arca de Noé petista. A ausência, confrontada com o entusiasmo evidente ao final da conversa com o ex-prefeito e ex-governador paulista, ajuda a criar um conjunto de símbolos muito representativo da decadência do PT como partido ideológico.

Se já não há mais um ideal a defender, restou aos petistas como alento um projeto de poder. Isso fica evidente nos últimos movimentos de seu líder máximo. Para defendê-lo, Lula tem feito ginásticas inimagináveis para um político experiente.  A julgar pelas críticas que vem recebendo da própria militância, pode-se bem traduzir esses malabarismos por bobagens inexplicáveis.

As manobras de Lula têm funcionado como um forte elemento de dispersão dentro e fora de seu partido. São desagregadoras, uma vez que tiveram o condão de afastar uma militante da importância de Marta Suplicy e uma aliada de última hora do quilate de Luiza Erundina. Ou seja: provocaram perdas muito maiores do que o ganhou residual, que se reduz a um tempo maior de exposição de seu candidato no horário eleitoral.

Se vai dar certo ou não, o tempo e os eleitores dirão. A julgar pelos humores do próprio Haddad e de seus assessores na noite de ontem, tudo indica que o prejuízo é enorme. E significativo a ponto de impedir que a primeira boa notícia da temporada — a saída do fosso das pesquisas eleitorais — fosse abafada pela repercussão negativa do encontro Lula-Maluf.Por enquanto, a cada movimento estabanado do ex-presidente cria-se uma frustração entre próprios petistas. Só quem teve algo a comemorar até agora foram seus adversários.

Pelo que se viu até aqui, teria sido melhor se Lula se conformasse com seu papel de ex-presidente. Pelo menos estaria a salvo da chacota e das críticas suscitadas pela evidente falta de racionalidade e limites. E da responsabilidade de ter que explicar, no futuro, por que decidiu tão enfaticamente sepultar as chances de vitória do candidato que ele mesmo inventou.

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