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Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Justiça obriga Paulo Henrique Amorim a se retratar novamente perante Heraldo Pereira

O blogueiro Paulo Henrique Amorim vai ter que se retratar novamente em face do jornalista Heraldo Pereira. A decisão acaba de ser tomada pelo juiz Alex Costa de Oliveira, do Distrito Federal, que acolheu os argumentos do repórter e apresentador da Rede Globo de que o acordo celebrado entre ambos em 15 de fevereiro passado não foi cumprido.

O processo se arrastava desde 2009, quando Paulo Henrique Amorim passou a atacar Heraldo Pereira como uma série de injúrias raciais — na mais grave delas, afirmou que o colega não tinha méritos para estar na bancada do Jornal Nacional além de ser negro e filho de família pobre. PHA, desde então, insiste em alcunhar o colega de ‘negro de alma branca’, expressão catalogada como racista pelo Manual do Politicamente Correto e reconhecida como injuriosa até pela justiça criminal.

No acordo proposto por PHA e aceito por Heraldo, o dublê de porta-voz da ala mensaleira do PT e da Igreja Uniuversal se comprometeu a publicar em sua própria página eletrônica , na Folha de São Paulo e no Correio Braziliense um texto pedindo desculpas a Heraldo. O texto chegou a ser publicado, mas o blogueiro introduziu uma série de comentários que zombavam dos termos do acordo e adulteravam o propósito da retratação. Entre esse comentários, PHA escreveu que retratação não é reconhcimento de culpa, e ameaçou processar todos os jornalistas que afirmassem que ele se utilizou do jargão racial para atingir HP.

De acordo com o juiz Alex Costa de Oliveira, a publicação da retratação pela Folha aconteceu somente depois de vencido o prazo estabelecido na sentença que homologou o acordo.

Quanto ao texto publicado no Correio Braziliense, na qual PHA tentou atribuir a Heraldo algo que ele mesmo declarou, o juiz entendeu que “a publicação  não atendeu aos termos do acordo, visto que acrescentou novas informações, com juízo de valor e nova tentativa de defesa, ao incluir a expressão “Logo, Heraldo Pereira de Carvalho concorda: a expressão “negro de alma branca” não foi usada com sentido de ofender, nem teve conotação racista”.

Também não foi cumprido o pagamento de R$ 30 mil de indenização, destinados por Heraldo Pereira ao Mosteiro de São Bentos de Brasília. PHA depositou apenas as duas primeiras parcelas e suspendeu os pagamentos. “Como se nota, eram seis parcelas de R$ 5.000,00 e o réu depositou apenas duas, nos dias 13.03.2012 e 13.04.2012. Houve o descumprimento [também] dessa cláusula” asseverou o magistrado.

Agora, PHA terá 20 dias para republicar o mesmo texto, sem comentário, em seu blog e nos dois jornais. Se não o fizer, estará sujeito à aplicação de uma multa de R$ 10 mil por dia.

Paulo Roque Khouri,  advogado que representa HP no processo, comemrou a decisão. Segundo ele, “O problema do Sr. Amorim era com a Justiça brasileira e foi ela própria quem deu resposta de modo firme: decisão judicial é para ser cumprida e ponto final. Como não cumpriu o acordo agora vai sentir no bolso o deboche à Justiça Brasileira.”

PHA X Heraldo: juíz do DF absolve blogueiro a despeito de considerar injuriosa expressão “negro de alma branca”

O blogueiro Paulo Henrique Amorim foi absolvido no processo movido pelo MP do DF da acusação de racismo pelas injúrias que dirigiu ao jornalista Heraldo Pereira, da Rede Globo.

Argumentando que a representação contra PHA foi protocolada com 12 dias de atraso em relação ao prazo legal máximo de seis meses após a ofensa, o juíz Valter Araújo, da Quinta Vara Criminal de Brasília, decretou extinta a punibilidade do réu.

O magistrado, que se declarou avesso aos ditames do politicamente correto, reconheceu que constitui injúria qualificada a utilização da expressão ‘negro de alma branca’, com a qual PHA se referiu a Heraldo Pereira em seu blog. “Entendo que a expressão negro de alma branca constitui injúria, pois ofende a dignidade da vítima. E, por empregar elemento referente à cor, a conduta amolda-se ao tipo penal previsto no Art. 140, §3°, do CP”, sentenciou o juiz, que ao final inocentou o blogueiro pela perda do prazo legal para o protocolo da representação.

O Ministério Público vai recorrer da decisão.

Em São Paulo, PHA foi condenado em primeira instância por injúria racial em processo aberto na esfera cível por Paulo Preto, a quem o apresentador da TV do bispo Edir Macedo chamou de Paulo Afro-Descendente.

PHA insiste em tachar Heraldo Pereira de “negro de alma branca”

A despeito de ter sido condenado por injúria racial por Paulo Preto e de ter sido forçado a se retratar e pagar uma indenização de R$ 30 mil para encerrar uma  ação civil aberta pelo jornalista Heraldo Pereira, o apresentador da TV do bispo Edir Macedo Paulo Henrique Amorim voltou a ofender o colega da Rede Globo.

Em manchete estampada na capa do blog, PHA provoca: “Heraldo, Maurício Black não é um negro de alma branca” (veja reprodução acima). É a chamada para uma entrevista publicada na edição deste mês da Revista Raça na qual ele tenta explicar aquilo que Heraldo classifica como “racismo secundário”– manifestações de preconceito explícitas ou implícitas feitas de maneira reiterada.

Paulo Henrique Amorim ainda responde a processo-crime aberto pelo MP do Distrito Federal por racismo e injúria racial. Heraldo figura no processo como vítima. O caso deve ser julgado este semestre. Se for condenado, o jornalista perde a primariedade e pode ir parar na cadeia pelas ofensas que tem proferido em seu blog.

Delirium PTremens

Heraldo Pereira afirmou ontem no Jornal da Globo que Gurgel é um sujeito honesto. Afirmou que expunha sua convicção sem medo de “queimar a língua”.

Do outro lado, o chefe da claque da BESTA, agora sob o patrocíno da ANP, CEF e Banco do Brasil, sempre atento ao JG, escoiceou na internet: “por uma questão de coerência, o notável repórter deveria avisar ao espectador que move uma ação contra este ansioso blogueiro que foi abraçada pelo Ministério Público de Brasília”.

Paulo Henrique Amorim, que já perdeu na justiça civil para Heraldo, a quem teve que indenizar por injúria racial, responde a um processo criminal pelo mesmo motivo. É acusado pelo Ministério Público de crime de racismo e injúria racial. Corre o risco de perder a primariedade e ir para o xilindró. Também foi condenado em primeira instância pela Justiça paulista por ter chamado Paulo Preto de Paulo Afrodescendente. É reincidente, portanto. E contumaz. Mas diz que não é racista. Tempos atrás, quis ensinar negros a serem negros. O Blog o apelidou de Malcolm-XYZ.

Agora, PHA estabelece uma conexão entre a suposta ação de Gurgel para abafar o Cachoeirão e uma paranóica conspiração do Ministério Público de Brasília, por trás da qual estaria o repórter da Globo.

Note bem: Gurgel é Procurador-Geral da República. Quem o processa é o MP do DF.  Qualquer cidadão minimamente estudado sabe que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. As duas instituições não têm nenhum vínculo de subordinação. Em termos funcionais, estão mais distantes do que a Terra e a Quasar ULAS J1120+0641.

Mas desta forma, PHA já tem pronto o discurso para apresentar à BESTA depois de sua condenação iminente: não foi racismo, não houve injúrias, Heraldo é mesmo negro de alma branca, alguém cujo mérito profissional decorre apenas  da cor de sua pele e do fato de ser filho de uma família muito pobre. Foi tudo uma armação do MP agindo através de Heraldo para vingar Gurgel.

Assim, o chefe da BESTA vai dando um jeitinho de se colocar como uma das pobres vítimas do PIG que, além de tentar permanentemente golpear o PT, ainda se vale de promotores e procuradores inescrupulosos e aparelhados para se vingar  dos que criticam o PGR.  Ou seja: O MP, todo ele, todinho mesmo, agora também é parte do PIG!

Por que você não avisou que processa o ansioso blogueiro, Heraldo?

Mariângela Hamu, sobre Heraldo Pereira X Paulo Henrique Amorim: “Foi racismo e ponto!”

Heraldo Pereira foi sereno e preciso. A frase de Ana Maria Gonçalves, citada por ele, diz tudo: ““Paulo Henrique Amorim usou a cor de Heraldo Pereira para atacá-lo. É racismo e ponto. Tá na lei. Quem não concorda deve brigar para mudar a lei, e não para que Paulo Henrique Amorim esteja acima dela.” Parabéns, Heraldo.

Heraldo Pereira fala pela primeira vez desde que foi alvo de injúrias racistas de Paulo Henrique Amorim

“O que eu buscava com uma condenação, consegui. Ele teve que se retratar. É uma sentença definitiva”. A frase resume o que o jornalista Heraldo Pereira sente em relação às ofensas racistas proferidas por seu detrator, Paulo Henrique Amorim, dono do blog Conversa Afiada.

O apresentador do programa dominical da TV do bispo Edir Macedo afirmou que Heraldo não tem méritos para estar na bancada do Jornal Nacional além de sua origem humilde e do fato de ser negro.  E chamou o colega da Globo de “negro de alma branca”, expressão que o Dicionário do Politicamente Correto editado pela Presidência da República sob Lula define como ” um dos slogans mais terríveis da ideologia do branqueamento no País, que atribui valor máximo à raça branca, e mínimo aos negros“.

Depois de três anos em silêncio, pela primeira vez Heraldo fala publicamente sobre o processo que forçou Paulo Henrique Amorim a se retratar e o obrigou a pagar uma indenização de R$ 30 mil, doada ao Mosteiro de São Bento de Brasília. Na entrevista,  concedida à Revista Raça Brasil,  o jornalista reafirma uma posição que sempre defendeu de maneira enfática: o apoio à política de cotas.  Reproduzo, abaixo, um trecho da entrevista, que pode ser lida integralmente no site da publicação (basta clicar aqui para ir até lá).

Como recebeu a notícia sobre a condenação do jornalista Paulo Henrique Amorim, que teve que se retratar e pagar uma indenização de R$ 30 mil. O que esse episódio representou para você?

Para ser exato, antes que o juiz civil julgasse a ação indenizatória, por danos moral e à imagem, o réu aceitou tudo aquilo que eu exigia como forma de reparação pela grande injúria que sofri: pagamento de R$ 30 mil reais para uma instituição de caridade, retratação cabal feita no próprio blog dele, que vai permanecer em arquivo por mais de dois anos, e a publicação da mesma retratação, cujos termos falam por si só, nos jornais Folha de S. Paulo e Correio Braziliense. Tudo pago por ele.

Você ficou satisfeito com a condenação?

O que eu buscava com uma condenação, consegui. Ele teve que se retratar. É uma sentença definitiva. Claro, houve sobressaltos. Apesar de assinar o acordo em que nega tudo o que afirmara por longos três anos, meu ofensor fez outros comentários junto à retratação no blog em vez de publicá-la pura e simplesmente como mandou a decisão judicial. Meu advogado, Dr. Paulo Roque Khouri, imediatamente, deu ciência ao juiz Daniel Felipe Machado, da 5ª Vara Civil do TJDFT, que mandou retirar os comentários. NoCorreio Braziliense, isso não aconteceu. E, na Folha de S. Paulo, a retratação só foi publicada com atraso e na edição paulista. Tudo isso ainda voltou para que o juiz examinasse se o acordo foi honrado. De todo modo, creio que a Justiça que eu esperava na área cível foi feita em boa parte. E, agora, aguardo a definição do processo criminal, movido pelo Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Tenho para mim que na esfera criminal a ofensa será dupla e qualificadamente punida por crimes de racismo e injúria racial.

O que o racismo do Paulo Henrique Amorim representou para você?

No mundo de hoje, ninguém pode ser ofendido, como fui, pelo fato de ser negro. O agressor não faz uma análise profissional, política ou comportamental da minha pessoa. Ele faz uma leitura intolerante a partir da racialidade. Destaca sempre como fato a ser distinguido a cor da minha pele e desmerece a minha pessoa num gesto de crueldade. Nós negros sabemos bem qual foi a intenção do réu ao dizer que eu, com mais de 30 anos de carreira jornalística e um título de mestre em direito constitucional, não tenho “nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde”. São expressões racistas que foram seguidas de um jargão máximo da intolerância: “é um negro de alma branca”. É algo abjeto, que não posso admitir, sobretudo, partindo de quem deve fazer da comunicação um ofício ético e democrático e não uma ferramenta da intolerância. Fora as outras agressões raciais que ele fez diretamente e admitiu em forma de comentários em seu blog no papel de moderador. Sou negro, sempre me empenhei em todas as lutas contra os preconceitos e as intolerâncias desde garoto. Sou de uma família de operárias, empregadas domésticas, pessoas residentes em conjunto habitacional de Cohab e que sempre sofreram o racismo na carne. Não vou permitir que um indivíduo que faz propaganda do que é ser negro em suas rodinhas de convertidos tardios ao esquerdismo, todos criados em berço de ouro, venha me dizer o que é ser negro. Nas minhas veias corre, com muito orgulho, sangue de quem foi escravo e ajudou a fazer deste o nosso país. Exigimos respeito com a história de quem construiu o Brasil. Por isso, não poderia deixar essa campanha imunda, com contornos de inveja, passar como se nada tivesse acontecido. Não honraria o meu passado e nem a luta de negros e brancos que combatem o racismo. O meu agressor chegou a dizer, em sua defesa judicial, que se considera um expoente da luta pela igualdade racial, num gesto de arrogância desmedida. E recebeu uma firme reprimenda do juiz criminal do TJDFT, Márcio Evangelista Ferreira da Silva, para quem, só adere à Lula pela igualdade racial, os que veem diferença entre raças, fato já rechaçado pela genética. Numa das peças de sua defesa, o réu chegou a dizer que ao usar a expressão “negro de alma branca”, o fez para me elogiar. Pode isso? Só eu e a minha família sabemos a dor que sofri ao ler todo aquele lixo em formato de texto. É algo indescritível e que, no fundo, jamais será reparado, eu bem sei. O próprio juiz Daniel Felipe no julgamento da ação civil disse isso. Entretanto, eu sempre acreditei na Justiça e continuo acreditando.

Foi difícil seu começo no jornalismo. Houve muito preconceito. Como você lidava com isso?

Sempre é difícil começar na carreira. A jovialidade, a insegurança, o frio na barriga. Quem nunca passou por isso? Na TV, comecei cedo, em 1980, aos 18 nos. Entrei na EPTV Ribeirão e não me lembro de ter enfrentado qualquer tipo de discriminação pelo fato de ser negro. Na Globo sempre fui visto como uma promessa profissional. Aprendi lá dentro que a competência e o esforço falam mais alto. E assim deve ser. Devo muito a profissionais do jornalismo que estão hoje na Globo e a tantos outros que passaram por nossas redações, O único caso de ressentimento, intolerância e pequenez que vivi na profissão foi este em evidência. Esse indivíduo parece fazer parte do grupo que quer perpetuar a perseguição aos negros deste país. Fomos tratados como objeto por séculos e marginalizados após a escravidão. O padrão social em nosso país esteve sempre de costas para a África. Daí a intolerância para com a nossa cor de pele, nossa feição e nosso cabelo. Só servíamos para o que eu passei a rotular de práticas músico-esportivo-servis. Portanto, ser jornalista, para esse grupo, é uma agressão, afinal, estou fora do “cercado estabelecido por eles”. Nesta dimensão, a intolerância prospera e o preconceito é inevitável. Para superar a toda esta dura e revoltante realidade, procurei me agarrar a duas alternativas: trabalhar mais e estudar mais. O estudo me persegue até hoje, prova é a minha participação atual em grupos de estudo no Departamento de Direito da Universidade Brasília. Na minha redação da Globo Brasília tento manter o empenho de quando comecei na profissão. No ano passado, tive o privilégio de ser escalado para cobrir a Copa do Mundo da África do Sul. Pude voltar àquele país que aprendi a amar e que me marcou profundamente pelo que era e pelo que se propõe a ser. Quando estive na África do Sul pela primeira vez, em 1991, o regime segregacionista do apartheid estava no fim, Nelson Mandela havia acabado de ser libertado. E eu, com colegas brancos na equipe de TV, andava em lugares que eles não poderiam entrar e vice-versa. Conhecemos a face mais brutal da agressão aos direitos humanos. Foi terrível. Décadas mais tarde, na Copa do Mundo, volto e encontro pessoas dispostas a superar o passado racista, numa aposta inclusive que é exemplo para o mundo. Fico muito tocado por esta possibilidade e tentado a pensar que temos, no Brasil, possibilidades ainda maiores de superar as intolerâncias e os preconceitos contra os descendentes de escravos. Afinal, temos uma só amálgama, não é mesmo? Quem, em sã consciência, é capaz de negar, como valores máximos de nossa cultura, o samba que nos deu a ginga, o gosto da nossa feijoada e a proteção de Nossa Senhora Aparecida?

O que você acha das cotas e dos movimentos negros?

Sou francamente favorável às cotas, porém, respeito os que pensam em outro sentido. O aumento da participação do negro na esfera pública é um desafio que está colocado àqueles que pensam num projeto de nação para o Brasil. Sempre defendi este ponto de vista. Não sou propagandista de ocasião. Quem me convenceu sobre a necessidade de uma ferramenta para aumentar a representação de negros nos postos-chave da nossa sociedade foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No intervalo de uma das viagens com o ex-presidente, quando eu cobria a rotina presidencial, falamos sobre o tema. Ele, em tom professoral, discorreu longamente sobre as políticas de inclusão que deveriam ter sido implementadas desde o Primeiro Império. Agora o Brasil mostrou amadurecimento para tal ação e fez das cotas uma realidade, com aprovação da sociedade. Precisamos, daqui para a frente, implementar práticas daí decorrentes. Penso sempre que é positiva uma medida que pode levar mais educação aos negros, e educação é tudo. É preciso, entretanto, fazer uma separação entre a defesa de cotas, que é ampla hoje em dia, e a necessidade de se incentivar todo movimento que tenha por objetivo acabar com o racismo.
Também neste aspecto devemos estar unidos, todos nós, cidadãos brancos e negros. Sou contra radicalismos, coisa que, sejamos justos, não vejo em certas organizações que se travestem de movimentos negros no rótulo e que não poderiam agir livremente para propagar ainda mais formas de intolerância revestidas em ódio. O nosso desafio é instituir os direitos humanos como pano de fundo para a construção de uma cidadania adulta que, ao refutar todas as formas de racismo e de intolerância, possam admitir práticas de inclusão participativas cada vez mais significativas numa esfera pública com a qual todos nós sonhamos. Gostaria, para encerrar este episódio de discriminação que me envolveu, de lembrar figuras de expressão da intelectualidade brasileira como Sueli Carneiro. Ela diz que “um negro pode ser corrupto, se posicionar contra os interesses de sua gente. O que podemos fazer, diante disso, é lamentar e combatê-lo politicamente, jamais atribuir essa característica à sua condição racial. Aí mora o racismo, ao tentar encontrar a razão da “falha” na negritude da pessoa ou na suposta ausência dessa negritude em uma regra como propõe a frase, “negro de alma branca.” Ana Maria Gonçalves quando se referiu a este episódio sintetizou: “Paulo Henrique Amorim usou a cor de Heraldo Pereira para atacá-lo. É racismo e ponto. Tá na lei. Quem não concorda deve brigar para mudar a lei, e não para que Paulo Henrique Amorim esteja acima dela. Que o defendam porque o acham bom amigo, bom jornalista, bom ser humano; mas que entendam que pessoas assim também podem ter atitudes racistas.” Estou com as duas!

Leia a íntegra da entrevista no site da Revista Raça Brasil

Mônica Waldvogel refresca a memória seletiva da BESTA sobre a greve de 89

Queridos Fábio e Natalzinho,

Como esquecer daquela greve? A pressão foi tremenda, um diz-que-disse sem fim, uma tremenda desorganização. Lembro de passar uma noite toda chorando tamanha era a confusão. Mas é fato que a redação parou, que gente muito notória furou a greve e que alguns, com cargo de chefia, foram demitidos, como no caso do Natalzinho. Quando a greve acabou, Heraldo, eu e outros repórteres fomos de “castigo” para o Bom Dia Brasil. Depois de uma semana só de notas cobertas no Jornal Nacional – faltavam repórteres! – fomos chamados de volta. Eram outros tempos, brilhantes à sua maneira. Beijos para os dois e muita saudade de vocês.

A verdade sobre Heraldo e a greve de 89 — contada por um jornalista sério, não por um pelego da BESTA

Caro Fábio,

Ontem, no seu Blog, me deparei com sua justa indignação por causa do artigo intitulado “Heraldo Pereira e a negritude”, de um jornalista chamado Fernando Paulino, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Entendo a sua perplexidade diante de tamanha idiotice. Mas o senhor Fernando Paulino está cumprindo o papel a ele determinado.  Isso não deveria assombrar ninguém. O que assombra é ele ser jornalista e ainda ocupar o importantíssimo cargo de secretário-geral. O Sindicato dos jornalistas do Rio de Janeiro, para preservar o seu passado, deveria expulsar sumariamente o autor do artigo dos seus quadros, abrir um processo na comissão de ética por falsidade ideológica e por práticas danosas a toda uma categoria profissional. Explico melhor: não pode ser jornalista quem não sabe apurar. É um principio básico e obrigatório para qualquer repórter. Como poderia ter contato com o assunto pautado – no caso aqui, o Heraldo é a pauta- se havia uma distância de mil e duzentos quilômetros.  O suposto jornalista afirma que no final dos anos oitenta estava participando de uma greve no Rio de Janeiro e “ficou a meia distância do Heraldo, que furou a greve”. Ora, Heraldo estava em Brasília, onde acabara de conquistar um emprego como repórter na emissora da capital.

Fernando Paulino seria demitido imediatamente por qualquer chefe de redação por causa desse artigo. Não pelo que opinou, mas pelo que apurou. Deve ter frustrado quem fez a encomenda. Heraldo Pereira participou da greve em Brasília, mesmo sob o risco de perder o emprego recém-adquirido. Teve dignidade e só voltou à redação da Globo Brasília para trabalhar quando os jornalistas, em sua maioria, assim decidiram. Como não sabe apurar, Fernando Paulino comete o segundo crime de lesa profissão: mentiu. Qualquer manual de redação ensina que o jornalista deve buscar sempre a verdade para bem informar. Não ficaria uma semana em qualquer redação séria. E não pode ser dirigente sindical, principalmente secretário-geral. Mentiu mais uma vez quando afirmou que viu a Glória Maria pedir voto para o Siqueira Campos em Cuiabá. Ele afirmou, vale repetir ter visto uma inserção na TV onde a jornalista, no Mato Grosso, pede voto para o político do Tocantins. Mentira é assim, quando utilizada como praxe faz brotar todo o tipo de ignorância, neste caso a ignorância política e geográfica.

Fernando Paulino foi pautado para injuriar o Heraldo Pereira, mas deveria correr agora o risco de ser banido da profissão. Basta que o Sindicato cumpra o seu papel de defender a profissão. Os jornalistas não podem ser representados por quem não sabe exercer a função nem quem atropela a verdade, principio basilar da imprensa. No mais, como já disse Nelson Rodrigues “os idiotas perderam a modéstia”.

Apenas mais uma informação. Sou testemunha da participação do Heraldo na greve de 1989. E não foi a meia distância. Eu era o chefe da produção de jornalismo da TV-Globo Brasília. Participei da greve e fui demitido sumariamente, apesar de ter mais de seis anos de casa.

Luis Jorge Natal, o Natalzinho.

Mais uma mentira da BESTA: Heraldo Pereira furou greve onde não trabalhava

É inacreditável o esforço da BESTA (Blogosfera Estatal) para injuriar o jornalista Heraldo Pereira, alvo preferencial dos ataques da claque governista desde que forçou Paulo Henrique Amorim a se retratar e a pagar R$ 30 mil de indenização por tê-lo chamado de “negro de alma branca”. Agora, aos blogueiros pagos da BESTA, soma-se também uma parte da pelegada sindicalista.

Encontrei por acaso na internet um artigo intitulado ”Heraldo Pereira e a negritude” no qual um autoproclamado “negro, jornalista e militante social” Fernando Paulino recorre a “lembranças” de uma greve dos anos 80 para afirmar que “foi meu primeiro contato, à meia distância, com Heraldo Pereira, que furou a greve”.

É mentira! Heraldo Pereira não trabalhou no Rio de Janeiro nos anos 80. Trabalhou em Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo e, a partir de 1989, em Brasília, onde está até hoje. O episódio ao qual o “militante social” se refere jamais aconteceu.

O “negro” Fernando Paulino, que é secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, também ataca a jornalista Glória Maria em seu esforço para diminuir a importância e a honorabilidade de ambos. E com argumentos igualmente falsos. Por exemplo, uma suposta campanha em Mato Grosso na qual Glória Maria teria trabalho para Siqueira Campos. Em um surto de memória seletiva, afirma que  ”cheguei a ver a propaganda eleitoral de Siqueira Campos, na TV local: “Gente, sou eu mesma, Glória Maria, do Fantástico! Meu título eleitoral é do Rio, mas se eu pudesse votar aqui, meu voto seria do Siqueira Campos”.

Ou não era a Glória Maria, ou não era o Mato Grosso, ou não era o Siqueira Campos o candidato. Provavelmente, não era nada disso. Pelo simples fato de que Siqueira Campos é do Tocantins, como “até o mundo mineral sabe”, e não de Mato Grosso. E Glória Maria nunca trabalhou para nenhuma campanha do Siqueira Campos.

O objetivo do artigo é claro. Basta observar o título: “Heraldo Pereira e a negritude”. Para que fique claro, é mais uma tentativa de justificar o emblema racista “negro de alma branca” com o qual Heraldo foi qualificado por Paulo Henrique Amorim. Soa estranho na pena de alguém que se diz “negro” e “militante social”– ainda mais quando afirmado por alguém que se diz jornalista e ocupa uma posição importante na diretoria de um sindicato da categoria.

O infamante termina seu artigo com uma conclusão sofismática: “Como se vê, ser negro não é necessariamente ser um militante social”. E açula a categoria contra os dois colegas da Globo: “Seria importante a Cojira do Rio – Comissão de Jornalistas por Igualdade Racial – vir a público e informar: Heraldo Pereira e Glória Maria, por exemplo, são – ou foram – engajados em lutas pela democratização da mídia ou de combate ao racismo? Desconheço”.

Desconhece porque é mentiroso e mal-intencionado ao mover sua caça-às-bruxas racial. Como se vê, não é só isso que o sindicalista desconhece em seu afã de atacar os negros para proteger quem os injuria. Desconhece os postulados da ética jornalística ao difundir uma inverdade absoluta; noções básica de geografia ao confundir o Tocantis com o Mato Grosso; e o básico da política brasileira, quando afirma que Siqueira Campos é de Mato Grosso. É lícito supor, por tudo isso, que desconheça tudo sobre tudo, inclusive o que vem a ser a tal “negritude” militante, conceito que pretende ensinar ao repórter da Globo.

O Sindicato dos Jornalista do Rio deve desculpas a Heraldo Pereira e Glória Maria. Deveria censurar publicamente a patranha de seu secretário-geral. A chance de que isso venha a acontecer ?

Quem viver, verá.

Mosteiro São Bento em festa. Paulo Henrique Amorim pagou a primeira parcela devida por injuriar Heraldo Pereira

O Mosteiro  São Bento, em Brasília, está em festa.  Paulo Henrique Amorim, empregado da TV do bispo Edir Macedo e editor do blog Conversa Afiada, pagou a primeira das seis parcelas da indenização devida ao colega da Globo por tê-lo injuriado com ofensas racistas. PHA chamou Heraldo de “negro de alma branca” e disse que ele não tinha  méritos para estar no Jornal Nacional além de negro e de família humilde.

Para encerrar o processo e evitar a condenação iminente, PHA propôs um acordo de conciliação que também previa a publicação de retratações no Conversa Afiada e nos jornais Folha de São Paulo e Correio Braziliense. Como o jornalista contrabandeou comentários em sua página eletrônica e apresentou a retração como “conciliação”, advogados de Heraldo pediram a execução da sentença e a republicação em dobro. Na Folha, o texto saiu como deveria porque o jornal não aceitou os enxertos na retratação. Ainda assim, foi publicado com um dia de atraso.

A indenização acertada para encerrar a lide foi de R$ 30 mil. Heraldo destinou o dinheiro ao Mosteiro São Bento de Brasília. No total, serão seis parcelas mensais de R$ 5 mil cada. Embora Paulo Henrique Amorim se preste ao serviço de porta-voz da Igreja Universal na TV Record, a indenização será aplicada em obras assistenciais da Igreja Católica.

A vitória sobre PHA e a confirmação do pagamento da indenização foram comemorados por Heraldo e seus advogados com um almoço no restaurante Piantella, em Brasília.

PHA também recebeu dinheiro do governo do RS

O montante devido pelo apresentador do Domingo Espetacular é pouco superior ao valor recebido por PHA do Governo do Rio Grande do Sul. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social do Palácio Piratini, o Conversa Afiada recebeu R$ 27 mil para veicular, durante 20 dias, a campanha de lançamento do Gabinente Digital do governo gaúcho.

A execução da campanha custou R$ R$ 91.757,58, segundo correspondência enviada pela secretária Vera Spolidoro ao Blog do Pannunzio. O valor destinado ao Conversa Afiada equivaleu a 30% do total. Outros dezesseis blogues que se identificam como “progressistas” foram contratados. Todos os demais receberam um quinhão menor.

O lucro do governismo de Paulo Henrique Amorim: R$ 833 mil (só da Caixa)

O chefe da claque governista na internet, o blogueiro autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim, recebeu da Caixa Econômica Federal R$  833,28 mil reais em patrocínios para sua página eletrônica. O valor foi informado ao Blog do Pannunzio pela Assessoria de Imprensa da CEF e se refere a 20 meses de veiculação de banners em 2011 e 2012.

O valor mensal dos patrocínios arrecadados é equivalente ao que o Conversa Afiada recebeu dos Correios — R$ 40 mil mensais pela veiculação de uma campanha do Sedex entre outubro de 2011 e fevereiro deste ano. O contrato com os Correios foi suspenso, segundo a estatal em função do fim da campanha.

Outras empresas e autarquias também cedem patrocínio ao blog de Paulo Henrique Amorim. Consultado pelo Blog do Pannunzio, o Banco do Brasil prometeu, por intermédio de sua assessoria de imprensa, respoder ainda nesta segunda-feira o valor empenhado pela instituição na página eletrônica. Até o momento da publicação deste post, no entanto, ainda não havia resposta.

Somente com os valores pagos pela CEF e Correios, seria possível ao governo retirar da miséria 8300 famílias, com o pagamento do benefício médio de R$ 115,00 do Bolsa Família.

O editor do Conversa Afiada foi processado  várias vezes por injúria, inclusive racial. PHA foi condenado pela justiça paulista por ter chamado Paulo Preto de “Paulo Afro-Descendente”. Também foi obrigado a se retratar — obrigação ainda não integralmente cumprida –  diante do jornalista Heraldo Pereira, da Globo, e a pagar R$ 30 mil de indenização, dinheiro destinado pelo comentarista do Jornal da Globo para uma instituição de caridade, por ter utilizado a expressão “negro de alma branca” para tentar desqualificá-lo. Responde, ainda, a um processo criminal movido pelo Ministério Público do Distrito Federal para apurar e punir as mesmas injúrias.

Abaixo, reproduzo a responsta da Assessoria de Comunicação da CEF a um questionário elaborado pelo Blog do Pannunzio na semana passada.

Blog do Pannunzio- A CEF tem patrocinado o Conversa Afiada. Preciso saber quanto ele recebeu de patrocínio no ano passado, quanto está recebendo atualmente e qual a duração do contrato.

CEF – Investimento no Site Conversa Afiada em 2011: R$ 416.640,00. Período de veiculação 2011: Março a Dezembro de 2011.  Investimento no Site Conversa Afiada em 2012: R$ 416.640,00. Período de veiculação em 2012: Março a Dezembro de 2012.

Blog do Pannunzio –  Como a CEF distribui esses patrocínios ? Qual é a verba destinada à internet, qual a participação dos blogues nessa verba, e qual a participação, em termos proporcionais, do Conversa Afiada nessa verba ?

CEF –  Não entendemos que o site Conversa Afiada seja um blog, razão pela qual o valor destinado ao site não está incluído nas informações relativas a blogs.

Investimento em internet 2011: 14.602.428,43

Investimento em Blogs em 2011: foi de R$ 145.531,31, sendo que três blogs citados abaixo não são valorados e não estão incluídos nesse valor.

Participação em Blogs em relação ao total de internet em 2011: 1%

Participação do site Conversa Afiada em relação ao total de internet em 2011: 3%

Blog do Pannunzio:  Há outros blogues veiculando banners da CEF ? Quais são eles ?

CEF: Blog A Casa da Minha infância –Não valorado; pacote Casa.com; Blog Empreendedores–Não valorado; pacote Ed. Globo; Blog Luiz Nassif  

Blog do Pannunzio: Quais são os critérios da CEF para a escolha de quem receberá patrocínio do banco ?

CEF – Os meios e veículos são avaliados pelas agências de publicidade contratadas pela Caixa, que levam em conta as necessidades estratégicas da empresa na divulgação de sua marca, produtos e serviços.

Blog do Pannunzio – Como é feita a aferição dos resultados ? A CEF paga por clique, por pageview ou a verba destinada aos blogues não tem relação com o número de exibições dos anúncios veiculados ?

CEF – Blog A Casa da Minha infância. Mensuração: relatório de pageviews do blog; Blog Empreendedores (pacote Ed. Globo). Mensuração: relatório de impressões e cliques nos sites propostos (PEGN, Época e Época Negócios.); Blog Luiz Nassif. Mensuração: relatório de impressões.  O Blog Luiz Nassif é o único com entrega valorada e tem negociação por CPM, conforme tabela de preços que tem custo específico para o blog, e total calculado de acordo com quantidade de impressões propostas para cada formato no período.           

Blog do Pannunzio:  O banco tem algum tipo de reserva em relação ao conteúdo dos blogues patrocinados ?

Não, assim como não tem reserva quanto aos conteúdos das televisões, revistas, jornais, rádios e demais veículos que patrocina ou veicula publicidade e propaganda.

Paulo Paim: “Alma não tem cor”

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=X5QtsTC2qC0[/youtube]

O Senador Paulo Paim (PT-RS), único parlamentar afro-descendente do Senado da República, declinou do convite para testemunhar a favor do blogueiro Paulo Henrique Amorim no processo aberto pelo comentarista político da Rede Globo Heraldo Pereira. Meses atrás, Paim foi procurado pelo blogueiro, que pretendia obter dele o testemunho de que não é racista.

Paulo Henrique Amorim propôs um acordo, ainda não integralmente cumprido, para evitar a condenação iminente. Foi obrigado a pagar RS 30 mil a uma instituição de caridade e a se retratar publicamente em sua própria página eletrônica e em dois grandes jornais.

Em entrevista ao Blog do Pannunzio, Paulo Paim justificou as razões de sua recusa. Ele entende que a expressão “negro de alma branca” está carregada de preconceito racial — o oposto do que PHA pretendia que ele declarasse em juízo. “A alma do negro e do branco é uma só e não tem cor”, declarou o senador petista ao Blog. “Acho que devemos coibir que esse tipo de expressão seja usado. É inadmissível que esse tipo de expressão seja usado para qualificar ou desqualificar alguém”.

Repórter da Globo pede que jornalista faça nova retratação

Da Folha de São Paulo

O repórter da TV Globo Heraldo Pereira pediu à Justiça do Distrito Federal que o jornalista Paulo Henrique Amorim faça uma nova retratação.

Pereira quer a publicação de dois novos anúncios na Folha e no “Correio Braziliense” na ação em que se diz vítima de injúria e racismo.

Em seu site “Conversa Afiada”, Amorim empregou expressões como “negro de alma branca” para falar do repórter. Em fevereiro, eles fecharam acordo para que Amorim pagasse R$ 30 mil a uma instituição e publicasse um anúncio em cada jornal.

O texto publicado no “Correio” foi alterado. Na Folha, o anúncio saiu um dia após o prazo e só na edição local.

Segundo o advogado de Pereira, Paulo Roque Khouri, já estava prevista no acordo uma segunda publicação caso a primeira retratação não saísse conforme combinado.

Já o advogado de Amorim, Cesar Marcos Klouri, diz entender que ele cumpriu “literalmente o que foi acordado”.

via Folha de S.Paulo – Poder – Repórter da Globo pede que jornalista faça nova retratação – 10/03/2012.

Retratação a Heraldo Pereira foi conversa fiada

Texto de Pedro Caribé, publicado no site da AfroPress Agência de Comunicação Multiétnica

O pagamento da indenização e retratação de Paulo Henrique Amorim (PHA) ao jornalista Heraldo Pereira não foi suficiente para convencer o réu de ter praticado ato racista. Antes e depois de sentar no tribunal, PHA e seus pares tentaram desconstruir a todo custo a legitimidade da indignação de Heraldo.

Tentaram tergiversar o debate para arena ideológica, onde a Heraldo caberia o papel de reforçar o ar pejorativo de “ser negro de alma branca”, a serviço de idéias conservadoras, e os movimentos negros a possibilidade de serem coagidos ou cooptados no posicionamento.

Também tentaram criar interpretações dúbias, amenizar o ocorrido. Ao final, PHA desdenhou da Justiça, não publicou na data correta a retração e ainda fez comentários jocosos, numa demonstração que sua consciência continua indiferente a gravidade do que cometeu.

Felizmente a estratégia de PHA falhou, e acabou por reforçar como a situação se enquadra no complexo sistema de preconceito racial brasileiro.

A questão se inicia com uma interrogação: PHA proferiu um ato racista no seu blog Conversa Afiada e por isso foi julgado num tribunal? Sim. Não só por proferir o termo “negro de alma branca”, mas todo o contexto que trata Heraldo como submisso de Gilmar Mendes, profissional que ascendeu sem méritos e que faz “bicos” na Rede Globo.

PHA sintetizou elementos sofisticados do racismo nacional, contextualizou a cor da pele para depois se colocar em tom de superioridade.

Heraldo ganhou a causa, através da retratação pública e indenização de R$ 30 mil a ser paga por PHA e posteriormente doada a instituições de caridade. Costurar um “acordo” ou “conciliação” nesses casos é instrumento comum do Judiciário. Por um lado, mecanismo “autoincriminatório”, por outro, a não condenação, abre brecha para atenuar a acusação.

Aliás, quem é condenado explicitamente por racismo no Brasil? Advogados que lidam com a questão racial sabem que dificilmente o Judiciário brasileiro ia dar ganho de causa integral a Heraldo, e o que foi obtido não pode ser minimizado.

Para tentar desfocar o tema da pauta racial, PHA e alguns dos seus pares, passaram a cobrar os serviços prestados aos Governos Lula e Dilma. Tentaram transformar PHA num bastião de projeto transformador, mas esqueceram que ele sustenta a ala dos apoiadores fisiológicos. Aqueles que ao apoiarem projetos construídos inicialmente pela esquerda, costumam carregar um pacote pesado demais de contrapartidas.

Atualmente PHA não é mero empregado da Rede Record, é formulador do discurso editorial, apresentador dominical e tem programa semanal de entrevistas. A Record por sua vez não tem nenhuma autoridade ética no quesito étnico-racial, ao ser comparada com a Globo, empresa que trabalha Heraldo Pereira.

É de conhecimento de todos que a Record é de propriedade de Edir Macedo, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), e responsável por reciclar o racismo brasileiro, em especial ao buscar destruir um ponto sagrado: as religiões afro brasileiras. Entre o racismo da Globo – explicitado nas idéias de Ali Kamel – e o da Record, sinceramente, não é para se ter cumplicidade com nenhum dos lados.

O fato da Record ser eixo de sustentação dos governos mais à esquerda no país não a torna isenta, muito menos a emissora é o caminho que defendo para democratizar o setor comunicacional.

Globo e Record não são cúmplices apenas no quesito preconceito étnico-racial, ambas são integrantes da Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV (Abert). Essa Associação se retirou e condenou a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) e o Conselho Estadual de Comunicação da Bahia. A Abert atua para impedir reformas democratizantes nas comunicações do país em pontos cruciais como conteúdo (continuar a praticar o proselitismo religioso na programação), e propriedade (“laranjas” e parlamentares concessionários).

Mesmo que a Record não estivesse no contexto, PHA também não estaria imune. Defender muitas idéias de esquerda ou progressistas não é sinônimo de compreensão da questão racial. A esquerda em geral não é imune quanto o tema é étnico-racial.

O cubano radicado no Brasil, Carlos Moore, sistematizou como poucos as teses racistas na origem do marxismo, bem como o tratamento pejorativo que a pauta racial teve e tem na Revolução que ajudou a construir no seu país. Ainda assim, a partir do século XXI a esquerda se tornou o melhor caminho para avançar a pauta no Brasil, mas não é o único.

Aos que querem realmente ver a questão étnico-racial com pauta prioritária nos espaços de poder, é o momento de aplicar a realpolitik. Dialogar e compreender os meandros da política brasileira. Entender que muitos não se sentem acolhidos nas citações, entre vírgulas, dos discursos de plenária, construir maiorias, ir além das caixas que são reservadas, desde que
mantenha a integridade dos seus propósitos, algo que nem sempre a esquerda consegue.

Neste embate, Heraldo conseguiu aplicar a realpolitik, abriu brechas em pólos tidos como antagônicos, porém cúmplices quando o assunto é racismo. Pereira foi o primeiro negro a apresentar o principal telejornal do país, o Jornal Nacional. Conseguiu superar a barreira da invisibilidade e o estigma de incompetência dado aos negros e negras.

Pereira é um trabalhador, empregado, não se tem conhecimento do seu pertencimento ao núcleo conservador da Globo. Além de sentir na pele, não é nenhum alienado no debate racial, conforme sugere Paulo Henrique. Sua trajetória é motivo de orgulho à população brasileira, mais ainda aos negros e negras.

Heraldo também se libertou das correntes ideológicas da empresa onde trabalha. Por vezes o caso se desviou para um falso embate entre Globo x Record, forçando o conglomerado da família Marinho fortalecer direta e indiretamente argumentos contrários ao que prega Ali Kamel. Em partes, Heraldo venceu Ali Kamel, dentro de um contexto que é trabalhar nas organizações Globo.
Quanto a Paulo Henrique Amorim, trabalhou na Veja, Globo e agora para Record, e continua a contribuir com um dos temas mais caros ao poder conservador no Brasil: o racismo.

Pedro Caribé é jornalista, associado do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, titular do Conselho Estadual de Comunicação da Bahia.

Advogado de Heraldo Pereira vai denunciar novo descumprimento de sentença

PHA, o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira

Paulo Roque Khouri, um dos advogados que representam o jornalista Heraldo Pereira, da Globo, vai  informar nesta quinta-feira ao juiz Daniel Felipe Machado, da Décima-Segunda Vara Cível do DF, que houve novo descumprimento da sentença resultante do acordo firmado com o blogueiro autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim.

PHA foi processado civil e criminalmente por haver afirmado que Heraldo não tem méritos para estar na bancada do Jornal Nacional além de ser  negro de origem humilde. Ele também utilizou a expressão racista “negro de alma branca” em referência depreciativa ao colega da Globo. De acordo com  a Cartilha do Politicamente Correto e Direitos Humanos, editada pela Presidência da República em 2004, “preto de alma branca” é um dos slogans mais terríveis da ideologia do branqueamento no País, que atribui valor máximo à raça branca, e mínimo aos negros”.

Irresignação

“Ele parece ter se arrependido do acordo que assinou livremente diante de um juiz de direito”. É a opinião de um advogado consultado pelo Blog acerca do comportamento do apresentador dominical da TV do bispo Edir Macedo. “Não fazem sentido a irresignação e a reiteração das ofensas em face do compromisso assumido por ele. Isso pode, inclusive, repercutir no âmbito do processo-crime em que responde pelas mesmas injúrias”, diz o advogado.

O acordo, assinado no dia 15 de fevereiro, estabeleceu que PHA deveria publicar nos jornais Folha de são Paulo e Correio Braziliense uma retratação na qual reconhece Heraldo como um profissional ético e destacado da Rede Globo, além de admitir expressamente que foi “infeliz” ao adotar a expressão “negro de alma branca”.

Na avaliação do advogado de Heraldo, o texto da retração, ao contrário do que determina a sentença, foi publicao em espaço secundário e sob o título A conciliação entre PHA e Heraldo ou A verdadeira conciliação entre PHA e Heraldo. Ele explica que a palavra ‘conciliação’ não está prevista na sentença. “O correto é ‘retratação’. Foi isso que ele se comprometeu a publicar”, diz Paulo Roque Khouri.

PHA  também enxertou comentários antecedendo a reprodução do texto acordado. Em um deles, pontificou que “retratação não é reconhecimento de culpa”. Em outro, afirmou que Heraldo “atestou” que ele não teve intenções racistas”. Não há nenhuma referência ao suposto “atestado” no documento assinado por ambos (confira abaixo).

A resistência de PHA em cumprir o que se comprometeu a fazer levou o juiz responsável pelo caso a adverti-lo de que  deveria publicar “a retratação “ipsis litteris” e sem comentários no mesmo post; e publicar a retratação nos jornais que constam do acordo sem comentários no mesmo espaço”.

O texto correto foi publicado nesta quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo– um dia depois de esgotado o prazo estabelecido no acordo. O jornal exigiu que Amorim assinasse um termo de responsabilidade sobre as alterações feitas no texto da sentença. Como ele se recusou a atender à exigência, isso acabou atrasando a negociação com o periódico.

PHA também fez publicar a retratação no Correio Braziliense desta segunda-feira.  Mas, contrariando a determinação do juiz, também  enxertou comentários não previstos. Repetiu que Heraldo havia atestado que ele não é racista, que retratação não é reconhecimento de culpa, e anunciou que pretende processar todos os que escreverem que ele foi condenado ou processado por racismo e injúria racial.

Reiteração

Além de todos esses problemas, PHA voltou a fazer bricandeiras com o léxico racial. Passou a publicar textos que se referem implítica ou explicitamente à raça de Heraldo Pereira. Exemplo disso é o post intitulado “ Bounty Bar – preto por fora e branco por dentro” (clique no link para ver a página original ou na foto ao lado para ampliar).

Em outro artigo, PHA comemorou um aumento de  42% na audiência de seu blog depois de iniciada a polêmica em que se enfiou com Heraldo (sobre isso, leia o post O Racismo que dá Lucro, deste blogueiro, ou a página original no Conversa…).

 

 

 

Folha rejeitou anúncio de Paulo Henrique Amorim que desvirtuou sentença

Por Márcio Chaer, do Conjur

A Folha de S.Paulo vai publicar nesta quarta-feira (7/3) a retratação em que o blogueiro Paulo Henrique Amorim recua e reconhece seu erro nas ofensas raciais contra o jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo. Sem comentários nem acréscimos: apenas com o que o juiz determinou.

O jornal explica que a retratação não foi publicada nesta terça-feira não só porque esse é o procedimento padrão, em caso de informes publicitários, como por que o texto original da sentença do juiz fora adulterado. “A diferença entre os textos tornou mais imperativa ainda a assinatura do termo de responsabilidade”, explicou o diretor jurídico da Folha, Orlando Molina.

Para facilitar a publicação, o jornal concordou, logo no início, que o termo fosse assinado pelo advogado de Amorim. O departamento jurídico da Folha, para o caso de pedido judicial, guarda toda a troca de correspondência eletrônica em que ofereceu, em tempo hábil, a facilidade para a publicação — uma vez que seu representante afirmou que Amorim encontra-se no exterior.

Mas o réu capitulou uma vez mais. O termo de responsabilidade finalmente foi entregue ao jornal nesta terça. O advogado de Amorim fez constar do termo o texto a ser publicado, sem ressalvas nem acréscimos.

via Conjur – Folha rejeitou anúncio de Paulo Henrique Amorim que desvirtuou sentença.

Com novo patrocinador estatal, PHA descumpre pela segunda vez acordo com Heraldo Pereira

PHA, o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira

O jornalista autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim, apresentador de um ebdomadário domincal na TV do Bispo Edir Macedo e dono do site Conversa Afiada, descumpriu pela segunda vez consecutiva o acordo que assinou para encerrar um processo civil aberto contra ele por Heraldo Pereira, da Globo. PHA afirmou que Heraldo não tem nenhum mérito profissional para estar na bancada do Jornal Nacional além de ser filho de uma família humilde e ser negro. PHA chamou o colega de “negro de alma branca”

O acordo com peso de sentença previa que o blogueiro publicaria em sua página eletrônica e nos jornais Folha de São Paulo e Correio Braziiense uma retração reconhecendo que Heraldo não é empregado de GIlmar Mendes, que é um profissional destacado da Rede Globo e que foi infeliz ao adotar a expressão “negro de alma branca”.

Em decisão datada de Primeiro de março — mas conhecida apenas ontem –, o juiz Daniel Felipe Machado, da Décima-Segunda Vara Cível do Distrito Federal,  intimou o blogueiro a republicar a retração em seu site, “devendo constar em primeiro lugar a  retratação ‘ipsis litteris’, iniciando-se com o título acordado”. O juiz também determinou que, na publicação nos jornais, “o réu deverá se limitar [aos] exatos termos do acordo, sem agregar comentários no mesmo espaço”.

Não foi o que ocorreu. No texto publicado hoje no Correio Braziliense, contrariando a determinação judicial, PHA faz quatro considerações  e ameaça processar todos os que afirmarem que ele foi condenado por injúrias ou racismo. Em uma delas, repete a afirmação falsa que vem veiculando em seu blog de que, ao assinar o acordo, o jornalista da Globo “atestou que a expressão  negro de alma branca não foi usada com o sentido de ofender, nem teve conotação racista”. Ainda não se sabe se o texto foi publicado também pela Folha de São Paulo, que tem edições distintas para São Paulo e para o restante do País.

O advogado Paulo Roque Khouri, que representa Heraldo no processo, vai informar o descumprimento da sentença, que ele considera uma espécie de deboche. ”O problema de Paulo Henrique Amorim hoje é com a Justiça do Distrito Federal. Ele está claramente descumprindo a ordem judicial e já teve a atenção chamada por isso pelo juiz da Décima-Segunda Vara Cível. Não se debocha de decisão Judicial”.

Paulo Roque Khouri estranha esse comportamento pois, segundo ele, “o  acordo foi celebrado depois de negociações de alto nível com o advogado do blogueiro, Cesar Klouri”.

A pedido do Blog do Pannunzio, um advogado sem relação com o caso analisou o comportamento de Paulo Henrique Amorim. O especialista questionou até se ele realmente está sendo assessorado por advogados. “Ao que me parece, foi um tiro no pé. Além de não resolver o problema na ação indenizatória, está agravando sua situação na esfera penal, onde é réu e pode pegar até cinco de cadeia pelos crimes de injúria racial e racismo”.

Novo patrocinador

Depois de perder o patrocínio dos Correios na semana passada, o site que vem publicando as injúrias de Paulo Henrique Amorim voltou a veicular anúncios do banco estatal Caixa Econômica Federal. PHA recebia R$ 40 mil por mês dos Correios. O Blog do Pannunzio está em contato com representantes da CEF para saber qual o valor, a justificativa e o período do contrato do blog com o banco, mas ainda não recebeu a resposta.

Juiz intima “réu” PHAmorim a publicar retratação [honesta]

imagem-sentenca-heraldo

Publicado no Blog do Reinaldo Azevedo . A palavra “honesta” entre colchetes no título é por minha conta.

Eu não publico porque não quero por aqui os partidários do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista), vocês sabem… Mas todo dia chegam manifestações mais ou menos assim: “Aí, hein… Depois que o Paulo Henrique Amorim ameaçou te processar, você (NR: eles misturam os pronomes, e esta é a menor das porcarias que fazem num texto…) parou de falar do caso Heraldo Pereira!” Parei? Então não fui avisado por mim mesmo. Não parei, não! Havendo novidade, cá estou! Não havendo, mas dando vontade, idem!

Bem, não vou aqui fazer memória longa da história, que vocês conhecem de sobejo. Um acordo judicial obrigava Paulo Henrique Amorim — sim, ele tem obrigações a cumprir — a publicar uma retratação em seu blog e em dois jornais: Folha e Correio Braziliense. Vocês se lembram: ele foi processado por Heraldo na área cível — há um outro processo na criminal, movido pelo Ministério Público Federal e já aceito pela Justiça — por ter afirmado que o jornalista é um “negro de alma branca”, entre outras delicadezas. Também afirmou que seu desafeto não tem outra razão para estar onde está, exceto o fato de “ser negro e de origem humilde”.

Pois bem: Amorim resolveu publicar a retratação no meio de textos que, na prática, reiteram tudo o que havia dito antes — só que, nesse caso, recorrendo a palavras de terceiros, claramente endossadas por ele. Também inventou um troço estapafúrdio: segundo ele, com a retratação — FEITA POR ELE, NÁO PELO OFENDIDO, É ÓBVIO —, Heraldo estaria admitindo que ele não é racista. Falso! O jornalista não admitiu nada. Até porque, advogado que também é, foi admitido como assistente de acusação no processo criminal.

Pois bem! O advogado de Heraldo voltou à Justiça para acusar o descumprimento do acordo judicial. Na imagem lá no alto, vai a sentença do juiz Daniel Felipe Machado, que intima o “réu” (ele é “réu”, o que faz questão de omitir) Paulo Henrique Amorim a:
1) fazer a retratação “ipsis litteris” e sem comentários no mesmo post;
2) publicar a retratação nos jornais que constam do acordo, “sem comentários no mesmo espaço”.

Relembro o conteúdo da retratação:
“Retratação de Paulo Henrique Amorim, concernente à ação 2010.01.1.043464-9:
Que reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que, apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é nem nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é funcionário de destaque da Rede Globo; que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de racismo.”

Jamais se esqueçam: Paulo Henrique escreveu e reiterou aquelas coisas por meio de terceiras pessoas tendo no alto da página a marca dos “Correios”, uma estatal. No momento, a sua homepage remete a ataques a Gilmar Mendes, um ministro do Supremo; a José Serra, um dos líderes da oposição, e, de novo!, a Heraldo Pereira com propaganda da Caixa Econômica Federal.

Isso quer dizer que uma estatal patrocina o ataque a um ministro do Supremo (e o que vai lá é ataque, não crítica); a um adversário do governo federal (e o que vai lá é ataque, não crítica) e, pasmem!, a um jornalista, de quem ele resolveu que poderia fazer certas cobranças porque seu alvo, afinal, é negro (e o que vai lá é ataque, não crítica). A Caixa já inventou um Machado de Assis branco e teve de se retratar. Agora, financia textos que, na prática, dizem que o negro Heraldo Pereira tem alma branca. Fosse uma tentativa de elogio, seria uma ofensa. Como é uma ofensa, então ofensa é.

Por Reinaldo Azevedo

Aos mujahidins da blogosfera governista: PHA, o “destemperado”, foi, sim, condenado por injúrias racistas.

PHA, o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira

Dedico este post aos mujahidins do PHA, que têm me cobrado explicações a respeito do que eu não disse sobre o processo envolvendo o dublê de porta-voz da Igreja Universal e neo-bolchevique do conversafiada e o Herlado Pereira.

Eu nunca disse que ele foi “condenado” no processo aberto pelo Heraldo na esfera Cível. Eu sempre disse que houve um acordo — um acordo desmoralizante para ele, mas ainda assim um acordo. Com peso de sentença condenatória, porque foi obrigado a pagar R$ 30 mil para encerrar a lide e a se retratar. Mas ainda assim um acordo.

Eu disse também que ele é réu em ação penal movida pelo MP do DF e pode pegar até cinco anos de cadeia por isso. Disse e reitero.

Paulo Henrique Amorim foi condenado por injúrias racistas, sim. Mas foi em outro processo — o que lhe moveu Paulo Preto na justiça paulista. Quem tiver qualquer dúvida pode consultar no site do TJ. Segue a sentença:

(…) quando o réu substitui o nome do autor, vulgarmente conhecido como “Paulo Preto”, por “Paulo Afro-descendente”, incide em evidente ato ilícito. De fato, a pessoa de cor negra vem sendo chamada, de uns tempos para cá, de forma apropriada ou não, de afro-descendente, com referência expressa, portanto, à ascendência africana. Mas isso é feito quando se alude, em termos genéricos, à pessoa negra, simplesmente pela sua cor da pele. Ocorre que, no caso dos autos, o autor é conhecido como “Paulo Preto”, ou seja, a expressão “Preto” está ligada ao seu nome, e não apenas à cor de sua pele. Nesse contexto, a substituição da expressão “Preto” por “Afro-descendente” é indevida, e não se justifica nem mesmo sob o viés do “politicamente correto”. Cuida-se, à evidência, de infeliz brincadeira com a alcunha do autor, em gracejo que denota, senão grave, um destemperado jogo de palavras com assunto de especial sensibilidade, pois nossa sociedade é ainda racista, e qualquer atitude discriminatória, como a acima indicada, deve ser condenada. Há, portanto, ofensa à honra do autor, que se viu indevidamente ultrajado com a inusitada forma pela qual o réu insistiu em alterar sua designação comum. De outro lado, se o réu não tem antecedentes que permitam concluir ser pessoa racista, o que até mesmo se presume, pela condição e fama de jornalista de respeito e credibilidade que ostenta, a análise do ato é obviamente feita estritamente no contexto das notícias objeto desta ação. Por fim, a referência ao endereço, com menção expressa ao nome da rua, número do prédio, bairro e cidade, além de foto do apartamento, expõe desnecessariamente a vida privada do autor, porque se de fato é do interesse público informação sobre o quê um suposto dinheiro ilícito teria permitido comprar, revela-se absolutamente sem cabimento o apontamento particularizado do local preciso onde o autor moraria. A falta de menção ao número do apartamento, como defendido em contestação, não afasta a possibilidade de se saber o exato local em que moraria o autor, o que realmente a ninguém interessa. Houvesse apenas referência ao bairro, de classe alta, e sua localização na cidade de São Paulo, os comentários sobre metragem, qualidade e valor do apartamento poderiam ser entendidos como próprios e esperados de quem desempenha atividade jornalística. Mas o réu foi além, como demonstrado, e isso também caracteriza ilícito civil, a comportar indenização.

(…)Para o autor, levando-se em consideração esses critérios e as particularidades do caso em apreço, fixa-se a indenização em R$ 30.000,00 (trinta mil reais), valor que se reputa suficiente para que compense o ofendido e, ao mesmo tempo, desestimule o réu a agir de forma semelhante, na condição de jornalista, em situações análogas. É certo que, em ação de indenização por danos morais, a condenação em montante inferior não implica sucumbência recíproca, conforme disposto na súmula 326 do colendo Superior Tribunal de Justiça. No entanto, o resultado é de procedência parcial não apenas porque o valor pedido não foi acolhido, mas em razão da ilicitude reconhecida em parte das matérias publicadas pelo réu. Essa observação se revela importante na fixação dos ônus sucumbenciais. A correção monetária deve incidir desde a data do arbitramento, nos termos da súmula 362 do colendo Superior Tribunal de Justiça, e os juros moratórios devem fluir a partir do evento danoso, que é a data da primeira matéria veiculada no sítio eletrônico do réu. Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido para condenar o réu a pagar indenização por danos morais ao autor no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), com correção monetária, utilizada a tabela prática do egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo, a contar deste arbitramento, e juros de mora, de 1% ao mês, contados do evento danoso.

DANIEL LUIZ MAIA SANTOS Juiz de Direito

Injúrias racistas de PHA custaram R$ 120 mil ao contribuinte brasileiro

PHA, o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira

O blogueiro autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim, dublê de líder negro e empregado do bispo Edir Macedo, recebeu R$ 120 mil dos Correios por três meses de patrocínio a seu Der Angriff eletrônico, o blog Conversa Afiada.
O valor equivale a 1043 benefícios do programa Bolsa Família, em média de R$ 115 por família assistida,  ou a três vezes o valor do acordo que PHA foi obrigado a assinar com o jornalista Heraldo Pereira, injuriado por ele com a expressão racista “negro de alma branca”. PHA responde criminalmente pela ofensa e pode pegar até cinco anos de cadeia por prática de racismo.

A informação sobre o valor do patrocínio foi publicada no Blog dos Correios.
O patrocínio foi cortado no dia 29 passado. De acordo com a Assessoria de Imprensa dos Correios, a polêmica racial em que Pha se envolveu com Heraldo não tem relação com a suspensão da veiculaçao dos banners, que foram exibidos durante os meses de outubro, janeiro e fevereiro.
Em nova investida contra colegas que o criticam pelas insanidades que tem publicado, Pha anunciou agora há pouco que vai processar os jornalistas Fábio Pannumzio, editor do Blog do Pannunzio, Jorge Bastos Moreno, do jornal O Globo, e Alberto Dines, do Observatório da imprensa.

Parafraseando o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira, “diga-me quem te processa e eu te direi quem tu és”.

Paulo Henrique Amorim, o “negro de alma branca” e os demônios de cada um de nós

Texto da escritora Ana Maria Gonçalves

publicado em 27 de fevereiro de 2012 no site da Revista Forum

Sempre fico com um pé atrás ao ler/ouvir afirmações enfáticas do tipo “Eu não sou racista”, ou“Fulano não é racista”. Ela já é perigosa quando dita sobre si mesmo, e mais ainda quando dita sobre o outro, que é o único que deveria saber de si. Racismo, assim como o machismo ou a xenofobia, é um tipo de sentimento que facilmente contamina quem é exposto a ele, de maneira ostensiva ou velada. É herdado, não tem muito para onde escapar. Principalmente em sociedades como a nossa que, durante muito tempo, lutou para esconder a discrepância entre prática e teoria, entre evidências de racismo e manutenção e construção de um modelo de democracial racial que nunca existiu. O que precisamos fazer é estar atentos a qualquer pensamento racista e combatê-lo ali, no nascedouro, não deixando que se naturalize e domine nosso modo de agir e de pensar. Acho que só assim podemos, brancos e negros, acabar de fato com o racismo (e outros ismos): de maneira individual, consciente e, acima de tudo, honesta. Não é através de leis ou de ações afirmativas, que defendo e acho mais do que necessárias para que sirvam de proteção e escada enquanto não somos capazes dessa revolução interna. É o trabalho de cada um, doloroso e vigilante, que pode avançar cada vez que um caso atinge proporções midiáticas, porque nos faz refletir à partir de situações que colocam figuras públicas no ambiente privado, vivenciando situações nas quais às vezes podemos nos reconhecer. Como humanos e imperfeitos que somos. Falo agora do recente caso envolvendo os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Heraldo Pereira.

Esse é um caso emblemático para entender a manifestação do racismo no Brasil, e que ele também pode ser praticado por pessoas consideradas “do bem”. Aliás, quase sempre é. Com raras exceções, nosso racismo é do tipo cordial, daquele que não necessariamente origina leis segregacionistas ou atos de ódio explícito, e por isso é difícil chamá-lo pelo nome que tem. Racistas convictos ou esporádicos somos todos nós. É sempre bom lembrar de uma pesquisa realizada pela USP : à pergunta “Você tem preconceito?”, 96% dos entrevistados responderam “não”; à pergunta “Você conhece alguém que tenha perconceito?”, 99% responderam que sim, e quando perguntados quem eram esses perconceituosos, eles disseram que eram amigos próximos, pais, irmãos. Então, racistas são nossos pais, tios, primos, amigos, namorados, vizinhos. E não há razões para acreditarmos que somos muito diferentes deles, mesmo porque também somos pais, tios, primos, amigos, namorados ou vizinhos de alguém. Racistas podem ser pessoas das quais gostamos e pelas quais somos capazes de fazer vista grossa em relação a um ou outro ato que, do nosso ponto de vista, é computado com um deslize, um momento de descontrole, uma atitude isolada. Para quem não é alvo do ato, é simples assim: um átimo, um momento “não era eu quem estava agindo”. Para quem o sofre, as consequências podem durar uma vida inteira, como podemos perceber em um trecho do “The envy of the world”, de Ellis Cose:

“Eu me lembro alguns dos incidentes da minha infância que me acordaram para a verdade, incidentes que, algumas vezes de modo doloroso, me apresentaram a diferença entre branco e preto. (…) Eu tinha ido a Marshall Field Company, uma grande loja de departamentos em Chicago, para comprar um presente para a minha mãe. Enquanto eu circulava na loja imponente, calculando o que meu dinheiro podia comprar em um lugar tão caro e intimidante, percebi que estava sendo seguido – e que meu seguidor era membro da segurança da loja.

De uma seção para outra da Marshal, o guarda me fazia sombra, com sua vigilância marcante e odiosa. Determinado a não me sentir intimidado, continuei a circular, tentando com todas as minahs forças ignorar o homem que estava caminhando praticamente nos meus calcanhares. Finalmente, incapaz de me conter, virei-me para encará-lo. Gritei alguma coisa – não me lembro mais o que – um uivo de orgulho ferido e ofensa. Ao invés de responder, o homem se manteve firme, encarando-me com uma expressão que combinava diversão e desdém.

Devemos ter nos encarado por vários segundos, até que me toquei de que eu não era mais páreo para ele e seu desprezo do que um rato era para um gato. Corri pra fora, concedendo a ele a vitória (…) Décadas após aquele dia, lembro precisamente das minhas emoções – a raiva impotente, o ressentimento que fere, a vergonha,  a decepção intensa comigo mesmo (por não me manter firme frente ao ataque silencioso do homem, por permitir que um intolerante fizesse eu me sentir um idiota, por não ser capaz de arranhar a auto-confiança arrogante do guarda.)” Read more…

PHA apela e diz que vai processar meio mundo

PHA, o Malcolm-Z da blogosfera brasileira

Aumentem o lucro do blogueiro. Paulo Henrique Amorim, que além de blogueiro é líder negro e empregado do bispo Edir Macedo, anunciou agora há pouco que vai processar 12 empresas jornalísticas e sites da internet que o criticaram por ter chamado o jornalista Heraldo Pereira de “negro de alma branca”.

PHA processa Globo, Folha e penduricalhos do PIG“, diz a manchete estampada no Der Angriff eletrônico que ele tem usado para atacar Heraldo e todos os que se opõe ao que o democrata e autorpoclamado blogueiro progressista pensa.

Na relação de processados estão O Globo, O Globo online, G1, Folha, UOL, Estadão online, Band, Blog do Noblat, Jornal do Commercio de Recife, A Tarde da Bahia, Reinaldo Azevedo, Brasil247, Demétrio Magnoli e o site Consultor Jurídico. Ou seja: de uma tacada só, ele comprou briga com praticamente toda a imprensa brasileira e metade da blogosfera.

Não entendi o que a Band tem a ver com isso. A TV, pelo menos, não deu uma nota sequer sobre a desventura do “ansioso blogueiro”.

Em sua peça de defesa no processo criminal que lhe move Heraldo Pereira, PHA faz uma ginástica verbal para tentar dizer que a injúria racista teria sido apenas um “debate de idéias”. Ou seja:  chamar um porfissional sério de “negro de alma branca”, “funcionário do Gilmar Dantas” e outras coisas, pode. Dizer que isso é um disparate, que já custou a ele R$ 30 mil em dinheiro e a obrigação — ainda não integralmente cumprida — de se retratar, não pode.

 

 

Heraldo, a cor e a alma

Demétrio Magnoli

Publicado no Jornal O Globo

 

PHA, o Malcolm-Z da blogosfera brasileira

A retratação, obtida por meio dos tribunais, circula na imprensa e na internet. Nela o blogueiro Paulo Henrique Amorim retira cada uma das infâmias que assacou contra o jornalista Heraldo Pereira, apresentador do Jornal Nacional e comentarista político do Jornal da Globo. No seu blog, entre outras injúrias, Amorim classificou Heraldo como “negro de  alma branca” e escreveu que o jornalista “não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde”.

Confrontar o poder, dizendo verdades inconvenientes às autoridades – na síntese precisa do intelectual britânico Tony Judt, é essa a responsabilidade dos indivíduos com acesso aos meios de comunicação. Amorim sempre fez o avesso  exato disso. A adulação, reservada às autoridades, e a injúria, dirigida aos oposicionistas, são suas ferramentas de trabalho. Não lhe falta coerência: ao longo das  oscilações da maré da política, do governo João Figueiredo ao governo Dilma Rousseff, sem exceção, ele invariavelmente derrama elogios aos ocupantes do Palácio do Planalto e ataca os que estão fora do poder.

Às vésperas da disputa presidencial de 1998, no comando do jornal da TV Bandeirantes, engajou-se numa estridente campanha de calúnias contra Lula, que retrucou com um processo judicial e obteve desculpas da emissora. Há nove anos, desde que Lula recebeu a faixa de Fernando Henrique Cardoso, o blogueiro consagra seu tempo a cantar-lhe as glórias, a ofender opositores e a clamar contra o jornalismo independente. Funciona: a estatal Correios ajuda a financiar  o blog infame.

Amorim não tem importância, a não ser como sintoma de uma época, mas a natureza de sua injúria racial tem. “Negro de alma branca”, uma expressão antiga, funciona como marca de ferro em brasa na testa do “traidor da raça”. No passado serviu para traçar um círculo de desonra em torno dos negros que ofereceram seus préstimos interessados ao proprietário de escravos ou ao representante dos regimes de segregação racial. Hoje, no contexto das doutrinas racialistas, adquiriu novos significados e finalidades, que se esgueiram em ruelas sombrias, atrás da avenida iluminada da resistência contra a opressão. Brincando com a Justiça, Amorim republica no seu blog um artigo do ativista de movimentos negros Marcos Rezende que, na prática, repete a injúria dirigida contra Heraldo. Custa pouco girar os holofotes e escancarar o cenário que a infâmia almeja conservar oculto.

O líder africânder Daniel Malan, vitorioso nas eleições de 1948, instituiu o apartheid na África do Sul. Amorim e Rezende certamente não o classificariam como “branco de alma negra”, pois uma “alma negra” não seria capaz de fazer o mal e,  mais obviamente, porque Malan não traiu a sua “raça”. Sob a lógica pervertida do pensamento racial, eles o designariam como “branco de alma branca”, embutindo numa única expressão sentimentos contraditórios de ódio e admiração. Como fez o mal, o africânder confirmaria que a cor de sua alma é branca. Entretanto, como promoveu os interesses de sua própria “raça”, ele figuraria na esfera dos homens respeitáveis. William Du Bois (1868-1963), “pai fundador” do movimento negro americano, congratulou Adolf Hitler, um “branco de alma branca”, pela promoção do “orgulho racial” dos arianos.

Confiando numa suposta imunidade propiciada pela cor da pele ou pelo seu cargo de conselheiro do Ministério da  Justiça, Rezende converteu-se na voz substituta de Amorim. No artigo inquisitorial de retomada da campanha injuriosa, ele não condena Heraldo por algo que tenha feito, mas por um dever que não teria cumprido: o jornalista é qualificado como “um negro da Casa Grande da Rede Globo”, que “não dignifica a sua ancestralidade e origem” pois “nunca fez um  comentário quando a emissora se posiciona contra as cotas”. No fim, os dois linchadores associados estão dizendo que Heraldo carrega um fardo intelectual derivado da cor de sua pele. Ele estaria obrigado, sob o tacão da injúria, a  subscrever a opinião política de Rezende, que é a (atual) opinião de Amorim.

O epíteto lançado contra Heraldo é uma ferramenta destinada a policiaro pensamento, ajustando-o ao dogma da raça e  eliminando simbolicamente os indivíduos “desviantes”. O economista Thomas Sowell produziu uma obra devastadora sobre as políticas contemporâneas de raça. Ward Connerly, então reitor da Universidade da Califórnia, deflagrou em 1993 uma campanha contra as preferências raciais nas universidades americanas. José Carlos Miranda, do Movimento Negro Socialista,  assinou uma carta pública contra os projetos de leis de cotas raciais no Brasil. Sowell é um conservador; Connerly, um libertário; Miranda, um marxista – mas todos rejeitam a ideia de inscrever a raça na lei.

Como tantos outros intelectuais e ativistas, eles já foram tachados de “negros de alma branca” pela Santa Inquisição dos  novos arautos da raça.

A liberdade humana é a verdadeira vítima dos inquisidores do racialismo. Mas, e aí se encontra o dado crucial, essa  forma de negação da liberdade opera sob o critério discriminatório da raça, não segundo a regra do universalismo. Se tivesse a pele branca, Heraldo conservaria o direito de se pronunciar a favor ou contra as políticas de preferências raciais – e também o de não opinar sobre o tema. Como, entretanto, tem a pele negra, Heraldo é detentor de uma gama muito menor de direitos – efetivamente, entre as três opções, só está autorizado a abraçar uma delas.

Sob o ponto de vista do racialismo, as pessoas da “raça branca” são indivíduos livres para pensar, falar e divergir, mas as pessoas da “raça negra” dispõem apenas da curiosa liberdade de se inclinar, obedientemente, diante de seus “líderes  raciais”, os guardiões da “ancestralidade e origem”. Hoje, como nos tempos da segregação oficial americana ou do  apartheid sul-africano, o dogma da raça prejudica principalmente os negros.

O racismo que dá lucro

Paulo Henrique Amorim, blogueiro autoproclamado progressista e apresentador da TV do bispo Edir Macedo,  teve lucro com suas injúrias racistas. No blog dele está estampada a manchete “Heraldo aumenta a audiência do CAf em 42%“. O blogueiro “progressista” se ufana de sua obra: “Tem publicidade melhor do que essa?”

Para o caso dele, não deve haver.

Se o que PHA queria era ficar estigmatizado como o último racista assumido da imprensa brasileira,  conseguiu. Se seu objetivo era a auto-desmoralização, ele conseguiu. Se o objetivo era sanar dúvidas sobre seu caráter, também conseguiu. E, no fim das contas, ainda saiu lucrando 42%.

Não foram poucas tentativas de produzir esse resultado. Ele já havia lançado mão do jargão racista quando chamou Paulo Preto de “Paulo Afro-Desencente”. Heraldo foi a segunda vítima do estratagema.

PHA já havia pedido perdão a Bóris Casoy numa situação humilhante — e, da mesma forma, zombou do acordo assinado às pressas para evitar uma condenação. O arauto da nova censura, chamada agora de Ley de Medios, desconhece o Código Civil e o Código Penal. E faz troça do que ele mesmo propôs e acordou em juízo.

Nos delírios veiculados em seu Der Angriff eletrônico, PHA não tem o menor constrangimento de inventar e repetir inverdades  escancaradas — com aquela em que afirmou que Heraldo havia dito que ele não é racista (se não leu, clique aqui e aumente o lucro do blogueiro). Na Ata de Sentença que encerrou esse capítulo do caso, é ele quem declara que foi “infeliz” ao usar a expressão negro de alma branca, e que não teve intenções racistas. O ofendido jamais declarou a ninguém que PHA não é racista. Até porque ele não pensa assim.

Se PHA é ou não racista  quem vai decidir é a Quinta Vara Criminal do DF. É onde tramita o processo crime aberto pelo Ministério Público para apurar e punir as mesmas ofensas. Condenado, Paulo Henrique, que se gaba de figurar como réu em mais 40 processos, pode pegar de dois a cinco anos de reclusão. Se vai ou não para a cadeia é outra história. Mas, nessas circunstâncias, perder a condição de réu primário seria desastroso para ele.

Enquanto contabiliza o lucro de seu retumbante sucesso de audiência na internet, PHA certamente não considera o passivo que só faz aumentar no capital volátil de sua desgastada reputação. Jornalistas, salvo algumas exceções indecentes, vivem do que apuram e publicam. Vivem, enfim, de sua capacidade de informar de maneira correta e honesta. Nesse caso, a deplorável atuação do blogueiro pôs a nu um profissional que, na ausência de fatos, inventa; na ausência de argumentos, injuria;  quando faltam palavras para injuriar, recorre ao jargão abjeto dos racistas. Para arrematar, ainda tem a coragem e a cara de pau de alardear que lucrou com o episódio. Faça-me o favor!

Tudo isso, é bom lembrar,começou com  uma notícia falsa que PHA e seus três pupilos espalharam pela internet. PHA queria atacar Daniel Dantas. Para isso, atacou Gilmar Mendes, que duas vez tirou o banqueiro da prisão. Para atingir Gilmar Mendes, decidiu tripudiar sobre a honra, a dignidade profissional e a raça de Heraldo, que não tinha nem nunca teve nada a ver com a história.

Se você quiser conhecer a gênese dessa história, leia dois posts publicados aqui no Blog do Pannunzio em maio de 2009, quando tudo começou. O primeiro está aqui e o segundo, aqui.

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