Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Propina a Havelange e Ricardo Teixeira provoca pressão pela reunúncia de Blatter

JAMIL CHADE

O que era para ser uma manobra de Joseph Blatter para mostrar transparência acabou por se transformar em um pesadelo para o cartola suíço. Blatter está sendo pressionado a renunciar a seu cargo de presidente da Fifa, enquanto parlamentares europeus insistem que ele tem de dar explicações sobre seu envolvimento no escândalo de pagamento de propinas que envolve os brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira.

Nesta semana, o tribunal de Zug publicou 41 páginas de um documento que revela o caminho da propina e de subornos na Fifa e a transferência de milhões de dólares para as contas de Havelange e Teixeira. Os documentos revelam que Blatter, na época secretário-geral da Fifa e braço direito do então presidente Havelange, sabia de tudo e até o protegeu com advogados.

Blatter, após a publicação do relatório, admitiu que sabia dos pagamentos. Mas alegou que, na época, os procedimentos eram legais e que não se pode julgar o passado com padrões atuais. O tribunal tem visão diferente. Para os juízes, a Fifa foi omissa e tem parte da responsabilidade. Pior, a organização fez tudo o que esteve em seu alcance para frear a publicação do documento.

Políticos e ONGs insistiram ontem que as evidências deixam Blatter em uma situação insustentável e que chegou o momento de ele abandonar a Fifa. Damian Collins, parlamentar britânico, acusa o suíço de ter escondido como pôde o escândalo.

Condenação. No Conselho da Europa, parlamentares também condenaram a atitude da Fifa de tentar esconder o caso por anos. “Se a administração da Fifa – incluindo seu atual presidente – sabia das propinas, deveria ter feito tudo em seu poder para processá-los, e não protegê-los”, afirmou o deputado francês Francois Rochebloine.

Para o parlamentar, chegou o momento de Blatter esclarecer seu papel no escândalo e dar explicações. “Quando é exatamente que passou a saber dos pagamentos? Por que a Fifa escondeu as ilegalidades e não agiu contra as pessoas envolvidas? Acima de tudo, o que está fazendo para impedir que isso volte a ocorrer?”

Sylvia Schenk, representante da entidade Transparência Internacional, considera que a posição de Blatter é insustentável. “Se o presidente da Fifa por anos não agiu e sabia dos pagamentos, e ainda tentou esconder pelo máximo tempo possível, então é difícil confiar nele como a pessoa que irá reformar a Fifa no futuro”, disse.

Blatter já deixou claro que não pretende reabrir o caso. Seu comitê de ética apenas tentaria impedir que o mesmo fenômeno “ocorra no futuro”. Mark Pieth, criminologista contratado pela Fifa, é de outra opinião e já indicou que poderá, sim, abrir casos sobre o passado da Fifa.

Beba na fonte: Europeus querem renúncia de Blatter – esportes – versaoimpressa – Estadão.

Políticos europeus cobram Blatter sobre subornos a Havelange e Teixeira

Reuters

Políticos europeus cobraram explicações nesta sexta-feira do presidente da Fifa, Joseph Blatter, por conta das novas revelações num escândalo de corrupção que envolve os ex-dirigentes João Havelange e Ricardo Teixeira, que abalou ainda mais a imagem da entidade que dirige o futebol mundial.

Um promotor suíço disse em um documento judicial divulgado nesta semana que o ex-presidente da Fifa João Havelange e seu ex-genro Ricardo Teixeira, que foi presidente da CBF e membro do comitê executivo da Fifa, receberam propinas de bilhões de dólares na venda de direitos televisivos de Copas do Mundo na década de 1990.

Blatter, que está na Fifa desde 1975 e sucedeu Havelange como presidente em 1998, disse na quinta-feira que sabia dos pagamentos, que ele chamou de “comissões”, e que isso não era ilegal na época em que aconteceu.

Políticos do braço parlamentar do Conselho da Europa, que reúne 47 países, condenaram a Fifa por tentar acobertar o caso.

“Se os gestores da Fifa –inclusive seu atual presidente– estavam cientes desses subornos, deveriam ter feito de tudo ao seu alcance para processar, ao invés de proteger, os funcionários envolvidos”, disse o político francês François Rochebloine.

Ele pediu que Blatter esclareça seu envolvimento com o escândalo, na época em que ele era secretário-geral da Fifa.

“Quando exatamente ele se tornou ciente desses pagamentos? Por que a Fifa escondeu irregularidades e deixou de agir contra os responsáveis? Acima de tudo, que medidas ela irá tomar agora para evitar que isso se repita?”, questionou.

Em uma sessão de perguntas e respostas no site da Fifa, na quinta-feira, Blatter foi questionado sobre se sabia dos pagamentos, e respondeu: “Quer saber? Essa comissão foi paga? Na época, tais pagamentos podiam até ser deduzidos dos impostos como um gasto empresarial. Hoje, isso seria punível por lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões de hoje.”

Havelange, que recentemente completou 96 anos, comandou a Fifa entre 1974 e 1998. Segundo o promotor suíço, em março de 1997, ele recebeu 1,5 milhão de francos suíços (1,53 milhão de dólares) da hoje extinta firma de marketing esportivo ISL, que havia sido encarregada pela Fifa de negociar os direitos de transmissão televisiva de eventos das Copas do Mundo.

Teixeira, de 65 anos, que deixou neste ano o comando da CBF e do comitê organizador da Copa de 2014, recebeu 12,7 milhões de francos suíços entre 1992 e 1997, segundo o promotor.

A ISL faliu em 2001, deixando dívidas de 300 milhões de dólares.

Havelange ainda é presidente honorário da Fifa, mas Blatter disse não ter “o poder de chamá-lo a se explicar”. “O Congresso (da Fifa) o nomeou presidente honorário. Só o Congresso pode definir o seu futuro.”

Beba na fonte: Políticos europeus cobram Blatter sobre subornos a Havelange e Teixeira – esportes – futebol – Estadão.

Ricardo Teixeira e João Havelange receberam R$ 45,5 milhões de suborno

RODRIGO MATTOS

O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira e o presidente de honra da Fifa, João Havelange, receberam R$ 45,5 milhões em subornos para facilitar a negociação de contratos de Copas do Mundo.

A informação consta em documento da Justiça suíça tornado público ontem e que relata acordo para encerrar um processo criminal contra os cartolas brasileiros. Ambos não comentaram o fato.

É o chamado dossiê ISL, ex-parceira comercial da Fifa e pivô do maior caso de corrupção da história do futebol. O jornal suíço “Handelszeitung” obteve o documento e o divulgou. A Fifa também o publicou em seu site ontem.

Na década de 90, a ISL fechou contratos com a Fifa por direitos de televisão e marketing do Mundial. Para isso, a Internacional Sports Leisure e suas subsidiárias pagaram 158 milhões de francos suíços (R$ 329 milhões) para dirigentes da cúpula da Fifa.

Do total, 21,9 milhões de francos suíços (R$ 45,5 milhões) foram dados a empresas ou diretamente para Teixeira e Havelange. O documento suíço lista 30 pagamentos feitos aos cartolas de 1992 a 2000, quando Teixeira era da cúpula da Fifa e Havelange presidia a entidade.

Um total de 12,74 milhões de francos suíços foi para a Sanud, empresa em Liechtenstein que foi de Teixeira, como mostrou a CPI do Futebol. Outros 7,664 milhões de francos suíços foram pagos à Redford Investments Ltd, de Teixeira e Havelange. Outro 1,55 milhão de francos suíços foi dado diretamente ao ex-presidente da Fifa.

“O acusado Ricardo Teixeira ilegalmente usou valores confiados a ele em seu enriquecimento pessoal por várias vezes”, afirmou o procurador suíço Thomas Hildbrand, no documento. “Ele agiu com intenção de enriquecer ilegalmente.”

As mesmas palavras são usadas para descrever as acusações contra Havelange. Os pagamentos são chamados de “imorais” e “ilegais”.

O procurador relata que a ISL os subornou pela influência que tinham na Fifa. Testemunhos de executivos da empresa relatam que pagamentos a dirigentes da Fifa eram essenciais para efetivar os contratos. Outros dirigentes também foram subornados, mas não são nomeados por não serem objeto da ação.

A investigação da Justiça suíça começou no início da década passada, quando a ISL faliu. Durante o processo de falência, os pagamentos foram detectados e uma ação contra Teixeira e Havelange foi aberta em 2008. Em 2010, a Procuradoria fechou acordo com os acusados e com a Fifa para encerrar o processo e tornar seus dados sigilosos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Esporte – Riqueza ilegal – 12/07/2012.

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