Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the tag “José Serra”

Datafolha: Russomanno, com 31%, ultrapassa José Serra, com 27%

Pela primeira vez, Celso Russomanno (PRB) aparece numericamente à frente do tucano José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Pesquisa Datafolha realizada ontem mostra Russomanno com 31% das intenções de voto, 4 pontos a mais que Serra. Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos para cima ou para baixo, eles continuam tecnicamente empatados.

Em relação ao levantamento anterior, de 19 e 20 de julho, Russomanno cresceu 5 pontos. No mesmo período, Serra caiu 3.

Esta é a última pesquisa de intenção de voto para prefeito de São Paulo antes do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa hoje.

Na disputa pela terceira colocação há quatro candidatos tecnicamente empatados. O petista Fernando Haddad tem 8% das intenções de voto; Gabriel Chalita (PMDB) tem 6%; Soninha Francine (PPS), 5%; e Paulinho da Força (PDT), 4%.

As intenções de voto em Russomanno crescem constantemente desde o fim do ano passado.

Na pesquisa realizada entre os dias 7 e 9 de dezembro, ele tinha 16%, dois pontos abaixo de Serra. Marcou 17% em janeiro, subiu para 19% em março, passou para 21% no meio de junho, 24% no fim daquele mês e 26% em julho.

ESPONTÂNEA

Celso Russomanno também aparece na liderança da pesquisa espontânea, aquela que indica a consolidação das intenções de votos nos candidatos.

Quando o eleitor é convidado a responder em quem pretende votar sem a apresentação de um cartão com os nomes dos candidatos, Russomanno atinge 15%. Nessa simulação, Serra alcança 13%.

Serra e Russomanno também lideram em taxa de conhecimento. O primeiro é conhecido por 98% dos eleitores. O segundo, por 94%.

O Datafolha também investigou a rejeição dos candidatos. Só 12% dizem que não votariam em Russomanno de jeito nenhum.

Já a rejeição a Serra continua ascendente. Em junho, ele liderava por esse critério com 32%. Em julho, seu índice de rejeição subiu para 37%. Na pesquisa de ontem, oscilou mais um ponto para cima e chegou a 38%.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Datafolha aponta Russomanno com 31% e José Serra com 27% – 21/08/2012.

Serra afirma que PT sustenta uma ‘tropa nazista’ na internet

No mais duro ataque ao PT nesta eleição, o candidato do PSDB, José Serra, disse ontem que a sigla tem tradição em “espionagem”, “violação de sigilo” e “pancadaria”. Ele disse ainda que o partido sustenta uma “tropa de assalto” nos moldes da “SA nazista” para difamá-lo na internet.

Serra fez as acusações em evento com candidatos a vereador e pediu que os aliados se preparassem para lidar com “violência e baixaria”.

“Eles têm tradição nisso: em 2002 fizeram espionagem. Em 2006, o dossiê dos aloprados. Em 2010, violação de sigilos. E pancadaria. Eu pessoalmente sofri pancadaria.”

A fala foi uma resposta a ataques feitos pelos petistas a um ato organizado por tucanos. Há três dias, numa caminhada do ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT), quatro jovens ergueram cartazes e questionaram o petista sobre a greve nas universidades. Filiados ao PSDB, eles não se identificaram.

Por conta disso, o coordenador da campanha de Haddad, Antonio Donato, chamou os jovens de “fascistas”. Acuados, dirigentes do PSDB também criticaram os jovens.

Serra criticou os tucanos: “Quando alguém do PSDB levanta uma cartolina, o pessoal nosso fica constrangido. O problema deles [PT] não é cartolina, é pancadaria.”

O tucano disse que o PT banca blogs sujos: “Há uma verdadeira tropa de assalto na internet. A SA nazista tem outra configuração no Brasil atual, que é via internet”.

Antonio Donato (PT) rebateu: “Pergunta qual foi a ação da tropa de choque do Serra na eleição da Dilma, o que ele fez no caso Lunus [em 2002]“.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Serra afirma que PT sustenta uma ‘tropa nazista’ na internet – 21/07/2012.

Serra é condenado pela quinta vez por propaganda eleitoral antecipada

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, foi multado pela quinta vez por propaganda eleitoral antecipada. A Justiça Eleitoral fixou em R$ 15 mil a punição pelo candidato ter colocado no ar antecipadamente um site para cadastro de eleitores e uma conta no Twitter.

Os endereços foram divulgados na convenção do partido, no dia 24 de junho. A Lei Eleitoral liberou o início da propaganda eleitoral em 6 de julho.

O PSDB afirma que o site era apenas para cadastrar interessados, sem outros conteúdos, e que a divulgação do Twitter não trouxe mais visitantes.

A representação, protocolada pelo PT, também pedia punição pelo fato de o jingle de campanha ter sido veiculado na convenção, mas a Justiça não viu infração no fato.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Serra é condenado pela quinta vez por propaganda eleitoral antecipada – 11/07/2012.

Serra vai a NY e promete voltar para a Parada Gay

O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, deu uma pausa nas atividades pela cidade e viajou para Nova York.

Segundo a assessoria do candidato, Serra foi para o exterior “ver de perto como a cidade está promovendo a interação on-line entre a prefeitura e cidadãos”.

Em suas reuniões de campanha, Serra tem destacado que quer ampliar a informatização de sistemas da prefeitura e ampliar a capacidade de monitoramento das demandas dos eleitores.

Ele já afirmou, por exemplo, que pretende expandir o sistema de vigilância das ruas por câmeras de segurança e criar um programa que monitore permanentemente enchentes na cidade.

O tucano voltará a São Paulo no domingo, quando promete participar da Parada Gay, na avenida Paulista.

Um de seus adversários na disputa, o petista Fernando Haddad também está fora de São Paulo. Ele viajou com a família e só deve retomar suas atividades políticas na segunda-feira.

Para não ficar totalmente de fora da manifestação, Haddad visitou anteontem a associação que organiza a Parada Gay.

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), que tem evitado compromissos com o petista, é aguardada no evento.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Serra vai a NY e promete voltar para a Parada Gay – 08/06/2012.

Bolinha de papel vira samba no Youtube

O episódio da bolinha de papel virou samba e já anima centenas de internautas no Youtube. Confira você mesmo como a banda de música dilmista trasnformou a agressão a José Serra em galhofa.

[VIDEO]http://www.youtube.com/watch?v=7mepM_3pPeA[/VIDEO]

Manifesto pró-Dilma vira pró-Serra na web

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S. Paulo

Um manifesto pró-Dilma Rousseff, acompanhado de uma lista de nomes de autoridades e figuras ligadas à área de esporte, foi “adulterado” e transformado em documento pró-José Serra, acusam petistas. A mensagem modificada, que circula pela internet, defende o voto no tucano, reunindo os nomes do ministro do Esporte, Orlando Silva, da deputada federal Manuela d’Ávila (PC do B-RS) e do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, entre outros.

A existência do manifesto original foi confirmada por três pessoas da lista: a deputada Manuela, o ex-jogador de futebol Bobô e o ex-campeão mundial de boxe Acelino “Popó” Freitas. Todos defendem o voto em Dilma. O ministro Orlando Silva não foi localizado pela reportagem.

Segundo Manuela, haverá um lançamento regional do manifesto pró-Dilma em Porto Alegre, no dia 28, sem a participação da presidenciável. A coleta de assinaturas teria começado há cerca de 10 dias, a partir de contatos da militância por telefone e e-mails. O objetivo, afirma “Popó”, era criar uma corrente de mensagens, permitindo que o manifesto chegasse a diversos contatos da rede mundial de computadores.

“Fiquei surpreso, hoje não se tem mais controle sobre essas coisas”, disse ao Estado o ex-boxeador, que concorreu a deputado federal nestas eleições pelo PRB baiano. “Ando para cima e para baixo com o meu carro, que tem adesivo da Dilma.”

O manifesto, convertido em pró-Serra, foi enviado por um suposto Marcelo Dutra. O Estado enviou e-mail ao remetente da mensagem “adulterada”, mas não obteve resposta.

A versão pró-Serra traz modificações pontuais à original. Já no início, diz que “atletas, dirigentes, profissionais de educação física e amantes do esporte nos unimos para apoiar José Serra”, enquanto na original é citado o nome de Dilma. Em outro trecho, ao mencionar o programa Bolsa Atleta e a Lei de Incentivo ao Esporte, o texto afirma que essas ações foram “grandes conquistas do governo do PSDB”.

O primeiro manifesto diz que “não podemos voltar ao tempo em que o esporte era departamento de outro ministério, tratado como política pública de segunda categoria”. A nova redação alfineta Dilma: “Assinamos este manifesto convencidos de que não podemos submeter o nosso país a uma pessoa despreparada e totalmente fora da lei”.

Na semana passada, o cineasta José Padilha (de Tropa de Elite 2) negou apoio a qualquer uma das candidaturas que disputam o segundo turno na eleição presidencial. O nome dele foi incluído em manifesto com relação de artistas que apoiam Dilma.

Para ler o original clique aqui: Manifesto pró-Dilma vira pró-Serra na web – politica – Estadao.com.br.

Temas polêmicos serão evitados hoje em debate

DANIELA LIMA, da Folha de São Paulo

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), adversários na disputa pela Presidência, devem deixar de fora do debate que será promovido hoje pela Record, às 23h, polêmicas que dominaram o noticiário nas últimas semanas.

Coordenadores das duas campanhas ouvidos pela reportagem disseram que a prioridade é fazer o confronto de propostas. A avaliação é que embates baseados em temas como aborto e religião, por exemplo, poderiam “ampliar instabilidades”.

Do lado petista, os ataques serão direcionados a promessas de Serra, como o aumento do salário mínimo para R$ 600 e a de colocar dois professores em salas de aula do 1º ano de escolas públicas.

A petista irá retomar a estratégia de usar a gestão de Serra em São Paulo para tentar desmoralizar as propostas do tucano.

Dilma também insistirá no tema da privatização, muito explorado na propaganda eleitoral e em atos políticos. Destacará que há uma disputa entre dois “projetos políticos” diferentes.

Do lado tucano, a orientação é que Serra enfatize propostas para a área social para levar a eleitores de classes mais baixas- que majoritariamente declaram voto em Dilma- propostas como a do 13º do Bolsa Família.

No debate da Record, jornalistas não poderão fazer perguntas aos candidatos. No último encontro de Dilma e Serra, promovido pela Folha e a Rede TV!, foram os questionamentos dos jornalistas que causaram embaraços à petista e ao tucano.

via Folha de S.Paulo – Temas polêmicos serão evitados hoje em debate – 25/10/2010.

Carvalho quer inquérito sobre gravação de conversa

Da Folha de São Paulo

O chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, defendeu ontem a abertura de investigação para averiguar a origem e o conteúdo de gravação divulgada no final de semana pela revista “Veja”.

Na gravação, de autoria, data e circunstâncias ainda desconhecidas, o atual secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, reclama, com seu ex-colega no Ministério da Justiça Romeu Tuma Jr., sobre frequentes pedidos para confecção de dossiês.

Segundo a revista, Abramovay disse a Tuma Jr. que tais pedidos vinham de Carvalho e da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff.

Em nota, Abramovay negou anteontem ter falado sobre dossiês. Contudo, Tuma Jr. confirmou à Folha ter ouvido reclamações de Abramovay, embora tenha negado a autoria da gravação. Dilma também negou.

Carvalho disse que vai consultar a área jurídica do Palácio do Planalto sobre que providências poderão ser tomadas.

“Temos que ter uma investigação. Porque é grave que esse tipo de gravação tenha ocorrido e as pessoas falem essas coisas que não são verdadeiras”, afirmou Carvalho. A Polícia Federal não decidiu ainda se abrirá inquérito.

Carvalho negou ter feito “qualquer pedido” sobre dossiês e disse que “nunca conversou nem com Pedro nem com ninguém” sobre tal assunto. Disse que já tratou com Abramovay “sempre de assuntos institucionais”.

O perito criminal Ricardo Molina, que analisou os áudios a pedido da revista, disse ontem que não há sinais de montagem na gravação da conversa de Abramovay e Tuma Jr. (RUBENS VALENTE)

via Folha de S.Paulo – Carvalho quer inquérito sobre gravação de conversa – 25/10/2010.

Jornalista depõe à PF sobre quebra de sigilo de tucanos

Da Folha de São Paulo

O jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao “grupo de inteligência” na fase da pré-campanha de Dilma Rousseff, prestará mais um depoimento à Polícia Federal hoje.

A PF investiga quem ordenou e pagou pela quebra ilegal do sigilo fiscal de dirigentes tucanos e familiares do candidato José Serra (PSDB).

Ribeiro Jr. admite ter pedido dados dessas pessoas, mas nega ter solicitado acesso a documentos sigilosos.

Todos os alvos do jornalista tiveram seus dados violados em duas agências da Receita Federal em São Paulo.

O despachante Dirceu Rodrigues Garcia declarou à polícia que o jornalista o contratou para obter informações fiscais sigilosas de familiares e aliados de Serra. Essas informações foram parar num dossiê que circulou na pré-campanha petista.

Garcia afirma ter recebido de Ribeiro Jr. R$ 12 mil em dinheiro em outubro de 2009. No mês passado, alega ter recebido mais R$ 5.000.

No último depoimento que concedeu à PF, o jornalista não esclareceu se recebeu ou não orientação para investigar tucanos. Ele apenas afirmou que iniciou a apuração porque soube que uma equipe liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra o ex-governador Aécio Neves.

Nessa época, Aécio e Serra disputavam a indicação do partido para concorrer à Presidência da República.

VAZAMENTO

No último depoimento, Ribeiro Jr. atribuiu a uma ala do PT o vazamento do dados que coletou. Segundo ele, um setor do partido disputava o controle de contratos da área de comunicação.

O PT nega que a ordem para encomendar a quebra de sigilo tenha sido dada pela campanha, assim como refuta ter operado qualquer dossiê para atacar o adversário.

Embora o jornalista tenha negado que trabalhou para a campanha petista, ele participou de ao menos uma reunião da “equipe de inteligência” em 20 de abril deste ano, num restaurante de Brasília.

MESMA AGÊNCIA

Ele é amigo de Luiz Lanzetta, dono de uma empresa contratada na ocasião para administrar contratos de comunicação para a campanha de Dilma Rousseff.

A Lanza Comunicação tem conta na mesma agência bancária, em Brasília, onde foram feitos os depósitos no mês passado em nome do despachante Dirceu Garcia.

Agora, a PF quer identificar a origem do dinheiro pago ao despachante .

via Folha de S.Paulo – Jornalista depõe à PF sobre quebra de sigilo de tucanos – 25/10/2010.

Na terra do fumo, tucano tenta amenizar fama de antitabagista

GRACILIANO ROCHA, da Folha de São Paulo

Conhecido nacionalmente pelas restrições ao cigarro que patrocinou quando ministro da Saúde e governador de São Paulo, José Serra (PSDB) tenta amenizar a fama de antitabagista para ganhar o voto de agricultores do Rio Grande do Sul, maior produtor brasileiro de fumo.

Aliados do tucano estão fazendo circular uma carta em que o candidato promete assistência técnica e crédito para as lavouras de tabaco.

No Estado, responsável por cerca de metade da produção nacional, Dilma Rousseff (PT) venceu o primeiro turno por 47% dos votos válidos, contra 41% de Serra.

A vantagem da petista foi mais ampla nas regiões gaúchas que mais dependem economicamente do fumo.

Dilma superou Serra nas dez cidades que lideram a produção no Rio Grande do Sul e, em oito deles, com percentuais entre 56% e 81%. Em Venâncio Aires, campeã nacional da cultura, ela bateu o tucano por 67% a 23%.

Trata-se de uma inversão do resultado de 2006, quando o tucano Geraldo Alckmin prevaleceu sobre Lula em 9 dos 10 principais municípios fumageiros gaúchos.

A carta é um antídoto contra boatos de que Serra, se eleito, trabalharia para extinguir a produção de fumo.

“Minha luta contra os malefícios do cigarro são notórias, desde quando comandava o Ministério da Saúde. Jamais, porém, combati nem denegri o agricultor que luta, através da produção de fumo, para garantir o sustento de sua família”, diz Serra em trecho do documento.

“Em algumas cidades, a Dilma teve mais de 80% dos votos. Por isso pedimos que a carta fosse redigida”, afirma o deputado ruralista Luís Carlos Heinze (PP-RS).

O Brasil é o segundo maior produtor e o principal exportador mundial de fumo. O Sul concentra 90% da atividade.

via Folha de S.Paulo – Na terra do fumo, tucano tenta amenizar fama de antitabagista – 25/10/2010.

Ideal, antipetismo e ajuda de custo movem tucanos

LAURA CAPRIGLIONE, da Folha de São Paulo

O pink quase fosforescente, uniforme do grupo de 20 mulheres que aguardava a chegada de José Serra na porta de um hotel de Porto Alegre (RS), na última sexta-feira, só não chamava mais atenção do que a gritaria que elas promoviam -”Brasil Decente, Serra Presidente!”

Quando se cansavam, as militantes sacavam cópias de um artigo de jornal em que se lia: “Dilma Rousseff defende a legalização do aborto”, e começavam seu proselitismo: “Somos a favor da vida, e Dilma tem sido ambígua demais quando o assunto é aborto”, repetia a presidente da Ação da Mulher Progressista do Rio Grande do Sul, Ana Gorski Rodrigues.

O entusiasmo das Penélopes Charmosas gaúchas por José Serra não depende de ajudas de custo, quentinhas com almoço ou promessas de emprego. “É ideologia mesmo. É um ideal”, dizia a octogenária cor-de-rosa do boné ao tênis, só os imensos olhos azuis destoando.

“É por ideologia, sim, que estou aqui”, proclamava o segundo tenente reformado Adair Gonçalves, 60, gaúcho de Pelotas, ontem, na caminhada com Serra pelo calçadão de Copacabana, no Rio.

Gonçalves, membro de uma comunidade de militares na internet chamada “Brasil Acima de Tudo”, fez questão de levar para o ato duas “bombas”, como ele chamava duas folhinhas que exibia para todos em volta. Em uma, via-se imagem de Dilma supostamente fotografada ao lado de uma metralhadora.

A coordenação de campanha da candidata petista tachou a imagem de “fotomontagem grosseira” -”Mesmo no julgamento a que a ditadura a submeteu, ela não foi acusada de ter participado de nenhuma ação que envolvesse armas”, diz um blog antiboatos mantido pelo PT.

A outra “bomba” de Gonçalves era uma suposta certidão de nascimento lavrada na Bulgária, atestando que a candidata petista teria nascido naquele país. “Ela nem brasileira é”, pregava o militar reformado.

No calçadão de Copacabana, distribuíram-se 200 capacetes, desses de operários, que foram disputados a empurrões pelos serristas.

Os mesmos capacetes já haviam aparecido, na véspera, em um bairro popular de Campinas onde Serra fez campanha. “É para a gente se proteger das agressões petistas”, disse a psicóloga e escritora Ana Parreira, 58. “Pode vir coisa bem pior do que bolinhas de papel.” Não veio.

“Nós não queremos que o Brasil se transforme em uma Cuba ou em uma Venezuela”, discursava, risonha e confiante entre suas amigas, a administradora de empresas Maria Tavares, 65. O forte sotaque nordestino, ela não revelava de onde é. As amigas em tom de mistério diziam que Maria é uma celebridade da política alagoana refugiada há anos no Rio -mora ali, na área nobre da avenida Atlântica que assistiu à manifestação tucana.

O professor universitário de Direito João Francisco Sauwen Filho, 74, acompanhado pela também professora Regina Fiuza, 66, assim explicou seu apoio à candidatura Serra: “Cansei dessa cafajestocracia que dominou o Brasil.” Instado pela Folha a explicar seu ponto de vista, o docente completou: “Posso estar sendo um tanto heterodoxo, mas eu não acredito em nenhuma solução que não passe pelas elites. A solução que não passar [pelas elites] é meia-sola”, disse.

Entre tantos militantes “ideológicos”, ainda se vê, no meio das hostes serristas, o velho cabo eleitoral remunerado, aquele sujeito que, em troca de R$ 50, agita durante seis horas consecutivas as bandeiras do PSDB. Como Natália Antunes, 25, moradora de um conjunto residencial popular.

No sábado, Natália e um grupo de 60 outras jovens, faziam figuração em uma rápida visita de Serra à periferia de Campinas (SP).

Serra desceu da van, andou menos de 100 metros, cercado por um enxame de repórteres e fotógrafos, parou no estacionamento de uma lanchonete, deu uma entrevista coletiva em que detonou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), peça-chave do programa do PT, entrou na van e sumiu.

“Foi rapidinho”, comemorou Jenifer Souza, 21, que receberá como se tivesse trabalhado seis horas. Natália vota em Serra, convicta. Suas amigas, não. São dilmistas que estão ali só por causa do dinheiro. Todas estão desempregadas. “Bandeirar é nossa atual profissão”, diz, aproveitando para pedir “uma vaguinha na Folha depois que a campanha acabar”.

via Folha de S.Paulo – Ideal, antipetismo e ajuda de custo movem tucanos – 25/10/2010.

Na reta final da disputa, petista e tucano focam Sudeste

Na reta final da campanha, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) decidiram priorizar os mesmos Estados, a começar por São Paulo.

Os dois intensificarão agenda na Grande São Paulo: ele, para ampliar sua vantagem no Estado. Ela, para conter o crescimento do adversário em reduto tucano.

O comando da campanha de Serra mapeou cidades onde o desempenho do candidato está abaixo da média: além de São Paulo e Rio, Paraná e Rio Grande do Sul estão no roteiro da reta final. Ele fará duas visitas ao Nordeste: Bahia e Pernambuco.

Tucanos também apostam no acirramento da disputa no horário eleitoral e nas ruas. Para última semana, o comando da campanha reuniu munição contra Dilma, especialmente nas denúncias na área da Eletrobras.

O PSDB insistirá na tecla dos valores éticos e de que o PT ameaça a democracia. O ex-ministro José Dirceu continuará a estrelar o programa de Serra. O partido também espera um bom desempenho de Serra nos últimos debates -na Record, hoje às 23h, e na Globo, na sexta-feira.

Já a campanha petista deve prosseguir com críticas ao adversário, o tucano José Serra, focadas na TV, enquanto Dilma e Lula somarão forças em agendas “propositivas” separadas pelo Sudeste, Nordeste e Sul do país.

As críticas a José Serra, que marcaram a campanha petista em todo o segundo turno, em especial na TV e rádio, devem continuar no horário eleitoral gratuito.

O foco será a comparação de projetos e administrações de FHC e Lula. Há um esforço para evitar que a candidata à Presidência e, em especial, Lula, façam ataques a Serra em entrevistas, como ocorreu nos últimos dias.

Secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo diz: “Fazer críticas é inerente ao segundo turno”, quando é preciso comparar os projetos”. (CATIA SEABRA E ANA FLOR)

via Folha de S.Paulo – Na reta final da disputa, petista e tucano focam Sudeste – 25/10/2010.

Folha de S.Paulo – PSDB dispara 5 milhões de ligações de Aécio – 25/10/2010

NATUZA NERY, da Folha de São Paulo

Como última ofensiva para conquistar eleitores em Minas Gerais, uma gravação com a voz do senador eleito Aécio Neves (PSDB) pede, desde ontem, votos para o candidato tucano José Serra.

O objetivo da campanha é explorar o capital político do ex-governador no Estado e atingir 5 milhões de pessoas nos próximos dias.

O número é expressivo. Trata-se de um quinto do eleitorado local, que elegeu Aécio para uma vaga do Senado com 39,47% dos votos.

As telemensagens fazem parte de um derradeiro esforço da campanha nacional tucana para atrair votos no segundo maior colégio eleitoral do país.

FOCO MINEIRO

Por seu tamanho, o Estado de Minas Gerais é apontado como o fiel da balança das eleições. Tradicionalmente, quem vence lá acaba deixando as urnas eleito presidente da República.

Não por acaso, Serra e sua adversária do PT, Dilma Rousseff, transformaram o Estado em uma das trincheiras mais cobiçadas desta campanha.

Enquanto o primeiro conta com o apoio de Aécio- escolhido senador após dois mandatos no Palácio da Liberdade-, a segunda exibe ao seu lado o presidente Lula, igualmente bem avaliado pela população mineira.

José Serra ainda não bateu o martelo, mas deve visitar Minas mais uma vez antes do segundo turno, no dia 31.

Dilma encerrará sua campanha em Belo Horizonte, no sábado, véspera da votação.

Apesar de ter nascido na capital, esse vínculo não lhe rendeu a vitória no primeiro turno. Foi Marina Silva, do PV, quem levou a maioria dos votos por lá. Serra acabou em terceiro lugar.

Hoje, as pesquisas internas do PSDB dão conta de que, em terras mineiras, o tucano está à frente por uma curta vantagem. As do PT, ao contrário, mostram liderança de sua candidata um pouco acima da margem de erro.

DIFERENÇA

Nas palavras de um tucano, Aécio pode fazer a diferença e definir o jogo mineiro. O ex-governador rodou o Brasil nos últimos dias em favor do aliado, mas integrantes da campanha pedem que, a partir de agora, ele não tire os pés do Estado.

Segundo a Folha apurou, o comando da campanha oposicionista está contente com o desempenho do aliado neste segundo turno, ao contrário das críticas do primeiro de que não se engajava.

Além das telemensagens com sua assinatura de voz- estratégia já empreendida no Paraná por Beto Richa, eleito governador do Estado, por exemplo- Aécio apareceu em diversos programas de TV. Há quem defenda que ele substitua Serra nas inserções do horário eleitoral gratuito.

Nas contas do tucanato, só Minas pode neutralizar os votos do Nordeste, região que deu à Dilma no último Datafolha uma liderança com 65% dos votos, contra 28% dados a José Serra.

via Folha de S.Paulo – PSDB dispara 5 milhões de ligações de Aécio – 25/10/2010.

Fiscais relatam pressão política no Ibama

RUBENS VALENTE, da Folha de São Paulo

Fiscais do Ibama relataram à Procuradoria da República em São Paulo e a uma sindicância interna uma suposta pressão política exercida pela superintendente do órgão no Estado, Analice de Novais Pereira, para livrar empresas de multas e embargos aplicados pela fiscalização do instituto.

Filiada ao PT de Osasco (Grande SP) desde 1981, Analice, 47, é irmã de Silvio Pereira, ex-secretário-geral nacional do partido, implicado em 2005 no escândalo do mensalão. Ela comanda o Ibama paulista desde 2003.

Em entrevista à Folha, Antonio Paulo de Paiva Ganme, ex-chefe da fiscalização em São Paulo, apontou indícios de “uso político” do órgão na pré-campanha presidencial.

Segundo ele, em abril, às vésperas da inauguração do trecho sul do Rodoanel, um carro-chefe da campanha do ex-governador José Serra (PSDB) à Presidência, seus superiores pediram uma fiscalização de emergência no local.

Entre os casos levantados, há uma ação do deputado federal Vicentinho (PT-SP). Por e-mail, em dezembro de 2008, ele pediu que Analice atendesse a empresa sucroalcooleira Dedini para tratar de multa e embargo, aplicados no mês anterior, em obras de um porto da empresa.

No dia seguinte ao e-mail, Analice assinou termo de desembargo parcial da obra.

O deputado confirmou o e-mail à Folha. “O advogado [da Dedini] é amigo meu de longa data e na época me pediu para que eles fossem recebidos para resolver pendências. Mas não sei o que aconteceu [depois].”

Na sindicância, os fiscais disseram que o desembargo ocorreu “a toque de caixa, sem parecer jurídico prévio, para atender a solicitação do deputado”.

A Dedini confirmou o encontro com Analice: “A Dedini realizou uma reunião técnica e oficial, apresentando relatório completo da situação referente à obra no porto de São Sebastião”.

ESTOPIM

Os atritos entre os fiscais e o comando local do Ibama começaram em 2008, mas se agravaram em julho último, quando o órgão destituiu dois fiscais que, um dia antes, haviam embargado as atividades do porto de Santos, gerido pela Codesp, estatal do Ministério dos Transportes. Um dos atingidos foi Ganme.

Na autuação, conforme relataram os fiscais, representantes da Codesp disseram ter amizade com Analice, para quem telefonaram.

Em agosto, os dois fiscais, acompanhados de procuradoras federais do Ibama, prestaram depoimento ao procurador da República José Roberto Pimenta.

“A superintendente tem ilegalmente interferido na fiscalização para favorecer determinadas empresas”, declararam. Lançaram dúvidas sobre decisões em prol da construtora Queiroz Galvão e das usinas Tanabi e Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool.

Em agosto, a procuradora da República que assumiu o caso, Inês Prado Soares, enviou recomendação ao Ibama para que fosse aberto procedimento interno e sugeriu que Analice fosse afastada do cargo até o final das investigações. A sindicância foi aberta, mas Analice foi mantida no posto.

“”Há grande possibilidade de que a sra. Analice interfira no andamento de procedimento administrativo que investiga sua própria conduta”, alertou Inês.

À correição aberta e conduzida por procuradores do Ibama de Brasília, os fiscais anexaram denúncias e prestaram depoimentos.

O analista ambiental Carlos Daniel Gomes Toni falou em “pressão política” e “assédio moral”.

“Rogo que esta comissão inclua em seu relatório que encontrou em São Paulo servidores que não se curvam às pressões políticas daqueles que fazem da administração pública seu balcão de interesses”, escreveu Toni.

via Folha de S.Paulo – PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010:Fiscais relatam pressão política no Ibama – 25/10/2010.

Lula volta a acusar Serra de armar “farsa”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que a agressão sofrida pelo presidenciável José Serra (PSDB), no Rio, foi simulada.

Em comício da candidata Dilma Rousseff (PT), ontem à noite, em Uberlândia (MG), Lula disse que foi jogado um “papelzinho” na cabeça do tucano e que a agressão é uma “farsa que tentaram jogar na cabeça do povo”.

“Nunca o povo foi respeitado como agora, e a gente não pode jogar isso fora por um bando de mentira que está sendo contado. Até um papelzinho que foi jogado na cabeça leva o cidadão a fazer tomografia”, disse Lula.

“É uma vergonha a farsa que tentaram jogar na cabeça do povo. Tem muita gente pobre aqui que morre e não consegue fazer ultrassonografia e ressonância magnética”, afirmou o presidente.

A campanha de Dilma decidiu manter a estratégia de afirmar que o tucano “se fez de vítima”, pelo menos até que ficassem prontas as planilhas apuradas pelo marketing, por meio de pesquisas para medir a repercussão da agressão contra Serra.

Segundo a Folha apurou, alguns integrantes do grupo dilmista avaliaram que a polêmica só ganhou dimensão maior com a crítica de Lula.

Para alguns dos interlocutores, Lula teria se precipitado.

Após o episódio, os primeiros programas de TV da candidata exploraram a versão de que Serra fora alvejado somente por uma bolinha de papel, mas imagens feitas pela Folha dão conta de que um objeto circular e transparente também o acertou.

Petistas afirmam que o problema, na verdade, não reside em qual objeto atingiu o tucano, mas, sim, na “espetacularização do fato”.

Segundo um petista, a campanha explorou o episódio para tentar neutralizar o programa de Serra, que levou o caso à TV, associando o PT à violência. Havia, ainda, a intenção de “ridicularizar” o tucano, comparando-o ao goleiro chileno Rojas, que simulou um ferimento em partida contra o Brasil pelas eliminatórias da Copa de 1990.

COMÍCIO

Sobre Serra ter responsabilizado a “turma da Dilma” pelo confronto no Rio, Lula disse que o público do comício era a “turma da Dilma”.

“A turma da Dilma é a turma da paz, que paga imposto de renda, INSS e que sustenta este país”, afirmou Lula.

Em seu discurso, Dilma pediu à população que não dê ouvidos às versões de fatos sobre sua vida e disse que isso deve se intensificar com a proximidade do pleito.

“De hoje até o dia da eleição vão tentar criar falsidades e calúnias, como vêm fazendo, semeando o ódio e uma coisa muito ruim, que é o conflito religioso.” Durante o dia, a petista disse que, apesar de ter sido alvo de um balão de água em Curitiba, não saiu “por aí acusando a campanha dele [Serra]“. (PAULO PEIXOTO, NATUZA NERY, RANIER BRAGON e MÁRCIO FALCÃO)

via Folha de S.Paulo – Lula volta a acusar Serra de armar “farsa” – 23/10/2010.

Agressão a Serra é uma farsa, diz Lula

GRACILIANO ROCHA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o candidato José Serra (PSDB) de simular ter sido agredido durante ato de campanha no Rio anteontem. Lula chamou o incidente de “mentira descarada” e “farsa”.

Citando imagens das redes de TV SBT e Record, o presidente disse que Serra foi atingido por uma bola de papel e só após receber um telefonema, 20 minutos depois, “fingiu” ter sido agredido.

O vídeo que mostra o tucano sendo atingido por uma bola de papel, exibido pelo SBT, entretanto, corresponde a um momento anterior ao candidato ter sido atingido por um rolo de fita crepe, já no final da caminhada em Campo Grande, no Rio.

“A mentira que foi produzida ontem pela equipe de publicidade do candidato José Serra é uma coisa vergonhosa. Ontem deveria ser conhecido como dia da farsa, dia da mentira”, disse Lula, após inaugurar obras do Polo Naval em Rio Grande (309 km de Porto Alegre).

O presidente comparou Serra ao ex-goleiro da seleção chilena de futebol Roberto Rojas, banido após fingir ter sido atingido por um foguete sinalizador em partida contra o Brasil, em 1989.

“Primeiro bateu uma bola de papel na cabeça do candidato, ele nem deu toque pra bola, olhou pro chão e continuou andando. Vinte minutos depois, esse cidadão recebe um telefonema, deve ser o diretor de produção dele que orientou que ele tinha que criar um factoide.”

No Rio Grande do Sul, Dilma fez a mesma comparação com o jogador. “Hoje nós vimos uma bolinha de papel virar uma arma maligna”, disse. “O mesmo expediente do Rojas, que se feriu com uma gilete para criar tumulto.”

O presidente também citou o fato do candidato ter sido atendido pelo médico Jacob Kligerman, que integrou o secretariado do ex-prefeito do Rio Cesar Maia e dirigiu o Inca (Instituto Nacional do Câncer) durante a gestão de Serra no Ministério da Saúde.

Lula contou que chegou a discutir com petistas a possibilidade de telefonar para Serra para se solidarizar e condenar a agressão, mas foi demovido da ideia após ver as imagens.

QUEBRA DE SIGILOS

Ontem, Lula também atribuiu a quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas a Serra a “tucano tentando bicar tucano”, em referência à disputa interna que opôs o candidato ao ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) pelo posto de presidenciável do partido.

Sobre o inquérito da Polícia Federal, Lula mencionou o jornalista Amaury Ribeiro Jr., que disse ter obtido informações após saber que um grupo de inteligência de Serra seguia Aécio.

via Folha de S.Paulo – Agressão a Serra é uma farsa, diz Lula – 22/10/2010.

Dois objetos foram atirados contra Serra durante confronto no Rio anteontem

Imagens feitas pela Folha mostram que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi atingido por um objeto circular e transparente durante uma caminhada na quarta-feira em Campo Grande, zona oeste do Rio.

As imagens foram examinadas pelo perito Ricardo Molina, a pedido da TV Globo, e exibidas ontem à noite no “Jornal Nacional”.

Ele também examinou as imagens exibidas pelo SBT, quando Serra é atingido por um objeto que parece uma bolinha de papel. Concluiu que são momentos distintos.

O instante do vídeo do SBT é usado na internet para acusar Serra de exagerar na reação ao episódio.

As imagens da Folha, feitas com um celular pelo repórter Italo Nogueira, da Sucursal do Rio, que acompanhava a caminhada, mostram que o candidato pôs as mãos na cabeça segundos antes de entrar na van.

O candidato do PSDB chegou por volta das 13h no calçadão de Campo Grande. Em início tranquilo, cumprimentou eleitores. Na caminhada, decidiu entrar numa loja para falar com os clientes.

Neste momento, dois sindicalistas chegaram com cartazes próximo à loja criticando a gestão do tucano no Ministério da Saúde.

Militantes do PSDB arrancaram os cartazes, iniciando as primeiras agressões físicas. Cabos eleitorais do PT se juntaram à dupla anti-Serra, o que generalizou o conflito no calçadão, envolvendo cerca de cem pessoas.

Ao sair da loja, o tucano virou alvo dos protestos. Petistas tentavam se aproximar, mas eram empurrados pelos cabos eleitorais do PSDB. Neste momento, o SBT flagra o candidato sendo atingido por uma bolinha de papel.

No trajeto de cerca de 200 metros, o tucano inicialmente tentou ignorar o caos no entorno. Depois se irritou, xingou de volta, e foi contido pelo vice Indio da Costa.

Ao final do calçadão, Serra põe a mão na cabeça, indicando ter sido atingido por um objeto -momento flagrado pela Folha.

O deputado Fernando Gabeira (PV) e pastores que o acompanhavam afirmam ter visto um objeto acertando o candidato tucano.

Em segundos, ele corre para dentro de sua van, parada na rua Viuva Dantas, empurrado por seguranças.

A van andou por cerca de cem metros e parou. Serra desceu, ladeado por cabos eleitorais do PSDB. Nesse momento, foi flagrado tocando a cabeça, como se sentisse dor. Disse então ter se sentido “meio grogue” e colocou um saco com gelo no local.

via Folha de S.Paulo – Dois objetos foram atirados contra Serra durante confronto no Rio anteontem – 22/10/2010.

Ibope mostra Dilma 11 pontos à frente de Serra

Do site do Estadão

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, está 11 pontos porcentuais à frente de José Serra (PSDB), segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada nesta quarta-feira, 20. A petista tem 51% das intenções de voto contra 40% de José Serra (PSDB). Considerando-se apenas os votos válidos (excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos), Dilma teria 56% contra 44% do tucano.

A petista praticamente dobrou a diferença em relação ao tucano registrada na pesquisa anterior, realizada entre os dias 11 e 13 de outubro. Naquele levantamento, Dilma tinha 49% das intenções de voto (53% dos votos válidos) contra 43% de Serra (47% dos votos válidos). No primeiro turno, a candidata do PT teve 46,9% dos votos válidos, contra 32,6% do adversário.

A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 20 de outubro e está registrada no TSE sob o protocolo

36476/2010. Foram realizadas 3010 entrevistas em todo o País. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

via Ibope mostra Dilma 11 pontos à frente de Serra – politica – Estadao.com.br.

Serra é agredido durante enfrentamento entre militantes em ato de campanha no Rio

Do Globo Online

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, viveu no início da tarde desta quarta-feira um dos momentos mais tensos desde o início da campanha eleitoral, em julho. Durante uma caminhada pelo calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, militantes do PT chegaram para confrontar com bandeiras a comitiva do tucano. Houve muito empurra-empurra e comerciantes fecharam as lojas com medo da briga. De acordo com o deputado federal Fernando Gabeira (PV), o presidenciável chegou a ser ferido na cabeça.

Segundo o pastor Maurício Teixeira, que estava ao lado de Serra no momento de maior conflito, um militante petista atirou uma bobina de adesivos de papel, que acertou a cabeça do candidato. No meio da confusão, o tucano comentou rapidamente o episódio.

- Esse é o estilo deles. É o estilo das tropas de assalto dos nazistas. Um comportamento muito típico de movimentos fascistas – disse Serra, que estava visivelmente tenso.

O empurra-empurra entre os militantes tucanos e petistas começou na metade final da caminhada, depois que os cabos eleitorais do PT passaram a xingar Serra. No meio da confusão entre as militâncias, o objeto teria sido lançado na cabeça do presidenciável.

Serra chegou a entrar na van de sua campanha após o incidente, mas o veículo parou poucos metros depois, quando o candidato desembarcou para seguir com a caminhada. O tucano passava a mão na cabeça, mas não havia sinal de sangramento. Após caminhar por 100m, Serra entrou novamente na van e foi embora.

via Serra é agredido durante enfrentamento entre militantes em ato de campanha no Rio – O Globo Online.

Jornalista ligado à campanha de Dilma confessa violação de sigilo de tucanos

Do site do jornal O Estado de São Paulo

A investigação da Polícia Federal aponta que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. encomendou a quebra dos sigilos fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha de José Serra, Verônica, do genro dele, Alexandre Bourgeois, e de outros tucanos entre setembro e outubro de 2009. De acordo com a PF, na época, o jornalista trabalhava no jornal Estado de Minas, que teria custeado as viagens dele a São Paulo para buscar os documentos. O jornalista participou do grupo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) em 2010, quando não tinha mais vínculo com o jornal mineiro. Esteve, inclusive, numa reunião em abril com a coordenação de comunicação da campanha petista para discutir a elaboração de um dossiê contra os tucanos.

Em depoimento que durou 13 horas na semana passada, Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia, que trabalha em São Paulo. Mas não contou de onde saiu o dinheiro. Amaury disse à PF que decidiu fazer a investigação depois de descobrir que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria comandando um grupo de espionagem a serviço de José Serra para devassar a vida do ex-governador Aécio Neves. Ele afirmou que deixou o jornal no final de 2009, mas deixou um relatório completo de toda a apuração, levando uma cópia consigo para futura publicação de um livro. Na sua versão, a inteligência do PT teria tomado conhecimento do conteúdo de sua investigação e o convidou para trabalhar na equipe de campanha de Dilma.

No ano passado, encomenda de Amaury foi repassada pelo despachante Dirceu Rodrigues Garcia ao office-boy Ademir Cabral, que pediu ajuda do contador Antonio Carlos Atella. Este último usou uma procuração falsa para violar os sigilos fiscais de Verônica Serra e seu marido, Alexandre Bourgeois, numa agência da Receita Federal em Santo André. Por conta da confissão, Amaury pode ser indiciado por corrupção ativa e co-autoria da violação do sigilo fiscal.

Depois de deixar o emprego no jornal, ele participou de uma reunião em abril com integrantes da pré-campanha de Dilma. Presente ao encontro, ocorrido num restaurante em Brasília, o delegado Onésimo de Souza afirmou à polícia que foi chamado para cuidar da segurança do escritório do jornalista Luiz Lanzetta, responsável até então pela coordenação de comunicação da campanha de Dilma. Lanzetta deixou a campanha em junho após a revelação do caso.

Amaury confirmou que durante o período em que ficou em Brasília, em abril de 2010, negociando com a equipe da pré-campanha de Dilma, a despesa do flat onde ficou hospedado foi pago por “uma pessoa do PT”, ligada à candidatura governista. A PF já fechou praticamente todo o caso. Resta saber agora de onde saíram os R$ 12 mil e quem é a pessoa do PT que pagou a hospedagem do jornalista.

via Jornalista ligado à campanha de Dilma confessa violação de sigilo de tucanos – politica – Estadao.com.br.

No JN, Serra diz que PT usa denúncia contra Paulo Preto para ‘nivelar todo mundo’

André Mascarenhas, do Estadão

Em entrevista ao Jornal Nacional na noite desta terça-feira, 19, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, atribuiu a adversários as denúncias contra o ex-diretor da Dersa Paulo Viera de Souza, o Paulo Preto, e classificou as acusações contra sua campanha como uma tentativa do PT em se “niverlar” por meio de escândalos.

Perguntado sobre a declaração de Paulo Preto, de que “não se abandona um líder ferido na estrada”, Serra disse que não houve desvio de dinheiro em sua campanha, e acrescentou que, se houvesse, ele que seria a vítima. “Sempre existe num partido gente que gosta de um, gente que não gosta do outro. O fato é que não houve o essencial, que é o desvio de dinheiro na minha campanha. Porque eu saberia. Em todo caso, nós seríamos a vítima”, disse.

Reportagem publicada pela revista IstoÉ afirma que o ex-diretor da Dersa teria desviado cerca de R$ 4 milhões de um suposto caixa dois da campanha tucana.

Serra voltou a negar as acusações, mas ponderou que, se fosse verdadeiro, o caso não teria a mesma importância de escândalos como o de tráfico de influência na Casa Civil, que resultou na demissão da ex-ministra Erenice Guerra. “Não se trata nem de dinheiro do governo. É um dinheiro que foi contribuição para uma campanha”, disse. “Eu não tenho nenhum chefe da Casa Civil que ficou do meu lado e que aprontou tudo o que a Erenice aprontou, braço direito da Dilma”, acrescentou. Erenice foi chefe de gabinete da candidata do PT, Dilma Rousseff, durante sua passagem pela chefia da Casa Civil.

Segundo Serra, o PT “gosta de vir com ataques destes meio incompreensíveis para nivelar todo mundo.”

O candidato do PSDB também foi questionado sobre a contratação da filha de Paulo Preto durante suas passagens pela prefeitura e pelo governo de São Paulo. Segundo Serra, não foi ele o responsável por oferecer os empregos à jovem, que teria a qualificação necessária para os cargos que ocupou. Em sua resposta, o tucano voltou a citar o caso Erenice. “Ela não está em nenhum cargo que tome decisões, faça lobby, pegue dinheiro, como no caso dos filhos da Erenice”, disse.

Aborto. Serra voltou a ter de se pronunciar sobre a exploração do tema aborto por sua campanha. Na opinião do candidato, foi o PT que levou o assunto para o debate, através promulgação do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que, segundo ele, “tornava transgressor, criminoso, aquele que fosse contra o aborto”.

“Não fomos nós que levantamentos, nem nós exploramos”, disse. Para o candidato do PSDB, a polêmica em torno do caso foi uma reação da população às contradições de Dilma, que no passado “manifestou-se à favor do aborto” e que hoje diz ser contra. “Eu sempre manifestei que sou contra a liberação do aborto. E nunca explorei isso do ponto de vista de que ela (Dilma) estaria errada por ser à favor do aborto. O que acontece é que ela afirmou uma coisa, e depois afirmou o oposto”, anotou.

Serra acrescentou que sempre visitou igrejas nas campanhas das quais participou. “Não há nada forçado nesse sentido. E, aliás, a candidata não fez outra coisa senão frequentar igrejas. Coisas que habitualmente ela não fazia.”

via No JN, Serra diz que PT usa denúncia contra Paulo Preto para ‘nivelar todo mundo’ « Radar político.

Tarso diz que imprensa foi “bloco de sustentação” de Serra

VALDO CRUZ, da Folha de São Paulo

Governador eleito do Rio Grande do Sul, o petista Tarso Genro diz que boa parte da imprensa funcionou como “bloco auxiliar de sustentação” da candidatura do tucano José Serra, o que foi um dos fatores determinantes para Dilma Rousseff não ter vencido no primeiro turno.

Ele não quis citar nomes, dizendo apenas que algumas empresas de comunicação declararam apoio formal e outras o fizeram de maneira implícita.

Adversário de Dilma quando ainda ministro de Lula, Tarso diz que ela fez uma “excelente campanha” e a isenta de culpa por não ter vencido no primeiro turno. A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha.

Folha – Por que Dilma não venceu no primeiro turno?

Tarso Genro – Embora estivéssemos esperando ganhar no primeiro turno, isso não é novidade. Lula, com todo o seu prestígio, também não ganhou. Dilma fez uma excelente campanha, alcançou praticamente o mesmo percentual do Lula nas outras eleições. Não pode ser debitada a ela, e sim a fatores imprevistos, que a campanha não levou em consideração.

Por exemplo?

A praticamente unanimidade que houve na mídia contra a candidatura Dilma. Houve um trabalho, muito bem-feito pelos tucanos, por dentro da maioria da mídia, não toda, que funcionou como bloco auxiliar de sustentação da candidatura do Serra e contra nós. Foi um fator importante, mas não deveríamos ter sido surpreendidos. Deveríamos ter considerado essa possibilidade.

Mas a imprensa cumpriu seu papel de expor candidatos…

A mídia faz isso e deve continuar fazendo, mas isso não tira o juízo de que a maioria o fez em função da candidatura do Serra, o que é natural num processo democrático. Nem se exigiu que fosse o contrário. Como em outras oportunidades, pessoas do nosso campo político tiveram uma sustentação, pelo menos equilibrada, em relação a outros candidatos.

Que setores da mídia?

Não toda, parte da mídia. Não houve uma articulação total, até porque a mídia no Brasil tem uma certa diversidade. Parte da mídia inclusive declarou formalmente o apoio [a Serra], e outros o fizeram de maneira implícita.

E o voto conservador, a agenda religiosa, do aborto?

É uma pauta que pesou e teve uma incidência no processo eleitoral que não estava prevista nem pela direção da nossa campanha nem, na minha opinião, estava prevista como estratégia do Serra. Surgiu no debate político de maneira aleatória e virou questão importante.

Concorda com esse debate?

O debate numa campanha eleitoral é incontrolável. Não acho que seja apropriado, mas tem de ser respeitado.

E o fator Marina? O sr. disse que gostava das duas candidatas, mas pessoalmente mais da Marina?

Eu não dei essa declaração. Foi uma distorção da minha fala. Quando digo que havia um setor da mídia apostando contra a Dilma, me refiro também a isso. O que disse é que gostava igual das duas, tinha uma história antiga de amizade com a Marina, e tinha mais simpatia política pela Dilma. Pode pedir a degravação. O fator Marina foi, sim, importante, uma candidata séria. Fez um bom discurso político, convincente, e foi apoiada por setores que fizeram a pauta política de questões como aborto, pauta importante.

Aliados criticaram a despolitização da campanha de Dilma no primeiro turno. Concorda?

A campanha foi afirmativa do governo Lula. Foi uma campanha correta. O que não houve foi a percepção de que a agenda estava mudando.

Uma eventual derrota de Dilma vai levantar questionamentos sobre uma candidatura escolhida solitariamente pelo presidente Lula e não pelo PT.

Não acho que isso vá ocorrer. Vamos ganhar a eleição. Eu jamais tive uma disputa com a Dilma, porque, na medida em que o presidente deixou claro que ela era a candidata, minha posição foi de solidariedade.

via Folha de S.Paulo – Tarso diz que imprensa foi “bloco de sustentação” de Serra – 20/10/2010.

Propostas de Serra criam gasto de R$ 46 bi

Fernando Canzian, da Folha de São Paulo

As quatro principais promessas de campanha para a área social do candidato à Presidência José Serra (PSDB) custariam aos cofres públicos mais de R$ 46 bilhões em 2011.

O valor é praticamente uma vez e meia de tudo o que a União desembolsou para estradas, portos, aeroportos e em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no ano passado.

Em 2009, os desembolsos públicos na infraestrutura somaram R$ 32,1 bilhões, maior valor desde 1995.

Em outras comparações, os gastos que Serra pretende criar equivalem a 80% do orçamento deste ano do Ministério da Educação. Ou ao que custaria construir uma vez e meia o trem-bala Rio-SP.

O consultor de Serra para a área econômica Geraldo Biasotto diz ser “viável encaixar esses gastos no perfil do Orçamento público”.

“Serra pretende reorganizar o Orçamento e as contas financeiras do setor público”, afirma Biasotto (leia texto nesta página).

São quatro as principais propostas de Serra para a área social, que somariam os R$ 46,2 bilhões:

1) Elevar o valor do salário mínimo para R$ 600 (ao custo de R$ 17,1 bilhões);

2) Reajustar as aposentadorias acima do mínimo em 10% (R$ 15,4 bilhões);

3) dobrar o Bolsa Família (R$ 12,7 bilhões);

4) Criar o 13º para esse benefício (R$ 1 bilhão).

Os cálculos levam em conta números oficiais dos ministérios do Planejamento, da Previdência e do Desenvolvimento Social.

Para cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, por exemplo, a despesa pública cresce R$ 286 milhões. Já o peso anual dos benefícios da Previdência acima de um salário mínimo é de R$ 154 bilhões.

Para José Márcio Camargo, economista da PUC-Rio, as propostas de Serra constituem o “uso inadequado do dinheiro público”.

Camargo argumenta que o Brasil tem apenas 7% de sua população com idade superior a 65 anos.

Mas gasta o equivalente a 13% do PIB (Produto Interno Bruto) com a Previdência.

“É o padrão de gastos da Europa, que tem 20% da população idosa. Investimos no passado, e não no futuro, com mais educação”, afirma.

O economista Felipe Salto, da Tendências, diz que, se adotadas, as medidas vão atrasar em ao menos um ano o “necessário ajuste que deve ser feito no setor público”.

Salto considera, porém, que um governo Dilma Rousseff (PT) tenderia a gastar mais do que Serra. “Dilma acredita no Estado atuando e gastando mais”, diz.

Para Sérgio Vale, da MB Associados, “como Serra sabe que manter o equilíbrio fiscal é importante, se ele optar por essas medidas de expansão, terá que segurar em outros gastos”.

“O problema é onde cortar. Parar de contratar e aumentar salário pode não ser suficiente”, afirma.

via Folha de S.Paulo – Propostas de Serra criam gasto de R$ 46 bi – 20/10/2010.

Marco Antonio Villa: Vale tudo

MARCO ANTONIO VILLA, professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar, na Folha de São Paulo

ESTAMOS ASSISTINDO à eleição mais disputada desde 1989. E, como era esperado -até em razão da indefinição de parcela do eleitorado-, a mais violenta. Nada indica que a virulência dos discursos e as ameaças diminuirão. O governo está usando todas as armas. As entidades e movimentos sociais pelegos estão a pleno vapor apoiando a candidata oficialista. Afinal, foram sustentados durante oito anos e agora é a hora de pagar pelos serviços recebidos antecipadamente.

É o momento do vale tudo. Com um coquetel ideológico infernal, o governo conseguiu reunir apoio que vai de José Sarney, passa por Renan Calheiros, chega a Fernando Collor e termina em Oscar Niemeyer. Sem esquecer Jader Barbalho, Paulo Maluf e Newton Cardoso. Dos políticos nacionais é a escória, o que existe de mais nefasto. Da antiga esquerda, são os velhos stalinistas, que nunca viram nada de errado nas ditaduras socialistas, nos campos de concentração, na morte de milhões de cidadãos, na supressão das liberdades.

É uma perversa aliança que tem muitos pontos em comum, como o ódio à liberdade de imprensa, de manifestação e de organização.

Além da política da boquinha, do saque organizado do erário público, que vai do ranário ao edifício público monumental, mas inabitável.

Lula já pensa no futuro. Está no estágio de que não mais dissocia sua ação daquela vinculada aos destinos do país. Vestiu o figurino de salvador da pátria. E gostou. A cada dia fica mais irritado com a oposição. Não aceita qualquer questionamento. Sua ação está paulatinamente saindo do campo da política. Ficou furioso com a realização do segundo turno e as derrotas nos estados de São Paulo e Minas. Achou uma ingratidão.

O segundo turno contrariou seus projetos para o futuro. Queria vender para o mundo uma unanimidade que nunca teve. A imprensa mundial, que serviu de caixa de ressonância para seu projeto, ficou estupefata com o resultado das urnas, pois acreditou nas bravatas. Lula necessitava vencer de goleada para tentar obter algum cargo em uma instituição internacional. Se pôde salvar o Brasil, porque não o mundo? Mas o realismo das grandes potências -especialmente depois da trapalhada envolvendo o Irã- afastou qualquer possibilidade do “ungido”, o “esperado”, pudesse regressar de sua breve odisseia e retomar o poder.

Teremos mais dez dias de acusações, calúnias e coações de todos os tipos. É a “república hilariante”, como bem definiu Euclides da Cunha, caracterizada pelo que chamou de “bandalheira sistematizada”. Pobre Brasil.

via Folha de S.Paulo – Marco Antonio Villa: Vale tudo – 20/10/2010.

PSDB critica pesquisa que aponta aumento da vantagem de Dilma

Da Folha de São Paulo

O presidenciável tucano José Serra afirmou ontem no Rio que o instituto Vox Populi, cuja última pesquisa apontou um crescimento da vantagem da candidata Dilma Rousseff (PT) sobre o tucano, não tem credibilidade.

“Pesquisa do Vox Populi nós não levamos em consideração porque se trata de um instituto de comprovada falta de credibilidade que maquiou os resultados do primeiro turno inteiro para realidade das urnas mostrar como eles estavam fantasiando”, afirmou Serra, que esteve no escritório do deputado Fernando Gabeira (PV).

Em São Paulo, Sérgio Guerra, presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra, classificou de “sem vergonha” a pesquisa, feita entre os dias 15 e 17 deste mês e que mostra Dilma com 57% dos votos válidos, contra 43% do tucano, e atacou o instituto e seu presidente, Marcos Coimbra.

O PSDB convocou uma entrevista coletiva, na capital paulista, apenas para falar sobre a pesquisa. No entanto, não anunciou qualquer medida judicial em relação a esse levantamento ou para evitar a divulgação de outros levantamentos do instituto.

A última pesquisa Datafolha, feita nos dias 14 e 15, também aponta vantagem de Dilma, mas com margem mais apertada: 54% x 46%. O Ibope, do dia 11 ao dia 13, apontou 53% x 47%.

“[O instituto] trabalha para o PT”, disse Guerra. “O Vox Populi enganou os brasileiros, procurou interferir na vontade deles.”

O senador argumentou que números negativos em pesquisas interferem no “ânimo” de aliados, que, com Serra no segundo turno, se engajaram mais diretamente na campanha.

Ao atacar a pesquisa, Guerra citou erros de previsão de outros levantamentos do instituto, sobretudo em relação ao resultado do primeiro turno -que indicava vitória da petista, com 53% dos votos válidos.

Por meio da assessoria, o Vox Populi afirmou que não comentaria as declarações. Coimbra não se manifestou.

via Folha de S.Paulo – PSDB critica pesquisa que aponta aumento da vantagem de Dilma – 20/10/2010.

Base aliada pede que Procuradoria investigue tucano e Paulo Preto

NANCY DUTRA, da Folha de São Paulo

Deputados governistas entraram ontem na Procuradoria-Geral da República com um pedido de abertura de investigação do candidato tucano à Presidência, José Serra, e do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto.

A ação faz parte da estratégia do PT de tratar as suspeitas sobre o ex-diretor como um dos principais temas da campanha presidencial.

O engenheiro é acusado de captar ilegalmente e fugir com R$ 4 milhões destinados à campanha de Serra.

Foram entregues duas representações. A primeira, assinada pelos líderes do governo e do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Fernando Ferro (PE), pede a apuração de desvios de recursos de obras do governo de São Paulo.

A segunda, do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), requer que o Ministério Público se empenhe em investigar Serra, o ex-diretor da Dersa e o senador eleito Aloysio Nunes (PSDB-SP) pela suspeita de caixa dois.

“É um fato concreto. Ele [Paulo Souza] é réu confesso. Confessou que usou dinheiro para fechar negócios e fazer obras”, afirmou o líder do governo na Câmara, em referência à declaração de Paulo Preto à Folha.

Na entrevista, ele negou ter arrecadado o dinheiro, mas disse ter criado “condições” para que a campanha de Serra conseguisse verba.

As suspeitas contra o engenheiro têm sido abordadas pela campanha petista inclusive nos programas eleitorais de Dilma Rousseff.

Anteontem, o ex-diretor disse que ia pedir ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) direito de resposta por conta do programa veiculado no domingo. Nele, Paulo Preto voltou a ser acusado de captar ilegalmente e fugir.

Para a defesa do engenheiro, a honra e a reputação dele foram atingidas.

Ontem, em entrevista ao “Jornal Nacional”, Dilma disse que “ele cuidava das mais importantes obras do governo de SP. Até agora não houve uma investigação e não houve um processo”.

via Folha de S.Paulo – Base aliada pede que Procuradoria investigue tucano e Paulo Preto – 20/10/2010.

Campanha de Serra vê perda de fôlego e traça mudanças

Da Folha de São Paulo

O comando da campanha de José Serra (PSDB) avalia que houve uma perda de fôlego nos últimos dias e estuda como manter a candidatura em ascensão.

Um reflexo disso foi o abandono do tema do aborto e de questões religiosas pelo tucano, que, ainda no fim do primeiro turno, identificou o assunto como calcanhar de Aquiles da campanha de Dilma Rousseff (PT) e como fator que contribuiu para sua chegada ao segundo turno.

O tema, contudo, já começa a ser visto com potencial negativo pelo PSDB, especialmente depois que a mulher de Serra, Monica, acabou incluída involuntariamente no noticiário, após o relato, feito por uma ex-aluna sua, de que ela havia feito um aborto no exílio no Chile.

No último debate, na RedeTV!, o tema foi escanteado pelos dois lados e deixou de aparecer no programa de TV.

PESQUISA

Ontem, o partido demonstrou publicamente uma contrariedade em grau ainda não manifestado em relação a uma pesquisa do Vox Populi que apontou crescimento da vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre o tucano, após uma onda positiva para Serra desde o primeiro turno.

A pesquisa deu início a um procedimento raro na campanha de Serra. O presidente do PSDB e coordenador da campanha, Sérgio Guerra, decidiu conceder entrevista coletiva com o objetivo de desqualificar o instituto e os números da pesquisa, que apontam ampliação da vantagem de Dilma sobre Serra.

Guerra fez um pronunciamento de nove minutos recheado de duros ataques ao instituto. Apesar das críticas, ele não anunciou nenhuma medida judicial em relação à pesquisa ou ao instituto.

Ao fim do prounciamento, não concedeu entrevista, como previsto inicialmente (leia mais nesta página).

Um tucano também afirmou ontem que a expectativa do partido é que a próxima pesquisa Ibope, que deve ser divulgada hoje, também aponte um crescimento de Dilma, interrompendo a trajetória ascendente de Serra.

No quesito escândalos, o caso do ex-diretor de engenharia da estatal Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, responsável pelas principais obras viárias do governo Serra em São Paulo e que teria “fugido” com R$ 4 milhões destinados à campanha tucana, assumiu, para o PT, o papel que o caso Erenice Guerra teve para os tucanos no primeiro turno.

Exemplo disso é que, agora, sempre que questionada sobre o suposto envolvimento de sua ex-braço direito em tráfico de influência na Casa Civil, Dilma passa a usar o caso Paulo Preto como uma espécie de contraponto.

Ontem Serra obteve no TSE direito de resposta no programa da petista Dilma Rousseff no rádio e na TV. A maioria dos ministros do tribunal considerou que a campanha petista errou ao dizer que Serra participou da privatização de 31 empresas quando governou o Estado de São Paulo. Segundo a defesa do tucano, foram apenas nove empresas privatizadas.

Serra terá direito de usar, como resposta, dois minutos no programa de Dilma na TV e um minuto no rádio.

via Folha de S.Paulo – Campanha de Serra vê perda de fôlego e traça mudanças – 20/10/2010.

Comitê do PT tem panfleto contra mulher de Serra

NATUZA NERY e NANCY DUTRA, da Folha de São Paulo

Panfletos apócrifos contra Monica Serra, mulher do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foram encontrados ontem na recepção do comitê de Dilma Rousseff (PT) em Brasília.

O material reproduz reportagem da Folha com relatos de ex-alunas de Monica, de que ela teria feito um aborto quando no exílio. A assessoria do PSDB nega.

A assessoria da candidata afirmou que nem o PT nem a campanha estão distribuindo panfleto contra o adversário e que a campanha desconhece como o material chegou à sua sede.

Sob título fictício “Esposa de Serra já fez aborto”, o folheto traz reportagem publicada pela Folha no último sábado, com relatos de duas ex-alunas de Monica.

Segundo elas, a então professora de dança da Unicamp teria confidenciado ter feito um aborto nos tempos de exílio no Chile com o marido. Ainda no primeiro turno, Monica Serra afirmou que Dilma era a favor de “matar criancinhas”, segundo a Agência Estado.

Os panfletos estavam sobre a mesa da recepcionista do QG petista em uma pilha com cerca de 60 exemplares. Também constava do panfleto a frase: “Serra fala uma coisa e faz outra. Serra, homem de mil caras!”

A reportagem pediu para pegar uma cópia, ao que a secretária do local respondeu: “É para pegar mesmo”.

A mesma versão do documento anti-Serra teria sido distribuída em Sobradinho, cidade satélite da capital.

Moradores confirmaram à Folha que passaram a receber o panfleto em suas caixas de correio já no domingo, um dia depois da reportagem. Um deles afirmou ter recebido o papel das mãos de um entregador, mas não soube indicar os eventuais autores.

O episódio acontece num momento em que o PT acusa a campanha de Serra de estar por trás da produção de 1 milhão de panfletos contra Dilma. A Polícia Federal apreendeu o material.

A gráfica que imprimia os jornais contra a petista pertence à irmã de Sérgio Kobayashi, coordenador de infraestrutura da campanha do presidenciável tucano.

via Folha de S.Paulo – Comitê do PT tem panfleto contra mulher de Serra – 20/10/2010.

Gráfica de tucana já fez jornal pró-Dilma

BRENO COSTA, da Folha de São Paulo

DE SÃO PAULO

A gráfica de propriedade de uma tucana, irmã de um dos coordenadores da campanha de José Serra (PSDB), imprimiu, há duas semanas, um jornal recomendando voto em Dilma Rousseff (PT).

A Editora Gráfica Pana, de São Paulo, foi a mesma que rodou, a pedido da Mitra Diocesana de Guarulhos, panfletos assinados por um braço da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recomendando voto contra o PT.

O PT convocou anteontem uma entrevista para apontar “fortes indícios” de elo entre a gráfica e o PSDB. Ontem, o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP), disse que o pagamento dos panfletos segue “obscuro” e minimizou o fato de a gráfica ter feito material pró-Dilma.

No último dia 6, três dias após o primeiro turno, a gráfica de Arlety Kobayashi, irmã de Sérgio Kobayashi, coordenador de infraestrutura da campanha tucana, imprimiu 75 mil exemplares do “Jornal da CTB” (Central dos Trabalhadores do Brasil).

O jornal traz na capa uma reprodução da foto oficial da campanha petista, em que Dilma aparece com Lula. Na página interna, o título é: “Dilma: para o Brasil continuar no rumo certo”. No texto, um “desafio (…) à classe trabalhadora: eleger Dilma”.

A legislação eleitoral impede que sindicatos façam propaganda “de qualquer espécie” ou doações para candidatos e partidos por serem financiadas pelo imposto sindical. Anteontem, a Justiça Eleitoral suspendeu a circulação duma revista da CUT com conteúdo pró-Dilma.

O secretário de comunicação da CTB, Eduardo Navarro, que encomendou os 75 mil exemplares à Pana, negou que o jornal desrespeite a legislação eleitoral, que proíbe sindicatos de fazer campanha para candidatos.

Ele disse que o jornal não pedia voto para Dilma e só expressava “os interesses” da classe trabalhadora aprovados último no Congresso da Classe Trabalhadora.

Navarro disse ainda que só contratou a Pana porque ela o procurou e fez uma “proposta vantajosa”, “praticamente a metade do preço que a gente estava pagando”.

O marido de Arlety Kobayashi, Paulo Ogawa, diz que foi o sindicato quem procurou a gráfica. Disse ainda que já entregou à PF as notas fiscais referentes à produção dos panfletos anti-Dilma e rechaçou vínculo da empresa de sua mulher com o PSDB: “Sérgio Kobayashi eu só vejo em enterro e casamento”.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, voltou a negar relação com os panfletos: “Não tem nada. A Polícia Federal pode terminar de investigar antes das eleições, não precisa ser como o caso Erenice”.

via Folha de S.Paulo – Gráfica de tucana já fez jornal pró-Dilma – 20/10/2010.

Dilma responsabiliza Erenice por nomeação

Da Folha de São Paulo

Questionada sobre as motivações para levar Gabriel Laender para o governo federal, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff disse que não o conhecia e passou a responsabilidade para Erenice Guerra, que era a número dois da pasta.

“A ministra Dilma Rousseff não conhece o referido servidor e as nomeações de DAS 102.4 [cargo de Laender] são de responsabilidade da Secretaria Executiva da Casa Civil”, afirmou, por meio de sua assessoria

No entanto, foi Dilma quem assinou o convite para Laender deixar a Procuradoria do Espírito Santo para trabalhar no governo. Assinou também o decreto que criou cargo para ele na Casa Civil.

A assessoria da Casa Civil, responsável pela sindicância que investiga tráfico de influência praticado por pessoas ligadas a Erenice, disse que não iria se pronunciar sobre o assunto. Alegou que a investigação é sigilosa.

Por e-mail, informou: “A lei 8.112, de 11/12/90, estabelece que: “As reuniões e as audiências das comissões [de sindicância] terão caráter reservado”. Por esse motivo, não temos como responder às suas perguntas”.

A Folha procurou também o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), que recomendou falar com a Casa Civil. A SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) não respondeu até a conclusão desta edição.

O assessor especial da Casa Civil Gabriel Laender negou ter trocado senha com Vinícius Castro, “sócio” dos filhos da ex-ministra Erenice em uma empresa de lobby.

“Eu não tinha nenhuma ligação com o Vinícius, eu não o conheço, não conheço ninguém da família dele ou da família da ex-ministra.”

Lembrado que ele advogou para o marido de Erenice, afirmou: “É verdade, mas a relação foi como prestador de serviço”. Sobre sua relação com Erenice, Laender disse que é “espartana”.

Afirmou ainda que, embora dividisse a sala com Vinícius enquanto a Casa Civil funcionava no edifício do Banco do Brasil devido à reforma do Palácio do Planalto, a relação era de “bom dia, boa tarde e boa noite”.

Laender pediu que a Folha encaminhasse perguntas por escrito, mas não respondeu ao e-mail. Ele está em férias desde 29 de setembro.

Em conversa pelo telefone, sua primeira reação foi: “Como é que você vai publicar isso? O que vocês estão querendo com isso? Dizer que eu tinha algum contato com o Vinícius?”

O assessor afirmou ainda que não revisou ou redigiu qualquer contrato para a Capital Assessoria, a empresa de lobby. “Eu nunca olhei nada de nenhum contrato, nunca vi nada fora das minhas atribuições da Casa Civil, eu sou um advogado experiente, mas tenho 31 anos, tenho histórico, mas não sou nenhuma sumidade.”

via Folha de S.Paulo – Dilma responsabiliza Erenice por nomeação – 20/10/2010.

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