Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Cadê o ‘efeito Lula’?

No Datafolha divulgado hoje há algumas informações que não estão explícitas, mas ainda assim chamam a atenção dos leitores mais atentos. A primeira delas diz respeito à situação eleitoral de Fernando Haddad. Apesar de o PT e o governo já terem colocado todas as suas fichas na mesa — leia-se Lula, Dilma e Marta Suplicy — , o escolhido de Lula para enfrentar a eleição paulistana não conseguiu, a esta altura, sequer ser alçado ao patamar histórico de votos do partido em São Paulo.

No pleito de 2008, Marta Suplicy obteve 33,06% dos votos válidos no primeiro turno. Quatro anos antes, em 2004, obteve 35,82%. Perdeu depois para José Serra.

Neste momento, a três semanas da eleição, o candidato petista Fernando Haddad se encontra praticamente estacionado em um patamar muito inferior, de 17%, que representa, grosso modo, apenas metade do potencial de votos destinados tradicionalmente à legenda.

Quatro anos atrás, no começo de setembro de 2008, Marta Suplicy era considerada imbatível. Os números do Datafolha revelam que a ex-prefeita tinha 40% das intenções de voto. Kassab e Alckmin disputavam a segunda vaga com uma diferença de apenas 4% entre ambos, mas ainda assim com menos de metade das intenções de voto atribuídas à cabeça-de-chapa do PT.

Oito anos atrás, na mesma altura do processo eleitoral, a diferença entre Marta, que tinha 33% das intenções de voto, e Serra, que liderava e terminou por vencer o pleito, era de apenas 4 pontos percentuais. Marta tinha os 33% historicamente reservados a seu partido. Um terço dos votos.

Este ano, Fernando Haddad patinou no patamar dos nanicos até se descolar deles com o início da campanha pelo rádio e televisão. Mas, pelo que mostram as três últimas sondagens, a curva das preferências já aponta para uma acomodação. Num ponto de inflexão que não é bom para o postulante do Partido dos Trabalhadores — o terceiro lugar.

O que se prevê de agora em diante é um disputa renhida entre tucanos e petistas pela chance de disputar o segundo turno com o azarão Celso Russomanno, que parece ter consolidado sua condição de favorito neste primeiro turno. E a despeito da situação de empate técnico, que torna o resultado virtualmente impossível de se prever, é de se notar que ainda há uma diferença de 3 pontos percentuais em favor de José Serra.

O esforço para dar viabilidade a Haddad é notável. A seu favor estão a máquina federal (com a engajamento de Dilma Rousseff) e o prestígio pessoal de Lula, o patrono do candidato. O uso da máquina fica claro na compensação oferecida a Marta Suplicy por seu engajamento na campanha. Preterida por Lula na escolha do candidato, a ex-prefeita teve que ser agraciada com um cargo no primeiro escalão para subir ao palanque de Haddad. Uma ajuda e tanto — que, não obstante, não se mostrou capaz ainda de vitaminar a chapa petista na medida que se esperava.

Mas é fato que o que se esperava nos meses que decorreram entre o lançamento da candidatura e o início da propaganda eletrônica não aconteceu. Nem o prestígio de Lula, nem o reforço de Marta, nem a forcinha de Dilma foram capazes de devolver ao Partido dos Trabalhadores os votos que historicamente lhe eram destinados.

O que mais intriga no comportamento do eleitor é a ausência de resposta ao esforço de Lula para dar viabilidade eleitoral ao mais importante candidato apresentado por seu partido às eleições deste ano.

O que a maioria dos analistas antevia era que Lula conseguisse não apenas reaver os votos tradicionais da legenda, mas incrementar o cacife do partido com a popularidade que faria dele o grande eleitor deste pleito. E isso, de fato, está longe de acontecer.

Resta, portanto, saber o que foi que aconteceu com a popularidade de Lula. Não há nenhuma dúvida de que ela é enorme. Assim como não restam dúvidas de que, como cabo eleitoral, Lula não tem funcionado como se supunha que funcionaria. A rigor, todo o esforço empreendido em favor de Haddad não agregou, pelo menos até agora, mais que 10 pontos percentuais ao postulanente do PT. E ainda faltam quase 20 pontos percentuais para que a legenda ascenda novamente ao patamar dos 33%.

É claro que ainda é cedo para cravar uma aposta no resultado do primeiro turno. Assim como é improvável que, haja o que houver na campanha, surja ainda um milagre capaz de alterar radicalmente o quadro. A partir de agora, com a consolidação das intenções de voto, o que se espera são pequenas oscilações, inclusive com a possibilidade de inversão dos candidatos que disputam o segundo e terceiro lugares na preferência do eleitorado.

A tese que vem sendo defendida por 10 entre 10 analistas é a de que não há transferência de prestígio — ou a tradução do prestígio em votos — a não ser entre candidaturas análogas. Por esse raciocínio, Lula poderia, sem dificuldade, eleger um poste Presidente da República. Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff, a desconhecida auxiliar alçada por ele ao posto de primeira-mandatária brasileira dois anos atrás. Mas não tem como influenciar o eleitor paulistano, que termina por definir seu voto com base em uma cesta de propostas e um menu de candidatos vinculados exclusivamente à seara da comunidade.

Seria, desta forma, um santo milagreiro que só tem poder para promover grandes milagres. Dos pequenos, o eleitor mesmo prefere cuidar, sem a interferência nem o cabresto de quem quer que seja.

O que pouco gente se arrisca a dizer, com medo de errar o prognóstico que vai se desenhando, é que talvez os poderes atribuídos ao ex-presidente não passem de um exagero retórico que vem sendo construído pela reiteração de certos dogmas — especialmente o de que Lula pode tudo. Pelo que se viu até agora, não pode.

Talvez não possa por causa do desgaste sofrido pelo PT desde que a legenda foi associada à corrupção descarada e às piores práticas políticas, agora materializadas com as primeira  condenações de mensaleiros, e à perspectiva de prisão de gente como João Paulo Cunha, José Genoíno, José Dirceu e Delúbio Soares. É claro que o espetáculo propiciado pelo maior julgamento da história do País produz efeitos no eleitor. O que não se sabe, até agora, é qual o tamanho do estrago.

Caso Haddad seja derrotado neste primeiro turno, muitas serão as tentativas de explicar o fracasso. Alguns dirão que o PT está pagando o preço de ter sido colocado por seus próprios dirigentes entre as legendas que protegem criminosos e incentivam a gatunagem em seu próprio proveito. Mas isso não seria suficiente para explicar o malogro.

Outros irão dizer que a escolha de Haddad foi infeliz, que a vitória com alguém já testado como Marta Suplicy seria pule de dez. Mas aí o erro seria de Lula, e não convém atribuir erros a santos.

E sempre haverá quem diga que, quando o santo não produz o milagre, não é por falta de santidade — é por falta de fé do devoto.

No palanque, Lula ignora mensalão e ataca rivais

PAULO PEIXOTO

Cercando-se de cuidados com a voz, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ignorou o mensalão e provocou adversários em sua volta aos palanques eleitorais ontem, em Belo Horizonte.

Em seu primeiro comício após o tratamento contra o câncer de laringe, Lula não citou o julgamento sobre o maior escândalo de corrupção de sua gestão -que teve nesta semana a condenação do petista João Paulo Cunha.

O ex-presidente preferiu incitar a militância local contra o prefeito Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição, de quem o PT foi aliado até junho. Ele enfrenta o ex-ministro Patrus Ananias (PT).

“Deus colocou o dedo no lugar certo e disse o seguinte: [se] aqueles que o PT ajudou a chegar no poder não querem mais ficar com o PT, tudo bem. O PT não vai ficar chorando [...] Que eles saibam: eles não estariam no governo se não fosse por nós.”

Por divergências políticas, o PT deixou a aliança e alega que Lacerda optou ter como aliado o senador Aécio Neves, do PSDB. A construção da aliança rachou o PT mineiro, quatro anos atrás.

Pelo PT, o articulador foi o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), vaiado ao discursar ontem no comício de Patrus. O petista está 16 pontos atrás de Lacerda, segundo o Datafolha.

A praça em BH recebeu cerca de 5.000 pessoas, disse a PM. Acompanhado por uma fonoaudióloga, Lula falou do câncer, disse que não podia falar muito para não ter acesso de tosse e que seu maior temor foi ficar sem voz. Ele falou por 13min29s. Tomou água uma vez durante a fala.

Lula quer ir a compromissos eleitoral em 17 cidades, entre elas Recife e Fortaleza, que, a exemplo de BH, PT e PSB romperam alianças.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Na volta aos palanques, Lula ignora mensalão e ataca rivais – 01/09/2012.

Lula e o cigarrinho dos presidiários do Mensalão

Pela primeira vez na história do Brasil a cadeia é uma perspectiva concreta para ladrões de dinheiro público travestidos de luminares da República. Condenado por todos os crimes que lhe são imputados, o deputado João Paulo Cunha, que mandou a mulher receber em seu nome propina do Valerioduto, purgará 9 anos de prisão. E os outros réus deve seguir no mesmo caminho.

Fico pensando no desconforto moral de Lula, que segundo Roberto Jefferson foi o verdadeiro artífice do esquema de compra de votos, vendo o staff de seu primeiro governo na iminência de ser encarcerado. Como se sentirá o ex-presidente diante da desdita merecida por seus estafetas tarefeiros? Providenciará maços de cigarro para os ex-assessores presos ao final do julgamento ?

O Código Penal limita a possibilidade dos juízes de atenuar o sofrimento dos apenados. Condenados a até 4 anos de reclusão, os réus do Mensalão poderiam ter suas penas convertidas em prestação de serviço à comunidade. Foi o caso de Silvinho Land Rover que, a julgar pelo aconteceu até agora, fez o melhor negócio possível ao negociar com a justiça para se ver livre de ser condenado.

Se a soma das penas for menor do que oito anos de reclusão, o réu pode ter o privilégio de cumpri-la em regime semi-aberto. Ou seja: pode trabalhar durante o dia, mas deve retornar ao presídio para dormir.

Acima disso, o apenado fica trancafiado numa penitenciária até que um sexto da pena tenha sido cumprido para só então conquistar o direito à progressão. No caso de João Paulo Cunha, a se confirmarem as expectativas para o dia de hoje, o período de encarceramento pode chegar a um ano e quatro meses.

Pelo andar da carruagem, o futuro que se avizinha para os integrantes do chamado núcleo político — José Dirceu, José Genoíno especialmente — dev ser ainda mais drástico.

O que fará Lula enquanto os executores de sua cabala estiverem recolhidos ao xilindró ?

Levar cigarros, ir ver os amigos nos dias de visita, não parecem ser as tarefas mais nobres que se reserva a um ex-presidente.

Mas, no caso de Lula, pouco restará para fazer quando a Espada de Dâmocles do STF desabar sobre a cabeça dos mensaleiros que cederam a liberdade, a carreira e alguns anos de vida à montagem do esquema pornográfico que tinha a função de amealhar votos para que o todo-poderoso pudesse mais facilmente governar.

 

 

Lula discute mensalão com Dirceu

Um dos principais réus do mensalão, o ex-ministro José Dirceu tem se reunido semanalmente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os encontros ocorrem na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, ou no instituto Lula, em São Paulo. Em pauta, o julgamento do escândalo no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual Dirceu é acusado de formação de quadrilha e corrupção. Lula e seu ex-ministro também discutem a situação eleitoral deste ano, principalmente nas cidades escolhidas como prioritárias pelo PT: São Paulo, Recife e Belo Horizonte.
Desde o início do julgamento, Dirceu tem passado a maior parte do tempo em sua casa em Vinhedo, no interior do estado, mas retorna semanalmente à capital. Embora se mantenha recolhido, tem conversado e se encontrado com gente famosa. No restrito círculo íntimo de Dirceu, o ex-presidente da Vale Roger Agnelli, o escritor Fernando Morais e o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terrra (MST) João Pedro Stédile.
— Quando o visitei, há umas três semanas, ele estava esticado em uma poltrona assistindo ao filme do Tintin. Não é exatamente a imagem de quem esteja preocupado — contou Fernando Morais.
Dirceu também conversa por telefone com o cineasta Luiz Carlos Barreto e com o escritor Paulo Coelho. Seu amigo “desde antes do mensalão”, Barreto passou dois dias na casa de Dirceu, há pouco mais de uma semana e não identificou sinais de abatimento.
— Eu o achei muito bem. Está preocupado como qualquer pessoa estaria em seu lugar. Eu só faço uma pergunta: se valeu a pena ter participado das lutas que participou. Ele não mostra nenhum arrependimento desse passado e tem tanta certeza dos atos que não cometeu que sequer renunciou ao mandato na Câmara — defende Barreto.

Beba na fonte: Lula discute com Dirceu desdobramentos do mensalão – Jornal O Globo.

Voto de ministros indicados por Dilma frustra Lula e PT

NATUZA NERY E CATIA SEABRA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a aliados frustração e abatimentos com o resultado parcial do julgamento do mensalão, principalmente com o voto de Cármen Lúcia, Rosa Weber e Luiz Fux.

Os dois últimos foram os únicos indicados ao Supremo Tribunal Federal pela presidente Dilma Rousseff.

Nos bastidores do partido e em setores do governo havia expectativa de que esses ministros votassem pela absolvição dos petistas, entre eles o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, que pode ser condenado hoje por dois crimes.

Petistas também avaliavam que os três enfraqueceram a tese de que o mensalão não passou de um esquema de caixa dois eleitoral.

O diagnóstico foi feito após a sessão de anteontem, quando João Paulo Cunha ficou a dois votos apenas da condenação por peculato (desvio de dinheiro por funcionário público) e corrupção passiva.

Além de votarem pela condenação do réu, Cármen Lúcia, Fux e Weber foram fundamentais contra a tese do caixa dois, dizem petistas.

A defesa de vários réus sustenta que o dinheiro que receberam do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza era para gastos de campanha que não foram incluídos na contabilidade oficial. O próprio Lula, à época, corroborou a tese do caixa dois.

Já a acusação feita pelo Ministério Público diz que o dinheiro era para compra de apoio político.

Nos bastidores, integrantes do PT acusavam os magistrados de “traição”. Mas tanto Lula quanto os petistas isentam Dilma de responsabilidade pelos votos dados.

Ontem, Lula e ministros do governo Dilma, inclusive Ideli Salvatti (Relações Institucionais), telefonaram a João Paulo para manifestar solidariedade. Foram, segundo apurou a Folha, mais de 200 mensagens de apoio.

Apesar disso, o ex-presidente avisou a interlocutores que atuará para que ele retire sua candidatura à Prefeitura de Osasco caso seja condenado hoje pelo Supremo.

Aos amigos próximos, João Paulo não descarta a alternativa da renúncia. No partido, o temor é que a insistência dele em concorrer ponha em risco o desempenho da sigla.

A depender do resultado, o comando do PT pode ser recrutado, a pedido de Lula, para convencê-lo, sob pena de ser responsabilizado por uma derrota para o PSDB.

João Paulo é acusado de receber R$ 50 mil para beneficiar agências de Valério em contratos com a Câmara dos Deputados quando ocupou a presidência da Casa.

Até agora, seis dos 11 ministros do STF já expuseram seus votos, quatro pela condenação e dois pela absolvição. Ontem, mesmo dizendo-se decepcionado com o curso do julgamento, João Paulo ainda mantinha esperança de obter pelo menos mais dois votos favoráveis.

Isso porque advogados veem possibilidade de pedir novo julgamento caso haja a condenação com pelo menos quatro votos pela absolvição.

“Ele está se sentindo injustiçado”, disse o coordenador de comunicação da campanha, Gelso de Lima. Segundo ele, o partido testará em pesquisa o efeito na candidatura de eventual condenação.

“A única coisa que posso garantir é que João Paulo está acompanhando e vai se manifestar após o julgamento”, disse o advogado Alberto Toron, com quem o réu se reuniu ontem.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Voto de ministros indicados por Dilma frustra Lula e PT – 29/08/2012.

Lula se reúne com cúpula do PT para discutir eleições

 

CATIA SEABRA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta segunda-feira com o comando do PT para discutir sucessão municipal.

 

Na pauta da reunião, as cidades que Lula deve priorizar na campanha deste ano. O ex-presidente, por exemplo, já elegeu Belo Horizonte como prioridade.

Moacyr Lopes Junior – 4.jun.12/Folhapress

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ele visita a capital mineira, Belo Horizonte, além de Contagem e Betim no fim deste mês.

Em Belo Horizonte, o candidato petista, Patrus Ananias, teve a candidatura lançada pouco antes do fim do prazo para registro. O PT colocou o nome do ex-ministro na disputa após romper com o atual prefeito e candidato à reeleição, Márcio Lacerda (PSB).

A participação de Lula nas campanhas municipais, até agora, estava sendo reduzida por conta do tratamento contra um câncer na laringe. Exames, no entanto, apontaram a remissão total do tumor e médicos liberaram o ex-presidente para participar das campanhas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Lula se reúne com cúpula do PT para discutir eleições – 20/08/2012.

STF decide hoje sobre inclusão de Lula no caso

EDUARDO BRESCIANI – Agência Estado

Os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram votar nesta quarta as questões preliminares do julgamento do processo do mensalão. Com isso, somente amanhã deve ter início o julgamento do mérito do processo. Antes das três últimas defesas previstas para esta tarde, a sessão começou com um debate suscitado pelo ministro Marco Aurélio Mello de que não seria ideal que o relator, Joaquim Barbosa, iniciasse a leitura do seu voto nesta tarde.

“Eu me manifesto no sentido de deixar o início do julgamento propriamente dito com tomada dos votos dos ministros, a tomada do voto do relator, para o dia de amanhã”, defendeu Marco Aurélio. Entre as questões preliminares que serão apreciadas hoje estão o pedido de anulação de parte do processo do réu Carlos Alberto Quaglia, por não ter havido notificação do seu advogado; e o de inclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu, conforme solicitado pela defesa do delator do mensalão e presidente do PTB, Roberto Jefferson.

O relator adiantou que não pretende iniciar a votação do mérito nesta quarta, abordando somente questões preliminares, ou seja, sem dar decisões pela condenação ou absolvição. “Gostaria de tranquilizar o ministro Marco Aurélio quanto à objeção do início da leitura do voto, tranquilizo que só pretendo trazer hoje ao julgamento as preliminares, nada além disso”. Ele destacou ainda que 50% dessas preliminares já foram decididas pelo tribunal em outras ocasiões.

Os ministros debateram o tema e decidiram pela continuidade do julgamento nesta quarta após as sustentações orais das defesas. Além de Marco Aurélio, o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, foi outro a demonstrar contrariedade. Lewandowski ressaltou não ter participado da reunião que definiu o cronograma e, por isso, disse-se impedido de manifestar seu voto sobre a manutenção ou não dele. Aproveitou para destacar que se “submeteu à corte” ao apressar seu voto revisor e permitir o cumprimento do calendário.

Beba na fonte: STF decide hoje sobre inclusão de Lula no caso – politica – politica – Estadão.

Lula é nome favorito para 2014, aponta pesquisa CNT

Se as eleições de 2014 fossem hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o candidato favorito do eleitorado, de acordo com pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 3, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). O petista aparece com 69,8% das intenções de voto. Neste cenário, ficaria em segundo o senador Aécio Neves (PSDB), com 11,9% e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com 3,2%.

A pesquisa, realizada entre os dias 18 e 22 de julho, simulou dois cenários para as eleições presidenciais de 2014. Em um deles, com a presidente Dilma Rousseff no lugar de Lula, Dilma ficaria em primeiro com 59% das intenções de voto, seguida por Aécio Neves com 14,8% e Eduardo Campos com 6,5%. Duas mil pessoas foram entrevistadas em 134 municípios de cinco regiões do Brasil. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

Avaliação de governo. A avaliação positiva do governo Dilma ficou em 56,6% em julho, contra 49,2% em agosto de 2011, segundo pesquisa. Para 35,5% dos entrevistados, a avaliação dada foi “regular”, ante 37,1% em agosto do ano passado, e para 7% foi negativa, contra 9,3% no levantamento anterior.

O levantamento também apontou que a aprovação pessoal de Dilma está em 75,7%, contra 70,2% em agosto de 2011.

Beba na fonte: Lula é nome favorito para 2014, aponta pesquisa CNT – politica – politica – Estadão.

Lula, sobre o julgamento do Mensalão: ‘Tenho mais o que fazer!’

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não vai assistir pela TV ao julgamento do mensalão, maior escândalo político de seu governo. Além da negativa, Lula não quis comentar o caso.

“Tenho mais coisa para fazer. Quem tem de assistir são os advogados”, disse Lula, durante solenidade em um hotel na zona sul de São Paulo, onde recebeu homenagem de produtores de biodiesel.

Diante da insistência dos repórteres sobre o motivo de deixar o processo em segundo plano, o ex-presidente respondeu: “Porque tenho que trabalhar, meu filho”.

Após a solenidade, foi para o Instituto Lula, onde se reuniu por duas horas com o marqueteiro João Santana, responsável pela campanha de Fernando Haddad (PT), que patina nas pesquisas.

PRIMEIRO ESCALÃO

Ministros petistas de Dilma Rousseff começaram o dia disparando telefonemas aos correligionários réus.

O deputado João Paulo Cunha (SP) soltou um “que Deus nos proteja” numa conversa. José Dirceu, maior personalidade do julgamento, não atendeu ao telefone.

Professor Luizinho, líder do governo na época do mensalão, foi convencido a deixar Brasília horas antes do julgamento. A exemplo dele, o ex-deputado Paulo Rocha (PT-PA) não passou perto do Supremo, embora estivesse na cidade. Também foi aconselhado a não sair de casa.

Militantes petistas foram orientados a não fazer manifestação na porta do tribunal.

Do outro lado da praça dos Três Poderes, Dilma cumpriu agenda e deu espiadelas na transmissão pela TV.

Nos corredores do Palácio do Planalto, dizia-se que setores da mídia exigem a condenação do PT e o impedimento do ministro José Antonio Dias Toffoli, ex-advogado do partido.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – ‘Tenho mais o que fazer’, afirma Lula – 03/08/2012.

A semana mais importante da história deste País para Lula

A semana que começa hoje talvez seja a mais importante da história deste país para o STF, os mensaleiros e… especialmente para o ex-presidente Lula.

Na quinta-feira 2, o passado e o presente vão se se encontrar e se entrelaçar em dois eventos da maior importância: o julgamento do Mensalão em Brasília e o primeiro debate eleitoral em São Paulo.

O que vai acontecer em Brasília servirá para definir o patamar moral do governo Lula. Depois de se desculpar publicamente pela roubalheira de seus ministro, que amealhavam dinheiro na corrupção para assegurar uma maioria tranquila ao governo petista, Lula se engajou numa luta pessoal para desmoralizar as acusações e livrar os mensaleiros da cadeia.

O que vai acontecer nos estúdios da Rede Bandeirantes, em São Paulo, demarcará a real importância de Lula para o futuro e dará a dimensão de seu legado. Será a oportunidade de Haddad, a aposta de mais alto risco do chefe petista, começar finalmente a se justificar como candidato.

O desempenho eleitoral de Haddad até agora é pífio, colocando-o entre os nanicos que se apresentaram para o pleito. Como seu capital é composto quase que integralmente pela influência de seu tutor, está colocada a indagação sobre a capacidade de Lula de eleger postes, que funcionou como um relógio na última eleição presidencial.

Se os réus forem absolvidos e Haddad iniciar uma inflexão positiva nas pesquisas, Lula terá sacramentado e justificado seu rótulo de Midas da política.

Se perder em ambos os fronts, estará a caminho acelerado do limbo político, com seus poderes mágicos minados por suas próprias contradições.

Mas até que o processo de depuração histórica possa nos dizer qual afinal será o legado do até agora mais popular político contemporâneo brasileiro será preciso ter paciência.O julgamento vai durar um mês. As eleições só acontecerão em outubro.

Até lá, Lula continuará a ser o mesmo de sempre: um santo milagreiro à espera da justa canonização capaz de fazer milagres eleitorais dos quais até Deus duvida.

Lula ordenou Mensalão, dirá Roberto Jefferson no julgamento

A defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), um dos 38 réus do mensalão, vai centrar fogo no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua sustentação oral no julgamento, previsto para começar no próximo dia 2, no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, dirá que Lula não só sabia da existência de todo o esquema como “ordenou” a sua execução:
— (Lula) Não só sabia (do mensalão) como ordenou toda essa lambança — revelou Barbosa ontem ao GLOBO. — Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.
A tese da defesa, no entanto, contraria as declarações do próprio Jefferson, em 2005, durante seu depoimento na Comissão de Ética da Câmara. À época, antes de ter seu mandato cassado, o presidente nacional do PTB contou que foi ele quem avisou Lula sobre a existência do mensalão:
— Eu contei e as lágrimas desceram dos olhos dele. O presidente Lula é inocente nisso — afirmou Jefferson, na ocasião.
No mesmo depoimento, ao se referir ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT), outro réu no processo e apontado na denúncia como “chefe da quadrilha”, Jefferson voltou a defender Lula:
— Zé Dirceu, se você não sair rápido daí (do governo), você vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula. Rápido, sai rápido, Zé, para você não fazer mal a um homem bom, correto, que eu tenho orgulho de ter apertado a mão.
Nesta segunda-feira, porém, Barbosa desconversou sobre a mudança de tom:
— Não respondo pelas palavras do Roberto. Sou o advogado dele.

Beba na fonte: Defesa de Roberto Jefferson dirá que Lula sabia do mensalão – O Globo.

Lula diz que em 15 dias começará a fazer campanha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou dirigentes do PT para fazer um diagnóstico sobre as candidaturas do partido e afirmou que espera entrar na campanha de seu escolhido para disputar a Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, em duas semanas.

A expectativa é que ele seja liberado pelos médicos no dia 6 de agosto, quando fará exames de avaliação do tratamento a que se submeteu contra um câncer na laringe.

A data deve coincidir com o início da cobertura intensiva pelas emissoras de TV, especialmente a Globo, do dia a dia dos candidatos.

A ideia do partido é programar eventos externos de Haddad com Lula a partir do dia 7, aproveitando a exposição na emissora para tornar Haddad mais conhecido.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – De olho na TV, Lula diz que em 15 dias começará a fazer campanha – 24/07/2012.

Marcos Valério nega ter ameaçado Lula e afirma que não é dedo-duro

Acusado de operar o esquema do mensalão, o empresário Marcos Valério negou ontem em Belo Horizonte que pretenda fazer revelações sobre o caso, cujo julgamento está marcado para começar no dia 2.

“Eu sou igual ao Delúbio, nunca endureci o dedo para ninguém e não vai ser agora, às vésperas do julgamento”, disse Valério ao site “Terra” quando se encaminhava para almoçar em um restaurante da zona sul da cidade.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Marcos Valério nega ter ameaçado Lula e afirma que não é dedo-duro – 24/07/2012.

Paes e Lula são multados por propaganda eleitoral antecipada

O prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, e o ex-presidente Lula foram multados em R$ 5 mil pela Justiça Eleitoral, por propaganda antecipada.
A representação foi feita pelo PSDB, a pedido do candidato tucano Otavio Leite, após a participação de Lula na inauguração do corredor de ônibus articulados Transoeste, no dia 6 de junho. A via liga Santa Cruz à Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade.
Durante o evento, que contou ainda com a presença do governador Sérgio Cabral (PMDB), Lula disse que apoiaria Paes “com mais convicção” do que em 2008 e que “valeu a pena” pedir votos para ele na televisão naquele ano.

Beba na fonte: Paes e Lula são multados por propaganda eleitoral antecipada – O Globo.

Dilma e Lula inauguram obra com Marinho na véspera de proibição

No último dia permitido pela lei eleitoral, a presidente Dilma Rousseff voou de Brasília a São Paulo para inaugurar obra com o prefeito de São Bernardo do Campo (PT), Luiz Marinho, que disputará a reeleição em outubro.

Também foram ao ato o ex-presidente Lula e os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Miriam Belchior (Planejamento). Eles inauguraram a oitava UPA (Unidade de Pronto Atendimento) construída no município com recursos federais.

Em clima de campanha, Marinho criticou antecessores e adaptou bordão de Lula para defender a continuidade da sua gestão. “Como nunca antes nesta cidade, estamos fazendo investimento público em habitação, saúde e educação.”

Dilma fez coro, disse que São Bernardo “não tinha um atendimento hospitalar, como mostrou o nosso prefeito” e prometeu voltar em novembro para inaugurar um hospital.

Ela enfrentou protesto de cerca de 30 servidores de universidades federais do Estado que estão em greve.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Presidente e Lula inauguram obra com Marinho na véspera de proibição – 06/07/2012.

Mítica do articulador

DORA KRAMER

Muito tem se falado sobre os recentes atos políticos imperfeitos do ex-presidente Lula.

Ora os tropeços são atribuídos a presumidos efeitos de medicação decorrente do tratamento de um câncer na laringe, ora a uma suposta crise aguda de onipotência pós-Presidência da República.

Seja qual for a tese defendida, seus autores partem do princípio de que Lula sempre acertou e de repente começou a errar sem uma explicação plausível para as falhas em seu instinto tido como infalível.

Há um assombro geral com a desfaçatez do ex-presidente ao passar por cima de tudo e de todos, da lógica, dos procedimentos institucionais sem a menor preocupação com as circunstâncias de seus companheiros de partido e com a repercussão de suas ações sobre a opinião pública.

Da mesma forma que se acha capaz de submeter processos eleitorais à sua vontade, não avalia consequências, não dá ouvidos às críticas preferindo enquadrá-las na moldura da conspiração engendrada por adversários políticos dos quais a imprensa seria agente engajado.

Falta, nessas análises, um exame mais acurado do ambiente político como um todo e do histórico de ações de Lula.

Se olharmos direito, não é de hoje que age assim – fez e disse barbaridades enquanto estava na Presidência – nem é o único a atuar de costas para o contraditório como se qualquer ação estivesse a salvo de reações.

O Congresso vem construindo há muito tempo sua crescente desmoralização agindo exatamente da mesma forma: toma decisões que excluem o interesse público, voltadas para seus próprios interesses como se a sociedade simplesmente não existisse.

Os escândalos ali produzem no máximo recuos temporários, promessas não cumpridas e recorrentes avaliações de que o Parlamento é um Poder aberto e, por isso, vítima de ataques injustos.

Sob essa argumentação os erros se acumulam, mas não cessam. Quando se imagina que deputados e senadores tenham ciência do repúdio que provocam, eis que de novo tentam patrocinar uma farra de salários mal saídos de crises em série decorrentes de farras de privilégios outros.

Lula achou que pudesse descartar impunemente a senadora Marta Suplicy, aproximar-se de Gilberto Kassab ao custo do constrangimento da militância e do discurso petista, anular uma prévia reconhecida como legal no Recife, pedir bênção a Paulo Maluf, direcionar a posição de um ministro do Supremo Tribunal Federal e administrar uma comissão de inquérito ao molde de seus interesses como se não houvesse amanhã.

E escolheu agir assim por quê? Porque é assim que as coisas têm funcionado na política.

Beba na fonte: Mítica do articulador – politica – versaoimpressa – Estadão.

PT vai exibir vídeos de Lula diariamente no site de Haddad

Débora Álvares e Bruno Boghossian

Com a propaganda eleitoral liberada na internet a partir desta sexta-feira, 6, o PT começa a exibir uma série de vídeos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no site de seu candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. O objetivo dos petistas é “colar” as imagens do ex-presidente e seu afilhado político antes do início da exibição dos programas eleitorais na TV, em 21 de agosto.

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Estratégia semelhante tem a equipe de José Serra (PSDB), que vai apresentar vídeos do candidato em seu site oficial nas próximas semanas. Na primeira gravação, que também entra no ar nesta sexta, Serra convida os usuários a enviar propostas para solucionar os problemas da cidade.

Com a manobra, as equipes de marketing suprem uma lacuna de 45 dias em que os candidatos estarão em campanha, mas não aparecerão na TV.

‘Lula.TV’. No caso do PT, a imagem de Lula terá destaque no portal de Haddad, em um espaço batizado de Lula.TV. O ex-presidente deve fazer gravações diárias para debater os temas da campanha. A coordenação de campanha também pretende fazer transmissões ao vivo a participação do ex-presidente, direto do Instituto Lula, na zona sul paulistana.

A presença de Lula na campanha de Haddad é considerada fundamental pelos petistas. A equipe de campanha acredita que os eleitores ainda não vinculam a imagem do candidato ao ex-presidente – considerado um forte cabo eleitoral. Haddad é pouco conhecido pelos paulistanos e está em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, com 6% das intenções de voto.

A estratégia da campanha petista na internet será comandada pela empresa do marqueteiro João Santana, sob a coordenação de Marcelo Kertész. O foco do portal de Haddad, lançado nesta sexta, será o conteúdo audiovisual. “O grande desafio foi fazer um ambiente mais relevante e inovador do que um simple site tradicional de candidato”, diz.

Beba na fonte: O Estado de S. Paulo | politica – PT vai exibir vídeos de Lula diariamente no site de Haddad.

Nem eles aguentam: 2 em cada 3 dos petistas rejeitam apoio de Maluf

BERNARDO MELLO FRANCO

O apoio do deputado Paulo Maluf (PP-SP) ao petista Fernando Haddad é rejeitado por 62% dos eleitores de São Paulo, mostra pesquisa concluída ontem pelo Datafolha. Entre os que declaram preferência pelo PT, a reprovação da aliança chega a 64%.

Este é o primeiro levantamento a medir o impacto da união patrocinada pelo ex-presidente Lula, que abriu crise na campanha petista e levou a ex-vice Luiza Erundina (PSB) a abandonar a chapa.

Os números indicam que a foto com Maluf pode prejudicar Haddad na corrida à prefeitura. A maioria dos entrevistados (59%) disse que não votaria num candidato apoiado pelo ex-prefeito. Outros 12% seguiriam sua indicação, e 26% seriam indiferentes.

“A rejeição ao apoio de Maluf é muito alta e pode vir a ser determinante na eleição. Agora temos que ver como isso será explorado na campanha”, diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

A pesquisa mostra que 70% dos eleitores ainda não sabem quem Maluf apoiará na eleição municipal. Só 17% sabem que ele apoia Haddad.

A desistência de Erundina, em protesto contra a aliança do PT com o adversário histórico, teve ampla aprovação popular: 67% dos eleitores disseram que ela “agiu bem”. Outros 17% reprovaram a atitude, e 16% não opinaram.

Outra má notícia para Haddad é que a influência de Lula segue em queda. Hoje, 36% dos eleitores dizem que o apoio do ex-presidente os faria escolher um candidato. O índice era de 49% em janeiro, e cai a cada pesquisa.

Mesmo assim, Lula permanece como o principal cabo eleitoral da disputa. Segundo o levantamento anterior, concluído no último dia 14, o apoio da presidente Dilma Rousseff influía no voto de 28%. O aval do governador Geraldo Alckmin era decisivo para 29%, e o do prefeito Gilberto Kassab, para 12%.

SERRA LIDERA

A pesquisa mostra que o cenário geral da eleição permanece estável. Serra oscilou um ponto percentual para cima e lidera a corrida com 31% das intenções de voto.

Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos, ele se mantém no mesmo patamar.

Em segundo lugar aparece o ex-deputado Celso Russomanno (PRB), que oscilou três pontos para cima e agora aparece com 24%. Ele tem crescimento constante desde janeiro, quando tinha 17%.

Haddad interrompeu a trajetória de alta. Ele oscilou dois pontos negativamente e continua em terceiro lugar, com 6%. O mesmo aconteceu com Soninha Francine (PPS).

Também registraram 6% o deputado Gabriel Chalita (PMDB) e o vereador Netinho de Paula (PC do B), que deixou a disputa anteontem para apoiar Haddad. Quando a pesquisa foi registrada, ele ainda era pré-candidato.

Paulinho da Força (PDT) tem 3%, e Carlos Giannazi (PSOL), 1%. Os demais pré-candidatos não pontuaram. Nulos e brancos somam 11%, e 5% não opinaram.

O Datafolha ouviu 1.081 eleitores na capital paulista entre os dias 25 e 26. A pesquisa foi registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) sob o número 87/2012.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – 64% dos petistas rejeitam apoio de Maluf – 27/06/2012.

‘Perto do Lula, sou comunista’, diz Maluf

MÔNICA BERGAMO

˜Quem mudou? O Lula assumiu em 2003 sob a desconfiança de que era um Fidel Castro brasileiro. Achava que ele tinha que ter estágio no governo brasileiro até para o povo se decepcionar com ele. Mas, da maneira que exerceu a Presidência, diria que ele está à minha direita. Eu, perto do Lula, sou comunista.
Eu não teria tanta vontade de defender os bancos e as multinacionais como ele defende. Quando ele tira imposto dos carros, tira da Volkswagen, da Ford, da Mercedes. Quando defende sistema bancário, defende quem? Os banqueiros.
Eu, Paulo Maluf, industrial, estou à esquerda do Lula. De modo que ele foi uma grata revelação do livre mercado, da livre iniciativa.”

PAULO MALUF

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – ‘Perto do Lula, sou comunista’, diz Maluf – 26/06/2012.

Disputa em Recife opõe PT a Eduardo Campos

CATIA SEABRA

A disputa pela Prefeitura de Recife acirrou ontem a crise entre o PT e o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Aliado histórico do ex-presidente Lula, Campos foi acusado, durante reunião do Diretório Nacional do PT, de apunhalar o padrinho político ao sacramentar aliança com o PMDB, de Jarbas Vasconcelos, contra os petistas na capital.

Irritado, o PT ameaça dar o troco, com a participação de Lula em Pernambuco contra Campos.

Há 12 anos, o PT administra Recife em aliança com o PSB. Para este ano, no entanto, Campos reuniu 15 partidos em apoio ao candidato do PSB, Geraldo Júlio, isolando o PT.

Presidente nacional do PT, o deputado Rui Falcão afirmou que Campos “adotou uma postura contraditória com que vinha ocorrendo em Recife até agora” e tenta se afirmar em cima do PT.

“Depois das eleições municipais, vamos ver como vai ser o caminho para 2014″, afirmou Falcão.

O presidente do PT citou ainda a divergência com o governador do Ceará, Cid Gomes, também do PSB.

“O PSB em Fortaleza rompeu a frente conosco por preferir uma candidatura que, a meu ver, não unifica. Em Pernambuco, a mesma coisa”.

Questionado se esse é indício de que Campos pretende concorrer à Presidência, Falcão afirmou:

“É indício que eles querem se afirmar em alguns lugares, principalmente no Nordeste, em cima do PT”.

Outros dirigentes do PT também reclamaram: o secretário de Comunicação do partido, André Vargas (PR), lembrou que Jarbas é um dos maiores desafetos de Lula.

“Tem uma hora que a esperteza come o dono”, disse.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Disputa em Recife opõe PT a Eduardo Campos – 26/06/2012.

Militares vigiaram Lula durante 15 anos

RUBENS VALENTE

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo da vigilância dos militares da Aeronáutica e do SNI (Serviço Nacional de Informações) ao longo de 15 anos consecutivos, como demonstram documentos abertos nesta semana à consulta pública.

Os mais de 8 milhões de páginas produzidos pelos serviços de informação da ditadura militar (1964-85) e dos governos Sarney e Collor (1985-92), hoje sob a guarda do Arquivo Nacional, em Brasília, incluem 6.129 documentos referentes a Lula.

O petista foi monitorado de 1976 a 1991. Documentos produzidos pelos órgãos que sucederam o SNI, extinto em 1990, ainda não foram liberados para consulta.

Os papéis variam de análises sobre atividades de Lula e do PT a relatos de supostas fontes de constrangimento.

Em 1982, por exemplo, o SNI se preocupou em registrar que um carro oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo, um Opala de placas frias, foi usado para dar carona a um parente de Lula que ia a “uma consulta médica”. O carro acabou sofrendo um pequeno acidente na rua.

Um dos relatórios mais detalhados sobre Lula descreve um encontro realizado na casa do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, em novembro de 1988, em São Paulo.

Lá estavam, além dos dois, a então prefeita eleita de São Paulo Luiz Erundina e o ex-ministro José Dirceu, dentre outros membros do PT. Uma fotografia divulgada pela Folha um dia depois da reunião confirma os participantes.

Segundo o SNI, nesse encontro o PT definiu que Erundina, assim que tomasse posse, deveria abrir investigações internas com o propósito de “propiciar maior promoção à candidatura de Lula, obstruindo a de Jânio Quadros”.

O plano petista, segundo os arapongas, era “criar o maior número de obstáculos jurídicos e morais para Jânio”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Militares vigiaram Lula durante 15 anos – 22/06/2012.

Nós, os puros

Leandro Fortes, no blog Brasília, eu vi

Deu-se estes dias que chegamos a uma encruzilhada inaudita. Assim, os que ousaram se alinhar ao sentimento de Luiza Erundina, de repúdio à ligação do PT e de Lula a Paulo Maluf, passaram a ser chamados de “puros”. Assim mesmo, entre aspas, para que fique claro a conotação de que, uma vez puros, são também tolos, tristes sonhadores, idealistas cuja atitude pueril não só transgride as …regras do jogo como, no fim das contas, subverte a ordem de uma guerra santa. Em meio ao jihadismo estabelecido nas eleições paulistanas, de demônios tão nítidos quanto malignos, a atitude de Erundina contra a aliança da esquerda com um bandido procurado pela Interpol, com o cúmplice ativo dos assassinos da ditadura militar, com o construtor da vala comum do cemitério de Perus, com a representação do pior da direita, enfim, tornou-se um ato de traição, de purismo político, de angelical perversão.

Ato contínuo, os mesmos que dias antes haviam comemorado a chegada da deputada do PSB à campanha de Fernando Haddad passaram, de uma hora para outra, a demonizá-la, curiosamente, pelo viés de um purismo atávico e infantil. Erundina, a louca idealista, a tresloucada individualista capaz de destruir os planos de redenção da esquerda por causa de uma foto, uma imagem de nada, um instantâneo sem relevância nem simbolismo, apenas o registro banal de um líder da resistência a se confraternizar com chefe da escória. Ah, os puros, como são tolos! Justo quando deles se exige fortaleza e dedicação, aparecem esses sonhadores cheios de escrúpulos e regramentos éticos.

De toda parte, então, passaram a rugir leões do pragmatismo político, militantes de uma realpolitik feroz, implacável, a pregar a irrelevância dos puros, dos tolos da ética, quando não de sua influência nefasta sobre os jovens e, claro, do enorme desserviço prestado à democracia e ao admirável mundo novo que se anuncia. Os puros, dizem, nunca ganham eleições. E se não o fazem, portanto, que não atrapalhem os que as querem ganhar a qualquer custo. É preciso impedi-los, portanto, de se mostrar em público. É preciso calá-los, desqualificá-los, torná-los ridículos, patéticos em sua fraqueza.

Nem que para isso seja preciso transformar em traidora uma brasileira digna, com 40 anos de vida pública inatacável, uma heroína da resistência, uma política que passou a vida levando assistência a favelas e cortiços, uma parlamentar que dedica seus mandatos a defender a democratização da comunicação e o resgate da memória dos que foram seqüestrados, torturados e mortos pelo regime ao qual serviu Paulo Maluf. Este mesmo Maluf contra o qual os puros, os tolos e os sonhadores da política, vejam vocês, tem a ousadia de se voltar.

Beba na fonte: Nós, os puros | Leandro Fortes.

Eliane Cantanhêde: O crime compensa?

Há uma enorme perplexidade, sobretudo em Brasília, diante dos sucessivos erros de Lula depois de sair da Presidência e assistir, da planície, ao sucesso de Dilma no Planalto e nas pesquisas.

A aliança de Lula com Paulo Maluf, porém, tem uma lógica eleitoral (certa ou errada) e combina perfeitamente com todos os movimentos de Lula durante seus oito anos na Presidência, resumidos numa frase: vale tudo pelo poder.

Ao juntar-se a Maluf e anunciar a aliança no ‘bunker’ malufista, diante de uma multidão de fotógrafos, Lula sobrepôs o que considera ganhos eleitorais (quantitativos) a inevitáveis perdas políticas (qualitativas).

Explico: ele vendeu o PT a Maluf por um minuto e meio e pelo ainda forte capital de votos de Maluf em setores conservadores e na periferia da capital paulista. E deu de ombros para a evidente reação de petistas, tucanos ou marcianos.

Fazendo o cálculo, Lula concluiu que valia a pena prestar-se ao que Luiza Erundina chamou ontem de “higienização” de Maluf. A imagem do PT? Já não anda lá essas coisas mesmo desde o mensalão…

Pragmatismo em puríssimo estado, tão ao gosto de quem se atirou com tanto prazer nos braços de Collor, de Sarney, de tantos outros inimigos históricos do PT. E, quando se fala de Maluf, a questão não é ideológica, programática, política. A questão é visceralmente ética.

Registre-se, de quebra, o protagonismo de Lula e a inexpressividade do próprio candidato Fernando Haddad. Em todos os episódios, com Marta, Kassab, Maluf, Erundina, ele parece um mero figurante, de cabelo novo, roupa nova, sorriso novo e completamente dispensável -seria deselegante falar em marionete.

Um efeito prático no grave erro político do abraço a Maluf, portanto, é que Haddad vai aumentar e Lula vai reduzir a presença em cena. Nos bastidores, porém, continuará ensinando ao pupilo que o crime compensa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – O crime compensa? – 21/06/2012.

A exceção Erundina

José Roberto de Toledo, no site do Estadão

A política brasileira, segundo Paulo Maluf (PP-SP): “Não há mais direita e esquerda, o que há são segundos de TV”. Há uma inegável verdade na frase do deputado predileto da Interpol. Mas ao não engolir a aliança do PT de Lula com o PP de Maluf e renunciar a ser vice de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina (PSB-SP) mostrou que nem sempre a Realpolitik conta mais do que aversões pessoais e escrúpulos morais.

Se não tivesse abandonado a chapa de Haddad, Erundina teria provado que Maluf está certo. Como esperneou e saiu, acabou lhe tirando a razão -ao menos no seu caso pessoal. A deputada é a menos governista dos parlamentares do PSB. Vota com o governo Dilma apenas quando concorda com as propostas. Vota contra quando discorda. É anocronicamente “ideológica” no exercício do mandato. Mas é também uma exceção. Vai ter fila para ocupar o lugar que ela deixou.

Se o adágio malufista vale para a imensa maioria dos políticos, e são os segundos de propaganda que contam, então vamos contá-los.

A tendência de polarização PSDB-PT ficou mais evidente na mais recente pesquisa Datafolha. Mas José Serra e Haddad estão em situações opostas. Os segundos de exposição na TV a partir de agosto têm utilidade e peso muito diferentes para cada um deles.

Praticamente todos os eleitores paulistanos conhecem Serra. Nos últimos dez anos, ele se elegeu prefeito e governador, além de ter ficado em segundo lugar em duas eleições presidenciais. Seu problema é ser conhecido demais: 32% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. O tucano precisa de propaganda para se manter na cabeça do eleitor, mas não pode abusar da superexposição na TV, ou pode se queimar.

O que importa mais para Serra é impedir que o desconhecido Haddad apareça tanto na propaganda televisiva que acabe se tornando tão conhecido quanto o tucano. Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff na campanha de 2010. Embora ela tivesse uma velocidade inicial maior do que Haddad, graças à propaganda desabrida de Lula em palanques oficiais desde 2009, foi a partir da propaganda de TV que Dilma deixou Serra para trás.

Por isso, os segundos malufistas são um problema para Serra não pelo tempo de vídeo que ele “perdeu”, mas pelas inserções que Haddad ganhou. Pouco importa se Serra cooptar o PTB e somar seus minutos. Não vai com isso compensar o que Maluf deu a Lula e seu pupilo. Do mesmo modo, o desgaste provocado pela foto de Maluf com Lula e Haddad é muito menor do que o potencial ganho que os segundos malufistas trarão para o petista.

Diante de tantos ganhos, nem Lula nem Haddad pensaram -nem uma, muito menos duas vezes. Quando a Realpolitik é tão avassaladora que abarca todo o espectro partidário -com raras Erundinas-, caciques como Maluf, Valdemar Costa Neto (PR), José Sarney (PMDB) e quetais só têm a ganhar -especialmente quando não são candidatos e podem negociar o tempo de TV de seus partidos com aliados de ocasião. Os preços são cada vez mais inflacionados.

Não há alternativa à vista, fora uma reforma política que jamais será feita enquanto os principais interessados forem os donos do processo decisório. Não reformarão nada relevante. Não importa quem esteja no governo, pois o sistema ajuda a manter no poder quem já chegou lá. Foi desenhado para isso. Restam medidas paliativas.

Uma delas seria mudar as regras de distribuição do tempo de propaganda eleitoral na TV. Se um partido não tiver candidato, ele não deveria ter direito a somar tempo para a coligação majoritária. Sem essa moeda de troca, as siglas que aderem ao princípio malufista perderiam valor de mercado.

A mudança de uma pequena regra não muda a essência do sistema, como o gesto de Erundina não transforma a Realpolitik. Mas, mesmo fugazmente, é divertido atrapalhar os poderosos.

Maluf levou cargo, diz Gilberto Carvalho

FERNANDO RODRIGUES

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse ontem que o cargo entregue pelo governo a um aliado de Paulo Maluf fez mesmo parte da negociação pelo apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad (PT) a prefeito de São Paulo.

Osvaldo Garcia foi nomeado para a Secretaria de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, já comandado pelo PP, com o deputado Aguinaldo Ribeiro (PB).

“Houve uma troca [de cargos], como tem havido em qualquer negociação. Não houve dinheiro”, disse Carvalho. “Assim como nós aceitamos o apoio do PP no governo federal, é natural que houvesse uma aproximação com o PP paulista”.

A aliança do PT com o PP em São Paulo foi fechada anteontem na casa de Maluf, com a presença do ex-presidente Lula e do presidente do PT, Rui Falcão, além de malufistas históricos, como o vereador Wadih Mutran (PP).

Sobre a proximidade com Maluf, Carvalho declarou: “Não acho que seja uma catástrofe. Se o PP assina a proposta [de governo do PT], não vejo problema”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Maluf levou cargo, não dinheiro, diz Gilberto Carvalho – 20/06/2012.

‘Micos’ ofuscam as boas notícias recentes para o candidato petista

O pragmatismo político de Lula acabou impondo ao “homem novo para um tempo novo”, Fernando Haddad, um desgaste desnecessário numa semana que deveria ser coroada de boas notícias.

Alheio às negociações da própria campanha, justamente por ser neófito, Haddad pouco opinou sobre as tratativas que o levaram a aparecer visivelmente constrangido em fotos ao lado do nada novo Paulo Maluf (PP).

Também ficou vendido na reviravolta que, em cinco dias, lhe tirou a vice dos sonhos, Luiza Erundina. O comando da campanha chegou a tranquilizá-lo de que o mal-estar com a deputada seria contornado e ela ficaria.

Se tivesse mais voz ativa na própria campanha, Haddad teria preferido Erundina ao aperto de mão a Maluf. Mais: se fosse levado a sério, o próprio slogan criado por João Santana levaria o PT a repensar a foto desde já histórica.

Assim, os micos da semana acabaram sobrepujando as boas notícias para o petista: o fato de ter mais que dobrado sua intenção de votos na pesquisa Datafolha, chegando a 8%, e de ter conseguido o apoio de três partidos depois de meses de voo solo.

É verdade que o 1min30s de televisão do PP pode ajudar a tornar conhecido esse “homem novo”. Resta saber se o símbolo do aperto de mão a Maluf e o controle de Lula sobre sua criatura não vão criar um ruído entre a imagem de renovação e aquela que Haddad transmitirá ao eleitorado.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – ‘Micos’ ofuscam as boas notícias recentes para o candidato petista – 20/06/2012.

Lula conseguiu: Erundina deixa Haddad sozinho na companhia de Paulo Maluf

Deu no que deu. Conforme o Blog antecipou mais cedo, Luiza Erundina formalizou a saída da chapa encabeçada por Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo.

O PSB ainda estuda o que fazer, mas deve abrir mão de indicar o vice.

Desta forma, a ação desastrada do ex-presidente Lula impingiu o segundo castigo seguido a seu afilhado político. Primeiro, afastou MArta Suplicy dos palanques de Haddad. Agora, enterrou a chance de ter a companhia de Luiza Erundina, que é muito bem avaliada na periferia de São Paulo.

Pelo menos por enquanto, a imagem que vai ficar é aquela do encontro no jardim da casa do pepista, onde foi formalizada a entrada de Maluf e aberta a porta para a saída de Erundina. Ou seja: Lula deixou Haddad sozinho, no colo de Maluf.

Será que o grande timoneiro do PT tem algo contra sua própria criatura ?

“Por amor a São Paulo”

Eliane Cantanhêde

Acabo de voltar de uma semana a Curaçao e leio, ouço, vejo as fotos de Maluf e Lula, com Fernando Haddad no meio, e me sinto como o personagem Sebá, o último exilado político, que ouvia pelo telefone as piores notícias sobre o Brasil e tascava para a mulher: “Tu não queres que eu volte!”.

O petista Haddad abraçado ao PSB, que, de socialista, cada dia tem menos, e, do outro lado, ao PP de Maluf, que foi o inimigo nº 1 da sociedade e tem uma folha corrida internacional. O tucano José Serra de braços dados com o PV, de discurso bonito e de prática nem tanto, e, do outro lado, com o PR de Alfredo Nascimento, que saiu escorraçado dos Transportes na tal “faxina ética”.

Onde o PSDB e o PT foram parar? Será que 1min35 a mais na TV e no rádio justifica que se engalfinhem por Maluf? Será que vale um cargo federal seja lá em que ministério for? Será que vale as décadas de lutas dos petistas e a história da cúpula tucana?

Lula passou por cima de Marta Suplicy e do PT para impor Haddad, tentou a jogada com Gilberto Kassab e levou uma rasteira fenomenal, entregou a cabeça de petistas pelo Brasil afora para atrair o PSB e, agora, vende a alma ao diabo por Maluf.

Bem, depois de anistiar Fernando Collor e convencer os antigos caras-pintadas de que as rixas eram só oportunismo político, Lula usa seu peso, sua história, seu carisma e o seu partido para reduzir tudo o que Maluf representa a algo banal, sem importância. O importante, ensina Lula do alto de seus 80% de popularidade, é vencer.

Coitado de Haddad, o novo que já entra velho. Sorte de Marta, que escapou dessa. E juízo de Erundina, para quem, segundo a “Veja”, “não é preciso ser vice para fazer política”.

Mas a melhor frase é a do próprio Maluf, que exigiu que Lula e Haddad fossem à casa dele e disse que selava a aliança “por amor a São Paulo”. O único ganhador de toda essa história é ele. Quem ri por último ri melhor.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – “Por amor a São Paulo” – 19/06/2012.

A foto que pode custar a derrota de Haddad

A foto acima bem poderia servir como o epitáfio da política brasileira. Nem tanto por Haddad, um jovem cheio de qualidades e ainda idealista que apenas agora se apresenta ao eleitorado. Na cena, ele ocupa uma posição secundária. Análoga, aliás, à sua condição na campanha que se inicia. Os dois protagonistas são mesmo Lula e Maluf.

“Donde qualquer coisa se espera, daí é que sai tudo mesmo!”, teria dito o Barão de Itararé. A despeito da incredulidade dos que, até a semana passada, juravam que Lula e Maluf eram como água e óleo.

Pois Lula conseguiu o prodígio de unir-se ao seu anverso, tangido pela conveniência de consolidar a candidatura da qual é padrinho, artífice e tutor. Era só o que faltava.

Ontem, no Band Eleições, Haddad estava com o semblante carregado, não sorria como sorri sempre. E tinha motivos para estar alegre: finalmente sua curva de popularidade fletiu,  saiu do traço para iniciar uma previsível ascensão, catapultando sua candidatura para um lugar onde se espera que ela esteja. Mas não: havia mais motivos para preocupação do que para qualquer tipo de comemoração.

No estúdio ele nos contou que o mote da campanha vai ser construído em cima da palavra “novo”, um bordão que se encaixa bem com sua figura. Mas o que dizer do “novo”que é avalizado por Paulo Maluf ? Que novidade é essa ?

A novidade, ontem, era a sapituca de Luiza Erundina, que de “novo” também não tem nada — além do fato de ter aceitado reconciliar-se com o partido que a expulsou quando ela decidiu apoiar Itamar Franco. Depois de declarar ao jornal O Globo que não aceitaria ser vice de uma chapa apoiada por Maluf, Erundina desligou o telefone e desapareceu. Até o fim da gravação do programa da Band, Haddad ainda não havia conseguido falar com sua vice.

“Não se pode fulanizar essa questão”, disse o candidato do PT durante a entrevista. Para ser lembrado em seguida por Fernando Mitre de que quem fulanizou o problema foi Luiza Erundina. Para o candidato do PT à prefeitura paulistana, a companhia indigesta de Maluf se justifica pela necessidade de ampliar o arco de alianças que irá sustentar a candidatura do PT. Mas ele repetia isso como quem pede desculpa, não com a ênfase de quem ganhou um aliado importante.

Esta é a primeira eleição que o ex-ministro da Educação disputa. Inexperiente, tem sido guindado a uma série intermivável de erros por seu padrinho. É de Lula, e não de Haddad, que a militância crédula precisa cobrar coerência. É a Lula que devem ser debitados todos os problemas da estratégia petista, uma vez que ele se arroga maior que o  o partido e decidiu tomar as rédeas do processo.

Pode-se afirmar sem medo de errar que a própria candidatura Haddad é produto da onipotência de Lula. O candidato natural, Marta Suplicy, ficou na estrada quando ele interveio na disputa interna e sacou da cartola o ex-ministro, repetindo a estratégia que adotara para inventar Dilma Rousseff.  Ao criar a “novidade”, o ex-presidente enfiou a ex-prefeita no saco das velharias das quais convém dispor em nome de uma suspeita renovação.

O que aconteceu a partir de então ? Marta Suplicy não aceitou o desaforo. Desapareceu dos compromissos públicos de uma campanha que deveria ser sua. Humilhada, não permitiu até hoje um registro como a foto estampada no alto deste post.

Lula não esteve no ato em que foi selada a aliança com o PSB, mas fez questão de ir à casa de Maluf para marcar a entrada do PP na Arca de Noé petista. A ausência, confrontada com o entusiasmo evidente ao final da conversa com o ex-prefeito e ex-governador paulista, ajuda a criar um conjunto de símbolos muito representativo da decadência do PT como partido ideológico.

Se já não há mais um ideal a defender, restou aos petistas como alento um projeto de poder. Isso fica evidente nos últimos movimentos de seu líder máximo. Para defendê-lo, Lula tem feito ginásticas inimagináveis para um político experiente.  A julgar pelas críticas que vem recebendo da própria militância, pode-se bem traduzir esses malabarismos por bobagens inexplicáveis.

As manobras de Lula têm funcionado como um forte elemento de dispersão dentro e fora de seu partido. São desagregadoras, uma vez que tiveram o condão de afastar uma militante da importância de Marta Suplicy e uma aliada de última hora do quilate de Luiza Erundina. Ou seja: provocaram perdas muito maiores do que o ganhou residual, que se reduz a um tempo maior de exposição de seu candidato no horário eleitoral.

Se vai dar certo ou não, o tempo e os eleitores dirão. A julgar pelos humores do próprio Haddad e de seus assessores na noite de ontem, tudo indica que o prejuízo é enorme. E significativo a ponto de impedir que a primeira boa notícia da temporada — a saída do fosso das pesquisas eleitorais — fosse abafada pela repercussão negativa do encontro Lula-Maluf.Por enquanto, a cada movimento estabanado do ex-presidente cria-se uma frustração entre próprios petistas. Só quem teve algo a comemorar até agora foram seus adversários.

Pelo que se viu até aqui, teria sido melhor se Lula se conformasse com seu papel de ex-presidente. Pelo menos estaria a salvo da chacota e das críticas suscitadas pela evidente falta de racionalidade e limites. E da responsabilidade de ter que explicar, no futuro, por que decidiu tão enfaticamente sepultar as chances de vitória do candidato que ele mesmo inventou.

Influência de Lula cai 10 pontos, diz Datafolha

A pesquisa Datafolha realizada na semana passada mostra que caiu a importância do apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a escolha de um candidato pelo eleitor paulistano.

Questionados, 39% dizem que o endosso de Lula poderia influenciar positivamente seu voto. O índice é dez pontos percentuais menor que o verificado em janeiro.

Lula, porém, continua a ser o melhor cabo eleitoral entre os nomes pesquisados pelo Datafolha. Depois vêm o governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 29%, e a presidente Dilma Rousseff (28%).

Já o prefeito Gilberto Kassab (PSB) se mostra um “anticabo eleitoral”. Questionados, 43% dos entrevistados dizem que não votariam no candidato que tivesse o apoio do prefeito. Para 12%, o endosso de Kassab é positivo.

Isso se reflete em outro dado pesquisado: 80% dos eleitores querem o próximo governo diferente do atual.

Ter um padrinho no Palácio do Planalto nunca foi decisivo na eleição paulistana.

A cidade nunca elegeu, desde 1985, um prefeito com apoio do presidente da República. FHC (PSDB) amargou duas derrotas, com as vitórias de Celso Pitta (1996) e de Marta Suplicy (2000). Lula também, com José Serra (2004) e Gilberto Kassab (2008).

Em 1996, o desconhecido Pitta não teria batido os favoritos Serra e Luiza Erundina sem o apadrinhamento do então prefeito Paulo Maluf. Em junho, Pitta tinha 10% dos votos; chegou a quase 45% no primeiro turno e, no segundo, venceu Erundina com 57%.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Influência de ex-presidente cai 10 pontos, diz Datafolha – 18/06/2012.

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