Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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CPI do Cachoeira: vice defende indiciamento de Perillo

RICARDO BRITO

O vice-presidente da CPI do Cachoeira, o deputado petista Paulo Teixeira (SP), defendeu o indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, por envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Um relatório da Polícia Federal diz que Perillo firmou um “compromisso” com a Delta Construções, assim que assumiu o cargo, no ano passado. O acordo contava, diz a PF, com a intermediação de Cachoeira.

O acerto incluiria a liberação de créditos milionários da empreiteira com o governo goiano mediante suposto pagamento de propina a Perillo. O primeiro “compromisso”, segundo reportagem da revista Época desta semana, teria sido a compra da casa do governador de Goiás pelo contraventor. “Fechou o cerco. O relatório da Polícia Federal é a prova cabal de que a venda da casa foi para Cachoeira, foi pago com dinheiro da Delta e que houve uma vinculação entre os pagamentos de créditos para a empreiteira e a quitação das parcelas pela casa”, afirmou Teixeira.

Questionado sobre por quais crimes o governador de Goiás poderia ter o indiciamento sugerido pela comissão, Paulo Teixeira, que também foi líder do PT na Câmara, disse que não é possível saber agora. “Tem muitos tipos penais que ele será enquadrado”, afirmou. A CPI tem prazo para encerrar os trabalhos em novembro, caso não seja prorrogada. Suas conclusões serão remetidas para o Ministério Público, que poderá, ou não, acatá-las.

Beba na fonte: CPI do Cachoeira: vice defende indiciamento de Perillo – politica – politica – Estadão.

Como a Delta e Cacheira pagaram propina a Marconi Perillo

DIEGO ESCOSTEGUY, COM MURILO RAMOS E MARCELO ROCHA

capitulo 1 (Foto: reprodução)

 

No dia 27 de junho, o Núcleo de Inteligência da Polícia Federal remeteu à Procuradoria-Geral da República um relatório sigiloso, contendo todas as evidências de envolvimento do governador Marconi Perillo com o esquema da construtora Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Como governador de Estado, Perillo só pode ser investigado pelo procurador-geral da República – e processado no Superior Tribunal de Justiça. O relatório, a que ÉPOCA teve acesso com exclusividade, tem 73 páginas, 169 diálogos telefônicos e um tema: corrupção.

O documento está sob os cuidados da subprocuradora Lindora de Araújo, uma das investigadoras mais experientes do Ministério Público. Ela analisará que providências tomar e terá trabalho: são contundentes os indícios de que a Delta deu dinheiro a Perillo.

Alguns desses 169 diálogos já vieram a público; a vasta maioria ainda não. Encontram-se nesses trechos inéditos as provas que faltavam para confirmar a simbiose entre os interesses comerciais da Delta em Goiás e os interesses financeiros de Perillo. Explica-se, finalmente, o estranho episódio da venda da casa de Perillo para Cachoeira, que não foi bem entendido. Perillo nega até hoje que tenha vendido o imóvel a Cachoeira; diz apenas que vendeu a um amigo. O exame dos diálogos interceptados fez a Polícia Federal, baseada em fortes evidências, concluir que:

1) assim que assumiu o governo de Goiás, no ano passado, Perillo e a Delta fecharam, diz a PF, um “compromisso”, com a intermediação do bicheiro Carlinhos Cachoeira: para que a Delta recebesse em dia o que o governo de Goiás lhe devia, a construtora teria de pagar Perillo;

2) o primeiro acerto envolveu a casa onde Perillo morava. Ele queria vender o imóvel e receber uma “diferença” de R$ 500 mil. Houve regateio, mas Cachoei¬ra e a Delta toparam. Pagariam com cheques de laranjas, em três parcelas;

3) Perillo recebeu os cheques de Cachoeira. O dinheiro para os pagamentos – efetuados entre março e maio do ano passado – saía das contas da Delta, era lavado por empresas fantasmas de Cachoeira e, em seguida, repassado a Perillo. Ato contínuo, o governo de Goiás pagava as faturas devidas à Delta;

4) a Delta entregou a um assessor de Perillo a “diferença” de R$ 500 mil;

5) a direção nacional da Delta tinha conhecimento do acerto e autorizou os pagamentos.

Para compreender as negociações, é necessário conhecer dois personagens, que chegaram a ser presos pela PF. Um é o tucano Wladmir Garcez, amigo de Perillo e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia. Garcez atua como uma espécie de embaixador de Perillo junto à Delta e à turma de Cachoeira: faz pedidos, cobra valores, entrega recados. O segundo personagem é Cláudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste e parceiro de Cachoeira no ataque aos cofres públicos de Goiás. Na hierarquia da Delta, Abreu detinha a responsabilidade de obter contratos públicos para a construtora e – o mais difícil, custoso – assegurar que os governantes liberassem os pagamentos em dia. A corrupção neste caso, como em tantos outros, nasce na oportunidade que o Poder Público oferece: um detém a caneta que pode liberar o dinheiro; outro detém o dinheiro que pode mover a caneta. Na simbiose entre a Delta e o governo de Goiás, Garcez e Abreu eram os sujeitos que se dedicavam a fazer o dinheiro girar, multiplicar-se. Não há caixa de campanha ou questiúncula política nessa história. O objetivo era ganhar dinheiro.

A mensagem
Para a Justiça
O relatório da PF traz indícios de que a Delta transferiu dinheiro a Perillo, e eles devem ser investigados
Para o eleitor
A investigação pode dar um novo norte à CPI do Cachoeira

A PF começou a monitorar as atividades ilegais das duas turmas, de Perillo e da Delta, em 27 de fevereiro do ano passado. Naquele momento, Perillo cobrava o pagamento do “compromisso” da Delta. Num diálogo interceptado pela PF às 20h06, Cachoeira pede pressa a Abreu. Disse Cachoeira: “E aquele trem (dinheiro) do Marconi(governador), hein? Marconi já falou com o Wladmir (Garcez), viu”. Abreu chora miséria, como bom negociante. “Vou falar amanhã que não tem jeito”, diz Cachoeira. “Mas não é 2 milhões e meio, não. Ele (Marconi) quer só a diferença.” Cachoeira refere-se, aqui, à operação de venda da casa, o assunto mais urgente naquele momento. Abreu faz jogo duro: “Pois é, doutor, eu não tenho como. Do mesmo jeito que o Estado tá com o orçamento fechado, eu também tô”. O jogo é simples: uma parte quer que a outra aja antes. Perillo quer o dinheiro antes de liberar a fatura; Abreu, da Delta, quer a fatura paga antes de liberar o dinheiro para Perillo.

Capítulo 2 (Foto: reprodução)

As negociações prosseguem, emperradas em alguns momentos por desconfianças mútuas. Numa ligação na mesma noite, Cachoeira certifica Abreu de que Garcez, o interlocutor de Perillo, não está pressionando a Delta sem motivos. “Não é o Wladmir, não. É ele(Marconi) que tem esse trem na cabeça, da diferença e não sei o quê, viu?”, diz. No dia seguinte, preocupado com a demora da Delta em liberar o dinheiro, Cachoeira pede a Garcez que dê “um aperto” em Abreu, de modo a garantir o negócio. Garcez liga para Abreu e reforça que a Delta deve pagar logo o “compromisso” com Perillo. Garcez explicara a Perillo que a Delta não conseguiria quitar o acerto logo. Diz Garcez, no diálogo com Abreu: “Tive lá no Palácio, conversei com o governador lá. Falei… ‘Olha, o compromisso que ele (Abreu) tinha feito com o senhor faltava 1 milhão e meio. (…) Ele (Abreu) vai ver se cumpre aquele compromisso com o senhor”. Diante da pressão, Abreu diz que tem “outros compromissos” em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Pede tempo.

Nervoso com a lentidão de Abreu, Cachoeira resolve dar prosseguimento ao negócio com Perillo – e cobrar depois da Delta. A partir daí, o acerto realiza-se com rapidez. Ainda no dia 28, Garcez informa a Cachoeira que Perillo quer cheques nominais. Combinam a entrega de três cheques para o dia seguinte, às 14 horas: dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil, depositados no dia 1o de cada mês. Em seguida, no dia 1o de março, Cachoeira faz a operação: pede ao sobrinho que assine os cheques, avisa a Delta e manda entregar os cheques no Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Às 14h53, Garcez, que estava no Palácio, confirma a Cachoeira que os cheques foram entregues e avisa que levará a escritura do imóvel no dia seguinte. Doze minutos depois, Cachoei-ra já pede a contrapartida a Garcez: “O trem da Delta, aqueles 9 milhões que o Estado tem de pagar… Você levou para mostrar para ele (Perillo)?”. Garcez confirma: “Tá comigo aqui. Oito milhões, quinhentos e noventa e dois, zero quarenta e três”. Às 16h37, Garcez informa a Cachoeira que está no gabinete do governador, entregando os cheques. Em seguida, Garcez comunica a Abreu que os problemas da Delta acabaram. “(Perillo)falou que vai resolver: ‘Não, pode deixar que isso aqui eu resolvo’”. E resolveu: ainda no dia 1o de março, o governo de Goiás liberou R$ 3,2 milhões para a conta da Delta. No dia seguinte, o cheque de R$ 500 mil foi depositado na conta de Perillo.

No dia 3 de março, Cachoeira comemora com Abreu a “porta aberta” com Perillo. “Ele (Perillo)engoliu aqueles 500 mil… Ele (Perillo) responde em tudo, deu as contas para pagar”, afirma Cachoeira. Cachoeira pediu a seu sobrinho Leonardo Ramos, que costuma assessorá-lo, para que preparasse um contrato de compra e venda no nome de um laranja – e começou a chamar amigos para conhecer a linda casa que comprara de Perillo. No dia 25 de março, o governo de Goiás liberou mais um pagamento de R$ 3,2 milhões para a conta da Delta. Enquanto os pagamentos caíam nas contas da Delta, a Delta cobria, por meio de uma empresa laranja, os cheques dados por Cachoeira.

O segundo cheque de R$ 500 mil foi compensado no dia 4 de abril. Cachoeira, sempre zeloso, checava tudo com seu contador. No dia 29 de abril, antes da compensação do último cheque, no valor de R$ 400 mil, Abreu voltou a reclamar com Cachoeira que as faturas da Delta haviam sido retidas novamente. Abreu foi claríssimo na contrapartida necessária para pagar o último cheque: “Deixa eu te contar uma amarelada que eu dei aqui. Wladmir (Garcez) tá me rodeando aqui. Eu falei: ‘Wladmir, tá bom: que dia vai me pagar? Tá prometido até sexta que vem, tá? Então vamos fazer o seguinte: eu pago os 400. Se ele (Perillo) não me pagar até sexta (…) você me devolve os 400’. Aí ele amarelou aqui”. Os dois reclamaram da demora de Perillo. Cachoeira disse: “Agora tem de tolerar porque nós já pusemos o pé na jaca”. Eles reclamam, reclamam, reclamam… mas no fim pagam. No dia 2 de maio, Cachoeira ordenou a seu contador que contatasse o pessoal de Perillo e descontasse o último cheque. “Aquele lá (o cheque) não podia falhar de jeito nenhum, né?”, diz o contador. O cheque foi descontado. E o que aconteceu? O governo de Goiás liberou mais uma parcela de R$ 3,2 milhões para a conta da Delta.

Não demorou para Cachoeira perceber que morar na antiga casa do governador de Goiás lhe traria problemas. Num diálogo com sua mulher, Andressa Mendonça, em 17 de maio (leia na página ao lado), Cachoeira compartilhou seu temor por telefone: “Esse trem não vai dar certo (da casa). Vão acabar sabendo que é minha”. Cachoeira começou, então, a procurar um modo de se desfazer do imóvel, apesar dos protestos de Andressa, que já decorara a casa e adorava o lugar. As conversas interceptadas pela PF mostram em detalhes como Cachoeira repassou a casa para um terceiro, o empresário Walter Santiago, sem aparecer. Para isso, recorreu à ajuda de Garcez, que coordenou a transação. Garcez assegurou ao empresário que a casa era de Perillo. No dia 12 de julho, Walter Santiago, rodando num carro blindado, encontrou-se com Garcez e lhe entregou R$ 2,1 milhões em dinheiro vivo. Cachoeira orientou Garcez pelo telefone: “Manda trazer o dinheiro aqui no Excalibur (prédio onde mora Cachoeira), entendeu? Manda o professor(Walter Santiago) trazer no Excalibur, porque ele tá com carro blindado”.

CONFORTO A casa onde  moraram o  governador Marconi  Perillo e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.   Ela foi vendida  por R$ 2,1 milhões  em dinheiro vivo  (Foto: Fernando Gallo/AE)

Em seguida, Garcez informou a Cachoeira que Lúcio Fiúza, então assessor especial de Perillo, estava com eles no carro. Responde Cachoeira: “Então pega tudo e vem para casa. Dá só os quinhentos na viagem para o doutor Lúcio. (…) Já fala para o doutor Lúcio pegar os cem também (parte do assessor de Perillo). É dois e cem, viu (R$ 2,1 milhões, o dinheiro a ser entregue)? Pega os cem logo e já mata ele, ou então já fala a data que ele tem de entregar”. Não fica claro se os R$ 500 mil para Fiúza referem-se à parte de Perillo nessa segunda operação – ou se era um pagamento pendente por outra razão. Também nessa segunda operação, Cachoeira recebeu – e distribuiu a gente próxima a Perillo – mais dinheiro do que valia o imóvel.

Cachoeira confirma isso num diálogo com Andressa, ainda no dia 12. Andressa pergunta por quanto ele vendeu a casa. “Dois e cem”, diz Cachoeira. “Esse trem é do Marconi e não ia dar certo, não. Tem de passar logo esse trem para o nome dele (possivelmente o empresário Walter). Porque eu vou perder um trem de bilhões por causa de um negócio à toa.” Andressa não quer saber de negócios ou dinheiro. Quer saber da prataria da casa e das coisas bonitas e caras que comprou para decorá-la. “Você explicou para ele (empresário Walter) que roupa de cama, coisa pessoal, acessório de banheiro, nada disso vai, né?”, diz Andressa. Cachoeira se irrita: “Deixa a roupa de cama do jeito que tá lá. Não faça isso, não. Pega as pratarias que o Wladmir escondeu lá dentro”. “Eu não vou deixar roupa de cama de 400 fios para ele, não. Cê tá louco?”, diz Andressa. Cachoeira, então, confessa o preço real da casa e revela a existência da “diferença”. “Deixa do jeito que tá. Aquilo lá custou quanto? Afinal, eu comprei ela (a casa) por mil(R$ 1 milhão), vendi por mil e quinhentos (R$ 1,5 milhão). Tá bom, me ajudou a vender.” A conta é a seguinte, segundo a PF: o empresário Walter Santiago pagou R$ 2,1 milhões pela casa. Destes, R$ 100 mil foram para Fiúza, o assessor de Perillo, R$ 500 mil para Perillo, levados por Fiúza – e o restante, R$ 1,5 milhão, para Cachoeira.

Segundo Perillo, a Receita Federal atestou que seu patrimônio é compatível com seus rendimentos

O que Cachoeira fez depois de receber o R$ 1,5 milhão? Ligou para a Delta. Confirmou o recebimento do dinheiro e perguntou a Abreu se o contador da Delta já fora avisado. Abreu disse que estava ao lado de Carlos Pacheco, principal executivo da Delta, a quem Abreu chama de “chefe”. Abreu disse: “Eu falei com o chefe aqui, viu, amigo? Ele falou que era para você guardar esse dinheiro, era para você aplicar lá no entorno (entre Brasília e Goiás), no projeto. Que o projeto lá vai exigir uns 4 milhões e meio, mas eu falo com você pessoalmente”. A PF não descobriu que projeto seria esse. Mas a fala de Abreu deixa claro o que outros diálogos confirmam: a direção da Delta nacional não só sabia das operações de Cachoeira no Centro-Oeste, como coordenava algumas negociações. Até agora, a Delta insiste na versão segundo a qual Abreu agia sozinho.

E manteve sua linha de defesa, após ÉPOCA questionar a empresa sobre as novas evidências. Por meio de uma nota, a Delta afirma não ter conhecimento da apresentação de uma fatura da empresa ao governador Marconi Perillo, nem da visita de Wladmir Garcez ao Palácio de governo para resolver um assunto da empreiteira. A nota também afirma: “Empresas de construção civil que atuam no setor público, como a Delta, precisam zelar e velar pelo recebimento pontual e em dia dos compromissos assumidos a fim de não ocorrer solução de descontinuidade nas obras”. A empresa diz ainda que o ex-presidente Carlos Pacheco nunca teve relação comercial com Cachoeira e que a empresa tem prestado esclarecimentos necessários aos órgãos instituídos.

Perillo também preferiu não prestar esclarecimentos a ÉPOCA. Não respondeu às perguntas sobre eventuais conversas para discutir pagamentos da Delta e sobre a relação desses pagamentos com a venda da casa. Em nota, limitou-se a dizer que “prestou, por meses a fio, todos os esclarecimentos solicitados pela imprensa, pela sociedade e pela CPI”. Perillo criticou ainda o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira. Disse que o deputado quer transformar a CPI numa “comissão de investigação do governador Marconi Perillo”. Diz ainda a nota: “No exaustivo crivo a que foi submetido, nenhum fato se encontrou que possa desabonar sua biografia (de Marconi Perillo) de cidadão ou de homem público. Ao contrário, a Receita Federal, por exemplo, emitiu nota técnica na qual atesta que o patrimônio do governador é compatível com seus rendimentos. Portanto, o governador Marconi Perillo informa que, considerando já devidamente esclarecidos os assuntos de fato relevantes, não se pronunciará mais a respeito de questões atinentes a sua vida privada, reservando essa providência, como é natural, unicamente para os assuntos relacionados a suas atividades como governador do Estado”.

Perillo depôs na CPI do Cachoeira há um mês, quando começavam a se acumular evidências de que ele mantinha relações com a empreiteira Delta e com Cachoeira. Na ocasião, foi claro: “O senhor Carlos Cachoeira não teve a menor participação na venda da casa. (A venda da casa) foi feita de forma transparente ao atual empresário Walter Paulo. (…) Os valores (da venda da casa)foram de acordo com o mercado”. Até agora, desconfiava-se que as três afirmações não eram verdadeiras. Agora, com o relatório da PF, sabe-se que são falsas: Cachoeira participou da compra da casa, a operação aconteceu na sombra e o valor da venda foi superior ao de mercado.

Perillo também disse à CPI: “De forma desavisada ou maldosa, vejo, aqui ou acolá, afirmações de que o senhor Carlos Augusto, o Cachoeira, teria influência em meu governo”. Os diálogos interceptados pela PF e a cronologia do pagamento das faturas à Delta revelam que Cachoeira tinha, sim, influência. Outra frase de Perillo: “Falaram (nos diálogos até então divulgados) sobre seus planos (da turma de Cachoeira), mas nada se concretizou. Nada! Reafirmo: nada se concretizou”. Aqui, mais uma vez, as cobranças da Delta ao amigo de Perillo, os cheques compensados nas contas de Perillo e o consequente pagamento das faturas da Delta apontam o contrário. Por fim, Perillo bradou na CPI: “Não tem propina no meu Estado”. É uma afirmação ousada. Os delegados da Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, ao que parece, discordam.

Leia a íntegra no site de Época

Perillo cobrou dinheiro de empreiteira, indica grampo

BRENO COSTA, ANDREZA MATAIS E ANDRÉIA SADI

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), esperava receber um pagamento da empreiteira Delta poucos dias antes de acertar a venda de sua casa, que, no final, acabou sendo comprada pelo empresário Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro pela Polícia Federal.

É o que indica uma ligação interceptada pela PF no dia 27 de fevereiro de 2011 entre Cachoeira e o então diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu.

Falando sobre uma suposta cobrança que estaria sendo feita por Marconi Perillo, Cachoeira diz o seguinte ao seu interlocutor: “Cláudio, e aquele trem do Marconi? Marconi já falou com o Wladimir [Garcez, assessor de Cachoeira] de novo”.

Cláudio Abreu, o diretor da Delta, diz então que Wladimir “deve ter conversado lá [sobre] esse negócio de R$ 2,5 milhões” com Perillo, mas que não tinha como pagar.

Cachoeira responde que o governador Perillo não queria R$ 2,5 milhões, mas só “a diferença”.

Um dia depois dessa conversa, em 28 de fevereiro, Cláudio Abreu repete para Wladimir Garcez o discurso que havia feito a Cachoeira sobre a falta de dinheiro, mas diz que tentaria solucionar o problema.

No dia seguinte, três cheques foram entregues a Perillo por Garcez para comprar o imóvel. Eles totalizam R$ 1,4 milhão. À CPI do Cachoeira, Wladimir Garcez disse que pegou o dinheiro emprestado com Cláudio Abreu, o diretor da Delta.

Na conversa do dia 27 de fevereiro, não fica claro sobre o que se referia o pagamento que, aparentemente, estava sendo aguardado por Perillo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Perillo cobrou dinheiro de empreiteira, indica grampo – 29/06/2012.

Relator diz que crime organizado financiou Perillo

RICARDO BRITO

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou nesta quarta que a campanha à reeleição do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), “foi financiada pelo crime organizado”. “O governador, fica evidente que a sua campanha foi financiada pelo crime organizado. É uma questão grave e será analisada por nós”, disse o relator, ao final do depoimento do jornalista Luiz Carlos Bordoni.

Odair Cunha disse que “prefere acreditar na versão” de Bordoni sobre o pagamento de recursos da campanha de Perillo. À CPI, o jornalista confessou ter recebido via caixa dois a maior parte dos R$ 170 mil pelos serviços prestados para tocar o programa de rádio do então candidato.

Bordoni confirmou as declarações feitas em entrevistas ao jornal O Estado de S. Paulo. Ele disse que foi depositado na conta de sua filha, Bruna, R$ 45 mil referentes a uma dívida de campanha da Alberto & Pantoja, empresa controlada pelo grupo comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Também afirmou que recebeu outros R$ 40 mil em dinheiro vivo das mãos de Perillo, no início da disputa de 2010.

O governador disse à CPI ter pagado apenas R$ 30 mil ao jornalista, por meio de uma empresa chamada Arte Mídia. Para o relator, Bordoni prestou serviços a todas as campanhas que Perillo disputou, tendo com ele 14 anos de convivência. Cunha disse que querem desqualificá-lo agora, depois que ele revelou a origem dos recursos com que foram quitadas suas dívidas de campanha.

O relator disse ainda que analisará a sugestão feita por Bordoni de realizar uma acareação entre todos os envolvidos no caso. “É possível que ela (a acareação) seja aprovada no momento oportuno na medida em que há versões controversas e essas versões precisam ser explicitadas”, afirmou.

Beba na fonte: Relator diz que crime organizado financiou Perillo – politica – politica – Estadão.

Jornalista reforça à CPI não temer acareação com Perillo

RICARDO BRITO

Ao final do seu depoimento à CPI, o jornalista Luiz Carlos Bordoni afirmou que não vai fugir, caso seja convocado pela comissão para participar de uma acareação com os envolvidos nos pagamentos via caixa dois da campanha à reeleição do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Ele disse que aceita estar junto de Perillo, do ex-assessor especial do governador Lúcio Fiúza Gouthier ou do ex-tesoureiro da campanha Jayme Rincón, que ocupa um cargo na gestão goiana. Os três, segundo Bordoni, pagaram ou participaram do pagamento de recursos não contabilizados na prestação de contas.

“A CPI tem todos os meios para poder apurar tudo isso (caixa dois de campanha), mas, se for necessário fazer uma acareação, eu não fujo dela não. Eu não tenho porque fugir”, disse ele, acrescentando que também toparia ficar à frente do contraventor Carlinhos Cachoeira. Segundo a CPI e a Polícia Federal, empresas controladas por ele quitaram R$ 90 mil dos R$ 170 mil que ele recebeu na campanha de 2010.

Questionado pela Agência Estado sobre o fato de o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG) sobre o fato de ele ter preferido a versão de Bordoni à de Perillo, o jornalista disse que prefere não opinar. Ele ressaltou que veio à CPI “com o compromisso de falar a verdade”, tanto é que veio “sem habeas corpus”. “Eu poderia ter pego (um salvo conduto), para não responder, ficar calado”, afirmou.

Beba na fonte: Jornalista reforça à CPI não temer acareação com Perillo – politica – politica – Estadão.

CPI avança sobre Perillo e Agnelo, mas poupa Delta

ANDREZA MATAIS,

Perillo e assessores se contradizem sobre venda de casa de luxo

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e sua assessoria entraram em contradição sobre a quitação da casa no condomínio Alphaville, em Goiânia, vendida para o professor Walter Paulo Santiago e que estava sendo ocupada por Carlinhos Cachoeira, quando foi preso, em fevereiro deste ano.
A casa fora adquirida por Perillo e sua mulher, Valéria Peixoto Perillo, em 22 de novembro de 2006. Na época, de acordo com os documentos do 4º Cartório de Goiânia, Perillo pagou R$ 202 mil com recursos próprios e financiou R$ 348 mil. O imóvel custou R$ 550 mil e foi adquirido do casal Waldir Lourenço de Lima e Maria Inês Nunes. O financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) deveria ser pago em 15 anos, com prestação inicial de R$ 6.709,82. Em 18 de março do ano passado, o governador liquidou o financiamento.
Na terça-feira, ao depor na CPI do Cachoeira, Perillo repetiu a história de que o ex-vereador Wladimir Garcez adquiriu a mansão e, como pagamento, lhe deu três cheques, totalizando R$ 1,4 milhão. Os cheques pertenciam à confecção Excitant, e foram assinados pelo sobrinho de Cachoeira, Leonardo Ramos. O governador também afirmou que utilizou o primeiro cheque para quitar o financiamento.
— Vale registrar, senhores e senhoras senadores e deputados, que boa parte, aliás, a maior parte dos recursos que pagaram essa casa era oriundo de empréstimo que fiz junto à Caixa Econômica Federal, e que só foi quitado definitivamente quando recebi os cheques — declarou Marconi na terça-feira.
No entanto, quando O GLOBO publicou reportagem questionando a quitação do financiamento, em 11 de maio, a assessoria disse, por meio de email, que “a quitação da casa foi feita com recursos de venda de bens e empréstimos. Tudo devidamente declarado no Imposto de Renda exercício 2011.”
Nesta quarta-feira, confrontada com a versão de Marconi, a assessoria deu outra versão. “Em 10 de maio, sem acesso naquele momento ao governador, recorri à memória de Lúcio Fiúza para responder a uma pergunta que você me fazia, e informei que a quitação da casa se dera com a venda de bens e empréstimos. Hoje, ao apresentar esta sua nova pergunta ao governador Marconi Perillo, soube que, na verdade, a quitação se deu com os recursos advindos da venda de um bem imóvel, isto é, a própria casa”, informou a assessoria.

Xadrez da CPI: Agnelo colocou Perillo em xeque

Só não foi um xeque-mate  porque o Procurador-Geral a República decidiu abrir investigação contra os dois governadores enredados com os negócios de Carlinhos Cachoeira. Para o que realmente interessa numa CPI como essa do Cachoeira, Agnelo deu uma surra no colega goiano Marconi Perillo.

Perillo saiu na frente na semana passada, quando apareceu de surpresa no Congresso e se dispôs a prestar um depoimento espontâneo. Fica claro agora que era jogo de cena e tinha o objetivo de criar um factóide. Nesse sentido, foi acertada a decisão da comissão de não permitir a antecipação.

Confrontado com versões conflitantes sobre a venda de sua casa para o bicheiro, Marconi não esclareceu nada. E ainda se negou a oferecer a quebra de seus sigilos, posição da qual foi obrigado a recuar diante pela oferta espontânea de Agnelo de abrir mão de seus dados fiscais, bancários, telefônicos e da correspondência eletrônica.

No tocante às justificativa apresentadas, ambos se saíram mal. Como o governador goiano, o de Brasília também não conseguiu explicar a compra de uma casa — pelo valor declarado, feita na bacia das almas — nem a evolução de seu patrimônio. Mas ao final, serviu para Agnelo encantoar Perillo.

Com a entrada de Roberto Gurgel, o jogo entre PT e PSDB ganha um novo árbitro. Ali não é a opinião pública que orienta o processo. Na esfera do Ministério Público, efeitos como a jogada do governador candango têm pouco ou nenhum valor.

É onde vai se dar o xeque-mate.

Procurador-geral pede ao STJ abertura de inquéritos contra Agnelo e Perillo

MARIÂNGELA GALLUCCI , FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de investigações contra os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). São três inquéritos, um contra o tucano e dois contra o petista. Gurgel quer apurar suspeitas de envolvimento de ambos com a organização chefiada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Em relação ao governador do Distrito Federal, Gurgel também pretende investigar se ele participou de supostas irregularidades na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Agnelo foi diretor do órgão durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2007 e 2010, deixando o cargo para concorrer ao Palácio do Buriti.

No caso de Perillo, a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, levantou inúmeras suspeitas, entre elas sobre a venda da casa em que vivia o governador e na qual Cachoeira foi preso, em fevereiro deste ano. O esquema de Cachoeira em Goiás envolveria pagamentos e tráfico de influência no governo em troca de nomeações e facilidades em contratos.

Conforme revelou reportagem do Estado, o jornalista Luiz Carlos Bordoni, que trabalhou na campanha do tucano, diz ter recebido pelos serviços de uma empresa fantasma usada no esquema de Cachoeira.

Assessores. A Monte Carlo apontou envolvimento de secretários e alguns dos principais assessores de Agnelo com o grupo de Cachoeira. Ex-chefe de gabinete do petista, Claudio Monteiro pediu demissão após a revelação de que teria recebido propina para favorecer o grupo. Ex-subsecretário de Esportes, João Carlos Feitosa, o Zunga, também é suspeito de receber da quadrilha. Nos áudios, é citado como porta-voz de supostos recados do próprio governador, um deles para falar com o contraventor.

Grampos da Operação Monte Carlo indicam ainda que a Delta Construções teria contribuído com a campanha de Agnelo, embora não conste nenhuma doação da declaração oficial ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Ministério Público Federal suspeita de que o governador também tenha recebido vantagens de grupos farmacêuticos por sua passagem na Anvisa.

Daniel Almeida Tavares, lobista do laboratório União Química, acusou Agnelo de receber propina, quando diretor da Anvisa, para liberar licenças para.

Reportagens do Estado também mostraram que Agnelo seria beneficiário de pagamentos do laboratório Hipolabor, investigado em Minas por fraudes. O nome dele aparece em agenda apreendida da diretoria da empresa, com registros de supostos repasses no valor de R$ 50 mil.

Conversas telefônicas autorizadas pela Justiça na Operação Panaceia indicaram que a indústria recorria a Rafael Barbosa, secretário de Saúde do DF e ex-diretor adjunto do petista na Anvisa, para acelerar demandas.

Também há suspeitas em relação à compra de uma mansão pelo governador numa área nobre em Brasília. A PGR analisa dados de quebra de sigilos que indicam evolução patrimonial de parentes do governador.

Há semanas, Gurgel preparava os pedidos de abertura de inquérito. Em abril, ele solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que mantivesse na Corte só as investigações contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) e contra deputados por suspeita de envolvimento com Carlinhos Cachoeira. A intenção já era pedir a abertura de inquéritos para apurar as suspeitas contra os governadores. No Brasil, autoridades devem ser investigadas criminalmente em tribunais a partir da segunda instância. No caso de governadores, o responsável é o STJ.

Gurgel não se pronunciou ontem – o caso está sob sigilo. Os dois governadores -Agnelo ontem e Perillo anteontem- negaram em seus depoimentos à CPI do Cachoeira qualquer relação ilegal com o grupo comandado pelo contraventor.

Beba na fonte: Procurador-geral pede ao STJ abertura de inquéritos contra Agnelo e Perillo – politica – versaoimpressa – Estadão.

CPI do Cachoeira vota quebra de sigilos nesta quinta

ALANA RIZZO, EUGÊNIA LOPES, FÁBIO FABRINI E RICARDO BRITO
A CPI que investiga a relação do contraventor Carlinhos Cachoeira com autoridades e empresas marcou para esta quinta a votação dos pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico dos governadores de Goiás, o tucano Marconi Perillo, e do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Os requerimentos serão votados um dia após Agnelo ir à CPI e assinar documento que consente a quebra de seus sigilos.

A permissão dada nesta quarta pelo petista ocorreu depois de o tucano ter recusado pôr seus sigilos à disposição da CPI. Na tentativa de minimizar sua atitude, Perillo telefonou para o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo, para anunciar que também concordava com a abertura de suas contas.

Agnelo assinou o papel para quebra de seu sigilo depois de o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) o acusar de fazer “propaganda enganosa”. “Pode ser só uma jogada de sua parte. O senhor não entregou nenhum documento para termos a transferência de sigilo”, observou

Beba na fonte: CPI do Cachoeira vota quebra de sigilos nesta quinta – politica – politica – Estadão.

“Eu não sabia”

Fernando Rodrigues

A fórmula mais clássica para se livrar de uma acusação no reino da política é alegar desconhecimento de um fato. Funciona muito bem no Brasil e no mundo.

Ronald Reagan, nos anos 1980, negou conhecer a cabeluda venda irregular de armas para contrarrevolucionários nicaraguenses via Irã.

Fernando Henrique Cardoso dizia, em 1997, não ter notícia das traficâncias no Congresso para comprar votos a favor da emenda da reeleição. Compungido, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, professou ignorância sobre o mensalão.

Essas negativas têm duas características em comum. Primeiro, são inverossímeis. Segundo, ninguém tem como desmenti-las. Inexistem provas. Daí a estratégia ser tão usada na política. Inclusive ontem pelo governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, durante seu longo depoimento à CPI do Cachoeira.

Com seu semblante sereno, o tucano repetiu a história a respeito da venda de uma casa em 2011. Recebeu R$ 1,4 milhão em três cheques emitidos por uma empresa suspeita de receber dinheiro irregular do esquema de Carlos Cachoeira.

Não ocorreu a Perillo perguntar quem era o emitente dos cheques. Vendeu o imóvel para uma pessoa, recebeu cheques de uma empresa esquisita e nada quis saber.

O governador goiano revelou seguir uma peculiar regra de etiqueta financeira: seria um “ato constrangedor e não usual abordar o interessado e exigir dele a declaração de onde vêm os seus recursos”.

O experiente deputado Miro Teixeira duvidou: “Nunca vi alguém vender uma casa e entrar em tremenda fria”. Perillo não piscou.

Fora da CPI, petistas lamuriavam que “não dá para acreditar” na versão de Perillo. Repetem os resmungos de tucanos sobre Lula ter negado conhecer o mensalão. No fundo, PT e PSDB cada vez mais se equivalem. Tanto nas acusações como nas desculpas esfarrapadas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – “Eu não sabia” – 13/06/2012.

O que disse Perillo à CPI

Durante mais de oito horas de depoimento à CPI do Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo se saiu bem. Ele afirmou que nunca teve relações próximas com o contraventor Carlinhos Cachoeira, negou ter intermediado negócios com a Delta Construções e disse ainda que os negócios que envolveram a venda da casa foram totalmente legais. Durante todo o depoimento, Perillo evitou falar do caso mensalão toda vez que o assunto foi mencionado.

Confira aqui os principais trechos do depoimento do governador Marconi Perillo à CPI do Cachoeira:

Vítima

O governador começou sua fala na CPI do Cachoeira se dizendo vítima dos acontecimentos, de “fatos distorcidos” e de uma “grande injustiça”.

- Venho a esta CPI coma cabeça erguida e firme com o propósito de apresentar a verdade dos fatos – disse Perillo, destacando que apresentou formalmente ao procurador-geral da República a abertura de investigação sobre as denúncias, e que se ofereceu a comparecer à comissão para prestar esclarecimentos.

O governador citou sua trajetória política e enalteceu o Parlamento.

- Todos sabem que enfrentei forças poderosas para chegar aqui – afirmou o governador.

Relação com Cachoeira

O governador negou ser próximo do contraventor Carlos Cachoeira.

- Nunca mantive qualquer relação de proximidade com o senhor Carlos Augusto Ramos. Trinta mil horas de gravações, três anos, e nenhuma ligação do senhor Carlos Cachoeira para mim ou meu gabinete.

Perillo fez questão de citar a única ocasião, segundo ele, quando estava em uma reunião social, em que falou por telefone com Cachoeira para cumprimentá-lo por seu aniversário.

- Apenas uma ligação minha de cumprimentos pelo seu aniversário. Se eu mantivesse com ele qualquer relação mais próxima, seria natural que ele tivesse ligado para mim em muitas ocasiões.

- Eu não estava telefonando para um contraventor, estava telefonando para um empresário – disse.

Perilllo afirmou que a existência de apenas um diálogo telefônico dele com Cachoeira nas gravações da Polícia Federal traduz a falta de proximidade e intimidade entre ambos:

- Não ter feito sequer uma ligação a mim em todo o processo de escuta da Polícia Federal. Só há uma e fortuita ligação telefônica. Estava na casa de um amigo, quando alguém dos presentes me disse que era aniversário do senhor Carlos Cachoeira. Me perguntou se eu aceitaria falar com ele, pela data. Não estava ali telefonando para um contraventor, mas para um empresário que atuava no setor de medicamentos, sócio do maior laboratório de bioequivalência (de Goiás). Disse que, se ele telefonasse, eu falaria. Conversa rápida e trivial.

Venda da casa

O governador de Goiás negou que tenha praticado qualquer irregularidade na venda de sua casa, em Goiânia.

Vendi pelo valor de mercado, depositei o pagamento em minha conta bancária e declarei tudo no Imposto de Renda. Se houvesse qualquer elemento fraudulento, jamais teria publicado anúncio de venda no jornal de maior circulação e depositado em minha conta pessoal – disse Perillo.

Ele negou que tenha recebido pagamentos em duplicidade e disse que não é usual que o vendedor de um imóvel indague o comprador sobre a origem do dinheiro:

- Não tem a menor sustentação diante dos fatos e da lógica. Se algum dos citados nas ligações tirou vantagem ou ganhou dinheiro no negócio foi sem meu conhecimento ou consentimento.

Perillo procurou minimizar as acusações de que é alvo:

- É incrível que eu seja exposto por ter vendido um bem pessoal, bem meu, dentro da lei, enquanto outros cobram propina, fazem licitação com sobrepreço, fazem esquema em licitações. Lá em Goiás eu sou acusado de ter vendido uma casa de minha propriedade.

Campanha eleitoral

O governador Marconi Perillo anunciou nesta terça-feira que ajuizou ação por calúnia, injúria e difamação contra o jornalista Luiz Carlos Bordoni, que diz ter recebido R$ 40 mil das mãos do governador, em dinheiro, como pagamento por serviços na campanha eleitoral de 2010. Perillo nega que isso tenha ocorrido e afirmou que o jornalista prestava serviços também para outros políticos de Goiás.

- Eu já disse, repito, repito de novo. O jornalista Luiz Carlos Bordoni, que é uma figura controversa no estado. Ele terá a oportunidade de provar na Justiça. Cabe a ele o ônus da prova – disse Perillo.

Ex-chefe de gabinete

- Eliane Pinheiro era encarregada dos assuntos partidários. Trabalhou durante 20 anos em vários governos, inclusive no meu. Ela trabalhava atendendo aos partidos e aos parlamentares, em sala distante da minha. Nunca pediu pra favorecer nada a nenhuma pessoa ligada aos investigados. Ela saiu do meu governo por se sentir constrangida. Eu não sabia das relações dela com o Cachoeira. Ela tem uma relação familiar com Cachoeira.

Lula

Desafeto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Goiás, Marconi Perillo fez menção ao ex-presidente, ao dizer que sugeriu a Lula, ainda em 2003, a criação de dois dos principais programas sociais do governo: o Bolsa Família e o ProUni.

- Dei duas sugestões em 2003 ao presidente Lula. Que juntasse os carões do Fernando Henrique e criasse um programa único. Quem acessar o YouTube, no lançamento (do Bolsa Família), verá Lula me agradecendo – disse Perillo.

O governador contou também que sugeriu a oferta de bolsas para universitários de baixa renda:

- Ele (Lula) me disse que faria e criou o programa.

A animosidade entre Lula e Perillo remonta ao escândalo do mensalão, quando Perillo declarou que havia alertado o então presidente sobre o esquema de corrupção.

Delta

Na segunda parte do depoimento, ao responder perguntas do relator Odair Cunha (PT- MG) o governador disse que o Estado de Goiás tem apenas 4% de contratos assinados com a Delta, num total de R$ 51 milhões, contra R$ 64 milhões do governo anterior. Ele afirmou também que o ex-vereador Wladimir Garcez nunca tratou com ele sobre assuntos relacionados a Delta, mas que tinha conhecimento que ele procurou algumas pessoas do governo. Garcez é apontado pela PF como a pessoa que levava ao governo os pleitos do contraventor ao governo de Goiás.

Perillo negou conhecer o ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish, e afirmou ter estado com o ex-diretor da empreiteira no Centro-Oeste, Claudio Abreu.

- Nunca conversei com o Fernando Cavendish. Sei que ele já esteve em Goiás, mas comigo nunca. Não o conheço. Claudio Abreu, estive com ele uma vez, acho que foi na casa do senador Demóstenes (Torres, sem partido-GO). E estive com ele uma ou duas vezes na campanha – disse Perillo.

Questionado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) se ele teria comparado, para seus secretários estaduais, que a Delta seria uma empresa corrupta, o governador afirmou que isso teria sido um mal entendido.

- Determinei que no meu governo não haverá “por fora”, caixa de campanha, propina, e não haveria delta X, que é sinônimo de propina – explicou o governador.

Quebra de sigilo

Os ânimos se acirraram após o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), perguntar ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) se ele estaria disposto a abrir seu sigilo telefônico. Parlamentares saíram em defesa do governador, gritando que Perillo não havia comparecido na condição de investigado, mas de testemunha. Afirmaram que a pergunta do relator deveria etr aprovação dos demais integrantes da comissão.

- Não vejo sinceramente, na condição de ex-deputado estadual, federal, senador, motivos suficientes, justificativas plausíveis para que haja quebra de sigilo – disse Perillo.

O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) pediu calma diversas vezes. A gritaria durou alguns minutos. Parlamentares tucanos acusaram Cunha de falta de imparcialidade, já cobrando dele o mesmo tipo de rigor no depoimento de quarta-feira, quando comparecerá à CPI o governador petista do Distrito Federal, AgneloQueiroz . O relator enumerou, então, argumentos para justificar o pedido. Segundo Cunha, ainda que a versão dada no depoimento pelo governador sobre as suspeitas de que é alvo tenha “início, meio e fim”, há indícios que deixam em aberto outras possibilidades e que isso precisa ser investigado.

Jogo do Bicho

Indagado se é favorável à liberação do jogo no Brasil – a pergunta foi genérica, referente a jogos ilegais, mas sem especificar qual tipo -, o governador Marconi Perillo disse que o tema é tratado atualmente com hipocrisia.

- Eu, particularmente, não jogo e sou contra o jogo. Agora, entre a hipocrisia reinante por todos os cantos e a legalização, talvez fosse melhor que uma providência como essa fosse tomada. Embora, repita, se tivesse que votar aqui no Congresso, a favor ou contra, eu votaria contra a legalização.

Grampos ilegais

Perillo disse que a investigação do serviço de inteligência do governo goiano indica que ele estaria sendo alvo de grampos telefônicos desde a sua eleição, em outubro de 2010. O governador afirmou que, por ora, só existem relatos preliminares e não identificou quem seriam os responsáveis pelos supostos grampos:

- Existem arapongas oficiais, segundo relatos preliminares, bisbilhotando e fazendo escutas ilegais desde que eu ganhei a eleição, em outubro de 2010.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/confira-ponto-ponto-do-depoimento-de-perillo-cpi-5182208#ixzz1xgOD1q2H

Tropa de choque comandada pelo PSDB protege Perillo na CPI

A tropa de choque do PSDB, com apoio de PPS, DEM e o silêncio do PMDB, foi para o depoimento do governador tucano Marconi Perillo, na CPI mista de Carlinhos Cachoeira preparada para a guerra e protagonizou momentos tensos nas mais de nove horas da sessão. O clima azedou quando o relator da comissão, o petista Odair Cunha (MG), pediu para Perillo abrir seu sigilo bancário.
Para piorar a situação, Odair disse que o governador tucano estava ali como investigado, embora tenha sido convocado como testemunha. Tucanos e aliados reagiram aos berros, com dedos em riste e acusações de que o relator, que estava calmo na primeira fase do depoimento, tinha recebido orientação do ex-presidente Lula para endurecer.
— Não é de hoje que venho denunciando a eloquência com que o relator direciona para interesses de seu partido, para não dizer do ex-presidente Lula. Ele levou um puxão de orelhas de alguém lá de fora, por isso voltou assim — berrou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).
— Por que essa vontade apressada de investigar o PSDB? Temos de nos aviltar. Vossa Excelência não sabe a diferença entre investigado e testemunha! — completou o tucano.
O relator reagiu:
— Ele compareceu como testemunha numa investigação que estamos fazendo sobre Goiás e o Distrito Federal. Há seis pessoas do governo dele citadas nas investigações. É com base nisso que estamos inquirindo!
O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), tentou acalmar os ânimos. Pediu silêncio, mas os gritos eram mais fortes. Quando a situação voltou a uma calma relativa, outro bate-boca teve início. Dessa vez, coube ao deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) intervir. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) havia pedido para falar, mas prolongava sua intervenção, no que Luiz Sérgio protestou.
Foi o estopim para outro arranca-rabo. O senador Mario Couto (PSDB-PA), que nem pertence à CPI e é conhecido por bater na mesa e discursar aos berros, subiu o tom e disse que o colega podia falar quanto quisesse.
— Calado! —protestou Luiz Sérgio.
— Não é no grito. Quietinho! — insistiu o petista.
— Eu sou macho! — contra-argumentou Couto.
— Normalmente, os que gritam que são machos… — interveio Luiz Sérgio, em tom jocoso, sem terminar a frase.
Embora Perillo buscasse demonstrar tranquilidade, o clima foi tenso entre os parlamentares, sobretudo entre tucanos e petistas. Os tucanos compareceram em peso, incluindo parlamentares que nem são da CPI, como o primeiro-secretário do Senado, Cícero Lucena (PB), os senadores Aécio Neves (MG) e Flexa Ribeiro (PA), e vários deputados.

Aiança informal entre tucanos e peemedebistas

Os tucanos contaram com o apoio discreto do PMDB. Uma aliança informal entre os dois partidos foi feita para tentar evitar maiores desgastes de Perillo na CPI. A ação entre tucanos e peemedebistas garantiu que Vital do Rêgo comandasse a sessão para desfazer a hegemonia petista no palco principal da CPI, e também assegurar uma postura serena de peemedebistas na comissão, sem questionamentos constrangedores a Perillo.
A junção de forças dos dois partidos começou a ser desenhada quando o PT passou a apoiar a quebra do sigilo da Delta nacional, causando a irritação de peemedebistas, que acreditam que as informações derivadas daí podem respingar em contratos com o governo do Rio de Janeiro.
Peemedebistas se queixam do tratamento recebido pelo governo, que contribui para aprofundar a distância entre PMDB e PT na CPI.
— Desde o início, ficamos de fora porque não queremos servir ao PT nesta CPI, que está obcecado em desqualificar o mensalão, por meio da imprensa e do Ministério Público — afirmou ao GLOBO um cacique da legenda.
Vital do Rêgo, que estava de licença médica devido a um cateterismo pelo qual passou recentemente, foi acionado na segunda-feira pela cúpula do PMDB para que estivesse presente ao depoimento.
No depoimento desta quarta-feira, o PMDB não vai estender a mão ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). O partido, no entanto, tampouco pretende bombardeá-lo, o que seria “passar recibo”, nas palavras de um peemedebista. Petistas na CPI já acusaram o golpe e temem os resultados da sessão em que o governador do DF será ouvido.

Beba na fonte: Tropa de choque comandada pelo PSDB protege Perillo na CPI – O Globo.

Sócios de Marconi Perillo têm contratos públicos em Goiás

Três dos oito sócios do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na compra de um terreno de um milhão de metros quadrados, em Pirenópolis (GO), receberam milhões do governo do estado. Na lista dos sócios do governador estão as empreiteiras Fuad Rassi Engenharia e CCB Construtora Central do Brasil, e José Augusto D’Alcântara Costa, dono de uma empresa de eventos que também tem contratos com o governo.
O imóvel foi adquirido em 2008, dois anos depois de Perillo deixar o governo do estado. Ele voltou para o cargo em 2011. Em 2006, a Fuad recebeu R$ 10,4 milhões. Entre 2007 e 2010, período em que Perillo não estava no governo, a construtora recebeu R$ 15,5 milhões. Em 2011, primeiro ano do novo mandato de Perillo, não recebeu nada, mas, neste ano, há empenhos previstos para a empresa de R$ 14 milhões.
A Fuad Rassi, com capital social de R$ 36 milhões, tem entre os donos Luiz Alberto Rassi. Ele é proprietário de 11% do terreno de Pirenópolis adquirido em sociedade com Valéria Perillo e Marconi Perillo — o casal é o maior acionista do negócio, com 22%.
Outro sócio de Perillo no empreendimento é José Augusto D’Alcântara Costa, também com 11%. Desde 20 de janeiro do ano passado, ele é titular do conselho fiscal da Saneago, empresa responsável pelo saneamento do estado. Costa é proprietário do cartório em Trindade, cidade vizinha a Goiânia, onde o governador passou a escritura da casa do Condomínio Alphaville vendida ao empresário Walter Paulo e que serviu ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Costa figura também como responsável pela Augustus Eventos. Em 2006, a empresa de eventos recebeu dos cofres do estado R$ 770 mil. Depois, o dinheiro começou a minguar: foram R$ 164 mil em 2007, nada em 2008, R$ 128 mil em 2009 e R$ 37 mil em 2011. Mas, nos primeiros seis meses deste ano, a Augustus Eventos já ganhou R$ 3,2 milhões.
Já a CCB também foi beneficiada na gestão de Perillo, mas a construtora recebeu mais recursos quando o tucano não estava no governo. A CCB recebeu R$ 12,2 milhões em 2006. Entre 2007 e 2010, fora da gestão Perillo, foram R$ 163,9 milhões. Em 2011, com o tucano de volta ao governo, foram R$ 19,9 milhões e mais R$ 3,3 milhões, já pagos este ano. A empresa tem como sócios Edgar de Almeida e Silva Júnior, Wilton José Machado e Maria Nilda Machado, e tem um capital social de R$ 29 milhões. De acordo com o Cartório de Registro de Imóveis de Pirenópolis, ela é detentora de 11% da área adquirida por Perillo e sua mulher.

Beba na fonte: Sócios de Marconi Perillo têm contratos públicos em Goiás – O Globo.

Perillo: Interferência de Lula em CPI seria ‘muito mesquinha’

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou à Folha que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria se “comportar como um estadista” e não interferir nos rumos da investigação da CPI do Cachoeira, no Congresso.

O tucano, que irá prestar depoimento amanhã na comissão sobre sua relação com o empresário Carlinhos Cachoeira, se disse alvo de “perseguição política” por “episódios do passado”.

Em 2005, no auge do mensalão, Perillo revelou que havia avisado Lula sobre a existência do esquema.

O governador disse que vai entregar e mostrar no Congresso os cheques de R$ 1,4 milhão que recebeu na venda de uma casa onde foi preso Cachoeira, em fevereiro. “Fiz um negócio legítimo”, afirmou o tucano.

Veja os principais trechos da entrevista, concedida ontem em Brasília.

Folha – O que o sr. vai dizer na CPI?

Marconi Perillo – Vou dizer a verdade. Existem muitas especulações e vou procurar esclarecer tudo para que não restem mais dúvidas em relação a uma operação de compra e venda de um imóvel particular, cuja venda se deu na mais absoluta boa-fé.

O senhor pretende levar documentos à CPI?

Vou mostrar as cópias dos cheques -dois cheques de R$ 500 mil e um no valor de R$ 400 mil-, também cópia dos meus extratos bancários mostrando que foram compensados e que não há a menor dúvida de que o negócio foi correto, legal. Vendi, recebi, escriturei e botei no meu Imposto de Renda.

Os cheques foram emitidos por uma empresa da cunhada de Carlinhos Cachoeira que recebeu dinheiro da construtora Delta. Não é constrangedor o fato de que a casa pode ter sido paga com dinheiro de uma empreiteira que tem contratos com o governo?

Eu vendi o imóvel, de minha propriedade. E poderia ter vendido a qualquer pessoa desde que manifestasse interesse. Esse imóvel foi anunciado em classificados.

É claro que, se eu soubesse que seria alguém com vínculo comercial, contratual com o governo do Estado, não venderia. No caso, quem me procurou, por meio da assessoria, foi o ex-vereador Wladimir Garcez dizendo que gostaria de adquirir o imóvel.

Os cheques foram sendo depositados e depois cobrei a escrituração e o registro. Foi quando ele disse que o comprador não seria ele mais, porque não teria como levantar os recursos. Ele não informou à época que havia tomado dinheiro emprestado de seus patrões. Ele disse ‘não consegui, e o comprador é o professor Walter Paulo’.

Não incomoda os cheques serem de uma confecção de uma cunhada do Cachoeira?

Não, fiz um negócio legítimo. Era um imóvel meu, eu agi de boa-fé, tanto que depositei na minha conta.

O professor Walter Paulo disse em depoimento da CPI que comprou a casa com dinheiro vivo. Congressistas levantam a suspeita de que o sr. recebeu duas vezes pelo imóvel.

Isso é um grande absurdo. É subestimar a inteligência de qualquer um. Subestimar a minha inteligência e boa-fé.

As gravações mostram Cachoeira discutindo com Garcez a negociação da casa. O sr. nunca soube do envolvimento do Cachoeira?

Soube depois que ele foi preso. Isso nunca foi me dito.

Por que se criou essa confusão?

Isso é tempestade em copo d’água. Não há dúvida em relação a nada. Se tivesse vendido ao Cachoeira, não seria crime. Não adianta tentar fazer ilações, ou tentar dizer que vendi para ele.

É confuso nada. Ele [Garcez] tinha interesse em pagar a casa, não conseguiu pagar o empréstimo. Nunca poderia imaginar de quem fossem os cheques. Não há contradição.

Como o sr. se sente convocado para depor numa CPI? É constrangedor?

Não deixa de parecer uma perseguição política muito forte. Os fatos indicam isso.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Interferência de Lula em CPI seria ‘muito mesquinha’ – 11/06/2012.

Tucanos recorrem à base do governo para blindar Perillo na CPI

CATIA SEABRA

Preocupado com o impacto na imagem do partido, o PSDB recorreu à base do governo Dilma na tentativa de blindar o governador de Goiás, Marconi Perillo, amanhã em seu depoimento à CPI do Cachoeira. Após acenar com um pacto de não agressão ao PT, que na quarta terá o governador Agnelo Queiroz (DF) na comissão, o tucanato apelou para o PMDB.

Ainda sem sinal de acordo entre os dois, PT e PSDB buscam munição para um confronto. Segundo integrantes da CPI, apesar de dividido sobre sua atuação, o PT tende a ir para o ataque. Assessores do relator, Odair Cunha (MG), se dedicavam à coleta de material contra Perillo.

O tucano Fernando Francischini (PR), por sua vez, passou o feriado em Brasília para se preparar para o depoimento de Agnelo. Os dois partidos só baterão o martelo sobre a estratégia na tarde de hoje. Qualquer que seja o desfecho, não há como conter todos os membros da CPI.

Já o PMDB tende a concordar com a adoção de um tom leve, mesmo tendo que controlar deputados que têm Agnelo e Perillo como desafetos.

“Estou fora do país para escapar de telefonemas. Mas tentarei ser justo”, disse Luiz Pitiman (PMDB-DF), que foi exonerado por Agnelo.

Com participação do senador Aécio Neves (PSDB), o senador Cássio Cunha Lima e o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo, atuaram na operação para a blindagem de Perillo, que vai procurar membros da CPI hoje. “Queremos um ambiente de civilidade”, disse Cunha Lima.

No PT, o deputado Cândido Vacarezza é um dos que defendem que a investigação se restrinja à organização criminosa. “Perillo comprou a casa com o dinheiro do Cachoeira? Se sim, a CPI deve investigar. Se não, não é problema nosso”, disse ele, reconhecendo que o clima deverá ser de polarização.

A voracidade do PT pode aumentar caso Perillo se apresente como alvo de revanche do PT por causa do mensalão. “Ele vai querer usar o mensalão politicamente. E o PT vai perguntar tudo que está no inquérito”, avisou o vice-presidente da CPI, Paulo Teixeira (PT).

Além de denúncias contra Perillo, o PT trabalhará para limitar o depoimento de Agnelo aos temas da CPI, poupando-o de questões sobre a Anvisa. “Poucos se dedicaram à passagem dele pela Anvisa. Daí podem sair surpresas”, ameaça Francischini.

Advogado de Agnelo, Luís Carlos Alcoforado diz que “não há possibilidade de o governador recorrer ao direito de ficar em silêncio”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Tucanos recorrem à base do governo para blindar Perillo na CPI – 11/06/2012.

Perillo divulga conversa entre bicheiro e ex-vereador goiano

Novas gravações feitas pela Polícia Federal com autorização judicial colocam ainda mais dúvidas sobre a transação envolvendo a casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo conversas divulgadas pela própria assessoria de Perillo e exibidas pelo Jornal Nacional nesta quinta-feira, o bicheiro Carlinhos Cachoeira aparece conversando com o ex-vereador Wladmir Garcez sobre a venda e tentando cobrar mais caro do empresário Walter Paulo, que seria o comprador oficial do imóvel de Perillo.
No diálogo, Cachoeira orienta Garcez a enganar Walter Paulo. Na frente do empresário, o ex-vereador deveria simular um telefonema, fingindo que está conversando com Lúcio Fiúza, assessor de Perillo. A assessoria do governador sustenta que as novas conversas atestariam que Cachoeira e Garcez usaram inadivertidamente o nome de Perillo e um assesssor dele.
Fiúza participou da negociação da venda da casa de Perillo. Assinou recibos para Garcez e teria recebido das mãos de Walter Paulo R$ 1,4 milhão pela venda da casa. Mas Perillo, na verdade, recebeu o pagamento em três cheques que Garcez recebeu de pessoas ligadas a Cachoeira. O governador alega que não sabia de quem eram os cheques.
- Você vai falar: ‘Ó, Seu Lúcio, tô aqui com…’ O governador não tá aí, né? ‘Tô aqui com o professor Walter, tô fechando com ele aqui, ele ofereceu tanto’ – diz Cachoeira, na gravação.
Uma hora depois, Wladmir diz a Cachoeira que conversou com Walter Paulo. Os dois discutem valores para a transação imobiliária. A cifra é maior do que os R$ 1,4 milhão oficialmente registrados na escritura.
- Carlinhos, ele mandou, deixar eu ver aqui… Foi R$ 1.500 (milhão) em dinheiro e R$ 500 mil em gado, sabe? Mas aí eu vou conversar pessoalmente com o doutor Lúcio, que esse trem por telefone é ruim demais – diz Garcez.
“Independentemente desta gravação, a versão correta dos fatos é a apresentada pelo governador desde sua primeira entrevista. Os depoimentos à CPMI e as gravações até agora divulgadas sempre corroboraram tudo o que foi dito pelo governador Marconi Perillo. Ele vendeu um imóvel de sua propriedade pelo valor de mercado, depositou os cheques da venda em sua conta corrente, escriturou o imóvel pelo valor da transação e declarou tudo à Receita Federal. Portanto, nenhum ato ilegal foi praticado pelo governador”, diz nota divulgada pela assessoria de Perillo.

Beba na fonte: Perillo divulga conversa entre bicheiro e ex-vereador goiano – O Globo.

Jornalista cita outro pagamento de Perillo ligado a Cachoeira

O jornalista Luiz Carlos Bordoni, que trabalhou para a campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) em 2010, disse à Folha que recebeu R$ 40 mil de uma segunda empresa ligada ao grupo de Carlinhos Cachoeira, além de R$ 10 mil, em dinheiro vivo, do tesoureiro da campanha, Jayme Rincon.

Esses pagamentos são partes dos R$ 170 mil que Bordoni diz ter recebido por ter feito a campanha em rádio de Perillo. A Justiça Eleitoral, no entanto, registra despesas de apenas R$ 33 mil em favor da firma que Bordoni se associou para prestar o serviço.

Bordoni virou personagem central das suspeitas contra Perillo, alvo da CPI do Cachoeira, após dizer que um dos pagamentos por seu trabalho (R$ 45 mil) foi depositado na conta de sua filha pela empresa Alberto e Pantoja.

Segundo a Polícia Federal, a Pantoja é de fachada. Seria usada pelo grupo de Cachoeira para receber dinheiro da Delta Construções e repassar os valores para terceiros.

Anteontem, Bordoni afirmou ter recebido outros R$ 40 mil em espécie do próprio Perillo. Ontem, ele fez a cronologia de todos os pagamentos que diz ter recebido.

Em abril de 2010, diz, ele se reuniu com Perillo no escritório do tucano. Um dos advogados da campanha estava presente. Foi quando Bordoni diz ter apresentado uma proposta de R$ 200 mil pelo serviço de rádio.

Perillo, sempre segundo o jornalista, escreveu num papel sua contraproposta: R$ 120 mil mais R$ 50 mil em caso de vitória. Bordoni aceitou. “Eu preciso achar o papel que ele escreveu com a mãozinha esquerda dele”, disse. Uma vereadora de Goiânia teria testemunhado.

Cerca de quatro meses depois (ele não se lembra se em agosto ou julho), Perillo teria feito pessoalmente a entrega de R$ 40 mil para que Bordoni atuasse na campanha.

Depois da eleição, Rincon, o tesoureiro, entregou mais R$ 10 mil em espécie. Após isso, foram pagos os R$ 33 mil registrados na Justiça.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Jornalista cita outro pagamento de Perillo ligado a Cachoeira – 06/06/2012.

Jornalista diz ter recebido R$ 40 mil de Perillo

O jornalista Luiz Carlos Bordoni afirmou ontem ter recebido um pagamento de R$ 40 mil, em dinheiro vivo, das mãos do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Bordoni diz que a quantia saiu de uma empresa do grupo de Carlinhos Cachoeira e se refere à primeira parcela do pagamento por serviços que ele prestou na campanha do tucano ao governo de Goiás, em 2010.

“Em dinheiro. Das mãos dele [Marconi Perillo, no escritório político dele em Goiânia]“, afirmou o jornalista, em entrevista ao “Jornal do SBT”. “Não sei se ele declarou, só sei que eu recebi.”

O governador de Goiás é alvo da CPI do Cachoeira, que investiga sua relação e a de seu governo com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro sob acusação de liderar um esquema de corrupção e de exploração de jogos ilegais.

Integrantes da Comissão querem convocar Bordoni. Perillo, que irá depor na semana que vem, nega ter relações próximas com Cachoeira e diz que as declarações do jornalista são “irresponsáveis”. A Folha tentou ontem falar com o jornalista, mas não conseguiu.

TESTEMUNHAS

Ao SBT Bordoni disse que o encontro com Marconi Perillo foi presenciado por outras pessoas.

“Ele [Perillo] me chamou pro fundo, na copa, atrás da mesa dele, e me passou o dinheiro”, afirmou.

Bordoni diz que trabalhou na campanha de rádio do tucano por R$ 170 mil.

Anteriormente, ele havia afirmado ter recebido R$ 45 mil da conta da empresa Alberto e Pantoja, que, segundo a Policia Federal, é uma firma de fachada utilizada pela organização de Cachoeira apenas para receber dinheiro da Delta Construções.

A empreiteira é suspeita de ter se beneficiado das relações com Cachoeira e ontem recorreu à Justiça para tentar evitar falência.

A quebra de sigilo da Pantoja mostra um pagamento de R$ 45 mil em abril do ano passado feito na conta bancária da filha de Bordoni.

O jornalista diz que resolveu se manifestar após o nome de sua filha ter sido citado durante o depoimento do senador Demóstenes Torres (GO) ao Conselho de Ética do Senado. O senador Pedro Taques questionou sobre o pagamento feito pela Pantoja à filha de Bordoni.

PROCESSO

As novas declarações de Bordoni foram feitas um dia depois de o governo de Goiás afirmar que os advogados de Perillo irão processá-lo.

À Justiça Eleitoral a campanha de Perillo diz que pagou cerca de R$ 33 mil à Art Midi, empresa que Bordoni se associou para trabalhar na campanha do governador.

A assessoria de Perillo nega irregularidades na relação com o jornalista e afirma que todos os pagamentos foram feitos dentro da lei.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Jornalista diz ter recebido R$ 40 mil de Perillo – 05/06/2012.

Assessor diz que recebeu de Cachoeira por serviço eleitoral prestado a Perillo

Fernando Gallo

Responsável pela propaganda eleitoral de Marconi Perillo (PSDB) no rádio em 2010, o jornalista Luiz Carlos Bordoni afirma que uma empresa do esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira foi usada para pagar os serviços de publicidade que ele prestou para a campanha do governador goiano. Segundo Bordoni, o pagamento, feito pela Alberto e Pantoja, empresa fantasma que segundo a Polícia Federal era controlada por Cachoeira, foi comandado por Lúcio Fiúza Gouthier, assessor especial de Perillo.

O então senador Marconi Perillo assite ao lado de Bordoni (de óculos) a jogo da Copa em 2010
O depósito de R$ 45 mil, referente à metade do total de R$ 90 mil que o jornalista diz ter ficado pendente de pagamento após as eleições, foi feito pela Alberto e Pantoja na conta da filha de Bordoni, Bruna Bordoni, em 14 de abril de 2011, e consta dos autos da Operação Monte Carlo.

Segundo o jornalista, o pagamento saiu depois de ele ter cobrado o staff de Perillo da dívida, que já perdurava seis meses. Quem cuidou da operação foi o assessor do governador.

“O sr. Lúcio Gouthier me ligou perguntando o número da minha conta pra depositar esse dinheiro. Eu disse a ele que estava viajando, e que minha filha, que paga minhas contas e administra as minhas coisas, iria receber. Dei o número da conta dela para ele. De repente, essa conta foi passada para a Pantoja”, sustentou Bordoni, em entrevista exclusiva ao Estado. “O dinheiro foi depositado pela Pantoja na conta da minha filha. Era dívida de campanha do governador Marconi Perillo dos R$ 90 mil de saldo do trabalho que prestei a ele no programa de rádio na campanha de 2010.”

Assessor. Lúcio Gouthier é o assessor de Perillo que assinou documento afirmando ter recebido R$ 1,4 milhão pela casa do governador, que supostamente foi vendida para Carlinhos Cachoeira. Ele também é suspeito de ter recebido R$ 500 mil, que teriam sido enviados pelo braço direito do contraventor, Wladimir Garcêz, ao Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano, em uma caixa de computador.

A assessoria de Perillo nega ter feito os pagamentos por meio da empresa. “O Lúcio Gouthier é o homem que resolve todas as questões pendentes das campanhas eleitorais. Ele se responsabilizou por isso, ele resolveu e ele pagou. Pediu o número da conta pra depositar e depositou”, afirma Bordoni, que comandou todas as propagandas eleitorais de Perillo no rádio desde 1998, e, em 2010, além de dirigir os programas, era também o locutor.

Bordoni afirma que ele e Bruna só se deram conta da origem do pagamento quando o nome da filha apareceu na quebra de sigilo da Alberto e Pantoja. Bruna chegou a ser nomeada em 2005 como assessora do senador Demóstenes Torres, mas não tomou posse porque foi diagnosticada com uma doença no fígado e teve de fazer um transplante. Segundo Bordoni, a nomeação era um gesto de gratidão porque ele havia feito a campanha de Demóstenes ao Senado em 2002 sem cobrar.

O jornalista declarou conhecer Perillo desde que o governador integrava o PMDB Jovem na década de 1980, e disse ter “relação de amizade” com o tucano.

Bordoni diz ter resolvido vir a público denunciar o pagamento quando o nome de sua filha foi citado durante o depoimento de Demóstenes ao Conselho de Ética, anteontem, e por ter tido sua credibilidade sob suspeita. “Prestei o serviço honestamente. Não vou deixar que ninguém venha avacalhar minha credibilidade por causa de Cachoeira.”

Beba na fonte: Assessor diz que recebeu de Cachoeira por serviço eleitoral prestado a Perillo – politica – politica – Estadão.

Perillo vai à comissão e diz que se dispõe a prestar depoimento

NATUZA NERY, ERICH DECAT e CARLA GUIMARÃES

Com receio de ser o único governador no foco da CPI do Cachoeira, Marconi Perillo (PSDB-GO) apareceu de surpresa ontem na comissão parlamentar de inquérito e se colocou à disposição para depor aos congressistas.

O tucano quer atingir dois objetivos: evitar o desgaste de ser convocado e prestar esclarecimentos aos deputados e senadores antes de aprovada a quebra de seus sigilos fiscal, financeiro e telefônico -reduzindo assim o poder de contestações da comissão.

Antes da aparição ontem, o governador se reuniu com o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Conforme o relato de testemunhas, teria afirmado ao peemedebista que querem salvar os outros governadores e o “deixar na saudade”.

A aparição, porém, irritou o PT e o PMDB, já que o efeito colateral da visita de Perillo foi justamente aumentar a pressão sobre os governadores Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), até agora blindados de qualquer convocação.

Por conta disso, o PT promete votar nesta semana a quebra de sigilos de Perillo. Outro efeito colateral da visita foi afastar um possível apoio do PMDB contra a convocação do tucano, parte de um pacto de não agressão.

“Eu vim espontaneamente”, disse o tucano. “Já tive sigilo bancário quebrado no passado, precisa saber se é justo ou não.”

A CPI terá de analisar um esclarecimento, apresentado por acordo entre PT e PMDB, sobre se a comissão pode convocar governadores. Há uma interpretação que essa alternativa só é possível se houver suspeitas de desvio de recursos federais. Do contrário, caberia ao Legislativo local a apuração

O Ministério Público de Goiás abriu ontem investigação sobre servidores do Estado citados em escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, que apurou os negócios de Carlinhos Cachoeira. Entre os suspeitos de improbidade estão três secretários do Estado e a ex-chefe de gabinete de Perillo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Perillo vai à comissão e diz que se dispõe a prestar depoimento – 30/05/2012.

Homem de confiança de Cachoeira, Garcez fala à CPI e complica Perillo

Fábio Fabrini, Alana Rizzo e Eugênia Lopes

Em depoimento lido à CPI do Cachoeira, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez complicou nesta quinta-feira, 24, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ao apresentar versão diferente da do tucano para a venda de uma casa no condomínio Alphaville, em Goiânia. Preso na Operação Monte Carlo, da PF, Garcez disse que ele mesmo comprou a casa de Perillo, providenciando e entregando três cheques a Lúcio Fiúza, assessor do governador.

Em declarações anteriores, o tucano disse ter vendido a casa para o empresário Walter Paulo, dono da Faculdade Padrão, e que Garcez teria sido apenas intermediário. Em 20 minutos, Garcez, que se negou a responder às perguntas dos parlamentares, contou que Perillo lhe disse estar vendendo a mansão e aceitou receber R$ 1,4 milhão. “Comprei a casa e pedi um prazo”, disse. “O pagamento ocorreu depois.”

Cheques. Interessado, mas sem dinheiro, Garcez chegou a oferecê-la a Walter Paulo, que disse que só poderia arcar com o negócio meses depois. Com isso, Garcez recorreu a Cachoeira e ao ex-diretor-geral da Delta Construções no Centro-Oeste Cláudio Abreu, que forneceu os três cheques para ele quitar a mansão. “Pedi ao Cláudio, meu patrão, e ao Carlinhos que me emprestassem o valor, para eu repassar ao governador. O Cláudio me deu 3 cheques, um de R$ 500 mil, outro de R$500 mil e outro de R$400 mil, para março, abril e maio”, disse Garcez. Conforme o delegado da PF Matheus Mella Rodrigues, os cheques eram de Leonardo Almeida Ramos, sobrinho de Cachoeira, que seria o real comprador.

Moda Jovem. Após o depoimento, o advogado de Garcez, Ney Moura Teles, disse que os cheques eram da Babioli, empresa de roupas para adolescentes em Anápolis (GO), cujo nome fantasia é Excitante.

A informação reforça a conexão da venda do imóvel ao bicheiro. Segundo a PF, a Babioli é dos empresários José Vieira Gomide Júnior e Rosane Aparecida Puglise da Costa. Os dois são citados no inquérito da Monte Carlo. A empresa deles recebeu R$ 250 mil da conta bancária da Alberto e Pantoja Construções e Transportes Ltda., empresa fantasma ligada ao esquema.

A empresa também aparece em conversas da quadrilha de Cachoeira na operação Vegas. Além de Carcez, os arapongas Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, e Jairo Martins de Souza, também participaram da sessão, mas permaneceram em silêncio durante o depoimento.

Perillo diz que não se ateve, à época, a quem emitiu os cheques. Em 29 de fevereiro deste ano, Cachoeira foi preso na casa, onde vivia com a mulher, Andressa Mendonça.

O ex-vereador explicou que seu objetivo era ficar com o imóvel ou passá-lo adiante. Como não conseguiu vendê-lo com lucro ou comprá-lo, começou a ser pressionado por Abreu para devolver o empréstimo. “Com medo de perder o emprego, resolvi procurar o professor Walter. Eu a vendi pelo mesmo valor de R$1,4 milhão. Recebi em dinheiro e repassei ao Cláudio, quitando, assim, a dívida dos três cheques.” O ex-vereador disse ter recebido de Walter Paulo R$ 100 mil de comissão pela venda e negou que o empresário tenha participado da transação para ocultar a compra por Cachoeira.

Beba na fonte: Homem de confiança de Cachoeira, Garcez fala à CPI e complica Perillo – politica – politica – Estadão.

Governador tucano será alvo de inquérito da Procuradoria

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que deve abrir um inquérito para examinar as relações do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Investigações da Polícia Federal sobre os negócios de Cachoeira sugerem que o empresário mantinha pessoas de sua confiança em postos-chave do governo goiano para defender seus interesses.

Escutas telefônicas feitas pela polícia sugerem que operadores de Cachoeira levaram dinheiro para a sede do governo de Goiás em duas ocasiões no ano passado.

O próprio Perillo pediu há duas semanas para ser investigado pelo procurador. O tucano diz que seu relacionamento com Cachoeira é superficial e nega ter recebido dinheiro do empresário.

A abertura do inquérito transformará Perillo no segundo governador a ser investigado pela procuradoria por suas ligações com Cachoeira, depois do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

Sobre esse, Gurgel disse que “outros fatos podem gerar novos inquéritos”.

Em relação a Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio, o procurador afirmou que pedirá informações preliminares a órgãos de controle e ao Ministério Público Federal sobre contratos do Estado com a empreiteira Delta, suspeita de ter se associado ao grupo de Cachoeira.

A apuração sobre Cabral, que aparece em fotos e vídeos com o dono da construtora, ainda está em fase preliminar e não há por ora “iniciativa de instauração de inquérito”, disse Gurgel.

A CPI criada pelo Congresso para examinar as relações de Cachoeira com políticos e empresários ainda não decidiu se também investigará os três governadores.

A oposição quer colocar em votação juntos os requerimentos que pedem a convocação de Perillo, Agnelo e Cabral, para evitar que somente o tucano Perillo seja chamado a se explicar.

Controlada por aliados do Palácio do Planalto, a cúpula da CPI é contra a ideia. Com 25 votos contra os 7 da oposição na CPI, o governo tem força para aprovar o que quiser.

“Sou contra porque são posições jurídicas completamente diferentes [para cada governador]“, disse o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

O advogado de Cachoeira, o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, pediu ontem à CPI para adiar a data do depoimento do empresário, marcado para o dia 15.

Antes do depoimento, Bastos quer ter acesso à integra das investigações da Polícia Federal contra seu cliente remetidas à comissão.

O advogado indicou que Cachoeira poderá ficar calado na CPI se a defesa não receber cópia do material.

A CPI deve se reunir hoje em sessão secreta para ouvir o delegado responsável pela Operação Vegas, uma das que investigou Cachoeira.

via Folha de S.Paulo – Poder – Governador tucano será alvo de inquérito da Procuradoria – 08/05/2012.

Presidente do PT defende convocação de Perillo na CPI

DAIENE CARDOSO E GUILHERME WALTENBERG , da Agência Estado

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão, defendeu nesta sexta-feira a convocação de governadores na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, especificamente o de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). “É possível que num dado momento eles convoquem um governador, principalmente o Marconi Perillo”, disse o dirigente, para quem o governador tucano seria o mais exposto pelo vazamento da investigação da Operação Monte Carlo, que resultou na prisão do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Falcão, que participou na manhã desta sexta-feira de um encontro para discutir estratégia eleitoral dos pré-candidatos do PT nessas eleições municipais, em Embu das Artes, São Paulo, disse em seu discurso que este é o momento para que a sociedade saiba quem é o homem que disse ter alertado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do estouro do escândalo que ficou conhecido como Mensalão. “Essa CPI vai mostrar quem é o governador de Goiás”, disse, numa referência ao fato de Perillo ter dito, na ocasião desse escândalo, que teria alertado Lula.

Ainda nas críticas a Marconi Perillo, o dirigente petista disse que o governador poderia estar “recebendo dinheiro em caixa de computador”, numa referência às escutas que apontam que a quadrilha de Cachoeira poderia ter levado dinheiro para a sede do governo goiano. No entanto, Falcão ponderou que os vazamentos não são suficientes para incriminar ninguém neste momento, nem mesmo o governador tucano, que integra o maior partido de oposição ao PT.

Indagado sobre a inclusão de nomes de outros governadores no vazamento dessas escutas, como por exemplo o correligionário Angelo Queiróz, governador petista do Distrito Federal, Rui Falcão argumentou que pelos dados apresentados até agora, só caberia a convocação de Perillo. “Mas essa é uma decisão da CPMI”. E frisou: “Por enquanto, eu defendo a convocação de todos que tenham comprovação de envolvimento nesta organização criminosa”.

Dados contradizem versão de Perillo para venda de casa em Goiânia

Fernando Gallo

A empresa que comprou a casa do governador Marconi Perillo (PSDB), em Goiânia (GO), na qual foi preso o contraventor Carlinhos Cachoeira, está em nome de supostos laranjas. Embora o governador afirme que vendeu a casa para o empresário Walter Paulo, dono da Faculdade Padrão – que por sua vez confirmou a compra do imóvel em entrevista ao jornal O Popular, de Goiânia -, a Mestra Administração e Participações não tem nem nunca teve Walter Paulo em seu quadro societário.

Quando o imóvel foi vendido, a empresa estava em nome de Sejana Martins, Fernando Gomes Cardoso e Ecio Antônio Ribeiro. Sejana saiu da sociedade dois dias depois da venda da casa, e Fernando em dezembro último. Só Ecio permanece como dono da empresa. Sejana é diretora da Faculdade Padrão.

Em entrevista concedida no dia 2 de março ao jornal goiano, Perillo afirmou: “Isso a gente espalha para os amigos, pede ajuda. Aí o Wladimir (Garcêz, ex-vereador) entrou em contato. Quando fui passar a escritura, ele me informou que seria Walter Paulo o comprador. Eu nem falei com ele (Walter). O dono do cartório trouxe os documentos para eu assinar e depois levou ao comprador. Recebi os três cheques e fui fazendo os depósitos, como combinado”.

Walter Paulo, por sua vez, afirmou no dia seguinte ao mesmo jornal: “Foi feito o negócio direitinho, peguei a escritura. Eu sabia que a casa era do governador, mas nunca falei com ele sobre isso. O senhor Wladimir é que fez os contatos. O governador assinou honestamente e a casa é minha”. Desde a entrevista, nem Paulo nem seu advogado atendem à imprensa.

A Mestra Administração e Participações tem sede na cidade de Aparecida de Goiânia. Conforme o registro de imóveis, ela comprou a casa de Perillo pelo valor de R$ 1,4 milhão no dia 13 de julho de 2011, um dia após o contraventor Carlinhos Cachoeira e o ex-vereador Wladimir Garcêz serem flagrados tratando da venda de uma casa.

Na conversa, gravada pela Polícia Federal durante a operação Monte Carlo, Garcêz diz a Cachoeira que iria se encontrar com Jayme Rincón – presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras e tesoureiro de Perillo na campanha de 2010 – em um shopping em Alphaville. Segundo a PF, Cachoeira diz ao ex-vereador para pegar “o dinheiro urgente”.

O governador Marconi Perillo já confirmou que tratou da casa com Garcêz, mas negou que a venda fosse para Cachoeira.

‘O dono era Paulo’. Marconi Perillo afirmou, por nota, que “a informação que chegou a ele era que o dono era Walter Paulo”. “Vendi a residência e passei a escritura. A informação que chegou a mim pelo corretor é a de que o comprador era o sr. Walter Paulo. Recebi o dono do cartório, assinei a escritura e dei por encerrado o assunto”, afirmou o governador. Ele reafirma a versão de que recebeu três cheques pela casa.

O Estado tentou contato com Walter Paulo. Seu advogado não atendeu às ligações. No escritório de advocacia, um funcionário disse que iria informar Paulo sobre o contato, e que este retornaria “se houvesse algum interesse”.

A reportagem do Estado também ligou para o celular de Sejana e para o escritório onde ela trabalha, mas a secretária informou que ela não estava e retornaria a ligação, o que não ocorreu. Fernando Gomes Cardoso e Ecio Ribeiro não foram localizados.

via Dados contradizem versão de Perillo para venda de casa em Goiânia – politica – politica – Estadão.

Escutas sugerem que Perillo atuou em favor da Delta

BRENO COSTA, ANDREZA MATAIS, FERNANDO MELLO E CATIA SEABRA

Escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal indicam que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), atuou em favor da Delta Construções.

Em julho de 2011, Cachoeira e Demóstenes pressionaram o governador para que interferisse num negócio na região do Entorno do Distrito Federal.

Em 13 de julho, Demóstenes se encontra pessoalmente com Perillo e diz a Cachoeira ter chegado a um acordo. No mesmo dia, o governador também conversa com o ex-presidente do Detran, Edivaldo Cardoso, que passa o recado a Carlinhos Cachoeira.

A PF resume a conversa: “Edivaldo diz que ele (Marconi) mandou parar tudo e que quem vai liberar o negócio é Carlinhos. Diz que Marconi é que vai conduzir esse negócio.”

As conversas deixam claro que quem mantinha interlocução com o governador em nome da Delta não era Cláudio Abreu, mas Cachoeira, Demóstenes e Wladimir Garcez.

As escutas também indicam que houve pelo menos três encontros pessoais entre Cachoeira e o governador goiano entre março e julho de 2011.

Perillo admitiu ter se encontrado com Cachoeira em um jantar na casa de Demóstenes e de ter ligado para cumprimentá-lo pelo seu aniversário.

O advogado de Perillo, Antônio Carlos de Almeida de Castro, disse que “Perillo não tinha relação com Cachoeira, teve com ele pouquíssimas vezes e o recebeu uma única vez”.

A escuta mostra que o jantar não foi um encontro fortuito. Na véspera, Wladimir Garcez “dá a entender que é para Carlinhos falar com Marconi no jantar para que a Delta seja a líder do contrato”. Marconi teria agradecido Carlinhos por tê-lo aproximado do Demóstenes.

via Folha de S.Paulo – Poder – Escutas sugerem que Perillo atuou em favor da Delta – 28/04/2012.

Cachoeira mandou entregar dinheiro ‘para o governador’

ANDREZA MATAIS, RUBENS VALENTE e NATUZA NERY

O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, orientou um de seus operadores a entregar dinheiro a um assessor do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em julho de 2011.

Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal durante investigações sobre os negócios de Cachoeira mostram-no tratando do assunto com o ex-vereador Wladimir Garcez, um de seus operadores.

“É pro governador”, disse Cachoeira a Garcez. “Vamos lá pagar logo pra ele no palácio lá. Chega lá, paga pro Jayme. Já manda ele levar o dinheiro, já entrega a chave aí pra ele, depois tira os trem que tem que tirar aqui.”

Jayme Rincon é um dos principais auxiliares de Perillo no governo de Goiás. Ele preside a Agência Goiânia de Transporte e Obras Públicas e foi um dos responsáveis pela arrecadação de fundos para a campanha de Perillo.

À Folha o governador negou ter feito negócios com Cachoeira, mas reconheceu que seu operador atuou como intermediário na transação. Perillo afirma que vendeu o imóvel por R$ 1,4 milhão para outro empresário, Walter Paulo Santiago.

A Folha não conseguiu localizar Santiago ontem. Na campanha eleitoral de 2008, ele se candidatou a vereador em Goiânia e declarou à Justiça Eleitoral que não tinha renda nem patrimônio.

Quem ocupa o imóvel desdesde a sua venda é o próprio Cachoeira. Ele estava na casa quando foi preso em fevereiro, acusado de explorar jogos ilegais e outros crimes.

O diálogo entre Cachoeira e Garcez é mais um indício de que Perillo manteve com o empresário nos últimos anos um relacionamento bem mais próximo do que ele tem admitido em suas entrevistas.

A revista “Época” publicou outro diálogo em que Cachoeira trata da venda do imóvel com Cláudio Abreu, ex-diretor da construtora Delta na região Centro-Oeste. Ele se irrita quando questionado pelo telefone sobre o negócio.

“Você [ininteligível] de falar para os outros que eu tenho casa para vender no Alphaville… do Marconi, rapaz?”, diz Cachoeira. “Pode de jeito nenhum falar que eu que tenho casa para vender.”

No início da semana, o blog QuidNovi divulgou o conteúdo de outro diálogo, em que o grupo de Cachoeira fala de uma entrega de dinheiro no palácio do governador, escondido numa caixa de computador.

A PF interceptou 12 conversas entre Cachoeira e seus assessores na qual tratam do assunto. Todas de junho de 2011. A PF desconfia que o dinheiro teria como destino final o governador Perillo.

“Cê contou?”, pergunta Cachoeira ao assessor. “Então lacra aí, entrega pro Gleybão entregar pro Wladimir lá na praça lá. Ele está lá na praça perto de palácio. Fala pra ele passar lá e deixar”, orienta o empresário.

Dois assessores de Perillo já foram afastados do governo por causa de suas relações com Cachoeira. A chefe de gabinete dele e o presidente do Detran também foram mencionados em conversas com o empresário.

via Folha de S.Paulo – Poder – Cachoeira mandou entregar dinheiro ‘para o governador’ – 28/04/2012.

Em gravação, Carlinhos Cachoeira diz que elegeu Perillo

Conversas gravadas pela Polícia Federal mostram que o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, cobrou do ex-presidente do Detran de Goiás Edivaldo Cardoso a fatura pelo apoio à eleição do governador Marconi Perillo (PSDB). No diálogo, o bicheiro e o ex-auxiliar do governador discutem a partilha da verba publicitária do Detran, segundo Edivaldo, no valor total de R$ 1,6 milhão. Cachoeira lembra da participação que teve na campanha de Perillo e exige a maior fatia do bolo.

— Quem lutou e pôs o Marconi lá fomos nós — diz Cachoeira.

A conversa foi interceptada pela Polícia Federal em 2 de março do ano passado, logo no início do governo do tucano. Cachoeira descobriu que um jornal de Anápolis, de oposição ao governador, receberia uma verba mais expressiva que o jornal dele, que, segundo a Operação Monte Carlo, está em nome de um laranja do bicheiro. Contrariado, Cachoeira diz que a partilha não está correta e deve ser revisada.

via Em gravação, Carlinhos Cachoeira diz que elegeu Perillo – O Globo.

Perillo pede investigação contra si mesmo

GABRIELA GUERREIRO

A pedido do governador Marconi Perillo (PSDB-GO), o advogado Carlos de Almeida Castro afirmou ontem que irá pedir à Procuradoria-Geral da República que instaure inquérito para investigar o tucano no caso Cachoeira.

O advogado de Perillo afirma que a decisão servirá para desmentir as suspeitas que recaem sobre o governador.

“Estou fazendo uma coisa inédita a pedido do meu cliente. A imagem dele está sendo deturpada e a investigação vai nos ajudar a mostrar isso”, afirmou.

Gravações feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo levantam a suspeita de que o empresário Carlos Cachoeira enviou dinheiro, escondido numa caixa, para um integrante de seu grupo que estava na sede do governo de Goiás.

Segundo o site do jornalista Mino Pedrosa, que é ex-assessor de Cachoeira, o valor enviado ao Palácio das Esmeraldas foi de R$ 500 mil.

As gravações foram feitas em junho do ano passado. Nelas, aparecem Cachoeira, Gleyb Ferreira da Cruz, um dos principais auxiliares do empresário, e Wladimir Garcez, ex-vereador de Goiânia, que é apontado como elo do grupo com políticos.

Nos diálogos gravados, Cachoeira afirma que mandará o “negócio” por Gleyb até Garcez, que estaria no palácio esperando por uma audiência com Perillo.

Pelos áudios, não fica claro se o dinheiro de fato chegou às mãos de qualquer pessoa do governo goiano.

O relatório da Polícia Federal apresenta os diálogos com o título: “Entrega de dinheiro no palácio do governo de Goiás”.

Perillo classificou a história como “irresponsável, leviana, inverídica e despropositada” e negou qualquer encontro no palácio.

O tucano é aliado do ex-vereador que teria recebido o dinheiro, mas nega qualquer tipo de irregularidade na relação com ele. O tucano também admite ter se encontrado com Cachoeira, mas afirma que nunca foi discutido assunto que seja ilegal.

Além de ser advogado de Perillo, Almeida Castro e advogados do seu escritório também defendem o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

via Folha de S.Paulo – Poder – Perillo pede investigação contra si mesmo – 27/04/2012.

A versão de Mino Pedrosa sobre o suborno que teria sido pago a Perillo

Mino Pedrosa, do site QuidNovi

Foi no Palácio das Esmeraldas que o governador de Goiás Marconi Perillo (PDSB) recebeu de Carlos Cachoeira um pacote de dinheiro com R$ 500 mil,numa caixa de computador,como parte do pagamento de “negócios” com o bicheiro.O dinheiro foi entregue por Wladimir Garcês, reconhecido por Perillo como amigo e presidente da Assembléia, só que Garcês se refere a Cachoeira como “chefe”.Fechamos o elo entre governador e contraventor.

Os agentes da polícia federal monitoraram todos os passos da entrega do dinheiro. Com áudio e vídeos.

O Quidnovi revela, com exclusividade, parte dos áudios  que flagram, a ligação entre o governador de Goiás  e o contraventor Carlos Cachoeira. O contraventor monitorou por telefone a entrega dos R$ 500 mil para Marconi, pedindo em tom de brincadeira que os comparsas tomassem cuidado para não se envolverem em acidentes de transito ” que possam incendiar e queimar as notas”

Enquanto isso, o governador de Goiás Marconi Perillo aguardava no Palácio das Esmeraldas ansioso.

Tudo isso e muito mais está dentro do processo da Operação Monte Carlo. O curioso é que o procurador geral da República Roberto Gurgel em nenhum momento pensa em denunciar governador de Goiás. Mas comentou com um dos procuradores do caso que está cada vez mais difícil deixar Perillo fora disso, por conta deste episódio no Palácio das Esmeraldas.

O inquérito que era extremamente sigiloso, hoje circula livremente nas mãos da imprensa e de políticos com interesse em pinçar adversários envolvidos no escândalo.

Leia a íntegra no Quid Novi.

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