O perigo dos vice-presidentes

Um em cada 2,4 vice-presidentes chega ao Poder no Brasil desde a Proclamação da República. Tivemos desde então 24 vices no Brasil. Dez viraram presidentes. E das formas mais variadas. Pela renúncia do titular, morte, suicídio, golpe ou pela via do impeachment.

A casuística recomenda, portanto, que o titular fique de olhos bem abertos para o que seu substituto constitucional faz. O perigo está sempre à espreita de uma oportunidade.

Como se viu na última sucessão, bastou uma bobeada de Dilma Rousseff e o vice dela virou presidente da República. Portanto, não é crível Michel Temer, o vice que virou Presidente, vá se permitir qualquer descuido sequer em relação a isso. Ele sabe que o que um vice é capaz de fazer.

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Vitória de Pirro

O Presidente Michael Temer vai vencer na CCJ.

Com as mudanças promovidas pelo líderes dos partidos da base, o prognóstico, antes desfavorável, agora é amplamente favorável ao atual Presidente.

Vai ser uma vitória de Pirro. Pirro é aquele belicoso general macedônio que, ao final de sua guerra mais sangrenta afirmou, ao se sagrar vitorioso: “mais uma vitória dessas e estou frito!”

Temer se prepara para lutar sua batalha de Heracleia — a da primeira denúncia da PGR. Quando vier a de Ásculo, no plenário, nesta ou na próxima denúncia, pode ser que não tenha tropas suficientes para assegurar-lhe a consagração que as manobras na CCJ lhe permitirão agora.

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CCJ ao vivo: a sessão de apresentação do parecer de Zveiter

A sessão da CCJ recebe o parecer do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) sobre a admissiblidade da denúncia por corrupção passiva apresentada contra Michel Temer ao Supremo Tribuna Federal. As imagens são da TV Câmara dos Deputados.

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O jogo de Temer

Michel Temer talvez seja o Presidente que abraçou mais desbragadamente o pragmatismo em toda a história brasileira. Ele tem feito tremendos malabarismos para se manter de pé. É um bom jogador, mas não tem nenhuma preocupação com a imagem que legará para o futuro.

Para se salvar da refrega no TSE, substituiu dois ministros por gente da sua confiança. Os indicados cumpriram a tarefa com denodo.  O preço foi bem alto: a desmoralização da Justiça Eleitoral.

Temer demitiu um ministro da Justiça e contratou outro para cortar as asas da Polícia Federal. Diante da impossibilidade política de demitir também o atual diretor, está matando a PF de inanição. Os que estão na fila do passaporte e não vão viajar bem sabem o que isso significa.

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Por que Michel Temer deveria demitir Michel Temer hoje

Se o padrão de comportamento ético estabelecido por Michel Temer para seus ministros valesse para ele próprio, hoje Temer teria que demitir Temer imediatamente do governo.

No dia 13 de fevereiro, há pouco mais de quatro meses, o Presidente, acuado pela má repercussão da nomeação de Moreira Franco a um posto de ministro para dar-lhe foro privilegiado, fez um pronunciamento anunciando que seu governo tinha finalmente adotado um conjunto de normas de comportamento para o primeiro escalão.

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Seis por meia dúzia

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Michel Temer agoniza no Planalto. A Lei da Entropia atua fortemente sobre um governo que não tem saída da crise moral em que se enfiou. Nem o silêncio de certos movimentos de rua adestrados pela direita, nem o apoio determinado de um empresariado cínico em suas pretensões são capazes de fornecer o combustível necessário para equilibrar o esquálido sistema de forças sobre o qual ainda se mantém o Presidente da República.

Dita a Segunda Lei da Termodinâmica que todo sistema tende a se desorganizar com o tempo. E que a energia necessária para mantê-lo íntegro acaba sendo superada pelas forças que o levam à desorganização. O que sobrevém é o caos. Ontem, com a denúncia do Procurador-Geral da República, o governo Temer cruzou o ponto de máximo esgarçamento — aquele em que o movimento em direção ao colapso é irrefreável.

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O trunfo da impopularidade

Michel Temer chegou ao poder sem votos e com a pecha de golpista. Ele nunca foi um político popular. Seu melhor momento eleitoral foi em 2002, quando obteve 252 mil votos para deputado federal.

Da última vez que disputou uma eleição proporcional, no entanto, passou raspando, com 99 mil votos. Foi o quinquagésimo-quarto mais votado parlamentar do Estado.

Se, por um lado, nunca foi bom de voto, Temer conseguiu, com seu cacife, se transformar num parlamentar importante. Bem articulado e resistente a cenários de crises, conseguiu presidir a Câmara três vezes e o PMDB cinco vezes. E por essa injunção, chegou à condição de vice duas vezes na chapa de Dilma Rousseff antes que a corrupção do PT e suas engendrações  derrubassem sua ex-companheira.

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Simão Bacamarte, o Presidente para o lugar do #foratemer

É muito mais complicado do que parece o xadrez político da eleição indireta que a Constituição prevê  em caso de vacância dos cargos de presidente e vice-presidente. O Artigo 81 prescreve o seguinte, em seu parágrafo primeiro:

Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. É o que deve acontecer na hipótese cada dia mais provável de Michel Temer renunciar ou ser afastado.

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Delações da Odebrecht colocam Temer no colo de Eduardo Cunha

O Presidente Michel Temer está nas mãos — ou melhor, no colo — de um presidiário. Eduardo Cunha, estrela do impachment e também da Lava Jato, deve estar rindo desde que os telejornais do fim da noite de ontem trouxeram as revelações do delator Márcio Faria, ex-presidente da Odebrecht Industrial.

Em um depoimento de mais de 40 minutos, Faria descreveu com uma desconcertante naturalidade como funcionava o esquema de achaque promovido pelos políticos do PMDB contra empresas interessadas em negociar grandes contratos com a PETROBRAS. O depoimento colocou o atual Presidente da República no centro da roda.

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Vai lá, Presidente.

Arena Condá

Daniel Isaia/Agência Brasil

Presidente, se eu fosse o senhor, iria ao estádio de Chapecó. Tem um monte de gente esperando o senhor lá. As pessoas estão precisando que alguém tenha um gesto de grandeza. Pode perfeitamente vir do senhor. Basta ter um pouco de coragem. Medo de tomar uma vaia não justifica sua ausência. O senhor vai ficar com fama de covarde.

É um momento de comoção. As pessoas estão muito tristes com o que aconteceu. Realmente tristes, desoladas. Estão se sentindo como se tivessem perdido um irmão mais novo no auge da vida. Elas se emocionaram com o Ministro José Serra, para o senhor ter uma ideia!

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