O trunfo da impopularidade

Michel Temer chegou ao poder sem votos e com a pecha de golpista. Ele nunca foi um político popular. Seu melhor momento eleitoral foi em 2002, quando obteve 252 mil votos para deputado federal.

Da última vez que disputou uma eleição proporcional, no entanto, passou raspando, com 99 mil votos. Foi o quinquagésimo-quarto mais votado parlamentar do Estado.

Se, por um lado, nunca foi bom de voto, Temer conseguiu, com seu cacife, se transformar num parlamentar importante. Bem articulado e resistente a cenários de crises, conseguiu presidir a Câmara três vezes e o PMDB cinco vezes. E por essa injunção, chegou à condição de vice duas vezes na chapa de Dilma Rousseff antes que a corrupção do PT e suas engendrações  derrubassem sua ex-companheira.

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Simão Bacamarte, o Presidente para o lugar do #foratemer

É muito mais complicado do que parece o xadrez político da eleição indireta que a Constituição prevê  em caso de vacância dos cargos de presidente e vice-presidente. O Artigo 81 prescreve o seguinte, em seu parágrafo primeiro:

Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. É o que deve acontecer na hipótese cada dia mais provável de Michel Temer renunciar ou ser afastado.

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Delações da Odebrecht colocam Temer no colo de Eduardo Cunha

O Presidente Michel Temer está nas mãos — ou melhor, no colo — de um presidiário. Eduardo Cunha, estrela do impachment e também da Lava Jato, deve estar rindo desde que os telejornais do fim da noite de ontem trouxeram as revelações do delator Márcio Faria, ex-presidente da Odebrecht Industrial.

Em um depoimento de mais de 40 minutos, Faria descreveu com uma desconcertante naturalidade como funcionava o esquema de achaque promovido pelos políticos do PMDB contra empresas interessadas em negociar grandes contratos com a PETROBRAS. O depoimento colocou o atual Presidente da República no centro da roda.

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Vai lá, Presidente.

Arena Condá

Daniel Isaia/Agência Brasil

Presidente, se eu fosse o senhor, iria ao estádio de Chapecó. Tem um monte de gente esperando o senhor lá. As pessoas estão precisando que alguém tenha um gesto de grandeza. Pode perfeitamente vir do senhor. Basta ter um pouco de coragem. Medo de tomar uma vaia não justifica sua ausência. O senhor vai ficar com fama de covarde.

É um momento de comoção. As pessoas estão muito tristes com o que aconteceu. Realmente tristes, desoladas. Estão se sentindo como se tivessem perdido um irmão mais novo no auge da vida. Elas se emocionaram com o Ministro José Serra, para o senhor ter uma ideia!

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